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História e

Estética Fotográfica
Material Teórico
Fotografia Moderna (1901 a 1945) e a Fotografia de Moda

Responsável pelo Conteúdo:


Prof.ª Me. Rita Garcia Jimenez

Revisão Textual:
Prof. Me. Claudio Brites
Fotografia Moderna (1901 a 1945)
e a Fotografia de Moda

• Introdução;
• Instantâneo Fotográfico e Novas
Formas de Enquadramento;
• Primeiros Passos da Fotografia em Cores;
• A Fotografia nas Duas Grandes
Guerras Mundiais;
• A Fotografia de Moda através do Tempo.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Identificar a fotografia documental como uma das primeiras etapas
da fotografia moderna no início do século XX;
· Conhecer a grande evolução das câmeras fotográficas ocorrida nas
primeiras décadas do século XX;
· Contextualizar e analisar os diferentes períodos da fotografia de
moda, desde os seus primórdios até a contemporaneidade e seus
principais fotógrafos.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Fotografia Moderna (1901 a 1945) e a Fotografia de Moda

Contextualização
Fotógrafo e cinegrafista, Ponting acompanhou a expedição britânica à Antártica
(1910-1913) e ensinou fotografia aos integrantes da missão cujo objetivo era o de
ser os primeiros a chegarem ao inexplorado Polo Sul. Entretanto, o capitão Robert
Falcon Scott, comandante da jornada, descobrira que o norueguês Roald Amundsen
havia estado na região um mês antes de sua chegada e colocado a bandeira da No-
ruega. Negativos não revelados foram encontrados na tenda em que o capitão Scott
e dois companheiros morreram durante a viagem de volta da Antártida.
O fotógrafo é um manipulador da luz; a fotografia é uma manipulação da
luz. Laszló Moholy-Nagy. (LOWE, 2017, p. 96)

Figura 1 – Herbert Ponting. Expedição Terra Nova, 1911. Fotografia


Fonte: Hacking, 2012

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Introdução
O início do século XX foi palco de importantes e fundamentais momentos para o
desenvolvimento da fotografia. Os avanços tecnológicos, que começavam a aparecer,
principalmente na indústria, na ciência, nos transportes, entre outras áreas, também
chegou à fotografia que, de forma ampla, passou a registrar intensamente as grandes
mudanças do mundo. A exploração dos últimos grandes territórios desconhecidos
(Figura 1), por exemplo, pode ser registrada justamente a partir dessa época.

Para que tudo isso fosse viável, a ciência se mostrou fundamental. Foi possível
a utilização de fotografias em jornais e revistas; a criação, pelo engenheiro alemão
Oscar Barnack, da icônica câmera Leica, precursora das câmeras de 35 mm e da
Rolleiflex; a fotografia em cores com qualidade; o diapositivo (slide); a fundação
da Nikon, em Tóquio; só para citarmos alguns desses momentos. O mundo pas-
sava a ser moderno.

Instantâneo Fotográfico e Novas


Formas de Enquadramento
O fotógrafo norte-americano Alfred Stieglitz (1864-1946) procurava, na pri-
meira década do século XX, abrir caminhos mais realistas e precisos para a fo-
tografia, juntamente com Edward Steichen (1879-1973) e Paul Strand (1890-
1976). Suas ideias eram difundidas na revista Camera Work. Eles buscavam impor
uma estética modernista urbana. Stieglitz foi, conforme Fels (2008), o precursor
do instantâneo fotográfico e de novas formas de enquadramento, buscando desta-
car os elementos geométricos de cada objeto fotografado. Ele explorava, também,
o equilíbrio dos elementos da composição fotográfica, especialmente os contrastes
entre o branco e o preto.

Stieglitz tirou uma das primeiras fotografias modernistas, em 1907, feita du-
rante uma viagem de navio à Europa. A terceira classe (Figura 2) mostra uma
grande aglomeração de pessoas em um pequeno espaço na grande embarcação,
parecendo um campo de refugiados. As condições contrastavam com a confor-
tável cabine onde o fotógrafo estava com sua família.

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UNIDADE Fotografia Moderna (1901 a 1945) e a Fotografia de Moda

Figura 2 – Alfred Stieglitz. A terceira classe, 1907. Fotografia


Fonte: Wikimedia Commons

Foi nessa mesma época que a fotografia se tornaria presente e efetiva nos
jornais diários, ainda que ela já fosse utilizada há algum tempo em revistas e
jornais semanais em decorrência do maior tempo que os editores tinham para
montar suas publicações. Em 1904, o jornal inglês The Daily Mirror (veja abai-
xo), começou a ilustrar suas páginas totalmente com fotografias, e não mais com
ilustrações. A partir desse momento, a fotografia passou a ser utilizada como um
elemento informativo. Consolida-se então o fotojornalismo – atividade desempe-
nhada por profissional responsável pelo registro fotográfico de qualquer fato ou
assunto de interesse jornalístico.

Capa do Daily Mirror (2 de setembro de 1904), o primeiro jornal diário do mundo totalmente
Explor

com fotografias. Disponível em: https://goo.gl/A53Cwz.

Embora o aumento de imagens utilizadas pela imprensa tenha levado


um número grande de fotógrafos a enveredar pelo caminho do fotojor-
nalismo, esse é um período de anonimato e desprestígio profissional.
Será apenas com uma nova espécie de fotojornalistas, da geração de
Erich Solomon (1896-1944) que os repórteres fotográficos serão reco-
nhecidos profissionalmente. (FELS, 2008, p. 8)

As fotografias de Erich Solomon – considerado o “pai” do moderno fotojorna-


lismo – retratam desde sessões de tribunais a conferências diplomáticas. “Ele pro-
curava bater a foto quando os retratados não estavam percebendo sua intenção”,

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observa Fels (2008). Esse estilo de fotografar foi denominado pela revista inglesa
The Graphic como candid photography – quando o fotografado não percebe ou
desconhece a presença do fotógrafo ou da câmera.

