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Edificações

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Objetivos:

1. Apresentar características e particularidades das


edificações;
2. Elencar conceitos básicos e gerais presentes nas
edificações;
3. Apresentar classificação das edificações existentes no
estado do Paraná;
4. Apresentar as diferentes reações das edificações
quando submetidas ao fogo;
5. Auxiliar na correta intervenção em edificações
sinistradas;
6. Elencar edificações com riscos especiais;

1º Ten. QOBM Jorge Augusto Ramos


MANUAL DE COMBATE A INCÊNDIO CBPR

7. EDIFICAÇÕES

7.1. Generalidades
Este capítulo destina-se a inserir conhecimentos básicos sobre as
edificações com a visão das solicitações presentes e vocacionadas pelas
intervenções em sinistros, urgências e emergências pelas guarnições do Corpo
de Bombeiros. Esta visão, em particular, é condicionada, entre outras, à
necessidade de acesso e desocupação destas edificações, capacidade de
resistência da edificação ao fogo e à intervenção externa, padrão de evolução
dos incêndios e riscos associados.
A evolução da sociedade também reflete em mudanças no padrão das
edificações, que tornam-se mais complexas, utilizam-se de uma gama
crescente de materiais e tecnologias diferentes e atendem cada vez mais às
necessidades de conforto das pessoas, porém há que se ter sempre os
cuidados necessários e indispensáveis à segurança tanto das pessoas quanto
do patrimônio.

Fig. 7-1 Grandes centros - Curitiba, verticalização crescente


Fonte: www.mendes.com.br

No Paraná, há variantes e realidades muito diferentes que tornam cada


região, município ou cidade particular e individualizada. De um lado temos a
crescente verticalização de cidades de grande e médio porte, onde se
destacam Curitiba e Maringá, com grande quantidade de edificações altas. Por
outro, a predominância de edificações medianas e baixas na rande maioria das
cidades.
Desta forma, é necessário que minimamente o profissional do Corpo de
Bombeiros tenha conhecimentos gerais sobre as edificações, porém, é
primordial que este profissional identifique e aprofunde os conhecimentos sobre
as particularidades e complexidades das edificações da área onde atua,
preocupando-se com a prevenção e obtendo conhecimento específico e
pontual para a intervenção apropriada em caso de necessidade.

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Fig. 7-2 Cidades pequenas - Irati, horizontalização com poucos prédios altos
Fonte: 1° Ten Jorge Augusto

7.1.1 Tensão, Resistência e Coeficiente de Segurança

Tensão é a força interior que atua na unidade de superfície de uma


seção qualquer deste corpo. Também são chamadas solicitações.
a) Tensões normais: são aquelas que atuam na direção perpendicular à
seção transversal de um corpo e podem ser de compressão ou de tração.
b) Tensões cisalhantes ou de corte: são aquelas que atuam
tangencialmente a seção transversal do corpo.

Resistência é a oposição realizada por um elemento às tensões


aplicadas sobre ele. Os materiais de construção devem possuir resistências
obedecendo a procedimentos rotineiros padronizados pela ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técnicas). Um elemento estrutural pode ser levado a
ruptura de diversas maneiras, distinguindo-se diversas espécies de resistências
oferecidas por este elemento:
a) Resistência à tração: aparece em hastes de treliças, pendurais,
armaduras de concreto armado, etc;
b) Resistência à compressão: aparece em pilares, paredes, fundações,
apoios, escoras, etc;
c) Resistência à flexão: aparece em postes engastados, em vigas, etc;
d) Resistência à flambagem: aparece nos elementos estruturais com
solicitação a compressão e que possuam seção transversal de dimensão
reduzida em relação ao comprimento. Aparece em colunas, hastes, escoras,
pilares, etc;
e) Resistência ao cisalhamento ou corte: aparece em pinos, rebites,
parafusos, nó de telhado, etc;
f) Resistência à torção: produz um deslocamento angular de uma seção
transversal em relação à outra, é menos freqüente em elementos de
construção, ocorre em vigas com carga excêntrica, eixos, vigas curvas,
parafusos, etc;
g) Resistência composta: aparece em elementos estruturais que
recebem ao mesmo tempo diversos tipos de solicitações.

