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Crítica A Grande Saída

Introdução

A tese do livro de Deaton é que vive-se melhor hoje do que em qualquer outro período
da história. Há mais pessoas ricas e a expectativa de aumentou. Houve um enorme
progresso nos últimos 250 anos da história da humanidade, embora este progresso tenha
trazido uma desigualdade jamais vista e milhões ainda sofrem vivendo na extrema
pobreza.
O autor desenvolve sua tese contando a história do progresso material, tratando da
relação entre riqueza e saúde ao redor do mundo. Ele conta a história de como a
humanidade escapou da pobreza e da morte precoce e de como as pessoas conseguiram
melhorar suas vidas.

Crítica 1: Aspectos Gerais do livro

A escrita de Deaton é simples — ele evita termos muito difíceis da área de economia, e
quando tem que usá-los, busca explicar de forma fácil. Apesar de se tratar de um
assunto sério e de grande importância para ser estudado e discutido, o autor o faz
de maneira leve, sem entrar em polêmicas. Seus posicionamentos a respeito de alguns
assuntos são claramente visíveis, ou seja, a distinção entre dados fixos e opiniões é
bem definida. O livro trabalha muito bem com a linguagem visual, um de seus pontos
altos. São vários gráficos que levam diversas explicações em suas legendas e no próprio
texto, já que Deaton detalha cada um. Uma das coisas que mais me chamou a atenção
foi a sensibilidade com a qual Deaton tratou cada um dos temas e os interligou,
tendo sempre em mente (e lembrando os leitores a todo momento) que é preciso pôr
cada situação dentro de contextos adequados. A ética profissional está sempre presente
e o autor cumpre sua responsabilidade como alguém que terá seu livro lido por
profissionais de economia e entusiastas. Ele se envolve diretamente com o livro a
partir de sua apresentação, quando fala de seu pai e dos obstáculos enfrentados pela
família no passado – o que serve como exemplo para os desdobramentos abordados na
obra.

Crítica 2: Bem-estar
O livro dedica-se em grande parte aos tópicos da saúde, padrões materiais de vida e o
bem-estar material, normalmente medido pela renda, não se aprofundando em
aspectos relacionados ao bem-estar, como a liberdade, educação, dignidade, autonomia,
etc. Também discute sobre os efeitos da desigualdade e o que devemos fazer – ou não
fazer – para ajudar aqueles que ainda estão “aprisionados”.
Infelizmente, A Grande Saída não contém uma análise detalhada do conceito de bem-
estar humano e nenhum confronto abrangente com concepções rivais de bem-estar e
desenvolvimento.

Porém, o livro possui visões pessoais de Deaton junto com alguns argumentos
convincentes contra concepções opostas. Basicamente, a visão de Deaton é que o bem-
estar, ou a boa vida humana, tem muitos componentes, cada uma valiosa por si só. A boa
vida é muito mais do que dinheiro: inclui saúde, educação. E a capacidade de participar
na sociedade democrática com base em igualdade. Entretanto, esta lista de componentes
apresentadas pelo autor é muito simples, dado que cada componente é ele próprio plural.
A saúde, por exemplo, tem muitas dimensões, incluindo robustez física, bem-estar
cognitivo e expectativa de vida.

Algo interessante é que Deaton é bastante crítico à ideia de que podemos medir o bem-
estar humano pelo PIB per capita, uma medida muito utilizada na literatura econômica e
que possui grandes implicações políticas. Mesmo se o PIB médio fosse o melhor número
único para usar como um índice de bem-estar, nenhum número seria bom, dada a
complexidade das vidas humanas e o que vale a pena sobre elas. O PIB médio, além
disso, não inclui o trabalho feito em casa (trabalho de donas de casa e aposentados, por
exemplo), e não inclui o valor do lazer. E embora exista uma correlação geral entre o PIB
e algumas das outras coisas boas mencionadas por Deaton, a correlação pode ser
interrompida. O alto PIB médio dos Estados Unidos, por exemplo, não diz nada sobre as
desigualdades que contribuem para a falta de saúde ou de educação entre um número
grande de habitantes do país. O próprio Deaton afirma que estes pontos não são novos,
mas que era importante trazer a atenção.

