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Metodologias de Projeto | Ramo Escultura

LAP | FBAUP 2019/2020


Docente: Sofia Ponte

- s c o p i a

a contemplação do artista sobre si e arte

Um texto original de Diana Sapudo


Palavras-chaves: estilo, moderno, contemplar, obra, artista.

Sinopse
-scopia. A terminação do ato de contemplar. De observar. Uma ação que permite a
identificação do que encontramos à nossa frente e de relacioná-la a algo ou a alguém.
Numa linguagem mais artística, este termo é uma possibilidade de definição para o
espetador. Mas não será também para o artista? O primeiro sujeito que interage e que
mantem em contacto permanente desde o primeiro momento da sua criação? Uma obra
que veste com uma forma de expressão, uma sensação, uma técnica, uma matéria, um
estilo. Uma relação umbilical da qual coloca-se em questão: até que ponto é
fundamental o reconhecimento do autor na sua obra? Qual é a necessidade de definir
um estilo para cada artista?
Um conjunto de interrogações que transparecem à medida que procuro uma resposta
ao meu problema. Uma resposta que será acompanhada com exemplos de dois jovens
artistas e colegas e das suas respetivas duas obras. Uma resposta que corresponderá
também à minha visão sobre a minha pele como futura artista.

A pegada da Modernidade
Um percurso. Um desafio. Uma frustração. Hoje dou por mim a deambular sem rumo
numa sociedade moderna onde o conceito de arte continua a permanecer incompleto.
Uma busca inacessível de compreender a minha integração num campo que
permanece num processo de florescimento e transformações progressivas à medida
que o modernismo respira de nós.
A verdade é que a modernidade trouxe à sociedade um processo de radicalização que
colocou em causa a relação da arte com o que se encontrava ao seu redor. Como
Marshall Berman afirma “ser moderno é encontrar-se num ambiente que promete
aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas
em redor – mas, ao mesmo tempo, ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que
sabemos, tudo o que somos.” 1 Não será possível este pensamento de Berman ser uma
tradução de uma análise sobre o comportamento dos artistas ao longo da história da
arte? Do quebrar com o tradicional de uma vanguarda anterior que limitava as criações
de autores que apresentavam um pensamento mais atual no seu próprio tempo?
Segundo Peter Osborne, com o surgimento das sociedades capitalistas e,
posteriormente, de uma globalização onde todos os acontecimentos se acompanham

1 “Being modern is finding yourself in an environment that promises adventure, power, joy, growth, self-transformation
and transformation of things around you - but at the same time threatens to destroy everything we have, everything we
know, everything we are. " de Marshall Berman em All That Is Solid Melts Into Air The Experience Of Modernity, pag.15.
simultaneamente num processo insistente de evolução, a arte veio a alcançar uma
forma cultural de testemunhar e confidenciar sobre a negligência de um passado em
busca do inexistente, do “novo”. Osborne insere-nos assim um novo termo: o “non-
place” que remete a um determinado lugar que por ser um ponto de passagem em
contínua transformação não tem fim à vista de um cessamento específico. Com ela sem
uma identidade fixa, por suas palavras um não lugar. Ainda assim, apesar de ser
considerado um não lugar, a realidade é que apresenta uma identidade em permanente
modificação, aplicando o termo de “Space of Flows”, um conjunto de identidades. Uma
teoria que podemos comparar com o campo artístico: um conjunto de fluxos que
retratam um conjunto de personalidades, de pensamentos, de artistas unidos que criam
a magia de um pequeno refúgio com o potencial de influenciar quem nela atravessa. De
contemplar uma história. Uma obra de arte.
Uma certa democracia veio a instalar-se na produção artística atual,
consequentemente, a lógica errada de que a criação de arte correspondia meramente
à capacidade motora de produzir fisicamente o objeto. Obviamente uma falácia. A
realidade concentra-se na polissemia de uma obra. A possibilidade aberta de várias
interpretações, cuja sua verdadeira identidade é construída num processo de criação
que ultrapassa o seu próprio autor. Será que estamos a desvalorizar o valor do artista?
Considero que apenas procuramos encontrar uma neutralidade e uma essência na
obra. O nosso olhar sobre ela, estará sempre condicionada por implicar uma dimensão
convencional, cultural, social. Uma perceção sobre o qual implica o acesso a uma
informação que é exterior àquilo que de forma imediata a própria experiência pode
proporcionar. Uma contemplação artificial sobre uma arte que nos proporciona observar
o que não existe na realidade.

A conversa entre fios.