Figura 3 – Erich Solomon. O cônsul alemão Schwarz (à direita) visita Max Schmeling
(à direita) no campo de treinamento, Kingston, Nova York, 1932
Fonte: icp.org

Primeiros Passos da Fotografia em Cores


Experiências exitosas, realizadas nas últimas décadas do século XIX, especial-
mente pelo francês Louis Ducos du Hauron (1837-1920), com a tricromia, deram
início à fotografia em cores. O sistema, criado em 1868, consistia em uma tripla
exposição em três chapas diferentes (vermelho, verde e azul) para a mesma foto-
grafia em uma câmera especial.

Figura 4 – Louis Ducos du Hauron. Agen, França, 1877. Tricromia


Fonte: Wikimedia Commons

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Em 1903, os irmãos franceses Auguste e Louis Lumière – que, em 1895, ha-


viam realizado a primeira exibição pública de uma imagem em movimento, sendo
considerados os pais do cinema – patentearam os primeiros “filmes” fotográficos
para revelação em cores, sistema denominado de Autochrome Lumière, que não
precisava da tripla exposição da tricromia. Assim, o primeiro processo comercial
de fotografias coloridas foi lançado no mercado em 1907.
O segredo estava em uma chapa de vidro – que poderia ser usada em qualquer
câmera – coberta com milhões de grãos microscópicos de amido de batata, tingi-
dos de vermelho-laranja, verde ou azul-violeta, que agiam como filtros de cores.
Observada com uma lupa ou ampliada, a fotografia autocromática dava a mesma
impressão visual que uma pintura formada por pontos. O resultado que se obtinha
era o de uma imagem positiva visível por transparência, da mesma forma de como
seriam mais tarde vistos os diapositivos (slides).
Entre os grandes fotógrafos que utilizaram a autocromia, destacam-se Alfred
Stieglitz e Edward Steichen e o mais bem-sucedido de todos Heinrich Kühn
(1866-1944) (Figura 5).
Os autocromos de Kühn são sonhos etéreos de infância, repletos de
céus abobadados e ensolarados, e perspectivas estonteantes, gloriosa-
mente catárticas, tanto quanto emocionalmente carregadas. (HACKING,
2012, p. 277)

Até sua produção ser interrompida, em 1932, mais de 20 milhões de chapas


de autocromia haviam sido vendidas no mundo, “mas o futuro da fotografia colo-
rida estaria no papel, não no vidro”. (HACKING, 2012, p. 277)

Figura 5 – Heinrich Kühn. Miss Mary e Edeltrude deitadas na relva, c.1910. Autocromo
Fonte: Hacking, 2012

O próximo grande passo na fotografia colorida foi dado pelo norte-americano


George Eastman (1854-1932), fundador da Kodak, com o lançamento, em 1935,
do Kodachrome, filme diapositivo produzido em diversos formatos (8mm, 16mm,
35mm) para fotografia e cinema. Entretanto, a alemã Agfa também reivindica a
criação do filme fotográfico positivo 35 mm em cores, no final de 1935. Em 1942,
outra novidade: o Kodacolor, o primeiro filme negativo colorido de 35 mm, para
impressão colorida em papel, foi lançado pela Kodak.

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Leica e Rolleiflex, Xodós dos Fotojornalistas
As origens da câmera fotográfica Leica remontam ao ano de 1911, quando
o engenheiro alemão Oskar Barnack começou a trabalhar na fábrica de lentes e
microscópios Ernst Leitz Optische Werke, na cidade alemã de Weztlar. Com certe-
za, ele não esperava criar uma das câmeras fotográficas mais icônicas do mundo.
Apaixonado por fotografia, e em virtude de sua saúde fraca, tendo dificuldade de
carregar as pesadas câmeras de placa de vidro, que ficavam fixas sobre tripés,
Barnack decidiu estudar e pesquisar alternativas nas suas horas livres.

Em 1913, ele desenvolveu um protótipo com uma caixa de metal e uma lente
semelhante às utilizadas nos microscópios da época. Além disso, ele colocou um
mecanismo para utilizar o filme para cinema, só que ampliou o tamanho do foto-
grama para 24 x 36 mm, o dobro do utilizado na época. Estava criado o protótipo
de uma câmara 35mm de pequeno formato, que recebeu o nome de Ur-Leica.

• O nome Leica é resultado da união das três letras iniciais do nome da família Leitz (Lei)
Explor

com as duas letras iniciais da palavra camera, em inglês (ca).


• Em 1947, foi criada a primeira agência de fotografia do mundo, a Magnum, por Henri
Cartier-Bresson, Robert Capa, David Seymour e George Rodger. Todos esses grandes
fotógrafos usavam câmeras Leica.
• Em maio de 2011, uma câmera Leica, fabricada em 1923, foi leiloada por 1,9 milhão de
dólares, tornando-se uma das máquinas fotográficas mais caras da história.

Figura 6

Fonte: https://goo.gl/RU22Gf

Pouco tempo depois, em fevereiro de 1914 – meses antes da eclosão da Pri-


meira Guerra Mundial (1914-1918) –, Barnack construiu um novo protótipo.
Entretanto, o projeto teve de ser interrompido devido à guerra e grande inflação
que assolou a Alemanha logo após, sendo retomado a partir de 1920. Três anos
depois, foi lançada uma série de pré-produção de 31 máquinas capazes de su-
portar filmes de 35 milímetros para serem testadas pela fábrica e por fotógrafos
independentes. (LEICA, 2018)

Em 1924, finalmente entrou em produção a Leica I (Figura 7), primeira câme-


ra da marca fabricada em grande escala. Apresentada na Feira da Primavera de
Leipzig, no mesmo ano, o modelo teve sucesso imediato. A câmera tinha uma
objetiva de plano focal de 50 mm e abertura de f/3.5. Equipada com um visor
direto (visor óptico), vinha ainda com um telêmetro e um obturador Compur (ob-
turador de íris) de seis velocidades.

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No início da década de 1930, a Leica surgiu com mais uma novidade: um mode-
lo com objetivas intercambiáveis (para concorrer com à recém-lançada Rolleiflex).
Logo, foram lançados os modelos Leica Luxur e Leica Compur. No total, foram
produzidas mais de 60 mil unidades desses modelos.