Crítica 3: Felicidade

Um dos pontos positivos do livro é que Deaton não mede o bem-estar pela “felicidade”. O
autor diz que a pesquisas sobre felicidade são importantes, mas não são indicadores
confiáveis de como as pessoas realmente estão se sentino ou pelo o que estão passando,
visto que elas se adaptam a condições difíceis e adaptam suas satisfações ao que eles
acham que podem alcançar. Além disso, acrescenta Deaton, algumas atividades valiosas,
como o amor e a luta pela justiça, exigem risco e esforço e podem ser acompanhadas, às
vezes, pela dor. A felicidade, ele conclui, é “uma medida frágil de bem-estar geral”. Se
prestarmos atenção aos dados das pesquisas, ele sabiamente sugere, devemos preferir
pesquisas de “qualidade de vida”, que pelo menos permitem que as pessoas ponderem
sobre o bem-estar geral de suas próprias vidas. Mas a conclusão importante a ser tirada,
diz ele, é que não há uma única medida dessa noção complexa e "não há pergunta mágica
que forneça uma pedra de toque para avaliar o bem-estar".
Crítica 4: Relação entre Renda e Saúde

Ele não é muito preciso quando a relação entre renda e saúde. Ele escreve que esses são
os dois componentes mais importantes do bem-estar. Mas a renda é realmente um
componente de bem-estar, ou não passa de uma mera ferramenta para aumentar (ou
diminuir) o bem-estar? Por exemplo, se imaginarmos uma pessoa que tenha muito
dinheiro, mas não possa transformá-la em oportunidades, não devemos dizer que essa
pessoa tenha um grande bem-estar. Se ele não puder usá-lo, não adianta nada. Pode-se
tornar esta questão vívida pensando-se em pessoas com deficiência que podem ter
dinheiro, mas ainda não conseguem acessar as ruas e os sistemas de transporte porque
foram construídas para atender às necessidades da pessoa “normal”. Na era da Internet,
essa pessoa ainda pode fazer muitas compras, convertendo renda em oportunidades de
atividade - mas ainda assim a diferença é enorme entre essa pessoa e a pessoa cujo uso
da renda não sofre nenhum impedimento. O próprio Deaton enfatiza o fato de que a
renda pode ou não melhorar a saúde: tudo depende do que as estruturas institucionais a
cercam. Seria de concluir que o mesmo ocorresse com o bem-estar.

