Sunteți pe pagina 1din 4

1

A IMPRECISÃO DA LINGUAGEM (JURÍDICA): VAGUEZA E


AMBIGÜIDADE
A diferenciação da linguagem em natural e técnica/formal é uma tentativa de resolver alguns
problemas resultantes da imprecisão que toda linguagem apresenta 1. Assim, ao se tentar formular
códigos mais precisos para a comunicação, procura-se realizar um processo de definição,
formalização e fixação de sentido para termos que constituem um determinado âmbito para a
realidade, como o direito ou a medicina. Ganha-se com esse processo, como também já vimos, em
economia, na medida em que se abrevia a referência a relações abstratas e propriedades de
determinadas situações que se repetem naquele âmbito. Como exemplo, ao fixar o sentido ou os
sentidos das palavras “prescrição”, “competência” e “jurisdição” o/a jurista pode, no processo de
comunicação com outros/as juristas, simplesmente utilizar o termo para fazer referência a todo um
conjunto de conhecimentos que não precisam então ser novamente explicitados, a não ser que se
suscite alguma dúvida.
Mesmo assim, e em decorrência das próprias características da linguagem natural, que
continua sendo utilizada para a formação das linguagens técnicas, resta sempre uma margem de
imprecisão no uso dos termos e expressões. Essa imprecisão não é resultado da carência de
informação sobre o significado das palavras utilizadas num enunciado, mas depende do uso das
regras de formação do sentido, no sentido sintático (combinação dos signos), semântico
(referência de cada signo e da expressão) e pragmático (uso do signo e seu contexto) e por isso é
impossível de ser eliminada de modo absoluto. Ela é sempre uma questão de grau, um termo pode
ser mais ou menos preciso, mas a dificuldade possível de determinar o seu sentido estará sempre
presente.
Na medida em que o legislador se utiliza da linguagem no seu aspecto técnico e/ou natural,
essa imprecisão acontece também dentro da linguagem das normas jurídicas e consequentemente
em todos os âmbitos de atuação do jurista. Com efeito, se a linguagem de uma norma gera
dúvidas, essa dificuldade de determinação ficará transparente, de um ponto de vista concreto, na
necessidade de se dizer (no caso de processo judicial) se um caso concreto atende ou não aos
preceitos legais, se a lei foi violada ou não. Somente os dados da linguagem, a própria referência
dos termos, não serão capazes de oferecer uma resposta, que deverá ser construída a partir da
valoração da situação concreta e do contexto.
As situações que conhecemos como imprecisão e que podem ser diferenciadas entre vagueza
e ambiguidade são, do ponto de vista mais estrito, problemas semânticos, todavia sua resolução,
na medida em que somente as referências internas da linguagem não são suficientes, implica
normalmente em considerar o aspecto pragmático, em especial no que diz respeito às valorações
que o intérprete incorpora na sua tentativa de fixar um sentido para a palavra ou expressão em
questão.
De acordo com Ferraz Jr. uma palavra é vaga quando seu possível campo de referência é
indefinido e não sabemos que situações estão abrangidas por ele: e sua extensão é indeterminada2.
Precisamos então elaborar uma definição que fixe a sua denotação, que explicite o que aquele
símbolo denota, quais os objetos ou situações que ele abarca.
Um bom exemplo de como até uma palavra que nos pareça clara e precisa pode se
apresentar como vaga é a palavra veículo. Certamente consideramos que um automóvel é um
veículo, mas tudo vai depender de como construímos a definição de veículo, que características
vamos exigir para atribuir esse nome a uma coisa. Assim, se considerarmos apenas a capacidade

1
Linguagem natural – utilizada para a comunicação ordinária; Linguagem técnica/formal – usada para
mensagens especializadas, que requerem precisão e economia, utilizada para tornar claras relações abstratas entre as
referências dos signos, como na lógica e na matemática.
2
Tercio S. Ferraz Jr. Introdução ao Estudo do Direito.
2

