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INTRODUÇÃO À TEOLOGIA

FACULDADE DE TEOLOGIA E BÍBLIA DO NORDESTE-F.T.B.N


e PROGRAMA VIDAS TRANSFORMADAS POR JESUS

CURSO BÁSICO EM TEOLOGIA

Prof. Hamilton Barreto dos Santos

IDEALIZADOR Pr. JOSÉ ROBERTO MARTINS BARBOSA

PALAVRA DO DIRETOR

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 1


Este é o primeiro módulo que você vai estudar no Curso Básico em
Teologia, que é constituído de 24 disciplinas, distribuído em 12 módulos.

Neste módulo você será introduzido nos principais temas, necessário


para compreensão do papel e da necessidade da teologia para o preparo de
cristãos compromissados com o Ensino e a Pregação da Palavra de Deus.

Esperamos que na conclusão desta disciplina você possa ampliar


seus conhecimentos e aprofundar a sua compreensão acerca da importância
da Teologia, principalmente da Teologia Bíblica, para a Igreja de Nosso
Senhor Jesus Cristo.

E mais, que você possa manejar bem, a Palavra da verdade como


disse o apóstolo Paulo. Entendendo o conteúdo do maravilhoso e
incomparável Livro dos livros, e ter mais condições de estender suas
verdades divinas aos outros por meio da Pregação ou do Ensino e se
preciso for está preparado para também defender a genuína fé em Deus
esboçada nas páginas das Escrituras Sagradas do Velho e do Novo
Testamento.

Hamilton Barreto dos Santos


Teólogo, Especialista em Docência para o Ensino Religioso da Unifal e Ufal

SUMÁRIO

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 2


CAPÍTULO 1: ETIMOLOGIA, ORIGEM, DEFINIÇÕES E O OBJETO
DE ESTUDO DA TEOLOGIA
1.1. Etimologia...............................................................................04

1.2. A origem do termo...................................................................05

1.3. Definições...............................................................................06

1.4. Objeto......................................................................................08

CAPÍTULO 2: OS PROPÓSITOS DA TEOLOGIA EVANGÉLICA

2.1. Entender a fé...............................................................................

2.2. Defender a fé..............................................................................

2.3. Estender a fé...............................................................................

CAPÍTULO 3: A POSSIBILIDADE DA TEOLOGIA

CAPÍTULO 4: AS DIVISÕES DA TEOLOGIA

CAPÍTULO 5: AS CARACTERÍSTICAS DA TEOLOGIA


CAPÍTULO 6: AS FONTES DA TEOLOGIA
CAPÍTULO 7: PARA QUE SERVE A TEOLOGIA
7.1. A Teologia Serve a Missão..........................................................
7.2. A Teologia Serve a Apologética….........................................................
7.3. A Teologia Serve ao trabalho pastoral..........................................................
7.4. A Teologia Serve a Teologia ..........................................................

CAPÍTULO 8: RESUMO HISTÓRICO DA TEOLOGIA


CAPÍTULO 9: TEOLOGIAS NO MEIO CRISTÃO
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

CAPÍTULO 1: ETIMOLOGIA, ORIGEM, DEFINIÇÕES E


O OBJETO DE ESTUDO DA TEOLOGIA.

"Teologia é a ciência de Deus e das coisas divinas, baseadas na


revelação feita aos homens...” (WILIAM BURTON).

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1.1. ETIMOLOGIA - Na composição etimológica da palavra "Teologia",
você encontrará dois termos gregos que podem ser usados de maneira
autônoma e que precedem essa palavra.

São estes os termos: Theos e Logos. Τεο = Theos, que significa:


Deus e Logos que vem de λογ ια, que Significa: Palavra, estudo, tratado,
doutrina, ciência. Logo podemos concluir que etimologicamente,
"Teologia" quer dizer, de modo muito geral, "um discurso sobre Deus",
sem que com essa palavra fique definida a índole do discurso ou da
realidade religiosa que o termo "Deus" signifique.

Convém salientar que o termo teologia não é de origem Bíblica, ou


seja, não se encontra nas Sagradas Escrituras. E mais que o sentido
etimológico dessa palavra permanece subjacente a toda a sua evolução
histórica. De maneira que em qualquer cultura a palavra Teologia pode
significar "Um discurso sobre Deus, ou um discurso sobre os deuses ou
ainda sobre qualquer divindade”. Isso significa dizer que todas as religiões
têm sua teologia.
A história da humanidade mostra que desde os tempos mais
remotos, é possível perceber que o ser humano acreditava que devia existi
em algum lugar um Ser Supremo. Porém a figura do Ser Supremo nas
religiões pode ser classificada em dois grupos: 1. O PRIMEIRO – Algumas
religiões vêem o Ser Supremo como alguém inacessível aos sentidos
naturais do ser humano, ou seja, não tem figura. Não pode ser visto, mas
somente ouvido e sentido. 2. O Segundo grupo, o Ser Supremo tem a figura
humana, apesar dessa figura ter mais a ver com a personalidade do que com
os traços.As religiões sempre tiveram uma idéia precisa sobre o divino.

De acordo com sua crença em Deus, (teologia) as religiões se


classificam como: monoteístas, politeístas, animistas e ateístas.

São consideradas religiões monoteístas as religiões que defendem a


crença na existência de um único Deus. Exemplo: Judaísmo, Islamismo e
Cristianismo. São consideradas religiões Politeístas as religiões que
defendem a crença na existência de vários deuses.Exemplo: Hinduísmo, as
religiões antigas dos gregos e egípcios e etc.

São consideradas religiões animistas as religiões que defendem a


crença na continuidade do espírito humano, que pode voltar ao mundo para
abençoar ou amaldiçoar, com uma grande variedade de espíritos que pode
fazer a mesma coisa. Nessas religiões, geralmente, não há descrição exata

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quanto ao estado dos mortos, além de incluírem a noção de que os mortos
possam ajudar ou prejudicar os vivos. Entretanto, certo bem-estar está
associado às vidas dos mortos bons.Essa poderia ser uma espécie de visão
primitiva da salvação.Exemplo: Jainismo, as tradições indígenas e
africanas.

São consideradas religiões ateístas as religiões que defendem a


crença de que não existe Deus ou deuses. Exemplo: Budismo.

1.2. A ORIGEM DO TERMO - Segundo, ROLDÁN, (2000:18), “Foram os


gregos e não os apóstolos que cunharam o termo”.

É com você acabou de ouvir não foram os cristãos, mas os gregos


quem criaram o termo “Teologia” para designar o discurso que os poetas
elaboraram com freqüência para os deuses. E por essa razão Orfeu e
Homero eram chamados de “teólogos”, pelos gregos.

E do ponto de vista histórico é somente com o filósofo Platão, que


viveu entre 428 a348 a.C. Que se pode constatar o uso da palavra,
Teologia. Isto é, a palavra teologia data da época áurea da filosofia grega.

Contudo é importante frisar que não se pode afirmar categoricamente


que Platão tenha sido o criador dessa palavra. O que se pode dizer é apenas

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que, antes de Platão não se constata em nenhum documento literário o uso
dessa palavra.

Em Platão, porém percebemos o triunfo da racionalidade,


especialmente sobre o mito. Na época de Platão teologia significa um
discurso sobre os deuses mitológicos dos antigos poetas gregos.

Porém foi Aristóteles (384-322 a.C.) outro filosofo da Grécia quem


levou adiante a crítica da linguagem mítica iniciada por Platão sobre os
deuses, e levou a palavra teologia a um uso estritamente filosófico.

Para Aristóteles, "Teologia" é o âmbito da filosofia que indaga sobre


o ser divino. Nela se trata do mais alto conhecimento que o homem alcança
do ser.

1.3. DEFINIÇÕES - Nos itens anteriores estudamos acerca da etimologia e


da origem do termo: Teologia. Porém com o passar do tempo, foram
surgindo diversas definições para o uso da palavra Teologia. De maneira
que, a palavra "teologia" foi se tornando cada vez mais especifica.
Nas linhas que se seguem selecionamos algumas das
definições mais significativas. Para que seja possível respondermos. O
QUE É TEOLOGIA? Alguns teóricos são do ponto de vista que é quase
impossível definir satisfatoriamente alguma ciência. Em se tratando da
teologia Toda definição é apenas uma tentativa de entender melhor essa
palavra. Tendo em vista que ela lida com os mais sublimes vocábulos. E é
sem dúvida por falta de definição, que muitas doutrinas tornam-se
incompreensíveis, ocasionando até erros e heresias.
Definições no âmbito da filosofia - Para o filosofo Platão, Teologia
é o discurso sobre Deus ou deuses. Termo aplicado às narrações

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mitológicas (Cosmogonias). Já para o filosofo Aristóteles a Teologia trata-
se da filosofia primeira, que estuda as causas necessárias, eternas e
imutáveis. Corresponde ao que hoje entendemos por metafísica ou
ontologia. Ele colocou a Teologia como uma divisão da Metafísica. Vista
em antigas faculdades de filosofia como teologia natural.
Definições no âmbito cristão na era pós – apostólica –
ORÍGENES, que viveu em 185 a 254 d.C., Principal teólogo grego. Ele
entendia a Teologia como um discurso sobre Deus e Cristo”. Porém foi
EUSÉBIO quem mais contribuiu para que o termo "teologia" fosse
definido como: "O discurso sobre o Deus verdadeiro".
Porém, é somente no século XII que Pedro Abelardo aplicou o
vocábulo às discussões acerca da religião. E aí ela foi definida como "A
rainha das ciências", mostrando que era possível reatar as relações entre o
Criador e a criatura. Uma mudança radicam ocorre com Lutero, para ele, a
Teologia consiste principalmente em seu uso e prática, e não em sua
especulação.
A ciência de Deus segundo Ele Se revelou em sua Palavra (Ernest
Kevan); A interpretação metódica dos conteúdos da fé cristã (Paul Tilich);
É a ciência na qual a igreja, segundo o estado atual do seu conhecimento,
expõe o conteúdo da sua mensagem, criticamente, isto é, avaliando-o por
meio das Sagradas escrituras e guiando-se por seus escritos confessionais
(Karl Barth); Samuel Wakefield assim a define: "É aquela ciência que
trata da existência, do caráter, e dos atributos de Deus".
Já Charles Hodge escreve: "Teologia é a apresentação dos fatos
narrados pelas Escrituras na sua ordem própria e em relação com os
princípios ou verdades gerais envolvidas nos mesmos fatos que impregnam
e harmonizam em sua totalidade”. O ilustre metodista William Burton
afirmou que a Teologia é "a ciência de Deus e das coisas divinas,
baseadas na revelação feita ao homem por meio de Jesus Cristo, e
sistematicamente, em seus vários aspectos, no âmbito da Igreja Cristã".
Segundo, Flávio de Oliveira Pereira. Teologia é: “A soma dos
conhecimentos humanos sobre Deus e Seus relacionamentos com o homem
e o mundo, apresentados de forma elaborada, objetiva e coerente”. Com
todas essas definições, concluímos que a Teologia quando definida por um
cristão, sempre trata de Deus, mediado pela fé, pela acolhida de sua
Palavra, que por sua vez, nos vem comunicada pela revelação da palavra de
Deus escrita, ou seja, das Escrituras Sagradas, (A Bíblia).
Porém Teologia, no uso cristão. Vai significar um discurso sobre
Deus. Tendo como a base ou fundamento a revelação do próprio Deus,
conforme as declarações Bíblicas. Tal teologia pode ser definida Como:

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Teologia Cristã: Católica ou Evangélica e etc. Em outras palavras podemos
afirma que o uso da palavra teologia sempre será utilizado em um dos dois
principais sentidos: RESTRITO OU AMPLO. Vale ressaltar que teologia
no sentido restrito, é a Doutrina de Deus, ou seja, a Teologia no âmbito
Cristão.
Já vimos que uso da palavra teologia no ambiente grego era usado
tanto tendo em vista os que falassem sobre os seres tidos como divino ou
mais precisamente sobre as divindades, tudo isso por serem os gregos
politeístas. Nesse caso a teologia sempre será utilizada no sentido amplo.
Onde o uso do termo teologia trata-se de um discurso sobre a divindade.
Isto é, Teologia da religião grega, primitiva ou em outros casos teologia das
religiões. Ex.: Seu uso no budismo resultara na Teologia Budista, entre os
judeus, na teologia Judaica, no seio do islamismo, na teologia Islâmica e
etc.
Em resumo: A etimologia da palavra diz apenas que Teologia é um
discurso sobre Deus ou as divindades. E o que irá definir a palavra é o seu
uso. Por essa e outras razões faço minhas as palavra do mestre em teologia
STEPHEN CHALONER: "É uma pena que certos crentes tenham receio
de estudar Teologia”.

1.4. OBJETO DE ESTUDO DA TEOLOGIA - Ao estudarmos Teologia


perceberemos que no centro de seus estudos está Deus, seu objeto
principal. Qualquer reflexão teológica refere-se, de alguma maneira a Deus.
“A verdadeira Teologia tem um caráter teocêntrico”. O grifo é meu.

“Deus é o objeto formal da teologia da revelação”. TOMÁS DE AQUINO

O objeto da teologia é Deus em sua revelação. Sobre Deus, só Deus,


Pode falar. Logo, a teologia somente pode ser o serviço à vontade de Deus,
o serviço à palavra de Deus. Em outras palavras, existe uma teologia do
próprio Deus: sua revelação escrita, (A Bíblia). A Teologia apoiar-se na
estrutura tripartida do crer, conforme a citação de Romano Capítulo 10 e
Versículos 14,15 e 17. Ouve-se acolhedoramente uma pregação da palavra
de Deus. Sobre tal acolhimento se reflete se constrói a teologia.

O último objeto, a Palavra de Deus; isto é, Deus mesmo, chega ao


teólogo pelo viés da revelação.

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Numa palavra, a teologia como ato do teólogo, reflete sobre a fé.
Vista do aspecto do objeto, ela faz ciência sobre Deus. Entretanto, esses
dois aspectos fundem-se em um único movimento que pode ser lido de
duas maneiras:

1 - Deus é o objeto da teologia - ao qual o teólogo tem acesso pela fé


transmitida na pregação viva da igreja; 2 - A reflexão crítica e metódica se
faz a respeito de Deus na mediação da fé acolhida na tradição viva
revelação de Deus; A Teologia não se propõe a dissecar o ser de Deus, mas
apresentá-lo de acordo com os limites estabelecidos pela revelação. (Cf. Dt
29.29).

CAPÍTULO 2: OS PROPÓSITOS DA TEOLOGIA


EVANGÉ LICA
Segundo CHALONER, “A Teologia evangélica tem
os seguintes propósitos: Entender; Estender e Defender a
Fé”.

Para entender o que Chaloner, esta dizendo acerca da teologia


evangélica, farei minhas as palavra do escritor Zacarias Severa, que
simplifica tudo dizendo que o propósito da Teologia é: "Conhecer e expor o
conteúdo e o significado da fé cristã, para fins práticos".

É lamentável que muitos de nossos irmãos e irmãs tenham aversão a


teologia, ou seja, ao estudo das coisas de Deus, ministrada nas Instituições
Teológicas: Escolas, Institutos, Seminários, ou Faculdades Teológicas.
Uma analise cuidadosa das palavras desses dois servos do Senhor, nos
levar a concluir que quem tem aversão a teologia, no mínimo não conhece
seus propósitos, nem tampouco que sua finalidade é a de colocamos em
prática o que aprendemos na Palavra de Deus.

2.1. ENTENDER A FÉ – Entender vem do Latim: Intendere. O


minidicionário Sacconi apresenta a seguinte definição, para entender: V.t.d.
1. Conhecer perfeitamente; 2. Alcançar (o sentido das coisas); 3. Concluir;

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4. Perceber; 5. Compreender. V.t.i. 6. Ser profundo conhecedor de. 7. Ser
perito.

A necessidade de entender a fé pode ser exemplificada em um dos


mais belos dos textos bíblicos. O de Lucas 24.13-21. Neste texto lemos que
dois discípulos estavam caminhando e conversando sobre a morte de Jesus,
fato esse que os levou a perderem as esperanças de ser Jesus, aquele que
iria redimir a Israel. De acordo com a nota de rodapé da Bíblia de Genebra,
redimir a Israel deve ser interpretado como: “os dois chegaram a
acreditar que Jesus traria a libertação política da nação israelita”. E
do versículo 25 até 27 encontramos Jesus falando aos dois discípulos no
caminho a Emáus, o seguinte: “Ò néscios e tardos de coração para credes
tudo o que os profetas disseram! Porventura não importava que o Cristo
padecesse essas coisas e entrasse na sua glória? E ainda: E começando por
Moisés e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em
todas as Escrituras”.

Jesus levou os discípulos no caminho de Emaús, a compreenderem,


isto é, a entenderem que tudo que estava acontecendo com o Ele o Cristo
de Deus, não devia ser interpretado como um fracasso do Messias, pois
tudo o que ele passou inclusive a Sua morte, já constava nas Escrituras,
(Cf. Lc 24.27). Fazendo que aqueles discípulos, que já estavam duvidando
que Jesus fosse o prometido de Deus, (cf. Lc 24.21), conforme a profecia
de Zacarias pai de João Batista, descrita em Lucas 1.67-80.

Um exame do contexto de Lucas 24.13-21 deixa claro que os


discípulos no caminho de Emaús não entenderam que era necessário que o
Cristo padecesse (cf. Lc 24.26). Tudo nos leva a acreditar que as atenções
desses dois servos de Deus não se concentravam no caminho da paixão
(sofrimento) que o Messias (o enviado de Deus) teria que passar, e que era
inevitável, porque havia sido previsto pelas Escrituras (cf. Lc 24.25).

Cristo nesse diálogo desvendou o sentido das palavras ditas


anteriormente pelos profetas a seu respeito. Jesus ajudou esses irmãos a
entenderem que tudo o que havia acontecido com Ele não deveria ser visto
por seus discípulos como obra do acaso. Amados, nesse mesmo capítulo,
no versículo 45, Jesus aparecesse aos onze e mostrou-lhes o caminho para
entender a Bíblia.

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2.2. ESTENDER A FÉ - Estender. (Conj. 5) 1.Aumentar, 2. Ampliar, 3.
Alongar, 4. Estirar e etc. (Proclamar para outras pessoas, ou seja,
compartilhar).

De acordo com os textos do Evangelho de Marcos 16.15 e de Mateus


28.18 e 19. A fé evangélica isto, é as boas novas da salvação deve ser
anunciada a todas as pessoas. Através da Pregação e do Ensino.

1. Pregação - Mc 16.15. Devemos pregar o Evangelho para todas as


pessoas, (Porque todos são Criaturas de Deus); 2. Ensino - Mt 28.18 e 19.
Devemos fazer discípulos de Cristo em todas as nações.

A Teologia Evangélica ajuda na propagação do Evangelho da paz.


Pois ela prepara o cristão para anunciar o evangelho de Jesus Cristo na sua
inteireza. E para tal é necessário que ele ou ela tenha compreendido o que
pretender passar para os outros, (Cf. Tt 1.9 e Ef 4.14).

