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Mundo ou Capitalismo Insustentável?

Sabrina Maria Visigalli Martins do Rosario - novembro de 2010

O consumo da humanidade já superou em 30% as capacidades do planeta de se regenerar, segundo o


Relatório Planeta Vivo WWF 2008. Para satisfazermos nossas necessidades, precisaremos de dois
planetas já na década de 20301. Dados como esses são no mínimo alarmantes. Não temos outro
planeta para habitar, mas estamos esgotando nossos recursos disponíveis e o fazemos de forma a não
termos saída viável, ainda em nossa geração.

Esforços têm sido feitos para prolongar a existência humana e delongar a crise ambiental iminente
como os compromissos assumidos na Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável2 ou o Plano
de Ação da União Européia para incentivar tecnologias ambientais3.

Mas o que é realmente necessário para que mudemos de rumo e sejamos capazes de cuidar de nossa
casa, mantendo-a habitável? Que prioridades cada nação precisa assumir e realizar para o bem
comum? Será que não precisaríamos nos unir como um único povo em prol de nossa própria
sobrevivência?

A análise da crise ambiental que vem se instalando em nossos dias é de suma importância para toda a
humanidade, não há prioridade mais importante atualmente.

O desenvolvimento econômico tem recebido essa prioridade em detrimento dos custos ambientais que
causa, pois é pensado e realizado de forma não sustentável. Vivemos em meio a um enraizado sistema
capitalista, onde o lucro e o aumento do consumo se apresentam como a base e a referência para o
desenvolvimento de uma nação. Portanto utilizamos os recursos disponíveis de forma irresponsável.
Sabemos que os mesmos estão acabando, mas não mudamos nossa maneira de pensar o
desenvolvimento; as cadeias produtivas e o sistema de governo adotado.

Em vista do paradoxo que vivemos, precisamos pensar em soluções com início imediato: o que é
necessário ser feito para que não continuemos caminhando para nossa própria extinção?

A intervenção antrópica sobre o meio ambiente remete ao homem das cavernas e a descoberta do
fogo, no período Paleolítico. Com o passar do tempo este impacto foi crescendo e se tornando uma
intervenção negativa, iniciada com a Revolução Industrial – no século XVIII4 e intensificada
principalmente a partir do advento da indústria e da tecnologia, logo após o término da II Guerra
Mundial. Num período de 100 anos – entre 1900 e 2000 – a população mundial cresceu quatro vezes e
a população urbana, que não chegava a 1/3 da população rural, passou a última em número no final
do século passado5.

Como conseqüência de uma ocupação e uso dos recursos naturais de forma desordenada e predatória,
problemas ambientais tangíveis começaram a atingir a população: dificuldade de acesso à água
potável, então poluída por esgotos e resíduos químicos de processos industriais; poluição do ar
causada pela queima de combustíveis fósseis utilizada no transporte, entre outros5. O homem passou a
ser um interventor na natureza, não apenas parte dela como todos os outros seres vivos.

Hoje chegamos ao limite máximo do descaso com os estragos causados ao meio-ambiente. A


população atual é de mais de 6.5 bilhões de habitantes6, que consomem mais do que a Terra tem
capacidade de se regenerar1; poluindo, desmatando biomas nativos para fazer culturas agrícolas,
contribuindo para o rápido aumento do efeito estufa através das emissões de gás carbônico na
atmosfera e causando desastres ambientais de proporções assustadoras, que por sua vez resultam em
custos ambientais exorbitantes.

