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Apostila Gratuita

Falência e Recuperação Judicial (Lei


11.101/05)

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I. Disposições aplicáveis a falência e a recuperação
judicial
1º Disposições preliminares
a) pessoas sujeitas a sua aplicação: A lei de Falência somente se aplica
ao empresário individual, de responsabilidade limitada "EIRELI" e
sociedades empresárias, estando excluídas as sociedades simples.

Art. 1o Esta Lei disciplina a recuperação judicial, a recuperação


extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária,
doravante referidos simplesmente como devedor.

b) pessoas excluídas de sua aplicação (art. 2º): no universo de pessoas


sujeitas a aplicação da lei, existem alguns empresários e sociedades que
foram excluídas da incidência da nova lei:
1º empresa pública e sociedade de economia mista: são chamadas pela
doutrina de totalmente excluídas, posto que em nenhuma hipótese
poderão requerer falência.
2º instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito,
consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade
operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora,
sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas
às anteriores: são chamadas de parcialmente excluídas, posto que em
princípio não podem sofrer falência. Contudo, todas elas podem passar por
liquidação extrajudicial e, nesse caso, será nomeado um liquidante que
poderá pedir a falência dessas entidades.
Destaca-se que são equiparadas as entidades anteriores a empresa de
leasing e a administradora de cartão de crédito. Nesse sentido:

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STJ - Súmula nº 283: As empresas administradoras de cartão de
crédito são instituições financeiras e, por isso, os juros
remuneratórios por elas cobrados não sofrem as limitações da Lei
de Usura.

c) Juízo competente: nos termos do art. 3º da Lei, é competente para


homologar o plano de recuperação extrajudicial, deferir a recuperação
judicial ou decretar a falência o juízo do local do principal
estabelecimento do devedor ou da filial de empresa que tenha sede fora do
Brasil.
Inicialmente, convém destacar que o juízo competente para esse tipo de
causa será sempre o da Justiça Comum Estadual, em virtude do disposto
no art. 109, I da CF:
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública
federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou
oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as
sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho;

Com relação ao conceito de principal estabelecimento, temos três correntes


doutrinárias:
1º - A sede contratual ou estatutária;
2º - A sede administrativa;
3º - No local em que a sociedade ou empresário tenha maior volume
de bens (critério econômico).
A doutrina majoritária e o STJ (CC 116.743/MG) adotam a terceira
corrente, já que isso facilita a arrecadação dos bens e a posterior alienação
dos mesmos pelo empresário ou sociedade.

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2º Disposições comuns à recuperação judicial e à falência

Art. 5o Não são exigíveis do devedor, na recuperação judicial ou na


falência:
I – as obrigações a título gratuito;
II – as despesas que os credores fizerem para tomar parte na
recuperação judicial ou na falência, salvo as custas judiciais
decorrentes de litígio com o devedor.

Art. 6o A decretação da falência ou o deferimento do processamento


da recuperação judicial suspende o curso da prescrição e de todas as
ações e execuções em face do devedor, inclusive aquelas dos
credores particulares do sócio solidário.
§ 1o Terá prosseguimento no juízo no qual estiver se processando a
ação que demandar quantia ilíquida.
§ 2o É permitido pleitear, perante o administrador judicial,
habilitação, exclusão ou modificação de créditos derivados da relação
de trabalho, mas as ações de natureza trabalhista, inclusive as
impugnações a que se refere o art. 8o desta Lei, serão processadas
perante a justiça especializada até a apuração do respectivo crédito,
que será inscrito no quadro-geral de credores pelo valor determinado
em sentença.
§ 3o O juiz competente para as ações referidas nos §§ 1o e 2o deste
artigo poderá determinar a reserva da importância que estimar devida
na recuperação judicial ou na falência, e, uma vez reconhecido líquido
o direito, será o crédito incluído na classe própria.
§ 4o Na recuperação judicial, a suspensão de que trata o caput deste
artigo em hipótese nenhuma excederá o prazo improrrogável de
180 (cento e oitenta) dias contado do deferimento do
processamento da recuperação, restabelecendo-se, após o decurso
do prazo, o direito dos credores de iniciar ou continuar suas ações e
execuções, independentemente de pronunciamento judicial.

a) Suspensão das execuções


Conforme o caput, a decretação de recuperação judicial suspende todas as
execuções em face do devedor, inclusive aquelas de credores particulares

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em face do sócio solidário. Por sua vez, o §4º afirma que em hipótese
nenhuma essa suspensão excederá o prazo improrrogável de 180 (cento e
oitenta) dias contados do deferimento do processamento da recuperação.

Apesar da clareza do texto legal, o STJ, com base no princípio da


continuidade das empresas, entende que, nos casos em que o devedor vem
cumprindo com o disposto no plano de recuperação judicial, é possível a
prorrogação do prazo de 180 dias de suspensão das ações e execuções
em face do devedor (CC 111614/DF).

b) Deferimento da recuperação judicial e cadastros de restrição e


tabelionatos de protestos
Tendo sido decretada a recuperação judicial, as ações e execuções que
tramitavam contra a empresa em recuperação serão suspensas. A dúvida
que surge é a seguinte: além da suspensão das ações e execuções, o
deferimento da recuperação judicial acarreta também a retirada do nome
da empresa do SPC, SERASA e demais cadastros negativos?

O STJ entendeu que NÃO.

Para ele, o deferimento do processamento de recuperação judicial, por


si só, não enseja a suspensão ou o cancelamento da negativação do
nome do devedor nos cadastros de restrição ao crédito e nos
tabelionatos de protestos.

Isso porque deferimento do processamento de recuperação judicial


suspende o curso das ações e execuções propostas em face do devedor, nos
termos do art. 6º, caput e § 4º, da Lei nº 11.101/2005, o que não que dizer,

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contudo, que essa providência (suspensão das ações e execuções) extinga o
direito dos credores (direito creditório propriamente dito). A dívida
continua existindo.

Assim, se a dívida continua existindo (e apenas a execução é que está


suspensa), não se pode aceitar a retirada do nome da empresa em
recuperação dos serviços de proteção ao crédito e tabelionato de protesto
(REsp 1.374.259-MT).

Há algum momento a partir do qual será possível retirar o nome da


empresa dos cadastros restritivos?
SIM. Isso ocorre no momento em que o plano de recuperação judicial
for aprovado. Após esse fato, será possível providenciar a baixa dos
protestos e a retirada do nome da empresa dos cadastros de inadimplentes
em relação às dívidas que estiverem sujeitas ao referido plano.

O fundamento é que, com a aprovação do plano, ocorre a novação dos


débitos, ou seja, as dívidas anteriores serão substituídas pelas novas
condições firmadas no plano.

Por fim, cumpre ressaltar que essa baixa dos protestos e retirada do nome
dos cadastros ficará sob condição resolutiva devendo a empresa cumprir
todas as obrigações previstas no acordo de recuperação judicial uma vez
que, se desatendê-las, será possível reincluí-la nos referidos cadastros.
(REsp 1.260.301/DF)

c) Extinção das execuções individuais propostas contra devedor em


recuperação judicial

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Após a aprovação do plano de recuperação judicial pela assembleia de
credores e a posterior homologação pelo juízo competente, deverão ser
extintas - e não apenas suspensas - as execuções individuais até então
propostas contra a recuperanda nas quais se busca a cobrança de créditos
constantes do plano (REsp 1.272.697-DF).

d) @direitodiretoblog - O fato da empresa se encontrar em


recuperação judicial obsta a homologação de sentença arbitral
estrangeira?
A polêmica aqui é saber se o artigo o art. 6º da Lei 11.101/2005, que prevê
a suspensão de todas as ações e execuções em face do devedor com o
deferimento do processamento da recuperação judicial, constitui óbice à
homologação de sentença arbitral estrangeira que imputa à recuperanda
obrigação de pagar.

O STJ (SEC 14.408-EX) entendeu que NÃO. Para tanto afirmou que o
artigo 6º, por visar a preservação da empresa, com a consequente
manutenção dos empregos, TEM POR OBJETIVO IMPEDIR ATOS DE
EXECUÇÃO contra o patrimônio da empresa.

A homologação de sentença estrangeira É UM ATO CONSTITUTIVO


que, destinando-se a viabilizar a eficácia jurídica de um provimento
jurisdicional alienígena no território nacional, de modo que tal decisão
possa vir a ser aqui executada.

A homologação é, portanto, um pressuposto lógico da execução da decisão


estrangeira, NÃO SE CONFUNDINDO, por óbvio, COM O PRÓPRIO

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FEITO EXECUTIVO, o qual será instalado posteriormente - se for o caso
-, e em conformidade com a legislação pátria.

Assim, o art. 6º, § 4º, da Lei de Falências não é óbice à homologação de


sentença arbitral internacional, uma vez que se está em fase antecedente,
apenas emprestando eficácia jurídica a esse provimento, a partir do que
caberá ao Juízo da execução decidir o procedimento a ser adotado.

Por fim, Ainda que assim não fosse, é certo que a suspensão da
exigibilidade do direito creditório, prevista no mencionado dispositivo
legal é temporária, não implicando a extinção do feito executivo, haja vista
que a recuperação judicial de sociedade devedora não atinge o direito
material do credor.
§ 5o Aplica-se o disposto no § 2o deste artigo à recuperação judicial
durante o período de suspensão de que trata o § 4o deste artigo, mas,
após o fim da suspensão, as execuções trabalhistas poderão ser
normalmente concluídas, ainda que o crédito já esteja inscrito no
quadro-geral de credores.
§ 6o Independentemente da verificação periódica perante os cartórios
de distribuição, as ações que venham a ser propostas contra o devedor
deverão ser comunicadas ao juízo da falência ou da recuperação
judicial:
I – pelo juiz competente, quando do recebimento da petição inicial;
II – pelo devedor, imediatamente após a citação.
§ 7o As execuções de natureza fiscal não são suspensas pelo
deferimento da recuperação judicial, ressalvada a concessão de
parcelamento nos termos do Código Tributário Nacional e da
legislação ordinária específica.
§ 8o A distribuição do pedido de falência ou de recuperação
judicial previne a jurisdição para qualquer outro pedido de
recuperação judicial ou de falência, relativo ao mesmo devedor.

