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(Brasil)
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Resumo
O texto apresenta a história da Educação Física escolar no Brasil; analisa o ideário da época, as
principais influências, as características dos seus conteúdos, a docência, as questões de gênero, as instituições
de atendimento infantil, o tratamento diferenciado até a sua inclusão no Projeto Escolar. O estudo contempla
também tópicos inerentes a legislação, as abordagens ou linhas pedagógicas favor ecendo a compreensão
‘‘‘ sobre o estado da arte em que se encontra. Pode ser considerada como uma pesquisa qualitativa na qual o ‘‘‘
autor utilizou-se dos livros, artigos, as propostas curriculares em língua portuguesa. O que se depreende a
partir da análise dos fatos é que a construção e inserção da Educação Física na sociedade e na escola foi (e
continua) sendo uma história de marchas e contra marchas; de convencimento permanente para que o seu
valor intrínseco seja conhecido e a implementação das aulas seja uma realidade indiscutível. ‘
Unitermos[ Educação Física. História. Gymnástica.‘
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Î/Î

ƠNão és tu que me dás felicidade


Que esta eu crio por mim, por mim somente
Dirigindo sarado a concordância
Da vida que me dou com o meu destinoơ
Mário de Andrade

jntrodução

Quando se pensa sobre a história da Educação Física escolar no Brasil, é muito importante
lembrar que a sua recomendação, introdução e permanência na educação formal ocorreu em
um cenário de época bastante conservador; ocupou um espaço físico modesto e foi marcada
por uma história social com muitos percalços.

Filha das fileiras militares, guiada por preceitos médicos, os nossos primeiros professores de
gymnástica foram os soldados de D. Leopoldina. Princesa austríaca, e Imperatriz do Brasil, D.
Leopoldina trouxe consigo um grupo pequeno, porém, muito importante formado por cientistas
e pela sua guarda pessoal. Esta guarda pessoal praticava exercícios que foram adotados pelos
nossos soldados. A partir deste fato, a prática da gymnástica foi gradualmente Ơganhando
espaçosơ. Vencendo os costumes, combatendo o preconceito e ampliando seus conteúdos a
citada prática motora de então, hoje, educação física, é oferecida aos escolares brasileiros sem
distinção de sexo, gênero ou classe social.

Pequena história da educação formal

Durante o período entre Î -Î  tratou-se organizar os primeiros núcleos de educação


escolar para os bons selvagens. Com orientação jesuítica, o atendimento e a catequização das
crianças realizavam-se nas aldeias (CUSTÓDIO e HILSDORF, Î ), ou seja, os jesuítas
caminhavam muitas léguas para chegar às tribos. Embora não houvesse aulas de Educação
Física, as atividades ligadas ao movimento corporal estiveram asseguradas por meio da prática
da peteca, arco e flecha e das atividades recreativas às quais os Inacianos não se opuseram.

Após a expulsão dos elementos da Contra Reforma, muito pouco se fez pela educação formal
das crianças brasileiras. Sobre este tema os estudiosos de forma recorrente escrevem que o
atendimento seguiu o ideário da época, ou seja, as crianças abastadas recebiam orientação por
meio das Aulas Régias. As demais eram assistidas, abrigadas nos inúmeros Colégios como o de
São Pedro no Rio de Janeiro em Î.

Este Colégio posteriormente Seminário de São Joaquim, fechado em Î/ÎÎ, era uma
instituição assistencialista para órfãos; recolhimento para crianças e jovens, filhos de mães
solteiras e ou abandonadas pelos pais (CARDOSO, 2).

Entre esta data e o ano de Î24, quando ocorre a promulgação da Primeira Constituição, as
instituições de abrigo tais como a São Joaquim, serviram para a ocupação militar ou voltaram a
atender os menores desvalidos - sua ocupação inicial.

cs mudanças oficiais

Em Î24 a Constituição do Império recomendou formalmente a escolarização aos brasileiros.


A gratuidade da instrução primária garantia a existência de colégios e de universidades que
ensinassem elementos das ciências, belas artes e artes. A escolarização prescrita era,
entretanto, destinada aos filhos de proprietários, detentores de direitos políticos e civis, ou seja,
para ter acesso aos bancos escolares era necessário que o cidadão (mormente a sua família)
tivesse bens; portanto, a educação formal mesmo oficialmente recomendada, era para poucos
(ARANTES, 22).

