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Avaliação Econômica

de
Projetos Industriais

George de Souza Mustafa

2010
Avaliação Econômica
de
Projetos Industriais
Avaliação Econômica
de
Projetos Industriais

1ª Edição

George de Souza Mustafa


Professor de Engenharia Química
Universidade Salvador - UNIFACS

Salvador - Bahia

2010

Reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou partes


do mesmo, sob qualquer formas ou por qualquer meios (eletrônico, mecânico, gravação,
fotocópia ou outros), sem a permissão expressa do autor.
PREFÁCIO

Ao instalar uma nova fábrica, modernizar ou ampliar uma fábrica existente, comprar novos
equipamentos ou simplesmente alugar uma máquina, isto é, ao fazer um novo investimento,
uma empresa deve, antes da implantação, fazer um estudo de viabilidade técnico-econômica.
Somente um estudo econômico pode confirmar a viabilidade de projetos tecnicamente
corretos.
Em um primeiro momento, são considerados os aspectos econômicos do investimento,
em outras palavras, deseja-se saber se o investimento é ou não rentável. Aplicando
corretamente os critérios econômicos sabe-se quais os investimentos que rendem mais, ou
seja, como aplicar o dinheiro de maneira a obter o maior retorno.
Para se efetuar uma análise econômica é necessário levantar os custos e as receitas
adicionais. As receitas serão decorrentes do aumento de produção e os custos podem ser
classificados da seguinte forma:
 Custos de investimento: decorrentes das transações dos ativos; e
 Custos operacionais: decorrentes da operação dos ativos.
Poucas empresas apresentam uma cultura quantitativa e conseguem, dessa forma, tomar
decisões mais racionais eliminando os riscos desnecessários. Os executivos das empresas
mais bem administradas tendem a fazer comparações e medições de maneira a tirar a tomada
de decisão dos domínios da mera opinião.
A estimativa dos custos será mais ou menos precisa em função do grau de informação
existente sobre o projeto. À medida que o projeto evolui, maiores dados são disponíveis,
possibilitando o emprego de metodologias mais detalhadas, fornecendo uma precisão maior
nos resultados.
Para a realização da análise de investimento de qualquer projeto é necessário, além de
utilizar o método de análise mais adequado, conforme apresentado no capítulo 2, construir
corretamente o fluxo de caixa do projeto. O fluxo de caixa descreve todo o movimento de
moeda corrente, no seu tempo, ao longo da vida útil do projeto, a partir de sua fase inicial. No
capítulo 3, são descritos todos os elementos que compõe um fluxo de caixa.
Já no capítulo 4, são relatados os métodos de estimativa de investimento e detalhados os
itens que normalmente se considera em uma estimativa de investimento industrial.
Finalmente, no capítulo 5, são apresentados os critérios para estimar os custos
operacionais de uma unidade industrial, que compõe, juntamente com os investimentos, a
base para realização de uma análise econômica de um empreendimento.
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO....................................................................................................................1
2. ANÁLISE DE INVESTIMENTO........................................................................................2
2.1 Conceitos..............................................................................................................................2
2.2 Taxa Mínima de Atratividade (TMA)..................................................................................4
2.3 Método do Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE)....................................................5
2.4 Método do Valor Presente Líquido (VPL)...........................................................................5
2.5 Método da Taxa Interna de Retorno (TIR)..........................................................................7
2.6 A Taxa Mínima de Atratividade variando com o tempo......................................................9
2.7 A necessidade da consideração da inflação nas análises.....................................................9
3. FLUXO DE CAIXA...........................................................................................................10
3.1 Conceitos............................................................................................................................10
3.2 Receitas líquidas................................................................................................................12
3.3 Custos variáveis e fixos......................................................................................................12
3.4 Impostos.............................................................................................................................12
3.5 Depreciação........................................................................................................................13
3.6 Valor residual.....................................................................................................................14
3.7 Investimento.......................................................................................................................14
4. ESTIMATIVA DE INVESTIMENTO TOTAL.................................................................15
4.1 Introdução..........................................................................................................................15
4.2 Investimento fixo...............................................................................................................16
4.2.1 Introdução.....................................................................................................................16
4.2.2 Estudo de viabilidade....................................................................................................17
4.2.3 Incorporação do empreendimento.................................................................................17
4.2.4 “Know-how”.................................................................................................................17
4.2.5 Engenharia....................................................................................................................18
4.2.6 Pré-operação..................................................................................................................19
4.2.7 Contingências................................................................................................................20
4.2.8 Terreno e melhorias......................................................................................................20
4.2.9 Equipamentos principais...............................................................................................21
4.2.10 Materiais secundários....................................................................................................23
4.2.11 Fundações e estruturas..................................................................................................24
4.2.12 Obras civis.....................................................................................................................24
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4.2.13 Montagem industrial.....................................................................................................25


4.2.14 Fretes, seguros e taxas...................................................................................................25
4.2.15 Peças sobressalentes......................................................................................................26
4.2.16 Inventários iniciais........................................................................................................26
4.2.17 Veículos, móveis e utensílios........................................................................................26
4.2.18 Utilidades e sistemas auxiliares (OSBL)......................................................................27
4.3 Despesas financeiras durante a construção........................................................................29
4.4 Capital de giro....................................................................................................................29
4.5 Investimento total...............................................................................................................31
4.6 Métodos de estimativa de investimento.............................................................................34
4.6.1 Métodos de avaliação global.........................................................................................34
4.6.2 Métodos de fatores multiplicativos constantes.............................................................35
4.6.3 Métodos de fatores multiplicativos variáveis................................................................35
4.6.4 Métodos que consideram o caráter individual de cada projeto.....................................36
4.6.5 Precisão dos métodos....................................................................................................36
5. ESTIMATIVA DE CUSTOS OPERACIONAIS...............................................................40
5.1 Introdução..........................................................................................................................40
5.2 Custos variáveis.................................................................................................................42
5.3 Custos fixos........................................................................................................................43
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................................................44
ANEXOS..................................................................................................................................46
ANEXO 1 – Fórmulas dos Fatores das Tabelas Financeiras....................................................47
ANEXO 2 – Índices de Inflação de Equipamentos...................................................................48
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1. INTRODUÇÃO

Ao instalar uma nova fábrica, modernizar ou ampliar uma fábrica existente, comprar novos
equipamentos ou simplesmente alugar uma máquina, isto é, ao fazer um novo investimento,
uma empresa deve, antes da implantação, fazer um estudo de viabilidade técnico-econômica
(EVTE). Somente um estudo econômico pode confirmar a viabilidade de projetos
tecnicamente corretos.

Em um primeiro momento, são considerados os aspectos econômicos do investimento,


em outras palavras, deseja-se saber se o investimento é ou não rentável. Aplicando
corretamente os critérios econômicos sabe-se quais os investimentos que rendem mais, ou
seja, como aplicar o dinheiro de maneira a obter o maior retorno.

Porém, de nada adianta conhecer a rentabilidade dos investimentos em carteira se não


há disponibilidade de recursos próprios nem há possibilidade de se obterem financiamentos.
Os investimentos mais rentáveis deverão ser analisados de acordo com critérios financeiros,
os quais mostrarão os efeitos do investimento na situação financeira da empresa, por exemplo,
como irá o investimento afetar o capital de giro da empresa.

Além do mais, ao se elaborar a análise econômica e financeira, somente são


considerados os fatores conversíveis em dinheiro. Um investimento pode ter repercurssões
que não sejam ponderáveis, tais como manter certo nível de emprego ou conseguir a boa
vontade de um cliente ou fornecedor. Estes critérios imponderáveis são, em geral, analisados
pela alta administração da empresa.

A decisão da implantação de um projeto deve, pois, considerar:

 Critérios econômicos: rentabilidade do investimento;

 Critérios financeiros: disponibilidade de recursos; e

 Critérios imponderáveis: fatores não conversíveis em dinheiro.

Vê-se, portanto, que a análise econômico-financeira pode não ser suficiente para a
tomada de decisões. Para a análise global do investimento, pode ser necessário considerar
fatores não quantificáveis ou os objetivos e políticas gerais da empresa, através de regras de
decisão explícitas ou intuitivas.

Finalmente, é conveniente ter em mente que, para se fazer um estudo econômico


adequado, alguns princípios básicos devem ser considerados, como os seguintes:

a) Deve haver alternativas de investimento. É infrutífero calcular se é vantajoso


comprar um equipamento à vista se não há condições de conseguir dinheiro para
esta operação;

b) As alternativas devem ser expressas em dinheiro. Não é possível comparar


diretamente 300 horas/mensais de mão de obra com 500 kwh de energia.
Convertendo os dados em termos monetários, têm-se um denominador comum
muito prático. Alguns dados, entretanto, são difíceis de se converter em dinheiro.
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Exemplos que ocorrem freqüentemente: boa vontade de um cliente, boa imagem da


empresa etc.. São os chamados fatores imponderáveis, que são reservados para a
tomada de decisão juntamente com os fatores ponderáveis;

c) Só as diferenças entre as alternativas são relevantes. Em uma análise para decidir


sobre o tipo de motor a ser comprado, os consumos de energia dos motores não
serão levados em consideração caso eles sejam idênticos;

d) Sempre serão considerados os juros sobre o capital empregado. Sempre existem


oportunidades de empregar dinheiro de maneira que ele renda alguma coisa. Ao se
aplicar o capital em um projeto, deve-se ter certeza de ser esta a maneira mais
rentável de utilizá-lo; e

e) Nos estudos econômicos, o passado geralmente não é considerado. Interessa o


presente e o futuro. Os custos de manutenção já realizados de um equipamento não
são incorporados ao seu valor, o que importa é o seu valor de mercado.

1. ANÁLISE DE INVESTIMENTO

2.1 Conceitos

A primeira questão que surge ao se analisar um investimento é quanto ao próprio objetivo da


análise. Qual é o objetivo da empresa que pretende investir? Respondendo a esta pergunta é
possível traçar o objetivo da análise.

Um objetivo que foi largamente utilizado e que hoje pode ser considerado
ultrapassado, é o objetivo imediatista de lucro no final do ano. Modernamente, com o advento
de técnicas de administração como o Planejamento Estratégico, as empresas passaram a
adotar filosofias, políticas e objetivos de longo prazo. O objetivo “lucro imediato” foi
substituído pelo objetivo “máximos ganhos em determinado horizonte de análise”.

Para uma análise sob este enfoque é necessário introduzir um conceito muito utilizado
em engenharia econômica: “o custo de recuperação do capital”.

Antigamente, as empresas normalmente adotavam uma filosofia monista em relação


aos custos, ou seja, contabilidade de custos e contabilidade financeira conjugadas. Com isto,
todo o investimento feito era amortizado em determinado número de anos, sob a forma de
depreciação. A recuperação do capital era lançada a uma taxa “zero”. Pelo conceito de
“equivalência” (ver o Anexo 1), estudado na matemática financeira, deve haver uma taxa tal
que torne equivalente o investimento feito e sua recuperação. E é esta taxa que determina o
custo do capital investido a ser lançado como despesa.

Por isso é interessante que a empresa adote uma filosofia dualista: contabilidade de
custos separada da contabilidade financeira.

Três são os métodos determinísticos da análise de investimentos que se ajustam aos


conceitos de ”equivalência” da matemática financeira:
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1) Método do Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE);

2) Método do Valor Presente Líquido (VPL) ou “Net Present Value” (NPV); e

3) Método da Taxa Interna de Retorno (TIR) ou “Internal Return Rate” (IRR).

Estes métodos são equivalentes e, se bem aplicados, conduzem ao mesmo resultado,


apenas que cada um se adapta melhor a determinado tipo de problema.

Alguns analistas, no entanto, ainda se utilizam de métodos não exatos, cujos os


principais exemplos são:

1) Método do Tempo de Recuperação do Capital Investido ou “Pay-Back Time”

Mede o tempo necessário para que o somatório das parcelas anuais seja igual ao
investimento inicial.

Este método não leva em consideração a vida do investimento, e pode ser


dificultada sua aplicação quando o investimento inicial se der por mais de um ano
ou quando os projetos comparados tiverem investimentos iniciais diferentes.

O defeito mais sério, no entanto, ocorre por não ser considerado o conceito de
“equivalência”. Isto pode fazer com que fluxos de caixa distintos possuam o mesmo
“Pay-Back Time”.

2) Método do “Pay-Back Time” descontado

Uma alternativa é o “Pay-Back” descontado, que elimina apenas o último defeito


apontado do método anterior. O “Pay-Back” descontado mede o tempo necessário
para que o somatório das parcelas descontadas seja, no mínimo, igual ao
investimento inicial.

3) Método da Rentabilidade do Projeto

Consiste no cálculo do índice Lucro anual/Investimento inicial à plena capacidade,


sendo o lucro anual calculado após a depreciação. O problema é que a depreciação
nada mais é do que a recuperação do capital a uma taxa zero, o que não é
condizente com o conceito de Taxa Mínima de Atratividade (TMA), que será visto
no item 2.2.

4) Método do Valor Futuro

É muito semelhante ao método do VPL, porém diz respeito ao valor futuro e não
ao valor presente.

