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ESCATOLOGIA
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HERESIOLOGIA
LOUVOR E ADORAÇAO(matéria suplementar)
I

■ j r facu ldade teológica betesda


I Moldando vocacionados
APRESENTAÇÃO
“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Sen hor” (Oséias 6.3) .

O conhecime nto sobre Deus não é apenas uma possibilidade, m as também um direito de todas as pessoas. A
Bíblia S agrada nos ensina qu e Deus, graciosam ente, revela-se ao homem, convidan do a todos a experimentarem
sua bendita graça.
Com essa visão, e sob o lema “Moldando vocacionados”, a FT B - FACULDADE T EOLÓG ICA BETESDA,
uma instituição interdenominacional filiada às principais entidades da classe, oferece os seguintes cursos:

• FUND AMENTA L EM TEOLO GIA (1 ano em média) • GREGO E HEBR AICO (6 meses)
• INTERM EDIÁRIO EM TEOLO GIA (2 anos em média) • ARQ UEOL OGIA BÍBLICA (6 meses)
• BAC HARE L EM TEOLO GIA (3 anos em média) • MISSÕ ES TRANSCU LTURAIS (6 meses)
• APOLOGÉTICA CRISTÃ (1 ano)

A fim de ajudar no aperfeiçoa mento de todos os envolv idos e na expansão do reino de Deus, conform e Efésios
4.12, o objetivo da FTB é a formação integral do aluno, lapidando seus talentos e capacitando-o ao exercício
pleno das funções ministeriais.

PROPOSTA
Para a FTB, o conceito de formação teológica é mais amplo. Entendemos que não é possível obter uma boa
formação teológica sem antes passar pela formação do caráter e pelo desenvolvimento de um relacionamento
pessoal com Deus.
Dessa forma, estamos preocupados não apenas com os aspectos acadêmicos, mas antes trabalhamos
profundamente a reflexão e aplicação prática de todo o a prendizado teórico/doutrinário.
Foi com esse pensamento que preparamos a nossa Grade Geral de Disciplinas dos nív eis FUNDAM ENTAL,
INTERMEDIÁRIO e BACHAREL (ver p. 6 e 7), com matérias teológicas teóricas e práticas, vivência
cotidiana como cristão e o dia-a-dia do ministério e da igreja. Para isso contamos com professores preparados,
na sua maioria pastores de igrejas, estágios supervisionados integrando plenamente o aluno com as igrejas e
a comunidade, plantão de assistência ao aluno, aulas presenciais com professores convidados, ampliando em
muito o rendimento do aluno, entre outros recursos.

MÉTODO ADOTADO
O ensino à distância. Em meio ao corre-corre da vida moderna, a modalidade do estudo à distância é um
recurso que vem sendo utiliza do com grande sucesso em todo o m undo pelas melhores universidades. E foi para

atender
de à realidade
estudar em casa,de milhares
que de cristãos
a FTB adotou esseno Brasil,prático
modelo que gostariam de de
e eficiente ter ensino.
formação teológica com a comodidade

Aulas presenciais. Com o objetivo de criar uma interação entre alunos e professores, a FTB promove uma aula
especial (INTENSIVÃO) por mês, com renomados teólogos brasileiros e internacionais. Cada aluno será informado
com antecedência sobre a agenda e o local dessas aulas. Através do nosso site: www.faculdadebetesda.com.br e do nosso
Programa “Crescendo na Fé” (Rádio Musical FM 105,7).
Os módulos. O Plano de Educação à Distância da FTB é contemplado em 13 MÓDULOS bimestrais,
e cada módulo corresponde a um livro de alta qualidade gráfica e de conteúdo, com cinco disciplinas,
sendo quatro tradicionais e uma especial, voltada à prática da teologia e da vida cristã, totalizando 65
DISCIPLINAS, algo inovador e que revela a seriedade com que a FTB trata a formação dos seus alunos
(ver infográfico na p. 6 e 7). OBS: Caro aluno, você deve permanecer obrigatoriamente 2 meses (no
mínimo) em cada módulo. Terminando antes desse prazo, mínimo programado pela nossa diretoria
pedagógica, busque leituras adicionais para o seu enriquecimento. No final de cada matéria há uma
lista de obras interessantes como sugestão de leitura!

A avaliação. Ao final de cada módulo, o aluno deverá ser aprovado pelo Corpo Docente da FTB, quanto
ao seu aproveitamento das respectivas matérias, por meio de AVALIAÇÕES TEÓRICAS (Prova Dissertativa
Individual), que deverão ser respondidas e enviadas para a secretaria da escola ou entregues à coordenação em
alguma aula presencial (ver final de cada matéria). A NOTA MÍNIMA PARA SER APROVADO É 7.0.
Ao final de cada capítulo há algumas perguntas de recapitulação. Não há necessidade de nos enviar.

O estágio. Preocupada com a prática e a fixação do conhecimento do aluno, a FTB exige um ESTAGIO
PRÁTICO SUPERVISIONADO. Nesse estágio, cabe ao aluno, em parceria com a sua igreja, ministrar uma

aula, estudo
Estágio (ver ou pregação
modelo na p.a um
171grupo de irmãos, com a presença de um dos líderes locais, que assinará a Carta de
e 172).

O suporte. Buscando atender aos seus alunos da melhor forma possível, a FTB disponibiliza uma central
telefônica, a sala on-line do site da faculdade na Internet, além de o aluno também poder agendar uma consulta
teológica pessoal com um dos nossos docentes. Para isso basta o aluno ligar para a secretaria da FTB .

A formação. Para qualquer curso concluído, a FTB fornece CERTIFICADO e/ou DIPLOMA, sem nenhum
ônus para o al uno, além de um HISTÓRICO ESCOL AR, devidamente preenchido com as notas ob tidas.

Os pré-requisitos. Para estudar na FTB é necessário preencher alguns requisitos básicos:

• CURSO FUNDAMENTAL DE TEOLOGIA - Ser alfabet izado


• CURSO I NTERMEDIÁRIO DE TEOLOG IA - Ser alfabet izado
• CURSO BACHAREL EM TEOLOGIA - Ter 2o Grau completo ou completar até o término dos estudos na FTB

Dicas. Ao final de cada matéria há uma lista das obras consultadas. Val e a pen a você adquirir essas e outras
obras de referência, ampliando assim o seu conhecimento.
Além disso, visite o site da FTB. Nele você encontrará um ambiente totalmente voltado ao suporte do aluno
e muitos artigos e informações complementares para sua formação.
• Visite o site: www.faculdadebetesda.com.br

A Editora Betesda, mantenedora da FTB, possui muitos livros e materiais. Na condição de aluno
matriculado, você pode desfrutar de vantagens exclusivas. Consulte nosso atendimento.
• Vis ite o site: www.editorabetesda.com.br

Outra dica valiosa que deixamos para você é a revista POVOS, a melhor revista evangélica do Brasil, e
uma das m elhores do mundo na proposta editorial que apresenta. A revista POVOS cobre temas ligados
à atualidade, passando pela teologia, missões, apologética e curiosidades. Faça sua assinatura!
• Visite o site: www.revistapovos.com.br
NÚCLEOS PRESENCIAIS
Além do modelo à distância, no qual já contamos com mais de 5 mil alunos, incluindo os cursos teológicos
e de línguas bíblicas, a FTB oferece cursos presenciais, tanto em sua sede, na capital paulista, bem como em
outros núcleos regionais. Se você preferir, estude conosco em sala de aula nos seguintes cursos: Curso de
•"Teologia (Fundam ental, In termediário e Bacharel) - Curso de Línguas Bíblicas (Grego e Hebraico) - Curso de

Arqueologia Bíblica - Curso de Apologética Cristã - Curso de Missões Transculturais.


PARCERIAS FIRMADAS
Visando a troca de informações e experiências, a FTB tem firmadas algumas parcerias estratégicas
que proporcionam ao aluno e docentes grandes vantagens de acesso ao conhecimento. Algumas delas são:
AGIR (Agência de Informações Religiosas); CFT (Conselho Federal de Teólogos); AMTB (Associação de
Missões Transculturais Brasileiras); APMB (Associação de Professores de Missões do Brasil); CACP (Centro
Apologético Cristão de Pesquisas); JETRO (Instituto Jetro de Liderança); entre outros, tais como Conselhos
de Pastores e Convenções Denominacionais.

CONFISSÃO DOUTRINÁRIA
A FTB professa a fé cristã alicerçada fundamentalmente nas Escrituras Sagradas (Bíblia), como se segue:
• Cremo s que a Bíblia é a Palavra de Deus, divinam ente inspirada e sem erro quando escrita em sua
forma srcinal, sendo a única regra de fé e de prática do cristã o (2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21).
• Crem os em um só Deus Eterno que subsiste em uma Trindade de Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo
(Jo 15. 26), as quais são co-etemas e de igual dignidade e poder (Mt 3.16, 17).
• Crem os na divindad e do Filho de Deus, na sua encarnação , no seu nascim ento virginal (Lc 1.35) , na
sua morte expiatória (Ef 1.7), na sua ressurreição, bem como em sua ascensão e intercessão como nosso
único mediador (Hb 7.25).
• Crem os na justifica ção somen te pela fé (At 10.43; Rm 3.24, 10.13 ).
• Cremos na obra do Espírito Santo para a regene ração e para a santificação (Hb 9. 14).
Cremos que a verdadeira Igreja - o corpo de Cristo (Ef 1.23) - é formada por todos aqueles que confiam
em Cristo como seu Salvador , somente pela fé ( E f 2.8 ,9; 1Co 12.13), cuja responsabilidade e privil égio
é proclamar o Evangelho até os confins da Terra (Mt 28.19, 20).
• Cremos na imortalidade da alma, na segunda vinda do Senhor (Tt 2.13), na ressurreição do corpo,
no julgamento do mundo por Jesus Cristo, na bem-aventurança dos justos e na punição dos ímpios
(1 Co 15.25-27).
CONHEÇA A GRADE CURRICULAR DA FTB
MÓDULO I MÓ D U LOII M ÓD U LOIII MÓ D U LOIV M ÓD U LOV
NÍVEL FUNDAMENTAL 1. Doutrina de Cri st o- 1. Do utrina do Espírito 1. História da Igreja 1 1. Doutrina de Missões
1. Doutrina de Deus- Teologia
2. Doutrina da Bíblia Cristologia Santo - Pneumat ologi a 2. Doutrina da Igreja - Mi ssiologia
- Bibliologia 2 .H istóriad eI srael 2 .D outrinad oP ecado - 3 .E scatologia 2.E vangelismoEstratégico
5 LIVROS DIDÁTICOS 3. Geografia Bíblica 3 . Doutr ina dos Anjos- Hamartiologia 4 . Heresiologia 1 3. Hermenêutica 1
4. Panorama do Antigo Angelologia 3 . Doutrina do Homem - 5. LouvoreAdoração 4. Homilética
♦TAMANHO 21 CM X 27,5 CM Testamento 4 .P anoramado Novo Antr opologia (Matériasuplementar) 5.Vida Familiar
5. Metodologia Científica Testamento 4 .DoutrinadaSalvação- (Matériasuplementar)
Obs.: Contendo Infográficos e (Matéria suplementar) 5. Práticas Litúrgicas Soteriologia
ilustrações (Matéria suplementar) 5. Esp ir itua lida de
(Matéria suplementar)

MODULO VI MÓ D U LOVII M ÓD U LOVIII MÓ D U LOIX


NIVEL INTERMEDIÁRIO
1. Língua Portuguesa 1. H istória da I greja II 1. TeologiadoAntigo 1. Liderança Cristã
2. Gestão Ministerial 2 .ÉticaCristã Testamento 2 .LínguaGrega1
4 LIVROS DIDÁTICOS 3. Cosmovisão Cristã 3 . Heresiologia II 2.TeologiadoNovo 3 . Apologética Cristã

+ 5 MÓDULOS DO FUNDAMENTAL 4.
5. Arqueologia Bíblica I
Práticas Devocionais 45.. Língua Hebraica
Ministério 1
Infantil 3.Testamento
H ermenêutica II 45.. Aconselhamento Pastoral
Planejamento davida
(Matéria suplementar) (Matéria suplementar) 4. Missões Transculturais (Matéria suplementar)
• TAMANHO 21 CM X 27,5 CM
5. Estratégiasde Comunicação
(Matéria suplementar)
Obs.: Contendo Infográficos e
ilustrações

NIVEL BACHAREL MÓDULO XI MÓDULO XIII


MODULO X MÓDULO XII
1. Filosofia geral 1. História da igreja III 1. Filosofia Teológica 1. História da Igreja Brasileira
4 LIVROS DIDÁTICOS 2. Sociologia 2. Arqueologia Bíblica II 2. H istória de Missões 2. FilosofiaTeológica
+ 9 MÓDULOS DO FUNDAMENTAL 3. Didática 3. Língua Hebraica II 3. Pedagogia Geral 3. Exegese Bíblica II
E INTERMEDIÁRIO 4. Exegese Bíblica I 4. L ínguaGrega11 4. R eligiõesComparadas 4. TCC-Tr abalhode
5. Cidadania 5.Política 5.MeioAmbiente ConclusãodoCurso
• TAMANHO 21 CM X 27 ,5 CM (Matéria suplementar) (Ma térias uplementar) (Matérias uplementar) 5.D ireito
(Matéria suplementar)
Obs.: Contendo Infográficos e
ilustrações

VANTAGENS EXCLUSIVAS AO ALUNO FTB:


Matérias suplementares de práticas ministeriais. Assistência integral do coordenador do curso, tanto • Carteir inha Funcional de Estudante, por meio da « A grade de matérias mais completa do Brasil,
Com isso, será capacitado para viver o dia a dia pela Interne t quanto por telefone ou pessoalmente; qual terá desconto de até 50% em entradas de ampliando assim os seus conhecimentos;
da igreja local; programas culturais e livrarias;
Estágios supervisionados nas igrejas, a fim • Diploma de conclusão de caráter
Mensalmente, terá aulas intensivas presenciais de que desenvolva melhor suas habilidades e • Aulas de reforço em nossos programas de rádio e interden ominacio nal e com o respaldo das
com professores renomados; conhecimentos; TV e em nosso site na inte rne t; principais igrejas evangélicas brasileiras.
SUMÁRIO
IN T R O D U Ç Ã O ..................................................................................................................................................................12

1. A O R IG EM DA IG R E JA ........................................................................................................................................ 15
1.1 A FU ND AÇ ÃO DA IG R E JA ......................................................................................................................... 15

2. A IG R E JA NO P R IM EIR O SÉ C U L O ................................................................................................................ 17

3. A IG R E JA A PO STÓ LIC A (30 d.C . - 100 d .C .) .................................................................................................19


3.1 O PER ÍOD O PENTECO STA L (30 - 35 d .C .) ...............................................................................................19
3.2 A EXP ANS ÃO DA IGR EJA (35 - 50 d .C .) ................................................................................................. 20
3.3 A IG REJA ENT RE OS GEN TIOS (50 - 68 d .C .) ........................................................................................23
3.4 A PRIMEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA ...................................................................................................24
3.5 A SEGUNDA VIAGEM MISSIONÁRIA...................................................................................................25
3.6 A TERC EIR A VIA GEM MI SSION ÁR IA.....................................................................................................26
3.7 VIAG EM DE PAULO A R O M A ..................................................................................................................27

4. AS PERSEG U IÇ Õ ES IM P E R IA IS ................................................................................................................... 29
4.1 O PRIMEIRO TRIUNVIRATO.........................................................................................................................29
4.2 O SEGUNDO TRIUNVIRATO.......................................................................................................................29
4.3 OS MOTIVOS DAS PERS EGUIÇÕ ES ....................................................................................................... 30
4.4 OS PRIN CIPA IS P ER SEG UID ORES DA IG R EJA ................................................................................... 30
4.5 OS PRINCIPAIS MÁRTIRES.........................................................................................................................34

5. PA IS DA IG R E JA ..................................................................................................................................................... 36
5.1 PAIS APO STÓ LIC OS....................................................................................................................................... 36
5.2 APOLOG IST AS ................................................................................................................................................. 37
5.3 POLEM IS TAS.....................................................................................................................................................38

6. A I G R E JA IM P E R IA L ........................................................................................................................................... 40

REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................................43
INTRODUÇÃO
Alguém já escreveu que “para compreender o presente é preciso conhecer o passado”. Para os que amam a
obra de Deus, o conselho reveste-se de importância ainda maior, pois vivem os dias em que a Palavra de Deus tem
sido duramente confrontada. O conhecimento da história da Igreja é ferramenta eficaz para o cristão que deseja
estar informado sobre sua herança espiritual para imitar os bons exemplos do passado e evitar os erros que a
Igreja freqüentemente tem cometido ao longo de sua existência. Paulo nos lembra em 1Coríntios que os eventos
do passado dev em nos ajudar a evitar o mal e buscar o bem (1 C oríntios 10.6, 11).
A história da Igreja tem sido sempre, desde o seu nascimento até o presente, a história da graça de Deus
para com o homem. Neste volume estudarem os os primeiros cinco séculos em que a Igreja de Cristo esteve em
atividade, desde sua fundação até se transformar na Igreja imperial.
Parte dessa história pode ser lida no livro de Atos, onde encontramos o relato dos primeiros cristãos sofrendo
insultos e sendo presos e martirizados pela causa de Cristo. Os discípulos do Senhor se regozijavam por terem
sido considerados dignos de sofrer por amor ao Senhor Jesus.
Jesus havia dito que “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito
fruto” (João 12.24). Esta divina palavra aplica-se perfeitamente aos primórdios da história do cristianismo. Os
três primeiros séculos de sua história foram a época da semeadura. E a semente caiu por terra e morreu. Por mais
de duzentos anos a Igreja viveu sob a opressão do Império Romano. Escondida na terra, oprimida, martirizada.
Não é nossa intenção esgotar o assunto - e nem poderíamos desejar tal façanha mas sim fornecer um
tratamento amplo e competente das principais questões que envolveram estes séculos de ferrenha luta pela
verdade. O presente livro destina-se a todos os estudiosos da Palavra de Deus e, em particular, aos que militam
no ensino das doutrinas cristãs.
Esperamos que esta obra possa auxiliá-lo a atingir esses objetivos, e que o nome do Senhor seja glorificado.
A ORIGEM DA IGREJA
1
A Igreja de Cristo sempre existiu no eterno propósito de Deus. Ela já existia antes da fundação do mundo,
bem com o o seu plano de salvação estava determinado por Deus desde a eternidade. O sacrifício fora feito antes
da fundação do universo, isto é, antes mesmo de ser efetuado no calvário o cordeiro já era conhecido pelo Pai,
como foi revelado ao apóstolo João: “ ...o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mun do” (Apocalipse 13.8).
Em uma ordem lógica, evidenciada pelas Escrituras, sem diminuir as pessoas da Trindade, podemos dizer que
Deus Pai fundou a Igreja, Jesus Cristo materializou a Igreja e o Espírito Santo a edifica.

1.1 A FUNDA ÇÃO DA IGREJA


A Igreja, que antes fora um mistério “oculto em Deus”, agora revelado em Cristo, fez com que o “segredo
de Deus” se tomasse conhecido aos homens. A expressão “oculta em Deus” indica que a Igreja esteve sempre
nos desígnios de Deus, porém vindo a ser conhecida somente depois do ministério terreno de seu Filho Jesus
Cristo. Ele é mais o fundamento do que o fundador da Igreja. Isto fica evidente pelo uso do tempo futuro que
está mencionado em Mateus 16.18, que diz: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a
minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.
A Igreja cristã iniciou sua história por meio do cum primento da profecia de Joel, em que o derramamento do
Espírit o S anto na primavera do ano 30 d.C., por ocasião da Festa do Pentecostes, foi o marco d ivisor da história.1
Pentecostes era uma das maiores festas judaica s (depois da P áscoa), de modo que atraía fi éis de diversas partes
do mundo. Sobre isso escreveu Joaquim Jeremias: “Três grandes peregrinações que atraíam fiéis do mundo
inteiro: Páscoa, Pentecostes e festa das Tendas (Dt 16.1-16), mas a Páscoa intensificava-se ao máximo”.2Esse
mesmo autor afir ma que “Jerusalém tinha aproximadamente 1.250 milhão de metros quadrados dentro de suas
muralhas e uma população de até 200 mil habitantes” nos dias das festas.3
Foi nesse ambiente que o Espírito Santo selou aqueles que esperavam pela promessa que o mestre da Galiléia
havia dito quando “determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do
Pai, que (disse ele) de mim ouvistes” (Atos 1.4). Esse acontecimento serviu para iluminar a mente dos discípulos
do Senhor, dando-lhes um novo conceito concernente ao reino de Deus, fazendo com que eles compreendessem
que o reino do qual o mestre lhes havia falado não era um império político, mas sim um reino espiritual a ser
conquistado.
Assim P entecostes sinalizou o início da Igrej a, pois assinalou a primeira ocorrência histórica do batismo com
0 Espírito Santo, por cuja ação, e s ó po r ela, a Igreja pôde se forma r (Atos 5.13-14; 1 Coríntio s 12.13). Dessa
feita, o Espírito Santo tomou-se o agente da Trindade na mediação da redenção dos homens.
Nos seus primórdios a Igreja era con stituída de três espécies de pessoas: judeus, gentios e prosélitos. Os jude us
eram subdivididos em duas categorias: os judeus hebreus, que eram judeus da Palestina, ou especialmente
relacionados com esta região, cuja língua materna era o aramaico,4 e os judeus helenistas, representados por
“pessoas que não eram gregas, mas falavam o grego e adotavam o estilo de vida grego”;4e os prosélitos eram os
gentios que haviam se convertido à fé judaica.
1 HURLB UT, Jessé Lyman. Históri a da igreja cristã. São Paulo: Vida , 19 96, p. 19.
*J0ACHIM, Jeremias. Jerusalém no tempo de Jesus. São Paulo: Paulinas, 1986, p. 85.
3 Idem, p. 3.
4 R 0U 0F, Jürgen. Hechos de los apostoles. Madrid: Cristandade, 198 4, p. 153.
5 WILLIAMS, Derek. Dicionário bíblico Vida Nova. São Paulo: Vida Nova, 2000, p. 155.
A Igreja não estava limitada apenas à cidade de Jerusalém, porém com a perseguição a partir da morte de
Estevão os crentes da igreja de Jerusalém se espalharam por toda a parte do império, alcançando a Síria, Ásia
Menor e outras regiões.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM

CAPÍTULO 1
1. Em um a ordem lóg ica, evidenciada pelas Escrituras, sem diminuir as pessoas da Trindade, o que podemos
dizer?
2. O que indica a expressão “oculta em Deus ”?
3. Quem se tom ou o agente da Trindade na mediaç ão da redenção dos homen s?
. & * , * S>v. MÓDULO * 1HISTÓRIA DA IGREJA

A IGREJA NO

2 PRIMEIRO SÉCULO
A Igreja do primeiro século era formada por um pequeno grupo de cristãos, primeiramente reunidos em
Jerusalém e posteriormente espalhados por diferentes regiões do vasto Império Romano. Em sua grande m aioria ,
a Igreja era composta de pessoas humildes, sendo alguns escravos, embora houvesse cristãos da classe mais alta,
especialmente na igreja de Roma.5
O evangelho fez com que as barreiras existentes caíssem por terra. Um fator significativo que distinguia os
primeiros cristãos era a igualdade entre a irmandade, coisa inconcebível para a cultura da época. Escravos e
senhores foram nivelados. As mulheres alcançaram uma posição de honra e de influência que jamais haviam
conseguido na sociedade.

Eram cristãos
sociedade romana.fervorosos, e o zelo
Suas práticas erame ainigualáveis,
pureza moraljamais
afastavam os verdadeiros
conhecidas cristãos
em qualquer das sistema
outro práticas religioso.
pagãs da
A coragem dos fiéis era tamanha que se necessário fosse morrer pela fé eles não hesitavam em fazê-lo. Este
exemplo de devoção causou um forte impacto sobre a sociedade pagã da R oma imperial, o que perdurou por três
séculos, desde a morte de Cristo até o reconhecimento oficial por Constantino da importância do cristianismo
para o Estado, chegando ele mesmo a convocar e pre sid ir um grande Concilio na cidade de Nicéia.é
Enquanto os apóstolos estavam vivos, não havia necessidade de uma declaração formal da fé, pois eles
mesmos, por meio de seus testemunhos, falavam do que viram e ouviram do mestre da Galiléia. O primeiro
credo, denom inado de “credo dos ap óstolo s”, só surgiu no século II d.C., e. assim é nos registro s do Novo
Testa mento, principalmente no escritos de Lucas (livr o de Atos), que encontraremos o nascimento, crescimento
e desenvolvimento da Igreja Primitiva.7
Eram unânimes nas doutrinas, podendo-se perceber os pontos doutrinários notórios nos evangelhos bem
como nas epístolas: criam em Deus Pai, em Jesus Cristo, o Filho de Deus, e no Espírito Santo. A mensagem
centr al dos apóstolos era o arrependimento para perdão dos pecados, que deviam ser confessados e abandonados;
como viram o Senhor ressurreto, pregavam a ressurreição dos mortos, e principalmente a volta de Jesus.
Vale ressaltar que enquanto os apóstolos estavam vivos, eles mesmos ensinavam os fiéis que se convertiam,
porém não dem orou muito para que surgissem as heresias do lado de fora e os judaizantes do lado de dentro. A
Igreja crescia de maneira sobrenatural, e com isso as contradições. Deviam guardar o sábado ou não; os dons
eram para todos ou somente alguns; a volta de Jesus era iminente, etc. Estes foram alguns desafios que a Igreja
enfrentou.
Atentos a esses fenômenos, os primeiros discípulos do Senhor, para proteger os crentes, registraram suas
experiências, que vieram a ser chamadas de evangelhos, com o significado de “boas novas de salvação”. Para o
apóstolo Paulo, “evangelho” significa a proclamação a respeito de Cristo e da salvação trazida por ele (Romanos
1.1 ss.; 1 Coríntio s 15.1 ss., etc).

5 NICHOL S, Robert Hasfi ngs. H istóri a do igreja cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 200 0, p. 32.
6CAIRNS, Earle E. 0 cristiani smo atrav és dos séculos . São Paulo: Vida Nova, 1995 , p. 69.
7Veja no Volume 1, Credos, p. 44-45.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 2
1. Como era composta a Igreja do primeiro século?
2. Qual era o fator significativo que distinguia os primeiros cristãos?
3. Quais eram os pontos doutrinários notórios nos evangelhos bem como nas epístolas entre os fiéis do
primeiro século?
4. Para o apóstolo Paulo, o que significava a palavra “evangelho”?
- A IGREJA APOSTÓLICA
3 (30 D.C. - 100 D.C.)
Essa fase da Igreja é denominada de “apostólica” porque se estende desde a ascensão de Jesus até a morte do
último apóstolo, que, segundo a tradição, foi Joã o. M uitos eventos ocorreram dentro desse período, principalmente
a perseguição da Igreja e o martírio dos servos do Senhor. No livro de Atos encontramos muitos episódios que
ocorreram durante este período. O livro mostra o progresso do cristianismo de Jerusalém a toda Judéia, a Samaria
e aos confins da Terra.

3.1 O PER ÍODO PENTECOSTÁL (30 - 35 D. C.)


Cristo é mais o fundamento do que o fundador da Igreja. Isto fica evidente pelo uso do tempo futuro que faz
em Mateus 16.18, ao dizer: “...sobre esta pedra edificarei a minha igreja , e as portas do inferno não prevalecerão
contra ela” . Lucas desta ca isto ao nos inform ar “acerca de tudo que Jesus c omeçou, não só a fazer, mas a ensinar”
(Atos 1.1). Em Atos dos Apóstolos ele relatou a fundação e a divulgação da Igreja cristã pelos apóstolos sob a
direção do Espírito Santo.
A Igreja de Cristo iniciou sua história com um movimento de caráter mundial, no Dia do Pentecostes, no fim
da primavera do ano 30, cinqüenta dias após a ressurreição do Senhor Jesus, e dez dias depois de sua ascensão
aos céus.
O Espírito Santo teve o papel de proeminência na fundação da Igreja cristã. E isto estava de acordo com a
prom essa de Cristo, nas últimas sem anas de sua vida, de que envia ria “um Consolador” que lideraria a Igreja
após sua ascensão.

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador , a fim de que esteja para sempre convosco” (João
14.16).

“Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas
e vos fará lem brar de tudo o que vos tenho dito” (Joã o 14.26).

“Quando, porém, vier o Consolador , que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele
procede, esse dará testem unho de mim” (João 15.26).

“Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós
outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (João 16.7).

O início dessa nova era foi testemunhado pelo vento, pelo fogo e pelas línguas sobrenaturais (Atos 2.2-4).
Com isso, “o Pentecostes ass inalou: 1) O advento do Espírito Santo (João 16.7, 8, 13); 2) A doação e recebim ento
do dom do Espírito Santo (João 14.16; Atos 2.38, 39); 3) O abundante derramamento do dom (Atos 10.45)”.8
O Espírito Santo sempre foi e continua sendo o capacitador e guia dos fiéis, agora principalmente da
comunidade cristã formada a partir do Pentecostes. Ele se tomou o agente da Trindade na mediação da obra
de redenção dos homens. Judeus de todas as partes do m undo estavam presentes em Jerusalém para ver a Festa
do Pentecostes por ocasião da fundação da Igreja (Atos 2.5-11). A manifestação sobrenatural do poder divino

*UNGER, Merril Frederick. Manual bíblico Unger. São Paulo: Vida Nova, 2006, p. 458.
no falar em línguas, claramente relacionada à srcem da Igreja, e a vinda do Espírito Santo levaram os judeus
presente s a declararem a m ara vilha das obras de Deus em seu próprio idioma (Atos 2.11).
De modo geral, a igreja pentecostal não tinha falta de nada. Era poderosa na fé e no testemunho, pura
em seu caráter e abundante no amor. Entretanto, o seu singular defeito era a falta de zelo missionário.
Permaneceu em seu território, quando devia ter saído para outras terras e outros povos. Foi necessário
o surgimento da severa perseguição para que se decidisse a ir a outras nações desempenhar sua missão
mundial. E assim aconteceu mais tarde.

3.2 A EXPANSÃO DA IGREJA (35 - 50 D.C. )


O recebim ento do dom do Espírito Santo teve amplas conseqüê ncias na Igreja recém -formada. O apóstolo
Pedro, em seu primeiro sermão depois da experiência do Pentecostes, acusou os judeus de terem tirado a vida de
Jesus, mas que Deus o ressuscitara dentre os mortos e o exaltara pela sua própria mão direita. O derramamento
do Espírito Santo comprovava a exaltação de Jesus. Ele conclama seus compatriotas a se arrependerem e se
batizarem , “de sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra; e, naquele dia, agregaram-
se quase três mil almas” (Atos 2.41).
O crescimento da Igreja foi extraordinário, sendo acrescidos diariamente ao número dos três mil até chegarem
logo a cinco mil: “Muitos, porém, dos que ouviram a palavra creram, e chegou o número desses homens a
quase cinco mil” (Atos 4.4). Há menção de multidões se integrando à Igreja: “E a multidão dos que criam no
Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais” (Atos 5.14). É interessante que muitos eram
judeus helenistas: “Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos
contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano” (Atos 6.1). Nem mesmo os
sacerdotes ficaram imunes ao contágio da nova fé: “E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava
muito o número dos discípulos, e gran de pa rte dos sacerdotes obedecia à fé ” (Atos 6.7).
Este crescimento tão rápido não se fez sem a oposição da parte dos judeus. As autoridades eclesiásticas logo
perceberam que o cristianismo representava uma ameaça às suas prerrogativas como intérpretes e porta-vozes
de Deus; por isso, reuniram suas forças para combater o cristianismo. A perseguição veio primeiramente de um
organismo político-eclesiástico, o Sinédrio, que, com permissão romana, supervisionava a vida civil e religiosa
dos habitantes da Palestina. Pedro e João tiveram de comparecer perante este egrégio tribunal para se explicarem,
onde receberam a determinação para não pregar o evangelho, mas eles se recusaram a cumprir a ordem. Mais
tarde a perseguição tomou cunho mais político. Herodes matou Tiago e prendeu Pedro (Atos 12) nesta fase de
perseguição.
A perseguição deu ao cristianismo seu primeiro mártir, Estêvão. Ele foi um dos sete homens escolhidos
pelos discípulos para cuidar da distribuição da assistência às viúvas na igreja de Jerusalém. Judeus provenientes
de Cirene, Alexandria, da Cilícia e da Ásia começaram uma discussão com Estêvão e não podendo resistir à
sabedoria e ao espírito com que falava, levaram-no perante o Sinédrio sob a acusação de blasfêmia (6.9-14).
Em seu discurso emocionante ele denunciou os líder es judaicos por sua rejeição a Cristo, e estes subornaram
falsas testemunhas contra Estêvão. O resultado foi um interrogatório premeditado que desencadeou uma série de
fatos. Primeiro, a exposição de Estêvão da história de Israel, depois seu apedrejamento pelos judeus e por fim sua
morte. A morte de Estevão como primeiro mártir da fé cristã foi um fator importante na divulgação e crescimento
do cristianismo. Saulo, depois Paulo, guardou as vestes de Estêvão (Atos 7.58).
A expansão inidahl#cristianismo

<7.fedrov&taa
/ casa de Cornéto

íAriam

Cesarèia
4. Filipe prega
desde Azoto
até Cesaréã S A M A R I A
(At 8 40)

. J Filipe prega ) /
em Samaria > /
VAntipáUide ifit8.5)
6,Pedro ressuscita L ^2. Batismo oeSirgão,
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etíope com Filipe
ÍAt8J<h39)
Vagens de Pedra
Viagens de Filipe
Oeunueo volta
para d Etiópia Viagem de volta

A perseguição que se seguiu foi mais dura e acabou sendo o meio usado pela Igreja nascente para que sua
mensagem fosse levada a outras part es do m undo (Atos 8.4).
O cristianismo primitivo promoveu uma grande mudança social em certas regiões. A igreja de Jerusalém
insistiu sobre a igualdade espiritual dos sexos e d eu m uita importância às mulheres n a igreja. A lideranç a de D orcas
na promoção do trabalho de caridade foi registrada por Lucas (Atos 9.36). A criação de um grupo de homens
para tom ar conta das necessidades foi outro acontecimento de relevância social ocorrido ainda nos primeiros
anos do nascimento da Igrej a. A caridade deveria ser administrada por um corpo organizado, os precursores dos
diáconos. Com isso, os apóstolos ficaram completamente livres para o exercício de sua liderança espiritual. A
necessidade, devido ao rápido crescimento e possivelmente à imitação das práticas da sinagoga judaica, levou à
multiplicação de ofícios e oficiais bem cedo na história da Igreja. Algum tempo depois, os presbíteros (anciãos)
passaram a integrar o corpo de oficiais, finalmente formado de apóstolos, presbíteros e diáconos, que dividiam a
responsabilidade de liderar a igreja de Jerusalém.
As perseguições fizeram com que o evangelho alcançasse regiões não judaicas. O ministério de Filipe, em
Samaria, preparou os samaritanos para a admissão no privilégio do evangelho e no dom do Espírito Santo. A
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igreja em Jerusalém enviou Pedro e João a Samaria para que confirmassem tal fato, o que foi evidenciado pelo
batism o com o Espírito Santo (Atos 8. 17).
Atos 1-8 apresenta a disseminação do evangelho de Jerusalém a “toda Judéia e Samaria”. O restante do
livro trata da preparação do grande evangelizador dos gentios (cap. 9), da apresentação oficial do evangelho aos
gentios (cap. 10-11) e da extensão do testem unho do eva ngelho aos “confins da terra” (cap. 12-28).

A c onversão de Paulo
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'1 . Paulo
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Lucas, de maneira significativa, relata a conversão de Saulo de Tarso. Ele viu o Cristo ressurreto e ascendido
que transforma sua vida de perseguidor a perseguido. À conversão de Paulo seguiu-se uma missão de pregação
em Dam asco, e “nas sinagogas, pregava a Jesus, que este era o Filho de Deus” (Atos 9.20) confundindo os judeus
que habitavam naquelas cidade s.
Ódio e perseguições intensas em Damasco fizeram com que Paulo fugisse de noite para Jerusalém. Nesta

cidade
motivo Paulo disputava
foi enviado não sóa sua
de volta comterra
os judeus
natal, como
Tarso,também com oscapital
via Cesaréia, gregose que o procuravam
principal matar. Por
porto marítimo este
da Judéia.
Tarso ficava na Cilícia, no sudeste da Ásia Menor, defronte a Selêucia, porto marítimo de Antioquia, no golfo
de Isso.
0 teatro fica situado bem no sul da cidade de Cesaréia. É atribuído ao Rei Herodes e foi a primeira das instalações romanas de
entretenimento construídas em seu reinado. 0 teatro está de frente para o mar e tem milhares de lugares organizados numa estrutura
semicircular arqueada. 0 piso semicircular da orquestra, revestido de início com gesso pintado, foi posteriormente lajeado com mármore.

Pedro em Cesaréia assinalou a dispensação do Espírito Santo aos gentios. O sermão de Pedro na casa de
Comélio faz soar a universalidade do evangelho: “todo aquele que crê”. O evangelho não se destina somente
aos judeus; é para todos. Deus concedeu seu Espírito a gentios, assim que foi exercida a fé, antes mesmo que o
apóstolo Pedro terminasse a sua pregação. Foi desta m aneira que Deus demonstrou que aceitava na Igreja cre ntes
gentios, samaritanos, etc., já que estes haviam recebido o dom do Espírito Santo.
Pedro, questionado sobre o que ocorrera entre os gentios, usa esse súbito ato de Deus em sua própria defesa
contra cri stãos judeus que o criticavam porque ele tivera contato pessoal com gentios. Pedro d eclarou que o dom
do Espírito concedido aos gentios era o mesmo, i.e., idêntico ao dom srcinalmente dado a Israel em Atos 2.
Lucas registrou a propagação do evangelho em Antioquía da Síria, onde pela primeira vez os seguidores
de Jesus foram chamados de cristãos (Àtos 11.26). Sobre esta denominação, Robert Gundry disse: “O apelido
cristãos’ pela primeira vez aplicado aos crentes. .. ilustra o fato que gradualm ente a Igreja estava s endo reconhecida
como algo mais do que uma seita judaica - era um movimento distinto do judaís mo ”.9

3.3 A IGREJA ENTRE OS GENTIOS (50 * 68 D.C.)


Lucas, escritor habilidoso, diz que a fama da igreja em Antioquia chegou aos ouvidos da igreja que estava
em Jerusalém, que, para verificar tal acontecimento, enviou para lá Bam abé. Este “quando chegou e viu a graça
de Deus, se alegrou e exortou a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor” (Atos 11.23).
Bam abé foi a Tarso e trou xe consigo Paulo para que o auxiliasse junto a esta igre ja.
Em Antioquia da Síria estava a primeira igreja gentia e a m aior igreja missionária depois de Jerusalém. Além
dessas duas características, gentia e missionária, Antioquia também teve o privilégio de ter o apóstolo Paulo
como seu pastor (v. 26), tomando-se a base missionária deste apóstolo. Vejamos como esta etapa tão importante
da evangelização mundial com eçou a se cumprir de acordo com o plano mestre estabelecido por nosso Senhor.
Antioquia da Síria distava 500 quilômetros de Jerusalém e gozava de posição estratégica favorável para missõe s.
Localizava-se na divisa entre os dois mundos culturais da época ~ o grego e o semita. Não deve ser confundida com
a Antioquia da Pisídia (Atos 13.14). Era a terceira cidade do Império Roman o, vindo depois de Roma e Alexandria.
Passou a ser a capital da província romana da Síria, em 64 a.C., quando P ompeu a conquistou.
Era cidade de população mista, e boa parte desta era de judeus. Josefo afirma que muitos judeus emigraram

para a região
justifiqu nos presença
e a forte dias dosjud
selêucidas e outros fugiram
aica em Antioquia para lá da
nesse período durante as da
história guerras
Igreja.dos Macabeus.
A chegada do Isso talvez
evangelho
à cidade demonstrou muito cedo o caráter universal da mensagem cristã. A partir daí o cristianismo saiu dos
círcul os judaicos para ser pregado a todos os povos, conforme determinação do S enhor Jesus (Mateus 28.19-20;
Marcos 16.15).

9 GUNDRY, Robert. Pano ram a do No vo Testamento. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1 99 9, p. 24 9.
Nesse tempo, Tiago, filho de Z ebedeu, foi martirizado e Pedro se encontrava preso. O pe rseguido r da igreja
era Herodes Agripa I, neto de Herodes, o Grande e de Mariana, descendentes dos macabeus.
Depois que Pedro foi solto por um milagre, Herodes partiu da Judéia para Cesaréia, “para participar do
festival quadrienal em honra ao imperador romano que aconteceu na primavera de 44 d.C., onde foi acometido
de uma enferm idade mortal depois de ser saudado como divino ” .10

3.4 A PRIMEIRA VIAGEM M ISSIONÁRIA


No livro de Atos, capítulos 13 e 14, encontra-se registrada a primeira viagem missionária que Ba mabé e Saulo
realizaram (o mapa expõe o percurso que ambos percorreram).

De Antioquia foram para Selêucia e dali navegaram para Salamina, 208 quilômetros a sudoeste de Antioqu ia,
na costa leste de Chipre, terceira maior ilha do mediterrâneo. Salamina era a maior cidade da ilha, com grande
população judia, o que facilitou a pregação do evangelho nas sinagogas. Atrav essaram a ilha até Pafos, atual
Baffo, perto da moderna Ktima, onde ocorreu o episódio em que o mágico jude u B arjesus (Elimas) foi cegado e
o procônsul Sérgio Paulo se converteu (Atos 13.6-12).
Cruzando os 289 quilômetros de m ar a partir de Pafos, Paul o e Ba mabé aportara m em Perge, princi pal cidade
da Panfília, na Ásia Menor. Artemis, a deusa da natureza, era adorada ali, como mostram as moedas de Perge. Foi
nessa cidade que João Marcos decidiu abandonar a viagem e voltar para Jerusalém (Atos 13.23).
De Perge seguiram em direção a Antioquia da Pisídia, a 160 quilômetros de distância. Esta cidade ligava-se
a oeste com a Apaméia, Colossos, Laodicéia, Magnésia, Éfeso e o mundo grego do Egeu. A leste dava acesso a
Listra, Derbe, e via Portas Cilicianas a Tarso, Isso e Antioquia da Síria, às margens do Orontes.
Expulsos de Antioquia por judeus descrentes, os missionários partiram em direção a Icônio, na Frigia, onde
“entraram juntos na sinagoga dos judeus e falaram de tal modo, que creu uma grande m ultidão, não só de judeus,
10UNGER, Merril Frederick. Op. cit., p. 467.
mas também de gregos” (Atos 14.1). Nes ta cidade também tivera m de sair fugidos, indo parar em Listra e Derbe,
onde pregaram o evangelho. Sobrevindo alguns judeus de Antioquia e de Icônio, juntamente com a multidão
apedrejam Paulo. No outro dia, tendo recobrado as forças, foi com Bamabé para Derbe.
E tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e
Antioquia, co nfirmando o ânimo dos discípulos, exortand o-os a permane cer na fé, pois que por muitas tribulações
nos importa entrar no Reino de Deus.

3.5 A SEGUNDA VIAGEM M ISSIONÁRIA


Depois do concilio de Jerusalém Paulo desejou visitar os irmãos nas cidades que antes havia estado. Antes de
iniciarem a segunda viagem missionária, Paulo e Bama bé se desentenderam e se separaram por causa de João Marcos.
Bamabé queria levar João Marcos, mas Paulo não. Por isso, “Bamabé, levando consigo a Marcos, navegou para
Chipre. E Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu, encomendado pelos irmãos à graça de Deus ” (Atos 15.39-40).

Nesta segunda empreitada, partem novamente de Antioquia, que j á era notável pelo seu ard or missionário.
Paulo e Silas visitaram as igrejas da Ásia Menor, estabelecidas na primeira viagem, por via terrestre, passando
pelo monte Amanus, às portas da Síria, adentrando a C ilícia e a Galácia.
Ao visitar novamente Derbe e Listra, une-se ao apóstolo o jove m Timóteo, que, na Igreja Primitiva , tomar-se-ia
notável por seu ministério e por suas afeições por Paulo (Atos 16.1-3). Como se pode ler, Timóte o era o “verdadeiro
filho” (1 Timóteo 1.2-18; 2 Timóteo 1.2) e “nosso irmão e ministro de Deus” (1 Tessalonicenses 3.2).
O Espírito Santo os levou a Trôade, passagem m arítima da Europa, onde Paulo recebe u uma visão macedônica.
De Trôade, antigo porto no Egeu, foram a Samotrácia, ilha do Egeu, mais ou menos a meio caminho da viagem
de 280 quilômetros entre Trôade e Neápolis. Nesta cidade encontrava-se o porto de Filipos e ponto final da
famosa grande via Egnácia, que cruzava Filipos e a Macedônia.
Em Filipos, cidade da Macedônia, o evangelho foi anunciado alcançando uma mulher chamada Lídia,
vendedora de púrpura, natural de Tiatira, no extremo sul da Mísia, colônia dos macedônios. Sua casa passa a
ser local de encontro dos cristãos na Europa. Nesta cidade Paulo se deparou com uma jovem possessa por um
espírito de adivinhação, o qual dava muitos lucros aos seus senhores. Depois de muitos dias, Paulo, perturbado,
expulsou o demônio que possuía a jovem. Esse fato fez com que Paulo e Silas fossem presos e levados diante
dos magistrados. Acusados por praticarem difamação, foram açoitados e presos. Lucas nos informa que, “perto
da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam. E, de repente,
sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e
foram soltas as prisões de todos” (Atos 16.25-26). Mais uma família se converte ao evangelho de Jesus cristo: a
do carcereiro (Atos 16.32).
Paulo é posto em liberdade devido a sua cidadania romana, que não permitia serem condenados sem
manifestarem sua defesa. Entrando em casa de Lídia, confortaram os irmãos e partiram em direção a
Tessalônica.
Enquanto o apóstolo permaneceu nessa cidade, recebeu dos fi lipenses um generoso auxílio “não somente uma
vez” (Filipens es 4.16). Atos 17 mostra quão vigoros a foi a pregação de Paulo nessa cidade. D epois de um grande
alvoroço na cidade, Paulo e Silas foram enviados a Beréia.
Distante 80 quilômetros de Tessâlonica, Paulo encontrou uma comunidade judaica que, ao contrário de
Tessalônica, era tida como nobre, pois conferiam tudo o que ele dizia comparando com as Escrituras Sagradas.

Paulo deixousuaSilas
Durante e Timót
estada eo nessaPaulo
em Atenas, cidadeproferiu
e prosseguiu viagem em
um memorável direção
discurso no aAreópago
Atenas. perante os filósofos
epicureus e estóicos. Segundo a tradição, Dionísio areopagita, que se converteu por meio do discurso de Paulo,
fundou nesta cidade a igreja, sendo ele o primeiro bispo. Depois Paulo partiu em direção a Corinto.
Paulo permaneceu em Corinto por 18 meses. Nessa cidade ele fundou uma forte congregação (Atos 18.1-18).
De Corinto, Paulo escreveu a Epístola aos R omanos, na qual ele faz uma detalhada descrição dos víci os pagãos
(Romanos 1.21-32). Paulo tomou consigo Priscila e Áquila e navegaram para a Síria até chegar a Efeso.
Eles fundaram um pequeno núcleo na culta cidade de Atenas e ainda uma forte congregação em Corinto, a
metróp ole com ercial da Grécia. Nest a viagem Pa ulo escre veu três epístolas: Ia e 2a Tessalonice nses e a Carta aos
Gálatas.

3.6 A TERCEIRA VIAGEM MISSIONÁRIA


Quando Paulo iniciou sua terceira viagem missionária, o cristianismo já era conhecido em todo Império
Romano. Ele visitou a igreja em Antioquia, relatando suas experiências como já havia feito antes (Atos 14.26-
28). Dali seguiu em direção às igrejas que antes havia fortalecido. Ele revisitou a Galácia e a Frigia, regiões onde
estavam localizadas as cidades de Derbe, Listra e Antioquia da Pisídia.
Ao chegar a Éfeso, encontrou alguns discípulos que nada sabiam sobre o batismo com o Espírito Santo,
conhecendo apenas o batismo de João. “E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e
falavam línguas e profetizavam . Estes eram, ao todo, uns doze varões” (Atos 19.6-7). Ne sta cidade Paulo ficou por
três anos ensinando na escola de Tirano (Atos 20.31). As oposições em Éfeso foram muitas. Paulo enfrentou não
só o demonismo que inspirava a idolatr ia na cidade como também o judaísm o contaminado pelo paganismo.
Depois de deixar Éfeso, Paulo propôs ir para Jerusalém, passando pela Macedônia, visitando novamente as
igrejas fundadas ali (Atos 20.1-6). Em Trôade Paulo havia recebido a visão para evangelizar a Europa (Atos
16.8-10). De Trôade Paulo foi a Assôs e dali para Mitilene, cidade mais importante de Lesbos. A caminho de
Mileto, passaram por Quios e Samos, ilhas do mar Egeu. Mileto era uma cidade portuária, tão importante quanto
Éfeso. Nesta cidade Paulo mandou chamar os anciãos de Éfeso, alertando contra a falsa doutrina e os falsos
mestres (Atos 20.17-38).
De Mileto navegaram até Cós e Rodes, ilhas do extremo sul do mar Egeu, a nordeste da ilha de Creta. De lá
foram para Pátara, porto marítimo da Lícia. Deixando este porto foram para a Síria, costeando a ilha de Chipre.
Aportaram em Tiro, onde os discípulos do Senhor, cheios do Espírito Santo, exortavam a Paulo para não ir a

CURSO DE TEO LOG IA


Jerusalém (Atos 21.4). Partiram para Ptolemaida, permanecendo ali um dia. No dia seguinte foram para Cesaréia,
ficando na casa de Filipe, o evangelista, um dos sete diáconos (Atos 6.1-7; 8.5-12). Permanecendo por alguns
dias ali, um profeta de nome Agabo, executando um ato simbólico, predisse a prisão de Paulo.
Em Jerusalém foi à casa de Tiago relatando seu ministério entre os gentios.