Em atos 8.4-13 encontramos Filipe pregando o evangelho em


Samaria. E em Atos 8.26-39, Felipe que já era evangelista e com certeza já
havia entendido a fé, agora é instruído pelo Espírito Santo a levar a
mensagem ao Eunuco da Rainha de Candace que precisava compreender o
trecho bíblico examinado.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 11


2.3. DEFENDER A FÉ – Defender, do latim. Defendere. Afastar o inimigo.
Prestar socorro ou auxílio; oferecer resistência a ataque ou agressão; combater e
etc.

Segundo CHALONER, “O cristão precisa ter condições de formular


respostas inteligentes, coerentes às idéias lá de fora”. Este mestre da teologia nos
apresenta três maneiras de defendemos à fé, são elas: 1. Medindo as doutrinas
populares, 2. Confrontando as doutrinas erradas, 3. Disseminando a sã doutrina.

2.3.1. Defendemos a Fé medindo as doutrinas populares – A Falsa


Hermenêutica, isto é, as distorções do texto bíblico.

Quando analisamos as crenças de um povo ou de diversos grupos com as


das Escrituras do Antigo e do Novo testamento. O descrédito dado à Bíblia como
Palavra de Deus inspirada e como a única fonte da verdade Sagrada em questões
de fé e prática, isto é, revelações extras bíblicas. São sem dúvida resultado:

1. A ação diabólica no mundo, II Co. 4.4; 2. A ação diabólica contra a


Igreja. Mt 13.25; 3. O descuido da Igreja em pregar o Evangelho completo.
Mt 13.25.

Essas três coisas foram enumeradas aqui apenas como as três razões
principais que considero para o surgimento das Religiões, seitas e heresias:

2.3.2. Defendemos a Fé Confrontando as doutrinas erradas – As


Seitas: Nos atos dos Apóstolos a palavra grega “heresia” é traduzida por “Seita”,
com aplicação aos saduceus, (At. 5-17), aos fariseus (At. 15-17; 26-5). Os
apóstolos Paulo e Pedro, escrevendo a respeito das heresias qualificaram-nas
como facções, ou de doutrinas que dividem a igreja (I Co. 11-19; Gl.5-20; II Pe.
2-1).

Os escritores eclesiásticos empregam a palavra heresia para designar


aquelas opiniões que se apartam da verdadeira fé. Um dos termos importantes no
estudo e compreensão da heresia é o de Herege.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 12


Herege (a): Tt. 3-10 – Aquele que professam doutrinas que contrariam aos
ensinamentos divinos. O herege, isto é, o indivíduo que teimosamente prefere
seguir o seu próprio grupo, deve ser rejeitado após duas admoestações.

EXEMPLO DE DOUTRINA ERRADAS DE ALAN KARDEC,


(HIPPOLYTE LÉON DENIZARD RIVAIL) o mestre do espiritismo responsável
por ensinar doutrinas erradas como A REENCARNAÇÃO e a EXISTÊNCIA DE
OUTROS MUNDOS:

A REENCARNAÇÃO – Para eles é o ato do homem ou da mulher voltar


à vida em outro corpo para aperfeiçoamento, seja neste mundo ou em outro.
REFUTAÇÃO: A Bíblia é clara em dizer que depois da morte só resta o juízo,
ou seja, a prestação de contas por tudo que fizemos através deste corpo – II Co
5.10, Ap 20.12-15, Hb 9:27.

A EXISTÊNCIA DE OUTROS MUNDOS – Baseados em Jo 14:2.Eles


ensinam que existe não só este mundo mas, também outros, povoados por seres
que estão passando por um processo de aperfeiçoamento.

REFUTAÇÃO: Temos nesta doutrina um erro de interpretação, pois,


Jesus está falando de um lar celeste para todos quantos nele crêem. “Moradas”
não se entende por diversos lugares, mas de um lugar para os remidos – Ap
21:1ss.

2.3.3. Defendemos a Fé Disseminando a sã doutrina. O Autocontrole é


uma virtude necessária Cf. Gl 5.23. Paulo percebendo a falta dessa virtude nos
crentes de Corinto escreveu os orientados acerca do uso devido das línguas no
culto. (Cf. I Co 14.27,28).

Vale ressaltar que as seitas e as religiões mundiais dentre outras


rejeitam as crenças fundamentais da Bíblia Sagrada, total ou parcialmente,
isto é, as doutrinas principais que chamamos Crenças Evangélicas.
Citaremos algumas principais.

A doutrina acerca de Jesus Cristo (Cristologia) - A pessoa e obra de


Jesus é uma das doutrinas mais importantes da fé cristã. Tudo depende do que
cremos em relação a Ele. Cremos que Ele tem duas naturezas, a divina e a
humana, porém as duas naturezas estão unidas em uma só pessoa.

A Doutrina acerca da Bíblia Sagrada (Bibliologia) - Cremos nas


seguintes afirmações: 1 – Ela é a única e suprema autoridade, tanto na doutrina
como na maneira de viver; 2 – Ela é completa. O homem nada pode acrescentar
nem tirar desta revelação; 3 – Ela interpreta-se por si própria. Nenhum texto por
ser interpretado separadamente da Bíblia toda.

Com relação a Deus Cremos na Doutrina Da Trindade (Teologia


Propriamente Dita). – Que declaram fazerem parte da Trindade, três pessoas

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 13


distintas, sendo uma em essência. Pai, filho e espírito, não queremos aqui dizer
três deuses e sim um só Deus em três pessoas distintas, unidas, não no sentido
de fazerem parte de um só corpo material.

Veja: Deus o Pai revelou-se aos patriarcas e profetas, porém a expressão


exata do seu Ser é Cristo (Deus filho), que é o salvador que morreu e ressuscitou,
e deixou o Espírito Santo com a tarefa de Ser o outro Consolador e Guia da Santa
Igreja.

A Natureza humana com relação ao pecado, (Harmatiologia) - Todos


pecaram contra Deus, e isto provocou a separação entre a criatura e seu Criador
fazendo-se necessário o sacrifício remidor do Senhor Jesus para nos conduzir a
uma nova comunhão, como disse o próprio Senhor: “Isto é o meu sangue, o
sangue da nova e eterna aliança que é derramado por vós e por muitos para
remissão dos pecados.”

O homem precisa de Deus. Pois ele é culpado diante do grande Juiz e


precisa de socorro.

Com relação à salvação e a natureza humana, (Soteriologia e


Antropologia teológica) - Cremos que somos salvos da velha natureza pela
graça, mediante a fé, na obra de Cristo.

O homem não pode salvar a si mesmo, nem fazer qualquer coisa para
merecer o seu próprio perdão. Cristo é nosso substituto, pagando com sua morte,
o preço da redenção.

Com relação ao porvir (Segunda Vinda) - A Doutrina acerca do futuro


relacionada com a Segunda vinda de Jesus é a grande esperança dos cristãos,
(Escatologia).

Cremos que a Segunda vinda se dará em duas fases uma será repentina.
Ninguém sabe a hora ou dia deste acontecimento. Será uma supressa. O senhor
virá busca a sua igreja nos ares a esta fase chamamos arrebatamento (I Ts 4.17).
A Segunda fase será visível o texto bíblico diz todo o olho verá, (Cf. Mt 24.30),
será física (Cf. At 1.7) e pessoal. Ele voltará com seu corpo ressurreto e
glorificado.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 14


CAPÍTULO 3: A POSSIBILIDADE DA TEOLOGIA

"Revelação é a manifestação do mistério do ser à


função cognitiva da razão humana." TILLICH (1984:113)

A possibilidade da teologia baseia-se em duas grandes verdades, a saber:


A Revelação de Deus e os dons dos homens.

3.1. A Revelação de Deus - Segundo LANGSTON (1994:16), "Deus


mesmo tem se revelado de várias maneiras ao longo da história”

O que podemos entender por revelação? O termo significa a exposição daquilo


que anteriormente era desconhecido.

SEVERA conceitua revelação como sendo um ato de Deus manifestar a Si


mesmo. E a sua mensagem ao homem, é o produto dessa manifestação.

PAUL. Tillich, falando sobre a revelação de Deus, foi categórico ao


afirmar: “Nenhum indivíduo recebe revelação para si mesmo”. Ele a recebe para
seu grupo, e implicitamente para todos os grupos, ou seja, para a humanidade
como um todo.

Qual é a finalidade da revelação?

Deus deu-se a conhecer ao homem, a fim de que este atingisse o objetivo


para que foi criado: Para conhecer, amar e adorar a Deus. (Cf. Os 6.3).

Segundo DAVIDSON (1997:26), "O Criador é transcendente e


inacessível às suas criaturas, até o momento que ser revele a elas. E o
conhecimento que o homem tem de Deus é correlativo e conseqüente a primeira
auto-revelação divina”.

"Ao adentrarmos a este assunto tão fascinante vale ressaltar que Deus se
manifestou (revelou) e se revela de muitas formas e em muitas maneiras à
humanidade." Eis o testemunho das Escrituras:

"Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e em muitas maneiras, aos


pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo seu Filho". (Hebreus
1.1).

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 15


3.1.1. A Revelação de Deus: Geral e Especial.

Podemos classificar ou dividir a Revelação de Deus em dois grupos: Geral e


Especial.

A REVELAÇÃO GERAL - É dada através da Natureza, da História de Israel e


de algumas outras nações que presenciaram algumas das manifestações de Deus,
da Consciência moral humana e da natureza religiosa do ser humano.

A REVELAÇÃO ESPECIAL - É o meio pelo qual Deus dá a conhecer a Si


Próprio, através das Escrituras e de Jesus Cristo.

A revelação geral: natureza, história e consciência

1. NATUREZA (SL 19.1); 2. DA HISTÓRIA DE ISRAEL E DE ALGUMAS


OUTRAS NAÇÕES QUE PRESENCIAREM ALGUMAS DAS
MANIFESTAÇÕES DE DEUS (ÊX 4.2-8 E JS 23.3-6); 3. DA CONSCIÊNCIA
MORAL HUMANA; 4. DA NATUREZA RELIGIOSA DO SER HUMANO
(Argumento moral ou antropológico EMMANUEL KANT).

Segundo KANT, "Todas as pessoas possuem um impulso moral ou


imperativo categórico, ou seja, essa moralidade nem sempre é recompensada
nesta vida, deve haver alguma base ou razão para o comportamento moral que
está além desta vida. Isso implica na existência da imortalidade, do juízo final e
de um deus que estabelece e sustenta a moralidade recompensando o bem e
punindo o mal."

NOTA: É bom frisar que tais revelações foram destinadas a todos os homens,
com as seguintes finalidades: 1 - Declarar a grandeza de Deus - Sl 19.1; 2 -
Declarar que ela é suficiente para a condenação daqueles que a rejeitarem.

3.1.2. A Revelação Especial: As Escrituras e Jesus Cristo - A Revelação


Especial - É o meio pelo qual Deus dá a conhecer a Si Próprio, através das
Escrituras e de Jesus Cristo.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 16


AS ESCRITURAS SAGRADAS - A BÍBLIA - Segundo LANGSTON
(1994:21), "A Bíblia são as atas das reuniões de Deus com os homens".

Para MILLARD J. (1997:20), "Boa parte da Bíblia trata de casos


específicos e foi escrito para situações específicas na história”.

A revelação é à base das Escrituras. Encontramos do Velho ao Novo


Testamento Deus revelando de forma gradativa e progressiva a sua vontade aos
homens.

Exatamente como disse o salmista: "Lâmpada para os meus pés é a tua


palavra, e luz para o meu caminho" (Sl 119.105).

A Bíblia é, na verdade, o resultado das revelações de Deus na vida dos


seus servos e que depois foram transmitidas por meio da escrita. (Grifo nosso)

DEPOIMENTO BÍBLICO: "Sendo manifestos como carta de Cristo,


ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito
do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do
coração." (2 Co 3.3).

JESUS CRISTO - "Cristo é resplendor da glória de Deus e a expressão exata do


seu Ser." (Hb 1.3)

"E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só como único Deus


verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (Jo 17.3)

3.2. OS DONS DOS HOMENS - "Dons" (plural) e "Dom", que tem como s.f.
"Dádiva", que significa: "o que é dado, ou presenteado".

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 17


Segundo DAVIDSON (1997:27), "Deus deu inteligência ao homem,
preparou-o de maneira a poder compreendê-lo perfeitamente no caso de lhe
fazer qualquer revelação”.

Segundo LANGSTON (1994:16), "Uma das possibilidades de termos


uma teologia se dá pelo fato de termos sido feitos à imagem e semelhança de
Deus, e tal imagem e semelhança torna o homem capaz de receber e
compreender aquilo que Deus revela" (Gn 1.26, 27).

OS DONS DOS HOMENS SÃO: MENTAIS E ESPIRITUAIS.

DONS MENTAIS - São as condições de perceber, comparar, julgar e


organizar com a razão o que é certo ou errado.

DONS ESPIRITUAIS - são os meios pelo qual o homem entra em


comunhão com Deus, através do Espírito Santo que nos ajuda a compreender as
Escrituras. O fundamento teológico é que Deus se revelou e o homem é capaz de
aprender esta revelação.

CAPÍTULO 4: DIVISÕES DA TEOLOGIA


A Teologia como toda ciência possui suas divisões. Tradicionalmente,
vem ela sendo disposta em quatro partes distintas, mas intimamente interligadas:
1) Exegética; 2) Histórica; 3) Sistemática; 4) Prática.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 18


Indicarei posteriormente a natureza e conteúdo de cada uma dessas
divisões. Vamos observar alguns conceitos para cada divisão que retiramos de
vários livros descritos em nossa Bibliografia.

4.1. TEOLOGIA EXEGÉTICA ou BÍBLICA - Ocupa-se diretamente do


estudo do texto sagrado. Ela é a apresentação das verdades como se encontram
na Bíblia Sagrada. O material exclusivo dela é a Bíblia e serve-se da exegese
bíblica. Por isso alguns a denominam de Teologia Exegética.

A Exegese é o estudo cuidadoso e sistemático da Escritura para descobrir


o significado original que foi pretendido. É a tentativa de escutar a palavra
conforme os destinatários originais devem tê-la ouvido e descobrir qual a
intenção original das palavras da Bíblia.

Ela auxilia na restauração, orientação, ilustração e interpretação dos


textos. Além de estudar as línguas da Bíblia, a Arqueologia Bíblica, Introdução
Bíblica e a Hermenêutica Bíblica.

OBJETIVO: Seu objetivo é descobrir o que realmente disseram os autores.


Isto é, ela tenta resumir e reformular o ensino de um texto bíblico sem lhes
impor nenhuma categoria moderna de pensamento. O objetivo ao contrário, é
entender a "teologia" de um livro ou autor da Bíblia em seus antecedentes
históricos.

Levando em consideração seus contextos históricos. Reconhece o


posicionamento teológico de cada escritor que participou do registro da revelação
no projeto Divino.

A Teologia Exegética ou Bíblica divide-se em Teologia do Antigo


Testamento e Teologia do Novo Testamento; ou ainda, Teologia de Paulo, de
Pedro, de João, dos Evangelhos sinópticos etc. Ex.: Teologia Paulina.

Sobre o texto de Filipenses 4.13 diz: "Posso todas as coisas naquele que
me fortalece", o Pr. Gusso, em seu livro "Como Estudar a Bíblia", narra uma
ilustração que nos serve de exemplo.

Certa vez, ao ministrar a um grupo de jovens em uma igreja que ele estava
visitando, percebeu pertencer à decoração da parede daquela igreja, um cartaz
bastante interessante.

Nele havia uma pequena formiga que carregava uma enorme maçã, como
se isso fosse possível. E, acompanhado da figura o texto acima citado, dando a
idéia que os cristãos podem fazer tudo, baseado na interpretação incorreta deste
versículo. Vale ressaltar que tais jovens, infelizmente, não procuram o auxílio da

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 19


exegese para descobrirem o que realmente pretendia ensinar o apóstolo Paulo
com esse versículo.

Segundo Gusso esse texto bíblico não está dizendo que é possível
carregarmos o que a nossa estrutura física não permite. Tal interpretação ou idéia
não passa de um pensamento positivo sem a devida base bíblica aceitável.

Lembre-se que já disse que o objetivo da exegese é entender a "teologia"


de um livro ou autor da Bíblia em seus antecedentes históricos (contexto).

Então vejamos o que diz o contexto do versículo citado. Cf. Fp 4.10-19:

- Ora, muito me regozijo no Senhor por terdes finalmente renovado o


vosso cuidado para comigo; do qual na verdade andáveis lembrados, mas vos
faltava oportunidade.

- Não digo isto por causa de necessidade, porque já aprendi a contentar-


me com as circunstâncias em que me encontre.

- Sei passar falta, e sei também ter abundância; em toda maneira e em


todas as coisas estou experimentado, tanto em ter fartura, como em passar fome;
tanto em ter abundância, como em padecer necessidade.

- Posso todas as coisas naquele que me fortalece.

- Todavia fizestes bem em tomar parte na minha aflição.

- Também vós sabeis, ó filipenses, que, no princípio do evangelho,


quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo no sentido de dar
e de receber, senão vós somente;

- Porque estando eu ainda em Tessalônica, não uma só vez, mas duas,


mandastes suprir-me as necessidades.

- Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa
conta.

- Mas tenho tudo; tenho-o até em abundância; cheio estou, depois que
recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro suave,
como sacrifício aceitável e aprazível a Deus.

- Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas


na glória em Cristo Jesus.

Aprendemos com o contexto que o apóstolo Paulo está falando da


capacidade que ele havia recebido de Deus para saber portar-se em qualquer
situação difícil sem murmurações. Isto é, ele soube comportar-se como um

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 20


verdadeiro cristão na escassez (privações da vida) da mesma forma que na
abundância. E nós devemos seguir o exemplo do apóstolo.

Vale frisar que o contexto deste texto Bíblico, deixa bem claro que, assim
como Deus deu ao Apóstolo ele a capacidade de suportar qualquer situação
difícil, todo tipo de adversidade, também a nós Ele pode dar, se assim for da Sua
vontade.

NOTA: Ao interpretarmos qualquer texto bíblico não devemos prender


nossa atenção para este ou aquele versículo isolado e nos esquecermos daquilo
que vem antes ou vai depois dele, no mesmo texto (contexto), porque isso, no
mínimo nos fará correr o risco de interpretar o texto de forma errada. (Eisegese).
É preciso, na interpretação de um texto bíblico, levar em conta o contexto onde
está localizado determinado versículo ou versículos.

O QUE É O CONTEXTO? São os versículos que precedem e seguem o


texto que se estuda. No contexto achamos expressões que nos esclarecem e
definem o significado da palavra obscura. Não se esqueça que é necessário
levar em conta o contexto a fim de decidir se determinadas expressões devem
ser tomadas ao pé da letra ou em sentido figurado.

1. Imediato - capítulo ou passagem completa. Ex. Capítulo 4 de Filipenses; 2.


Próximo - o livro todo que encontra o texto; Carta de Paulo aos Filipenses; 3.
Geral - a Bíblia como um todo.

4.2. TEOLOGIA HISTÓRICA - Traça o desenvolvimento das doutrinas


bíblicas desde o fim da era apostólica até o presente. Isto é, traça a história do
povo de Deus através da Bíblia e da igreja.

Esta divisão é a exibição progressiva dos fatos históricos desde a criação até os
nossos dias.

A) Relata resultados deste desenvolvimento na vida da igreja;


B) Opina sobre tendências teológicas na igreja.

