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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS - IGC


DEPARTAMENTO GEOGRAFIA
GEOGRAFIA ECONÔMICA (GEO366)
PROF: FÁBIO TOZI. MONITOR: JOÃO MARCOS TEIXERA
Aluno: Tiago Marques Leite e Dayane Rodrigues

Questão 1
Milton Santos crítica e principalmente discursa em seu texto A totalidade do diabo
(1977) sobre o capitalismo e sua formação geográfica, além de seus efeitos nos países
subdesenvolvidos. Segundo ele, novas relações socioeconômicas capitalistas a partir da
década de cinquenta modificaram as formas vigentes, valorizando o lucro do capital perante
as antigas formas de produção das regiões, tanto no contexto rural quanto urbano.
‘’ A formação sócio-econônomica é realmente uma totalidade. Não obstante, quando sua
evolução é governada diretamente de fora sem a participação do povo envolvido, a estrutura prevalece
– uma armação na qual as ações se localizam – não é a da ação, mas sim a estrutura global do sistema
capitalista. As formas introduzidas deste modo servem ao modo de produção dominante em vez de
servir à formação sócio-econômica local e às suas necessidades especificas. Trata-se de uma
totalidade doente, perversa e prejudicial. ‘’
(SANTOS,1977, pag.14 )
O espaço é analisado em quatro categorias internas no estudo da totalidade do
movimento. Segundo o autor ‘’ ... as categorias estrutura, função e forma bem como a de
processo (tempo e escala ) são indissociáveis tanto enquanto categorias analíticas como enquanto
categorias históricas. Elas são as categorias que definem a totalidade concreta, a totalidade em seu
processo permanente de totalização ‘’ (SANTOS,1977, p.12). É dado um maior enfoque na
forma, por ser ela a principal categoria modificada pelas relações capitalistas a partir
da década de cinquenta, com o objetivo de aumentar o ganho de capital. A passagem
‘’ Todas as formas são dotadas de uma estrutura técnica que compromete o futuro ‘’
(SANTOS,1977, p.13) mostra a importância e influência que ela tem na estrutura do
espaço.

Aplicada num contexto rural, essa mudança da forma de produção ‘regional’


para uma produção capitalista mundial pode ser percebida através da revolução
verde. Revolução cujo objetivo era a modernização do sistema agrícola na década de
1950 e teve como país modelo o México. Numa conjuntura geral, as novas tecnologias
desenvolvidas pós segunda guerra (1939-1945) tinham sob o pretexto de acabar com
a fome do mundo através de um maior proveito do solo e da cultura nos países
subdesenvolvidos, usando técnicas de modificação de sementes, fertilização do solo,
utilização de agrotóxicos e mecanização do campo. Na prática, a revolução
desfavoreceu os pequenos produtores que não podiam pagar pelas tecnologias, uma
vez que esses não podiam competir com o aumento de produtividade dos grandes
latifundiários e suas inovações agro tecnológicas.’’ Cinco por cento dos agricultores
(mexicanos) produziram 54% do produto agrícola total e foram responsáveis por 80 % do aumento
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na produção agrícola entre 1950 e 1960 ‘’(SANTOS,1977, pag. 4). Como consequência
dessa nova forma econômica e social os pequenos agricultores tiveram que vender
suas terras, criando um monopólio da produção que vinga até os dias atuais, tanto no
México quanto no Brasil.
O exemplo fundiário brasileiro tende a gerar ainda mais convencimento sobre
as mudanças das formas vigentes por outras de caráter mundial. Iniciado na década
de 1970, durante e com o incentivo da ditadura militar, o Brasil começa a investir na
agricultura industrial através dos processos de adoção de maquinário pesado e
incentivo do uso de agrotóxicos e fertilizantes. Tal fato pode ser comprovado pelo
gráfico retirado do Agrifood Atlas 2018, feito em parceria da Fundação Rosa
Luxemburgo com a Fundação Heinrich Bõll, que mostra a evolução do consumo de
fertilizantes no Brasil.
(Gráfico 1)

O aumento exponencial do uso agrotóxico mostra, em conjunto com a tabela 2,


os resultados da modernização agrícola nas terras brasileiras. Retirado do Censo
Agropecuário de 2006 redigido pelo IBGE, o gráfico mostra através do Coeficiente de
gini¹ a concentração de terras ao longo dos anos no Brasil.

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(Tabela 2)

Através desses argumentos é conclusivo o caráter modificador do capitalismo


nas formas sociais vigentes, nesse caso pela revolução verde, e do espaço a sua
volta.
‘’ Através das formas, [...], a estrutura sócio-econômica de um país pode ser
facilmente atacada ‘’
(SANTOS,1977,pag.3 )

