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M A R I A

D E

F Á T I M A

B I G A Í L

- A D V O G A D A

A N J O S

-

EXMO. SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO TRIBUNAL JUDICIAL DA COMARCA DE AVEIRO INSTÂNCIA LOCAL DE ESPINHO

MARIA TERESA ALVES PRIETO, contribuinte nº: 169259870, com

residência na Calle Valentuãna – número 21-1B, 29601 MARBELLA,

ESPANHA e Urbanização do Formal, Casa 18, SILVALDE – ESPINHO

(4500-669 ESPINHO), PORTUGAL,

Vem, nos termos do art.º 2075º e 2078º, do Código Civil, propor

ACÇÃO DE RECONHECIMENTO DA (SUA) QUALIDADE DE HERDEIRA

LEGITIMÁRIA, sob a forma de Processo Comum, contra:

FID-ELITE WEALTH SERVICES, S.A., Pessoa Colectiva, com sede na

Avenue de La Gare, nº 1 – P.O.BOX 669, LAUSANNE, SUIÇA,

e

UNION BANCAIRE PRIVEE, UBP S.A., Pessoa Colectiva, com sede

na Rue du Rhône, nº 96-98, GENEBRA, SUIÇA

Nos termos e com os seguintes fundamentos:

P R A C E T A

S O E I R O R U A T E L F :

P E R E I R A

N º :

G O M E S ,

1 º

E S Q .

N º :

9 0 ,

2 º

E S Q , 4 5 0 0 - 2 1 6 E S P I N H O

9 3 4 3 1 4 7 6 7

1 8 ,

5 8 2 ,

4 5 0 0 - 2 4 5

2 2 7 3 2 5 1 1 5

F A X :

2 2 4 9 5 9 8 3 2

T E L M :

E S P I N H O

I – DOS FACTOS,

– 2 –

10 de junho de 2018

A Autora (A.) – Maria Teresa Alves Prieto, é herdeira legitimária na

sucessão aberta por óbito de seu pai, José Alves Pereira Maia, falecido

em Portugal a 14 de Outubro de 2017, de nacionalidade portuguesa e

com testamento (legado) lavrado em Portugal, conforme escritura de

Habilitação outorgada no Cartório Notarial em Espinho a cargo da Lic.

Natália de Oliveira Figueiredo Almeida Ribeiro; - vide DOC. 1; DOC. 2;

DOC(s). 3 e DOC(s).4 e Certidão de Nascimento junta;

O Autor da Herança outorgou testamento em 4 de Setembro de 2013,

no Cartório Notarial em Aveiro a cargo do Lic. António Amaral Marques,

no qual legou, por conta da quota disponível da sua herança, em

comum e partes iguais, às suas netas Martha Carolina e Alejandra

Recasens, os bens constantes no referido testamento, cujo conteúdo se

dá aqui por integralmente reproduzido; - vide DOC(s). 3 e DOC(s).4

QUE,

– 3 –

10 de junho de 2018

As referidas Martha Carolina e Alejandra Recasens são legatárias,

exclusivamente, dos bens constantes do supracitado testamento, isto

é, os imóveis nele discriminados nas verbas um a seis e todo o dinheiro

ou valores depositados no Banco Espírito Santo, S.A (hoje, Novo Banco

S.A.) e no Banco Santander Totta, S.A., em Portugal;

Concluindo-se, portanto, que este testamento (legado) diz respeito,

apenas e só, a bens imóveis em Portugal, concretamente no concelho de

Espinho, e a duas contas bancárias igualmente sedeadas em Portugal;

SUCEDE PORÉM QUE,

A Autora tem conhecimento, quer por informação então veiculada

pelo seu falecido pai, quer por documentação que este também lhe

entregou, da existência de activos, aplicações financeiras e valores

depositados na Suíça que pertencem ao seu falecido pai e Autor da

Herança;