Enquanto artistas, será importante manter-nos transparentes para não invadir a
identidade que a obra alcança a partir do momento em que nasce?
Confessemos que uma obra desperta sempre uma maior relevância sobre o seu criador,
seja ele um artista reconhecido ou um ascendente desta área. O que consideramos nela
mais importante? A matéria ou o conteúdo?
Toni Faria de Machado. No caso deste jovem artista o seu rumo tem sido a navegar sob
uma matéria em especifico. As suas obras incidem sobre uma sensibilidade aguçada,
uma relação calorosa e imediata, por representarem objetos que acompanham o nosso
quotidiano.
Por suas palavras, o próprio autor admite que ao contemplar as suas próprias criações
sente que as mesmas “são pensadas segundo uma matéria específica que vem de
tradições familiares – o têxtil.” O próprio tem a noção de que “tentar perceber o que
poderia experienciar ao ver o meu trabalho de fora é um pouco complicado, é em parte
Eu e Tu Que Nunca Nos Vimos, 2019.
Ao Domingo Comemos Rosca, 2019.
uma dicotomia entre arte e artefacto, uma vez que recorro a uma vertente muito artesanal
e popular, não convencional. É uma prática um pouco aparte.”

Em Eu e Tu Que Nunca Nos Vimos, 2019 e Ao Domingo Comemos Rosca, 2019, Toni
apresenta uma mesma linguagem artística. Uma certa nostalgia sobre memórias que
carinhosamente relacionamos com o conceito de casa.

Duas obras que evidenciam um elemento em preponderância, mas que alcançaram


interpretações distintas consoante os espaços e na forma em que foram expostos. Se
na primeira obra testemunhamos uma carga emocional perante um silêncio que impõe
um respeito de um objeto frágil que se rodeia por uma dimensão vazia, no segundo
somos contagiados por memórias de família no momento em que o cheiro da rosca –
elemento chave que completa a obra de bordado de saco de pano- invade o nosso
olfato.
De facto, estas duas obras de Toni provam que a modernidade determinou na redução
do distanciamento do tradicional de arte enquanto artefacto que só é possível de
representar através da própria arte. Para além disso o domínio de uma matéria orientou
para uma direção de um resultado final que correspondeu a um processo desde a
primeira ideia do próprio autor até a um resultado final. Uma transformação que ofereceu
às obras uma identidade independente do seu criador.

A ligação conceptual.
Contudo no caso da Catarina Corrêa Mendes observamos um processo artístico
completamente distinto do anterior. Por sua vez, esta jovem aspirante do mundo da
escultura, tem um ponto de partida da qual se baseia todas as suas obras: a dimensão
conceptual. Em semelhança com Toni, Mendes trabalha muito a questão de memórias
e do sentido sensorial. Como podemos verificar na sua obra Heliophile, 2019, existe um
conjunto de elementos que nos direciona para uma viagem para um passado. Para a
sua infância. Por sua vez, é a sua ideia conceptual que escolhe os materiais a usar para
a representá-la nitidamente.
Contudo, o mesmo que sinto com as minhas obras, Mendes apresenta uma linguagem
artística mais subjetiva. Ao analisarmos uma outra obra, Kalopsia, 2019, verificamos
que a sua identidade como autora da mesma é colocada em questão. Obviamente que
para a jovem artista, o mais importante não é se focar num estilo para obter um
reconhecimento nas suas obras. A mesma descreve-se como “uma pessoa de
experimentações e que gosta de muito coisa diferente.” Mendes defende que numa fase
tão inicial de uma carreira de artista é “difícil ter um estilo”, mas que acredita que “com
o tempo ele há de aparecer, porque ao longo do tempo tu vais apercebendo das
linguagens que mais gostas.”
Heliophile, 2019.
Perante uma obra de Mendes, é impossível negar que para a compreendermos,
deveremos estar contextualizados com a mesma. Ainda assim, temos que ter em conta,
que a intencionalidade de um artista será sempre desvalorizada. Afinal de contas se
não tivermos um acesso ao estado do espirito do autor no momento da sua criação, um
momento intimo entre a obra e o artista, talvez não faça sentido conhecer a sua intenção
no final. Apesar da existência de documentos que nos procuram guiar para o seu
contexto, o mesmo não significa que o artista tenha a noção sobre o verdadeiro sentido
da obra, ainda assim ele permanece conhecer as dimensões mais fundamentais.
Portanto, nenhuma obra de arte se esgota ou se materializa nas intenções do artista.
Com a modernidade é evidente verificarmos que um artista se encontra em constante
atualização, através de experiências, descobertas e de atitudes radicais. Tal como a
arte, não podemos definir um artista por estilo, uma vez que o mesmo permanece em
contínua descoberta sobre si mesmo como uma identidade de uma sociedade moderna.
E as obras? As mesmas representam as fases dessa sua viagem de um “turbilhão de
permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambiguidade e
angústia.”2

Kalopsia, 2019.

2 “
“(…) whirlwind of permanent disintegration and change, struggle and contradiction, ambiguity and anguish.”
de Marshall Berman em All That Is Solid Melts Into Air The Experience Of Modernity, pag.15.
Bibliografia

Berman, Marshall (1989). All That Is Solid Melts Into Air The Experience Of Modernity. Ed. 4. Edições 70,
Portugal.

Osborne, Peter (2001). Non-Places and the Spaces of Art, vol.6. The journal of Architecture. Centre for
Research in Modern European Philosophy. Middlesex University, London, Uk.

Barret, Terry. (2014). A Crítica de Arte: como entender o contemporâneo. Ed.3. Porto Alegre: AMGH.
ISBN 978-85-8055-381-9.