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CURSO ON–LINE – DIREITO CONSTITUCIONAL – CURSO REGULAR

PROFESSOR: FREDERICO DIAS

Aula 10 - Controle da Constitucionalidade – parte 1


Bom dia!
Hoje trataremos do assunto mais interessante do direito constitucional:
controle de constitucionalidade das leis. Aliás, vamos começar a estudá-
lo, pois esse assunto será abordado também na próxima aula.
Posso dizer que o controle de constitucionalidade agrupa o
conhecimento de toda a matéria já estudada neste curso.
Outro aspecto, é que esse assunto exige uma maior capacidade de
compreensão do candidato, privilegiando o raciocínio em detrimento da
mera capacidade de memorização. E isso é muito bom!
Na próxima aula, terminaremos o estudo do controle de
constitucionalidade e veremos ainda os princípios da ordem econômica,
o sistema financeiro nacional, bem como os princípios constitucionais da
seguridade social (assuntos extra escopo que resolvi incluir, depois da
solicitação de alguns alunos). Afinal, o que vale é o aprendizado do aluno
e o melhor aproveitamento do curso por parte dele.
Mas vamos já começar a falar de controle... Desde criança, já podemos
ter uma noção do que é controle, por meio do respeito às regras
estabelecidas pelos nossos pais. Mas só vamos, de fato, conhecer o
verdadeiro controle a partir do casamento, não é?...rs
Brincadeiras à parte, o que é o controle de constitucionalidade? Posso
nesta introdução ser bem simplista e afirmar que se trata de um
mecanismo de fiscalização da validade de todas as normas do
ordenamento jurídico frente às regras estabelecidas pela Constituição.
Digamos que ao final da aula, você deve ser capaz de responder: quais
são os sistemas, modelos e momento do controle? Quem pode provocar
o controle de constitucionalidade? Quem tem competência para julgar a
constitucionalidade de leis e atos normativos? Quais os efeitos da
declaração de inconstitucionalidade? E por aí vai...
Veja o conteúdo da Aula de hoje
1 – Noções de Controle de Constitucionalidade
1.1 – Supremacia da Constituição e controle de constitucionalidade
1.2 – Espécies de inconstitucionalidade
1.3 – Sistemas, momentos, modelos e vias de controle
1.4 – Breve histórico evolutivo do controle de constitucionalidade brasileiro
1.5 – Teoria da nulidade e mitigação do princípio da nulidade
2 – Controle difuso
2.1 – Efeitos da decisão
2.2 – Atuação do Senado Federal
3 – Ação Direta de Inconstitucionalidade

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3.1 – Objeto
3.2 – Procedimentos
3.3 – Participação do PGR e do AGU
3.4 – Amicus curiae
3.5 – Efeitos da Decisão
3.6 – Medida Cautelar em ADI
4 – Exercício de fixação
Boa aula!

1 - Noções de Controle de Constitucionalidade


O controle de constitucionalidade relaciona-se com a fiscalização da
conformidade das leis e atos normativos frente à Constituição.
Assim, o objetivo do controle de constitucionalidade é exatamente
verificar a observância das normas constitucionais por parte das demais
leis. Trata-se de verificar a compatibilidade das demais normas frente à
Constituição.
Assim, a princípio, todas as leis são válidas. É dizer: as leis e atos
normativos estatais são considerados válidos, constitucionais, até que
venham a ser formalmente declarados inconstitucionais.
Essa noção relaciona-se com o denominado princípio da presunção de
constitucionalidade das leis.
Bem, mas por que a lei deve respeito à Constituição? Você já se
perguntou por que um conflito entre a Constituição e uma norma
qualquer se resolve sempre em detrimento desta última, prevalecendo
sempre a primeira?
Isso pode parecer óbvio, mas não é. As leis devem respeitar a
Constituição exatamente pelo fato de que ela dispõe de superioridade
hierárquica sobre todo o ordenamento jurídico. Significa que ela está
acima das demais normas, funcionando como fundamento de validade
de todas elas.
Em suma, podemos dizer:
I) a princípio, até que se diga o contrário, toda lei deve ser seguida e
respeitada, devido à presunção de legitimidade das leis;
II) entretanto, para ser válida de fato, a lei deve estar de acordo com a
norma superior (Constituição), sob pena de nulidade.

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1.1 - Supremacia da Constituição e controle de constitucionalidade
Para o estudo do controle de constitucionalidade, partimos da premissa
de que a nossa Constituição é do tipo rígida, o que faz nascer o princípio
da supremacia formal da Constituição.
Recordar é viver! Se a nossa Constituição é rígida, ela exige um
procedimento especial para sua alteração, mais dificultoso do que o das
demais normas.
Pois se o procedimento de alteração da Constituição for o mesmo das
demais leis, uma simples lei poderia alterar a Constituição.
Afinal, imagine um sistema de Constituição flexível, em que tanto as
normas constitucionais quanto as demais normas exigem apenas maioria
simples de votos para sua produção...
Nessa hipótese, qualquer lei aprovada após a Constituição que esteja em
conflito com ela poderá revogar seus dispositivos. Isso porque nos
sistemas de Constituição flexível, não há superioridade formal entre as
normas constitucionais e as demais leis. Assim sendo, estas não
precisam respeitar aquelas.
Objetivamente: a rigidez é que posiciona a nossa Constituição
Federal no vértice, no topo do ordenamento jurídico.
É nos ordenamentos de Constituição rígida que vigora o princípio da
supremacia formal da Constituição. E, por conseqüência, todos os atos
e manifestações jurídicas, para permanecerem no ordenamento jurídico,
devem estar de acordo com a Lei Maior, a Constituição.
Daí a necessidade da existência de controle de constitucionalidade, para
verificar a compatibilidade desses atos e manifestações com as regras e
princípios da Constituição Federal.
Lembre-se: supremacia material e supremacia formal não se confundem!
Essa superioridade que posiciona a Constituição em um plano superior e
exige conformidade das demais normas com seus princípios e suas
regras consiste na supremacia formal (supremacia decorrente das
formalidades especiais exigidas para a alteração das normas
constitucionais).
Observe que essa força das normas constitucionais não existe devido
ao seu conteúdo. Não é a dignidade do tema tratado que faz nascer
essa superioridade. Ela decorre do simples fato de a norma estar dentro
da Constituição rígida.
É que também existe a supremacia material, aí sim, decorrente da
matéria, do conteúdo da norma. Essa supremacia decorre do fato de
uma norma tratar de matéria relevante, substancialmente
constitucional. Não há qualquer relação com o processo de elaboração
da norma ou com o fato de ela estar dentro ou fora de um documento
único.
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Objetivamente:
I) o estabelecimento de um procedimento mais dificultoso para a
alteração das normas constitucionais (rigidez) propicia o surgimento de
uma supremacia formal da Constituição;
II) assim, a Constituição passa a se situar num plano hierárquico superior
a todo o ordenamento jurídico, funcionando como fundamento de
validade das normas inferiores;
III) portanto, só serão válidas as leis que respeitarem a Constituição
(tanto no que diz respeito ao conteúdo da lei quanto no que se refere ao
seu processo de formação);
IV) o instrumento para verificação dessa compatibilidade denomina-se
controle de constitucionalidade.
Portanto, o que quero que você compreenda é que só faz sentido falar-se
em controle de constitucionalidade se a Constituição estiver acima
das leis (onde haja supremacia formal constitucional, decorrente da
rigidez). Pois, nesse caso, a lei sempre sucumbirá frente à Constituição,
seja por incompatibilidade formal ou material.
Muito bonito tudo isso, não?
Bem, antes de continuar, convido-o a resolver esta questão.
1) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) A supremacia
jurídica da Constituição é que fornece o ambiente institucional
favorável ao desenvolvimento do sistema de controle de
constitucionalidade.
É isso mesmo! O controle de constitucionalidade tem como ponto de
partida a supremacia da Constituição, que deriva da rigidez
constitucional.
Item certo.

1.2 - Espécies de inconstitucionalidade


Podemos considerar que é inconstitucional toda ação ou omissão que
ofenda, mesmo que parcialmente, a Constituição.
Entretanto, saiba que não poderão ser declaradas inconstitucionais:
I) normas constitucionais produzidas pelo poder constituinte originário;
II) normas pré-constitucionais (até se admite o controle de
constitucionalidade de normas anteriores à Constituição; todavia, esse
confronto se resolve pela recepção/revogação da norma, e não pela
constitucionalidade/inconstitucionalidade).
Terminamos o item anterior mencionando a incompatibilidade formal e a
incompatibilidade material. Está clara para você a diferença entre as
duas?
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Bem, a inconstitucionalidade pode originar-se do conteúdo da lei ou do
seu processo de formação.
A inconstitucionalidade material ocorre quando o conteúdo da lei
desrespeita a Constituição (por exemplo, uma lei que permitisse a
contratação de servidores sem concurso para cargos efetivos estaria
contrariando o art. 37, II).
A inconstitucionalidade formal ocorre quando o processo de
elaboração da norma contraria as regras estabelecidas pela
Constituição. A título meramente exemplificativo, podemos citar as
seguintes situações:
a) uma lei municipal trata de assunto de competência privativa da União
– trata-se da inconstitucionalidade formal orgânica;
b) uma lei ordinária trata de assunto reservado à lei complementar –
trata-se de vício formal objetivo;
c) uma lei resultante de iniciativa parlamentar trata de assunto cuja
iniciativa privativa compete ao presidente da República – trata-se de
vício formal subjetivo, ligado à pessoa.
Deixe-me usar uma questão recente (nesse caso, do Cespe) para falar
um pouco mais desse assunto.
2) (CESPE / ANALISTA ADMINISTRATIVO / DPU / 2010) A
inconstitucionalidade formal se verifica quando a lei ou ato normativo
apresenta algum vício em seu processo de formação. O desrespeito
a uma regra de iniciativa exclusiva para o desencadeamento do
processo legislativo constitui exemplo de vício formal objetivo.
Segundo a doutrina, a inconstitucionalidade formal pode decorrer de: (i)
aspectos orgânicos (se for violada a competência legislativa de um ente);
(ii) vícios formais propriamente ditos (que podem ser subjetivos – de
iniciativa - e objetivos); e (iii) violação a pressupostos objetivos do ato
normativo.
Quanto a esta última forma (pressupostos objetivos do ato normativo),
segundo o prof. Pedro Lenza, ocorre quando não são cumpridos certos
pressupostos para a adequada formulação do ato (por exemplo, uma
medida provisória que não respeite os pressupostos de relevância e
urgência).
A questão está errada, pois o vício de iniciativa é vício formal subjetivo
(e não objetivo).
Item errado.

A inconstitucionalidade pode se dar tanto por ação quanto por omissão.