Figura 7 – Leica I, primeira câmera fotográfica


da marca produzida em série, a partir de 1924
Fonte: iStock/Getty Images

Mas, o maior trunfo da marca era, sem dúvida, sua lente, resultado do trabalho
de Ernst Leitz, como fabricante de microscópios e telescópios e da união com
Barnack, que trabalhou na empresa alemã Carl Zeiss, fabricante de uma das me-
lhores lentes do mundo. O resultado dessa sociedade foi uma câmera com uma
qualidade óptica extraordinária que, aos poucos, foi ganhando mercado, sendo
usada largamente no fotojornalismo. Em 1930, a Leica era tão popular que o
formato 35 mm começou a ser progressivamente preferido para o uso amador,
especialmente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Atualmente, a Leica, além da fábrica na Alemanha, possui uma grande unidade
em Portugal, responsável por 90% da produção de máquinas fotográficas da marca
no mundo. A produção geral anual em Portugal é de 40 mil binóculos, 15 mil obje-
tivas, 4 mil miras telescópicas e 20 mil máquinas fotográficas. Símbolo de qualidade,
os produtos da marca, hoje, estão entre os mais caros do mundo. Exemplo: a Leica
24 SL Type 601, Mirrorless Camera, Black (Figura 8), profissional, custa (preço em
2018), cerca de 6 mil dólares em sites internacionais de compra – somente o corpo.
Caso você queira uma lente Leica Vario-Elmarit-SL 24-90 mm f/2,8-4, terá de de-
sembolsar mais cerca de 5 mil dólares. Total: 11 mil dólares.

Figura 8 – Leica SL Digital Series, totalmente digital, fabricada a partir de 2016


Fonte: https://goo.gl/qnR2Xf

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A Revolucionária Rolleiflex
Outra câmera revolucionária foi a também alemã Rolleiflex – precursora de
inúmeras reflex de duas objetivas e filme de rolo –, desenvolvida, em 1929, pela
Frank & Heidecke. Foi uma das primeiras câmeras a trazer uma grande inovação:
a possibilidade da troca de lentes para alteração das distâncias focais. O grande
atrativo da marca sempre foi a alta qualidade de seus produtos.

Em uma câmera reflex, o fotógrafo enxerga o objeto refletido por um conjunto de espelhos
Explor

(visor óptico). A Rolleiflex possuía duas objetivas: a superior era usada para a formação
da imagem no visor enquanto a objetiva inferior, de mesma distância focal, formava uma
imagem sobre o filme. Uma limitação dessas câmeras é o erro de paralaxe, isto é, quando
uma cena fotografada é muito próxima, fotógrafos inexperientes podem “cortar” partes do
assunto. (FELS, 2008)

O modelo de 1929 (Figura 9) tinha o princípio das lentes gêmeas: a luz que passa
pela lente superior é refletida em um espelho e pode ser vista no visor acima da câ-
mara, e aí se dá a focalização. O filme é exposto através da luz que atravessa a lente
inferior. Muitas câmeras antigas ainda são utilizadas até hoje. A Rolleiflex passou a
ser a preferida dos profissionais.

Figura 9 – Primeira Rolleiflex, lançada em 1929


Fonte: Wikimedia Commons

Ao chegar ao mundo digital, a Rolleiflex começou a competir com as melhores


câmeras do mundo. Atualmente, o Mod 2 (Figura 10) é a mais nova versão e mais
avançada câmera da marca. Conforme a empresa, “é indiscutivelmente a câmera
de médio formato mais avançada do mundo que pode ser usada tanto com filme
quanto no formato digital”. (ROLLEIFLEX, 2018)

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O modelo tem melhorias para o amortecimento do obturador, recursos atu-


alizados no firmware (conjunto de instruções operacionais programadas direta-
mente no hardware de um equipamento eletrônico) para registrar seus ajustes de
lente, entre outras. Uma ampla gama de lentes de foco automático e foco manual
estão disponíveis para o novo sistema. O valor? Em torno de 9,7 mil dólares no
site americano da empresa.

Figura 10 – Rolleiflex Hy6 Mod. 2 com objetiva


80 mm f/2.8 AFD e película de 4,5 x 6
Fonte: https://goo.gl/cfQMRv

Em oposição à excelência da técnica alemã, entre os anos 1910 e 1930, sur-


giu uma nova potência na fabricação de lentes e câmeras: os japoneses. Já havia
fabricantes de origem nipônica, desde 1890, mas em sociedade com empresas
alemãs. Entretanto, após a Primeira Guerra Mundial, houve um verdadeiro boom
de grandes indústrias fotográficas japonesas como Nikon (Nippon Kogaku), for-
mada em 1917; Olympus e Asahi Pentax, em 1919; Minolta, em 1928; Canon,
em 1933; e, Fuji, criada em 1934. (SALLES, 2004)

A Fotografia nas Duas Grandes


Guerras Mundiais
A ascensão dos meios de comunicação de massa nas primeiras décadas do
século XX, como jornais e revistas, especialmente por meio do desenvolvi-
mento de tecnologias de impressão, as quais possibilitaram a reprodução de
fotografias de forma mais barata, fez com que surgissem inúmeras novas pu-
blicações. E, a necessidade de fotografias para as notícias levou ao surgimento
do fotojornalista e dos correspondentes internacionais. “O público pôde ver os
eventos mundiais do ponto de vista de uma testemunha ocular”. (HACKING,
2012, p. 188)

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Por incrível que pareça, foi um conflito, a Primeira Guerra Mundial (1914-
1918), que contribuiu para isso, criando um grande fluxo de produção fo-
tográfica nos dois lados: Aliados (Reino Unido, França e Rússia) e Tríplice
Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália). “Esta guerra foi ‘facilmente’ fo-
tografada, uma vez que, ocorreu nas trincheiras, diferente da Segunda Guer-
ra. Outro uso da fotografia foi como um método auxiliar de reconhecimento
aéreo”. (TOREZANI, 2014, p. 4)

Figura 11 – Fotógrafo não identificado. Batalha de Somme,


França, Primeira Guerra Mundial, 1916
Fonte: Wikimedia Commons

Conforme Torezani (2014, p. 4), “a fotografia deste conflito serviu como ele-
mento de manipulação através de peças de propaganda para controlar a popula-
ção e estimular ódio e afeto”. Os serviços fotográficos dos exércitos registravam
as batalhas, controlavam a difusão das imagens e retocavam as cenas para evitar
a “foto-choque”. No final da década de 1930, exposições fotográficas pelo mun-
do mostraram a “verdadeira” guerra, pelos dois lados.