O responsável pelos cálculos estruturais da edificação, de posse do


conhecimento dos diversos materiais que comporão a estrutura, utiliza um

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coeficiente de segurança para chegar ao cálculo de resistência requerido.


Depende de fatores e características que devem possuir o material:
consistência da qualidade, durabilidade, comportamento elástico, espécie de
carga e solicitação, tipo de estrutura e importância dos elementos estruturais,
avaliação de esforços, cálculo preciso de esforços, modos de atuação de
forças nos elementos construtivos, qualidade da mão de obra, controle de
qualidade dos serviços de construção.

7.1.2 Carga-incêndio, Carga Calorífica ou Carga Combustível de uma


Edificação

Conteúdo combustível de uma edificação ou de parte dela, expresso em


termos de massa média de materiais combustíveis por unidade de área, pelo
qual é calculada a liberação de calor baseada no valor calorífico dos materiais,
incluindo móveis e seu conteúdo, divisórias, acabamento de pisos, paredes e
forros, tapetes, cortinas, e outros.
A carga de incêndio é expressa em MJ/m2, ou kg/m2, correspondendo à
quantidade de madeira (kg de madeira por m2) que emite a mesma quantidade
de calor que a combustão total dos materiais considerados nas dependências.

7.1.3 Tempo de Resistência Requerido ao Fogo (TRRF) e Massividade

Quando falamos em conceitos de construção e resistência ao fogo, é


importante a compreensão dos conceitos de TRRF e massividade.
Resistência ao Fogo é a propriedade de um elemento de construção em
resistir à ação do fogo por determinado período de tempo, mantendo sua
integridade e/ou características de vedação aos gases e chamas e/ou de
isolação térmica.
TRRF é o parâmetro de tempo de resistência requerido ao fogo adotado
para dimensionar as estruturas e/ou elementos de construção, normalmente,
para se considerar um material resistente ao fogo o tempo de resistência é de 2
horas a massividade dos materiais utilizados.
Fator de Massividade é a relação entre o perímetro e a área da seção
transversal de um perfil. Representa a resistência de um determinado perfil em
uma situação de incêndio. É comum o entendimento de que a massividade é
uma propriedade afeta a estruturas de aço, porém, é estendido a todos os
materiais quando se aborda a resistência ao fogo. Quanto maior a
massividade, em tese, maior será a resistência da maioria dos materiais
estruturais à exceção dos metálicos, ao calor e ao fogo.

7.1.4 Rotas de Acesso e Saída de Emergência

Todas as edificações devem possuir condições de acesso externo para


os veículos e guarnições de bombeiros, ainda, possuir e manter adequados e
desobstruídos os acessos e saídas de emergência, de forma a possibilitar tanto
a desocupação da edificação por parte dos seus ocupantes, quanto, condições
de intervenção rápida por parte das equipes de emergência.
Escadas são integrantes de uma rota de saída, podendo ser uma
escada enclausurada à prova de fumaça, escada enclausurada protegida ou
escada não enclausurada.

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Em regra, nas edificações, por previsão normativa, as escadas serão


construídas em material incombustível, com resistência ao fogo de no mínimo
2h, com revestimento antiderrapante e dotada de guardas ou corrimãos em
ambos os lados e com largura mínima de 1,10m. As rampas seguem condições
semelhantes, devendo ter inclinação entre 6 a 12 graus.
Corredores devem ter largura de 1,10 metros em edificações em geral e
de 2,20 em edificações destinadas a serviços de saúde e hospitalares. Ainda,
devem possuir áreas de caminhamento conforme o risco em específico de
cada edificação/ocupação.
Todas as saídas de emergência devem ser dimensionadas e dotadas de
sistemas eficientes de sinalização de emergência, bem como, dotadas e
dimensionadas com sistema igualmente adequado de iluminação de
emergência.
Todas as portas das saídas de emergência devem ser dimensionadas
conforme a capacidade de população que abrigue. As portas, em regra, devem
possuir no mínimo 1,10 metros de largura. Em locais de reunião ou
aglomeração de pessoas devem abrir no sentido de fuga, e em casos de
capacidade superior a 200 pessoas, possuir ferragem do tipo anti-pânico.
Apesar de não ser normativo, é adequado que todas as edificações
sejam dimensionadas prevendo sistemas anti-pânico nas saídas de
emergência, bem como, com abertura no sentido de fuga.

