Sunteți pe pagina 1din 20

Universidade Federal da Paraíba

Centro de Ciências Humanas e Letras


Departamento de Psicologia
Professora: Clênia Maria Toledo de Santana Gonçalves

Desenhos projetivos e HTP: Análise com Entrevista Semiestruturada

Amanda Mariano Silva – 11503505


Lina Ferrari de Carvalho - 11508452
Mateus Osório da Silva - 11502765
Vanessa Soares Dias - 11500488

João Pessoa-PB
Outubro/2017
Fundamentação Teórica

Segundo Pinto (2014) é impossível dissociar os artistas de suas obras, afinal, ao

produzir sua arte, o autor envolve sua subjetividade, impondo uma espécie de marca

registradas nas suas criações. Assim como, Hammer (1981) afirma a possibilidade de

observar que o indivíduo tende a expressar em seus desenhos, inconscientemente, a visão de

si como realmente é e como gostaria de ser. Dentro desse contexto, os métodos projetivos

buscam afirmar a possibilidade de dizer algo sobre determinado sujeito a partir de suas

criações e visões por meio de estímulos ambíguos. (Pinto. 2014).

“Os desenhos projetivos estão ligados ao fluxo das necessidades pessoais que invadem

a área da criatividade gráfica. ” (Hammer. 1981. p. 39). A interpretação desses desenhos a

partir dos métodos projetivos tem fundamentos empíricos e postulados teóricos, a exemplo da

correlação entre os desenhos projetivos produzidos ao longo do processo terapêutico com o

quadro clinico em que foi realizado e o pressuposto de que o homem tem uma visão de mundo

antropomórfica. (Hammer. 1981)

O HTP (House-Tree-Person) de desenho da Casa-Árvore-Pessoa é um tipo de técnica

projetiva utilizada como forma de colher informações acerca da manifestação da

individualidade de determinada pessoa em relação aos outros e ao ambiente vivido. A técnica

foi criada em 1948 por John N. Buck, ​o instrumento é indicado para aplicação em indivíduos

maiores de oito anos de idade e tem como proposta a confecção de três desenhos em

sequência: uma casa, uma árvore e uma pessoa, os quais devem ser desenhados em folhas

separadas, utilizando lápis e borracha. (Borsa. 2010).

Os clínicos vêm utilizando o HTP há mais de 50 anos, como maneira de estímulo para

projeção de elementos da personalidade e de áreas conflitantes recorrentes ao longo da


situação terapêutica, possibilitando a identificação desses elementos tendo em vista a

avaliação, maior fluidez na comunicação terapêutica e estabelecimento de ​rapport.​ (Buck.

2003).

Esse tipo de técnica é dividida no mínimo em duas fases, a primeira fase refere-se a

criativa, não-verbal, quase não estruturada, consistindo no convite a realização de um desenho

a mão livre, de uma casa, de uma árvore e de uma pessoa. A segunda está relacionada as

perguntas a serem feitas ao indivíduo associadas aos aspectos dos desenhos. Já a terceira e a

quarta fase referem-se à criação de desenhos utilizando o giz de cera, na primeira, e a

realização de perguntas adicionais, na segunda. (Buck. 2003).

A depender da quantidade de fases, todo esse processo pode variar de 30 a uma hora e

meia de duração. ​É recomendada a utilização do HTP na diferenciação de características

bizarras salientes, servindo como complemento de colaboração nas informações oriundas de

fontes adicionais. De modo que tal instrumento não deve ser considerado como fim, único e

exclusivo em um processo diagnóstico que vise avaliar aspectos da personalidade de um

indivíduo, mas como uma técnica que deve ser utilizada de forma contextual no âmbito

clínico. (Borsa. 2010).