3.7 VIAGEM DE PAULO A ROMA


Paulo foi preso em Jerusalém, como havia profetizado Agabo, acusado de sedição. Em sua defesa, o apóstolo
faz um longo discurso aos seus compatriotas, que o ouvem até o momento em que disse que Deus o enviara
a pregar aos gentios, quando então clamaram pelo sangue de Paulo (Atos 22.22), tal qual haviam feito com
Jesus.
Perante o Sinédrio, Paulo dividiu seus ouvintes quando disse ser ele fariseu, filho de fariseu. O inquérito
terminou em grande confusão. No outro dia planejaram matar Paulo, que foi avisado por seu sobrinho. Paulo
pediu ao centurião que levasse seu parente até Cláudio Lísias. Imediatam ente o tribuno enviou Paulo para
Cesaréia, escoltado por “duzentos soldados, e setenta de cavalo, e duzentos lanceiros” (Atos 23.23).
Em Cesaréia Paulo apresentou-se ao governador Félix, que aguardou a chegada de seus acusadores. Cinco
dias depois compareceram Ananias, sumo sacerdote, e Tértulo, orador, os quais acusaram Paulo. Não tendo
como provar nada contra o apóstolo, Félix “mandou ao centurião que o guardassem em prisão, tratando-o com
brandura, e que a ninguém dos seus proibisse servi-lo ou vir te r com ele” (Atos 24.23).
Um indivíduo por nome Pórcio Festo sucedeu a Félix no governo da província. Festo subiu a Jerusalém, onde
se encontrou com o sumo sacerdote e os principais dos judeus que pediram que Paulo fosse julgado ali. Festo
disse que Paulo estava em Cesaréia e que deviam ir até lá acusá-lo. Em pouco tempo foram até aquela província,
P m.
Itailll
HISTÓRIA DA IGREJA
-

levantando contra Paulo muitas e graves acusações, que não podiam provar. Festo, querendo agradar aos judeus,
perguntou se Paulo queria ser julga do em Jerusalém. Paulo, sabendo da tragédia que seria ser julgado por uma
corte judaica, preferiu o tribunal de César.
Alguns dias depois desse ocorrido, o rei Agripa e Berenice vieram a Cesaréia saudar Festo. Este relatou tudo
o que havia ocorrido, o que despertou a curiosid ade do rei, que pediu para ouvir Paulo. Diante dessa s autoridades
Paulo novamente testem unhou acerca de sua fé . Festo e Agripa concordaram que Paulo não era culpado de crime
merecedor de morte, nem mesm o de prisão (Atos 26.30-31).
Paulo partiu de Cesaréia, escoltado por um centurião por nome Júlio, da Coorte Augusta. No dia seguinte
aportaram em Sidom, onde Júlio permitiu que Paulo fosse rever seus amigos (Atos 27.3). Partiram dali e foram
costeando a ilha de Chipre, atravessando o mar ao longo da Cilícia e Panfília, parando em Mirra, na Lícia. Nesta
cidade eles trocaram de embarcação. Passaram por Cnido, Salmona até chegar a Bons Portos. Paulo advertiu que
a viagem seria penosa, mas não lhe deram ouv idos. O navio veio a naufragar em Malta, porém todas as 276 almas
foram salvas. Os habitantes da ilha foram generosos com os sobrevivente s. Três meses depois partiram num navio
de Alexandria. Chegaram a Siracusa, permaneceram ali três dias, e depois foram para Régio, Putéoli e Roma.

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Naufrágio em Malta [Sidom


após tempestade
28)
no mar {Af

500 km

Antipátride m m *§
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VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGE M
CA PÍ TULO 3
1. Por que uma fase da Igreja foi denom inada de apostólica?
2. Quando a Igrej a de Cri sto iniciou s ua hist ória com u m movimento de caráter mundial?
3. Qual foi o meio usado por Deus para que a I greja nascente levasse a mensagem a outr as part es do
mundo?
5. Quais as duas princip ais características da igreja de Antioquia ?
6. Quando o apóstolo Paulo chegou a Efeso, em sua terce ira viagem missio nária, encontrou alguns
discípulos de quem?
A AS PERSEGUIÇÕES

4 IMPERIAIS
Nâo existe em Roma monum ento m ais expressivo da fé cristã do que as catacumbas. É a expressão mais viva
da Igreja Primitiva, a igreja dos mártires. D esde que a Igreja foi fundada até o Edito de Co nstantino, em 313 d.C.,
podemos dizer que ela sempre foi perseguida, ora ma is ora menos, pelo Império Rom ano.
Jesus disse que “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto”
(João 12.24). Esta divina palavra aplica-se perfeitamente aos primórdios da história do cristianismo.
Os três primeiros séculos de sua história foram a época da semeadura. Por mais de duzentos anos a Igreja viveu
sob a opressão do Império Romano. O fato de maior destaque nesse período foi, sem dúvida, as perseguições
realizadas pelos Césares. Essas perseguições duraram até o ano 313 d.C., quando Constantino se converte ao
cristianismo. Ele ordena que as perseguições sejam cessadas e dec lara o cristianismo religião ofici al do império.

4.1 O PRIMEIRO TRIUNVIRATO


Pompeu, Crasso e Julio César formaram o primeiro triunvirato, ou seja, uma aliança entre três líderes com
a finalida de de dividir o poder de Roma entre eles. Assim, C ésar foi eleito cônsul e tom ou medidas a favor de
Crasso e Pompeu.
César fo i guerrear na Gália (que co rrespondia essencialmente à Franças atual). De forma brilhante, submeteu
os gauleses. Foi então para a Bretanha (Inglaterra) e obteve mais uma vitória. Enquanto isso, Crasso morreu
fazendo guerra no Oriente.
%0 desejo de César era governar Roma sozinho, e foi o que fez. Arregimentou seus soldados rumo à
Itália, passando pelo rio Rubicão, onde confrontou os exércitos de Pompeu. César venceu, e Pompeu acabou
assassinado.
Depois de guerrear no Egito e ter se apaixonado por Cleópatra, a qual deixou governando, ele volta para
Roma e proclama-se ditador vit alício . O Senado ainda funcionava, mas com m edo da ditadura suprema de César.
Então começaram a conspirar contra ele, até que, de surpresa, o mataram a facadas.

4.2 O SEGUNDO TRIUNVIRATO


Com a morte de César, seus generais Marco Antônio e Lépido ambicionavam tomar o poder. Juntaram-se
a Otávio, que era neto do irmão de Júlio César. Assim, Marco Antônio. Otávio e Lépido formaram o Segundo
Triunvirato.
Eles logo mostraram suas intenções: prenderam e executaram centenas de opositores, inclusive vários
senado res. O grande orador Cícero, conhecido como “gargant a de ouro" foi uma das vítimas da repressão
política. Marco Antônio e Otávio dividiram o poder, mas não demorou muito para que os exércitos dos dois se
enfrentassem.
Assim como César, Marco Antônio também visitou o Egito e se encantou com a beleza de Cleópatra. Seu
amor era grande, mas não seu exército, que foi vencido pelo de Otávio. Com Otávio a república se extinguia e
começava a era do Império Romano.
Otávio assumiu o poder em 31 a.C. e se autoproclamou imperador. A partir deste momento esse período
da história romana passou a ser denominado pelos historiadores de Império. Tudo ficou sob seu controle; ele
indicava os senadores e outros magistrados, era chefe militar, a autoridade religiosa, recebendo em 27 a.C. o
título de Augusto (divino).
Depois da morte de Otávio Augusto (30 a.C. - 14 d.C.), o primeiro imperador romano, quatro parentes seus o
sucederam, entre eles Cláudio, que invadiu a Bretanha, em 43 d.C. No decorrer dos dois séculos que sucederam a
morte de Otávio, quatro dinastias ocuparam sucessivamente o poder em Roma: dos Júlios-Cláudios (14-68 d.C.),
dos Flávios (68-96 d.C.), dos Antoninos (96-193 d.C.) e dos Severos (193-235 d.C.)
A transferência de poder de uma dinastia para outra nunca se deu de forma pacífi ca, mas geralmente acabava em
guerra civil, envolvendo exércitos e senadores. Entre a dinastia dos Antoninos e a dos Severos houve sangrentas
lutas, e no prazo de um ano Roma teve quatro imperadores (Juliano, Nigro, Clódio Albino e Sétimo Severo).

4.3 OS MOTIVOS DAS PERSEGUIÇÕES


Após a morte de Jesus, seus discípulos saíram para os lugares mais distantes anunciando as “Boas Novas”.
Não demorou muito para que o cristianismo se tomasse expressivo, ganhando adeptos de todas as cam adas da
sociedade, mas principalmente dos mais humildes.
O governo imperial se incomodava com o crescimento do cristi anismo e com os “mistérios” que envolviam
os cristãos, que se negavam a participar das cerimônias religiosas realizadas pelos romanos, bem como aceitar
que o imperador fosse adorado como um deus. Este foi o principal motivo das perseguições, porém podemos
ainda destacar outros, como, por exemplo, o político e o social.

a) Religioso - As reuniões secretas dos cristã os logo despertaram suspeitas. Foram acusados de:pratic arem
atos imorais e criminosos durante a celebração da Ceia do Senhor. Eram também acusados de incesto, de
canibalismo e de práticas desumanas, a ponto de serem acusados de infanticídio em adoração ao seu Deus. A
expressão “beijo da paz” foi logo transformada em acusações de incesto e outras formas de conduta imoral que
repugn avam a mente cultural rom ana.11 O cristianismo, em seu rápido crescim ento, prestava lealdade m oral e
espiritual a Cristo. Quando a escolha entre Cristo e a lealdade a César tinha de ser feita, César era colocado em
segundo plano.

b) Político - Os cristãos rejeitavam a escravidão e se recusavam a adorar o imperador como se ele fosse um
deus. A adoração ao imperador era considerada prova de lealdad e. H avia estátuas dos imperadores reinantes nos
lugares mais visíveis para o povo adorar. Os cristãos recusavam -se a prestar tal adoração. Além dis so, organizaram
uma igreja que parecia um Estado dentro do Estado e, portanto, fora do controle do governo romano.

c) Social -OsO primeiros


à escravidão. cristianismo preg chegaram
cristãos ava a igualdade de comunidades
a fundar t odos perantenas
o Senhor,
quais ose bens
isso eram
parecirepartidos
a ser umaigualmente
idéia contrária
e ninguém era mais rico ou mais pobre do que o outro (Atos 2.44-45; 4.34-35). A importância do papel feminino
dado pelo Novo Testamento também levou muitas mulheres (de todas as classes) a aderir ao cristianismo antes
de seus familiares masculinos. Portanto, na igreja cristã não havia distinção entre seus membros, nem em suas
reuniões, por isso foram considerados como “ niveladores da sociedade”, e assim os cristãos eram considerados
anarquistas, perturbadores da ordem social, logo tinham de ser exterminados.

4.4 OS PRINCIPAIS PERSEGUIDORES DA IGREJA


O cristianismo era cons iderado uma am eaça à sociedade romana. Afinal , os cristãos contestavam a escravidão,
a autoridade máxima do imperador , a g anância e a vida imoral dos ricos. Por isso, as perseguições tom aram-se
cada vez mais constantes, e entre os perseguidores podemos destacar :

NE RO (54- 68 d.C.)
Depois da morte de Cláudio, assumiu o império o homem indicado por ele, Nero, da dinastia dos Júlios-
Cláudios. Nero governou de 54 a 68 d.C., sendo seu governo marcado pelas perseguições aos cristãos.
Como seus antecessores, Nero tratou logo de se livrar de seus opositores. Ordenou que a própria mãe fosse
11 CAIRNS, Earle i. 0 cristianismo através dos séculos. São Paulo: Vida Nova, 19 95, p. 72.
assassinada. Em 64 d.C. um grande incêndio consumiu dez dos quatorze bairros de Roma. Suetônio escreveu
dizendo que foi o próprio Nero quem mandou incendiar Roma. Tácito, um historiador pagão, que não era nada
favorável ao cristianismo, descreveu a conduta de Nero da seguinte maneira:

Mas os empenhos humanos, as liberalidades do imperador e os sacrifícios aos deuses não conseguiram apagar o

escândalo
e castigou,e com
silenciar os rumores
supremos de ter sido
refinamentos ordenado ouma
de crueldade, incêndio
casta de
deRoma.12Para livrar-se
homens detestados de su
por suspeitas,
as abominNero culpou
ações13e
vulgarmente chamados de cristãos. Cristo, do reinado de Tibério. Reprimida durante algum tempo, essa superstição
perniciosa voltou a brotar, já não apenas na Judéia, seu berço, mas na própria Roma, receptáculo de quanto sórdido
e degradante produz qualquer recanto da terra. Tudo, em Roma, encontra seguidores. De início, pois, foram presos
todos os que se confessavam cristãos. Depois, uma multidão enorme foi condenada não por causa do incêndio, mas
acusada de ser o opróbrio do gênero humano. Acrescente-se que, uma vez condenados à morte, eles se tomavam
objetos de diversão. Alguns, costurados em peles de animais, expiravam despedaçados por cachorros. Outros morriam
crucificados. Outros ainda eram transformados em tochas vivas para iluminar a noite. Para esses festejos, Nero abriu de
par em par seus jardins, organizando espetáculos circenses em que ele mesmo aparecia misturado com o populacho ou,
vestido de cocheiro, conduzia sua carruagem. Suscitou-se, assim, um sentimento de comiseração até para com homens
cujos delitos mereciam castigos exemplares, pois se pressentia que eram sacrificados não para o bem público, mas para

satisfação da crueldade de um indivíduo.14

Não se sabe quantos sofreram por essa ocasião, mas de certo foram muitos, e eram-lhes aplicadas todas as
torturas que um espírito engenhoso e cruel podia imaginar, para satisfazer os depravados gostos do imperador.
Próximo ao Vaticano, onde hoje se eleva a monumental basílica de São Pedro, erguia-se outrora o circo de
Nero, em meio aos jardins imperiais. Nero expôs os cristãos aos mais cruéis suplícios: crucificação, caçadas de
animais, tochas vivas para iluminar os espetáculos noturnos. Foi sob seu governo que os apóstolos Pedro e Paulo
foram martirizados.

TITO
Após a morte de Nero, em 68 d.C., iniciou-se o governo dos Flávios. Vespasiano derroto u Vitélio e se apossou
do poder imperial, dando início a uma nova dinastia. No ano de 70, Tito, filho de Vespasiano, iniciou o cerco de
Jerusalém, tendo sob seu comando “quatro legiões completas, partes de duas outras, vinte coortes de infantaria,
oito esquadrões de cavalaria e numerosas tropas auxiliares, além, obviamente, do que havia de mais moderno em
máquina s de asséd io” .15
O santuário foi totalmente consumido pelo fogo no ano 70, 9 de Av pelo calendário judaico, mesma data em
que 656 anos antes o primeiro templo fora destruído por Nabucodonosor.
Flávio Josefo lamentou: “Não poderíamos, porém, nos não admirarmos assaz, de que a destruição desse
incomparáve l Templo, tenha acontecido no mesm o mês e no mesm o dia em que os babilônicos outrora o haviam
também incendiado. Esse segundo incêndio aconteceu no segundo ano do reinado de Vespasiano, mil cento e
trinta anos, sete meses e quinze dias depois que o rei Salomão o havia construído pela primeira vez; seiscentos
e trinta e nove anos, quarenta e cinco dias depois que Ageu o tinha feito restaurar, no segundo ano do reinado de
Ciro”.16
A queda de Jerusalém e a destruição do Templo decidiram o curso da guerra, mas não a terminaram de
vez, conforme a profecia. A t erra de Israel tomou-se província romana, a m aior parte propriedade particular de
12 0 grande incêndio de Roma se deu no verão de 64 d.C.
13 Infanticídio, canibalism o, ince sto, et c., foram acusações levan tadas contra os cristãos . “Somos acusados de três coisas: ateísmo, comermos nossos próprios
filhos e haver entre nós relações sexuais entre filhos e mães”, Atenágoras, Legatio pro Christianis, III, cf. p. 17.
14 BETTENSON, H. Documentos da igreja cristã. São Paulo: Aste-Juerp, 19 98 , p. 27.
15 BORG ER, Hans. Uma história do povo judeu. São Paulo: Sêfer. 19 99 , p. 224.
16 OSEFO, Flávio. História dos hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, p. 679.
Vespasiano. Cem mil homens, mulheres e crianças foram vendidos como escravos. Josefo fala em 1.197.000
mortos; mesmo a módica avaliação de Tácito de 600.000 é uma cifra estarrecedora.
O povo de Roma comemorou a vitória dos seus exércitos erguendo o Arco de Tito (um dos mais belos
monumentos romanos preservados), cujos relevos mostram o cortejo triunfal dos vencedores e a procissão dos
vencidos, carregando troféus retirados do Templo de Jerusalém.

Efígie de Vespasiano em uma moeda

TRAJAN O (98-117 d.C. )


Depois da dinastia dos Flávios, subiu ao trono de Roma a chamada família Antonina (Trajano, Adriano,
Antonino Pio, Marco Aurélio e Cômodo). Foi um a época marcada pelo apogeu romano, conhecido com o Idade
de Ouro. Entre os documentos mais importantes dessa época se encontra a carta de Plínio, o Jovem, governador
da Bitínia, sobre o modo de tratar os cristãos. Endereçada ao imperador Trajano, datada do ano 112, ele diz que
“aos incriminados pergunto se sao cristãos. Na afirmativa, repito a pergunta segunda e terceira vez, ameaçando
conden á-los à pena capital. Se persistirem, co ndeno-o s à morte” .17
Qualquer cristão que recebesse algum tipo de acusação e não negasse a fé seria castigado e mandado para ser

morto crucificado
Entre e lançado
os mártires às feras; já dessa
mais importantes os queépoca
negavam a fé eramInácio
se encontram considerados merecedores
de Antioquia, de absolvição.
Policarpo de Esmima,
Justino e os mártires de Lião.

Efígie de Trajano em uma moeda

17 BETTENSON, Henry. Documentos da igreja cristã. São Paulo: Aste-Juerp, 2 00 1, p. 29.

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IMPERADOR SEVERO (193-211 d.C.)
Depois da morte do impera dor Cômodo subiu ao trono a dinastia dos Severos: Sétimo Severo (193-21 1 d.C.),
Caracala (211-217 d.C.), Heliogábalo (218-222 d.C) e Alexandre Severo (222-235 d.C.).
No décimo ano do seu reinado (202), Sétimo Severo emp reendeu um a perseguição religiosa, a qual, segundo

muitose historiadores
cristã as conversõeseclesiásticos, é chamada
ao cristianismo, de Quinta
assim como Perseguição
o prosetilismo geral. Eusébio
judaico. Esse imperador proibiu
de Cesaréia a propaganda
dedica boa parte
do sexto livro de sua História eclesiástica a essa perseguiç ão.18 Conta-no s esse historiador, com ricos detalhes,
como Sétimo Severo perseguia os cristãos: “Mas quando Severo levantou uma perseguição contra as igrejas,
houve martírios ilustres sofridos por combatentes da religião em todas as igrejas em todas as partes. Esses foram
especialmente abundantes em Alexandria, enquanto os heróicos lutadores do Egito e de Tebas eram escoltados
como que para um teatro grandioso de Deus onde, pela perseverança invencível sob várias torturas e modos de
morte, foram adornados com coroas do céu”.í9
Sob Caracala, Heliogábalo e Alexandre Severo não houve perseguição. No ano de 235 Maximino Trácio
usurpou a coroa, e durante os três anos de seu reinado houve perseguição contra os cristãos.

IMPERADOR DÉCIO (249-251 d.C.)


É pouco conhecido na história romana o nome do imperador Décio. Celebrizou-se principalmente como
perseguidor dos cristãos. Para ele os cristãos eram os inimigos mais perigosos do império.
Em fins de 249 ou inícios do ano seguinte editou uma lei que ordenava a todos os súditos ofertar um solene
sacrifício propiciatório aos deuses. Ordenou que seus funcionários públicos registrassem em listas oficiais o
nome das famílias dos sacrificantes. Era um controle perfeito dos que negavam culto aos deuses.
Este fato causou dolorosas conseqüências para a Igreja. Nas grandes cidades como Alexandria, Cartago,
Esmima e Roma um grande número de cristãos abandonou a fé, entre eles alguns bispos. Todavia, enorme
multidão de ambos os sexos e de todas as idades deram seu sangue em testemunho da fé.
Nos seus dias a perseguição aos cristãos abrangeu todo o império. Ele obrigava a queim a de incenso em
homenagem à inteligência do imperador.20

Efígie de Décio em uma moeda

18 CiSAR ÉIA, Eusébio de. História eclesiástica. Rio de Janeiro: CPAD, 199 9, p. 201.
19 Idem, p. 201.
20WALTON, Robert C. História da igreja em quadros. São Paulo: Vida, 2000, p. 21.
IMPERADOR DIOCLECIANO (284 -310 d. C.)
Com o fim da dinastia dos Severos, em 235 d.C., o grande império começou a tomar outra direção. Em
268 os godos saquearam Atenas, Corinto e Esparta. Não havia um governo centralizado e forte que pudesse
deter as invasões, e com isso vários chefes militares foram proclamados imperadores por suas tropas, mas não
perma neceram por pouco tempo.
Foi em sua administração que o Império Romano foi dividido em dois: Império Romano do Ocidente e
Império Romano do Oriente, com dois augustos e dois césares. Maximiano era seu homem de confiança, a quem
entregou a metade do império ocidental.
No campo religioso, tomou obrigatório o culto a Júpiter, com quem se identificou, e ordenou a últim a e
mais terrível de todas as perseguições contra os cristãos em seu governo. Quatro editos visavam de certa forma
extinguir a religião cristã: o primeiro ordenava a destruição das igrejas e a queima dos livros sagrados; dois
outros ordenavam o encarceramento dos eclesiásticos; e o último foi publicado na primavera de 304 ordenando
a adoração aos deuses pagãos, sob pena de morte.
Depois de sua morte a perseguição ainda perdurou sob o comando de Galério, até o ano de 311.

Efígie de Diodeciano em uma moeda

4.5 OS PRINCIPAIS MÁRTIRES


Como podemos perceber, as perseguições fizeram inúmeros mártires, principalmente entre os cristãos, dentre
os quais podemos destacar:

CLEMENTE DE ROMA
Segundo a tradição, Clem ente teria sido o terceiro s ucesso r de Pedro em Roma. Tudo indica que foi uma pessoa
de muita influência, porém pouco se sabe de sua vida e de seus atos, salvo “a Carta aos coríntios, que a Igreja
siríaca contou entre as Sagradas Escrituras e que foi inserid a também no Co dex Alexandrinus da Bíblia” .21
Segundo Orígenes e Eusébio, ele teria sido colaborador do apóstolo Paulo, mencionado em Filipenses 4.3: “E peço-
te também a ti, meu verdadeiro companheiro, que ajudes essas mulheres que trabalharam comigo no evangelho, e com
Clemente, e com os outros cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida”. Para Irineu, Clemente foi o sucessor de
Pedro em Roma (haer. 3,3,3); Tertuliano nos diz que ele fora ordenado pelo próprio apóstolo Pedro (praescr. 32).
Cleme nte escrev eu esta carta por volta de 10 anos antes da de Inácio, retratando as perseguições de Domiciano,
pelo que podemos datá-la por volta dos anos 96-98 d.C.
21ALTANER, B. Patrologia. 3. ed. São Paulo: Paulus, 2004, p. 55.

7 ^ CURSO DE TE OL OG IA
INÁCIO DE ANTIOQUIA (35-107 d.C.)
Inácio foi bispo de Antioquia , sendo provavelm ente discípu lo do apóstolo João. D urante o reinado de Trajano,
por volta do ano de 107 d.C., ele foi levado da Síria a Roma para ser despedaçado com violência pelas feras na
arena, porque não concordo u em adorar a outros deuses, de acordo com a ordem do imperador .
Quando estava sendo levado para Roma, escreveu sete cartas, quatro de Esmima e três de Trôade. Inácio
estava dispost o a ser marti rizado, e durante a viagem pediu que os rom anos não intervi essem j unto ao imperador
para libertá-lo, pois para ele era uma grande honra morrer por seu Senhor. Um a tradição refere que este foi
transladado da Síria à cidade de Rom a para ser alimento das feras, em testem unho a Cristo .22

POLICARPO (69-155 d.C.)


Segundo Irineu, Policarpo chego u a ver e ouvir, na sua juven tude, o apóstolo João. Ele foi bispo e mártir de
Esmima e durante o reinado de Marco Aurélio foi levado à arena, lugar dos jogos olímpicos, um dos maiores
teatros abertos da Ásia Menor, parte do qual permanece preservada até hoje.
O martírio de Policarpo é a mais antiga narrativa que temos pres ervada sobre a morte de um m ártir da Igrej a
Primitiva. Ao ser ordenado pelo procônsul Estácio a abandonar sua fé e negar o nome de Jesus, Policarpo
respondeu dizendo: “Oitenta e seis anos já que o sirvo e nenhum dano eu recebi dele. Como posso maldizer
meu rei, que me salvou?” .23 Com riquez a de detalhes podemos ler sobre o martírio de Policarpo na História

eclesiásticade E uséb io de Ce sáreia,2 4


JUSTINO (cerca de 165 d.C.)
É mais conhecido como “Justino Mártir”, apelido dado por Tertuliano (adv. Vai. 5,11). Foi um dos maiores
defensores da fé no século II . Justino era natural de Siquém, na Palestina. Em sua juve ntud e buscou con hecime nto
nas doutrinas estóica, aristotélica, pitagórica e platônica: Esses sistemas filosóficos não saciaram sua sede de
conheciment o, porém um ancião, a quem conhecera por acaso em Éfeso, despertou seu interess e para o estudo
dos “Profetas” e, por meio deles, do cristianismo.
A partir de então Justino se converte ao cristianismo, dedicando-se exclusivamente à defesa da fé, tomando-se
o principal dos apo logistas gregos do século II, deixando um le gado aos futuros defenso res do cristianism o.25
As obras que escreveu eram conhecidas de Eusébio. Seus livros, que ainda existem, oferecem valiosas
informações acerca da vida da Igreja nos meados do segundo século. Justino foi decapitado em Roma por volta
do ano 165, nos dias de Marco Aurélio.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 4
1. Qual é o monumento mais expressivo da fé cristã em Roma?
2. Quem eram as pessoas que formaram o primeiro triunvirato?
3. Quem eram as pessoas que formaram o segundo triunvirato?
4. Qual foi o principal motivo das perseguições religiosas no período imperial?
5. Quais foram os apóstolos martirizados durante o governo de Nero?
6. Em que ano o santuário judaico foi destruído por Tito?
7.Policarpo foi morto durante o governo de qual imperador?
8. O que diziam os quatros editos proclam ados por Dioclecia no?
9. Segundo a tradição, Clemente teria sido o terceiro sucessor de quem na igreja de Roma?

CESARÉIA, Eusébio de. Hislória eclesiástica. São Paulo: Novo Século, 2002, p. 107.
,3G0NZÁLEZ, Justo L. (editor). Dicionário ilustrado dos intérpretes da fé. São Paulo: Academia Cristã, 2005, p. 532.
M CESARÉIA, Eusébio de. História eclesiástica. São Paulo: Novo Século, 2002.
“ GON ZÁLEZ, Justo L. (editor) . Op. ci t.r p. 38 7.
PAIS DA IGREJA
5
O termo “Pai” era atribuído pelos fiéis aos mestres e bispos da Igreja Primitiva. Historicamente falando,
surgiu devido à reverência e amor que muitos cristãos tinham pelos seus líderes religiosos dos primeiros séculos.
Eram assim chamados carinhosamente devido ao amor e zelo que tinham pela Igreja. Mais tarde, “o termo é
atribuído particularm ente aos bispos do Concilio de Nicéia” ,26 e posteriorme nte Gregório VII reivindicou com
exclusividade o t ermo “P apa”, ou seja, “Pai do s pais” .
Com a morte do último apóstolo, João, em Éfeso, termina a era apostólica. Porém Deus já havia capacitado
homens para cuidar da sua Igreja, e começa uma nova etapa para o cristianismo. Assim, a obra que os apóstolos
receberam de seu Salvador e a desenvolveram tão arduamente acha-se agora nas mãos de novos líderes que
tinham a incumbência de desenvolver a vida litúrgica da igreja como fizeram aqueles.
O período que comumente é chamado de pós-apostólico é de intenso desenvolvimento do pensamento cristão.
Seu trabalho e influência garantiram a unidade da Igreja. Para um assunto tão importante, a Igreja convocou
grandes assembléias conciliares, os chamados Concílios Ecumênicos, dos quais participavam todos os bispos,
que no final promulgavam suas declarações de fé.
Para uma me lhor compreensão desta discipl ina, podemos dividir o s Pais da Igreja em três grandes grupos, a
saber: Pais apostólicos, Apologistas e Polemistas. Todavia, essa divisão não é absoluta, pois podemos enquadrar
alguns deles em mais de um desses grupos devido à vasta literatura que produziram para a edificação e defesa do
cristianismo, como é o caso de Tertuliano, considerado o pai da teologia latina. Sendo assim, temos:

5.1 PAIS APOSTÓLICOS


Foram os mais antigos escritores cristãos fora do Novo Testamento, pertencendo à chamada “era
subapostólica”.27 Eles tiveram relação mais ou menos direta com os apóstolos e escreveram para a edificação da
Igreja, geralmente entre o primeiro e o segundo século. Os mais importantes destes foram:

Clemente de Roma (30-100 d.C.)


Clemente era um cristão que gozava de grande autoridade entre seus contemporâneos. Orígenes e Eusébio
de Cesaréia identificam-no com o colaborador de Paulo mencionado em Filipenses: “A ti, fiel companheiro de
jugo, tam bém peço que as auxilies, pois juntas se esforçaram com igo no evangelho, também com Clemente
e com os demais cooperadores meus, cujos nomes se encontram no Livro da Vida ” (Filipenses 4 .3 - ARA).
Irineu de Lião escreveu que Clemente teria sido o terceiro sucessor do apóstolo Pedro no episcopado de Roma.
Segundo Tertuliano, ele foi consagrado pelas mãos do próprio apóstolo Pedro. Escreveu uma carta chamada de
1° Clemente, escrita de Roma por volta de 95 d.C., para a igreja em Corinto. A obra Atos dos mártires, do século
IV ou V d.C., afirma que Clemente foi exilado para a península de Q ueronese, na área do mar Negro, e foi atirado
ao mar com uma âncora amarrada ao seu pescoço .

Inácio de Antioquia da Síria (35-107 d.C.)


Conforme se encontra na História eclesiástica, de Eusébio, Inácio teria sido o segundo bispo de Antioquia:
“Mas, depois que Evódio fora estabelecido o primeiro sobre os antioquenos, Inácio o segundo, reinava no tempo
do qual falamos” (HE, III, 22).
“ ALTANER , B . Op. cit. , p. 18-19.
27 LANE, Tony . Pensamento cristão: dos primórdios à Idade Méd ia. São Paulo: Abba Press , 20 03 , p.14-15.

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Foi martirizado em Roma durante o reinado de Trajano (98 a 11 d.C.). Tudo quanto sabemos sobre sua vida
é através de suas sete cartas escritas no caminho rumo ao martírio em Roma: Carta aos Efésios, Romanos,
Filadélfia, Esmima, Trálios, Magnésia e Policarpo. Inácio é o primeiro escritor a apresentar claramente o padrão
tríplice de ministério: um bispo num a igreja com seus presbíte ros e diáconos.2 8 Opôs-se às heresias gnósticas.
Sua preocupação principal era com a unidade da Igreja.

Papias (70-140 d.C.)


Bispo de Hierápolis, de quem somente sabemos alguma coisa através dos escritos de Eusébio e Irineu. Ele
era um homem curioso, que tinha o hábito de inquirir sobre as srcens do cristianismo. Foi Papias quem iniciou a
tradição que diz que Marcos era intérprete de Pedro: “Marcos, que foi intérprete de Pedro, pôs por escrito, ainda
que não com ordem, o quanto recordava do que o Senhor havia feito”.29
Segundo Irineu de Lião, teria sido discípulo do apóstolo João. Conforme Eusébio de Cesaréia, Papias fora
discípulo do “outro João”, o “presbítero”, e não do apóstolo João (HE, III, 39).
Escreveu uma coleção de relatos sobre os ditos e feitos do Senhor e de seus discípulos, da qual restam
somente pequenos fragmentos.

Policarpo (69-155 d.C.)

Foi discípulo do apóstolo João. Provavelmente nasceu em 70 d.C. Eusébio declara que não somente foi
instruído pelos apóstolos e conviveu com muitos que haviam visto o Senhor, mas também foi instituído bispo
da Asia pelos apóstolos, na igreja de Esmima.30 Aparentemente Policarpo conhecia alguns personagens ilustres
de sua época, como Inácio, Irineu, Aniceto de Roma e Marcião ,o qual resistiu à sua doutrina e chamou-lhe de
primogênito de Satanás”. De acordo com Irineu, Policarpo escreveu diversas cartas à comunidade e a bispos
em particular, das quais se preservou somente a carta aos filipenses.
Em um dos escritos que trazem seu nome é-nos dada a narrativa de sua morte. Devido à sua idade, quiseram
fazê-lo negar o nome de Jesus e assim escapar com vida, ao que ele respondeu: uEu tenho servido Cristo po r
86 anos e ele nu nca m ef ez nada de mal. Como posso blasf emar cont ra meu Rei que me salvou? Quando o
colocaram na fogueira, o fogo não o queimou , e então seus inimigos o apunhalaram até a morte e depois o
queimaram.

5.2 APOLOGISTAS
Foram aqueles que empregaram todas as suas habilidades literárias em defesa do cristianismo perante a
perseguição do Estado. Geralmente este grupo se situa no segundo século, e os mais proeminentes entre eles
foram:

Tertuliano (155-220 d.C.)


Nasceu em Cartago, um dos principais centros culturais do Império Romano. Destinado pela família ao estudo
das leis, recebeu esmerada educação. Aos vinte anos seguiu para Roma, onde ampliou sua formação. Regressou
a Cartago no final do século II e, depois de se converter ao cristianismo, dedicou-se ao estudo das Escrituras, da
literatura cristã e profana e dos tratados gnósticos. Iniciou então uma produtiva atividade literária voltada para
a consolidação da igreja no norte da África. Teólogo, foi o principal apologista da igreja ocidental e o primeiro
teólogo cristão a escrever em latim. Ele contribuiu com seus escritos para fixar o léxico e a doutrina do cristianismo
ocidental. Formado em Direito, ensinou oratória e advogou em Roma, onde se converteu ao cristianismo.
Possivelmente as contribuições de ma ior importância foram suas discussões sobre a Trindade e a Encarnação
do Logos. A sua principal obra escrita em defesa do cristianismo foi Apologética.

n LANE, Tony. Op. cit., p.15.

"CE SA RÉ IA, Eusébio de. H istóri a eclesiástica. São Paulo: Novo Sé cul o, 20 02, p. 113.
30 Idem, p. 127.

CURSO DET E O L O G IA ‘ V ."


Justin o M árti r (10 0-165 d.C. )
Filho de pais pagãos, teria nascido perto da cidade de Siquém, onde passou boa parte de sua juventude
numa busca filosófica atrás da verdade. Ele foi um filósofo platônico. Seus estudos profundos do platonismo,
do pitagorismo, do estoicismo e do aristotelismo convenceram-no de que nem toda a verdade está contida na
filosofia e que ele precisava continuar inquirindo a verdade.
Vários livros são atribuídos a Justino, porém somente três são aceitos como genuínos. São os denominados
de Primeira Ap ologia , Segunda Apologia e o Diálog o com Trifo, o judeu. Sua Primeira Apologia é dirigida ao
imperador Antonino Pio, que reinou de 138-161 d.C., aos seus filhos Lucius e Marco Aurélio, a todo o senado
romano e “a todos os romanos”. A Segunda Apologia é dirigida ao senado romano, embora já tivesse sido
alcançado pela Primeira . Os dois foram escritos para contestar a perseguição. O Diálogo com Trifo consta de
uma conversa de dois dias entre Justino e um douto judeu contemporâneo de Justino.

5.3 POLEMISTAS
Diferentemente dos apologistas do segundo século , que procuraram fazer uma explanação e um a justificação
racional do cristianismo para as autoridades, os polemistas empenharam-se em responder ao desafio dos falsos
ensinos dos heréticos, condenando veementemente esses ensinos e seus mestres .
Os pais desse grupo não mediram esforços para defender a fé cristã das falsas doutrinas surgidas fora e dentro da

Igreja. Apesar de a maioria ter vivido no Oriente, os grandes polemistas vieram do Ocidente:
Irin eu (130 -202 d. C.)
Oriundo da Ásia Meno r, em sua juv entu de fo i discípulo de Polic arpo, de acordo com Eusébio de Cesaréi a.
Irineu escreveu a Florino, um ex-condiscípulo de Policarpo, que apostatara tornando-se valentiniano: “Pois
os estudos de nossa juve ntud e cresceram com nossa mente e se uniram a ela com tam anha firm eza , que também
po sso dizer até o lug ar em que o bendito P olica rpo costuma va-se sentar e discursar; e tam bém suas entradas ,
suas saíd as, o caráter de sua vida e a fo rm a de seu corpo, e suas conversas com as pessoas, e seu relacionamento
fa m ilia r com João, conforme costumava contar, bem com o sua familiaridad e com os que haviam visto o Senhor.
Também a respeito de seus milagres, sua doutrina, tudo isso era contado por Policarpo, de acordo com as
Sagradas Escrituras , conforme havia recebido das testemunhas oculares da doutrina da salvação ” 31
A maior parte de sua obra desenvolveu-se no campo da literatura polêmica contra o ensino gnóstico, que
acreditava na existência de um demiurgo distinto de Deus. Sua primeira obra, Adversus Ha ereses , título em latim
que significa “Contra Here sias” , escrita entre 182 e 188 d.C., salienta-se por sua habilidade, m oderação e pureza
em apresentação do cristianismo,32condenando os ensinos de Marcião.

Orígenes (185-254 d.C.)


Orígenes foi o maior dos intérpretes alegóricos e o mai prolífico da antiguidade cristã. A maior parte das
informações sobre a vida de Orígenes pode ser localizada no sexto livro da História eclesiástica , de Eusébio.
Nasceu em Alexandria, no Egito, onde foi aluno de Clemente, o que o faria suc essor deste anos mais tarde.
Ficou à frente da escola catequética por 28 anos, levando uma vida extremamente ascética e piedosa. Devido ao
seu zelo, interpretou literalmente o texto de Mateus 19.12, que diz: “Porque há eunucos que assim nasceram do
ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos por
causa do Reino dos céus. Quem pode receber isso, que o receba”, e mutilou-se a si mesmo.
Seu pai Leônidas morreu martirizado em 202, o que fez com que ele sentisse o mesmo sentimento, a ponto
de dizer ao pai que se encontrava preso: “Não vás mudar de idéia por causa de nós”. Em 212 esteve em Roma,
Grécia e Palestina. A mãe do imperador Alexandre Severo , Júlia Maméia, cham ou-o a Antioquia para ouvir suas
lições. Morreu em C esaréia durant e a perseguição do imperador Décio .

31 CESARÉ IA, Eusébio de. História eclesiástica. Rio de Janeiro: CPAD, 19 99 , p. 189.
32BERKHOF, Louis. História das doutrinas cristãs. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1992, p. 58.
A produção literária de Oríge nes foi enorme. Segundo a estimativa , ele foi o autor de seis mil pergam inhos.33
Uma vez que seus conhecimentos bíblicos eram enormes e estava consciente de que o texto das Escrituras
continha ligeiras variantes, compôs a “Hex apla”, 34 uma obra monu mental de erudição bíblica que não foi
conservada na íntegra.

C ipria no (200-258 d.C. )


Thascius Cecilius Cyprianus era de família nobre e influente de Cartago. Converteu-se ao cristianismo em 246
d.C., sendo posteriormen te eleito bispo em sua cidade natal, por volta de 249 d. C. Exe rceu um ministé rio pastoral
influente produzindo vários escritos antes de ser perseguido e decapitado nos dias do imperador Valeriano.
As principais obras de Cipriano são: tratado sobre a unidade da igreja {De ecclesiae unitaté) e Dos caídos
{De lapsis ), ambas escritas em 251 d.C., enviadas aos confessores romanos da fé. De habitu virginum (249
d.C.), De mortalitate (252 d.C. ou mais tarde), De opere et ele em osynis (252 d.C.) e uma coleção de cartas.
Algumas de suas obras são revisões dos escritos de Tertuliano, a quem C ipriano chama va de mestre.3 5

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 5
1. A quem os fiéis atribuíam o termo “pai”?
2. Quem foram os mais antigos escritores cristãos fora do Novo Testamento?
3. Por que alguns pais da Igreja foram chamados de apologistas?
4. Quem foi o maior dos intérpretes alegóricos e mais prolífico escritor da antiguidade cristã?

33 CAIRNS, iorle E. Op. cit., p. 91.


34 GONZÁLEZ, Justo L. E até os confins do terra: uma história ilustrada do cristianismo São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 129, vol. 1.
35 GONZÁ LEZ, Justo 1. Dici onário ilustrado dos intérpretes da fé. São Paulo: Academ ia Cristã, 20 05 , p. 174.
A IGREJA IMPERIAL
6 Desde o Edito de Constantino até a Queda de Roma em 476 d.C.

Em outubro de 312 os estandartes de Constantino, resplandecentes pelo monograma de Cristo, entravam


vitoriosos em Roma. Abria-se uma nova página na história da Igreja. Com a ascensão de Constantino ao poder
o cristianismo deixou de ser uma religião perseguida para ser a religião oficial do império. Os cristãos, em vez
de perseguidos, eram privilegiados; em vez de espoliados, eram ajudados. Passaram do anfiteatro romano, onde
tinham de enfrentar leões, a ocupar lugares de honra junto ao trono que governava o mundo. Se antes confessar o
nome de Cristo era motivo para ser morto, agora significava projeção e segurança. A proteção imperial foi, sem
dúvida, um dos meios mais eficazes para a expansão do cristianismo.

A declaração
as quais podemosdorelatar:
cristianismo como
o rápido religião oficial
crescimento do império trouxe
do cristianismo, várias
a isenção de vantagens
impostos eà do
religião cristã,
serviço dentre
militar ao
clero, a construção de grande catedrais nas principais cidades do império e a devolução dos bens confiscados
pelo Estado. Todas as perseguições cessara m para sempre, de 313 até o término do império; a espada foi não
somente embainhada, mas enterrada.
No entanto, a oficialização do cristianismo com o religião oficial do império trouxe conseqüênc ias trágicas
para a Igreja, como, por exemplo, a sua paganização. Milhares de pessoas que ainda eram pagãs penetraram na
Igreja a fim de obter vantagens especiais e favores que advinham de tal filiação. Essas pessoas vinham para a
Igreja não porque tinham plena consciência de seus pecados, mas por causa das benesses que recebiam. Dessa
forma, permaneciam com seus hábitos e costumes, sem se importar em agradar a Deus. Vieram em quantidades
muito maiores do que podem ser instruídos ou assistidos. Acostumados aos rituais pagãos mais complicados,
não gostaram da simplicidade do culto cristão e começaram a introduzir práticas e crenças pagãs no seio da
Igreja. Gradualmente, por causa da negligência da Bíblia e da ignorância do povo, a Igreja foi se contaminando,
perdendo paulatinamente sua identidade de igreja cristã fiel a Jesus Cristo e à doutrina dos apóstolos.
Em 330 d.C. Constantino inaugurou a nova capital do império. No breve lapso de um qüinqüênio, a antiga
vila de Bizâncio transformara-se na majestosa C onstantinopl a, também chamada Nova Roma.
Um dos locais prediletos de residência e governo do imperador era a pequena cidade de Nicéia, perto de
Constan tinopla. Ali o imperador e sua corte administrav am os assuntos da Igreja e do império no Oriente. Quando
estava no Ocidente, Constantino morou em Milão, no norte da Itáliá. Roma ficou praticamente abandonada pela
corte imperial na época de Constantino. Foi em Nicéia que Constantino convocou todos os bispos da Igreja para
resolver o debate a respeito da pessoa de Cristo e da Trindade.
O concilio durou aproximadamente dois meses e tratou de muitas questões que confrontavam a Igreja.
Aproximadamente vinte “ cânones” ou decretos distintos foram promulgados pelo imperador e pelos bispos, que
variavam desde a deposição de bispos relapsos até a ordenação de eunucos. Além disso, o bispo de Alexandria
foi declarado “patriarca” dos bispos das regiões da África do Norte e arredores, e o bispo de Roma o legítimo
líder emérito dos bispos ocidentais. O imperador conclamara o concilio para dirimir a controvérsia ariana, e era
a respeito dela que os bispos mais queriam falar.
Dos 318 bispos presentes na abertura do concilio, somente 28 eram abertamente declarados arianos. O próprio
Ario não recebeu permissão para participar do concilio por não ser bispo. Foi representado por Eusébio de
Nicomédia e Teogno de Nicéia. Alexandre de A lexandria dirigiu o processo ju rídico “Ario e o arianism o” e foi
auxiliado por seu jovem assistente Atanásio, que viria a sucedê-lo no bispado de Alexandria poucos anos depois. Desse
concilio, em que os arianos foram condenados, surgiu o credo de Nicéia (também conhecido simplesmente porNicéia):

Cremos em um só Deus, Pai onipotente, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis; e em um só Senhor, Jesus Cristo,
o Filho de Deus, gerado pelo Pai, unigênito, isto é, sendo da mesma substância 36do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz,

Deus verdadeiro do Deus verdadeiro, gerado não feito, de uma só substância37com o Pai, pelo qual foram feitas todas
as coisas, as que estão no céu e as que estão na terra; o qual, por nós homens e por nossa salvação, desceu, se encarnou
e se fez homem 38, e sofreu e ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu, e novamente deve vir para julgar os vivos e os
mortos; e no Espírito Santo. E a todos que dizem: “Ele era quando não era”, e "‘antes de nascer, Ele não era”, ou que
“foi feito do não existente”, 39bem como aqueles que alegam sero Filho de Deus “de outra substância ou essência”, ou
“feito”, ou “mutável”,40 ou “alterável”41 a todos esses a Igreja Católica e Apostólica anatematiza. 42

Ao falecer, em 337 d.C., Constantino deixou o império dividido entre seus três filhos: Constantino II,
Constante e Constâncio. Nenhum deles esteve à altura do pai. Os dois primeiros tiveram a seu cargo o Ocidente,
e Constâncio era senhor absoluto do Oriente.
Em 379 d.C. estava no poder do Oriente o espanhol Teodósio, intrépido defensor da fé cristã. Em 380 já
publicava um edito sobre a fé católica, impondo a todos os súditos o sím bolo de Nicéia. Em 391 Teodósio e
Valentiniano II proibiam de modo absoluto o culto pagão. Senhor único do império no ano seguinte, Teodósio
vencia por completo, também no Ocidente, a resistência pag ã.
Os adeptos do politeísmo, não podendo mais viver tranqüilos nas cidades, refugiaram-se nas aldeias, onde dificilmente
os atingiria a legislação vigente. Daí a designação de pagãos (paganus= aldeão) aos persistentes na idolatria.
O cristianismo tomou-se a religião oficial do Estado. Teodósio pode ser considerado o fundador da Igreja
Católica de Estado. Assim, com o decorrer do tempo, a Igreja tinha um sacerdócio suntuosamente vestido que
fazia ofertas de sacrifícios, um ritual complicado, imagens, água benta, incenso, monges, freiras, a doutrina do
purgatório e, de um modo geral, a crença de que a salvação podia ser alcançada por meio de obras e não pela
graça. A igreja em Rom a e, de um modo geral, as igrejas por todo o império dei xaram de co nstituir a Igreja cristã
apostó lica, transformando-se numa grande monstruosidade religiosa.
Permaneceram, entretanto, alguns grupos numericamente pequenos, geralmente isolad os, que mantiveram a
fé cristã e m pureza , perdurando po r toda a Idade Média até o século XVI, quando um reavivamento religioso do
Ocidente, conhecido como Reforma, sacudiu a Igreja nos seus alicerces.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍ TULO 6
1. A declara ção do cristianismo como religião o ficial do império trouxe várias vantagens à religião cristã.
Cite-as.
2. A oficialização do cr istianism o como religião oficial do império trouxe conseqüên cias trágicas para a
Igreja. Cite-as.
3. Transcreva o concilio de Nicéia.
4. Qual é a srcem do nom e “pagão ”?

Ek les oysías to y patrós - “do mais ínt imo ser do Pai " - uni do inseparavel mente.
37Homooysion to patr í - ser único i ntimam ente com o Pai; embora distintos em existê ncia, estão essencialmen te unidos.
Enanthôpésanta —tomando sobre si tudo aquilo que faz homem ao homem, alargando sarkâthénta, “fez-se carne”; ou, talvez, “viveu como homem entre os
homens”, alargando e salvaguardando o cre do de Cesaréia “viv eu entre os homens”, en anthrôpis polit eysámenon. Mas ist o parece menos provável.
39 Eks oyk óntô n - “do nad a”.
40 Isto é, m oralmente m utável.
41 Isto é, mor almente m utável.
43 BETTENSON, H. Documentos da igreja cristã . São Paulo: Aste-Juerp, 1 99 8, p. 62.
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GONZA LEZ, Justo L. E até os confins da terra: uma história ilustrada do cr istianismo. São Paulo: Vida Nova,
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ii______ . E até os confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 2001. vol. II
(A Era dos Gigantes).
^ ______ . E até os confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 2001. vol. III
(A Era das Trevas).
_______ - E até os confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 2001. vol. IV
(A Era dos Altos Ideais).
_______ . E até os confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo . São Paulo: Vida Nova, 2001. vol. V
(A Era dos Sonhos Frustrados).
_______ . E até os confins da terra: uma história ilustrada do cristianismo . São Paulo: Vida Nova, 2001. vol. VI
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_______ . Dicio nário ilustrado dos intérpretes da fé . São Paulo: Academ ia Cristã, 200 5.
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WAND, J. W. História da Igreja Primitiva. São Paulo: Custom, 2004.

^ CURSO DE TEOLOGI A
^ faculdade teológica betesda
I A Moldando vocacionados

AVALIAÇÃO - MÓDULO IV
HISTÓRIA DA IGREJA
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-

t
1) Por que o Pentec ostes sinalizou o início da Igreja?
3■j
'.| 2) Qual era o fator significativo que distinguia os primeiros cristãos?

| 3) A perseguição contra os primeiros cristãos veio primeiramente de um organismo político-ecl esiástico. Qual
j é o nome dele?

j 4) Onde se encon trava a prime ira igreja gentia e a maior igreja missio nária depois de Jerusalém ?

i

í 5) Faça um breve relato da terceira viagem mission ária do apóstolo Paulo.