Fig. 7-3 Escada com detalhes Fig. 7-4 Saída de emergência


Fonte: www.bombeiroscascavel.com.br Fonte: www.esquadriasmarajoara.com

7.1.5 Acesso à Edificação

O acesso de viaturas e equipes de emergência às edificações deve ser


uma preocupação constante para os trabalhos em emergência, desta forma, as
edificações devem possuir rotas de acesso da via pública até os limites
construturais da edificação garantidos.
Estes acessos devem ser dimensionados de forma que a maior das
viaturas, normalmente as auto-escadas mecânicas, plataformas mecânicas e
ABT de apoio, tenham livre acesso e área de manobra e intervenção em caso
de sinistro.

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Fig. 7-5 Acesso a um conjunto habitacional


Fonte: www.zoupwebagencia.com

Dimensionando os acessos pelas características das maiores viaturas,


levando-se em consideração as manobras para passagem e estabelecimento,
garante-se que todas as viaturas e equipes tenham acesso até local adequado
para se intervir em um sinistro.
Os acessos normalmente são subdimensionados e muitas vezes
obstruídos por portais de entrada, cercas, muros, guaritas, ruas e estradas
internas, áreas com edificações incorporadas, áreas de estacionamento e
armazenamento, pátios, jardins e áreas de paisagismo e lazer.

Fig. 7-6 Acesso a edifício residencial


Fonte: www.realnobile.com

7.2. Classificação das Edificações


7.2.1. Quanto à Construção

Freqüentemente a abordagem da construção das edificações se


restringe as especificações e materiais da estrutura, paredes e pisos, deixando
para segundo plano aspectos como a construção da estrutura dos telhados e

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revestimentos de forro ou teto.


Desta forma, faremos uma breve abordagem destes aspectos
construtivos em linhas gerais.
a) Edificações em material combustível: São imóveis ou edificações
construídas parcial ou totalmente em madeira onde é fácil a propagação do
fogo;
b) Edificações incombustíveis: São imóveis ou edificações construídas
com materiais que opõem resistência ao fogo, mas não resistem à ação deste;
c) Edificações resistentes ao fogo: São imóveis ou edificações
construídas totalmente em concreto ou aço protegido onde a propagação do
fogo é difícil e possuem boa resistência à ação do calor.

Fig. 7-6 Edificação incombustível Fig. 7-6 Edificação resistente ao fogo


Fonte: www.novomilenio.inf.br Fonte: www.compliance.com.br

Fig. 7-7 Memorial Ucraniano.


Fonte: www.curitiba-parana.net

Construção de telhados: Na maioria das vezes, ao se abordar a construção das edificações,


não se realiza uma abordagem que leve em conta os materiais utilizados na construção de
telhados e revestimentos de teto ou forro. Este conhecimento e abordagem se fazem
necessários principalmente para o entendimento da evolução dos incêndios em edificações
baixas.

De maneira geral a estrutura dos telhados tem sua construção em três


formas básicas:
a) Estrutura em material combustível: Construídos em madeira,
normalmente para telhas de barro, fibrocimento, plásticas, etc.

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b) Estrutura incombustível: Construídos em metal não protegido,


geralmente para telhas de fibrocimento, metálicas ou plásticas;
c) Estrutura resistente ao fogo: Construídos em concreto armado, pré-
fabricado ou aço protegido, geralmente para telhas de fibrocimento, metálicas
ou plásticas.