Crítica 5: Desigualdade
A questão da desigualdade é um tema central do livro e está presente ao longo de toda a
discussão. Para Deaton, a desigualdade é um problema sério e o aumento do progresso
material nos últimos 250 anos, apesar de melhorar a vida de grande parte da
humanidade, trouxe uma desigualdade nunca vista.
“Em grande escala, a desigualdade global foi criada pelo bem-sucedido crescimento
econômico moderno.” (pag 17)
“Foi apenas nos últimos 250 anos que o crescimento econômico sustentável e contínuo
em algumas partes do mundo levou à prevalência de grandes abismos entre países. O
crescimento econômico é o que gera a desigualdade internacional de renda.” (p 18)
“A globalização atual, a exemplo das anteriores, trouxe lado a lado o aumento da
prosperidade e da desigualdade.” (p. 18)
Porém, a desigualdade é realmente um malefício? No que a riqueza de um atrapalha a
vida de outro?
Deaton responde a essas questões e explica o motivo dele considerar a desigualdade
uma forma de injustiça.
Ele inicialmente comenta que economistas costumam defender o critério de Pareto, cuja
lógica diz que:
A lei de Pareto foi descoberta pelo economista-sociólogo Vilfredo Pareto no final do
século XIX.  Já àquela época, ele descobriu que aproximadamente 20% da população
detinha 80% do valor do capital de uma nação.  Um grande número de estudos
subsequentes indica que essa mesma distribuição se aplica para todas as sociedades
estudadas. A regra 20-80 de Pareto se aplica a todos os tipos de estatística institucional
incluindo a distribuição de riqueza. Por exemplo, Aproximadamente 20% de uma
determinada classe social consomem 80% dos produtos destinados àquela classe.  
Deaton então explica que segundo este critério, se alguém fica rico sem ser as custas da
pobreza de alguém, o mundo estará melhor. (p. 21 e 192). Porém, esta ideia perde força
se o bem-estar for definido de maneira menos estrita: as pessoas têm de alcançar um
padrão melhor, ou pelo menos não pior, em termos de bem-estar, mas não somente em
padrões materiais.
Ele quer dizer com isso que “se estes que enriquecem recebem tratamento político
privilegiado ou enfraquecem os sistemas públicos de educação ou saúde, de modo que
aqueles que não enriquecem são prejudicados no tocante à política, saúde ou educação,
então os primeiros podem até ter ganhado algum dinheiro, mas não ascenderam a uma
melhor situação.”(p.21). Ainda, ele diz que “Não se deve medir uma sociedade, ou a
justiça, apenas pelo padrão de vida. Mesmo assim, economistas com frequência, e de
maneira incorreta, aplicam o argumento Pareto à renda, ignorando outros aspectos do
bem-estar.”
Ele deixa seu pensamento sobre o assunto um pouco mais claro no capítulo 5 onde faz
uma análise sobre o bem-estar nos EUA. Lá ele comenta que “Não há nada de errado
com o critério de Pareto, e não devemos nos incomodar com a boa sorte dos outros se
ela não nos prejudicar.” Deaton quer dizer com isto que se estes 20% mais ricos o
fizeram tendo prejudicado o outros 80%, então que, após atingirem o topo começam a
sabotar os meios dos outros também ascenderem, a desigualdade torna-se um problema
de justiça que deve ser enfrentado e resolvido. Além disso, ele critica o uso do critério
de Pareto pelos economistas, pois determinadas atividades que criam riquezas materiais
podem gerar prejuízo em outros aspectos como a o bem-estar.
Ele também diz que é há um perigo hoje nos EUA da democracia virar plutocracia (a
influência dos ricos ou do dinheiro na sociedade ou nos governos) devido a
concentração de riqueza nas mãos de poucos. Ele diz que:
“Os muito ricos pouco precisam de educação ou saúde públicas e têm muitos motivos
para defender cortes no programa Medicare e para lutar contra aumentos de impostos;
de outro lado, não tem motivo nenhum para apoiar seguro-saúde para toda a população
ou se preocupar com a baixa qualidade das escolas públicas de boa parte do país. Eles se
oporão a qualquer regulação de bancos que restrinja lucros, mesmo que isso ajude
aqueles que não conseguem pagar as prestações do financiamento da casa ou proteja o
público contra empréstimos predatórios, propaganda enganosa ou até mesmo evite uma
repetição da crise financeira.”
Acredito que este trecho deixe claro o pensamento de Deaton sobre a desigualdade.
Sobre este ponto, somos particularmente céticos e não estamos de acordo com o autor.
Será injusto que os que conseguiram chegar até um patamar de riqueza lutem por seus
interesses em não serem taxados pelo seu sucesso? Os mais ricos realmente deveriam
ficar felizes em pagar taxas muito maiores de imposto para bancar o bem-estar do
restante da sociedade? Além disso, é realmente possível medir corretamente o impacto
na no bem-estar da sociedade que a ascensão de alguns provoca?
Crítica 6: Ajuda Internacional

No último capítulo do livro, Deaton faz uma dura crítica contra a ajuda internacional a
países muito pobres. Ele argumenta que os problemas da pobreza global não serão
resolvidos e, na verdade, são frequentemente agravados pela extensa ajuda externa e
pela filantropia internacional privada.