6) Qual foi o fator de maio r destaqu e nos três primeiros séculos da história do cristianism o?

} 7) Depois da morte de Otávio, quatro dinastias ocuparam suces sivam ente o poder em Roma. Quais eram elas?

: 8) Foi no governo de qual impe rador que o Império Rom ano foi dividido em dois?

9) Quem iniciou a tradição que diz que Marcos era intérprete de Pedro?

10) Ao falecer, em 337 d.C., Constantino deixo u o império dividido entre seus três filh os. Qual é o nome de les?

CARO(o) ÂLUNO(à): ~ ............

• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las em
folha de papel sulfite, sendo objetivo(a) e claro(a).
CAIXA POSTAL 12025 • CEP 02013-970 * SÃO PAULO/SP
• Dê preferência, envie-nos as 5 avaliações funtas.
■■■■
—- • ■—■- « fc**- * ■i - — — ■ ..i fc --» — ■ *
SUMARIO
IN TR O D U Ç Ã O .................................................................................................................................................................... 51

1. DE FI N IÇ Ã O .............................................................................................................................................................. 52
1.1 IGREJA COMO E K K LE SIA ............................................................................................................................... 52

2. M ET Á FO RA S QU E CA RA CT ER IZ AM A IG R E J A .....................................................................................54

3. FO RM A DE GO VE RN O D A IG R E J A ................................................................................................................55
3.1 EPIS COPAL............................................................................................................................................................ 55
3.2 PRESBITERIANA................................................................................................................................................56
3.3 CO NG REG A CIO NA L......................................................................................................................................... 57

4. OS O FI C IA IS DA I G R E J A .....................................................................................................................................58
4.1 TERMOS SINÔNIMOS .....................................................................................................................................59
4.2 O UT RO S M INISTR OS ...................................................................................................................................... 59
4.3 EVOLUÇÃO DA HIERARQUIA ECLESIÁSTICA ...................................................................................59

5. O R D EN A N Ç A S DA I G R E J A ................................................................................................................................ 61
5.1 BA TIS M O ................................................................................................................................................................61
5.1.1 Fórmula do b atis m o ....................................................................................................................................62
5.1.2 Realid ades esp iritu ais figu rad as no b ati sm o ...........................................................................................63

5.1.3 Quem
5.2 CEIA deve ser............................................................................................................................................64
DO SENHOR b ati zado ............................................................................................................................. 63
5.2.1 Pré-requisitos par a participar da Ceia do Senhor ....................................................................................64
5.2.2 Natureza da Ceia do Senhor.......................................................................................................................65

6. D IS C IP LI NA NA IG R E J A ......................................................................................................................................67
6.1 DISC IPL IN A NO AN TIGO E NO VO T EST A M EN TO ...............................................................................67
6.2 PASSOS PARA A D IS CIP LIN A .........................................................................................................................68
6.3 OB JET IVOS BÍBL ICOS NA DISC IPL IN A ............................................................................................69
6.4 IMPLICAÇÕES TEOLÓGICAS........................................................................................................................69

RE FE R ÊN C IA S ..................................................................................................................................................................71
INTRODUÇÃO
A Igreja é um projeto de Deus, entretanto muitas pessoas hoje não têm o mínimo interesse nas igrejas.
Ignoram ou as denunciam como relíquias ou hipócritas. Será que o plano de Deus falhou? Evidentemente não,
a questão é outra. Muitas pessoas buscam nas igrejas soluções para suas frustrações e ambições pessoais, mas
deveriam buscar uma igrej a para receber uma palavra vinda da parte de Deus.
No Antigo Testamento Deus cham ou a Israel; agora ch am a a Igreja. Alguém diria: para quê? As Escrituras
respondem: Deus chamou para si um povo zeloso e de boas obras, separado do mundo para lhe pertencer e
obedece r e ser seu representante na Terra.
Sendo assim, a Igreja é um organismo vivo, criado por Deus, o qual revelou no Novo Testamento a sua
natureza e missão, a doutrina que deve ensinar e o padrão para a sua vida.

Apesar da sua
desconhecem importância
finalidade da Igreja aos
e objetivo. Porolhos
meiode Deus,
deste há muitos
estudo cristãos
analisaremos que não
a srcem a valorizam,
da Igreja, ou seja,
sua forma de
governo, os ministérios estabelecidos para sua edificação e por fim as ordenanças estabelecidas pelo Senhor
Jesus.
1 DEFINIÇÃO
A Bíblia emprega uma variedade de termos e metáforas para demonstrar o que é Igreja bem como seu
relacionamento com Deus. Sua identidade é revelada por meio dos vários vocábulos, cada um acrescentando
algo mais para enriquecer nossa com preensão do caráter, missão e relacionam ento da Igreja. Desta forma, iremos
estudar os principais termos e metáforas que descrevem sua realidade segundo a revelação de Deus.

1.1 IGREJA COMO EK KL ES IA


O vocábulo grego EKKXv[oia ( ekklesia ) significa basicamente “os chamados para fora”, dando a entender
um grupo distinto selecionado e tirado para fora de algo. Esse termo não é específico do campo religioso, pois
no grego clássico era utilizado para indicar uma “assembléia”, “reunião”. Originalmente os cidadãos de uma

cidade eram chamados


em determinado local, m
a fimediante o toquededeassuntos
de tratarem uma trombeta, que os convocava
comunitários; para
“era uma assembléiasedereuni rem como
cidadãos assembléi
efetivos, e a
arraigava-se na constituição democrática, uma assembléia na qual se tomavam decisões fundamentais, políticas
e judiciais” .
Os escritores inspirados do Antigo Testamento usaram a palavra hebraica bnp (qahal) para designar uma
convocação do povo para uma assembléia. Segundo o dicionário de Teologia, “ qahal , que provavelmente se
relaciona com qol, ‘voz’, s ignifica uma con vocaçã o para uma assembléia, e o ato de reunir-se, e t alvez, se traduza
mais exatamente como ‘ajuntamento para revista’”.
Os tradutores da Bíblia hebraica para o grego, chamada de Septuaginta, usaram o termo ekklesia para traduzir
qahal. Onde ekklesia se emprega na Septuaginta para traduzir qahal indica:

a) A assemblé ia do povo ou uma assemblé ia jurídica : “E o SENHO R me deu as duas tábuas de pedra,
escritas com o dedo de Deus; e nelas tinha escrito conforme todas aquelas palavras que o SENHOR
tinha falado convosco no monte, do meio do fogo, no dia da congregação” (Deuteronômio 9.10; 23.3;
Juizes 21.5, 8; M iquéias 2.5).

b) O corpo político (os exilados que voltaram ): “ .. .e que todo aquele que, em três dias, não viesse, segundo
o conselho dos príncipes e dos anciãos, toda a sua fazen da se poria em interdito, e e le seria separado da
congregação dos do cativeiro” (Esdras 10.8,12; Neemias 8.2,17).

c) Assem bléia do povo para adorar : “Então, o rei virou o rosto e abençoo u a toda a congregaçã o de Israel,
e toda a congregação de Israel estava em pé” (2 Crônicas 6.3). Na consag ração do templo: “ Porque o rei
tivera conselho com os seus m aiorais e com toda a congregaç ão em Jerusalém para celebrarem a Páscoa
no segundo mês” (2 Crônicas 30.2, 4, 13, 17).

A Septuaginta usou o termo ekklesia para traduzir qahal “em 64 por cento das vezes em que essa palavra
ocorreu, dependendo do contexto”. A palavra igreja que utilizamos é derivada de ekklesia , o termo mais usado
no Novo Testamento grego para designar a assembléia do povo de Deus.
Desta forma, a etimologia da palavra ekklesia contribuiu para conhecermos o significado da palavra igreja .
Este termo é formado de ek (para fora) e kaleo (chamar, convocar). Como Deus chamou a nação de Israel para

M ^ CURSODET E O LO G IA
fora do Egito e a conduziu para a Terra Prometida, hoje, da mesma maneira, Ele chama as pessoas para “fora
do mundo” (“não vos conformeis com este mundo” - Romanos 12.2) para caminhar em direção às mansões
celestiais.
Nos escritos do apóstolo Paulo o sentido de ekklesia é de uma assembléia convocada por Deus, o qual se
reúne com seu povo. Ekklesia nunca é usada para designar um prédio, como na palavra portuguesa igreja ; ao
contrário, é o encontro de crentes para culto (1 Coríntios 11.18; 14.19, 28, 3 5). Como tal, o termo pod e designa r
os crentes que se reúnem em uma casa: “Saudai também a igreja que está em sua casa” (Romanos 16.5; 1
Coríntios 16.19; Colossenses 4.15; Filemom 2). Pode design ar a totalidade dos crentes que vivem em um lugar:
em Cencréia: “Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a qual serve na igreja que está em Cencréia” (Romanos
L6.1); em Laodicéia: “E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos
laodicenses; e a que veio de Laodicéia, lede-a vós tamb ém” (Colosse nses 4.16); ou nas cidades da Judéia: “E não
era conhecido de vista das i grejas da Judéia, que est avam em Cristo” (Gálatas 1.22), e na Galácia: “ ...e todos os
irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia...” (Gálatas 1.2). O apóstolo Paulo faz uso desse termo como a
totalidade de todos os crentes em suas epístolas (Colossenses 1.18, 24; Efésios 1.22; 3.10, 21; 5.23-25, 27, 29,
32; 1 Cor íntios 12.28; 15.9; Gála tas 1.13; Filipen ses 3.6).
Por várias vezes o apóstolo Paulo usou a frase “igreja de Deus” para indicar que o caráter real da Igreja
não está em seus membros, mas em sua Cabeça. Portanto, a “ekklesia não é para ser vista apenas como uma
comunhão humana, resultado de uma fé e experiência religiosa comum. É isto, porém mais do que isto: é a
criação de Deu s através do Espírito Santo. Por essa razão, só pode haver, na realidade, uma e kklesia” . O escritor
aos hebreus entendeu o caráter único da Igreja e escreveu : “ ...à universal assembléia e igreja dos pr imogênitos,
que estão inscritos nos céus, e a Deus, o Juiz de t odos, e aos espíritos dos justo s aperfe içoado s” (Hebr eus 12.23).
O sentido universal indica os crentes em Cristo de todos os séculos.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 1
1. Qual é o significado do termo ekklesia ?
2. Qual é o termo usado pelos escritores do Antigo Testamento para designar uma assembléia?

3. Qual
4. Quaisésão os significados
a etimologia do termo
da palavra ekklesia
ekklesia ? na Septuaginta?

CURSO DE TEOLOGIA 53
METAFORAS QUE

2 CARACTERIZAM A IGREJA
O Novo Testamento faz uso de vários termos para represen tar a realidade da Igreja, bem como seu
relacionam ento com seu fundad or. Desta maneira, a Igreja é apresentad a como:

1) Corpo de Cristo (Roman os 12.5; 1Co ríntios 12 .13; 2 Coríntios 12.27 ;Efésios 1 .2 3; 4 .4 ,12; 5.30; Colossenses
1.18,24).
2) Povo de Deus (Tito 2.14; 1 Pedro 2.9-10).
3) Reban ho de Cristo (Lucas 12.32; João 10.16; Atos 20.28-29; 1 Pedro 5.2- 3).
4) Santuário de Deus (1 Coríntios 3.16-17; 6.19; 2 Coríntios 6. 16; Efésios 2.21).
5) Coluna e Baluarte da Verdade (1 Timóteo 3.1 5).

6)
7) Cande
Lavou eiro
ra de(Apoc
Deus alipse 1 .13, 20).
(1 Coríntios 3.9).
8) Edif ício de Deus (1 Cor íntios 3.9).
9) Fam ília de Deus (Gálatas 6.10; Efésios 2.19; 3. 15).
10) Israel de Deus (G álatas 6.16).
11) Nação Santa (1 Pedro 2.9).
12) Sacerdócio Real (1 Pedro 2.9).
13) Noiva de Cristo (Apocalipse 21.9; 22.17).
14) Agência do Reino de Deus (Atos 29.25; 28.31).
15) Multiforme sabedoria de Deus (Efésios 3.10).

Gostaríamos de esclarecer que o local onde ocorrem as reuniões de uma igreja não é sagrado. As Escrituras
no dizem que “o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens” (Atos 7.48). Na antiga aliança
Deus habitava em um edifício, mas com a chegada da nova aliança o crente passou a ser o edifício em que Deus
habita, como disse o apóstolo Paulo: “ ...no qual também vós juntamente estai s sendo edifica dos para habitação
de Deus no Espírito” (Efésios 2.22).

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 2
1. Cite cinco termos pelos quais a Igreja é ap resentada no No vo Testamento.
2. Por que o local onde ocorrem as reuniões de uma igreja não é sagrado?

54 CURSO DE TEOLO GIA


_ FORMA DE GOVERNO

ò DA IGREJA
A forma de governo de uma igreja local é muito importante, pois revela como são tomad
a igreja é administrada. Hoje são três as principais formas de governo eclesiástico:
as as decisões e como

3.1 EPISCOPAL
No século II, o bispo surgiu como o pa stor principal e o adm inistrado r das ig rejas de um a região. Teve tamb ém
o prestígio do principal celebrante da Ceia do Senhor. Este papel do bispo veio em tempos de perseguição e de
lutas contra os hereges. Os bispos eram os únicos que tinham o direito de ordenar presbíteros e diáconos, cujas
funções eram limitadas na igreja. O avanço do poder do bispo seguiu o exemplo romano, pois era como uma
monarquia.
As Igrejas Católicas do Oriente e a de Roma continuam sustentando a doutrina da sucessão apostólica. Elas
são episcopais, isto é, governadas por hierarquias, com vários níveis de clero culminando numa autoridade
superior, que é visível. Nas diversas igrejas ortodoxas do oriente essa autoridade é constituída por patriarcas,
arcebispos e metropolitanos; na romana é o Papa. A Igreja Católica Romana é mais centralizada no Papa, o
qual nomeia os bispos. Ambas requerem que os bispos sejam celibatários. Historicamente, ensinam que não há
salvação fora de sua igreja institucional .
Com a Reforma Protestante, algumas igrej as que rejeit aram a suprem acia romana man tiveram a premissa de
que o governo das igrejas deve estar nas mãos de bispos. As igrejas Me todistas e Ang licanas são “episco pais”
porque são go vernad as por bispos. Os bispos da Ang lic an a (E piscop al) aleg am que sua ordenação sucede dos
apóstolos . Os a rtigos de fé da Igreja Ang licana são parte da dou trina ofic ial, mas não se exige que os clérigos e
leigo s os aceitem. Existe nessa igreja um forte movimento de anglo-catolicismo disposto a sacrificar a doutr ina
da Reforma Anglicana quando e stiver em confl ito com o Con cilio de Tr ento.
Somente os bispos têm o direito de ordenar diáconos e presbíteros (sacerdotes) e de participar da ordenação
de outros bis pos. O pároc o é um sacerdote, o líder espiritual da igreja local; as jun tas eleitas pelas co ngregações
resolvem os assuntos temporais.
O clero e alguns leigos das congregações e missões formam a Diocese da sua área, chefiada pelo bispo. O
Concilio Executivo administra a Convenção Geral.
Algumas igrejas luteranas optaram por um sistema episcopal modificado. Nos tempos atuais, outras igrejas
têm formas de hierarquia de bispos.

3.2 PRESBITERIANA
Esta forma de governo foi construída sobre o alicerce fundad o por João Caivino no sécu lo XVI. Atualmente é
usada com algumas modificações pelas Igrejas Reformadas e Presbiterianas em muitos países. Afirma que Cristo
é a única Cabeça da Igreja, seu Corpo. Os membros elegem os oficiais como seus representantes para governar
a igreja instit ucional.
Em geral há quatro categorias de governo no sistema presbiteriano. As congregações são independentes
e iguais entre si, mas aceitam a Confissão de Fé adotada pela denominação e praticam sua forma de governo
eclesiástico. O “concilio”, eleito por cada congregação, cuida dos assuntos e negócios dela. É dirigida pelo
pastor, o “presbítero docente” cham ado pela congregação e os “presbíteros regentes” eleitos po r esta.
O sínodo é com posto dos pastores das congregações da igreja da região, com presbíteros regentes repres entando
cada igreja do Presbitério. Ele ordena pastores e tem alguma voz sobre a posse e eventual transferência deles

OJRSO DE TEO LOG IA 55


pela congregação. Também exerce autorid ade sobre as congregações em questões religiosas, financeiras e legais,
servindo como corte de apelo em assuntos apresentados pelos concílios das igrejas locais.
A Assembléia Geral ou Supremo Concilio reúne representantes eleitos por todos os presbitérios. Tem
autoridade geral em assuntos de fé, ordem, propriedade, missões, educação, etc. e é a última corte de apelo em
todos os casos apresentados pelos concílios das congregações, presbitérios e sínodos.

3.3 C ONGREGACIONAL
Antes da Reform a Protestante existiram com unidades que tentaram seg uir o modelo das igrejas primitivas nas
suas vidas congregacionais. As Igrejas da Reforma Radical insistiram em retomar ao ensino e prática das igrejas
do Novo Testamento. Em conseqüência, congregações autônomas foram implantadas pelos Waldenses, Irmãos,
Anabatistas e “igrejas dos crentes”.
As igrejas locais com governo congregacional são autônomas, determinando sua própria vida nas áreas de
fé, ordem e administração eclesiástica. Os membros escolhem seus líderes e decidem questões de acordo com a
vontade da ma ioria, na forma democ rática. A igreja existe na congregaç ão local, mas deve se associar com outras
congregações da mesma fé e ordem, em organizações regionais, etc., para comunhão e cooperação voluntária em
missões, educação, etc. Não estão, porém, ligadas organicamente e não são controladas por elas.
Hoje o congre gacion alismo continu a em igrejas batistas, congregacionais e independentes. Algumas luteranas,
pentecostais, etc. têm alguns aspectos congregacionais.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 3
1. Por que a forma de gove rno de um a igreja é importante?
2. Explique a forma episcopal de governo da igreja.
3. Explique a forma presbiteriana de governo da igreja
4. Explique a forma congregacional de governo da igreja.
4 OS OFICIAIS DA IGREJA
O Novo Testamento registra os dons ministeriais na seguinte ordem:
e doutores (E fésios 4.11) .
apóstolos, profetas, evange listas, pastores

Apóstolo - Apóstolo é sinônimo de missi onário. No srcinal grego apostol ov (apostolos) significa “mensageiro,
alguém enviado com ordens”. Eram um grupo de homens separados por Deus para proverem os fundamentos da
Igreja, como está escrito na carta aos Efésios: “.. .edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que
Jesus Crist o é a principal pedra da esquina” (Efésios 2.20); manifestarem o mistério de Deus “o qual, noutros séculos,
não foi manifestado aos filhos dos homens, como, agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e
profetas” (Efésios 3.5). Conseqüentemente eles falavam com uma autoridade que advinha do próprio Deus.
Os apóst olos, no sentido estrito, eram apenas os “doze ”, que não tiveram continuidade. Entretanto, as Escrituras
fazem referência ao dom de ministério apostólico: “E ele mesmo deu uns para apóstolos...” (Efésios 4.11). Na
Bíblia Sagrada o termo não é usado exclusivamente para fazer referência aos doze, mas também se refere a
Jesus (Hebreus 3.1). Mais tarde, alude a Paul o, como também a Bama bé (A tos 14.14) e a Matias, escolhido para
ocupar o lugar de Judas Iscariotes (Atos 1.16-20).
Para alguns, o chamado apostólico se encerrou com a m orte de João; já para outros ainda existe esse chama do.
Sobre este assunto concordamos com a posição de Russel Champlin: “De modo geral, isto é, quanto aos que
recebem postos elevados, há apóstolos na igreja até hoje e em todos os tempos. No sentido mais restrito, quanto
ao ofício propriamente dito, não há provas de que o apostolado perdure na igreja até hoje e os que tomam esse
título não apresentam as qualificações ou credenciais do apostolado”. (CITAR CHAMPLIN É PROBLEMA...)

Profeta - Eram homens dotados do Espírito Santo, q ue prediziam eventos futur os, como se pode averiguar
em Atos 11.27-28: “Naqueles dias, desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. E, levantando-se um deles,
por nome A gabo, dava a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fom e em tod o o m undo, e isso aconteceu
no tempo de Cláudio César” .
Mais freqüen temente, o termo é usado para o que com unica a revelação de Deus para a edificação da Igr eja. O
pro feta do Nov o Testam ento tanto pode ser um p as tor que proclam e a Palav ra já revelada, visto que a “revelação”
de Deus está completa e ninguém pode alterá-la, como tamb ém qua lquer um dos seus servos que queira usar com
este dom.

Evangelista - As Escritura s dizem que todos os crentes foram chamados para proclamar as boas novas de
salvação. A f rase “outros para ev angelistas” refere-se a um ministério e specífic o, especial. Co m certeza re fere-se
a chamado exclusivo, dotado por Deus para anunciar as boas novas de modo persuasivo.

Apesar de ser -pastor


Pastores E o que apascentaigreja,
da primitiva o rebanho
nuncadoseSenhor,
arrogou como Tiago,
ser bispo irmão do Senhor
na concepção nade
hodiema igreja
estardeumJerusalém.
degrau
acima do pastor. Trabalhou em pé de igualdade com presbíteros e apóstolos na igreja.

Mestres - E o mesmo pa stor com dom de ensinar, como Bama bé e Paulo, que durante um ano inteir o
‘‘ensinaram” ou “doutrinaram ” a igreja em Antioquia da Síria (Atos 11.26). Não receberam tal den ominação po r
possuírem diplomação e títulos, mas porque doutrinaram os convertidos da igreja.
4.1 TERMOS SINÔNIMOS
O Novo Testamento emprega três termos diferentes para designar o mesmo ofício ministerial. O primeiro
é 7ioi|ar|v (poimen ), traduzido po r pastor. Para esse ofício ministerial, aparece uma só vez no Nov o Testamento,
na carta aos Efésios 4.11, talvez para co ntrastar com o trabalho de Jesus, que é registrado seis vezes: João 10.11,

14, 16;Atos
21.16; Hebreus
20.28;13.20; 1 Pedro
1 Pedro 5.2 . 2.25; 5. 4. O verbo “pastorea r”, para des ignar o ofício de p astor, aparece em João
O segundo é TcpeaPuiepoc; (presbuteros ), traduzido por presbítero. Ocorre em Atos 11.30; 14.23; 15.2, 6,
22-23; 16.4; 20.17; 21.18; 1 Timóteo 5 .17,19; Tito 1. 5; Tiago 5.14; 1 Pedro 5.1; 2 João 1; 3 João 1.
O terceiro é E7U0K07i0c; ( episkopos\ traduzido por bispo e encontrado nos textos de Atos 20.28; Filipenses
1.1; 1 Timóteo 3.2 ; Tito 1.7; 1 Pedro 2.25 (nesta úl tima citação se r efere a Jesus).
Esses termos são permutáve is, como se veri fica em Tito 1.5, 7 e 1 Timóteo 5.17-18. Freqüentem ente eles se
aplicam à mesm a pessoa. São sinônimos perfeitos: Pas tor, Presbítero e Bispo. Por exemplo, 1 Pedro 5.1-4 indica
que os presbí teros “pastorei am o reban ho” e “olham por ele” - responsabi lidade de pastores - e recomenda que
os supervisores (bispos) “não ajam com o dom inadores ”. Em Atos 20 podemo s verificar esse entendimento. Paulo
está no porto de Mileto, cerca de 30 quilômetros ao sul de Éfeso, e manda chamar os pastores da cidade; um
grupo considerável aparece. No verso 17 ele chama-os de PRESBÍTEROS, e no 28 o mesmo grupo é chamado
de BISPOS para PASTOREAR a igreja de Deus.
Esses três termos são utilizados para designar os pastores, ou presbíteros, ou bispos de Éfeso. Um renomado
teólogo, ao averiguar o mesmo assunto, concluiu: “E provável que o termo pastor-mestre designe líderes da
igreja local e seja basicamente o mesmo que presbíteros e bispos”.
Sendo assim, para este ofício ministerial, à época da Igreja Primitiva, não havia ma ior nem menor, grande ou
pequeno, quem manda e quem é mandado. Todos eram servos, todos eram iguais; o Nov o Testamento não faz
menção a nenhuma hierarquia ministerial.

Presbíteros
Como tivemos a oportunidade de verificar, na Bíblia não há nenhuma diferença entre “pastor”, “bispo” e
“presbítero”. Este vem a ser um pastor mais idoso, mais experimentado.
O primeiro registro sobre presbíteros está em Atos 11.30. Pertenciam à igreja de Jerusalém e foram os que
receberam a oferta enviada por Antioquia da Síria. Em outros textos das Escrituras eles se encontram à frente
das recém-organizadas igrejas em Derbe, Icônio, Listra, Antioquia da Psidía e mais tarde em Perge na Panfília,
ordenados por Paulo e Bamabé para o pleno exercício pastoral, pois eram pastores. Em Atos 15 temos quatro
referências a presbíteros (vv. 2, 6, 22 e 23). Nesse texto não aparece nenhuma vez a palavra “pastor” nem
“bispo”. Sabemos que Tiago, irmão do Senhor, era pastor da Igreja em Jerusalém e não era “apóstolo”; logo,
sendo pastor era também presbítero e estava no grupo mencionado nos versos acima.
Atos 16.4 refere-se aos pastores de Jerusalém. Tiago 5.14 convoca os pastores para ungir os enfermos. Ós
presbíteros de Atos 20.17 são cham ados de bispos e pastores no v. 28 do mesmo capítulo . Em Atos 21.18 Tiago,
irmão do Senh or, foi co m um grupo de presbíter os - e ele mesmo era um - encontra r-se com Paul o. Segundo 1
Timóteo 5.17 o presbítero pode receber não somente salário, mas dobrado. Pedro se intitula presbítero e ordena
que os presbíteros “pastoreiem ” o rebanho de Deus com amor e brandura. “P astorear” é trabalho de pastor , logo,
presbítero é pastor. Na história da igreja João Calvino foi o primeiro a inovar um a categoria de oficiais entre o
pasto r e d iáconos. Sua tese, entretanto, carece de absoluto respald o bíblico.
Bispo
Chamados de “colunas” da igreja de Jerusalém, Pedro, Tiago e João eram servos de Deus e não mandatários
da Igreja. Tanto assim que, no crucial problema judaizante que chegou a abalar os fundamentos da Salvação,
terminam convocando uma grande assembléia: “Então, pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a
igreja, eleger varões dentre eles e enviá-los com Paulo e Bam abé a Antioquia, a saber: Judas, chamad o Barsabás,
e Silas, varões distintos entre os irmãos” (Atos 15.22). A conclusão do sério problema n ão veio por um “bispo-
chefe”, nem mesmo por um dos doze apóstolos, nem ainda por “presbíteros-pastores”, mas veio por uma
assemb léia crist ã, soberana, porque o governo eclesiástico do Novo T estamento é democrático. A últ ima palavra
em qualquer problema não vem de um papa, nem de um bispo, mas da igreja reunida em assembléia para tal
deliberação. Se na igreja primitiva de Jerusalém houvesse um b ispo-chefe, esse hom em dev eria ser Ti ago, irmão
do Senhor, mas não foi.
A enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia de Champlim-Bentes diz que “os títulos 'bispos’, ‘anciãos’ e
‘pastores’ eram, no Novo Testamento, sinônimos perfeitos, iniciando cada um dos quatro ‘dons’ ministeriais de
Efésios 4.11”. Os três referidos títulos - bispo, pasto r e presbítero - são idênticos no desem penho de um mesm o
ministério como encontramos em Atos 20.17, 28. Na igreja de Filipos havia uma pluralidade de bispos (1.1)
juntam en te com diáconos.

4.2 OUTROS MINISTROS


O Novo Testamento menciona outros ministros que, juntamente com o ministério específico, são apontados
por Deus para servi-lo.

Diácono
Devido a uma controvérsia que houve em tomo do cuidado das viúvas da igreja de Jerusalém, os apóstolos
decidiram ficar no ministério da palavra, porém ord enaram que fossem apartados alguns “v arões de boa reputação,
cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (Atos 6.3) . Foram se parados para “se rvir à me sa” . Nes te caso, a palavra
“servir”, no grego ô i c x k o v b c o (diakoneo ), se deriva do vocábulo da palavra S kxkovoç ( diakonos ), que significa
“servo” ou “mensageiro”. Outra forma dessa mesma palavra grega é usada no primeiro versículo do capítulo 6,
que é ôiaKOVia (diakonia ), traduzida por “distribuição”. Esse último vocábulo também é usado nas Escrituras
para desig nar os m inistérios espirituais, como se pode verificar em 2 C oríntios 5.18: “Ora, tudo provém de Deus,
que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério {diakonia) da reconcili ação” .
O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo, seu filho na fé, expondo quais eram as características que deveria
possuir um diácono para o desemp en ho do ministério diaconal: “Da mesma sorte os diáconos sejam honestos,
não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância, guardando o mistério da fé em
uma pura consciência. E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis. Da
mesma sorte as mulheres sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo. Os diáconos sejam maridos
de uma mulher e governem bem seus filhos e suas próprias casas. Porque os que servirem bem como diáconos
adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus” (1 Timóteo 3.8-13). Os
diáconos devem ser homens amadurecidos, com caráter cristão provado na família, na igreja e na comunidade
(Atos 6.1-8).
Com base neste texto, Russel Champlin disse: “Os diáconos eram os assistentes mais diretos dos anciãos ou
pastores, especialmente por ocasião da celebração da Ceia do Senhor, e da consagração dos discípulos”.

4.3 EVOLUÇÃO DA HIERARQUIA ECLESIÁSTICA


Como surgiu o conceito de bispo com autoridade divina sobre os pastores? Ele evoluiu entre os homens, jam ais
da verdade eterna de Deus. Encontramos alguns resquícios desse conceito nos escritos da Igreja Primitiva.
Irineu, no segundo século cristão, refere-se aos bispos como sucessores dos apóstolos tanto no ensino como
na administração das igrejas.
Hipólito afirma que somente os bispos tinham autoridade para ordenar pastores. Vemos aqui um passo em
direção ao desvio da Bíblia e mais próximo do papado romano.
Na Síria e na Ásia menor cada corpo local era supervisionado por chorespískopos , isto é, bispos itinerantes
sob responsabilidade de um bispo fixado em algum lugar.
No Norte da África u m bispo era n om eado sempre que surgisse um a nova comu nid ade. Esse bispo ficava em
Alexandria.
Na Europa Ocidental repetiam-se as inovações da África. Champlim-Bentes adiantam-nos: “A mesma coisa
sucedia na Europa Ocidental, onde somente os bispos tinham o direito de ordenar ministros locais. Naturalmente,
havia muitos lugares onde o bispo era apenas o ancião ou pastor de uma igreja local. Mas, em redor das cidades
maiores, surgiu a tendência de um pastor de uma cidade maior exercer influência sobre os pastores de cidades
menores. E aquele passo u a ser chamad o ‘bispo ’. O título continuava o mesmo dos tempos do Novo Testamento, mas
as funções dos bispos ultrapassavam em tudo quanto se vê nas páginas sagradas. Esse tipo de atividade continuou
até que houve a necessidade de surgirem os ‘arcebispos’ ou ‘bispos-chefes’ ou então, nas igrejas orientais, os
‘patriarcas’”. Em meio a esse desenvolvimento, foi surgindo a figura do papa de Roma, que tinha maior prestígio
e autoridade que todos os arcebispos e bispos. Isso criou toda um a hierarquia eclesiást ica, ao passo que o Novo
Testamento nos apresenta a idéia de um ministério diversificado, mas sem superioridades e inferioridades. Disse
Jesus: “...um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos” (Mateus 23.8).
No século IV d.C. Constantino ad otou o cristianis mo como religião oficial do Im pério Romano e se fez o
cabeça da Igreja. Os bispos, então, come çaram a ter o pode r políti co e não somente ec lesiástico. Galgaram postos
elevados mediante decretos imperiais. Tais bispos se tomaram poderosos tanto na igreja como no governo civil.
Em muitos casos, os “bispos”, na Idade Média, chegaram a ocupar a chefia de algumas comunidades feudais.
Na Igreja Católica Ro mana o bispo exerce autoridade sobre algumas áreas, havendo padres às suas ordens.
São indispensáveis para a segurança da igreja. Os bispos romanistas são considerados vices-regentes de Cristo,
canais através do s quais flui a graça divina.
Na igreja episcopal a denom inação é gov ernada por bispos. Governam dio ceses e consagram igrejas. Contam
com três ordens de ministros: bispos, padres e diáconos.
Na igreja metodista o bispo exerce autoridade numa certa região com poderes para fazer remanejam ento de
pasto res periodicam ente.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 4
1. Qual é o significado do dom ministerial de apóstolo?
2. Quem são os profetas do Novo Testamento?
3. Quais são os três termos que o Novo Testamento emprega para designar o mesmo ofício ministerial?
4. Qual é o signif icado da palavra diácon o?

60 CURSO DE TEO LOG IA


_ ORDENANÇAS
D DA IGREJA
As ordenanças são ritos externos ou observâncias simbólicas ordenadas por Jesus para serem administrados
em sua Igreja como sinais visíveis da verdade salvadora do evangelho. O termo “ordenança” vem do latim ordo ,
que significa “fila”, ou “ordem”, ou por extensão “algo imposto e tomado obrigatório”.
Em contraste com este ponto de vista caracteristicamente protestante, a Igreja Católica Romana pratica
sete ordenanças (que eles chamam de sacramentos), sem razões bíblicas para tal prática, que são: ordenação,
confirmação, matrimônio, extrema-unção, penitência, batismo e eucaristia. Não existe nenhuma base bíblica
para o ensino da Igreja Católica Ro mana de que esses sacram entos são usados por Deus para comunicar graça ou
perdoar pecados. No Nov o Testamento não tem os sacram entos, e muito m enos veículo de graça. O que temos são
ordenanças que, embo ra não salvem, testemunham da gracio sa salvação mediante a fé e m Cristo Jesus . O Senhor
Jesus estabeleceu o batismo e a ceia como os dois ritos ou cerimônias a serem observados pela sua Igreja. Essas
duas institui ções são chamada s de ordenanças, porque foram ord enadas por Jesus (Mateus 28.19; Marcos 16.16).
Os discípulos cumpriram a ordem de Jesus, batizando os novos crentes conforme o mandamento que havia sido
deixado (Marcos 16.20; Atos 2.41; 8.12-13, 36-39; 10.47).

5.1 BATISMO
Jesus estabeleceu o batismo nas águas como uma ordenança, como se pode observar nos evangelhos de
Mateus e Marcos: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-a s em nom e do Pai, e do Fil ho, e do Espírito
Santo” (Mateus 28.19): “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado” (Marcos
16.16). O batismo n ão salva, não lava peca dos e não com pleme nta a salvação.
Batismo não é uma iniciação, é um testemunho público da nova vida em Cristo assumida pelo batizando,
portanto a forma e as condições são importantes. A palavra grega PaTmÇco (baptizo ) significa “mergulhar
repetidamente, imergir, submergir (de embarcações afundadas)”. O sentido da palavra “batizar” é “imergir”,
sendo este seu fundamental, constante e único sentido. A ordem de Jesus para batizar é, portanto, uma ordem de
imergir.

a) O batismo de João Batista


Esse batismo era por imersão, e um grande número de pessoas participou desse ritual administrado por João.
Foi um ministério tão grande, que muitos anos d epois Paulo encontrou alguns discípulos na longínqua c idade de
Efeso que somente conheciam o batismo de João: “E sucedeu que, enquanto Apoio estava em Corinto, Paulo,
tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Efeso e, achando ali alguns discípulos, disse-lhes:
Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem aind a ouvimos que haja Espírito
Santo. Pergun tou-lhes, então: Em que sois batizados, então? E eles disseram: No batismo de Joã o” (Atos 19.1-3).
Apoio, grande pregador e cooperador de Paulo, foi um de seus discípulos: “E chegou a Efeso um certo judeu
chamad o Apoio, natural de Alexandria, varão eloqüen te e poderos o nas Escrituras. Este era instruído no caminho
do Senhor; e, fervoroso de espírito, falava e ensinava diligentemente as coisas do Senhor, conhecendo somente
0 batismo de João” (Atos 18.25). Esse batismo terminou quando João foi encerrado na prisão, coincidindo com
o início do ministério de Jesus.
b) O batismo de Jesus
Jesus foi batizado por João, para que se cump risse a justiç a de Deus, com o o próprio Senhor Jesus disse: “Para
que se cumpra toda a justiça” (Mateus 3.15). Nesta passagem vemos a importância da pessoa que administra o
batismo , pois o Senhor Jesus podia te r batizado a si próprio, mas não o fez. Veio da Galiléia até onde João estava
batizando e lá recebeu o batism o da pessoa que o próprio Deus tinha ordenado pa ra aquele ato.

c) O batismo administrado pela Igreja Primitiva


Os historiadores, como testemunhas da Igreja Primitiva, nos informam que as igrejas praticavam a imersão
durante os dois primeiros séculos. Um dos pais da Igreja nos diz que “outros fazem a sugestão (é claro que forçada)
de que os apóstolos, então, ministravam a volta do batismo quand o em seu naviozinho sofriam a aspersão e eram
cobertos pelas ondas; que o próprio Pedro também foi imerso quando ele esteve andando sobre o mar. Penso eu
que, uma coisa é ser aspergido ou interceptado pela violência do mar; outra coisa é ser batizado em obediência
à disciplina da religião”.
Em momento algum temos a notícia de que pelo menos um dos batizados pela Igreja fosse pessoa não
convertida, ou forçada para o ato, ou qualquer recém-nascido. Consideremos o que disse Filipe para o eunuco:
“Você pode ser batizado, se crê de todo o coração”; e após a pregação de Pedro em Atos 2 vemos a Bíblia
esclarecen do que “foram ba tizados todos os que voluntariam ente...”, portanto eram b atizados após terem a certeza
da salvação e de livre e espontânea vontade. A fórmula para o batismo nas águas é claramente estabelecida na
Grande Comissão: em “nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28.19).

5.1.1 Fórmula do batismo


Durante muitos séculos não houve dúvidas sobre a fórmula do batismo em nome da Trindade no seio da
Igreja. Porém, a partir do século passado ressurgiu com ímpeto uma corrente do unitarianismo, pondo alguns
em dúvida quanto à fórmula batismal, afirmando que o batismo correto seria aquele que batizasse somente “em
nome de Jesus”. Vejamos o que as Escrituras têm a nos dizer sobre tal argumento.
No evangelho, segundo escreveu Mateus, Jesus deu o seguinte mandamento: “Ide, portanto, fazei discípulos de
todas as nações, bati zando-os em n ome do Pai , e do F ilho, e do Espíri to Sa nto ...” (Mateus 28. 19 - ARA). Esta
fórmula tríplice do batismo é uma maneira de ressaltar a Santíssima Trindade. Entretanto, no início de Atos 2.38
lemos: “...cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo...”. Algumas seitas interpretam essa aparente

discrepância
três nomes depara sustentar
Cristo, que ésua negaçãopor
designado da Pai,posição
Filho e trini tariana.
Espírito SantoDizem que a declaração
(os unicistas de Assim,
dizem isso). Mateusestabelecem
28.19 apóia os
que a fórmula corr eta do batismo é a encontrada em Atos 2.38. Citam também Atos 8.16, 10.48 e 19.5 como prova
de que a Igreja Primitiva batizava apenas em nome de Jesus. Analisemos as passagens citadas:

Atos 2.38 “...seja batizado em nome de Jesus Cristo...”.

Atos 8.16 “...sido batizados em nome do Senhor Jesus...”.

Atos 10.48 “...batizados em nome do Senhor”.

Atos 19.5 “... bati zados em nom e do S en ho r Je su s”.

O que se observa da leitura atenta dos versículos citados? Que não se trata de uma fórmula batismal porque
não são uniformes as expressões, variando de “em nome de Jesus Cristo” (Atos 2.38) para “em nome do Senhor
Jesus” (A tos 8.16) e “em nome do Sen hor” (Atos 10.48). Mu ito razoável é afirmar então que a narrativa de Atos
2.38 indicada como batismo em nome de Jesus Cristo esteja se referindo a “pela autoridade de Jesus”, como
se lê em Atos 3.16 e 16.18, onde a autoridade de Jesus é invocada. Não se trata de fórmula que acompanha tais
acontecimentos, uma vez que em Atos 19.13 a invocação do nome de Jesus por exorcistas nada significava
porque os que o fizeram não tinham realmente a auto ridade de Jesus. Em outras palav ras, o batismo foi ordenado
e levado a efeito sob a divina autoridade do Filho, empregando-se a fórmula de Mateus 28.19.
Não bastasse o apoio irrestrito da B íblia Sagrada, que to ma irrebatível o nosso entendimento, acresce observar
o costume da Igreja Primitiva encon trado no livro Os Ensinos dos Doze Apóstolos , que diz: “Agora, concernente
ao batismo, batizai desta maneira: depois de ensinar todas estas coisas, batizai em nome do Pai e do Filho e do
Espírito Santo”. Noutra parte do livro já citado se diz que “o bispo ou presbítero deve batizar desta maneira
conforme ao que nos ordenou o Senhor, di zendo: Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações batizando-os
em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

5.1.2 Realidades espirituais figuradas no batismo


O batismo em água é a porta de entrada para agregar-se à Igreja visível, terrena e local. Sendo assim, o
batismo é u ma identificação pú blica do crente com Cristo, o seu Salvador, em que:

a) A descida do candidato às águas fi gura sua morte com Cri sto: “Ou não sabeis que todos quantos fomos
batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” (Rom anos 6.3).

b) A imersão nas águas está relacion ad a com seu sepultamento com Cristo: “De sorte que fomo s sepultados
com ele pelo bati smo na m or te...” (Romanos 6.4) .

c) O emergir das águas representa a sua ressurreiçã o com Cristo em novidad e de vida: “Porque, se fo mos
plantados juntam en te com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua re ss urreição...”
(Romanos 6.5).

Desta forma, a obediência ao batismo por imersão honra a morte e ressurreição de Cristo. Por meio do
batismo conseguim os observar o simbolismo da perfeita união com Cristo, tan to na morte como n a ressurreição.
Na descida às águas o corpo do pecado foi destruído (não servimos mais ao pecado) e morremos com Cristo,
sendo justificados do pecado; ao emergir das águas, fomos ressuscitados.

5.1. 3 Q uem deve ser batizado


O batismo destina-se somente aos que têm aceitado o Senhor Jesus como seu Salvador, ou seja, aqueles que
pela fé entraram em comunhão po r meio da morte e ressurreição de Cristo. Não encontramo s nas Escrituras
nenhum batismo infant il. “As mais antigas evidências do batismo infantil devem ser datadas de meados do século
III em diante (Cipriano 250; Agostinho 400) na Igreja Ocidental. No ramo oriental da Igreja, as mais antigas
menções sobre o batismo infantil datam do final do século V”. Nos escritos mais antigos, como o Didaqué
(100/110), a Epístola de Bamabé (120/130) e O Pastor , de Hermas (150), nada é comentado sobre o batismo
infant il. Pelo contrário, ensina-se o batismo de adultos que exe rceram fé. Por exemplo, no Didaqué encontramos
duas referências ao batismo (7.14 e 9.5). A primeira delas declara que o batismo era por imersão com um
ensino prévio para o batizando, com tríplice imersão. A segunda m enção proíbe os não batizad os de participarem
da eucaristia. Em O Pastor Hermas ensina que o arrependimento precede o batismo, que é dado em vista de
remissão dos pecados anteriores.

“Ide,Asportanto,
Escriturasfazei
Sagradas mostram
discípulos que somente
de todas erambatizando-os
as nações, batizados aqueles que previamente
em nome do Pai, e doseFilho,
fizeram discípulos:
e do Espírito
San to...” (Mateus 28.19 - ARA), ou seja, demonstravam arrependimento e fé para tal at o, como se observa na
pregação de João Batista: “E, naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizendo:
Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus... e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os
seus pecados” (Mateus 3.1-2,6). Desta forma, encontramos dois pré-requisitos escriturísticos para a prática do
batismo: a fé e o arrependimento.
O batismo de crianças é expressamente negado pelos elementos que acabamos de mencionar, pois Mateus
fala em batizar discípulos e Marcos em batizar crentes; as crianças não são nem um nem outro. Strong rejeita
tal ensino pelas seguintes razões: “Primeiro: não há nenhuma ordem expressa de que se deva batizar crianças.
Segundo: Não há nenhum exem plo claro de batismo de cri anças. Terceir o: as passagens que imp licam o bati smo
de crianças não contêm, quando bem interpretadas, nenhuma referência a tal prática”.

5.2 CEIA DO SENH OR


Esta ordenança, estabelecida pelo Senhor na noite em que foi traído (Mateus 26.26-30; Marcos 14.22-26;
Lucas 22.17-20), pode se chamada de comunhão (1 Coríntios 10.16) ou Ceia do Senhor (1 Coríntios 11.30).
É um rito exterior no qual todos os que se arrependeram de seus pecados comem do pão e bebem do fruto da
vide, como sinal da permanente comunhão da morte e ressurreição de Cristo, por meio da qual Ele sustenta e
aperfeiçoa os crentes até a sua vinda para buscar a sua Igreja.
A Igreja Católica Romana interpreta de forma literal as palavras de Jesus, quando ele disse: “Isto é o meu
corpo ” (Lucas 22.19). Essa igreja ensina a seus fi éis que, mediante a consa gração que o sacerdote faz, o pão e o
vinho são transformados literalmente no corpo e sangue de Cristo; que esta consagração é uma nova oferta do
sacrifício de Cristo e que ao participar deste ato o comungante recebe graça salvadora e santificadora de Deus.
Isto é conhecido como transubstanciação. Esta igreja não ministra o vinho aos leigos, mesmo considerando que

Cristo
Essaestá presente
doutrina nãoemsubsiste
ambos aosum
elementos.
exame minucioso das Escrituras Sagradas, por vários motivos:

a) Faz uma exegese do texto de Mateus 26.26, “isto é meu corp o” . Ao pronunc iar esta fras e, Jesus est ava
com seus discípulos em forma visível e palpável, sendo assim, Jesus jamais ensinou que o pão fosse
literalmente seu corpo. Thiessen diz que “se Cristo tivesse querido dizer que o pão e o vinho eram
literalmente Seu corpo e sangue, deveria ter havido dois corpos de Cristo presentes naquela hora”.

b) Co ntradiz os sentidos, pois nenhum teste jamais demonstrou que os elem entos sejam outra coisa além de
pão e fruto da videira.

c) Nega a plenitude do sacrifício de Cristo, pois, como dissemos, afirma categoricamente que quando os
elementos são consagrados é uma “nova oferta do sacrifício de Cristo” . Ao esc rever aos hebreus, o escritor
decla rou: “ ...assim também Crist o, oferecendo-s e uma v ez ...” (Hebreus 9. 28).

Os luteranos e a Igreja Anglicana têm uma doutrina similar, um pouco modificada, chamada de
consubstanciação. Segundo essas denominações, os elementos permanecem materiais, mas Cristo está presente
espiritualmente; n este modelo, qua ndo o fie l participa dos elemen tos, após a oração de consag ração, signifi ca que
está verdadeiramente participando do corpo e sangue de Cristo (João 6.53-55; Lucas 22.19).
Uma terceira leitura é que a observância da ceia do Senhor é simplesmen te um ato memorial, que não propicia
nenhum favor imerecido ao seu participante. Os elementos, quando recebidos pela fé, conferem ao cristão os
benefícios espirituais da mo rte de Cristo. Sendo assim , não passam de sím bolos, mas quando recebidos pela
fé geram uma verdadeira comunhão com o Senhor, como escreveu o apóstolo Paulo: “Porventura, o cálice
de bênção que abençoamos não é a comunhão do -sangue de Cristo? O pão que partimos não é, porventura, a
comu nhão do corpo de Cr isto?” ( 1 Coríntios 10.16).

5.2.1 P ré-requisitos para participar da Ceia do Senhor


O apóstolo Paulo, ao escrever aos corínti os, advertiu quanto ao “co m er ... ou beber. .. indignam ente” (1 Corínti os
11.27-29). O advérbio “indignamente” está relacionado com os verbos “comer” e “beber”, logo está relacionado
com a maneira de participar da ceia e não com a indignidade das pessoas. A exortação do apóstolo referia-se à
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a í. =~ v CURSO DE TEOLO GIA
maneira famélica dos coríntios, como se lê: “De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a Ceia
do Senhor. Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome, e outro
embriaga-se. N ão tendes, porventura, casas para com er e para beber? O u desprezais a igreja de Deus e envergonhais
os que nada têm? Que vos direi? Lou var-vos-ei? Nisso não vos louvo” (1 Coríntios 11.20-22).
O fato é que ninguém é digno, por si mesmo, de ter comunhão com Deus, mas por meio do sacrifício de Jesus

na cruz
Em do calvário,
algumas em virtude
partes de sua obra
da cristandade sãoexpiatória,
comumente obtemos acesso
praticados ao trono
certos atos,danaMajestade.
celebração da ceia, que
entendemo s não ser o mais sensato. Alguns distribuem a ceia a todos quantos estão presentes, independe ntemente
de sua profis são de fé, bastando que “analise a si mesm o”. Ora, o ser humano, maculado pelo pecado srcinal ,
perdeu totalm en te seu senso de ju stiça, o que faz com que seu ju lgament o não seja co nforme os parâmetros
estabelecidos nas E scritur as. Portanto, a melhor man eira para estabelecer quem deve ou não participar da ceia
é observando o que a Bíblia tem a dizer sobre tal assunto.
Ao ordenar que fosse preparada a Páscoa, somente os discípulos participaram, como escreveu Lucas: “E,
chegada a hora, pôs-se à mesa, e, com ele, os doze apóstolos. E disse-lhes: Desejei muito comer convosco
esta Páscoa, antes que padeça, porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no Reino de
Deus” (Lucas 22.14-16). Segundo Strong, existem quatro pré-requisitos para a participação na Ceia do Senhor:
a regeneração, o batismo nas águas, ser membro da igreja local e andar ordenadamente. Biblicamente falando,
porém, apenas duas situações poderiam impedir alguém de particip ar da Ceia do Senhor: 1) Se ao exam inar-se a
si mesmo o crente julg ar que participaria indignam ente, para sua própria cond enação (1 Coríntios 11.28-30) o u
2) se o candidato a participar da ceia está em pecado gravíssimo, confo rme a lista de 1 Coríntios 5.9-13.