Outro conflito ocorrido entre 1936 e 1939, a Guerra Civil Espanhola, reve-
lou um jovem fotógrafo que, aos 25 anos, foi considerado pela revista britânica
Picture Post (1938) como o “maior fotógrafo de guerra do mundo”: o húngaro
Robert Capa (1913-1954). No front das piores guerras, ele combinava três de
suas mais importantes características: coragem, senso apurado de composição
e olhar humano.

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Você Sabia? Importante!

Robert Capa (nascido Endre Friedmann), em 1913, ficou mundialmente conhe-


cido por uma imagem tirada na cidade de Córdoba, durante os primeiros meses
da Guerra Civil Espanhola, em 1936. A fotografia, publicada pela primeira vez na
revista francesa Vu, dia 23 de setembro, mostra o momento exato em que um mi-
liciano é atingido e morto (Figura 12). A imagem, amplamente reproduzida em
todo o mundo, é considerada “uma das fotografias de guerra mais famosas já re-
alizadas” (HACKING, 2012, p. 191). Capa estava muito próximo do soldado, o que
confirma sua famosa frase: “‘Se suas fotografias não estão boas o suficiente, você
não está perto o suficiente”. Entretanto, a foto gerou muita controvérsia e polêmica
com a possibilidade de que ela poderia ter sido encenada e que o homem teria
sido morto por um franco atirador enquanto posava para uma fotografia e não
em uma batalha. Polêmicas à parte, o certo é que Robert Capa arriscou sua vida
para produzir imagens únicas, que são veneradas até hoje. Após a Segunda Guerra
Mundial – que ele também cobriu –, fundou, juntamente com outros profissionais,
a agência fotográfica Magnum Photos, em 1947, quando disse: “Espero ficar de-
sempregado como fotógrafo de guerra até o fim da minha vida”. Infelizmente isso
não ocorreu. Em 1954, ele morreu em decorrência de uma mina terrestre, na Guerra
da Indochina, região no sudeste da Ásia, onde hoje estão Vietnã, Laos e Camboja.

Figura 12 – Robert Capa. Morte de um miliciano legalista, 1936. Fotografia


Fonte: Hacking, 2012

Os Fotógrafos-Correspondentes
A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) consolidou o poder da fotografia de
guerra em decorrência do grande número de jornais e revistas ilustrados em todo
o mundo. Além disso, os fotógrafos não precisavam utilizar volumosas câmeras,
pesados tripés e chapas de vidro como na primeira grande guerra. E, por isso, po-
diam se movimentar com mais agilidade na linha de frente das batalhas.

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Muitas imagens importantes e fortes da Segunda Guerra Mundial foram pro-
duzidas para a revista norte-americana Life pelos fotógrafos-correspondentes
George Rodger (1908-1995) e Robert Capa. Rodger, em 1941, entrou em um
campo de concentração na Baixa Saxônia (Alemanha) e encontrou mais de qua-
tro mil corpos; e Capa realizou a famosa série de 106 fotografias, em 6 de junho
de 1944, quando soldados norte-americanos desembarcaram na Praia Omaha,
na Normandia (França). A data ficou conhecida como “Dia D”. As imagens de
Capa ficaram ligeiramente fora de foco porque suas mãos tremiam enquanto
fotografava sob fogo cerrado (Figura 13).

Figura 13 – Robert Capa. Praia Omaha, Normandia, França, 1944. Fotografia


Fonte: Hacking, 2012

Embora a cobertura fotográfica da Segunda Guerra tenha tido problemas lo-


gísticos devido à ocorrência de batalhas em vários lugares da Europa, Ásia e Áfri-
ca, e a consequente dificuldade de transporte, alimentação, alojamento e comu-
nicação dos fotógrafos, muitas fotos se tornaram clássicas, servindo, inclusive, de
prova de acontecimentos daquele período. Vamos conferir algumas dessas fotos:

Tabela 1

A Old Glory é hasteada no monte Suribachi,


Iwo Jima (1945) (Figura 14), do fotógrafo
norte-americano Joe Rosenthal (1911-2006),
foi tirada em 23 de fevereiro de 1945, na ilha
japonesa de Iwo Jima, no Pacífico. A imagem
retrata fuzileiros americanos hasteando a
bandeira dos Estados Unidos no alto do monte
Suribachi, tomado pelos aliados. A foto serviu
como modelo para a confecção de uma estátua
de bronze instalada, em 1954, no Memorial
de Guerra do Corpo de Fuzileiros Navais dos
EUA, em Arlington, Virginia. A imagem valeu a
Rosenthal, em 1945, o Prêmio Pulitzer de Fo-
tografia – que reúne alguns dos mais icônicos
registros da história, “embora alguns se recu-
sassem a acreditar que uma composição tão
poderosa tivesse surgido por acaso”. (HACKING, Figura 14 – Joe Rosenthal. A Odl Glory é hasteada
2012, p. 314) no monte Suribachi, Iwo Jima, 1945
Fonte: Wikimedia Commons

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A bandeira vermelha sobre o Reichstag,


Berlim (1945) (Figura 15), do fotógrafo ucra-
niano Yevgeny Khaldei (1917-1997), que tra-
balhou para a Agência de Telégrafos da União
Soviética durante a Segunda Guerra Mundial,
registra o momento em que soldados do Exér-
cito Vermelho hasteiam a bandeira nacional
de seu país no alto do palácio do Reichstag,
em Berlim (Alemanha), em 1945, após tomá-
-lo dos alemães. A fotografia, na verdade, foi
encenada por Khaldei, dia 2 de maio, dois dias
após a tomada do prédio, pois ninguém havia
fotografado a cena original da colocação da
bandeira. “Ele viu a oportunidade de criar uma
obra-prima comparável com A Old Glory é has-
teada no monte Suribachi, de Joe Rosenthal,
tirada naquele mesmo ano”. (HACKING, 2012, Figura 15 – Yevgeny Khaldei. A bandeira vermelha
p. 319) sobre o Reichstag, Berlim, 1945
Fonte: Hacking, 2012

Guarda da SS morto, flutuando em um canal


(1945) (Figura 16), da ex-modelo e artista surre-
alista norte-americana Lee Miller (1907-1977)
– correspondente de guerra da Condé Nast e
única fotojornalista mulher oficial nas áreas de
combate da Segunda Guerra Mundial. Essa foto
gerou uma série de reações quanto à desumani-
dade da guerra. O corpo de um soldado alemão
está parcialmente submerso em uma água com
lama de um canal. Ela cobriu a liberação do cam-
po de concentração de Dachau, na Alemanha.