Não se observa preocupação indicando a atividade física orientada no texto citado,


entretanto, a arquiteta Maria Cecília N. HOMEM (2), dissertando sobre a construção das
moradias em São Paulo, encontrou dados relativos à prática da ginástica alemã de banheiro ou
de quarto; exercitação possivelmente realizada de maneira autônoma com orientação dada aos
cidadãos por meio dos Instructores de gymnástica que atuavam nas (poucas) escolas existentes
no país.

À medida que a Corte tomava para si a responsabilidade da educação formal dos brasileiros,
em Î2-Î4 (CARDOSO, 2), determinou-se a realização de exames públicos para avaliar a
competência dos futuros docentes segundo critérios de conduta moral. Estas comissões eram
formadas pelos párocos, pais dos alunos e chefes de polícia (VILELLA, 2 e SILVA, 22),
Não se observa nos textos qualquer citação sobre a avaliação para os Mestres em Educação
Física.

Em todo o mundo de acordo com SOUZA (2), o século XIX foi caracterizado por intenso
debate sobre a questão da educação popular. Difundia-se a crença no poder da escola como
fator de modernização, progresso e mudança social. Era imperativo que se criasse uma escola
que atendesse as exigências que o processo de urbanização e de industrialização exigia. Nesta
esteira dos tempos modernos, a organização escolar, métodos de ensino, livros e manuais de
didáticos, classificação de alunos, estrutura física da escola, formação docente e a inclusão de
disciplinas tais como ciências, desenho e educação física ƛ ginástica- serviram a nova causa;
orientar um novo homem para uma nova sociedade. O Brasil na figura de Rui Barbosa, não
ficou alheio ao debate internacional. Preconizava-se até então, um ensino menos verbalista,
repetitivo e lotado de abstrações. Em seu lugar propunham-se lições das coisas que hoje talvez
pudesse ser visto como o ensino significativo, no qual o aluno toma parte de maneira ativa.

r Collégio D. Pedro jj

Em Î na cidade do Rio de Janeiro - sede da Corte no Brasil - observa-se a prescrição de


um Liceu cujas disciplinas reunidas servissem ao ensino secundário em um único
estabelecimento. Assim, dois anos depois, fundam-se o Imperial Collégio de Pedro. CUNHA
JÚNIOR (s.d) citando Haidar escreve que Ơa história do Colégio Pedro II (é) como quase que a
própria história do ensino secundário no Brasil especialmente no período monárquicoơ (s.p).
Com um currículo destinado à elite, o curso oferecia aos seus alunos, futuros bacharéis em
Letras, a possibilidade de acesso às academias de ensino superior.

Quanto á presença das aulas que tratassem de movimento humano CUNHA JUNIOR (s.d),
escreve que as mesmas foram orientadas pelos padrões (europeus) vigentes. A pedagogia da
educação physica articulava-se à alimentação, ao vestuário, ao exercício corporal e a
degenerescência física. Supostamente presente no cotidiano escolar antes de Î4Î e, (já)
causando certo desconforto, Antônio de Arrábia o primeiro Reitor da escola, em ofício ao
Ministro do Império escreve sobre certas irregularidades ocorridas nos primeiros dias de aula de
Latim e na de Gymnástica. Entretanto, por falta de documentação segura o autor citado prefere
afirmar que as atividades corporais gymnásticas foram efetivamente praticadas a partir de
Î4Î.

Como explicitado anteriormente, os nossos primeiros professores foram pessoas com


patentes militares. Este fato pode ser observado por meio da recomendação que Joaquim
Caetano Silva Reitor do Collégio citado, faz à Candido José de Araujo Viana (Ministro e
Secretário dos Negócios do Império). Solicitando a contratação do Mestre de Gymnástica
Guilherme Luiz Taube ƛ ex-capitão do Exército Imperial que se encontrava em difícil situação
para sustentar a sua numerosa família (CUNHA JÚNIOR, s.d). No suplicante ofício comentava-se
sobre a importância, adequação e o conteúdo dos exercícios utilizados pelo Capitão Guilherme.
Afirmava que práticas eram recomendadas pelas revistas médicas e oferecidas nos diversos
Collégios e Lyceos da Europa, cujo efeito abrangia as forças do corpo e a alma. Assim,
portadora e alinhada aos preceitos da época, somada a possível grande contribuição que daria,
as aulas de Educação Física seriam muito úteis aos nossos alunos.