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4.3. TEOLOGIA SISTEMÁTICA - Toma o material fornecido pelas
teologias: exegética e histórica, e o arranja em ordem lógica. É através dela que é
feita a defesa das doutrinas expressas nos símbolos da igreja. Ela tem dez
subdivisões.

Sistemática - Utiliza o conhecimento fornecido pelas teologias bíblicas e


históricas.
a) Codifica o conhecimento de Deus, sistematicamente, para edificar o corpo
com a sã doutrina;
b) Combate às heresias.

A matéria-prima da sistemática é o dado revelado, aprofundado,


reinterpretado e enriquecido pela tradição viva e regulada pelo magistério, no
correr da história.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 22


Segundo LIBÂNEO (1998:224): "Compreende uma série de disciplinas,
resultantes da elaboração teórica da Igreja durante os quase dois mil anos de
sua existência".

Já para ERICKSON (1997:16): "A sistemática não examina cada livro da


Bíblia separadamente, mas procura juntar em um todo coerente o que toda a
escritura afirma sobre cada tópico, tal como o pecado do homem ou a existência
dos anjos etc".

Perceberemos a diferença dos dogmas da fé estabelecidos entre os


CATÓLICOS E OS EVANGÉLICOS.

OS CATÓLICOS: Dão um excessivo peso à dogmática, baseado nos


pronunciamentos do magistério da Igreja de Roma.

EVANGÉLICOS: Acentuam mais a teologia bíblica, aceitando a teologia


elaborada pelos primeiros concílios da Igreja Teologia da reforma e etc.

DISCIPLINAS PRINCIPAIS NOS INSTITUTOS CATÓLICOS

Cristologia, Eclesiologia, Sacramentos (em geral e especificamente os sete), A


Trindade, Antropologia Teológica (criação, pecado, graça e salvação) e, ainda,
Escatologia e Mariolatria.

DISCIPLINAS PRINCIPAIS NOS INSTITUIÇÕES PROTESTANTES

TEOLOGIA (Teologia propriamente dita):

O estudo da doutrina acerca de Deus, onde veremos, entre outros os


seguintes assuntos:
A natureza de Deus; . Unidade; Trindade; Nomes; Decretos de Deus, e
etc.

BIBLIOLOGIA: O estudo da Bíblia, ou seja, das Escrituras do VT e do


NT, onde veremos, entre outros os seguintes assuntos: O cânon do VT e
NT; a doutrina da Inspiração, da Iluminação etc.

ANGELOLOGIA: O estudo dos anjos, onde veremos, entre outros, os


seguintes assuntos: 1. Panorama; 2. Classificação; 3. Queda; 4. Batalha
Espiritual etc.

ANTROPOLOGIA TEOLÓGICA: O estudo acerca do homem. Nesta


matéria você irá estudar: 1. Criação; 2. Unidade e Constituição; 3. Queda.

HAMARTIOLOGIA: O estudo acerca do pecado. Nesta matéria você irá


estudar: 1. A doutrina do pecado; 2. As conseqüências do pecado etc.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 23


CRISTOLOGIA: O estudo acerca da Pessoa e da obra de Jesus Cristo.
Nesta matéria você irá estudar: 1. A Ira de Deus e a propiciação sobre o
pecado; 2. Jesus, o último Adão; 3. Os ofícios de Cristo; 4. A identidade,
a integridade e a autoridade de Jesus Cristo; 5. A obra de Cristo.

SOTERIOLOGIA: O estudo relacionado com a doutrina da salvação.


Nesta doutrina você irá estudar: 1. A doutrina da eleição; 2. A natureza da
salvação; 3. A conversão; 4. A justificação; 5. A união com Cristo; e, por
fim, 6. A santificação.

PNEUMATOLOGIA OU PACLETOLOGIA: O estudo acerca da Pessoa


e da obra do Espírito Santo. Nesta matéria você irá estudar: 1. A natureza
e simbologia do Espírito Santo; 2. O ministério do Espírito Santo no
Crente; 3. O Espírito Santo e o pecador.

ESCATOLOGIA: O estudo acerca da doutrina das últimas coisas. Nesta


matéria você irá estudar: 1. A segunda vinda de Jesus; 2. O estado
intermediário; 3. O dia do juízo e outras.

ECLESIOLOGIA: O estudo acerca da doutrina da Igreja. Nesta matéria


você irá estudar: 1. A natureza da Igreja; 2. A organização da Igreja; 3. As
ordenanças da Igreja; 4. A vocação da Igreja.

4.4. TEOLOGIA PRÁTICA - Trata da aplicação da Teologia na regeneração,


santificação. É a aplicação dos ensinos teológicos em nossas vidas. Ela aplica a
teologia bíblica, histórica e sistemática, à santificação do homem, ou seja, à vida
e ao ministério do homem.

Por exemplo, o apóstolo Paulo não expôs a doutrina apenas para informar
seus leitores, de modo que tivessem dados. Antes, ele pretendia que a doutrina
exposta fosse aplicada na vida cotidiana (Cf. 1 Ts 4.16-18).

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 24


CAPÍTULO 5: AS FONTES DA TEOLOGIA

Os dicionaristas definem fontes como: Ponto de origem ou disseminação.


Ou seja, aquilo que propicia informação.

À semelhança das demais ciências, a teologia Evangélica possui suas


fontes, sem as quais não poderia sedimentar suas declarações e artigos. Suas
principais fontes são: A Bíblia Sagrada; A Consciência; Natureza e a
Experiência.

5.1. A BÍBLIA SAGRADA - Como a ciência da única e verdadeira religião, a


Teologia tem como fonte primária a Bíblia Sagrada. É na imutável e soberana
Palavra de Deus que a Teologia vai buscar toda a sua autoridade. E todo o
material que apresenta é extraído necessariamente da Bíblia; sua matéria-prima é
a revelação divina.

A BÍBLIA SAGRADA - A Bíblia é o repositório inesgotável de histórias,


fatos, parábolas, imagens, símiles, metáforas e etc. Exemplo: Lugar, de onde
brota a água viva e o alimento sólido. (Cf. Mt 4.1-4 e Jo 4.10-15)

• As Escrituras do V.T. e do N.T. constituem um poderoso arsenal de onde


todos os verdadeiros pregadores tiram munição para os seus combates. (Cf. II

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 25


Tm 2.15).O Dr. Shedd ao comentar esse versículo nos explica que o
“MANEJA BEM”. Significa : Exegese certa, sem desvios nem distorções.

Os sacerdotes, escribas e fariseus foram fortemente advertidos por Cristo.(Cf.


Jo 5.39 e Mt 22.29). Ao seu jovem discípulo Timóteo, fala o apóstolo acerca da
importância e da autoridade da Palavra de Deus como a fonte primária de todo o
arcabouço doutrinário cristão:

Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para


repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus
seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra. (2 Tm 3.16, 17)

5.2. A CONSCIÊNCIA - Sendo a voz secreta que o Senhor calou-nos na


alma, e que está sempre a aprovar-nos ou a reprovar-nos, lembrando-nos
sempre de que há um Deus nos céus a quem um dia seremos chamado a prestar
contas, pode a consciência ser considerada uma das fontes primárias da
Teologia.

Aos romanos, o apóstolo discorreu acerca da função da consciência:

Pois não são justos diante de Deus os que só ouvem a lei; mas serão
justificados os que praticam a lei (porque, quando os gentios, que não têm lei,
fazem por natureza as coisas da lei, eles, embora não tendo lei, para si mesmos
são lei, pois mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando
juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer
defendendo-os), no dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por
Cristo Jesus, segundo o meu evangelho. (Rm 2.13-16)

Não há pensador que possa contradizer o apóstolo dos gentios. O filósofo


alemão Emmanuel Kant afirmou que a consciência é um instinto que faz com
que nos julguemos à luz das leis morais.

Já L. Bottach declarou : "Quando o homem consulta a razão, escuta a ciência;


Quando consulta o sentimento, escuta a virtude; quando consulta a consciência,
escuta a Deus".

A consciência, conquanto indispensável, é falha; pode ser cauterizada.


Acerca da fragilidade da consciência, escreveu Jaime Balmes: "A consciência é
uma âncora, não um farol; basta para evitar o naufrágio da inteligência, mas não
para indicar-lhe a rota". Por isso, ela carece de ser calibrada constantemente
pelas Sagradas Escrituras.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 26


5.3. NATUREZA - Filosoficamente a natureza pode ser definida como
a força ativa que estabeleceu e preserva a ordem natural de tudo quanto existe no
Universo. Esta definição, contudo, pode fazer da natureza uma divindade em si
mesma. Tem-se a impressão de que ela pensa, age, cria, preserva e intervém no
Universo. Ou seja: é um ser absoluto; ao invés de criatura, criadora.

A Bíblia não a vê assim. Ela é apresentada como tendo sido criada por
Deus e por Ele vem sendo preservada. Aos gentios que buscavam adorar mais a
criatura que o Criador, advertiu o seu apostolo:

Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça


dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode
conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Pois os seus atributos
invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação
do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são
inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram
como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram,
e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos,
e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem
corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. (Rm 1.18-21)

O que Paulo quis deixar bem claro aos gentios era que, embora não
possuíssem eles a Lei e os Profetas, poderiam, através da observação das coisas
criadas, ter chegado à conclusão de que a existência do Único e Verdadeiro Deus
é uma realidade. Ao invés disso, porém, resolveram divinizar a criatura e
desprezar o Criador. Um pensador francês louvava a Deus por sua criação, mas
reconhecia ter esta muitas limitações: "A natureza tem perfeições pelas quais
demonstra ser imagem de Deus, e defeitos pelos quais demonstra que dele é
apenas a imagem..."

Sendo a natureza portadora de uma linguagem tão eloqüente, é tida como


uma das fontes da Teologia; Deus a utiliza para revelar-se ao homem. Todavia, é

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 27


insuficiente para demonstrar todas as reivindicações do Único e verdadeiro Deus.
Faz-se necessário recorrer às Sagradas Escrituras, fonte de toda a verdade e
perfeições.

5.4. A EXPERIÊNCIA - A experiência religiosa é uma das mais


expressivas fontes da Teologia; demonstra que é possível ao homem relacionar-
se com Deus. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, os santos porfiavam
por esta experiência; seus espíritos ansiavam por Deus. Davi chegou a comparar
a sua alma a uma corça perdida no deserto, e que muito sofria pelas correntes das
águas (Sl 42.1).

E o que dizer de Isaías ao contemplar o alto e sublime trono? Ou Jeremias


a desfazer-se em lamentações pela intervenção divina? Ou Ezequiel que se
entregava sem reservas aos cuidados da glória divina?

Todos os santos tiveram uma profunda e marcante experiência com Jeová,


e sobre ela assentaram as bases de sua teologia. Através da experiência,
concluímos: a ciência que discorre acerca de Deus e de suas relações com o
Universo não é somente válida; é relevantemente transformadora.

O Cristianismo não é teórico; é antes de tudo experimental. Leva-nos a


entrar em contato com O Único e Verdadeiro Deus, através de Jesus. É por isso
mesmo que necessitamos de uma doutrina metódica e ordenada, que nos leve a
conhecer sempre mais o Redentor.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 28


CAPÍTULOVI: CARACTERÍSTICAS DA TEOLOGIA

Para nossa compreensão das características da teologia, se faz a meu ver


necessário respondemos a seguinte questão: O que são características? O
minidicionário da Língua portuguesa Larousse cultural, define essa palavra,
como: O que constitui o caráter distintivo, a particularidade de uma pessoa ou
uma coisa. O teólogo Flávio de oliveira pereira, afirmou certa vez que a teologia
possui quatro características. São elas: BÍBLICA, HUMANA,
COMUNITÁRIA E PRÁTICA.

6.1. A TEOLOGIA É BÍBLICA - Sua Fonte é a Bíblia a Palavra de Deus. A


Bíblia é na verdade o resultado das revelações de Deus aos Seus servos que
foram registradas também para o nosso benefício. (Cf. Is 40.8; Jo 20.30-31).
Vale frisar que o que não se encontra registrado na Bíblia trata-se da
exclusividade de Deus (Cf. Dt 29.29). O que Deus julgou ser necessário para
conhecermos sobre: Ele, nós e algumas outras coisas encontraremos nos dois
testamentos. (Cf. Sl 119.105). Exemplos: Deus deixou registrado através do livro
de Daniel que ouve as nossas orações. Porém também deixou claro que o inimigo
fará de tudo para que a resposta as nossas orações, não cheguem ao nosso
encontro. E ainda relata que se for necessário Deus enviará reforço celestial para
romper os obstáculos. Vale frisar que cabe à nos duas coisas: Orar e persevera
em oração para recebermos a vitória. Cf. (Dn 10.2-4 e 12).

O Novo Testamento é o livro onde está registrado o estabelecimento e o


caráter das Novas negociações de Deus com os homens por meio de Cristo. Vale
frisar que os homens podem rejeitar ou aceitar a Nova Aliança, porém nunca
altera-la. Infelizmente, muitos irmãos oram pedindo para Deus, revelar a Sua
Vontade, e se esquecem, que a Bíblia registra a vontade de Deus de um modo
geral. Por exemplo: Existem na Bíblia várias declarações de coisas que são ou e
de algumas que não são da vontade de Deus.

Não é da Vontade de Deus que um crente se case com uma descrente,


Deus já revelou a Sua Vontade acerca deste negocio. (Cf . II Co 6.14-18).

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 29


6.2. A TEOLOGIA É HUMANA - É na verdade uma atividade também da
reflexão humana. Isto é, o resultado das conclusões de vários teólogos em épocas
diferentes. Ou seja, Deus capacitou homens e mulheres para compreenderem e
divulgarem a Sua Palavra. Exemplo: A Teologia da Reforma. Em 1521, na Dieta
de Worms, MARTINHO LUTERO declarou que sua fé não se fundamentava
nem no Papa, nem nos concílios, mas somente nas Escrituras.

CAIO FÁBIO DE ARAÚJO, certa vez comentou que Davi o homem


que foi declarado segundo o coração de Deus. Não conseguia ser um bom Pai, e
se analisarmos esse homem de Deus a luz das exigências para o diaconato. Ele
não preencheria o requisito principal. A Bíblia mostra também as fraquezas
humanas. Sabia que Natã o profeta cometeu um equivoco crasso.

O LABOR TEOLÓGICO É UMA ATIVIDADE HUMANA - A Teologia


Medieval era pautada nas idéias dos pensadores mais conhecidos como
Pais da Igreja. Eles detinham a palavra final para o viver da Igreja de
Cristo.

Lutero recusou-se a aceitar tal idéia (o presente de grego). E afixou à


porta da Igreja de WITTEMBERG as 95 teses nas quais expunha de maneira
resumida sua crítica, apresentando as razões da rejeição da Teologia da Época.

Com Lutero ocorreu uma verdadeira revolução na hermenêutica bíblica


com o seu principio: “SOLA SCRIPTURA” E “SCRIPTURA SUI IPSIUS
INTERPRES”.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 30


6.3. A TEOLOGIA É COMUNITÁRIA - Ela se expressa na vida do
indivíduo e, conseqüentemente na vida da comunidade de fé, a Igreja. O
Teólogo encontra na Bíblia os RECURSOS, para se não resolver
minimizar as angustias e preocupações do povo isto, é de sua comunidade
eclesial. Lutero é um dos modelos daqueles (Teólogos), que fizeram e
ainda fazem teologia preocupados com seu grupo.

Rejeitou os abusos da teologia Católica Romana, (comunidade


católica): Vendas das Indulgências; Purgatório e etc.

Ele quer receber respostas e respostas “certas”, que lhe dêem segurança
interior. Afinal de contas ele é alguém que precisa buscar o contato direto com o
Espírito Santo. Quando se afirma que a teologia é comunitária, o que se pretende
dizer é que ela é uma atividade para ser exercida em conjunto, partilhada pelos
membros da comunidade da fé (A Igreja). Ela se expressa na vida do indivíduo e,
consequentemente na vida dos Irmãos da Congregação onde somos
membros.EX: Teologia Batista, Presbiteriana, Assembléiana e etc.

A Teologia é Comunitária porque leva o Teólogo a buscar na Bíblia as


RESPOSTAS, para se não resolver, minimizar as angustias e preocupações do
povo que surge nas congregações no dia-a-dia. Lutero é um dos modelos
daqueles (Teólogos), que fizeram e ainda fazem teologia Comunitária, que se
preocupa com o povo. Ele rejeitou os abusos da teologia Católica Romana:
Vendas das Indulgências; Purgatório e etc. O povo de Deus quer receber
respostas certas que lhe dêem segurança interior. Afinal de contas o teólogo é
alguém que precisa buscar o contato direto com o Espírito Santo. EX.: Os
apóstolos fizeram teologia comunitária, cf. Atos 6.1-7, eles se reuniram para
resolver questões de sua comunidade, como resultado foi eleito pelo o povo sete
diáconos. Tal eleição visava na época resolver um problema de ordem social. As
viuvas dos irmãos gregos convertidos estavam sendo preteridas na distribuição
diária de donativos conforme o texto Bíblicos citados acima. E foram escolhidos
pela Igreja sete homens, os quais foram encarregados para este negócio
(Diaconato).

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 31


6.4. A TEOLOGIA É PRÁTICA - Por que não é distante da realidade e
mais ela deve ser aplicada no dia-a-dia, cf. Js 1.7-8. Tão - somente se forte
e mui corajoso para teres a cuidado de fazer segundo toda a lei que meu
servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a esquerda, para
que sejas bem sucedido por onde quer que andares.

Não cesses de falar deste livro da lei; antes medita nele dia e noite, para
que tenhas cuidado de fazer segundo a tudo quanto nele está escrito; então fará
prosperar o teu caminho e serás bem sucedido.

Ela visa como disse o apóstolo Paulo, levar o homem de Deus a maturidade
e a verdadeira prosperidade. Vale citar aqui o comentário de CALDWELL
RYRIE, Ph. D comentarista das notas de rodapé da Bíblia Anotada para os
versículos 7e 8. “O sucesso da missão de Josué dependeria de sua obediência
pessoal à lei de Deus, que já estava escrita e já era vista como autoridade
definitiva em sua época”.

Quem é bem-aventurado ou verdadeiramente feliz se não o que tem o seu


prazer na lei do SENHOR cf. (Sl 1.1-3). Bem-aventurado o homem que não anda
no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta
na roda dos escarnecedores. Antes o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei
medita de dia e de noite. Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas,
que no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto
ele faz será bem sucedido. A tradição (doutrinas de homens) mão deve sobre
pretexto algum se considerada de igual valor a Bíblia.

Jesus apontou em seus dias para a necessidade de não nos limitarmos ao


conhecimento bíblico é preciso coloca-lo em prática cf. (Mt 7.24-28). As
verdades na Bíblia quando descoberta e apresentadas pelos teólogos podem e
devem ser aplicadas na vida cotidiana. O verdadeiro teólogo não fica apenas
especulando, afinal de contas ele não é filósofo.

O texto bíblico citado acima é sem dúvida o que mais aponta para a
necessidade de uma teologia prática. Ele estabelece a diferença entre o crente
prudente e o insensato. Vale ressaltar que ambos precisam conhecer a Palavra de
Deus. Porém o que vai declarar o prudente é a atitude de prática o que ouviu.
Porém nos dias de hoje, infelizmente são poucos as que se assemelham ao
eunuco da rainha de Candace que procuram pela compreensão do significado do
texto bíblico e terminam como aquele homem que construiu a sua casa sobre a
areia (ensinos e recomendações sem fundamento bíblico real).