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II. Da Falência
1º - Legitimidade Ativa
Art. 97. Podem requerer a falência do devedor:
I – o próprio devedor, na forma do disposto nos arts. 105 a 107 desta Lei;
II – o cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou o
inventariante;
III – o cotista ou o acionista do devedor na forma da lei ou do ato
constitutivo da sociedade;
IV – qualquer credor.

A falência é considerada uma execução coletiva ou concursal, posto que,


apesar de ela iniciar com um pedido de falência, quando o magistrado
defere esse pedido haverá o pagamento de todos os credores do devedor e
não apenas daquele ajuizou ação. De acordo com a lei, são legitimados
para propor a ação de falência:
a) O próprio devedor (autofalência):

Art. 105. O devedor em crise econômico-financeira que julgue não


atender aos requisitos para pleitear sua recuperação judicial deverá
requerer ao juízo sua falência, expondo as razões da impossibilidade
de prosseguimento da atividade empresarial, acompanhadas dos
seguintes documentos:

É possível que o próprio devedor peça a sua falência. É o que a doutrina


chama de autofalência. Para tanto, além de estar em crise econômico-
financeira, é necessário ainda que ele julgue não atender aos requisitos
para pleitear sua recuperação judicial (Princípio da preservação da
empresa). Só poderá ser decretada a falência daquela empresa que não
conseguir atender aos requisitos da recuperação judicial.

Estando em crise financeira e não atendendo os requisitos para pleitear sua


recuperação judicial, o empresário ou sociedade deverá requerer a sua
falência. A lei fala deverá e não poderá, justamente porque ela visa a

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proteção do crédito público, já que se a empresa está em crise, não
cabendo recuperação, a tendência é que se ela continuar operando irá
aumentar sua dívida.

b) O Cônjuge sobrevivente, qualquer herdeiro do devedor ou o


inventariante:
Art. 96. (…) § 1o Não será decretada a falência de sociedade anônima
após liquidado e partilhado seu ativo nem do espólio após 1 (um) ano
da morte do devedor.

Essa hipótese só se aplica ao empresário individual. Ademais, nesse caso,


os interessados têm o prazo máximo de 01 ano, contado da morte do
empresário individual, para requerer sua falência.

c) O quotista ou acionista do devedor (sócio da sociedade)


Qualquer sócio da sociedade poderá requerer sua falência na forma da lei
ou do ato constitutivo da sociedade.

d) Qualquer Credor:
Art. 97. (…) § 1o O credor empresário apresentará certidão do
Registro Público de Empresas que comprove a regularidade de suas
atividades.

Qualquer espécie de credor poderá requerer a falência do devedor.


Contudo, a lei faz uma ressalva, se o credor for empresário, em regra, ele
só poderá ajuizar a ação de falência se exercer atividade regular. Isso
significa que ele deverá estar registrado na Junta Comercial.

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A questão da sociedade comum: sociedade em comum é aquela não foi
registrada, funcionando, assim, de forma irregular. Assim, estando
irregular, a sociedade em comum não pode pedir a falência de terceiros.
Contudo, mesmo irregular, a lei permite que ela possa requerer a sua
própria falência.

e) Pedido feito pelo credor que não tem domicílio no país:

Art. 97. (…) § 2o O credor que não tiver domicílio no Brasil deverá
prestar caução relativa às custas e ao pagamento da indenização de
que trata o art. 101 desta Lei.

O credor que não tiver domicílio no país poderá ajuizar a ação de falência,
desde que preste uma caução relativa às custas e ao pagamento de
indenização por perdas e danos no caso de ação ajuizada com dolo.

f) A questão da falência requerida pela fazenda pública:


Nesse caso, a doutrina divide-se em duas correntes:
1º Corrente: seria possível o pedido de falência da Fazenda Pública, com
base nos seguintes argumentos:
a) Proteção do crédito público: ao requerer a falência, a Fazenda Pública
estaria preservando o próprio crédito público, já que se a empresa em crise,
a qual não cabe recuperação, continuar as suas atividades, as suas dívidas
só irão aumentar, comprometendo o crédito público.
b) Preservação da Fazenda contra os sonegadores: com a falência, além
da preservação do crédito público, busca-se preservar a Fazenda dos
sonegadores tributários.

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c) Possibilidade de protesto de CDA: atualmente, com a nova legislação,
é possível protestar CDA.
2º Corrente: não seria possível o pedido de falência da Fazenda Pública,
com base nos seguintes argumentos:
a) Ordem ética: não pode o empresariado ser intimado com ameaça de
morte empresarial. O estado, ao contrário, deveria apoiar o fomento da
indústria.
b) Ordem política: o pedido de falência pela Fazenda é uma sanção
política do Estado, que não é aceito pelo STF.
c) Ordem Jurídica: com esse pedido, estaria o empresário obrigado a
parcelar a dívida, não podendo discutir o crédito tributário, retirando do
empresário o direito ao contraditório. Ademais, a Fazenda estaria cobrando
um título emitido unilateralmente, de modo que não seria justo falir aquele
que não participou da produção do título.
O STJ adota a 2º Corrente (REsp 363.206).

f) Credor trabalhista possui legitimidade ativa para pedir falência de


devedor
A natureza trabalhista do crédito não impede que o credor requeira a
falência do devedor. Assim, o credor trabalhista tem legitimidade ativa
para ingressar com pedido de falência, considerando que o art. 97, IV, da
Lei nº 11.101/2005 não faz distinção entre credores (REsp 1.544.267/DF).

2º - Legitimidade Passiva
Somente poderá figurar no polo passivo de uma ação de falência o
empresário individual ou sociedade empresária. No caso de sociedade
empresária, poderá ser réu da ação até mesmo as sociedades irregulares,
como a sociedade em comum.

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3º Hipóteses de cabimento de pedido de falência (Art. 94)
a) Impontualidade Injustificada
Será decretada a falência do devedor que, sem relevante razão de direito,
não paga, no vencimento, obrigação líquida materializada em título ou
títulos executivos protestados cuja soma ultrapasse o equivalente a 40
(quarenta) salários-mínimos na data do pedido de falência. Aqui, é
possível que um título executivo judicial (sentença condenatória) seja
usado para decretar a falência do devedor. Para isso, o título deve estar
protesto (sem protesto não cabe falência.). Atentar-se para o fato de que a
obrigação deve ser superior a 40 salários-mínimos. Se a obrigação for
igual a 40 salários-mínimos, não caberá falência. Ela deve ser maior.

1º Autor do pedido de falência não precisa provar insolvência


patrimonial do devedor:
O autor do pedido de falência não precisa demonstrar que existem indícios
da insolvência ou da insuficiência patrimonial do devedor, bastando que a
situação se enquadre em uma das hipóteses do art. 94 da Lei nº
11.101/2005.

Assim, independentemente de indícios ou provas de insuficiência


patrimonial, é possível a decretação da quebra do devedor que não paga,
sem relevante razão de direito, no vencimento, obrigação líquida
materializada em título ou títulos executivos protestados cuja soma
ultrapasse o equivalente a 40 (quarenta) salários-mínimos na data do
pedido de falência (art. 94, I, da Lei nº 11.101/2005) (REsp 1.532.154-
SC).

2º Desnecessidade de tentativa de executar o título:

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Para pedir a falência com base neste inciso não é necessário que o
requerente tenha tentado executar o título. Não se revela como exigência
para a decretação da quebra a execução prévia. Assim, é desnecessário o
prévio ajuizamento de execução forçada para se requerer falência com
fundamento na impontualidade do devedor. A duplicata virtual
protestada por indicação é título executivo apto a instruir pedido de
falência com base na impontualidade do devedor. Logo, se o devedor não
pagar uma duplicata virtual em valor superior a 40 salários mínimos é
possível que seja decretada a sua falência (REsp 1.354.776-MG).

3º Possibilidade de litisconsórcio entre credores:


Art. 94. (…) § 1o Credores podem reunir-se em litisconsórcio a fim
de perfazer o limite mínimo para o pedido de falência com base no
inciso I do caput deste artigo.

Admite-se a reunião de credores a fim de perfazer o limite mínimo de mais


de 40 salários-mínimos para o pedido.

b) Execução frustrada
Ocorre execução frustrada quando o executado por qualquer quantia
líquida, não paga, não deposita e não nomeia bens a penhora dentro do
prazo legal. Aqui, já existe uma ação executiva contra o devedor.

c) Prática de atos de falência


Art. 94. (…) III - (…): a) procede à liquidação precipitada de seus
ativos ou lança mão de meio ruinoso ou fraudulento para realizar
pagamentos; b) realiza ou, por atos inequívocos, tenta realizar, com o
objetivo de retardar pagamentos ou fraudar credores, negócio
simulado ou alienação de parte ou da totalidade de seu ativo a terceiro,
credor ou não; c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não,
sem o consentimento de todos os credores e sem ficar com bens
suficientes para solver seu passivo; d) simula a transferência de seu

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principal estabelecimento com o objetivo de burlar a legislação ou a
fiscalização ou para prejudicar credor; e) dá ou reforça garantia a
credor por dívida contraída anteriormente sem ficar com bens livres e
desembaraçados suficientes para saldar seu passivo; f) ausenta-se sem
deixar representante habilitado e com recursos suficientes para pagar
os credores, abandona estabelecimento ou tenta ocultar-se de seu
domicílio, do local de sua sede ou de seu principal estabelecimento; g)
deixa de cumprir, no prazo estabelecido, obrigação assumida no plano
de recuperação judicial.