5) Método do Custo-Benefício

É o método que, a uma determinada TMA, considera-se aceitável a alternativa que


a diferença entre o valor presente dos benefícios e o valor presente dos custos seja
maior ou igual a zero.
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6) Método do ponto de equilíbrio

O ponto de equilíbrio é definido como sendo o ponto onde o custo operacional total
é equivalente à receita da planta. O ponto de equilíbrio define a capacidade
operacional mínima da planta. A operação acima desta propiciará lucros a empresa
e a operação abaixo deste nível será deficitária. Apesar de não ser propriamente um
critério de rentabilidade, sua determinação torna-se importante na análise
econômica de um projeto, pois indicará a flexibilidade operacional lucrativa da
planta. Deste ponto de vista, um projeto será tanto melhor quanto sua capacidade
operacional mínima, determinada pelo ponto de equilíbrio, estiver afastada da
capacidade nominal da planta. Este fato possibilitará a empresa resistir,
principalmente, às flutuações do mercado.

A utilização deste método é inadequada quando o empreendimento demandar um


grande número de períodos para atingir a plena capacidade produtiva. Além disso, não leva
em consideração a vida do investimento, que é considerada como infinita.

2.2 Taxa Mínima de Atratividade (TMA)

Ao se analisar uma proposta de investimento, deve ser considerado o fato de se estar perdendo
a oportunidade de auferir retornos pela aplicação do mesmo capital em outros projetos
viáveis. Em outras palavras, para um investidor, o custo do capital, por isto chamado custo de
oportunidade do capital, é o lucro que teoricamente perde por utilizar o capital nesse projeto.
Assim, o custo de oportunidade do capital pode ser definido como a taxa de rentabilidade que
o capital pode ganhar na melhor alternativa de utilização, além do projeto. Neste caso, para
atualizar os fluxos do projeto, o avaliador deve utilizar como taxa de desconto a taxa de
rentabilidade da melhor alternativa de investimento disponível. A nova proposta para ser
atrativa deve render, no mínimo, a taxa de juros equivalente à rentabilidade das aplicações
correntes e de pouco risco. Esta é, portanto, a Taxa Mínima de Atratividade (TMA).

Para pessoas físicas, no caso do Brasil, é comum a TMA ser igual à rentabilidade da
caderneta de poupança.

Para as empresas, a determinação da TMA é mais complexa e depende do prazo ou da


importância estratégica das alternativas.

Para investimentos de curtíssimo prazo, como por exemplo, comprar hoje uma
matéria-prima com desconto ou daqui a cinco dias sem desconto, pode ser utilizada como
TMA a taxa de remuneração de títulos bancários de curto prazo, como os CDB.

Em investimentos que envolvem o médio prazo (até seis meses), pode-se considerar
como TMA a média ponderada dos rendimentos das contas do capital de giro, como, por
exemplo, aplicações de caixa, valorização dos estoques ou taxa de juros embutidas em vendas
a prazo.

Já em investimentos de longo prazo, a TMA passa a ser uma meta estratégica. Por
exemplo, a empresa que tem como objetivo crescer seu patrimônio líquido em 10% a.a., e
possui uma política de distribuição de dividendos da ordem de 1/3 de seus lucros, deverá fixar
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como TMA estratégica a taxa de 15% a.a.. assim, poderá distribuir 5% como dividendo e
reinvestir os 10% restantes.

Já para empresas financeiras pode-se considerar a TMA como sendo a taxa a partir da
qual elas passam a ter lucro financeiro. Elas captam recursos a determinada taxa, reaplicando
com certa margem (“spread”). A taxa de captação poderia ser considerada como a TMA de
um banco.

2.3 Método do Valor Anual Uniforme Equivalente (VAUE)

Este método consiste em determinar a série uniforme anual (A) equivalente ao fluxo de caixa
dos investimentos à Taxa Mínima de Atratividade (TMA), ou seja, determina-se a série
uniforme equivalente a todos os custos e receitas para cada projeto utilizando-se a TMA. O
melhor projeto é aquele que tiver o maior saldo positivo.

Este método é adequado em análises que envolvam atividades operacionais da


empresa, com investimentos que normalmente possam repetir-se. Uma empresa
periodicamente apura resultados e o referencial normalmente utilizado é o ano. Portanto, a
padronização dos resultados dos investimentos para valores anuais equivalentes os tornará
mais palpáveis para uma tomada de decisão.

Uma das grandes utilidades do método do VAUE é a determinação da vida econômica


de veículos e equipamentos em geral.

2.4 Método do Valor Presente Líquido (VPL)

Este método é tão simples quanto o VAUE. A única diferença reside em que, em vez de se
distribuir o investimento inicial durante sua vida (custo de recuperação do capital), deve-se
calcular o valor presente dos demais termos do fluxo de caixa para somá-los ao investimento
inicial de cada alternativa. Ou seja, o VPL é obtido pela diferença entre o valor presente dos
benefícios previstos de caixa e o valor presente do fluxo de caixa inicial (valor do
investimento, do empréstimo ou do financiamento).

A seguir, é apresentada a forma de cálculo do VPL:

n
Valor atual dos investimentos (I):  Ij
J=0 (1 + i)j

n
Valor atual das receitas (R):  Rj
J=0 (1 + i)j
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n
Valor atual dos custos (C):  Cj
J=0 (1 + i)j

Como o VPL é a diferença entre o valor presente dos benefícios e dos custos:

n n n
VPL =  Rj -  Cj -  Ij
J=0 (1 + i)j J=0 (1 + i)j J=0 (1 + i)j

Ou seja,

n n
VPL =  Rj - Cj -  Ij
J=0 (1 + i)j J=0 (1 + i)j

Assumindo o caso em que os investimentos se concentram integralmente em torno do


ano zero:

n
VPL =  Rj - Cj - I
J=0 (1 + i)j

Ou,

VPL = R 1 - C1 + R2 - C2 + R3 - C3 + ... + R j - Cj - I
(1 + i)1 (1 + i)2 (1 + i)3 (1 + i)j

Desta forma, para determinar o VPL, somam-se todos os termos de (Rj - Cj)/(1 + i)j,
para cada ano, durante a vida útil do projeto, e dessa soma diminui-se o valor dos
investimentos.

Escolhe-se a alternativa que apresentar melhor VPL, ou seja, a maior diferença entre o
valor presente dos benefícios e o valor presente dos custos. A taxa utilizada para descontar o
fluxo (trazer ao valor presente) é a TMA.

O VPL é um bom coeficiente para a determinação do mérito do projeto, uma vez que
ele representa, em valores atuais, o total dos recursos que permanecem em mãos da empresa
ao final de toda a sua vida útil. Em outras palavras, o VPL representa o retorno líquido
atualizado gerado pelo projeto.
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O VPL não é tomado, de uma maneira geral, como o critério único para a
determinação do mérito do projeto, devido a dificuldades em determinar o valor exato da taxa
de descontos a ser aplicada para a atualização dos fluxos de caixa.

Para evitar essas dificuldades na determinação da taxa de descontos, que é, em última


instância, uma decisão pessoal por parte dos investidores, utiliza-se o método da Taxa Interna
de Retorno (TIR), que tem a característica de ser determinada somente através dos dados
próprios (interna) do projeto. Embora, no processo de tomada de decisões, essa taxa tem que
ser comparada com as taxas de outros projetos ou com o custo de oportunidade do capital.

A relação entre o VPL e o investimento total é considerada também na decisão sobre


viabilidade econômica de um projeto, e normalmente se considera, no mínimo, igual 2,0.

2.5 Método da Taxa Interna de Retorno (TIR)

O conceito de Taxa Interna de Retorno (TIR) apresenta inúmeras aplicações práticas,


constituindo-se em um dos mais importantes instrumentos de avaliação econômica.
Conceitualmente, a TIR é a taxa de juros que iguala, em uma única data, os fluxos de entrada
e saída de caixa produzidos por uma operação financeira. Em outras palavras, é a taxa de
juros que, se utilizada para descontar um fluxo de caixa, produz um resultado nulo.

Portanto, a TIR é a taxa de juros que iguala, em determinado momento de tempo, o


valor presente das entradas (recebimento) com o das saídas (pagamento) previstos de caixa,
ou seja, zera o VPL, conforme a figura abaixo.

VPL
TIR

0 Taxa de Desconto (%)

No início, a taxa de retorno é zero. À medida que a taxa de desconto vai se


distanciando de zero, o valor presente dos fluxos de caixa decresce, proporcionando, em
conseqüência, um VPL cada vez menor.

Até atingir a TIR, o VPL é positivo, indicando atratividade do investimento. A partir


desta taxa o valor presente líquido passa a ser negativo, demostrando que o projeto é incapaz
de produzir uma riqueza econômica positiva para uma taxa de desconto superior à TIR.

Considerando a equação do cálculo do VPL (ver o item 2.4):

n
VPL =  Rj - Cj - I
J=0 (1 + i)j

Fazendo o VPL igual a zero,


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n
0 =  Rj - Cj - I
J=0
(1 + i)j

Rearrumando a equação acima,

n
I =  Rj - Cj
J=0 (1 + i)j

Ou,

I = R1 - C 1 + R2 - C2 + R3 - C3 + ... + R j - Cj
(1 + i)1 (1 + i)2 (1 + i)3 (1 + i)j

O valor de i que soluciona esta equação permite saber qual é a taxa de desconto que
terá de ser aplicada ao fluxo de fundos para, em termos atuais, igualar o valor de todos os
custos com todas as receitas do projeto.

A esse valor de i, que iguala o valor atual do fluxo de custos de um projeto com o
valor atual correspondente ao fluxo de benefícios, chama-se Taxa Interna de Retorno (TIR) do
projeto. A TIR é uma demonstração da rentabilidade do projeto, ou seja, quanto maior for a
TIR mais vantagens apresenta o projeto em termos atuais.

A TIR é um dos principais instrumentos na determinação do mérito do projeto, devido


principalmente a duas grandes vantagens:

 Não apresenta as dificuldades dos demais métodos de atualização, que exigem


conhecimentos sobre variáveis externas aos dados do projeto, como é o caso da
taxa de desconto; e

 Pela semelhança entre o conceito da TIR e o conceito tradicional de rentabilidade


de um investimento. Assim, uma taxa interna de 10% de um projeto pode ser
facilmente comparada com muitos outros tipos de rentabilidade, tais como a
rentabilidade de 10% em títulos, rentabilidade de 6% em depósitos de poupança
etc..

Entretanto, a TIR apresenta algumas desvantagens que não lhe permitem ser o
instrumento absoluto na seleção e classificação de projetos, uma vez que:

 No caso de projetos com grandes diferenças entre os valores dos investimentos,


podem ocorrer contradições entre os métodos da TIR e do VPL. Isso ocorre porque
um pequeno projeto (baixo investimento) pode apresentar uma alta TIR, mas ainda
assim ter um reduzido valor atual; e
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 11

 A expressão matemática que permite a determinação da TIR leva, em certos casos,


a soluções múltiplas e sem sentido.

O método da TIR também é utilizado para comparar diferentes projetos entre si,
comparando-os com a “rentabilidade geral” possível na economia, ou seja, com a TMA. Os
investimentos com TIR maior que a TMA são considerados rentáveis e são passíveis de
análise.

A utilização prática do método da TIR dá-se normalmente em projetos de implantação


ou expansão industrial. Segundo FILHO e KOPITTKE (2003), pesquisas realizadas junto às
maiores empresas do Brasil mostram que o método da TIR é o mais utilizado. Isto se
deve provavelmente ao fato de que seu resultado é bem mais palpável do que os métodos do
VPL ou VAUE.

2.6 A Taxa Mínima de Atratividade variando com o tempo

Sabe-se que, no mercado de capitais, as taxas variam diariamente, então a TMA referida a um
período maior (mês ou ano) é sempre média. Dependendo da data em que for recebida a
parcela positiva, a sorte fará com que a taxa de reaplicação esteja acima ou abaixo da média.

Se esta TMA média variar durante a vida do projeto, deve-se analisar o problema de
maneira diferenciada, considerando as oscilações diárias e as oscilações de médio e longo
prazo. A princípio, o método da TIR não apresentará a solução adequada, visto ser muito
difícil uma comparação de uma TIR com várias TMA.
O método do VAUE também é problemático, visto ser extremamente difícil distribuir
uniformemente um fluxo com TMA variável. O método do VPL, este sim, apresenta todas as
condições para solucionar este tipo de problema.

2.7 A necessidade da consideração da inflação nas análises

Em geral, os cálculos são feitos admitindo-se como premissa de que todos os preços subirão
na mesma proporção. Se todos os preços e, portanto, os custos e as receitas estivessem
sujeitos à mesma variação, seria correto desconsiderar esta variação, ou seja, não seria
necessário levar em conta a inflação.

Esta premissa pode não se verificar na prática em virtude de duas razões. A primeira
razão está ligada à necessidade de capital de giro da empresa. Para que não haja necessidade
suplementar de capital de giro devido aos aumentos da inflação, as empresas devem ter
condições de embutir os valores da inflação nos preços das vendas a prazo.
A segunda razão se deve ao fato de que em períodos de forte inflação, há forte
tendência a um aumento diferenciado nos preços. Neste caso, é evidente que os resultados dos
cálculos, desconsiderando-se a inflação, não serão mais corretos. Então, a princípio, em uma
situação com alta inflação, esta deveria ser considerada na análise de investimentos.
Acontece, infelizmente, que, em geral, é muito difícil prever aumentos diferenciados em
preços para horizontes de planejamento maiores que um ano. É claro que existem casos em
que é possível prever que haverá evolução diferenciada em alguns preços. Produtos com alto
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conteúdo tecnológico, por exemplo, tendem a baixar de preço em termos absolutos. O custo
de mão-de-obra tenderia a aumentar com o tempo. O problema é saber quanto.
Nestas situações, o analista poderá utilizar-se de uma TMA real, à qual será agregada a
sua estimativa de inflação, que poderá ser variável, ou de uma TMA global, que engloba a
TMA real e a estimativa de inflação.

