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A ARTE CIRCENSE COMO UMA PRÁTICA EDUCATIVA NO CONTEXTO DA

EDUCAÇÃO POPULAR

Daniela Santos Alves de Lima, graduanda em Pedagogia na UFPE

E-mail: danielalima87@yahoo.com

Viviane França Lins, graduanda em Pedagogia na UFPE

E-mail: viviane.pe@hotmail.com

Resumo: Nosso presente artigo discute a Arte Circense como uma prática de educação
fora do ambiente escolar, podendo ser encontrada em outros espaços. Iremos demonstrar
que essa arte contribui para a formação de indivíduos críticos e reflexivos através ações
problematizadoras, dialógicas e transformadoras, destacando que a arte do circo não se
resume apenas a espetáculos mas, ao desenvolvimento integral dos sujeitos que dela
fazem parte.

Palavras-chave: Educação – Sociedade – Arte Circense.

INTRODUÇÃO

Este artigo busca explorar as contribuições da Arte Circense como uma prática
pedagógica crítica e reflexiva que acontece além do espaço escolar, sendo este um
importante elemento para o desenvolvimento dos sujeitos e de seus saberes, além de
superar os confins da educação pautada no lápis e papel. A pesquisa tratada vem a
indagar em quê a arte do circo como uma prática educativa pode contribuir para a
formação dos indivíduos, tendo como objetivo, investigar essas práticas educativas
utilizadas pelo movimento, e refletir se essas práticas contribuem de fato para essa
formação.

Reconhecendo que a educação acontece além dos muros da escola, esse estudo
também busca contribuir para um maior esclarecimento sobre a Arte Circense como
uma prática no contexto da educação popular tendo um diálogo entre o pedagógico e a
transformação social, mas para que isso aconteça, é preciso compreender que “O
homem pode mudar a realidade social, mas essa não se modifica por si só ou por
interferência do destino; o reconhecimento de suas necessidades e interesses, e o de uma
coletividade, o levará a trabalhar para que essa mudança aconteça.”(MACIEL, 2011,
p.2). Dessa forma, a maneira como os sujeitos percebem as suas circunstancias e
compreendem a sua realidade dependem das experiências vivenciadas e das interações
que ele estabelecerá.

A arte do circo pode trazer inovação para a vida do individuo através de suas
ações pedagógicas e sociais, tornando-se um grande estimulo para os sujeitos viverem
melhor despertando vontades novas e capacidades inesperadas, tanto físicas quanto
morais, numa perspectiva de promoção de cidadania.

REFERENCIAL TEÓRICO

Um dos principais conceitos para a atuação dos educadores é a transformação


social do seu público alvo, neste caso, a Arte Circense estaria inserida no contexto da
educação popular tendo um compromisso também de teor político, cujo suas
perspectivas são de desenvolver as potencialidades individuais dos seus educandos em
um âmbito libertador partindo de um espaço popular. Nesse sentido, a proposta dessa
Arte é de valorização social e de desenvolvimento humano, sendo este um espaço
autêntico da educação e também de libertação que envolvem competências e
habilidades que contribuem em uma outra visão sobre si e sobre os indivíduos que estão
ao seu redor, para isso,

Quando se pensa em uma educação propiciadora do desenvolvimento


integral, é interessante marcar que esta precisa criar situações que estimulem
o sujeito a ter uma nova visão da sociedade, do outro e de si mesmo,
oportunizando, desta maneira, uma visão do todo. (MACEDO, 2011, p.338)

Nessa visão sobre educação, podemos falar do pedagogo que


fundamentalmente precisa ter uma visão estendida quando se trata de educação, tendo
em vista que a educação abrange vários setores, e ele é um profissional que poderá ser
requisitado em vários ambientes educacionais que vão além da escola.

Apesar de vermos que a educação se caracteriza por ter objetivos


explícitos, métodos de ensino, conteúdos e procedimentos, ela não acontece apenas na
escola, no qual entendemos que “a educação é vista para além da instituição escolar.”
(MACIEL, 2011, p.336), não sendo ela a única que abarca um espaço educativo, já que
a educação ocorre também nos movimentos sociais no qual há uma intenção, estrutura
e organização, onde se percebe a possibilidade de haver um trabalho que é de cunho
pedagógico e social, nesse sentido “tanto a escola quanto os movimentos sociais são
espaços legítimos de desenvolvimento de uma educação crítica e emancipadora.”
(MACIEL,2011,p.337). Portanto, deve-se considerar a educação em sua
multidimensionalidade.