A primeira quando decorre de uma conduta comissiva, positiva. A última
quando o Poder Público deixa de atuar em situações em que a

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Constituição obriga determinada medida (por exemplo, quando o
Congresso deixa de elaborar uma lei, cuja edição era determinada pela
Constituição).
A inconstitucionalidade por conduta omissiva geralmente ocorre diante
de uma norma constitucional de eficácia limitada, e apenas nos casos
em que a Constituição exige (não se trata de mera faculdade) a produção
de uma lei para tornar efetivo determinado direito.
E qual instrumento (já estudado no início deste curso) funcionaria como
mecanismo hábil para o controle da inconstitucionalidade por omissão,
diante de casos concretos?
Se você respondeu o mandado de injunção é isso mesmo! Ademais,
mais à frente, estudaremos também a ADI por omissão que se trata do
controle em abstrato da omissão inconstitucional.
A inconstitucionalidade pode ser ainda originária ou superveniente.
A inconstitucionalidade originária ocorre quando a norma nasce
inconstitucional, frente à Constituição de sua época. Já a
inconstitucionalidade superveniente ocorre quando uma norma é válida
frente à Constituição de sua época. Entretanto, revogada a Constituição
antiga é promulgada uma nova Constituição tratando aquele assunto de
forma diferente. Assim, essa norma passa a desrespeitar o novo
regramento constitucional daquele tema.
Assim, imagine que uma Constituição admita a tortura e o Congresso
edite a lei “A” regulamentando esse assunto. Essa lei, a princípio, é
válida. Entretanto, se uma nova Constituição é promulgada suprimindo a
possibilidade de tortura, aquela lei “A” estaria incompatível com a nova
Constituição, por fator superveniente (a mudança se deu após a edição
da norma).
Mas, no Brasil, não se admite a inconstitucionalidade superveniente.
Assim, não faça confusão: nesse exemplo, a lei “A” seria revogada pela
nova Constituição. Porque a incompatibilidade entre uma lei e a
Constituição superveniente se resolve pela revogação daquela, e não
pela declaração de inconstitucionalidade.
Objetivamente: não há inconstitucionalidade superveniente no
Brasil.

1.3 – Sistemas, momentos, modelos e vias de controle


Apresentarei neste item as diversas classificações existentes para o
controle de constitucionalidade. Assim, veremos os sistemas, momentos,
modelos e vias de controle.
Vimos que o controle de constitucionalidade origina-se na fiscalização da
conformidade das leis e atos normativos com a Constituição.

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Logo de início, você tem de ter em mente que esse controle de
constitucionalidade nem sempre é atribuído ao Poder Judiciário
(chamado sistema jurisdicional). Na verdade, há ainda os chamados
sistemas de controle político e misto. Trata-se de diferentes sistemas de
controle.
O mais óbvio é o controle jurisdicional, em que a Constituição outorga
competência ao Judiciário para realizar o controle de constitucionalidade
das leis. Segundo a doutrina, atualmente, a maioria das Constituições
adota esse modelo, incluindo a brasileira.
Já o sistema de controle político ocorre quando essa competência é
atribuída a órgão externo ao Judiciário, de natureza política (por
exemplo, quando, na Europa do século passado, o controle era função
do próprio Poder Legislativo).
Ocorre o controle misto quando a Constituição submete determinadas
categorias de leis ao controle político e outras ao controle jurisdicional.
Bem, apesar de, em regra, no Brasil, o controle de constitucionalidade
ser função do Judiciário (sistema jurisdicional), você deve ter em mente
que convivemos com exemplos de controle não-jurisdicional, em que, de
forma excepcional, os poderes Executivo e Legislativo exercem controle
de constitucionalidade.
No que se refere ao Poder Legislativo, o controle de constitucionalidade
é exercido:
a) na apreciação preventiva da Comissão de Constituição e Justiça –
CCJ das proposições legislativas;
b) na sustação dos atos normativos do Poder Executivo que exorbitem
do poder regulamentar ou dos limites da delegação legislativa (art. 49,
V); e
c) na apreciação das medidas provisórias.
O Poder Executivo também realiza controle de constitucionalidade ao:
a) vetar projetos de lei inconstitucionais (veto jurídico, nos termos do §1°
do art. 66 da CF/88);
b) determinar aos órgãos a ele subordinados que deixem de aplicar
determinada lei por considerá-la inconstitucional; e
c) determinar a intervenção a fim de restabelecer a obediência à
Constituição Federal.
Sintetizando:

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CCJ

Legislativo Veto legislativo (art. 49, V)


Apreciação de medidas provisórias

Controle não-jurisdicional exercido por órgãos externos ao Poder Judiciário

Veto do Poder Executivo (art. 66, §1°)


Executivo Inaplicação da lei pelo chefe do executivo
Processo de intervenção
Outro aspecto importante que você já deve ter observado: o sistema de
controle de constitucionalidade brasileiro inclui manifestações não só
repressivas, mas também preventivas (como o veto jurídico do
Presidente da República e a atuação da Comissão de Constituição e
Justiça das Casas Legislativas).
Assim, enquanto o controle repressivo tem por finalidade afastar a
aplicação de uma lei ou retirá-la do ordenamento jurídico, o controle
preventivo visa a impedir a entrada em vigor de uma norma
inconstitucional.
Um exemplo de controle preventivo: se um projeto de lei inconstitucional
estiver tramitando no Congresso, pode um parlamentar impetrar
mandado de segurança para assegurar seu direito líquido e certo de não
participar da elaboração de uma norma inconstitucional. Nesse caso,
poderá o STF sustar a tramitação daquele projeto de lei (repare que se
trata de um controle preventivo exercido pelo Poder Judiciário).
Quanto ao modelo, o controle de constitucionalidade pode se dar: (i) de
forma difusa ou (ii) de forma concentrada.
De forma difusa, o controle é atribuição de todos os membros do
judiciário. Esse modelo, também conhecido como “aberto”, é baseado no
controle de constitucionalidade dos Estados Unidos da América.
De forma concentrada, a atribuição de fiscalizar a constitucionalidade é
restrita ao órgão de cúpula do Poder Judiciário. O modelo concentrado,
ou reservado, originou-se na Áustria, sob a influência do jurista Hans
Kelsen.
No Brasil, esses modelos são combinados, no sentido de que há controle
de constitucionalidade difuso, mas também controle de
constitucionalidade em sua forma concentrada, ações, desde o princípio,
de competência do órgão de cúpula do Judiciário.
Uma classificação importante para entender o controle de
constitucionalidade diz respeito às via de controle. Uma lei pode ser
impugnada perante o Poder Judiciário em concreto (diante de ofensa a
direito, em determinado caso concreto submetido à apreciação do Poder

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Judiciário), ou em abstrato (quando a lei é impugnada “em tese”, sem
vinculação a um caso concreto).
E qual a diferença?
No controle concreto (via incidental ou de exceção), qualquer pessoa
prejudicada por uma lei pode requerer, em qualquer processo judicial
concreto submetido à apreciação do Poder Judiciário, perante qualquer
juiz ou tribunal, a declaração da inconstitucionalidade dessa lei a fim de
afastar a sua aplicação (com efeitos restritos a esse caso concreto -
eficácia inter partes).
Controle concreto (via incidental ou de exceção)
I) Qualquer prejudicado é legitimado ativo
II) Qualquer juiz ou tribunal está apto a deixar de aplicar a lei naquele
caso concreto
III) Não há ação específica, pois ocorre em qualquer processo submetido
à apreciação do Judiciário
IV) eficácia inter partes
No controle abstrato (via principal ou de ação direta), só é dado a
determinados legitimados argüir o órgão de cúpula do Judiciário, a
respeito da constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei.
Nesse caso, a análise se dá em tese, independentemente de um
problema concreto, com o fim de proteger a harmonia do ordenamento
jurídico. Esse julgamento ocorre mediante uma ação especial, que trará
efeitos para todos (eficácia geral ou erga omnes).
Controle abstrato (via principal ou de ação direta)
I) Os legitimados ativos se restringem aos indicados na CF/88 (art. 103)
II) Somente os órgãos de cúpula do Judiciário julgam essas ações
III) Há ações específicas: ADI, ADC, ADO e ADPF
IV) eficácia geral ou erga omnes
Repare que o nome via principal (via de ação ou controle abstrato)
decorre exatamente do fato de que nessa ação não há lide: o pedido
principal é precisamente a declaração de inconstitucionalidade ou de
constitucionalidade da lei. Ao contrário, na via incidental o pedido
principal é a satisfação de um direito do impetrante, e a questão de
inconstitucionalidade surge apenas incidentalmente no julgamento do
caso.
São vários os aspectos, mas o esquema abaixo pode te auxiliar a
memorizar esses detalhes.
Sintetizando:

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Vamos ver algumas questões.


3) (ESAF/EPPGG/MPOG/2009) No Brasil, o controle de
constitucionalidade realiza-se mediante a submissão das leis
federais ao controle político do Congresso Nacional e as leis
estaduais, municipais, ou distritais ao controle jurisdicional.
O controle misto existe quando a Constituição submete determinadas
categorias de leis ao controle político e outras ao controle jurisdicional.
Observe que a questão está remetendo a esse tipo de modelo.
Como você sabe, não é esse modelo o adotado pelo Brasil. No sistema
de controle de constitucionalidade brasileiro, todos os membros do Poder
Judiciário exercem jurisdição constitucional, não só de leis nacionais,
quanto das leis estaduais e municipais.
Todavia, você deve ter em mente que há, ainda, no Brasil, exemplos de
controle não-jurisdicional, em que, de forma excepcional, os poderes
Executivo e Legislativo exercem controle de constitucionalidade.
Item errado.
4) (ESAF/EPPGG/MPOG/2005) Somente o Supremo Tribunal Federal
(STF) é competente para desempenhar o controle incidental de
constitucionalidade no Brasil.
A assertiva está errada porque o controle incidental (concreto) é
realizado por qualquer tribunal ou juiz do Poder Judiciário. Diante de um
caso concreto, qualquer juiz ou tribunal do Poder Judiciário pode declarar
a inconstitucionalidade de uma lei, para afastar a sua aplicação a esse
caso concreto.
Lembre-se que há, ainda, o chamado controle de constitucionalidade
não-jurisdicional, realizado incidentalmente por órgãos não-pertencentes
ao Judiciário: chefe do Executivo, Poder Legislativo ou os tribunais de
contas.