As pessoas nos países ricos querem ajudar; eles sentem um imperativo moral para
ajudar. Mas quando eles dão dinheiro aos países pobres, o dinheiro geralmente não
ajuda a resolver o problema. Isto ocorre, em primeiro lugar, porque a ajuda externa
raramente é orientada pelas necessidades reais dos receptores: com muito mais
frequência, é guiada pelas prioridades e pelos interesses do país doador.

Em segundo lugar, a ajuda é tipicamente dada aos governos e, com demasiada


frequência, é dada a governos que não têm interesse em ajudar seu próprio povo e,
muitas vezes, agem contra o próprio povo. Muitas vezes, o dinheiro doado incentiva os
governos a não resolverem o problema para que continuem recebendo doações. Mesmo
políticas de ajuda bem elaboradas tendem a enfraquecer a relação entre o governo e os
governados, o que, na visão de Deaton, seria crucial para o desenvolvimento econômico
e social a longo prazo.

Além disso, a forma como a ajuda é dada quase sempre não inclui os alvos da caridade,
no caso os povos dos países afetados, no processo de decisão.

Também se um governo pode levantar fundos sem precisar do consentimento de seu


povo, as instituições gradualmente se desvinculam do controle popular e podem
eventualmente tornar-se “tóxicas”.

Embora seja difícil aceitar esta dura realidade, acreditamos que Deaton esteja
certo em sua análise e prescrição, visto que nas últimas décadas a situação em
diversos países alvos de ajuda, principalmente os africanos, não sofreram alteração
em suas taxas de crescimento econômico e de desenvolvimento social.

Crítica 7: E o que vem a seguir?

O filme The Great Escape que o autor utilizou como metáfora não teve um final feliz.
Quase todos os fugitivos foram recapturados, e cinquenta deles executados. Será que
podemos acreditar que a nossa fuga será diferente?
Provavelmente não, mas não é despropositado ter esperança.
Há muitas ameaças capazes de nos derrubar, como: mudanças climáticas; a
possibilidade de interesses privados vencerem os interesses públicos; guerras e
movimentos políticos perigosos surgindo por toda parte; taques constantes de religiosos
fundamentalistas contra a ciência; doenças que não possuem tratamento e outras que
podem surgir a qualquer momento; a desaceleração do crescimento econômico.
Apesar de tudo isso, o autor se mantém otimista. A versão da grande saída de Angus
Deaton é positiva: afinal, milhões de pessoas foram salvas da morte e da miséria, e
vivemos em um mundo melhor que em qualquer outro momento da história, apesar de
suas desigualdades e dos milhões que ficaram para trás.
Ele acredita que a desaceleração da economia esteja exagerada, visto que estatísticos
negligenciam muitas melhorias na qualidade que respondem por parcela cada vez maior
do produto interno. Além disso, a maioria da população do mundo não vive em países
ricos, e para ela não houve desaceleração. A revolução da informação contribui para o
bem-estar mais do que somos capazes de aferir. Há possibilidades infinitas para a África
à medida que melhores gestões da economia evitam alguns dos desastres auto infligidos
do passado.
A morte está demorando a chegar. Há progressos reais contra o câncer que, com sorte,
serão equivalentes aos alcançados na luta contra doenças cardiovasculares nos últimos
quarenta anos. A violência diminuiu; hoje, as chances de uma pessoa ser assassinada
são muito menores que no passado. A democracia está implantada em muito mais países
do que cinquenta nãos atrás. São cada vez menos comuns casos de opressão de um
grupo social por outro. No mundo inteiro as pessoas estão ficando mais altas e
provavelmente mais inteligentes. A educação tem melhorado na maior parte do planeta.
Não se deve esperar que esses progressos ocorram em todos os lugares, ou que sejam
ininterruptos. Coisas ruins acontecem; novas fugas, como as do passado trarão novas
desigualdades. Apesar de tudo, a expectativa do autor é a de que os reveses sejam
superados no futuro como foram no passado.