Discriminação histórica. ccerto ou equívoco? Picuinhas ou paridade docente?

Em um terceiro documento, Joaquim Caetano da Silva, outro Reitor do Collégio, propõe ao


Ministro citado, que se pague ao ƠInstructor de Gymnástica um ordenado anual de
quatrocentos mil reis por sete horas de exercício semanais; duas na quinta feira e huma em
cada hum dos cinco dias de aulaơ somada a esta sugestão o Reitor arrisca recomendar que ao
Mestre não seja concedido o título de professor devido à natureza prática da atividade (CUNHA
JÚNIOR, s.d). ou porque o mesmo não estivesse incluído nos exames públicos de admissão
como o obrigatório. Esse é um ponto a ser esclarecido....

Apesar de reconhecer a suma importância do trabalho, escassez de mão de obra


especializada, o Ministro responde ao responsável pela direção do estabelecimento. Sobre o
valor da renumeração do Instructor, afirma que a mesma é muito superior a dos demais
docentes tais como os de Inglez, Francez, Dezenho e Música Ơtodos pressionados e com muito
mais trabalho que o Mestre de Gymnásticaơ. Assim entendendo e, muito incomodado, em junho
de Î4, o reitor questiona a possibilidade de substituir-lhe por hum mestre de dança (CUNHA
JÚNIOR, s.d).

Quase dez anos depois, na Cidade do Rio de Janeiro, observa-se a obrigatoriedade da prática
da ginástica nas (poucas) escolas primárias do Município da Corte; bem como em Î dá-se ali
a construção do primeiro prédio destinado exclusivamente para a escola pública (CARDOSO,
2).

No século XIX dois métodos ginásticos são citados (Î) a de quarto; realizada por alunos em
sala de aula por entre as carteiras, composta por exercícios localizados visando melhoria da
saúde e, (2) a ginástica alemã, (introduzida em Î 2-para soldados), que objetivava o
condicionamento físico dos alunos do sexo masculino, pela utilização de exercícios acrobáticos
exigindo disciplina e certo grau de hipertrofia muscular (ARANTES, 22).

As indicações sobre a realização das aulas de gymnástica se multiplicavam. Aqui e acolá se


se observa a recomendação deste conteúdo aos escolares. Para exemplificar escrevo que no
ano de Î 2, na província do Amazonas, é expedido um documento regulamentandoa
instrução pública primária, que juntamente com as matérias para o desenvolvimento moral, lê-
se a indicação das práticas motoras orientadas[

ơcom a instrução primária, se dará também a educação física e moral, a saber; a educação
constituirá em limpeza, exercícios e posições e maneiras do corpo, asseio e descências do
vestuário, o mais simples e econômico possível, danças e exercícios ginásticos, ornicultura,
passeios de instrução Ơ(MARINHO, Î4[4).

Para fomentar a prática da Educação Física e acompanhando os ditames da época, inúmeros


decretos, leis e atos oficiais foram criados. Outro exemplo é representado pelo Decreto n. 2
de Î de março Î 2 para os alunos das Escolas Normais. ƠO referido documento determinava
exercícios disciplinares, movimentos parciais e flexões, marchas, corridas, saltos, exercícios
piríricos, equilíbrio e exercícios ginásticosơ (PAIVA e PAIVA, 2Î[ s.p).

mducação Física e a profissão docente; capacitação profissional; especificidade ou


não?

De acordo com PAIVA e PAIVA (2Î), em seu trabalho sobre o ensino da gymnástica,
escrevem que

Ơem 2 de abril de Î, foi enviado aos membros da Comissão designada para conduzir o
processo de consulta acerca da proposta apresentada á Inspectoria da Instrucção Pública da
Corte pelo Cap. Ataliba M. Fernandes, mestre de gymnástica, o oficio que encaminhava motivos
e projetos explicativos para a realização nas escolas públicas de Instrucção primária do sexo
masculino, o ensino racional, methódico e progressivo da gymnástica elementar (visando) o
desenvolvimento physico dos alunnos, (como) aconselhado pelos preceitos higiênicos e regras
de boa educação e civilidadeơ (s.p).