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Aliás, mesmo que a questão se restringisse ao controle abstrato, não
estaria totalmente correta, visto que também os Tribunais de Justiça
realizam controle em tese, só que tendo a Constituição Estadual como
parâmetro. Vamos aprofundar esse detalhe mais à frente.
Item errado.
5) (ESAF/AFRFB/2009) O sistema de controle Judiciário de
Constitucionalidade repressiva denominado reservado ou
concentrado é exercido por via de ação.
De fato, em regra, o sistema concentrado (também conhecido como
reservado) de controle de Constitucionalidade é exercido por via de ação.
Item certo.
6) (ESAF/EPPGG/MPOG/2009) No Brasil, a jurisdição constitucional
concentrada é reconhecida a todos os componentes do Poder
Judiciário e pode se dar mediante iniciativa popular.
De forma concentrada, a atribuição de fiscalizar a constitucionalidade é
restrita ao órgão de cúpula do Poder Judiciário. O modelo concentrado,
ou reservado, originou-se na Áustria, sob a influência do jurista Hans
Kelsen.
Ademais, não há iniciativa popular para instaurar esse controle.
Item errado.
7) (ESAF/EPPGG/MPOG/2009) A supremacia da Constituição exige
que todas as situações jurídicas se conformem com os princípios e
preceitos da Constituição, mas ainda não existe instrumento jurídico
capaz de corrigir omissão inconstitucional.
Como vimos, a supremacia formal situa a Constituição no ápice do
ordenamento jurídico, sendo que todas as situações devem se conformar
às suas normas. Assim, não só os atos comissivos mas também os
comportamentos omissivos devem estar em conformidade com a
Constituição.
A questão está ERRADA, pois, ao contrário do que afirma, há
instrumento destinado à correção da omissão inconstitucional. Trata-se
da chamada ADI por omissão, prevista no art. 103, § 2° (que ainda
abordaremos). Ademais, o mandado de injunção também tem finalidade
de controle da omissão inconstitucional (art. 5º, LXXI).
Item errado.

O aluno que conhece o controle de constitucionalidade já percebeu que


muitas vezes os termos controle abstrato e concentrado são tratados
como sinônimos (até mesmo pelas bancas examinadoras). O mesmo
ocorre com as expressões controle difuso e incidental.

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Repare que não se trata exatamente da mesma coisa.
É que, de fato, regra geral, o controle incidental é realizado no modelo
difuso, enquanto a fiscalização abstrata é exercida de forma
concentrada.
Entretanto, existem hipóteses em que o controle é concentrado no STF,
mas ele se dá diante de um problema concreto. Exemplo: mandado de
segurança impetrado por parlamentar contra projeto de lei
flagrantemente inconstitucional. Trata-se de um caso concreto (direito
subjetivo do parlamentar) exercido de forma concentrada no STF.
Bem, antes de fazermos algumas questões relacionadas com esse
assunto, vale a pena chamar sua atenção para o fato de que você tem de
separar muito bem o controle incidental, diante de casos concretos, do
controle abstrato, em que se discute a lei em tese, como pedido principal
da ação. Ou seja, no controle abstrato, o impetrante não tem um
interesse próprio na causa, ele aciona o órgão de cúpula do Poder
Judiciário para dizer se determinada lei é ou não válida perante o
ordenamento jurídico.
Por fim, lembre-se de que o controle abstrato ocorre em duas vertentes.
A primeira visa a analisar a compatibilidade da norma frente à
Constituição Federal, em que o controle abstrato ocorre exclusivamente
perante o STF (nenhum outro órgão realiza controle abstrato frente à
Constituição Federal).
Em outra vertente, há o controle em âmbito estadual, em que se analisa
a compatibilidade da norma frente à Constituição Estadual. Nesse
caso, o controle abstrato ocorre exclusivamente perante o Tribunal de
Justiça local, uma vez que é ele o guardião, quem diz a última palavra
sobre a Constituição Estadual. Tendo esses aspectos bem
compartimentados na sua cabeça, você já terá dado um grande passo
para entender todo o controle de constitucionalidade. E o mais
importante: um grande passo para acertar as questões sobre esse
assunto.
Falando nisso, posso te dizer que ao acertar uma única questão mediana
de controle de constitucionalidade você passa na frente de milhares de
candidatos que não conseguem compreender muito bem esse assunto.
Uma questão tornará mais clara essa distinção entre controle face à
Constituição Federal e controle face à Constituição Estadual.
8) (ESAF/EPPGG/MPOG/2005) Os tribunais de justiça nos Estados
podem desempenhar o controle abstrato de leis estaduais e
municipais em face diretamente da Constituição Federal.
Em âmbito federal (tendo a CF/88 por parâmetro), a jurisdição
constitucional abstrata se dá apenas no Supremo Tribunal Federal. Na
verdade, temos o controle abstrato no Tribunal de Justiça apenas na
esfera estadual (tendo a Constituição Estadual como parâmetro).
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Portanto, fique atento! São dois tipos distintos de controle abstrato no
Brasil: um perante o Supremo Tribunal Federal (STF) e outro perante os
Tribunais de Justiça (TJ). O primeiro protegendo a supremacia da CF/88,
este último garantindo o respeito à Constituição Estadual. E é relevante
que você cuide de separá-los bem ao estudar esse assunto (e na prova
também).
Objetivamente:
I) STF → controle abstrato em face da Constituição Federal
II) TJ → controle abstrato em face da Constituição Estadual
Item errado.
9) (ESAF/AFRFB/2009) O Supremo Tribunal Federal não admite
controle concentrado pelo Tribunal de Justiça local de lei ou ato
normativo municipal contrário, diretamente, à Constituição Federal.
O controle concentrado de constitucionalidade frente à Constituição
Federal é realizado apenas perante o Supremo Tribunal Federal. O
controle abstrato realizado pelos tribunais de justiça limita-se à aferição
da validade de leis e atos normativos estaduais e municipais em face da
Constituição Estadual (CF, art. 125, §2º), jamais em confronto direto com
a Constituição Federal.
Item certo.

Frisei bem a diferença entre o controle exercido pelo STF e o controle


exercido pelo Tribunal de Justiça local. Agora, uma última pergunta, para
dar um nó geral na sua cabeça... podemos concluir que o TJ não realiza
controle de constitucionalidade tendo a Constituição Federal como
parâmetro?
Não, não podemos. Por quê? Porque, incidentalmente, no controle
difuso, poderá o TJ desempenhar o controle concreto das leis em face
diretamente da Constituição Federal.
Vamos fazer mais algumas questões?
10) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) Segundo
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a norma constitucional
originária não é passível de controle de constitucionalidade.
De fato, se todas as normas constitucionais originárias foram
elaboradas pelo poder constituinte originário, não há hierarquia entre
elas. Considerando ainda que não há limites nem condições para o
exercício do Poder constituinte originário, não há que se falar em controle
de constitucionalidade de norma originária.
Por outro lado, as normas constitucionais derivadas, resultantes de
emendas à Constituição, podem ser objeto de controle de
constitucionalidade. É que, para serem válidas, as emendas à
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Constituição devem respeitar as regras e limitações – circunstanciais,
processuais e materiais - do art. 60 da Constituição Federal.
Item certo.
11) (ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) Não há
possibilidade de manifestar-se o Supremo Tribunal Federal, ainda
que incidentalmente, sobre a constitucionalidade de uma proposta
de emenda à Constituição, uma vez que o controle de
constitucionalidade no Brasil é repressivo e essa manifestação
ofenderia o princípio de separação dos poderes.
Você sabe que as emendas à Constituição devem estar de acordo com o
art. 60 da CF/88. Em especial, de acordo com as cláusulas pétreas
previstas no art. 60, § 4°.
Pois bem, poderia uma proposta de emenda constitucional (PEC) ser
questionada quanto à sua constitucionalidade, caso previsse a instituição
da pena de morte, por exemplo?
Sim, poderia, desde que no âmbito do controle incidental de
constitucionalidade por meio de mandado de segurança interposto no
Supremo Tribunal Federal, por congressista da Casa Legislativa em que
a PEC estiver tramitando.
Vale comentar que o sistema de controle de constitucionalidade brasileiro
inclui manifestações não só repressivas, mas também preventivas (como
o veto jurídico do Presidente da República e a atuação da Comissão de
Constituição e Justiça das Casas Legislativas).
E se essa PEC não fosse impugnada e passasse a integrar a
Constituição, poderia a norma resultante ser questionada no Supremo?
Sim, poderia. Tanto incidentalmente, quanto por meio de ADI.
Guarde essas diferenças.
Item errado.

1.4 – Breve histórico evolutivo do controle de constitucionalidade


brasileiro
Muitos alunos não gostam de estudar controle de constitucionalidade,
devido aos inúmeros detalhes envolvidos. É importante mencionar que a
Constituição de 1988 é, em parte, culpada disso, tendo em vista que
enriqueceu significativamente o controle de constitucionalidade brasileiro.
Mas, vejamos, de forma esquemática, como se deu a evolução do
controle no Brasil, desde a sua criação.
Sintetizando:

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1891 criou o controle difuso

criou (i)a representação interventiva; (ii) a reserva de


plenário; e (iii) a competência do Senado Federal para
1934 suspender a execução da lei definitivamente declarada
inconstitucional pelo STF no controle difuso

criou a possibilidade de o Presidente da República


1937 submeter ao Parlamento a decisão do Judiciário que
havia declarado a inconstitucionalidade da lei

(i) criou a ADI de leis federais e estaduais; e (ii)


1946 estabeleceu a possibilidade de controle concentrado
nos Estados-membros

(i) suprimiu o controle concentrado nos estados; e (ii)


1967/1969 criou a representação interventiva estadual, para fins
de intervenção do Estado em Município.

(i) ampliou a legitimação ativa do controle abstrato; (ii)


criou o Mandado de Injunção e a a ADO ; (iii) criou a
1988 ADPF; (iv) criou a ADC (EC nº 3/1993 ); e (v) criou a súmula
vinculante (EC nº 45/2004)
12) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) A Constituição
de 1988 trouxe inúmeras inovações ao controle de
constitucionalidade, entre elas a ampliação do rol de legitimados
para a propositura da Ação Direta de Inconstitucionalidade.
A CF/88 ampliou significativamente a legitimação ativa da ADI (art. 103, I
ao IX), antes exclusiva do Procurador-Geral da República.
Além disso: criou a inconstitucionalidade por omissão, controlada por
meio de mandado de injunção (art. 5º, LXXI) e a ADI por omissão (art.
103, § 2º); criou a ADPF (art. 102, § 1º); em 1993, a EC nº 3/1993 criou a
ADC (art. 102, I, a); em 2004, a EC nº 45/2004 criou a súmula vinculante
para as decisões do STF (art. 103-A) e ampliou a legitimação ativa da
ADC, igualando-a à legitimação em ADI (art. 103, I a IX).
Item certo.