5.2.2 Natureza da Ceia do Senhor


O apóstolo Paulo apresenta o glorioso propósito da instituição da ceia ao escrever sua Carta aos Coríntios.
Assim, por meio desta epístola, ficamos sabendo que a ceia não foi instituída para comemorar o nascimento de
Cristo, nem sua ressurreição, nem o seu poder ou milagres, mas a sua morte, como está escrito: “Porque, todas
as vezes que comerd es este pão e beberdes este cálice, anunciais a morte do Senhor, até que venh a” (1 C oríntios
11.26). Portanto, com relaç ão à natureza da Ce ia do Senho r podemos afirmar:

a) E um atoquedeoobediência
ensinei: ao mandamento
Senhor Jesus, do Senho
na noite em que r: “Porque
foi traído, tomou o eu
pão;recebi do Senhor
e, tendo o queo também
dado graças, partiu vos
e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim” (1
Coríntios 11.23-24);

b) É um memorial à m orte expiató ria: “...faze i isto em mem ória de mim” (1 Co ríntios 11.24);

c) E uma proclamação: “Porqu e, todas as vezes que comerd es este pão e beberdes este cálice, anunciais a
morte do Senhor, até que venha” (1 Coríntios 11.26);

d) E a certeza da volta de Cri sto: “...an unc iais a morte do Senhor, até que venh a” (1 Coríntios 11.2 6);

e) E um fato gerador de comunhão: “Porve ntura, o cálice d e bênção que abençoam os não é a comunhão
do sangue de Cristo? O pão que partimos não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo?” (1
Coríntios 10.16).
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 5
1. O que são ordenanças da Igreja?
2. Quais são as ordenanças da Igrej a Católica?
3. Quais são as duas ordenanças estabelecidas po r Jesus para todos os cristãos?
4. O que é o batismo?
5. Quem deve ser batizado?
6. Diferencie com suas palavras transubstanciação de consubstanciação.

66 CURSO DE TEOLOGIA1
6 DISCIPLINA NA IGREJA
Disciplina não é uma palavra popular em muitos círculos, mas expressa um princípio bíblico muito importante.
E certo que o mundo vê a disciplina com o expressão de ira e hostilidade, mas as Escrituras m ostram que a disciplina
de Deus é um exercício do seu amor por seus filhos. Amor e disciplina possuem conexão vital, como escreveu o
apóstolo João: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te” (Apocalipse 3.19).
Além do mais, disciplina envolve relacionamento familiar (Hebreus 12.7-9), e quando os cristãos recebem
disciplina divina, o Pai celestial está apenas tratando-os como seus fil hos. Deus não d isciplina bastardos, ou seja,
filhos ilegítimos (v. 8). O padrão de disciplina divina revela também maravilhosos benefícios. A disciplina que
vem do Senhor é para o nosso bem, “para apro veitamen to” (v. 10). Ainda que seja inicialmente doloroso receb er
disciplina, a conse qüência d ireta dela é gerar paz e retidão (v. 11). O v. 13 ensina que o propósito de D eus em
disciplinar não é o de incapacitar permanentemente o pecador, mas restaurá-lo à saúde espiritual.
A palavra “disciplina”, em geral, é empregada em vários sentidos. Podemos usá-lo para referirmo-nos a uma
área de ensino, ao exercício da ordem, ao exercício da piedade ou a medidas corretivas no seio da Igreja.

6.1 DISCIPLINA NO ANTIG O E NOVO TESTAMENTO


O term o hebra ico "ID1D (muwcar) é usado no Antigo Testamento como sinônimo de “instruir” (Provérbios
1.3, 8 ), “corrigir” (Prové rbios 22.15 e 23.13) ou “ca stigar” (Isaías 53.5). No Novo T estamento, o grego naiôew
(paidéia) possui sentido semelhante e é freqüentemente usado na analogia entre a disciplina dos filhos por
seus pais e a correção que vem do Senhor (ver Hebreus 12.1-10 e Apocalipse 3.19). Nesse sentido, disciplina
e sabedoria estão intimamente ligadas nas Escrituras, como declarou o salmista: “Mas ao ímpio diz Deus: De
que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e
rejeitas as minhas palavras?” (Salmos 50.16-17; Provérbios 1.1-2; 15.32). A correção é fonte de esperança para
os que a aplicam e vida para aqueles que a recebem corretamente: “Pega-te à correção e não a largues; guarda-a,
porque ela é a tua vida”; “Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de ma tá-lo”
(Provérbios 4.13; 19.18). A correta disciplina deve ser semp re aplicada com amor e não com ira: “O que retém a
vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Provérbios 13.24 - ARA).
Segundo as Escrituras, a disciplina na Igreja está fundamentada não apenas no exercício do bom senso, mas
principalm ente nos imperativos do Senhor. O mandato bíb lico referente à disciplina é encontrado especialmente
no en sino de Jesus: “Ora, se teu irmão pec ar contra ti, vai e repreende -o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a
teu irmão. Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, p ela boca de duas ou três testemunhas,
toda palavra seja confirmada. E, se não as escut ar, dize-o à igreja; e, s e também não escutar a igreja, considera-o
como um gentio e publicano” (Mateus 18.15-17) e nos escritos de Paulo (1 Coríntios 5.1-13). Também, há
clara referência bíblica de que a igreja que negligencia o exercício desse mandato compromete não apenas sua
eficiência espiritual, mas sua própria existência.

A igreja
Tiatira sem disciplina
foi repreendida é uma
devido à suaigreja sem pureza
flexibil (Efésios
idade moral: 5.25-27)
“ Mas tenhoe con
sem tra
poder
ti o(Josué 7.11-12).
tolerares A igreja
que Jezabel, de er que
mulh
se diz profetisa, ensine e engane os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria. E
dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu. Eis que a porei numa cama, e
sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrepend erem das suas obras. E ferirei de morte
a seus fil hos, e t odas as igrejas saberão que eu sou aque le que sonda as m entes e os corações. E darei a cada um
de vós segundo as vossas obras. Mas eu vos digo a vós e aos restantes que estão em Tiatira, a todos quantos não
têm esta doutrina e não conheceram, como dizem, as profundez as de Satanás, que outr a carga vos não porei. Mas
o que tendes, retende-o até que eu venha” (Apocalipse 2.20-25).

6.2 PASSOS PARA A DISC IPLINA


Para que a igreja seja pura e vigorosa, temos de seguir os ensinos da Palavra de Deus nesta doutrina bíblica.
Sendo assim, biblicamente, a disciplina na igreja tem um triplo objetivo:

1) Restabelecer o pecador (Mateus 18.15; 1 Coríntios 5.5; Gálatas 6.1);


2) Manter a purez a da igreja (1 Coríntios 5.6-8);
3) Dissuadir outros (1 Timóteo 5.20).

É este triplo propósito que aponta para os passos a serem seguidos em uma aplicação correta da disciplina
eclesiástica. Esses passos são especialmente mencionados em Mateus 18.15-17.

1) Abordagem individual
O verso 15 diz que “se teu irmão peca r contra ti, vai e repreend e-o entre ti e ele só”, ensinando que a
confrontação é um a tarefa crist ã. Uma das melho res coisas a se fazer por um irmão em pe cado é confrontá- lo em
amor (Provérbios 27.5-6). Mas é sempre arriscado confrontar alguém, pois nunca se pode prever a sua reação.
Jesus, todavia, dirige nossa atençã o para a alegre possibilidade de que tal irmão nos ouça. Além do m ais, o ter mo
grego eXeyxco ( elegcho ), traduzido por “argüir, instruir, confrontar”, também pode ser traduzido como “trazer à
luz, expor” . E significati vo o fato de que esse é o mesm o termo usa do em João 16.8 para descrever o ministério
do Espírito em relação àqueles que estão no mundo, em convencê-los (confrontá-los) “do pecado, da justiça, e
do juízo”. Assim, antes de confrontar um irmão, podemos sempre clamar por socorro Aquele cujo ministério de
confrontação é sempre eficaz.

2) Admoestação privad a
No caso de o ofensor não atender à confrontação ind ividual, Jesus ordena que haja admoestação privada
« *
(v. 16). Nesse caso, um número maior de pessoas é envolvido. A princípio, pode parecer que o objetivo desse
passo é intim idar o ofensor. Um a atenção maior, porém, lev a-nos a entender que o propósito pode ser o de
conscientizar o ofensor quanto aos prejuízos de sua atitude para com a comunidade do corpo de Cristo. Em
outras palavras, nosso pecado traz conseqüências pessoais e coletivas. Além do mais, Jesus afirma que as outras
pesso as envolvidas nesse processo serão testemunhas. Isto é uma referência à prática veterotestamentária de não
se condenar alguém com base apenas em uma opinião pessoal (cf. Números 35.30; Deuteronômio 17.6; 19.15).
Com isto, a objetividade d o caso é preservada , o que dim inui as chances de injusti ça, e o ofen sor é benefici ado.
Não havendo conciliação, parte-se para a te rceira fase.

3) Pronunciamento público (v. 17)


Tal proceder nunca é violação de segredos, pois o ofensor deliberadamente recusou os caminhos prévios do
arrependimento. Diante de tal pronunciamento cada membro do corpo de Cristo deve orar pelo pecador, evitar
come ntários desnec essários (2 Tessalonicenses 3.14-15) e vigiar a si próprio (1 Coríntios 10.12). Tal ofici alização

pública da disciplina traz implicações tem porárias em relação à com unhão (1 Co rín tios 11.27).
4) Exclusão pública
O último recurso da disciplina é o da excomunhão (do latim ex , “fora”, e communicare , “comunicar”), na
qual o ofensor é privado de todos os benefícios da comunhão. Nesse caso, o ofensor é tido como gentio (a quem
não era permitido entrar nos átrios sagrados do templo do Senhor) e publicano (que eram considerados traidores
e apóstatas conforme Lucas 19.2-10). Com estes não há mais comunhão cristã, pois deliberadamente recusam
i
i
68 CURSO DE TEOLO GIA]
i
a
k I DOUTRINA DA IGREJA

os princípios da vida cristã; dessa forma, os cristãos não devem “se associar com aquele que, dizendo-se irmão,
for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1
Coríntios 5.11). Se o seu pecado é heresia, ou seja, o desvio doutrinário das verdades fundamen tais ensinadas nas
Escrituras, eles não devem nem mesmo ser recebidos em casa, como escreveu o apóstolo João: “Se alguém vem
ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda
tem parte nas suas má s obras” (2 João 10-11).
E claro que cada um desses passos envolve dor, tempo, am or e transparência. N enh um deles é agradáve l e eles só
prosseguem diante da dureza de coração do ofensor, o u seja, a recusa ao arrependimento. Há, porém, o conforto de
saber que a presença e o poder de Jesus são reais mesm o no contexto desse processo. Assim, a disciplina eclesiástica
“não é um a atividade a ser reali zada facilmente, mas algo a ser conduzido na presença do Senhor”.

6.3 OBJETIVOS BÍBLICOS NA DISCIPLINA


Deus insiste na santidade, tanto no Antigo como no Novo Testamento. O chamado à santidade é explícito:
“Porque eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos santificareis e sereis santos, porque eu sou santo; e não
contaminareis a vossa alma por nenhum réptil que se arrasta sobre a terra” (Levítico 11.44). “Sede santos, porque
eu sou santo” (1 Pedro 1.16). O povo de Deus é chamado por Ele me smo de “naçã o santa” (1 Pedro 2.9).
Nunca encontraremo s nas Escrituras desinteresse no processo que conduz o filho de Deus a co nhecer e
praticar a vontade de Deus nesta vid a (Rom anos 12.1-2). Portanto, a dis ciplina bíblica favorece o crescimento
da igreja, porque busca a santificação e boa ordem necessária para sua edificação espiritual, eliminando toda e
qualquer ameaça de seu bem-estar. Sendo assim, pelo menos quatro princípios fundamentais estão envolvidos:

a) Obediênc ia irrest rita à Palavra de Deus: “Bem-aven turado o varão que não anda segundo o conselho dos
ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escamecedores. Antes, tem
o seu prazer na lei do SENH OR, e na sua lei medita de dia e de noite” (Salmos 1.1-2);

b) Remoção da corru pção do pecado: “Não sab eis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?
Alimpai-vos, pois, do fermen to velho, para que sejais uma nova m assa...” ( 1 Co ríntios 5.6-7);

c) O refreamento dos outros: “Aos que pecarem , repreen de-os na presença de todos, para que também os
outros tenham tem or” (1 Timóteo 5.20) ;

d) Restauração do pecador: .basta ao tal esta repreensão feita por muitos. De mane ira que, pelo contrário,
deveis, antes, perdoar-lhe e consolá-lo, para que o tal não seja, de modo algum, devorado de demasiada
tristeza. Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor” (2 Coríntios 2.6-8).

6.4 IMPLICAÇÕES TEOLÓGICAS


Sem a intenção de limitar, mas tão-somente de elucidar, oferecemos três tópicos teológicos que estão
vitalmente ligados ao processo da disciplina eclesiástica.

a) Disciplina e a adoração cristã


A verdade ira adoração é a mais nobre atividade que o homem, pela graça de Deus, é capaz de realizar . A
exclusiva adoração a Deus é um mandato divino: “...porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a
ele servirás” (Mateus 4.10; Apocalipse 19.10 ), é uma marca da fé salvado ra e deve seguir os princípios revelados
por D eus em sua Palavra.
Um princípio essencial da adoração cristã é o zelo pela santidade. A negligência quanto ao proceder diário
motiva os incrédulos a blasfema r o nome de Deus, como escre veu o apóstolo: “Porque, com o está escrito, o nome
de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós” (Romanos 2.24). Assim, o zelo pela santidade implica
k I DOUTRINA DA IGREJA

diretamente o exercício da disciplina eclesiástica. Um a igreja adoradora e ao mesmo tem po tolerante para com o
pecado no seu seio é u ma contradição de term os e recebe a repreensão do Senhor (Apocalipse 2.18-29).

d) Disciplina e as marcas da Igreja


A Reforma Protestante do século XVI considerou importantíssima para a teologia cristã a seguinte questão:
como d istinguir entre a Igrej a verdadeira e a falsa? Em outras palavras, quais são as marcas da verdade ira Igreja
cristã? Para o reformador João Caivino, tais marcas consistem na proclamação da Palavra, na administração
dos sacramentos e no exercício da disciplina eclesiástica. Segundo ele, “aqueles que pensam que a igreja pode
sobreviver por longo tempo sem disciplina estão enganados; a menos que pensemos que podemos omitir um
recurso que o Senhor considerou necessário para nó s”. Nesse sentido, a discipli na na igreja é tão necessária
quanto os ligamentos do corpo humano, ou como a disciplina em família.
Cristo deseja sua Igreja “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Efésios
5.27), portanto a disciplina eclesiástica é altamente relevante, pois é um meio instituído por Deus para manter a
pureza dentro da sua Igreja. O servo de Deus sempre deve almeja r a pureza da noiva do Cordeiro, mesmo diante
da possibilidade da sua contaminação pelo mundo.

c) Disciplina e evangelismo
A disciplina evidencia o amor cristão pelo pecador, ainda que esse pecador seja um dos membros da igreja.
Esse amor pelo pecador cristão também reflete o seu amor pelo pecador incrédulo. A disciplina eclesiástica
ressalta a seriedade do pecado. Sem a visão dessa seriedade, a igreja não é corretamente motivada a buscar a
redenção do pecador. Há uma relação entre disciplina eclesiástica e evangelismo.
Uma igreja sem disciplina pode até crescer em número, mas não cresce de forma saudável, tomando-se um
empecilho para o avanço do evangelho. Essa relação vital entre evangelismo e disciplina é evidente à luz dos
escritos do apóstolo Paulo: “Porque que tenho eu em julgar também os que estão de fora? Não julga is vós os que
estão dentro? M as Deus julga os que estão de fora. Tirai, pois, dentre vós a esse iníquo” ( 1 Coríntios 5.12-13). O
evangelismo é dirigido aos que estão “fora” dos portões da igreja e estão escravizados pelo pecado. A disciplina
é dirigida àqueles que estão “dentro” dos portões da igreja e estão se sujeitando ao domínio do pecado. Assim,
ambos (evang elismo e disciplina) almejam a liberda de do pecado r e a concretizaç ão do triunfo histórico da graça
sobre o pecado na sua vida (Romanos 6.1-23).

VERIFICAÇAO DE APRENDIZAGEM
CAPITULO 6
1. Em quais sentidos é usada a palav ra disciplina?
2. Qual é o triplo objetivo da disciplina na igreja?
3. Cite dois objetivos bíblicos da disciplina.

CURSO DE TEOLO GI/


h DOUTRINA DA IGREJA

REFERÊNCIAS
CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretad o versículo po r versículo. Sâo Paulo: Candeia, 1995.
COENEN, Lothar; BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo:
Edições Vida Nova, 2000.
DUFF1ELD, Guy P.; VAN CLEAVE, Nathaniel M. Fundam entos da teologia pentecostal. São Paulo: Editora
Publicadora Quadrangular, 1991.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Eletrônic o Aurélio versão 5.0. São Paulo: Positivo,
2004.
GRUND EM, Wayne. Ma nual de teologia sistemática. São Paulo: Vida, 2001.
HARRIS, R. Laird. ARCHER JR., Gleason L. WALTKE, Bruce K. Dicionário Internacional de Teologia do
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HODGE, Charles. Teologia sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001.
JACKSON , Paul. A Doutrin a da igreja local. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1993.
MULHOLLAND, Dewey M. Teologia da igreja: uma igreja segundo os propósitos de Deus. Sâo Paulo: Shedd,
2004.
OLIVEIRA, Raimundo de. As grandes doutrinas d a Bíblia. 9. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
SHEDD, Russel P. Discip lina na igreja. São Paulo: Vida Nova, 2000.
STRONG, Augustus Hopkins. Teologia sistemá tica. São Paulo: Hagnos, 2003, vol. 2.
THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em teologia sistemática. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 2006.
TOGNINI, Enéas. Eclesiologia. 2. ed. São Paulo: Edições Enéas Tognini, 1987.
VINE, W.E.; UNGER , M erril F. ; WHITE JR., Will iam. Dicionário Vine: o significado exegético e expositivo das

palavras do An tigo e do Nov o Testamento. 5. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

CURSO DE TEOLO GIA


? faculdade teológica betesda
I SI Moldandovocacionados

I AVALIAÇÃO- MÓDULO IV
| DOUTRINA DA IGREJA
1) Qual é a etimo logia do term o igreja?

2) Cite cinco metáforas que caracterizam a igreja.

3) Diferencie com suas palavras o governo episcopal do governo congregacional da igreja.

4) Quais são os três termos que o Novo Testamento emprega para designar o mesmo ofício ministerial?

5) Qual é a fórmula usada pela Igreja Prim itiva para batizar os fiéis?

6) Explique o simbolismo que envolve o batismo (imergir e emergir das águas).

7) Explique o que é a transubstanciação.

8 ) Qual é a natureza da ceia?

9) Cite os passos que o evangelho de Mateus expõe para a disciplina.

10) Comente em breves palavras a disciplina e a adoração cristãs.

CARO(a) ALUNO(a):
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las em
folha de papei sulfite, sendo objetivo(a) e daro(a).
CAIXA POSTAL 12025 • CEP 02013-970 • SÃO PAULO/SP
• Dê preferência, envie-nos as 5 avaliações juntas.
SUMARIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................................79

1. D EFIN IÇ Ã O .............................................................................................................................................................. 80

2. M O RT E ....................................................................................................................................................................... 82
2.1 MO RTE FÍSIC A .................................................................................................................................................... 82
2.2 MORTE ES PIR IT U A L......................................................................................................................................... 82
2.3 MORTE E T ER N A .................................................................................................................................................83

3. 3.1
ES TA
DOSDOÍMPIO
IN T ES R.........................................................................................................................................................84
M E D IÁ R IO ............................................................................................................................... 84
3.2 DOS JU ST O S .........................................................................................................................................................85

4. O A R R E B A T A M E N T O .......................................................................................................................................... 87
4.1 TEORIAS DO ARREBATAMENTO ...............................................................................................................87
4.1.1PRÉ-TRIBULACIONISMO...................................................................................................................... 88
4 . 1.2PÓS-TRIBULACIONISMO........................................................................................................................89
4.2 SINAIS INDICATIVOS DO ARREBATAMENTO ....................................................................................90

5. TRIB U NAL DE C R IS T O .......................................................................................................................................94

6. SE TE NTA SEM AN AS DE DA N IE L E A T R IB U L A Ç Ã O ............................................................................ 96


7. TRIB U LA ÇÃ O ..........................................................................................................................................................99
7.1 NO AN TIGO TE STAM EN TO ............................................................................................................................99
7.2 NO NOVO TESTAMENTO...............................................................................................................................100
7.3 DURAÇÀO DA TRIBULAÇÃO......................................................................................................................102

8. EV ENTOS DA T R IB U L A Ç Ã O .......................................................................................................................... 103


8.1 MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DO APOCALIPSE...........................................................................103
8.2 OS JUÍZOS DE D E U S ........................................................................................................................................104
8.3 A BATALHA DE ARMAGED OM ............................................................................................................... 106

9. M IL Ê N IO ..................................................................................................................................................................109
9.1 OS PRINCIPAIS EV EN TO S DO MILÊN IO ............................................................................................... 109
10. TE O RI A S A CE R C A DO MI LÊ NI O ................................................................................................................112

11. O JU ÍZO FI NA L E O EST AD O E T E R N O ....................................................................................................... 113


11.1 DO S JU S T O S......................................................................................................................................................113
11.2 DOS ÍM PIO S.......................................................................................................................................................114

R E F E R Ê N C IA S ..............................................................................................................................................................115
INTRODUÇÃO
Abordaremos uma área da teologia em que precisamos de muita atenção e graça da parte de Deus para
poderm os entender as suas revelações para os fins dos tempos. Muitos estud iosos da escatolog ia bíblica (últim as
coisas) que empreenderam nesse caminho desviaram-se de algum modo da Palavra de Deus, e não só isso,
muitos seguiram suas próprias dissoluções. O contrário também é verdadeiro; muitos servos de Deus trouxeram
novos conhecimentos sobre este assunto tão fascinante e também ampliaram o conhecimento das coisas que em
breve hão de acontecer.
Ao pesquisarmos sobre o assunto ficou evidente que existe muita divisão quanto às escolas escatológicas
existentes, porém neste módulo procuramos ser o mais neutros possível, deixando para o estudante definir qual
linha escatológica melhor se adapta a sua compreensã o. Para facilitar a compreensão, quando o assunto proposto
tiver mais de uma posição, colocamos as outras para que o estudante, além de conhecê-las, também amplie seu
horizonte do conhecimento.
Sendo assim, estudaremos neste volum e uma seqüência de eventos, com o a morte em seus variados aspectos,
bem como o estad o intermediário subseqüente a ela. Depois passarem os a analisar o arrebatam ento, o trib unal de
Cristo, a tribulação, o milênio e por fim o Juízo Final. Um fator de grande relevância para os apaixonados pela
escatologia é que inserimos uma farta bibliografia para que possam ampliar seus conhecimentos.
1 DEFINIÇÃO
O termo “escatologia” deriv a-se do grego eoxa xcoç ( eschatos ), com o sentido de “último”, e Xoyoç (logos),
que significa “palavra, mensagem, conhecimento”. Trataremos da escatologia bíblica, já que ela pode ser
extrabíblica.
Sendo assim, escatologia é o estudo doutrinário que trata dos últimos even tos da história bíblica, incluindo o
que diz respeito ao f im do mundo presen te e ao mundo vindouro. Os fatos que estão acontecendo e vão aconte cer
são parte do eterno plano divino através dos séculos. Esse plano é revelado nas Escrituras por meio de várias
passagens, por exemplo: “A caso, não ouviste que j á há muito dispus eu estas coisas, j á desde os dias rem otos
o tinha planejad o ? Agora, porém, as faço executar e eu quis que tu reduzisses a montões de ruínas as cidades
fortificadas” (2 Reis 19.25). Dessa passag em pode mos de preende r que Deus tem um plano elaborado. Entretanto,
o termo escatológico é freqüentemente aplicado a toda esta época, pois:

1) Pedro, no Dia de Pentecoste, entendeu que o derramam ento do Espírito Santo era o cump rimento da
profecia de Joel concernente aos “últim os dias ” e disse: “M as isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos
últimos dias acontecerá , diz Deus, que do m eu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos fi lhos e
as vossas fil has profetizarão, os vossos joven s terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também
do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas, naqueles dias, e profetizarão; e farei
aparecer prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se
converte rá em trevas, e a lua, em sangue, antes de chegar o grande e glorioso Dia do Senhor; e acontecerá
que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Atos 2.16-21, grifo nosso).

2) A Igreja goza de certos poderes da era do reino e do mundo vindouro: “E eu te darei as chaves do Reino
dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado
nos céus” (Mateus 16.19); “e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século fut uro ” (Hebreus
6.5, grifo nosso).

3) A Igreja aguard a a vinda do Senhor a qualque r momento. Assim, cada i nstante é “escatológ ico” : “E não só
ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando
a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Romanos 8.23); “aguardando a bem-aventurada esperança
e o aparecimento da glória do grande De us e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tit o 2.13).

4) Um a vez que Cristo, o Filho de Deus, é o “fim” ou “alvo” de todas as coisas no plano redentor de Deus,
a vinda do Filho encarnado iniciou os “últimos dias”: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes,
e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem
constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o m undo” (Hebreus 1.1-2, gri fo nosso).

5) Com a atuação do espírito do anti cristo já operand o na expectativa do conflit o final, o apóstolo João
declarou: “Filhinhos, é já a última hora ; e, como o uvistes que vem o anticristo, também agora mu itos se
têm feito anticristos; por onde conhe cem os que é já a últi ma hora” (1 João 2.18, grifo nosso).
6) É usado para os dias maus, conforme escreveu o apóstolo Paulo: “Mas o Espírito expressam ente diz que,
nos últimos tempos , apostatarao alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de
demô nios” (1 Timóteo 4.1, grifo nosso).

Portanto, a expressão “últimos dias” e seus cognatos apontam para a descida do Espírito Santo, para a época
do Evangelho de Jesus Cristo e simultaneamente para os últimos dias maus.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 1
1. O que significa o termo grego “escatologia”?
2. Cite três textos das Escrituras que tratam do plano de Deus concernente a este termo.
3. Qual é o signifi cado da expressão “últimos dias” ?
2 MORTE
A Bíbli a tem muito a falar sobre a morte, porém pouco a revelar sobre a vida pós-mo rte. No Antigo Testamento
encontramos várias declarações sobre a brevidade e a fragilidade da vida. Jó, em aflição, disse: “Os meus dias
são mais velozes do que a lançadeira do tecelão e perecem sem esperança. Lembra-te de que a minha vida é
como o vento; os meus olhos não tomarão a ver o bem” (Jó 7.6-7). Davi falou da morte como o “caminho de
toda a terra” (1 Reis 2.2) e do curto período de vida: “Porque o hom em, são seus dias com o a erva; com o a flo r
do campo, assim floresce; pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não conhece mais” (Salmos
103.15-16).
No entan to, os escritores sagrados davam ênfase à vida como um dom de Deus que deve ser desfrutado
juntam en te com suas bênçãos. An tes de o povo de Israel en tra r na terra prom etida, Moisés estabeleceu que a
obediência resultava em bênção e vida, e a desobediência em morte e destruição (Deuteronômio 30.15-20). Uma
vida prolongada era considerada como bênção de Deus: “Dar-lhe-ei abundância de dias e lhe mostrarei a minha
salvação” (Salmos 91.16).
Nas Escrituras encontramos três tip os de morte: a física, a espiritual e a segunda morte ou morte eterna. As
duas primeiras são conseqüência direta do pecado, pois todos pecaram (Gênesis 2.7; 3.19-22-23; Romanos 3.23;
5.12; 6.23) . A última é uma opção, pois Deus pro videncio u um meio pelo qual o homem p udesse pas sar da morte
para a vida, como está escrito: “N a verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele
que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (João 5.24).

2.1 MORTE FÍSICA


Ocorre quando a alma se separa do corpo, ao mesmo tempo em que sucede a transição do mundo visível para
o invisíve l. Para a lguns grupos religiosos a morte é o fim de todas as coisas, não existindo nada depois desse fato.
Para o cristão, a morte determina sua entrada no paraíso, na presença de Jesus Cristo, como escreveu o apóstolo
Paulo: “Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabemáculo se desfizer, temos de Deus um edifício,
uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. (...) Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este corpo,
para habitar com o Senhor” (2 Co ríntios 5.1, 8). Da mesma forma, a morte para o incrédulo é sua entrada no
Hades (cf. Lucas 16.22-23 ; Ma teus 10.28; Apoc alipse 20.13).
A morte física não determina o fim da existência, mas apenas estabelece uma mudança de estado, ou seja, do
material para o espiritual. Ainda que todos os homens morram fisicamente, a redenção por meio de Cristo livra
o ser humano do poder da morte, como está escrito: “E que é manifesta, agora, pela aparição de nosso Salvador
Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evang elho” (2 Timóteo 1.10).

2.2 MORTE ESPIRITUAL


Deus ordenou a Adão: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do
mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Adão desobedeceu, porém
continuou vivo. A conseqüência direta do pecado de Adão foi a morte espiritual, que é a separação da alma em
relação a Deus. Todos os descendentes de Adão nascem espiritualmente mortos em delitos e pecados (Efésios
2.1). Quando um indivíduo reconhece seu estado de alienação, arrepende-se de seus pecados, se entrega a Cristo
por meio da fé, ele passa da “m orte para a vida” (1 João 3.14).
Fisicamente, Adão morreu com 930 anos (Gênesis 5.5). Logo, a palavra morte pode ser empregada como
separação e esta separação de Deus ocorreu naquele mesmo dia. Esta morte é a que tem passado a toda a
humanidade. Vejamos o emprego da palavra morte no sentido de separação espiritual de Deus:

“Jesus, porém, disse-l he: Segue-me. D eixa os mortos sepultar os seus mortos” (Mateus 8.22 ).

“Porque este meu filho estava morto e r eviveu, estava perdido e foi achad o” (Lucas 15.24).
“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados” (Efésios 2.1).
“Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)”
(Efésios 2.5).
“A que se entrega aos prazeres, me smo viva, está mo rta” (1 Timó teo 5.6).
“Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão
perman ece na morte” (1 João 3.14).
“Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto”(Apocalipse 3.1).

2.3 MORTE ETERNA


Depois da morte física, existem dois caminhos: os que aceitaram o plano de Deus receberão a vida eterna,
porém aqueles que não se arrependeram de seus pecados entram na segunda morte, a eterna. Tiago refere-se a
esta morte ao dizer: “Irmãos, se algum de entre vós se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba
que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma e cobrirá uma
multidão de pecados” (Tiago 5.19-20, grifo nosso). A morte da qual se referiu Tiago não é a morte física, pois
muitos cristãos já a experimentaram, entretanto ele estava falando sobre a segunda morte.
Diferentemente do que muitos dizem, a Bíblia deixa evidente que depois da morte não há uma cessação
da existência, “visto que as Escrituras predizem uma ressurreição dos injustos assim como dos justos; e uma
segunda morte ou miséria da alma e corpo novamente unidos, no caso do ímpio ” .1 Os seguintes textos das
Escrituras corroboram com tal entendimento:

“Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos,
tanto dos justos como dos injustos” (Atos 24.15).

“Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igr ejas: O que vence r não receberá o dano da segund a morte”
(Apoca lipse 2.11) .

“E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado
escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Apocalipse 20.14-15).

“Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fomicadores, e aos
feiticeiros, e aos idólatras e a t odos os m entirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é
a segunda morte” (Apocalipse 21.8).

V ERIF I CA ÇÃ O DE APRENDIZ AGEM

CAPÍTULO 2
1. Qual é o sentido que os autores sagrados davam à vida?
2. Quais os tipos de morte encontrados nas Escrituras?
3) Explique em breves palavras cada tipo de morte.

1 STRO NG , Augu stus Hopkins. Teologia si stemática. São P aulo: Hagnos, 2003, p. 786, vol. 2

CURSO DE TEOLOGIA
ESTADO

3 INTERMEDIÁRIO
O estado intermediário é o período que transcorre entre a morte e a ressurreição. As Escrituras deixam
evidente que os mortos permanecem conscientes, tanto os justos quanto os ímpios, antes da ressurreição. No
estado intermediário a alma não possui corpo, embora este estado seja de regozijo consciente dos justos e de
sofrimento consciente dos ímpios. Há uma diferenciação entre o estado intermediário dos ímpios e o dos justo,
conforme poderemos observar.

3.1 DOS ÍMPIOS


No A ntigo Testamento , o lug ar da vida após a morte para o ímpio é, na grande maioria das vezes, chamado
b iW (sheol ), traduzido em algumas Bíblias por “inferno” ou “sepultura”. Também é identificado pela palavra
| *13#vocábulo
pelo ( ‘abaddonT ),O “o lugar“abismo”
( bor\ da destruição”, como
, “cova”, em Jó
li teral 26.6;uma
mente 31.12; Salmos”88.11;
“cisterna . Provérbios 27.20, e também
Algumas seitas, como as Testemunhas de Jeová, os Adventistas do Sétimo Dia e os Espíritas Kardecistas,
bem como alg uns autores cristãos, defendem a idéia de que a p alavra sh eo l signifi ca “sep ultura” . Três passagens
das Escrituras são usadas para defender tal posição: Salmos 6.5; 115.17-18 e Isaías 38.17-19. Esta concepção
não prevalece diante dos vários textos das Escrituras que se referem a tal termo. Freqüentemente sheol é descrito
como um abismo que faz contraste com as alturas dos céus: “Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que
poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o inferno; que poderás tu saber?” (Jó 11.8; Salmos 139.8; Amós
9.2). Muitas vezes faz referência ao furor, cólera ou ira de Deus: “Tomara que me escondesses na sepultura
(sheol), e me ocultasses até que a tua ira se desviasse, e me pusesses um limite, e te lembrasses de mim!” (Jó
14.13; Salmos 6.1, 5; 88.3, 7; 89.46, 48). Em outras vezes refere-se tanto à ira quanto ao fogo: “Porque um fogo
se acendeu na minha ira, e arderá até ao mais profundo do inferno, e consumirá a terra com a sua novidade, e
abrasará os fundamentos dos montes” (Deuteronômio 32.22).
Quando os escritores do Novo Testamento fizeram alusão a algum texto do Antigo Testamento, que
especificamente fale do sh eol, traduziram pela palavra grega A ôriç (hades\ “o qual não é visto como um lugar
indeterminado de que falam os gregos pagãos, mas como um lugar de punição ” .2 São vários os textos que
indicam claramente que o sheol é um lugar de punição para os ímpios:
“E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala a toda esta congregação, dizendo: Levantai-vos do redor da
habitação de Corá, Datã e Abirão. Então, M oisés levantou-se e foi a Datã e a Abirão; e após ele foram os anciãos
de Israel . E falou à congrega ção, dizendo: D esviai-vos, peço-vos, das tendas de stes ímpios homens e não toquei s
nada do que é seu, para que, porventura, não pereçais em todos os seus pecados. Levantaram-se, pois, do redor
da habitação de Corá, Datã e Abirão. E Datã e Abirão saíram e se puseram à porta das suas tendas, juntamente
com as suas mulheres, e seus filhos, e suas crianças. Então, disse Moisés: Nisto conhecereis que o SENHOR
me enviou a fazer todos estes feitos, que de meu coração não procedem. Se estes morrerem como morrem todos
os homens e se forem visitados como se visitam todos os homens, então, o SENHOR me não enviou. Mas, se o
SENHOR criar alguma coisa nova, e a terra abrir a sua boca e os tragar com tudo o que é seu, e vivos descerem
ao sepulcro, então, conhecereis que estes home ns irritaram ao SENHO R. E acontec eu que, acabando ele de falar
2 HO RTO N, Stanley M. O ensino b íbl ico das últi m as coisas. 3. ed. Ri o de Janeiro: CPAD , 2002, p. 44.
todas estas palavras, a terra que estava debaixo deles se fendeu. E a terra abriu a sua boca e os tragou com as
suas casas, como também a todos os homens que pertenciam a Corá e a toda a sua fazenda. E eles e tudo o que
era seu desceram vivos ao sepulcro ( sheol ), e a terra os cobriu, e pereceram do meio da congregação” (Números
16.23-33).

“Os ímpios serão lançados no inferno ( sheol) e todas as nações que se esquecem de Deus” (Salmos 9.17).
“A morte os assalte, e vivos desçam à cova ( sheol)\ Porque há maldade nas suas moradas e no seu íntimo”
(Salmos 55.15, ARA).

“Porque a minha alma está cheia de angústias, e a minha vida se aproxima da sepultura {sheol). Já estou
contado com os que descem à cova; estou como um homem sem forças... Sobre mim pesa a tua cólera; tu me
abateste com todas as tuas ondas” (Salmos 88.3-4,7).

“Caminhos de sepultura {sheol) é a sua casa, os quais descem às câmaras da morte” (Provérbios 7.27).

“A mulher louca é alvoroçadora; é néscia e não sabe coisa alguma. E assenta-se à porta da sua casa ou numa
cadeira, nas alturas da cidade, para chamar os que passam e seguem direito o seu caminho. Quem é simples,
volte-se para aqui. E aos faltos de entendimento diz: As águas roubadas são doces, e o pão comido às ocultas é
suave. Mas não sabem que ali estão o s mortos, que os seus convidados estão nas profundeza s do inferno {sheol)”
(Provérbios 9.13-18).

3.2 DOS JUSTOS


Para os jude us, tanto os justo s quanto os ímpios iam para o sheol , devido ao fato de Jacó, em luto, ter dito que
desceria ao sheol. No Novo Testamento o destino final dos seres humanos se toma mais claro. Jesus, em Lucas
16.10-31, conta sobre um homem rico que se vestia esplendidamente e todos os dias se regalava com um farto
banquete. A sua porta havia um mendigo , de nome Lázaro, coberto de feridas, que desejava comer os restos da
comida que caíam da mesa do rico. Além disso, os cães lambiam-lhe as chagas, o que o tomava impuro segundo
a Lei. Nessa situação, Lázaro tinha uma coisa a seu favor: seu nome, que significa “Deus é minha ajuda”, uma
indicação de que, apesar de tudo, ele mantinha sua fé em Deus.
Ambos m orreram, e Lázaro foi levado ao seio de Abra ão - ao que tudo demonstra um lugar de bênçãos,
pois ali foi confortado. O homem rico, após a morte, achou-se em sofrimento no fogo do hades. Neste local,
quando abriu os olhos, viu Abraão e Lázaro “ao longe” e imediatamente suplicou por ajuda. Abraão disse:
“Filho, lembra-te de que rece beste os teus bens em tua vida, e Lázaro, som ente males; e, agora, este é consolado,
e tu, atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem
passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá” (Lucas 16.25-26). A conclusão que
advêm desse texto é que depois da morte segue-se o destino tanto do ímpio quanto do justo, nada podendo ser
alterado.
Na cruz Jesus disse ao ladrão agonizante: “Em verdade te dig o que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas
23.43). Depois da ressurreição de Jesus, tudo é mudado. A morada dos justos é transferida do sh eo l para o
paraíso, que(se
catorze anos se encontra
no corpo, no
nãoterceiro céu,docomo
sei; se fora corpo,disse
não o sei;
apóstolo
Deus oPaulo:
sabe), “Cfoionheço um homem
arrebatado em Cristo
até ao terceiro que, há
céu... foi
arrebatado ao pa raíso e ouviu palavras inefáveis, de que ao home m não é lícito falar” (2 Coríntios 12.1, 4).
Portanto, o destino da vida eterna, com Deus o u sem Deus, é decidido em vida, e nesta vida. Hoje quem morre
com Cristo vai direto para o paraíso e sem Ele para o hades. Os escritores inspirados também escreveram sobre
a habitação do justo:

CURSO DE TE OL O GIA ■: V
“Para o sábio, o caminho da vida é para cima, para que ele se desvie do inferno que está embaixo ” (Provérbios
15.24).

“Guiar-me-ás com o teu conselho e, depois, me receberás em glória” (Salmos 73.24).

“E, se
estejais vóseutambém
for e vos”preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver,
(João 14.3).

“E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23.43).

“Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabemáculo se desfizer, temos de Deus um edifício,
uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E, por isso, também gememos, desejando ser revestidos da nossa
habitação, que é do céu; se, todavia, estando vestidos, não formos achados nus. Porque também nós, os que
estamos neste tabemáculo, gememos carregados, não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que
o mortal seja absorvido pela vida. Ora, quem para isso mesmo nos preparou foi Deus, o qual nos deu também o
penhor do Espírito. Pelo que estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamo s no corpo, vivemos
ausentes do Senhor (Porque and amos po r fé e não por vista). Mas temos confiança e desejamos, antes, deixar este
corpo, para habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5.1-8).
“Mas de am bos os lados estou em aperto, tendo d esejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muit o
melhor” (Filipenses 1.23).

“E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem
no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam” (Apocalipse
14.13).

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM

CAPÍTULO
1. O que significa3“estado interm ediário”?
2. Existem diferenças no estado intermediário do justo e do ímpio? Exemplifique com textos bíblicos.
3. Qual é o sentido do termo hebraico sh eoll
4. Quando é decidida a vida eterna? Quais as conseqüências dessa decisão?
4 0 ARREBATAMENTO
Jesus prometeu que voltaria para arreba tar sua Igrej a, com o está escrit o: “Não se turbe o vosso coração; credes
em Deus, crede tamb ém em mim. N a casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dit o,
pois vou p reparar-vos lugar. E, se eu for e vos prep arar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para
que, onde eu esti ver, estejais vós també m” (João 14.1-3). Paulo acrescenta: “Porque o mesm o Sen hor descerá do
céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão
primeiro; depois, nós, os que ficarmos viv os, seremo s arrebatados juntam en te com eles nas nuvens, a encontrar
o Senhor nos ares, e ass im estaremo s sempre com o S enhor” (1 Tessalonicenses 4. 16-17).

4.1 TEORIAS DO ARREBATAMENTO


Entre os estudantes das Escrituras não há unanimidade quanto ao tempo do arrebatamento. Mostraremos
as posições dentro do pré-milenismo com respeito à ocasião do arrebatamento em relação ao período da
tribulação.

a) Pré-tribulacionistas —esta posição ensin a qu e a Igreja será tirad a antes de iniciar a tribulação. Essa
interpretação é atualmente a mais aceita e que melhor se ajusta no contexto profético das Escrituras.

Arrebat amento Segu nda Vinda

t rn

Igreja i Tribu lação i MIMnlo

b) Arrebatam ento Parcial - esta posiçã o ensina que o arrebatamento ocorre antes da tri bulação, mas
apenas os crentes “preparados” serão levados, ao passo que outros crentes permanecerão na Terra
durante a tribulação para serem provados e purificados mediante grandes sofrimentos (sendo arrebatados
posteriormente). Esta posição tem sido pouco adotada devido a sua semelhança com a doutrin a católica
do purgatório, segundo a qual o sofrimento pode purgar os pecados.

Arreb atam en to a S egu n d a Vind a

Igreja ■ Tr ibu laf*°


ção | ■ Milènto
7 anoa 1.000 anoa
c) Mesotribulacionistas —como o nome sugere, esta po sição ensin a que tod os os crentes serão arrebatados
na metade da tribulação (depois dos primeiros três anos e meio).

d) Pós-tribulacionistas - esta posição ensina que todos os crentes serão arre batados no final da tribulação,
depois dos sete anos de juízo sobre a Terr a.

Existem vários argumentos a favor, como também contra, de cada uma das posições mencionadas. Para uma
melhor compreensão do assunto sugerimos que o aluno busque em outras fontes .3

4.1.1Pré-tribulacionista
De acordo com a leitura pré-tribulacionista, a Bíblia menciona dois eventos distintos um do outro, em que as
pessoas fazem muita confusão. Primeiramente, há necessidade de se distinguir arrebatamento da segunda vinda
(manifestação física e pessoal de Jesus). No primeiro momento, no arrebatamento, Ele virá “para os seus” (João
14.3) e no segundo momento, na sua volta, virá “com os seus” (Zacarias 14.5b; 1Tessalonicenses 3.13; Judas 14)
Na sua vinda, na plen itude dos tem pos, Jesus veio com o homem, como Messias Salvador prom etido em todo
o Antigo Testamento, porém no arrebatamento, que será nos ares, virá como noivo e por fim na segunda vinda,
visível e literal, surgirá como juiz.

3 Indic am os os seguintes li vros: ALM EIDA, Ab raão de. M onual da profecia bíbl ica. 3. e d. Rio de Janeiro: CPAD, 20 04; TOG NIN I, Enéas. O plano
de Deu s e o arrebat ame nto. São Paulo: Can deia, 1996; GILBERTO, Antonio. O ca lendário da profecia. 10. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 19 98; SI LVA,
Severino Pedro da. Escatologia: doutr ina das últi mas coisas. 6. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995; N ORT ON , Stanl ey. O e nsino bíbl ic o d as últi mas
coisas. 3. ed. Rio de Janeiro: CPAD , 2002; PENTEC OST, J. Dw ight . M anual de escatologia. São Paulo: Vida, 199 8; I CE, Thom as; DEMY, Thimot hy.
O arrebat amen to. Por to Alegre: Atual Edições, 2001.
Feitas essas considerações, vejamos o que signif ica o termo arrebatam ento. Esta palavra não se encontra,
graficamente falando, nas passagens que descrevem o momento do arrebatam ento da Igreja, mas a i déia do termo
está implícita no contexto, que diz: “Depois, nós, os que ficarmos vivos, serem os arrebatados juntamente com
eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses
4.17). Alguns dicionários dizem que “arrebatamento” vem do verbo arrebatar, que significa:

a) Tirar com violência ou força; arrancar;


b) Levar, desprender, de um ímpeto;
c) Raptar;
d) Impelir, conduzir;
e) Enlevar, extasiar;
f) Tirar por força ou violência; arrancar;
g) Apossar-se por força ou violência; roubar;
h) Provocar, suscitar; arrancar .4

Por meio destes termos concluímos que a Igreja será tirada de modo singular, rápido e inesperado. Durante

esse evento,
morte, os fique
ao passo éisos
a Crist
que jáo partiram
Jesus, de em
todas as épocas,
Cristo serão transform
serão ressuscitados, ados;escreveu
conforme os vivos oserão traslada
apóstolo Paulo:dos sem ve r a

“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos
entristecerdes como os demais, que não têm esperança. Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou,
assim também Deus, mediante Jesus, t rará, em sua comp anhia, os que dormem. Ora, ainda vos declaram os,
por palavra do Senhor, isto: nós, os vivos, os que ficarmos até à vinda do Senhor, de mo do alg um
precederem os os que dormem. Porquanto o Senhor mesm o, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do
arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro;
depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o
encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos
outros com estas palavras” (1 Tessalonicenses 4.13-18).

Imediatamente após o aparecimento de Jesus nos céus iniciará a última semana profética da qual Daniel
fez menção em seus escritos (Daniel 9.24).

4.1.2 Pós-tribulacionista
De acordo com a visão pós-tribulacionista, a Igreja passa pela grande tribulação. Tribulações sempre fizeram
parte da his tória da Igreja (João 16.33). Após mencionar a grande tribulação (M ateus 24.21), Jesus afirmou
que sua vinda ocorreria após este evento: “E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não
dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas. Então, aparecerá no céu o
sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as
nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais
ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” (Mateus 2 4.29-31). A
mesma seqüênc ia de eventos (tr ibulação, sinais cósmicos e arrebatame nto) ocorre nos três evangelhos sinópticos
(Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21).
A volta de Jesus não pode ser dividida em duas fases: na sua vinda todo o olho o verá (Apo calipse 1.7). Não
existe volta invisível de Jesus, pois a própria Igreja aguard a a sua ma nifestação (1 Timóteo 6.14; Ti to 2.13) . Não
*FB tR EIR A , Aurélio Buarque de Ho landa. Novo dicionári o elet rônic o Au réli o ve rsão 5.0. São Paulo: Posi ti vo, 2004.

DE TEOLO GIA
se pode afirmar que os 144 mil serão prega dores duran te a grande tribulação (Apoc alipse 7. 1 - 8; 14.1 -3). A grande
tribulação nã o é a expressão da ira de Deus c ontra a Igreja (1 Tessalonicenses 1.10), mas a revelação do anticri sto
(2 Pedro 2.7-8). A vinda de Cristo e a nossa união com Ele não ocorrerão antes da revelação do anticristo (2
Tessalonicenses 2.1-5) que perseg uirá a Igreja (Daniel 7.25-27; Apocalipse 13.10) e será derrotado pelo Cordeir o
(2 Tessalonicenses 2.8).
Apocalipse 20.4-6 afirma que os mártires da grande tribulação estarão entre os beneficiados pela primeira
ressurreição. Isso significa que a primeira ressurreição só ocorrerá após a grande tribulação. Por sua vez, 1
Tessalonicenses 4.15-17 diz que os mortos serão ressuscitados antes do arrebatamento da Igreja. Portanto,
conclui-se que a Igreja passará pela grande tribulação.

