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OS RITOS MAÇÓNICOS COMO EXEGESE SIMBÓLICA

pelo Irmão Arnaldo M.Gonçalves

M:.I:. Loja Luz do Oriente, GLLP-GLRP


Cavaleiro Rosa-Cruz, 18.o REAA

I. Introdução
 
Os ritos têm na Maçonaria, enquanto organização e prática simbólica, um papel central. Constituem formalismos, representações
particulares em Maçonaria cujo carácter e natureza se distingue do carácter de outros ritos pela forma, mas também pelo espírito que os
impulsiona e inspira.
 
O rito é a acção do mito, ou seja, o mito fornece o arquétipo, o modelo exemplar para a acção do homem, o qual, para ter significado, deverá
ser a repetição de uma conduta divina. O mito concretiza-se e actualiza-se em ritos. O rito será assim o conjunto de práticas religiosas,
cumpridas segundo uma ordem estabelecida, as quais, permitindo recuar aos primórdios, ao tempo das origens, dão ao homem uma
espécie de poder mágico-religioso, sobre aquilo que o cerca[i].
 
Então o rito realiza o mito e permite a sua vivência e memória. Separado do rito, o mito perde, se não a sua razão de ser, pelo menos o
melhor da sua força de exaltação: a capacidade de ser vivido e repetido.
O rito tem uma inspiração litúrgica[ii] existindo vários dentro da tradição maçónica e com alterações de país para país. Os mais praticados
na tradição continental europeia são o R.E.A.A. [Rito Escocês Antigo e Aceite], o R.E.R. [Rito Escocês Rectificado] e o Rito de Emulação [RdE].
 
Mas ao contrário da liturgia própria das religiões, entendida como conjunto das cerimónias e orações determinadas pela autoridade
competente para cada acto do culto oficial, o rito maçónico tem reflectido o carácter areligioso da própria organização maçónica, a ausência
de uma hierarquização vertical própria das confissões religiosas e a recusa das autoridades maçónicas em transformar as regras da Arte
Real em dogmas inquestionáveis e intocáveis, presos a uma autoridade inconformável.
 
Este texto tem por objectivo fazer uma pequena viagem adentro da ritualistica maçónica e mostrar aos neófitos ou aos meros curiosos
porque é que a Maçonaria não é uma igreja, ou confissão religiosa e, portanto, não é uma ameaça às ordens religiosas estabelecidas. Não
dá sacramentos, não faz noviços, não pastoreia almas, limita-se a passar aos homens livres, honrados e de bom reporte social regras de
conduta e de elevação moral que têm origem em tempos imemoriais, mas que a relativização dos valores e o multiculturalismo dos tempos
que vivemos tornou raros.
 
II. Ritos e Cristianismo
 
A franco-maçonaria simbólica regular pratica os três graus tradicionais da maçonaria operativa: aprendiz, companheiro e mestre. Respeita e
aplica os landmarks, regras antigas e fundacionais da fraternidade maçónica. Entre estas regras conta-se a crença num Deus ou entidade
superior denominado Grande Arquitecto do Universo [GADU], a crença na sua Vontade Revelada expressa num Livro da Lei Sagrada [no
inglês Volume of Sacred Law] e a tomada das obrigações ou juramentos sobre esse livro de particular escolha do promitente.
 
De certa maneira, o simbolismo maçónico é desde logo inspirado por uma simbologia de natureza esotérica que remonta à tradição judaico-
cristã. Não se esgota nela mas parte dela e segundo alguns autores mergulha mais além. As lojas dos três primeiros graus [lojas simbólicas]
designam-se Lojas de S. João, querendo significar que são a replicação dos ensinamentos de S. João Evangelista e de S. João Baptista, os
dois santos patronos da maçonaria.
O Livro das Constituições do pastor Anderson de 1723 dispunha a esse propósito: “antigamente os irmãos reuniam-se no dia de S. João, ao
nascer do Sol, num convento ou numa alta montanha da vizinhança e depois de aí elegerem os grandes oficiais dirigiam-se ao local da
festa”[iii]. Essa festa costuma ter lugar no dia 24 de Junho e é ritualmente celebrada pela fraternidade maçónica, por todo o mundo.
 