1.5 – Teoria da nulidade e mitigação do princípio da nulidade


Tendo em vista o princípio da supremacia da Constituição, a regra é a
aplicação do princípio da nulidade da lei declarada inconstitucional. Isso
significa que, dada a superioridade da Constituição, uma lei que contrarie
a Carta Maior é nula desde a sua edição, não podendo produzir efeitos
(ou seja, a declaração de inconstitucionalidade de uma lei produziria
efeitos retroativos, ex tunc, como se atestasse que aquela norma nunca
fez parte do ordenamento jurídico).

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Entretanto, como comentado, essa é a regra. Na realidade, haverá
situações concretas em que essa declaração de nulidade causará
transtornos imensos.
Imagine uma lei que criasse um órgão público, mas sofresse vícios de
iniciativa que resultam na sua inconstitucionalidade. Agora, imagine que
a declaração de inconstitucionalidade ocorresse apenas anos após a
criação desse órgão.
Nessa situação hipotética, se a lei fosse declarada nula desde a sua
origem, resolveríamos o problema jurídico, mas estaríamos diante de um
problema real: todos os atos praticados pelo órgão poderiam ser
impugnados por nulidade.
Nessa situação hipotética extrema, se aquele órgão tivesse firmado
contratos, emitido certidões, contratado servidores, nada disso teria
validade. Os contratos, por exemplo, poderiam ser desfeitos. E os
servidores poderiam ir para a rua...
Assim, em homenagem aos princípios da segurança jurídica, do
interesse social e da boa fé, tem-se admitido a modulação dos efeitos
temporais da decisão de inconstitucionalidade. Ou seja, o Supremo
admite que a lei produza efeitos, estabelecendo uma data a partir da qual
aquela lei passa a ser inválida. Isso permite uma adequação dos efeitos
da declaração de inconstitucionalidade à realidade fática.
Com isso, podemos considerar que a jurisprudência desenvolveu uma
flexibilização da rigidez da teoria da nulidade. Esse entendimento já está
positivado pelo art. 27 da Lei 9.868/99:
“Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e
tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse
social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços
de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que
ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro
momento que venha a ser fixado.”
Em suma, por razões de segurança jurídica ou diante de relevante
interesse social, poderá o STF, ao proclamar a inconstitucionalidade,
desde que por deliberação de dois terços dos seus membros:
I) restringir os efeitos da sua decisão → isso significa que poderia o
Supremo afastar determinados efeitos da sua declaração a determinados
atos ou situações;
II) outorgar efeitos ex nunc (dali pra frente) à sua decisão → isso significa
afastar a retroatividade de sua manifestação, preservando atos já
praticados com base naquela norma; por conseqüência a declaração
surtiria efeitos apenas dali pra frente;
III) determinar outro momento para o início da eficácia → isso significa
que poderá o STF entender que o melhor momento para o início da

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eficácia da sua decisão não é a data da publicação da lei (ex tunc) nem a
data da declaração da inconstitucionalidade (ex nunc); assim, fixaria um
outro momento para o início da produção de efeitos daquela declaração
de inconstitucionalidade.
Um clássico exemplo da aplicação dessa flexibilização no âmbito do
controle difuso foi o caso do município de Mira Estrela (SP), em que se
considerou contrária à Constituição Federal a lei orgânica municipal, que
previa 11 vereadores em um município de apenas 2.651 habitantes
(entendeu-se que o correto seria a previsão do mínimo de 9 vereadores).
Na época do julgamento, vários atos já haviam sido realizados com a
composição de 11 vereadores. A aplicação pura e simples da teoria de
nulidade nesse caso acarretaria a nulidade de todos os atos produzidos
pelo legislativo municipal desde então. Imagine o caos!
Considerando o princípio da segurança jurídica, admitiu-se que se
tratava de situação excepcional, em que a declaração de nulidade, com
seus normais efeitos ex tunc, resultaria grave ameaça a todo o sistema
legislativo vigente. Prevaleceria então o interesse público para assegurar,
em caráter de exceção, efeitos pro futuro (ex nunc) à declaração
incidental de inconstitucionalidade (RE 197.917/SP, rel. Min. Maurício
Corrêa, julgamento 06/06/02).
Chega de bla bla bla... Objetivamente:
I) a regra é a declaração de inconstitucionalidade com efeitos ex tunc;
II) entretanto, o Supremo poderá, excepcionalmente, dar a ela efeitos ex
nunc, ou mesmo estabelecer um outro momento para o início da
produção de efeitos da declaração de inconstitucionalidade.
Daí se dizer que é válida (em caráter excepcional) a declaração de
inconstitucionalidade sem a pronúncia de nulidade da lei.
13) (ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) Ao declarar a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, no processo de ação
direta de inconstitucionalidade, por razões de segurança jurídica ou
de excepcional interesse social, o Supremo Tribunal Federal, por
quórum qualificado, poderá restringir os efeitos daquela declaração.
Como vimos, os efeitos das decisões do STF são, em regra, ex tunc (ou
retroativos). Entretanto, em ocasiões excepcionais, é admitida a
modulação de efeitos temporais por parte da Corte.
Vale destacar que é admitida a modulação de efeitos temporais mesmo
no âmbito do controle incidental.
Item certo.

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2 - Controle difuso
Nesse item passamos a analisar o funcionamento do controle difuso de
constitucionalidade realizado de forma incidental, diante de casos
concretos.
Como vimos, o controle difuso é atribuição de todos os membros do
judiciário. Esse modelo, também conhecido como “aberto”, é baseado no
controle de constitucionalidade dos Estados Unidos da América.
Ou seja, o que o caracteriza é o fato de que qualquer componente do
Poder Judiciário, juiz ou tribunal, poderá declarar a inconstitucionalidade
de uma norma, diante de um caso concreto. E ele nem precisa ser
provocado a isso.
É dizer, diante de um caso concreto, mesmo que não seja questionada a
inconstitucionalidade da lei pelas partes, poderá o magistrado agir de
ofício, afastando a aplicação da lei naquele caso concreto.
De qualquer forma, você deve saber que essas decisões proferidas por
esses juízes e tribunais do Poder Judiciário não serão capazes de
extinguir a norma do ordenamento jurídico, pois elas valem apenas
naquele caso que eles estão decidindo.
Ademais, no controle difuso, as decisões dos órgãos inferiores do
Judiciário não serão definitivas, pois poderão ser levadas ao Supremo
Tribunal Federal por meio de recurso extraordinário, como veremos mais
à frente.
Agora me diga: quais são as ações do controle difuso?
Quem entende muito de controle de constitucionalidade já sacou: não há
ação específica para o controle difuso. O controle incidental poderá
ocorrer em meio a qualquer processo judicial, independentemente da sua
natureza ou espécie. Assim, mandados de segurança, habeas corpus,
ação civil pública etc. todas essas ações poderão ser utilizadas para o
exercício do controle de constitucionalidade na via incidental, diante de
casos concretos.
Agora, veja como o controle de constitucionalidade é cheio de detalhes
interessantes. Vimos que qualquer juiz que esteja decidindo um caso
concreto poderá, monocraticamente, deixar de aplicar a lei por entendê-
la inconstitucional. Não há necessidade de submissão da questão ao
tribunal a que se vincula (observe que se trata da via difusa).
Entretanto, no caso dos tribunais, há uma restrição às decisões do
controle de constitucionalidade. É que eles se submetem à chamada
reserva de plenário, regra segundo a qual somente pelo voto da
maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo
órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de
lei ou ato normativo do Poder Público (CF, art. 97).

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Essa regra vincula qualquer tribunal (incluindo o STF). Sobre isso, já há
até uma Súmula Vinculante:
“Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de
órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua
incidência, no todo ou em parte.” (Súmula Vinculante n° 10)
Mas guarde os seguintes detalhes sobre a reserva de plenário:
I) se já houver decisão do plenário, do órgão especial ou mesmo do STF
sobre a inconstitucionalidade da lei cria-se, digamos, um precedente; e
não precisará mais o tribunal respeitar a reserva de plenário, sendo
possível que seja apenas seguida aquela decisão anterior (é dizer, a
reserva de plenário é aplicável apenas à primeira análise sobre a
inconstitucionalidade de uma norma);
II) a reserva de plenário é regra aplicável à declaração de
inconstitucionalidade, ou seja, não obriga as decisões sobre a recepção
ou revogação do direito pré-constitucional.
Por fim, vale comentar que, segundo o STF, os Tribunais de Contas, no
exercício de suas atribuições, podem apreciar a constitucionalidade
das leis e dos atos do poder público diante de casos concretos
(Súmula 347). Ressalte-se que a cláusula de reserva de plenário também
se aplica às cortes de contas, que só poderão declarar a
inconstitucionalidade de uma norma pelo voto da maioria absoluta de
seus membros.

2.1 – Efeitos da decisão


No controle incidental, o que se busca é o afastamento da lei no caso
concreto em questão. Ou seja, a argüição de inconstitucionalidade é um
mero incidente, uma questão à parte do pedido principal do autor da
ação. Afinal, o que ele deseja é a satisfação de um determinado pleito, e
não a inconstitucionalidade da norma em si.
Assim, a decisão tem efeitos restritos às partes daquele processo
(eficácia inter partes). Portanto, a lei não deixa de existir, ela continua
válida e regulando as demais situações que se enquadrem em seus
comandos. Isso significa que todas as pessoas que desejem afastar a
aplicação da lei inconstitucional diante do seu caso concreto deverão
acionar o Judiciário, a fim de garantir sua pretensão.
Por outro lado, quanto ao aspecto temporal, o controle difuso, como
regra, apresenta efeitos ex tunc. Ou seja, a decisão retroage.
De qualquer forma, mesmo no controle difuso, admite-se a chamada
modulação dos efeitos temporais, em que se atribui à decisão efeitos ex
nunc (prospectivos ou pro futuro).

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Nesse sentido, tendo em vista razões de segurança jurídica ou de
excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por
dois terços de seus membros, decidir que aquela declaração só tenha
eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que
venha a ser fixado.
Vamos resolver algumas questões sobre esse e outros aspectos...
14) (ESAF/AFRFB/2009) Na via de exceção, a pronúncia do Judiciário
sobre a inconstitucionalidade não é feita enquanto manifestação
sobre o objeto principal da lide, mas sim sobre questão prévia,
indispensável ao julgamento do mérito.
É certo que na via de exceção, a decisão sobre a constitucionalidade ou
inconstitucionalidade da lei não é o pedido principal da lide. É aspecto
inerente, acessório ao julgamento do mérito.
Item certo.
15) (ESAF/AFRFB/2009) A cláusula de reserva de plenário não veda a
possibilidade de o juiz monocrático declarar a inconstitucionalidade
de lei ou ato normativo do Poder Público.
A cláusula de reserva de plenário (prevista no art. 97 da CF/88) aplica-se
à decisão dos tribunais ou órgão especial. Não veda a declaração de
inconstitucionalidade por decisão de um juiz monocrático.
Item certo.
16) (ESAF/AFRFB/2009) Declarada incidenter tantum a
inconstitucionalidade da lei ou ato normativo pelo Supremo Tribunal
Federal, referidos efeitos serão ex nunc, sendo desnecessário
qualquer atuação do Senado Federal.
A declaração incidental de inconstitucionalidade tem, em regra, efeitos ex
tunc. Ademais, a atuação do Senado Federal altera o alcance da
decisão, e não sua eficácia temporal.
Item errado.