4.2 SINAIS INDICATIVOS DO ARREBATAMENTO


Jesus predisse que sua vinda seria precedida de sinais, e, “se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma
carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos, serão abreviados aqueles dias” (Mateus 24.22). Porém, alertou
sobre a necessidade de vigilância ao dizer: “Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da
noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arro mbad a a sua casa. Por isso, est ai vós apercebidos
também, porque o Filho do Homem há de vir à hora em que não penseis” (Mateus 24.43-44). Por meio dessas
declarações conclui-se, portanto, que sua volta será repentina, inesperada.
Apesar de não termos como precisar o momento em que se dará a segunda vinda de Jesus, pois Ele mesmo
assim o disse: “Porém daquele Dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente
meu Pai” (Mateus 24.36), é possível reconhecer os sinais indicativos que precederão o arrebatamento. Vejamos
alguns deles, visto serem muitos.

a) Falsos Cristos (Mateus 24.24)


Em seu sermão profé tico, Jesus alertou sobre o surgim ento de mu itos falsos Cristos, dizendo: “Acautelai-vos,
que ninguém vos engane, porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos”
(Mateus 24.4). Temos visto em nossos dias esta profecia se cumprir literalmente, pois inúmeros falsos profetas
surgem se intitulando ser o Cristo de Deus. “Somente em Los Angeles há cerca de 400 falsos Cristos .”5 São
unânimes em negar a Jesus Cristo e sua obra redentora, as Escrituras Sagradas.

entreOutras
o povocaracterísticas dos engan
falsos profetas, adores
como entre vóssão encontradas
haverá tambémnas cartas
falsos do apóstolo
doutores, que Pedro, que diz:encobertamente
introduzirão “E também houve
heresias de perdição e nega rão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repe ntina perdição. E muitos
seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade” (2 Pedro 2.1-2).

b) Guerras e rumores de guerras (Mateus 24.6)


Jesus disse que sua vinda seria preced ida de guerras e rumores de guerras. Vivemos um tempo em que apenas
a ameaça de uma guerra causa um impacto psicológico enorme na vida dos seres humanos. O poder das armas
de destruição alcançou um nível elevadíssimo; são armas químicas e nucleares. O mapa abaixo mostra onde se
encontram algumas armas nucleares, bem como a quantidade que cada país possui:
Nosso século foi ma rcado p or duas guerras mundiais, que deixaram após si um total de 70 m ilhões de mortos,
feridos e desaparecidos. E a crescente tensão que agora existe entre os povos só pode significar uma coisa:
caminham os para um terceiro conflito mundial. A hum anidade estremece de p avor ao saber que, com o aperta r de
um “botão” , nosso mundo poderia se toma r uma cratera fiimegant e! As Escrituras se cumprem aos nossos olhos :
“Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo...” (Lucas 21.26).

c) Fome (Mateus 24.7)


Jesus disse que haveria fome, e alguém pod eria dizer que isso é natural, pois sempre houve fome no mundo. E
verdade, mas num grau como o de hoje nunca houve. Cerca de 815 milhões de pessoas passam fome no mundo.
Deste total, 127 milhões são crianças que sofrem co m insuficiência alimentar . Os pro blemas são mais graves nos
países da África subsaariana.

d) Terre motos (M ateus 24.7)


E impressionante o número de terremotos e a sua intensidade nos últimos anos, revelando que vivemos na
época predita por Jesus: “Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e
pestes, e terremo tos, em vário s lugares” (M ateus 24.7). A cada ano que passa a quantidade de terrem otos tem
aumentado. “Durante o século XIX ocorreram 41 grandes terremotos, que mataram pouco mais de 350 mil
pessoas. No século XX, até maio de 1997, j á haviam ocorrid o 96 grandes terremoto s, que provocaram a morte
de mais de dois milhões e 150 mil pessoas ” .6

e) O avanço da ciência (Daniel 12.4)


Daniel recebeu a revelação de que nos fins dos tempos a ciência se multiplicaria. Isso indica que durante o
período do fim, ou na últim a geração, ocorrerá um a explosão do conhecimento. Ho je estam os presenciando uma
verdadeira epidemia de invenções humanas. A humanidade tem feito, neste último século, mais progresso em
6ALMEIDA, Abraão de. Op. cif., p. 105.
ciência, invenções, medicina, transporte, comunicação, e em quase todas as outras áreas de conhecimento, do
que em todo s os dem ais séculos juntos!
Temos o mais avançado meio de comunicação de todos os tempos. As notícias chegam por intermédio da
televisão, dos satélites internacionais, da Internet em fração de segundos. Podemos acompanhar qualquer fato
importante em qualque r lugar do mundo segundos dep ois dos acontecimentos. Virtualmente o mundo inteiro te m
acesso à mesma informação enquanto o evento acontece.

f) Multiplicar da iniqüidade (Mateus 24.12)


O maior evento de juíz o que já atingiu o mundo foi o di lúvio. Biblicamen te o dilúvio é um exem plo do d ia
do Juízo Final, por isso, baseado no que aconteceu, podemos entender um. pouco sobre o juízo que ainda virá.
Jesus comparou o que aconteceu naqueles dias com sua vinda ao dizer: “E, como foi nos dias de Noé, assim
será também a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam,
bebiam, casavam e davam-se em casamento , até ao dia em que N oé entrou na arca, e n ão o p erceberam, até que
veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Hom em” (M ateus 24.37-39). U m dos
principais sinais daquela época foi o avanço da ciência e da tecnologia:

• Dias de grandes metrópoles: “E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu e teve a Enoque; e ele
edificou uma cidade e chamou o nome da cidade pelo nome de seu filho Enoque” (Gênesis 4.17);
• Dias de avanços tecnológicos: “E Zilá também teve a Tubalcaim, mestre de toda obra de cobre e de
ferro” (Gênesis 4.22). Saíam da Idade da Pedra e entrava-se na do Ferro e do Bronze.

• Dias de promiscuidade: “E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da
terra, e lhes nasceram filhas, viram os fil hos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram
para si mulheres de todas as que escp lheram ” (Gênesis 6.1-2).

• Dias de imens a maldade: “E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e
que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gênesis 6.5).

• Dias de degen eraç ão natural: “E viu Deus a terra, e eis que estava co rrompida; porq ue toda c arne hav ia,
corrompido o seu caminho sobre a terra” (Gênesis 6.12).

• Dias de imensa violência: “E disse La meque a suas mu lheres: Ada e Zil á, ouvi a minha voz; vós, mulheres
de Lameque, escutai o meu dito: porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar*
(Gênesis 4.23).

g) Apostasia (2 Tessalonicenses 2.3)


Apostasia é o abandono da fé e da doutrina, como pode ser observado na carta do apóstolo Paulo a Timóteo:
“Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns” (2
Timóteo 2.18). O mundanismo tem invadido a Igreja, trazendo conseqüências desastrosas para o avanço do
evangelho. A frieza espirit ual, o materialismo filosófico e o conformism o aum entam em nú mero e em quanti dade
no meio da Igreja. Com tudo isso, as doutrinas centrais do cristianismo, como a inspiração total da Bíblia, o
nascimento virginal de Jesus, sua divindade, sua morte vicária, sua ressurreição e volta, são negadas.
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 4
1. Qual é a diferenç a entre o arrebatam ento e a volta de Cristo?
2. Qual é idéia que se tem do arrebatamento?
3. Cite cinco sinais indicativos que precederão o arrebatamento.
4. Quais foram os sinais que D eus deu a Noé antes do dilúvio?
5. O que ensina a posição pré-tribu lacionista?
6 . O que ensina a posição mesotribulacionista?
7. O que ensina a posição pós-tribulacionista?
8. Qual é a sua posição?

CURSO DE TEOLOGIA
-fí _ -4A. *

iiS iÊ te

5 TRIBUNAL DE CRISTO
Logo depois do arrebatamento da Igreja por Jesus Cristo, e antes da entrada nas bodas do cordeiro,
haverá o julgamento, não para salvação, mas para prestação de contas, como na parábola dos talentos (Mateus
25.14). Esse momento será de avaliação das obras realizadas por meio do Corpo em prol do evangelho. O
apóstolo Paulo fala disso em vários de seus ensinos, mas especificamente em três referências exclusivas:

1) “Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de
comparecer ante o tribunal de Cristo” (Romanos 14.10);

2) “Porque todos devem os com parecer ante o t ribuna l de Crist o, para que cada um receba seg undo o que ti ver
feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (2 Coríntios 5.10);

3) “A obra de cada um se manifestará; na verdade, o Dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o
fogo provará qual seja a obra de cada um. Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse
receberá ga lardão. Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como
pelo fogo” (1 Co ríntios 3.13-15).

Esse julgamento é chamado de “tribunal de Cristo”, e ali cada um será galardoado ou não, de acordo com
o que fez. Cada crente está construindo sobre o fundamento, o qual é Cristo Jesus, durante sua vida e serviço.
Ele deve comparecer diante do tribunal de Cristo a fim de que suas obras sejam provadas como base para a
recompensa. Tudo será julgado: nossas palavras, nossos atos, nossos motivos, nossas atitudes, nosso caráter,
nossos sofrimentos, o uso dos dons espirituais, a administração dos bens materiais e do dinheiro (Mateus 5.22;
12.36-3 7; Marcos 4.22; Romanos 2.5-11, 16; 1 Coríntios 3.13; 4.5; 13.3; Efésios 6 .8). Foi por este motivo que
o apóstolo Paulo advertiu a igreja de Corinto dizendo: “...mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque
ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. E, se alguém sobre este
fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se
manifestará...” (1 Coríntios 3.10-12).
Se aquilo que tiver sido edificado sobre o fundamento de Cristo Jesus for inútil (se queimar), a pessoa será
salva, porque a salvaçã o é pela fé e não por obras, mas as suas obras n ão lhe conced erão recom pensas ou coroas.
O contrário também é verdadeiro: se o edifício for “bom”, receberá galardão. Fica transparente que “haverá
ali uma avaliação do que fizemos e não fizemos, mas isso não indica que será um momento de temor, mas de
confiança; mais ninguém estará ali presente a não ser os salvos: ali todos amarão o Redentor e confiarão nele ”.7
As recompensas que os fiéis receberão são chamadas de coroas, sendo de cinco espécies:

1) Coroa de glória: “E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória” (1
Pedro 5.4).

2) Coroa incorruptível: “E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa
corruptível, nós, porém, uma incorruptível” (1 Coríntios 9.25).

7 SILVA , Seve rino Pedro da . Op . cit. f p. 37.


CURSO DE TEOLOGIA
3 Coro a de alegria: “Portanto, meus amados e mui queridos irmãos, minha alegria e coroa, estai assim
firmes no Senhor, amados” (Filipenses 4.1); “Porque qual é a nossa esperança, ou gozo, ou coroa de
glória? Porventura, não o sois vós também diante de nosso Senho r Jesus Cristo em sua vinda? Na verdade,
vós sois a nossa glória e go zo” (1 Tessalonicenses 2.19-20).

4) Coroa
naqueleda justiç
Dia; e não “D esde aagora,
a: somente mim, amas
coroa da justiç
também a meosestá
a todos queguardada,
amarem aasua
qualvinda”
o Senhor, justo4.8).
(2 Timóteo juiz, me dará

5) Coroa da vida: “Bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a
coroa da vida, a qual o Senho r tem prom etido aos que o am am” (Tiago 1.12; Apoca lipse 2.10).

Tanto o termo “tribunal”, (Jruxa ( bema ), significando “plataforma do orador, uma plataforma elevada ao ar
livre”, quanto a “coroa”, otecpavoc; (stephanos) eram termos bem conhecidos entre os coríntios. Ambos eram
empregados nos jogos olímpicos, quando o juiz recebia em uma plataforma o vencedor da disputa atlética e
lhe entregava como recompensa uma coroa de louros. Usando esta figura, o apóstolo Paulo declarou que os
vencedores na fé também receberão suas coroas como recompensa de sua vida pi edosa.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 6
1. O que ocorrerá depois do arrebatamento?
2. Qual é o motivo do tribun al?
3. Quais são os tipos de recompensa que os fiéis receberão?

,-:,V . - •

CURSO DE TEOLOGIA f."'. 1* J


ÓDULOk | ESCATOLOGIA

SETENTA SEMANAS DE
DANIEL E A TRIBULAÇÃO
6
Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a
transgressão, e dar fim aos pecados, e expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a
pro fecia, e u ng ir o Santo dos santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar
Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se
reedificarão, mas em tempos angustiosos. E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e
não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com
um a inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determ inadas assolações. E ele firmará um con certo co m
muitos por uma semana; e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a
asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado
sobre o assolador (Daniel 9.24-27).

A profecia das setenta semanas foi entregue a Daniel, quando este, juntamente com seu povo, se encontrava
cativo na Babilônia. Os exércitos de Nabucodonosor haviam destruído totalmente a cidade de Jerusalém (2
Crônicas 36.17-21). Nesta ocasião, Jeremias profetizava sobre a destruição iminente que cairia sobre a cidade
santa. Foi-lhe revelado que estas desolações durariam setenta anos (Jeremias 25.11). Daniel, lendo o livro deste
profeta, en tendeu que o tempo de se cumprir as Escrituras estav a no fim e buscou a Deus, que lhe revelou esta
profecia dos fins dos tem pos. Por meio do gráfico seguinte detalharemos esta profecia de Daniel, partindo do
prin cípio de uma perspectiva pré-milenista e p ré-tribu lacion ista.

As Setenta Semanas de Daniel


(Dan iel 9. 24-27)

Decreto
de O M essi as, O príncipe O Messias
Restauração o Príncipe que há de vir Retorna
Messias “tirado”

69 Sem anas + E ra 1 Semana


I da Igreja
Vi Mi
Semana Semana

Cidade e
Templo
Destruídos
Decreto de Entrada
Artaxerxes Triunfal
(Neemias 2.1-8) (Lucas 19.28-40)

S<jB3fÍS3ÍE»

CURSO DE TEÕLOG5A
*-»«* • ir
| ESCATOLOGIA

De acordo com este texto, Daniel fala em três períodos de sete, sendo um período de sete semanas, outro de
sessenta e duas semanas e ma is um de uma semana. O começo d esse tempo, confo rme disse o profeta, é desde a
saída da “ordem”. Precisamos identificar o que o profeta quis dizer com “semanas” bem como quando começou
esta “ordem”, ou decreto.

Setenta semanas estão determinadas... (v. 24)


O srcinal hebraico usa duas palavras para o termo traduzido por “semana”: shabua e yamin. A palavra
“shabu a” signifi ca um “sete ”, portanto a melhor leitura seria “setenta setes” , deixando a palavra semanas, que na
língua portuguesa significa uma semana de dias. Quando se trata de semanas de dias, como em Daniel 10.2-3,
o hebraico tem outra palavra, “yam in”. Sendo assim, o versículo 24 do capítulo nove de D aniel afi rma: “setenta
setes estão determinad os” . O significado desses “setes” deve ser determinado pelo contexto e por outras passagens
das Escrituras. Para os hebreus este período de sete lhes era famil iar, pois as Escrituras dizem que havia um “sete
de ano s” tanto quanto um “sete de dias” . Seis anos o israelita estava livre para plan tar e colher, mas o sétimo ano
seria um solene “sábado de repou so para a terra” (Levítico 23.3-4). O Jubileu é outro exemplo desta contagem de
semana de anos: “Contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos, de maneira que os dias das sete semanas
de anos te serão quarenta e nove anos” (Levítico 25.8). A conclusão a que chegamos é que essas “semanas” de
que fala o profe ta é de anos e não de dias.
Precisamos ainda detalhar mais esta “semana” de anos para saber quantos dias tem o ano profético de acordo
com as Escrituras proféticas. A Bíblia é expressa em declarar que o ano profético é de 360 dias, ou doze meses
de 30 dias . No livro de Gênesis temo s a narrativa do dilúvio, que começo u no décimo sétimo dia do mês segundo
(7.11) e t ermino u no décimo sétimo dia do mês sétimo (8.4). Temos a duração de cinco me ses, e ainda são dados
em dias - “cento e cinqüenta dias” (7.24; 8.3), ou seja , o mês era de 30 dias . Co mparand o Apocalipse 12.6 com
23.5 verifica-se que o ano bíblico ou profético é de 360 dias, pois 1260 dias eqüivale a 42 meses de 30 dias.
De acordo com o que vimos até o momento, chegamos à seguinte conclusão:

7 semanas + 62 semanas = 69 semanas.


69 semanas x 7 anos = 483 anos
483 anos x 360 dias = 173.880 dias

Assim, como disse o profeta, “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao M essias”,
ou seja, desde o ano de 445 até a morte do M essias, passariam 173.8 80 dias .

Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao
Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em
tempos angustiosos (v. 25).

Muitos confundem as datas desta ordem. O estudante das Escrituras jamais poderá confundir a ordem dada
para a reconstrução do Tem plo com a ordem para a reconstru ção da cidade. Alguns dizem que esta ordem foi
aquela dad a pelo rei Ciro.
Exam inando o livro de Esdras, é notório que a ordem dada por Ciro não foi para restaurar e edificar Jerusalém,
e15;
sim7.11,
para20,
edificar o Templo.
27. Todas O estudante
estas citações fazemdeve ler comàcautela
referência os Senhor”,
“Casa do textos de portanto
Esdras 1.1-2; 4.1-5, 11-24;
fica evidente que a 6.1-5,
ordem14-
referida não é a de Ciro.
Encontram os outra ordem nas Escrituras no li vro de Neem ias, onde o autor ins pirado registra cuidadosamen te
a data exata deste decreto: “ Sucedeu, pois, no mês de Nisâ, no ano v igésimo do rei Artaxerxes...” (Neemias 2.1).
A Bíblia não declara exatamente o ano em que este monarca começou a reinar, porém diz que foi no vigésimo
ano de seu reinado. Precisamos descobrir quando ele começou a reinar para precisar o ano em que foi dada esta

\ 1CURSO DE TEO LOG IA


I
ordem. A edição mais recente da Enciclopédia Britânica marca a data da ascensão de Artaxerxes como 465 a.C.s
portanto seu vigésim o ano seria 445 a.C.
Segundo a profecia, a ordem para a reconstrução da cidade duraria sete semanas, ou seja, 49 anos, e sessenta
e duas semanas as praças e as circunvalações , 434 anos, totalizando um período de 483 anos.

E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que
há de v ir, destruirá a cidade e o santu ário, e o seu fim será com uma inun dação; e até ao fi m haverá guerra;
estão determinad as assolações (v. 26).

A precisão da profecia é impressionante! Depois desse período ocorreria um fato notório: o Messias seria
“tirado”, ou crucificado (cf. Isaías 53.8). A predição dizia que o Messias, o Príncipe, seria morto depois das
“sete sem anas” (v . 25) e mais “sessenta e duas seman as” (v. 26), totalizando 69 semana s (483 anos), e realmente
foi o que aconteceu. Cristo morre u exatame nte na 69a semana (Lucas 24.44). Portanto, com este evento se
completaram 69 semanas, tudo devidamente previsto e profetizado, porém a profecia diz SETENTA semanas.
Falta a septuagésima!

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 6
1. Quais os termos, no srcinal hebraico, para a palavra “semana”? Quais seus significados?
2. Quantos dias tem o ano profético de acordo com as Escrituras? Exemplifique.
3. Sessenta e duas semanas proféticas têm quantos dias?
4. Quem deu a ordem para a reconstrução da cidade e quem deu a ordem para a reconstrução do templo?
7 TRIBULAÇÃO
O Senho r Jesus predisse seu padecim ento, morte e ressurreição (Ma teus 16.21), os sofrimentos e perseguições
que seus discípulos enfrentariam (Mateus 10.16-29; João 6.33), as grandes aflições que se abateriam sobre
Jerusalém e, por fim, as agonias do fim dos tempos, como preparação de seu regresso à Terra (Mateus 24;
Marcos 13; Lucas 21). Logo após o arrebatam ento da Igreja se iniciará um período de grande sofrime nto sobre a
human idade que tanto os escritores do Antigo quanto do Novo Testam ento denominam de “tribulação” , que nada
mais é do que a última seman a da profecia de Daniel. Devido a sua intensidade e agonia, essa época será infeliz
e indesejável, mas foi previsto nas Escrituras que ela vai acontecer e está descrito como ela será.

7.1 NO ANTIGO TESTAMENTO


Uma das primeiras c itações sobre este tempo de aflição foi escrito por Moisés, antes da nação de Israel entrar
na terra prometida. O futuro dos hebreus foi descrito como temp o de “ang ústia” ou “tribulação” nos últimos dias,
como se pode verificar :

E o SENHOR vos espalhará entre os povos, e ficareis poucos em número entre as gentes às quais o SENHOR
vos conduzirá. E ali servireis a deuses que são obra de mãos de homens, madeira e pedra, que não vêem, nem
ouvem, nem comem, nem cheiram. Então, dali, buscarás ao SENHOR, teu Deus, e o acharás, quando o buscares
de todo o teu coração e de toda a tua alma. Quando estiveres em angústia, e todas estas coisas te alcançarem,
então, no fim de di as, te virarás para o SENHOR , teu Deus, e ouvirás a sua voz . Porquanto o SENHOR , teu
Deus, é Deus misericordioso; e não te desamparará, nem te destruirá, nem se esquecerá do concerto que jurou a
teus pais (Deuteronômio 4.27-31).

O profeta Isaías chama aquele dia de “indignação”, do qual Israel será poupado: “Vai, pois, povo meu, entra
nos teus quartos e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. Porque eis
que o SENHOR sairá do seu lugar para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniqüidade; e a terra
descobrirá o seu sangue e não encobrirá mais aqueles que foram mortos” (Isaías 26.20-21). Esse mesmo profeta
continua a descrever, com mais detalhes, a ira de Deus: “Porque a indignação do SENHOR está sobre todas as
nações, e o seu furor sobre todo o exército delas; ele as destruiu totalmente, entregou-as à matança. E os mortos
serão arremessados, e do seu corpo subirá o mau cheiro; e com o seu sangue os montes se derreterão... Porque
será o dia da vingança do SENHO R, ano de retribuições, pela luta d e Sião” (Isaías 34.2-3, 8).
Outro profeta também recebeu revelação sobre este evento futuro chamando-o de “tempo de angústia para
Jacó ”: “Assim diz o SENHOR : Ou vimos um a voz de tr emor, de temor, mas não de paz. Perguntai, poi s, e vede se
um hom em tem dores de parto. Por que, pois, vejo a cada homem c om as mãos sobre os lombos, com o a que está
dando à luz? E por que se têm tomado macilentos todos os rostos? Ah! Porque aquele dia é tão grande, que não
houve outro semelhante! E é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela. Porque será naquele dia,
diz o SENHOR dos Exércitos, que eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço e quebrarei as tuas ataduras;
e nunca mais se servirão dele os estranhos, mas servirão ao SENHOR, seu Deus, como também a Davi, seu rei,
que lhes levantarei” (Jeremias 30.5-9). E Daniel recebeu com precisão o tempo que duraria a tribulação:
k | ESCATOLOGIA

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e
dar fim aos pecados, e expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o Santo
dos santos. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Messias,
o Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos
angustiosos. E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe,
que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra;
estão determinadas assolações. E ele firmará um concerto com muitos por uma semana; e, na metade da semana,
fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à
consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador (Daniel 9.24-27).

Esta profecia merece maior atenção devido ao tempo preciso que ela fornece, por isso trataremos dela em
um tópico à part e. D aniel, como seu contemp orâneo, tam bém de screve esse tempo como um tempo de angústi a:
“E, naquele temp o, se levan tará Miguel, o grand e príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um
tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, livrar-se-á
o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro” (Daniel 12.1).
O livro inteiro de Joel retrata o dia do Senhor, que é um sinônimo de “tribulação”. Sobre este dia assim
escreveu Joel: “Ah! Aquele dia! Porque o dia do SENHOR está perto e virá como uma assolação do Todo-
poderoso” (Joel 1.15); “Tocai a buzina em Sião e clamai em alta voz no monte da minha santidade; perturbem-
se todos os moradores da terra, porque o dia do SENHOR vem, ele está perto; dia de trevas e de tristeza; dia
de nuvens e de trevas espessas; como a alva espalhada sobre os montes, povo grande e poderoso, qual desde o
tempo antigo nunca houve, nem depois dele haverá pelos anos adiante, de geração em geração” (Joel 2.1-2).
Amós não pe rtencia a nenhuma família sacerdotal, nem de profetas, era negociante, o cupava-se co m a cri ação
de gado e plantação de frutas (figos) de Tecoa (1.1; 7.14). Foi chamado para anunciar o juízo de Deus sobre
Israel, entretanto também profetizou sobre a tribulação: “Ai d aqueles que desejam o dia do SENHOR! Para qu e
quereis vós este dia do SENHOR? Trevas será e não luz. Como se um homem fugisse de diante do leão, e se
encontrasse com ele o urso ou como se, entrando em uma casa, a sua mão encostasse à parede, e fosse mordido
por um a cobra. Não será, pois, o dia do SENHO R trevas e não luz? Não será completa escuridade sem nenhum
resplendor?” (Amós 5.18-20).
Sofonias é o profeta do Juízo Final, devido à gran de ênfase que ele dá ao Dia do Senhor, somente no capítulo
primeiro ele o me nciona 13 vezes e termina dizendo que é “dia da indignação do SENH OR , mas, pelo fogo do
seu zelo, a terra será consumida, porque, certamente, fará destruição total e repentina de todos os moradores da
terra” (1.18). Coisa horrenda! Toda terra consu mida pelo fogo, t odos os moradores da terra destruídos, inclui ndo
pessoas, animais, aves, peixes, que ele cham a de “dia de indignação, dia de angústia e dia de alv oroço e desolação,
dia de escuridade e negrum e, dia de nuvens e dens as trevas” (Sofonias 1.15).

E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane, porque muitos virão em meu nome,
dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos
assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra
nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares. Mas todas essas coisas são
o princípio das dores. Então, vos hão de entregar para serdes atormentados e matar-vos-ão; e sereis odiados de
todas as gentes por causa do meu nome. Ne sse tempo, muitos serào escandalizados, e trair- se-ão un s aos outros,
e uns aos outros se aborrecerão. E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a
iniqüidade, o amor de muitos se esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. E este evangelho do
Reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim. Quando, pois, virdes
que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê, que entenda), então,

os quedeestiverem
coisa sua casa;nae Judéia, que fxijam
quem estiver para os
no campo nãomontes; e quem
volte atrás estiverassobre
a buscar suasovestes.
telhadoMas
nãoaidesça a tirar alguma
das grávidas e das
que amamentarem naqueles dias! E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado, porque
haverá, então, grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá
jam ais. E, se aqu eles dias não fo sse m abre viad os, nenhu ma ca me se salvaria; mas, por caus a dos esc olh ido s,
serão abreviados aqueles dias. Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui ou ali, não lhe deis crédito,
porque surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora,
enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no
deserto, não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa, não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do
oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem. Pois onde estiver o cadáver,
aí se ajuntarão as águias. E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as
estrelas ca irão do céu, e as potências dos céu s serão abalad as (Mateus 2 4.4-28) .

O apóstolo Paulo também fez referências à tribulação. Em sua Primeira Carta aos Tessalonicenses por duas
vezes se refere a esses dias: “E esp erar dos céus a seu Filho, a quem ressu scitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos
livra da ira futura” (1 Tessalonicenses 1.10); “Porque Deus não nos destinou p ara a ira, mas para a aquisição da
salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5.9). Entre os leitores desta carta, alguns, aplicando
erroneamente o sentido das palavras de Paulo, desistiram de trabalhar e estavam ociosos, vivendo do trabalho
dos outros. Já outros membros da congregação tinham falecido desde que Paulo deixara a cidade, e os fiéis
estavam ansiosos para saber se estes, em conseqüência, sofreriam alguma desvantagem no regresso de Jesus,
em comparação àqueles que ainda estivessem vivos. Para sanar estas dúvidas o apóstolo escreveu uma segunda
carta, que em todos os cinco capítulos faz alusão à vinda do Senhor (1.10; 2.19; 3.13; 4.17; 5.23).
Para os que achavam que a tribulação já havia começado, Paulo diz: “Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de
nòsso Senh or Jesus Cristo e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimen to, nem
vos perturbeis, qu er por espírito, quer por palavra, quer por epístola, com o de nós, como se o dia de Cristo estivesse
já perto” (2 Tessalonicenses 2.1-2). Daí ele passa a descrever alguns eventos que precederão a tribulação:

Ningué m, de manei ra alguma, vos e ngane, porque não ser á assim sem que antes venh a a apostasia e se manifeste
o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora;
de sorte que se assenta rá, como D eus, no templo de D eus, querendo pare cer Deus. Não vos lembr ais de que est as
coisas vos dizia quan do ainda estava convosc o? E, agora, vós sa beis o que o detém, pa ra que a seu próp rio tempo
seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que, agora, resiste até que do meio
seja tirado; e, então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo
esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios
de mentira, e com t odo e ngano da injustiça p ara os que perece m, porque não receberam o amor da verdade para se
salvarem. E, por isso, D eus lhes enviará a operação do erro, p ara que creiam a mentir a, para que sejam julga dos
todos os que não creram a v erdad e; antes, tiveram pra zer na iniqüi dade (2 Tessalonice nses 2.3-12 ).

De todos os escritos sobre a tribulação, é no Apocalipse de João que temos a narração minuciosa dos dias da
tribulação. Este livro é rico em símbolos e conteúdo, portanto merece especial atenção da parte dos amantes da
Palavra de Deus.
7.3 DURAÇÃO DA TRIBULAÇÃO
De acordo com a profecia de Daniel, a tribulação durará sete anos, conforme o texto: “E ele firmará um
concerto com muitos por uma sem an a ; e, na metade da semana , fará cessar o sacrifício e a oferta de manjares”
(Daniel 9.27, grifo nosso). Já vimos que uma semana profética se refere a um período de sete anos, que será

dividida em dois períodos de três anos e meio, conforme a ilustração:

^ pr /ocl pe
c
f
ov/
r O M .

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM

CAPÍTULO 7
1. Quanto tempo durará a tribulação? Mostre nas Escrituras onde está a referência a esse tempo.
2. Cite três autores do Antigo Testamento e os nom es que eles d eram a este evento.
3. Em que livro das Escrituras encontramos um retrato minucioso da tribulação?
q EVENTOSDA
O TRIBULAÇÃO
Como ac abamos de averiguar, a tribulação será dividida em du as etapas de três anos e meio. Cada etapa
é marcada por eventos específicos, que ocorrerão de forma seqüencial, conforme relata o apóstolo João no livro
de Apocalipse. O quadro a seguir facilitará a compreensão do estudo:

8.1 MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DO APOCALIPSE


O livro de Apocalipse tem sido estudado segundo muitos conceitos e métodos de interpretação diferentes.
Demonstraremos os principais deles.

a) P re ter ista (passado) - entende q ue os acont ecimentos do Apocalipse e m grande parte f oram cumpri dos
nos primeiros séculos da nossa era, tendo o Império Romano como pano de fundo, ou seja, a maior parte
do Apocalipse já se cumpriu, sobrando somente fatos históricos.

b) H istó rico - os intérpretes que assumem essa posição procuram ligar os acontecim entos previstos no
Apocalipse com as várias épocas da história humana. Foi adotada principalmente pelos reformadores, que
viam o papa como o anticristo.

c) Simbólico ou místico - alguns estudi osos crêem que o liv ro de Apocalipse não é essenci almente pro féti co
nem histórico, mas uma vivida coletânea de símbolos místicos que visam ensinar lições espirituais e
morais. Isso significa que não devemos esperar qualquer cronologia de acontecimentos passados ou
futuros nesse livro.
k | ESCATOLOGIA

d) Futurista - há os futuristas extremos, que pensa m que o livro inteiro é preditivo, incluindo os capítulos
dois e três, que representam sucessivos estágios da história eclesiástica, até a vinda de Cristo. Mas há os
futuristas moderados, que adm item que os capítulos dois e três referem-se ao passado (ou ao presente), mas
a partir do quarto capítulo temos o futuro, o que deverá acontecer imediatame nte depois do arrebatamento,
mas antes do segundo advento de Cristo.

Entendemos que a melhor posição quanto aos eventos descritos no livro de Apocalipse é a futurista. Assim,
adotamos a escola pré-tribulacionista, pré-milenista e futurista.

8.2 OS JUÍZOS DE DEUS


Dos eventos descritos nas Escrituras, alguns podem ser descritos em uma seqüência lógica, enquanto outros
são mais difíceis de posicio nar. De qu alquer maneira, se guiremos bem próximo do que o apóstolo João escreveu,
e quando necessário manifestaremos nossa posição.
Quando João foi levado aos céus, ele viu algo: “E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro
escrito por dentro e por fora, selado com sete selos” (Apocalipse 5.1). A partir daí começam os juízos de Deus
sobre toda a Terra.

Os juízos dos sete selos - com a abertura d os selos se inici a a tribulação. Os quatro primeiros selos
compreendem quatro cavalos com seus cavaleiros.

1) Primei ro sel o - o cavalo branco (v. 2) tem sido identif icado como o anticristo por alguns, enquanto para
outros não passa de uma figura de linguagem. Será uma época de aparente paz e prosperid ade,durante a
qual virá repentina destruição, com a revelação do caráter maligno do anticristo.

2) Segundo selo - o cavalo vermelho é a guerra (Apocali pse 6. 4).

3) Terceiro selo - o cavalo pret o é a fome mun dial, certamente em virtude das avassaladoras guerras
(Apocalipse 6.5-6).

4) Quarto selo - o cavalo amarelo é a morte, como conseqüência do impér io do anticri sto (Apocalipse 6 .8).

5) Quinto sel o - o clamor dos mártires por causa da Palavra de Deus e de seu testemunho. Morreram pela
fé no Senhor Jesus, em vez de receber o sinal da besta (Apocalipse 6.9).

6) Sexto selo - ocorrerá uma seqüência catast rófica de aconte ciment os:

• Grandes terremotos (Apoc alipse 6.12)


• O sol se escurecerá (A pocalipse 6.12)
• A lua se tom ará verme lha como sangue (Apocalipse 6.12)
• As estrelas do céu cairão (Apocalipse 6.13)
• O céu s e enrolará como um pergaminho (Ap ocalipse 6.14)
• Montanha s e ilhas serão removid as do seu l ugar (Apocalipse 6.15)
• A ira do Senhor se manifestará (Ap ocalipse 6.17)

7) Sétimo selo - houve silêncio no céu por meia hora. Sete anjos recebem sete trombetas. A partir desse
momento os juízos de Deus cairão sobre os homens (Apocalipse 8.1-2)
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Do último selo se derivam os juízos das sete trombetas.

1) Primeira trombeta - saraiva e fogo misturado com sangue. A terça parte da Terra e das árvores foi
queimad a e toda erva verde (A pocalipse 8.7) .

2) Segunda trombeta - um monte em chamas foi lançado no mar. Alguns escritores têm relatado que
seja algo semelhante a um meteoro. A terça parte da vida no mar pereceu, e perdeu-se a terça parte das
embarcações (Apocalipse 8.8-9).

3) Tercei ra trombeta - caiu do céu uma grande estrela, chamada de Absinto, arde ndo em chamas sobre as
fontes das águas, e muitas vidas pereceram com as águas que se tomaram amargosas (Apocalipse 8.10-
11).

4) Quarta trombeta - foi ferida a terça parte do sol, da lua e das estrelas. A escuridão atingiu parte do dia e
da noite (Apocalipse 8.12).

5) Quinta trombeta - grandes tormentos sobrev êm aos homens neste período. A morte foge dos atormentados
e uma praga enorme de gafanhotos persegue os ímpios (Apocalipse 9.1-12). Esse é o primeiro ai.

6) Sexta trombeta - quatro anjos qu e estavam presos junto ao rio Eufrates fora m solt os e mataram pelo
fogo, pela fumaça e pelo enxofre a terça parte dos homens (Ap ocalipse 9. 11 - 10.11). Atuam as duas
testemunhas, que serão mortas pela besta, mas Deus as ressuscitará e as arrebatará (Apocalipse 11). É
passado o segundo ai.

7) Sétima trombeta - o nome de Deu s é glorificado, porém o juíz o de D eus continua em ritmo crescente. A
mulher é perseguida pelo dragão, que recebe ajuda dos anjos. Duas bestas aparecem com grande poder, a
besta que sobe do mar (anticristo) e a besta que sobe da terra (o falso profeta). Um anjo saiu a vindim ar a
Terra (Apocalipse 12-14).

Os juízos das sete taças - após as trombetas, que trouxeram incontáveis aflições aos habitantes da Te rra, serão
lerramadas as taças, que reservam maior intensidade da ira de Deus sobre os habitante s da Terra (Apocalipse 16).

1) Primeira taça - feridas malignas sobre aqueles que t êm a marca da besta e sobre aqueles que a adoram
(Apocalipse 16.2).

2) Segunda taça - o mar toma-se em sangue, exterminando toda criatur a aquática (Apocalipse 16.3).

3) Terceira taça - rios e fontes t om am- se em sangue, contaminando toda água (Apocalipse 16.4-7).

4) Quarta taça - um calor insuportável, de modo que os homens são abrasados pelo forte sol , mas mesmo
assim não se arrependem (Apocalipse 16.8-9).

5) Quinta taça - atinge o trono da besta e s eu reino se toma tenebroso. Pânico na Terra devido à grande dor
(Apocalipse 16.10-11).

6) Sexta taça - caminho preparado para a grande batalha fi nal, o Armagedom. A tr indade satânica congrega
os reis da Terra para esta guerra (Ap ocalipse 16.12 -16).
7) Sétima taça - um terremoto jama is visto em toda hist ória atin ge a Terra com grande ímpet o, juntamente
com uma grande saraiva, com pedras pesando aproximadamente 40 quilos (Apocalipse 16.17-21).

8.3A BATALHA DE AR MA GED OM


Essa do
da boca grande batalha
dragão, ocorrerá
e da boca nos últimos
da besta, diasdodafalso
e da boca grande tribulação,
profeta conforme
vi saírem escreveu
três espíritos o apóstolo
imundos, seme João: “E
lhantes a
rãs, porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo
para os cong regar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-poderoso... E os congregaram no lug ar que
em hebreu se chama Armagedom” (Apocalipse 16.14, 16).
O nome Armagedom significa “cidade de Megido”, que está situada a oeste do rio Jordão, no centro norte da
Palestina, a cerca de quinze quilômetros de Nazaré e a vinte e cinco quilômetros da costa do Mediterrâneo. Foi
cenário de grandes batalhas no Antigo Testamento (Juizes 5.19-21; 2 Reis 23.29).
Este local não é o local da batalha final, mas o lugar onde as forças se reunirão para irem direção ao Vale
de Josafá, como se pode observar no livro do profeta Joel: “Congregarei todas as nações e as farei descer ao
vale de Josafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo e da minha herança, Israel, a quem eles
espalharam entre as nações, repartindo a minha terra” (Joel 3.2).
É ness a extensa faixa de t erra que o anticristo mobilizará as nações em um grande ataque contra Israel e
contra seu Deus. Acampados nesse vale, as tropas cam inharão em direção à cidade santa. “E acontecerá, naquele
dia, que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a carregarem certamente serão
despedaça dos, e ajuntar-se-ão contra ela todas as nações da terra (Zacarias 12.3, 14.14 ).
Não existe um único versículo das Escrituras que nos forneça a seqüência c ronológica concernente à batalha
de Armage dom. De acordo com Thom as Ice e Timothy Demy, baseados nos estudos do Dr . Am old Fruchtenbaum ,
a campanha passará por oito estágios, conforme o gráfico seguinte:

A Batalha c f e
Arm agedom
Primeiro estágio - os aliado s do anticri sto se reúnem para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-pode roso,
conforme o texto : “ E os congregaram no lugar q ue em hebreu se chama Armage dom” (Apocalipse 16.16).

Segundo estágio - a Babilônia é dest ruída. Mesmo o anticristo sendo uma corporificação de Satanás, este
não sabe de todas as coisas nem possui todo poder, pois as Escrituras nos dizem que uma aliança do Norte
destruirá a Babilônia: “Porque eis que eu suscitarei e farei subir contra a Babilônia uma congregação de grandes
nações da terra do Norte, e se prepararão contra ela; dali, será tomada; as suas flechas serão como de valente
herói; nenhuma tomará sem efeito” (Jeremias 50.9); “Eis que um povo vem do Norte, e uma grande nação e reis
poderosos se levantarão dos lados mais rem otos da terra. A rco e lança tom arão; eles são cruéis e não conhecem
a compaixão; a sua voz bramará como o mar, e eles cavalgarão cavalos, como um homem, apercebido para a
batalha, contra ti, ó filha da Babilônia” (Jerem ias 50.41-42). É o fim definitivo da grande prostituta das nações,
João diz que: “Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada
com a sua glória. E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou
morada de demônios , e abrigo de todo espírito imundo, e refúgio de toda ave im unda e aborrecível! Porque todas
as nações beb eram do vinho da ira da sua prosti tuição. Os reis da terra se prostituíram com ela. E os mercadores
da terra se enriquece ram com a abu ndância de suas delícias” (Apo calipse 18.1-3, gri fo nosso) .

Terceiro estágio - a destruição de Jerusalém. Em vez de voltar para defe nder sua capital, o anticristo partir á
contra Jerusalém, como disse o profeta Zacarias: “Porque eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra
Jerusalém; e a cidade será tomada, e as casas serão saqueadas, e as mulheres, forçadas; e metade da cidade sairá
para o cativeiro, mas o resto do povo não será expulso da cidade. E o SENHOR sairá e pelejará contra estas
nações, como p elejou no dia da batalha” (Zacarias 14.1-2).

Quarto estágio - o anticrist o se volta contra os reman escentes de Israel. O profeta Miquéias previu este dia
e disse: “Ce rtamente te ajuntarei todo inteiro, ó Jacó; certamente congre garei o restante de Israel; pô-los-ei todos
juntos, como ovelhas de Bozra; como rebanho no meio do seu curral, farão estrondo po r causa da multidão dos
homens” (Miquéias 2.12).

Quinto estágio - a conversão de Israel. Zacarias anteviu este dia: “E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes
de Jerusalém derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e o
prantearão como quem pran teia por um unigênito; e chorarão am argamente p or ele, com o se chora amargamente
pelo primogênito. N aq uele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de
Megido” (Zacarias 12.10-11).

Sexto estágio - a volta de Jesus Cristo: “Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O que estav a assentado
sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo;
e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito que ninguém sabia, senão ele mesmo. E
estava vestido de uma veste salpicada de sangue, e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. E seguiam-
no os exércitos que há no céu em cava los brancos e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma
aguda espada, p ara ferir com ela as naç ões; e ele as regerá com va ra de ferro e ele mesm o é o que pisa o lagar do

vinho
E do furor
SENHO e da ira
R DOS do DeusES”
SENHOR Todo-poderoso. E na veste
(Apocalipse 19.1 1-16).e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS

Sétimo estágio - a batalha fina l, com a vitória de Jesus Cris to: “Ajun tai-vos, e vinde, t odos os povos em
redor, e congregai-vos (ó SENHOR, faze descer ali os teus fortes!); movam-se as nações e subam ao vale de
Josafá; porqu e ali me assentarei, para julg ar todas as nações em re dor” (Joel 3.11-12).

CURSO DE TEOLO GIA


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m o h iio * I escatologia

Oitav o estágio - a declar ação do triunfo fi nal no monte das Oli veir as: “E o SENHOR sair á e pelejará contr a
estas nações, como pelejou no dia da batalha. E, naquele dia, estarão os seu s pés sobre o monte das O liveiras, que
está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para
o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele,
para o sul” (Zacarias 14.3-4); “E o sétim o anjo derramou a sua taça no ar, e saiu grande voz do templo do céu,
do trono, di zendo: Está feit o! E houve vozes, e trovões, e relâmpagos, e um grande terremoto, com o nunca tinha
havido desde que há hom ens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto. E a grande cidade fend eu-se em três
partes, e as cidades das nações caíram; e da grande Babilônia se lem brou Deus para lhe dar o cálice do vinho da
indignação da sua ira. E toda ilha fugiu; e os montes não se acharam. E sobre os homen s caiu do céu uma grande
saraiva, pedras do peso de um talento; e os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraiva, porque
a sua praga era mui grande” (Apoca lipse 16.17- 21).
Com o fim da batalha de Arma gedom estará concluída a última semana da profecia de Dan iel, ou seja, o período
de sete anos da Tribulação. O anticristo e o falso profeta serão lançados no lago de fogo nessa oportunidade.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM

CAPÍTULO 8
1. Quais são os métodos de interpretação do Apocalipse?
2. Explique cad a selo do Apocalipse.
3. Explique cada trombe ta do Apocalipse.
4. Explique cada taça do Apocalipse.
5. Descreva com suas palavras a batalha de Armagedom.
6 . Cite os oito estágios da batalha de Armagedom .
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•'Vt.

9 MILÊNIO
Depois da tribulação as E scrituras fal am do reino milenar, entretanto não se enco ntra nas Escrituras a palavra
milênio. O milênio é uma doutrina bíblica e um conceito teológico derivado de várias passagens, tais como
Salmos 2.6-9; Isaías 2.2-4; 11.6-9; 65.18-23; Jeremias 31.12-14; Ezequiel 34.25-29; 37.1-13; D aniel 2.35; Joel
2.21-27; Amós 9.13-15; M iquéias 4.1-7; Sofonias 3.9-20; e Apoc alipse 20.
Assim como outros termos teológicos, a palavra milênio vem do latim mille , que significa “mil” (a palavra
grega para milênio vem de chilias , que significa “um mil”), e annus , que significa “ano”. Assim, milênio significa
simplesmente “mil anos”. Nesse período, Satanás ficará preso, como falou o apóstolo João: “Ele prendeu o
dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos” (A pocalipse 20.2).
O milênio será um reino terreno em que Cristo reinará em Jerusalém e ao mesmo tempo o cumprimento
das promessa s feitas a Abraão (Gênesis 12.7).

9.1 OS PRINCIPAIS EVENTOS DO MILÊNIO


O milênio será um tempo de restauração de todas as coisas, portanto é natural que vários eventos
contribuam para que isso aconteça. São el es:

a) A prisão de Satanás : “E vi descer do céu um anjo que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na
sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. E
lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não en gane as nações, até que os
mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo” (Apocalipse 20.1-3).

b) O reino de Cristo estabelecid o na Terra: “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o

livro ee de
tribo, abrir os
língua, seus selos,
e povo, porque
e nação; foste
e para mortoDeus
o nosso e comoso fizeste
teu sangue comp raste
reis e sacerdotes; para reinarão
e eles Deus hom ensade toda
sobre
terra” (Apocalipse 5.9-10).

c) Período de paz em toda Terra: “Ele anunciará paz às nações; e o seu domínio se estenderá de um mar a
outro mar e desde o rio até às extremidades da terra” (Zacarias 9.10).

d) Restauração final de Israel: “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a
casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os
tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu
os haver desposado, diz o SENHOR. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles
dias, diz o SENHOR : porei a m inha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus,
e eles serão o meu povo. E não ensinará alguém mais a seu próximo, nem alguém, a seu irmão, dizendo:
Conhecei ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior, diz o SENHOR;
porque perdoarei a sua maldade e n unca mais me lem brarei dos seus pecado s” (Jerem ias 31.31-34).

e) Posse da terra por parte de Israel: “E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu vos fizer voltar à
terra de Israel, à terra para a qual levantei a mão, para a da r a vossos pais. E ali vos lem brareis de vossos
caminhos e de todos os vossos atos com que vos contaminastes e tereis nojo de vós mesmos, por todas

CURSO DE TE O LO GIA 109 “ ^


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4 1ESCATOLOGIA

as vossas maldades que tendes cometido. E sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu proceder para
convosco por amor do meu nome, não conforme os vossos maus caminhos, nem conforme os vossos atos
corruptos, ó casa de Israel, disse o Senhor JEOVÁ” (Ezequiel 20.42-44).

f) Restabelecim ento do trono davídic o: “Porque assim diz o SENHOR: Nunca faltará a Davi varão que

se assente
que ofereçasobre o trono edaqueime
holocausto, casa deoferta
Israel,
denem aos sacerdotes
manjares, levíticostodos
e faça sacrifício faltaráosvarão
dias. diante
E veio de mim, para
a palavra do
SENHOR a Jeremias, dizendo: Assim diz o SENHOR: Se puderdes invalidar o meu concerto do dia, e o
meu concerto da noite, de tal modo que não haja dia e noite a seu tempo, também se poderá invalidar o meu
concerto com Davi, meu servo, para que não tenha filho que reine no seu t rono, com o também c om os levitas
sacerdotes, meus ministros. Com o não se pode conta r o exército dos céus, nem me dir-se a areia do mar, assim
multiplicarei a descendência de Davi, meu servo, e os levitas que ministram diante de mim. E veio ainda a
palavra do SEN HOR a Jeremias, dizendo: N ão tens visto o que este povo fala, dizendo: As duas gerações que
o SENH OR elegeu, agora as rejeitou? E desprezam o meu povo, como se não fora já um povo diante deles .
Assim diz o SENHOR: Se o meu concerto do dia e da noite não permanecer, e eu não puser as ordenanças
dos céus e da terra, també m rejeitarei a desc endên cia de Jacó e de Davi, meu servo, de modo que não tome
da sua semente quem domine sobre a semente de Abraão, Isaque e Jacó; porque removerei o seu cativeiro e
apiedar-me -ei deles” (Jeremias 33.17-26; 2 Samuel 7.11-16; 1 Crônicas 17.10-14).
g) Plenitu de da alegria será a marca característ ica da era mi lenar: “E vós, com alegria, tirarei s águas
das fontes da salvação. E direis, naquele dia: Dai graças ao SENHOR, invocai o seu nome, tomai
manifestos os seus feitos entre os povos e contai quão excelso é o seu nome. Cantai ao SENHOR,
po rque fez co isas gran diosas; saiba-se isso em toda a terra. Exulta e canta de gozo, ó h ab ita nte de Sião,
po rque grande é o Santo de Israel no meio de ti” (Isaías 12.3-6; 25 .8-9; 30.29; 52.9; 60.15; 61 .7, 10;
Zacarias 8.18-19; 10.6-7).

h) Não haverá doenças: “M as o SENHO R ali nos será grandi oso... E morado r nenhum dirá: Enfermo estou;
porque o povo que habitar nela será absolvido da sua iniqüidade” (Isaías 33.21, 24); “Dizei aos turbados
de coração: E sforçai-vos e não temais; eis que o vosso Deus virá com vingança, com recom pensa de Deus;
ele virá, e vos salvará. Então, os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos do s surdos se abrirão. Então,
os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará, porque águas arrebentarão no deserto, e
ribeiros, no ermo” (Isaías 35.4-6).

i) A terra encherá do conhecimento do Senhor: “Não se fará mal nem dano algum em todo o monte da
minha santidade, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar”
(Isaías 11.9).

j) H av erá lo ng ev id ad e de vida: “Não haverá mais nela criança de poucos dias, nem velho que não cumpra
os seus dias; porque o jovem morrerá de cem anos, mas o pecador de cem anos será amaldiçoado” (Isaías
65.20).