Diversas estratégias de conservação ocorreram na tentativa de se discutir maneiras para solucionar o


problema ambiental. Em 1908 Theodore Roosevelt já convocara uma conferência sobre conservação
dos recursos naturais nos EUA8, porém apenas a partir do aumento dos problemas ambientais uma
mobilização maior se deu. Em termos de iniciativas mundiais, o maior marco da história da
humanidade por sua contribuição a uma mudança no estilo de desenvolvimento das futuras gerações 8
é tido como a ECO-92, ou Rio-92, uma conferência que contou com a participação de 30 mil pessoas,
de 178 países com 112 Chefes de Estado. Realizada no Rio de Janeiro, resultou na aprovação de uma
série de documentos sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, Florestas, a aprovação da Convenção
das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica e da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas, entre outros. A partir daí houve outros encontros mundiais e então ocorreu uma
sistematização, formada pelas várias Convenções e Comissões resultantes deste encontro – de grupos
e documentos escritos em prol da preservação ambiental, mas sempre contendo vagos compromissos
por parte de seus membros. Nenhuma nação se comprometia claramente a combater o crescimento
desenfreado, houve apenas intenções de realizações deste tipo.

Uma discussão recorrente em todos esses encontros trata do princípio das responsabilidades comuns,
porém diferenciadas com relação a custos ambientais. Este prevê que as nações desenvolvidas, por
serem mais industrializadas e contribuírem mais para a poluição atmosférica, deveriam desembolsar
quantias maiores para auxiliar os países em desenvolvimento e subdesenvolvidos a se desenvolverem
e então diminuírem suas emissões de gás carbônico. Com base neste princípio podemos perceber um
equívoco ideológico de valores e prioridades: Toma-se por base que o caminho de irresponsabilidade
ambiental histórico dos países desenvolvidos foi o melhor caminho, e espera-se que os países em
desenvolvimento recebam ajuda dos primeiros para se desenvolverem – sob os mesmos moldes. Após
o repetido processo incorreto, os novos países – então desenvolvidos – passariam a dar uma maior
contribuição para corrigir os estragos ambientais causados no processo.

Poucas e recentes mobilizações tiveram compromissos assumidamente claros e menos ineficientes,


como a Declaração de Johannesburgo sobre Desenvolvimento Sustentável e seu plano de
implementação, pois “assume o compromisso de monitorar regularmente o progresso na direção do
atingimento das metas e objetivos para o desenvolvimento sustentável e exprime o compromisso de
uma ação multicultural e multinacional com a determinação comum de salvar nosso planeta”10.

O Plano de Ação da União Européia para incentivar tecnologias ambientais3, criado há alguns pares de
anos, também mostra-se como uma iniciativa criativa que consiste em fornecer subsídios (tais como
fundos de investimento) para a criação e implementação de novas tecnologias que promovam um
desenvolvimento tanto econômico como sustentável3.

Em 19 de dezembro de 2009 entrou em cena o Acordo de Copenhagen, no qual países em


desenvolvimento, o Brasil entre eles - inusitavelmente declararam suas intenções de reduzir suas
emissões atmosféricas resultantes do crescimento econômico. Neste mesmo encontro foram decididos
valores de investimento da ordem de 30 bilhões de dólares cobrindo o período 2010-2012 e adicionais
100 bilhões de dólares por ano, em uma mobilização conjunta, a partir de 2020. Todos esses recursos
se destinarão às necessidades dos países em desenvolvimento, tanto para a erradicação da pobreza
quando para investimento em novas tecnologias ambientalmente corretas.

No entanto, não foi firmado nenhum compromisso em relação a diminuição de emissões atmosféricas
para o ano de 2050, quando acredita-se que a crise ambiental entrará em colapso. Na verdade
precisaríamos diminuir em 50% nossas emissões de gás carbônico para que o efeito estufa não
avançasse de maneira a prejudicar a população. Estimativas afirmam que uma grande mortandade da
humanidade é iminente11.

