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A Educação

na transformação
do mundo

segundo
J. Herculano Pires
Por Rita Foelker
Este livro

Busquei, neste livro, elucidar alguns pontos básicos do pensamento de J. Herculano


Pires, sobre educação e pedagogia, destacando o profundo impacto das ações
pedagógicas na sociedade.

Ele nasceu da pesquisa para uma palestra realizada na 2ª Semana J. Herculano Pires,
promovida pela Fundação Maria Virgínia e José Herculano Pires , em setembro de
2019.

Tendo o livro Pedagogia Espírita como ponto de partida, percorri também páginas de
outras obras, especialmente O Homem Novo e O Espírito e o Tempo.

Essa jornada segue o pensamento de Herculano em trechos e citações de suas obras,


cujo encadeamento revela sua concepção sobre a Educação como ponto de partida
para a transformação do mundo.

Rita Foelker

A Educação na transformação do mundo,


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por Rita Foelker
Uma visão pedagógica da existência

Enquanto esteve entre nós, Herculano Pires enveredou corajosamente


por inúmeros temas, incluindo a mediunidade, os estudos doutrinários,
textos filosóficos, a crítica literária, entre outros. A mim sempre pareceu,
contudo, que todos os seus textos e projetos tinham como base
fundamental, além do conhecimento do espiritismo, uma visão
pedagógica da existência.

Isso se torna mais claro quando vemos como os temas da educação e a pedagogia se
espalham nos seus escritos e nos programas radiofônicos. Quando observamos sua
atuação social e cultural na comunidade humana.

Na década de 1970, ele criou uma revista intitulada “Revista Educação Espírita”. Uma
coleção de verdadeiros livros, cheios de conteúdo de alta relevância! Publicada em seis
edições impressas. Consideremos que eram tempos mais difíceis que os atuais. Hoje
em dia, se quisermos lançar uma revista, criamos um PDF, colocamos na rede e, em
segundos, ela pode estar do outro lado do planeta. Mas quatro décadas atrás, as
dificuldades e obstáculos eram muito maiores. Não obstante, foram superados.

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Herculano também foi presidente do Instituto Paulista de Parapsicologia, período em
que criou cursos de parapsicologia, os quais foram ministrados nos centros acadêmicos
da Escola Paulista de Medicina, da Medicina da USP e da Santa Casa de Misericórdia. O
livro Parapsicologia Hoje e Amanhã foi dedicado aos alunos do primeiro Curso de
Introdução à Parapsicologia, ministrado em São Paulo em 1963, e aos colegas do
Instituto Paulista de Parapsicologia, a “primeira instituição científica do ramo a surgir
no Brasil”.

Quando participou do Clube dos Jornalistas Espíritas do Estado de São Paulo, do qual
foi um dos fundadores, iniciou um curso de espiritismo por correspondência, o
pioneiro nessa modalidade, para espalhar as luzes da doutrina espírita a lugares
distantes. Hoje esse curso é publicado pela Editora Paidéia, com o nome de Curso
Básico de Espiritismo.

Haveria outros dados, mas não visamos esgotá-los.

Tudo isso reforça a minha convicção de que Herculano mantinha, em lugar destacado
do seu pensamento espírita, a Educação como fonte principal da melhoria de nós
mesmos.

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A Humanidade é uma só. O ser
humano, em todas as épocas e em
toda parte, foi sempre o mesmo.
Sua constituição física, sua estrutura
psicológica, sua consciência são
iguais em todos os seres humanos.
Essa igualdade fundamental e
essencial é o que caracteriza o
homem. PE
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Ao afirmar que a Humanidade é uma só, Herculano está se referindo à essência
espiritual que é comum a todos os seres humanos, independente de lugar e tempo.

Ninguém é inferior por origem ou por falta de atributos.

Como aprendemos no espiritismo, somos todos criados iguais, centelhas divinas


dotadas de inteligência, com capacidade de aprender e evoluir virtualmente ilimitada.

Mas também com livre-arbítrio, o que ocasiona a multiplicidade de trajetórias que


trilhamos e os diferentes pontos de adiantamento, nos diferentes conhecimentos e
virtudes. Essa diversidade evolutiva é mais evidente quando observamos o
desenvolvimento moral tão díspar, no planeta que habitamos. Imagine-se então, na
infinidade dos mundos habitados, as muitas casas do Pai...

Mas é justamente essa disparidade que torna possível a educação, em que os seres
mais adiantados procuram auxiliar e orientar aqueles mais atrasados, para que
aprendam, se eduquem e elevem!