transportar algo sem que se empregue força física colocaremos também como veículos os
pequenos carros de brinquedo que possuam um motor. Se considerarmos ao definir apenas a
capacidade de transportar algo, então poderemos chamar os carrinhos de bebê e os carrinhos de
supermercado de veículos.
Falamos em ambiguidade quando a palavra permite o seu uso em um campo de referência
com diferente intensão ou compreensão, por manifestar qualidades diversas. Essa situação exige
uma definição conotativa, na qual vamos fixar o conjunto de qualidades que a situação deve conter
para que se possa atribuir aquele termo. Aqui parece de maneira mais perceptível a associação que
se produz entre o termo em questão e os valores e representações ligados a ele e que só lembrados
quando a palavra aparece, porque normalmente a palavra tem mais de um sentido, dependendo da
intenção (agora com cedilha) de quem fala.
No âmbito jurídico um bom exemplo é a expressão “mulher honesta” que aparece no
código penal e é ambígua porque não sabemos que qualidades deve ter uma mulher que possa ser
considerada honesta. Precisamos oferecer uma definição que esclareça o sentido da palavra, se é
utilizada no sentido de sua moral sexual (?), no sentido de que ela é uma boa (?) pessoa, ou que
tem boas referências bancárias ou comerciais (?) e etc. porque a palavra “honesta” faz referências
a todas essas coisas distintas. Novamente entra aqui a questão do contexto e dos valores que já
salientávamos quando exemplificávamos a definição denotativa que acontece no caso de vagueza.
Com efeito, somente através dos elementos que compõem a valoração do intérprete e da sociedade
que o cerca (até porque sua interpretação tem de ser aceita!) é que se poderá decidir pela inclusão
desta ou daquela qualidade na definição conotativa que visa a eliminar a ambiguidade.

Resumindo, temos então:

 Vagueza: o campo denotativo da palavra ou enunciado é indeterminado e não sabemos quais


situações são por ele abrangidas.
 Ambiguidade: o campo conotativo da palavra ou enunciado é indeterminado e não sabemos
que qualidades devem manifestar a situação para merecer o uso do termo.

As situações de vagueza e ambiguidade que estão sempre presentes na linguagem, e por isso
na linguagem jurídica, geram uma também constante possibilidade de se propor novos sentidos ou
redefinir os termos utilizados pelo legislador e pelos operadores jurídicos em geral. Dada à
indeterminação dos sentidos que esses termos apresentam, torna-se possível oferecer, e procurar
convencer argumentativamente, que o melhor sentido para um determinado termo é esse ou
aquele, bem como procurar mostrar que o sentido que vinha sendo utilizado não é o melhor para
aquela situação.
Trata-se, portanto, de utilizar as novas definições denotativas ou conotativas para redefinir o
uso de termos jurídicos e propiciar novas respostas aos casos concretos de acordo com a valoração
daquele que interpreta, desse modo, muitas vezes ocorre que a imprecisão decorrente da vagueza
ou da ambiguidade não é apenas encontrada pelo intérprete no sentido de que ele não sabe que
critérios utilizar para determinar o sentido, mas que ele opta por salientar a imprecisão para poder
produzir um novo sentido que lhe pareça mais adequado. Falamos então em uma redefinição
direta, pois nela o intérprete explicitamente propõe um novo significado para o termo em questão,
seja ele vago, seja ele ambíguo. No caso da vagueza ao oferecer os critérios que delimitam a
extensão dos termos e no caso da ambiguidade ao oferecer o critério para a escolha entre os
sentidos que o termo pode oferecer.
Outras vezes, no entanto, o intérprete percebe que existe um tal consenso em torno do sentido
de uma expressão contida na norma jurídica que seria infrutífero tentar argumentar em sentido
diverso. Mesmo assim, lhe parece que o resultado do processo de interpretação não é o desejável
se ele conseguir o sentido tradicional, já fixado. Pode então vir a realizar um processo de
3

redefinição indireta, na qual o sentido das expressões que contém a norma não será explicitamente
alterado, mas indiretamente o resultado, em especial no caso concreto em questão, o será, porque
se alterará algum elemento do contexto à luz do qual essa norma deve ser lida. Trata-se, então, de
uma redefinição indireta, na qual se recorre às teorias dogmáticas, à análise retórica dos fatos, aos
termos que possuem uma forte carga emotiva como “estado de necessidade”, “lacuna”, etc.
Um bom exemplo desse procedimento indireto de redefinição é mencionado por Luiz Alberto
Warat. Segundo ele antiga lei argentina proíbe a adoção quando o adotante possui filhos legítimos
ou naturais. Para resolver a situação de um casal com filhos legítimos que queria adotar uma
criança entendeu a jurisprudência que havia falta de previsão legislativa para resolver a situação
porque os referidos filhos eram maiores de idade e se estes dessem consentimento à adoção, então
a proibição não valeria para essa situação que se considera não abrangida pelo dispositivo legal. O
tribunal “criou”, portanto, uma “lacuna” na legislação ao salientar as características do
consentimento e da maioridade dos filhos e com isso retirou o caso concreto do âmbito de
incidência da norma. A expressão “lacuna” foi importante para garantir que não parecesse que o
tribunal estava simplesmente descumprindo a legislação: diante da ausência de dispositivo legal
havia a necessidade de sedar uma decisão.
Outro bom exemplo de redefinição indireta, também dado por Warat, é do recurso às
teorias no âmbito penal, no qual o momento consumativo do crime de furto é diferentemente
entendido. Se entendermos que o crime se consuma com a simples arrebatação da coisa das mãos
de seu possuidor teremos uma definição e suas respectivas consequências concretas. Se
entendermos que é necessário estabelecimento do efetivo poder sobre a coisa subtraída para que o
crime se considere consumado teremos uma alteração no julgamento dos casos concretos. 3

Resumindo, temos então:

 Redefinição direta: quando o intérprete explicitamente propõe um novo critério para a


significação do termo.
 Redefinição indireta: quando a significação do texto permanece inalterada, mas o intérprete,
pela alteração do contexto, altera o resultado da relação entre o caso concreto e o texto
normativo, naqueles casos em que não seria persuasivo propor uma redefinição direta.