Há algo muito errado no âmago dos problemas da atualidade. A crise que vivemos pode ser chamada
de crise da biotecnosfera – termo proposto pelo Russo G. F. Chilmi em 1972, que consiste em uma
junção dos processos naturais, técnicos e sociais complexamente interagindo entre si7. Todos estes
fatores, portanto, devem ser considerados na busca por uma solução para o futuro do homem na
Terra. Para compreendermos as causas desta crise e os entraves existentes para a resolução dos
problemas citados acima, precisamos refletir sobre a força motriz de nossa sociedade – aquilo que
causa mobilização de pessoas e nações, e que hoje se traduz no sistema capitalista instalado em quase
todo o mundo.
A sociedade capitalista tem como referência de desenvolvimento o crescimento econômico gerado pelo
aumento de consumo; que por sua vez motiva um aumento na produção industrial; resultando em
uma crescente oferta de empregos que assim provê o giro do capital e finalmente uma melhor
qualidade de vida para a população. Este modelo baseia-se na produção e consumo de uma
quantidade infindável de objetos de toda espécie. É um sistema baseado em necessidades
constantemente crescentes.

Pensando em recursos naturais findáveis percebemos que a base de toda nossa sociedade corre na
contramão do desenvolvimento sustentável – “aquele que atende às necessidades do presente sem
comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades”9.

Falta, portanto, uma sensibilização face aos grandes problemas ambientais que enfrentamos
atualmente e que tendem a piorar cada vez mais. A conscientização já ocorre, mas não tem surtido
efeito em meio aos nossos líderes e a todas as Comissões, Convenções e encontros entre nações. O
encontro das 20 maiores economias mundiais se deu em Seus, em 2010, e no mesmo trataram-se de
assuntos meramente econômicos como controle de taxas cambiais e administração da crise econômica
que se iniciou com o colapso imobiliário americano. Os EUA declararam que investirão 600 bilhões de
dólares na economia americana – a mais consumista do mundo - para tentar solucionar o problema
supracitado. Comparativamente, um relatório da ONU reportou que 20 bilhões de dólares por ano
resolveriam todo o problema ambiental brasileiro. Vê-se neste exemplo que o lucro e desenvolvimento
puramente econômicos ainda são a prioridade de nossas nações.

Com base nos argumentos expostos acima podemos concluir que é urgente a sensibilização das
pessoas para os problemas e custos ambientais, sob o risco da sociedade mundial perder seu habitat.
Uma mudança de paradigmas – na qual o desenvolvimento sustentável seja mais prioridade do que o
crescimento econômico – se mostra como a única e viável solução para a crise atual da biotecnosfera.
Um desenvolvimento ecologicamente sustentável, economicamente viável e socialmente justo é
necessário e possível, se feito a partir de um processo democrático que incorpore a diversidade de
culturas, ambientes, etnias e organizações sociais em busca de um bem comum: a sobrevivência de
nossa casa, nossa eco. Afinal, economia e ecologia compartilham do mesmo sufixo!

Referências bibliográficas

1 –WWF. Relatório Planeta Vivo. 2008. [S.l: s.n.].

2 – UNIÃO EUROPÉIA. Plano de Ação da União Européia para incentivas as tecnologias ambientais e promover a
inovação, o crescimento e o desenvolvimento sustentável.[S.l: s.n.].

3 – LEMOS, Haroldo Mattos de. A Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável e seus desdobramentos.
[S.l: s.n.].

4 – A LONGA história da poluição. Jornal da USP, São Paulo, n.475, p.7-13, jun.1999.

5 – LEMOS, Haroldo Mattos de. Explosão Populacional.[S.l: s.n.]

6 - BLACK, Richard. Atual crescimento da população é insustentável. Disponível


em:<http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2006/01/060106_populacaomundoebc.shtml>. Acesso em:
12 nov. 2010.

7 – DESIGN e preocupação ambiental. [S.l: s.n.]

8 – MARQUES, Frederico. GATT. [S.l.: s.n.]. Em FGVONLINE, Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.

9 – Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. 2ª ed. Rio de Janeiro:
Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991.

10 – LEMOS, Haroldo Mattos de. A Cúpula Mundial para o Desenvolvimento Sustentável. [S.l: s.n.]

11 – VIDEO Mudanças no clima, mudanças de vidas. Greenpeace. 2005.