Fig. 7-7 Estrutura em Fig. 7-8 Estrutura em Fig. 7-9 Estrutura


madeira metal concreto pré-moldado
Fonte: 1° Ten Jorge Augusto Fonte: 1° Ten Jorge Augusto Fonte: 1° Ten Jorge Augusto

Os revestimentos de teto ou forro por sua vez, via de regra, apresentam a


construção a seguir: Incombustíveis: Edificados em concreto, conhecidos como
lajes; Combustíveis: Forros que utilizam madeira, PVC, placas de gesso, isopor
ou outros tipos de materiais com estrutura em madeira ou metal.

Fig. 7-10 Lajes em concreto armado Fig. 7-10 Lajes pré-moldada.


Fonte: 1° Ten Jorge Augusto Fonte: 1° Ten Jorge Augusto

Fig. 7-10 Forro de madeira Fig. 7-10 Forro de PVC


Fonte: 1° Ten Jorge Augusto Fonte: www.zdecoracoes.com.br

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7.2.2 Quanto à Ocupação

7.2.2.1 Residencial
Edificações destinadas à utilização por unifamiliar ou de grupo
equivalente a família, podem ser:
a) Habitação unifamiliar: residências térreas ou sobrados;
b) Habitação multifamiliar:prédios de apartamentos residenciais em geral;
c) Habitação coletiva: pensionatos, mosteiros, internatos, etc

7.2.2.2 Comercial varejista


Edificações destinadas a atividades comerciais em geral.
a) Comércio de pequeno porte;
b) Comércio de médio e grande porte;
c) Centros comerciais, shopping centers e assemelhados.

Fig. 7-12 Pequeno comércio de bairro Fig. 7-13 Grande centro comercial
Fonte: 1° Ten Jorge Augusto Fonte: 1° Ten Jorge Augusto

7.2.2.3 Industrial e de Armazenamento


Edificações destinadas a atividades de transformação, armazenagem,
manipulação ou fabricação de produtos.
a) Indústria de transformação;
b) Comercial de alto risco;
c) Comercial atacadista;
d) Depósitos.

7.2.2.4 Prestação de Serviços


Locais onde há disponibilização de serviços diversos.
a) Serviços de saúde e institucionais: hospitais, quartéis, presídios, etc;
b) Serviços automotivos: garagens, postos de abastecimento, oficinas;
c) Serviços de hospedagens: hotéis e assemelhados;
d) Serviços profissionais, pessoais e técnicos: escritórios, clínicas,
agências e pequenos serviços em geral;
e) Serviços educacionais, de cultura física e formação técnica ou
profissional;
f) Locais de concentração e reunião de público;

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Fig. 7-15 Concentração de Público Fig. 7-14 Casarões - Serviços


Fonte: 1° Ten Jorge Augusto Fonte: 1° Ten Jorge Augusto

7.2.2.5 Agrícola ou Rural


Edificações localizadas em áreas rurais e de difícil acesso, destinadas a
armazenagem, manipulação e transformação de produtos agrícolas, pastoris
ou florestais:
a) Depósitos e silos;
b) Unidades de transformação de produtos;
c) Galpões e granjas;
d) Estufas e áreas que utilizem caldeiras.

Fig. 7-16 Estrutura de silos e secagem Fig. 7-16 Estrutura rural –


de grãos. galpão/casa/estufa de fumo
Fonte: 1° Ten Jorge Augusto Fonte: 1° Ten Jorge Augusto

7.2.3 Quanto à Altura

Para fim de classificação voltada a atuação do Corpo de Bombeiros em


emergências, adota-se a altura padrão dos pavimentos em 3 metros.
Esta classificação leva em consideração a estratégia e materiais
disponíveis para acesso e intervenção nestas edificações: acesso e rotas de
acesso da própria edificação, escadas móveis ou portáteis, auto-escadas ou
plataformas.
a) Edificações baixas: São os imóveis ou edificações que possuem
altura inferior a 6 metros, ou seja, edificações térreas, sobrados ou até dois
pavimentos;
b) Edificações medianas: São imóveis ou edificações que possuem