Figura 16 – Lee Miller. Guarda da SS morto,


flutuando em um canal, 1945
Fonte: Hacking, 2012

Dia V-J em Times Square (1945) (Figura 17), do


fotógrafo polonês naturalizado norte-america-
no, Alfred Eisenstaedt (1898-1995), é uma das
imagens mais icônicas de celebração do fim da
Segunda Guerra Mundial. A foto do marinheiro
norte-americano beijando uma enfermeira, em
comemoração da rendição japonesa, capta a eu-
foria dos Aliados, em Nova York, dia 14 de agosto
de 1945, quando foi anunciado o fim da guerra.
Eles simbolizam os soldados e o corpo médico de
apoio, livres do conflito. A imagem foi publicada
na revista Life uma semana depois.

Figura 17 – Alfred Eisenstaedt. Dia V-J em Times Square, 1945


Fonte: Hacking, 2012

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A Fotografia de Moda através do Tempo
A roupa não fala, mas nos diz muitas coisas. Inúmeros são os códigos
das roupas que, ao serem decifrados, são capazes de transmitir informa-
ções, como por exemplo, as cores. Atualmente, no mundo ocidental,
com a liberdade de expressão, as cores perderam muito das suas simbo-
logias, mas, em outras épocas, já estiveram associadas às questões cultu-
rais como um verdadeiro diferenciador de condição social. (NOGUEIRA
apud BRAGA, 2008, p. 17)

As primeiras fotografias de moda tiveram origem nos retratos fotográficos do


século XIX e nas gravuras de moda. Mas o surgimento da fotografia de moda como
um gênero ocorreu no início do século XX com o desenvolvimento da indústria de
revistas ilustradas, como Harper’s Bazar (lançada em 1867) e Vogue (1892), ambas
em Nova York, que contrataram famosos fotógrafos de arte da época. As publica-
ções tinham como público-alvo mulheres ricas e as que gostavam do mundo do luxo.
“Antes do advento da fotografia, revistas de moda eram raras, mas na década de
1880, as revistas ilustradas se tornaram comuns”. (HACKING, 2012, p. 260)
Em 1909, a Vogue – até então uma publicação modesta – foi comprada pelo
editor Condé Nast, que, com grandes investimentos, especialmente na área de im-
pressão, transformou a revista em uma grande publicação de moda de alta classe.
Em 1913, a revista contratou seu primeiro fotógrafo em tempo integral: o barão
Adolph de Meyer (1868-1946), famoso por seus retratos e por suas ligações com a
alta sociedade. Suas fotos de moda, sempre com iluminação requintada, eram como
retratos românticos de mulheres “como criaturas mimadas e passivas” (HACKING,
2012, p. 261). Estudo de moda não publicado para a Vogue, de 1919 (Figura
18), que parece ter sido realizado ao ar livre (mas, foi em estúdio), mostra a técnica
refinada de Meyer no uso da contraluz. Em 1922, ele foi contratado pela publica-
ção rival da Vogue, a Harper’s Bazar (que em 1929 acrescentaria um “a” em seu
nome: Harper’s Bazaar), de William Hearst, para se tornar seu principal fotógrafo
em Paris.

Figura 18 – Adolph de Meyer. Estudo de moda não publicado para a Vogue, 1919. Fotografia
Fonte: Hacking, 2012

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UNIDADE Fotografia Moderna (1901 a 1945) e a Fotografia de Moda

O sucesso da Vogue em terras americanas fez com que a publicação atraves-


sasse o Atlântico. Em 1916, foi lançada a sua edição britânica e, em 1921, seria
a vez da edição francesa. Na Europa, o inglês Cecil Beaton (1904-1980), que
lançou sua carreira como fotógrafo de sociedade, em 1927, com uma exposição
em Londres, foi contratado pela revista. Logo, ele foi reconhecido pelo seu esti-
lo refinado, romântico e um tanto exótico. O objeto fotografado era apenas um
elemento do todo, composto por diversos outros objetos e materiais (muitas vezes
inusitados). Beaton, que ainda hoje é referência para fotógrafos contemporâneos,
também fotografou para a revista Vanity Fair.

Figuras 19 e20 – Cecil Beaton. Mona von Bismarck by Cecil Beaton for Vogue, 1936
Fontes: Cecil Beaton, 1936

Entretanto, foi apenas em julho de 1932 que a Vogue publicou sua primeira
capa com uma fotografia. Produzida pelo fotógrafo Edward Steichen – um dos
mais famosos fotógrafos de moda da época –, a imagem mostra uma modelo
com maiô vermelho e branco e touca branca, segurando uma bola também ver-
melha e branca sobre um fundo azul (Figura 21).

Figura 21 – Edward Steichen. Primeira capa fotográfica da revista Vogue, 1932. Fotografia
Fonte: Torezani, 2015

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A fotografia, além de substituir gradualmente os desenhos nas revistas
de moda e estilo de vida, começou a eclipsar as artes gráficas na publi-
cidade. Em 1923, menos de 15% dos anúncios ilustrados nas grandes
revistas usavam fotografia. Decorrida uma década, este número chegava
quase a 80%. (HACKING, 2012, p. 262)

Nos anos 1930, câmeras portáteis como a Leica contribuíram para que a foto-
grafia de moda começasse a ser mais realista, tendo como base o fotojornalismo,
fora dos limites do estúdio, por exemplo. Em 1933, a Harper’s Bazaar contratou
o húngaro Martin Munkácsi (1896-1963), um dos fotógrafos esportivos mais bem
pagos do mundo. Sua capacidade de captar o movimento revolucionou a fotografia
de moda (Figura 22). Ele ensinou, em 1935, em um artigo na Harper’s Bazaar:
Nunca mande seus modelos posarem. Deixe que se movam natural-
mente. Todas as grandes fotografias hoje são instantâneos. Tire ima-
gens por trás. Tire imagens correndo [...]. Escolha ângulos inespera-
dos, mas nunca sem razão.