PELO QUE,

– 4 –

10 de junho de 2018

Estes activos caem, assim, exclusivamente na esfera jurídica da

herdeira legitimária, aqui A., porquanto não constam do testamento

(legado) do Autor da Herança, testamento este que, como atrás se disse,

só produz efeitos em Portugal;

Foi assim que, no sentido de acautelar e reclamar os seus interesses,

a Autora

instou

as

duas

Entidades

competentes

e

directamente

correlacionadas com a informação que anteriormente havia obtido de

seu pai, na circunstância uma Fiduciária (FID-ELITE) e uma Entidade

Bancária

(UBP

SA),

aqui

Rés

(RR.),

para

que

lhe

fornecessem

informações sobre os dinheiros, valores, aplicações financeiras e demais

activos aí aplicados e/ou depositados;

E fê-lo inúmeras vezes, contactando telefonicamente e por email,

directamente ou através do seu mandatário Alfredo Correia de Araújo

(Dr.), a Fiduciária, denominada Fid-Elite Wealth Services, S.A., com

sede na Avenue de La Gare, nº 1 – P.O. Box 669, em Lausanne, Suíça, e

– 5 –

10 de junho de 2018

também a Entidade Bancária designada Union Bancaire Privee, UBP

SA, com sede na Rue du Rhône, nº 96-98, em Genebra, Suíça; - vide

DOC(s). 5

SENDO QUE,

A Ré, “Fid-Elite Wealth Services S.A.”, define-se como “uma empresa

fiduciária privada que fornece serviços de riqueza global. “A nossa

ambição é clara: estar no centro das necessidades dos nossos clientes,

apoiá-los através dos nossos conselhos e serviços na estruturação do

património e tornar-se um dos pilares da sua organização patrimonial.

Garantimos uma arquitetura adequada, uma implementação rápida e

eficiente, bem como um acompanhamento irrepreensível das estruturas

que gerimos no âmbito da nossa missão”. Fim de citação.

Esta é, assim, a responsável pela gestão da carteira de activos e

procede ao aconselhamento em relação aos investimentos a realizar;

10º

Por outro lado, a Ré “Union Bancaire Privee, UBP SA” detém

depositados na sua Instituição não só os activos (obrigações, fundos de

rendimento fixo, certificados de depósito, etc.) – Conta nº 9088647

(IBAN:

CH24

0865

7001

0B90 8864 7)

mas também

os valores

provenientes dessa mesma Carteira de Títulos, designadamente os juros

das

obrigações

que

caem

– 6 –

numa

conta

à

10 de junho de 2018

ordem,

disponível

e

movimentável através do Cartão de Crédito “TOPCARD” nº 4674 4080

0884 0490, Cartão de Crédito este que permitia ao pai da Autora

movimentar, fazer pagamentos a crédito e proceder a levantamentos da

referida conta à ordem; - vide DOC. 6 e DOC. 7

11º

Ora, todos os contactos telefónicos estabelecidos bem como a troca

de emails processada entre a Autora [por

ela ou

através do seu

mandatário]

e

as

RR.

revelaram-se

completamente

infrutíferos

e

inconsequentes; - vide DOC(s) 5 e DOC(s) 8

12º

De facto, as RR. sempre se comportaram de forma esquiva e evasiva

em relação às questões que lhes foram colocadas, deixando a A. sem

respostas;

13º

Deste modo, e a pretexto dum pretenso “sigilo profissional”, nada

dizem; - vide DOC. 8

14º

Porém, se as Instituições Bancárias estão obrigadas ao “sigilo

profissional” (leia-se, sigilo bancário), a verdade é que neste caso não o

– 7 –

10 de junho de 2018

podem invocar pois o primitivo titular dos activos faleceu e sucedeu-lhe

a sua filha, aqui A., legalmente habilitada, a quem devem prestar

contas e reconhecer a sua legitimidade sobre os referidos activos;

15º

“A jurisprudência e a doutrina são hoje praticamente unânimes no

reconhecimento de que o sigilo bancário é inoponível aos herdeiros do

cliente

que

provem a sua qualidade”

TVLSB.L1.S1);