Os quais não resistiram a ação demolidora do juízo final. A Bíblia


recomenda que cada crente veja como edifica cf. (I Co 3.10). A teologia bíblica
deve ser colocada em prática, para que a Igreja seja edificada sobre o fundamento
dos apóstolos e profetas cf. (Ef 2.20).

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 32


CAPÍTULO VII: O SERVIÇO PRESTADO DA TEOLOGIA
A IGREJA

É possível que a teologia não seja a coisa mais importante nem a


primeira que deve ocupar-nos, porém ela certamente é indispensável a igreja não
pode existir sem interrogar-se constantemente, á luz da escritura acerca da

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 33


fidelidade dos eu testemunho e da coerência entre sua mensagem, sua vida e seu
culto. José Miguez Bonino.

Certo escritor disse certa vez que se encontrava há alguns anos atrás
assistindo a uma conferência no Luna Park de Buenos Aires, tal conferência
tinha como tema a história da evangelização. Em dado momento, um conhecido
seu aproximou-se dele e disse-lhe: “Necessitamos de homens de Deus, não de
teólogos”. Essas palavras representam toda uma posição tomada a respeito da
teologia. Tal afirmação pretende nos dizer pelo menos duas coisas: A primeira,
que a teologia não é necessária ou, pelo menos, não tão necessária como outras
tarefas cristãs, e a segunda, que a teologia não é para “homens de Deus”, ou seja,
alguém não pode ser espiritual se, dedica-se a fazer teologia.

Será isso verdadeiro? Creio firmemente que não. Porém é claro que para
muitas pessoas a teologia é uma tarefa para quem tem tempo de sobra e, por isso
dedica-se ao trabalho acadêmico. Assim como há gente que se propõe estudar
filosofia e até a elaborar um pensamento filosófico, há cristãos que se dedicam à
teologia. As críticas a estes as vezes são tão azedas que não falta quem diga que
os teólogos são preguiçosos, dedicam-se a estudar porque não querem trabalhar.

Para outros críticos a teologia constitui uma espécie de hobby,


entretenimento próprio dos que levam a vida cristã muito a sério. No entanto,
mesmo admitindo que essas críticas não sejais necessariamente mal-
intencionadas e que em algumas ocasiões podem ser válidas, entendemos que a
teologia é uma tarefa de todos os cristãos.

A teologia em vez de ser um mero entretenimento, é uma das tarefas


primordiais de todo crente. Seja como for, procuremos responder a pergunta
básica: Para que serve a teologia?

Neste capítulo apresentaremos a resposta a essa indagação, através de


quatro afirmações são elas: 1. A TEOLOGIA SERVE A MISSÃO; 2. A
TEOLOGIA SERVE A APOLOGÉTICA; 3. A TEOLOGIA SERVE AO
TRABALHO PASTORAL; 4.A TEOLOGIA SERVE A TEOLOGIA.

7.1. A TEOLOGIA SERVE A MISSÃO – Nas últimas décadas tem-se


falado e escrito muito sobre a missão da igreja. Colocar o tema da missão
da igreja implica referir-se a um amplo corpo teológico. Significa abordar
não só a eclesiologia, mas também o modo como entendemos Deus e seu
propósito para o mundo. Um dos melhores resumos teológicos do tema
encontrou na obra conjunta de John R. W. Stott e Basil Meeking,
Diálogos sobre La misión. Ali se expressa o seguinte: Estamos de acordo
em que a missão surge da dádiva e do amor do deus trino, e de seu
propósito eterno para toda a criação. Sua meta é o reino do Pai, um reino
teocêntrico manifestado pela edificação do corpo de Cristo e cultivado na
comunhão do espírito. Com base na primeira vinda de Cristo e no
derramamento do Espírito Santo, a missão cristã tem uma dimensão

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 34


escatológica: convida homens e mulheres a entrar no reino de Deus por
meio de Cristo, o Filho pela obra e a regeneração do espírito.

Mas das questões teológicas que surge quando tratamos da missão é


determinar se ela consiste somente na evangelização ou se esta tarefa é uma parte
da missão, mas não sua totalidade. Em outros termos: Em que consiste a missão
da igreja? A missão resume-se à evangelização? Se entendermos a missão a
partir do modelo de Jesus de Nazaré, a resposta talvez fique mais fácil. Uma
leitura honesta dos evangelhos deixa evidente que a missão de Jesus estava
centrada na proclamação do evangelho, mas não se reduzia a uma simples
mensagem.

A missão de Jesus consistiu em: evangelizar, batizar, ensinar, curar,


libertar, alimentar, ajudar (veja isso, passagens como Lc 4.16-21; Mt 9.35-39;
28.18-20). Apesar de deixar claro que a missão da igreja não consiste apenas na
evangelização, por razões de espaço neste contexto da nossa reflexão vamos
referi- nos às relações entre teologia e evangelização.

A fundamentação teológica para a evangelização não é uma opção, nem


um apêndice. Ela é essencial se pretendemos ser porta-vozes de um evangelho
fiel à Bíblia e que mostre ser relevante ao homem de hoje. Outro grande
evangelista da história, Charles Spurgeon, o “príncipe dos pregadores”, indicou
essa importância quando disse:

Sejam bem instruídos em teologia, e não façam caso do desprezo dos que
fazem troca dela porque a ignoram. Muitos pregadores não são teólogos, e disso
procedem aos erros que cometem. Em nada pode prejudicar o mais dinâmico
evangelista o ser também um teólogo sadio, e com freqüência pode ser o meio
que a salva de cometer enormes disparates.

Em segundo lugar, boa parte da educação teológica não está orientada


para a evangelização. Se repassarmos os programas de institutos bíblicos e
seminários, podemos constatar o amplo conteúdo de matérias bíblicas, histórias e
teológicas, todavia desvinculadas ou desconectadas da evangelização. Estes, por
usa vez, podem pensar que os evangelistas não estão interessados na formação
teológica.

Certamente, ás vezes surge essas polarizações. Mas será que é sempre


assim? Não deveríamos incentivar um diálogo construtivo e enriquecedor entre
teólogos e evangelistas? Porque dar por certo que um teólogo não pode
evangelizar nem um evangelista fazer teologia?

Que roteiro deveria seguir para chegar a uma teologia evangelizadora? A


realidade está exigindo uma remodelação dos programas de educação teológica
para que as disciplinas estejam voltadas para a grande tarefa da igreja que é a
evangelização. Por exemplo: na antropologia, deveríamos nos colocar além de
questões clássicas como o significado da imagem de Deus no ser humano, temas

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 35


como estes: Como está o homem em nossa realidade sociocultural? Que
compreensão ou opinião incipiente o homem da rua tem de Deus, de “salvar a
sua alma”, da relação entre fé e obras? Que influência tem esses conceitos
quando ele escuta a mensagem do evangelho da graça e da justificação pela fé?
Como traduzir o conceito de “justificação” de uma maneira que comunique o
sentido neotestamentários em termos compreensíveis?

Tem-se visto com muita freqüência nas igrejas evangélicas uma dicotomia
entre evangelização e teologia. Mas chegou a hora de nos darmos conta de que
essa dicotomia é insustentável. Para dizê-lo nas palavras de Padilha: “Será que
pode haver uma evangelização realmente bíblica – uma apresentação de todo o
conselho de Deus – sem reflexão teológica que busque a compreensão da
pertinência do evangelho à totalidade da vida humana em um contexto histórico
definido? Contrapor evangelização e teologia é um empreendimento absurdo,
porque, quando se trata de evangelizar, surgem inevitavelmente perguntas como:
O que significa ‘evangelho’? qual é o ‘pecado’? E as respostas a essas perguntas
– e a muitas outras – nos põe frente a frente com determinada antropologia,
cristologia e soteriologia. Todo aquele evangeliza reflete certos postulados
teológicos, esteja disso consciente ou não. Quando alguém afirma: ‘A salvação
não se perde’, está revelando determinada concepção soteriológicas que tem atrás
de si séculos de discussão e que não se explica em poucos minutos, apelando a
alguns textos bíblicos”.

Quando alguém diz: “Venha a Cristo e todos os seus problemas se


resolverão; você terá vida eterna e prosperidade material garantida”, está
apresentando determinada concepção de salvação. Quando ouvimos alguém
dizer: “Salve a sua alma do inferno e não se preocupe com seu presente ou suas
necessidades físicas”, também estão diante de posições, conscientes ou não,
quando à antropologia, soteriologia e escatologia. Teologia não é apelar a meros
textos de prova, mas implica estudar, refletir e sistematizar essa reflexão. Qual é
a situação atual da relação entre evangelização e teologia?

Em primeiro lugar, é comum que haja um divórcio entre evangelização e


teologia. Manifesta-se uma polarização entre “teólogos” e “evangelistas”. Não
faltam os que pensam que a evangelização nada tem a ver com a teologia. Como
se fosse possível falar de Deus, de Jesus Cristo e da salvação prescindindo de
conceitos teológicos! Na verdade, em toda apresentação do evangelho está
presente certa teologia, que pode ser bíblica, coerentemente elaborada, erudita ou
popular, porém, implica um substrato teológico. É correto que a história da igreja
não nos mostra muitos casos de “teólogos evangelistas” ou de “evangelistas
teólogos”. Uma das exceções seria Jonathan Edwards (1703-1758), que foi
filósofo, teólogo, Pastor e um poderoso evangelista, grandemente utilizado por
Deus no Grande Despertamento nos Estados Unidos durante os anos 1734 e
1735.

Por isso parece-me muito oportuno recordar as palavras de John A.


Mackay a propósito da relação entre teologia e evangelização. Dizia esse

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 36


pensador evangélico: “A teologia, os seminários teológicos devem, portanto,
ser missionários .A igreja não tem hoje diante de si uma tarefa missionária
mais importante que a tarefa teológica .O entendimento das pessoas deve ser
iluminado, e seus corações incendiados.

À luz do exposto, vemos que essa percepção de Mackay é hoje de uma


impensada e rigorosa atualidade.
O que pode acontecer quando a evangelização carece de uma sólida
teologia bíblica? A que erros podem levar uma evangelização reducionista?
Miguez Bonino indicou criticamente essa tendência reducionista que se tem dado
no espectro evangélico. Disse ele: “A herança evangélica dos despertamento
anglo-americanos, cujo fervor e impulso não devemos menosprezar nem perder,
tem ocasionado uma redução dupla, cristológica e soteriológica. E ainda que as
chamadas igrejas de imigração tenham retido em sua definição doutrinária as
formulações clássicas da Reforma, na prática nem estas tem funcionado – por
diversas razões – como corretivo desse reducionismo. Este, por sua vez, somou-
se ao caráter individualista, subjetivista e ahitórico da visão religiosa da
modernidade, desembocando em diversas deformações graves de que nossas
igrejas sofrem. Assim, a teologia se resume à cristologia e se detém na
soteriologia e a salvação acaba caracterizada como uma experiência individual e
subjetiva”

À luz do que foi dito, podemos afirmar que a teologia não é nem
academicismo estéril nem entretenimento ou passatempo, mas uma tarefa
essencial para a evangelização.

Por outro lado, devemos nos empenhar em que a educação teológica


motive a evangelização. A formação bíblica e teológica dos estudantes deve ser
conduzida de tal maneira que não realize apenas a transmissão de conceitos e
verdades bíblicas, por mais importante que sejam. Essas verdades devem ser
parte de um programa que dê destaque à evangelização e motive o aluno a
engajar-se na tarefa.

Igualmente, uma educação teológica evangelizadora deve mostrar as


dimensões mais amplas do evangelho, que não se tratar de mera repetição de
fórmulas de aceitação de Jesus Cristo, mas que esse primeiro passo de decisão de
aceitar o evangelho de Jesus Cristo, segundo o entendemos, implica uma
mudança total de quatro rumo na vida da pessoa. Significa uma transformação no
estilo de vida, de tal modo que, depois essa pessoa seja um testemunho vivo, em
fé e obras, do senhorio de Jesus Cristo em todas as áreas da sua existência.

Por último, a educação teológica deve servir de corretivo para quando


nos encontramos na presença de falsos evangelhos. Como sabemos que estamos
pregando o verdadeiro evangelho e não uma versão deficiente dele? Unicamente
uma teologia bíblica pode servi-nos de parâmetro e pode corrigir essas
deficiências. Em outro livro, Evangelho y antievangelho, criticou algumas

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 37


versões antigas e modernas de evangelhos falsos. Entre outros, citei o evangelho
da conquista da América Latina, uma evangelização belicosa que associava a
espada com a cruz. Nesse contexto, também refleti sobre a necessidade
indispensável de que a igreja encarne os valores do reino de Deus.

Somente quando a igreja encarna a paz e a justiça do Reino, ela


possibilita que sua mensagem seja verdadeiro evangelho. Do contrário, sua
pregação se torna inevitavelmente uma nova versão do antievangelho. É tarefa de
a teologia apontar para essas deficiências, bem como denunciar versões
modernas de evangelhos “da prosperidade”, “do êxito”, “da mente positiva”, que
ainda que atrativos acabam se opondo diametralmente ao discipulado de alto
preço a que Jesus continua nos desafiando.

7.2. A TEOLOGIA SERVE À APOLOGÉTICA – A tarefa dos primeiros


cristãos consistiu em “apresentar defesa” (em grego apologia) da fé e da
razão da esperança (1 Pe 3.15). Os cristãos tiveram de apresentar sua
defesa contra o gnosticismo, as religiões de mistério e o paganismo. Com
referência à tarefa apologética dos apóstolos, Bruce disse: A defesa do
evangelho naquela etapa consistiu na defesa das afirmações de Jesus de
que ele era o Filho de Deus e o Messias – pretensão rejeitada rapidamente
pelos principais sacerdotes e anciãos do povo judeu, mas confirmada pela
ação de Deus, como os apóstolos puderam testemunhar a partir da sua
própria experiência.
As primeiras teologias da era subapostólica foram precisamente apologias,
e cabe citar entre outras, as obras de Orígenes, Justino Mártir, Tertuliano e
Atenágoras.

A função apologética da teologia cristã não tem sido reconhecida


unanimemente pelos teólogos contemporâneos. Um dos pensadores modernos
que tem reivindicado essa função foi Paul Tillich, ao afirmar que: A teologia
apologética é uma “teologia que responde”. Responde às perguntas implícitas
NBA “situação”, com a força da mensagem eterna e com os meios que a situação
lhe proporciona e a cujas perguntas respondem. Tillich atribui o descrédito em
que caiu a apologética aos métodos empregados para defender o cristianismo dos
ataques do humanismo e do naturalismo modernos. Para Tillich, uma teologia
meramente querigmática, isto é, que somente se preocupa em transmitir a
mensagem de Deus ao ser humano, é insuficiente. Ela necessita de uma teologia
apologética porque, do contrário, somente tenta lançar a mensagem, “como uma

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 38


pedra, aos que se encontram na ‘situação’”. Por isso, Tillich propõe seu “método
de correlação”. Como uma maneira de unir a mensagem e a situação. Trata-se de
estabelecer uma correlação entre as perguntas implícitas na situação e as
respostas implícitas na mensagem. Não sem deduz as respostas das perguntas
como faz uma teologia apologética auto-suficiente. Mas também não se elabora
as respostas sem relacioná-las com as perguntas como faz uma teologia
querigmática igualmente auto-suficiente. Estabelece-se uma correlação entre
perguntas e respostas, situação e mensagem, existência humana e auto-revelação
divina.

Podemos questionar se o teólogo alemão logrou cumprir seu intento.


David Jenkins, por exemplo, formulou uma crítica interessante, levantando três
problemas que ele considera fundamentais: em primeiro lugar, Jenkins afirma
que as pessoas não se fazem realmente as perguntas a que responde a mensagem
cristã; em segundo lugar, mesmo supondo que as pessoas se fizessem essas
perguntas. “o fato de a mensagem cristã respondê-las não quer dizer que a
mensagem seja verdadeira” e, em terceiro lugar, Jenkins afirma que as respostas
que a pessoa entende dependem em grande parte do tipo de perguntas que ela
faz, e ele acrescenta a título de advertência.

Pode acontecer, portanto, que o “método de correlação” desfigure a


mensagem cristã e a tome uma mera resposta moderna a questões modernas, com
o que a mensagem cristã ficaria tão relativa como as questões particulares que
pretendia responder.

Este tipo de questionamento ao projeto de Tillich, ainda que


compreensível em si, não desmerece a meu ver o grande esforço do teólogo
luterano para chegar a um pensamento cristão adequado à situação cultural em
que lhe coube viver sua fé cristã.
A entrada do século XXI, o mundo continua nos interrogando. Proliferam
as heresias mais estrambólicas e as ideologias que exigem respostas amplas e
coerentes. Nesse sentido, a teologia vem em auxílio do cristão em sua tarefa de
enfrentar um panorama difícil de solucionar. Como podemos dar resposta a razão
da nossa fé se não a conhecemos completamente e se não somos capazes de
elaborar uma resposta apropriada? Será que serão suficientes as histórias e
experiência – por mais válidas ou importantes que tenham sido – na hora de
responder aos que criticam a fé cristã? Seremos capazes de elaborar uma teologia
apologética que leve a sério o mundo da cultura na qual estamos inseridos?

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 39


7.3. A TEOLOGIA SERVE AO TRABALHO PASTORAL – O trabalho
pastoral tem ficado mais complicado hoje em dia. O tipo de sociedade em
que a igreja está imersa demanda um preparo cada vez mais amplo. A
tarefa pastoral é múltipla e complexa porque abrange administração,
aconselhamento, liderança, ensino. Sem desmerecer a importância dessas
facetas, queremos referir-nos à pregação como função chave do trabalho
do pastor.

Para uma pregação eficiente, além da necessidade indispensável de


direção e do poder do Espírito, o pastor precisa conhecer a Bíblia, Hermenêutica,
Homilética, comunicação e, é claro, Teologia. Anders Ruuth tem-se concentrado
em destacar a importância da teologia na vida e no ministério do pastor,
assinalando acertadamente: Não é o estudo em si o que transforma um pregador
em um bom pregador, do mesmo modo como a honra de ser doutor em teologia
não garante em absoluto a condição de profeta. Mas o estudo confere ao pregador
os conhecimentos formais necessários para exercer seu ofício de pregador, assim
como o artesão e o profissional têm de aprender as técnicas e práticas próprias de
suas profissões. Todo mundo tem respeito por uma pessoa que é capaz em seu
ofício. Assim também o ministro deve fazer-se respeitar pelos conhecimentos
que possui.