Agora, eu gostaria de mencionar dois aspectos relevantes (e avançados!)


do controle de constitucionalidade difuso. Um se refere ao recurso
extraordinário (já apresentado na aula sobre o Poder Judiciário) e o
outro trata da simultaneidade de ações de representação de
inconstitucionalidade em âmbito estadual e em âmbito federal.
Como eu comentei em aula anterior, o recurso extraordinário é o meio
hábil a conduzir ao STF controvérsia judicial que esteja sendo suscitada
em instâncias inferiores.
Entretanto, o que você precisa saber também é que, na hipótese de
ajuizamento de ADI perante o TJ local com a alegação de ofensa a
dispositivo da Constituição Estadual que reproduz norma da Constituição
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Federal de observância obrigatória pelos estados, contra a decisão do
TJ é cabível recurso extraordinário para o STF.
Não entendeu nada? Vejamos um exemplo então.
Uma lei municipal está sendo questionada em sede de ADI perante o TJ
local por ofensa ao art. Y da Constituição Estadual. Ocorre que esse art.
Y é uma norma de reprodução obrigatória de dispositivo da Constituição
Federal (vários dispositivos da CF são de reprodução obrigatória pela
Constituição do Estado).
Nessa hipótese, o TJ apreciará a ADI, firmando sua posição sobre a
validade (ou não) da lei. Então, contra essa decisão, será cabível a
interposição de recurso extraordinário perante o STF.
Vale destacar que a decisão do STF nesse recurso extraordinário contra
decisão do TJ em ADI terá eficácia geral (erga omnes), por se tratar de
controle abstrato.
Em suma, admite-se recurso extraordinário para o STF contra decisão do
TJ no controle abstrato sempre que a norma da Constituição Estadual
eleita como parâmetro para a declaração da inconstitucionalidade da
norma estadual ou municipal impugnada for de reprodução obrigatória
da Constituição Federal. A decisão do STF nesse recurso extraordinário
é dotada de eficácia erga omnes.
Veja como esta questão cobrou o assunto.
17) (CESPE / PROCURADOR / MP / ES / 2010) Segundo jurisprudência
majoritária do STF, a decisão proferida em sede de recurso
extraordinário interposto contra decisão de mérito proferida em
controle abstrato de norma estadual de reprodução obrigatória da
CF possui eficácia erga omnes.
Exato! Como comentado, dispõe de eficácia erga omnes a decisão do
STF em um recurso extraordinário interposto contra decisão de mérito
em controle abstrato estadual cujo parâmetro escolhido seja norma
estadual de reprodução obrigatória de norma da CF/88.
Item certo.
18) (ESAF/PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2007) O Tribunal
de Justiça deve declarar a inconstitucionalidade da lei, se apurar que
o diploma fere dispositivo da Lei Orgânica do Distrito Federal ou,
mesmo que não contrarie essa Lei Orgânica, se verificar que está
em desacordo com a Constituição Federal. Neste último caso,
porém, da decisão caberá recurso extraordinário para o Supremo
Tribunal Federal.
Observe que foi proposta uma ADI no TJ para que se avalie a lei frente à
Lei Orgânica do DF. Assim, no controle em tese, não há análise do TJ
tendo como parâmetro a Constituição Federal. Assim, ERRADA a
questão.

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Quanto ao recurso extraordinário, só será cabível se a alegação da inicial
for de ofensa a dispositivo da Constituição Estadual (ou Lei Orgânica do
DF) que é de reprodução obrigatória da Constituição Federal. Como
a questão não comentou nada sobre isso está ERRADA.
Item errado.

Já que estamos falando de situações hipotéticas o que acontece se


forem propostas duas ADIs simultaneamente, contra a mesma norma
estadual, uma perante o STF e outra perante o TJ?
Suponha que a lei A (norma estadual) seja impugnada em sede de ADI
no TJ (frente à Constituição estadual) e que, simultaneamente, essa
mesma norma venha a ser impugnada em sede de ADI no STF (frente à
Constituição Federal).
Veja que interessante! Nesse caso, o TJ suspenderá o julgamento da
ação até que o STF se posicione.
Se o STF declarar inconstitucional a lei, ela estará fora do mundo
jurídico, não havendo mais o que analisar o TJ, estando, portanto,
prejudicada a ação em âmbito estadual.
Por outro lado, caso o STF a declare constitucional, o TJ dará
continuidade à ação, podendo posicionar-se pela constitucionalidade ou
pela inconstitucionalidade, tendo como parâmetro dispositivo específico
(autônomo) da Constituição Estadual.
Isso porque a lei pode não desrespeitar a Constituição Federal (daí o
STF ter decidido pela sua constitucionalidade), mas contrariar
Constituição Estadual. Situação na qual caberá ao TJ a declaração de
sua inconstitucionalidade.
19) (ESAF/PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2007) Se depois
de ajuizada a ação direta de inconstitucionalidade perante o Tribunal
de Justiça, e antes do seu julgamento, for também proposta ação
direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal
contra a mesma lei, os processos deverão ser reunidos para o
julgamento conjunto perante o Supremo Tribunal Federal.
Não faz sentido a reunião das ações no STF, tendo em vista que são
ações completamente distintas. Nesse caso hipotético, enquanto o STF
apreciará a lei frente à CF, o Tribunal de Justiça apreciará a lei frente à
Lei Orgânica do DF.
Como visto, no caso de ações diretas simultâneas no STF e no TJ,
suspende-se o julgamento do TJ até a decisão final do STF.
Caso o STF declare a inconstitucionalidade da lei, o TJ não apreciará
mais a ação. Por outro lado, se o STF declarar a constitucionalidade da
lei, o TJ apreciará a lei normalmente frente à Lei Orgânica do DF,
podendo declará-la constitucional ou inconstitucional.
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Item errado.
20) (CESPE/PROCURADOR/MP/ES/2010) Segundo jurisprudência
pacífica do STF, na hipótese de propositura simultânea de ação
direta de inconstitucionalidade contra lei estadual perante o STF e o
TJ, o processo no âmbito do STF deverá ser suspenso até a
deliberação final do TJ estadual.
Como vimos, quem suspende o julgamento é o TJ, e não o STF.
Item errado.

2.2 – Atuação do Senado Federal


Vimos que os efeitos da decisão do STF no âmbito do controle difuso
afetam apenas as partes do processo. Mas nosso controle de
constitucionalidade prevê dois instrumentos capazes de fazer a decisão
do Supremo no controle concreto atingir a terceiros que não sejam parte
da ação. Um desses instrumentos é a súmula vinculante, já abordado na
aula sobre Poder Judiciário. A outra forma de ampliação dos efeitos da
declaração incidental de inconstitucionalidade é por meio da atuação do
Senado Federal.
Nos termos do art. 52, X da CF/88, compete ao Senado Federal
suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão
definitiva do Supremo Tribunal Federal.
Assim, declarada a inconstitucionalidade pelo STF de determinada lei, no
âmbito do controle difuso, a decisão é comunicada ao Senado, a quem
caberá a faculdade de suspender a execução da lei, conferindo eficácia
erga omnes à decisão do Supremo.
Assim, a decisão definitiva em recurso extraordinário comunicada ao
Senado Federal gera para essa Casa legislativa a faculdade de
suspender a execução de lei declarada inconstitucional pela maioria
absoluta dos membros do Supremo Tribunal Federal no julgamento
daquele recurso.
Se o Senado suspender a lei (ato discricionário), a declaração de
inconstitucionalidade alcançará outros (e não só as partes), adquirindo
eficácia geral (erga omnes).
Mas o Senado não poderá alterar a decisão do Supremo. Sua
competência é exclusivamente dar efeitos erga omnes àquela decisão
proferida no controle incidental. Assim, se o Supremo só declarou
inconstitucional um dos incisos (ou parte dele), o Senado deverá seguir
estritamente aquela decisão, não podendo interpretá-la ou ampliá-la, por
exemplo, declarando inconstitucional toda lei, ou outros artigos não
impugnados pelo STF.

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Enfim, a suspensão pelo Senado Federal poderá se dar em relação a leis
federais, estaduais, distritais ou municipais, desde que tenham sido
declaradas inconstitucionais pelo STF, de modo incidental.
Vejamos alguns detalhes concernentes a essa competência do Senado:
I) o exercício dessa competência é facultativo; ou seja, o Senado não
está obrigado a suspender a execução da lei;
II) não há prazo para que o Senado possa suspender a execução da lei;
mas, suspensa a lei, o Senado não poderá voltar atrás (a decisão é
irretratável);
III) a espécie normativa utilizada é a resolução; e ela também está sujeita
a controle de constitucionalidade normalmente.
21) (ESAF/AFRF/TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA/2005) A atribuição do
Senado Federal de suspender a execução, no todo ou em parte, de
lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo
Tribunal Federal é vinculada.
Declarada inconstitucional a lei no âmbito do controle incidental, pode o
Senado estender seus efeitos a todos, dando a essa decisão eficácia
geral (erga omnes). Ou seja, essa é uma atuação discricionária do
Senado Federal, e não vinculada.
Item errado.

Passemos a enfocar o controle abstrato, exercido por meio de ADI, ADO,


ADC e ADPF. Como vimos, no controle abstrato a constitucionalidade da
lei é verificada em tese independentemente de um caso concreto.
O controle abstrato origina-se na Europa, na Constituição da Áustria de
1920. O importante é você entender que a finalidade do controle abstrato
não é a solução de uma lide, a resolução de um conflito.
Esse controle tem a nobre missão de defender o ordenamento jurídico.
Ou seja, quando uma ADI é impetrada no STF, seu autor não alega lesão
a direito próprio, mas lesão ao ordenamento, à Constituição, tendo por
fim o interesse público.
Daí ser importante, você ter em mente que o controle abstrato tem
natureza de processo objetivo, em que não há partes, pois se cuida do
ordenamento jurídico e não de interesse próprio ou alheio.
Daí a diferença entre os efeitos no controle incidental e no controle
abstrato:
I) no controle incidental, a lei considerada inconstitucional deixa de ser
aplicada àquele caso em particular;
II) no controle abstrato, a lei considerada inconstitucional deixa de
existir, é considerada nula.