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altura entre 6 e 12 metros de altura, ou seja, edificações de três a quatro


pavimentos;
c) Edificações altas: São os imóveis ou edificações que possuem altura
superior a 12 metros, ou seja, construída com cinco pavimentos ou superior a
cinco pavimentos. As edificações muito altas, com altura maior do que 20
pavimentos ou 50 metros, embora apresentem características de maior
dificuldade de acesso e intervenção, além de exigências maiores nas questões
de segurança, figuram nesta mesma classificação.
Curitiba e Maringá figuram em classificações como cidades altamente
verticalizadas, possuindo inúmeras edificações muito altas. Curitiba possui o
maior número de edificações muito altas, per capita, do Brasil. Maringá, possui
o maior prédio residencial do Brasil, com 39 pavimentos. Além disso, no projeto
urbano, diversas cidades do Paraná vêem construindo ou permitindo
edificações altas e muito altas em seus quadros urbanos.

Fig. 7-17 Edificação baixa. Fig. 7-17 Edificação alta


Fonte: 1° Ten Jorge Augusto Fonte: 1° Ten Jorge Augusto

Para a intervenção de emergência nas edificações é importante sua abordagem com


visão das dificuldades e obstáculos.
Edificações horizontais térreas terão, em geral, melhores condições de acesso, porém,
menor grau de confinamento;
Edificações verticais, em geral, terão complicadores para acesso e maior probabilidade
de confinamento;

7.2.4 Quanto ao Risco


As edificações podem ser classificadas quanto ao risco em:
a) Risco Leve (RL): Ocupação de potencial calorífico sutil;
b) Risco Moderado (RM): Ocupação de potencial calorífico limitado;
c) Risco Elevado (RE): Ocupação de potencial calorífico intenso.

Já as áreas de risco podem ser:


a) Isoladas: Separadas de outras áreas por espaços desocupados
conforme normas;
b) Compartimentadas: Aquelas que possuem compartimentação através
de elementos construturais, pode ser vertical ou horizontal;
c) Incorporadas: Aquelas que não possuem isolamento tornando
possível a propagação do fogo a outras áreas.

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7.2.5 Quanto á Proteção

a) Proteção passiva: É o conjunto das tecnologias e técnicas


construturais utilizadas nas edificações que lhe conferem características de
resistência, segurança e capacidade de suportar condições adversas
provenientes dos mais diversos tipos de solicitações e sinistros. A proteção
passiva é o tipo de proteção que garantirá o tempo adequado, em casos
extremos e de sinistros, para que os ocupantes da edificação a desocupem
com segurança e permitirá tempo e condições para que as equipes de
emergência efetuem a intervenção necessária e apropriada, compreendem:
• Estrutura da edificação;
• Controle de materiais de construção e acabamento;
• Rotas de fuga e saídas de emergência;
• Sistemas de ventilação, movimentação e dispersão de gases e
fumaça;
• Resistência ao fogo;
• Isolamento e proteção contra descargas atmosféricas;
• Sistema de detecção de calor e fumaça;
• Sistema de alarme de incêndios;
• Sistema de sinalização e iluminação de emergência.

b) Proteção ativa: É o conjunto de sistemas de detecção, sinalização,


intervenção dos quais uma edificação é dotada. Pode ser automática ou
manual e compreende os seguintes sistemas:
• Sistema móvel de combate a incêndios: Extintores;
• Sistemas fixos de combate a incêndios: Rede de hidrantes, rede
de chuveiros automáticos;
• Outros tipos de sistemas: Veículos de emergência, sistemas de
nebulização, sistemas de pressurização, etc.

7.3. Comportamento das Estruturas das Edificações


A exposição de uma edificação ao fogo causa danos aparentes e ocultos
nos materiais e elementos estruturais e de acabamento. O aquecimento das
estruturas causa dilatação, enquanto o arrefecimento causa contração. Estas
deformações podem causar tensões internas nos materiais dos elementos
construturais, semelhantes as deformações causadas por esforços externos.
A ação direta do fogo causa danos perceptíveis na maioria dos materiais
de acabamento utilizados, queima, deformação derretimento, dilatação,
escoamento, mudança e estado físico, decomposição. Estes danos,
normalmente inutilizam estes materiais e favorecem seu descarte e
substituição.
Porém, em ações de combate a incêndio, há também os danos ocultos
nos elementos construturais das edificações, havendo perda de resistência,
deformação, dilatação, perda de consistência, desestruturação, enfim, danos
potenciais causados pela exposição das edificações a incêndios.
Além dos danos causados pelos incêndios, haverão danos próprios do
combate às chamas, resfriamento abrupto, inundação, encharcamento,
sobrecarga, etc.

