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A Governanta do Senhor No

Postado por Márcia Paula em Não Memórias de Uma Lésbica

Meu nome é Marcella. Tenho 30 anos e escrevo livros de bolso de caráter duvidoso sob o
pseudônimo de Laila Mavra. Minhas histórias apimentadas rendem-me algum dinheiro e
complemento minhas despesas fazendo traduções. A principal personagem dos meus livros
chama-se condessa Latasha. Uma lésbica russa sedenta de sexo, especialista em seduzir,
profanar, roubar, mentir, entre outras “qualidades”.

Latasha impulsionada por um pseudo- afã romântico escrevia cartas,fazia poemas de amor e
mandava rosas,no entanto,assim que conseguia seu intento abandonava o coração incauto de sua
amante e procurava um novo amor “enquanto durasse” nas praias,aeroportos,hotéis de luxo,um
cruzeiro ao redor do mundo. Pouco importava a ela se a moça era a balconista, a advogada ou a
professora. Tomava-as para si como quem bebe uma taça de vinho raro.

Assim Laila Mavra conquistou um invejável séquito de fãs. Muitas mulheres casadas, inúmeros
homens e entre eles, um português chamado Senhor No. Eu sempre imaginei o Senhor No como
uma homem baixinho, careca e gordo. Ele me contou que a fortuna da sua família nasceu de um
mero acaso. Possuíam um quadro de um pintor antes da fama. O quadro em questão passou a
valer milhões e a partir daí a família No se especializou em raridades, fosse um vinho, uma
pintura ou um livro. Atualmente o Senhor No contentava-se com os quadros e viajava
constantemente à procura de novos talentos.

O contato desse senhor com minha condessa foi também um acaso. Alguém esqueceu um dos
meus livros em um fast food e o Senhor No deliciou-se tanto com a audaciosa condessa que
resolveu manter uma assídua correspondência com Laila Mavra.

Comportava-se como um perfeito cavalheiro e evitava entrar em certos detalhes acerca dessa sua
adoração pela condessa Latasha. Ela vivia no imaginário de homens e mulheres e todos
gostariam, se pudessem, de serem alvos de seus favores, desde que não se apaixonassem, é claro.

A cada novo livro choviam cartas de agradecimento. Mais de uma pessoa afirmou que Latasha
salvou seu casamento. Não me perguntem como, pois nem eu mesma compreendia muito bem
esse fascínio.

Certa vez o Senhor No me convidou para passar um mês ou mais em uma de suas propriedades
em Portugal. Teria tudo que precisasse às minhas ordens providenciado por sua competente
governanta Francisca. Uma brasileira filha de portugueses.

Muitos escritores viajam à procura de novas inspirações e aceitei o convite apenas pela
experiência. Na verdade não me interessava por viagens, sempre fui excessivamente caseira e
nunca precisei mais do que minha imaginação para compor as aventuras sexuais de Latasha.
Qual não foi minha surpresa ao chegar e deparar-me com um castelo de fazer inveja ao conde
Drácula. Vamos aos fatos. Antes de mais nada, Francisca. Cinco minutos foram mais que
suficientes para eu desejá-la. Uma loira de seios fartos e coxas grossas. Devia estar em torno dos
40 anos ou mais. Possuidora de uma beleza agressiva daquelas de dar nó na garganta e fazer
perder o fôlego.

Vou ser sincera, jamais perdi tempo nesses casos, vou logo dizendo o que penso e o que quero e
não tento parecer romântica. Minha sinceridade me fez perder e ganhar na mesma medida,
entretanto Francisca me intimidou e me fez cogitar se ela não era “muita areia para a minha
basculantizinha”.

Meu quarto tinha uma cama com dossel. Lembrei de um filme, no qual uma mulher espreita a
outra dormindo através dos véus.

Após um sono reparador e uma ducha eu estava pronta para ser levada até o gabinete preparado,
segundo Francisca, para eu escrever sem interrupções. O tal gabinete estava mais para uma bela
biblioteca. Um piano de parede, uma pintura abstrata de Fernando Sanches Y Juan e uma chaise
longue completavam magistralmente o ambiente.

Francisca perguntou sobre minhas preferências culinárias e discorreu sobre a adega de vinhos.
Dessa conversa restou duas providencias a tomar: dispensar o chef especializado em peixes e
frutos do mar e esquecer o vinho, pois detesto as coisas do mar e prefiro refrigerantes.
Durante o jantar, Francisca ficou à espera para saber se tudo estava de acordo. Pedi a ela um
favor-Sente-se aqui e me faça companhia, Francisca. Não estou acostumada com tamanha
formalidade. Meu nome é Marcella e quero que me trate por você, está bem?
Ela demonstrou certa dúvida no início, mas atendeu o meu pedido. Contou-me que veio a
Portugal estudar enologia, acabou estudando hotelaria e foi assim que conheceu o pai do Senhor
No. Morou em diversos países da Europa e agora estava passando uma temporada no castelo.