2. FLUXO DE CAIXA

3.1 Conceitos

Como foi visto no item anterior, para a realização da análise de investimento de qualquer
projeto é necessário, além de utilizar o método de análise mais adequado, construir
corretamente o fluxo de caixa do projeto.
O fluxo de caixa descreve todo o movimento de moeda corrente, no seu tempo, ao
longo da vida útil do projeto, a partir de sua fase inicial.
No fluxo de caixa ocorrem, logicamente, entradas e saídas de caixa, as quais relaciona-
se a seguir.
 Fluxo de caixa negativo
As saídas de caixa são o investimento total do projeto, os custos totais
operacionais, incluindo os custos variáveis e os custos fixos, e os impostos. A
única exceção fica por conta da depreciação, a qual não constitui uma saída de
caixa.
 Fluxo de caixa positivo
Basicamente, é a receita proveniente da venda de seus produtos e o valor residual
recuperado no final da vida útil do projeto
Nos três métodos determinísticos de análise de investimentos, os custos ou receitas
durante o ano são considerados como tendo ocorrido no final do ano. Porém, se sabe que
certos custos, como as despesas de mão-de-obra, energia e manutenção, são relativamente
uniformes durante o ano. É, entretanto, vantajoso considerar que as despesas são todas feitas
no final do ano para simplificação dos cálculos. Na maioria dos casos, esta convenção não
implica em erros significativos.

Na Tabela 1, é apresentado um modelo de fluxo de caixa para ser utilizado na análise


de investimento de projetos.
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Tabela 1. Fluxo de caixa para análise de investimento de projetos.


ITENS ANOS
0 1 2 ... n
Receitas líquidas 0 RL1 RL2 ... RLn
Custos variáveis 0 CV1 CV2 ... CVn
Custos fixos com depreciação 0 CF1 CF2 ... CFn
Lucro bruto 0 LB1 LB2 ... LBn
Impostos 0 IP1 IP2 ... IPn
Lucro líquido 0 LL1 LL2 ... LLn
Depreciação 0 D1 D2 ... Dn
Geração de caixa 0 GC1 GC2 GCn
Valor residual 0 0 0 ... VR
Investimento I 0 0 ... 0
Fluxo de caixa FC0 FC1 FC2 ... FCn

Onde,

 n = tempo de depreciação do investimento;


 Receitas líquidas: ver o item 3.2;
 Custos variáveis: ver o item 5.2;
 Custos fixos com depreciação: ver o item 5.3;
 Lucro bruto = Receitas líquidas - Custos variáveis - Custos fixos com depreciação;
 Impostos: ver o item 3.4;
 Lucro líquido = Lucro bruto - Impostos;
 Depreciação: ver o item 3.5;
 Geração de caixa = Lucro líquido + Depreciação;
 Valor residual: ver o item 3.6;
 Investimento: ver o item 4; e
 Fluxo de caixa = Geração de caixa + Valor residual - Investimento
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 14

3.2 Receitas líquidas

Para efeito de análise do investimento, as receitas adicionais decorrentes de uma nova fábrica
ou de um novo equipamento normalmente são apenas as operacionais, ou seja, o produto do
aumento de produção, de cada bem, pelo seu respectivo preço unitário.

n
R =  Pj x Qj
J=0

Onde, Pj é o preço e Qj a quantidade de cada bem produzido.

Normalmente, o valor contabilizado de uma nota fiscal não inclui os impostos federais, o
que difere a receita bruta da receita líquida. Esta última normalmente é a considerada nas
análises.

Alguns equipamentos são de difícil associação com o volume de produção. De um tear,


por exemplo, pode-se dizer que aumentará a produção em “x” m²/hora. Já para uma bomba ou
um trocador de calor em uma indústria petroquímica, isto se torna extremamente difícil. Em
uma análise entre duas bombas concorrentes, normalmente assume-se que o efeito sobre as
receitas será o mesmo e levam-se em consideração apenas os custos diferenciais.

Vale ressaltar que, quando houver produção de subprodutos ou coprodutos, deverá haver
um crédito extra, cujo valor será seu custo de produção ou seu preço de venda.

3.3 Custos variáveis e fixos

Os custos operacionais variáveis e fixos eqüivalem ao total dos recursos necessários para
comprar e pagar os diversos componentes do processo de produção e vendas da empresa
durante um certo período, em geral um ano. Estes custos estão detalhados no item 5.

3.4 Impostos

O imposto de renda é uma forma de imposto incidente sobre o lucro das corporações. No caso
brasileiro é um percentual que pode oscilar na faixa de 25 a 50%, dependendo da política
fiscal vigente, aplicado sobre o lucro apurado ao final de cada exercício.

O lucro é basicamente a diferença entre receitas e despesas, enquanto o que realmente


interessa nos problemas de análise de investimentos é o fluxo de caixa real.

Por isso, devem-se comentar alguns fatores que apresentam características especiais: a
depreciação, por exemplo, é uma despesa não correspondida por saída de caixa; a amortização
de financiamentos é saída de caixa, mas não é despesa; venda a prazo podem representar
receitas em um período, mas entradas de caixa em outro.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 15

Estes fatores influenciam substancialmente na análise por seu efeito sobre o imposto
de renda e, principalmente, por afetarem de forma diferente a análise de lucro e a análise de
fluxo de caixa.

Além do imposto de renda, as empresas devem pagar um tributo denominado de


“contribuição social”. O valor atual da contribuição social (2003) é de 9% do lucro bruto
apurado ao final de cada exercício

3.5 Depreciação

A depreciação é contabilmente definida como a despesa equivalente à perda de valor de


determinado bem, seja por deterioração ou obsolescência. Não é desembolso, porém é uma
despesa e, como tal, pode ser abatida das receitas, diminuindo o lucro tributável e,
consequentemente, o imposto de renda, este sim um desembolso real, e com efeitos sobre o
fluxo de caixa.

A legislação fiscal adota certos parâmetros, caso contrário todos iriam querer depreciar
seus bens no menor tempo possível, beneficiando-se o quanto antes dos efeitos fiscais. Por
isso, a legislação brasileira permite que prédios sejam depreciados linearmente em 25 anos,
equipamentos em 10 anos e veículos em 5 anos. Eventualmente, estes prazos podem diminuir
se justificada uma utilização excessiva.

A depreciação contábil é feita de forma linear (ver fórmula abaixo), de modo que, por
exemplo, um equipamento que tenha sido adquirido por US$ 10 milhões, deprecie um décimo
do valor a cada ano, ou seja, US$ 1 milhão por ano.

Depreciação Linear = Investimento Total - Valor Residual

Vida Útil (anos)

Ao se considerar uma vida útil para um equipamento não significa que não possa mais
ser utilizado após este tempo, mas que a sua operação não é mais econômica.

A depreciação também pode feita através de outros métodos:

 Depreciação pelos números da soma dos anos;

 Depreciação pelo saldo decrescente;

 Saldo decrescente com conversão para a depreciação linear;

 Depreciação por unidade de produção; e

 Depreciação pelo sistema modificado de recuperação de custo acelerado.


Avaliação Econômica de Projetos Industriais 16

Em contrapartida à depreciação contábil está a depreciação que realmente houve no


bem, ou seja, a perda efetiva de valor com o passar dos anos. A prática nos diz que na maioria
das vezes a depreciação real é conduzida por uma curva exponencial com queda acentuada
nos primeiros anos e mais suave nos anos posteriores. Caso uma empresa vendesse um
determinado equipamento após alguns anos de operação, deveria então lançar esta diferença
como lucro tributável, o que iria influir no cálculo do imposto de renda.

Da mesma forma como um equipamento pode ser depreciado, os investimentos em


projetos de engenharia e despesas de pré-operação e partida podem ser amortizados, à razão
de 20% ao ano, no caso brasileiro.

3.6 Valor residual

O valor residual é utilizado para especificar o valor líquido da dispensa de uma propriedade
retirada de serviço. No caso de equipamento velho, é o valor de venda do equipamento menos
os custos de sua manutenção. Desta forma, podem ocorrer valores residuais negativos.

O valor residual é o montante de recursos financeiros que a empresa pode obter ao


final da sua vida útil. Ao último ano do fluxo de receitas devem agregar-se a renda originada
pelas vendas de todos os bens da empresa. Basicamente, ao final das suas atividades, a
empresa pode vender o seu terreno, os seus edifícios, os seus equipamentos e utensílios
utilizados, os seus estoques de matérias-primas e de produtos, e ainda recuperar os recursos
em dinheiro disponíveis em caixa.

Para calcular o valor residual, os projetistas podem estimar o valor que terá cada um
dos bens da empresa ao final da sua vida útil. De uma maneira geral, o terreno pode ser
recuperado na sua totalidade; a construção civil será valorizada de acordo com cada caso
particular, bem como os equipamentos, móveis e utensílios depreciados. No que se refere ao
capital de trabalho líquido (estoques e dinheiro em caixa), em graus diferentes, poder-se-á
recuperar a quase totalidade do seu valor.

Depois de estimado o valor potencial de receita por liquidação, os projetistas deverão


considerar a necessidade do pagamento das contas pendentes da empresa, para determinar o
valor residual líquido que será acrescentado às receitas diretas do último ano de
funcionamento da empresa.

3.7 Investimento

O investimento total de um empreendimento corresponde à soma das despesas que a empresa


deve realizar a fim de efetuar as diversas operações que lhes são relacionadas, desde os
estudos técnico-econômicos até a partida das instalações produtivas. Este custo está detalhado
no item 4.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 17

3. ESTIMATIVA DE INVESTIMENTO TOTAL

4.1 Introdução

Para se efetuar uma análise econômica de um investimento é necessário levantar os custos e


as receitas adicionais, decorrente deste investimento.

Quer o investimento seja uma expansão da empresa, uma nova fábrica, uma nova linha
de produção ou simplesmente um novo equipamento, devem ser analisados os efeitos
adicionais, medidos em termos de custos e receitas.

As receitas adicionais serão decorrentes do aumento de produção. Já os custos podem


ser classificados da seguinte forma:

 Custos de investimento: decorrentes das transações dos ativos; e

 Custos operacionais: decorrentes da operação dos ativos (ver o item 5).

A composição dos custos de investimento pode se apresentar de formas variadas,


devendo, contudo, todas elas atingir o mesmo objetivo, ou seja, apresentar a estimativa do
investimento total.

O investimento total pode ser dividido nos três grandes itens seguintes:

1) Investimento fixo:

2) Despesas financeiras durante a construção; e

3) Capital de giro.

A estimativa destes itens será mais ou menos precisa em função do grau de informação
existente sobre o projeto. À medida que o projeto evolui maiores quantidades de dados estão
disponíveis, possibilitando o emprego de metodologias mais detalhadas e, consequentemente,
fornecendo uma precisão maior nos resultados.

No caso dos investimentos correntes de uma empresa, o levantamento dos custos


relacionados requer iniciativa, conhecimento e tempo. Normalmente, são tomadas muitas
decisões nas quais uma consideração mais detalhada dos custos envolvidos não é feita por
falta de dados quantitativos, pela urgência da decisão ou pelo fato das pessoas envolvidas não
se darem conta de que é possível calcular qual a melhor decisão do ponto de vista econômico.
Poucas empresas apresentam uma cultura quantitativa e conseguem, dessa forma,
tomar decisões mais racionais eliminando os riscos desnecessários. Os executivos das
empresas mais bem administradas tendem a fazer comparações e medições de maneira a tirar
a tomada de decisão dos domínios da mera opinião.
Com isto, não quer dizer que todas as decisões empresarias podem ou devem ser feitas
apenas em bases quantitativas. Isto seria um absurdo, pois a administração não é uma ciência
exata. Os aspectos quantitativos não são suficientemente considerados nas decisões
empresariais e a falta de uma cultura quantitativa pode custar bastante caro à empresa.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 18

4.2 Investimento fixo

4.2.1 Introdução
O investimento fixo representa os custos dos equipamentos, das instalações industriais para
operação dos equipamentos (redes de energia, vapor, água, ar comprimido e outras), da
montagem e do projeto quando houver, as construções civis necessárias e de outros
investimentos como móveis e transportadores.

Alguns itens do investimento fixo podem estar mais diretamente relacionados com o
processo produtivo do que outros, por isso o investimento fixo normalmente é subdividido em
investimento indireto e direto.

Como investimento fixo indireto são considerados os seguintes itens:

 Estudos de viabilidade;

 Gerenciamento do empreendimento;

 “Know-how”;

 Projeto básico;

 Projeto de detalhamento;

 Serviços de procura, inspeção e diligenciamento;

 Pré-operação; e

 Contingências.

Já o investimento fixo direto compreende os investimentos nos limites da unidade de


produção (investimento ISBL) e investimentos em utilidades e sistemas auxiliares
(investimento OSBL). Estes investimentos são compostos pelos itens abaixo:

 Terreno e melhorias;

 Equipamentos principais;

 Tubulação;

 Instrumentação;

 Materiais elétricos;

 Isolamentos térmicos;

 Pintura;

 Fundações e estruturas;

 Obras civis;
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 19

 Montagem industrial;

 Fretes, seguros e taxas;

 Peças sobressalentes; e

 Inventários iniciais.

Todos estes itens serão detalhados a seguir.