16º

(Acórdão

do

STJ 2192/13.0

Mas assim não tem sido, porquanto a Ré “UBP SA” vai protelando as

devidas explicações e respostas a dar à A. e, face aos seus insistentes

pedidos de informação, empurra para a Ré “Fid-Elite” dando nota que é

junto da Administração desta última que a A. deve obter as pretendidas

informações ou explicações; - vide DOC (s). 5

17º

E, talvez até por desconhecimento legal ou indevida interpretação

dos

dispositivos

legais, a Ré “Fid-Elite” assume, em resposta ao

mandatário da A., que “…Estamos em carga da administração de uma

estrutura incluindo um dispositivo successoral no qual a vossa cliente não

– 8 –

10 de junho de 2018

é beneficiária. Esta estrutura é o reflecto de um testamento depositado

junto ao Dr. António Amaral Marques, notário em Aveiro.

Consequentemente, não daremos seguimento ao vosso pedido de

informação”; - vide DOC(s) 8

18º

Ora, fica assim claro que o falecido José Alves Pereira Maia tem

interesses e activos nesta(s) Instituição(ções) pois, de outra forma, não

faria qualquer sentido ter lá entregue um Testamento ao qual, aliás, a

Ré “Fid-Elite” faz referência para, com base nele, ocultar e negar a

devida e solicitada informação;

19º

E, mais ainda se comprova a existência dos referidos activos pelos

documentos que o pai da A. oportunamente lhe entregou, para além das

informações e detalhes sobre as contas e activos na Suíça que, já em

finais de vida, também lhe transmitiu; - vide DOC (s). 9 e DOC (s). 10

20º

Acontece que esse testamento traduziu, de facto, a derradeira de

entre as disposições de última vontade que o Autor da Herança

E

dispôs

válida

e

– 9 –

21º

eficazmente,

revogando-se,

10 de junho de 2018

assim,

anteriores

disposições testamentárias, conforme consta da Certidão emitida pela

Conservatória dos Registos Centrais em 14 de Março de 2018; - vide

DOC (s). 4

22º

Porém, e como já atrás se referiu, este testamento público outorgado

em Aveiro, no Cartório Notarial a cargo do Lic. António Amaral

Marques, mais não é do que um “legado” onde o testador institui como

legatárias, por força da sua quota disponível, em comum e partes

iguais, as suas netas Martha Carolina e Alejandra Recasens, legando-

lhes os bens que constam das verbas um a sete, todos eles em Portugal;

23º

Daqui se conclui facilmente que os activos e demais interesses que o

Autor da Herança detém na Suíça estão excluídos deste testamento e

dizem respeito, estritamente, à herdeira legitimária Maria Teresa Alves

Prieto, aqui Autora;

– 10 –

24º

10 de junho de 2018

Esta não é a interpretação das RR., designadamente da “Fid-Elite”,

porquanto entende [de forma equívoca e errada] que o nome da herdeira

legitimária

Maria

Teresa

Alves

Prieto

devia

constar

do

referido

testamento; - vide DOC (s) 3 e DOC (s) 8

25º

Ora, em face do exposto, está-se perante um verdadeiro impasse e

uma inaceitável ocultação/negação de informações, com as RR. a não

reconhecerem os direitos da A.;

26º

Ademais, a A. também defendeu os seus pontos de vista, reclamou e

tentou fazer prevalecer os seus legítimos direitos junto das Rés,

directamente na Sede de ambas as Instituições, na Suíça, para onde se

deslocou acompanhada pelos seus dois mandatários, Maria Goreti

Pereira e Alfredo Correia de Araújo, a fim de ultrapassar este imbróglio,

o que veio a revelar-se inútil e em vão;

II – DO DIREITO,

– 11 –

27º

10 de junho de 2018

Dispõe o art. 2075 do C.C., que o “herdeiro pode pedir judicialmente o

reconhecimento do direito da sua qualidade sucessória, e a consequente

restituição de todos os bens da herança ou de parte deles, contra quem

os possua como herdeiro, ou, por outro título, ou mesmo sem título”;

28º

Artigo 2075.º - Código Civil

1. O herdeiro pode pedir judicialmente o reconhecimento da sua

qualidade sucessória, e a consequente restituição de todos os bens da

herança ou de parte deles, contra quem os possua como herdeiro, ou por

outro título, ou mesmo sem título.