Outra importante técnica utilizada em situações especificas de diagnóstico psicológico

ou pesquisas é o Desenho Livre. Esse tipo de desenho é uma produção gráfica sem um tema

determinado, ficando livre, a critério do indivíduo que está sendo avaliado. Ao utilizar o

desenho livre dentro do processo de psicodiagnóstico tem-se por objetivo intervir de forma a

beneficiar as pessoas que estão sendo entrevistadas, tendo em vista que a personalidade do

indivíduo é expressa a partir da projeção de elementos do subconsciente e inconsciente

decorrentes da liberdade dada na produção do desenho. (Carlos. Fonseca & Gonçalves. 2008).
Os materiais utilizados na aplicação do desenho livre são folhas de papéis de oficio

A4, lápis preto número 2, apontador, borracha, lápis de cor (amarelo, vermelho, azul, verde,

marrom, laranja, roxo, cinza, preto e branco) e folhas para anotações.​ ​É indicado que a folha

de papel esteja em posição horizontal e que o entrevistador deixe claro para o sujeito a

liberdade que esse tem para desenhar o que desejar. Por fim, perguntas são indagadas ao

entrevistado acerca do desenho feito, como: “O que representa o seu desenho? ”.

Em relação a interpretação e avaliação do desenho livre, é preciso antes de tudo

conhecer os tipos de traços gráficos, de cores e de temas expressos em um desenho. Afinal,

frequentemente os desenhos trazem significados opostos entre si, porque um aspecto isolado

pode não ter um significado único, nem muito menos refletir necessariamente traços da

personalidade do criador. (Kolck.1984). Outro detalhe a ser levado em conta são as

influências de variáveis sociais e culturais nas características do desenho, indo além de fatores

estritamente psicológicos.

O desenho da família começou a ser utilizado de forma intensa e sistemática por

psicólogos em exames clínicos a partir dos anos 50, apesar das variações nos métodos de

análise. Antes disso, o Desenho da Família foi objeto de estudo de Minkowska (1949), que o

considerava um modo privilegiado de expressão dos conflitos familiares e que também propôs

uma análise da personalidade global da criança, através da interpretação de desenhos, usando

a seguinte instrução: "Desenhe você, sua faml1ia e sua casa”. Ela também possibilita uma

comparação entre esta análise com as respostas obtidas no Teste de Rorschach (Ortega, 1981).

Porém, Porot (1952), com uma proposta de aplicação e instrução simples da técnica,

ao pedir para a criança que "Desenhe sua família", obteve o mérito de codificar a situação de

exame do Desenho da Família (Ortega, 1981). O material empregado é uma folha de papel
ofício e um lápis grafite nº 2, borracha (optativo). Atualmente a instrução que se dá para a

criança é “Desenhe uma família”, e não “Desenhe sua família”, pois isso pode limitar as

possibilidades projetivas. Para Porot (1952), é necessário observar a criança enquanto

desenha: anotar a ordem de aparecimento dos personagens, os eventuais retornos, as rasuras,

as hesitações etc. Durante e após a execução do desenho, anotam-se os comentários e

principalmente a denominação que a criança dá a seus personagens. Em seguida, ele propõe

analisar, com bastante cuidado, o seu conteúdo.

Em relação à interpretação do desenho, o psicólogo deve ter bastante experiência e

deve extrair o máximo de informações possíveis do sujeito, através da entrevista. Na

entrevista pede-se para que o sujeito faça suas explicações sobre o desenho, caso o psicólogo

não entenda algum detalhe. O psicólogo não deve nunca interpretar de forma simplista e deve

sempre relacionar os dados com o que foi possível averiguar na entrevista e em outros testes

se possível. É importante que o psicólogo faça suas interpretações relacionando-as com a

teoria e uma hipótese, mas sem descontextualizar o sujeito e suas representações da realidade.

Nesse sentido, é importante se conhecer o histórico familiar (pais, se casados, irmãos/filhos,

ordem de nascimento, sexo, idade, agregados, se há irmãos casados ou morando fora da casa,

animais de estimação, etc.). Representar a própria família significa que o sujeito está no

princípio da realidade, quando ele a cria, rege-se pelo do Prazer.