Herculano pensa a Educação e a Pedagogia a partir dessa noção de uma essência


única, comum a todos os seres humanos.

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por Rita Foelker
As diferenças temperamentais,
culturais, de tipologia psicológica,
de raça ou nacionalidade, de cor
ou tamanho são apenas
acidentais. Por isso mesmo a
Educação é universal e seus
objetivos são os mesmos em
todas as épocas e em todas as
latitudes da Terra. PE
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por Rita Foelker
A compreensão de Herculano sobre a essência comum a todos os seres humanos terá,
como desdobramento natural, uma visão específica da Educação e da Pedagogia.

As diferenças entre nós não são essenciais, elas são “acidentais” no sentido de serem
“superficiais”. Nós falamos idiomas diferentes, temos crenças diversas, vivemos em
ambientes e culturas cheios de contrastes, nossos hábitos variam. Mas todos somos
espíritos encarnados na Terra para evoluir. Hoje somos pessoas que se vestem de certa
forma e que se expressam em variados idiomas, mas também já fomos outras pessoas,
inseridas noutros tempos, noutras paisagens do planeta. Em cada cultura que vivemos,
absorvemos uma infinidade de elementos que criou nossas personalidades em vidas
passadas. Em cada encarnação, compartilhamos signos e símbolos que nos
identificavam naquela vida.

Paidéia (em grego antigo: παιδεία) foi o nome dado à editora que Herculano fundou. O
termo traduz o ideal grego de educação para a formação geral/integral do ser humano,
como homem e como cidadão. E, acrescentamos, como espírito imortal.

Onde quer que se encontre, no espaço e em grau de evolução intelecto-moral, a


Pedagogia Espírita visa o espírito, sendo portanto universal e buscando os mesmos
fins, independente de onde seja aplicada.

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Toda Filosofia,
como nos ensinam os mestres,
desemboca fatalmente numa
Moral, que por sua vez exige
uma Educação para transmitir-se
às novas gerações. PE

FILOSOFIA -> MORAL -> EDUCAÇÃO

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Nós não precisamos de técnicas e métodos distintos para falar à alma imortal. Só
precisamos adequar as práticas pedagógicas aos lugares, culturas e idades.

E quando refletimos na natureza do ser humano, sobre quem somos e para que
estamos na Terra, no decorrer dessas indagações e construções do pensamento,
podemos criar uma forma de entender o homem e a vida que se torna uma visão
filosófica. No mundo e pelo correr dos séculos, inúmeras visões filosóficas surgiram.

Sendo, uma filosofia, um pensamento que reflete uma forma de entender a vida e é
compartilhada por uma comunidade, isso significa que toda filosofia se traduz numa
moral, isto é, numa forma de definir o que é justo ou injusto, certo ou errado, bom e
mau. Afinal, não somos apenas criaturas que pensam, mas que principalmente agem
no mundo, e essa ação tem os parâmetros morais para orientá-la. A moral pode ser
mais rígida ou mais maleável, dependendo da filosofia que a inspirou.

Essa moral, por sua vez, precisa de uma Educação para ser transmitida às novas
gerações.

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• A Educação Clássica greco-romana formou
o cidadão, o homem vinculado à cidade e
suas leis, servidor do Império;
• a Educação Medieval formou o cristão, o
homem submisso a Cristo e sujeito à Igreja,
à autoridade desta e aos regulamentos
eclesiásticos;
• a Educação Renascentista formou o gentil -
homem, sujeito às etiquetas e normas
sociais, apegado à cultura mundana;
• ... A Educação na transformação do mundo,
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• a Educação Moderna formou o homem
esclarecido, amante das Ciências e das Artes,
cético em matéria religiosa, vagamente deísta
em fase de transição para o materialismo;
• a Educação Nova formou o homem psicológico
do nosso tempo, ansioso por se libertar das
angústias e traumas psíquicos do passado,
substituindo o confessionário pelo consultório
psiquiátrico e psicanalítico, reduzindo a religião
à mera convenção pragmática. PE

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O que dissemos, sobre filosofia e moral, fica mais claro quando vermos esse panorama
que Herculano nos oferece, da Educação em diferentes épocas e sociedades. O que
visava essa educação? Quais valores priorizava?

Nós mesmos fomos essas criaturas no passado, reencarnadas hoje com novas
propostas de renovação moral e evolução espiritual!

Mas qual parcela, de todos nós, ainda permanece mais influenciada ou, mesmo,
atrelada a um desses perfis do passado? Às suas virtudes, mas também aos seus
desvios e manias? Quando iremos transcendê-los, quando iremos nos livrar das antigas
vestes, dos antigos hábitos, para nos tornarmos o “homem novo”?