2. A acção pode ser intentada a todo o tempo, sem prejuízo da

aplicação das regras da usucapião relativamente a cada uma das coisas

possuídas, e do disposto no artigo 2059.º ;

 

29º

A

causa

de

pedir

consiste

na

sucessão

mortis

causa

e

na

subsequente apropriação por outrem de bens da massa hereditária –

– 12 –

10 de junho de 2018

vide (Pires de Lima e Antunes Varela, Código Civil Anotado, Vol. VI, pág. 131;

Capelo de Sousa, Lições de Direito das Sucessões, Vol. II, pág. 41, nota 598).;

30º

Sendo que, os activos, as aplicações financeiras, os depósitos e

outros, no caso em apreço, pertencem ao acervo do património deixado

pelo “de cujus”, pai da A. e estão em posse das RR. identificadas nesta

acção;

31º

Essencial aqui é o duplo fim que visa: por um lado, e relativamente à

A., o reconhecimento judicial do título ou estatuto de herdeira; por

outro, a integração destes activos da Herança na esfera jurídica da A.

cuja titularidade os demandados persistem em não reconhecer;

III – DO SIGILO PROFISSIONAL,

32º

O dever de cooperação para a descoberta da verdade constitui uma

emanação do dever geral de cooperação consagrado no art. 266 do

C.P.C, no campo da instrução da causa;

33º

Este dever de cooperação, assenta ou suporta-se em dois princípios

basilares, a saber: o respeito pelos direitos fundamentais consagrados

– 13 –

10 de junho de 2018

na nossa Constituição, referidos nas alíneas a) e b) do n.° 3, e o respeito

pelo direito ou dever de sigilo, a que se refere a alínea c) do n.° 3, do art.

519º do C.P.C.;

34º

Tal significa que, o dever de sigilo bancário constitui um dever de

segredo profissional, como tal expressamente considerado no art. 135-1

do C.P.C, invocável perante terceiros, por todos aqueles profissionais

que

no

exercício

da

sua

profissão

a

ele

estão

obrigados,

como

salvaguarda dos interesses e da privacidade dos seus clientes e/ou

colaboradores,

concretamente

na

relação

bancária

formal

e

necessariamente existente entre Banco e Cliente(s), não sendo nunca

invocável perante herdeiros do titular de conta, uma vez que, o

beneficiário desse mesmo sigilo, encontrar-se-á aí já na situação de

pessoa falecida, sucedendo-lhe nos seus interesses e direitos os seus

sucessores,

devidamente

habilitados

para;

-

Acórdão

Tribunal

da

Relação de Coimbra – nº: 294/04, de 02-10-2007;

35º

Assinalando-se, assim, que o dever de sigilo não é invocável perante

herdeiros do titular da conta; - vide o ac. do STJ de 28.6.94, BMJ, 438, p.

432);

– 14 –

36º

10 de junho de 2018

Os herdeiros de um depositante não podem ser tidos como terceiros

relativamente às contas do mesmo, razão por que não lhes pode ser

oposto o segredo bancário;

37º

Como também se refere, inclusive, no Acórdão da Relação do Porto, e

ainda relativamente ao invocado sigilo bancário, requisitos há para que

as RR. informem, facultem e transfiram para a esfera jurídica da A. os

valores, aplicações, activos ou outras, que existam na sua posse e que

pertenciam ao de cujus, seu pai; - 26/08.6TBVCD.P1, de 25/02/2010 –

Tribunal da Relação do Porto;

38º

O dever de sigilo bancário traduz uma obrigação de facto negativo, um

non facere, e encontra-se disciplinado no Regime Geral das Instituições

de Crédito e Sociedades Financeiras, aprovado pelo DL nº298/92, de 31

de Dezembro;

ORA,

Dispõe o nº1

do art.