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Materiais de acabamento, fechamento, revestimento, isolamento e


decoração, não classificados como anti-chama, sofrem grandes danos ao
serem submetidos ao fogo, em regra, alimentam os incêndios e são
consumidos ou bastante danificados. Exemplos de materiais são os derivados
de madeira, PVC, plásticos, tecidos, isopor, etc.
A exposição ao fogo causa prejuízos a todos os tipos de materiais,
quando estendemos esta exposição à estrutura de uma edificaçao, estes danos
podem ser irreversíveis, podendo haver o colapso estrutural da edificação ou
sua posterior necessidade de demolição.

7.3.1 Madeira

Apesar da grande diversidade de materiais, a madeira ainda é material


presente na maioria das edificações baixas, principalmente nas residenciais.
Os danos causados pela exposição ao fogo são aparentes, em sua maioria. O
tempo de resistência da madeira, não tratada com agentes ignífugos, em
incêndios, é menor do que em outros elementos e a progressão do incêndio é
mais rápida e destrutiva.
A madeira possui baixa condutibilidade térmica e as áreas superficiais
carbonizadas geram uma camada carbonizada isolante, que tem
condutibilidade térmica seis vezes menor, debaixo desta camada carbonizada,
origina-se uma camada de pirólise com cerca de 5mm, onde existe alteração
mas não decomposição completa, mais internamente a madeira mantém suas
características de resistência originais.
A madeira tem um aspecto interessante em relação ao seu
comportamento diante do fogo, seu problema é a inflamabilidade, porém,
submetida a altas temperaturas, com massividade proporcional, terá resistência
maior que a do aço, pois sua resistência não se altera sob altas temperaturas,
ao contrário do aço, que se altera com a temperatura.
Em um incêndio, a madeira será responsável pela propagação do fogo,
mas em contrapartida, suportará a ação do fogo em alta temperatura durante
um tempo maior. A temperatura de ignição da madeira pré aquecida é de
150°C, sem chama piloto é de 400°C, na presença de um foco de incêndio é de
300°C, ela começa a perder resistência a cerca de 800° C.

Fig. 7-19 Madeira laminada colada,


Fig. 7-18 Fogo em viga de madeira exposta ao fogo por 30 min
Fonte: www.piniweb.com.br Fonte: www.piniweb.com.br

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7.3.2 Alvenaria estrutural

A alvenaria de vedação, normalmente está associada a fundação e


estrutura em concreto ou aço e estrutura de telhados em madeira ou concreto.
Tem boa resistência ao fogo e em incêndios de pequenas e médias proporções
possibilita tempo de resposta e possibilidade de confinamento do incêndio. A
alvenaria estrutural, entretanto é uma forma de estrutura para construção
presente a milênios no mundo, onde são dispensadas as estruturas em
madeira, concreto ou aço.
A estrutura da edificação é a própria parede, que é dimensionada e
racionalizada de forma a suportar e distribuir o peso de lajes, pavimentos e
cobertura feita da própria alvenaria. A alvenaria estrutural foi deixada de lado
em razão de dificuldades para utilização comercial, visto não permitir grande
aproveitamento de fachadas, porém, com as evoluções contemporâneas tem
ganhado espaço principalmente por apresentar custo mais baixo do que outros
métodos convencionais.

