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Viver a/na cidade

Alessandro de Melo1

Esta é minha primeira coluna neste Diário de Guarapuava, e o desafio é grande para
conseguir uma identidade e ocupar um tempo/espaço do jornal e a atenção dos leitores. Uma
coisa é certa: não gosto nenhum pouco do pensamento preguiçoso e fácil. Sou do time dos que
sofrem e cansam pensando sobre algo que merece a atenção. Tenho gosto também pelas
provocações, e, portanto, estejam convidados a aceitar as provocações. Ou a responder a elas!
Já é uma provocação.

Hoje, conversando com um amigo, me peguei relembrando as andanças pelas cidades


da vida. Amo as cidades e, por isso, viver as cidades, bem como viver nas cidades, é algo que
me toca o pensamento. Por este gosto particular fico sempre pensando nas falas comuns a
respeito das grandes cidades, que são frequentemente demonizadas pelo tamanho, trânsito,
poluição, distâncias etc. Mas, por outro lado! Vejamos.

Nasci em São Paulo e vivi na maior cidade brasileira até os dezoito anos, portanto,
conheço-a razoavelmente. Visitei este mês de abril e maio a Cidade do México, uma das três
maiores cidades do mundo. Penso que estas cidades podem nos ensinar grandes lições.

Sem dúvidas não temos em Guarapuava e nas cidades da região os problemas básicos
que as metrópoles enfrentam. Mas, sabem de uma coisa? Existem nestas cidades muitas
iniciativas culturais interessantes, que visam humanizar a convivência e a vida pública, ou, pelo
menos, elevar o nível cultural das pessoas.

Na Cidade do México uma iniciativa importante para melhorar a cidade é a presença,


em grandes avenidas e praças, de um conjunto de esculturas de alta qualidade, que
embelezam os passeios e oferecem a possibilidade do desfrute da obra de arte ao ar livre,
democratizando-a para todos. Em frente ao Museu de Belas Artes, por exemplo, encontram-se
quatro estátuas do escultor e pintor colombiano Fernando Botero. E não é preciso pagar nada,
está lá, ao alcance das mãos e das máquinas fotográficas. Como resistir às gordinhas de
Botero? Impossível!

Em São Paulo as é incrível constatar o que acontece em termos de agitação cultural.


Indico, apenas para ilustrar, o movimento Mesoperiferia
(http://www.wix.com/mesoperiferia/projeto#!), que promove Saraus no Trem e Cicloesia, além
de valorizar a gastronomia da periferia, os famosos caldos (ver Circuito dos Caldos), bem como
ações para a retomada dos parques públicos para o lazer na cidade.

Além desta iniciativa pululam naquela cidade outras voltadas para a difusão de novos
talentos da literatura. No bairro do Bixiga, talvez o bairro mais famoso de São Paulo, acontece o
Sarau Suburbano (http://sarausuburbano.blogspot.com.br/). O Coletivo Perifatividade

Professor do Departamento de Pedagogia. Doutor em Educação. Líder do Grupo de Pesquisas


em Trabalho, Educação e História – GETEH. Contato: alessandrodemelo2006@hotmail.com
(http://perifatividade.wordpress.com/) também realiza saraus “marginais” em bairros
periféricos. A poesia toma o espaço da violência e abre horizontes para as pessoas destes
lugares.

Voltando para Guarapuava, Irati e outras cidades da região, podemos fazer a seguinte
questão: será que estas cidades, pequenas, estão tomando iniciativas para elevar o nível da
vida cultural das pessoas? À primeira vista o que vejo é uma letargia das pessoas e pouca
iniciativa interessante como as enunciadas acima. Faltam ações oficiais, isso parece evidente,
assim como parece evidente a inércia dos departamentos culturais das pequenas cidades, e as
razões para isso não são poucas: da falta de orçamento à ausência de iniciativa e criatividade.
Faltam também iniciativas das pessoas e de grupos organizados. Faltam agitadores culturais
que possam mobilizar pessoas, revelar talentos, criar alternativas à cultura massacrante que
recebemos de todos os lados.

Estes grandes exemplos mostram que mais vale a criatividade para buscar soluções, e,
portanto, não é possível eternizar desculpas para não fazer. Um passo a frente, e faremos
nossas cidades ainda melhores para viver. Não podemos viver de exceções. Estas têm que se
tornar regra se quisermos um povo melhor educado e culto, capaz de distinguir os caminhos
perante o massacre da cultura massificante e conformadora.