É evidente que o respeito não se conquista com títulos e diplomas


colocados em quadros e pendurados nas paredes do escritório do pastor. São
muitos os fatores que contribuem para que se ganhe o respeito e a reputação dos
outros. Todavia, o ministro que se preocupa em estudar solidamente as Escrituras
dará um passo decisivo para que a congregação o respeite como servo de Deus. É
claro que, hoje em dia, na cultura pós-moderna, a que nos referiremos no último
capítulo, nos deparamos com outras formas de legitimação pastoral que

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 40


privilegiam a ação, o carisma, o crescimento numérico, o poder e os milagres, em
detrimento do estudo e do preparo teológico. A isso respondemos:
Em primeiro lugar, não devemos necessariamente opor os fatores
mencionados ao preparo acadêmico. O conhecimento não se opõe à atuação do
Espírito Santo, como se fosse uma espécie de teorema enunciado nestes termos:
“A atuação do Espírito Santo é diretamente proporcional à ignorância do servo
de Deus”.
Em segundo lugar, o pastor que não se preocupa com seu preparo bíblico
e teológico condena sua igreja ao infantilismo e raquitismo espirituais e, com
freqüência acaba tornando-se um pastor monotemático que, como tal, desenvolve
todos os seus discursos ao redor do seu tema favorito, que pode ser: “os dias de
Gênesis 1 como dias literais de 24 horas”, “a importância do milênio para a vida
cristã” e “a guerra espiritual como paradigma hermenêutico para compreender as
Escrituras e propósito de Deus”.

Um pastor monotemático está longe de poder apresentar “toso o conselho


de Deus” à sua congregação, e em terceiro lugar, todo pastor utiliza a teologia de
forma consciente ou inconsciente, coerente ou incoerente. Quando sobe à
plataforma seu discurso é em essência, um discurso teológico que fala de Deus,
Jesus Cristo, a salvação, a vida eterna. No ato da pregação o pastor não pode
evitar lançar mão da teologia que a tenha estudado devidamente ou não, quer a
tenha elaborado pacientemente ou tenha comprado pronta. Hoje não faltam
pastores que em seu entusiasmo carismático pensam que podem prescindir da
teologia, que não necessitam dela. Contudo, pelo pouco que os tenhamos
escutado, notaremos facilmente como recorrem a pontos que são próprios da
teologia bíblica e sistemática. A estes cabe a crítica que fez Karl Barth, um
grande teólogo do século XX que nunca deixou de ser pastor.

Os problemas de moral têm piorado muito nas últimas décadas. A teologia


prática derivada do estudo da Bíblia e da teologia sistemática dá ao cristão uma
bagagem de conhecimentos que lhe permitem assumir determinada posição em
relação a problemas como o aborto, a autanásia e o controle de natalidade.

Volto a citar Barth, que destaca a importância da ética: a teologia não é


apenas exegese, história eclesiástica, dogmática, mas sempre também ética. Ela é
a elaboração de determinada concepção do mandamento divino implícito na
promessa divina da atuação na igreja e no mundo que resulta da obediência da fé,
da tarefa prática que é atribuída ao ser humano junto com o Dom da liberdade. A
relação entre teologia e ética é tão estrita que Tillich não vacila em afirmar que
“a ética teológica é um elemento da teologia sistemática que está presente em
cada uma das partes desta”.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 41


7.4. A TEOLOGIA SERVE A TEOLOGIA – Prima face essa afirmação
pode soar um tanto estranha. De que maneira a teologia pode servir à
teologia? Será que a teologia servirá a si mesma? Expliquemos. Talvez
um dos melhores instrumentos analíticos idôneos para entender essa
questão está na definição que Gustavo Gutiérrez fez da teologia. Gutiérrez
postula que a teologia é um pensamento crítico, e isso em três direções:
um pensamento crítico de si mesma, uma atitude lúcida e crítica dos
condicionamentos econômicos e socioculturais da vida e reflexão da
comunidade cristã e, finalmente, uma crítica da sociedade e da igreja. É
muito significativo que a primeira crítica é voltada para a própria teologia.
Gutiérrez: A teologia deve ser pensamento crítico de si mesma, de seus
próprios fundamentos. Só isso pode fazer dela um discurso não ingênuo,
consciente de si mesma, em plena posse de seus instrumentos conceituais.

Que aplicações concretas têm esse serviço que a teologia presta a si


mesma? Entendo que são vários. Um deles é a análise que ela permanentemente
tem de fazer dos próprios fundamentos, categorias analíticas e postulados
explícitos ou implícitos do discurso teológico. A teologia não é algo “caído do
céu”, mas é um corpus que se vai desenvolvendo através do tempo. Para nos
convencermos disso basta ler qualquer livro de história das doutrinas. Outro
aspecto concreto, mencionado pelo próprio Gutiérrez é que somente como
pensamento crítico a teologia pode superar o vício em que freqüentemente cai de
ser ingênua e inocente. Por último, creio que outro serviço concreto da teologia
como reflexão crítica é prover-nos do instrumental que detecta as freqüentes
assimilações inconscientes de cosmovisões, filosofias, heresias e ideologias
contrárias ao pensamento hebraico-cristão. A título de ilustração crítica disso,
nos capítulos 6 e 7 refiro-me às influências da pós-modernidade na vida da igreja
de hoje, sobretudo no que se refere à forte influência da chamada “teologia da
prosperidade” e do que denominamos de “teologia simplista”.

Em outra obra referi-me extensamente aos vínculos entre teologia e ética.


Permita-me sintetizar esse material aqui, dizendo que a quase totalidade dos
temas teológicos se relacionam de forma direta ou indireta com a ética,
principalmente as doutrinas de Deus, do ser humano, da salvação e da
escatologia. Dito em outros termos, nosso modo de portador da imagem de Deus,
nosso conceito da salvação por graça e por fé, e finalmente, o chamado “motivo

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 42


escatológico” constituem os pilares teológicos sobre os quais se erige nossa ética
cristã. Eles são determinantes para ter uma concepção coerente e abrangente do
mandamento de Deus.

Estou certo de que a ética é um terreno onde não há respostas fáceis. No


entanto, a teologia é a única ferramenta que pode nos fornecer respostas, ainda
que provisórias. Não há como escapar disso porque, como afirma René Padilla.

A teologia cumpre seu propósito enquanto leva a sério os desafios que o


mundo contemporâneo levanta para a fé cristã. A resposta às interrogações do ser
humano hoje não pode restringir-se a apelar à experiência cristã, mas tem de dar
“razão da esperança” que têm os seguidores de Jesus Cristo.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 43


CAPÍTULO VIII: RESUMO HISTÓRICO DA TEOLOGIA

Para que lográssemos alcançar o atual estádio de sistematização da


Doutrina Cristã, fez-se mister que muitos doutores e mestres se
empenhassem nesta lida e se sacrificassem por este ministério. Desde os
pais da Igreja aos teólogos e mestres atuais, muito chãos foi palmilhado;
muito mistério, percorrido. Eles não se limitaram a fazer a história da
Teologia; participaram do relato heróico e triunfal da fé que, uma vez por
todas, foi confiada aos santos.

8.1. O PERÍODO PRIMITIVO. Em conseqüência das perseguições


deflagradas contra a Igreja, os teólogos e doutores dos primeiros séculos
mui pouco puderam fazer para erigir num sistema as verdades cristãs.
Alguns deles, como Tertuliano e Justino, o Mártir, ocuparam-se em fazer a
apologia dos cristãos ante as autoridades de Roma. Além de auxiliarem a
Igreja a superar os traumas dos constantes martírios, tiveram de lutar contra
o paganismo e as heresias. Mas nem por isso deixaram eles de produzir
obras de excelência.
A primeira tentativa de se sistematizar a Doutrina Cristã foi
empreendida por Orígenes (185-254) em seus princípios Introdutórios.
Depois, veio Agostinho (354-430). Embora suas obras não constituam um
sistema rigoroso, são um edifício devocional de tal monta que, passados
todos esses séculos, ainda nos alimentam a alma. O sistema mais completo
do período foi erigido por João Damasceno (700-760). O seu Sumário de
Fé Ortodoxa é considerado a primeira Teologia Sistemática propriamente
dita. Damasceno é o maior teólogo da Igreja Católica Grega.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 44


8.2. IDADE MÉDIA - Passar-se-iam mais sete séculos até que a doutrina
cristã começasse a ser devidamente sistematizada. A tarefa prosseguiria
com os escolásticos. Utilizando-se dos princípios cultivados por
Aristóteles, foram erguendo com paciente meticulosidade o edifício da
Dogmática Cristã. Destacam-se neste período os nomes de Anselmo,
Abelardo, Pedro Lombardo e Tomás de Aquino.

Em seus Quatro Livros, Pedro Lombardo cita metódica e


persistentemente os escritos de Agostinho e de outros grandes teólogos. A
obra foi usada como livro-texto por mais de 500 anos. Mas foi com Tomás
de Aquino que a Teologia Escolástica alcançou o apogeu. A Suma
Teológica, um dos maiores monumentos da Doutrina Cristã, seria adotada
como o pensamento oficial da Igreja Católica. Morto embora aos 50 anos,
Aquino deixou uma obra inigualável tanto no campo da Teologia quanto no
da Filosofia.

8.3. PERÍODO DA REFORMA - Marcada por controvérsias e grandes


disputas, esta época viu surgir dois grandes sistemas teológicos. Se os

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 45


católicos optaram pela Suma Teológica de Aquino, os protestantes
resolveram adotar o Credo de Nicéia e a doutrina de Agostinho referente ao
pecado e a graça. Rejeitando a autoridade das tradições, elegeram a Bíblia
como a sua única regra de fé e conduta.

Um dos maiores teólogos do período foi Filipe Melanchton. Sua Loci


Communes, publicada em 1521, teve tamanho sucesso que, ainda no
período de vida do autor, alcançaria ela oitenta edições. A obra porém que
mais se destacou foram as Institutas da Religião Cristã de João Calvino.
Publicada em 1536, é essencialmente trinitariana e procura ressaltar a
soberania de Deus. É um dos livros de maior influência da história da Igreja
Cristã.

Entre os católicos, o teólogo de maior relevância foi Belarmino


(1542-1521). Notável escritor e consumado artista da palavra, obras de
inigualável valor tanto doutrinário quanto estilístico.

8.4. PERÍODO CONFESSIONAL. Este período, que abrange os séculos


XVII e XVIII, marca o aparecimento de grandes sistemas teológicos e
admiráveis dogmáticas. Os escolásticos protestantes, seguindo o católicos
medievos, empenharam-se ao máximo em apresentar um completo

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 46


ordenamento das doutrinas da Reforma Protestante a fim de que a Igreja se
mantivesse imune às influências romanistas.

Não obstante, faltou muito pouco para que os herdeiros espirituais de


Lutero não substituíssem a Bíblia por tradições meramente humanas.
Corria-se o risco de se considerar os credos e artigos de fé luteranos e
calvinistas como superiores à Palavra de Deus.

8.5. PERÍODO MODERNO. As Teologias Sistemáticas, como hoje as


conhecemos, começaram a surgir a partir de 1800. Elas são produzidas por
várias escolas: a) Escola de Schleiermacher – enfatiza a consciência como
o fator predominante da fé cristã; b) Escola Racionalista – coloca a ênfase
sobre a razão; foi profundamente influenciada pelos alemães; c) Escola de
Mediação – essencialmente evangélica, procurava adequar-se aos tempos

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 47


modernos; d) Escola de Rischl – além de aceitar o Cristo histórico,
reconhecia a Bíblia apenas como um mero registro da revelação.

A Igreja Metodista passou a elaborar suas doutrinas a partir dos


escritos de John Wesley. Os calvinistas foram representados por Jonathan
Edwards, Timóteo Dwight e Finney. Os batistas, por seu turno, teriam em
Strong o seu mais ilustre representante. Aliás, sua Teologia Sistemática
continua a ser a melhor já produzida. Entre os pentecostais, podemos
destacar Myer Pearlman e Stanley Horton. Este, aliás, vem sendo
considerado um dos maiores pensadores cristãos da atualidade.

CAPÍTULO 9: TEOLOGIAS NO MEIO CRISTÃO

9.1. TEOLOGIA CATÓLCA ROMANA - A teologia está evoluindo


constantemente no seu entendimento da fé cristã. O princípio inaciano da
acomodação e o princípio do desenvolvimento, proposto por J.H. Newman,
refletem a natureza mutável da teologia católica romana. O elemento de

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 48


mudança do catolicismo deve-se primordialmente à posição de autoridade
conferida ao ensino da igreja.

A Bíblia, incluindo os apócrifos, é reconhecida como a fonte


autorizada de revelação, juntamente com a tradição e o ensino da igreja. O
papa também faz pronunciamentos investidos de autoridade ex cathedra (da
cadeira) sobre questões de doutrina e moral. Esses pronunciamentos são
isentos de erro. A igreja á mãe, guardiã e intérprete do cânon.

Muitos estudiosos católicos romanos posteriores ao Concílio


Vaticano II afastaram-se do ensino tradicional da igreja nessa área,
abraçaram as perspectivas da alta crítica acerca das Escrituras e rejeitaram
a infalibilidade papal.
A graça salvadora é comunicada mediante os sete sacramentos, que
são meios de graça. O Batismo, a Confirmação (ou Crisma) e a Eucaristia
referem-se á iniciação na igreja. A Penitência (ou Confissão) e a Unção
estão relacionadas com a cura.O Matrimônio e as Ordens são sacramentos
de compromisso e vocação.

A igreja ministra os sacramentos por meio do sacerdócio ordenado


e hierarquicamente organizado, Segundo a concepção tradicional, não havia
salvação fora da igreja, mas o ensino recente tem reconhecido que a graça
pode ser recebida fora da igreja.

No sacramento da Eucaristia, o pão e o vinho tornam-se


literalmente o corpo e o sangue de Cristo (transubstanciação).

Os quatros atributos essências da igreja são unidade, santidade,


catolicidade a apostolicidade.
Fundamentalmente, a igreja é a hierarquia ordenada, atingindo o
seu ápice no papa.

A organização está constituída em torno de uma autoridade


sacerdotal centralizada, que teve o seu início com Pedro. A autoridade do
sacerdócio é transmitida por meio da sucessão apostólica ma igreja. Os
bispos de Roma têm autoridade para avaliar as conclusões acadêmicas e
fazer pronunciamentos e definições conciliares.

A igreja é a mediadora da presença de Cristo no mundo. Deus usa a


igreja como sua agente para levar o mundo em direção ao seu reino.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 49


No Concílio de Éfeso (431 d.C.), Maria foi declarada a mãe de
Deus assim como a mãe de Jesus Cristo, no sentido de que o Filho que ela
deu à luz era ao mesmo tempo Deus e homem.

São observados quatros festas marianas (anunciação, purificação,


assunção e o nascimento de Maria).

Maria ficou isenta do pecado original ou de pecado pessoal em


virtude da intervenção de Deus (a imaculada concepção).
Maria é a misericordiosa mediadora entre o ser humano e Cristo, o
Juiz.

9.2. TEOLOGIA NATURAL – Definição - A teologia natural é a


tentativa de obter o entendimento de Deus e do seu relacionamento com o
universo por meio da reflexão racional, sem apelar à revelação especial tal
como a auto-revelação de Deus em Cristo e nas Escrituras.

Base epistemológica - Deus é o Ser eterno, imutável, soberano, santo,


pessoal, criador do universo. Ele tem tudo sob seu controle e desde a
eternidade planejou o futuro por meio de seus eternos decretos.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 50


Isso é feito de tal maneira que ele não é moralmente responsável
pelo mal.

Relação com a Teologia Revelada - A teologia natural trata da existência


e dos atributos de Deus a partir de fontes comuns a todos os seres humanos
(criação, racionício lógico, etc.), ao passo que a teologia revelada trata de
verdades específicas discernidas nas Escrituras.
A teologia natural requer somente a razão, enquanto que a teologia
revelada também requer fé iluminação do Espírito.

Propósito da Teologia Natural - A teologia natural pode ser usada


apologeticamente para provar a existência de Deus. Ela também fornece
apoio à teologia revelada. Se as conclusões da teologia natural são aceitas,
então também é “razoável” aceitar a verdade teológica revelada. Assim, a
teologia natural tem um propósito evangelístico.

Possíveis Objeções - A teologia natural carece de base bíblica.

A teologia natural tenta isentar a razão dos efeitos da queda e da


depravação.

9.3. TEOLOGIA LUTERANA Teologia - A teologia estrutura-se em


torno das três doutrinas fundamentais da sola scriptura (somente a
Escritura), sola gratia (somente a graça) e sola fide (somente a fé).

Cristo - Cristo é o centro da Escritura. A sua pessoa e obra, especialmente


a sua morte vicária, são o fundamento da fé cristã e da mensagem da
salvação.

Revelação – Somente a Escritura é a fonte autorizada da teologia e da vida


e ensino da igreja. A Escritura é a própria Palavra de Deus, sendo tão
verdadeira e dotada de autoridade quanto o próprio Deus.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 51


No centro da Escritura estão a pessoa e a obra de Cristo. Assim
sendo, o principal propósito da Escritura é soteriológico – proclamar a
mensagem de salvação em Jesus Cristo. A Palavra, por meio da obra de
Cristo, é o modo como Deus efetua a Salvação.

Salvação – A salvação é somente pela graça mediante a fé. A fonte da


salvação é a graça de Deus manifestada pela obra de Cristo, o fundamento
da salvação. O meio de receber a salvação é somente a fé.

As pessoas em nada contribuem para a sua salvação. Elas estão


inteiramente distribuídas de livre-arbítrio com respeito à salvação, e assim
Deus é a causa eficiente da salvação.

O Espírito Santo atua por intermédio da palavra do Evangelho


(inclusive o batismo e a Ceia do Senhor) para trazer salvação.

O Espírito usa o batismo das crianças para produzir nelas a fé e


leva-las à salvação.
A Eucaristia (ou Ceia do Senhor) envolve a presença real de
Cristo com o pão e o vinho, embora tais elementos permaneçam pão e
vinho (consubstanciação).

A teologia da cruz deve ser a marca da verdadeira teologia. Em


vez de se concentrarem nas coisas referentes à natureza invisível e às obras
de Deus, conforme discutidas na teologia natural, que Lutero chama de
teologia da glória, os cristãos devem concentrar-se na humildade de Deus
revelada na morte de Cristo na cruz. Em uma teologia da cruz, os crentes
passam a ter o conhecimento de Deus e também um verdadeiro
conhecimento de si mesmos e do seu relacionamento com Deus.

9.4. TEOLOGIA ANABATISTA - Teologia – Os anabatistas


não deram ênfase aos estudos teológicos sistemáticos. Antes, as doutrinas
eram forjadas à medida que se aplicavam à vida. Os anabatistas
caracterizaram-se por seu zelo missionário, vida separada e ênfase na
eclesiologia.

Revelação – A Bíblia deve ser plenamente obedecida na vida do cristão.


Ele é a única autoridade e guia. O Espírito revela a mensagem da Palavra à
comunidade da fé. A interpretação das Escrituras é discernida
principalmente nas reuniões da igreja. O anabatistas tende a concentrar-se
mais nos ensinos de Cristo e do Novo Testamento do que no Antigo
Testamento.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 52


Salvação – O pecado não é tanto uma servidão do livre-arbítrio humano e
sim a capacidade perdida de responder a Deus. O livre-arbítrio do ser
humano lhe permite arrepender-se e obedecer ao evangelho. Quando
alguém se arrepende e crê, Deus o regenera para andar em novidade de
vida. A ênfase maior está na obediência e não no pecado, na regeneração e
não na justificação.

Igreja – A igreja é o corpo visível dos crentes obedientes a Cristo. A igreja


existe como uma comunidade visível, e não como um corpo invisível ou
uma igreja estatal.

Somente adultos crentes podem participar do batismo. O batismo


testifica a separação do crente em relação ao mundo e o seu compromisso
de obediência a Cristo.

