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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS

CENTRO DE CIÊNCIAS DA VIDA


FACULDADE DE PSICOLOGIA

ANA FLÁVIA DE PAULA ROSADO

DIÁRIO DE BORDO 1 – NORMAL x PATOLÓGICO


NA INFÂNCIA

CAMPINAS
2017
ANA FLÁVIA DE PAULA ROSADO

DIÁRIO DE BORDO 1 – NORMAL x PATOLÓGICO NA


INFÂNCIA
Diário de bordo apresentado à
disciplina Psicopatologia II, da
faculdade de Psicologia, do Centro de
Ciências da Vida, como parte das
atividades de laboratório exigidas para
aprovação.
Orientadora: Profª Drª Marly A.
Fernandes.
Monitora: Maria Elisa Palandi

ÇLP

PUC-CAMPINAS
2017
FOLHA DE CORREÇÃO DO DIÁRIO DE BORDO 1- 2017
Psicopatologia II - Profa Marly e Equipe de Monitores:
Caio, Camila,Isabella,Mariana, Maria Elisa, Nádia,Vanessa, Victória

ASPECTO FORMAL (0,5)


Seguiu roteiro 0,25
Não seguiu roteiro 0
Seguiu as normas da ABNT 0,25
Não seguiu as normas da ABNT 0

ASPECTOS DO CONTEÚDO(1,5)
Boa integração T e P 1,5
(Ref básica e complem, respondeu questionamentos,relacionou conceitos e filme)
Media integração T e P 1,0
(Faltou um ítem descrito acima)
Pouca integração T e P 0,5
(Faltou dois itens descritos acima)
Não integrou Teoria e Prática 0
(Só teoria ou só filme, não relacionou)

PARTICIPAÇÃO NA DISCUSSÃO (1,0)


Entregou diário e presença em aula 1,0
Entregou diário e faltou da aula 0,5
Não entregou diário 0

NOTA FINAL DO DIÁRIO (3,0)

Aspecto formal+ conteúdo+ participação

Obs: As notas circuladas, somadas, constituem a nota final

MONITOR____________________________________________

DOCENTE_____________________________________________

ALUNO_______________________________________________
1. CARACTERIZAÇÃO DA ATIVIDADE

Campo: Cinema
Estratégia: Análise de Filme
Título do Filme: Ensinando a Viver
Data da Exibição do Filme: 31/08/2017
Ficha técnica do filme:
- Ano: 2007
- País: Estados Unidos da América
- Diretor e Atores Principais: Menno Meyjes, John Cusack, Bobby Coleman,
Amanda Peet, Sophie Okonedo e Oliver Platt.
- Gênero: Comédia; Drama.
Tema de psicopatologia a ser analisado: Normal x Patológico na infância.