Atos de falência são comportamentos previstos na legislação, de forma que


se o empresário os pratica, haverá uma presunção de seu estado de
insolvência. Dentre esses atos, os mais importantes são:
1º Liquidação precipitada: liquidação antecipada é a venda de bens sem
a devida reposição;
2º Descumprimento de obrigação assumida no plano de recuperação
judicial: durante os primeiros 02 anos, o juiz da recuperação judicial vai
acompanhar o plano. O plano, contudo, poderá ter prazo superior a esse,
desde que haja concordância dos credores. Assim, se o descumprimento
ocorrer dentro dos primeiros 02 anos, não será necessário ajuizar ação de
falência, posto que isso é pedido ao próprio juiz que acompanha a
recuperação. Após 02 anos, contudo, é preciso ajuizar a ação.

No pedido de falência, é desnecessária a demonstração da insolvência


econômica do devedor:
No pedido de falência é desnecessário que o requerente demonstre a
insolvência econômica do devedor. Se ele não pagou a dívida e esta se
enquadra na descrição dos incisos do art. 94, é possível fazer o pedido de
falência independentemente da condição econômica real do empresário. O
pressuposto para a instauração de processo de falência é a insolvência
jurídica, que é caracterizada a partir de situações objetivamente apontadas
pelo ordenamento jurídico no art. 94 da Lei nº 11.101/2005: a

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impontualidade injustificada (inciso I), execução frustrada (inciso II) e a
prática de atos de falência (inciso III).

A insolvência que autoriza a decretação de falência é presumida, uma vez


que a lei presume que o empresário individual ou a sociedade empresária
que se encontram em uma das situações apontadas pela norma estão em
estado pré-falimentar. É bem por isso que se mostra possível a decretação
de falência independentemente de comprovação da insolvência econômica,
ou mesmo depois de demonstrado que o patrimônio do devedor supera
o valor de suas dívidas. Verifica-se, assim, que a falência é diferente da
chamada insolvência civil. O pressuposto da insolvência civil é a
insolvência econômica (art. 748 do CPC), o que não se exige no caso da
falência (STJ - REsp 1.433.652-RJ).

4º - Aspectos Processuais da ação de falência


a) Legitimidade ativa do credor que não possui crédito vencido
O credor que não possui crédito vencido poderá ajuizar pedido de falência
com base nas três hipóteses anteriores. Para tanto, ele poderá fazer uso de
créditos vencidos de outros credores. O que legitima seu pedido é o fato de
ele ser credor. O credor de crédito não vencido poderá provar o seu pedido
com base em protesto de outros títulos ou certidão processual, no caso de
execução frustrada.

b) Citação
O processo falimentar é uma execução coletiva, assim, ele permite a
utilização das regras do processo de execução individual. Por isso, é
possível a citação por edital, mas não é possível a citação por correios.

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c) Extinção sem resolução do mérito em caso de litisconsórcio do art.
94, §1º
No caso de litisconsórcio, se o devedor comprovar o pagamento a um dos
litisconsortes, de forma que o valor do débito fique inferior a 40 salários-
mínimos, o juiz deverá extinguir o processo sem resolução do mérito, por
ausência de uma dos pressupostos de constituição e desenvolvimento
válido e regular do processo.

d) Objeto da ação
A ação de falência não se presta a cobrar o débito, mas tão somente para
decretar a falência.

5º - Possíveis movimentos do devedor após sua citação


a) Apresentar contestação
Art. 98. Citado, o devedor poderá apresentar contestação no prazo de
10 (dez) dias.

Citado, o devedor poderá apresentar contestação no prazo de 10 (dez)


dias.
b) Depósito Elisivo
Art.98. (…)
Parágrafo único. Nos pedidos baseados nos incisos I e II do caput do
art. 94 desta Lei, o devedor poderá, no prazo da contestação, depositar
o valor correspondente ao total do crédito, acrescido de correção
monetária, juros e honorários advocatícios, hipótese em que a falência
não será decretada e, caso julgado procedente o pedido de falência, o
juiz ordenará o levantamento do valor pelo autor

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Após o depósito elisivo, o juiz estará impedido de decretar a falência do
devedor. Isso porque a falência pressupõe um estado de insolvência, que é
afastado pelo depósito. O depósito tem que ser feito dentro do prazo de
contestação, devendo corresponder ao valor principal + correção + juros +
honorários. Justamente para possibilitar o depósito elisivo, na citação da
falência, o juiz já tem que arbitrar o valor dos honorários. É possível ainda
contestar e depositar ao mesmo tempo. O depósito não significa o
reconhecimento do pedido, ele apenas impede a decretação da falência.

c) Pedido de recuperação judicial


Dentro do prazo de contestação, o devedor poderá pleitear sua recuperação
judicial. A recuperação judicial suspende o processo de falência, por isso,
alguns doutrinadores chamam essa hipótese de recuperação judicial de
recuperação judicial suspensiva.

Há semelhança entre a recuperação judicial suspensiva e a concordata


suspensiva?: a concordata poderia ser suspensiva ou preventiva. A
diferença é que entre elas havia uma sentença declaratória de falência.
Assim, se o juiz decretasse a falência, o devedor não poderia mais pedir
concordata preventiva, pois ela só era apreciada antes da sentença
declaratória. Após a falência só era possível a concordata suspensiva, que
tinha esse nome justamente porque suspendia os efeitos da falência. Assim,
não há semelhança entre a recuperação judicial suspensiva e a concordata
suspensiva, porque na recuperação não se suspende os efeitos da
decretação de falência, mas o processo falimentar. A falência nem ao
menos chega a ser decretada.

6º - Sentença

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Art. 100. Da decisão que decreta a falência cabe agravo, e da sentença
que julga a improcedência do pedido cabe apelação.

Ao apreciar a causa, o juiz poderá proferir as seguintes sentenças: a)


sentença de procedência: em sendo procedente, a sentença vai se chamar
declaratória, sendo atacada por agravo de instrumento; b) sentença de
improcedência: nesse caso a sentença vai se chamar negatório, sendo
atacada por apelação.

a) Aplicação Subsidiária do CPC:


Aplica-se o Código de Processo Civil, no que couber, aos procedimentos
previstos nesta Lei.

b) Requisitos da sentença declaratória


1º Nomeação do administrador Judicial: o administrador judicial veio
para substituir a figura do síndico. Não há mais síndico na falência. Nos
termos do art. 21 da Lei, O administrador judicial será profissional idôneo,
preferencialmente advogado, economista, administrador de empresas ou
contador, ou pessoa jurídica especializada.
@direitodiretoblog - De quem é a responsabilidade pela remuneração
do administrador judicial?:

Nos termos da lei de falências caberá ao devedor ou à massa falida arcar


com as despesas relativas à remuneração do administrador judicial e das
pessoas eventualmente contratadas para auxiliá-lo:

Art. 25. Caberá ao devedor ou à massa falida arcar com as despesas relativas
à remuneração do administrador judicial e das pessoas eventualmente
contratadas para auxiliá-lo.

O STJ, contudo, entendeu que é possível impor ao credor que requereu a


falência da sociedade empresária a obrigação de adiantar as despesas

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relativas à remuneração do administrador judicial, quando a referida
pessoa jurídica não for encontrada - o que resultou na sua citação por
edital e na decretação, incontinenti, da falência -e existirem dúvidas se os
bens a serem arrecadados serão suficientes para arcar com a mencionada
dívida (REsp 1.526.790/SP).

Caso a ação prossiga e sejam arrecadados bens suficientes para a


remuneração do administrador, a massa falida irá restituir o valor
adiantado pelo credor, fazendo com que seja cumprido o art. 25 da Lei nº
11.101/2005.

c) Fixação do termo legal da falência


Além de nomear o administrador, o juiz deverá fixar o termo legal da
falência, que é um lapso temporal que antecede a falência. O objetivo
desse termo é evitar o cometimento de fraude durante o período que
antecede a falência. Alguns doutrinadores costumam chamar esse termo
legal de período suspeito ou cinzento.

Nos termos do art. 99, II, o termo lega não poderá retrair por mais de 90
dias, é dizer, ele vai até 90 dias antes da decretação da falência.

d) Marco inicial do termo legal


Com relação ao marco inicial do termo legal de 90 dias, este vai depender
do fundamento da sentença de falência, podendo ser:
1º Data do primeiro protesto: quando o pedido for feito com base na
impontualidade injustificada (Art. 94, I), conta-se os 90 dias da data do
primeiro protesto.

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2º Data do pedido de falência: quando o pedido for feito com base no art.
94, incisos II e III, conta-se os 90 dias da data do pedido de falência.
3º Data do pedido de recuperação judicial: quando a recuperação
judicial converte-se em falência, conta-se da data do pedido de
recuperação judicial.

e) Efeitos da Sentença Declaratória


1º Quanto ao falido
Quanto ao falido, o primeiro efeito é que diz que o empresário falido fica
inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da
decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações (Art.
102). Ocorre que, nas sociedades empresariais, quem ficará inabilitado é,
regra geral, a pessoa jurídica. O sócio não pode ser considerado falido.
Contudo, caso o sócio pertença uma sociedade de responsabilidade
ilimitada, a decisão que decreta a falência dessa sociedade também
acarreta a falência do sócio.

Art. 81. A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios


ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência destes, que
ficam sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à
sociedade falida e, por isso, deverão ser citados para apresentar
contestação, se assim o desejarem.

Por fim, a declaração de falência suspende o exercício do direito de


retirada ou de recebimento do valor de suas quotas ou ações, por parte dos
sócios da sociedade falida.
No caso de concessionárias de serviços públicos, a decretação de falência
também tem como efeito a extinção automática da concessão.

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a) Capacidade processual do falido para a propositura de ação
rescisória
O falido poderá propor ação rescisória para desconstituir a sentença que
decretou a falência? SIM. O falido tem capacidade para propor ação
rescisória para desconstituir a sentença transitada em julgado que decretou
a sua falência. Depois que é decretada a falência, a sociedade
empresária falida não mais possui personalidade jurídica e não
poderá postular, em nome próprio, direitos da massa falida, nem
mesmo em caráter extraordinário.