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3 - Ação Direta de Inconstitucionalidade


A ADI é ação típica do controle abstrato, de competência do Supremo
Tribunal Federal. A finalidade dessa ação é o reconhecimento da
invalidade de uma lei ou ato normativo.
Ou seja, ao perceber que determinada lei ou ato normativo está
desrespeitando a Constituição, o autor provoca o Supremo Tribunal
Federal. Confirmada a incompatibilidade da lei, a Suprema Corte
declarará sua nulidade, retirando-a do ordenamento jurídico.
E quem são as autoridades competentes para provocar esse controle de
constitucionalidade?
A lista dos legitimados à interposição de ADI está expressa no art. 103
da CF/88:
“Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação
declaratória de constitucionalidade:
I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV - a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do
Distrito Federal;
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal;
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.”
Já de início, chamo sua atenção para o seguinte: o Advogado-Geral da
União não dispõe de competência para a proposição de ADI. Muita
gente confunde isso...
Continuando nossa análise, você precisa lembrar que isso não significa
que qualquer legitimado possa propor ADI sobre qualquer norma. Com
efeito, a jurisprudência estabeleceu diferenciações: há os legitimados
universais e os legitimados especiais.
Os legitimados universais não sofrem restrição quanto à interposição de
ADI no Supremo. É dizer: podem propor a ação independentemente do
assunto sobre o qual trate a norma, desde que ela esteja entre os objetos
da ADI.
Em suma, se uma lei pode ser impugnada por ADI, ela pode ser proposta
pelos legitimados universais, independentemente do tema de que trate a
norma.
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Os legitimados universais são: o Presidente da República; as Mesa do
Senado e da Câmara; o Procurador-Geral da República; o Conselho
Federal da OAB; os partido político com representação no Congresso
Nacional; e as confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito
nacional.
Diversamente, os legitimados especiais devem cumprir o requisito da
pertinência temática, ou demonstração do interesse de agir. Ou seja,
para ser cabível a ação, a norma impugnada deve ter alguma relação de
pertinência com a função desempenhada pelo órgão ou entidade.
Nesse caso, pode ocorrer de ser cabível a ADI de determinada norma,
mas não estar o legitimado especial apto a propor essa ação, por não
apresentar a referida pertinência temática.
E quais são esses legitimados especiais? Os governadores, as
confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional
e as Mesas de Assembléia Legislativa (ou da Câmara Legislativa do
Distrito Federal).
Ou seja, esses legitimados especiais só podem impugnar em ADI uma
norma que esteja relacionada com a sua função. Assim, por exemplo, o
governador de Estado só poderá impugnar uma norma que afete os
interesses daquele estado-membro (mesmo que essa norma seja editada
por outro estado-membro).
Vale ressaltar que a ampliação da legitimação ativa em ADI foi uma
inovação da CF/88. Na Constituição anterior, a interposição dessa ação
era de competência única e exclusiva do Procurador Geral da República.
A seguir, três entendimentos jurisprudenciais relevantes sobre o assunto.
I) Os legitimados possuem capacidade processual plena e capacidade
postulatória no âmbito da ADI, podendo praticar quaisquer atos
privativos de advogado.
Essa regra não se aplica apenas: (i) aos partidos políticos e (ii) às
confederações sindicais ou entidades de classe de âmbito nacional.
II) Para fazer jus à legitimidade ativa em ADI, os partidos políticos
precisam demonstrar pelo menos um único representante em uma das
Casas Legislativas.
Ademais, esse requisito deve ser verificado no momento da propositura
da ADI. Significa dizer que a perda superveniente de representação não
prejudica a ação direta iniciada.
III) O STF firmou entendimento de que é cabível a instauração do
controle abstrato por iniciativa das “associações de associações” (trata-
se das associações que congregam exclusivamente pessoas jurídicas).
Quanto às ações de inconstitucionalidade no âmbito dos estados-
membros (tendo a Constituição Estadual como parâmetro), segundo o
§ 2º do art. 125 da CF, compete aos Estados a instituição de
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representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos
estaduais ou municípios em face da Constituição estadual, vedada a
atribuição da legitimação para agir a um único órgão.
Assim, os Estados-membros podem instituir a representação de
inconstitucionalidade. E não precisa ser respeitada simetria ao modelo
Federal no que tange à legitimidade ativa da ação.
Entretanto, a Constituição veda a atribuição de legitimação para agir a
um único órgão.
Vamos resolver algumas questões para vermos se você entendeu.
22) (ESAF/TFC/CGU/2008) Tem legitimidade para propor ação direta de
inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade,
exceto:
a) o Governador de Estado e do Distrito Federal.
b) o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.
c) os Prefeitos.
d) o Presidente da República.
e) partido político com representação no Congresso Nacional.
Revimos a lista dos legitimados à interposição de ADI, que está expressa
no art. 103 da CF/88.
Observa-se que prefeitos não têm legitimidade de proposição de ADI.
Por isso, a resposta é letra “c”.
Gabarito: “c”

3.1 - Objeto
Que tipos de norma podem ser impugnados por meio de ADI?
Bem, antes de responder a essa questão, vale comentar que o controle
abstrato ocorre não só em âmbito federal (perante o STF), mas também
em âmbito estadual (perante do TJ).
I) STF → controle abstrato em face da Constituição Federal
II) TJ → controle abstrato em face da Constituição Estadual
Assim, a ação direta de inconstitucionalidade ajuizada perante o
Supremo Tribunal Federal tem por objeto as leis ou atos normativos
federais e estaduais.
Em segundo plano, a ADI impetrada perante os tribunais de justiça tem
por objeto as leis estaduais e municipais.
Assim, as normas municipais (inclusive a Lei Orgânica do Município) não
podem ser impugnadas em sede de ADI perante o STF. O direito
municipal somente poderá ser declarado inconstitucional pelo Supremo

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em sede de controle difuso, quando determinada contenda é remetida ao
tribunal mediante recurso extraordinário, ou, por meio de argüição de
descumprimento de preceito fundamental – ADPF, nos casos previstos
em lei.
Bem, você já aprendeu que o DF acumula as competências estaduais e
municipais. Pois bem, sendo assim, será cabível ADI de leis ou atos
normativos distritais apenas no exercício da sua competência
estadual. Vamos a um exemplo.
Imagine que a Câmara Legislativa do DF aprove duas leis. A Lei “A”
modifica as regras relativas ao IPTU (imposto de competência municipal).
A Lei “B” trata de ICMS (imposto de competência estadual).
A pergunta é: qual delas poderia ser questionada perante o STF, em
sede de ADI? Apenas a Lei “B”, pois ICMS é tributo de competência
estadual. A Lei “A” trata de assunto de competência municipal (IPTU) e,
por isso, não pode ser objeto de ADI no Supremo.
Agora, para tirar nota dez com louvor: podemos dizer que não seria
possível então o controle abstrato da Lei “A”, por tratar de assunto de
competência municipal?
Não, não podemos. Em primeiro lugar, em sede de ADPF (que será
estudada logo à frente), poderão ser impugnadas as leis municipais ou
distritais no exercício da competência municipal. Ademais, frente à
LODF, poderá essa lei ser questionada no controle abstrato perante o
Tribunal de Justiça.
Em suma, só constituem objeto de ADI perante o STF leis e atos
normativos federais, estaduais ou distritais (neste último caso, desde
que editados no âmbito de sua competência legislativa estadual).
Entretanto, não são todas as leis e atos normativos federais e estaduais,
que poderão ser objeto de ADI perante o Supremo, conforme a
jurisprudência daquela Corte. Para que uma norma possa ser objeto de
ADI, deverá ela atender às seguintes exigências:
a) ter sido editada na vigência da CF/88;
b) ser dotada de abstração, generalidade e impessoalidade;
c) possuir natureza autônoma (não regulamentar); e
d) estar em vigor.
Assim, somente podem ser objeto de ADI normas que tenham sido
editadas sob a vigência da Constituição Federal de 1988, e que estejam
em vigor.
A impugnação, em abstrato, do direito anterior à atual Carta (direito pré-
constitucional) só ocorrerá em sede de argüição de descumprimento de
preceito fundamental – ADPF (em ADI não).

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O direito pré-constitucional pode ainda ter sua validade aferida frente à
Constituição de 1988 no âmbito do controle difuso, para o fim de
reconhecimento de sua recepção ou revogação, diante de casos
concretos.
Vale comentar ainda que só podem ser impugnados mediante ADI,
perante o Supremo, atos que possuam normatividade (generalidade e
abstração). Ou seja, aqueles que se aplicam a número indefinido de
pessoas e de casos (todos que se enquadrem na situação hipotética
abstratamente descrita no ato normativo).
Diante disso, os atos de efeitos concretos, desprovidos de
generalidade, impessoalidade e abstração, não se prestam ao controle
abstrato de normas. No entender da Suprema Corte, a Constituição
adotou como objetos desse processo somente os atos tipicamente
normativos, dotados de um mínimo de generalidade e abstração.
Interessante observar que essa restrição não se aplica aos atos de
efeitos concretos aprovados sob a forma de lei em sentido estrito (lei
formal), isto é, aos atos aprovados pelo Poder Legislativo e sancionados
pelo Chefe do Poder Executivo.
Nesse sentido, o Supremo reviu sua posição ao admitir Ação Direta de
Inconstitucionalidade tendo por objeto Lei de Diretrizes Orçamentárias,
uma vez que se trata de lei formal (ADIMC 4.048/DF, rel. Min. Gilmar
Mendes, 17.04.2008).
Assim, mesmo sendo desprovidas de generalidade e abstração (sendo
lei de efeitos concretos), as leis formais, como a Lei de Diretrizes
Orçamentárias, podem ser objeto de Ação Direta de
Inconstitucionalidade.
De se destacar que somente podem ser impugnados em ADI os atos
normativos que disponham de caráter autônomo, ou seja, desrespeitem
diretamente a Constituição (não sejam meramente regulamentares).
Assim, decretos do Presidente da República e do Governador de Estado
podem ser objeto de ADI, desde que sejam autônomos e não apenas
regulamentares.
Assim, é cabível ADI contra normas que ofendam diretamente à
Constituição. Mas não seria cabível essa mesma ação contra um decreto
que, editado para regulamentar uma lei, desrespeite essa norma (pois,
nesse caso, há ofensa à lei e não à Constituição).
Por fim, cabe comentar que não se discute em sede de ADI a validade de
normas revogadas, ainda que flagrantemente contrárias à Constituição. E
como o objetivo da ADI é justamente a retirada da norma inconstitucional
do ordenamento, a revogação da norma torna a ação sem objeto.
Desse modo, se a ADI for proposta após a revogação da lei, a ação não
será conhecida pelo STF (por ausência de objeto); se a revogação

