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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA

Questão aula - Biologia e Geologia (V1)

Data: 15 /11 /2019 Duração: 50 minutos


Ano Letivo: 2019.20

Nas respostas aos itens de


escolha múltipla, selecione a opção correta.
Escreva, na folha de respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida

Grupo I

Explosão do Monte Agung e impacte no clima


O Monte Agung é um estratovulcão localizado na ilha de Bali, na Indonésia. É o ponto mais alto da ilha, com 3142
metros de altitude. A sua última grande erupção foi no dia 16 março de 1963, durou mais de um ano e os fluxos
piroclásticos por ele originados vitimaram mais de 1600 pessoas na ilha.
No dia 21 de novembro de 2017 foi identificada, via satélite, nova atividade no vulcão Agung com emissão, a mais
de 4 km de altura, de gases e de cinzas vulcânicas. O registo crescente da atividade sísmica naquela área indiciava
que uma erupção maior poderia vir a acontecer.
Durante o mês de outubro de 2017, e apesar da contínua atividade sísmica, o Agung apenas expelia vapor de
água, num tipo de erupção designado freático. Uma erupção freática consiste na libertação explosiva de vapor
causada pelo aquecimento, por ação de um magma, de água do subsolo.
O satélite Sentinel-5P, da NASA, identificou intensa emissão de dióxido de enxofre, SO2, um gás tóxico quando
inalado em grandes quantidades, altamente concentrado em torno do cone vulcânico. A partir do dia 6 de
dezembro, durante a noite, a emissão da coluna de cinzas passou a ser iluminada por um clarão intenso da cor do
fogo.
Este vulcão tem sido monitorizado por investigadores da Fundação Berkeley Earth, EUA, que se dedica ao estudo
das alterações climáticas. Aquando da erupção de 1963, o monte Agung injetou quantidades significativas de
dióxido de enxofre na estratosfera, a cerca de 16-18 km de altitude, onde reagiu com a água formando aerossóis
de ácido sulfúrico que, por terem a capacidade de refletir a radiação solar, causaram um arrefecimento da
temperatura na superfície da Terra. Esta erupção também libertou CO2 para a atmosfera, o que significa que
também contribuiu para o aquecimento global através do agravamento do efeito estufa, efeito que, contudo, foi
superado pelo arrefecimento causado pela elevada emissão de cinzas vulcânicas e de SO2. A segunda metade do
século XX só viu duas outras grandes erupções de magnitude comparável: a do El Chichón, em 1982, no México,
e a do Pinatubo, nas Filipinas, em 1991. Tal como aconteceu com o Agung, em 1963, todos deixaram impressões
significativas no clima, razão pela qual são intensamente monitorizados. E de facto, ao longo dos tempos
geológicos as erupções vulcânicas têm tido um papel importante na variabilidade da temperatura média global
da superfície terrestre.
Em 1963, estima-se que o arrefecimento médio global desencadeado pela erupção do Agung tenha sido de cerca
de 0,2 a 0,3 ° C. Após este tipo de erupção, a recuperação da temperatura média global depende da magnitude e
da evolução da erupção, ou seja, da quantidade de dióxido de enxofre que é emitida e da duração da erupção.
A figura 1 representa a localização tectónica do Monte Agung e a figura 2 faz uma previsão da anomalia térmica
que se pode vir a registar no planeta se o Agung entrar em erupção a curto prazo.
A história eruptiva deste vulcão e a sua atividade recente decretaram, até ao final de 2017, o alerta máximo e as
autoridades delimitaram uma zona de exclusão, num raio de 8 a 10 km do vulcão, tendo evacuado cerca de 100000
pessoas e encerrado o aeroporto principal.

Adaptado de: Global Volcanism Program, 2017. Report on Agung (Indonesia). In: Sennert, S K (ed.), Weekly Volcanic Activity Report, 27 December-2
January 2018. Smithsonian Institution and US Geological Survey.
F. Lehner, J. Fasullo (2017), Global climate impacts of a potential volcanic eruption of Mount Agung, National Center National Center for Atmospheric
Research, Boulder, USA.
Figura 1. Localização geotectónica do vulcão indonésio Monte Agung.