Podemos observar que a educação deve abranger esse aspecto


crítico-reflexivo, que lida com a complexa pluralidade do âmbito educacional, na qual
há necessidade de conduzir um processo de aprendizagem voltado para a formação do
sujeito. Nessa percepção, discutimos sobre a educação através da linguagem circense,
destacando que

Observa-se, portanto, que a linguagem circense revela-se uma prática


propiciadora de experiências que levam ao aprimoramento de capacidades
relacionadas com o desenvolvimento do indivíduo em seus múltiplos
aspectos, ou seja, um desenvolvimento integral. ( MACIEL, 2011, p. 4)

Dessa forma, a Arte Circense e a educação popular caminham em


linhas horizontalizadas, afim de que os sujeitos que as compõem transformem suas
realidades e se desenvolvam integralmente através de práticas crítico-libertadoras.

Nos movimentos sociais existe uma expansão educativa visível nas


práticas sociais que acontecem no espaço, sendo uma contribuinte na luta para a
transformação social dos sujeitos e desenvolvimento da educação crítico-libertadora da
camada popular promovendo a reflexão sobre sua realidade. Dessa forma

A libertação autêntica, que é a humanização em processo, não é uma coisa


que se deposita nos homens. Não é uma palavra a mais, oca, mitificante. É
práxis, que implica na ação e na reflexão dos homens sobre o mundo para
transformá -lo. (FREIRE, 1987, p.43)

Essa educação crítico-libertadora não deposita conhecimentos e não tem uma


concepção mecânica dos sujeitos que nessa concepção seriam tábulas rasas, sujeitos
vazios que precisam ser preenchidos, o que Freire chama de “educação bancária”., para
Freire, a educação precisa ser problematizadora e dialógica que liberte o oprimido. O
autor nos mostra que “Tal liberdade requer que o indivíduo seja ativo e responsável, não
um escravo nem uma peça bem alimentada da máquina.” (FREIRE, 1987, p.35). Então,
essa seria uma luta que exige ações humanizadoras e não ações manipulativas ou de
depósito nos educandos que seria a educação bancária onde não há transformação
social.

METODOLOGIA

Este estudo foi realizado em um local específico que trabalha com


a Arte Circense, estando ele próximo a uma comunidade, localizado no Recife/ PE.
Este local existe há dezessete anos, mas está na comunidade há onze anos, o público que
atende são, crianças, adolescentes e jovens, tanto do bairro da macaxeira quanto de
outros bairros, com faixa etária dos 06 aos 29 anos, os profissionais envolvidos são,
educadores, coordenadora pedagógica, coordenador geral, financeiro e secretário, o
educador lida diretamente com o público que atende e detém esse contato, não só entre
educador e aluno, mas de amigo e orientador, na qual ambos podem contar um com o
outro e os dois tem espaço para expor suas opiniões tanto positivas como negativas. O
local pesquisado surgiu no ano de 1996 com a missão de promover a inclusão do
público infanto-juvenil de classe popular através das artes circense, oferecendo a
identidade cultural, o vínculo social e os valores da cidadania.

Desde 2002 o nosso local de pesquisa trabalha em uma comunidade, subúrbio do


Recife. Hoje, ela atende mais de 100 pessoas na faixa etária dos 06 aos 29 anos. Os
resultados dessas ações educativas renderam o reconhecimento de vários parceiros
sendo referendada pelo MINC (Ministério da Cultura) em 2004 como ponto de cultura,
além de ter vários outros parceiros.

Tem como principais objetivos; Dar oportunidades de participar de ações


socioeducativas para o público infanto-juvenil através de atividades lúdicas,
desenvolvendo os valores de cidadania e valorizando a identidade cultural; Promover
através de Arte do Circo, os potenciais, a criatividade, a concentração, a sociabilização,
respeitando a individualidade de cada um; Oferecer atividades artístico-culturais
juntamente com uma pedagogia do circo social como um processo de educação popular
e alternativa para o desenvolvimento dos sujeitos; E por fim, mas não menos
importante, contribuir de maneira significativa para a melhoria da qualidade de vida dos
sujeitos e da comunidade no qual estão inseridos, com ações educativas, sociais e
culturais.
A equipe conta com Coordenadora Executiva, Coordenadora Pedagógica,
Assessor Administrativo e produtor executivo, Coordenador, Assessora de comunicação,
Coordenadora Financeira e Assessora, entre outros que contribuem para o crescimento
do projeto.