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ocorrer após a propositura da ação, a ação perde seu objeto na data
em que a lei foi revogada.
De qualquer forma, vale destacar que, se a revogação da norma
ocorrer quando já em pauta a ADI (ou seja, já na pauta de julgamento
do STF), excepcionalmente não haverá prejuízo à ação direta, que será
julgada regularmente.
Objetivamente, podem ser objeto de ADI:
- emendas constitucionais (normas originárias da Constituição não);
- Constituições estaduais;
- tratados e convenções internacionais;
- normas primárias federais e estaduais (medidas provisórias, decretos
autônomos, decretos legislativos, regimentos internos de tribunais);
Podem ainda ser objeto de ADI resoluções e decisões administrativas
dos tribunais do Poder Judiciário; atos normativos de pessoa de direito
público (emanados de autarquias e fundações, por exemplo); pareceres
normativos do Poder Executivo.
Entretanto, não se admite ADI contra súmulas do Poder Judiciário, contra
sentenças normativas da Justiça do Trabalho e nem contra convenções e
acordos do trabalho.
Anote aí no seu caderno mais um aspecto relevante.
Segundo o STF, a ocorrência dos pressupostos de relevância e
urgência para a edição de medidas provisórias não está de todo imune
ao controle jurisdicional.
Assim, excepcionalmente, admite-se o controle de constitucionalidade
desses pressupostos, apenas em casos de abuso manifesto. Essa
restrição se deve ao caráter discricionário do juízo político que envolve
essa análise, confiado ao Poder Executivo, sob censura do Congresso
Nacional (ADI 525-MC, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 12-
6-91).

3.2 – Procedimentos
A lei estabelece quórum mínimo para a instalação da sessão de
julgamento (oito ministros) e um número mínimo de votos para que seja
proferida a decisão de mérito (seis ministros, que representam a maioria
absoluta).
Como vimos, o controle abstrato tem natureza objetiva.
Assim, uma vez proposta a ação direta, não poderá o autor dela
desistir. Afinal, no controle em abstrato, o legitimado pela Constituição
Federal não atua na defesa de interesse próprio, mas sim na defesa da

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Constituição. Portanto, não poderá dispor sobre a ação, desistindo
dela, inclusive quanto ao pedido de medida cautelar formulado.
Outro aspecto relevante diz respeito à alegação de impedimento ou
suspeição. Segundo o STF, não cabe arguição de suspeição de
Ministro nos processo de controle abstrato, dado o caráter objetivo da
ação.
Entretanto, é possível a alegação de impedimento de Ministro, nos
casos em que o Ministro do STF tenha atuado anteriormente no processo
na condição de Procurador-Geral da República, Advogado-Geral da
União, requerente ou requerido.
Vale comentar ainda que a propositura de ADI não se sujeita a prazo
prescricional ou decadencial e a qualquer tempo poderá ser ajuizada a
ação direta, pois a inconstitucionalidade não se convalida com o tempo.
Outro aspecto cobrado em concursos diz respeito à distinção entre
pedido e causa de pedir no âmbito do controle abstrato.
Guarde o seguinte bordão: em ação direta de inconstitucionalidade, o
Supremo Tribunal Federal vincula-se ao pedido, mas não à causa de
pedir, pois esta é aberta.
I) Vinculado ao pedido → isso significa que o Supremo está
condicionado à análise daqueles artigos que estão sendo impugnados
pelo autor. Ou seja, a atuação do STF restringe-se àqueles dispositivos
questionados pelo autor; não pode a Corte declarar a
inconstitucionalidade de outros artigos não impugnados na inicial.
II) Causa de pedir aberta → isso significa que o STF não se vincula à
causa de pedir, ao parâmetro. Nesse sentido, pode o Supremo declarar a
inconstitucionalidade de um artigo de uma lei, mas por motivo totalmente
diverso daquele manifestado pelo autor na inicial.
Em primeiro lugar, o autor (legitimado) fundamentará juridicamente a
alegação de inconstitucionalidade. Entretanto a análise do Supremo será
sobre a compatibilidade daquele dispositivo impugnado com toda a
Constituição, podendo até mesmo declará-lo inconstitucional, mas por
motivo diverso daquele alegado inicialmente.
Às vezes, cobra-se em concurso a natureza ambivalente da ação direta
de inconstitucionalidade. O que é isso?
É que ao analisar a ADI, a decisão do Supremo pela sua procedência
indica a invalidade da norma, uma vez que ela foi declarada em
desconformidade com a Constituição.
De outro lado, a decisão pela improcedência indica a validade da norma.
Ou seja, pelo fato de a causa de pedir ser aberta, ao analisar
determinada lei (ou um dispositivo em particular) o Supremo a estará
confrontando com todo o ordenamento constitucional. E se a ADI foi

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improcedente, isso quer dizer que não há ofensa a nenhuma norma ou
princípio constitucional, o que significa a constitucionalidade da norma.
Em suma,
I) se a ação direta é julgada procedente, estará sendo declarada a
inconstitucionalidade da norma impugnada;
II) se a ação direta é julgada improcedente, estará sendo declarada a
constitucionalidade da norma impugnada.
Daí a ideia de caráter dúplice ou ambivalente da ADI. Ela surte efeitos
num e noutro sentido (tanto na procedência, quanto na improcedência).
23) (ESAF/TRT/7ª REGIÃO/JUIZ SUBSTITUTO/2006) Na ação direta de
inconstitucionalidade, a atividade judicante do STF está
condicionada pelo pedido, mas não pela causa de pedir, que é tida
como “aberta”.
Em ação direta de inconstitucionalidade, o Supremo Tribunal Federal
vincula-se ao pedido, mas não à causa de pedir, pois esta é aberta.
Item certo.
24) (ESAF/TRT/7ª REGIÃO/JUIZ SUBSTITUTO/2006) O requerente
não pode desistir da ação direta de inconstitucionalidade que haja
proposto.
Trata-se do chamado “princípio da indisponibilidade”, ao qual se
submetem todas as ações do controle abstrato perante o STF.
Isso ocorre porque as ações do controle abstrato de constitucionalidade
têm natureza objetiva (não buscam tutela de interesses pessoais do
autor). O papel do autor é acionar o Supremo, para que este
desempenhe sua função de guardião da Constituição. Suscitada a
controvérsia na Corte Maior, perde o legitimado a disposição sobre
aquela ação.
Daí não se admitir a desistência no âmbito de ADI (nem de outras ações
do controle abstrato). Afinal de contas, esse interesse público protegido é
indisponível.
Aliás, não se admite nem mesmo o pedido de desistência de medida
cautelar em sede de ADI.
Item certo.

3.3 – Participação do PGR e do AGU


Tanto o Procurador-Geral da República quanto o Advogado-Geral da
União desempenham papéis fundamentais no controle de
constitucionalidade em sede de ADI.

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No caso do PGR, além de ser um dos legitimados universais para
propor ADI (e demais ações), ele deve ser previamente ouvido em todas
as ações do controle em abstrato perante o STF.
Nesse caso, sua manifestação deverá ser imparcial, podendo opinar
tanto pela constitucionalidade, como pela inconstitucionalidade da norma.
Seu parecer é opinativo, e não vincula os Ministros do STF. Poderá o
PGR opinar até mesmo nas ações diretas por ele propostas (inclusive
poderá propor ADI requerendo a declaração da inconstitucionalidade e,
no parecer, pronunciar-se pela improcedência da ação). Não poderá,
entretanto, desistir da ação direta por ele proposta (como já visto).
Já o Advogado-Geral da União deve ser citado para defender o ato ou
texto impugnado, conforme o art. 103, § 3º da CF/88, cabendo a ele
defendê-lo.
Aliás, a jurisprudência tradicional do STF era a de que não caberia ao
AGU opinar pela inconstitucionalidade da norma impugnada, sob pena
de desrespeito à sua missão constitucionalmente indicada (CF, art. 103,
§ 3º). Assim, por mais evidente que fosse a inconstitucionalidade da
norma, não era dado ao Advogado-Geral da União deixar de defender a
norma questionada.
Entretanto, recentemente, o STF alterou o seu entendimento sobre essa
matéria, passando a flexibilizar essa regra. Assim, segundo o STF, não é
necessariamente obrigatória a defesa da norma pelo AGU.
Com efeito, o STF decidiu que o AGU tem autonomia para agir,
podendo haver casos que justifiquem sua opção pela
inconstitucionalidade da lei, conforme sua livre convicção jurídica sobre a
matéria (ADI 3.916, rel. Min. Eros Grau, julgamento em 07/10/2009).
Por exemplo, quando a lei contrariar os interesses da União (que devem
ser defendidos pelo AGU) e quando inconstitucionalidade for
extremamente flagrante.
Já adiantando dois aspectos que serão vistos mais à frente.
Segundo o STF, o Advogado-Geral da União não atuará nos processos
de ação declaratória de constitucionalidade (ADC), afinal, nessa ação
não há norma impugnada (o autor requer a constitucionalidade da norma,
como veremos).
Quanto à participação do AGU na ADI por omissão, a tradicional
jurisprudência do STF era a de que a função do Advogado-Geral da
União como defensor da norma impugnada não ocorreria em ADI por
omissão (ADO). Entretanto, recentemente, foi editada a nova lei da ADO
(Lei nº 12.063/2009), que estabelece que o relator poderá solicitar
manifestação do AGU, a ser encaminhada no prazo de 15 dias.

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3.4 – Amicus curiae
Segundo o parágrafo 2° do art. 7° da Lei n.° 9.868/99, o relator,
considerando a relevância da matéria e a representatividade dos
postulantes, poderá admitir a manifestação de outros órgãos ou
entidades.
Esse é o chamado amicus curiae (amigo da corte), entidades ou órgãos
cuja manifestação possa contribuir com a qualidade da decisão do
Supremo sobre determinado assunto, notadamente quando se tratar de
tema técnico, complexo ou altamente controverso.
Observe que, a rigor, não é caso de intervenção de terceiros. Aliás, o
próprio art. 7° da Lei n.° 9.868/99 não admite intervenção de terceiros
no processo de ação direta de inconstitucionalidade (a intervenção de
terceiros é figura existente no direito processual civil, mas que visa a
assegurar o direito de terceiros interessados na causa ingressarem na
lide).
Interessante observar que não há direito subjetivo de associações e
entidades interessadas em participar como amicus curiae de
determinado processo. Essa decisão compete ao relator do processo
levando em conta a representatividade da entidade e a relevância da
matéria.
Segundo o Supremo Tribunal Federal, a admissão da figura do amicus
curiae não lhe assegura o direito de interpor recursos no âmbito do
processo. Afinal, ele não é parte.
Cabe registrar que o STF já admitiu sustentação oral por parte do
amicus curiae; ou seja, admite-se que sua participação ocorra na fase de
julgamento e não necessariamente por escrito.
Ademais, hoje se admite a participação de amicus curiae no exame da
repercussão geral, no âmbito do recurso extraordinário, bem como no
procedimento de aprovação de súmula vinculante pelo Supremo
Tribunal Federal (por expressa disposição legal).