¹ O coeficiente de Gini é um cálculo usado para medir a desigualdade social, ele apresenta dados
entre 0 e 1 onde zero é uma completa igualdade de renda e um uma completa desigualdade. Nesse
caso, ele foi usado para medir a concentração de terra.
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Questão 2
Segundo Carlos Lessa a economia política é ‘’um estudo das leis sociais de
produção e repartição [...] ‘’ (LESSA,1972) que trata do objeto como uma totalidade
em movimento². Para estudar esse processo de constante mutação, ele aponta a
Dialética³ como o ‘’único instrumento logico possível’’. Ou seja, pensar a totalidade em
todas as suas implicações. Este será o método utilizado para estudar a concentração
de renda no Brasil, no período de 1930 a 2010, buscando mostrar a maior quantidade
de dinâmicas que levaram a tais resultados. Para facilitar o entendimento do leitor a
resposta será divida em momentos socio econômicos chaves e destoantes dos
gráficos apresentados na pergunta.
O primeiro recorte data do período pós crise de 1929, crise na bolsa de valores
dos Estados Unidos que trouxe consequências para a economia brasileira. Como os
Estados Unidos era o principal comprador de café, principal exportação brasileira da
época, o governo teve de congelar os preços e comprar o excedente para não criar
uma crise brasileira. Isso gerou a insatisfação dos cafeicultores de São Paulo que
tinham grande poder político, e aliado as greves operarias levaram o Brasil a uma
instabilidade política que fez com que em 1930 Getúlio Vargas tomasse o poder. Sua
política industrial e desenvolvimentista, com pouca regulamentação trabalhista,
aumentou a concentração de renda no país até meados de 1940. Nessa data acontece
o implemento do salário mínimo no Brasil, junto com outras leis trabalhistas, fator
marcante que diminui a concentração de renda, oque pode ser visto pela diminuição
do 1 % mais rico na época de 1940 a 1960.A segunda guerra mundial também deve
ser comentada, uma vez que influenciou a economia de todo o mundo, mesmo não
sendo o principal influenciador das mudanças.
A partir de 1960, mais precisamente em 1964 quando começa o período de
ditadura militar no país, a concentração de renda volta a crescer. Os motivos para tal
acontecimento se devem a duas principais características: O chamado ‘milagre
econômico ‘e a repressão aos movimentos trabalhistas. A primeira característica tem
início em 1969 e se da por um crescimento acelerado da indústria e criação de
empregos. Tal fato, porém, aumentou a desigualdade quando o governo resolve
diminuir em 20 % o salário mínimo, e, junto com as futuras repressões dos
movimentos trabalhistas, levou a um crescimento da concentração de renda. Apesar
do crescimento econômico a inflação se torna elevada, entre 15% e 20% ao ano, e a
divida externa do país começa a aumentar gradualmente, levando ao fim do milagre
em 1974.
Aliado a crise mundial do petróleo em 1974 devido a uma serie de conflitos
envolvendo os produtores árabes e os Estados Unidos, como a guerra dos seis dias
e a guerra do Yom kipur, a crise brasileira de recessão e instabilidade se estende até
a década de 90, mesmo com as varias tentativas de acabar com a hiperinflação com
planos econômicos que vão do governo de José Sarney ate o de Fernando Collor.
Apenas em 1994 com a implantação do plano no governo Itamar Franco é que o Brasil
consegue se reestruturar economicamente, fazendo a economia crescer novamente
e assim a desigualdade. Um acontecimento relevante é a crise de 2000, novamente
nos Estados Unidos, que levou a uma queda do recebimento dos 1 % mais rico.

² Termo criada por Milton Santos que define a economia como a totalidade em
movimento de determinada formação socioespacial.
³ dialética é o debate pela contradição e contraposição que busca a verdade, nesse
contexto é a busca da crise por diversos fatores.

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Com o fim da ditadura militar e a reestruturação da economia, o salário mínimo
começou a crescer, e com as transformações sociais e econômicas feitas através de
programas de inclusão e diminuição da concentração de renda no período do governo
Lula, de 2003 a 2011, o Brasil teve sua menor concentração nos últimos 40 anos.

Questão 3
É fato que as relações econômicas no território brasileiro não são
uniformemente distribuídas devido a sua extensão e os diversos tipos de colonização
especificas de cada região. Desde os tempos de colônia certas regiões foram
favorecidas na questão desenvolvimentista e outras foram deixadas de lado. Devido
a essa multiplicidade de fatores o Brasil, é hoje um conjunto de regiões de diferentes
desenvolvimentos econômicos e sociais, uns necessitando mais apoio do Estado do
que outros.
Retirado do gráfico, é conclusivo que a região Norte e Nordeste é a menos
desenvolvida economicamente, fato associado ao caráter industrial da região centro
sul que o Estado teve durante toda a sua história. Atrelado a isso vem o Mercado, que
não se interessa por questões sociais, apenas resultados econômicos. Isso quer dizer
que ele sempre procura a forma mais rentável de acontecer, nesse caso favorecendo
ainda mais essas regiões e formando polos econômicos de influência mundial, como
o caso da cidade de São Paulo.
Para combater esse direcionamento, o Estado começou a atrair o Mercado
através de políticas de subsídio em outras regiões, numa tentativa de
desenvolvimento geral do país, tendo como exemplo a zona franca de Manaus, no
Norte. É demonstrado aí a complexa relação entre Mercado e Estado: Um necessita
do outro, mas sempre trazendo consequências ou sociais ou econômicas. Programas
de desenvolvimento e inclusão das regiões mais pobres como o Bolsa Família são
uma tentativa do Estado de incluir essas populações no Mercado e assim, diminuir os
problemas sociais. Tais programas servem também para ocupar regiões em que o
Mercado neoliberal não atua e que ficariam sem nenhum incentivo se não fosse o
Estado.

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Referências
CARVALHO,Joelson Gonçalves de . Agricultura e questão agrária no Brasil –
condicionantes estruturais da concentração fundiária

IBGE, Censo Agropecuário 2006 , 2007.

LESSA,Carlos . Analise Econômica e economia política,1972.

OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino. A agricultura camponesa no Brasil 4. ed. São


Paulo: Contexto, 2001.

SANTOS , Maureen . Atlas do Agronegócio 2018

SANTOS,Milton . Totalidade do Diabo: Como as formas geográficas difundem o


capital e mudam estruturas sociais ,1977.

SILVA, José Gomes in STÉDILE, João Pedro. A questão agrária na década de 90.
4. ed. Porto Alegre: UFRGS, 2004.

GALBRAITH, John Kenneth.1929: A Grande Crise. São Paulo: Laroussedo Brasil,


2010