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PORTO ALEGRE, DOMIGO, 23/03/2003

| GERAL

ZERO HORA

JUSTIÇA Professor alemão participará do evento

Congressodebate o futuro do Direito Penal

Os rumos, as funções e os li- mites do Direito Penal serão debatidos em Porto Alegre, de quarta a sexta-feira, num con- gresso internacional promovido pela Escola Superior do Minis- tério Público (ESMP). Um dos maiores especialistas no mundo, o professor alemão Günther Jakobs, vai expor a nova teoria sobre a finalidade do Direito Penal. O conjunto de leis não deve apenas punir quem comete um crime, mas mostrar à sociedade que há normas em vigor e a serem res- peitadas.

O Congresso Internacional de Direito Penal – o Direito Pe-

nal no Estado Contemporâneo, da ESMP, servirá para atualizar pro- motores públicos, advogados, ma- gistrados (juízes e desembargado- res), estudantes e professores uni- versitários. O diretor da ESMP, Anizio Pires Gavião Filho, disse que a Escola fez um “esforço muito grande” para trazer o juris- ta alemão e outros convidados es-

trangeiros. – É extremamente importante a realização desse grande congres- so, com a oportunidade única de termos contato com um dos maiores autores de Direito Penal na atualidade, o doutor Günther Jakobs. Ele poderá discutir com a sociedade brasileira, mais especi- ficamente com os operadores ju- rídicos do Rio Grande do Sul, es- sas novas teorias, esses novos ru- mos do Direito Penal contempo- râneo. É um evento único, imper- dível – ressaltou o diretor.

Discípulos de Jakobs também participarão do seminário

Junto ao professor Jakobs, cate- drático de Direito Penal e Filoso- fia do Direito na Universidade de Bonn (Alemanha), virão outros dois especialistas estrangeiros em novas tendências da lei. O diretor Anizio Filho anuncia que deverão participar dos debates Manuel Cancio Meliá (professor da Uni- versidade Autônoma de Madri) e Eduardo Montealegre Lynett (mi- nistro do Tribunal Constitucional da Colômbia e professor universi- tário). – São dois estudiosos da teoria funcionalista do Direito Penal, que estão divulgando, principal-

do Direito Penal, que estão divulgando, principal- SERVIÇO     O PROGRAMA ◆ Quarta-feira

SERVIÇO

   

O PROGRAMA

Quarta-feira 19h30min: abertura do congresso 20h: conferência de Günther Jakobs – Oque protege o Direito Penal? Função da pena e do Direito Penal.

Quinta-feira 19h: conferência de Manuel Cancio Meliá – A imputação objetiva no Direito Penal. 20h: conferência de Eduardo Monteale- gre Lynett – Considerações sobre a Teo- ria de Jakobs. 21h15min: Günther Jakobs – Osignifi- cado do lado subjetivo do fato (erro, doloeculpa).

Sexta-feira 19h: Manuel Cancio Meliá – As relações entre política criminal e dogmática no sistema de Jakobs. 20h: Eduardo Montealegre Lynett – A função da pena na Teoria de Jakobs. 21h15min: Günther Jakobs – Ação e omissão no Direito Penal.

 

ONDE

Salão de Atos da UFRGS – Avenida Paulo Gama, 110, Porto Alegre

 

QUANTO

De quarta a sexta, a partir das 19h

 

INFORMAÇÕES

OfficeMarketing– Fone: (51) 3226-3111 Fax: (51) 3211-3631 E-mail: fesmp@officemarketing.com.br Site: www.fesmp.org.br

 

VALORES

Público em geral: R$ 80

Estudantes: R$ 40

Estudantes da ESMP: R$ 30

mente na América Latina, os en- sinamentos do professor Jakobs – disse o diretor da ESMP. O objetivo do congresso é pos- sibilitar a atualização sobre as no- vas tendências do Direito Penal como instrumento de controle e garantias da sociedade. O profes- sor Günther Jakobs falará nos três dias do evento.

GENTE Oswaldo Lia Pires chega aos 85 anos sem abandonar os tribunais

Seis décadas de júris

GENARO JONER/ZH
GENARO JONER/ZH

Placidez: com chá de erva-cidreira, Lia Pires doma sua ansiedade e a angústia de clientes no escritório residencial

JOSÉ LUÍS COSTA

Quarta-feira, 9h. Oswaldo Lia Pires revira a mesa do escritório residencial de 30 metros quadra- dos, no bairro Higienópolis, na Capital, à procura de um docu-

mento. Apressa-se em dar a lar- gada para mais uma jornada de audiências, visitas ao fórum e

atendimento de clientes que só

vai acabar lá pelas 21h. – Para mim, o dia deveria

ter 48 horas – brinca o ad- vogado que completará 85 anos na próxima quarta-fei- ra e há seis décadas, mesmo afogado em papéis, man- tém a sede de trabalhar.