Na defesa da implementação da atividade em tela, fazia-se menção a Grécia antiga, e sendo


integrante da educação da mocidade, favoreceria incorporação de hábitos higiênicos. A
sustentação das práticas motoras era defendia pela necessidade Ơpalpitanteơ da Educação
Physica ás crianças.

Quanto ao método, propunham-se exercícios do corpo livre e os dependentes do aparelho e


acessórios. Em ambos a flexibilidade, equilíbrios, lutas, forças, saltos exercícios pyrrichos,
natação e de volteios militares seriam praticados. O pórtico, barras fixas, argolas, escada de
cordas, paus, cabos volantes, barras paralelas, escadas de madeiras, graduador de saltos,
pesos, cordas, cabos, tamboretes seriam usados como facilitadores da aprendizagem gimnica.
Os envolvidos no processo, não apreciaram a proposta (PAIVA e PAIVA, 2Î), pois, a
educação física oferecida nas escolas até então se atinha aos exercícios elementares;
movimentos parciais (analíticos), e de flexões, marchas corridas, saltos simples, equilíbrios, em
terra firme. O pórtico e todos os exercícios que dali pudessem ser praticados foram vistos como
não recomendados seja pela falta de condições de instalação física, falta de recursos, ou
porque os alunos eram muito pequenos para tal prática. Em seu lugar, os diretores sugeriram
ao proponente Cap. Ataliba, a implementação de outro método; (Î) Ơo novo guia para o ensino
da gynástica nas escolas públicas da Prússiaơ, que havia sido distribuído pelo governo ou (2)
que se adotasse o método americano do Dr. Barnetts que se caracterizava pela exercitação a
mãos livres, com pequenos aparelhos e/ou pelo uso de tiras borrachas com diferentes tipos de
tensãoơ (s.p).

Condicionadas e adequando-se as modestíssimas instalações escolares, as aulas de educação


física, ficaram restritas apenas aos exercícios mais simples, à prática da higiene... Exercícios
mais complexos seriam praticados pelo Exército e nas Escolas da Marinha; ou até que o
governo reunisse condições para construir os pórticos nas escolas...

Nessa discussão também foram apresentados itens relativos ao trabalho do professor tão
assoberbado com a aprendizagem de outros conteúdos sem tempo para a implementação das
aulas de gymnástica.

A competência técnica e a remuneração também foram objeto de discussão. Quanto ao


horário, definiu-se que seria no intervalo entre duas sessões; podendo servir como diversão,
recreio ou uma estratégia para amenizar ou outros exercícios da vida escolar.... Às atividades
motoras ministradas pelo professor de escolarização inicial, somariam as de música e as de
desenho linear.....

O Capitão Ataliba imbuído de vigor defendeu que os docentes mesmo para o ensino
elementar deveriam possuir processo, método, linguagem concisa e clara, dedicação ao
trabalho, certo grau de energia e tenacidade; gente idônea. Portanto, as aulas de Educação
Física não poderiam ser ministradas por qualquer pessoa como defendiam os diretores. Criava-
se a necessidade de formação adequada dos docentes, a realização de exames que dessem
conta das atividades motoras das crianças e que propusessem conteúdos mais complexos a
serem desenvolvidos posteriormente (PAIVA e PAIVA, 2Î).

CARDOSO (2) escreve que o período compreendido entre Î 4ƛÎ  caracterizou-se por
inúmeras Reformas educacionais; Paulino de Souza, João Alfredo, Leôncio de Carvalho, Rui
Barbosa, Almeida de Oliveira; Barão de Mamoré. Nessas reformas educacionais, por certo,
incluem-se a revisão dos conteúdos das aulas de Educação Física a serem ministradas nas
escolas.
cs aulas de mducação Física na Caetano de Campos em São Paulo

Sobre a formação docente e adequação de trabalho com classes iniciais ARANTES (Î),
disserta que em Î4 em São Paulo instalou-se o primeiro Curso de Formação de Professores
ou Curso Normal destinado a ambos os sexos. A autora refere-se à Escola Normal da Praça da
República cujo currículo continha aulas de Educação Física. Ministradas por Instructores das
fileiras militares. As futuras professoras primárias viram-se às voltas com exercícios de marchas
e infiltrações, ordem unida e ginástica analítica. Essa Educação Física se assemelhava àquela
praticada no quartel (ARANTES et.al. 2Î). Esse dado parece ser relevante uma vez que a
Primeira Escola de Educação Física para civis, forma sua primeira turma em somente Î
(DAIUTO, Î4).

