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INTERFACES INSTITUCIONAIS NA GESTÃO DE BACIAS URBANAS:

O caso do Arroio Dilúvio em Porto Alegre (RS).

Othon Fialho de Oliveira1, Moema Leuck2 & Carlos André B. Mendes3

RESUMO --- A maior parte da Bacia do Arroio Dilúvio localiza-se em Porto Alegre, mas suas
nascentes ficam no município de Viamão. A Bacia apresenta uma urbanização crescente no sentido
de montante à jusante, na direção do Lago Guaíba, englobando uma população em torno de 450 mil
habitantes. A Bacia vem sofrendo bastante com a poluição difusa gerada pelos poluentes
acumulados na superfície devido ao uso e ocupação do solo e com a poluição pontual dos despejos
de águas servidas coletados irregularmente pela rede pluvial. Além disso, nas margens do Arroio,
localiza-se uma importante avenida de integração subúrbio-centro, com diversas pontes ao longo do
seu percurso, as quais servem de abrigo para diversos moradores de rua. Para tentar minimizar os
impactos da poluição, não esquecendo dos problemas de caráter social existentes na Bacia, a
Prefeitura de Porto Alegre lançou um Programa de Revitalização da Bacia, o Pró-Dilúvio, o qual
agrega diversos órgãos municipais, com diferentes áreas de atuação, sendo coordenado pela
Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre. Este trabalho se propõe a descrever as
relações funcionais existentes entre estes órgãos municipais, no contexto do projeto Pró-Dilúvio, e a
contribuir para a melhoria das práticas de gestão das bacias urbanas brasileiras.

ABSTRACT--- The Dilúvio’s river basin has its greatest part located in Porto Alegre, but its
upstream part is situated on another city, Viamão. The urban area increases to downstream and has
about 450 thousand people live in. This Basin has been suffering with the non-point pollutions
sources, generated at the surface level due to land use and occupation, and the irregulars effluents
discharged at the drainage network. Furthermore, along the Dilúvio’s watercourse there is an
important avenue, which joins the suburban and the town’s centre, and under its bridges lives many
people. Aiming to minimize the pollution impact, considering the social problem, the Porto
Alegre’s Town Hall launched the Pró-Diluvio’s Program to revitalize the Basin, not just to mitigate
the water’s quality problem. This program aggregates many cities institutions and it is coordinated
by the Porto Alegre’s Environmental Agency. This work attempts to describe the functional
relationship among these institutions and to contribute for improving the water management
practices in urban basins.

Palavras-chave: Gestão de bacias urbanas, interfaces institucionais, poluição pontual e difusa.

1
Eng. Civil, Aluno do Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do IPH/ UFRGS, Av. Bento Gonçalves 9500,
Caixa Postal 15029, CEP 91501-970, Porto Alegre (RS). E-mail othonfialho@yahoo.com.br
2
Aluna do Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do IPH/ UFRGS, Av. Bento Gonçalves 9500, Caixa Postal
15029, CEP 91501-970, Porto Alegre (RS). E-mail: moemaleuck@yahoo.com.br
3
Eng. Civil, M.Sc., Ph.D., Professor na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS , Instituto de Pesquisas Hidráulicas – IPH. Av. Bento
Gonçalves, 9500 - Caixa Postal 15029 , CEP 91501-970, Porto Alegre-RS. E-mail : mendes@iph.ufrgs.br.

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1 – INTRODUÇÃO

A concentração da população nas áreas urbanas, associado à falta de saneamento básico e à