Os sacramentos – batismo e Ceia do Senhor – são apenas


símbolos da obra de Cristo; eles não conferem graça ao participante. As
características da vida do membro da igreja devem ser conversão pessoal,
vida santificada, sofrimento por Cristo, separação, amor pelos irmãos, não-
resistência e obediência à Grande Comissão. A igreja é o reino de Deus que
está em constante conflito com o reino ímpio do sistema mundial. A igreja
deve evangelizar no mundo, mas não deve participar do seu sistema. Isto
afasta a participação em qualquer ofício governamental ou serviço militar.

9.5. TEOLOGIA REFORMADA Teologia – A teologia


reformada fundamenta-se no tema central da soberania de Deus. Toda a
realidade está sob o domínio supremo de Deus.

Deus – Deus é soberano. Ele é perfeito em todos os aspectos e possui toda


justiça e poder. Ele criou todas as coisas e as sustém. Como o Criador, ele
em nenhum sentido é limitado pela criação.

Revelação – A teologia reformada baseia-se somente na Escritura (sola


scriptura). A Bíblia é a Palavra de Deus e como tal permanece isenta de
erros em todos os aspectos. A Escritura dirige toda a vida e ensino da
igreja. A Bíblia possui autoridade em todas as áreas que aborda.

Salvação – Na eternidade passada, Deus escolheu um certo número de


criaturas caídas para serem reconciliadas com ele mesmo. No tempo
oportuno, Cristo veio para salvar os escolhidos. O Espírito santo ilumina os

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 53


eleitos para que possam crer no Evangelho e receber a salvação. A salvação
pode ser resumida nos Cinco Pontos do calvinismo: Deprevação Total,
Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e
Perseverança dos Santos (as iniciais em inglês formam a palavra TULIP).

Igreja – A igreja é composta dos eleitos de Deus que recebem a salvação.


Por meio do pacto com Deus, eles estão comprometidos a serví-los no
mundo.

O batismo simboliza a entrada na comunidade do pacto tanto para


as crianças quanto para os adultos, embora ambos possam renunciar ao seu
batismo.

Quando os crentes participam com fé da Ceia do senhor, o Espírito


Santo atua neles para torná-los participantes espirituais.

Em geral, os presbíteros eleitos pela igreja ensinam e governam a


comunidade local. A unidade da igreja deve basear-se no consenso
doutrinário.

9.6. TEOLOGIA ARMINIANA - Teologia – A teologia


arminiana preocupa-se em preservar a justiça (equanimidade) de Deus.
Como pode um Deus justo considerar as pessoas responsáveis pela
obediência a mandamentos que são incapazes de obedecer? Esta teologia
dá ênfase à presciência divina, à responsabilidade e livre-arbítrio humanos,
e à graça capacitadora universal (graça comum).
Deus – Deus é soberano, mas resolveu conceder livre-arbítrio aos seres
humanos.

Salvação – Deus predestinou para a salvação aqueles que ele viu de


antemão que iriam arrepender-se e crer (eleição condicional). Cristo sofreu
pelos pecados de toda a humanidade; assim sendo, a expiação é ilimitada.
A salvação pode ser perdida pelo crente, e por isso a pessoa deve esforçar-
se para não cair e se perder. Cristo não pagou a penalidade dos nossos
pecados, pois se o tivesse feito todos seriam salvos. Antes, Cristo sofreu
pelos nossos pecados para que o Pai pudesse perdoar aqueles que o
arrependem e crêem. A morte de Cristo foi um exemplo da penalidade do
pecado e do preço do perdão.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 54


9.7. TEOLOGIA WESLEYANA - Teologia – A teologia weslyana é
essencialmente arminiana, mas tem um senso mais forte da realidade do
pecado e da dependência da graça divina.

Revelação – A Bíblia é a revelação divina, o padrão supremo para a fé e a


prática. Todavia, existem quatro meios pelos qual a verdade é mediada – a
Escritura, a razão, a tradição e a experiência (o quadrilátero weslyano). A
escritura possui autoridade suprema. Depois da Escritura, a experiência
continua a ser a melhor evidência do cristianismo.

Salvação – A salvação é um processo de graça com três passos: graça


preveniente, graça justificadora e graça santificadora. A graça preveniente é
a obra universal do espírito entre o nascimento e a salvação de um apessoa.
A graça preveniente impede que alguém se afaste muito de Deus e capacita
a pessoa a responder ao evangelho, positiva ou negativamente. Para aqueles
que recebem o evangelho, a graça justificadora produz salvação e inicia o
processo de santificação.

O crente tem como alvo a obtenção da inteira santificação, que é


produzida pelo Espírito Santo em uma segunda obra da graça. A inteira
santificação significa que a pessoa foi aperfeiçoada em amor. A perfeição
não é absoluta, porém relativa e dinâmica. Quando alguém pode amar sem

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 55


interesse próprio ou motivos impuros, então ele ou ela alcançou a
perfeição.

9.8. TEOLOGIA LIBERAL - Teologia – Os teólogos liberais


procuram articular o cristianismo em termos da cultura e do pensamento
contemporâneos. Eles buscam preservar a essência do cristianismo em
termos e conceitos modernos.

Deus – Deus é imanente. Ele habita no mundo e não está acima ou


separado dele. Assim, não existe distinção entre o natural e o sobrenatural.

Trindade – O Pai não atua sobrenaturalmente, mas por meio da cultura,


filosofia, educação e sociedade. A teologia liberal geralmente é unitária e
não trinitária, reconhecendo somente a divindade do Pai. Jesus estava
“repleto de Deus”, mas não era Deus encarnado. O Espírito não é uma
pessoa da divindade, mas simplesmente a atividade de Deus no mundo.

Cristo – Cristo deu à humanidade um exemplo moral. Ele também


expressou Deus a nós. Cristo não morreu para pagar a penalidade dos
nossos pecados ou para imputar a sua justiça ao seres humanos. Ele não era
Deus nem salvador, mas simplesmente o representante de Deus.

Espírito Santo – O Espírito é a atividade de Deus no mundo, e não uma


terceira pessoa da Divindade igual em essência ao Pai e ao Filho.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 56


Revelação – A Bíblia é um registro humano falível de experiências e
pensamentos religiosos. A validade histórica do registro bíblico é posta em
dúvida. As avaliações científicas provam que os elementos miraculosos da
Bíblia são apenas expressões religiosas.

Salvação – O ser humano não é pecador por natureza, mas possui um


sentimento universal. O alvo da salvação não é conversão pessoal, mas o
aperfeiçoamento da sociedade. Cristo deu o exemplo supremo daquilo que
a humanidade se esforça por alcançar e irá tornar-se um dia. De maneira
característica, a teologia liberal tem negado uniformemente a queda, o
pecado original e a natureza substitutiva da Expiação.

Futuro – Cristo não irá voltar em pessoa. O reino virá a terra como
conseqüência do progresso moral universal.

9.9. TEOLOGIA EXISTENCIAL - Teologia – Os teólogos


existenciais afirmam que precisamos desmitificar ou “desmitologizar” a
Escritura. “Desmitologizar a Escritura significa rejeitar não a Escritura ou a
mensagem cristã, mas a cosmovisão de uma época antiga”. Isso implica em
explicar tudo o que é sobrenatural como sendo um mito. Por conseqüência,
a parte importante da fé cristã passa a ser a experiência subjetiva, e não a
verdade objetiva (ver Salvação). A Bíblia, quando desmitologizada, não
fala acerca de Deus, mas acerca do homem.

Deus – É impossível um conhecimento objetivo da existência de


Deus. O conceito de Deus foi um auxílio para os primeiros cristãos
entenderem a si próprios, mas em nosso tempo, tendo uma cosmovisão
diferente, podemos ver o que está por trás do mito.

Assim, Deus é a nossa declaração acerca da vida humana. “Portanto,


está claro que, se um homem vai falar acerca de Deus, ele evidentemente
precisa falar a respeito de si mesmo” (Bultmann). Se Deus existe, ele atua
no mundo como se não existisse, e nós podemos conhecê-lo de nenhum
modo objetivo.

Trindade – A Trindade é um mito relacionado com o conteúdo


sobrenatural da Bíblia (ver Deus).

Cristo – Jesus é simplesmente um homem comum. Como o Novo


Testamento é considerado um mito, nós não temos muito conhecimento do
“Jesus histórico”, se é que temos algum conhecimento. Isso nos deixa um

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 57


quadro de Jesus desprovido de qualquer intervenção “divina”. A Cruz nada
significa no que se refere a levar os pecados de modo vicário, e a
Ressurreição é totalmente inconcebível como evento histórico. Isso
também se aplica ao Nascimento Virginal e a outros milagres.

Espírito Santo – Tudo o que sabemos sobre o Espírito Santo provém de


trechos sobrenaturais e não fidedignos da Bíblia, que na realidade são
apenas míticos.

Revelação – A Bíblia não é uma fonte de informações objetivas a respeito


de Deus. Para melhor compreenderem a si mesmas, as pessoas dos
primeiros séculos criaram um mito em torno de Jesus. Ele não operou
milagres nem ressurgiu dentre os mortos. Se pudermos “eliminar os mitos”
do evangelho, descobriremos o propósito original por trás do mito e
poderemos encontrar orientação para as nossas vidas na atualidade. Isto é
chamado de “desmitologização”. A Bíblia torna-se um livro que tem como
objetivo transformar as pessoas por meio do encontro.

Salvação – “Salvação” é encontrar o nosso “verdadeiro eu”. Isto é feito por


meio da decisão de colocar a nossa fé em Deus, e essa decisão irá mudar o
nosso entendimento de nós mesmos. Assim sendo, a salvação é uma
mudança de toda a nossa perspectiva e conduta de vida, fundamentada em
uma experiência de “Deus”; não é uma mudança da natureza humana.
Como nada conhecemos objetivamente acerca de Deus, é uma questão de
“ter fé na fé”.

Mito – Bultmann entendia um mito como um modo de falar do


Transcendente em termos deste mundo: “Mitologia é uma forma de
simbolismo na qual aquilo que não é deste mundo, aquilo que é divino, é
representado como se fosse deste mundo e humano; o ‘além’ é
representado como ‘o aqui e agora’”.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 58


9.10. TEOLOGIA NEO-ORTODOXA - Teologia – A neo-
ortodoxia é mais uma hermenêutica do que uma teologia sistemática
completa. Ela foi uma reação contra o liberalismo do final do século
dezenove e esforçou-se por preservar a essência da teologia da Reforma ao
mesmo tempo em que se adaptava a questões contemporâneas. É uma
teologia do encontro entre Deus e o ser humano.

Deus – Deus é totalmente transcendente, exceto quando decide revelar-se


ao ser humano. Deus é inteiramente soberano sobre a sua criação e
independente dela. Deus não pode ser conhecido por meio de provas
(Kierkegaard). Deus não pode ser conhecido por doutrinas objetivas, mas
por meio de uma experiência de revelação.

Cristo – Cristo, conforme manifesto na Escritura é o Cristo da fé, e não


necessariamente o Jesus histórico. Cristo é a revelação de Deus. O Cristo
importante é aquele experimentado pelo indivíduo. Cristo não teve um
nascimento virginal (Brunner). Ele é o símbolo do novo ser no qual tudo o
que separa as pessoas de Deus é eliminado (Tillich).

Revelação – Há uma tríplice revelação de Deus ao homem por meio da sua


Palavra. Jesus é o Verbo feito carne. A Escritura aponta para a Palavra. A
pregação proclama o Verbo feito carne.
A Bíblia contém a Palavra de Deus. A Palavra é revelada pelo
Espírito à medida que a Bíblia e Cristo são proclamados. A Bíblia é
humana e falível, sendo confiável somente na medida em que Deus se
revela por meio de encontros com a Escritura. A historicidade da Escritura
não é importante. O relato da criação é um mito (Niebuhr) ou uma saga
(Barth).
Salvação – O homem é totalmente pecaminoso e somente pode ser salvo
pela graça de Deus. A Palavra produz uma crise de decisão entre a rebeldia

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 59


do pecado e a graça de Deus. Somente pela fé a pessoa pode escolher a
graça de Deus nessa crise e receber a salvação.
Toda a humanidade está eleita em Cristo (Barth). Não existe nenhum
pecado herdado de Adão (Brunner). O homem peca por opção, e não por
causa da sua natureza (Brunner). Pecado é o egocentrismo (Brunner).
Pecado é a injustiça social e o medo (Niebuhr). A salvação é o
compromisso com Deus por intermédio de um “salto de fé” às cegas
quando se está em desespero (Kiekegaard).

Escatologia – O inferno e o castigo eterno não são realidades (Brunner).

9.11. TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO - Teologia – A teologia não


é vista como um sistema de dogmas e sim como um meio de dar início a
mudança sociais. Essa noção tem sido chamada “a libertação da teologia”
(H. Segundo).

Essa teologia surgiu a partir do Vaticano II e das tentativas de


teólogos liberais no sentido de enfrentarem as desigualdades sociais,
políticas e econômicas em face de um cristianismo não mais guiado por
uma cosmovisão bíblica. Boa parte do contexto da teologia da libertação
tem sido a América Latina e essa teologia tornou-se uma resposta à
opressão política dos pobres.

Os seus proponentes com freqüência têm concepções distintas; na


realidade, não existe uma teologia da libertação “unificada”. Antes, trata-se
de diversas “alternativas” estreitamente relacionadas que derivam de raízes
comuns. Em vez de uma teologia clássica interessada em questões
teológicas como a natureza de Deus, o ser humano ou o futuro, a teologia
da libertação está interessada neste mundo e em como podem ocorrer
mudanças por meio da ação política. Na América Latina em especial,
teólogos católicos romanos procuraram combinar o cristianismo e o
marxismo.

Deus – Deus é ativo, colocando-se sempre ao lado dos pobres e oprimidos


e contra os opressores, de modo que não atua de maneira igual para com
todos. Os teólogos da libertação acentuam a sua imanência em detrimento
da sua transcendência. Deus é mutável.

Cristo – Jesus é visto como um messias do envolvimento político. Ele é


Deus entrando na luta pela justiça ao lado dos pobres e dos oprimidos.
Todavia, ele não foi um salvador no sentido tradicional da palavra.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 60


Em vez disso, os teólogos da libertação defendem uma idéia de
“influência moral” no que diz respeito à expiação. Nada se diz acerca de
uma satisfação da ira de Deus contra o ser humano.

Espírito Santo – A pneumatologia está virtualmente ausente da teologia da


libertação. Parece difícil encontrar um papel para a obra do Espírito Santo
nos sistemas políticos centrados no ser humano.

Revelação – A Bíblia não é um livro de verdades e normas eternas, mas de


registros históricos específicos (muitas vezes pouco fidedignos). No
entanto, muitas passagens são utilizadas em apoio dessa teologia,
especialmente o relato do Êxodo. Os teólogos da libertação utilizam a
“nova” hermenêutica a fim de defenderem as suas posições. Como a sua
teologia se apóia em uma análise marxista e é vista como um modo útil de
criar ações “apropriadas” (ver Salvação), eles dão ênfase primariamente a
normas éticas que alcancem os fins do movimento.

Salvação – A salvação é vista como uma transformação social em que se


estabelece justiça para os pobres e oprimidos. “O católico que não é um
revolucionário está vivendo em pecado mortal” (C. Torres). Qualquer
método para alcançar esse fim é aceitável, até mesmo a violência e a
revolução. Essa concepção tende para o universalismo, e o evangelismo
torna-se simplesmente o esforço de gerar consciência e preparar as pessoas
para a ação política.

Igreja – A igreja é vista como um instrumento para transformar a


sociedade: “A atividade pastoral da igreja não é uma conclusão que resulta
de premissas teológicas... [ela] tenta ser parte do processo pelo qual o
mundo é transformado” (G. Gutiérrez). A neutralidade política não é uma
opção para a igreja.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 61


9.12. TEOLOGIA NEGRA - Teologia – A teologia negra é uma
forma de teologia da libertação que tem no seu centro o tema da opressão
dos negros pelos brancos. Ela resultou da “necessidade de as pessoas
negras definirem o propósito e sentido da existência negra em uma
sociedade racista branca” (Cone).

Essa teologia emergiu nas últimas duas décadas na onda dos


movimentos de libertação como uma expressão da consciência negra e
procura abordar as questões que os negros precisam enfrentar no seu dia-a-
dia.

Deus – Conceitos complexos ou essencialmente filosóficos acerca de Deus


são em grande parte ignorados por causa da preferência pelas necessidades
dos oprimidos. Assim sendo, os conceitos cristãos brancos ensinados ao
homem negro devem ser rejeitados ou ignorados. Afirma-se que a pessoa
de
Deus, a Trindade, o seu supremo poder e autoridade, bem como “indícios
sutis do caráter masculino e branco de Deus” não se relacionam com a
experiência negra (e em alguns casos são antagônicos à mesma). A
perspectiva dominante sobre Deus é de um Deus em ação, que liberta os
oprimidos por causa da sua justiça. A sua imanência é mais enfatizada que
a sua transcendência e por isso ele é visto como um ser instável ou que está
sempre em mudança.

Trindade – A trindade não é acentuada. Todavia, Jesus é Deus, mas no


sentido da expressão visível de interesse e salvação da parte de Deus.

Cristo – Cristo é aquele que liberta quase que exclusivamente num sentido
social. Ele é um libertador ou “Messias Negro” cuja obra de emancipação
dos pobres e oprimidos da sociedade assemelha-se à busca de libertação
por parte dos negros. A mensagem de Cristo é “poder negro” (Henry). A
sua natureza intrínseca e atividade espiritual recebem pouca ou nenhuma
atenção. Alguns até mesmo negam o seu papel de sacrifício expiatório
pelos pecados do mundo e de doador da vida eterna (Shrine).

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 62


Revelação – A teologia negra não está presa ao liberalismo bíblico, mas é
de natureza mais programática. Somente a experiência da opressão negra é
o padrão investido de autoridade.

Salvação – A salvação é a liberdade da opressão e pertence aos negros


nesta vida. Os proponentes da teologia negra estão interessados mais
especificamente nos aspectos políticos e teológicos da salvação do que nos
aspectos espirituais. Em outras palavras, a salvação é a libertação física da
opressão branca em vez da liberdade no tocante à natureza e atos
pecaminosos de cada indivíduo. A apresentação do céu como uma
recompensa por seguir a Cristo é vista como uma tentativa de dissuadir os
negros do alvo da verdadeira libertação de sua pessoa integral.

Igreja – A igreja é o centro da expressão social da comunidade negra, onde


os negros podem expressar liberdade e igualdade (Cone).
Assim sendo, a igreja e a política constituem um todo coeso em que
se realiza a expressão teológica do desejo de liberdade social.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 63


9.13. MODELOS TEOLÓGICOS FEMINISTAS CONTEMPORÂNEOS

RAÍZES DA TEOLOGIA FEMINISTA - O surgimento do Movimento


de Libertação da Mulher a partir de meados do século XX ajudou a criar
uma consciência crítica feminista.