Rui Barbosa; o paladino da mducação Física

Completando as idéias de SOUZA já apresentadas (2), a introdução da Educação Física


foi vista como uma inovação relevante. A prática da Educação Física possuía Ơfunção
moralizadora, higiênica, agente de prevenção dos hábitos perigosos da infância, estratégia para
a edificação de corpos saudáveis, instrumento que impediria a degeneração da raça; cultivaria
por certo, valores cívicos e patrióticos concorrendo para a defesa da pátriaơ (s.p).

Assim sendo, e pensando nas questões de gênero, a Águia de Haia recomendava aos
meninos a ginástica e os exercícios militares e às meninas a calistenia; caracterizada como uma
combinação de exercícios e movimento cuja prática não prejudicaria o desenvolvimento
muscular, a doçura das maneiras e a bela harmonia das formas femininas (SOUZA, citando
Barbosa, Î).

Em Î2, Rui Barbosa; eminente Parecerista do Império solicitou a paridade das aulas de
Educação Physica às demais disciplinas oferecidas pela escola elementar. Mesmo avesso às
atividades físicas que os tempos modernos impunham (não apreciava o ciclismo), solicitou
melhores condições físicas para as aulas, a prática da gymnástica segundo preceitos médicos e
recomendações guiadas pela concepção de gênero, pedia também remuneração adequada aos
docentes (OLIVEIRA, Î).

De volta ao passado

No final do século XIX, com a implementação do Jardim de Infância da Caetano de Campos,


a professora de sala, repassa aos seus alunos, os mesmos exercícios que havia aprendido com
seus Mestres. A educação (formal) com inspiração froebeliana fazia-se presente e, o ensino,
mais uma vez alinhava-se à pedagogia praticada na Europa e na América (ARANTES, Î).
r século XX; reflexos da Semana da crte Moderna; a imigração; novos ares, novas
instituições

No início do século XX a cidade de São Paulo viveu um intenso processo de desenvolvimento.


A cidade modesta e de poucos fogos cresceu e o adensamento populacional tornou-se uma
realidade. Muitas pessoas do interior chegaram à metrópole buscando oportunidades. Ingleses
foram contratados para construir dentro outras estruturas a Estação da Luz e deitar os
dormentes das estradas de ferro. Novas e muitas novidades européias foram conhecidas. A
segunda leva de imigrantes vindos da Itália ocupou a cidade, dividindo-a com os brasileiros de
longa data e outros (muitos) imigrantes. Mário de Andrade percebendo a necessidade de
divulgar a nossa cultura criou em Î na cidade cerca de seis Parques Infantis destinados às
crianças e aos jovens. O grande escritor de Macunaíma; quando foi Secretário da Pasta da
Cultura do Governo de Fábio Prado imaginou e implantou uma instituição co-educacional
destinada aos filhos dos operários migrantes e imigrantes.

Mário de Andrade tinha por objetivo, a divulgação da cultura nacional por meio de sessões
de música, artes plásticas, danças, jogos da cultura popular e tradicional, recreação e a prática
da natação ministrada na piscina do Parque da Vila Romana na Lapa.

Para hercúlea tarefa, contratou como parte do quadro de funcionários dos Parques Infantis,
nossos primeiros professores de Educação Physica provavelmente oriundos do Instituto
Superior Isolado de Educação Physica de São Paulo (hoje Escola de Educação Física e Esporte
da Universidade de São Paulo). Este serviço assim como tantos outros que Mário criou, foram
pensados a partir da Semana de Î22 (movimento de vanguarda) que valorizava a cultura
nacional rompendo a tradição francesa até então muito importante em São Paulo. Os Parques
Infantis por várias questões foram fechados em pouco tempo deixando desamparada
culturalmente a infância paulistana.