Diz-se que ela sofre uma capitis diminutio (diminuição de sua capacidade)
referente aos direitos patrimoniais envolvidos na falência, sendo afastada
da administração dos seus bens. Sendo assim, num processo em que se
discuta, por exemplo, a venda desses bens, o falido apenas poderia
acompanhá-lo como assistente. Ele não poderia, portanto, tomar a
iniciativa das ações com relação a bens da massa.

No entanto, no caso em que se pretenda rescindir decisão que decreta


falência, a situação é diferente. Nesse caso, nem a massa nem os
credores têm interesse na desconstituição da decretação de falência.
Realmente, o falido é o único interessado. Por isso, se a legitimidade deste
para propor a rescisão do decreto falimentar fosse retirada, ele ficaria
eternamente falido, ainda que injustamente, ainda que contrariamente à
ordem legal. Desse modo, o STJ entende que o falido mantém a
legitimidade para a propositura de ações pessoais, podendo, inclusive,
ajuizar ação rescisória para tentar reverter o decreto falimentar (REsp
1.126.521-MT).

Art. 195. A decretação da falência das concessionárias de serviços


públicos implica extinção da concessão, na forma da lei.

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2º Quanto aos credores
O primeiro efeito quanto aos credores é a constituição da massa falida. A
massa falida é constituída pela união dos bens e dos credores do falido,
subdividindo-se em: 1) massa falida subjetiva: composta pelos credores do
falido; 2) massa falida objetiva: composta pelos bens do falido.
O segundo efeito é a formação do chamado juízo universal. O juízo de
falência possui a chamada vis attractiva, é dizer, o juízo que decretou a
falência passa a ter competência para julgar todas as ações e execuções que
envolvam bens, interesses e negócios do falido. Em razão disso, haverá a
suspensão de todas as ações e execuções que envolvam bens, interesses e
negócios do falido, exceto:

Art. 76. O juízo da falência é indivisível e competente para conhecer


todas as ações sobre bens, interesses e negócios do falido, ressalvadas
as causas trabalhistas, fiscais e aquelas não reguladas nesta Lei em
que o falido figurar como autor ou litisconsorte ativo.

1º Ações Trabalhistas (Art. 6º, §2º): a competência para julgar a


reclamação trabalhista continua na Justiça do Trabalho até a apuração do
respectivo crédito. Só após a condenação do falido é que o valor será
inscrito no quadro geral de credores. Assim, as ações trabalhistas só serão
suspensas quando já se souber o valor da condenação.
2º Execuções Fiscais
3º Ações que demandarem quantia ilíquida (Art. 6º, §1º): serão
julgadas normalmente até que seja apurado o valor da condenação. Após,
esse valor deverá ser habilitado na falência.
4º Ações em que o falido for autor ou litisconsorte ativo.

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O terceiro efeito da decretação da falência em relação aos credores é a
suspensão da fluência dos juros.

Art. 124. Contra a massa falida não são exigíveis juros vencidos
após a decretação da falência, previstos em lei ou em contrato, se o
ativo apurado não bastar para o pagamento dos credores subordinados.

Não se sujeitam a esse efeito os juros das debêntures e dos créditos com
garantia real, mas por eles responde, exclusivamente, o produto dos bens
que constituem a garantia.

Parágrafo único. Excetuam-se desta disposição os juros das


debêntures e dos créditos com garantia real, mas por eles responde,
exclusivamente, o produto dos bens que constituem a garantia.

O quarto efeito é o vencimento antecipado de toda a dívida do falido.

Art. 77. A decretação da falência determina o vencimento


antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e
solidariamente responsáveis, com o abatimento proporcional dos
juros, e converte todos os créditos em moeda estrangeira para a
moeda do País, pelo câmbio do dia da decisão judicial, para todos os
efeitos desta Lei.

Por fim, o quinto efeito é a suspensão do curso da prescrição das


obrigações do falido, que recomeça a correr do dia em que transitar em
julgado a sentença do encerramento da falência.

Art. 157. O prazo prescricional relativo às obrigações do falido


recomeça a correr a partir do dia em que transitar em julgado a
sentença do encerramento da falência.

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Quanto aos contratos: nos termos do Art. 117, Os contratos bilaterais não
se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador
judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da
massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus
ativos, mediante autorização do Comitê. Assim, quem decide pelo
cumprimento ou não dos contratos bilaterais é o administrador, não
havendo rescisão automática pela falência.

O contratante, contudo, pode interpelar o administrador judicial, no prazo


de 90 dias, contados da assinatura do termo de sua nomeação, para que, no
prazo de 10 dias, informe se cumpre ou não contrato. A declaração
negativa ou o silêncio do administrador judicial confere ao contraente o
direito à indenização, cujo valor, apurado em processo ordinário,
constituirá crédito quirografário.

1º Contrato de locação: a falência do locador (aquele que aluga) não


resolve o contrato de locação e na falência do locatário (aquele que paga o
aluguel), o administrador judicial pode, a qualquer tempo, denunciar o
contrato.

2º Mandatos: o mandato conferido pelo devedor, antes da falência, para


realização de negócios, cessará seus efeitos com a decretação da falência,
cabendo ao mandatário prestar contas de sua gestão. O mandato
conferido para representação judicial do devedor continua em vigor
até que seja expressamente revogado pelo administrador judicial. Para
o falido, cessa o mandato ou comissão que houver recebido antes da
falência, salvo os que versarem sobre matéria estranha a atividade
empresarial.

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3º Contas Bancárias: as contas correntes com o devedor consideram-se
encerradas no momento da decretação da falência, verificando o respectivo
saldo.

f) Natureza jurídica da sentença declaratória de falência


A sentença declaratória de falência tem caráter predominantemente
constitutivo, pois é a partir da sua decretação que incidirá o regime
falimentar sobre o empresário ou sociedade, colocando-os em uma
situação jurídica diversa da anterior, tendo como efeitos, dentre outros, o
afastamento da administração dos bens, a constituição da massa falida, o
vencimento antecipado da dívida e a nomeação do administrador judicial.

7º Arrecadação dos bens


Após a nomeação do administrador judicial, ele deverá fazer a arrecadação
de todos os bens que estão na posse do falido. Após a arrecadação, o
administrador deverá proceder com a avaliação dos bens e a realização do
ativo (venda judicial deles).

No processo falimentar há três modalidades de venda judicial:


a) Leilão (Art. 142, §3º): poderá ser tanto de bens móveis como imóveis.
O leilão é feito de forma oral.
b) Proposta Fechada (Art. 142, §4º): aqui, o magistrado estabelece uma
audiência pública para a venda dos bens, onde os interessados levarão suas
propostas em envelopes fechados, a serem entregues no cartório judicial,
ocasião em que devem receber um recibo. O interessado só poderá
ingressar na audiência com esse recibo. Após, o magistrado abre as
propostas e declara o vencedor.

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c) Pregão (Art. 142, §§ 5º e 6º): é uma modalidade híbrida. É uma mistura
de leilão com proposta fechada.
d) Obrigatoriedade de intervenção do MP (Art. 142, §7º): Em qualquer
modalidade de alienação, o Ministério Público será intimado
pessoalmente, sob pena de nulidade.
e) Ordem de preferência:
O Art. 140 da lei estabelece uma ordem de preferência nas alienações dos
bens. A ordem é a seguinte:
1º Alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em bloco.
2º Alienação da empresa, com a venda de suas filais ou unidades
produtivas isoladamente.
3º alienação em bloco dos bens que integram cada um dos
estabelecimentos do devedor.
4º alienação dos bens individualmente considerados.

f) Inexistência de sucessão nas dívidas da sociedade: a nova lei de


falências inovou ao estabelece que o adquirente não responde pelas
obrigações do falido, inclusive as de natureza tributária, as derivadas
da legislação do trabalho e as decorrentes de acidente do trabalho:

Art. 141. (…).


II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não
haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor,
inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do
trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho.

8º - Pagamento dos credores


a) Habilitação dos créditos

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Após a decretação da falência, o juiz ordenará ao falido que apresente, no
prazo de 05 dias, relação nominal dos credores, sob pena de desobediência.
De posse dessas informações, o juiz ordenará a publicação de edital
contendo a íntegra da decisão que decretou a falência e a relação dos
credores.

A partir da publicação do edital, os credores terão o prazo de 15 dias para


apresentar ao administrador judicial as suas divergências quando aos
créditos relacionados no edital. A habilitação do crédito dentro do prazo
legal de 15 dias é um pedido administrativo, dirigido ao administrador
judicial. Assim, para habilitar administrativamente um crédito não é
necessário advogado ou pagamento de custas.

b) Da impugnação
Após o prazo de 15 dias, o administrador deverá elabora uma nova relação
de credores, a ser divulgada em 45 dias. Divulgada a nova relação,
qualquer credor, o devedor ou seus sócios e o MP podem, no prazo de 10
dias, apresentar ao juiz impugnação contra a relação de credores. A
impugnação é uma ação (necessitando de advogado e pagamento de
custas), que segue o rito ordinário. Havendo impugnação, quadro geral de
credores só será formado após o trânsito em julgado da última
impugnação.

c) Da habilitação retardatária
Aquele que não habilitou o seu crédito dentro do prazo legal, poderá fazê-
lo, desde que obedecidas as seguintes regras:
1º Se a habilitação retardatária for apresentada antes da homologação do
quadro geral de credores, será recebida como uma impugnação.

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2º Se a habilitação retardatária for apresentada após a homologação do
quadro geral de credores, é preciso ingressar com uma ação chamada ação
de retificação, que seguirá o rito ordinário.
d) Da perda do direito de rateio
Os créditos retardatários perderão o direito a eventuais rateios.