7.3.3 Concreto

É um material consagrado na construção civil, durável e versátil, possui


baixa condutibilidade térmica e não emite gases tóxicos quando exposto a
calor. Uma das principais vantagens dos elementos de concreto frente a outros
materiais é a sua elevada resistência ao fogo. Submetido a altas temperaturas,
sofre degeneração em suas características físicas e químicas e tem sua
capacidade estrutural reduzida, porém resiste a ação do calor por tempo
considerável sem entrar em colapso.
Edificações em concreto suportam bem incêndios de pequenas e médias
proporções. Sofrem danos consideráveis a temperaturas mais altas e com
exposição prolongada. Sua perda de resistência e degeneração é mais lenta e
gradual se comparado ao aço.
As alterações em sua estrutura ocorrem pela evaporação da água
presente na matriz cimentícia. Desta forma, o concreto exposto a altas
temperaturas, começa a perder suas propriedades mecânicas, fissura e lasca
(spalling), apresenta mudança de cor e desplacamento havendo redução de
área e posterior exposição da armadura, na seqüência pode entrar em colapso.
O concreto exposto a altas temperaturas sofre grandes perdas
mecânicas a partir de 400°C para a resistência elástica, e a partir de 600°C,
para a resistência à compressão, portanto, temperaturas entre 400°C e 600°C
podem ser consideradas críticas para a sua deteriorização térmica. Sua
variação nas faixas de calor produz também alterações na sua coloração,
muda do cinza para o rosa claro a partir dos 300°C iniciando perda mecânica,
com a elevação de temperatura crescente, ele passa para tons de rosa mais
escuro, vermelho, cinza claro, tendo a partir dos 600°C resistência mecânica
desprezível.

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Fig. 7-22 Relação entre a cor e a perda de resistência à compressão do concreto


exposto a altas temperaturas.
Fonte: Cánovas, 1988, pg 181.

Argamassa A Argamassa B
Temperatura (areia com baixo teor de ferro) (areia com alto teor de ferro)
(Cº) Resistência Resistência
Aparência Aparência
Mecânica Mecânica
Ambiente Cinza - Amarelado -
200 Cinza escuro Pequena queda Sem mudanças Pequena queda

Queda
250 Cinza escuro
significativa
Sem mudanças Pequena queda

Queda
300 Rosa claro
significativa
Rosa Pequena queda

Queda
400 Rosado
significativa
Rosa intenso Pequena queda

Resistência Resistência
600 Rosado
desprezível desprezível
Escuro, mas não Resistência Vermelho Resistência
800 rosa desprezível intenso desprezível
Resistência
900 Cinza claro
desprezível
- -

Cinza Resistência Rosa muito


1000 esbranquiçado desprezível claro
-

Fig. 7-23 Mudança de coloração em argamassa submetida a duas horas de exposição em


vários patamares de temperaturas.
Fonte: Bessey, 1950, pg 10

7.3.4 Metálica
Normalmente o aço é utilizado na construção estrutural de edificações.
O aço apresenta grande resistência mecânica, é bastante versátil e de fácil
manejo, é durável e não apresenta problemas como descascamento, fissuras,
desplacamento, carbonização, porém, sua condutibilidade térmica é muito

7-15
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grande comparado ao concreto e a madeira.


Possui boa resistência em pequenos e médios incêndios, porém, em
altas temperaturas, sua perda de resistência e degeneração física é rápida,
com possibilidade de colapso estrutural. Normalmente, as estruturas em metal
não têm revestimento térmico, isto diminui seu potencial de resistência em
tempo nas ocorrências de incêndios.
Para maior segurança as estruturas metálicas podem se protegidas para
atingirem maior tempo de resistência ao fogo, esta proteção pode ser realizada
através de pintura com tinta intumescente, enclausuramento em concreto,
argamassa projetada, fibra projetada, mantas cerâmicas, placas de lã de rocha
ou placas de gesso acartonado.
As estruturas metálicas vêm sendo bastante utilizadas nas adequações
de edificações existentes e antigas com pés direitos altos, barracões. Onde há
construção de estrutura interna em metal, com piso de madeira ou metálico.

