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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO
Instituições de Direito Privado e Legislação Comercial
Profa. Vera Lúcia Remedi Pereira

7. Atos e fatos jurídicos


a) Conceito
O direito também tem o seu ciclo vital: nasce, desenvolve-se e extingue-
se, sendo que essas fases decorrem de fatos, denominados fatos jurídicos,
porque produzem efeitos jurídicos, cf. CARLOS ROBERTO GONÇALVES.
Nem todo acontecimento constitui fato jurídico, de modo que alguns fatos
são irrelevantes para o direito, como a chuva que cai, o indivíduo vestir-se, sair
de casa.
Fato jurídico em sentido amplo é todo o acontecimento da vida que o
ordenamento jurídico considera relevante no campo do direito.
É considerado o elemento que dá origem aos direitos subjetivos,
impulsionando a criação da relação jurídica de modo a concretizar as normas
jurídicas, segundo MARIA HELENA DINIZ.
Do direito objetivo (ordenamento jurídico) não surgem diretamente os
direitos subjetivos, é necessária uma “força” de propulsão ou causa, que se
denomina “fato jurídico”.
Tanto o simples evento natural como o fato do animal e a conduta
humana podem ser suporte fático da norma jurídica e receber um sentido
jurídico.
Essa correspondência entre o fato e a norma, que o qualifica como fato
jurídico, recebe várias denominações: suporte fático, tipificação legal, hipótese
de incidência, subsunção, fato gerador.
b) Espécies de fatos jurídicos
Os fatos jurídicos em sentido amplo podem ser classificado em:
1. Fatos naturais ou fatos jurídicos em sentido estrito (stricto sensu), que
advêm de fenômeno natural, sem intervenção da vontade humana. Dividem-se
em:
a) ordinários, como o nascimento, maioridade, morte, decurso do
tempo, abandono do álveo do rio etc.
b) extraordinários, que se enquadram, em geral, na categoria do
fortuito ou da força maior, como o terremoto, raio, tempestade, incêndio,
desabamento etc.
2. Fatos humanos ou atos jurídicos em sentido amplo, que são ações
humanas que criam, modificam, transferem ou extinguem direitos. Dividem-se
em:
a) lícitos – praticados em conformidade com o ordenamento jurídico,
produzem efeitos voluntários, queridos pelo agente, caso em que se tem o ato
jurídico em sentido amplo, que podem ser:
- ato jurídico em sentido estrito – se objetivar a mera realização da
vontade do agente (notificação, reconhecimento de filho, tradição, ocupação,
uso de uma coisa, perdão, confissão etc);

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- negócio jurídico – se procura criar normas para regular interesses
das partes, harmonizando vontades, subordinando-as a algumas disposições
comuns (contratos, testamento, adoção etc.);
- ato-fato jurídico – ressalta-se a conseqüência do ato, o fato
resultante, sem se levar em consideração a vontade de praticá-lo, como no
caso da pessoa que acha, casualmente, um tesouro.
b) Ilícitos – são praticados em desacordo com o prescrito no
ordenamento jurídico, produzindo efeitos jurídicos involuntários.
Em vez de direitos, criam deveres, obrigações, que variam de
conformidade com o prejuízo causado a outrem.
Integram a categoria dos atos jurídicos pelos efeitos que produzem.
São definidos no art. 186 e geram a obrigação de reparar o dano,
como dispõe o art. 927.
Ato jurídico em sentido estrito – em que o efeito da manifestação de
vontade está predeterminado na lei e não pode ser alterado. A sua satisfação
somente se concretiza pelos modos determinados na lei.
São atos jurídicos em sentido estrito a ocupação, que pode ser feita por
um incapaz, como é o caso do menor que torna-se proprietário dos peixes que
pesca, bem como o reconhecimento da paternidade de filho havido fora do
casamento.
Pode consistir apenas em declarações para ciência de terceiros ou
comunicação de intenções, como se dá com as notificações, intimações e
interpelações.
Negócio jurídico - A expressão “negócio jurídico” não é empregada no
Código Civil no sentido de operação ou transação comercial, mas como uma
das espécies em que se subdividem os atos jurídicos lícitos.
Para MIGUEL REALE, “negócio jurídico é aquela espécie de ato jurídico
que, além de se originar de um ato de vontade, implica na declaração expressa
da vontade, instauradora de uma relação entre dois ou mais sujeitos tendo em
vista um objetivo protegido pelo ordenamento jurídico”.
Entende-se como sendo a declaração de vontade privada destinada a
produzir efeitos que o agente pretende e o direito reconhece, tais como a
constituição, modificação ou extinção de relações jurídicas, de modo
vinculante, obrigatório para as partes intervenientes, cf. FRANCISCO DO
AMARAL.
O negócio jurídico é o meio de realização da autonomia privada, e o
contrato é o seu símbolo.
Cabe salientar que o CC/2002 atenuou o exercício da autonomia privada
ao adotar novos princípios como o da função social do contrato (art. 421) e
boa-fé (art. 422), refletindo a prevalência dos valores coletivos sobre os
individuais, ressaltando a dignidade da pessoa humana previsto na
Constituição Federal.
No negócio jurídico a manifestação da vontade tem finalidade negocial,
que abrange a aquisição, conservação, modificação ou extinção de direitos.
Aquisição de direitos
Ocorre a aquisição de um direito com a sua incorporação ao patrimônio e
à personalidade do titular. Pode ser originária ou derivada.