4.2.2 Estudos de viabilidade


Compreendem todos os gastos feitos no preparo de estudos relativos à definição de
empreendimento. Compreende aqui, quando o caso, a contratação de serviços de consultorias
e o gasto com os estudos de seleção de tecnologia.

É estimado com base no número de meses e números de técnicos envolvidos.

4.2.3 Gerenciamento do empreendimento


Além dos gastos com pessoal envolvido na implantação do projeto, como o gerente de
projeto, engenheiros e outros, inclui também todas as despesas preparatórias necessárias, bem
como, a própria criação da empresa piloto que irá encabeçar o projeto.

Um valor típico que se considera na estimativa de investimento é 5% do investimento


fixo.

4.2.4 ”Know-how”
O pagamento pela tecnologia, quando ela é comprada, é feito normalmente das seguintes
maneiras:

 Pagamento tipo “paid-up”

São pagamentos feitos de forma global ao detentor do processo. Geralmente, este


pagamento é função do porte da unidade e referenciado à tonelada de capacidade
anual instalada. Este pagamento, normalmente, não se faz de uma maneira única,
mas sim em parcelas de acordo com o contrato;

 Pagamento tipo “running royalties”

Em alguns casos, os pagamentos são feitos em anuidades durante um certo tempo


de vida da unidade ou em função do período de validade das patentes que
protegem a invenção. O mais comum é referir-se à produção real e não a
capacidade nominal.

Em uma primeira aproximação pode-se considerar que um pagamento “paid-up”


eqüivale a um “running royalties” pelo período de dez anos. Há também o caso misto em que
há um pagamento inicial seguindo de “running royalties” durante um certo período, definido
em contrato.

O “Know-how” pode ser estimado como 5 a 7% do custo total de equipamentos


principais, materiais secundários, montagem e custos indiretos, sendo um valor típico de 5%.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 20

4.2.5 Engenharia
Os objetivos da engenharia são basicamente determinar o processo de produção, os
equipamentos e as instalações e, assim, tornar possível o cálculo dos custos de investimento e
de operação. Estas funções proporcionam ainda informações para outras etapas do projeto,
como por exemplo:

 Reorientar o estudo de mercado, indicando outros tipos de artigos que se podem


produzir com as mesmas instalações;

 Orientar as decisões sobre tamanho e localização da unidade de produção;

 Orientar o esquema de financiamento com a informação do tempo necessário para


a execução e o funcionamento das instalações;

 Definir o tipo de mão-de-obra requerida e os serviços auxiliares necessários, tais


como mão-de-obra especializada, problemas de “know-how” assistência técnica
etc.; e

 Orientar quanto a problemas legais (patentes e marcas).

Representa a remuneração dos serviços de uma empresa de engenharia estipulada em


um contrato, cujo escopo pode variar de empreendimento para outro. Nessa rubrica, podem
estar incluído três tipos de atividades:

 Projeto básico, que em alguns casos pode estar dentro da rubrica de “know-how”;

 Projeto de detalhamento, abrangendo os serviços de cálculo e especificações


detalhadas dos equipamentos; e

 Serviços de procura, inspeção e diligenciamento. No Brasil, normalmente, esta


atividade é desenvolvida pela empresa de engenharia que faz o detalhamento.

Em uma estrutura mais aberta, ao invés de se considerar “engenharia” como um único


item, é interessante destacar cada um desses componentes como um item separado.

Os custos totais com engenharia varia de 8 a 20% do investimento fixo. Normalmente,


utiliza-se 12% como primeira estimativa, conforme apresentado logo a seguir:

 Projeto básico: 3% do investimento ISBL;

 Projeto de detalhamento: 6% do investimento fixo direto (investimento ISBL mais


investimento OSBL); e

 Serviços de procura, inspeção e diligenciamento: 3% do investimento ISBL.


Avaliação Econômica de Projetos Industriais 21

4.2.6 Pré-operação
A partida de uma unidade é em geral efetuada sob a responsabilidade técnica do detentor do
processo, com a assistência do pessoal da empresa produtora bem como com os responsáveis
da empresa de engenharia que fizeram o projeto. Ao longo deste período, deve-se colocar em
regime a unidade, verificar se os produtos respondem às especificações garantidas, que a
capacidade nominal garantida pode ser atendida sem dificuldade, que as performances dos
diversos sistemas em questão (catalisadores, solventes etc.) são bem atingidas, que as paradas
e partidas estão de acordo com o manual de operação.

Portanto, os custos da pré-operação leva em conta os custos correspondentes a estes


serviços prestados pelo detentor da tecnologia e pela firma de engenharia. Também, ao longo
do período de partida, no qual diversos ajustes ou modificações de detalhes são efetuados, as
unidades não produzem imediatamente os produtos nas especificações requeridas que podem
portanto não serem comercializáveis. Existe, então, consumo de matéria-prima, de produtos
químicos, de utilidades e de pessoal não compensados por venda de produtos finais. Os custos
de partida e pré-operação são destinados a cobrir estas despesas.

O tempo necessário à partida depende da complexidade da unidade. As despesas de


partida são normalmente avaliadas em termos de meses de custo operacional, excluída a
remuneração do capital, ou seja, levando-se em conta o consumo de matérias-primas,
produtos químicos, utilidades e mão-de-obra. No caso de produtos finais poderem ser
valorizados ou reciclados, quando eles estiverem fora de especificação, os custos são
calculados, excluindo-se os custos das matérias-primas.

Compreende-se neste item, também, o custo do treinamento do pessoal para a


operação da fábrica. O número de técnicos de nível médio e superior é função do tipo de
fábrica considerado, ou seja, das características particulares da empresa em implantação. Uma
composição típica seria: engenheiros coordenadores (turno e dia), engenheiros de processo,
supervisores (turno e dia), operadores e analistas de laboratório.

Resumindo-se, pode-se estimar o custo de pré-operação como:

 Assistência técnica à partida: “n” meses de custos variáveis mais custos com mão-
de-obra (“n” pode ser considerado igual a 1); e

 Treinamento de pessoal: normalmente, o tempo necessário para o treinamento do


pessoal é estimado em seis meses.

Como estimativa inicial para o custo com a pré-operação de uma unidade industrial,
pode-se considerar de 10 a 30 dias de custo variável, a depender da complexidade do
processo, ou ainda 1% do investimento fixo direto (investimento ISBL mais investimento
OSBL).
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 22

4.2.7 Contingências
A estimativa de investimento feita com base em um “check list” exaustivo deve-se levar a um
valor bastante realista. Contudo, toda a estimativa tem uma margem de erro associada e
independentemente dos esforços para se fazer uma estimativa detalhada, o resultado sempre
será uma estimativa e não um custo real. A ordem de grandeza do erro depende de
determinados fatores, sendo os principais:

 Indefinições no processo, a qualidade e a confiabilidade dos dados disponíveis


para a estimativa;

 Extensão do projeto mecânico e “take-off” de material para a estimativa;

 Validade de cotações recebidas e dos métodos de estimativa usados;

 Localização e natureza do solo, problemas de mão-de-obra local e problemas não


esperados de fundações;

 Complexidade de organização do projeto; e

 Flutuações de preços.

Um método muitas vezes utilizado para se determinar um fator de contingência é


baseado numa distribuição probabilística pelo uso de curvas normais e desvios padrões. A
utilização das contingências, em estimativa de investimento, contudo deve ser bastante
criteriosa, em função do seu objetivo.

No caso de se estar fazendo estudos de viabilidade, em que se procura determinar a


atratividade econômica do empreendimento, o item “contingências” é o instrumento que se
usa para levar em conta a precisão da estimativa de investimento, ligada ao grau de
informação que se tem sobre o projeto. Embora, a precisão destas estimativas possam ser para
mais ou para menos, nestes estudos coloca-se sempre para mais, de forma a se avaliar a
rentabilidade na condição mais desfavorável.

Já no caso de um programa-orçamento, a previsão de gastos com contingências deve


ser de pequeno valor, pois neste caso o grau de informação deve ser tal que permita uma
estimativa detalhada do investimento e deverá se constituir em uma meta a ser atingida. A
inclusão de um item “contingências” elevado supervalorizará o orçamento, sendo um fator
que inevitavelmente forçará o investimento real para cima.

Portanto, a estimativa dos gastos com contingências depende da etapa em que se


encontra o projeto. Como estimativa inicial, considera-se que os gastos com contingências
variam de 15 a 25% do investimento fixo direto.

4.2.8 Terreno e melhorias


Compreende o custo de aquisição dos terrenos necessários para a construção, bem como os
gastos legais de escritura, impostos, taxas, registros etc., assim como também o preparo do
terreno, nivelamento, estradas, alamedas, ferrovias, cercas, área de estacionamento, cais e
piers, facilidades recreacionais, paisagismos etc..
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 23

Para uma primeira estimativa, considera esse item como sendo 2% do investimento
fixo total

4.2.9 Equipamentos principais


O custo dos equipamentos principais é sem dúvida, em uma indústria química, o item de
maior importância, do qual depende, normalmente, o cálculo dos outros itens de investimento.
Os equipamentos normalmente existentes nas unidades produtivas são:

 Colunas;

 Vasos;

 Reservatórios (para produtos intermediários durante o processamento);

 Reatores;

 Trocadores de calor, condensadores e evaporadores;

 Fornos;

 Bombas;

 Compressores;

 Acionadores primários (turbinas e motores); e

 Equipamentos diversos, tais como: filtros, centrífugas, ejetores e secadores.

Conforme o item 4.3, existem vários métodos para realizar a estimativa de custo dos
equipamentos principais. A estimativa baseada em curvas de custo específicas para cada
equipamento, obtidas na literatura e em programas comerciais, é uma das mais utilizadas.
No site www.matche.com, são apresentadas estimativas de custo para diversos
equipamentos industriais; os dados são do mercado norte-americano e tomados em 2003.
Outro método de estimativa de custo muito utilizado é o que relaciona o custo de um
dado equipamento e com a sua capacidade, de acordo com a equação abaixo:

R
Custo2 Capacidade2
=
Custo1 Capacidade1

Onde, R é o fator de extrapolação e depende de cada equipamento.

Na Tabela 2, são apresentados alguns fatores R obtidos através do artigo técnico


elaborado por Donald S. Remer e Lawrence H. Chai, publicado na Chemical Engineering
Progress, em agosto de 1990.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 24

Tabela 2. Fatores “R” para estimativa de custo de equipamentos.

Equipamentos R

Absorvedor de SO2 0,60

Bombas centrífugas horizontais 0,69

Bombas centrífugas verticais 0,98

Caldeiras 0,80

Ciclones (20 – 8.000 ft³/min) 0,64

Compressores alternativos 0,75

Compressores centrífugos 0,40

Filtros de pressão 0,57

Fornos de processo 0,78

Motores 0,95

Reatores (2 – 4.000 galões) 0,74

Sopradores centrífugos 0,59

Tanques 0,52

Torres (diâmetro > 5 ft) 0,70

Torres de resfriamento 0,60

Trocadores de calor 0,55

Turbinas 0,70

Turbogeradores 0,75

Vasos de pressão vertical 0,65

Vasos de pressão horizontal 0,60

Ventiladores centrífugos 1,17


Avaliação Econômica de Projetos Industriais 25

Quando os dados disponíveis de investimento com os equipamentos principais forem


do passado, eles devem ser atualizados monetariamente por índices de inflação específicos
para equipamentos. Estes índices podem ser obtidos, por exemplo, através do site do “U.S.
Department of Labor – Bureau of Labor Statistics”, conforme o caminho de acesso a seguir:

1) www.bls.gov;

2) Data bases & Tables;

3) Commodity data;

4) One-screen;

5) Metals and metal products ou Machinery and equipment; e

6) Selecionar o equipamento desejado.

No Anexo 2, são apresentados os índices de inflação de diversos equipamentos,


obtidos através do site do “U.S. Department of Labor – Bureau of Labor Statistics”.

Após a atualização monetária, no caso de equipamentos importados ou com valor


estimado através de bancos de dados internacionais, deve-se partir do valor FOB e acrescentar
os fretes e seguros até obter o valor CIF. Com base neste valor, calculam-se os impostos,
taxas, estiva, despesas alfandegárias e outros gastos adicionais até obter o valor ex-alfândega.
A este último, acrescenta-se o transporte interno até chegar ao valor internalizado na fábrica.
Portanto, o custo de cada equipamento importado deve ser acrescido do seu custo de
internalização, multiplicando-se o custo do equipamento no exterior pelo fator de
nacionalização da época da análise do investimento. Normalmente, o valor internalizado é
cerca de 65% maior do que o custo original do equipamento.

Vale ressaltar que, ao calcular os impostos sobre a importação é necessário levar em


conta as isenções ou diminuições que se obtêm como benefícios das leis de fomento ou de
proteção industrial.

No caso de equipamentos nacionais, deverá ser levado em conta o seu custo de


aquisição ou construção, mais os custos do transporte e outros gastos adicionais até localizá-
los na fábrica.

4.2.10 Materiais de aplicação


Nesta rubrica deve constar todo o custo do material que é necessário ao processamento, mas
que não se constitui em material de processo propriamente dito. Neste tipo de estrutura, se
considera apenas o custo dos materiais em si, não levando em conta a sua instalação, o que
está todo compreendido no item “montagem industrial” (ver item 4.2.13).