No fim do milên io haverá uma rebelião lid erad a po r Satanás contra Cristo e seu reino , como predito pelo
pro feta: “E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a enganar as nações que estão sobre
os quatro cantos da terra, Gogue e Magogu e, cujo número é como a areia do mar , para as ajuntar em batalha. E
subiram sobre a largura da terra e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu e os
devorou. E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta;
e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Apocalipse 20.7-10).
Depois do julgamento de Satanás vem o julgamento dos mortos incrédulos, conhecido como julgamento
do Grande Trono Branco, como está escrito: “E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre
ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos,
que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram
julgado s pelas coisas que estav am escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele
havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgado s cada um segundo as suas obras. E
a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que nã o foi achado escrito
no livro da vida foi lançado no lago de fogo ” (Apocalipse 20.11-15).
Esses são os eventos finai s do milênio e terminam com a destruição do s céus e Terra at uais de acordo com as
Escrituras (Ma teus 24.35; Marcos 13.31; Lucas 16.17; 21.33; 2 Pedro 3.10; Apoc alipse 21.1).

VERIFICAÇÃO DE AP RENDIZAGEM
CAPÍTULO 9
1. Qual é a procedência da palavra milênio?
2. Cite alguns t extos bíblicos que se referem ao reino milenar .
3. Descreva alguns eventos que ocorrerão no milênio.

CURSO DE TEOLO GIA


a /-j TEORIAS ACERCA
' u DO MILÊNIO
Várias passagens do Antigo Testamento falam sobre um tempo futuro de verdadeira paz e prosperidade para
os seguidores justos de Deus, sob o reinado benevolente e físico de Jesus Cristo na Terra. O profeta Zacarias
fala sobre esse período dizendo: “O SENHOR será Rei sobre toda a terra; naquele dia, um só será o SENHOR,
e um só será o seu nome” (Zacarias 14.9). E continua nos versículos 16-21 descrevendo algumas, das condições
reinantes no milênio. Apesar de toda a Bíblia falar descritivamente sobre o milênio, apenas no último livro -
Apocalipse - sua duração foi revelada.
Os intérpretes do Apocalipse estão também divididos na forma como abordam o milênio (Apocalipse
20). A maneira como se encara o milênio afeta a interpretação do Apocalipse como um todo. Faz-se necessário
levantarmos aqui alguns pontos.

a) Amilenismo - ensina que não haverá nenhum milênio terrestre co m tal signif icação. Alguns simplesmente
dizem que, co mo o Apocalipse é simbólico, não há sentido algum em se falar em milênio litera l. Portanto,
não haverá milênio, nem reino terrestre e nenhuma era áurea de restauração e transformação.

b) Pós-milenismo - outra corrente come çou a espalhar-se a partir do s éculo XVIII. Seus adeptos interpretam
o milênio como uma extensão do período atual da Igreja. Ensinam que o poder do evangelho ganhará o
mundo todo para Cristo, e a Igreja assumirá o controle dos reinos seculares.

c) Pré-milenismo - interpreta as profecias do Antigo e do Novo Test amento de maneira literal, observando,
porém, se o contexto assim o permite. Entendem que o retomo de Cristo, a ressurreição dos salvos e o
Tribunal de Cristo serão antes do m ilênio. No final dest e, Satanás será temporariam ente solto para engan ar
as nações, sendo derrotado para todo o sempre. Por fim virá o Grande Trono Branco, que proferirá a
sentença final de todos os habitantes do planeta Terra, inaugurando o reino etemo no novo céu e na nova
terra.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 10
1. O que diz a teoria amilenista?
2 . O que diz a teoria pó s-milenista?
3. O que diz a teoria pré-m ilenista?
•í k | ESCATOLOGIA

/
. 0 JUIZO FINAL E O

11 ESTADO ETERNO
No fim do milênio Satan ás será solto e enganará milhares de pesso as em toda Terra, como está escrito: “ ...e
sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a
areia do mar, para as ajuntar em batalha” (Apocalipse 20.8), mas não subsistirão porque “desceu fogo do céu
e os devorou” (Apocalipse 20.9). Depois desse evento segue o julgamento do Grande Trono Branco, em que a
santidade e justiça de Deus exigem que todo pecado seja punido e todos os justos sejam defendidos.
Este será o último julgamento da história humana e divina, no qual, além dos anjos maus, comparecerão todos
os mortos e vivos, de todas as épocas, de todas as raças, de todas as idades para receberem segundo as suas obras:
“E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro,
que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras”
(Apocalipse 20.12). Diante deste trono “todos os olhos fixar-se-ão diretamente no trono, vasto e intenso e de um
branco resplandecente. Vestido de pureza do reino d e luz, ele ocupará inteiramente todo o campo de nossa visão ” .8
Apesa r de Deus Pai ser o juiz de todos (He breus 12.23), tal atividade judic ial será exe rcida pelo Filho, porque
“o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo... E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho
do Homem” (João 5.22, 27). Naquele dia haverá apenas a revelação do justo julgamento, porque os pecados de
alguns são manifestos precedendo o juízo e em alguns se manifestam depois. “Lá não valem os subterfúgios; lá
a ação se mostra tal e qual é e nós mesmos nos vemos obrigados a reconhecer sem rebuços nossas culpas, cara a
cara com elas... a vossa piedade toda não pode seduzi-la [a justiça] para cancelar ainda que seja metade de uma
linha, nem as vossas lágrimas lavar uma das suas palavr as ” .9 Duas são as conseqü ências finais desse julgam ento:
a dos justo s e a dos ímpios.

11.1
O DOS
estado finalJUSTOS
dos justo s é desc rito como:

Vida eterna: “E irão estes para o tormen to eterno, mas os justo s, para a vida eterna” (Mateus 25.46).

Glória: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui
excelente” (2 C oríntios 4.17).

Descanso: “Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus” (Hebreus 4.9).

Santidade: “E não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira, mas só os que
estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Apocalipse 21.27).

Adoração: “E saiu uma v oz do trono, que dizia: Louvai o nosso Deus, vós, todos os seus servos, e vós que o
temeis, tanto pequenos como grandes” (Apocalipse 19.5).

Comunhão com Deus: “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabemáculo de Deus com os

* SILVA, Severino Pedro da. Arm age dom : a batalho final. Ri o de Jane iro: CPAD, 200 4, p. 226.
9 STRO NG , Augustus H opkins. Teologia sis temática. São Paulo: Hagnos, 2003 , p. 834, vol. 2.

CURSO DETEOL 113


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homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus”
(Apocalipse 21.3).

11.2 DOS ÍMPIOS


O estado final dos ímpios é desc rito pelas seguintes figuras nas Escrituras:

Fogo eterno: “Então, dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o
fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mateus 25.42).

Trevas exteriores: “E os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores; ali, haverá pranto e ranger de
dentes” (Mateus 8.12).

Tormento: “...também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua
ira, e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu
tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso, nem de dia nem de noite, os que adoram a besta e a sua
imagem e aquele que rec eber o sinal do seu nom e” (Apoca lipse 14.10-11).

Castigo eter no: “E irão estes para o tormento eterno, mas os justos, para a vida eterna” (Mateus 25.46).

Ira de Deus: “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da
manifestação do juízo de Deus” (Rom anos 2.5) .

Perdição eterna: “Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu
po der” (2 Tessalonicenses 1.9).

Segunda morte: “Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos
fomicad ores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a t odos os men tirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo
e enxofre, o que é a segunda morte” (Apocalipse 21.8).

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM

CAPÍTULO 11
1. Quando ocorrerá o Juízo Final?
2. Quem será julgado neste evento?
3. Quais as conseqüências para os justos e quais para os ímpios?

■ CURSO DE TEOLO GIA


k | ESCATOLOGIA

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Paulo: Hagnos, 2005.
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das palavra s do Antigo e do Novo Testamento. 5. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
faculdade teológica betesda
Moldando vocacionados

AVALIAÇÃO - MÓDULO IV
ESCATOLOGIA

1) Quais as conseqüê ncias do pecado, em relação à escatologia?

2) Explique como e quando se dá a morte ete rna.

3) Diferencie o estado intermediário do justo e d o ímpio.


4) Existe diferença entre arrebatam ento e volta de Crist o? Justifi que.

5) Qual é a diferença entre a escola pré-tribulac ionista e a pós-tribulacion ista?

6) Explique o sentido de “coroa s” como recompe nsa dos fiéis.

7) Quand o foi dada a ordem para a reconstruç ão da cidade de Jerusalém e qual foi o mona rca que
autorizou?

8) Quan to tempo durará a tribulação e como pode ser dividida?

9) Diferencie a escola preterista da escola futurista quanto à interpretação do Apocalipse.

10) E correto o ensino da escola am ilenista? Justifi que com tex tos bíblicos.

CARO(a) ALUNO(a): ^ ~ ~
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las em
folha de papel sulfite/ sendo objetivo(a) e daro(a).
CAIXA POSTAL 12025 • CEP 02013-970 * SÃO PAULO/SP
• Dê preferência, envie-nos as 5 avaliações juntas.
SUAAÁRIO
IN TRO DU ÇÃ O ................................................................................................................................................................123

1. SEITA S E H E R E S IA S ..............................................................................................................................................124
1.1 CA RA CTE RÍST ICAS DE UM A SEITA .................................................................................................... 125
1.2 PL URA LIDAD E RE LIGIOS A ..................................................................................................................... 125

2. TEST EM U N H A S DE J E O V Á ................................................................................................................................ 127


2.1 DOUTR IN AS....................................................................................................................................................... 129

2.2
2.3 CO RPO
TR IN GOVER NANT E ............................................................................................................................... 130
DADE........................................................................................................................................................... 131
2.3.1 A Trindade no Antigo Testamento .........................................................................................................132
.

2.3.2 A Trindade no Novo Testamento.............................................................................................................133


2.4 JE SU S.................................................................................................................................................................... 134
2.5 O ESPÍRITO SA NTO ......................................................................................................................................135
2.6 RE SSURR EIÇÃ O DE CRISTO ....................................................................................................................137
2.7 SALVAÇÃO..........................................................................................................................................................138
2.8 A SE GU ND A VIND A DE C R IS T O ................................................................................................................ 139
2.9 OS144MIL............................................................................................................................................................140

3. M O R M O N IS M O ........................................................................................................................................................142
3.1 LIV ROS OFICI AIS DO M O RM O N IS M O ................................................................................................... 142
3.1.1 O Livro de M órm on ................................................................................................................................. 143
3.1.2 Doutrina e C onvênio s .............................................................................................................................. 144
3.1.3 Pérola de Grande Valor............................................................................................................................144
3.2 ABÍBLIA............................................................................................................................................................... 144
3.3 DEUS......................................................................................................................................................................145
3.4 JE SUS.................................................................................................................................................................... 146
3.5 ESPÍRITO SANT O ........................................................................................................................................... 147
3.6 TR IN DADE.......................................................................................................................................................... 148
3.7 DEUS PAI UM A VEZ JÁ F OI U M H O M E M ...............................................................................................149
3.8 O PE CA DO .........................................................................................................................................................150
3.9 SALVAÇÃO .......................................................................................................................................................... 151

REFERÊNCIAS ...............................................................................................................................................................153
INTRODUÇÃO
Você já foi enganado alguma vez? Pode ser que isso tenha acontecido à porta de sua casa, quando algum desses
vendedores treinados para persuadir, usando de artimanhas, o fez comprar algo sem utilidade. O sentimento
que fica é de revolta, de tristeza etc. Outras pessoas já foram enganadas na área sentimental, outras na questão
financeira, mas a que causa um ma l irreparável, verdadeirame nte, é na área espiri tual. Quantos en ganadores estão
em nosso meio, parecendo ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores, como disse Jesus.
Vivemos numa época em que muitas seitas se propagam em velocidade inacreditável. Os representantes das
seitas s abem m uito bem como pod em v ender suas heresias a pessoas de boa-fé por meio de palavras convincen tes.
Todas as seitas apelam para a Palavra de Deus e usam o nome de Jesus Cristo. Em um primeiro momento, as
palavras de seus líderes parecem convincentes e verdadeiras. Mas cuidado, é engano! A Bíblia nos adverte
seriamente a respeito: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de
Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1 João 4.1).
Neste volum e estarem os fornecendo algumas ferramentas para que se po ssa conhecer uma seita. A característica
de uma seita pode variar com relação a outra, mas elas possuem doutrinas comu ns, o que facilita sua ident ificação.
Primeiramente, para c onhec er uma seita é essencial que se conhe ça muito bem a Palavra de Deus, suas doutrinas
centrais, como a bibliologia, cristologia, pneumatologia etc., para depois se enredar no caminho das heresias.
Neste módulo tratamos das Testemunhas de Jeová e dos M órmo ns, porque algumas de suas heresias são comuns
a outras seitas. Portanto, tendo-as como referencial, as demais serão facilmente identificadas.
No sso desejo é que esse material sirva de apoio àqueles que têm o ardo r missionário nos corações e não
medem esforços para levar a Palavra de Deus aos sectários.
1 SEITAS E HERESIAS
Os diversos ramos do conhecimento buscaram dar uma definição padrão de como se caracteriza uma seita,
porém não chegaram a um consenso. Para a ps ico logia, seita seria um gru po que altera o com portam ento de uma
pessoa e sua perspectiva psicológica de vida. Na sociologia, o term o é usado para definir um grupo que não se
ajusta às normas de determinada sociedade. Em partes conseguiram alcançar seus objetivos, porém falharam em
tratar o que é essencial a todas as seitas: sua teologia. Neste volume, empregaremos a definição teológica, visto
que todas as seitas têm como característica essencial a busca pelo espiritual.
A palavra “seita”, em sua srcem, não tinha o sentido desagradável que adquiriu com o passar dos tempos,
tanto é que o cristianismo foi chamado de seita: “Porém confesso-te que, segundo o Caminho, a que chamam
seita , assim eu sirvo ao Deus de nosso s pais, acreditando em tod as as coisas que estejam de acordo com a lei e n os
escritos dos profeta s” (Atos 24.14, grifo noss o). Em seu sentido etimológico, as palavras seita e heresi a procedem
da palavra grega “ háiresis ”, que t em como signifi cado “escolha, p artido tomado, corren te de pensamen to, divis ão,
escola etc”.1A palavra “heresia” é adaptação de “ háiresis ”; “quando passada para o latim, ‘ háiresis 1tomou-se
‘secta’, donde surgiu o termo seita”.2
Diferentemente do que significava no srcinal, devido às várias características que o termo foi agregando,
podemos dizer que seita seria um grupo de pessoas cujos ensinos repousam sobre a autoridade isolada de um
líder espiritual, cujas palavras e escritos são vistos como de valor igual ou superior à Bíblia e sempre negam
as doutrinas centrais do cristianismo histórico. O líder é visto como “o profeta”. Uma vez que esse profeta é
visto como canal de comunicação entre Deus e os homens, seus ensinos são de autoridade inquestionável. São
dogmas! A questão fundamen tal quando tratamos com os sectários é descobrir quem é o seu porta-voz. Enquanto
os filho s de D eus têm a Bíblia como seu padrão exc lusivo de fé e conduta, por meio da qual se decidem toda s as
questões religiosas, o sectário olha para os escritos do seu profeta.
Há outras definições sobre o que é seita:

1. Um grupo de indivíduos reunidos em tomo de uma interpretaçã o errônea da Bíblia, feit a por uma ou mais
pesso as - Dr. Walter Martin.3

2. E uma perversão, uma distorção do cristianismo bíblico e/ou a rejeição dos ensinos históricos da Igreja
crist ã - Josh McDoweell e Don Stewart. 4

3. Qua lquer religião tida por heterodoxa ou mesm o espúria - J. K. Van Baalen.5

4. Seitas hoje são grupos isolados que expõem ensinos errados, e heresias esses ensinos contrários às
Escrituras Sagradas.6

1 FRA GIOTT I, Roque. Hist órias das heresias (séculos l-VI I) . São Paulo: Paulus, 1995, p. 6.

2 FALC ÃO , Márci o. Como conhecer uma seit a. São Paulo: O A rado, 200 6, p. 6.
3 M AR TIN, W alt er. O império d as se itas. 2. ed. Belo Ho riz onte: Betãnia, 1992 , p. 11, vol. 1.
4 MC D OW EEL, Josh; S TEWART, Don. Entendendo as seitas, um m anua l das reli giões de hoje. São P aulo:
Can deia, 1992, p. 9.
5 VA N B AA LEN , J.K. O caos d as seitas: um estudo sobre os “ism os" m odernos. São Paulo: Imp rensa Batist a Regu lar, 1986 , p. 282.
6 SILVA, Esequias Soares da. Com o responder às Testemu nhas de Jeov á. São P aulo: Candeia, 1995, p. 29, vol. 1
5. Grupo religioso que se separa de uma religião estabelecida, devido ao carismatismo e pregação de um ex-
líder local, que geralmente alega ter revelações advindas diretamente do céu.7

1.1 CARACTERÍSTICAS DE UMA SEITA


Não é difícil para um cristão sincero identificar um a seita. Existem várias características doutrin árias que,
de pronto, com um conhecimento mediano da Bíblia, podem ser refutadas. Tipicamente, as seitas dão ênfase a
novas revelações “recebidas de Deus”, negam a autoridade única da Bíblia, negam a Trindade santa, possuem
uma visão desvirtuada de Deus e de Jesus Cristo, ou ainda rejeitam a salvação pela graça.
Outro fator determinante para a identificação de uma seita, além das características doutrinárias, são seus
indícios sociológicos, que incluem o autoritarismo, o dogmatismo, as mentes fechadas, as susceptibilidades, o
isolamento e até mesmo o antagonismo. Além desses fatores doutrinários e sociológicos, existem ainda outros
de ordem moral a serem considerados. E comum às seitas o legalismo (conjunto de regras obrigatórias para seus
devotos), a perversão sexual, a intolerância, etc., entretanto é salutar dizer que para identificar uma seita não é
preciso que ela apresente todas essas características, porém elas se am alg am am em suas mais div ersas formas.

1.2 PLURALIDADE RELIGIOSA


Para facilitar o estudo, as seitas podem ser subdivididas em pequenos grupos com características comuns, ou
ainda pelo critério de sua srcem. Dessa forma, poderíamos classificá-las em:

a) Pro fética s - srcinar am-se d e líderes que se denominaram pr ofet as;

b) Secre tas - originaram -se de alguma revelação à qual somente os iniciados teriam acesso;

c) E sp írita s - surgi ram da busca d a comunicação co m o mundo sobrenat ural; afro-brasi leiras se srci naram
das práticas mágicas africanas, trazidas ao Brasil pelos escravos;

d) O rien tais - fundamentaram-se em princípi os da r eligi osidade e filosofia japonesa, hindu e ir ania na;

e) Un icistasé-interpretada
Trindade não aceit como
am a várias
plura lidade de pessoas
manifestações na ou
de Deus unidade Divi na; qualquer referência à i déia d e
de Jesus.

Alguns estudiosos concluíram que existem ce rca de 700 seita s, enquanto ou tros afirmam que já u ltrapassaram
a faixa de 4000, porém, para o nosso estudo, devido à influência delas em nosso país, catalogaremos as mais
importantes. De acordo com essa subdivisão podemos agrupar as seitas em:

1) Proféticas: Mormonismo, Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia, Ciência Cristã, A Família
(Meninos de Deus), etc.

2) Espíritas: Kardecismo, Legião da Boa Vontade, Racionalismo Cristão, etc.

3) A fro- bra sileira s: U mbanda, Quimbanda, Candomblé, Cul tura Raciona l, etc.

4) O rien tais: Seicho- no-ie , M essiânica Mundi al, Art e M ahikar i, Hare-Krishna, Meditação Transcendent al,
Unificação (Moonismo), Perfeita Liberdade, etc.

7 M ATHER , George A .; NICHOLS, Larry A . Dici onário de religi ões, crenças e oculti smo. São Paulo: Vida, 20 00, p. 408.
5) Unicistas: Igreja Local (de Witness Lee), Igreja Eva ngélica Voz da Ver dade (Pr . Carlos Alberto Moysés),
Só Jesus, Tabemáculo da Fé (Willian Marrion Branham), Adeptos do Nome Yehoshua e suas Variantes
(Josué B. Paulino), Cristadelfianos, e ntre outros.

6) Secretas: Maçonaria, Teosofia, Rosa-crucianismo, Esoterismo, etc.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 1
1. Como a psicologia define seita?
2. Qual é o sentido b íblico de seitas?
3. Qual é o sentido atual de seitas e heresias?
4. Cite como algun s autores definiram seitas .
5. Por meio de quais características podemos conhecer uma seita?
6. Como podemos classificar as seitas?
TESTEMUNHAS
DE JEOVÁ
A vida e a existência das Testemunhas de Jeová podem ser determinadas pelo período em que o grupo foi
governado pelos cinco presidentes. Cada etapa da administração foi marcada por profecias e literaturas que nos
facilitam o estudo sistemático desse grupo.

1. Charles Taze Russell (185 2-1916)


Nasceu em Allegheny (hoje parte de Pittsb urgh), em 16 de fevereiro de 1852. Filho de pais presbiterianos,
tinha nove anos de idade quando sua mãe morreu. Em sua adolescênc ia, inconform ado com a doutrina do inferno
e da predestinação que ouvia, juntou-se à igreja congregacional por causa de seus conceitos mais liberais.
Aos dezoito anos, reuniu alguns vizinhos para juntos estudarem as Escrituras, pois, segundo ele, todas as
igrejas haviam se apostatado. O grupo recebe u o nome de “estudantes da B íblia”, que perduro u até depois de sua
morte. Russel dizia a seus discípulos que ele estava “restaurando o verdade iro cristianismo primitivo” , que havia
se corrompido por vários séculos, conforme está declarado no livro O homem em busca de Deus , no capítulo 15,
inti tulad o “Retom o ao Deus verdadeiro”, n o subtópico “Um jovem em busca de Deus”. 8
Russel ensinava que Jesus havia voltado em 1874 e, quarenta anos depois, ou seja, em 1914, tudo seria
destruído, os jude us repatriados e o m ilênio seria implantado na Terra.9 Escreveu uma série de livros conhecidos
como “Aurora do Milênio”, sendo posteriormente chamados de Estudos das Escrituras. O ano de 1914 chegou e
nada do que foi profetizado ocorreu. Russel escreveu vários artigos se justificando, entretanto houve um grande
desapontamento por parte dos “estudantes da Bíblia”, que se desligaram do grupo. Dois anos após a profecia da
volta de Cristo, Russel veio a falecer.

2. Joseph Franklin Rutherford (1869-1942)


Nasceu nu ma fazenda no Condado de Mo rgan, Missouri, EUA, filho de pais batistas. Em 1894 teve seu
primeiro contato com os escritos de Charles Taze Russell, vindo a filiar-se aos Estu dantes da Bíb lia somente em
1906. Assumiu a liderança do grupo após a morte de Russel. Foi eleito como segu ndo presidente em 06/01/1917.
Sob sua liderança o grupo adotou o nome de “Testemunhas de Jeová”, em 1931, baseado no texto do profeta
Isaías, que diz: “Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e o meu servo, a quem escolhi; para que o
saibas, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de
mim nenhum haverá” (Isaías 43.10).
Rutherford deu grande impulso ao crescimento das Testemunhas de Jeová por meio de distribuição de livros
e revistas. Foi em suas gestão que foi lançada a revista The Golden Age (a idade de ouro), em 1919, atualmente
conhecida como Despe rtai! . Publicou vários livros: Milhões que agora vivem ja m ais morrerão (1920), Criação
(1927), Jeov á (1934), Riquezas (1936), Inimigos (1937), Religião (1940), Filhos (1941) e outros, além de
centenas de livretos. Várias reinterpretações da doutrina e das Escrituras marcaram a sua administração.10
Contrariand o seu antecessor, Rutherford remarcou a data do juízo para o ano de 1918, o que também
não ocorreu. Alterou essa data para 1925, conforme se pode verificar no livro Milhões que agora vivem jamais
* Em outra de suas li terat uras podem os aferi r esse entendi mento: “Su as crenças e seus métodos não sã o novos, são an tes uma restauração do
cristianismo primitivo" (Raciocínios à base das Escrituras, p. 388).
9 An uário da s Testemunh as de Jeov á de 1976, p. 37.
10 SOA RES, Ezeq uias. Heresias e mo dismos: um a an álise das sutilezas de Satanás. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 150.
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I HERESIOLOGIAÍ
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morrerão (1923, em p ortuguês), no qual ele afirmava que os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó e m uitos outros fi éis
do Antigo Testamento ressuscitariam nesse ano profetizado por ele, conforme está escrito:

Portanto, podemos seguramente esperar que em 1925 marcará a volta às condições de perfeição
humana, de Abrahão, Isaac, Jacob e os antigos prophetas fieis, especialmente esses mencionados
pelo Apostolo no capitulo onze de Hebreus. Baseado nos argumentos até aqui apresentados, isto é,
que a ordem velha das cousas, o velho m undo está se findando e desaparecendo, e que a nova ordem
ou organização está se iniciando, e que 1925 será a data marcada para a ressurreição dos anciões
dignos e fieis, e o principio da reconstrucção, chega-se à conclusão razoável de que milhões dos
que vivem agora na terra, ainda estarão vivos no an no de 1925 (Milhões que ag ora vivem, 1923, p.
112 e 122).

Para recepcionar os patriarcas ele comprou uma enorme mansão em San Diego, Califórnia, chamada de “Bete
Sarim” (que significa “Ca sa dos Príncipe s”) .11 Foi ele quem divid iu as Testemunhas de Jeová em duas classes: os
144 mil que reinariam com Cristo e a “grande multidã o” que habitaria para sem pre no paraíso na Terra. Morreu com
72 anos de idade, na mansão que havia comprado para receber os patriarcas, que não ressuscitaram em 1925.

3. Nathan H omer Knorr (1905-1977)


Nathan Hom er Knorr nasceu em Bethleh em , Pensilvânia, EUA, em 23 de abril de 1905. A os 16 anos afiliou-
se na Congregação Allentown dos Estudantes Internacionais da Bíblia (nome que as Testemunhas de Jeová
tinham antes de 1931). Em 1922 assistiu ao congresso em Cedar Point, Ohio, onde decidiu abandonar a Igreja
Holand esa Reformada. No ano seguinte, em 4 de julh o de 1923, foi bat izado.
Após a morte de Rutherford em 1942, Knorr (como era mais conhecido) foi eleito como presidente em
13/01/ 1942. Assim como seu antecessor, dem onstrou a sua habilidade a dministrativa. Sob a sua lideran ça houve
um grande crescimento em número de membros, construções e publicações, “passando de 115.000 para mais de
2 milhões de m embro s em 207 p aíses” .12
Como seus antecessores, ele também alterou o dia da volta de Crist o, que passou a ser esperada para o ano de
1975. Este ano chegou, bem como o fracasso de sua profecia, resultando em desilusão e desistência de muitos
dentro do movimento.
Em 1950, ainda sob a sua administração, foi produzida sua própria t raduçã o do Novo Testamento conhecida
como Tradução do Novo Mundo das Escrituras Cristãs Gregas, em inglês. Mais t arde foi publicada com a versão
do Antigo Testamento, que recebeu o nome que perdura até hoje: Tradução do Novo Mundo das Escrituras
Sagradas. Knorr faleceu em 08 de junho de 1977.

4. Frederick Willian Franz (1893-1992)


Nasceu em Covingto n, Kentucky, nos EUA, em 12 de setem bro de 1893. Ingressou na Univ ersidade de
Cincinnati em 1914, no curso de humanidades, com o desejo de ser pastor presbiteriano, entretanto, ao ler as
obras Estudos das Escrituras, de Russell, decidiu unir-se aos Estudantes Internacionais da Bíblia, desligando-se
da Igreja Presbiteriana.
Era vice-presidente da Sociedade quando ocorreu a morte de Knorr. Foi eleito presidente da organização

duas semanas
revogou depoisdos
a proibição da morte de seudeantecessor,
transplantes órgãos, quecom a idade
até então eradeproibi
83 anos. do.
Contradizendo seu antecessor,
Com o entendimento Franz
de “uma geração”
equivalente ao período de 80 anos, ele dizia que todos os que nasceram em 1914 viriam o “fim do sistema de
coisas e a vinda do Armagedom” no ano de 1994. Mais uma vez, o “canal de comunicação de Jeová” falhou.
Franz morreu sem presenciar o fracasso de sua profecia em 22 de dezembro de 1992.
11 Veja o l ivr o Salvaçã o, publi cado em 1940, p. 275-27 6.
13 M CDO W ELL, Josh; ST EWART, Don. O s engan adore s. São Paulo: Cand eia, 2001 , p. 79.
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| HERESIOLOGIA

5. Milton George Henschel


Em 30 de dezembro de 1992, Milton George Henschel foi eleito como 5.° Presidente das Testemunhas de
Jeová, como sucessor de Frederick Franz. Henschel exerceu seu ma ndato de presidente até 7 de outubro de 2 000,
quando ocorreu uma reorganização na liderança das Testemunhas de Jeová. Sua gestão também foi marcada por
muda nças
em 2 de doutrinárias,
março de 2003. como, por exemplo, o conceito de serviço militar e a geração de 1914. Henschel faleceu

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 2
1) Quem foi o fundador das Testemunhas de Jeová? Como eram cham ados no i nício de suas atividades?
2) Em que ano, segundo Russel,ocorreria o Arm agedom?
3) Quem foi o segundo presidente e o que ocorreu em 1931?
4) Quem foi o terceiro presiden te e em que data e le profetizou que Cristo voltaria?
5) Quem foio quarto presidente e o que ele predisse para o ano de 1994?
6) Quem foi o quinto preside nte d a organização ?

2.1DOUT RINAS
Como os presidentes das Testemunhas de Jeová foram prolixos escritores, temos um vasto material “profé
tico” pelo qual podemos analisar suas crenças e doutrinas. Suas inúmeras diferenças com o cristianismo primi
tivo são patentes em todas as suas obras, portanto a maneira mais fácil de conhecer o sistema doutrinário das
Testemunhas de Jeová é mostrar suas diferenças com o ensino apostólico. Suas negações doutrinárias afastam
qualque r idéia de que elas façam parte do Corpo visível de Cristo na Terra. Por meio de suas negações, podem os
averiguar seu corpo doutrinário. Vejamos:

1) Negam a Trindade;
2) Negam a divindade de Cristo (ponto de vista ariano);
3) N egam a person alidade do E spírit o Santo (considerado c omo “força ativa de D eus'5);
4) Negam a Redenção;
5) Negam a ressurreição corporal de Cristo;
6) Negam a salvação pela graça por meio da fé;
7) Negam a salvação fora de seu grupo religioso;
8) Negam o inferno (proclamam que o aniquilamento é o seu destino);
9) Negam a volta visível e corporal de Crist o.

Para que não restem dúvidas de que as Testemunhas de Jeová são uma seita, explanaremos uma por uma das
negações desse grupo comparando com as Escrituras Sagradas. Além desses ensinos, as Testemunhas de Jeová
rejeitam a transfusão de sangue, a prestação de serviço militar , cantar o hino nacional e o juram ento à bandeira,
este último considerado um ato de idolatria. Os feriados e celebrações, como o natal, páscoa e aniversários, são
rejeitados por serem considerados de srcem pagã.
Portanto, iniciaremos nossos estudos, todos fundamentados, para que qualquer pessoa possa averiguar os
fatos aqui declarados e chegar ao conhecimento da verdade. Utilizaremos as literaturas das Testemunhas de
Jeová, visto que são ensinadas que qualquer literatura que não for publicada por sua denominação é apóstata,

CURSO DE TEOLO GIA


r^- - ’ —
| HERESIOLOGIAI

portanto deve ser rejeitada, pois o único canal de comunicação de Deus na Terra é o Corpo Governante das
Testemunhas de Jeová, que se pronuncia por meio da revista “A Sentinela”.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Cite cinco doutrinas das Testemunhas de Jeová que contrariam as Escri turas.

2) Como é consi derado o juramento à bandeira pel as Tes temunhas de Jeová?


3) Segundo as Testemunhas de Jeo vá, quem é o porta-voz de Deus na Terra?

2.2 CORPO G OV ER NAN TE


Conforme já foi dito, Russel entendia que ele fora chamado para restaurar o cristianismo bíblico e primitivo,
que havia se apostatado. Como “porta-voz de Deus”, disse que Jesus, no ano 33, havia escolhido e separado um
grupo especial de obreiros chamado de “escravo fiel e discreto” para alimentar seu rebanho. Para Russel, essa
classe especial era denom inada de “ungidos” , també m conhec idos como “pequen o rebanho” . Por “revelação” foi -
lhe informado que essa classe esp ecial teve de ser interromp ida devido à apostasia que sobrev eio à Igreja depois
da morte do apóstolo João, sendo retomad a em 1870 com seu cham ado para restaurar o verdadeiro cristianismo.
Foi a partir desse entendimento que Russel dividiu seu grupo em duas partes: os 144.000, que reinariam com
Cristo, e a “grande multidão”, que também iria para os céus, porém ocuparia posições inferiores.
Rutherford alterou radicalmente esse ensino de Russel ao declarar que em 1935 foi encerrada a chamada
celestial e daquele ano em diante seus associados estavam divididos em dois grupos: os 144.000 “ungidos” que
irão para o céu e a “grande multidão” que habitará n a Terra.
Se a chamada celestial começou em 33 d.C., como ficaria a situação dos fiéis do Antigo Testamento? As
Testemunhas de Jeová respondem: habitarão para sempre no paraíso na Terra. E não somente isso: para todos os
que nasceram depois de 1935 resta-lhes apenas a espe rança terrestre, pois a chamad a celestial terminou em 1935.
Que evangelho diferente daquele anunciado por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!
Pois bem, segundo este entendimento que acabamos de explanar, as Testemunhas de Jeová entendem e se
submetem a um grupo seleto de obreiros que recebe m orientação e direção teocrática. Em um a de suas li teraturas
encontramos a seguinte declaração:

Esta organização
da atualidade que evangelizadora mundial
talvez seja exigida pelas não
leis édosmodelada
governossegundo
políticosnenhuma sociedade
dos homens, civil
que agora
enfrentam a destruição na “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”, no Har-Magedon.
(Rev. 16:14-16) Nenhuma sociedade civil da terra amolda a organização evangelizadora, nem a
governa. Antes, esta governa tais sociedades como meros instrumentos temporários, úteis para a
obra do grande Teocrata. Por isso é modelada segundo o Seu objetivo para ela. E uma organização
teocrática, regida do Alto divino para baixo, e não das fileiras para cima. Os membros dedicados
e batizados dela estão sob a Teocracia! As sociedades civis, terrenas, deixarão de existir quando,
dentro em breve, perecerem o s governos humanos q ue lhes concedem alvará (grifo nosso ).13

Observe esta afirmação: “É uma organização teo crática, regida do Alto divino para baixo” . O termo “teocrá tico”
significa dizer que são governada s por Deus. A liderança das Testemunhas de Jeová conseg uiu inculcar na cabeça
de seus seguidores que eles são os “únicos representantes de Deus na Terra”. Interpretando o texto de Mateus
24.45, que diz: “Qu em é, pois, o servo fiel e prudente , a quem o senhor confiou os seus conse rvos para dar-lhes
o sustento a seu tempo” e Lucas 12.42: “Disse o Senhor: Quem é, pois, o mordomo fiel e prudente, a quem o
senhor confiará os seus conservos para dar-lhes o sustento a seu tempo?”, o Corpo Governante afirma que eles
são os remane scentes do “escra vo fiel e discreto” do qual falou Jesus. Assim, esse grupo seleto seria o porta-voz

13 A S entinela, 1° de junho de 1972, p. 338 .


e único canal de comunicação entre Jeová e o homem.
Diante de tamanha responsabilidade, este “canal de comunicação de Jeová” afirmou que ninguém é capaz de
conhecer a Bíblia sem sua orientação, como se lê em uma de suas literaturas:

Mas, Jeová Deus proveu também sua organização visível, seu “escravo fiel e discreto”, composto

dos ungidos com


corretamente o espírito,
a Bíblia para ajudar
na sua vida. A menososque
cristãos em todas
estejamos as nações
em contato comaeste
entender
canal dee com
a aplicar
unicação
usado por Deus, não avançaremos na estrada da vida, não importa quanto leiamos a Bíblia (grifo
nosso - A Sentinela de Io de agosto de 1982, p. 27).

E bom que se saiba que o texto que fala sobre o “servo fiel e discreto” (Mateus 24.45; Lucas 12.42) é uma
parábola de exortação à vigilância e não um a profecia. Isso elimina totalmente qu alquer pretensão do Corpo
Governante. Para piorar ainda mais a situação, quando assim procedem, eliminam qualquer ajuda do Espírito
Santo para lhes auxiliar a compreensão das Sagradas Escrituras, conseqüentemente ficam dependentes de um
grupo de homens autoritários que se colocam no lugar de Deus.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Como fico u conhecida a cl asse especi al criada
por Russel?
2) Segundo Russel, quand o se iniciou a cham ada celesti al e quando foi retomad a?
3) O que Rutherford ensinou s obre a chamada celest ial?

2.3 TRINDADE
Russel, fundador das Testemunhas de Jeová, alegou que a doutrina da Trindade é de srcem pagã, satânica,
que maculav a a unicidade do Deus ver dade iro.14 Suas literaturas são fartas de declarações sobre suas posições
sobre tal doutrina:

“A doutrina da Trindade desonra o único Deus verdadeiro e confunde as pessoas, desviando-as de um Deus
que não conseguem c omp reende r” (A Sentinela, 15/08/1999, p. 13) ;

“Eles não escondem a identidade de Deus atrás duma máscara de anonimato ou atrás da doutrina misteriosa
e inexplicável da Trindad e” (A Sentinela, 01/05/1997, p. 18).

“As Testemunhas de Jeová não crêem na Trindade nem em outras doutrinas não-bíblicas da cristandade”
(Anuário 20 00, p. 24).

“Os que aceitam a Bíblia como a Palavra de Deus não adoram a Trindade que consiste de três pessoas, ou
deuses, em um só. De fato, a palavra ‘Trindade’ nem aparece na Bíblia. O Deus verdadeiro é uma só Pessoa,
distinta de Jesus Crist o. (João 14:28; 1 Coríntios 15:28) O espírito santo de Deus não é uma pessoa. E a força
ativa de Jeová, usada pelo Todo-Poderoso para realizar seus propósitos. — Gênesis 1:2; Atos 2:1-4, 32, 33; 2
Pedro 1:20, 21” (Conheci mento que conduz â vida eterna, p. 31)
Esta últi ma declaração evidencia a forma pela qual as Testemunhas de Jeová concebem cada pessoa da divindade.
Seus adeptos insistem em afirmar que é errado crer na Trindade, argum entand o que é uma dou trina apóstata inspirada
pelo diabo e que resultou da influência do paganismo egípcio e babilônico sobre o cristianism o.15
14 M ENEZES, A ldo. As Testem unhas de Jeo vá e a Trindade. São P aulo: Vida , 2003, p. 7.
19 SO AR ES, R. R. Os p rofetas das gran des re ligi ões. Rio de Jane iro: Gra ça Ed itori al, s. d., p. 120.

CURSO DE TEOLO GIA


O estudo da natureza de Deus por si só desafia a nossa inteira compreensão, entretanto a doutrina da Trindade
é uma das grandes revelações que o Deus Todo-poderoso trouxe à compreensão humana. Não podemos rejeitar
de imediato tal investigação só porque a palavra Trindade não se encontra nas Escrituras. Cabe ao pesquisador
averiguar os fatos para chegar a uma sentença. Portanto, partiremos do princípio de que a doutrina da Trindade é
uma verdade até que se prove o contrário.
A palavra Trindade não se encontra nas Escrituras, porém foi e é usada para designar a tríplice manifestação do
único Deu s. Foi empre gada pe la primeira vez po r Tert ulia no,16já no final do século II d.C., todav ia isso não quer dizer
que essa doutrina não exista e, muito menos, que não seja bíblica. Outros termos t ambém não aparecem nas Escritur as,
como onisciência, onipresença e onipotênci a, mas quem seria capaz de afirmar que Deus não sabe tudo, que não está
em todos os lugares ou ainda que não tenha todo poder! As Testemunhas de Jeová o fazem. Embora reconheçam a
onipotência de Jeová, o Corpo Govern ante nega sua onipresença: “O verdadeiro Deus não é onipresente, porque se fala
dele com o tendo localização. El e é onipotente, sendo o Deu s Todo-poderoso” .17Assim o Todo-pode roso não pode estar
em vários lugares ao mesmo tempo, ele está confinado no céu, como diz outra de suas publicações:

Na realidade, por ensinar que Deus é onipresente , a cristandade confundiu a questão e tomou mais difícil para
Deus ser enca rado como real por seus adorado res. Como é que Deus pode estar present e em todo lugar ao mesmo
tempo? Deus é uma Pessoa espiritual, o que significa que não tem um corpo material, mas sim um espiritual.

Será que um espírito tem corpo? Sim, po is lemos: ‘Se há corpo físico , há também um espiritu al.’ (1 Cor. 15:44;
João 4:24) D eus co mo indivíduo, como Pessoa c om um corpo es piri tual , tem um lugar de resi dência, e assim não
poderia estar em qualquer outro lugar ao mesmo tempo.

Quão diferente é o deus das Testemunhas de Jeová do Deus da Bíblia! Para os trinitarianos (os que defendem a
Trindade), existe um Deus em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; não são três deuses, mas um só Deus.
O credo Atanásio deixa claro esse argumento repetidas vezes: “A fé católica consiste em adorar um só Deus em
três Pessoas e três Pessoas em um só Deus. Sem conf undir as Pessoas nem separar a substância. Porqu e uma só é a
Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito
Santo, igual a gl ória, coete ma a m ajestade” .18O Deus adorado pelos trinitarianos é o Deus único e exclusivo, nã o há
outro deus. Jesus não é outro deus lado a lado com Deus; Ele é Deus, juntamente com o Pai e o Espírito Santo.
Outro aspecto relevante sustentado pelos trinitarianos é o fato de Deus ser infinito, único, que transcende os
limites do espaço e do tempo, que não possui corpo m aterial nem espiritual, a não ser o corpo que o Filho tomo u
sobre si ao tomar-se hom em: “Vede as minhas m ãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e ved e, pois um
espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Lucas 24.39).

2.3.1 A Trindade no Antigo Testamento


O Antigo Testamento preparou o caminho para a revela ção de Deus em três pessoas, assim não se eviden cia com
tanta clareza a doutrina da Trindade. Deus não mo strou sua triunidade para um povo rodeado de nações politeístas;
era necessário que os israelitas (que também eram idólatras incorrigíveis) primeiramente conhecessem a unicidade
e a singularidade de Deus para que, depois de terem c onvicção qua nto a isso, pudessem aprende r a respeito do Fi lho
e do Esp írito Santo. Não foi na da fácil para os jud eu s tal lição, o que perdura até os dias atuais.
O primeiro nome de Deus que aparece no Antigo Testamento é Elohim (Myhla), plural de Eloah (n^X). O
nome no singular
primeira vez nasocorre 57 vezes
Escrituras comnoesse
hebraico,
nomeenquanto no plural
em Gênesis 1.1: ocorre 2.498 vezes.
“No princípio, DeusDeus
criou é apresentado
(Elohim —pela
DYíSn) os
céus e a terra”. Aqui o verbo apresenta-se no singular (criou) e o sujeito no plural (Deus), com isso revelando a
unidade composta de Deus na triunidade.

16 SILVA, Esequias Soares d a. Com o responder às Testem unhas de Jeo vá. São Paulo: Candeia, 19 95, p. 158, vol. 1 .
17 Estudo p ersp icaz, vo l. 1, p. 69 0-6 91 .
18 Ve ja no M ód ulo 1, Cred os, cap . 11.

CURSO DE TEOLOGIA
Encontramos outro exemplo da manifestação da unidade composta de Deus na criação do homem: “E disse
Deus: Façamos o homem à nossa imagem , conforme a nossa semelhança ...” (Gênesis 1.26). As três pessoas
da Trindade estão presentes na criação; o Filho criou t odas as coisas (João 1.1-3; Colossenses 1.16), da mesm a
man eira o Espírito Santo (Jó 33.4; Salmos 104.30), assi m como o Pai (Provérbios 8.22-30).

2.3.2 A Trin dad e no Novo Testamento


• No Novo Testamento o que era implícito se tom a explícito, a revelaçã o da unidade compo sta de Deus s e
toma patente. Cada pessoa da divindade surge separada, sendo exposta com maior clareza aos fiéis, na
plenitude dos tem pos, na pessoa do Filho (Gálatas 4.4). O Pai, o Filho e o Espírito Santo aparecem no
No vo Testamento como o Deus unive rsalm ente reconhecido entre os crentes.
• Há várias ci tações na Palavra de Deus que declaram a unicidade de Deus ( 2 Reis 19.1 5; Neem ias 9.6 ;
Salmos 83.18; 86.10; Isaías 43. 11; 1 Coríntios 8.6; Gálatas 3.20; Efésios 4.6, et c.), entretanto, por meio
da revelação progressiva, o único Deus se revela como uma unidade composta de três pessoas distintas.
Por meio da comparação podemos concluir que existe uma unidade composta nas Escrituras para a
divindade:

A trib u to s Pai F i lh o Espírito Santo


Onipresença ím taia s 2 3.24 Efésios 1.20-23 Salmos 139.7

O n ip o tên cia G ê ne sis 17.1 Apocalipse 1.8 Romanos 15.19

Onisciência Atos 7 João 21.17 1 Corínti os 2.10

Capacidade de Criar Gênesisí.l João1.3 Jó 33.4

Eternidade Romanotff&jgf?^ Apocalipse 22.13 Hebreus 9.14

Santidade Apocalipse 4.8 Atos 3.14 1João 2.20

Santificador João 10.36 Hebreus2.11 1 Pedro 1 .2

Fonte de vida eterna Romanos6.23 João 10.28 Gálatas 6.8

Inspirador dos profetas Hebreus 1.1 2 Coríntios 13.3 Marcos 13.11

Deus Êxodo 20.2 João20.28 Atos5.3-4

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que Russel disse a respeito da doutrina da Trindade?
2) Onde se encontr a a palavra Tr indade na Bíbl ia? Quem criou este termo?
3) Descreva em poucas palavras a doutrina da Trindade no Antigo e no Novo Testa mento .
4) Cite alguns atributos da divindade que ao mesm o temp o se referem ao Pai, ao Filho e ao Espírito Sa nto.
*

1HERESIOLOGIAI

2.4 JESUS
Quem se depara com uma Testemunha de Jeová e lhe questiona sobre a pessoa de Jesus poderá ouvir que
ela “tem fé muito forte em Jesus Cristo” .19 Entretanto, o conceito desse grupo sobre Jesus Cristo em nada se
assemelha à do cristianismo bíblico e histórico.
O Jesus das Testemunhas de Jeová foi a primeira criação de Jeová, um anjo que recebeu o nome de Miguel
e o título de arcanjo. É “um deus”, assim como Satanás, no sentido de ser poderoso, porém jamais “Todo-
poderoso” como Jeo vá, como está escrito: “Visto que a Bíblia cham a humanos, anjos, e até mesmo Satanás de
“deus[es ]”, ou poderosofs], o superior Jesus no céu pode corretam ente ser chama do de “deu s”.20N a Tradução do
Novo Mu ndo, a Bíblia das Testemunhas de Jeová, Jesus é cham ado de “deus” (com d minúsculo mesmo) para
diferenciá-lo do Deus Jeová. Morreu numa estaca (não numa cruz), ressuscitou em espírito (não fisicamente) e
voltou invisivelmente em 1914.
O Jesus das Testemunhas de Jeová é outro Jesus, mais precisamente um arcanjo, como se lê em uma de suas
literaturas: “Jeová criou querubins, serafins e muitos outros anjos para fazerem a sua vontade nos céus. Jesus
Cristo é o Arcan jo sobre e acima de todos esse s” (grifo no ss o) .21
A Palavra de Deus não perm ite novos ensinam entos que possam alterar seu conteúd o ou fazer-lhe acréscimos.
O apóstolo Paulo disse: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do
que já vos a nunciamos, se ja anátema” (Gálata s 1.8).

Saber quem
concepção , tem ésido
Jesus é tão importante
a história da prepar quanto
ação pasaber o quedeEle
ra a vinda fez.Cristo.
Jesus A história dos seres
O Antigo humanos,prediz
Testamento desdeessa
sua vinda
po r m eio de tipos, sím bolos e profecias diretas. A p reservação de seu povo, Israel, é uma história de expectativa,
de anseio e de preparação.
A pessoa de Jesus Cristo perturbou tanto os jud eu s quanto os gregos. Para m oldá-lo nas suas categorias usuais,
os primeiros diziam que Jesus não passava de um comum mortal, inspirado por Deus, como foram os outros
profetas; os últimos, “senhores do saber”, sustentavam que Ele tinha um corpo só aparente, mas na realidade
continuava um ser inteiramen te divin o. O fato é que nem aos religiosos jude us, nem aos filósof os gregos foi dada
a notícia do nascimento do Salvador, mas às pessoas simples e humildes do campo: “Havia, naquela mesma
região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite. E um anjo do
Senhor desceu onde eles estavam, e a glória do Senhor brilhou ao redor deles; e ficaram tomados de grande
temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-n ova de grande alegria, que o será para todo
o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2.8-11).
Os evangelhos descrevem-no como um homem real, que comia e bebia, que conheceu a alegria e a dor, a
tentação e a morte sem nu nca ter pecado, porém perdoav a os pecadores, como só Deu s pode perdoar, e por isso a
cristandade recon hece em Jesus de Naza ré o Filho de Deus, a Palavra do Eterno, o Deus bendito que veio buscar
e salvar o que se havia perdido.
Que Jesus Cristo era o próprio Deus na Terra fica notório nas várias declarações que seus discípulos
transcreveram sobre sua pessoa:

“No princ ípio era o Verb o, e o Ve rbo estava com Deus, e o Verb o era Deus. Ele es tava no princípio co m Deus.
Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.1-3).

“Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também
dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5.18).

19 Raciocínios à b ase d as Escrituras, 1989, p. 220.


20 Deve -se crer na T rinda de?, p. 29.
21 Idem, p. 40.
“Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem. Respondeu-lhes
Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual dessas obras me apedrejais? Os
judeu s responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejam os po r alguma ob ra boa, mas p ela blasfêmia, porque, sendo
tu homem, te faze s Deus a ti mesmo ” (João 10.30-33).

“Aguardando
Cristo” (Tito 2.13).a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesu s

“Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela
justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 1.1).

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Quem é Jesus para as Testemunhas de Jeová?
2) Como Jesus é chamad o na Bíbli a das Testemunhas de Jeová?
3) O que a Bíblia diz de Jesus?