Essa consciência, ao interagir com a Bíblia e as tradições teológicas


cristãs, tem buscado uma nova investigação de paradigmas antigos e uma
agenda de estudo. Essa “nova” investigação e agenda resultaram nos
seguintes modelos.
____________________________________________________________
Modelo Proponentes________

Rejeccionista
(pós-
cristão)___________________________________________________
Ala da Rejeição B. Friedan, K. Millett,
G.
Steinem___________
Ala da Restauração M. Daly, N. Goldenberg
_____________________________________________________________
Conservador
(evangélico)___________________________________________________
Ala J. Hurley, S. Foh, S.
Clark,
Tradicional G. Knight, E. Elliot,
Concílio pela
Masculinidade e
Feminilidade Bíblica.
Ala C. Kroeger, A. Spencer, G.
Igualitária Bilizikian, Cristãos pela
Igualdade Bíblica.
_____

Reformista
(libertação)___________________________________________________

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 64


Ala Moderada L. Scanzoni, V. Mollenkott,
M. S. van Leeuwen____

Ala radical E. Schussler, E.


Stanton____.

_____________________________________________________________
Ponto de Vista____________________________

Entende que a Bíblia promove uma estrutura patriarcal opressora e rejeita


a sua
autoridade._________________________________________________

Rejeita totalmente as tradições judaico-cristãs como irremediavelmente


voltadas para o masculino._______________________________________

Restaura a religião da magia ou aceita um misticismo da natureza


baseado exclusivamente na consciência das mulheres.

Não vê qualquer sexismo radicalmente opressor no relato bíblico.

Busca ordem por meio de papéis complementares. O papel da mulher na


ordem criada por Deus deve expressar-se pela submissão e dependência
voluntária na igreja e na família (e para alguns na sociedade). O padrão
divino para os homens é a liderança amorosa. Isso não diminui a verdadeira
liberdade e dignidade das mulheres.________________________________

A Bíblia requer mútua submissão, nem o homem nen a mulher sendo


relegados a um papel particular na família, igreja ou sociedade com base
exclusiva no seu gênero._________________________________________

Como os rejeccionistas, vêem um chauvinismo (valorização exagerada)


patriarcal na Bíblia e na história cristã, tendo o desejo de superá-lo. seu
compromisso com a libertação como a mensagem central da Bíblia impede
que rejeite a tradição
cristã._______________________________________

Por meio da exegese, tenta trazer à luz o papel positivo das mulheres na
Bíblia. Algumas reformistas moderadas buscam na tradição profética uma
hermenêutica “utilizável” de libertação. Em textos que não tratam

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 65


especificamente de mulheres, elas encontram um apelo à criação de uma
sociedade justa, livre de todo tipo de opressão social, econômica ou sexista.

Apela a uma “hermenêutica de suspeita” feminista mais abrangente.


Parte do reconhecimento de que a Bíblia foi escrita, traduzida, canonizada e
interpretada por homens. O cânon da fé ficou centralizado no homem. Por
meio da reconstrução teológica eexegética, as mulheres novamente devem
assumir o lugar de destaque que ocuparam na história cristã
primitiva._____

9.14. TEOLOGIA DO PACTO - A teologia do pacto concentra-


se em um grande Pacto geral conhecido como o pacto da graça. Alguns o
tem denominado pacto da redenção.

Descrição: Ele é definido por muitos como um pacto terno entre os


membros da Trindade, incluindo os seguintes elementos:

(1) o Pai escolheu um povo Para ser seu; (2) o Filho foi designado, com seu
consentimento, para pagar o castigo do pecado desse povo; e(3) o Espírito
Santo foi designado, com seu consentimento, para aplicar a obra do Filho
ao seu povo escolhido.

Esse pacto da graça é realizado na terra, historicamente, por meio


de pactos subordinados, iniciando com o pacto das obras e culminando com
a nova aliança, que cumpre e completa a obra graciosa de Deus em relação
aos seres humanos, na terra.

Esses pactos incluem o pacto adâmico, o pacto noaico, o pacto


abraâmico, o pacto mosaico, o pacto davídico e a nova aliança.

O pacto da graça também é usado para explicar a unidade da redenção


ao longo de todas as eras, começando com a Queda, quando terminou o
pacto das obras.

A teologia do pacto não considera cada pacto separado e distinto. Ao


contrário, cada pacto apóia-se nos anteriores, incluindo aspectos dos
mesmos e culminando na nova aliança.
_____________________________________________________________
O Povo de Deus: Deus tem um povo, representado pelos santos da era
do Antigo Testamento e os santos da era do Novo
Testamento.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 66


_____________________________________________________________
O povo de Deus Deus tem um povo, a igreja, para o qual ele tem um
para o seu Povo plano em todas as eras desde Adão: reunir esse povo
em um só corpo, tanto na era do Antigo quanto do
Novo Testamento.
____________________________________________________________

O plano Divino Deus tem um plano de salvação par ao seu povo desde
de Salvação a época de Adão. É um plano de graça, sendo a
realização do pacto eterno da graça, e vem por
intermédio da fé em Jesus Cristo.
____________________________________________________________
Dispensacionalismo

Descrição A teologia dispensacionalista vê o mundo e a história da


humanidade como uma esfera domestica sobre a
qual Deus supervisiona a realização do seu
propósito e vontade. Essa realização do seu
propósito e vontade pode ser vista ao se
observarem os diversos períodos ou estágios das
diferentes economias pelas qual Deus lida com a
sua obra e com a humanidade em particular. Esses
diversos estágios ou economias são chamados
dispensações. O seu número pode chegar a sete:
inocência, consciência, governo, humano,
promessa, lei, graça e reino.
_____________________________________________________________

O Povo de Deus. Deus tem dois povos – Israel e a igreja, Israel é um


povo terreno e a igreja é o seu povo celestial.

O Plano de Deus para o seu povo

Deus tem dois povos separados, Israel e a igreja, e


em também dois planos separados para esses dois
povos distintos. Ele planeja um reino terreno para
Israel. Esse reino foi adiado até a vinda de Cristo
com poder, uma vez que Israel o rejeitou na sua
primeira vinda. Durante a era da igreja Deus está
reunindo um povo celestial. Os dispensacionalistas
discordam se os dois povos permanecerão distintos
no estado eterno.
_____________________________________________________________

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 67


O Plano Divino de Salvação

Deus tem somente um plano de salvação, embora


isso muitas vezes seja mal-compreendido por causa
de inexatidões em alguns escritos dispensacionais.
Alguns têm ensinado ou entendido erroneamente
que os crentes do Antigo Testamento foram salvos
por obras e sacrifícios. Todavia, a maior parte crê
que a salvação sempre foi pela graça mediante a fé,
mas que o conteúdo da fé pode variar até a plena
revelação de Deus em Cristo.
____________________________________________________________

TEOLOGIA DO PACTO/DISPENSACIONALISMO

_____________________________________________________________
Ponto de Vista Teologia do Pacto____________

O lugar do Destino Deus tem somente um lugar para o seu povo,


Eterno do povo de uma vez que ele tem somente um povo, um
Deus plano para esse povo e um plano de
salvação.
O seu povo estará na sua presença por toda a
eternidade.__________________________
O Nascimento da A igreja existiu antes da era do Novo
Igreja Testamento, incluindo todos os remidos desde
Adão. O Pentecoste não foi o início da igreja,
mas a capacitação do povo de Deus manifesto
na nova dispensação.
_____________________________________________________________
O Propósito da Cristo veio para morrer pelos nossos pecados e
Primeira Vinda de para estabelecer o Novo Israel, a manifestação
Cristo da igreja do Novo Testamento. Essa
continuação
do plano de Deus colocou a igreja sob um pacto
novo e melhor, que foi uma nova manifestação
do mesmo Pacto da Graça. O reino que Jesus
ofereceu foi o reino presente, espiritual e
invisível.
_____________________________________________________________

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 68


O Cumprimento da As promessas da Nova Aliança mencionadas
em
Nova Aliança Jeremias 31.31ss são cumpridas no Novo
Testamento.
_____________________________________________________________

O Problema do A teologia do pacto tem sido historicamente amile-


Amilenismo e do nista, crendo que o reino é presente e espiritual, ou
Pós-Milenismo pós-milenista, crendo que o reino está sendo
estabe-
versus o Pré- lecido na terra e terá a sua culminação na vinda de
Milenismo Cristo. Em anos recentes alguns teólogos do pacto
Têm sido pré-milenistas, crendo que haverá uma
futura manifestação do reino de Deus na terra. No
entanto, a relação de Deus com Israel estará em
conexão com a igreja. Os pós-milenistas crêem que
a igreja está instaurando o reino agora e que Israel
finalmente se tornará uma parte da igreja.
_____________________________________________________________
A Segunda Vinda de A vinda de Cristo irá trazer o juízo final e o
Cristo estado eterno. Os pré-milenistas afirmam
Que um período milenar irá preceder o juízo
e o estado eterno. Os prós-milenistas crêem
que o reino está sendo estabelecido pelo
trabalho do povo de Deus na terra, até o
momento em que Cristo irá consumá-lo, na
sua vinda.
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
Dispensacionalismo____________________

O Lugar do Destino Existem divergências entre os


dispensacionalistas
Eterno do Povo de quanto ao futuro estado de Israel e da igreja.
Muitos
Deus crêem que a igreja irá sentar-se com Cristo no seu
trono na Nova Jerusalém durante o milênio quando
ele governar as nações, ao passo que Israel será a
cabeça das nações da terra.
_____________________________________________________________

O Nascimento da A igreja nasceu no dia de Pentecoste e não existiu


na

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 69


Igreja história até aquele tempo. A igreja, o corpo de
Cristo, não é encontrada no Velho Testamento,
e os santos do Velho Testamento não são parte
do corpo de Cristo.
_____________________________________________________________

O Propósito da Cristo veio para estabelecer o reino


messiânico.
Primeira Vinda de Alguns dispensacionalistas crêem que ele deveria
Cristo ser um reino terreno em cumprimento às promessas
do Velho Testamento feitas a Israel. Se os judeus
tivessem aceitado a oferta de Jesus, esse reino
terreno teria sido estabelecido de imediato. Outros
dispensacionalistas crêem que Cristo estabeleceu
o reino messiânico em alguma forma da qual a
igreja participa, mas qu o reino terreno aguarda a
segunda vinda de Cristo à terra. Cristo sempre
teve em mente a cruz antes da coroa.
_____________________________________________________________
O Cumprimento da Os dispensacionalistas não concordam se somente
Nova Aliança Israel irá participar da Nova Aliança, numa época
posterior, ou se tanto a igreja como Israel
participam conjuntamente. Alguns
dispensacionalistas acreditam que existe só uma
nova aliança com duas aplicações: uma para Israel
e outra para a igreja. Outros acreditam que
existem duas novas alianças: uma para Israel e
outra para a igreja.
_____________________________________________________________

O problema do Todos os dispensacionalistas são pré-milenistas,


Amilenismo e do embora não necessariamente pré-
tribulacionistas.
Pós-Milenismo Esse tipo de pré-milenista crê que Deus irá
voltar-
Versus o pré- se novamente para a nação de Israel, à parte de
Milenismo sua obra com a igreja, e que haverá um período
de mil anos em que Cristo reinará no trono de
Davi, de acordo com as profecias do Velho
Testamento e em cumprimento das mesmas.
_____________________________________________________________

A Segunda Vinda de De acordo com a maioria, primeiro irá ocorrer o

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 70


Cristo Arrebatamento, e então um período de tribulação,
seguido do reino de Cristo durante mil anos, após
o qual haverá o juízo e o estado eterno.
_____________________________________________________________

ESQUEMAS DISPENSACIONAIS REPRESENTATIVOS


____________________________________________________________
J. N. Darby J. H. Brookes James M. Gray C. I. Scofield
1800-1882 1830-1897 1851-1935 1843-1921____

Estado paradisíaco Éden Edênico Inocência____


(até o Dilúvio)
Antediluviano Antediluviano Consciência__

Noé__________ Governo
humano

Abraão Patriarcal Patriarcal Promess______

Israel Mosaico Mosaico Lei


sob a lei
sob o sacerdócio
sob os reis______________________________________________________________

Gentios Messiânico Igreja Graça

Espírito Espírito Santo____________________________________________

Milênio Milenar Milenar Reino________

Plenitude do tempo
Eterno
______________________________________________________________________

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 71


BIBLIOGRAFIA

CHALONER, Sthephen CURSO INTENSIVO DE TEOLOGIA São


Paulo: IDE

ERICKSON, Millard J. INTRODUÇÃO À TEOLOGIA SITEMÁTICA


São Paulo: VIDA NOVA,1997

PEREIRA, Flávio de Oliveira. TEOLOGIA SISTEMÁTICA I. Rio de


Janeiro: ALFALIT BRASIL, 2002

SEVERA, Zacarias de Aguiar. MANUAL DE TEOLOGIA


SITEMÁTICA. Curitiba: A.D.SANTOS,1999

THIESSEN, Henry Clarence. PALESTRA EM TEOLOGIA


SITEMÁTICA São Paulo: IBR,1997

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 72


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DEFINIÇÃO DE TEOLOGIA

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 73


Charlie Brown está sentado diante da barraca de “pronto-socorro
psiquiátrico” de Lucy quando a “doutora” declara com eloqüência:

- A vida, Charlie Brown, é como uma espreguiçadeira.


- como o quê? – exclama ele.
Lucy explica:
- Você alguma vez já esteve num navio de cruzeiro? Os passageiros
desdobram as cadeiras de lona para que possam sentar-se ao sol.

Apontando para sua esquerda, continuou:


- Algumas pessoas posicionam suas cadeiras na direção da parte
traseira do navio que possam ver por onde passaram.

Gesticulando em seguida na direção oposta, ela diz:


- Outras colocaram as cadeiras viradas para a proa. Querem ver
para onde estão indo!

Terminada a explicação, Lucy volta-se para o “paciente” sentado na


banqueta e dispara:
- No cruzeiro da vida, Charlie Brown, para p que direção está
voltada sua espreguiçadeira?

O rapaz pensa por um momento e então responde:


- Nunca fui capaz de desdobrar uma.

Toda vez que há uma reflexão séria sobre as questões fundamentais da


vida, como a indagação sobre a direção para a qual está voltada sua
espreguiçadeira, seus proponentes estão se engajando en teologia. Sob essa
perspectiva, todos – Lucy, Charlie Brown, você, eu e cada um de nossos
amigos e vizinhos – somos teólogos. Por que isso ocorre? Por que as
perguntas mais profundas da humanidade levam à teologia? Porque, no
final das contas, as perguntas fundamentais da vida conduzem para além da
vida. Como já observamos, essas questões giram em torno da indagação
acerca de Deus.

As pessoas ingressam no âmbito da teologia sempre que levantam


tais perguntas. Às vezes, porém, suas indagações são mais abertas e
conscientemente teológicas. Sem dúvidas, você já se perguntou: “Existe
realmente um Deus? Com que ele se parece?”. Ou: “Por que Deus permite
o mal?”. São todas perguntas teológicas. A teologia aprofunda questões
gerais como essas.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 74


No entanto, a teologia não se limita ao genérico. Cada um de nós já
se perguntou em alguma ocasião: “Será que Deus está interessado em
mim? Ele me ama?”. Ou: “Como posso encontrar a Deus?”. Essas
perguntas essencialmente pessoais também se situam no âmbito teológico.

A teologia busca resposta para perguntas gerais e pessoais sobre


Deus e sobre o sentido, o propósito e a verdade definitivos. Essa definição,
porém, é parcial e, devido ao seu caráter genérico, é totalmente inadequada
para descrever a disciplina (a ciência ou o estudo formal) da teologia. Por
isso, busquemos uma definição mais precisa.

QUE É TEOLOGIA?

Quando deparamos com uma nova palavra, em geral é útil procurar


sua definição no dicionário. Reflita sobre a definição simples e direta do
dicionário para “teologia”: “Ciência ou estudo que se ocupa de Deus, de
sua natureza e seus atributos e de suas relações com o homem e com o
universo”.

Nossa primeira reação, ao ler isso, bem poderia ser: “O dicionário


faz a teologia soar de modo tão estéril! Será que isso é tudo que diz respeito
à teologia?”. Apesar da aparente esterilidade, a definição do dicionário de
fato apresenta a dimensão central da teologia. Como explicamos no
primeiro capítulo, a palavra vem de dois termos gregos, theos (“Deus”) e
logos ( “palavra”, “ensino”, “estudo”). Sob essa perspectiva, teologia
significa “o ensino referente a Deus” ou “o estudo sobre Deus”. Essa
definição é surpreendentemente semelhante à do dicionário.
Em sentido amplo, teologia é a tentativa de penetrar abaixo da
superfície da vida e alcançar o entendimento mais profundo acerca de
Deus. A teologia busca entender o Ser supremo, sua natureza e seu
relacionamento com o mundo. Ela responde as perguntas como: “Como é
Deus? Como Deus nos trata? Que faz Deus? E propõe questões como: Será
que tudo é Deus? Ou será deus distinto do universo e de seus processos?”.

Como ciência que busca compreender a Deus, a teologia é uma


disciplina intelectual antiga e respeitada. Durante séculos, os filósofos
tatearam à procura de respostas sobre a existência e a natureza de qualquer
ser supremo que pudesse existir. E professores religiosos sempre tentaram
entender, descrever e explicar Deus.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 75


No sentido geral, a teologia não é exclusivamente cristã, mas
consiste no esforço humano quase universal do qual a teologia cristã é a
concretização específica. O aspecto ímpar da teologia cristã é que os
cristãos buscam respostas às perguntas fundamentais sem desviar os olhos
de Jesus Cristo, porque estão convictos de que “Cristo é a resposta”. Ou
seja, cremos que Jesus nos revelou a verdade e as coisas definitivas por ser
ele a revelação do próprio coração de Deus. Considerando que a teologia
cristã analisa desse modo as crenças sobre Deus e o mundo, podemos
afirmar que ela é a reflexão e a organização das crenças referentes a Deus
e ao mundo que os cristãos têm em comum como seguidores de Jesus
Cristo.

A teologia busca respostas às perguntas cruciais estudando o


sistema de crenças particulares cristão. Observa a maneira cristã de
entender a vida, o mundo e toda a realidade. Cristãos que estudam e
escrevem sobre teologia tendem a subdividir sua investigação em várias
crenças básicas ou tópicos interligados. São estes os focos teológicos
centrais:

• Deus (a teologia propriamente dita);


• a humanidade e o universo criado (antropologia);
• Jesus e a salvação que ele trouxe (cristologia);
• o Espírito Santo e as obras do Espírito em nós e no mundo
(pneumatologia);
• a igreja como a comunhão de discípulos de Cristo (eclesiologia);
• a consumação ou conclusão do programa de deus para a criação
(escatologia).

A boa teologia começa analisando esses tópicos conforme eles são


noticiados pela fé em Jesus que é a revelação de Deus.

POR QUE TEOLOGIA?

Um dos objetivos centrais da teologia é entender e descrever o que


cremos como cristãos, o que sustentamos como verdadeiro com base na fé
em Jesus Cristo. Desde o primeiro século, a igreja afirma a importância da
teologia para sua missão. E os cristãos definem a teologia conforme o papel
que ela desempenha na tarefa da igreja. Engajamo-nos na reflexão
teológica porque a teologia nos ajuda a ser discípulos de Cristo e podemos
entendê-la de acordo com ajuda que ela está designada a prestar.

Qual a função da teologia na vida do discípulo? O que a boa teologia


realiza? Podemos responder numa única frase: a boa teologia ajuda os

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 76


cristãos porque alicerça sua vida sobre verdade cristã biblicamente
orientada.