2. NARRATIVA DA EXPERIÊNCIA
Quando descobri qual era o filme que iriamos assistir me dei conta de
que já o havia visto em outro momento da vida e comecei a pensar nas questões
de psicopatologias que nele existiam – falhei. Meu primeiro contato com o filme foi
como uma espectadora leiga na psicologia que apenas enxergava a trama como
uma ficção dramática do cinema norte-americano, contudo, dessa segunda vez
assisti com outros olhos e pude desde o início encontrar aspectos diversos das
teorias psicológicas que já tive contato – em especial temas da psicopatologia e
da abordagem psicanalítica.
Dennis é um garoto incomum, que foi abandonado em um orfanato e
considerado difícil de adoção por suas atitudes. Foi diagnosticado por psiquiatras
como inábil a fazer amizades sem que as pessoas ao seu redor ao menos
tivessem tirado um tempo para de fato tentar fazer amizade com o garoto. Dennis
acredita ser marciano e vive excluído das demais pessoas até que conhece
David.
David perdeu sua mulher e com isso deixou de lado o desejo que
compartilhava com ela de adotar uma criança, até que recebe uma ligação do
orfanato falando sobre um garoto que consideravam ser “o filho ideal” para ele.
É a partir desse cenário que se desenvolve uma história de amor,
confiança e paciência entre os personagens. David pouco a pouco nota as falhas
pelas quais Dennis passou até o momento e começa a se dedicar a supri-las,
modificando assim a realidade em que o garoto vive e se compreende.
O que mais me marcou no filme foram as pequenas atitudes de David
que mostravam o quanto ele estava realmente disposto a se tornar pai de Dennis
e ajudá-lo a se reconhecer no mundo e ser feliz na sua realidade. Ao chegarem
pela primeira vez em casa, David leva o garoto para seu quarto e notando a
estranheza dele o tranquiliza sugerindo que entendesse aquele quarto como uma
caixa maior (pois era em uma caixa de papelão no orfanato que Dennis se sentia
seguro e em sua zona de conforto).
É muito bonito ver o desenvolvimento da relação afetiva entre David e
Dennis que no início era algo quase mecânico, em que David precisava sempre
se esforçar para que houvesse o contato, e ao fim chegaram ao ponto de se
abraçarem e demonstrarem verdadeiramente amar um ao outro, além de cenas
que deixam claro o quanto se divertem e aprenderam a ser felizes juntos.
Dennis passa grande parte do filme observando, fotografando e
anotando sobre o comportamento humano e a terra, alegando estar estudando
para aprender a ser humano e parte de uma família. E apesar de toda análise que
isso gera, de modo mais superficial me faz entender a realidade de uma criança
adotada, que se vê em um ambiente totalmente novo e diferente ao qual precisa
aprender a se adaptar e do qual deve descobrir como fazer parte.
O garoto não conhece muitas coisas e por essa razão tenta controlar
sua realidade a partir daquilo que conhece, por exemplo, só quer comer cereais
de milho por ser o que já conhece e tem a garantia de gostar, mas se recusa (por
um tempo) a tentar comer outras comidas que sejam diferentes e novas. Isso é
outra demonstração da evolução de Dennis em relação a sua compreensão de
mundo, da realidade em que vive e de si mesmo.
Durante o filme Dennis diz se lembrar de quando foi abandonado na
grama em frente ao que parece ser um observatório e isso me deixou chateada,
por perceber que um evento dessa natureza é tão traumático que afeta para
sempre a vida de uma criança (ainda que tenha sido apenas uma ficção). E fiquei
muito emocionada ao fim do filme, quando Dennis questiona o porquê de terem o
abandonado e David diz que devem ter sido idiotas por não perceber a criança
extraordinária, de coração tão grande e cheio de amor como Dennis. O abraço
emocionado deles, agora realmente pai e filho, marca todo afeto que
desenvolveram e como a relação deles cresceu uma vez que ambos se
dispuseram a se conhecer e entender um ao outro em sua individualidade. Isso
era tudo que Dennis precisava, de alguém que o amasse exatamente como ele
era e que o aceitasse dessa maneira, buscando atravessar as barreiras
defensivas que ele tinha colocado em si mesmo depois de ter sido abandonado.

3. QUESTIONAMENTOS
- A ideia que Dennis tem de ser um marciano pode ter relação com um ambiente
insuficientemente bom (ausência da mãe suficientemente boa)?
- Quando David ensina baseball a Dennis isso pode ser considerada uma forma
de apresentação de objetos, a qual deveria ser feita pela mãe suficientemente
boa juntamente com o handling e o holding?
- Ao criar uma realidade de marciano pode-se dizer que Dennis utiliza de um
mecanismo de defesa para lidar com seu abandono?