Segue-se também um roteiro de interpretação, que se divide em 3 níveis: 1. ​Nível

Gráfico:​ critérios de análise do H-T-P (amplitude, força, ritmo e movimento do traçado,

tamanho e localização na página); 2. ​Nível das Estruturas Formais:​ verifica-se as interações

entre as pessoas, mobilidade do desenho, etc. Nesse nível também se infere dois tipos de

desenho: O ​tipo racional​ - caracteriza-se pela espontaneidade, inibida, em parte, pelas

censuras formalizando uma regra de rigidez; reprodução estereotipada e rítmica das figuras,
pouco móveis e isoladas detalhes precisos. O ​tipo sensorial​ - caracteriza-se pela

espontaneidade muito vital e, no grupo familiar, sensível, sobretudo à ambientação, à

atividade e à comunhão; 3. ​Nível de Conteúdo:​ ​ ​averigua as tendências afetivas projetadas no

teste: ​Tendências positivas:​ sentimentos de admiração, amor; investimento no objeto

privilegiado colocando-o em relevo, valorizando-o. ​Tendências negativas:​ sentimentos de

desconsideração ou ódio que conduzem o sujeito a desinvestir a pessoa em questão,

desvalorizar o desenho.

Porot (1952) também enfatiza três aspectos na análise do Desenho da Família: a) a

composição da família; b) as valorizações e desvalorizações dos diferentes elementos

constituintes; c) a situação na qual o sujeito se coloca em relação aos seus. Segundo Morval

(1974), o Desenho da Família é um teste projetivo e a sua utilização baseia-se num tríplice

postulado: 1. A família é um fator importante na estruturação da personalidade; 2. Através do

Desenho da Família, a criança projeta suas atitudes e sentimentos em relação à sua família; 3.

É possível conhecer essas atitudes e sentimentos, interpretando os signos do Desenho da

Família. Segundo Morval (1974), a interpretação do Desenho da Família toma-se possível

pela rela passagem dos signos do desenho ao significado explícito e pela integração dos

significados explícitos numa hipótese interpretativa, segundo uma teoria de referência, sendo

a teoria psicanalítica a que mais se adequa para a interpretação de testes projetivos (Ortega,

1981).

É importante ressaltar a qualidade dessa técnica enquanto instrumento que permitiu

caracterizar o estado emocional das crianças, através do significado e conteúdo simbólico na

representação gráfica da família, mostrando-se útil como instrumento de avaliação e

diagnóstico da personalidade (​Borges & Loureiro, 1990). Quando o Desenho da Família é


aplicado em crianças é possível perceber algumas​ dificuldades emocionais relevadas na

representação do desenho, o que aponta para o nível de imaturidade emocional das crianças.

É necessário que se haja com certa prudência na interpretação do Desenho da Família,

pois muitos elementos variam, principalmente em função da idade, às vezes em função do

sexo e em função do meio ambiente. É considerado que os 8 anos como uma idade

“charniere”, onde os mais jovens desenham a família verdadeira e os mais velhos representam

uma família-padrão (​Borges & Loureiro, 1990). ​Nesse sentido, é importante levar em

consideração as características do contexto ao qual o sujeito está inserido, antes de analisar

seu Desenho da Família.


Objetivos

O presente trabalho teve como objetivo uma melhor apropriação das técnicas de

desenhos projetivos, obtida a partir da aplicação do Desenho Livre, HTP e Desenho da

Família em um sujeito escolhido aleatoriamente. A análise destes desenhos foi baseada nos

roteiros de interpretação de desenhos projetivos e conteúdo da entrevista com o sujeito e teve

como base teórica a teoria psicanalista, discutida durante a disciplina de Métodos e Técnicas

em Psicologia ​II​. Foram feitas algumas ressalvas, principalmente em relação ao contexto e

idade do sujeito examinado.