78º

– 15 –

39º

10 de junho de 2018

deste diploma, epigrafado de dever de

segredo, que "os membros dos órgãos de administração ou de fiscalização

das instituições de crédito, os seus empregados, mandatários, cometidos e

outras

pessoas

que

lhes

prestem

serviços

a

título

permanente

ou

ocasional não podem revelar ou utilizar informações sobre factos ou

elementos respeitantes à vida da instituição ou às relações desta com os

seus clientes cujo conhecimento lhes advenha exclusivamente do exercício

das suas funções ou da prestação dos seus serviços";

40º

Não sendo pois um direito absoluto;

41º

No caso em apreço, à data do óbito do pai da Autora, este titulava

junto das RR. dinheiro, valores e/ou aplicações financeiras e demais

activos aplicados e/ou depositados, concretamente na Fiduciária FID-

ELITE

WEALTH

SERVICES

S.A.,

assim

como

junto

da

UNION

BANCAIRE PRIVEE, UBP S.A., a Conta nº: 9088647 (IBAN: CH24 0865

7001 0B90 8864 7), bem como os valores provenientes dessa mesma

carteira de títulos, designadamente os juros das obrigações que caem

numa conta à ordem, disponível e movimentável através do cartão de

crédito

“TOPCARD”

4674

– 16 –

4080

0884

0490,

10 de junho de 2018

detendo

também

depositados nesta Instituição a referida carteira de activos (obrigações,

fundos de rendimento fixo, certificados de depósito, etc.);

CONSEQUENTEMENTE,

42º

Em vida, e ainda na qualidade de depositante, podia pedir as

informações que tivesse por pertinentes, relativas a todas as suas

aplicações, independente da forma que as mesmas revestissem e como

se traduzissem(!);

ORA,

43º

Tal direito deverá considerar-se transmitido aos herdeiros uma vez

que os depósitos, enquanto bens, passam a fazer parte do acervo da

herança deixada em aberto por morte do depositante;

44º

Consequentemente, os herdeiros de um depositante não podem ser

tidos como terceiros relativamente às contas do mesmo, razão porque

não pode [não deve] ser invocado o argumento do segredo bancário;

Posição

claramente

assumida

pela

Jurisprudência

e

inequivocamente suportada nas mais variadas disposições legais; - vide

– 17 –

10 de junho de 2018

Acórdão do STJ de 28/06/1994, publicado in CJ Tomo II, pág.163, que

entendeu que “o sigilo bancário não pode ser oposto aos herdeiros do

cliente, em processo de inventário facultativo, onde foi acusada a falta de

relacionamento de um depósito bancário”.

Acórdão da RL de 28/02/2002, proc. nº 00122732, publicado in

www.dgsi.pt, onde se defendeu que “às relações do cliente com a

instituição bancária a que alude o art.79º do DL nº 298/82, de 31/12,

são chamados, por via da sucessão, os herdeiros. ;

45º

Sendo, pois, inequívoco que o titular da conta tem direito a obter

informações dos movimentos efectuados nessa mesma conta, daqui

decorre que esse direito se transmite, forçosamente, aos herdeiros.

Acórdão da RC de 02/10/2007, proc. nº 294/04, publicado in

www.dgsi.pt, que entendeu que o dever de sigilo não é invocável perante

herdeiros do titular da conta.