4. DIÁLOGO COM A TEORIA


Segundo Winnicott (1982) uma criança normal é capaz de utilizar
quaisquer recursos oferecidos pela natureza, ou todos eles, para se defender das
angústias e conflitos intoleráveis. Além disso, Freud (2006) afirma serem os
mecanismos de defesa ações psicológicas com o objetivo de proteger a
integridade do ego do indivíduo, surgidos a partir da vivência de angústias. Desse
modo, considerando a ideia que Dennis tem de ser um marciano – portanto tem
como essa sua realidade – seja um mecanismo de defesa, pode-se crer que esse
recurso tenha sido utilizado para que seu ego fosse protegido da angústia
causada pelo abandono que sofreu quando mais novo.
A família é considerada estrutura social básica e desempenha um
papel fundamental na vida do indivíduo. Inicialmente é ela quem impõem ao
indivíduo uma cultura e uma ideologia, além de influências específicas
(MARCELLI; COHEN, 2010). O fato de Dennis ter sido abandonado quando muito
novo e ter se isolado dos demais órfãos com quem convivia leva a crer que o
garoto vivenciou uma ausência dessa estruturação social básica, e, portanto, não
foi apropriadamente apresentado à cultura na qual estava inserido.
De acordo com a teoria do amadurecimento pessoal, o ser humano tem
como ponto de partida um estado de não integração e para que se integre precisa
de outro ser humano. É necessária uma mãe-ambiente que se identifique com
esse indivíduo e o ajude a se integrar, o tornando capaz de se percebe no tempo
e no espaço, de se reconhecer em seu corpo e na realidade (ARAÚJO, 2003). O
abandono de Dennis implica na ausência dessa mãe-ambiente que lhe fizesse
capaz de se reconhecer em seu corpo e em sua realidade, o que pode tê-lo
levado a se enxergar em uma realidade criada por ele mesmo.
Em conjunto com o holding e o handling cabe à mãe suficientemente
boa realizar a apresentação de objetos ao filho. A partir dessa apresentação, que
deve ser vista desde os anos iniciais de vida, o indivíduo é capaz de perceber o
mundo ao seu redor (COSTA et al, 2013). Ainda de acordo com Costa et al (2013)
o analista tem a capacidade de permitir que o paciente caminhe no seu próprio
ritmo, podendo ser, portanto, comparado à mãe – visto que ela deixa que o filho
processe as coisas no seu tempo particular. De maneira similar as atitudes de
David ocorrem de modo a apresentar o mundo de uma nova forma para Dennis,
por exemplo, levando-o a lugares diferentes, incentivando-o a comer alimentos
diferentes. Ainda assim, percebe-se no filme que David permite que o garoto leve
o tempo necessário para se ajustar a esse outro mundo – por exemplo, o corte de
cabelo: David esperou um tempo junto de Dennis antes de leva-lo para fazer um
corte; ou a cena em que chegam à casa de David e ao notar a estranheza de
Dennis o homem lhe dá um espaço e tempo e diz para que o garoto pense que
era uma “caixa maior” (o que lhe remetia à caixa em que ficava antes, que lhe era
sinônimo de segurança, daquilo que era conhecido).
Esses recursos defensivos adotados pelas crianças são chamados
sintomas e Winnicott (1982) afirma que uma criança normal é capaz de
apresentar qualquer tipo de sintoma em circunstâncias apropriadas. Desse modo,
considerando que Dennis foi abandonado e desde então viveu em isolamento,
seus sintomas defensivos não são considerados patológicos, e sim recursos
utilizados por uma criança normal frente às circunstâncias angustiantes que
vivenciou.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ainda que o diário tenha sido feito com uma história fictícia a
experiência me permitiu uma visão mais prática das teorias que foram estudadas,
tanto com relação ao que é considerado normal e patológico na infância, quanto
em relação a conceitos da abordagem psicanalítica.
Apesar de não ser um prontuário clínico, um olhar mais crítico para o
filme me possibilitou enxergar cenas que descrevessem relação da criança com o
mundo ao seu redor e diversas informações que se espera encontrar em
prontuários – por exemplo, o abandono de Dennis e em que aspectos de sua vida
isso afeta atualmente.
Por fim, ressalto a importância de ter feito algo mais próximo da
realidade de atuação do psicólogo, uma vez que pude analisar uma história à luz
da abordagem psicanalítica – com a qual mais me identifico.
6. REFERÊNCIAS

AIELLO-VAISBERG, T.M.J.; MACHADO, M.C.L. Narrativas: o gesto do sonhador


brincante. In ENCONTRO LATINO AMERICANO DOS ESTADOS GERAIS DA
PSICANÁLISE; IV, São Paulo: Trabalhos IV Encontro Latino Americano dos
estados gerais da Psicanálise, 2005.

ARAÚJO, C.A.S. O autismo na teoria do amadurecimento. Natureza Humana,


São Paulo, v.5, n.1, p. 39-58, 2003. Disponível em:
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-
24302003000100002> Acesso em: 08 set. 2017.

COSTA, C.G.; RIBEIRO, D.P.S.A; VOLPATO, A.L.; ABRÃO, J.L.F. Reflexões


Psicanalíticas Winnicottianas sobre o sentido do silêncio no setting. Boletim de
Psicologia, São Paulo, v.63, n.138, p. 49-63, 2013. Disponível em: <
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0006-
59432013000100006> Acesso em: 08 set. 2017.

FREUD, A. O ego e os mecanismos de defesa. Porto Alegre: Artmed, 2006.

MARCELLI, D.; COHEN, D. Infância e psicopatologia. 8ª ed, Porto Alegre: Artmed,


2010.

WINNICOTT, D. A Criança e o Seu Mundo. 6ª ed. Rio de Janeiro: LTC Editora,


1982.