Desenvolvimento

Sujeito Examinado

O sujeito examinado possui 7 anos de idade, é do sexo feminino e cursa o segundo ano

do ensino fundamental. Os responsáveis da criança foram esclarecidos sobre o caráter

pedagógico da atividade, tendo assim autorizado a entrevista e aplicação dos testes com a

criança, mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Análise e Interpretação dos Instrumentos Aplicados

No desenho livre, observou-se que a criança desenhou alguns membros da família dela

utilizando a folha na horizontal, sendo eles: irmã caçula, irmã do meio, ela mesma, a mãe, o

tio e um amigo de convívio da família. Além disso, desenhou uma casa, uma árvore, uma flor,

duas nuvens e um sol.


A entrevistada faz diversas delimitações no desenho. Uma delas é a da descrição de

cada membro familiar no desenho. Quando interrogada sobre o que seria o desenho, ela traz a

seguinte fala: “​Ele traz a minha família. Tipo, essa é Júlia, uma das minhas irmãs, que ela é

fofa e adora fazer traquinagens. Essa é Clara. Clara é uma menina esperta e também

corajosa, mas também é um pouquinho teimosa. Depois sou eu, uma menina que estuda e que

Clara vai a uma escola logo. Luana é a minha mãe. Ela faz muitas encomendas e adora eu e

as minhas irmãs. Tio Léo: meu tio Léo ele joga as vezes antes de ir à escola, mas ele também

fez uma pipoca gostosa para mim, pra Duda e pra Clara. E Tete, meu amigo. ”

​ lém disso, ela faz delimitações tanto na base inferior da folha, assim como na base
A

superior, trazendo possivelmente aprendizados escolares sobre margens e capacidade de

delimitar as funções de cada sujeito presente em sua vida. Percebe-se a casa como um local

que traz saudade para a criança.

No teste HTP referente ao desenho a casa, a criança constrói o seu desenho

centralizado na folha, também na horizontal. Referente a proporção do desenho, a casa está

em um tamanho razoável, com um telhado firme e paredes simples. Possui duas janelas

pequenas e uma porta.

Quando questionada sobre a casa está aberta ou fechada, a entrevistada relata que está

fechada, pois “​estava tomando café, aí tem que deixar fechada por causa que pode entrar

alguma pessoa desconhecida. ”

​ uando também questionada sobre o significado do desenho da casa para ela, ela
Q

relata que: “​Lembro da nossa casa velha. Ela tinha flores, terraço e lá dentro tinha uma sala

​ esse trecho
enorme. Eu gostava muito dela, porém eu gosto muito dessa nova casa. ” N
percebe-se um sentimento de saudade em relação a casa antiga, tendo em vista que vivenciou

diversos momentos alegres durante alguns anos nessa residência.

No desenho da árvore, a criança utilizou a folha no sentido vertical, desenhando um

tronco simples com dois traços e uma copa frondosa e cheio de frutas, denominada por ela de

laranjas. A criança relata que a árvore possui 8 anos, por que é média.

Árvores desenhadas no centro da página representam rigidez, algo comum em crianças

pequenas. A analisada desenhou a copa em forma de nuvens, demonstrando capacidade de

fantasia. Tais dados são trazidos no manual do HTP de Buck (2003), porém deve-se atentar

para o que o sujeito fala sobre a árvore quando questionado, também como o contexto do qual

está inserido.

No desenho da pessoa a criança desenhou uma menina de 14 anos, denominada de

Duda, no sentindo vertical da folha. Ela demonstra essa pessoa através de uma forma alegre,

com traços que correspondem a um sorriso. Fica nítida a capacidade de racionalização da

criança quando questionada sobre o porquê da pessoa desenhada está feliz. Ela relata que: ​“É

por causa que ela já foi embora e eu não sei quais os sentimentos que ela está sentindo. ”

​ razendo as interpretações do guia de Buck (2003), percebe-se que a analisada não


T

possui características clínicas. Ela simplesmente desenhou uma pessoa do seu convívio, do

qual tem um forte apreço e transferência positiva, já que a retratou com bastante felicidade.