9º - Da ordem de classificação dos créditos na falência


a) créditos com preferência absoluta
Antes do pagamento de qualquer crédito, deverão ser pagos os seguintes:
1º As despesas cujo pagamento antecipado seja indispensável à
administração da massa falida, que deverão ser pagas tão logo haja
disponibilidade de caixa:

Art. 150. As despesas cujo pagamento antecipado seja indispensável à


administração da falência, inclusive na hipótese de continuação
provisória das atividades previstas no inciso XI do caput do art. 99
desta Lei, serão pagas pelo administrador judicial com os recursos
disponíveis em caixa.

2º Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos nos


três meses anteriores a decretação da falência, até o limite de 05 salários-
mínimos por trabalhador, que serão pagos tão logo haja disponibilidade
de caixa:

Art. 151. Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial


vencidos nos 3 (três) meses anteriores à decretação da falência, até o
limite de 5 (cinco) salários-mínimos por trabalhador, serão pagos tão
logo haja disponibilidade em caixa.

3º O pedido de restituição, na hipótese de um bem de terceiro sido


vendido:

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Art. 85. O proprietário de bem arrecadado no processo de falência ou
que se encontre em poder do devedor na data da decretação da
falência poderá pedir sua restituição.

Art. 86. (…)


Parágrafo único. As restituições de que trata este artigo somente
serão efetuadas após o pagamento previsto no art. 151 desta Lei.

Esses três créditos devem ser pagos antes do pagamento de todos os


outros. Após eles, deverão ser pagos os créditos extraconcursais.

b) créditos extraconcursais
São as dívidas da massa falida, é dizer, aquelas contraídas após a
decretação da falência. São eles:

Art. 84: (...)


V – obrigações resultantes de atos jurídicos válidos praticados durante
a recuperação judicial, nos termos do art. 67 desta Lei, ou após a
decretação da falência, e tributos relativos a fatos geradores
ocorridos após a decretação da falência, respeitada a ordem
estabelecida no art. 83 desta Lei.

1º Crédito tributário cujo fato gerador ocorreu depois da decretação


da falência
Quando o fato gerador ocorrer antes da decretação, o crédito será
concursal, quando ocorrer após, será extraconcursal.

Art. 67. Os créditos decorrentes de obrigações contraídas pelo


devedor durante a recuperação judicial, inclusive aqueles relativos
a despesas com fornecedores de bens ou serviços e contratos de
mútuo, serão considerados extraconcursais, em caso de decretação
de falência, respeitada, no que couber, a ordem estabelecida no art. 83
desta Lei.

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2º Despesas feitas após o deferimento do processamento da
recuperação judicial

São extraconcursais os créditos originários de negócios jurídicos


realizados após a data em que foi deferido o pedido de processamento de
recuperação judicial (REsp 1.398.092-SC).

3º Remuneração do Administrador Judicial


A remuneração devida ao administrador judicial e seus auxiliares também
são consideradas extraconcursais.

Art. 84. (…)


I – remunerações devidas ao administrador judicial e seus auxiliares,
e créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de
acidentes de trabalho relativos a serviços prestados após a decretação
da falência.

Sobre o tema, o art. 24, §1º, da lei estabelece que o juiz fixará o valor e a
forma de pagamento da remuneração do administrador judicial,
observados a capacidade de pagamento do devedor, o grau de
complexidade do trabalho e os valores praticados no mercado para o
desempenho de atividades semelhantes.

Ademais, em qualquer hipótese, o total pago ao administrador judicial


não excederá 5% (cinco por cento) do valor devido aos credores
submetidos à recuperação judicial ou do valor de venda dos bens na
falência.
Posteriormente, foi acrescentado o §5º no artigo 24, estabelecendo que a
remuneração do administrador judicial fica reduzida ao limite de 2% (dois
por cento), no caso de microempresas e empresas de pequeno porte.

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Por fim, temos que a nova lei Revogou a Súmula 219 do STJ.

4º As custas judiciais relativas às ações e execuções em que a massa


falida tenha sido vencida.

5º As despesas com arrecadação, administração, realização do ativo e


distribuição do seu produto, bem como custas do processo de falência.

6º As quantias fornecidas à massa pelos credores.

7º Créditos decorrentes de honorários advocatícios e falência


Para saber em qual categoria os honorários advocatícios (contratuais ou
legais) pertencem, faz-se necessário atentar-se para o seguinte. Se eles
referirem-se a serviços prestados antes da decretação da falência, por ser
verba alimentar, serão equiparados aos créditos trabalhistas, estando,
portanto, enquadrados no inciso I, do art. 83.

Já os honorários de advogado resultantes de trabalhos prestados à massa


falida, depois de ter sido decretada a falência são considerados como
créditos extraconcursais, nos termos dos arts. 84 e 149 da Lei
11.101/2005 (REsp 1.152.218-RS).

c) Créditos concursais
Após o pagamento dos créditos extraconcursais, passa-se ao pagamento
dos créditos concursais, previstos no art. 83 da Lei. São eles:

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1º Os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150
(cento e cinqüenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de
acidentes de trabalho
Inicialmente, faz-se necessário saber que o limite de 150 salários-mínimos
não se aplica aos créditos decorrentes de acidente de trabalho, mas
apenas aos créditos decorrentes da legislação do trabalho. Nesse caso, o
crédito trabalhista que exceder o limite de 150 salários-mínimos é
considerado quirografário.

Cessão de crédito trabalhista: a lei permite a cessão do crédito


trabalhista. Nesse caso, os créditos cedidos a terceiros serão considerados
quirografários.

2º créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado.

3º créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de


constituição, excetuadas as multas tributárias:

As multas tributárias foram excluídas dessa categoria.

4º créditos com privilégio especial.

5º créditos com privilégio geral.

6º créditos quirografários.

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7ºas multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis
penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias.

8º créditos subordinados.

Resumo da ordem de pagamento:


1º O crédito da administração da massa falida.
2º Crédito de natureza trabalhista estritamente salarial, até 05 salários-
mínimos.
3º crédito decorrente de pedido de restituição.
4º Crédito extraconcursal.
5º Crédito concursal.
6º Pago todos os credores, o saldo, se houver, será entregue ao falido.

10º - Pedido de restituição


a) conceito
Aquele que tiver um bem arrecadado indevidamente pela massa falida,
poderá fazer um pedido de restituição para revê-lo. Trata-se de uma ação
de rito ordinário a ser ajuizado no juízo da falência.

b) hipóteses de cabimento
1) coisa vendida a crédito e entregue ao devedor nos 15 (quinze) dias
anteriores ao requerimento de sua falência, se ainda não alienada (art.
85, parágrafo único). O prazo de 15 dias conta-se do requerimento de

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falência e não da sua decretação, bem como se conta o prazo da entrega
efetiva e não de sua remessa.
2) O bem objeto de alienação fiduciária.
3) A importância entregue, em moeda corrente nacional, decorrente de
adiantamento a contrato de câmbio para exportação (Arts. 75, §§3º e 4º, da
Lei 4.728/65).
4) O contratante de boa fé nas hipóteses de ação revocatória.

c) Possibilidade de restituição em dinheiro (Art. 86 e Súmula 417 do


STF):
A restituição proceder-se-á em dinheiro nas seguintes hipóteses:
1) quando a coisa a ser restituída não mais existir. Se o bem foi vendido, o
requerente receberá o valor da venda; se o bem tiver se deteriorado,
receberá o valor da avaliação.
2) Quando o adiantamento em contrato de câmbio for em dinheiro.
3) O contratante de boa fé nas hipóteses de ação revocatória.
4) Quando o bem na posse do falido for dinheiro (Ex: o empregador
desconta o dinheiro do INSS e não o repassa).

d) Apelação
Da sentença que julgar o pedido de restituição cabe apelação, sem efeito
suspensivo.

e) Prazo de restituição
A restituição de bens é imediata, devendo a coisa ser entregue no prazo de
48 horas. A restituição em dinheiro só será paga após o pagamento dos

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créditos previstos nos arts. 150 e 151. Em ambos os casos, não havendo
contestação do pedido, a massa não será condenada ao pagamento de
honorários advocatícios.

11º Ação Revocatória


a) Atos ineficazes
Durante o termo legal da falência, a prática dos atos previstos no art. 129
será ineficaz em relação à massa falida.

b) Ineficácia objetiva
Trata-se de uma hipótese de ineficácia objetiva, posto que os atos serão
considerados ineficazes tenha ou não o contratante conhecimento do
estado de crise econômico-financeira do devedor, é dizer,
independentemente da intenção dele.

c) Taxatividade
O rol do art. 129 é taxativo.

d) Formas de Decretação
A ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo juiz, alegada em defesa ou
pleiteada mediante ação própria ou incidentalmente no curso do processo.

e) Atos Revogáveis
S ão revogáveis os atos praticados dentro do termo legal com o objetivo de
prejudicar credores. Trata-se, aqui, de uma ineficácia subjetiva, já que se
exige prova da intenção de fraudar os credores.

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f) Objetivo da ação revocatória
A ação revocatória não visa anular ou desfazer os atos praticados pelo
devedor, mas tão somente torná-los sem efeito perante a massa falida.
Assim, caso o devedor falido consiga pagar todas as suas dívidas,
alcançando a extinção de suas obrigações, os atos praticados serão
plenamente eficazes.

g) Processamento da ação revocatória


A ação revocatória é o meio hábil para pleitear a declaração de ineficácia
dos atos previstos nos arts. 129 e 130, sendo processada da seguinte forma:
1º - Rito e juízo competente: deverá observar o rito ordinário e deve ser
proposta perante o juízo da falência.
2º - Legitimidade ativa: a legitimidade ativa para sua proposição é
concorrente entre o administrador, os credores e o MP.
3º - Legitimidade passiva: a ação deverá ser proposta contra todos que
figurarem no ato ou que por efeito dele foram beneficiados, contra
terceiros adquirentes, se estes tiveram conhecimento da intenção de
fraudar credores. Contra os herdeiros e legatários dessas pessoas.
4º - Prazo: A ação deverá ser proposta no prazo decadencial de 03 anos,
contados da decretação da falência.
5º - Sentença: da sentença cabe apelação. Nesse caso, se a ação tem
fundamento no art. 129. a apelação não terá efeito suspensivo, ao passo
que se ela se fundamentar no art. 130, será recebida em ambos os efeitos.
6º - Direitos de terceiros: na hipótese de ineficácia, o contratante de boa
fé terá direito a restituição.