Figura 22 – Martin Munkácsi. O salto da poça, 1934. Fotografia


Fonte: Martin Munkácsi, 1934

Período do Pós-Guerra Revoluciona a Fotografia de Moda


Durante a Segunda Guerra Mundial, a Vogue francesa parou temporaria-
mente de ser publicada, mas as edições americana e britânica mantiveram suas
circulações. No período pós-guerra, quando as revistas de moda e de com-
portamento já estavam cheias de imagens em cores, surge a fotógrafa norte-
-americana Louise Dahl-Wolfe (1895-1989), que ajudou a definir uma nova
estética visual para a Harper’s Bazaar (Figura 23). Usando filme Kodachrome,
ela produziu, até 1958, 86 fotografias de capas da revista, 600 fotos em cores
e mais de 2 mil fotografias em preto e branco. Louise começou a utilizar a luz
natural e se tornou famosa por fotografar em locações exóticas e ao ar livre.

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UNIDADE Fotografia Moderna (1901 a 1945) e a Fotografia de Moda

Figura 23 – Louise Dahl-Wolfe. Capa da revista


Harper’s Bazaar, junho de 1953. Fotografia
Fonte: Louise Dahl-Wolfe,1953

No final dos anos 1950, Londres se tornou o centro criativo para jovens estilistas
e fotógrafos de moda, um verdadeiro movimento cultural. Os jornais mostravam um
número cada vez maior de fotografias de moda “à medida que roupas sofisticadas,
porém acessíveis e produzidas em série, ficavam ao alcance do público em geral”
(HACKING, 2012, p. 345). Na época, também foi lançada a influente revista de
moda masculina Town, que mostrava modelos masculinos caracterizados como he-
róis ao estilo do agente secreto do cinema James Bond.

A década de 1960 marcou a transformação de modelos adolescentes em estre-


las internacionais como Lesley Hornby (1949-), conhecida como Twiggy, conside-
rada uma das primeiras supermodelos do mundo. Em 1966, ela foi fotografada,
aos 16 anos, por Barry Lategan (1935-) para o jornal britânico The Daily Express
(veja abaixo). Sua imagem quase andrógina, muito magra, pequena, com cabelos
loiros muito curtos e imensos passou a ser o padrão da mulher contemporânea.
Lategan – que se considera o descobridor de Twiggy – também fotografou para a
Vogue e para a Harper’s Bazaar.

Barry Lategan. Reportagem no The Daily Express com Twiggy, 23 de fevereiro de 1966.
Explor

Disponível em: https://goo.gl/xFojvB.

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A década de 1960 seria marcada, ainda, pela ampliação da ideia de padrão de
beleza nas grandes revistas. Em março de 1966, Donyale Luna se tornou a primei-
ra modelo afro-americana a estampar a capa da Vogue britânica, fotografada por
David Bailey (1938-) (Figura 24).

Figura 24 – David Bailey. Capa da revista Vogue britânica


com Donyale Luna na capa, março de 1966. Fotografia
Fonte: David Bailey,1966

O Poder Abrangente da Fotografia de Moda


No final dos anos 1970, Alexander Liberman, diretor editorial da Vogue,
descreveu a fotografia de moda como “uma operação sutil e complexa que en-
volve arte, talento, técnica, psicologia e vendas” (HACKING, 2012, p. 488).
O executivo destacou o poder abrangente da fotografia, além do poder emer-
gente da nova mulher e da moda mundial.

Esses conceitos apareceram nas supermodelos Jerry Hall e Lauren Hutton e no


trabalho de importantes fotógrafos de moda como os alemães Helmut Newton (1920-
2004) (Figura 25) e Chris von Wangenheim (1947-1981), o francês Guy Bourdin
(1928-1991) e o italiano Gian Paolo Barbieri (1938-). Na época, a fotografia de
moda, muitas vezes, apresentava fantasias de luxúria e consumo, publicadas invaria-
velmente em revistas europeias.

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UNIDADE Fotografia Moderna (1901 a 1945) e a Fotografia de Moda

Figura 25 – Helmut Newton. Fotografia publicada


na revista Vogue francesa, abril 1977
Fonte: Helmut Newton, 1977

Nos anos 1980, as top models passaram a ser bem pagas (aliás, muito bem pa-
gas), consolidando-se o conceito de supermodelos. Fotógrafos como o norte-ame-
ricano Steven Meisel (1954-) foram fundamentais para a construção das carreiras
de diversas supermodelos como Cindy Crawford, Claudia Schiffer, Linda Evangelis-
ta, Naomi Campbell, entre outras. Meisel, que também era designer, coreografava
poses das modelos e as aconselhava sobre cor de cabelos, por exemplo.

Também fazia parte desse grupo de fotógrafos Herb Ritts (1952-2002). Seus
retratos de personalidades e editoriais de moda foram publicados em revistas de
luxo como Vogue e Vanity Fair. O norte-americano fotografou ainda para campa-
nhas publicitárias de marcas como Armani e Chanel e para varejistas como Levi’s
e Gap. (HACKING, 2012)

Figura 26 – Herb Ritts. Madonna (True Blue Profile), Hollywood, 1986. Fotografia
Fonte: Herb Ritts,1986

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Figura 27 – Herb Ritts. Stephanie, Cindy, Tatjana,
Naomi, Hollywoodi, 1989. Fotografia
Fonte: Hacking, 2012

Na Inglaterra, ganhavam espaço publicações de estilo destinadas a ambos os se-


xos, como as revistas i-D e The Face, ambas criadas em 1980. Elas apresentavam
a cultura jovem, música, tendências emergentes e uma moda despojada e descon-
traída, em contraponto com as grandes e tradicionais revistas de moda.