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Originária – quando se dá sem qualquer interferência do anterior titular,
como na ocupação da coisa sem dono (art. 1.263) e na avulsão (art. 1.251).
Derivada – quando decorre da transferência feita por outra pessoa, como
é o caso do contrato de compra e venda.
A aquisição pode ser ainda:
- gratuita – quando só o adquirente aufere vantagem, como acontece na
sucessão hereditária;
- onerosa – quando se exige do adquirente uma contraprestação,
possibilitando a ambos os contratantes a obtenção de benefícios, como ocorre
com a compra e venda, a locação etc.
Quanto à sua extensão, a aquisição pode ser:
- a título singular – que ocorre no tocante a bens determinados na
sucessão inter vivos (compra e venda) ou causa mortis (legado);
- a título universal – quando o adquirente sucede o antecessor na
totalidade de seus direitos, como se dá com o herdeiro.
Conservação de direitos
Para resguardar ou conservar seus direitos, o titular deve tomar certas
medidas ou providências preventivas ou repressivas, judiciais ou extrajudiciais.
As medidas de caráter preventivo visam garantir e acautelar o direito
contra futura violação. Podem ser:
- de natureza extrajudicial – para assegurar o cumprimento de obrigação
creditícia, como as garantias reais (hipoteca, penhor, alienação fiduciária em
garantia etc.) e as pessoais (fiança, aval);
- de natureza judicial – correspondentes às medidas cautelares previstas
no Código de Processo Civil (arresto, seqüestro, caução, busca e apreensão,
notificação etc.)
As medidas de caráter repressivo visam restaurar o direito violado, por
meio da ação em juízo, pois a todo o direito deve corresponder uma ação que o
assegure. Nessa linha, dispõe a Constituição Federal que “a lei não excluirá da
apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito” (art. 5º, XXXV).
A defesa privada ou autotutela só é admitida excepcionalmente, porque
pode conduzir a excessos. É prevista no art. 188, I e II, do CC, concernentes à
legítima defesa, ao exercício regular de um direito e ao estado de necessidade,
e no capítulo da posse, em que se permite ao possuidor fazer uso da legítima
defesa e do esforço imediato, para manter-se ou restituir-se por sua própria
força, contanto que o faça logo e não se exceda (art. 1.210, § 1º).
Modificação de direitos
Os direitos subjetivos podem sofrer mutações quanto ao seu objeto ou ao
sujeito.
A modificação dos direitos pode ser objetiva e subjetiva.
É objetiva quando diz respeito ao seu objeto, podendo ser:
- qualitativa – o conteúdo do direito se converte em outra espécie, como é
o caso de substituição do pagamento em dinheiro por outro objeto, do mesmo
valor, a título de dação em pagamento;