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7º - Ação Revocatória X Ação Paulina: a ação revocatória não se
confunde com a pauliana, possuindo as seguintes diferenças:
Ação Revocatória Ação Paulina
Ação Falimentar Ação genuinamente civil.
Busca a ineficácia do ato em relação Busca a nulidade do ato.
à massa falida.
Poderá ser proposta pelo O autor da ação é sempre o credor,
administrador, credor ou MP. que haja em interesse próprio.

12º - Extinção de processo falimentar


a) Sentença de encerramento
Concluído a realização de todo o ativo, e distribuído o produto entre os
credores, o administrador judicial apresentará suas contas ao juiz no prazo
de 30 dias. O juiz irá analisar essas contas na própria sentença de
encerramento, que será proferida independentemente de existir credores
não pagos.

b) Sentença de extinção das obrigações do falido


A sentença de extinção das obrigações do falido é aquela que promove a
reabilitação do falido. Ela será proferida nas seguintes hipóteses:
1) o pagamento de todos os créditos;
2) o pagamento, depois de realizado todo o ativo, de mais de 50% dos
créditos quirografários, sendo facultado ao falido o depósito da quantia
necessária para atingir essa porcentagem se para tanto não bastou a integral
liquidação do ativo;
3) o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do encerramento da
falência, se o falido não tiver sido condenado por prática de crime previsto
na Lei;

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4) o decurso do prazo de 10 (dez) anos, contado do encerramento da
falência, se o falido tiver sido condenado por prática de crime previsto na
Lei.
A extinção das obrigações do falido depende da quitação dos tributos?:
Nos processos de falência ajuizados anteriormente à vigência da Lei nº
11.101/2005, a decretação da extinção das obrigações do falido prescinde
da apresentação de prova da quitação de tributos (REsp 1.426.422-RJ).
Existe divergência se, na vigência da Lei nº 11.101/2005, a quitação dos
tributos é condição para a extinção das obrigações do falido. A Min. Nancy
Andrighi sustenta que sim.

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III. Recuperação Judicial
1º - Diferenças para a concordata
Antes da nova lei de falências, o instrumento legal para que o empresário
saísse de uma crise financeira era concordata, prevista no Decreto-Lei
7.661/45. As principais diferenças entre os instrumentos são as seguintes.

Concordata Recuperação
Só fazia o pagamento de créditos Faz o pagamento de vários tipos de
quirografário. crédito.
Só havia remissão parcial ou dilação Há meios mais modernos de superar
de prazo. a crise.
O credor não participava do O credor participa do processo.
processo.

2º Aspectos gerais
a) foro competente
Mesma regra da falência.

b) Benefício da justiça gratuita


É pacífico no STJ que a pessoa jurídica pode se aproveitar dos benefícios
da justiça gratuita, desde que demonstre a incapacidade de arcar com as
despesas processuais sem prejudicar a sua própria manutenção. Assim,
como as empresas em recuperação judicial estão assumidamente em crise,
é possível a concessão do benéfico da justiça gratuita.

c) Inaplicabilidade do prazo em dobro para recorrer aos credores na


recuperação judicial

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O CPC prevê que, quando houver litisconsórcio, seja ele ativo (dois ou
mais autores) ou passivo (dois ou mais réus), caso os litisconsortes tenham
advogados diferentes, os seus prazos serão contados em dobro (art. 229 do
CPC 2015). Na recuperação judicial existe a possibilidade de litisconsórcio
ativo. Ex: três sociedades empresárias, integrantes do mesmo grupo
econômico, estão em situação de extrema dificuldade econômica e
decidem pedir a recuperação judicial.

Em caso de litisconsórcio ativo,é possível aplicar o art. 229 do CPC


2015. Por outro lado, na recuperação judicial não existe a possibilidade
de litisconsórcio passivo. O motivo é muito simples: no processo de
recuperação judicial não existem réus. Os credores não são réus.
Ocupam a posição de interessados.

Portanto, não havendo réus, não se pode falar que exista litisconsórcio
passivo entre os credores da recuperanda. Assim, se no processo de
recuperação judicial uma decisão desagradar aos credores e eles decidirem
recorrer, não terão prazo em dobro, mesmo que possuam advogados
diferentes. Em outras palavras, é inaplicável aos credores da sociedade
recuperanda o prazo em dobro para recorrer previsto no art. 229 do CPC
2015 (REsp 1.324.671-SP).

3º - Requisitos da Recuperação

Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no


momento do pedido, exerça regularmente suas atividades há mais de
2 (dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos,
cumulativamente:
I – não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por
sentença transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes;

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II – não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de
recuperação judicial;
III - não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de
recuperação judicial com base no plano especial de que trata a Seção
V deste Capítulo;
IV – não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio
controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos
nesta Lei.

a) não ser falido


O empresário não poderá ser falido e, se foi, devem estar extintos, por
sentença transitada em julgado, as responsabilidades dai decorrentes.

b) não ter, há menos de 05 anos, obtido a concessão de recuperação


judicial
Os 05 anos, nesse caso, são contados da data da obtenção do pedido e não
do seu requerimento.
c) não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de
recuperação judicial com base no plano especial (Válido para micro e
pequena empresa).
d) não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio
controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes falimentares.
e) ser devedor em atividade regular há mais de 02 anos.

4º - Legitimidade para requerer a recuperação


Em regra, somente o devedor poderá requerer a recuperação judicial. O
credor somente pode pedir a falência do devedor, não a recuperação.
Ademais, a lei permite ainda que a recuperação judicial seja requerida pelo
cônjuge sobrevivente, herdeiros do devedor, inventariante ou sócio
remanescente.

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Aquele que está em concordata poderá requerer a recuperação?:
Depende. A concordata poderia ser suspensiva ou preventiva. A diferença é
que entre elas havia uma sentença declaratória de falência. Assim, se o juiz
decretasse a falência, o devedor não poderia mais pedir concordata
preventiva, pois ela só era apreciada antes da sentença declaratória. Após a
falência só era possível a concordata suspensiva, que tinha esse nome
justamente porque suspendia os efeitos da falência. Assim, somente aquele
que estivesse em concordata preventiva poderia requerer a recuperação
judicial, isso porque um dos requisitos da lei para recuperação é não ser
falido.

5º - Créditos sujeitos aos efeitos da recuperação judicial


a) Créditos incluídos
Art. 49. Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos
existentes na data do pedido, ainda que não vencidos

Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do


pedido, ainda que não vencidos.

O crédito trabalhista decorrente de serviço prestado pelo empregado


antes da recuperação judicial a ela estará sujeito:

Os créditos trabalhistas litigiosos referentes a serviços prestados pelo


trabalhador à empresa antes da recuperação judicial deverão estar sujeitos
a ela, mesmo queno momento do pedido tais créditos não estivessem
consolidados?

SIM. A partir do momento em que o empregado trabalha, ele se torna


credor de seu empregador, tendo direito ao recebimento das verbas
trabalhistas. Esse crédito existe independentemente de decisão judicial. Se
o empregador não paga e o empregado ingressa com reclamação
trabalhista, a sentença apenas reconhecerá (declarará) a existência do
direito do trabalhador, condenando o patrão a pagar.

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Não é a sentença, contudo, que constitui o direito, mas apenas o declara.
Isso significa que, se este crédito foi constituído em momento anterior ao
pedido de recuperação judicial, deverá se submeter aos seus efeitos.

Desse modo, se as verbas trabalhistas estão relacionadas com serviços


prestados pelo empregado em momento anterior ao pedido de recuperação
judicial, tais verbas também estarão sujeitas a esse procedimento, mesmo
que a sentença trabalhista tenha sido prolatada somente depois do
deferimento da recuperação.

A consolidação do crédito trabalhista (ainda que inexigível e ilíquido) não


depende de provimento judicial que o declare — e muito menos do
transcurso de seu trânsito em julgado —, para efeito de sua sujeição aos
efeitos da recuperação judicial (REsp 1.634.046/RS).

b) Créditos excluídos:
1º Créditos tributários (Art. 6º, §7º c/c 57);
2º Créditos decorrentes de propriedade fiduciária.
3º Créditos decorrentes de arrendamento mercantil.
4º Créditos decorrentes de compra e venda com reserva de domínio.
5º Créditos decorrentes de de compra e venda de imóvel com cláusula
de irrevogabilidade ou irretratabilidade.

Art. 49. (…)


§ 3o Tratando-se de credor titular da posição de proprietário fiduciário
de bens móveis ou imóveis, de arrendador mercantil, de proprietário
ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos
contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade, inclusive
em incorporações imobiliárias, ou de proprietário em contrato de
venda com reserva de domínio, seu crédito não se submeterá aos
efeitos da recuperação judicial e prevalecerão os direitos de
propriedade sobre a coisa e as condições contratuais, observada a
legislação respectiva, não se permitindo, contudo, durante o prazo
de suspensão a que se refere o § 4 o do art. 6o desta Lei, a venda ou

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a retirada do estabelecimento do devedor dos bens de capital
essenciais a sua atividade empresarial.

Ressalva: nos termos do §3º do artigo 49, em regra, os créditos


enumerados do nº 02 ao 05, não estão sujeitos ao plano de recuperação
judicial (Regra). Contudo, parte final do dispositivo consagra uma
exceção, nos casos de bens essenciais para a atividade da empresa, ainda
que sejam alguns dos créditos previstos (nº 02 a 05), ele passará a se
sujeitar a recuperação judicial. Por exemplo, se uma empresa de
transportes possui 100 caminhões, e 10 deles foram adquiridos por
alienação fiduciária, o aludido crédito não irá se sujeitar a recuperação
judicial, já que a empresa poderá sobreviver com os demais caminhões.
Contudo, caso a mesma empresa somente possua um caminhão, adquirido
por alienação fiduciária, ele passará a se sujeitar a recuperação judicial, já
que ele deve ser considerado essencial a atividade da empresa.