2.5 O ES PÍRITO SANTO


Conforme já foi dito no início deste estudo, na administração de Knorr foi feita a tradução da Bíblia para
o inglês, chamada de “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas”, que se tomou a Bíblia oficial das
Testemunhas de Jeová. A primeira referência ao Espíri to Santo nesta Bí blia é apresentada assim: “... a terra
mostrava ser sem forma e vazia, e havia escuridão sobre a superfície da água de p rofundeza; e a força ativa de
Deus movia-se p or cima da superfície das águas” (Gênesis 1.2, gri fo nosso).
Em suas literaturas encontramos declarações idênticas, que negam a divindade e a personalidade do Espírito
Santo, tratando-o com o uma “fo rça ativa de Jeov á”, 22 um poder, uma influência di vina, sem vontad e própria.
Entretanto, as Escrituras ensinam claramente que o Espírito Santo é Deus porque possui natureza divina. Ele é
identificado como a terceira pessoa da Trindade, igual ao Pai e ao Filho. Ele é eterno, onipotente, onisciente e
onipresente (Mateus 28.19). Como pode o Espírito Santo não ser Deus, sendo eterno, onisciente, onipotente e
onipresente? Fica eviden te por esses atributos que o Espírito Santo é Deus e também uma pessoa. H istoricamente

os arianos,
grupos sabelianos
sempre e socinianos consideravam
foram considerados heréticos pela oIgreja.
Espírito Santo como uma força que vem de Deus, mas esses
A grande confusão que as Testemunhas de Jeová fazem reside no fato de não sab er diferenciar o que é ser uma
pessoa e po ssuir um corpo. Quando falam os que o Es pírito é uma pessoa, alguns de forma errada interpretam
que se Ele fosse uma pessoa teria, necessariamente, que possuir uma forma corpórea. Entenda, é consenso
entre os cristãos que Deus Pai seja uma pessoa, embora as Escrituras afirmem que ninguém jamais o viu (João
1.18; 1 Timóteo 6.16). Se Ele é uma pessoa, mesmo que não tenha sido visto, logo uma pessoa não precisa
necessariam ente possuir um corpo, desde que possua atributos de um a pessoa. Da mesma forma, o Espírito Santo
possui todos os atributo s de uma pessoa, apesar de não ser visível, logo ele é uma pessoa.
Vejamos provas bíblicas de que o Espírito Santo é uma pessoa, pelas atribuições que a Palavra de Deus faz a
Ele, que só podem ser praticados por pessoas:

a) O Espírito Santo fala: “...pois não serão vocês que estarão falando, mas o Espírito do Pai de vocês falará
por intermédio de vocês” (Mateus 10.20; Atos 8.39; Atos 10.19-20; Atos 13.2; Apocalipse 2.7);

b ) O Espírito Santo sonda as coisas profundas de De us Pai: “O Espírito sonda t odas as coisas, até mesmo as
coisas mais profundas de Deu s” (1 Co ríntios 2.10);

M Poderá v iver para sem pre no para íso na terra, ed. 198 3, p. 37.

CURSO DE TEOLO GIA


*■* v. i
^ r -•Ti-ã'
4-„.-

I HERESIOLOGIAI

c) O Espírito Santo ensina: “Quando você s forem levados às s inagogas e diante dos governantes e das auto
ridades, não se preocupem com a forma pela qual se defenderão, ou com o que dirão, pois naquela hora o
Espírito Santo lhes ensinará o que deverão dizer” (Lucas 12.12; João 14.26; 1 Coríntios 2.13);

d ) O Espírito Santo conduz e guia: “Mas quando o Espírito da verdade vier ele os guiará a toda a verdade.
Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está po r vir” (João 16.13; Ro
manos 8.14);

e) O Espírito Santo i ntercede: “Da mesm a forma o Espíri to nos aj uda em nossa fraqueza, pois não sabemos
como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os
corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a von
tade de Deus” (Romanos 8.26-27);

f) O Espírito Santo dispensa dons: “A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito, visando ao bem
comum. Pelo Espírito, a um é dada a palavra de sabedoria; a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra de
conhecim ento; a outro, fé, pelo mesmo Espírito; a outro, dons de curar , pelo único Espírito; a outro, poder
para operar milagres; a outro, profecia; a o utro, discernim ento de esp íritos; a o utro, variedade de línguas;
e ainda a outro, interpretação de línguas. Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único
Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, como quer” (1 Coríntios 12.7-11);

g) O Espírito Santo chama homens para o seu serviço: “Enquanto adoravam o Senhor e jejuavam, disse
o Espírito Santo: Separem-me Bamabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” (Atos 13.2; Atos
20.28);

h) O Espírito Santo se entris tece: "Nã o entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram sela
dos para o dia da redenção” (Efésios 4.30);

i) O Espírito Santo dá ordens : “Paulo e seus comp anheiros viajaram pela região da Frigia e da Galácia, tendo
sido impedidos pelo E spírito Santo de pregar a palavra na província da Ásia. Quando chegaram à fronteira

da Mísia, tentaram e ntrar na Bitíni a, mas o Espírito de Jesus os impediu” (Atos 16.6-7);
j ) O Espírito Santo ama: “Recomendo-lhes, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito,
que se unam a mim em minha luta, orando a Deus em m eu favor” (Romanos 15.30);

k) O Espírito Santo pode ser resi stido: “Povo rebe lde, obstinado! De coração e de ouvidos! Vocês são iguais
aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo!” (Atos 7.51) ;

1) O Espírito Santo fortalece as igr ejas: “A igrej a, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria,
edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número”
(Atos 9.31).

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que dizem as Testemunhas de Jeová com relação ao Espíri to Sant o?
2) Qual a diferença entre ser pessoa e possuir corpo?
3) Cite algumas atribuições que a Palavr a de Deus faz ao Espí rito Santo que só podem ser praticadas por pessoas.

-'CURSO DE TEOLO GIA


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«} HERESIOLOGIA

2.6 RESSURREIÇÃO DE CRISTO


Segundo a teologia das Testemunhas de Jeová, Jesus não ressu scitou com o seu corpo do sepulcro. Dizem que
“...sua volta nunca poderia ser com o corp o hum ano” .23Alegam que Jesus não po deria subir ao céu em um corpo
físico. Assim como os espíritas kardecistas, ao negarem uma doutrina bíblica são obrigados a inventar absurdos
para encobertar seus desvios doutrinários. Quanto ao que aconteceu com ao corpo carnal de Jesus, diz em que:

Jeová achou bom remover o corpo de Jesus, assim como fizera antes com o corpo de Moisés. (Deuteronômio
34:5, 6) Também , se o corpo tivess e ficado no túmulo, os discípulos de Jesus nào poderi am ter entendido que ele
havia sido ressuscitado, visto que naquel a época não entendiam plenamente as co isas espirituai s. Mas, v isto que
foi pos sível o apóstolo Tomé pôr sua mão no orifício no lado de Jesus, não most ra isso que Jesus foi ressuscitado
no mesm o corpo que foi pregado na estaca? Não , pois Jesus s implesmente se materializou , ou assumiu um corpo
carnal, como os anjos haviam feito no passado. A fim de convencer Tomé quanto a quem Ele era, Ele usou um
corpo com marcas de ferimentos (,Poderá viver para sempre no par aíso na terra , p. 144).

A morte de Cristo tem uma grande importância para os cristãos , ma s a ressurreição é a essência do cristian ismo,
pois se Jesus Cristo não tivesse ressuscitado, o Evangelho seria um engodo e a salvação uma grande farsa. A verdade é
que Jesus ressuscitou, e não só isso, seus discípulos registraram sua ressurreição, bem como a veracidade dos fatos em
seus escrit os. Lucas é preciso em seus pormenores, ao relatar a aparição de Jesus com os seguintes deta lhes:

Ressuscitou, verdadeiramente, o Senhor e já apareceu a Simão. E eles lhes contaram o que lhes acontecera no
caminho, e como deles fo i conhec ido no par tir do pão. E, faland o ele dessas coisas, o mesm o Jesus se apresen tou
no meio deles e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum
espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração? Vede
as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos,
com o ved es que eu tenho. E, dizendo isso , mostrou-lhes as mãos e os pés. E, não o crendo eles ainda p or caus a da
alegria e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então, eles apresentaram-lhe
parte de um peixe assado e um favo de mel, o que ele tomou e comeu diante deles (Lucas 24.34-43).

Segundo as Escrituras, Jesus, apareceu durante quarenta dias, no mesmo corpo físico e com as marcas dos
pregos e da lança que o transpassou o lado: “Aos quais tamb ém, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com
muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e falando do que respeita ao Reino
de Deus” (Atos 1.3).
Tomé também duvidou que Jesus tivesse aparecido aos discípulos. Oito dias depois Jesus se manifestou
novamente e disse a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mão e põe-na no meu lado;
não sejas incrédulo, mas crente” (João 20.27).
A prova de que Jesus estava com o seu próprio corpo é inegável e també m co mpro va os detalhes de sua morte.
E-nos informado, p elos anjos, que da mesm a forma que Ele subiu ao céu, de lá vol tará: “E, estando com os olhos
fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, os quais lhes
disseram: Varões galil eus, por que e stais olhando para o céu? E sse Jesus, que dentre vós foi recebido em cim a no
céu, há de vir assim com o para o céu o vistes ir” (Atos 1.11). O apó stolo Paulo nos fala que a ressurreição literal
de Cristo é a nossa maior esperança , pois se Deus pode ressu scitar a Jesus em um corpo físico e imortal , também
po derá ressuscitar o nosso. A ssim conclui o apóstolo: “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação,
e também é v ã a vossa fé” ( 1 C oríntios 15.14). A ressurreição é a prova da divindade de Cristo, do triunfo sobre
o pecado, sobre a morte e sobre Satanás. Negar esta verdade é pregar outro Evangelho.

33 Poderá v iver pa ra sem pre no p araíso na terra, p. 143.

CURSO DE TEO LOGIA '1 " : •?


-T
VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que dizem as Testemunhas de Jeová sobre a ressurreição de Jesus?
2) Qual é a importânc ia da ressurreição para os cristãos?
3) Quais são as conseqüê ncias da ressurreiçã o na vida dos cristãos?

2.7 SALVAÇÃO
O fundad or das Testemunhas de Jeová, em seu livro Estudos das Escrituras disse que “eles deve m ser recuperados
da cegueira como també m da morte, para que, cada um por si, possam ter uma chance plena de provar , por obediência
ou desobed iência, seu me recimento da vida eterna ”.24 Em outra literatura dessa seita lemos que o primeiro propó sito
de Jesus vir à Terra não foi o de morrer pelos nossos pecados, conforme declara as Escrituras: “Antes de tudo, vos
entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras (1 Coríntios 15.3;
Lucas 19.10; João 1.29; 1 Timóteo 1.15), mas sim o de “prover uma de fesa ao nome de Jeová” e, em segundo lugar,
pregar o Reino de Deus, pois “é esse reino que destruirá toda a iniqüidade e livrará o nome de Jeová de todo o
vitupério lançado sobre ele” .25 Dessa forma, as Testemunhas de Jeová foram convo cadas por Jeová prime iramente
para restaurar o nome de Deus, que foi profanado, depois pregar o Reino.
A salvação dentro do sistema Jeovista não é centrada na obra salvífica de Jesu s, mas em permanecer ligado ao
Corpo Gove rnante e obedec er às suas ordens incondici onalmente, como se pode verificar na revis ta A Sent inela:

Quatro exigências: Jesus Cristo identificou uma primeira exigência... levando em consideração... Os propósitos de
Deus referentes à terra e ao papel de Cristo como novo rei da terra... Muitos acharam a segunda exigência mais
difícil. É obedecer às leis de Deus, sim... Uma terceira exigência é que estejamos associados ao canal de Deus, sua
organização... A q uarta exigência é estar associado a ele c om lealdade. Deus requer qu e futuros vassalos do seu reino
apóiem seu go verno, enquanto advogam lealme nte as leis de s eu reino pe rante outros (A Sentinela, 15 de fevereiro
de 1983, p. 12).26

A cada momento do desenvolvimento do grupo foram aumentando os requisitos para se obter a salvação.
Primeiro tinha de provar a obediência, depois perm anece r ligado ao grupo, atualmen te, além desses, é necessário
outros mais “para ter o merecimento da salvação”, que são:

a) Ter fé em Jeová e nas suas promessas (página 250);


b) Deve haver obras (página 250, § 2);
c) Dizer em oraçã o a Deus que deseja se r servo dele, que deseja pertencer-lhe (p ágina 251, § 3);
c) Batizar-se (página 251, § 6)

Pregar e ensinar de casa em casa: “Jeová não se esquecerá de seu trabalho, mas o recompensará ricamente” (página
253, § §9 -1 1). Quanto mais se dedicar a es ta atividade, mais preeminente será a posição que se terá no futuro p araíso;
“Você precisa permanecer à organização de Jeová e fazer a vontade de Deus, a fim de receber a Sua Bênção
de vida ete rna ” (págin a 255, § 14).27
O plano de salvação foi elaborado nos céus para encurtar dois imensos abismos: a pecam inosidade do homem
e a santidade de Deus. O ponto central do plano de salvação se encontra na figura de um mediador, alguém que
pudesse colocar-se entre um Deus ofendido e um a criatura pecado ra e sem esperança, o homem. Jó entendeu
muito bem a distância que existe entre um Deus santo e um pecador miserável e concluiu: “Porque ele não é
homem, como eu, a quem eu responda, vindo juntamente a juízo. Não há entre nós árbitro que ponha a mão
24 Estudo s da s Escritura s, voL 1, p. 158.
35 Poderá vive r para sem pre no p araíso na terra, p. 60-6 1.
26 MC DOW ELL, Josh ; ST EWART, Don. Os eng anado res. São Pau lo: Cande ia, 2001, p. 93.
37 Poderá vive r para se mp re no pa raíso n a terr a, p. 250.

CURSO DE TEOLOGIA
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- ^ I HERESIOLOGIA

sobre nós ambo s” (Jó 9.32-33). O que Jó não pôde saber, nós podemos! Jesus é esse mediador, como está escrito:
“Porqua nto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, home m” (1 Timóteo 2.5 ).
Jesus Cristo é a boa nova para todo pecador e todo cristão. São boas notícias para toda a vida e eternidade.
Todos precisam dessas boas novas, e o melhor: qualquer um pode ser transformado e abençoado por elas. O plano
de salvação de Deus é tão simples que o menor dentre os filhos dos homens pode entendê-lo. Ele alcança a todos,

de modo queque
demoníacos “ninguém é tão
não possa terpecador, tão analfabeto,
essa salvação. tão vida
Nada na velho,detão
umacercado depode
pessoa hábitos
serpecaminosos
tão terrível eou poderes foi tão
ninguém
longe no pecado que não possa voltar a Deus e ser perdoado através de Jesus” . 28 O único requisito para poder ter a
salvação é a fé na obra de Cristo, ou seja, crer que Jesus efetuo u tudo o que era nece ssário para noss a salvação.29

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Para as Testemunhas de Jeov á qual seria o propósito de Jesus ter vindo à T erra?
2) Para as Testemunhas de Jeová, como se pode obter a salvação?
3) Quais são os requisitos para se obter a salvação de acordo com a s Testemunhas de Jeová?

2.8 A SEGUNDA VINDA DE CRISTO


Uma característica peculiar das seitas proféticas são suas falsas profecias. As Testemunhas de Jeová, desde
a sua fundação, sempre estiveram envolvidas com profecias que não se cumpriram. Russel foi o primeiro a
apregoa r a volt a de Cristo. Em sua obra Estudos das Escrituras ele predisse que a cristandade seria destruída em
1914, como se pode observar:

...recordemos que os anos 40 da sega judaica terminaram no ano 69 de Cristo, e foi seguido pelo derrocamento
completo de ssa nação; e igualmente os 4 0 anos da ‘idad e ev angé lica’ terminarão em outu bro de 1914, e de igual
maneira o derrocamento da cristandade, assim chamada, seguirá segundo se espera, imediatamente depois.30

Nesta mesm a obra Russel disse que a batalha do A rm agedom seria no ano de 1914:

Não nos surpreendamos, pois, se nos capítulos que seguem, apresentamos evidências de que o estabelecimento
do Reino de D eus já começou: que está indicado na profecia que dito domínio começaria a ser exercido em 1878,
e a batalha do grande dia de Deus todo-poderoso (Apocalipse 16.14), que terminará em 1914, com o completo
derrocamento das potência s atuais desse mundo, já tem come çad o.31

Seus discípulos seguem a mesma linha de raciocínio, como se pode verificar: “Na sua volta... no ano de 1914.
Conforme vimos no capítulo anterior, a evidência bíblica mostra que no ano de 1914 E.C. o tempo de Deus
chegou para Cristo voltar e come çar a dominar” .32 “Jesus voltou (tendo dirigido sua atenção com o Rei para a
Terra) e está prese nte com o glorioso es pírito .”33
A cada sucessão da presidência também havia alteração para o ano da volta de Crist o. Rutherford mudou esta
data para o ano de 1925:

28 DUEW EL, W esley L. A grand e salva ção d e Deus. São Paulo: Can de ia, 1999 , p . 12.
29 Para um melhor entendi mento do plano de salvaçã o por m eio de Jesu s Cri sto, veja no volume 3 a discipl ina Soteri ologia .
30 Estudo s d as Escrituras, v ol. II, p. 245 .
3> Idem , p. 101.
32 Poderá vive r para sem pre no p araíso na terra, p. 143, 19 3.
33 Proclam ado res do reino, p. 1 44

CURSO DE TEOLO GIA


m I HERESIOLOGIAI

Portanto, podemos seguramente esperar que em 1925 marcará a volta às condições de perfeição humana, de
Abrahão, Isaac, Jacob e os antigos prophetas fieis, especialmente esses mencionados pelo Apostolo no capitulo
onze de Hebreus. Baseado nos argumentos a té aqui apresent ados, isto é, que a ordem velha das cousas, o velho
mundo está se findando e desaparecendo, e que a nova ordem ou organização está se iniciando, e que 1925 será a
data marcada para a ressurreição dos anciões dignos e fieis, e o principio da reconstrucção, chega-se à conclusão
razoável de que milhões dos que vivem agora na terra, ainda estarão vivos no anno de 1925 (Milhões que agora
vivem , 1923, p. 112 e 122).

Depois de Rutherford foi a vez de Kno rr alterar esta d ata. Ele profetizou no ano de 1966 que o fi m do mundo
seria em 1975, conforme se verifica no li vro “Vida Eterna - Na liberdade dos Filhos de Deus” . Esta profecia,
como as outras, também não se cumpriu.
Ao contrário do que ensinam as Testemunhas de Jeová, a Palavra de Deus diz que “daque le dia e hora ninguém
sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas unicamente meu Pai... Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora
há de vir o vosso Senhor” (Mateus 24.36, 42). Jesus Cristo voltará novam ente em duas etapas: a primeira para o
arrebatamento (rapto ou retirada rápida) da Igreja: “Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os
que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá
do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão
primeiro; d epois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamen te com eles nas nuvens, a encontrar o
Senhor nos ares, e assim estarem os sempre com o Senhor” (1 Tessalonicenses 4.15-17), e na s egunda e tapa com
po der e grande glória e todo o olho o verá, como se lê: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem;
e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e
grande glória” (Mateus 24.30; Zacarias 14.4; Atos 1.11; Apocalipse 1.7). E um grande erro declarar que estes
fatos e muitos outros se cumpriram em 1914.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Em que ano Russel pro fetizou a volta de Cristo?
2) Em que ano Rutherford profetizou a volta d e Cristo?
3) Em que ano Knorr profetizou a volta de Cristo?
4) O que a Bíblia diz a esse respeito?

2.9 OS 144 MIL


É crença comum entre as Testemunhas de Jeová que apenas 144 mil irão para o céu, enquanto as demais
pessoas terão de se co ntentar em viver p ara sempre no paraíso terrestre, restaurado durante o m ilênio . Tudo isso
teve início devido às interpretações que Russel dav a às Escrituras. Segundo ele, a cham ada celestial come çou no
ano 33, no Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado nos 120 discípulos reunidos no cenáculo. Essa
chamada foi interrompida devido à apostasia que sobreveio à Igreja depois da morte do apóstolo João, sendo
retomada com a restauração do verdadeiro cristianismo, em 1870, com a chamada de Russel, o fundador das
Testemunhas de Jeová, e conclu ída em 1935, quando o segundo preside nte do grupo, Joseph F. Rutherford, deu
po r encerrada a chamada celestial.
Assim, de 1935 em diante, resta apenas a esperança de viver para sempre no paraíso na Terra para todos os
fiéis das Testemunhas de Jeová. E não s omente isso: todos os fiéis do Antigo Testamento, que m orreram antes de
33 d.C., também viverão na Terra, segundo a teologia Jeovista.
Para confirmar tal entendimento, em uma de suas literaturas encontramos a seguinte pergunta: “Quem vai
para o céu e po r quê?” , a resposta vem logo em seguida dizendo claramente que apenas 144 mil irão para o céu.34
Para ter uma idéia das diferenças entre os 144 mil e a grande m ultidão (como são c hamad os os que habitarão na
Terra) , observe o quadro abaixo:
34 Poderá viver para sem pre no para íso na terr a, p. 120.
|HERESIOLOGIA

144 mil (ungidos) Grande multidão (outras ovelhas)


Irão p ara o céu Viverão para sempre na Terra
Serão reis e sacerd otes no Reino de Deus Serão súditos no Reino de Deus
Verão a Deus Jamais verão a Deus
São irmãos de Jesus São filhos de Jesus
São filhos de Jeová São amigos e netos de Jeová
São a noiva de Cristo São amigos do noivo
Nas ce m de novo Não nascem de novo

Sem nenhum embasamento teológico, sem nenhum argumento concreto e somente baseados em um texto
do livro de Apocalipse afirmam que todos os versículos citados em forma de promessas que garantem o céu são
apenas para os 144 mil.
Diferentemente do que ensinam as Testemunhas de Jeová, nosso Senhor Jesus ensinou que o céu é para os
que crêem em seu nome, aqueles que receberam a salvação mediante sua morte e ressurreição. Antes da sua
crucificação, Ele falou das mansões celestiais não como algo impossível, mas sim real, verdadeiro e possível,
afirmando que prepararia lugar e voltaria para busc ar os seus para com Ele estar para sem pre (João 14.2-3). Jesu s
Cristo espera que confiemos em seu poder, que creiamos em suas palavras e naquilo que declarou concernente
a Deus Pai, ao homem, à vida, ao pecado, à salvação, à imortalidade, ao julgamento futuro e à glória celeste.
O apóstolo Paulo disse: “Mas nossa pátria está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus
Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz
pod er de sujeitar tam bém a si todas as co isas ” (Filipenses 3.20-21).

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Segundo as Testemunhas de Jeová, quantos irão para o céu? Por quê?
2) Diferencie os 1 44 mil da grande multidão.
3) O que di z a Bíblia em relação à salvação?

CURSO DE TEOLOG IA S ;-
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|HERESIOLOGIAI

3 MORMONISMO
A Igreja Mórmon foi fundada por Joseph Smith Júnior, nascido em Sharon, Estado de Vermont, nos Estados
Unidos, em 23 de d ezembro de 1805. Joseph Smith foi o quarto f ilho de Joseph e Lucy M ack Smith, pais de dez
filhos , pobrem ente educad os e geralmen te dados a crenças e práticas supersticiosas.3 5
Joseph Smith, em tenra idade, divulgou entre seus fam iliares que Deus, o Pai, e seu Fil ho Jesus Cristo teriam
aparecido a ele em 1820 em forma humana. Ao conversar com eles e perguntar-lhes qual de todas as seitas
era a verdadeira, a fim de saber a qual unir-se, foi-lhe dito por um desses personagens que “não se unisse a
qualquer delas (igrejas), pois estavam todas erradas; ...todos seus credos eram abominação a sua vista; que
aqueles religiosos eram todos corrup tos”.36 Seguindo a orientação desses seres, ele foi cham ado para “restaurar
o verdadeiro evangelho e sua autoridade srcinal”, que havia apostatado (como também disse o fundador das
Testemunhas de Jeová).
Na noite de 21 de setem bro de 1823, segundo consta em seus anais, Joseph recebeu a visita de um anjo, que
se identificou pelo nome de Moroni e se proclamou como “um mensageiro enviado da parte de Deus”, para lhe
informar que Deus o havia escolhido para fazer uma obra. Esse “anjo” revelou a Joseph o local onde estavam
escondidas algumas placas de ouro, escritas em hieróglifo egípcio reformado, perto de Palmyra, no Estado de
Nov a Iorque. Ademais deste maravilhoso descobrim ento, o considerado anjo tamb ém lhe mo strou onde havia
um misterioso par de óculos chamado “urim e tumim”. Quando Joseph colocava os óculos, automaticamente
eram traduzidos os textos das placas de ouro para o inglês. Desses escritos traduzidos por Joseph formou-se o
Livro de Mórmo n , que se tom aria o fundam ento do m ormo nismo.37
Em 1829 João Batista e m pessoa f oi enviado a toda pressa ao pequeno Estado da Pensilvânia, por ordem de
“Pedro, Tiago e João, para conferir a Joseph e O liver o sacerdócio aarônico” .38Em 1830 foi fundada a “Igreja de
Cristo”, e mais tarde esse nome foi mudado para Igreja dos Santos dos Últimos Dias e por fim a denominação
atual, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
CAPÍTULO 3
1) Comen te em poucas palavras sobre o início da Igreja Mórmon.
2) O que ocorreu na noite de 21 de setem bro de 1823?
3) Com o ocorreu a tradução do Livro de Mórm on?

3.1 LIVROS OFICIAIS DO MORMONISMO

Ao dialogar com os missionários mórmons, a primeira impressão que se tem é que eles compartilham da fé
comum. Dizem c rer na Bíbli a Sagrada, que é a Palavra de Deus, entretanto ela não é a última revelação de Deus.
São unânimes em dizer que todas as Bíblias foram adulteradas e que somente algumas Bíblias contêm a Palavra
de Deus, “desde que esteja traduzida corre tame nte” .39Adotam os livros que seu profeta recebeu “p or revelação ”
3S SILVA, Eseq uias So ares da. M anu al de apolog ética cri stã. São P aulo: CPAD, 200 2, p. 219*22 0.
“ SM ITH, Josep h. Históri a 1.19.
37 “ Pérola de Gran de Va lor” , Históri a 1.30-54.
31 Idem , História 1.6 8-7 3.
39 Reg ras de Fé n° 8.
como a revelação final de Deus para suas vidas: Do utrina e Convênios, Pérola de Grande Valor e a principal
obra da seita, o Livro de Mórmon.

3.1.1 O Livro de M ór mon


O Livro de Mórmon afirma que um povo chamado jareditas, refugiados da Torre de Babel, migrou para
a América cerca de 2.247 a.C. Ocuparam a América Central até serem varridos por discórdia interna. Um
sobrevivente, o profeta Éter, registrou a história dos jareditas em 24 placas metálicas.
Cerca de 600 a.C. as duas famílias de Lehi e Ismael deixaram Jerusalém, atravessaram o oceano Pacífico e
desembarcaram na América do Sul. Dois filhos de Lehi, Lamã e Nefi, iniciaram uma briga, e o povo se dividiu
em dois acampam entos de guerra - os lamanitas e os nefitas. Os lamanitas foram am aldiçoados pelo Senhor por
serem rebeldes e irem contra seus mandamentos. Parte dessa maldição incluía pele escura, o que supostamente
é a srcem dos índios americanos.
Deus teve predileção pelos nefitas que migraram para a América Central por volta da época de Cristo. Logo
depois de sua crucificação, Cristo veio à América e instituiu o batismo por imersão, o sacramento do pão e do
vinho, o sacerdócio e deu muitos outros ensinamentos. Tanto os lamanitas quanto os nefitas se converteram. As
coisas correram normalmente por cerca de 200 anos, então veio a apostasia. O termo “lamanita” foi, pois, dado
a todo aquele que deixava a fé.
Cento e cinqüenta anos mais tarde, os nefitas religiosos e os lamanitas rebeldes guerrearam de novo. Por
volta de 421 d.C., os nefitas foram todos mortos, e os lamanitas infiéis ficaram no controle da terra. Colombo
descobriu-os quando aí aportou em 1492.
O coman dante-che fe dos nefit as era o profeta e sacerdote cham ado Mórm on. Ao ver que tinham sido derrotados,
compilou os registros de seus predecessores e escreveu uma breve história, em placas de ouro. Deu essas placas
a seu filho Moroni, que as escondeu num monte, perto de Palmyra, no Estado de Nova Iorque. Moroni, cerca
de 1.400 anos mais tarde, apareceu como um anjo a Joseph Smith e disse-lhe onde encontrar essas placas. Na
caixa que continha as placas estava um grande par de óculos; uma das lentes chamava-se Urim e a outra Tumim.
Segundo as três testemunhas, com a ajuda desses óculos e mais uma “pedra de vidente”, José Smith traduziu os
hieróglifos para o inglês. Segundo Joseph Smith, os hieróglifos eram “egípcio reformado”, língua “que nenhum
homem conhece”. Desta forma, o Livro de Mórmon supostamente foi revelado.
O Livro de Mórmon , como a Bíblia, compõe-se de diversos livros, assim dispostos:

Primeiro livro de Néfi


Segundo livro de Néfi
Livro de Jacó
Livro de Ênos
Livro de Jarom
Livro de Omni
As Palavras de Mórmon
Livro de Mosíah
Livro de Alma
Livro de Helamã

Terceiro Néfi
Quarto Néfi
Livro de Mórmon
Livro de Éter
Livro de Moroni

CURSO DE TEOLO GIA


3.1.2 Dou trina e Convênios
Este é outro livro sagrado dos mó rmons. Trata-se de uma coleção das m uitas revelações dadas a Joseph Smith
sobre doutrinas e práticas da Igreja Mórmon. Contém muitas distorções teológicas que claramente mostram a
grande diferença entre o mormonismo e o cristianismo ortodoxo.

3.1.3 Pérola de Grande Valor


Como o livro Doutrina e Convênios , este livro também é uma coletânea das revelações dadas ao “profeta”
Joseph Smith e contém os seguintes escrit os: Livro de Moisés, Livro de Abraão, Escritos de Joseph Smith -
Mateus, Joseph Smith - Histórias e as Regras de Fé .

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que o s mórmons dizem a respeito da Bí blia?
2) Quais são as literaturas oficiai s dos mórm ons?
3) Quais os livros que comp õem o Livro de Mórm on?

3.2 A BÍBLIA
Em um processo judicial, o mais importante elemento para a condenação é a prova. Ela é a rainha das
testemunhas, e sem ela, ou até mesmo na dúvida, julga-se pela inocência do acusado. A idéia de prova evoca,
naturalmente, a racionalização da descoberta da verdade. Realmente, a definição de prova liga-se diretamente
àquilo “que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; demon stração ev idente” .40 Em nosso estudo,
a prova será elemento essencial para a comprovação dos fatos alegados.
Para avaliarmos qualquer movimento religioso que se diz ser cristão, partimos do princípio de que ele tem
a Bíblia Sagrada como regra de fé e prática. Em sua grande maioria, as seitas alegam seguir os ensinamentos
das Escrituras, porém na prática ocorre o contrário. Basta uma leitura superficial nos ensinos do grupo e logo
ressaltam aos olhos divergências doutrinárias. Assim, “o mero fato de a Bí blia ser usada por uma religião não
prova, em si mesmo, que todos os seus ensin os e práticas dela se baseiem na Bíblia”.41 O que o grupo pensar
sobre a Bíblia refletirá em todas as outras doutrinas que dela advêm, como a soteriologia, a hamartiologia, a
pneumato logia, a cristolo gia, etc.
Os mórmons têm 13 princípios ou regras que todos que desejam fazer parte de seu grupo devem confessar
publicamente. A regra de fé núm ero 8 afirma: “Crem os ser a Bíblia a palavra de Deus, desde que esteja traduzida
corretamente; também cremos ser o Livro de Mórmon a palavra de Deus”. Embora isso pareça dar a entender
que os mórmons confiem na Bíblia, na verdade eles acreditam que ela foi adulterada e corrompida. Asseveram
que o Livro de Mórmon é a palavra de Deus, enquanto a Bíblia contém a palavra de Deus. Outros livros também
são considerados inspirados, como Pérola de Grande Valor e Doutrina e Convênios. Ouçamos o que Talmage,
um dos apóstolos mórmons, declarou sobre a Bíblia:

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aceita a Bíblia como o principal de seus livros canônicos,
o primeiro entre os livros que foram proclamados, como sua norma escrita quanto à fé e doutrina. Quanto a
santidade com que consideram a Bíblia, os Santos dos Últimos Dias professam o mesmo que as denominações
cristãs em geral, porém se distinguem delas por também admitirem como autênticas e santas outras Escrituras
que concordem com a Bíblia e servem para apoiar e fazer ressaltar seus fatos e doutrinas.42

40 FERR EIRA, Aurélio Buarque de H olanda. N ovo dicionári o eletrôni co Aurélio versão 5.0. São Paulo: Posit ivo, 2004, vocábu lo “prov a".
41 FA LCÃ O, Márcio. Com o conhe cer uma seita. São P aulo: O Arad o, 200 6, p. 42.
43 TA LM AG E, Jam es E. Um est udo da s regras de fé. São P aulo: Missão Brasileira, 1958 , p. 220.
São unânimes em afirmar que a Bíblia perde u muito de suas verdades e que não contém o Ev angelho em toda
a sua plenitude, como se pode extrair desta citação: “Vês a formação daquela grande e abominável igreja que é
mais abominável que todas as outras igrejas; pois eis que tiraram do evangelho do Cordeiro muitas partes que
são claras e sumamente preciosas; e também muitos convên ios do Senhor foram tirados” .43 Para os mórmons a
Bíblia “está repleta, como a maioria dos livros, de metáforas, símiles, alegorias e parábolas que ne nhuma pessoa

comEsta
inteligência
alegação poderia sercorroborar
é feita para levada a accom
eitar
as literalmen
palavras dote” .44
fundador da seita, que disse haver recebido a visita
de Deus Pai e Deus Filho, para restaurar o cristianismo que havia se apostatado. Tanto a apostasia alegada por
Joseph Smith jamais ocorreu bem como a adulteração das Escrituras Sagradas, pois a preservação providencial,
por parte de Deus, do texto bíb lico tem sid o maravilhosam ente confirm ada pela Arqueologia e pela História, a
exemplo da descoberta dos Rolos do M ar Morto.4 5
O testemunho a favor da fidelidade do texto do Novo Testamento vem principalmente de três fontes:
manuscritos do Novo Testamento, citações das Escrituras por autores cristãos e traduções antigas. Os textos do
No vo Testamento, devid o a sua influência sob re a cultura do Ocid ente, muito su perio r a qu alquer outro livro da
Antiguidade, fez com que chegasse uma quantidade de cópias incomparavelmente maior do que qualquer outra
obra dos clássicos, tanto gregos quanto latinos, cuja autenticidade quase ninguém põe em dúvida.

A cópia mais anti ga que existe de Eurípedes foi escrita 1.600 anos depois da mor te do poeta. No cas o de Só focles ,
o intervalo é de 1.400 anos, o mesmo acontecendo com Esquilo e Tucídides. Quanto a Platão, o intervalo não é
muito menor: encontra-se ao redor dos 1.300 anos. Entre os latinos, embora levem vantagem sobre os gregos,
a situação não é muito diferente. Enquanto em Catulo o intervalo é de 1.600 anos e em Lucrécio de mil anos,
Terêncio e Lívio reduzem-se para 700 e 500 anos respectivamente. Só Virgílio aproxima-se do NT, pois há um
ms. Completo de suas obras que pertence ao século IV, sendo que o autor faleceu no ano 8 a.C. 46

Quão d iferente é a sit uação do Novo Testamento nesse aspecto. Contando ape nas as cópias gregas, o texto do
Novo Testam ento é preservado em aproximadam ente 5.686 porções ma nuscritas parciais e completa s que foram
copiadas a mão a partir do século II até o século X V. Além dos man uscritos gregos, há v árias traduções do grego,
sem mencion ar citações do Novo Testamento. Contando com as principais traduções antigas em aram aico, copta,
árabe, latim e outras línguas, há 9 mil cópias do Novo Testamento. Isso dá um total de mais de 14 mil cópias.
Além disso, se compilarmos as milhares de citações dos pais da Igreja Primitiva dos séculos II a IV, podemos
reconstruir todo o Novo Testamento, com exceção de onze versículos.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que os mórmons dizem da Bíblia em relação ao Livro de Mórmon?
2) O testemun ho a favor da fidelidade do texto do Novo Testamento vem de onde?
3) Como podem os ter certeza de que a Bíblia que possuím os não f oi adulterada?

3.3 DEUS
Ninguém melhor do que o fundador da seita para dizer qual o seu pensam ento sobre Deus. O “profeta”
Joseph Smith expõe nos seguintes termos sua teologia: “Muitos homens dizem que há um Deus; o Pai, o Filho e
o Espírito Santo, e que são um só Deus ! E u digo que de qualquer forma este é um D eus estranho - três em um,
e um em três!.. . Ele seria um Deus ad miravelm ente grande - seria um gigante ou um m onstro” .47 Joseph Smith
era um politeísta e transcreveu sua concepção no Livro de Abraão:
43 Livro de M órm on 1 Néfi 13.26 .
44 SMITH, Joseph Fielding. Doutrinas da salva ção , vol. 3 , p. 190-19 1.
45 Veja no volum e 6, Arque olog ia Bíbli ca.
46 PARO SCH I, W ils on. Críti ca text ual do Novo Testam ento. 2. ed. São Pa ulo: Vida N ova , 1993 , p . 18.
47 História da Igreja, 6.47 6.

CURSO DE TEOLO GIA


|HERESIOLOGIAI

E então o Senhor disse: Desçam os. E eles desceram no princípi o; e e les, isto é, o s De uses organizar am e forma ram
os céus e a Terra. E a Terra, depois de formada estava vazia e desolada, porque eles não haviam formado coisa
alguma a não ser a Terra; e as trevas reinavam sobre a face do abismo e o Espírito dos Deuses pairava sobre a face
das ág uas. E eles (o s De uses ) disse ram: Haj a luz; e houve luz. E eles (os Deu ses) tiveram consciência da luz, pois
era brilhante; e eles separaram a luz ou melhor, fizeram com que ela fosse separada das trevas.48

O deus do mormonismo não é o Deus das Escrituras, que de “eternidade a eternidade” é Deus (Salmos 90.2),
mas conforme Joseph Smit h “o próprio Deus já foi como somos ag ora... se pudéssei s vislumbrá-lo hoj e, vê-lo -
eis em forma de um ho mem - como vós em toda pessoa, imagem e na própria form a de um hom em” .49Além do
mormonismo negar que exista um único Deus, são politeístas, dizem que existem muitos deuses e deusas.
O profeta Isaías diz: “Porque os egípcios são homens e não Deus; e os seus cavalos, carne e não espírito” (Isaías
31.3). Neste texto, a base do paralelismo é que Deus é espírito. Na Epístola aos Heb reus, Deus é cham ado de Pai
dos espíritos: “Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos;
não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?” (Hebreus 12.9). Assim como temos um
pai na carne, esse versículo diz que temos um pai no espírito. O apóstolo João diz: “D eus é Espírito, e importa
que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4.24).

O fato de Deus
corporalidade. sercoisas
Essas descrito
sãocomo
figurassede
possuísse um corpo
linguagem humano
que Deus com
usou paramãos, pés, olhos,
se comun etc. suas
icar com não demonstra
criaturas fin itas,
porquanto não dispomos de vocábu los mais apropriados do que estes para ex prim ir as operações da mente
divina. “O vocábulo espírito é empregado para denotar uma entidade imaterial e inteligente, ou um ser, uma
entidade destituída das propriedades peculiares à matéria, embora possuidora de propriedades análogas àquelas
que carac terizam a men te human a” .50
Da mesma forma, Deus aparec eu aos israelitas em nuvens e fogo . Um a coluna de nuvens e de fogo seguia adiante
dos israelitas, como sinal da presença divina. Esse sinal também apareceu no tabemáculo e, posteriormente, no
templo erigido e dedicado por Salomão. Será que Deus, por causa dessas descrições, deveria ser compreendido
como uma nuve m ou um fogo? Essas são substâncias materiais e não espirituais. Dessa forma, Deus se agradou
em empregar esses símbolos materiais para nos dar uma demonstração sensível da sua presença.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Qual o conceito de Deus Pai para o fundado r do morm onismo?
2) Diferencie o deus do morm onismo e o Deus das Escrituras.
3) Os mórmons cr êem na existênci a de um úni co Deus?

3,4 JESUS
Ao se averiguarmos o que os mórmons dizem a respeito de Jesus, logo verificamos que não é o Jesus Cristo
das Escrituras. Para os mórmons “ Cristo não foi gerado pelo Espírito Santo”.5 1 Am pliando o entendimen to de
como os mórmons entendem a pessoa bendita de Jesus Cristo, Joseph F. Smith declarou: “Dentre os filhos
espirituais de Elohim, o primo gênito é Jeová, ou Jesus Cristo, de que m todos os dem ais são irmãos m enores” .52
O segundo filho desse relacionamento é Lúcifer, e assim os mórmons não têm o menor constrangimento em
dizer que Jesus e Lúcifer são irmãos espirituais. Para todos os mórmons, sem exceção, Deus Pai é “Pai de Jesus
Cristo, tanto no espírito como na carne. Nosso salvad or é o Primogênito no espírito, o Unigênito na carne” .53Para
48 Pérola de Grande Va lor, Ab raão 4.1-4.
49 En sinam ento s do Prof eta Joseph Sm it h com pilados por Joseph Fielding Smith, p. 336.
90 DAG G, John l . M anu al de teolog ia. 3. ed. São P aulo: Fiel, 20 03, p. 41.
s> SMITH, Joseph Fiel ding. Doutri nas da salvaçã o, 1994, vol. 1, p . 20.
53 SMITH apud M CDO W ELL, 2001, p. 70.
93 SM ITH, Jose ph Fielding. Doutrinas da salva ção . 199 4, vol. 1, p. 20.

CURSO DE TEOLO GIA


k I HERESIOLOGIA \

concluir, segundo os teólogos mórmons, Jesus não é Deus, mas “era um Deus antes de nascer neste mund o” .54
Quão distante é o norte do sul , assim tam bém é o Jesus das Escrituras do Jesus mórmon! A Bíblia jam ais d isse
que Jesus é apenas mais um “deus”; pelo contrário, ela ensina que Jesus é o Deus: “No princípio era o Verbo, e
o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas
por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.1-3; 20.28; Tito 2.13; 1 João 5.20). Jesus Cristo

conferiu para.55si os nomes e títulos dados a Deus no Antigo Testamento e também permitiu que outros assim o
cha ma ssem
Jesus, com os títulos “Filho de Deus” e “Filho do Homem”, estava afirmando a sua divindade, e muitos dos
seus atributos são exclusivamente privativos do próprio Deus. Os próprios judeus que o ouviam entendiam isso
muito bem: “Por isso, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não somente violava o sábado, mas
também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5.18).
Qua ndo Jesus disse “eu e o Pai somos um”, a reação dos jude us foi: “Não é por boa obra que te apedrejamos,
e, sim, por causa da blasfêmia, pois sendo tu homem, te fazes D eus a s i mesm o” (João 10.30 -33).
Quando Jesus curou um paralítico, dizendo: “Filho, os teus pecados estão perdoados”, os escribas judeus
disseram: “Está blasfemando! Quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus?”. E Jesus confirmou ter
autoridade para perdoar pecados (Marcos 2.7-11).
Quando Jesus foi interrogado diante do Sinédrio, o sumo sacerdote lhe perguntou: “Você é o Cristo, o Filho
do Deus Bendito?”. Jesus respondeu: “Sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso vindo
com as nuvens do céu” (Marcos 14.61-64).
Tão íntima era sua relação com Deus que Jesus declarou que conhecê-lo era conhecer a Deus (João 8.19;
14.17); vê-lo era ver a Deus (12.45; 14.9); crer nele era crer em Deus (12 .44; 14.1); recebê-lo era receb er a Deus
(Marcos 9.37); odiá-lo era odiar a Deus (João 15.23); honrá-lo era honrar a Deus (5.23).

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Segundo o s mórmons, como Jesus foi gerado?
2) Qual é a concepç ão de Jesus e Lúcifer no morm onismo?
3) Quem é Jeová no mormonismo?
4) Quais os nomes e tí tulos dados a Deus no Antigo Testamento que foram também atribuídos a Jesus?

3.5 ESPÍRITO SANTO


Os mórmons ensinam que o Espírito Santo é um homem-espírito: “O Espírito Santo... é um personagem de
Espírito, uma Pessoa-E spírito, um Ho mem -Espírito, uma Entidade -Espírito” .56 Em outro lugar escreveram que
“o Espírito Santo é o terceiro membro da Deidade (Trindade). É um Espírito, na forma de um homem... Como
personagem de Espírito, o Es pírito Santo tem tamanho e d im ensão” .57
Quão triste é ler e saber que alguém trata a bend ita pessoa do Espírito Santo com tamanho ultraje. E não só isso:
pela sua linguagem parece compartilhar das mesmas crenças de um cristão verdadeiro, que segue as Escrituras. Usam
os termos Jesus, Espírito Santo, Trindade... Porém a determinação final depende de como se define seus termos.
Os mórmons cometem muitos erros e fazem muita confusão no tocante à personalidade, às operações e às
manifestações do Espírito Santo bem como à sua divindade.
O Espírito Santo ocupa um papel fundamental na economia de Deus. Jesus disse que era necessário que Ele

ofosse paralador
Conso que não
o Consolador viesse:
virá para vós “Masse,
o utros; euporém,
vos digo
eu afor,
verdade: convém-vos
eu vo-lo que eu vá,16.7).
enviarei” (João porque, se eu
Outra boanão for, é que
notícia
Ele viria e fi caria conosco pa ra sempre: “E eu rogare i ao Pai, e ele vos dará outro C onsolador, a fim de que esteja
para sempre co nv osco ” (João 14.16).
54 Idem , 199 4, p. 35.
55 Veja volum e 1, Ca da p esso a é plenam ente Deus, capí tulo 8.
56 GE ER, Thelma G ranny. Por que aband onei o m ormonismo . São P aulo: Vida , 1991, p. 176
57 SM ITH, Josep h Fielding. Do utrinas da salva ção , vol. 1, p. 42.
IHERESIOLOGIAI

Saber exatamente quem Ele é, o que Ele fez e continua fazendo em prol dos fiéis é de extrema importância.
A nossa vida espiritual provém dele, pois é o Espírito que vivifica: “O espírito é o que vivifica, a carne para nada
aproveita” (João 6.63), sendo chamado de “Espírito de vida” (Romanos 8.2). A importância da influência do
Espírito Santo no exercício da vida espiritual pode ser inferida de passagens com o as seguintes:

“M as, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei” (Gálatas 5.18) .

“Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito,
para as coisas do Espírito” (Rom anos 8.5).

“Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo,
vivereis” (Romanos 8.13).

“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8.16).

“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de
pedir como convém , mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemido s inexprim íveis” (Rom anos 8.26).

Nen hu m cristão que tenha qualquer senso apropriado de sua d ependência do Espírito Santo, no que concerne
à vida espiritual de que goza e a todas as bênçãos nela en volvidas, pode mo strar-se indiferente para com o Agente
por meio do qual tod o esse bem nos é conferido.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Quem é o Espírito S anto no morm onismo?
2) Qual é a importância em saber quem é o Espírito Sant o?

3.6 TRINDADE
Como vimos até aqui, a concepção mórmon sobre Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo é totalmente
divergente das Escrituras. Porém, deve-se ter um cuidado especial quando se fala com os missionários mórmons
sobre a questão da Tr indade. Num prim eiro mom ento, esses jove ns, be m-educ ados, que evangelizam o dia int eiro
de casa em casa, dirão que também compartilham da doutrina da Trindade, o que poderia deixar um neófito
confuso, ou até mesmo imaginar que esses “irmã os” compartilham da mesma fé. Para que f ique bem claro o que
os mórmons pensam sobre a doutrina da Trindade, buscaremos refúgio em seus mais conceituados escritores.
Desde sua srcem, seu fundador insiste em ensinar sobre a pluralidade dos deuses. Em um de seus sermões,
disse ele: “Pregarei sobre a pluralidade dos Deuses. Escolhi este texto precisamente com esse objetivo. Eu sempre
declarei que Deus é um personagem distinto, que Jesus Cristo é um personagem separado e distinto de Deus, o Pai,
e que o Espírito Santo é outro pe rsonagem distinto, e é Espírit o; são três persona gens distintos e três De uses” .58
Como se pode observar, a Igreja Mórmon ensina que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três deuses separados.
Essa mane ira de conc eber a Trindade é conhe cida como triteísm o, no qual se afirma que as três Pessoas são divinas.5 9
O apóstolo Paulo enfrentou essa questão na igreja de Corinto e assim se pronunciou: “Porque, ainda que há
também alguns que se chamem deuses, quer no céu ou sobre a terra, como há muitos deuses e muitos senhores,
todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus
Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também , por ele” (1 Coríntios 8.5-6).

58 Ensinam ento s do Profet a Joseph Smith comp ilados por Joseph Fielding Sm ith, p. 361 -362 .
59 Ve ja volum e 1, Distorções e Co nse qü ências , capítulo 10.

CURSO DE TEOLO GIA


k IHERESI OLOGIAI

VERIFICAÇAO DE APRENDIZAGEM
1) Qual o entendimen to que os mórm ons têm da Trindade?
2) O que é o triteísmo?