Para entender isso, consideremos um dos principais aspectos do


ambiente em que hoje vivemos. Este é um mundo pluralista em que cada
pessoa é bombardeada continuamente com afirmações sobre o que
supostamente seja a verdade. Surge um coro dissonante de vozes, cada qual
alegando oferecer a melhor crença e convidando os ouvintes a abraçar a
“verdade” que proclama.

Confundidos por tão grande número “verdades” que lhe vêm ao


encontro, muitos embarcam numa odisséia espiritual e intelectual. E, no
percurso dessa viagem de descobrimento, oscilam de uma crença para
outra, dependendo do que esteja na moda. Ontem talvez tenha sido a
Meditação Transcendental. Hoje, a espiritualidade da Nova Era. Amanhã, o
que lhes será apresentado? Seja lá o que for, com certeza esses
“peregrinos” adotarão.

A desafortunada série de televisão Amazing grace [ Maravilhosa


graça], que foi ao ar em 1995 e teve curta duração, incorpora esse espírito.
Apesar de emprestar o nome do grandioso hino evangélico, o programa
apresentava a ministra Hanna Miller, que não era nem protestante nem
católica. Como os espectadores podiam esperar, o “chamado” de Hanna
para seu indefinido ministério ocorreu de modo nada tradicional, pois
seguiu-se a um divórcio, um vício em medicamentos controlados e uma
experiência de proximidade da morte. Como mais uma vez os espectadores
podiam esperar, o programa desprezava quaisquer vínculos religiosos
específicos que Hanna pudesse representar, substituindo-os pelo enfoque
numa espiritualidade genérica.

Embora fosse uma personagem fictícia – produto da psique de algum


roteirista -, Hanna se ajustava ao perfil da atriz principal, Patty Duke.
Leiam o relato de Duke sobre sua peregrinação espiritual: “Nasci numa
família católica romana. Fui adepta da Ciência Cristã. Pesquisei o budismo.
Estudei para me converter ao judaísmo. Penso que vocês podem ver nisso
uma tendência. Por isso não é tão estranho para mim acabar fazendo uma
pregadora na televisão. Estou tão perdida quanto todos os outros. E estou
tão ‘encontrada’ quanto todos os outros”

Maravilhosa graça espelha o etos de hoje. Para muitos, está


ultrapassada a procura pela verdade contida numa única e verdadeira
religião. O que está “na onda” é a busca pela espiritualidade. E essa busca,
alegam, pode conduzir a uma variedade de tradições religiosas, cada qual

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 77


oferecendo algumas descobertas. Seu conselho? Lembre-se apenas de que
nenhuma religião tem a resposta definitiva. Cada expressão religiosa não é
mais que uma estação ao longo do caminho. Logo, mova-se com os novos
tempos de uma onda religiosa para a seguinte!

O desejo de não ser arrastado pelos ventos de novas doutrinas que


sopram no campo das idéias deveria conduzir o cristão à teologia. E, neste
contexto de cosmovisão concorrentes, a teologia cristã segue o objetivo de
articular a verdade cristã. Ela instrui o seguidor de Jesus sobre o que é
inerente ao ensino especificamente cristão sobre Deus e o mundo. À
medida que entendam o que caracteriza a verdadeira fé (ortodoxia),
conseguem detectar e rejeitar falsos ensinamentos (heresias). Alicerçando-
nos sobre a verdade, a teologia contribui para que nos tornemos discípulos
maduros de nosso Senhor, consolidados na fé, não mais “jogados para cá e
para lá por todo vento de doutrina”(Ef 4.14). Por essa razão, a teologia é o
sustento da vida cristã.
No entanto, ela de fato traz em si mesma certo “perigo”. Requer que
examinemos nossas crenças à luz da verdade cristã biblicamente orientada.
Ao fazê-lo, exerce a função crítica (que abordaremos no capítulo cinco). À
medida que testa suas crenças, você descobrirá que certas coisas que
presumia como verdades não se coadunam com o ensino saudável. O
estudo teológico o levará a descartar crenças incorretas há muito abraçadas.
Esse aspecto da teologia na verdade fortalece sua fé, ao invés de destruí-la.

Crenças cristãs sólidas, em contrapartida, resistirão ao teste da


reflexão crítica. Depois que “passarem pelo exame”, começaremos a
abraçá-las até com maior convicção. Outras crenças serão aguçadas e
depuradas pelo estudo da teologia. À medida que entendermos essas
convicções em maior precisão, nossa fé será fortalecida, porque saberemos
afirmá-las com maior certeza.

Tomemos como exemplo o ensino cristão de que Deus é trino – Pai,


Filho e Espírito Santo. Talvez essa doutrina seja pouco mais que um
enigma para você: de algum modo misterioso, deus é um e três. Você
afirma essa doutrina Não por força de convicção nem por ter sido gerada
pelo entendimento, e sim porque é “cristão” fazê-lo a descobrir uma
riqueza maior nessa doutrina tradicional. Pode abrir seus olhos para ver que
o Deus uno não é o outro senão o Pai, o Filho e o Espírito Santo – três
pessoas distintas com papéis distintos unidas pelo o amor recíproco.

Quando a teologia faz a sua parte, a doutrina da Trindade – doutrina


que você abraçava fracamente – torna-se uma convicção firme. Então você
entende que a declaração “Deus é amor” está ineludivelmente ligada ao

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 78


ensinamento de que Deus é Pai, Filho e Espírito e percebe como a
concepção cristã é intelectualmente sublime e incomparavelmente superior
a qualquer sistema de doutrina oferecido por outra religião. Nunca mais
você terá medo de enfrentar os “evangelistas” que batem à sua porta com
um evangelho diferente e nunca mais receará que sua fé na doutrina do
Deus trino, ensinada pela igreja ao longo dos séculos, seja abalada. Assim,
poderá gloriar-se com Deus e na própria Trindade.

É assim que a teologia funciona. E, à medida que refletem mais e


substituem crenças errôneas por convicções corretas e à proporção que
testam crenças válidas, porém imprecisas e imaturas, os cristãos tornam-se
mais firmes na fé e mais seguros no que crêem. No entanto, a obra
fundamental da boa teologia não pára aqui.

A teologia alicerça a vivência cristã. Por causa da ligação com os


quês e porquês das crenças, muitos cristãos consideram a teologia uma
disciplinas meramente intelectual. Que é teologia? Para alguns, a teologia
consiste em debates áridos sobre tópicos doutrinários sem importância,
impossíveis de serem conhecidos na sua totalidade ou simplesmente
absurdos. Os teólogos cismam em assuntos inúteis como: “Será que Deus é
capaz de fazer uma pedra tão pesada que ele próprio não consiga erguer?”.
Ou: “Quantos anjos conseguem ficar em pé na cabeça de um alfinete?”.
Disputam uns com os outros sobre pontos doutrinários potencialmente
perigosos como: “Será que Deus predestinou o eleito à salvação e o
condenado à perdição antes de criar o mundo?”. Para muitos cristãos, o
debate teológico desse tipo – e, por conseguinte, a teologia e os teólogos
em geral – só fazem tolher sua tarefa mais importante, a saber, compartilhar
o evangelho com os perdidos. Declaram que, no final da contas, é
irrelevante se o condenado “não pode” ou “não quer” responder à boa
notícia. O fato lamentável é que o perdido simplesmente “não responde”.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 79


Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 80
A NECESSIDADE DA TEOLOGIA

4. O instinto organizador do intelecto,


5. A descrença de nossos dias,
6. A natureza das escrituras,
7. O desenvolvimento de um caráter cristão inteligente,
8. As condições para o serviço cristão eficaz.

1. O instinto organizador do intelecto. Não se contenta com um


simples acumulação de fatos.

2. A descrença de nossos dias. É dada pelo ensino dos ateus.

3. A natureza das escrituras. Tinha como propósito registrar os


fatos para o futuro.

4. O desenvolvimento de um caráter cristão inteligente. Os


versículos de Mateus 17.24-27 é o exemplo.

5. As condições para o serviço cristão Eficaz. O texto de II timótio


2.16 é citado como exemplo.

Henry Clarence Thiessen, afirma suas crenças teológicas possuem


idéias bem definidas com relação aos princípios assuntos do teologia; isto
é, algum tipo de crença teológica é necessário.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 81


TEOLOGIA COMO CIÊNCIA
Não existe uma guerra entre Ciência e Deus. O que existe são
cientistas que não aceitam a Deus e usam seus conhecimentos para negar a
existência e o poder criador desse Deus.

JÚLIO SEVERO. Extraído da Revista Defesa


da fé,
Pag. 52. Maio de 2002.

A Teologia não é uma Ciência sem princípios. A teologia é uma


Ciência, que excede em muito o alcance da razão humana .
Teologia é um trabalho da razão inspirado pela fé. Serve-se também
dos critérios das leis do raciocínio. (Da lógica e da reflexão filosófica).
Exemplo: CIÊNCIA DA RAZÃO – Filosofia – Reflexão filosófica.

Ninguém pode se dar ao luxo de comunicar idéias de forma


aleatória, desorganizada obscura sem lógica.

FLÁVIO DE OLIVEIRA
PEREIRA.

Refletir sobre a fé.

Como exemplo que a teologia é também reflexão sobre a fé e que não


é sem lógica, podemos citar o trecho bíblico de I Co 9.26, onde o Apóstolo
Paulo declara que seus esforços não são em vão e que também ele tem um
alvo a ser seguido. Leia conosco o texto citado:

Assim corro também eu, não sem meta; assim luto não como
deferindo golpes no ar.

Teologia é uma tarefa humana essencialmente racional, ou seja,


depende da nossa razão, do raciocínio lógico, da nossa clareza de
argumentos.

O DR. CHARLES CALDWELL RYRIE, Th .D., Ph. D. Comente


o versículo 26 (vinte e seis de I Co 9). Dando-nos a entender que o labor
teológico de Paulo o apóstolo não era semelhante a golpes inúteis, errados
dados numa luta real em uma arena.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 82


O minidicionário de Aurélio define Ciência como: s.f. 1. Conjunto
metódico de conhecimento obtidos mediantes a observação e a experiência.
2. Saber e habilidade que se adquire para o bom desempenho de certas
atividades. 3. Informação, conhecimento, notícia.

Precisamos da razão, mas é a fé que confere o devido valor ao


trabalho do teólogo.

É uma ciência com função peculiar, apesar de seguir de igual modo


critérios tradicionais do conhecimento científico.

A Bíblia aconselha em suas declarações, procurando sempre que é


possível consistência as suas declarações evitando apresentar uma série de
fatos desconexos, sem ligação entre si.

A Ressurreição de Cristo é um fato histórico inegável isto é provado


por várias evidências.
É uma doutrina lógica.
O túmulo vazio Mt 28.11-15.
O testemunho de centenas de pessoas 500. I Co 15.16, Atos 1.3.
Teologia não é uma ciência autônoma.

A teologia está sempre a serviço da Palavra de Deus, sendo sua


humilde serva. Porém é contrária a ciência que considera suas
considerações tão sagradas que não se pode questionar.

Ex: “A Teoria da Evolução não é vista por vários cientistas de diversas


áreas como possível de ser defendida”.
A ciência não é contrária a Deus.

A teologia não se propõe a dissecar o ser de Deus, mas apresentá-lo


ao nível da compreensão humana.

Como exemplo cito as palavras de J. M. Bentes co-autor da


Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo, Editora Candeias
4ª Edição, 1995.

Quando estabelece os limites da filosofia. Segundo ele a filosofia


sabe perguntar, mas não responder. O máximo que ela conseguiu foi
equacionar as grandes indagações do espírito humano. Para ele a filosofia
está enquadrada no estágio infantil da compreensão humana, ou seja, é
semelhante a criança na idade que começa a perguntar.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 83


A filosofia usa o raciocínio humano como sua ferramenta primária.
E a razão humana como seu instrumento primordial.

A teologia encontrou as respostas. As respostas são submetidas a


revelação divina bíblica.
A lógica do teólogo não se baseia nos ditames da razão humana,
mas na revelação de Deus.
Teologia é para adulto como disse o apóstolo Paulo.

A RELAÇÃO ENTRE TEOLOGIA E RELIGIÃO

Segundo (THIESSEN, 1994:6). A relação entre teologia e


religião é a de efeitos, em esferas diferentes, produzidas pelas mesmas
causas. Em outras palavras na teologia um homem organiza seus
pensamentos com referência a Deus e ao universo, e na religião ele
expressa, em atitudes e ações, os efeitos que esses pensamentos –
produziram nele.

Já para (LANGSTON 1994:11). a relação entre teologia e


religião é semelhante entre a botânica com a vida das plantas. Não é
possível a existência da teologia sem a religião Por que? A teologia é
uma conseqüência da religião. Pois a religião precede a teologia. A
religião é vida e teologia é doutrinas.

Contudo é preciso termos uma idéia clara da religião , pois dela


depende a teologia. Sem o entendimento claro de uma, não se pode
compreender bem a outra.
DEFINIÇÃO DE TEOLOGIA E DE RELIGIÃO

O homem é visto como um ser dependente de um poder sobrenatural


que foge as suas capacidades, um ser supremo. A religião faz funcionar a
parte invisível e espiritual dos homens. Ela é tão natural no homem como :
a fome, a sede, a saudade e etc.
Falar sobre botânica e o relacionamento com as plantas.

TEOLOGIA, FÉ E CIÊNCIA – Ainda que a ciência não consiga


encontrar explicações absolutas para todos os mistérios da fé, há evidências
de que ela se manifesta na vida de todo ser humano, mesmo não esteja
relacionada a religiosidade. Extraído, Revista Galileu, 2002.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 84


Aplicação à vida – Não acredito que Deus deseje que o estudo
da teologia seja árido e enfadonho. Teologia é o estudo de Deus e de
todas as suas obras! Teologia deve ser vivida, orada e cantada!

A verdadeira teologia é “ensino segundo a piedade” I Tm 6.3 e


a teologia estuda corretamente, nos levará ao crescimento na vida
cristã à adoração. Serve para a clareza na aplicação das doutrinas, não
creio que Deus deseje que o estudo da teologia resulte em confusão e
frustração, pois ela visa Tt 1.9. WAYNE GRUDEM .

INTRODUÇÃO À TEOLOGIA

O que é Teologia? Porquê alguns crentes são contrários ao estudo da


Teologia?

O QUE É TEOLOGIA?

É a ciência ou estudo de Deus. Vale ressaltar que ciência pode ser


definida como o conjunto de conhecimentos organizados sobre
determinado assunto. E estudo como conhecimentos adquiridos ou
ainda investigação, ação de estudar.
Logo podemos definir teologia como sendo: A soma dos
conhecimentos humanos sobre Deus e Seu relacionamento com o homem e
o mundo, apresentados de forma elaborada objetiva e coerente.
Partindo dessa definição não posso concordar com aqueles que
são contrários ao estudo da teologia.
VEJA COMIGO ALGUMAS DAS RAZÕES PORQUÊ NÃO
POSSO CONCORDAR COM AQUELES QUE SÃO CONTRÁRIOS AO
ESTUDO DA TEOLOGIA:

• Fazer teologia é falar sobre Deus, refletindo sobre aquilo


que Ele disse a respeito de Si mesmo na Bíblia;

• ESTUDAR DEUS é possível sim, ou seja, a possibilidade


da Teologia é baseada na Própria Revelação que Deus mesmo
fez de Si mesmo;

• Esta revelação encontra-se nas páginas da Bíblia Sagrada.


Também conhecida como a FONTE oferecida pelo próprio
Deus, para tornar possível o conhecimento acerca dEle,
proposto por Oséias 6.3;

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 85


• Teologia tem um Objetivo definido pesquisar e descrever tudo
aquilo que for essencial e possível a respeito de deus e de Sua
relação com o homem e com o mundo;

• A Bíblia além de ser a fonte principal da Teologia Evangélica


também estabelece seus limites, cf. (Gl 1.8-9; I Co 4.6).

Deus sempre deixará em nossa mente uma incógnita, nunca


conseguiremos dissecar o Ser de Deus. A teologia discute o que nos foi
revelado, todos temos limites, discuta só o que você sabe, Deus estabelece
limites até nas Escrituras Sagradas. A teologia trabalha dentro das
possibilidades do que é revelado.

ETMOLOGIA DA PALAVRA TEOLOGIA

Teologia – Teo – theos , Deus , logia - Logos- Palavra, discurso,


doutrina. Origem (semântica): Grega. Em qualquer cultura teologia é a
mesma coisa.

Restrito: Foi a sua etmologia.


Amplo: Todas as doutrinas que discutem acerca das divindades.

ALÁ – para os árabes significa Deus.


ZEUS – teologia grega o supremo, um deus para cada coisa.

1ª pessoa a usar a palavra teologia foi Platão, na época áurea da


filosofia grega. O homem sempre discutiu acerca de Deus e fez filosofia.

A possibilidade da teologia é o que foi revelado acerca de Deus e os


dons dos homens. Revelação de Deus e Dons dos Homens

As capacidades que Deus dá para entender as suas revelações –


“Dons”. A teologia é possível porque Deus quis se revelar e deu ao homem
capacidade para entender.

REVELAÇÃO

Deus dá-se a conhecer ao homem ,o seu poder e glória, sua natureza


e caráter, vontade, caminhos, planos, graça, amor e misericórdia. Deus
torna conhecida a sua vontade deixando o objetivo maior da revelação de
Deus é tornar conhecida a sua vontade. “O objetivo maior da revelação de
Deus é tornar conhecida a Sua vontade.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 86


POSSIBILIDADE DA TEOLOGIA

Deus jamais pode ser analisado num tubo de ensaio de laboratório.


A possibilidade do conhecimento de Deus é a Sua auto-revelação.

DIFERENÇAS BÁSICAS ENTRE A FÉ E A RAZÃO

Ao longo da história a humanidade construiu diversas formas de


responder as pergunta fundamentais da existência humana.

Ciência – Se caracteriza por buscas a legitimação de suas respostas


através da prova empírica ou seja, pela verificação metodologicamente
controlada, o cientista procura estabelecer as provas de suas teses.

Vale ressaltar que a filosofia constrói suas respostas legitimando-as


nas razões que as sustentam, ou seja, perguntando-se por seu fundamento
racional.

Para Aristóteles considerando a maior figura intelectual da Grécia.


Deus era puro pensamento. Já a teologia legítima suas respostas na
revelação, exigindo sempre a aceitação da fé para que possa se estabelecer.

Ex: Cada denominação ou grupo religioso constrói sua própria


teologia.

A teologia busca conhecer o divino o sobrenatural ai surge a


necessidade da fé.

A fé – Do latim. FIDES, implica dois sentidos distintos: um


subjetivo; outro objetivo.

SUBJETIVO – Ato de crer, de confiar em alguém.


OBJETIVO – Indica aquilo em que se crê e cujo conteúdo é mais
ou
menos extenso e diversificado. Teologias.

A fé não é cega – Não se trata de crendice – crença popular absurda


e sem fundamento lógico (lobisomem, a lambada e etc.)
A fé trabalha em perfeita harmonia com a inteligência.
Não tem nada haver com superstições. Espécie de sentimento de
veneração e religiosidade fundado na ignorância e no temor que arrasta o
ser a ter confiança em coisas ineficazes e anticientificas.

Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 87


Elaboração: Prof. Hamilton Barreto dos Santos 88