Com base nisso, o STJ já decidiu que se a garantia da alienação fiduciária


for o imóvel que funciona o estabelecimento do devedor ou forem bens
móveis essenciais à atividade empresarial da empresa em recuperação
judicial, nesse caso, mesmo sendo crédito de alienação fiduciária, deverá
ficar sujeita aos efeitos da recuperação judicial (CC 131.656-PE).

Por fim, ressalta-se mais uma vez que para se enquadrar na parte final do §
3º, o bem objeto da alienação fiduciária deve ser o essencial à atividade
empresarial. Se o contrato de alienação fiduciária for referente a um bem
não essencial, esse crédito continua fora da recuperação judicial. É dizer,
em regra, tais créditos não estão sujeitos a recuperação (regra),
submetendo-se a ela apenas nos casos em que forem essenciais para a
atividade da empresa em recuperação (exceção).

6º Crédito decorrente de adiantamento de contra de câmbio.

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7º Crédito posteriores ao pedido de recuperação judicial.
8º Crédito decorrente de ação de despejo:
Em ação de despejo movida pelo proprietário locador, a retomada da posse
direta do imóvel locado à sociedade empresária em recuperação judicial,
com base na Lei do Inquilinato (Lei 8.245⁄91), não se submete à
competência do Juízo universal da recuperação. O credor proprietário de
imóvel, quanto à retomada do bem, não está sujeito aos efeitos da
recuperação judicial (Lei 11.101⁄2005, art. 49, § 3º). Em suma: a ação de
despejo não se submete ao juízo universal da falência, podendo
continuar a tramitar normalmente, inclusive com a retomada do bem
pelo locador (proprietário) (CC 123.116-SP).

6º - Procedimento
a) petição inicial
Na petição inicial, o requerer deverá observar aos requisitos do art. 51 da
lei, dentre eles:
1) exposição das causas concretas do estado de crise;
2) as demonstrações contábeis dos últimos 03 exercícios;
3) a relação dos bens particulares dos sócios.

b) O despacho do juiz (Art. 52)


Estando em ordem a documentação exigida pela lei, o juiz deferirá o
processamento da recuperação judicial e, no mesmo ato nomeará o
administrador judicial. Ademais, o despacho de processamento prova a
suspensão de todas as execuções do devedor pelo prazo de 180 dias. Nesse
sentido, não serão suspensas, contudo, as seguintes ações:
1º As ações que envolvam créditos excluídos da recuperação;

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2º As ações que demandem quantia ilíquida;
3º As ações trabalhistas, que só serão suspensas quando chegar na fase de
execução.

4º STJ - Súmula 581: A recuperação judicial do devedor principal não


impede o prosseguimento das ações e execuções ajuizadas contra terceiros
devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real
ou fidejussória.

c) Impossibilidade de constrição judicial que comprometa a atividade


empresarial:
O STJ, com o objetivo de viabilizar a saída da situação de crise, não
admite que os credores que estejam fora da recuperação promovam
constrição judicial que comprometa a atividade da empresa.

d) Competência para a execução do crédito trabalhista em caso de


empresa em recuperação judicial
O STF entendeu que é da justiça comum que analisa a recuperação e não
da justiça do trabalho.

e) Irrecorribilidade do despacho de processamento


Do despacho de processamento não cabe recuperação. Inteligência da
súmula 264 do STJ.

g) Expedição de Edital

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O despacho de processamento terá que ser publicado em edital, que deverá
conter: 1) o resumo do pedido do autor; 2) os termos da decisão que
deferiu o processamento; 3) a relação dos credores; 4) a advertência acerca
dos prazos de habilitação dos créditos e para apresentação de objeção.

h) Habilitação do crédito
Aplicam-se as mesmas regras da falência.

i) Apresentação do plano de recuperação judicia


O devedor terá o prazo improrrogável de 60 dias, contados da publicação
da decisão que deferiu o processamento da recuperação judicial, para
apresentar o plano.

j) Consequências da não apresentação do plano no prazo de 60 dias


A não apresentação no prazo provoca a convolação em falência do
devedor.

h) Objeção e apresentação do plano pelos credores


Qualquer credor poderá manifestar ao juiz sua objeção ao plano no prazo
de 30 dias, contados da publicação da nova relação de credores. Havendo
rejeição de qualquer credor, o juiz convocará assembleia geral de credores
para deliberar sobre o plano de recuperação judicial. Rejeitado o plano, o
juiz decretará a falência.

l) Decisão concessiva

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Após a aprovação do plano, ele só poderá ser executado se houver uma
decisão concessiva pela juiz.

A questão da necessidade de apresentação de certidão negativa de


débito tributário: a lei estabelece como condição para uma decisão
concessiva do juiz a apresentação de CND. A doutrina, contudo, entende
que se trata de uma sanção política, não sendo ela aplicada em razão disso.
O devedor em recuperação tem o direito de discutir o crédito tributário, de
forma que essa exigência violaria o seu direito ao contraditório. Ademais,
mesmo havendo recuperação, as execuções fiscais não serão suspensas.

m) Efeitos da decisão concessiva


1º Novação
A decisão concessiva implica na novação dos créditos anteriores ao pedido
(extingue-se, portanto, as dívidas anteriores e cria-se uma nova dívida).
Como a novação induz a extinção da relação jurídica anterior, substituída
por uma nova, não será mais possível falar em inadimplência do
devedor com base na dívida extinta. Diante disso, não se justifica a
manutenção do nome da recuperanda ou de seus sócios em cadastros
de inadimplentes em virtude da dívida novada (AgRg no Ag
948.785/RS).

Art. 59. O plano de recuperação judicial implica novação dos


créditos anteriores ao pedido, e obriga o devedor e todos os
credores a ele sujeitos, sem prejuízo das garantias, observado o
disposto no § 1o do art. 50 desta Lei.

Contudo, ao contrário da novação civil, em que se extingue os acessórios e


as garantias da dívida, em sede de recuperação judicial ocorre justamente o

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contrário, ou seja, as garantias são mantidas, sobretudo as garantias
reais, as quais só serão suprimidas ou substituídas “mediante aprovação
expressa do credor titular da respectiva garantia”, por ocasião da alienação
do bem gravado.

Art. 49. (…)

§ 1o Os credores do devedor em recuperação judicial conservam seus


direitos e privilégios contra os coobrigados, fiadores e brigados de
regresso.

Art. 50. (…)


§ 1o Na alienação de bem objeto de garantia real, a supressão da
garantia ou sua substituição somente serão admitidas mediante
aprovação expressa do credor titular da respectiva garantia.

Em razão da manutenção dessas garantias, o STJ entendeu que a


recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento
das execuções nem induz suspensão ou extinção de ações ajuizadas contra
terceiros devedores solidários ou coobrigados em geral, por garantia
cambial, real ou fidejussória, pois não se lhes aplicam a suspensão prevista
nos arts. 6º, caput, e 52, inciso III, ou a novação a que se refere o art. 59,
caput, por força do que dispõe o art. 49, § 1º, todos da Lei 11.101/2005
(REsp 1.333.349-SP).

2º Formação de título executivo judicial:


A decisão concessiva constitui um título executivo judicial contra o
devedor.

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3º Recurso
Da decisão concessiva caberá agravo de instrumento, que poderá ser
interposto por qualquer credor ou pelo MP.

7º - Do Plano de Recuperação
a) limite temporal
Não há limite temporal para a duração do plano. Contudo, somente nos
dois primeiros anos é que ele será acompanhado pelo juiz. Após esse
prazo, o juiz encerrará o processo de recuperação judicial, mas o plano
poderá prosseguir normalmente.
b) Limitações ao plano
O rol de ações previstas no art. 50 é meramente exemplificativo, podendo
o devedor apresentar outras alternativas que julgar necessárias para a saída
da crise.
A única limitação ao plano é aquela prevista no art. 54:

Art. 54. O plano de recuperação judicial não poderá prever prazo


superior a 1 (um) ano para pagamento dos créditos derivados da
legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho
vencidos até a data do pedido de recuperação judicial.
Parágrafo único. O plano não poderá, ainda, prever prazo superior a
30 (trinta) dias para o pagamento, até o limite de 5 (cinco) salários-
mínimos por trabalhador, dos créditos de natureza estritamente
salarial vencidos nos 3 (três) meses anteriores ao pedido de
recuperação judicial.

O plano de recuperação judicial não poderá prever prazo superior a 1


(um) ano para pagamento dos créditos derivados da legislação do trabalho
ou decorrentes de acidentes de trabalho vencidos até a data do pedido de
recuperação judicial. O plano não poderá, ainda, prever prazo superior a 30

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(trinta) dias para o pagamento, até o limite de 5 (cinco) salários-
mínimos por trabalhador, dos créditos de natureza estritamente salarial
vencidos nos 3 (três) meses anteriores ao pedido de recuperação
judicial.

8º - Assembleia Geral de credores


a) Composição:
A assembleia é composta por 04 classes de credores:
1º Classe um: titulares de créditos trabalhistas ou de acidentes do trabalho.
Respondem com a totalidade do crédito.
2º Classe dois: titulares de crédito com garantia real.
3º Classe três: titulares de créditos quirografário, com privilégio especial e
geral e subordinados.
4º Classe quatro: titulares de créditos enquadrados como microempresa
ou empresa de pequeno porte.