De acordo com o Livro de Lucas do Novo Testamento, S. João Baptista seria familiar de Jesus Cristo, tendo nascido seis meses antes e sido
baptizado por ele. S. João Baptista destacou-se pela sua prática religiosa, orando e baptizando judeus no rio Jordão.
De acordo com as Escrituras Canónicas esse ministério seria interrompido quando Herodes Antipas o aprisionou por ter publicamente
condenado o seu casamento com Herodias, sua cunhada (Lucas 3:19)[iv]. De acordo com a narrativa, embora Herodes respeitasse a
autoridade de S. João Baptista entre os judeus não resistira ao pedido de Salomé, sua filha, de ver-lhe oferecida a cabeça decepada de S.
João Baptista.  A reprovação do vício, enquanto expressão de baixeza moral, é assim incorporada como um dos ensinamentos basilares da
Ordem de que um maçom digno – tal como S. João Baptista – preferirá ver a sua cabeça decepada do que trair os ensinamentos da sua
Ordem.
 
S. João Evangelista seria discípulo de S. João Baptista, tornando-se mais tarde num dos Doze Discípulos de Cristo. É venerado como santo
dentro da Cristandade, comemorando-o a Igreja Católica a 27 de Dezembro e a Igreja Ortodoxa a 26 de Setembro. De acordo com os
evangelhos canónicos[v] foi o único apóstolo que acompanhou Jesus até à morte na cruz sendo-lhe confiada a tarefa de cuidar de Maria,
mãe de Jesus. Presenciou com Pedro e André a ressurreição da filha de Jairo, a transfiguração de Jesus na montanha e sua angústia no
Getsêmani. Após as perseguições sofridas pelos cristãos em Jerusalém, transferiu-se com Pedro para a Samaria, onde desenvolveu uma
intensa evangelização. Mudou-se para Éfeso  onde viveu o resto de sua vida, morreu e foi sepultado. Ali terá escrito o Quarto Evangelho, o
último dos evangelhos canónicos, e as Epístolas.
 
O seu evangelho difere dos outros três por se deter no aspecto espiritual dos ensinamentos de Jesus, isto é, a vida e a obra do Mestre com
base no mistério da encarnação. Como homem da elevação espiritual, mais inclinado à contemplação do que à acção inspira a acção
maçónica de desbaste da pedra bruta e é essa provavelmente a razão da sua adopção como patrono da maçonaria.
 
Tal como a própria doutrina da maçonaria os textos canónicos atribuídos a João Evangelista são o repositório de uma longa evolução
espiritualista que ordena os contributos gregos, egípcios, judaicos e orientais de que a maçonaria é particularmente ciente. Exprimem,
lembra Paul Naudon, “a resposta imutável à eterna dúvida metafísica do homem, fazendo compreender da melhor forma o fundo comum e
tradicional de todas as religiões” [vi].
 
Nesse aspecto, a maçonaria integra-se numa tradição milenar que ancora nos Mistérios de Eleusis e Egípcios. A finalidade espiritual destes
era preparar a vinda da perfeição. Fazer-se passar por uma Iniciação significava morrer simbolicamente para a vida material e desprovida de
referências e subir ao estado de pureza, do conhecimento e da plenitude. O iniciado que parecia conservar o mesmo corpo e a mesma alma
recebia em cada grau iniciático uma regeneração de uma parte do seu ser, ao receber a iluminação. Relata o Evangelho de S. João [3: 4 a 7]
[vii]:
 
[...] (4) Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?
(5) Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
(6) O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
(7) Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.[...]  
 
Nascer da água para o espírito, suportando as provas do vento e do fogo, por aí se faz o recipiendário na sua árdua progressão para a Luz.
Uma luz lhe é efemeramente mostrada para que dela se aperceba sem que a possa tomar para si. Porque o absoluto é um instante que se
afasta à medida que nos acercamos dele. Tentamo-lo mas nunca é nosso.
 