A tarefa Educação, segundo o Espiritismo, se anuncia para essas almas que, cansadas
de errar nos antigos descaminhos, procuram renovar sua compreensão do mundo e
seu propósito de vida.

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A tarefa da Educação Espírita é a
formação de um homem novo. PE

Para construir um mundo novo


precisamos de um homem novo. O
mundo está cheio de erros e injustiças
porque é a soma dos erros e injustiças
dos homens. OHN
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Existem várias propostas de se modificar o mundo. Mas nenhuma delas será efetiva,
nenhuma será duradoura, enquanto o ser humano não se renovar. Enquanto não
passarmos a ser melhores do que somos, enquanto não escolhermos pensamentos e
atitudes melhores.

O homem novo é o homem influenciado pelos princípios cristãos, imbuído da tarefa de


bem compreendê-los para exercitá-los. Iluminado por esses conhecimentos e
vivências, o homem novo adota uma conduta que o distancia do “homem velho” que
já foi, noutros tempos e noutras vidas.

Estudar o Espiritismo, conhecer a doutrina, participar de grupos de estudo é um nível


importante de conhecimento espírita. Mas isso somente não é o bastante para gerar a
transformação de que falamos.

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O Espiritismo está na Terra, em
cumprimento à promessa evangélica
de Consolador, para consolar os
aflitos e oferecer a verdade aos que
anseiam por ela. Sua missão é
transformar o homem para que o
mundo se transforme. OHN

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Herculano não poderia ser mais cristalino, mais transparente, acerca da importância do
espiritismo em nosso planeta, numa hora como esta, alertando-nos para o fato de que,
quando os corações humanos se enternecem e acalentam sentimentos elevados,
quando as mentes passam a funcionar sob o diapasão da fraternidade e da
solidariedade, o mundo velho da ganância, do orgulho, das vãs vaidades e interesses
imediatistas haverá de ruir, por falta de substância.

Pois a substância das transformações é feita das escolhas e atitudes que as tornam
realidade, na comunidade onde vivemos.

Enquanto não escolhermos pensamentos melhores, atitudes melhores, enquanto não


aplicarmos a moral cristã radicalmente, em nossas vidas, enquanto tudo isso não se
tornar parte do cotidiano, o mundo não tem como se transformar.

Muitos hoje estudam o espiritismo como se fosse uma “matéria”, intelectualmente.


Esse é, sem dúvida, um grau de aproveitamento do aprendizado. Mas a meta é tornar
esse aprendizado a nossa forma de viver e de nos relacionarmos com o próximo, com a
Natureza, com o mundo, de modo que ele impregne nossas falas e nossa ação na
existência.

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Há muita gente querendo fazer o
contrário: mudar o mundo para mudar
o homem.
O Espiritismo ensina que a
transformação é conjunta e recíproca,
mas tem de começar pelo homem.
Enquanto o homem não melhora, o
mundo não se transforma. OHN

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A influência do “homem novo” sobre um mundo, começa na leitura, nos grupos de
estudos, mas o aprendizado leva a mudanças nas nossas formas de pensar, falar, sentir
e agir. Quando esses princípios surgem em forma de atos, passamos a influenciar o
meio onde havia, de modo que essa influência traz ao mundo esperança, brandura,
humanidade.

Essas mudanças não podem ser impostas, nem provocadas artificialmente. O “homem
velho” sempre irá se utilizar dos meios que conseguir, mesmo diante do melhor
governo do mundo, na sociedade mais equilibrada e justa, para saciar o seu egoísmo e
o seu oportunismo, prejudicando pessoas, sabotando boas iniciativas e usurpando
cargos para servir aos seus estritos interesses pessoais.

Uma estrutura perfeita constituída por espíritos imperfeitos tende a colapsar, reverter
ao estado de miséria, injustiça, sofrimento, perseguição de opositores e crimes. O
cinema nos oferece muitos exemplos, em Equilibrium (2002), na série Jogos Vorazes (4
filmes entre 2012 e 2015), entre outros. Os bons precisam, primeiro, superar o número
dos maus, para que a sociedade comece se transformar em profundidade.

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Temos de insistir na mudança essencial
de nós mesmos.