Figura 28 – Jamie Morgan. Capa da revista The Face, 1984


Fonte: Jamie Morgan, 1984

Os anos 1990 ficaram marcados pelo estilo de fotografia neorrealista, es-


pecialmente a partir de 1992, na Vogue britânica, sob o comando da editora
Alexandra Schulman. “Mas, as imagens de modelos pálidas e magérrimas, po-
sando em ambientes desolados geraram críticas” (HACKING, 2012, p. 490).
Era o estilo denominado heroin chic.

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UNIDADE Fotografia Moderna (1901 a 1945) e a Fotografia de Moda

Contudo, foi a fotógrafa britânica de moda Corinne Day (1965-2010), nos


anos 1990, quem criou uma estética a partir da simplicidade e da realidade, in-
fluenciando toda uma geração de profissionais com suas lentes. Rodando pelas
agências de modelos de Londres, encontrou uma garotinha de 14 anos, magri-
cela, que chamou a atenção por sua beleza crua. Era Kate Moss (Figura 29), que
definiria o espírito da moda nos anos 1990.

Figura 29 – Corinne Day. Kate Moss exposta, 1993. Fotografia


Fonte: Hacking, 2012

O Brasil também tem seus representantes no mundo da fotografia de moda.


Um deles é o paulistano Bob Wolfenson (1954-), que iniciou sua carreira aos
16 anos como assistente de fotografia. No final da década de 1970, montou
seu próprio estúdio. Depois de um período de trabalho em Nova York, voltou
ao Brasil e começou a trabalhar em editoriais de moda para diversas revistas.
É conhecido atualmente como um dos maiores fotógrafos da América Latina.
Já trabalhou com dezenas de modelos para editoriais de moda em revistas
como Elle e Playboy e em várias campanhas publicitárias.

Figuras 30 – Bob Wolfenson. A supermodelo brasileira Gisele


Bündchen em campanha publicitária, 2008.Fotografias
Fonte: Bob Wolfenson, 2008

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A Fotografia de Moda na Era Digital
Na medida em que entende a linguagem da moda fotografada, o profis-
sional que atua no campo da moda ou da comunicação de moda torna-se
mais consciente ao eleger os signos capazes de estabelecer uma relação
eficiente e ética com o público. Essa consciência, fundamental em todas
as áreas, pode fazer a diferença em um campo que busca se firmar como
parte importante da cultura. (NOGUEIRA, 2012, p. 106)

A revolução tecnológica, principalmente com a popularização da internet, a par-


tir do final dos anos 1990, passou a fazer parte do trabalho dos fotógrafos em todas
as áreas, principalmente na moda, tornando-se um verdadeiro fórum para os pro-
dutores de imagem de moda e também para os consumidores. A fotografia, nesse
contexto, assume ainda mais um importante papel de instrumento da moda.

Devido ao avanço da tecnologia, as fotografias deixaram de aparecer somente


em revistas, mas também em meios virtuais, como websites, blogues e redes sociais,
que informam as pessoas sobre todas as novidades. De fotógrafos freelancers a
profissionais, é possível ver seus trabalhos divulgados na internet.

Um exemplo desse novo momento é o inglês Nick Knight (1958-), que, como
fotógrafo de moda, tem desafiado as noções convencionais de beleza, estando
entre os fotógrafos mais influentes e visionários do mundo. Como empreendedor,
ele criou e dirige o premiado site de moda SHOWstudio.com, empresa de promo-
ção dedicada a compartilhar na internet mídias ao vivo sobre moda (Figura 31).

Figura 31 – Página inicial do site SHOWstudio.com, do fotógrafo inglês Nick Knight


Fonte: https://goo.gl/8DR4bD

Com a atual supervalorização da imagem, passaram a ter grande relevância


dentro da moda outros profissionais (muitas vezes sequer percebidos pelo grande
público), como o produtor de moda e o programador visual que, agora, fazem par-
te do sistema de produção e difusão de moda.

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UNIDADE Fotografia Moderna (1901 a 1945) e a Fotografia de Moda

As mais impressionantes imagens de moda de hoje em dia são in-


crementadas por narrativas coloridas e poéticas. Assim como os de-
signers de moda reciclam e interpretam as tendências das décadas
passadas, os fotógrafos contemporâneos, muitas vezes, buscam inspi-
ração em seus antepassados, misturando influências de outras épocas.
(HACKING, 2012, p. 490)

O fotógrafo de moda britânico Tim Walker (1970-), por exemplo, mostra, em


seus trabalhos, um mundo fantasioso, extremamente colorido, que remetem aos
primeiros trabalhos de Cecil Beaton (1904-1980) e aos contos de fadas clássicos.
(HACKING, 2012)

Figura 32 – Tim Walker. Capa da Another Figura 33 – Tim Walker. Revista i-D, 2017
Man, 2017, para a Gucci Fonte: Tim Walker, 2017
Fonte: Tim Walker, 2017

Com a utilização de programas gráficos, toda a construção de imagens passou


a ser digital. A manipulação digital possibilita a associação de elementos muito
diferentes visualmente, favorecendo o processo de coloração e inserção de uma
figura dentro da outra, por exemplo, gerando paisagens híbridas, que correspon-
dem à outra imagem ou sequência de imagens sem referência real. “O digital, o
virtual, a simulação das imagens, a nova forma de criação nos leva cada vez mais
para o mundo da ficção, um mundo de imaginação e fantasia que está resignifican-
do valores e conceitos relativos à imagem”. (SPINELI, 2011, p. 43)

Essa característica, conforme Spineli (2011, p. 43), é muito utilizada por David
LaChapelle (1963-) em suas produções para moda, “pois ele manipula as imagens
fotográficas digitais ou digitalizadas e as compõem por meio do computador com
outro elemento”. O resultado, conforme a autora, são imagens que não encon-
tram necessariamente contraponto na realidade.