III. REAA
 
Os historiadores Christopher Knight e Robert Lomas[viii] atribuem a formação do Rito Escocês Antigo e Aceite ao facto da Grande Loja Unida
de Inglaterra [GLUI] se recusar a reconhecer os altos graus da maçonaria regular levando à formação em 1819 de um Supremo Conselho
para Inglaterra dos graus do Rito Escocês.
 
Mas as primeiras referências a estes graus são anteriores, oriundos de França, datando do período entre 1715 e 1745. Na verdade, é em
França que se encontram as primeiras referências ao termo escocês, através da palavra «ecossais». No final do séc. XVII, as ilhas britânicas
haviam sido atingidas por um surto de tifo, tendo muitos escoceses fugido para França, onde terão cultivado os seus interesses maçónicos.
Knight e Lomas atribuem esse facto a razões menos prosaicas e à luta pela sucessão dinástica em Inglaterra. Os altos graus foram
associados ao Cavaleiro Ramsey nascido em Ayr em 1686, o qual terá promovido a criação destes graus em França quando era tutor dos
dois filhos de Jaime VIII da Escócia que se encontrava exilado em França. 
 
Em sentido coincidente Albert Mackay na sua obra The History of Freemasonry[ix] refere que os jacobitas partidários de King James e da
dinastia dos Stuarts, cujos primeiras figuras se encontravam exiladas em Franca na sequência da disputa sobre o trono inglês entregue ao
Principe de Orange e cujos termos se encontram perfigurados na Magna Carta, terão estado fortemente envolvidos em actividades
maçónicas. De acordo com a teoria que liga os Stuarts à maçonaria, o terceiro grau das lojas azuis terá sido criado por estes, aludindo o
templo à monarquia, a morte do Mestre à execução de Carlos I ou à destruição da linha dinástica pela abdicação de Jaime II e o dogma da
ressurreição à restauração da Casa de Stuart no trono de Inglaterra. Uma das palavras fulcrais no grau, mac..., decorreria de uma expressão
gálica querendo dizer o “filho abençoado” isto é Jaime, filho da viúiva Henriqueta Maia, mulher do executado Carlos I.
 
Seja qual for a verdade desta versão histórica muito contestada pelos historiadores ingleses, a palavra «escocês» tem levado muitos
maçons a pensar que este rito terá tido origem na Escócia, o que não corresponde exactamente à verdade. Os historiadores procuram ainda
a resposta para este facto. Os primeiros registos deste termo remontam a meados do séc. XVIII, indiciando o início do Rito em Bordéus; daí
terá sido levado para colónias francesas nas Índias Ocidentais e posteriormente para os Estados Unidos. As primeiras lojas parisienses
(1725) foram fundadas por jacobitas e o próprio Grão-Mestre Lord Dertwentwater participou na insurreição de 1745 contra os Hanovers e
morreu decapitado na Torre de Londres. O famoso Discurso de Ramsay inscreve-se na mesma orientação. Ramsay propunha-se obter o
apoio da nobreza francesa e do próprio Luis XV à causa dos Stuarts[x].
 
Em 1761, a Grande Loja de França emitiria uma patente em benefício de Etienne Morin como o objectivo de espalhar o rito escocês pela
América. Morin seria feito Grande Inspector do Novo Mundo e autorizado a criar inspectores em todos os lugares em que estes graus não
estivessem estabelecidos. A chegada em 1795 a Charleston de dois cidadãos franceses, Alexandre Francisco, Marquês de Tilly e João
Baptista de la Hogue possibilitou um grande impulso do Rito da Perfeição, como por vezes também é designado. Em 31 de Maio de 1801,
Morin estabeleceu o Soberano Conselho para o Grau 33 do REAA dos Estados Unidos da América em Charleston, na Carolina do Norte. Os
dois frances integrariam o Supremo Conselho que seria presidido pelo Coronel John Mitchell. Em 1802, o Supremo Conselho emitiu uma
circular a todas as Grande Lojas do mundo datando a origem da Maçonaria na criação do mundo, declarando-se ainda como guardiã das
constituições secretas que existiam desde tempos imemoriais[xi]. Os graus azuis passaram a ser administrados pelas Grande Lojas dos
Estados; os graus filosóficos pelo Supremo Conselho do REAA[xii].
 