N este verão, o insaciável

criminalista não tirou fé-

rias, mas crispa o rosto quan- do lhe perguntam se pretende devolver o Código Penal à prateleira.

– Aposentadoria é o passa- porte para a morte – retruca.

Lia Pires consome sem estresse comidas e bebidas, evita remédios

e é avesso ao cigarro. A não ser se

for para distrair jurados. Certa vez, apareceu em plenário com um cha- ruto cuja cinza nunca caía. Depois

de o réu absolvido, soube-se o se- gredo: um arame enfiado no charu-

do, da ira, do amor e do dever, te- mas explorados pelo veterano ad- vogado para formular suas teses. Vem daí a habilidade para trans- formar um júri num show, como a figura central do espetáculo. Na dé- cada de 70, defendeu um sapateiro acusado de matar um vizinho com uma espingarda calibre 12. O rapaz passava na frente da sapataria todos os dias e dizia um palavrão para o réu. Uma manhã, o sapateiro per- deu a cabeça e matou o homem.

mava ser instigado por um aluno

inquieto chamado Leonel Brizola.

– Gostava de colocar o professor

à prova, mas me saía bem porque

conhecia a matéria – diz Lia Pires. Duas décadas após, advogou pa- ra o governador Brizola, em ques- tões políticas, e ganhou dinheiro defendendo celebridades. A fama se espalhou como a do homem das causas impossíveis. São centenas de vitórias e raras derrotas em mais de 500 júris. Em poucos atuou na acusação. Num deles, em 1997, fez questão de trocar de lado para ajudar a condenar a 16 anos

ARQUIVO PESSOAL/ZH
ARQUIVO PESSOAL/ZH

Dedicação: o criminalista se formou em 1945

No júri, Lia Pires começou: “Ex- celentíssimo senhor juiz, presidente

destes trabalhos”. Repetiu a frase quatro vezes. Quando se preparava para a quinta, o juiz interrompeu, asperamente. “Veja bem, excelên- cia”, disse Lia, “eu o elogiei quatro vezes e o senhor ficou irritado.

de

cadeia o matador do filho

de

um amigo, o também cri-

minalista Amadeu Wein- mann. Foi uma união inédita entre dois tribunos de toga,

que por anos a fio se digladia- ram nos tribunais, mas que fora do plenário são compa- nheiros fraternos. O confronto mais célebre entre os dois foi

o julgamento de Antônio

Dexheimer, em agosto de

1990, quando o então deputado es-

tadual foi absolvido da acusação de ter matado o colega de bancada (PMDB) José Antônio Daudt.

A vitalidade de Lia Pires se reve-

lou na juventude, em Montenegro, onde nasceu. Jogou futebol, vôlei e, apesar dos 1m62cm de altura, bas- quete. No Exército, praticou hipis- mo, apaixonou-se por pólo e só o trocou pelo golfe, há 10 anos, devi- do a uma prótese no fêmur esquer- do que o afastou dos cavalos. Três vezes por semana, corre 12 quilômetros na bicicleta ergométri- ca. Nas tardes no escritório, chá de erva-cidreira o acompanha e acal- ma os nervos de angustiados clien- tes que batem a sua porta.

joseluis.costa@zerohora.com.br

 

to

não deixava a cinza despencar.

Imagine se, como o meu cliente, o senhor ouvisse um palavrão todo dia.” O réu foi absolvido. Seu sucesso também se deve à oratória irretocável, com timbre quase metálico, calibrada nos mi- crofones da PRF 9, a antiga Rádio Difusora, nos tempos de locutor de notícias, no final da década de 30. Anos antes, desenvolvera a dicção no Colégio Júlio de Castilhos, co- mo professor de geografia humana do Brasil. Em sala de aula, costu-

   
Para edificar sua carreira, inves- tiu em sólidos conhecimentos de medicina legal e psicologia. Fez
Para edificar sua carreira, inves- tiu em sólidos conhecimentos de medicina legal e psicologia. Fez

Para edificar sua carreira, inves- tiu em sólidos conhecimentos de medicina legal e psicologia. Fez curso por conta própria no necroté- rio de Porto Alegre e pesquisou o comportamento humano em 10 países europeus após a II Guerra Mundial. Devorador de livros, ele- geu um como sua bíblia: Quatro Gigantes da Alma, do psicólogo cubano Emilio Mira y López. A obra desvenda os mistérios do me-

sua bíblia: Quatro Gigantes da Alma , do psicólogo cubano Emilio Mira y López. A obra