No dia seguinte, conforme o combinado, uma fatia de maçã ou pera me aguardava juntamente
com uma grande caneca de café. Foi o único dia em que sai para conhecer as redondezas.
Nos dias que se seguiram me enfurnava no gabinete e saia de lá somente nos meus horários
prediletos, ou seja, durante as refeições. Era o momento para rever Francisca. Parecia uma gata
branca de grandes olhos expressivos. Eu podia imaginá-la na infância cheia de sardas e poucas
promessas de beleza. E na adolescência em diante um autêntico renascimento nas formas
femininas, na voz, nas atitudes. Ela me tirava o sono. Tinha a aparência de um doce delírio, de
algo que foge e ao mesmo tempo deixa-se capturar ou antever. Eu sobrevivia dessas migalhas na
sua presença e toda vez minha coragem se esvaia num instante. Era como se um furacão me
arrebatasse e a cada dia perdia mais e mais a vontade de falar.

Os poucos dias da minha estada no castelo foram suficientes para demonstrar a todos o quanto eu
era diferente da minha personagem, condessa Latasha e o pouco que me importava com aquele
lugar.

No entanto, minha saída repentina do castelo se deu por outra razão. Toda vez que ia à sala de
jantar reparava numa porta permanentemente trancada. Inquiri Francisca a respeito:
-O Senhor No deve guardar algo muito valioso nessa sala. Você sabe o que seria, Francisca?
-Não, Marcella, somente o Senhor No pode abrir aquela porta aos seus convidados.
A resposta me deixou arrepiada. Na verdade jamais gostei de segredos e especialmente se
envolto na aura de um castelo lúgubre.

Dormi mal e tive pesadelos aterrorizantes nos quais ouvia a voz de Francisca suplicar-me:
-“Não abra a porta”.

Acordei sobressaltada e com fome. Devorei um sanduíche de pão com queijo e corri ao gabinete
para me livrar da má impressão da noite. Escrevi pouco e a maior alegria que tive foi ver
Francisca uma ou duas vezes fora dos horários habituais. Vinha timidamente saber se eu estava
bem e na última vez me trouxe um chá de ervas adoçado com mel.
Quis saber se eu queria ouvi-la ao piano e sem pensar solicitei:
-Por favor, “As Polonesas” de Chopin.

Recostei no divã e adormeci pouco depois que Francisca iniciou a “Heroica”.

Quando despertei a noite já ia alta. Olhei no relógio e dava 22h11. Fui confortavelmente coberta
por uma manta. Pensei um pouco e uma nova disposição me fortaleceu. Corri ao telefone e
marquei a viagem de volta. Dei sorte, houve um cancelamento de uma reserva para o horário da
manhã.

Antes de embarcar no avião lembrei Francisca de que minha casa estava à sua disposição e pedia
mil desculpas ao Senhor No. Agradeci e me despedi às pressas. Senti um grande alívio ao
desembarcar no Brasil.

Minha euforia por voltar ao Brasil durou mais ou menos cinco dias. A verdade é que, por mais
que tentasse, Francisca não saia do meu pensamento. Conhecia minha natureza apaixonada e
uma sombra de tristeza e agonia se instalou no meu ser. Dias depois recebi a grande notícia:
Francisca aceitou meu convite e ficaria hospedada em minha casa.

No aeroporto desembarcou uma nova Francisca. Havia perdido aquele ar de camponesa e parecia
mais senhora de si.

Falamos pouco no caminho e eu mal respirava por conta da emoção. Quando chegamos quis
seguir um roteiro bem planejado que consistia em mostrar o quarto de hóspedes e deixá-la se
recompor da exaustiva viagem.

Francisca olhou para dentro do aposento e agarrou meu pulso. Sussurrou delicadamente no meu
ouvido:

-Pensei que dormiria na sua cama, você não quer?

Meu pulso doía e somava-se àquela fraqueza que antecede a realização dos desejos profundos.
Respondi com um beijo curto, prendendo levemente seu lábio inferior. Seguiram-se outros beijos
e mais fortes. Entre um gemido e outro a conduzi até meu quarto e lá Francisca não me permitiu
que a tocasse imediatamente. Insisti e ela me pediu com doçura:

-Não se mova, Marcella.

Francisca retirou minhas roupas e as dela com uma calma impressionante. Tive que conter minha
vontade de puxá-la na minha direção. Eu estava a ponto de implorar quando ela começou a
lamber cada centímetro quadrado do meu corpo. Uma fêmea cuidadosamente deliciosa. Quando
finalmente sua língua se ocupou do meu clitóris tive em poucos minutos um orgasmo múltiplo.