O que caracteriza o REAA é a ligação entre uma tradição hermética, designadamente nos três primeiros graus e uma graduação particular
dos Altos Graus (do 4.o ao 33.o) que é normalmente rejeitada pela maçonaria inglesa. No primeiro aspecto, a “purificação” pelos quatro
elementos inclui-se uma orientação claramente hermética. Não remontará, como alguma fantasia insiste em logribar, aos alquimistas da
Idade Média mas é provável que tenha inspiração nos tratados de alquimia vulgarizados no século XVIII e por maçons adaptado à iniciação
maçónica. A purificação pela Terra, pelo Ar, pela Água e pelo Fogo instilam no candidato, à medida que passa pelas provas, a percepção
gradual do sentido esotérico da “passagem” que faz advindo das profundezas do mundo terreno para a ascese que lhe é dada pelo sopro do
espiritual. É na Câmara de Reflexão que ele percepciona talvez ainda desatento três elementos, de enorme sentido esotérico - o enxofre, o
sal e o mercúrio – que lhe serão fundamentais à iluminação final. 
 
O segundo aspecto particular do rito é a evolução pelos Graus superiores agrupados em Lojas de Perfeição (4.o ao 14.o), em Capítulos (15.o
a 18.o), em Aerópagos (19.o ao 30.o) e em graus com carácter administrativo (31.o a 33.o). Talvez como em nenhum outro rito a natureza
fundamentalmente alegórica do caminho maçónico para o conhecimento e para a procura da Palavra Perdida encontre tão grande e notável
expressão. Os graus mostram-se entrelaçados e a Lenda do Mestre constroi-se passo a passo. A recriação dos mistérios ligados à
reconstrução do Templo de Salomão denota aqui uma vivacidade particular. O “linguarajar” maçónico deixa de ser ostensivo e transparente,
como nos primeiros três graus azuis, para se tornar translúcido numa reflexão filosófica sobre o Homem, o seu destino, a sua centelha divina
e a constelação de valores que ditam a sua dimensão racional, muitas vezes minada por desleixo, a incúria ou o puro dislate.
 
Os nomes atribuídos aos vários graus retêm instantes do Velho Testamento e da sua galeria de figuras históricas e míticas: Mestre Secreto e
Perfeito; Secretário Íntimo, Preboste, Mestre Eleito, Sublime Cavaleiro, Grão-Mestre Arquitecto, Cavaleiro do Oriente, Príncipe de Jerusalém,
Cavaleiro Rosa-Cruz e por aí fora.
 
IV. O RER
 
O Rito Escocês Rectificado é um rito cristão terá tido origem na doutrina da Estrita Observância do século XVIII contida no mais antigo
documento maçónico francês   La carte inconnue de la franco-maçonnerie chrétienne[xiii], revelada segundo Alec Mellor na Revue
Internationalle des Sociétés Secrétes uma revista anti-maçonica do Monsenhor Jouin.
 
Trata-se de um código maçónico cujo texto segue a lógica das Constituições do pastor Anderson mas que acentua a crença no cristianismo
como requisito fundamental para a crença maçónica, o que tem ligação a uma tradição cavalheiresca que remonta aos cavaleiros
templários. Na sua versão actual o rito deve muito ao trabalho de condensação, investigação e depuração feito pelo francês Jean-Baptiste
Willermoz, negociante de sedas, que viveu entre 1730 e 1824.
 
Willermoz conheceu um pensador extermamente relevante neste rito, Martinez de Pasqually que fundaria a Ordem dos Eleitos Coens e cuja
obra continuou após a partida de Martinez para São Domingos em 1772[xiv].
 
Segundo Mellor, Willermoz foi um frequentador constante de lojas regulares francesas, de capítulos templários alemães da Estrita
Obediência e dos “Philalèthes” fundando em 1779 a Ordem dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa reunindo à sua volta um grupo de
maçons devotados a uma leitura espiritualizada e “mágica” dos ritos maçónicos entre os quais o referido Martinez de Pasqually, Louis
Claude de Saint-Martin,  Joseph de Maistre, e o Conde de Saint-Germain.
 