Por fim, no desenho da família a criança desenha seus familiares na seguinte ordem:

Entrevistada: Essa é a minha família. A primeira é Júlia. Júlia faz um monte de coisas. Ela

anda, ela grita (risos). A segunda é Clara. Ela dança, ela faz arte, ela pinta, ela brinca e

depois ela assiste. A terceira sou eu. Faz tarefa, assisto, brinco, como e tomo banho. A quarta
é a minha mãe. Minha mãe faz um monte de coisas. Ela trabalha como garçonete, ela faz

encomendas, ela cuida da gente e só. O quinto é o meu pai. O meu pai, ele faz muitas coisas

legais comigo. Um dia ele deu um dinheiro pra minha mãe e depois ele me deu uma caixa de

chocolate. Depois o meu tio Léo. Ele trabalha em uma escola para dirigir motos e carros. Ele

joga, ele come e depois ele faz caras engraçadas (risos). Depois é a minha avó. A minha avó

trabalha, trabalha, trabalha... Ela cuida das minhas irmãs e eu. E depois ela vem pra casa e

faz o comer. Depois é Duda. Duda cuida da gente, e ela cuidava de mim quando eu era

criança. E a mãe dela sempre briga, por causa do celular. E depois vem a mãe dela, Vanda, a

mais engraçada! (risos). Ela tem uma espinha gigante aqui no rosto! (mais risadas). E ela

também cuida da gente. E as vezes ela briga com a gente e só. E depois vem Mateus. Mateus

trabalha na faculdade e faz um monte de coisas no Facebook.

Ao falar do pai, que é uma pessoa ausente no contexto social dela, percebeu-se um

certo silêncio e voz trêmula. Infere-se, de certa maneira, uma saudade da figura paterna no

convívio dela.

A mãe é a figura mais importante para ela. Em contrapartida, a cuidadora dela,

denominada de Vanda, é a pessoa que ela considera mais menos feliz, devido a rigidez ao

cobrar dela diversas coisas, como arrumação dos brinquedos e do banheiro ao terminar de

usar. Interessante salientar que ela despersonaliza a cuidadora ao desenhar uma espinha

gigante no rosto dela, seguindo de risadas altas durante a aplicação da entrevista.

Outra característica observada é a projeção que ela faz nas duas irmãs no que diz

respeito a felicidade. Ela considerada a irmã do meio feliz por que sorri o tempo inteiro, e

relata que gostaria de ser a irmã caçula devido as diversas coisas engraçadas que ela faz,

demonstrando o desejo de gostar de fazer “comédia”.


Conclusão

O desenho é utilizado como ferramenta para interpretação da personalidade do sujeito

através da técnica projetiva, de tal forma que auxilia a descoberta de possíveis transtornos ou

traços latentes na personalidade do sujeito analisado. A técnica projetiva de HTP traz grandes

contribuições para a avaliação psicológica e tem sido utilizada amplamente. É possível utilizar

essa técnica em sujeitos de quase todas as idades e, portanto, trata-se de uma ferramenta

generalizável, que quando utilizada corretamente, serve à psicologia como uma matriz.
O sujeito analisado formulou o desenho livre, o HTP e o desenho de sua família, de

forma que foi possível observar diferentes aspectos de sua personalidade, trata-se de uma

criança de 7 anos, que se encontra em conformidade com o desenvolvimento esperado em sua

idade, e que demonstra capacidade de fantasia e criatividade. Não foi possível, ou foi o

propósito do estudo, formular diagnósticos sobre o indivíduo, portanto, a aplicação das

técnicas foi para aprimoramento dos estudos sobre os diferentes tipos de interpretações

possíveis.