3.7 DEUS PAI UMA VEZ JÁ FOI UM HOM EM


O “restaurador” do cristianismo Joseph Smith escreveu que Deus Pai foi um homem normal, que progrediu
até tomar-se um Deus e, mesmo nessa condição, continua a possuir um corpo de carne e osso, conforme se lê:
“O próprio Deus já foi como nós somos agora - ele é um home m exaltado, entron izado em céus distantes !”.60
No livro Do utrina e Convênios , obra padrão da Igre ja Mórmon , é dito que “o Pai t em um corpo de carne e ossos,
tangível, como o do homem” (130.22). Para completar, o mormonismo ensina que Deus tem um pai, um avô,
e assim sucessivam ente: “ Se Jesus teve um Pai, o que nos im pede de cr er que o Pai também teve um P ai?”.61
Segundo este ensino, Deus agora é um homem exaltado, e o próprio homem pode tomar-se um deus.
No livro doutrinário dos “santos dos últim os dias ” está escrito: “E xistem dois personagens [i.e., de carne e
ossos ] que constituem o grande, inigualável e supremo pod er governante sobre todas as coisas, o qual criou e f ez
todas as coisas que foram criadas e feitas, sejam visíveis ou invisíveis, sejam no céu, sobre a terra ou na terra,
debaixo da terra, ou po r toda a imensidão do e spaço ”.62 Nessa mesma obra lemos ainda que “no sso Pai nos céus
passou um dia pela vida e pela morte”.63
Ao contrário do que afirmam os mórmons, Deus é auto-existente, isto é, ele tem em si mesmo a base de
sua existência. Como o Deus auto-existente, Ele não só é independente, como também faz tudo depender dele.
“É somente como o Ser auto-existente e independente que Deus pode dar a certeza de que permanecerá
eternamente o mesm o, co m re lação ao S eu pov o.”64
Não há nas Escrituras Sagradas qualquer declaração que afirme que Deus Pai tomou forma humana e m uito
menos que teria sido fruto de um relacionamento carnal, bem como que teria passado pela vida e pela morte.
A forma usada pela Bíblia para descrever a eternidade de Deus ultrapassa nossa capacidade de conhecimento.
Ele não teve princípio nem fim: “...de eternidade a eternidade, tu és Deus”, declaram as Escrituras (Salmos
90.2). Nunca houve um tempo em que Ele não existisse. É impossível dar um exemplo de ser eterno porque não
há nada nem ninguém como Ele no universo. As Escrituras declaram sua eternidade:

“O Deus eterno é a tua habitação e, por baixo de ti, estende os braços eternos...” (Deuteronômio 33.27).

“Ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Am ém! ” (1 Timóteo
1.17).

“O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que
contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a
temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi
manifestada)...” (1 João 1.1-2).

“Também sa bemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendim ento para reconhe cermo s o verdadeiro;
e estamos no verdad eiro, em seu Filho, Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 João 5.20).

60 Ensina m ento s do Prof eta J osep h Smith comp ilados por Josep h Fielding Smith, p. 336.
41 Ide m , p. 36 5.
62 SM ITH, Josep h Fielding. Dou tri nas da salv açã o, 1 994, vo l. 1 , p. 6.
63 Ide m , p. 11.

64 BERKH OF, Louis. Teol ogia sist em átic a. Cam pinas: Luz p ara o Cam inho, 19 96, p. 61.
MÓDULO * I HERESIOLOGIA!

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) O que Joseph Smith diss e com relação a Deus Pai?
2) Seria possível Deus Pai passar pela vida e pela morte como ensinam os mórm ons? Explique.
3) Como a Bíblia descreve a eternidade d e Deus?

3.8 O PECADO
O pecado é uma ofensa contra a santidade de Deus, além de suas conseqüências no mundo. Falando sobre
a queda de Adão, os mórmons consideram que ela foi benéfica para a humanidade, conforme pode se verificar
nesta transcrição: “Qu ando Adão foi expulso do Jardim do Éden, o Senhor impôs uma sentença. Algumas pessoas
têm con siderado essa sentença com o terrível. Pois não foi : foi uma bê nção” .65N o Livro de Mórmo n , que para os
mórmons é o mais correto que existe, Joseph Smith escreveu:

Algumas pessoas acreditam que Adão e Eva cometeram um sério pecado, quando comeram do fruto da árvore
do conhecimento do bem e do mal. Todavia, as Escrituras dos últimos dias nos ajudam a entender que a queda
foi um passo necessário no plano de vida e uma grande bênção para toda humanidade. Devido à queda, somos
abençoados com corpos físicos, com direito de escolher entre o bem e o mal e com a oportunidade de ganhar a
vida eterna. Nenhum desses privilégios poderia ser nosso, se Adão e Eva houvessem permanecido no jardim.
Após sua transgressão Ja m ais teríamos tido semente, jamais teríamos conhecido o bem e o mal, nem a alegria d e
nossa redenção, nem a vida eterna que Deus concede a todos os obedientes (Moisés 5.11).

Com o se pode ler, o que vale para os mórmons são as “escrituras dos últimos dias” , ou sej a, o que o presidente
da seita diz, pois ele ocupa o cargo de “o profeta”, não de um profeta, mas “o” profeta, exclusivo, único,
inigualável, etc.
Como estão sendo demonstradas, as várias doutrinas mórmons em nada se fundamentam nas Escrituras
Sagradas. Mais uma vez a Bíblia desestrutura a teologia mórmon com relaç ão ao pecado, ao trazer as conseqüências
do pecado sob a vida de Adão e Eva. Muitas foram as conseqüências: afetou seu relacionamento com Deus (foi
rompido), sua natureza (adquiriu uma natureza pecaminosa), seus corpos (passaram a experimentar a morte
física), seu ambiente (a terra foi amaldiçoada) e sua posteridade (todos pecaram).
O Antigo Testamento afirma: “...porque à tua vista não há justo nenhum vivente” (Salmos 143.2); “Quem
pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou do meu pecado?” (Provérbios 20.9). Já no Nov o Testamento,
Paulo é enfático ao declarar que todo homem é pecador e culpado e que a transgressão dos nossos prime iros pais
constituiu pecadora a sua posteridade ao dizer que “pela desobediência de um só homem, muitos se tomaram
pe cadores” (Ro manos 5.19), de modo que o pecado de Adão é imputado a toda raça humana, logo “todos mo rrem
em Adão” (1 Coríntios 15.22). Na Epístola aos Romano s, o apóstolo argúi que tanto os gentios qua nto os jude us
encontram-se “destituídos da glória de Deus” por haverem todos se rebelado contra o Senhor, tomando-se
igualmente culpáveis diante de Deus (Romanos 3.23).
A condição pecadora da humanidade incapacita-a para um encontro com Deus, que só é possível pela
gratuidade de seu am or e predileção, até a chegada definitiva do Salvador: Jesus Cristo, “o cordeiro de Deus que
tira o pecado do mu ndo” (João 1.29).

VERIFICAÇÃO
1) O que os mórmDE
ons APRENDIZAGEM
dizem com relação ao pecado de Adão?
2) Quais as conseqüê ncias do pecado na vida de Adão de acordo com as Escrit uras?

65 SMITH, Jose ph Fielding. Doutrinas da sa lvaçã o, vo l. 1, p. 123.

CURSO DE TEOL OGIA


! HERESIOLOGIAI

3.9 SALVAÇ ÃO
A Bíblia ensina que a salvação é pela graça por meio da fé, independentemente das obras da lei, como disse
o apóstolo Paulo aos efésios: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de
Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2.8-9). Somos também justificados diante de
Deus pela fé, à parte das obras. De modo que é a graça que salva por meio da fé, que por sua vez produz obras
que dão testemunho sobre a eficácia da fé sal vadora (Tiago 2). A conclusão que se obtém é que há dois meios de
bu scar a salvação: à maneira de Deus, pela graça, ou à maneira do homem, pe la obras. Os mórmons seguem o
caminho dos homens.
Ao contrário das Escrituras, o mormonismo ensina que a morte de Cristo na cruz apenas resgatou o homem
do efeito da queda. A expiação de Cristo, segundo os mórmons, garante o que eles chamam de “salvação geral”,
o que levará todo mundo, indiferentem ente de terem aceitado Jesus Cristo pela fé ou não, à ressurreição, com o se
lê: “A extensão da Expiação é universal e se aplica igualmente a todos os desc endentes de Adão. Até o incrédulo,
o pagão e a criança que morre antes chegar à idade de responsabilidade, todos são remidos das conseqüências
individuais da q ueda...”.6 6A expiação de Cristo não é a ceita pela fé, “ a bênção da redençã o dos p ecados individuais
apesar de estar ao alcance de todos, de pende, não obstante, do esforço individual”,6 7 ou seja, é alca nçada po r
mérito, conforme está escrito na terceira regra de fé: “Acreditamos que pela expiação de Cristo pode ser salvo
todo o gênero humano, por obediência às leis e mandamentos do evangelho”. Evangelho aqui citado não são as
boas novas de salvação anunciadas po r Jesus, mas sim as ordenanças que aIgreja Mórmon impõe a seus fiéis,
como o batismo pelos mortos e o casamento para a eternidade.

VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM
1) Quais são as conseqüências da morte de Cristo para os mórmo ns?
2) O que dizem os mórmons com relação à redenção dos pecados?
3) O que os mórm ons querem dizer por evangelho?

66 TA LM AG E, Jam es E. Regras de f é. São Paulo: SUD, 195 4, p. 84.


67 Ide m , p. 88.

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CURSO DE TEOL OGIA 153


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CURSO DE TEOLO GIA


MÓDULO k | HERESIOLOGIA I

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CURSO DE TEO LOG IA


!H faculdade teológica betesda
m Moldandovocacionados

AVALIAÇÃO - MÓDULO IV
HERESIÒLOGIA

1) Difer encie seitas de heresias.

2) Por meio de quais características podem os conhecer uma seit a?


3) Diferencie as seitas proféticas das seitas secretas .
4) Qual foi o nome dado à mansão que Rutherford comprou para recepcionar os patriarcas e em que a no
isso se daria?
5) Como ficou estabelecida a i da para os céus depois de 1935?
6) Quem foi a primeira criação de Jeová para as Testemunhas de Jeová?
7) Por meio de que atributos podem os afirmar que o Espírit o Santo é uma pessoa?
8) Refute a posição mórm on de que Deus Pa i é Pai de Jesus tanto na carne como no espíri to.

9) Na visão que Joseph Smith teve ele vi u Deus Pai e Deus Filho. Seria possível tal vi são ter ocorrido?
Observe os textos de João 1.18 e 1 Timóteo 6.16.
10) Dê uma visão geral do que você aprendeu sobre heresiologia.

CARO(a) ALUNO(q):
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las em
folha de papel sulfite, sendo objetivo(a) e daro(a).
CAIXA POSTAL 12025 • CEP 02013-970 * SÃO PAULO/SP
• Dê preferência, envie-nos as 5 avaliaçdes juntas.
LOUVO R E ADO RACAO
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .............................................................................................................................................................. 163

1. DE FI NI Ç ÃO DE T E R M O S .................................................................................................................................. 164
1.1 L O U V O R ............................................................................................................................................................... 164
1.2 A D O R A Ç Ã O .........................................................................................................................................................164
1.3 L IT U R G IA ............................................................................................................................................................ 165

2. A D O R A Ç ÃO N A B Í B L I A ......................................................................................................................................166
2.1 FORM AS BÍBLICAS DE A DO RA R A D E U S ..............................................................................................166
2.2 NO ANTIGO TESTAMENTO...........................................................................................................................167

3. ES TI LO S DE L O U V O R ........................................................................................................................................... 169
3.1 IM PEDIMEN TO S À A D O R A Ç Ã O ..................................................................................................................169
3.2 BENEFÍCIOS DA ADORAÇÃO.......................................................................................................................171

4. M ÚS IC A NO C U L T O ............................................................................................................................................... 173
4.1 TIPO DE MÚSICA NO CULTO........................................................................................................................173

5. O PE RF IL DE UM LÍD ER DE A D O R A Ç Ã O ...................................................................................................175

R EF ER ÊN C IA S .............................................................................................................................................................. 177
INTRODUÇÃO
3

A adoração a Deus sempre esteve prese nte nos cultos e na vida do seu povo ao longo d a históri a. Entretanto,
a forma de adoração varia conforme o tempo e a cultura. Embora o conteúdo da adoração bíblica não tenha se
alterado, somos desafiados a apresentar esse conteúdo com um a nova roupagem. M as como fazê-lo sem distorcer
o que as Escrituras ensinam?
Para responder a essa e outras questões importantes a Faculdade Teológica Betesda compartilha nesta obra
experiências e princípios na área de adoração coletiva, fruto de anos de experiências na atuação pastoral.
Nosso objetivo é ajudar nossos irm ãos que estão lidando com questionamentos e controvérsias em tomo
da música cristã contemporânea e também aqueles que estão buscando produzir músicas espirituais para sua
geração sem que, para isso, tenham de se desviar da vontade de Deus.
Nosso desafio é que após a leitura desta disciplina você possa oferecer um cu lto que agrade a Deus e transforme
sua vida.

Boa leitura!
DEFINIÇÃO DE TERMOS
1
A música sempre exerceu um papel importante na adoração a Deus. Desde a criação das hostes espirituais
até nossos dias somos influenciados por ela. Quem não gosta de cantar? Através da música expressamos nossos
sentimentos, emoções, enfim, expomos o que há de mais profundo na alma. É fato comprovado que diferentes
tipos de música levam a diferentes estados psicológicos: há músicas que acalmam, músicas que despertam,
músicas que ajudam a dormir, e tc. Daí a i mportânc ia do ministério musical dentro da igrej a.
Na Palavra de Deus encontramos muitas exortações ao uso da música. O livro de Salmos está repleto de
chamados ao cântico e ao uso de instrumentos musicais (Salmos 147.1, 7; 149.1, 3; 150.3-5, etc.).
Para um melhor desempenho no ministério musical da igreja precisamos distinguir alguns termos usados
entre os cristãos.

1.1 LOUVOR
A palavra “louvor” quer dizer em seu uso comum “elogio”. Refere-se à expressão individual ou coletiva
de reconhecimento das qualidades de uma pessoa. Normalmente está associada à gratidão. Usado de forma
corriqueira, o termo louvor aponta para algum feito marcante da pessoa, para alguma carac terística sua que t enha
beneficiado um grupo ou um a pessoa. Dessa forma, o p rofessor pode louvar o aluno por ser destaque na sala de
aula. A mãe pode louvar o filho por ser amoroso. Nada mais comum em nosso cotidiano.
Quando se refere a Deus, a palavra louvor assume conotação teológica. Nessa acepção, o termo passa a ser
entendido de duas formas possíveis: como “elo gio” ou como “prática litúrgica”. Como elogio o louvor nada mais
é do que a expressão, individual ou coletiva, de reconhecimento do que Deus é e faz. Nesse processo, íntimo
ou coletivo, de manifestação, o coração humano salienta a santidade, a bondade, a fidelidade e a misericórdia
de Deus. Lou vor aqui é um sentimento que se expressa, se exterioriza. E o ato de dizer a Deus o que sentimos e
pensam os a seu respeito. Em bora ocorra também liturgicamente, não req uer m anifestação exterior alguma. Pode
ocorrer apenas no coração do devoto.
Alguns grupos religiosos não fazem distinção entre louvor e ação de graças, mas vale salientar que o louvor
reconhece e elogia o que Deus é e faz. Fala de suas virtudes e qualidades, manifestadas nos seus poderosos
feitos. Já a ação de graças se refere ao que ele fez por nós. Assim, agradecemos a Deus pelo que ele nos faz e o
louvamos pelo que ele é.
Na sua acepção litúrgica, a palavra louvor assume a conotação de um ritual comp lex o, que pode ocupar
momentos de uma celebração ou envolver todo o culto. Neste último caso é conhecido como culto de louvor, ou
mais conhecido hoje em dia como “louvorzão”. Nesse sentido a palavra significa, em grande parte das igrejas
contemporâneas, um período de reunião (ou toda ela) em que predominam a música e as expressões artísticas
destinadas a engrandecer o Senhor. Os conteúdos variam um pouco e envolvem segmentos tais como invocação,
contrição, súplica e ação de graças, mas predominam as expressões de exaltação às qualidades amorosas de

Deus, associadas à manifestação de compromisso pessoal e votos de santidade ou guerra espiritual.


1.2 ADORAÇÃO
O significado da palavra adoração, na língua portuguesa, é derivado da palavra inglesa “worship”, que tem
o sentido de “atribuir mérito ou valor” a algo ou alguém (cf. Salmos 96.1-6; 99.9). Portanto, adorar a Deus é
recon hece r e exaltar o que Ele é : grande, forte, poderoso, misericordioso.

CURSO DE TEOLO GIA


A palavra traz conotação mais íntima e afetiva, que aponta para expressões de amor . Ela não se ma terializa em
liturgia, embora esteja na gênese do louvor e da litu rgia. É a resposta da alma regene rada ao D eus que a regenerou.
A adoração, assim como o amor, não se vê. O que aparece é seu resultado exterior, como expressão dramática
da intimidade. Suas exteriorizações comportamentais são de difícil reconhecimento. Num mesmo momento,
um dança e outro ajoelha; um canta e outro chora; um levanta a mão e outro bate palmas. No entanto, quando

adoram,
importantetodos
lem amam, todos
brar que se expressam,
reverênc todos oferecem
ia não é sinônimo sacrifício,
de silêncio, todos
mas está se transformam
relacionada a temor,nesse
isto é,momento.
a umaÉ atitude
interior.
A adoração é oferta. E a expressão da alma que se rende aos pés de Deus, motivada pela fé e confiança no
poder divino, agind o com total dependên cia do Senhor. Essa foi a atitude do servo de Abraão quando foi buscar
uma esposa para Isaque: “E, prostrando-me, adorei ao SENHOR e bendisse ao SENHOR, Deus do meu senhor
Abraão, que me havia conduzido por um caminho direito, a fim de tomar para o filho do meu senhor uma filha
do seu parente” (Gênesis 24.48).
Adoração é agradecer a Deus por sua intervenção em favor dos seus escolhidos. Em resumo, diríamos que a
adoração acontece na dimensão do coração e requer profunda intimidade com Deus.

1.3 LITURGIA
A palavra liturgia vem do grego leitourgia , que quer dizer “função púb lica”, também ligada ao serviço prestado
aos deuses. Adotado pelo latim medieval, o termo virou “ liturgia”, si gnificando culto público.
Na adoração secreta, pessoal, a liturgia não faz sentido, pois a organização das ações n ão requ er uma ord em
formal. Esta se faz necessária quando outras pessoas passam a ser envolvidas no processo. Assim, a liturgia nada
mais é do que uma ordem empregada ao culto público, de forma a evitar a desordem que reinaria caso ela não
existisse. No início da Igreja cristã a liturgia foi se desenvolvendo, adquirindo forma mais complexa e formal
com o tempo, chegando a ter sua ordem publicada.
No culto a liturgia tem a função de dar sentido, de ordenar compreensivelmente as div ersas etapas e os ritos
que compõem um ritual. Uma liturgia mal-elaborada pode conspirar contra a beleza da celebração e prejudicar a
compreensão e a participação no culto, tomando-o truncado e cansativo. Uma liturgia bem-elaborada considera
aspectos tanto devocionais quanto de comunicação. Ela deve facilitar os propósitos da celebração.

CURSO DE TEOLOGIA 165


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ADORAÇÃO
NA BÍBLIA
2
O dicionário Aurélio define adoração como “culto a uma divindade; culto, reverência e veneração”. O
mesmo dicionário define o verbete adorar como “render culto a (divindade); reverenciar, venerar”. Embora
haja na Bíblia vários vocábulos para referir-se à adoração, o sentido essencial é o serviço. Por meio de dois
termos usados no Antigo e Novo Testamento, respectivamente ablôdhâ (hebraico) e latreia (grego), chegamos
a esse entendimento, pois signifi cam, srcinalmente, o trabalho dos escravos ou empregad os que se inclinavam
diante de seus senhores, reconhecendo sua superioridade. Sendo assim, a verdadeira adoração cristã nos leva a
reconhec ermos a superioridade absoluta de Deus sobre todas as áreas de nossas vidas.
Seria um engano consciente acharmos que toda e qualquer expressão de adoração que parte do homem é
verdadeira. O homem possui um coração enganoso e uma mente limitada (cf. Jeremias 17.9; Isaías 55.8-9).
Essas duas características produzem um erro que não é percebido facilmente pelo homem, tudo por causa da
influência do pecado na vida do ser humano. Seria ilógico colocar como base de sustentação algo enganoso
e limit ado. D evemos usar o que é firme e eterno. Só a Palavra de Deus é a base firme para ava liar o que é a
adoração verdadeira. Como única regra de fé e prática, tudo o que não concorda com a Palavra de Deus tem
de ser julgad o falso.

2.1 F ORMAS B ÍBLICAS DE ADOR AR A DEUS


Podemos dizer que a verdadeira adoração pode ser estabelecida de duas maneiras: a vertical e a horizontal.

• A adoração vertical é aquela que é dirigida exclusivam ente para Deus e de Deus para o povo. Um
exemplo típico de adoração no Antigo Testamento ocorria quando o sacerdote entrava no templo para
adorar a Deus e o povo aguardava do lado de fora seu retomo. Comumente acontece nos momentos

de oração, dos cânticos voltados para Deus, o Espírito Santo ou Jesus Cristo, nas leituras, nas
mensagens.
• A adoração horizontal é aquela que é estabelecida entre os irmãos e entre eles e os visit antes, por meio
dos cumprimentos, abraços, cânticos voltados para o outro, para a comunhão e serviço.

Na Bíblia encontramo s algumas formas para louvar e ado rar a Deus que exaltam a glória do Criador e o amor
às suas criaturas. O louvor e a adoração na Bíblia demonstram que o coração dos homens e mulheres possuía
uma experiência com Deus tão significativa que desejavam ver todos os corações louvando, adorando a Deus e
transformando o mundo inteiro em uma canção de louvor ao Deus criador.
Atilano Muradas apresenta as seguintes formas para louvar e adorar a Deus:

1. Prostrando-s e (de bruços com o ventre e o rosto no chão) como fazem o s islâmicos. Encon tramos esta
forma de adoração nas Escrituras: “E toda a congregação se prostrou quando cantavam o canto, e as
trombetas tocavam; tudo isso, até o holocausto se acabar” (2 Crônicas 29.28); “O, vinde, adoremos e
prostremo-no s! Ajoelh em os dian te do SENHOR que n os criou ” (Salmos 95.6); “ Exaltai ao SENHOR,
nosso Deus, e prostrai-vos ante o seu santo monte, porque santo é o SENHOR, nosso Deus” (Salmos
99.9-ARA).
2. Ajoelhando-se: é a forma mais usual do fiel em busca de Deus. “ ...pa ra que ao nome de Jesus s e
dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra e toda língua confesse que
Jesus Cristo é o Senhor, para g lória de Deus Pa i” (Filipenses 2.10-11).
3. Com palmas: “Aplaudi com as mãos, todos os povos; cantai a Deus com voz de triunfo” ( Salmos
47.1).

4. Levan
mãos”tando
(Salmosas mãos: “Assim,
63.4); “No dia daeuminha
te bendirei
angústiaenquanto vi Senhor;
busquei ao ver; em ateu nome
minha mãolevantarei as de
se estendeu minhas
noite e não cessava; a minha alma recusava ser consolada” (Salmos 77.2); “Levantai as mãos no
santuário e bendizei ao SENHOR” (Salmos 134.2).
5. Com danças: “Então, Miriã, a profetisa, a irmã de Arão, tomou o tamboril na sua mão, e todas a s
mulheres saíram atrás dela com tamboris e com danças” (Êxodo 15.20); “Louvai-o com adufes e
danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flautas” (Salmos 150.4 - ARA).
6. Falando: “Lavo as minhas mãos na inocência; e assim andarei, SENHOR , ao redor do teu altar,
para p ub licar com voz de louvor e con tar todas as tuas m arav ilh as ” (Salm os 26.7); “Os meus lábios
exultarão quando eu te cantar, assim como a minha alma que tu remiste” (Salmos 71.23).
7. Com brados d e triunfo: “E cantavam a revezes, l ouvand o e celebrando ao SENHO R, porque é
bom; porque a sua benignidade dura para semp re sobre Israel. E todo o pov o jubi lou com grande
jú bilo, quando lou vou o SENH OR , p ela fundação da Casa do SE NHO R” (Esdras 3.11).
8. Com alegria: “Cantem e alegrem-se o s que amam a minh a justiça , e digam continuamente: O
SENHOR, que ama a prosperidade do seu servo, seja engrandecido” (Salmos 35.27); “Vinde,
cantemos ao SENHOR! Cantemos com júbilo à rocha da nossa salvação!” (Salmos 95.1).
9. Com cânti cos: “Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júb ilo” (Salmos 33.3); “A ti, ó Deus,
cantarei um cântico novo; com o saltério e com o instrumento de dez cordas te cantarei louvores”
(Salmos 144.9).
10. Com instrumentos musicais: “E Davi e toda a casa de Israel alegravam -se perante o SENHO R,
com toda sorte de instrum entos de made ira de faia, com harpas, e com saltéri os, e com tamboris, e
com pandeiros, e com címbalos” (2 Samuel 6.5). Não existem instrumentos santos ou profanos, o
que há são pessoas santas, separadas para o louvor e adoração ao Deus verdadeiro.
Estas formas citadas mostram que não existem limites para o louvor e adoração a Deus. É o próprio Espírito
de Deus que move os corações dos fiéis com autoridade e criatividade para a sua particular adoração. Deus não
se agrada com gritarias, exageros, mas se deleita com uma adoração sincera, de todo o coração, que redunde na
edificação da Igreja de Crist o.
Em toda Bíblia encontramos um padrão de adoração que se repete; sempre a adoração é iniciada por Deus,
que age poderosamente em favor de seu povo. Como retribuição desse favor divino alcançado, a resposta do
povo é a gratidão, o lou vor e a prontidão para o serviço.

2.2 NO ANTIGO TESTAMENTO


Contemplamos expressões de adoração bastante significativas: Abraão adorou construindo um altar e nele
ofereceu sacrifício: “E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra. E edificou ali um
altar ao SENHOR, que lhe aparecera. E moveu-se dali para a montanha à banda do oriente de Betei e armou
a sua tenda, tendo Betei ao ocidente e Ai ao oriente; e edificou ali um altar ao SENHOR e invocou o nome do
SENHOR” (Gênesis 12.7-8; 13.18; 15.1-11; 22.13-14). Enquanto o povo peregrinou no deserto, sacrificava a
Deus os animais por ocasião da Páscoa (Êxodo 12.1-28), na consagração dos primogênitos ao Senhor (Êxodo
13.1-2) e cantavam hinos de vitória e júbilo (Êxodo 15.1-21). Foi Davi que m organizou o povo num a comunidad e
de adoração, estabe lecendo os turnos dos levitas para ministrarem a adoração no templo; apo ntou os porteiros, os
músicos e os oficiai s (1 C rônicas 23-26). Ou tra grande contribuição de Davi fo ram seus salmos, que mais tarde
se incorporaram ao cânon judaico.

CURSO DE TEO LOG IA '. V ““ “ ' -• •


■■• ■ r r
No perío do intertestamentário, depois do exílio de Israel e antes do Novo Testamento, o povo adorava ao
Senhor nas sinagogas. O louvor iniciava os trabalhos re ligiosos e em seguida eram feitas as orações e a declaração
de fé judaica: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Deuteronômio 6.4).
No princípio do Nov o Testamento encontra-se uma expressão mu ito significativa dos próprios anjos, por
ocasião do nascimento do Filho de Deus: “E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos
exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo: G lória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os
homens!” (Lucas 2.13-14). Também se observam elementos na adoração dos cristãos primitivos: oração (Atos
2.42); canto (Colossense s 3.16); leitura, pregação e ensino das Escrituras (1 Timóteo 4.13); ofertas (1 C oríntios
16.2) e celebração da Ceia do Senhor (1 Coríntios 11.17-34).
Nas Escrituras Sagradas encontramos algumas diretrizes sobre o louvor que, se observadas, poderão trazer
bênçãos e vitórias aos cristãos:

1. E man damento de Deus para os cristãos do Nov o Testamento, como se pode observar: “Portanto,
ofereçamos sempre, por ele, a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o
seu nome” (H ebreus 13.15). O sacrifício de louvor precisa ser oferecido sempre e a Deus. A medida
que confessamos o nome de Jesus estamos louvando a Deus, pois reconhecemos sua salvação e seu
senhorio espiritual sobre nossas vidas.
2. Davi entendeu a importância do louvor e sua influên cia: “Louvarei ao SENH OR em todo o tempo;
o seu louvor estará continuamente na minha boca...” (Salmos 34.1). Os fiéis necessitam louvar ao
Senhor constantemente, sem cessar, pois o louvor lhes trará grande alegria e edificação.
3. Os discípulos do Senhor tinham o hábito de louvar a Deus de modo que “estavam sempre no
templo, louvando e bendizendo a Deus” (Lucas 24.53).
4. Nad a acontece na vida do fiel que não sej a vontade permissiva de Deus , por iss o escreveu o apóstolo
Paulo: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1
Tessalonicenses 5.18). A vontade de D eus é que sejamos agradecidos p or tudo, coisas boas e coisas
ruins, mas em Cristo.
5. Uma característica notória de quem está com a vida cheia do Espírito Sant o, produz indo o fruto
espiritual : “ ...fal ando entre vós com salm os, e hinos, e cânticos espiri tuais, cantando e salm odiando
ao Senhor no vosso coração, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso
Senhor Jesus Cristo” (Efésios 5.19-20).
6. O louvor é a porta de entrada do cult o ao Senhor, como escreveu o sal mista: “Entrai pelas portas
dele com louvor e em seus átrios, com hinos; louvai-o e bendizei o seu nome ” (Salmos 100.4). Ao
entrar no santuário de Deus, é necessário que tenhamos profunda gratidão por todas as bênçãos a
nós concedidas pelo Pai.
7. Uma mensagem vinda do trono, a ser considerada: “E saiu uma voz do trono, que dizia: Louvai
o nosso Deus, vós, todos os seus servos, e vós que o temeis, tanto pequenos como grandes”
(Apocalipse 19.5). O Rei dos Reis, o Senhor dos Senhores deve ser louvado por todos os que nele
crêem e esperam.
8. Um hábito que deve ser praticado o dia todo: “Desde o nascimento do so l até ao ocaso, seja louvado
o nome do SENHOR” (Salmos 113.3). Não é só no templo, mas em todas as nossas casas, no
trabalho, na escola, na rua, o tempo todo devemos louvar ao Senhor.

CURSO DE TEOLOGIA
3 ESTILOS DE LOUVOR
As três principais missões da Igreja no mundo são: evangelização, o ensino da Palavra e a adoração. Essa
tríade representa as dimensões do relacionamento cristão: horizontal, central e vertical. A evangelização está
relacionada com a missão horizontal da Igreja - a Igreja e o mundo. O ensino das Escrituras Sagrada s diz respeito
à missão central da Igreja. A adoração refere-se à m issão vertical da Igreja - a Igreja e Deus.
Sobre esta última missão, muito se tem discutido sobre qual é o verdadeiro estilo de louvor que deve ser
oferecido a Deus. A realidade é que não há um consenso. Entendemos que não existe um estilo de louvor que
deva ser seguido por todas as igrejas e denominações. A verdade é que não há nas Escrituras fundamento para
um único estilo de culto. O essencial está na qualidade, e não na forma. Atualmente existem vários estilos de

adoração
Muitasnasmudanças
igrejas evangélicas.
profundas ocorreram nos últimos 40 anos nas igrejas protestantes (principalmente nas
pentecostais) com relação aos cultos, e particularm ente à ad oração. Muitas dessas mudanças são resultado de um
esforço consciente de livrar-se do ritualismo e da liturgia e depender somente do Espírito Santo para manifestar
a presença de Deus nos cultos e conseqüentemente levar os crentes a adorarem ao Senhor.
De uma forma resumida, podemos classificar os estilos de louvor entre os mais tradicionais aos menos
tradicionais, ficando assim divididos: litúrgico, tradicional, avivado, louvor e adoração.

Lit úrg ico - E o mais tradicional de todos os est ilos. Val oriza muito a reverência, sendo totalmente planejado
e estruturado. Os pontos fortes do culto litúrgico são sua forma e estrutura que fazem a congregação chegar até
Deus, digno de ser louvado em honra e majestade; gera no adorador um senso de temor a Deus e faz sobressair
a leitura das Escrituras.
Nesse estilo deve-se tomar cuidado p ara que a d istância entre Deus e o adorador não se tom e intransponível;
não se tom e me cânico e iniba a atuação do Esp írito Santo, de modo que o racional sacrifique o emocional.

Tra dic ion al - Também segue um planeja mento e uma estrutura bem rí gida, mas não como no lit úrgi co. Dá
menos ênfase à leitura da Bíblia, com intervalos maiores na celebração da Ceia do Senhor.

Avivado - E um estilo mais infor mal, acompanhado de manifestações de entusia smo, com prega ção
direcionada ao evange lismo. Dev ido à i nformalidade, os adoradores sentem-se ma is à vontade e participam mais
ativamente do culto. As músicas estimulam a emoção, e a pregação desafia os ouvintes.

Lo uv or e ad or aç ão - É um est ilo mais at ual, sen do também conhecido como pentecos tal. T em como
característica a informalidade, com muita música, com o objetivo de buscar a presença imediata de Deus, a
manifestação de línguas estranhas e expulsão de demônios.

3.1 IMPEDIMENTOS À ADORAÇÃO


Antes de falarmos sobre os fatores que impedem a adoração, é bom dizer que nas línguas srcinais o sentido
do termo “ adoraç ão” é chegar-se a Deus de mo do reverente, subm isso e agradecido, a fim de gl orificá-lo. Adorar
é um ato de total rendição, gratidão e exaltaçã o jubilo sa a Deus (Salm os 95.6; 2 Crônicas 29.30; M ateus 2.11) . É

CURSO DE TEOLO GIA


0 Espírito Santo que habilita o cr ente a adorar com profundidade e temo r a Deus (João 4.23-24; Efésios 5.18-19;
1 Coríntios 14.15; Atos 10.46; Fili penses 3.3).
Deus é infinitamente sublime em majestade, poder, santidade, bondade, amor e glória. Por isso, devemos
adorá-lo e servi-lo com toda reverência, fervor, zelo, sinceridade e dedicação (Hebreus 12.28 -29).
Mesmo com tantos motivos para agradecer a Deus, não são raras as vezes em que ouvimos algumas pessoas
dizerem que saíram de um culto insatisfeitas, sem ser alimentadas. Não temos a menor dúvida de que se isso
aconteceu ficou faltando a parte essencial na adoração: o encontro com Deus.
De acordo com Russel Shedd, podemos apontar alguns desses obstáculos que impedem a adoração:

1. Atitude incoerente - Ao nos aproxim armos do altar de Deus, nossos corações precisam estar livres
de qualquer sentimento de amargura, inveja, contenda ou outros sentimentos negativos em relação
aos nossos irmãos com quem nos reunimos para adorar. A Bíblia mostra o exemplo de Caim, cuja
adoração foi rejeitada pelo Senhor. Freqüentemente alguns estudiosos dizem que sua oferta não
foi aceita porque não envolvia sangue. Entretanto, não há indícios nas Escrituras de que Deus não
aceitaria uma oferta dos frutos da terra. O que pode mos dizer é que a oferta de Caim não foi aceita
pelo sim ples fato de sua atitude não ser coerente com sua adoração. O mais p rovável é que a inveja,
o rancor, o espírito faccioso dom inavam seu interi or. “Qualque r atitude de ressentimento, vingança
ou cobrança de dívida moral do passado impede uma adoração real.”1
2. Exterioridade e tradicionalism o - De modo i nevitável a tradição na religião produz exterioridades,
a menos que lutemos conscientemente contra ela. Toda vez que nos apegamos mais à tradição e
à aparência do culto, naturalmente estaremos colocando obstáculos ao verdadeiro culto, que deve
ser em espírito e em verdade. “As exterioridades corroem qualquer prática bem intencionada ou
inocente, seja a de bater palmas, ajoe lhar-se, ficar em pé, levantar os braços ou sentar-se num banco
da igreja.”2
3. Rotina - O dicionário Aurélio defi ne rotina como “a seqüência de atos ou procedim entos que se
observa pela força do hábito” . Sendo assim, em todas as esferas de nossas vidas nos habituamos com
certas atitudes que passam a regular nossás vidas e nos fazem ignorar a necessidade de aprendermos
e renovarmos constantemente nosso comportamento. Podemos dizer que a tradição anda de mão
dada com a rotina. Para a vida espiritual a rotina causa danos irreparáveis, pois impede que seja
entoado um cântico novo ao Senhor; ser sensível à voz do Espírito Santo para que seja renovada a
mente. “Com muita facilidade a rotina pode caracterizar os cultos. Aquilo que atraía e empolgava
no início da vida cristã passa a ser um hábito irrefletido, um caminho percorrido automaticamente,
de maneira que a sua utilidade se perde.”3
4. Mu ndanismo - A influência que o mun do exerce sobre o coração das pessoas apegadas às coisas da
terra, ao prazer momentâneo que este pode oferecer, afasta-as da comunhão com Deus, ao mesmo
tempo em que o com promisso com seu Filho afasta os discípulos do mundanismo. Foi o que ocorreu
com Demas, como disse o apóstolo Paulo: “Porque Demas me desamparou, amando o presente
século, e foi para Tessalônica...” (2 Timóteo 4.10).
5. Pecado não confessado - O aspecto mais crítico do pecado é que el e é contra Deus. E um at o
contra a lei e o desejo de Deus e, portanto, contra o próprio Deus. O pecado interrompe nosso
relacionamento e comunhão com Deus. Ele distorce e deprava nossa personalidade, criada para
se relacionar com Deus, e debilita, polui e desintegra nosso ser . O pe cado consciente, cultivado e
defendido no recôndito do coração, não pode deixar de ser motivo intransponível para Deus nos
negar o prazer de sua companhia. O apego obstinado a alguma impureza, por parte de um filho,

1 SHEDD, Russell. Ad oração bíblica. São Paulo: Vida N ova, 19 99, p. 125.
2 Idem, p. 127.
3Idem, p. 128.
toma impossível a adoração real.
6. Desinteresse e ingratidão - Quando não damos o devido valor à obra que Cristo realizou em nosso
favor, qualquer coisa abala nossa fé. Como é evidenciada, na prática, a ingratidão? Considerando
pouco o que Deus faz por nós (Núm eros 16.9-10); esquecen do dos benefícios que Deus fez em
nossas vidas (Salmos 78.16-17; 27-32); esquecendo de Deus exatamente por causa das bênçãos que
ele nos concede (Deuteronômio 8.12; 32.6 ,15 ,18 ,13 ); levando a pecados maio res-e squ ecim ento e
ingratidão geram idolatria (Juizes 2.11-12); com uma mud ança das prioridades de vida - os ingratos
são “amantes de si mesmos” (2 Timóteo 3.2). Gratidão é a lemb rança de algo que foi feito em nosso
favor, enquanto a ingratidão leva ao esquecimento, à mudança de rumo e de prioridades. Temos
noventa por cento de ingratidão no incidente dos leprosos curado s em Lucas 17.11-19.
7. Preguiça e negligênc ia - A negligência espiritual é a inércia psíquica, a indiferença do crente q ue,
podendo ser participante da ob ra de Deus, não o faz po r displicência, relaxamento ou preguiça
mental. Estas disposições prejudicam toda a Igreja e não somente aqueles que praticam tal ato.
“Quase sempre, a diminuição da fome pela comunhão com Deus tem alguma explicação razoável .
Aos poucos, alguma coisa vai ocupando o espaço que antes abrigava o Espírito Santo. Paixão por
alguém do sexo oposto, um ‘hobby’, descoberta de ‘novas’ verdades num livro filosófico; enfim,
qualque r desperdício de energia mental ou espiritual que deixe a pesso a desmotivada para um culto
vital.”4
8. Falsa adoração - Em noss os di as ex iste m muitas pessoas que, embora par eçam adorar a Deus,
na verdade não prestam um culto de adoração a ele. Israel foi repreendido pelo profeta porque
não cultuava a Deus conforme sua revelação: “Ouvi a palavra do SENHOR, vós, filhos de Israel,
porque o SENHOR tem um a co ntenda com os habitantes da terra, porque não há verdade, nem
benignidade, nem conhecimen to de Deus na terra. Só prevalecem o perjurar, e o mentir, e o matar,
e o furta r, e o adulterar, e há homicídios sobre h omicídios. P or isso, a terra se lamentará, e q ualquer
que morar nela desfalecerá com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar
serão tirados. Todavia, ninguém contenda, nem qualquer repreenda; porque o teu povo é como
os que contendem com o sacerdote. Por isso, cairás de dia, e o profeta contigo cairá de noite;
e destruirei a tua mãe. O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu
rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim;
visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Como eles se
multiplicaram, assim contra mim pecaram; eu mudarei a sua honra em vergonha” (Oséias 4.1-7). O
texto evidencia os pecados do povo, pois, multiplicando-se em número e em riquezas, esqueceu-se
de Deus.

3.2 BENEFÍCIOS DA ADORAÇ ÃO


Enquanto a adoração fala do que somos, o louvor fala do que fazemos. A adoração é gerada dentro do homem,
onde só Deus pode ver. O louvor inevitavelmente se exterioriza, e os homens também podem ver. Como vimos
até aqui, adoração significa reverência a Deus, por meio de uma vida de reconhecimento e amor. Não é possível
adorar sem louvar, mas é possível louvar sem adorar.
Aqueles que têm participad o ativamente do louvo r e adoração a Deus têm usufru ído de benefícios incalculáveis,
descobrindo o segredo de uma das experiências mais enriquecedoras de suas vidas.
Russel Shedd destaca seis benefícios que o louvor proporciona:
1) Segurança espiritual
2) Comunhão e reconhecimento mútuo
3) Santificação
4) Visã o transfor mada
4 Idem , p. 134 .
5) Evangelização
6) Alegria espiritual

Realmente, aquele que adora a Deus de todo o seu coração experimenta bênçãos desse louvor. Adoração e
louvor incentivam os crentes em todos os aspectos a buscarem a maturidade espiritual. Jesus nos exortou para
que buscá ssemos a perfeição: “ Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus” (M ateus
5.48). O apóstolo Paulo lembrou que os dons foram concedidos aos crentes visando o seu aperfeiçoamento: "...
até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da
estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento
de doutrina ...” (Efésios 4.13-14).

m CURSO DE TEO LO GIA


4 MUSICA NO CULTO
Atualmente há um pensamento generalizado de que o ministério de música com equipe organizada é algo
recente e que provém de modismo. Porém, ao estudarmos a Palavra de Deus, encontramos Davi instituindo o
ministério de louvor de forma organizada na Casa de Deus:

Davi Junt amen te com os ch efes do serviço, separou para o ministéri o os filhos de Asaf e, de Hemã e de Jed utum,
para profetizarem com harpas, alaúdes e címbalos. O rol dos encarregados neste ministério foi: dos filhos de
Asafe: Zacur, José , Netanias e Asarela, filhos de Asafe, sob a direção deste, que exercia o seu ministério debaixo
das ordens do rei. Quanto à família de Jedutum, os filhos: Gedalias, Zeri, Jesaías, Hasabias e Matitias, seis, sob
a direçã o de Jedutum, seu pai, que profetizava com harpas, em ações de graças e louvores ao SENHOR. Quanto
à família de Hemã, os filhos: Buquias, Matanias, Uziel, Sebuel, Jerimote, Hananias, Hanani, Eliata, Gidalti,
Romanti-Ezer, Josbecasa, Maloti, Hotir e Maaziote. Todos estes foram filhos de Hemã, o vidente do rei e cujo
poder Deus exaltou segundo as suas promessas, dando-lhe catorze filhos e três filhas. Todos estes estavam sob
a direção respectivamente de seus pais, para o canto da Casa do SENHOR, com címbalos, alaúdes e harpas,
para o ministério da Casa de Deus, estando Asafe, Jedutum e Hemã deb aixo das ordens do rei. O número deles,
junt ame nte co m se us irmãos instru ídos no ca nto do SEN HOR , to do s e les mes tres , era de duz ento s e oitent a e oito
(1 Crônicas 25.1-7).

Dessa forma, podemos ver que já naquele tempo havia ministéri o de m úsica ou música a servi ço da Casa de
Deus de uma mane ira organizada. De acordo com este texto das Escrituras, perceb emo s alguns princípios que,
quando aplicados ao ministério musical da igreja, produzem um bom resultado:

a) Davi separou - Há necessidade de separação, santifi cação para este serviço, não se pode colocar qualquer
pessoa que saiba cantar bem ou tocar um instru mento e colocá-la para ministrar.

b) Ch am ados para p rofetizar - Os músicos tinham o chamado p ara profetizar com os instrumentos. Profetizar
é falar em nome de Deus, e para fazê-lo deve haver necessariamente conhecimento e revelação da Palavra, ter
intimidade com D eus por meio da oração e do jejum . Neste aspecto é necessário en tender que o preparo espiritual
é tão importante como o técnico, pois Deus não está procurando tocadores, e sim adoradores (João 4.23-24).

c) Submissão - Outro aspecto do texto é que os músicos estavam debaixo de autoridade , eram totalmente
submissos. Esta é uma qualidade que Deus preza. Um coração quebrantando e contrito pronto para obedecer a
sua voz.

4.1 TIPO DE MÚSICA NO CULTO


Qual tipo de música seria a mais adequada ao louvor e adoração? Não é fácil definir o estilo de música no
culto em nossos dias; cada igreja segue um ritmo diferente que melhor se adaptou aos seus agregados.
Entendemos que a música é um dom de Deus, um presente dos céus aos homens e como tal deve ser utilizada
da melhor forma possíve l no culto. O apóstolo João disse que “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada
do que foi feito se fez” (João 1.3). Todas as coisas são todas as coisas, incluindo o louvor e a música.
A música não é um fim em si mesmo, mas é um meio utilizado para determinado fim. Assim, a finalidade da
música pode ser para o bem ou para o mal, isto é, a música pode ser um instrumento de prejuízo ou beneficio
para as pessoas.
A música é o veículo por me io do qual adoramos e louva mos ao Senhor. E um dos elementos cúlticos. Dentro
do culto, a música exerce alguns propósitos:

1) Proclam ar a Palavra de Deus


2) Expressar a adoração a Deus
3) Incentiva r a ident ificação e a comu nhão dos crentes, uns para com os outro s
4) Testemunhar

17* CURSO DE TEOLO GIA

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ç, . . I LOUVOR EADORAÇÃO

O PERFIL DE UM LIDER
DE ADORAÇÃO
Considere os líderes que Deus escolheu para seu povo em toda a Escritura. De modo geral, eles não eram os
melhores ou mais brilhantes, mas foram qualificados porque estavam sintonizados com Deus. Invariavelmente,
cada líder era rodeado de outras pessoas qualificadas e piedosas, com as quais não diminuía a perceptível
importância de seus colegas nem m inimizava a significação ou papel dos dons e habili dades com que esse elenco
de apoiadores contribuía.
Especialistas dizem que cada ser humano influencia, pelo menos, dez mil pessoas ao longo de sua vida.
Portanto, a pergunta não é se você influenciará alguém, mas de que m odo usará sua influ ência.
Liderar significa que alguém deve comandar, alguém deve tomar a decisão final, uma pessoa deve estar à
frente, proporcionan do a orientação para o liderado. A verdade é que a liderança é algo complicado. Tem muitas
facetas: respeito, experiência, força emocional, habilidades pessoais, disciplina, visão, dinamismo, momento
certo para agir. .. e a l ista continua. Bons líderes de adoração no rmalm ente dem onstram certas qualidades em suas
vidas, dentre as quais podemos destacar:

a) Não é neófito. Algumas igrejas sentem-se apressadas para improvisa r seu conjunto musical e
acabam por indicar líderes de louvor que têm pouco fundamento espiritual. Enquanto habilidade
musical e experiência podem ser muito importantes, isto não deve ser mais importante do que o
caráter pessoal e o relacionamento com Deus. Líderes bem-sucedidos são aprendizes. O processo
de aprendizado é contínuo e resultado de autodisciplina e perseverança.
b) Dedicado estudio so da Bíblia. Nem toda música cristã ou de louvor está em linha com a Palav ra de
Deus. O líder de adoração precisa estar fundamentado biblicamente para discernir com que tipo de
material ele ou ela está alimentando as pessoas.
c) Vida de oração. De tempo em tempo aqueles que estão no grupo de louvor i rão inevitavelmen te ao
líder em busca de ajuda.
d) Afável. Se o líder de adoração é apático diante das pessoas, a congregaç ão irá se sentir desconfo rtável
e terá dificuldades de entrar em adoração. As pessoas estão mais prontas a seguir líderes que
demonstram confiança e mostram que sabem aonde estão indo.
e) Conhecim ento musical. Davi indicou músicos que eram habilidosos. I sso não significa que seja
necessário ser graduado em música, mas que tenha chamado para este ministério da adoração.
f) Submisso à autoridade. Líderes de adoração devem necessa riamente estar subordinados ao
ministério da igreja.

A liderança é algo que se dese nvolve dia após dia, e não em um dia; isso é uma realidade. A boa notícia é que
a capacidade de liderança não é estática. Independentemente do ponto de partida podemos sempre melhorar.
REFERENCIAS
BAGGIO, Sandro. Revolução na música gospel. São Paulo: Exodus, 1997.
BASDEN, Paul. Adoração ou show? Críticas e defesas de seis estilos de culto. São Paulo: Vida, 2006.
FISHER , Tim. A música cristã. São Paulo: Batista Regular, 2005.
PAES, Carlito; COSTA, Sidney. Ministério de adoração na igreja contem porânea. São Paulo: Vida, 2003.
SHEDD, Russel P. Adoração bíblica. São Paulo: Vida Nova, 1999.
WILLIAMS, Roger. Adoração: um tesouro a ser explorado. Belo Horizonte: Betânia, 2004.

CURSO DE TEO LOG IA


( --- ------------------------------A

faculdade teológica betesda


Moldandovocacionados

AVALIAÇÃO - MÓDULO IV
LOUVOR E ADORAÇÃO
>

1) Na conotação teológica o que signifi ca louvor?

2) O que se entende por adoração vertical e horizontal?

3) De uma maneira resumida, de que forma podem os classificar os estilos de louvor?

4) Quais os propósitos que a música exerce no culto?

5) Cite quatro características que um líder de adoraçã o deve possuir .

CARO(a) ALUNO(a):
• Envie-nos as suas respostas referentes a cada QUESTÃO acima. Dê preferência por digitá-las em
folha de papel sulfite, sendo ob[etivo(a) e claro(a).
CAIXA POSTAL 12025 • CEP 02013-970 • SÃO PAULO/SP
• Dê preferência, envie-nos as 5 avaliações juntas.
“Então conheçam
os, e prossigamos em conhecer ao Senhor
” (Os 6.3)
0 conhecimento sobre Deus não é apenas uma possibilidade, mas também um direito de todos os homens.
A Bíblia Sagrada nos ensina que Deus, graciosamente, revela-se ao homem, convidando
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