TEORIA DO CONHECIMENTO
Introdução
A teoria do conhecimento levanta certas questões muito amplas e
profundas acerca dos sujeitos de conhecimento e do conhecimento em si. O
que é conhecer? Como distinguir o conhecimento da mera crença? E será o
conhecimento possível? A teoria do conhecimento é também designada epistemologia, a partir da palavra grega para
conhecimento, episteme. A epistemologia tem uma longa história: à medida que avançarmos […] iremos envolver-nos
num diálogo que começou há mais de dois mil anos. […] Iniciaremos a nossa análise do conhecimento recorrendo a
Platão (c. 428-347 a. C), e ao longo da nossa investigação iremos ver o que os grandes pensadores do passado nos
disseram: René Descartes (1595-1650) e David Hume (1711-1776) assumirão especial relevo. […]
Tipos de conhecimento
Ocupar-nos-emos, em primeiro lugar, do conhecimento factual. Eu posso saber que Glasgow fica na Escócia […].
Este género de conhecimento é por vezes designado «saber-que» ou «conhecimento proposicional»; «proposicional»
porque é expresso em termos do conhecimento que eu tenho de certas proposições ou pensamentos verdadeiros: sei que
a proposição «Glasgow fica na Escócia» é verdadeira. Para além dos termos «sei que», o conhecimento factual é
expresso através de locuções como «sei porque», «sei onde», «sei quando», «sei se», «sei quem» e «sei o que». Tais
modos de falar indicam que temos conhecimento de certos factos: sabendo onde deixei as minhas chaves, sei que elas
estão no café; sabendo quando começa o programa, sei que ele começa às nove da noite. Este tipo de conhecimento
pode igualmente ser expresso sem recurso ao verbo «saber». Posso dizer que «as minhas chaves estão ali no café» ou
que «o programa está a começar agora». Estas afirmações não deixam de ser expressões de conhecimento factual.
Há outros tipos de conhecimento além do conhecimento factual. Um deles é o «saber-como»: eu sei como andar de
bicicleta […]. Este tipo de conhecimento é por vezes designado «conhecimento por aptidão». Precisamos de ser
cuidadosos neste ponto, pois é possível que eu tenha este género de conhecimento sem possuir a aptidão em causa.
Posso ser impedido de exercer uma dada aptidão por constrangimentos de ordem prática, ainda que saiba como fazê-lo:
posso ser impedido de andar de bicicleta por ter perdido momentaneamente o equilíbrio […]. Saber como fazer certas
coisas pode implicar a posse do conhecimento factual. Para eu saber jogar snooker, tenho de saber que a bola azul vale
cinco pontos e que tenho de embolsar uma bola vermelha antes de poder embolsar uma bola de cor. Outras aptidões,
porém, não requerem o conhecimento de quais quer factos. Posso desempenhar ações básicas como andar, nadar ou
falar sem ter de saber que tenho de fazer movimentos específicos com o meu corpo ou boca para esse efeito: é possível
«saber como» sem o conhecimento proposicional relevante.
Um terceiro tipo de conhecimento é o conhecimento por contacto. Conheço fulana porque já estive com ela; conheço
aquela melodia porque já a ouvi; e conheço o parque natural do Gerês porque já lá estive. Posso possuir tal
conhecimento sem saber quaisquer factos acerca destas coisas. Posso, por exemplo, conhecer uma melodia sem saber
como se chama, ou sem que tenha quaisquer crenças a seu respeito; conheço-a, pura e simplesmente. […] Assim, o
conhecimento pode envolver contacto; diferentes aptidões práticas, intelectuais ou físicas; e o conhecimento de certas
verdades ou factos.
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