Willermoz ensinava no seu Capítulo que, para encontrar a pedra cúbica, que contém em si todos os dons, virtudes ou faculdades, é
necessário encontrar o princípio da vida que os Adeptos chamam alkaeter. Esse espírito tem a faculdade de purificar o ser anímico do
homem, prolongando a sua vida.
 
O mesmo espírito tem o condão de transformar os vis metais em ouro, encontrando-se nos três reinos da natureza e cabendo ao prosélito
encontrar maneira de o manipular. A pedra bruta representa a matéria disforme que importa talhar; a pedra cúbica com ponta piramidal a
matéria desenvolvida pela tríplice acção do Sal, do Enxofre e do Mercúrio.
 
Segundo o teosofismo de Martinez de Pasqually em que o código do Rito Rectificado se inspira a doutrina esotérica deve comportar a
revelação de verdades primordiais, comunicadas noutros tempos a seres privilegiados, mas possível de ser transmitida áqueles que
escolham a via do diálogo íntimo com o Criador.
 
Segundo Martinez, a história da humanidade resume-se às consequências do pecado original e à subdivisão do Homem Primitivo. Deus
criou Adão para que fosse o guardião da prisão onde havia posto os anjos rebeldes. Adão, revestido de uma forma "gloriosa" comandava
toda a criação, mas, seduzido pelos Espíritos perversos quis ter a sua própria posteridade "espiritual". A criação de Adão não resultou senão
numa forma material (Eva), que constituiu sua própria prisão futura. Essa condição privou-o da comunicação com o Criador e expô-lo aos
ataques dos espíritos perversos, dos quais ele era anteriormente o Mestre.
 
A posteridade de Seth poderá obter sua reconciliação e entrar em contacto directo com a Divindade, após ter percorrido todas as esferas
superiores do mundo celeste mas Somente a graça da reconciliação do Pai dará a potência e o poder ao filho. A luz não é dada ao curioso,
ao apressado; o Altíssimo a concede ao Homem submisso aos seus mandamentos e que pratica a sua justiça.
 
O regime Escocês Rectificado contou ainda com o trabalho de organização e depuramento ritualista efectuado pelo Barão de Weiler, que 
rectificou certas lojas existentes em Estrasburgo de acordo com o rito da Estrita Observância Templária da Alemanha, cujo Grão-Mestre da
loja de Saxe (região da Alemanha Oriental) era o Barão de Hund.
 
Weiler instalou em 1774, em Lyon, o primeiro Grande Capítulo da região e colocou Willermoz como chefe ou delegado regional, vindo a ser
constituídos outros capítulos em Montpellier e em Bordéus, cidade onde residia Martinez. O sistema era constituído por 9 graus, agrupando
três classes.
 
O Rito Rectificado é portanto o Rito utilizado e praticado pelas Lojas Escocesas Rectificadas trabalhando estas nos rituais dos "Graus
Simbólicos" que foram condensados e revistos pelos Conventos das Gálias (1778) e de Wilhelmsbad (1782)[xv].
 
O Regime Escocês Rectificado completa-se em seis Graus assim organizados: os graus de aprendiz, companheiro e mestre formam as Lojas
azuis ou de S. João, o grau de Mestre Escocês de Santo André as lojas verdes ou de Santo André e os graus Escudeiro Noviço e Cavaleiro
Benfeitor da Cidade Santa a Ordem Interior. Está ligado à mensagem de Amor e Tolerância do Novo Testamento sem detrimento da Justiça
vinculada pelo Antigo Testamento.  
 
Nos dias de hoje, os Grandes Priorados entregaram o governo administrativo das Lojas azuis às competentes Grande Lojas, conservando, a
tutela ritual e simbólica dos mesmos três graus azuis, através de Tratados de mútuo reconhecimento. Reservam para si a tutela das Lojas de
Santo André e a Ordem Interior.
    