Ao mencionarmos a redefinição indireta tocamos já num problema crucial para a compressão


do fenômeno jurídico e de sua interpretação, que é o tema do nosso próximo ponto e que diz
respeito à relação entre a norma enquanto linguagem, com todas as características que vimos até
aqui, e a realidade que essas normas pretendem regular.

Material Bibliográfico utilizado:

ARNAUD, André-Jean (org). Dicionário Enciclopédico de Teoria e Sociologia do Direito.


Verbete ‘indeterminação’. Rio de janeiro: Renovar, 1999, pp. 403-405.
FERRAZ Jr., Tércio Sampaio. Introdução ao Estudo do Direito: Técnica, Decisão, Dominação.
2ª ed. São Paulo: Atlas, 1996, pp. 255-256.
VERNENGO, Roberto J. Teoria General Del Derecho. Buenos Aires: Depalma, 1995, pp. 13-40.
WARAT, Luiz Alberto. Introdução geral ao Direito. Vol. I. Porto Alegre: Fabris, 1994, pp. 31-
49.

3
WARAT, Luiz Alberto. Introdução Geral ao Direito. Vol. I. Porto Alegre: Fabris, 1994, pp. 44-45.
4

PARTICULARIDADES DA LINGUAGEM JURÍDICA

O direito é uma construção cultural que visa parâmetros de comportamento quer sejam
considerados justos numa determinada sociedade e numa determinada época. Esse processo de
construção de parâmetros de condutas justas não é simples e possui uma complexa articulação
com a divisão que existe, nessa mesma sociedade, do poder, seja no seu aspecto econômico, seja
no aspecto cultural. Se quisermos simplificar essa ideia podemos fazê-lo dizendo que nesses
processos de construções culturais alguns têm mais condições de intervenção, de atuação, do que
outros. Mesmo assim, ninguém haveria de obedecer regras que não fossem justas ou parecessem
ser as possíveis dentro das circunstâncias. Seja qual for o fundamento da regra jurídica, que
interesses estejam por trás dela, é preciso que ela apareça como justa 4 e essa aparência é
constituída exatamente na argumentação dos juristas.
Para compreender bem a complexidade da feitura das normas jurídicas com as quais
trabalhamos ou trabalharemos como profissionais do direito, podemos lembrar do processo
constituinte5, ou mesmo do processo normal de feitura das normas pelo Congresso Nacional, no
qual ocorre sempre o debate e a negociação (no bom e no mau sentido...) entre os partidos
tentando encontrar uma formulação adequada para a norma que se quer fazer. Muitas vezes o texto
que se escreve como legislação é, ele próprio, imprecisão, para que todos os partidos concordem.
Outras vezes pela dificuldade de prever o que todos partidos concordem. Outras vezes pela
dificuldade de prever o que acontecerá no futuro ou de como se pode, tecnicamente, regular uma
situação concreta, não há condições de se descer a maiores detalhes e por isso fica uma margem
que precisa depois ser preenchida por quem vai trabalhar com a regra jurídica. Em ambos os casos
a responsabilidade por encontrar a melhor e mais justa interpretação é atribuída àqueles que
trabalham com o direito.
Mesmo com essa dificuldade que mencionamos, de fazer regras precisas de
comportamento, parece ser possível encontrar diferentes sentidos para uma regra jurídica?
Essa pergunta é justamente o ponto de partida da nossa disciplina. O que significa
interpretar uma norma jurídica? Por que os juristas, em especial nos tribunais, não concordam
entre si sobre o sentido das palavras que compõem as normas jurídicas do Direito brasileiro? Para
responder essas perguntas temos de começar examinando a relação entre o direito e a linguagem.

4
Aqui tocamos na questão da ideologia que vamos examinar mais tarde, que é crucial para compreendermos
como se produz essa “aparência de justiça”.
5
Lembrem-se do “Centrão” e sua articulação para defender interesses mais conservadores, por exemplo.
Destaque-se que o Centrão foi rearticulado em 2018, e há quem diga que, dentro do atual sistema político, deste
depende a governabilidade de qual governo que se eleja.