Getúlio Vargas; mscola para todos. c mducação Física e o ufanismo nacional

No ano de Î4 o Governo Federal criou e implementou Lei Orgânica; talvez primeira lei na
esfera educacional com caráter Ơdemocráticoơ. O ensino brasileiro deveria iniciar-se aos sete
anos de idade. Os desfavorecidos deveriam cursar a escola técnica; os da elite seriam
matriculados nas escolas propedêuticas, também conhecidas pelo ensino enciclopédico, com
vistas às poucas universidades existentes. As aulas de Educação Physica ministradas nas
escolas tiveram participação significativa para aumentar o espírito nacionalista. Grandes
concentrações de estudantes e exibições de ginástica com ou sem elementos foram praticadas
a guisa de exibir o ufanismo nacional. Para os pequenos os jogos de Ơdar e tomarơ (MEDALHA,
et. al. Î ), foram utilizados para que desde tenra idade pudessem entrar em contato com as
regras socialmente aceitas.
c primeira lei de Diretrizes e Bases da mducação Nacional Nº 4024

Em ÎÎ promulgou-se a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LBD. Nº


424 As diferentes estruturas de educação escolar receberam a denominação de Primário
(quatro anos), (o quinto ano) e o Ginásio também com quatro anos. Após este, havia o Curso
Colegial propedêutico e os Cursos Técnicos como Curso Normal ou Curso de Formação de
Professores; Curso de Contabilidade, de Secretariado, dentre outros.

Abrigadas sob esta estrutura vertical, a (aula de) Educação Física ministrada pelos regentes
Ơdada suas bases científicas, é atualmente considerada como um aspecto de educação geral,
oferecendo valiosa contribuição ao educandoơ (Programa da Escola Primária de São Paulo,
Î[ ).

ƠNa escola primária a educação física teve como objetivo a recreação (individual e coletiva)
nos seus variados aspectos era realizada por meio das atividades naturais, jogos, atividades
rítmicas, dramatizações, atividades complementaresơ (Programa da Escola Primária de São
Paulo, Î[ ), visando abarcar a totalidade do desenvolvimento do aluno. A Educação Física
na década de , também se preocupou com a atitude postural adequada, com a coordenação
sensório motor, o refinamento dos sentidos, e o aumento da sensibilidade rítmica, favorecendo
a co educação, e o conhecimento de nossos costumes.

Neste período houve por parte governamental e pela iniciativa privada, um significativo
esforço para uma escolarização diversificada. Essa realidade pode ser notada pela criação de
inúmeras experiências inovadoras no processo de educação formal tais como os ginásios pluri-
curriculares, vocacionais, a unificação em dois níveis dos anos do primário formando apenas
dois blocos. A experiência não vingou e logo sofreu revezes devido ao regime implantado pelo
governo militar (ARANTES, ÎÎ).

Quanto ás aulas de Educação Física para a juventude, consistiam em ensinar a ginástica


formativa, fundamentos de jogo (modalidades esportivas coletivas), valendo-se do Método Ơda
Desportiva Generalizadaơ; não se previa processo de inclusão daqueles que não se adequassem
a normalidade.

1971 - promulgação da Lei 5692. mducação Física Prática mducativa ou ctividade?

Dez anos depois da LDB. Nº 4224/Î foi implementada a segunda Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional Nº 2. Os diferentes graus de escolarização recebiam agora nova
organização e unificação vertical. O primeiro segmento denominado κ Grau era composto por
oito séries integradas pelo Núcleo Comum e Parte Diversificada. Nomeavam-se Disciplina
aquelas com orientação teórica e por Atividade as de cunho prático sem reprovação exceto por
faltas; Educação Artística, Inglês e Educação Física (PAR.CFE.  /Î).

O programa recomendado para as aulas de Educação Física compreendia Ơum conjunto de


ginástica, jogos desportos, danças e recreação, capaz de promover o desenvolvimento
harmonioso do corpo e do espírito e, de modo especial, fortalecer a vontade, formar e
disciplinar hábitos sadios, adquirir habilidades, equilibrar e conservar a saúde e incentivar o
espírito de equipe de modo que seja alcançado o máximo de resistência orgânica e de eficiência
individualơ (SÃO PAULO,SE/CENP,Î [Î ).