Essa a abordagem não é consagrada. Há publicações que preferem colocar no custo do


material secundário a sua instalação, reservando o item “montagem industrial” apenas aos
equipamentos principais.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 26

Normalmente, o custo dos materiais secundários é representa 71 % do custo dos


equipamentos principais, conforme discriminado abaixo:

 Tubulação (46 %);

 Instrumentação (15 %);

 Materiais elétricos (7 %);

 Isolamentos (2 %); e

 Pintura (1 %).

Para investimento ISBL, são apresentados na Tabela 3 os preços brasileiros de tubos


de aço carbono 106 B, sem costura, sch 40, e de aço inoxidável 304, sem costura BW, sch
40S, em função do diâmetro, referentes à janeiro de 2001.

Tabela 3. Preços de tubos de aço.


Diâmetro (in) Preço (US$/kg)

Aço Carbono Aço Inoxidável

2 1,46 8,92

4 1,63 9,19

6 1,70 9,48

8 1,71 9,58

10 1,73 9,97

12 1,79 10,29

4.2.11 Fundações e estruturas


O serviço de fundações e estruturas também é realizado através de firma contratada que
poderá ser a mesma das obras civis, razão pela qual muitas vezes estes dois itens aparecem
juntos. Este item inclui também material e mão-de-obra, e representa cerca de 15 % do custo
dos equipamentos principais.

4.2.12 Obras civis


Compreende aqui todos os serviços de construção civil dentro das unidades produtivas, -
estaqueamento e construção de bases -, incluindo material e mão-de-obra. Normalmente, está
atividade é feita por firma contratada, estipulando-se um valor global para a totalidade dos
serviços a serem executados.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 27

Como uma primeira estimativa, pode-se considerar o custo das obras civis como 10 %
do custo dos equipamentos principais.

4.2.13 Montagem industrial


Neste item, estão compreendidos todos os serviços de posicionamento dos equipamentos
principais, incluindo seus acoplamentos, bem como as instalações dos materiais secundários,
além das atividades de supervisão, necessários para colocar os equipamentos em condições de
operação. Normalmente, esta atividade é realizada por uma firma contratada.

Inicialmente, considera-se que o custo com montagem industrial representa 47 % do


custo dos equipamentos principais, conforme discriminado abaixo:

 Instalação dos equipamentos (20 %);

 Instalação dos materiais (25 %); e

 Instalações provisórias (2 %).

Os custos de mão de obra para montagem, no Brasil, em janeiro de 2001, estão


apresentados na Tabela 4. Nestes valores estão incluídos os salários, benefícios, materiais de
consumo, ferramentas etc..

Tabela 4. Custos com mão de obra para montagem.


Itens Custos (US$/h)
Mão de obra não especializada 4 – 13
Mão de obra especializada 8 – 15
Carpinteiro 6 – 14
Eletricista 7 – 14
Encarregado 14 – 21
Engenheiro 30 – 64
Inspetor 11 – 34
Inspetor U.S. 18 – 60
Montador de andaimes 6 – 27
Soldador 8 – 16
Soldador TIG 11 – 17
Supervisor 20 – 46

4.2.14 Fretes, seguros e taxas


Este item compreende as taxas, seguros e o transporte dos equipamentos. Inicialmente,
considera-se como 5 % do custo dos equipamentos principais.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 28

4.2.15 Peças sobressalentes


Toda instalação nova deve comportar um estoque de peças sobressalentes para fazer face às
falhas mecânicas possíveis de acontecer. Este estoque pode, em alguns casos, representar um
valor importante, por exemplo, quando se prevê um desgaste rápido do material ou quando a
parcela de um determinado equipamento cuja troca necessita de um lapso de tempo
importante pode gerar conseqüências nefastas sobre a produção e por conseguinte sobre a
rentabilidade do projeto.

Nos países industrializados, o problema não é tão sério. Já para os países em


desenvolvimento, que importam grande parte dos equipamentos especiais, é preferível, muitas
vezes, prever-se um estoque importante de peças sobressalentes.

O custo com peças sobressalentes pode ser estimado de 3 a 4% do custo total dos
equipamentos principais, sendo 3% um valor típico.

4.2.16 Inventários iniciais


Quando os diversos equipamentos já estão posicionados, é necessário, para fazer funcionar a
instalação, realizar despesas complementares que incidem sobre os produtos químicos
indispensáveis à pré-operação (inibidores de corrosão, antioxidantes, antiemulsificantes,
dispersantes etc.), catalisadores, adsorventes, solventes de absorção e de extração.

Como os inventários destes produtos devem ser renovados periodicamente, eles


podem ser consideradas como bens consumíveis, ou seja, as despesas correspondentes podem
aparecer nos custos operacionais. Quando o período de reposição é longo, as despesas
efetuadas para a compra desses produtos devem ser incluídas nos investimentos.

Prevê-se, muitas vezes, por questão de segurança, a compra de duas cargas completas
de catalisadores ou de agentes de absorção, de forma a se estar preparado para uma troca
rápida, no caso de haver uma queda brusca em sua performance.

Por vezes, certas precauções devem ser tomadas para a análise dos custos relativos às
cargas iniciais. Assim, logo que uma parte dos investimentos realizados puder ser recuperado,
sob uma forma ou outra, no final de um lapso de tempo curto com relação ao período de
depreciação, é o caso de considerar-se este valor como sendo de mesma natureza que aqueles
relativos aos produtos estocados, ou seja, do capital de giro. Esta situação aparece, com os
catalisadores comportando metais nobres ou ainda com agentes de absorção de um tipo
particular ou de inventários caros de solventes especiais regenerados por campanhas.

4.2.17 Veículos, móveis e utensílios


Na própria fábrica e nos escritórios de administração e de vendas requerem-se móveis
(mesas, cadeiras, armários, arquivos etc.) e equipamentos de escritórios (computador,
telefone, telefax etc.).
Essa é uma rubrica que às vezes pode alcançar cifras significativas, mas que é
freqüentemente descuidada. Deve-se calcular de acordo com a dotação de móveis e
equipamentos de escritório, por pessoa. Paralelamente, cabe definir os gastos necessários para
compra de veículos para transporte fora da empresa.
Pode-se estimar este item como 1% do investimento fixo.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 29

4.2.18 Utilidades e sistemas auxiliares (OSBL)


Em um novo empreendimento ou ampliação de um sistema existente, pode, no local, existir
produção total ou parcial das utilidades necessárias ou não ter disponibilidade de utilidades.
Cada um destes casos deve ser examinado diferentemente.

A seguir, são listados os itens que normalmente devem ser estimados no caso da não
existência de OSBL no empreendimento:

 Captação e adução de água;

 Torres de resfriamento;

 Unidades de refrigeração;

 Tratamento de água;

 Tratamento de efluentes;

 Tocha;

 Geração de vapor;

 Geração e distribuição de energia;

 Unidades de gás inerte;

 Unidade de ar industrial;

 Unidade de ar de instrumento;

 Tancagem e armazenamento;

 Interligações;

 Oficinas de manutenção;

 Laboratórios;

 Edifícios de administração; e

 Sistemas de combates a incêndios.

Esta relação evidentemente serve como um “check list”, podendo em um determinado


projeto não existir alguns dos itens. Quando do cálculo do OSBL, deve-se levar em conta não
só os equipamentos e instalações que lhe são pertinentes, mas também, os custos com
materiais secundários e montagem.

Na maioria dos casos de avaliação de processo, em que não é necessário se ter uma
grande precisão nos resultados, tendo maior importância a comparação da economicidade dos
processos, costuma-se estimar o OSBL como um todo, através de um fator sobre o
investimento ISBL. Existem diversos índices em literatura. A aplicação desses fatores deve
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 30

ser criteriosa, olhando sempre as necessidades exigidas pelo empreendimento em pauta. A


relação entre os investimentos OSBL/ISBL, normalmente, varia de 0,3 a 0,4.

No caso de já se dispor de informações mais detalhadas sobre as necessidades de


utilidades e serviços auxiliares e desejando-se ter uma estimativa mais precisa do OSBL,
pode-se proceder como para o ISBL, ou seja, estimar-se o custo dos equipamentos, através de
cotações e curvas de custo e a partir delas calcular o custo do OSBL.

Na Tabela 5, são apresentados diversos itens que compõe o OSBL e seus respectivos
fatores de estimativa de custo em relação ao investimento fixo (RODRIGUES, 1982). É
importante lembrar que os índices dessa tabela se refere apenas aos sistemas auxiliares e
estocagem. Não se considerando portanto a geração de utilidades que se supõe existente ou
comprada de terceiros.

Tabela 5. Estimativa do investimento OSBL.


Itens % do Investimento Fixo

Edificações 10,0

Geração de vapor 3,0

Distribuição de vapor 1,0

Captação de água e torre de resfriamento 1,8

Tratamento de água 0,6

Distribuição de água 0,9

Subestação elétrica 1,5

Distribuição elétrica 1,0

Suprimento e distribuição de gás inerte 0,3

Compressão e distribuição de ar 1,0

Refrigeração (com distribuição) 2,0

Descarte de rejeitos de processo 1,1

Descarte de rejeitos sanitários 0,3

Comunicação 0,2

Estocagem de matérias-primas 1,1

Estocagem de produtos acabados 1,8

Sistema de combate a incêndio 0,7


Avaliação Econômica de Projetos Industriais 31

4.3 Despesas financeiras durante a construção

Um certo tempo, variável segundo o projeto, é decorrido entre a data de decisão de se


construir uma unidade e o momento de sua partida. O tempo de construção de uma instalação,
em um local já com infra-estrutura, funcionando com um esquema de processo simples, pode
não exceder de doze a quinze meses. Por outro lado a implantação de unidades utilizando
processos complexos, requer no mínimo 3 anos para ser concluído.

Durante este período que precede a fase de produção, é necessário desembolsar-se uma
parte importante do montante de investimentos, muitas vezes a quase totalidade, a fim de
financiar sucessivamente o ante-projeto, os estudos de implantação, os trabalhos de
construção civil, as requisições de material, a compra de equipamentos, sua montagem, etc...

O capital necessário pode vir diretamente de empréstimos, na totalidade ou em parte,


sendo o complemento oriundo dos recursos próprios da empresa que realiza o projeto ou ser
totalmente fornecida pela própria empresa. Uma vez que há empréstimos, há a necessidade de
remunerá-los, sob a forma de juros. Quando fundos próprios da empresa são imobilizados,
convêm igualmente remunerá-los sobre a base de juros fictícios, que reflete a política
financeira da empresa e seu tipo de gerência. Estas despesas dependem evidentemente do tipo
de financiamento.

Quando a empresa tiver que pagar juros ainda durante a instalação do projeto, os
pagamentos destes juros são considerados como investimentos fixos até que a empresa entre
em operação normalmente; nesse momento, passam a constituir gastos financeiros que afetam
a conta de custos operacionais.

Em certos casos, justifica-se incluir nessa rubrica não somente os juros dos
empréstimos, mas também a receita pré-operacional, obtida por aplicações temporais na rede
bancária com recursos do capital próprio.

A estimativa das despesas durante a construção devido aos financiamentos (juros,


comissões, avais, imposto de renda sobre remessa de juros, custos de captação de incentivos
fiscais e eventuais amortizações) dependem evidentemente do total a ser financiado, bem
como da forma do financiamento. Há necessidade também de se saber de antemão qual a
previsão de saque durante a construção para se poder estimar estes gastos.

Em uma primeira aproximação, pode-se estimar esse item como 7 a 10% do


investimento fixo.

Normalmente, se tem um prazo de carência para o início das amortizações, fazendo


com que elas só comecem após a partida.

4.4 Capital de giro

O capital de giro é o capital próprio adicional necessário para a operação do equipamento ou


da nova fábrica, sendo constituído principalmente pelo estoque de matérias-primas e
componentes, e os recursos necessários para sustentar as vendas a prazo.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 32

De um certo ponto de vista, o capital de giro é um investimento mais “fixo” que o


próprio capital fixo e por isso merece uma análise mais cuidadosa para a estimativa. O capital
de giro não é depreciável durante a vida útil do projeto, nem é dedutível como despesa no
cálculo do imposto de renda; porém, tem liquidez e é conversível em caixa no fim do
empreendimento. Por não ser depreciável, o capital de giro deve ser mantido durante toda a
vida útil do empreendimento.

Na análise econômica do investimento proposto, considera-se capital de giro como as


reservas que, junto com o investimento fixo, contribuem para o projeto, devendo possibilitar à
indústria a operação e o pagamento das suas obrigações. O capital de giro não é um
investimento único, determinado desde o início do projeto, mas varia com o nível das vendas
e com outros fatores. Para o final do horizonte de análise, estima-se um valor residual para o
investimento fixo, e considera-se integralmente o capital de giro próprio.

As despesas de pré-operação não devem ser confundidas com o capital de giro, pois,
ao contrário, os gastos de pré-operação podem ser imediatamente debitados como uma
despesa a amortizar.

Deve-se elaborar o cálculo do capital de giro se realmente o mesmo for necessário


para o projeto em avaliação (são os casos de significativos aumento de produção ou vendas).
Devem-se considerar apenas o incremento de receita ou custo envolvido para o cálculo do
capital de giro e as quantidades adicionais de insumos, matérias-primas e produtos, devido a
implantação do projeto.

O estoque é o elemento de avaliação mais fácil entre os que compõem o capital de


giro. Consideram-se os estoques de matérias-primas, de produtos em elaboração e de produtos
acabados. A necessidade de estocagem dos insumos em estoque normal (cargas, produtos
químicos diversos, catalisadores operando em fase homogênea e solventes) é função da
facilidade de obtenção das matérias-primas e da confiabilidade dos prazos de entrega
negociados. Como regra geral, deve-se adotar 5 dias para fornecimento local, 15 dias para
combustível, 30 dias para produtos nacionais, 90 dias para produtos importados e 120 a 180
no caso de catalisador ou produto estratégicos ou de difícil reposição.