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- quantitativa – o objeto aumenta ou diminui no volume ou extensão, como
é o caso do aluvião.
Será subjetiva quando se refere à pessoa do titular, permanecendo
inalterada a relação jurídica primitiva. Essa alteração pode dar-se inter vivos
(cessão de crédito, desapropriação e alienação) ou causa mortis (sucessão).
Extinção de direitos
Os direitos extinguem-se quando ocorrer:
1. Perecimento do objeto sobre o qual recaem (arts. 1.410, V, e
1.436, II) se ele perder suas qualidades essenciais (campo
invadido por mar) ou o valor econômico (cédulas recolhidas); se
se confundir (arts. 1.272, 1.273 e 1.274) com outro de modo que
não se possa distinguir (confusão, mistura de líquidos; comistão,
de sólidos e adjunção, justaposição de uma coisa a outra); se cair
em lugar onde não pode mais ser retirado (anel que cai no mar).
2. Alienação – ato de transferir o objeto de um patrimônio a outro,
havendo perda do direito para o antigo titular.
3. Renúncia – ato pelo qual o titular de um direito dele se despoja,
sem transferi-lo a quem quer que seja, sendo renunciáveis os
direitos atinentes ao interesse privado de seu titular, salvo
proibição legal, como são os direitos públicos e os que envolvem
interesses de ordem pública, como os de família (poder familiar) e
os da personalidade (vida, honra, liberdade).
4. Abandono – que é a intenção do titular de se desfazer da coisa,
porque não quer mais continuar sendo seu dono.
5. Falecimento do titular – sendo o direito personalíssimo e por isso
intransmissível (arts. 520 e 560).
6. Prescrição – extingue a pretensão na medida em que faz com que
o direito de exigir, judicialmente, a obrigação do inadimplente do
dever legal ou contratual desapareça pela ausência de tutela
jurídica.
7. Decadência – que atinge o próprio direito potestativo.
8. Abolição de uma instituição jurídica como aconteceu com a
escravidão e dote.
9. Confusão – se numa só pessoa se reúnem as qualidades de
credor e devedor (arts. 381, 1.410, VI e 1.436, IV).
10. Implemento de condição resolutiva
11. Escoamento do prazo – se a relação jurídica for constituída a
termo.
12. Desapropriação
Nem todas as causas mencionadas podem ser consideradas negócio
jurídico, pois muitas delas decorrem da lei e de fatos alheios à vontade das
partes, como o perecimento do objeto provocado por um raio e a
desapropriação.
Ato-fato jurídico – o efeito não é buscado nem imaginado pelo agente,
decorre de uma conduta socialmente reconhecida pela lei, como sucede no
caso da pessoa que acha, casualmente, um tesouro (art. 1.264) o a compra de
sorvete por uma criança de oitos anos.
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É que há certas ações humanas que a lei encara como fatos, sem levar
em consideração a vontade, a intenção ou a consciência do agente,
demandando apenas o ato material predeterminado.
O ato-fato jurídico pode classificar-se em:
- atos reais – são aqueles que decorrem de certos acontecimentos,
dando-se relevo ao fato resultante, indiferentemente de ter havido, ou não,
vontade em obtê-lo, como é o caso da aquisição da propriedade pelo louco que
pinta um quadro ou do incapaz que descobre tesouro;
- atos-fatos jurídicos indenizativos – são os casos de indenizabilidade sem
ilicitude, ou sem culpa, que se configuram naquelas situações em que, de um
ato humano não contrário ao direito, decorre prejuízo de terceiro, com dever de
indenizar, como sucede nos casos de estado de necessidade, em que a lei
permite a destruição ou deterioração de coisa alheia, ou a lesão a pessoa, a
fim de remover perigo iminente, considerando o ato não contrário ao direito,
mas determinando, por outro lado, a indenização ao lesado, nos termos do art.
188, II c/c arts. 929 e 930, CC.
- atos-fatos extintivos – aquelas situações cujo efeito consiste na extinção
de determinado direito e, por conseqüência, da pretensão, da ação e da
exceção dele decorrentes, como ocorre na decadência e na prescrição.