Ela me encarou com malícia e sorriu. Acho que ficou satisfeita com o meu descontrole e rapidez.
Então me permitiu fazer o mesmo com ela. Passamos uma noite repleta de carícias e ela me fez
um pedido:

-Uma noite dessas me acorde com a sua língua. Adoro a confusão metal de não saber com
exatidão o que é sonho e o que é realidade até que o prazer me inunde. Após o orgasmo virá o
sono novamente e se eu tiver sorte, sonharei com você.

Os pedidos dela eram ordens. E ela fez o mesmo comigo, mas antes, me algemou e me vendou
os olhos.

A partir dessa madrugada percebi que Francisca me recordava alguém e por mais que insistisse a
imagem dessa pessoa sempre fugia do meu pensamento. Eis que numa noite em que ela resolveu
tomar uma taça de vinho eu vi claramente que ela era tal qual a condessa Latasha.

Restava saber se era tão cruel. Resolvi dar um rumo àquela situação:
-Francisca, eu te amo. Deixe seu emprego e venha morar comigo.
Ela me abraçou e suspirou alto. Parecia agoniada e me confessou:
-Te amo mais, Marcella, te amo muito. Aceito o seu pedido se ouvir o que tenho a dizer sem
interrupções. Combinado?

Acenei que sim e me preparei para o pior.

-“Marcella, eu sou o Senhor No. Sei que é difícil compreender por que criei esse estratagema
para uma futura aproximação, entretanto se me ouvir vai entender as minhas razões.Meu nome,
de fato, é Francisca. Tudo que falei sobre a origem da minha fortuna é verdade. Minha família e
eu nos especializamos em raridades. Vinhos, quadros, livros e mulheres raras. A capa de um dos
seus livros me chamou a atenção. Ao ler as aventuras sexuais da condessa Latasha entrei em
contato com as fantasias mais íntimas e indissolúveis da minha própria natureza. Ao ver meus
desejos realizados me ocorreu conhecer a famosa Laila Mavra. Sabia que sua atenção ao Senhor
No seria um tanto quanto superficial e essa ideia me protegeu de dar maiores explicações. Os
modos corteses do Senhor No permitiu romper,aos poucos, com o distanciamento, porém não
esperava que você aceitasse prontamente o convite para conhecer o castelo. Fiquei exultante, se
quer saber. Eu tinha um plano bastante simples. No aeroporto diria “Olá, eu sou o Senhor No”. O
medo de que isso a ofendesse e colocasse um ponto final em tudo me fez retroceder. Com a
ajuda dos meus empregados me fiz passar pela governanta. Protegeria minha verdadeira
identidade e se fosse preciso ficaria imune ao seu veneno, caso você fosse uma pessoa
extravagante ou pior, uma mulher vulgar. A porta que você viu trancada é tão somente a sala de
jantar original. Nela existe uma grande pintura na qual sou fielmente retratada. É um quadro
difícil de ser retirado e a saída que encontrei foi transformar minha sala de reuniões numa sala de
jantar improvisada. Mandei transportar metade dos livros da biblioteca e montei ali o seu
gabinete. Fiz mal, querida, em tentar recompor um cenário de sonho para seduzi-la. Você mal
olhou ao seu redor, em nada era parecida com a condessa das suas histórias e perdi o interesse
por você, Marcella. Tudo mudou no dia em que você quis saber sobre a porta. E especialmente
na manhã seguinte quando notei que passou uma péssima noite por minha causa. Não contava
que sua imaginação de escritora causasse tamanho estrago e me senti muito mal ao perceber o
quanto sua natureza era suscetível. Decidi dizer toda a verdade assim que sua febre cedesse.

Enquanto isso fui tocar piano para acalmar seus nervos. Ao notar que você havia adormecido fiz
questão de cobri-la com a manta e nesse instante senti um arrepio de prazer percorrer meu corpo.

Eu estava enganada, Marcella. Eu a queria. Toquei nos seus cabelos e fiquei por alguns minutos
namorando-a em pensamento. Fui até o computador e li o que você havia produzido até ali. Meu
coração foi arrebatado por uma paisagem descrita por você. Algo que eu conhecia bem. Sua
paisagem era eu. Ao criar o encontro entre mim e a condessa Latasha, você me capturou, me
dobrou à sua vontade e eu não tinha meios para fugir. Tive que me conter para não cobri-la de
beijos e estava determinada a ser sua. Na manhã seguinte sua saída repentina me fez esmorecer.

Assim que criei coragem vim vê-la. Não podia mais viver longe de você”.

Eu sabia que Francisca me pediria perdão ou algo assim, então selei seus lábios com muitos
beijinhos. Mesmo assim ela me lançou um olhar suplicante. Estava tão séria que não tive outra
alternativa senão confessar:

-Eu te amo, Senhor No, o senhor é o homem da minha vida.

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