A estimativa do estoque de produtos acabados no capital de giro da empresa


dependerá da sazonalidade das vendas, da freqüência da compra dos principais clientes, da
existência de exportações e da política da empresa. Como regra, considera-se de 20 a 30 dias
para mercado interno e 45 dias para exportação.

Já para o estoque de produtos em elaboração, ou seja, em circulação nas unidades, nas


diversas etapas de processamento, considera-se o custo variável total de um dia de produção.

O estoque de peças de reposição representa cerca de 2% do custo dos equipamentos


principais adicionados.

As contas a pagar representam mercadorias, serviços etc. que, apesar de ainda não
pagos, estão à disposição do uso na empresa. Dependendo da distribuição dos dias de
pagamento dos funcionários, a maioria das empresas tem um acúmulo considerável de contas
a pagar. O pagamento de utilidades também é posterior ao seu uso e também deve ser
considerado fonte de reservas. À medida que os lucros se acumulam, o capital produzido
pelos impostos a pagar reduz freqüentemente o capital de giro.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 33

A caixa é o fator de equilíbrio nas transações de qualquer empresa. A partir do


momento em que a empresa tenha alcançado níveis estáveis de rentabilidade, o dinheiro de
caixa pode ser suprimido pelas operações. A caixa é necessária para cuidar da falta de
uniformidade do ciclo mensal ou sazonal. A caixa em excesso constitui um capital ocioso e
parado. O equilíbrio mínimo de caixa deve ser suficiente para cobrir variações previsíveis, e
também ocasionais, entre a receita e o desembolso. Estima-se como sendo igual ao custo total
(custos fixos e variáveis) durante 10 dias de produção.

Para financiamento de vendas a prazo, é tradicional a indústria química considerar 30


dias, e para vendas a vista, 3 a 5 dias. Como regra, adota-se 20 dias em média.

Já a parcela dos créditos a fornecedores no capital de giro pode ser calculada como 30
dias de custo variável total e os descontos de duplicatas como 20% do faturamento de um mês
ao preço de venda.

Outro item importante é o crédito de impostos, que é a diferença entre o ICMS


creditado na compra de matéria-prima e o devido na venda do produto final. Há um prazo de
15 dias para o pagamento dessa diferença, que pode ser creditada nesse período de tempo.

Portanto, a necessidade de capital de giro é o somatório de todas as parcelas descritas


acima, subtraindo do crédito de fornecedores, dos descontos de duplicatas e do crédito de
impostos.

Para uma estimativa inicial, a literatura especializada recomenda que o capital de giro
seja de 10 a 20% do investimento fixo ou 15 dias da receita líquida anual.

4.5 Investimento total

Na Tabela 6, são apresentados os critérios normalmente utilizados para a estimativa do


investimento total de um empreendimento industrial, que foram detalhados nos itens
anteriores.

Tabela 6. Critérios para estimativa de investimento total.


Nº Itens Critérios
1.0 Investimento indireto 1.1 + ... + 1.8
1.1 Estudos de viabilidade variável
1.2 Gerenciamento do empreendimento 4 a 6% do item 3.0
1.3 “Know-how” 5 a 7% do item 2.1
1.4 Projeto básico 3% do item 2.1
1.5 Projeto de detalhamento 6% do item 2.0
1.6 Serviços de procura, inspeção e diligenciamento 3% do item 2.1
1.7 Pré-operação 1% do item 2.0
1.8 Contingências 10 a 20% do item 2.0
2.0 Investimento direto 2.1 + 2.2
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 34

Tabela 6. Critérios para estimativa de investimento total (continuação).


Nº Itens Critérios
2.1 Investimento ISBL 2.1.1 + ... + 2.1.9
2.1.1 Terreno e melhorias 2% do item 3.0
2.1.2 Equipamentos principais 2.1.2.1 + ... + 2.1.2.15
2.1.2.1 Bombas variável
2.1.2.2 Colunas variável
2.1.2.3 Compressores variável
2.1.2.4 Ejetores variável
2.1.2.5 Filtros variável
2.1.2.6 Fornos variável
2.1.2.7 Motores variável
2.1.2.8 Reatores variável
2.1.2.9 Tanques variável
2.1.2.10 Trocadores de calor variável
2.1.2.11 Turbinas variável
2.1.2.12 Vasos variável
2.1.2.13 Outros variável
2.1.3 Materiais de aplicação 2.1.3.1 + ... + 2.1.3.5
2.1.3.1 Tubulação 46% do item 2.1.2
2.1.3.2 Instrumentação 15% do item 2.1.2
2.1.3.3 Materiais elétricos 7% do item 2.1.2
2.1.3.4 Isolamentos 2% do item 2.1.2
2.1.3.5 Pintura 1% do item 2.1.2
2.1.4 Fundações e estruturas 15% do item 2.1.2
2.1.5 Obras civis 10% do item 2.1.2
2.1.6 Montagem industrial 2.1.6.1 + ... + 2.1.6.3
2.1.6.1 Instalação dos equipamentos 20% do item 2.1.2
2.1.6.2 Instalação dos materiais 25% do item 2.1.2
2.1.6.3 Instalações provisórias 2% do item 2.1.2
2.1.7 Fretes, seguros e taxas 5% do item 2.1.2
2.1.8 Peças sobressalentes 3 a 4% do item 2.1.2
2.1.9 Inventários iniciais 2.1.9.1 + ... + 2.1.9.8
2.1.9.1 Catalisadores variável
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 35

Tabela 6. Critérios para estimativa de investimento total (continuação).


Nº Itens Critérios
2.1.9.2 Adsorventes variável
2.1.9.3 Solventes de absorção variável
2.1.9.4 Solventes de extração variável
2.1.9.5 Inibidores de corrosão variável
2.1.9.6 Dispersantes variável
2.1.9.7 Antioxidantes variável
2.1.9.8 Antiemulsificantes variável
2.1.9.9 Outros variável
2.1.10 Veículos, móveis e utensílios 1% do item 3.0
2.2 Investimento OSBL 2.2.1 + ... + 2.2.17 (a)
2.2.1 Unidade de captação e adução de água variável
2.2.2 Unidade de tratamento de água variável
2.2.3 Torres de resfriamento variável
2.2.4 Sistema de geração de vapor variável
2.2.5 Sistema de geração de energia elétrica variável
2.2.6 Unidade de ar industrial variável
2.2.7 Unidade de ar instrumento variável
2.2.8 Unidade de gás inerte variável
2.2.9 Unidade de refrigeração variável
2.2.10 Sistemas de distribuição de utilidades variável
2.2.11 Tochas variável
2.2.12 Parque de tancagem variável
2.2.13 Unidade de tratamento de efluentes líquidos variável
2.2.14 Oficinas de manutenção variável
2.2.15 Laboratórios variável
2.2.16 Sistemas de combate a incêndios variável
2.2.17 Edifícios de administração variável
3.0 Investimento fixo 1.0 + 2.0
4.0 Despesas financeiras durante a construção 7 a 10% do item 3.0
5.0 Capital de giro 10 a 20% do item 3.0 (b)
6.0 Investimento total 3.0 + 4.0 + 5.0
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 36

(a): Como primeira estimativa do investimento OSBL, pode-se considerar como 30 a 40% do
investimento ISBL (item 2.1);

(b): Para uma estimativa mais precisa do capital de giro, deve-se considerar os estoques de
matérias-primas, produtos em elaboração, produtos acabados e peças de reposição, contas
a pagar, caixa mínimo, financiamento de vendas a prazo, créditos a fornecedores e
créditos de impostos.

4.6 Métodos de estimativa de investimento

4.6.1 Métodos de avaliação global

Inicialmente, serão apresentados os métodos de avaliação global de investimento. Nestes


métodos, os investimentos são supostos e conhecidos pelo menos para uma instalação de
referência, que pode ser uma unidade completa ou somente um elemento da unidade.

O principal método de avaliação global é o Método do Fator de Extrapolação


(“Scaling Factor” ou “Six Tenth Factor”), que se baseia no fato de que os investimentos de
duas unidades utilizando processos idênticos, mas possuindo capacidades de produção
diferentes, são dados por uma expressão da forma:
R
Investimento2 Capacidade2
=
Investimento1 Capacidade1

Onde, R é o fator de extrapolação.

O emprego do fator R foi recomendado inicialmente para a extrapolação dos custos de


diversas categorias de equipamento. Sua utilização para as próprias unidades só foi adotada
um pouco mais tarde. Antes de aplicar a relação acima, é conveniente verificar se o esquema
de instalação, de que se procura determinar o montante dos investimentos, é o mesmo que o
da unidade de referência.

O fator R é também chamado fator 0,6 (nome que representa o seu valor médio); a
experiência mostra, com efeito, que para muitas unidades ele está compreendido entre 0,5 e
0,7.

Ele pode ser determinado, quando se conhece os investimentos de um mesmo esquema


de processamento para duas capacidades diferentes, construindo sobre um gráfico de dupla
escala logarítmica, a reta que representa a variação dos investimentos em função da
capacidade. A inclinação dessa reta é igual ao fator R de extrapolação.

Assim, a partir do fator de extrapolação R, obtido através da literatura, e dos dados


relativos a uma unidade de referência, é possível calcular-se rapidamente o montante de
investimentos de uma unidade de capacidade diferente. A sua utilização é muito útil, dentro
de certos limites que podem estar ligados:

 à imprecisão do valor do expoente utilizado;


Avaliação Econômica de Projetos Industriais 37

 à incerteza sobre a extensão do domínio de validade deste expoente; e

 à indeterminação do montante dos investimentos da unidade de referência, para os


quais se desejaria dispor de informações precisas (base de cálculos, esquema de
processamento etc.).

Existem outros métodos de avaliação global, de menor importância se comparados ao


do fator de extrapolação. Dentre estes tem-se:

 Investimento por capacidade unitária de produção: são apresentadas na literatura


tabelas de investimento por capacidade instalada. Evidentemente, os valores se
aplicam dentro de determinada faixa e são válidos para determinada época;

 Gráficos: relacionam o investimento com a capacidade de produção;

 “Turnovers Ratio”: relação entre o faturamento anual e o investimento. A literatura


apresenta tabelas do “Turnovers Ratio” (T) para diversos produtos. Assim, sendo:

T = C x P/I

Onde:

C = capacidade (t/a);

P = preço de venda do produto (US$/t); e

I = investimento (US$).

Pode-se então, conhecendo-se o “turnover Ratio” (T) e o preço de venda do produto


(P), determinar o investimento (I), para uma determinada capacidade (C).

4.6.2 Métodos de fatores multiplicativos constantes

Nestes métodos, o investimento de uma unidade em implantação é obtido multiplicando o


custo dos diversos equipamentos que constituem o que se convenciona chamar “equipamentos
principais” por um coeficiente médio constante. O custo dos equipamentos principais,
necessário aos procedimentos de cálculo, é determinado a partir das características principais
de cada equipamento (dimensões dos vasos, coluna e reatores; potência das bombas e
compressores, área dos trocadores de calor etc.).

O preço é obtido a partir de publicações, cotações de fabricantes e de dados


conhecidos em empreendimentos anteriores.

Nos cálculos de rentabilidade, este método traz, em confronto com os precedentes,


uma precisão maior que provem de uma melhor determinação dos investimentos.

4.6.3 Métodos de fatores multiplicativos variáveis

Quando da utilização de tecnologias ou materiais especiais, o custo dos equipamentos


principais pode ficar anormalmente alto ou baixo, fora da média
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 38

Nos métodos que utilizam fatores multiplicativos variáveis, as situações são avaliadas
proporcionalmente em relação aos equipamentos principais, escolhendo entre diversos
valores, expressos em percentagem, aquele que corresponde melhor o processo utilizado.

Por exemplo, o custo de tubulação pode variar entre 52 a 125% do custo dos
equipamentos principais, conforme tratar-se de uma tecnologia simples com poucas linhas de
transferência, ou de um processo com grandes quantidades de tubulação de grandes
diâmetros, ou ainda uma unidade operando sob pressão elevada, ou comportando muitas
linhas em aços especiais.

4.6.4 Métodos que consideram o caráter individual de cada projeto

Uma análise crítica da estrutura dos investimentos permite determinar as diversas causas
responsáveis pela imprecisão dos métodos utilizando os fatores multiplicativos constantes ou
variáveis. Esses fatores são diferentes de uma unidade para outra, como por exemplo:

 Quando se emprega equipamentos operando sob alta pressão, a parte dos


equipamentos principais no total dos investimentos é mais importante quando
comparado ao processo à baixa pressão;

 Quando a capacidade da unidade aumenta, os custos dos investimentos para o


material secundário, a montagem, as obras civis, não cresce proporcionalmente ao
montante dos equipamentos, ele sofre um certo decréscimo relativo. Com efeito
todas as despesas não crescem da mesma maneira que a capacidade, umas
praticamente não variam (instrumentação, tubulação etc.), outras pouco mudam
(obras civis, instalações elétricas etc.). Em conseqüência, o fator multiplicativo
deve diminuir com o porte das instalações;

 Quando a pressão cresce, o custo dos equipamentos principais aumenta ao mesmo


tempo em que certos outros itens não são alterados ou são pouco (instrumentação,
distribuição elétrica, isolamento térmico etc.). Por conseqüência, uma pressão mais
elevada provoca uma diminuição dos fatores multiplicativos; e

 A presença de produtos corrosivos necessita a utilização de materiais especiais,


seja para os próprios equipamentos, seja sob a forma de revestimento interno de
certos equipamentos. Como resultado, o valor absoluto do custo dos equipamentos
principais é aumentado. Como os equipamentos secundários não são alterados, os
fatores multiplicativos deve normalmente ser menor para este tipo de instalação.