Existem Grandes Priorados de C.B.C.S., regulares, em Portugal (Grande Priorado Independente da Lusitânia[xvi] (G.P.I.L.), no Togo, na Bélgica,
Prefeituras em Espanha (sob tutela de um Grande Priorado de K.T.) e naturalmente na Suíça, o Grande Priorado Independente da Helvécia
(G.P.I.H.) o qual, historicamente, ficou com as patentes originais francesas. Todos estes Grandes Priorados mantêm relações de amizade
com os Grandes Priorados Anglo-Saxónicos de Knight Templars (K.T.) e Knights of Malta (K.M.).
 
V. RdE
 
O rito de emulação é um dos ritos mais praticados em Inglaterra e pelo mundo. O rito encontra a sua origem na união em 1813 da Grande
Loja dos “Modernos” com a Grande loja dos “Antigos”.  O rito deve o seu nome mais precisamente ao nome de uma loja “Loja Emulação do
Aprendizagem”[xvii] que a partir de 1823 foi encarregada de instruir os maçons nas práticas rituais de que resultaram da união das GL’s e
haviam sido adoptadas pela Grande Loja Unidade de Inglaterra, a potência-mãe da maçonaria regular.
 
Sob o impulso de Peter Gilkes e George Claret a loja de aprendizagem ganhou uma enorme relevância mas segundo alguns autores o facto
da GLUI ter levado algum tempo a publicar o ritual (1969) levou à multiplicação de estilos dentro do chamado “Rito Inglês”. Talvez por isso
importe referir-se o rito inglês mas praticado segundo diversos “workings” stability, logic, bristol, west end e outros.
 
O rito de emulação é extremamente rigoroso uma vez que as cerimónias são regidas como sobre a partitura de uma música. O ritual é sabido
de cor e deve ser suficientemente integrado para conferir ao que o exercita a dimensão de o viver do “interior”, conferindo ainda uma
dinâmica de conjunto. A linguagem corporal tem neste rito um enorme papel mais que a linguagem arcaica em que o ritual está escrito pelo
que cada gesto conta e o “traçar” de ângulos rectos têm uma significância particular que dispensa quem o pratica de elaborar sobre a “arte”.
A emulação, a concentração no rito é um momento de enorme intensidade e de concentração do conjunto dos obreiros.
 
Diferentemente do REAA as lojas de emulação dispõem de dois expertos [deacons] e de jóias maçónicas específicas. O Rito de Emulação
funciona em Lojas Azuis de três graus, em moldes idênticos aos outros ritos[xviii] e é complementado por graus superiores, o que os
ingleses designam por “side degrees” e que são praticados numa Loja de Marca ou num capítulo do Arco Real [Royal Arch]. Estes graus
superiores agregam os graus de Mestre de Marca[xix], Ex-Mestre, Muito Excelente Mestre Maçom, Mestre Maçom do Arco Real e Escocês
Trinitário.
 
O rito de emulação é praticado nalguns países [caso de Portugal] na variação designada de York por se referir às lojas de Yorkshire que se
federaram em 1705 constituindo-se em Grande Loja, na nomenclatura inglesa The Grand Lodge of all England. Held at York. Segundo regista
Alec Mellor[xx] esta Grande Loja teve grande prestígio desaperecendo no fim do século XVIII. Esta expressão do Rito de Emulação subsiste
nos Estados Unidos sendo o rito praticado de forma tão abundante como o REAA. No sistema americano há graus adicionais que
complementam o trabalho da Loja, do Capítulo e do Conselho, ordens agrupadas numa estrutura referida como Rito Americano, Canadiano
ou de York.
 
VI. Conclusão
 
Na tradição judaico-cristã o conceito de rito refere-se a um corpo de tradição litúrgica normalmente correspondente a um determinado
centro. Temos por exemplo o rito romano ou latino, o rito bizantino, o rito ciríaco.
 
O conceito refere-se também a várias formas de actos religiosos agrupando três tipos de ritos: os de passagem que produzem alterações na
qualidade de um indivíduo [disso sendo exemplo os sacramentos do baptismo, do casamento ou da graduação], os de adoração à divindade
que têm lugar numa Igreja Cristã, numa capela, num mosteiro, numa sinagoga, numa mesquita e os ritos de devoção pessoal que ocorrem
em qualquer lugar sagrado ou numa peregrinação religiosa a um local de particular devoção [Lourdes, Meca].
 