Vinculação de todos os credores à determinação de plano de


recuperação judicial aprovado por maioria pela assembleia geral de
credores: Se, no âmbito de Assembleia Geral de Credores, a maioria deles
- devidamente representados pelas respectivas classes -optar, por meio de
dispositivo expressamente consignado em plano de recuperação judicial,
pela supressão de todas as garantias fidejussórias e reais existentes em
nome dos credores na data da aprovação do plano, todos eles - inclusive os
que não compareceram à Assembleia ou os que, ao comparecerem,
abstiveram - se ou votaram contrariamente à homologação do acordo -
estarão indistintamente vinculados a essa determinação (REsp 1.532.943-
MT).

b) Quórum

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1º Classe um e quatro: nessas classes, a votação é pela maioria dos
credores presentes (maioria simples), independentemente do valor de seus
créditos. É o chamado voto por cabeça (pouco importa o valor do
crédito).
2º Classe dois e três: a proposta deverá ser aprovado por credores que
representem mais da metade do valor total dos créditos presentes e,
cumulativamente, pela maioria simples dos credores presentes.
c) Ausência de direito a voto: O credor não terá direito a voto e não será
considerado para fins de verificação de quorum de deliberação se o plano
de recuperação judicial não alterar o valor ou as condições originais de
pagamento de seu crédito

@direitodiretoblog – Os bondholders tem direito a voto na


recuperação judicial?: Os bondholders são investidores que adquiriram
títulos de dívida (bonds) emitidos por companhias brasileiras que
buscaram financiar suas atividades no exterior. A emissão desses bonds é
instrumentalizada por uma escritura (indenture) que deve indiciar o nome
do agente fiduciário (indenture trustee) responsável por atuar em favor dos
investidores finais.

O problema é o seguinte: quando a Petrobras vai vender títulos no exterior,


o investidor não consegue comprar diretamente, ele tem que comprar por
um terceiro (Ex: Fulanilson Corp). Ocorre que, em regra, quando a
companhia passa por um processo de recuperação judicial, ante a ausência
de previsão expressa na Lei de Falências, a lista de credores por ela
apresentada relaciona apenas o nome do agente fiduciário, apontado como
credor total dos recursos captados na operação de crédito (No nosso caso,
vai constar como credor a Fulanilson Corp e não quem efetivamente
comprou o título).

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Ocorre que, na realidade, os verdadeiros titulares do interesse econômico-
financeiro, que sofrerão diretamente os efeitos da reorganização
empresarial, são os investidores finais (bondholders), pois são eles os reais
credores das recuperandas.

A questão que chegou ao STJ foi a seguinte. Como os bondholders não


constam expressamente na lista de credores apresentada pela companhia
em recuperação, mas apenas o agente fiduciário, eles teriam direito a vota
em relação ao futuro plano de recuperação.

O STJ entende que sim. Para o STJ, os bondsholders têm assegurados o


direito de voto nas deliberações sobre o plano de recuperação (Resp
1.670.096/RJ).

O fundamento foi o seguinte: a Lei de Falências afirma que o credor não


terá direito a voto quando o plano de recuperação não alterar o valor ou as
condições originais de pagamento de seu crédito (Art. 45, §3º). Assim, em
sentido contrário, todos que são afetados tem direito a voto, de forma os
bondholders também tem direito a voto.

d) Quórum para aprovação do plano


Em regra, para a aprovação do plano é preciso que ele seja aprovado por
todas as classes de credores. Rejeitado o plano, o juiz decretará a falência.

e) Craw Down

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Como em regra o plano precisa ser aprovado por todas as classes, a
rejeição por uma delas provoca a falência do devedor. Contudo, mesmo
nos casos em que o plano não obteve a aprovação na assembleia, o juiz
poderá conceder a recuperação com base nele, desde que, nessa
assembleia, ele tenha obtido de forma cumulativa:
1º o voto favorável de credores que representem mais da metade do valor
de todos os créditos presentes à assembleia, independentemente de
classes;
2º a aprovação de 2 (duas) das classes de credores nos termos do art. 45
desta Lei ou, caso haja somente 2 (duas) classes com credores votantes, a
aprovação de pelo menos 1 (uma) delas;
3º na classe que o houver rejeitado, o voto favorável de mais de 1/3 (um
terço) dos credores, computados na forma dos §§ 1 o e 2o do art. 45 desta
Lei.
O Craw Down, expressão inglesa que significa goela abaixo, é, portanto,
uma imposição judicial a aprovação do plano, atendidos os requisitos
previstos em lei.

O juiz pode recusar-se a homologar o plano de recuperação judicial


alegando que ele não tem viabilidade econômica, mesmo já tendo sido
aprovado em assembleia e estando formalmente perfeito?: NÃO. Se o
plano cumpriu as exigências legais e foi aprovado em assembleia, o juiz
deve homologá-lo e conceder a recuperação judicial do devedor, não sendo
permitido ao magistrado se imiscuir (intrometer) no aspecto da viabilidade
econômica da empresa.

A aprovação do plano pela assembleia representa uma nova relação


negocial que é construída entre o devedor e os credores. Se os credores
aceitaram a proposta e ela preenche os requisitos legais, não cabe ao juiz
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indeferir a recuperação judicial. Além disso, o magistrado não é a pessoa
mais indicada para aferir a viabilidade econômica do plano de recuperação
judicial.

Isso porque a análise do possível sucesso ou não do plano proposto é não é


uma questão jurídica propriamente dita, mas sim econômica e que está
inserida na seara negocial da recuperação judicial, o que deve ser tratado
entre devedor e credores.

O Cram down é possível; o contrário não

A Lei permite que o magistrado conceda a recuperação judicial mesmo


tendo o plano sido recusado pela assembleia. Isso está previsto no art. 58,
§ 1º e é chamado de cram down.

No entanto, o contrário não é possível, ou seja, o juiz não pode indeferir a


recuperação judicial cujo plano foi aprovado pela assembleia,
considerando que isso significaria a quebra (falência) da empresa, o que
vai de encontro com o objetivo da Lei n.° 11.101/2005, que é o de que
reerguer a sociedade empresária.

Assim, podemos concluir que o magistrado deve exercer o controle de


legalidade do plano de recuperação, analisando se há fraude ou abuso
de direito. No entanto, não cabe a ele fazer controle sobre a viabilidade
econômica do plano.

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Nesse sentido, entendem a doutrina (enunciados nº 44 e 46 da I Jornada) e
a jurisprudência (REsp 1.319.311-SP).

f) impossibilidade de tratamento diferenciado


A recuperação judicial somente poderá ser concedida com base no Craw
Down se o plano não implicar tratamento diferenciado entre os credores da
classe que o houver rejeitado.

9º- Alienação das Unidades produtivas


Na recuperação judicial havia uma certa controvérsia acerca da sucessão
de dívidas trabalhistas na alienação de unidades produtivas, já que a lei só
fez expressa menção as dívidas tributárias. O STF (ADI 3.934/DF)
entendeu que ele também estaria livre do ônus trabalhista.

a) Realização do ativo
O processo falimentar visa à reunião dos credores e à arrecadação dos
bens, ativos e recursos do falido para, após a alienação dos mesmos,
adimplir os credores, obedecendo a uma ordem de prioridade estabelecida
na lei. A realização dos ativos nada mais é do que o procedimento por
meio do qual realiza-se a arrecadação dos bens da massa falida, sua
listagem, organização formal e a venda dos mesmos a fim de arrecadar
dinheiro para pagamento dos credores, conforme arts. 139 e 148 da
referida Lei.

A Lei de Falências prevê, em seu art. 142, três modalidades ordinárias


(comuns) de alienação do ativo: leilão (por lances orais); propostas
fechadas; e pregão. Antes de ocorrer a referida alienação, por qualquer de
suas modalidades, o § 1º do art. 142 afirma que é indispensável que haja a

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publicação de anúncio em jornal de ampla circulação, devendo o mesmo
ser publciado com antecedência mínima de 15 dias, em se tratando de bens
móveis, e 30 dias, na alienação da empresa ou de bens imóveis.

Já a modalidade extraordinária de alienação do bens ocorre quando não


há viabilidade de tempo ou justificativa para a realização do ativo pelos
meios ordinários. Trata-se de modalidade de venda com procedimento
mais simples, prevista nos artigos 144 e 145 da Lei.

A referida alienação extraordinária do ativo financeiro da empresa deverá


ser apresentada ao Juiz para autorização, por meio de requerimento feito
pelo administrador judicial ou Comitê. Outrossim, realizada de outra
forma a alienação extraordinária, que não a prevista no art. 144, o juiz
deverá homologar o pedido, desde que aprovado pela assembleia-geral
de credores, inclusive com a constituição de sociedade de credores ou dos
empregados do próprio devedor, com a participação, se necessária, dos
atuais sócios ou de terceiros.

Ressalta-se que, quando a alienação extraordinária dos ativos é aprovada


pela assembleia de credores ou comitê, sendo constituída sociedade de
credores ou dos empregados do devedor a atividade do juiz é meramente
homologatória, nos exatos termos do artigo 145 da Lei de Falências, não
podendo ele negar-se a homologar a alienação.

Alienação extraordinária de ativo da falência e desnecessidade de


prévia publicação de edital: Depois que os bens da massa falida forem
arrecadados, ou seja, listados e organizados formalmente, eles serão
vendidos a fim de arrecadar dinheiro para pagar os credores. Essa venda é
chamada pela lei de “realização do ativo”.

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No art. 142 da Lei estão previstas as modalidades ordinárias de realização
do ativo (leilão, propostas fechadas e pregão). No caso da alienação
ordinária, a Lei exige que haja prévia publicação de um anúncio em jornal
de ampla circulação (§ 1º do art. 142).

Além das modalidades ordinárias de alienação, a Lei prevê formas


extraordinárias de venda, que estão disciplinadas nos arts. 144 e 145 para
casos em que se exige uma maior celeridade e informalidade.

O STJ decidiu que, em caso de alienação extraordinária, NÃO é


necessária a prévia publicação do anúncio em jornal de grande
circulação de que trata o § 1º do art. 142. (REsp 1.356.809-GO).

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Bibliografia

CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Dizer o Direito


<http://www.dizerodireito.com.br/>.

RAMOS, André Luiz Santa Cruz. Direito Empresarial Esquematizado. 7ª Edição. Rio
de Janeiro: Método, 2017.

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