Existem vários métodos que consideram essas situações no cálculo da estimativa do


investimento. Todos eles fazem correções dos fatores multiplicativos de acordo com a
estrutura dos equipamentos principais, capacidade da unidade, pressão de operação e natureza
do material empregado.

4.6.5 Precisão dos métodos

A acumulação de dados detalhados de custos não asseguram, por si só, uma elevada precisão
das estimativas. Mesmo as propostas de firmas de projeto, baseadas em plantas e
especificações completas, mostram variações entre máximos e mínimos que vão até 30%.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 39

Conforme PERRY e CHILTON (1980), para todos os fins práticos, existem cinco
tipos de orçamento, úteis na avaliação dos custos de capital fixo em uma indústria. O primeiro
é o orçamento de ordem de grandeza, é apenas uma regra prática, aplicável somente a
instalações repetitivas de uma mesma indústria. Permite previsões com erros de –40% a
+40%.
As informações necessárias para esse tipo de estimativa são:
 Produto;
 Capacidade;
 Localização;
 Exigências de utilidades e serviços;
 Exigências de edifícios e instalações auxiliares; e
 Transporte e armazenamento de matérias-primas e produtos acabados.
O orçamento preliminar é adotado para avaliar a viabilidade econômica do projeto
antes de se empatarem fundos significativos em trabalhos prévios, estudos de mercado,
levantamento de terreno e aquisições. Pode ter um erro de – 30% a +30%, mas pode ser
preparado a custo relativamente baixo.
As informações para a elaboração do orçamento preliminar são:
 Localização;
 Fluxogramas de processo simplificados;
 Dimensionamento preliminar e especificações de materiais de equipamentos;
 Dimensões aproximadas e tipo de construção das edificações e estruturas;
 Quantidades aproximadas de utilidades;
 Fluxogramas preliminares e especificações de tubulações; e
 Lista e dimensões preliminares de motores elétricos.
O orçamento-programa tem um erro nominal de – 20% a + 20%, mas precisa de
informações mais detalhadas que a estimativa preliminar, que são apresentadas a seguir:
 Localização;
 Descrição geral do local;
 Qualidade do solo e carga suportável;
 Localização e dimensões de ferrovias, estradas e cercas;
 Fluxogramas de processo preliminar;
 Dimensionamento preliminar e especificações de materiais de equipamentos;
 Descrição geral preliminar de equipamentos;
 Dimensões aproximadas e tipo de construção das edificações e estruturas;
 Planos das fundações;
 Arquitetura das edificações;
 Projeto preliminar das estruturas;
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 40

 Balanço térmico preliminar;


 Fluxogramas preliminares dos sistemas de utilidades;
 Fluxogramas preliminares e especificações de tubulações;
 Especificações simplificadas de isolamento;
 Lista preliminar de instrumentos;
 Lista e dimensões preliminares de motores elétricos;
 Especificações de subestações; e
 Especificações preliminares de iluminação
O orçamento de controle do projeto é mais preciso do que os anteriores e leva a
resultados com erro da ordem de – 10% a + 10%. As informações necessárias para a
estimativa são:
 Localização;
 Descrição geral do local;
 Qualidade do solo e carga suportável;
 Localização e dimensões de ferrovias, estradas e cercas;
 Planta topográfica e mapa;
 Fluxogramas de processo cotados;
 Especificações de equipamentos cotadas;
 Plantas de vasos;
 Descrição geral preliminar de equipamentos;
 Planos das fundações;
 Arquitetura das edificações;
 Disposição geral e elevações das edificações;
 Balanço térmico detalhado;
 Fluxogramas dos sistemas de utilidades cotados;
 Fluxogramas de tubulações cotados;
 Lista preliminar de equipamentos e tubulações a serem isoladas;
 Especificações e modelos de isolamento;
 Lista e fluxograma detalhados de instrumentos;
 Lista e dimensões detalhadas de motores elétricos;
 Especificações de subestações;
 Especificações preliminares da fiação de controle e de instrumentos; e
 Circuitos cotados (luz e força).
Finalmente, o orçamento detalhado exige plantas completas, especificações e
levantamento de terreno. O tempo disponível raramente permite a preparação de uma destas
estimativas antes da luz verde para a realização efetiva do projeto. Por ser bastante detalhado,
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 41

esse tipo de estimativa possui um erro reduzido, varia de – 5% a + 5%. As informações


completas para realizar a estimativa detalhada são:
 Localização;
 Descrição geral do local;
 Qualidade do solo e carga suportável;
 Localização e dimensões de ferrovias, estradas e cercas;
 Planta topográfica e mapa;
 Instalações desenvolvidas no local;
 Fluxogramas de processo cotados;
 Especificações de equipamentos cotadas;
 Plantas de vasos;
 Descrição geral detalhada de equipamentos;
 Arquitetura das edificações;
 Disposição geral e elevações das edificações;
 Plantas detalhadas das edificações;
 Balanço térmico detalhado;
 Fluxogramas dos sistemas de utilidades cotados;
 Plantas detalhadas dos sistemas de utilidades;
 Fluxogramas de tubulações cotados;
 Assentamento das tubulações e esquemas de montagem;
 Especificações e modelos de isolamento;
 Plantas detalhadas e especificações de isolamento;
 Lista e fluxograma detalhados de instrumentos;
 Plantas detalhadas de instrumentação;
 Lista e dimensões detalhadas de motores elétricos;
 Especificações de subestações;
 Especificações da distribuição de energia elétrica;
 Circuitos cotados (luz e força); e
 Plantas detalhadas do sistema elétrico.
Os limites de erro aparecem como envoltórias da variabilidade, sendo implícito que os
resultados variáveis dependem das informações disponíveis. Há maior probabilidade de o
custo real ser maior do que o custo estimado quando as informações são incompletas. Nestes
casos, o afastamento positivo tem tendência a ser maior que o afastamento negativo, por
exemplo, + 40% e – 20%, em uma estimativa preliminar. Além disto, com a tendência à
elevação contínua dos preços, as variações positivas tendem a ser maiores que as negativas.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 42

4.7 Exercícios resolvidos

4. ESTIMATIVA DE CUSTOS OPERACIONAIS

5.1 Introdução
Os custos operacionais eqüivalem ao total dos recursos necessários para comprar e pagar os
diversos componentes do processo de produção e vendas da empresa durante um certo
período, em geral um ano.

Os custos operacionais normalmente são subdivididos em custos de produção e


despesas gerais. Os custos de produção são aqueles que ocorrem até a fabricação do produto e
as despesas gerais do término da fabricação até a complementação da venda.

Os custos de produção, por sua vez, são subdivididos em custos diretos e indiretos. Os
custos diretos referem-se aos fatores diretamente utilizados na fabricação dos produtos e
variam normalmente de forma direta com a utilização da capacidade de produção. Os
principais são os seguintes:

 Matérias-primas;

 Embalagens;

 Materiais auxiliares necessários à fabricação, mas não incorporados ao produto


final, tais como graxas, lubrificantes ou solventes;

 Fretes;

 Mão-de-obra direta, mão-de-obra que lida com o produto ou opera equipamentos


de fabricação, incluindo aí os encargos sociais (Previdência, Fundo de Garantia,
13º salário e outros encargos, totalizando um percentual acima de 60% do total do
salário, no caso brasileiro);

 Consumo de energia elétrica;

 Água industrial (água de processo e água de resfriamento); e

 Combustível.

Os custos indiretos normalmente não variam proporcionalmente à produção e podem


até ser considerados como fixos em certos casos. Os principais são os seguintes:

 Mão-de-obra indireta: salários e encargos sociais do pessoal de unidades de apoio


(manutenção, laboratórios, almoxarifado, limpeza, administração da produção) e
chefes de produção;

 Manutenção: peças de reposição e outros materiais;


Avaliação Econômica de Projetos Industriais 43

 Prêmios de seguro de prédios, instalações e equipamentos industriais. Essas


parcelas compreende o pagamento das apólices anuais que devem ser feitas, a fim
de cobrir riscos de deterioração acidentais ou perdas das instalações fixas e dos
estoques do capital de trabalho. As tarifas variam de acordo com a natureza dos
edifícios e equipamentos, e portanto, o cálculo pode ser feito com base na lista de
taxas habituais para o tipo de matéria-prima, veículos e instalações proporcionados
pelas companhias de seguros;

 Demanda de energia elétrica: custo fixo cobrado em função da potência instalada.


Normalmente é estimado multiplicando-se a potência instalada (kW) por um fator
de demanda (FD) e pela taxa do kW instalado. O fator de demanda é aplicado visto
a potência instalada normalmente ser superdimensionada para as necessidades da
fábrica. O FD normalmente varia entre 0,70 e 0,95, dependendo do tipo de
indústria; e

 Despesas de aluguel ou arrendamento de prédios ou equipamentos industriais.

As despesas gerais são classificadas em variáveis e fixas, e incidem após o produto ter
sido fabricado. As despesas gerais variáveis são:

 Impostos: normalmente são os impostos estaduais (imposto referente à circulação


de mercadorias, serviços e transportes – ICMS) incidentes sobre as receitas. Os
impostos federais (IPI – imposto sobre produtos industrializados) também incidem
sobre as receitas. É importante observar que alguns impostos, pagos de forma
embutida nas compras de matérias-primas, devem ser abatidos dos impostos sobre
as vendas;

 Despesas com vendas, como comissão dos vendedores, gastos de distribuição,


gastos de propaganda etc.; e

 Despesas financeiras operacionais: despesas com desconto de duplicatas em


bancos comerciais (apenas de curto prazo).

As despesas gerais fixas são:

 Despesas administrativas, como salários de diretores, gerentes e pessoal de


escritório e encargos, mais as despesas de escritório como telefone, fotocópia,
papéis e outros materiais; e

 Despesas municipais: imposto territorial, predial e taxas diversas.

Além dos custos de produção e das despesas gerais, que totalizam os custos
operacionais, ocorrem ainda outras despesas e desembolsos que devem ser considerados,
dependendo do tipo de análise.

Depreciação contábil: a legislação fiscal permite que, para efeito de abatimento no


imposto de renda, possa ser lançada a depreciação de ativos fixos como despesa. Porém, não
ocorre desembolso. Despesas com projetos, outras despesas pré-operacionais podem ser
amortizadas.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 44

Despesas financeiras de operações de médio e longo prazo: os juros de


financiamentos para ativo imobilizado ou capital de giro constituem despesas a serem
consideradas para efeito de abatimento no imposto de renda.

Amortização de financiamentos: igualmente aos juros, o principal deve ser


amortizado. Porém, amortização é um desembolso mas não é despesa e, portanto, não é
dedutível do imposto de renda.

Imposto de renda: após apurado o lucro, ocorre a incidência do imposto de renda. É


bom lembrar que normalmente decorre um prazo médio de um ano entre o resultado obtido e
o recolhimento do imposto.

Saber quais os custos são variáveis e quais são fixos depende do prazo com o qual está
se lidando. A curto prazo – um ou dois meses -, a maioria dos custos é fixa. Isto ocorre
porque, em tal prazo, uma empresa é obrigada a receber e pagar pela entrega de matérias-
primas e não pode dispensar temporariamente seus trabalhadores. Por outro lado, a longo
prazo – dois ou três anos -, a maioria dos custos é variável. A longo prazo, se a empresa
deseja reduzir sua produção, pode reduzir sua força de trabalho, comprar menos matérias-
primas e talvez até vender parte do seu capital.

5.2 Custos variáveis


Os custos que normalmente são considerados variáveis com a produção na indústria química
são os custos de aquisição de matérias-primas, combustíveis, produtos químicos diversos e
utilidades industriais.

Na Tabela 7, são mostrados alguns dos principais itens dos custos variáveis que
aparecem na indústria química, levantados em agosto de 2003.

Tabela 7. Custos variáveis da indústria química.


Itens Discriminação Unidade Preço

Combustíveis Gás natural (PCI = 11.400 kcal/kg) R$/t 488,00

Óleo combustível 1A (9.500 kcal/kg) R$/t 697,00

Produtos Químicos MEA US$/kg 1,80

MEG R$/kg 3,26

DEG R$/kg 3,83

Utilidades Industriais Água clarificada R$/m³ 0,80

Água desmineralizada R$/m³ 2,30

Energia elétrica US$/MWh 12 a 33

Vapor US$/t 11 a 14

Ar de instrumento R$/Nm³ 0,06


Avaliação Econômica de Projetos Industriais 45

Ar de serviço R$/Nm³ 0,05

5.3 Custos fixos


Para uma primeira estimativa dos custos fixos de uma unidade industrial instalada no Brasil,
os critérios apresentados na Tabela 8 são considerados.

Em termos globais, o custo de manutenção atinge cerca de 2 a 6% do investimento


fixo, segundo a complexidade do processo, a existência de materiais especiais e a idade da
planta. De uma forma geral, sugere-se a utilização de 2% do investimento fixo, para unidade
industrial nova, sendo 50% mão de obra e 50% materiais.