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Figura 34 – David LaChapelle. An image Figura 35 – David LaChapelle. Campanha
of some bright eternity, 2002, para publicitária Viva Glam da MAC, 2012,
a Vogue italiana. Fotografia com a rapper Nicki MinajFotografia
Fonte: David LaChapelle, 2002 Fonte: David LaChapelle, 2002

A Fotografia de Moda e o Instagram


O Instagram, rede social on-line de compartilhamento de fotos e vídeos com co-
nexão a outras redes sociais como Facebook, Twitter, Tumblr e Flickr, é a nova apos-
ta de um dos mais prestigiados fotógrafos brasileiros de moda: Jacques Dequeker
(1970-). Ele já fez perto de 100 capas para a Vogue nacional. Dequeker criou a
revista digital DQKER Nation, com quatro capas mensais e conteúdo sobre moda tra-
balhado exclusivamente no Instagram, uma comunidade com mais de 500 milhões
de pessoas. No âmbito comercial, as marcas podem patrocinar tanto as editorias, de
forma isolada, quanto a íntegra das publicações.
Explor

Veja o instagram da revista digital DQKER Nation. Disponível em: https://goo.gl/TRxRAA.

Figura 36 – Página inicial de DQKER Nation, revista digital do fotógrafo


brasileiro Jacques Dequeker no Instagram (jun. 2018)
Fonte: https://goo.gl/oe1Ztm

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UNIDADE Fotografia Moderna (1901 a 1945) e a Fotografia de Moda

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

  Sites
Iphoto Channel
10 Fotógrafos de moda para seguir no Instagram.
https://goo.gl/QgdgV9
Amigo Fotografo
5 aplicativos de fotografia grátis que você deve conhecer.
https://goo.gl/iAiSrD

 Livros
Correspondente de guerra – Os perigos da profissão que se tornou alvo de terroristas e exércitos
LIOHN, André; SCHELP, Diogo. Correspondente de guerra – Os perigos da
profissão que se tornou alvo de terroristas e exércitos. São Paulo: Contexto, 2016.

 Filmes
A vida secreta de Walter Mitty
A vida secreta de Walter Mitty. Direção:.Ben Stiller, 2013. Sinopse: Walter Mitty
(Ben Stiller) é o responsável pelo departamento de arquivo e revelação de fotografias
da tradicional revista Life. Ele é um homem tímido, levando uma vida simples, per-
dido em seus sonhos. Ao receber um pacote com negativos do importante fotógrafo
Sean O’Connell (Sean Penn), ele percebe que está faltando uma foto. O problema é
que trata-se justamente da foto escolhida para ser a capa da última edição da revista.
É quando, Walter, com o apoio de Cheryl (Kristen Wiig) é obrigado a embarcar em
uma verdadeira aventura.

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Referências
EPRIN – Escola Profissional da Raia. A evolução da câmera fotográfica
[2018]. Disponível em: <https://www.eprin.net/gamanho/fotpb/AEvolucao-
daCamaraFotografica.pdf>. Acesso em: 30 mai. 2018.

FELZ, Jorge Carlos. A fotografia de imprensa nas primeiras décadas do século


XX – O desenvolvimento do moderno fotojornalismo. In: 6º Encontro Nacional
da Rede Alfredo de Carvalho/Alcar. Associação Brasileira de Pesquisadores
de História da Mídia. Niterói, 2008. Disponível em: <https://bit.ly/2shV9Py>.
Acesso em: 29 maio 2018.

FLÔRES, Paula Mendonça. Styling e fotografia de moda: efeitos psicossociais e


emocionais. 2013. Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia Têxteis) – Fa-
culdade de Engenharia da Universidade da Beira Interior, Covilhã e Lisboa. 2013.
Disponível em: <https://ubibliorum.ubi.pt/handle/10400.6/1720>. Acesso em:
06 jun. 2018.

HACKING, Juliet (ed.). Tudo sobre fotografia: técnicas criativas de 100 grandes
fotógrafos. Rio de Janeiro: Sextante, 2012.

LEICA. Leica – Uma história de sucesso, [2018]. Disponível em: <http://leica.


pt/leica-uma-cronologia-de-sucesso>. Acesso em: 30 mai. 2018.

LOWE, Paul. Mestres da fotografia. São Paulo: Gustavo Gili, 2017.

NOGUEIRA, Letícia de Sá. Fotografia de moda: linguagem e produção de sentido.


CES Revista, Juiz de Fora/MG, jan./dez. 2012. Disponível em: <https://www.
cesjf.br/revistas/cesrevista/edicoes/2012/06%20Moda_%20Fotografia%20
de%20moda.pdf>. Acesso em: 05 jun. 2018.

ROLLEIFLEX USA. Kit Rolleiflex Hy6 Mod 2 com objectiva 80 mm f / 2.8


AFD e película de 4,5 x 6, [2018]. Disponível em: <https://rolleiflex.us/pro-
ducts/rolleiflex-hy6-mod-2-kit-with-80mm-f-2-8-afd-lens-and-4-5-x-6-film-back>.
Acesso em: 20 mai. 2018.

SALLES, Filipe. Breve história da fotografia, 2004. Disponível em: <http://


www.miniweb.com.br/artes/artigos/Hist%F3ria_fotografia.pdf>. Acesso em: 31
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SILVA, Vivianne Cabral e. Construção de identidade de marca, fotografia de


moda e erotismo – As campanhas Sisley. 20007. Dissertação (Mestrado em
Cultura Visual) – Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás.
2007. Disponível em: <https://culturavisual.fav.ufg.br/up/459/o/2007_Vivian-
ne_Cabral_e_Silva.pdf>. Acesso em: 17 abr. 2018.

SPINELI, Patrícia Kiss. A arte da fotografia de moda: Man Ray e David


Lachapelle. Iara – Revista de Moda, Cultura e Arte, São Paulo/SP, v. 4,

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n. 2, dez. 2011. Disponível em: <http://www1.sp.senac.br/hotsites/blogs/


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Acesso em: 07 jun. 2018.

TOREZANI, Julianna Nascimento. A fotografia anos 1930 – Parte 1. Ikoneblog,


2015. Disponível em: <http://ikoneblog.blogspot.com/2015/03/a-fotografia-
-anos-1930-parte-1.html>. Acesso em: 06 jun. 2018.

TOREZANI, Julianna Nascimento. A fotografia de conflitos: da Primeira Guerra


Mundial ao ataque ao World Trade Center. In: Anais do XXXVII Congresso
Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom, 2014. Foz do Iguaçu/
PR. Disponível em: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2014/re-
sumos/R9-2077-1.pdf>. Acesso em: 05 jun. 2018.

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