ocupação desordenada das cidades, faz da gestão das bacias urbanas brasileiras uma importante e
difícil tarefa de ser cumprida. A gestão das bacias urbanas não deve tratar as questões ambientais e
sociais separadamente, pois, qualquer ação ou atividade realizada na bacia pode repercutir em toda
a bacia em questão. O tratamento a ser dado, deve ser capaz de integrar os diversos interesses
envolvidos, bem como tratar simultaneamente a questão social. A gestão das bacias feita nos
municípios tem a vantagem de tratar o problema mais diretamente. No Rio Grande do Sul, a
atividade de licenciamento ambiental dos empreendimentos e atividades consideradas como de
impacto local já podem ser delegadas aos municípios, como acontece no caso de Porto Alegre, cujo
licenciamento é de responsabilidade da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM). Ao tratar
o problema no nível municipal, torna-se mais fácil integrar as demais secretarias e departamentos
municipais, responsáveis por outras questões, e tomar decisões cada vez mais coerentes com as
necessidades reais existentes. Em 2005, a Prefeitura de Porto Alegre lançou o Programa Pró-
Dilúvio, numa tentativa de revitalização da Bacia do Arroio Dilúvio. O programa é coordenado pela
SMAM, mas conta ativamente com a participação de outras secretarias e departamentos municipais.
O grupo vem trabalhando em conjunto, articulando suas atividades e envolvendo setores da
sociedade em atividades de educação ambiental. Apesar de ainda não estar funcionando
plenamente, esta iniciativa merece o reconhecimento como uma boa prática de gestão de bacia
urbana.

2 – A BACIA DO ARROIO DILÚVIO

Com uma área total de aproximadamente 80 km² distribuídas entre os municípios de Viamão
e Porto Alegre, a Bacia do Arroio Dilúvio possui uma população de cerca de 450 mil habitantes.
Próximo às cabeceiras, na divisa dos municípios de Porto Alegre e Viamão, se une a alguns arroios
para formar a Represa da Lomba do Sabão, onde são captados cerca de 3,6% da água bruta
destinada aos consumidores de Porto Alegre. Além disso, o Arroio Dilúvio percorre uma das
principais avenidas da cidade de Porto Alegre, integrando as atividades sócio-econômicas do
subúrbio ao centro. Apesar de sua importância, o Dilúvio e a população que convivem na área
sofrem constantemente com a poluição, o mau aspecto das águas e os odores desagradáveis.
Pesquisa conduzida pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE) em junho de 2005
apontou que a recuperação do Arroio Dilúvio é importante ou muito importante para 77% dos
entrevistados. Uma das principais fontes pontuais de poluição está relacionada aos lançamentos de
efluentes domésticos devido às ligações irregulares de esgoto na rede pluvial. Estudos preliminares

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do DMAE indicam que este número pode chegar a 10% das ligações. Em levantamento realizado
pela Divisão de Planejamento do DMAE estima-se a carência de 140km de rede coletora cloacal na
bacia. Só em Viamão, nas nascentes da Bacia, são necessários 40km de rede de esgotos cloacal,
pois as vilas não dispõem de rede de esgotamento sanitário e os efluentes das fossas sanitárias de
cerca de 20.000 habitantes vão direto para a rede pluvial ou para os afluentes do Arroio Dilúvio. O
excesso de sedimentos é, talvez, a forma mais visível de poluição gerada de forma difusa e tem
como conseqüência, entre outros, o assoreamento do leito do arroio. Em relação à qualidade, De
Luca et al. (1990) avaliaram as águas das chuvas e da drenagem superficial na Região
Metropolitana de Porto Alegre e alertaram para o fato que a poluição gerada pela lavagem da
superfície do solo pode ser tão grave quanto à poluição de fontes pontuais.