Figura 2. Últimas erupções históricas dos vulcões Agung, El Chichón e Pinatubo. A linha negra representa a estimativa do aquecimento
atribuído à combinação de gases de efeito estufa, vulcões e alterações na produção solar. A linha cinzenta representa uma previsão da
variação da temperatura global se uma próxima erupção do Agung tiver a magnitude da que ocorreu em 1963.

1. O estratovulcão Agung é do tipo


(A) fissural associado a um sistema de falhas tectónicas.
(B) central com cone baixo de vertentes com inclinação suave.
(C) fissural associado ao derrame de extensas escoadas ácidas.
(D) central com cone alto de vertentes íngremes.
2. O magma associado ao Monte Agung
(A) possui uma temperatura da ordem dos 800 °C e teores de sílica que variam entre os 55 e os 60%.
(B) é viscoso, muito rico em sílica e sofreu movimentação de outubro a dezembro de 2017.
(C) pode originar lavas encordoadas que, quando arrefecem no interior da cratera, formam domos
vulcânicos.
(D) é muito rico em água, razão pela qual teve um período de erupção freática.

3. De acordo com os dados do texto, a erupçaõ de 1963 foi do tipo


(A) efusivo, tendo sido originada por um magma muito viscoso.
(B) efusivo, tendo sido originada por um magma com baixo teor em gases.
(C) explosivo, tendo sido originada por um magma pouco viscoso.
(D) explosivo, tendo sido originada por um magma com elevado teor em gases.

4. Para a formação de magmas pode contribuir


(A) o aumento da idade de formação das rochas.
(B) o aumento da temperatura de fusão das rochas.
(C) a diminuição do teor em água das rochas.
(D) a diminuição da pressão exercida nas rochas

5. Selecione a opção que classifica corretamente as afirmações I a III de acordo com os dados fornecidos.
I. A atividade vulcânica do Monte Agung resulta da subducção da placa euroasiática sob a placa
indoaustraliana.
II. A atividade vulcânica primária do El Chichón extinguiu-se em 1982.
III. Nas Filipinas, a atividade vulcânica e sísmica é condicionada pela convergência entre a placa pacífica e a
placa euroasiática.

(A) I é falsa; II e III são verdadeiras.


(B) I e II são verdadeiras; III é falsa.
(C) I e II são falsas; III é verdadeira.
(D) I e III são verdadeiras; II é falsa.

6. No estudo sintetizado na figura 2, a variável dependente é a


(A) quantidade de SO2 libertada durante as erupções vulcânicas.
(B) variação da temperatura global do planeta Terra desde 1960.
(C) magnitude e a evolução da erupção vulcânica.
(D) quantidade de CO2 libertada durante as erupções vulcânicas.

7. Uma eventual erupção do Agung em 2018, com magnitude idêntica à de 1963,


(A) poderá reduzir a temperatura global até cerca de 0,2 °C, entre 2018 e 2020.
(B) poderá afetar todo o planeta por um período superior a 15 anos.
(C) permitirá um aumento de absorção de radiação solar devido à formação de aerossóis de ácido sulfúrico.
(D) produzirá o maior arrefecimento global desde 1961, superior a 0,5 °C.

8. Num limite tectónico destrutivo, a formação de vulcões do tipo central ocorre


(A) na placa litosférica em subducção.
(B) na placa litosférica menos densa.
(C) na placa litosférica em acreção.
(D) entre as duas placas litosféricas.
9. Faça corresponder cada uma das manifestações de vulcanismo, expressas na coluna A, à respetiva
designação, que consta na coluna B.

10. A previsão de chuva intensa em novembro de 2017 para Bali, que não se veio a verificar, fez com que as
autoridades indonésias emitissem um alerta de perigo de ocorrência de fluxos de lama. Explique a
formação destes fluxos, no contexto da atividade eruptiva atual do Agung, e a importância da emissão
deste alerta.