O espaço físico do projeto é próprio e esse muito bem conservado, o mesmo é


composto na sua área térrea de dois sanitários (feminino e masculino), uma cozinha, um
galpão de armazenamento de materiais, e também o pátio de aulas e outras atividades é
claro, em sua parte superior funciona os setores administrativos, a exemplo sala de
reunião, secretaria e o financeiro da instituição, onde também são contidos os materiais
de apoio, como folders, panfletos e cartazes; Sua área externa é igualmente bem
apresentável, sua parte frontal comporta um estacionamento de veículos que é gradeada,
na parede está a logo da escola como forma de apresentação da mesma, em suas laterais
existem corredores que dão acesso aos fundos, que por sua vez do mesmo modo contem
um espaço bom. Com relação à pintura, ela é toda feita nas cores da logo que são o
branco, vermelho e amarelo, os muros que a rodeiam compõem frases e grafites
pertinentes ao projeto, e seu interior é igualmente alegre, tendo em vista os desenhos
feitos nas portas de acesso aos sanitários e galpão, é bem organizada, considerando seus
quadros de avisos e suas arquibancadas, sem falar na limpeza inexcedível do ambiente.

Suas atividades são realizadas durante toda a semana, com aulas nas segundas-
feiras e quartas para o publico infantil, terças-feiras e quintas para os adolescentes e
todas as noites para os jovens, exceto nas sextas, na qual exerce atividades paralelas: 1ª
sexta do mês cine-Arte na Prefeitura- exibição de filmes, longas e curtas- debates sobre
os temas dos filmes; 2ª sexta do mês conversa Afiada- rodas de diálogo com a juventude
sobre temas pertinentes ao seu universo; 3ª sexta do mês Troca e Retoca de experiências
entre grupos de jovens e arte- oficinas artísticas- apresentações de espetáculos e
conversas sobre os processos artísticos dos grupos juvenis da cidade; E na 4ª sexta do
mês –FETIM e a Trupe - festas estilo cabaré com apresentações de espetáculos,
números circenses, etc. Todas ocorrem em mesmo horário das 19:00hs às 21:00hs.

Eles atuam de forma bem elaborada, embora não estejamos falando de um


espaço escolar e sim de uma ONG, o nome já nos passa o que basicamente é realizado
no espaço, que são as aulas de números circenses, o pessoal envolvido atua com
seriedade e responsabilidade quando se trata de disciplina e organização, eles adotam
todo um método pedagógico, com planejamento de aulas, considerando a prudência no
ato das matriculas, onde exigem comprovante de escolaridade e de presença na escola
regular, como também possuem lista de chamada e fardamento, tudo custeado pela
organização já que é um espaço gratuito, e contam no momento com a colaboração de
cinco educadores efetivos, que se revezam entre si com as turmas.

Outros aspectos relevantes, são debates e conferencias, tele-centro, shows


musicais, feiras solidarias, cursos de formação para geração de emprego e renda para a
juventude, cooperativismo juvenil, gestão compartilhada juvenil e mobilizações sociais,
seminários e palestras com temas transversais: cidadania, sexualidade, etnia, raça, uso e
abuso de drogas, preconceitos e outros; Além disso, proporcionam formação continuada
para os educadores, tanto fora como dentro do espaço, visando à reciclagem de seus
conhecimentos para a contribuição própria e de seus educandos.

A principio é importante destacar o método utilizado na execução da pesquisa


foi à narrativa, considerando seus excelentes resultados, já que quando se trata de narrar
o individuo se sente mais a vontade, pois ela possibilitará a ele meios que o levarão a
recordar fatos que o ajudem a construir o seu raciocínio, além de guiar a conversa a
caminhos que o entrevistador não tenha imaginado ou formulado, mas que contribuam
positivamente em sua pesquisa, sem contar que numa conversa informal o sujeito tende
a uma desenvoltura livre de suas cadeias de inibições.