Fig. 7-24 Aço recebendo proteção


contra incêndio. Fig. 7-25 Edifício construído em aço.
Fonte: www.construtorapacheco.com.br Fonte: www.construtorapacheco.com.br

7.4. Intervenção
As equipes de emergência do Corpo de bombeiros têm já definidas
previamente suas ações de intervenção e enfrentamento dos mais diversos
tipos de sinistros, quer seja pela experiência institucional, pelo conhecimento
residual, pelo conhecimento específico, pela doutrina e treinamento
operacional, ou ainda, pela percepção individual ou das diversas equipes de
intervenção.
Nos incêndios, em específico, é importante salientar:

1) Deslocamento seguro até o local da ocorrência;


2) Acesso adequado até o local da ocorrência;
3) Estabelecer posto de comando e estrutura SCI;
4) Estabelecimento de viaturas e equipes de forma adequada;
5) Avaliação das condições de risco;
6) Plano de Intervenção ou plano de ação inicial;
7) Desocupação da edificação e salvamento de pessoas;
8) Isolamento da área;
9) Extinção do incêndio com segurança;
10) Operação de rescaldo;

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11) Preservação do local para perícia;


12) Análise do incêndio e feed back.

7.5. Riscos Especiais


Alguns tipos de edificações ou características existentes nestas
edificações conferem dificuldades, obstáculos e riscos maiores para a
intervenção e enfrentamento de sinistros.
Com a combinação de restrição de espaço urbano, aumento de
população, utilização de técnicas de engenharia e arquitetura, desrespeito a
normas de urbanismo, invasões e favelização, valorização de áreas comerciais,
houveram mudanças discrepantes nas edificações, e que conferem novos
desafios para a intervenção:

• Edificações com obstrução de acesso e aproximação de viaturas;


• Edificações com obstrução de acesso vertical;
• Edificações com fachadas envidraçadas;
• Subsolos;
• Edificações com projeto arquitetônico diferenciado;
• Edificações de interesse histórico;
• Áreas de invasão e residenciais de baixa renda;
• Plantas industriais complexas;
• Shopping centers;
• Hospitais e centros médicos;
• Lojas e depósitos de munições e explosivos;
• Quartéis e presídios;
• Silos e áreas de armazenagem de cereais;
• Plantas com ampliação de pavimentos com estrutura em aço;

Fig. 7-26 Edificações com risco especial


Fonte: www.arcoweb.com.br

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MANUAL DE COMBATE A INCÊNDIO CBPR

SUMÁRIO

Neste capítulo você poderá obter informações e conceitos sob a ótica das
necessidades de intervenção em sinistros em edificações.
Você poderá obter ainda conhecimentos sobre:

- Generalidades das edificações;


- Classificação das edificações;
- Tipos de estruturas das edificações;
- Comportamento e características dos principais tipos de estrutura das edificações;
- Intervenção em edificações.

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MANUAL DE COMBATE A INCÊNDIO CBPR

Exercícios de Fixação
1. É correto afirmar:
a. ( ) No estado do Paraná predominam edificações altas.
b. ( ) No estado do Paraná há crescente verticalização nos grandes centros.
c. ( ) No estado do Paraná há pouca horizontalização na maioria dos
municípios.
d. ( ) Curitiba e Irati figuram entre as cidades mais verticalizadas do mundo.
e. ( ) alternativas b,c,d estão corretas.

2. São conceitos presentes nas estruturas das edificações, exceto:


a. ( ) Empuxo.
b. ( ) Tensão.
c. ( ) Resistência.
d. ( ) Massividade.
e. ( ) TRRF.

3. Rotas de acesso e saídas de emergência devem ter:


a. ( ) Escadas com largura de 0,90 m.
b. ( ) TRRF menor do que 30 min.
c. ( ) portas abrindo no sentido de entrada.
d. ( ) Escadas, rampas e corredores com 1,10m de largura..

4. O acesso a edificação:
a. ( ) É o percurso da via pública até a edificação.
b. ( ) Deve permitir a intervenção por equipes e viaturas de emergência.
c. ( ) Dimensionado para que a maior viatura de emergência tenha livre
acesso.
d. ( ) Todas as alternativas estão corretas.

5. São elementos de proteção passiva nas edificações:


a. ( ) Estrutura.
b. ( ) Sistemas de detecção e alarme.
c. ( ) Resistência ao fogo.
d. ( ) Controle de materiais de construção e acabamento.
e. ( ) Todas as alternativas.

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