Acórdão da Relação de Lisboa de 05/12/2006, nº: 2294/06.9YRCBR,

entendeu dever ser concedida a dispensa do dever de segredo bancário

quando esteja em causa a determinação dos bens que compõem o

acervo hereditário, cumprindo determinar em que medida a informação

bancária

é

instrumentalmente

necessária

a

essa

determinação,

designadamente quando esteja em causa, como passível de integrar a

– 18 –

10 de junho de 2018

herança, dinheiro pertencente a tal acervo presumivelmente depositado

nas contas de alguém, num determinado banco.;

SEM PREJUIZO DE REFERIR,

46º

Sendo que a prática e a legislação, em matéria de sigilo bancário é

variável de pais para pais, onde, reconhecidamente a Suíça tem um

sistema mais blindado do que os outros, a verdade é que, ainda

recentemente anuiu a novas práticas mais abertas e transparentes, por

Convenção ratificada em 2016, pelo que não se entende a obstinação

das Rés em manterem um sigilo bancário que não se aplica a este caso

em concreto;

47º

Destarte, os herdeiros assumem a posição do falecido em virtude do

Princípio da Sucessão Universal;

SENDO QUE,

48º

Estamos assim no âmbito das Sucessões sendo que, nenhum sigilo

bancário ou outro se poderá sobrepor e ser oponível àquele que, tem a

qualidade

de

herdeiro,

porque

este/esta,

assume,

por

força

do

falecimento do autor da Sucessão, a mesma posição jurídica que

– 19 –

10 de junho de 2018

detinha o primeiro, transmitindo-se para si (herdeiro/a), os direitos e

interesses que se encontrem na esfera jurídica do “de cujus”;

TERMOS EM QUE,

Do exposto, deve a presente acção ser julgada totalmente procedente

por provada e, em consequência,

a) Reconhecerem, as RR., que a Autora é herdeira legitimária, e

única herdeira, na qualidade de filha, do de cujus - JOSÉ ALVES

PEREIRA MAIA -;

b) Declarar-se a inoponibilidade do sigilo bancário face à Autora,

aqui herdeira legitimária;

c) Reconhecerem de que a Autora beneficia desse mesmo sigilo

bancário na exata medida em que o seu pai beneficiava;

d) A reconhecerem que o testamento outorgado a 04 de Setembro de

2013 no Cartório Notarial em Aveiro, a cargo do Lic. António Amaral

Marques, e das referidas deixas testamentárias constam tão só e apenas

na qualidade de legatárias as suas netas Martha Carolina e Alejandra

Recasens,

exclusivamente

dos

bens

constantes

do

supracitado

testamento, ou seja, dos imóveis nele discriminados nas verbas um a

seis

e

todo

o

dinheiro

ou

valores

depositados

em

Portugal,

concretamente e tal como ali se descreve e discrimina, dos valores

depositados no Banco Espirito Santo, S.A., (hoje, Novo Banco, S.A.) e no

 

– 20 –

10 de junho de 2018

Banco

Santander

Totta,

S.A.,

ambas

estas

contas

sedeadas

em

Espinho, Portugal;

 

e)

Sejam

as

RR.

condenadas

no

reconhecimento

judicial

da

qualidade sucessória da A. de herdeira do de cujus seu pai e titular das

várias aplicações junto das RR e consequentemente, sejam condenadas

na obrigação de transferir para a esfera jurídica da A. todos os activos,

aplicações financeiras, valores depositados nessas duas Instituições,

aqui Rés, ou outras que possam existir, transferíveis para a sua esfera

jurídica, mas que a A. desconhece;

f) Reconhecendo-lhe, à A., os direitos que a mesma tem sobre esses

activos, depósitos, aplicações financeiras ou outras;

SEM PRESCINDIR,

g) A Autora tem apenas conhecimento, por transmissão do de cujus,

seu pai, dos activos que se encontram plasmados nos documentos

juntos, reclamando desde já, eventuais outros que sendo do seu

desconhecimento, venham a poder integrar-se na sua esfera jurídica

enquanto herdeira;

Valor: € 30.001,00 (Trinta mil e um euros)

Junta: DOCS: DOC. 1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8; 9; e 10;

Certidão de Nascimento (da Autora);

DUC e Comprovativo da autoliquidação da Taxa de Justiça inicial;

Procuração forense;

A ADVOGADA,

– 21 –

Maria de Fátima Anjos

Bigaíl

(c/assinatura digitalizada)

10 de junho de 2018