Na tradição simbólica e esotérica maçónica o rito é sobretudo uma expressão da interpretação dos usos e costumes da Fraternidade, das
tradições transmitidas oralmente, desde que os maçons se reúnem a coberto para glorificar o Criador e fazer novos avanços na Arte Real.
Dependendo das fontes há 300 anos ou há 1000 anos.
 
A mais importante diferença é que os ritos não são para os Maçons e as suas organizações bíblias, dogmas ou repositórios inquestionáveis
de uma Verdade absolutizada ou sectarizada. São interpretações, exegeses, mergulhos na mais profunda dimensão dos Homens Livres, a
sua profunda espiritualidade e sede de perfeição. São caminhos mas não são O Caminho.
 
Esse cada um O procura e O encontra ou não. Em liberdade, afinal a condição primeira dos Homens Livres, dos Livres Pensadores, dos
talhantes da pedra bruta e os exaltantes do ashlar.

[i] In Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2007. [Consult. 2007-04-04].


[ii] Alec Mellor, Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons, Martins Fontes, S. Paulo, Junho de 1989.
[iii] In http://www.2be1ask1.com/library/anderson.html. Consult. 2007-04-04.
[iv] In http://bible.oremus.org/?passage=luke+3:19-3:19&version=nrsva. Consult. 2007-04-04.
[v] Os evangelhos S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João aprovados no Conçílio de Niceia como os oficiais da Igreja Católica.
[vi] Paul Naudon, “A Franco-Maçonaria”, Publicações Europa-América, Lisboa, 1977.
[vii]  In http://bibliaonline.com.br/acf/jo/3
[viii] Cf. “The Second Messiah. Templars, the Turin Shroud & the Great Secret of Freemasonry”, Arrow Books Limited, 1997.
[ix] Edição da Random House, New Jersey, 1996.
[x] Alec Mellor, Nos fréres séparés, les franc-maçons, Paris, Mame, 1963 e mesmo autor Dicionário da Franco-Maçonaria, ibid.
[xi] Alec Mellor, Dicionário da Franco-Maçonaria, ibid.
[xii] Rizzardo da Camino, Rito Escocês Antigo e Aceito (Graus 1.o ao 33.o), Madras Editora, S. Paulo, 1997.
[xiii] Em português “A carta desconhecida da Franco-Maçonaria cristã”, Alec Mellor ibidem.
[xiv] Willermoz foi iniciado por Martinez em Versailles, perto de Paris, no Equinócio de Março de 1767, quando este instalou o seu Tribunal Soberano de Paris.
[xv] Nuno Nazareth Fernandes, Gomes Freire de Andrade e o RER.  
[xvi] Em Portugal o RER está na origem da Grande Loja Regular de Portugal (Graus azuis) tendo as Lojas de Santo André e a Ordem Interior sido introduzidas pelo Grande
Priorado Independente da Helvécia com a criação do Grande Priorado da Lusitânia.
[xvii] Ver http://www.emulationritual.org/. A  l'Emulation Lodge of Improvement reúne-se todas as sextas feiras de Outubro a Junho às 18.15 no Freemasons' Hall, Great
Queen Street, Londres, WC2B 5AZ
[xviii] C.W. Leadbeater refere em Freemasonry and its Ancient Mystic Rites, Random House, Nova Iorque et alia, 1986, pp. 151-2, que não terá sido sempre assim, uma vez
que as Constituições de 1723 apenas falavam em aprendizes e companheiros. Em 1725 a GLUI emitiu uma directiva determinando que “o Mestre da Loja, com  o
consentimento dos vigilantes e da maioria dos Irmãos que serão mestres, podem “fazer” mestres de acordo com a sua conveniência”.
[xix] O Mestre de Marca é tido pelo mais antigo grau maçónico e um dos mais prestigiados.
[xx] Alec Mellor, Dicionário da Franco-Maçonaria, ibid.

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