3 – PROGRAMA PRÓ-DILÚVIO

Entre os objetivos básicos do Programa, cita-se: promover ações de educação ambiental para
aumentar a consciência da população; aumentar a proporção de esgoto interligado às redes coletoras
corretas; melhorar a qualidade da informação disponível de forma compartilhada; verificar as
principais carências em infra-estrutura na área objeto do estudo (PMPA, 2005). A tabela a seguir
resume algumas das atividades dos órgãos municipais envolvidos no Programa.
Tabela 1 – Instituições envolvidas no Programa Pró-Dilúvio.
Órgão Atividades Básicas
Avalia e faz o licenciamento de todas as atividades comerciais e industriais
Secretaria Municipal e prestadoras de serviço do município potencialmente poluidores. A
do Meio Ambiente equipe de paisagismo vem se articulando com as empresas e instituições
(SMAM) na margem do Dilúvio para que as mesmas se interessem em cuidar das
margens e dividam as tarefas.
Faz estudos e projetos para verificar a capacidade da rede de esgotamento
Departamento sanitário. A equipe do Esgoto Certo do DMAE é responsável por verificar
Municipal de Água e as ligações das redes pluvial e cloacal. Também verificam a eficiência das
Esgoto (DMAE) caixas separadoras de óleo dos postos de combustível. O DMAE também é
responsável pelo monitoramento da qualidade das águas do Dilúvio.
Departamento de Responsável pela dragagem do Dilúvio. Além disso, o grupo de educação
Esgotos Pluviais (DEP) ambiental vem realizando palestras em escolas.
Departamento Trata da questão da destinação dos resíduos recicláveis e da limpeza
Municipal de Limpeza urbana. Os serviços estão sendo completamente terceirizados e estão sendo
Urbana (DMLU) previstos pontos descentralizados de coleta.
Junto com o DMLU e a SMAM, a equipe de vigilância sanitária da SMS
Secretaria Municipal trata das poluições geradas por restaurantes e outros estabelecimentos,
de Saúde (SMS) fazendo vistorias nas caixas de gordura. Tem sido constatada a falta de
manutenção em cerca de 30% das mesmas.
Trata a questão dos moradores de rua. Interage com o a Secretaria
Fundação de
Municipal de Obras e Viação (SMOV) para fechar as pontes e com o
Assistência Social e
Departamento Municipal de Habitação (DEMHAB) para encaminhar os
Cidadania (FASC)
moradores.

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Além dessas instituições citadas, realça-se também a criação do Núcleo de Estudos sobre o
Arroio Dilúvio (NEAD), por iniciativa do Instituto de Meio Ambiente (IMA) da Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), tendo como finalidade agregar iniciativas
da PUCRS e da comunidade (governo, empresas, ONGs) com vistas à promoção de reflexões e
ações que possibilitem a revitalização do Arroio Dilúvio.

4 – DISCUSSÃO

O exemplo dado pelo programa na integração dos diversos órgãos, cada um com sua
respectiva competência, mas atuando conjuntamente, pode ser um fator decisivo para tornar mais
efetivas as ações de gestão. Manter o compromisso de todos os envolvidos faz com que as questões
sejam resolvidas de maneira a atender o maior número de interesses, além de favorecer a troca mais
eficiente de informações entre estes órgãos. Um problema enfrentado é que isto só se torna possível
quando existem funcionários comprometidos e interessados com o êxito do Programa. Entre os
desafios que o Pró-Dilúvio ainda enfrentará, o principal deles será como tornar permanentes
algumas ações, o que deixa de depender apenas desses órgãos e se torna muito mais função da
vontade política e da pressão da sociedade. Outro ponto fraco do programa é o que nada tem sido
feito ou proposto em relação ao problema no município à montante, Viamão, assim, corre-se o risco
de nunca se atingir o objetivo de melhorar a qualidade das águas. Para finalizar, vale realçar que a
recuperação do Dilúvio depende de recursos e o Pró-Dilúvio certamente precisará de aporte
financeiro externo. Um exemplo é o projeto “Recuperação das Nascentes e Matas Ciliares do
Arroio Dilúvio e seus Afluentes”, selecionado para receber R$ 500 mil do Fundo Nacional do Meio
Ambiente, a serem aplicados na recuperação de mata ciliar, Educação Ambiental e no
monitoramento da qualidade das águas das nascentes.

AGRADECIMENTOS

O autor agradece o apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível


Superior (CAPES) e as instituições integrantes do Programa Pró-Dilúvio pelas informações.

BIBLIOGRAFIA

DE LUCA, S. J.; CASTRO, C. B.; IDE, C. N. “Contaminação da chuva e da drenagem pluvial”.


Ambiente, São Paulo/SP, v. 4, n. 1, p. 49-54, 1990.
PMPA (Prefeitura Municipal de Porto Alegre). Programa de despoluição da bacia do arroio
dilúvio: Pró-Dilúvio. Descrição do Programa, 2005. 12p.

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