Nossa luta é o bom combate do apóstolo


Paulo: despertar as consciências e
libertar o homem do egoísmo, da
vaidade e da ganância. OHN

É precisamente a revolução ética do


Espiritismo que estabelecerá a ordem
moral do mundo de regeneração. OET
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Cada ser humano que passa a ser menos egoísta, menos preocupado consigo mesmo e
mais ocupado com a coletividade, onde quer que essa pessoa se encontre, seja nos
confins do Brasil onde não chegam a internet e a luz elétrica, seja nas altas montanhas
e nos pequeninos povoados, onde quer que esta pessoa esteja, é pela interiorização
desses princípios éticos emanados da doutrina de Jesus, que a Humanidade se torna
melhor.

Nos filmes que citamos, notamos que criar estruturas sociais perfeitas para que o
homem a elas se adeque resulta, frequentemente, em violência, repressão e
exploração dos mais fracos. Desse modo, tais movimentos acabam servindo apenas
aos seus líderes, aos corruptos e aos ricos e aos que galgam altos postos na sociedade.
Objetivos mesquinhos criam a desunião, a guerra, a doença e a miséria.

Pessoas comuns, no entanto, apenas fazendo mudanças simples em suas vidas,


semeiam transformações consistentes e sólidas. Se antes alguém revidaria, diante de
uma ofensa, agora consegue refletir e não revidar... Isso é um começo! A
transformação deve começar pelo homem, não pelo sistema. E a palavra chave que
Herculano aplica, ao tratar disso, é “insistir”. Porque seremos tentados a retomar
velhos hábitos, talvez não sejamos vitoriosos de imediato, mas precisamos continuar
insistindo na mudança interior.

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Aquilo que hoje chamamos de ordem
social, porque baseada nas relações de
sociedades que implicam transações
utilitárias, será de tal maneira modificada,
que poderemos mudar a sua designação.
A humanidade regenerada, embora ainda
não tenha atingido a perfeição relativa
dos mundos felizes, viverá numa
estrutura de relações de tipo moral. OET

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Insistir, não abandonar o propósito do aprimoramento, se transforma num exercício de
persistência. Quando, numa sociedade, todos os seus integrantes absorveram noções
de respeito, de honra, de fraternidade e amor ao próximo, o sistema começa a se
transformar de dentro das pessoas para o exterior.

Algumas leis se tornam obsoletas. As penitenciárias começam a se esvaziar. Essa


sociedade adquire uma outra dinâmica em seu funcionamento. Regulamentos
excessivos perdem sua função, porque as pessoas aprenderam a usar sua liberdade
pelo bem comum.

Quando a consciência elevada funciona com base na Lei de Amor, cada qual sabe como
agir bem e não hesita em fazê-lo.

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Os valores pragmáticos serão
substituídos naturalmente pelos
valores morais, porque o homem não
mais valerá pelo que possui, em
dinheiro, propriedades ou poder
político, mas pelo que revela em
capacidade intelectual e
aprimoramento espiritual. OET

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Valores pragmáticos x valores morais

Valores pragmáticos são aqueles que consideram simplesmente os fins e objetivos


próprios e imediatos, que se deseja atingir.

A transição do estilo de vida utilitário, baseado em ganhos e vantagens (“o que eu vou
ganhar com isso”), comandado pela busca individualista e egoísta de bem estar e
desligado das demandas da sociedade, para uma vida fundada em valores morais é
uma transição de tipo pedagógico. Ela subentende desaprender antigos hábitos,
enquanto se aprende outros.

Nesse novo modelo, cada pessoa não irá se destacar pelo que possui, mas pela
capacidade de viver com ética, em princípios cristãos. É muito provável que você
esteja, neste momento, na sua casa ou no seu trabalho, exercitando esses valores
morais. E este é o exercício mais importante, em favor da transformação da sociedade
e do mundo.

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A dinâmica social da caridade, que o
Espiritismo hoje desenvolve ativamente,
em nosso mundo de provas e expiações,
tem por finalidade romper o
egocentrismo social dos indivíduos
atuais, para em seu lugar fazer
desabrochar o altruísmo moral que
caracterizará o cidadão do futuro. OET

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E, logo após apontar o ponto de partida (valores pragmáticos) e o ponto de chegada
(valores morais) dessa jornada pedagógica/evolutiva, Herculano nos diz como faremos
essa travessia. Qual o caminho dessa transformação.

Ele destaca a dinâmica social da caridade, que é muito ativa entre os espíritas e
também entre outras denominações. E essa dinâmica gera mais do que participação de
uma atividade social, mas pressupõe um novo olhar para a condição humana e a
necessidade do próximo, a percepção do outro com fundamento na caridade e na Lei
de Progresso ou de Evolução.