Apesar de serem técnicas importantíssimas para a psicologia projetiva é necessário

ressaltar a pouca bibliografia na área, o que dificulta embasar corretamente e evitar quaisquer

erros durante o processo de análise. Torna-se imperativo levar em conta o contexto social e

cultural em que a criança está inserida, sua idade, capacidades de coordenação atribuídas a

essa idade, temperamento da criança e significado do sujeito a seus próprios desenhos. Ao

levar em consideração essas características que envolvem não apenas as técnicas projetivas,

foi formulada uma entrevista semiestruturada com o propósito de permitir que a análise não se

apoiasse apenas no manual de Buck, mas que levasse em consideração a tridimensionalidade

da vida de um indivíduo; social, cultural e cognitiva.

Referências

Borges, L.A. C. & Loureiro, S.R. (1990). ​O desenho da família como instrumento de
avaliação clínica de um grupo de crianças encaminhadas para atendimento
psicopedagógico. ​Arquivos Brasileiros de Psicologia, v. 42, n. 2, p. 106-114, mai. Rio de
Janeiro.
Borsa, J.C. (2010). ​Considerações sobre o uso do Teste da Casa- Árvore-Pessoa- HTP.
Avaliação Psicológica-vol 9. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto
Alegre.
Buck, J. N. (2003). ​H-T-P: casa-árvore-pessoa, técnica projetiva de desenho: manual e guia
de interpretação.​ Vetor. São Paulo.

Carlos, K.A. Fonseca, J.F & Gonçalves, C.M.T.S. (2008). ​Técnica do Desenho Livre no
Diagnóstico Psicológico em conjunto com o Rorschach: Um relato de experiência da
monitoria de TEP IV.​ X Encontro de iniciação à docência. UFPB. João Pessoa.

Hammer, E.F. (1981). Aplicações clínicas dos desenhos projetivos. Editora Interamericana.

Rio de Janeiro.

Ortega, A. C. (1981).​ O desenho da família como técnica objetiva de investigação


psicológica.​ Arquivos Brasileiros de Psicologia v. 33, n. 3, p. 73-81, mar. Rio de Janeiro.

Pinto, E.R. (2014). ​Conceitos Fundamentais dos Métodos Projetivos.​ Ágora. Rio de Janeiro.

Kolck, O. L.V. (1984). ​Testes projetivos gráficos no diagnóstico psicológico.​ Editora


Pedagógica e Universitária. São Paulo.
Anexos

TRANSCRIÇÃO DA ENTREVISTA | MÉTODOS E TÉCNICAS EM PSICOLOGIA II

1º - Desenho Livre
Entrevistador: O que você desenhou?

Entrevistada: Uma flor, uma árvore, duas nuvens, um sol, um céu, uma casa e a minha
família.

Entrevistador: Esse desenho é sobre o que? Ele traz o que para você?

Entrevistada: Ele traz a minha família. Tipo, essa é Júlia, uma das minhas irmãs, que ela é
fofa e adora fazer traquinagens. Essa é Clara. Clara é uma menina esperta e também
corajosa, mas também é um pouquinho teimosa. Depois sou eu, uma menina que estuda e que
Clara vai a uma escola logo. Luana é a minha mãe. Ela faz muitas encomendas e adora eu e
as minhas irmãs. Tio Léo: meu tio Léo ele joga as vezes antes de ir à escola, mas ele também
fez uma pipoca gostosa pra mim, pra Duda e pra Clara. E Tete, meu amigo.

2º - HTP - Desenho da casa

Entrevistador: A casa está aberta ou está fechada?

Entrevistada: Está fechada.

Entrevistador: Está fechada? Por quê?

Entrevistada: Porque que a gente estava tomando café, aí tem que deixar fechada por causa
que pode entrar alguma pessoa desconhecida.