Quando chegamos ao espaço, fomos encaminhadas ao educador presente, pelo


qual fomos assistidas em todo o desenvolver da pesquisa, exceto no ultimo dia de
levantamento de dados, devido sua ausência, mas ainda sim tivemos toda cobertura dada
pela Coordenadora pedagógica. Durante o tempo que passamos observando, o
desenvolver das atividades giram entorno da colaboração do coletivo, uma vez que o
inicio e o termino das aulas são regidos por rodas de diálogos que estimulam os alunos a
uma desinibição e os educadores a uma maior interatividade em aula. Na mesma são
tratados assuntos sobre o fim de semana que tiveram e as atividades que realizaram
nele, no termino é retomada, mas agora para falar sobre a aula dada, onde os educadores
indagam sobre o que eles acharam e qual seria a sugestão de melhora, é também feito
um alongamento para aquecer o corpo, pois é o objeto a ser trabalhado, são feitas
dinâmicas de grupo, na qual todas possuem um sentido de caráter positivo para o
desenvolvimento do conjunto, em entrevista com o educador foi nos dito ainda que os
limites individuais eram devidamente respeitados, pois o sujeito tem que alcançar
confiança em si mesmo sozinho, sendo assim conforme as aulas transcorram ele vai
evoluindo.

O trabalho que é realizado é de fato muito interessante, considerando que esse é


norteado de seriedade e comprometimento, pode-se perceber que tais são usados por
todos os envolvidos, inclusive da parte das crianças e adolescentes que é o publico mais
difícil de ser trabalhado, isso acontece porque a instituição deixa claro aos seus
educandos o seu posicionamento social e metas a serem alcançadas nas comunidades
envolvidas, deste modo são postos a realidade de que caso isso não seja valorizado são
convidados a não mais participar das atividades. Consideramos assim esse
posicionamento positivo, uma vez que muitas outras chegam ao fracasso por não
preencher essa lacuna.

Foi possível observar que a prática é muito importante para o desenvolvimento


do aprendizado, principalmente quando o individuo está inserido numa coletividade,
onde há reciprocidade no trabalho em equipe.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nosso presente artigo buscou observar práticas que colaboram para a educação
através da Arte Circense, os seus métodos utilizados, e se ela auxiliaria os indivíduos a
passar por um processo de reconhecimento da sua realidade e da sociedade contribuindo
assim, para a formação desses indivíduos, isso porque as práticas realizadas por esses
educadores visa não apenas a aprendizagem da Arte Circense como também contribui
para o desenvolvimento integral, mais precisamente o respeito às diferenças, a essa
pluralidade cultural e os limites individuais sejam eles, físicos, cognitivos ou afetivos.
As práticas transformadoras da Arte Circense contribuem para a formação dos sujeitos e
construção de saberes, na compreensão dos seus direitos e deveres como cidadãos,
sendo ele, um sujeito histórico que atua na sociedade de forma crítica e reflexiva.

Quanto à compreensão do tema e contribuição aos movimentos sociais, nosso


trabalho demonstra que a Arte Circense não se resume apenas a números e espetáculos e
sim que é um trabalho mais amplo, indo além dos palcos, envolvendo todos que o
compõem, não sendo apenas uma tenda montada para diversão, mas existe o lado social
no qual os sujeitos envolvidos mudam suas concepções através do trabalho pedagógico,
a interação com o coletivo e a própria arte. O teatro também é um bom tema para
estudos futuros, porque assim como a Arte Circense também é uma forma de educação
popular.

Asseveramos que é fundamental valorizar a Arte Circense, a respeitar os


profissionais da área e reconhecemos também que não é porque se tratar de uma
Organização Não Governamental que não se obtém planejamento. Dessa forma, vê-se
que a pedagogia não se restringe a sala de aula, pois o pedagogo deve considerar e
respeitar as multidimensionalidades da educação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

MACEDO, Cristina Alves de. A Educação e o circo social. Artigo apresentado


durante o evento XIV Semana de Mobilização Científica (SEMOC) – UCSal em 2011.

MACIEL, Karen de Fátima. O pensamento de Paulo Freire na trajetória da


educação popular. Educação em Perspectiva, Viçosa, v. 2, n. 2, p. 326-344, jul./dez.
2011