Esse novo olhar rompe com o egocentrismo social, a visão utilitária e pragmática que
vê no outro, não um Espírito, mas um consumidor de bens, um voto em tempos de
eleição, alguém que só serve quando rende dinheiro ou poder político para uma
minoria. As entidades espíritas têm atuação social reconhecida. Esse exercício faz com
que o Ser pare de olhar só para si mesmo e seu pequeno círculo social, para
reconhecer o outro em bases de fraternidade.

“O altruísmo moral caracterizará o cidadão do futuro.”

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A prática da caridade é o
aprendizado necessário do
altruísmo, é o treinamento
moral das criaturas em
expiação e prova com vistas
ao mundo de regeneração.
OET

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O altruísmo moral é o mais fundo sentido desta frase: “ amaro próximo como a si
mesmo”.

Cada ser imortal está trilhando, neste planeta, uma jornada de aprendizado e
desenvolvimento. Mas necessitamos aprender e exercitar esse altruísmo moral. E
como faremos isso? Diz Herculano: na “prática da caridade”.

Não se trata de oferecer ao próximo as sobras, as migalhas de nossas mesas. Sempre


que fizermos o bem, que compartilharmos e auxiliarmos, esse é o nosso treinamento
para nos tornarmos criaturas melhores.

Ou seja, o verdadeiro necessitado somos nós.

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Para a Pedagogia Espírita o educando
é um reencarnado que necessita de
ensino adequado à sua condição de
portador de experiências vividas em
encarnações anteriores. As novas
gerações de educandos devem
preparar-se para um novo mundo,
onde os fenômenos mediúnicos serão
indispensáveis à própria vida prática.
OET
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Além da aquisição de bons hábitos, desenvolvimento de melhores atitudes e de
elevação moral, o escopo de Pedagogia Espírita é ainda mais abrangente.

Ele visa nos apresentar e nos familiarizar com as realidades da vida espiritual.

Para a Pedagogia Espírita, o educando é um reencarnado, um ser cumprindo uma


etapa de progresso espiritual indispensável à sua própria felicidade. Ele é também
médium das influências que se encontram no seu meio, dentro da sua sintonia – seja
essa mediunidade latente ou ostensiva.

Em toda criança, a Pedagogia Espírita vê o ser que ele foi, as tendências que traz e que
necessitam ser modificadas, mas também os efeitos da sua sensibilidade para o
ambiente espiritual que o rodeia, em razão de suas afinidades espirituais. O educador
não somente o enxerga assim, como o ajuda, ele próprio, a se ver e se compreender
como tal.

Se estamos desejando construir um mundo “novo”, não devemos mais educar crianças
para o mundo “velho”, de ganâncias, violências e desamor.

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O problema do paranormal tem de
figurar forçosamente num sistema
educacional e numa orientação
pedagógica do futuro próximo. Cabe
ao Espiritismo a abertura dessa nova
era na educação, mas se os espíritas
não se interessarem por ela os
educadores e pedagogos não-
espíritas terão de fazê-lo. OET
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Essas crianças não precisarão se tornar adultas e buscar um centro espírita para
aprender sobre mediunidade e reencarnação, porque crescerão familiarizadas com
elas, como realidades inseparáveis do que elas são desde antes de entrar na existência
presente.

Cabe ao espiritismo, que traz bases de entendimento das questões


espirituais/paranormais, construir essa pedagogia.

Herculano, contudo, alerta: se os espíritas não se interessarem por explorar e aprender


sobre esse campo de conhecimento, que é a própria filosofia e ciência espíritas, os
educadores não espíritas precisarão fazê-lo. Contudo, o espiritismo, de consequências
morais inevitáveis, contém todas as bases do conhecimento indispensável para essa
transição pedagógica, que leva do “homem velho” ao “homem novo”.

FIM

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por Rita Foelker
Este livro tem como base a palestra de
mesmo título, proferida na 2ª SEMANA J.
HERCULANO PIRES, de 21 a 25/09/2019, uma
realização da Fundação Herculano Pires.

As citações se referem aos seguintes livros de


J. Herculano Pires:
PE = PEDAGOGIA ESPÍRITA
OHN = O HOMEM NOVO Mestre em Filosofia,
OET = O ESPÍRITO E O TEMPO palestrante e escritora,
seus temas
preferidos são Educação,
Família e Espiritualidade.
Publica livros desde 1992.
Faz palestras no Brasil e
no exterior.
O vídeo da palestra está disponível em
https://youtu.be/XvWsheawdfY
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por Rita Foelker