Entrevistador: Hum... E o que você lembra ao olhar para essa casa?

Entrevistada: Lembro da nossa casa velha. Ela tinha flores, terraço e lá dentro tinha uma
sala enorme. Eu gostava muito dela, porém eu gosto muito dessa nova casa.

3º HTP – Desenho da Árvore

Entrevistador: Qual é a idade da árvore?

Entrevistada: 8 anos, porque ela é média.

4º HTP – Desenho da pessoa


Entrevistador: Qual é a idade dessa pessoa?

Entrevistada: 14 anos. E o nome dela é Duda! Ops, apelido!

Entrevistador: Qual é o sexo dela?

Entrevistada: Ela é uma mulher.

Entrevistador: Ela está como? Feliz, alegre, ansiosa....

Entrevistada: Acho que ela está feliz.

Entrevistador: Por quê?

Entrevistada: Eu não sei... É por causa que ela já foi embora e eu não sei quais os
sentimentos que ela está sentindo.

5º - Desenho da família

Entrevistador: Quem são eles e o que eles fazem?

Entrevistada: Essa é a minha família. A primeira é Júlia. Júlia faz um monte de coisas. Ela
anda, ela grita (risos). A segunda é Clara. Ela dança, ela faz arte, ela pinta, ela brinca e
depois ela assiste. A terceira sou eu. Faz tarefa, assisto, brinco, como e tomo banho. A quarta
é a minha mãe. Minha mãe faz um monte de coisas. Ela trabalha como garçonete, ela faz
encomendas, ela cuida da gente e só. O quinto é o meu pai. O meu pai, ele faz muitas coisas
legais comigo. Um dia ele deu um dinheiro pra minha mãe e depois ele me deu uma caixa de
chocolate. Depois o meu tio Léo. Ele trabalha em uma escola para dirigir motos e carros. Ele
joga, ele come e depois ele faz caras engraçadas (risos). Depois é a minha avó. A minha avó
trabalha, trabalha, trabalha... Ela cuida das minhas irmãs e eu. E depois ela vem pra casa e
faz o comer. Depois é Duda. Duda cuida da gente, e ela cuidava de mim quando eu era
criança. E a mãe dela sempre briga, por causa do celular. E depois vem a mãe dela, Vanda, a
mais engraçada! (risos) Ela tem uma espinha gigante aqui no rosto! (mais risadas). E ela
também cuida da gente. E as vezes ela briga com a gente e só. E depois vem Mateus. Mateus
trabalha na faculdade e faz um monte de coisas no Facebook.
Entrevistador: Qual é o melhor de todos? Por quê?

Entrevistada: Minha mãe. Porque ela cuida de mim desde pequena. Ela cuida, ela me
alimenta e faz um monte de coisas como todas as mães.

Entrevistador: Qual é o pior de todos? Por quê?

Entrevistada: Nenhum. Porque todos eles brincam comigo.

Entrevistador: Qual é o mais feliz? Por quê?

Entrevistada: O mais feliz é Clara e Meu pai. Meu pai porque sempre que eu vejo ele, ele fica
com uma cara feliz. E Clara sempre sorri o tempo todo.

Entrevistador: Quem é o menos feliz? Por quê?

Entrevistada: Vanda. Porque ela faz uma cara de brava quando eu pego as coisas no
banheiro, por causa que às vezes eu brinco de papel e ela briga, quando eu esqueço alguma
coisa no banheiro ela briga, quando eu peço o rodo ela briga.

Entrevistador: E você nessa família quem prefere? Por quê?

Entrevistada: Minha mãe. Porque ela não tem muito tempo para mim. Ela sempre trabalha. E
às vezes ela não tem tempo para brincar comigo.

Entrevistador: Qual deles gostaria de ser? Por quê?

Entrevistada: Eu queria ser Júlia. Por causa que ela adora fazer coisas engraçadas. E eu
gosto de fazer comédias.