O 2o. Grau; composto por três ou quatro séries, de cunho técnico profissionalizante foi
oferecido a todos os estudantes. Abriram-se à população a real possibilidade de acesso ao
ensino superior.

Em São Paulo, neste tempo (Î..) deu-se a confecção do ƠVerdãoơ - material de apoio e
conteúdo obrigatoriamente seguido e desenvolvido por todos os professores da rede pública
estadual; apresentava orientação rígida e estrutural. O ƠVerdãoơ vinha acompanhado por outro
material explicativo o Manual do Professor. Em Educação Física, o documento explicava as
seqüências pedagógicas dos diferentes conteúdos das modalidades ginásticas, atléticas e
esportivas (SÃO PAULO, s.d).

Documentos rficiais: a mducação Física, a educação inicial e o currículo escolar

Doze anos depois em São Paulo, a Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP.)
ofereceu ao professores da rede estadual, subsídios para a implementação da Proposta
Curricular de Educação Física para a pré-escola. Acompanhada do Manual para o Professor,
apresentava exercícios versando a construção da imagem e consciência corporal, atividades
temporo-espaciais, expressão corporal e recreação (SÂO PAULO, SE/CENP. Î).

De Î com a instalação do processo democrático, abriram-se novas perspectivas para


multiplicidade de Propostas Curriculares em todas as Disciplinas e Atividades. Observa-se em
São Paulo a formulação das Propostas Curriculares pela Coordenadoria de Estudos e Normas
Pedagógicas para as escolas estaduais.

Este processo de intensa discussão acerca dos conteúdos escolares terminou em Î2 com a
publicação do modelo final das Propostas Curriculares para o κ e 2º. Graus para todas as
Disciplinas e Atividades coordenadas pela CENP. Quanto ao Curso de Habilitação Específica para
o Magistério HEM. (antigo Curso Normal), além das disciplinas já implementadas, haviam as
denominadas Instrumentais; as de Metodologias das diferentes Disciplinas ou Atividades a
serem ensinadas aos alunos da escolarização até 4ª. série do κ. Grau. As aulas de Metodologia
da Educação Física estavam previstas no documento demonstrando que seu conteúdo merecia
ser estudado.

r momento atual e a mducação Física

Desde Î o currículo vigente está organizado segundo a terceira Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional LBD. Nº 4. O processo de escolarização brasileiro apresenta-se agora
completo. Iniciando pela Educação infantil nosso Sistema Escolar termina formalmente na
Graduação, no Ensino Superior. Hoje, as propostas e os conteúdos têm a preocupação em
atender, incluir e integrar todos os estudantes em torno do Projeto Escolar.

As aulas de Educação Física ao contrário das épocas passadas, e, segundo o artigo 2, deve
ser Ơintegrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da educação básica,
ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos
noturnosơ (São Paulo; SE/CENP Î ;).

A partir desta Lei vigente passou-se entender o currículo como um todo. A escola, portanto,
deve ser vista como um lugar de informação, de produção de conhecimento, de socialização e
de desenvolvimento integral de todos os estudantes. Para consecução de tal tarefa, todos os
especialistas, os professores, as Disciplinas e os Componentes Curriculares, devem ter
compromisso com o desenvolvimento dos aspectos teórico práticos além de articulá-los aos
Temas ou Eixos Transversais (saúde, meio ambiente, trabalho e consumo, orientação sexual e
ética). O plano de curso, de ensino e das aulas inclusive os de Educação Física devem ser
pensados segundo o Projeto Escolar e orientados de acordo com as características dos
estudantes.

c nossa missão; um compromisso para a toda a vida

Hoje, possuímos muitas linhas ou abordagens filosóficas; cinesiológica, motricidade humana,


cultura corporal do movimento, aptidão física, tradicional, desenvolvimentista, sócio
construtivista, sócio interacionista e a ligada ao meio ambiente. Demos um passo gigantesco se
comparamos ao Capitão Ataliba e aos idos século XIX.

Se esta realidade nos conforta e nos alimenta também nos alerta para a construção de um
Brasil com oportunidades mais amplas a todos. Somada a isto e, dentro de nossa
especificidade, tomara que possamos discutir e fazer praticar com excelência o jogo, a luta, o
esporte, a ginástica e a dança, sem nos esquecermos da sensibilidade que deve guiar os todos
os nossos passos.

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