As despesas gerais e administração da planta incluem os salários e despesas da


diretoria e equipe, contabilidade geral, escritório, auditores, serviços legais e patentes e os
serviços financeiros. Não há consenso a respeito do índice que deve ser utilizado, sendo que
na maioria das vezes ele é desconsiderado.

Tabela 8. Critérios para estimativa de custos fixos.

Itens Critérios

1. Mão de obra de operação US$ 2.000/mês (incluindo os encargos sociais)

2. Mão de obra de manutenção 1% do investimento fixo/ano

3. Mão de obra de laboratório 15% do item 1

4. Materiais de manutenção 1% do investimento fixo/ano

5. Materiais de laboratório 3% do item 4

6. Depreciação Depende do valor do investimento

7. Despesas financeiras (juros) Depende do contrato de financiamento

8. Seguros e taxas 0,5% do investimento fixo/ano

9. Despesas gerais e administração da planta 80% dos itens 1, 2 e 3

10. Custo de comercialização 2 a 10% do faturamento


Avaliação Econômica de Projetos Industriais 46

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1) BUARQUE, C. Avaliação Econômica de Projetos. Editora Campus Ltda., 1ª
Edição, Rio de Janeiro, 1984;

2) CHEMICAL ENGINEERING MAGAZINE. Modern Cost Engineering:


Methods and Data. Chemical Engineering McGraw-Hill Pub. Co., New York,
1979;

3) CONJUNTURA ECONÔMICA. Fundação Getúlio Vargas, Vol. 55, Nº 7, Rio


de Janeiro, Julho de 2001;

4) CONJUNTURA ECONÔMICA. Fundação Getúlio Vargas, Vol. 56, Nº 5, Rio


de Janeiro, Maio de 2002;

5) CONJUNTURA ECONÔMICA. Fundação Getúlio Vargas, Vol. 56, Nº 9, Rio


de Janeiro, Setembro de 2002;

6) CONJUNTURA ECONÔMICA. Fundação Getúlio Vargas, Vol. 57, Nº 2, Rio


de Janeiro, Fevereiro de 2003;

7) CONJUNTURA ECONÔMICA. Fundação Getúlio Vargas, Vol. 57, Nº 4, Rio


de Janeiro, Abril de 2003;

8) ERVEN,R.V. Estimativa de Investimento e Controle Orçamentário de um


Projeto. Apostila do Curso de Especialização em Engenharia de Processamento
Petroquímico, Convênio Petrobras-UFBA, 1982;

9) FILHO, N.C.; KOPITTKE, B.H. Análise de Investimentos. Editora Atlas S.A., 9ª


Edição, São Paulo, 2003;

10) HIRSCHFELD, H. Engenharia Econômica e Análise de Custos. Editora Atlas


S.A., 7ª Edição, São Paulo, 2000;

11) HOLANDA, N. Planejamento e Projetos. APEC Editora S.A., 2ª Edição, Rio de


Janeiro, 1975;

12) NETO, A.A. Matemática Financeira e suas Aplicações. Editora Atlas S.A., 6ª
Edição, São Paulo, 2001;

13) NEWNAN, D.G.; LAVELLE, J.P. Fundamentos de Engenharia Econômica.


Livros Técnicos e Científicos Editora S.A., 1ª Edição, Rio de Janeiro, 2000.

14) PERRY, R.H.; CHILTON, C.H. Manual de Engenharia Química. Editora


Guanabara Dois S.A., 5ª Edição, 1980;

15) PETERS, M.S., TIMMERHAUS, K.D. e WEST, R.E., Plant Design and
Economics for Chemical Engineers, Mc Graw Hill, 5ª Edição, 2003;
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 47

16) PINDYCK, R.S.; RUBINFELD, D.L. Microeconomia. Prentice Hall, 5ª Edição,


São Paulo, 2002;

17) QUÍMICA & DERIVADOS. Editora QD Ltda., Ano XXXVII, Nº 403, Abril de
2002;

18) QUÍMICA & DERIVADOS. Editora QD Ltda., Ano XXXVII, Nº 404, Maio de
2002;

19) RODRIGUES, R.A. Avaliação Econômica de Projetos. Apostila do Curso de


Especialização em Engenharia de Processamento Petroquímico, Convênio
Petrobras-UFBA, 1982;

20) SMITH,C.C. Improved Project Definition Ensures Value – Added Performance


– Part 1. Hydrocarbon Processing, pp.95-99, August 2000;

21) SMITH,C.C. Improved Project Definition Ensures Value – Added Performance


– Part 2. Hydrocarbon Processing, pp.99-104, September 2000;

22) TURDERA,M.V. Questões Ambientais Relacionadas ao Uso de Energia.


Seqüestro e Captura de Dióxido de Carbono. Gás Brasil, Ano III, Nº 03, pp. 63-
66, www.gasbrasil.com.br, 2002;

23) U.S. DEPARTMENT OF LABOR – BUREAU OF LABOR STATISTICS.


www.bls.gov; e

24) VASCONCELLOS, M.A.S.; GARCIA, M.E. Fundamentos de Economia.


Editora Sariava, 1ª Edição, São Paulo, 2001.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 48

ANEXOS
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 49

ANEXO 1 - Fórmulas dos Fatores das Tabelas Financeiras

Tipo Problema Notação Fórmula


Internacional
Valor futuro Achar F dado P (F/P;i;n) F = P(1 + i)n

Valor presente Achar P dado F (P/F;i;n) P= F


(1 + i)n
Valor futuro de uma série Achar F dado A (F/A;i;n) F=A (1 + i)n – 1
i
Valor presente de uma série Achar P dado A (P/A;i;n) P=A (1 + i)n – 1
i (1 + i)n
Fundo de amortização Achar A dado F (A/F;i;n) A=F i
(1 + i)n - 1
Recuperação do capital Achar A dado P (A/P;i;n) A=P i (1 + i)n
(1 + i)n – 1
Série uniforme do gradiente Achar A dado G (A/G;i;n) A=G 1 – n
aritmético i (1 + i)n - 1
Valor presente do gradiente Achar P dado G (P/G;i;n) P=G (1 + i)n – in – 1
aritmético i² (1 + i)n

Onde,
 F é o montante que deverá ser devolvido ao cabo de n períodos;
 P é o principal ou capital na data de hoje;
 i é a taxa de juros;
 n é o número de períodos de juros;
 A é uma série uniforme de pagamentos (ou recebimentos) que inicia no período 1 e
termina no período n; e
 G é uma série gradiente de pagamentos G, 2G, ... (n-1)G, que inicia no período 2 e
termina no período n.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 50

ANEXO 2 - Índices de Inflação de Equipamentos

Series Id: WPU114102


Not Seasonally Adjusted
Group: Machinery and equipment
Item: Industrial pumps
Base Date: 8200

Year Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec Annual

1998 158.7 158.8 158.8 159.0 159.0 159.0 159.4 159.5 159.5 159.7 160.4 159.8 159.3

1999 161.0 160.4 161.2 161.3 160.4 161.1 161.8 161.4 161.3 163.2 161.6 162.0 161.4

2000 161.9 162.4 164.2 163.6 164.8 163.3 163.7 164.0 164.7 163.8 164.9 164.6 163.8

2001 165.4 164.8 165.5 165.5 166.2 165.7 170.5 170.5 170.9 171.0 171.4 171.4 168.2

2002 171.9 172.3 172.1 172.7 172.4 172.3 172.4 172.1 172.9 172.7 172.7 172.2 172.4

2003 173.4 173.3 174.0 174.6 174.0 174.0 174.5 174.3 174.3 174.9 175.0 174.4 174.2

2004 176.3 176.0 176.6 177.7 178.8 178.7 179.6 180.5 180.9 181.5 182.3 182.0 179.2

2005 185.2 185.5 187.5 188.7 188.7 188.5 188.5 188.3 189.7 189.8 190.1 190.8 188.4

2006 191.9 193.4 194.7 195.0 196.4 197.0 197.7 198.0 198.0 198.2 200.3 201.2 196.8

2007 202.5 205.1 206.9 208.6 209.6 209.6 209.9 210.4 210.4 212.5(P) 212.4(P) 211.6(P) 209.1(P)

2008 215.4(P)

P : Preliminary. All indexes are subject to revision four months after original publication.

Series Id: WPU11411501


Not Seasonally Adjusted
Group: Machinery and equipment
Item: Air & gas compressors and vacuum pumps
Base Date: 0506

Year Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec Annual

2005 100.0 100.2 101.5 101.5 101.5 102.2 102.9

2006 103.0 103.3 103.3 102.8 102.9 102.9 104.1 104.5 104.5 104.7 104.9 104.9 103.8

2007 105.1 106.9 106.9 107.9 108.3 108.2 108.2 108.3 108.3 108.4(P) 108.5(P) 108.5(P) 107.8(P)

2008 111.5(P)

P : Preliminary. All indexes are subject to revision four months after original
publication.
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 51

ANEXO 2 - Índices de Inflação de Equipamentos (continuação)

Series Id: WPU1075


Not Seasonally Adjusted
Group: Metals and metal products
Item: Heat exchangers and condensers
Base Date: 8200

Year Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec Annual

1998 165.6 165.6 165.6 165.4 167.4 168.6 167.6 167.7 167.7 168.7 168.7 167.7 167.2

1999 168.5 168.5 168.4 169.2 168.5 168.3 168.3 167.4 168.0 168.5 168.5 168.6 168.4

2000 169.0 168.8 168.7 169.6 169.6 169.6 169.8 170.2 170.5 171.0 171.0 171.1 169.9

2001 171.2 171.3 171.3 171.6 171.6 171.6 171.2 171.2 172.8 172.9 172.4 172.6 171.8

2002 172.6 172.9 172.9 173.0 173.0 173.0 175.5 176.6 176.7 176.9 177.0 176.9 174.7

2003 177.2 177.1 177.4 177.5 177.3 176.5 174.4 174.1 170.6 171.0 170.3 170.3 174.5

2004 178.6 178.8 178.9 181.2 185.4 186.0 187.6 188.3 192.9 192.1 192.3 193.9 186.3

2005 203.2 201.2 203.7 206.0 206.7 207.4 223.1 223.5 224.0 224.3 224.4 224.5 214.3

2006 224.7 226.3 227.4 227.6 231.5 234.4 235.1 236.7 236.9 237.5 238.5 238.4 232.9

2007 238.7 240.9 240.4 240.4 243.9 244.0 239.5 239.0 239.3 239.7(P) 241.0(P) 241.3(P) 240.7(P)

2008 242.3(P)

P : Preliminary. All indexes are subject to revision four months after original publication.
Series Id: WPU10720135
Not Seasonally Adjusted
Group: Metals and metal products
Item: Metal tanks and vessels, custom fabricated at fact
Base Date: 0112

Year Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec Annual

2001 100.0

2002 100.0 100.0 100.0 100.2 101.1 101.1 101.3 101.3 101.4 102.2 102.2 102.2 101.1

2003 102.3 101.8 101.9 101.9 101.9 101.9 101.9 102.3 102.3 102.4 102.7 102.8 102.2

2004 103.1 104.6 106.7 106.9 108.4 109.9 117.1 118.7 119.9 120.4 122.2 122.7 113.4

2005 122.6 125.2 126.5 126.5 126.5 128.5 131.5 131.5 131.5 132.5 133.1 133.1 129.1

2006 133.5 135.0 135.5 135.5 135.5 138.7 140.6 140.6 140.6 143.8 143.8 144.6 139.0

2007 144.6 145.9 146.6 147.7 150.8 150.8 151.7 153.4 154.1 155.1(P) 157.6(P) 156.8(P) 151.4(P)

2008 157.0(P)
Avaliação Econômica de Projetos Industriais 52

P : Preliminary. All indexes are subject to revision four months after original publication.

ANEXO 2 - Índices de Inflação de Equipamentos (continuação)

Series Id: WPU1173


Not Seasonally Adjusted
Group: Machinery and equipment
Item: Motors, generators, motor generator sets
Base Date: 8200

Year Jan Feb Mar Apr May Jun Jul Aug Sep Oct Nov Dec Annual

1998 145.5 145.7 145.4 145.7 145.7 145.9 145.6 146.1 145.9 146.1 146.1 145.9 145.8

1999 146.2 146.2 146.4 145.9 145.9 145.9 145.9 145.9 145.6 145.5 145.6 145.7 145.9

2000 146.1 146.1 146.3 145.9 146.0 145.8 146.2 146.4 146.4 146.3 146.3 146.4 146.2

2001 146.5 146.6 147.0 146.9 146.9 146.9 147.2 147.2 147.2 146.4 146.4 146.4 146.8

2002 146.6 146.7 146.5 146.9 146.8 146.7 146.8 146.9 146.8 146.4 147.3 147.3 146.8

2003 147.4 147.5 147.5 147.4 147.5 147.3 147.3 147.3 147.4 147.3 147.3 147.4 147.4

2004 147.4 147.6 148.1 148.5 148.5 150.0 150.4 150.9 150.7 150.7 151.0 153.7 149.8

2005 156.6 156.6 156.7 156.9 157.0 157.1 157.8 157.8 158.6 158.6 159.6 160.0 157.8

2006 161.0 161.1 161.1 162.4 162.4 163.9 165.3 168.1 168.2 168.5 169.0 169.0 165.0

2007 170.2 171.4 171.4 172.4 172.1 172.9 173.7 173.9 173.8 174.1(P) 174.5(P) 174.4(P) 172.9(P)

2008 176.5(P)

P : Preliminary. All indexes are subject to revision four months after original
publication.