3.5 – Efeitos da Decisão


Podemos considerar que as decisões de mérito em ADI serão dotadas
dos seguintes efeitos:
I) eficácia contra todos ou erga omnes (na medida em que alcança a
todos, não apenas as partes de um determinado processo);
II) efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário
e à Administração Pública direta e indireta, nas esferas federal,
estadual, distrital e municipal (pois nenhum outro órgão do Poder
Judiciário ou da Administração Pública poderá desrespeitar a decisão);

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III) efeitos retroativos ou ex tunc (uma vez que alcança a lei desde a
sua edição);
IV) efeitos repristinatórios (pois retoma a validade da legislação
anteriormente revogada).
Quanto ao efeito vinculante, se o STF declarou a inconstitucionalidade,
não poderão os demais órgãos do Poder Judiciário ou a
Administração Pública dar aplicação à lei. Se a manifestação foi pela
constitucionalidade, eles não poderão negar aplicação à lei.
Observe que o efeito vinculante dessas decisões do STF não alcança: o
próprio STF, nem o Poder Legislativo, no tocante à função legislativa.
Ou seja, em tese, o próprio STF poderá posteriormente rever o seu
entendimento sobre a respectiva matéria. Ademais, a declaração da
inconstitucionalidade de uma lei pelo STF nas ações do controle abstrato
não impede que o Poder Legislativo edite posteriormente nova norma de
igual conteúdo.
E se não for respeitado esse efeito vinculante? Bem, caso haja
desrespeito à decisão proferida em sede de ADI, o prejudicado poderá
valer-se do instrumento processual denominado reclamação, proposta
diretamente perante o STF, para que este garanta a autoridade de sua
decisão, determinando a anulação do ato da administração ou a
cassação da decisão judicial reclamada.
Quanto ao uso da reclamação, vale destacar que razões de segurança
jurídica impedem a utilização da ação reclamatória para desconstituir
decisão que transitou em julgado:
“Não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato
judicial que se alega tenha desrespeitado decisão do Supremo Tribunal
Federal. (Súmula 734)”
No que se refere à retroatividade da decisão, já vimos que a Lei nº
9.868/1999 possibilitou a modulação dos efeitos temporais da decisão
de inconstitucionalidade. Nesse sentido, presentes os pressupostos
exigidos pela lei (razões de segurança jurídica ou de excepcional
interesse público), poderá o STF por dois terços de seus membros
conferir à decisão efeitos ex nunc (não retroativos) ou mesmo fixar outro
momento para o início da eficácia da sua decisão.
Vimos, inclusive, a possibilidade dessa modulação dos efeitos no âmbito
do controle incidental.
Por outro lado, na análise do direito pré-constitucional frente à
Constituição vigente, não se admite a modulação temporal dos efeitos.
Nesse caso, a revogação da lei antiga pela nova Constituição não poderá
ter seus efeitos diferidos após pronunciamento definitivo do STF.
Por fim, vale destacar o caráter de definitividade da decisão do
Supremo no âmbito do controle abstrato.

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Nesse sentido, a decisão é irrecorrível. Não cabe nem mesmo a
interposição de ação rescisória a fim de desconstituí-la (a decisão do
STF nesse caso transita em julgado). São admitidos, entretanto,
embargos de declaração a fim de suprir eventual omissão, obscuridade
ou contradição contida no acórdão.

3.6 – Medida Cautelar em ADI


Estabelece a CF/88, em seu art. 102, I, "p", que compete ao Supremo
Tribunal Federal processar e julgar o pedido de medida cautelar nas
ações diretas de inconstitucionalidade.
A medida cautelar (concedida mediante liminar) é aquela concedida
antes da apreciação do mérito do pedido principal e consiste no
provimento judicial imediato, visando garantir a utilidade da futura
decisão definitiva. Assim, aplica-se a situações em que o transcorrer do
tempo entre o pedido e a decisão definitiva poderá acarretar a ineficácia
da prestação jurisdicional.
Nesse caso, intenta-se sustar, desde logo e até o exame do mérito da
ação, a eficácia da norma impugnada. Comprovada a fumaça do bom
direito (fumus boni iuris) e a existência de perigo da demora (periculum in
mora) é cabível a medida cautelar que dê provimento imediato e
provisório ao pedido do autor, enquanto se aguarda o julgamento
definitivo.
Pois bem, a medida cautelar ou liminar será concedida mediante voto da
maioria absoluta dos ministros do Supremo, havendo necessidade da
presença de pelo menos oito ministros na seção.
Outros aspectos da cautelar:
I) a regra de concessão da cautelar por maioria absoluta não se aplica
nos casos de urgência e no período de recesso do STF, em que será
concedida monocraticamente (decisão sujeita à confirmação do
Plenário);
II) ao contrário da decisão de mérito, a medida cautelar terá, em regra,
efeitos ex nunc ou prospectivos (dali pra frente); mas caberá a
modulação dos efeitos temporais (outorgando-se a ela eficácia
retroativa), como na decisão de mérito;
III) a medida cautelar também é dotada de alcance geral (erga omnes) e
efeito vinculante.
É interessante observar que, concedida a medida cautelar, suspende-se
a eficácia da norma até o julgamento do mérito da ação direta, e esta
decisão vincula os demais órgãos do Poder Judiciário e a Administração
Pública direta e indireta.
Por outro lado, se for negada a medida cautelar, a norma permanece em
plena eficácia até o julgamento de mérito da ação direta, mas essa
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decisão não vincula os demais órgãos do Poder Judiciário e a
Administração Pública direta e indireta.
A medida cautelar tem efeitos repristinatórios e torna provisoriamente
aplicável a legislação anterior acaso existente que tenha sido revogada
pela norma impugnada, salvo manifestação em contrário do STF.
Dessa forma, a concessão da medida cautelar em ADIN tem efeito
repristinatório em relação ao direito anterior, que havia sido revogado
pela norma impugnada na ação direta. Com o afastamento da eficácia da
lei impugnada até o julgamento do mérito da ação direta, a lei original,
que havia sido revogada pela lei impugnada, torna-se automática e
provisoriamente aplicável nesse período, salvo manifestação em
contrário do Supremo.
Antes de passar à análise de outras ações do controle abstrato, vejamos
um esquema que apresente os principais aspectos da ADI. Logo a
seguir, vamos resolver algumas questões sobre esse assunto.
Sintetizando:

Vejamos mais algumas questões da Esaf sobre a ADI.

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25) (ESAF/AFRFB/2009) Para a propositura da Ação Direta de
Inconstitucionalidade, se faz necessário observar um dos requisitos
objetivos pertinente ao prazo prescricional.
Não há prazo prescricional para a impetração de ADI.
Item errado.
26) (ESAF/AFRFB/2009) Antes da concessão da liminar em sede de
Ação Direta de Inconstitucionalidade, é possível que seu autor peça
desistência da mesma.
Não se admite desistência em ADI, tendo em vista o caráter objetivo do
processo de ADI (em que o autor não defende interesse próprio).
Item errado.
27) (ESAF/AFRFB/2009) O Supremo Tribunal Federal, em sede de Ação
Direta de Inconstitucionalidade, exige pertinência temática, quando a
ação é proposta pelo Governador do Distrito Federal.
Os governadores estão entre os legitimados especiais, para os quais se
exige pertinência temática para que possam impetrar as ações do
controle abstrato. Trata-se dos indicados nos incisos IV, V e IX do art.
103 da Constituição Federal (Mesa de Assembléia Legislativa ou da
Câmara Legislativa do Distrito Federal; Governador de Estado ou do
Distrito Federal; confederação sindical ou entidade de classe de âmbito
nacional).
Item certo.
28) (ESAF/AFRFB/2009) Atos estatais de efeitos concretos se
submetem, em sede de controle concentrado, à jurisdição abstrata.
Essa alternativa está um pouco mal formulada. É certo que os atos de
efeito concreto não se submetem a controle de constitucionalidade por
meio de ADI. Entretanto, recentemente o Supremo reviu sua posição ao
admitir Ação Direta de Inconstitucionalidade tendo por objeto lei
orçamentária, por ser lei formal (ADIMC 4.048/DF, rel. Min. Gilmar
Mendes, 17.04.2008). Assim, continuaria sendo incabível ADI de atos de
efeitos concretos. O mesmo não se pode dizer das leis formais
aprovadas pelo Poder legislativo e sancionadas pelo chefe do Poder
Executivo.
Item errado.
29) (ESAF/AFRFB/2009) Proclamada a inconstitucionalidade do
dispositivo, pelo Supremo Tribunal Federal, julgar-se-á improcedente
a ação direta de inconstitucionalidade.
Ao se declarar a inconstitucionalidade de um ato normativo, declara-se
procedente a ADI.
Item errado.

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30) (ESAF/AFRFB/2009) As Súmulas, por apresentarem densidade
normativa, são submetidas à jurisdição constitucional concentrada.
Não se admite ADI, tendo por objetos súmulas de tribunais.
Item errado.
31) (CESPE/PROCURADOR/AGU/2010) Para o STF, o indeferimento
da medida cautelar na ADI não significa confirmação da
constitucionalidade da lei com efeito vinculante.
Exatamente! Show de bola essa assertiva.
Deixe-me tentar explicar essa situação de forma mais detalhada...
Imagine que um dos legitimados (CF, art. 103) tenha entrado com ADI no
STF a fim de declarar inconstitucional determinada norma. Se essa ação
inicial contiver pedido de medida cautelar, o STF avaliará o
preenchimento dos pressupostos para a sua concessão.
Negada a medida cautelar, isso não significa que o STF se posicionou
pela constitucionalidade da norma. Significa apenas que os pressupostos
da medida cautelar não foram preenchidos. Então a Suprema Corte
continuará analisando a ação regularmente, sem os efeitos da medida
cautelar, podendo vir a considerá-la constitucional ou inconstitucional
posteriormente.
Nesse sentido, podemos dizer que a medida cautelar, quando concedida,
tem efeito vinculante. Todavia, o mesmo não pode ser afirmado
quanto ao seu indeferimento, que não dispõe desse mesmo efeito.
Assim, os demais juízes poderão continuar a declarar a
inconstitucionalidade de tal norma nos seus processos.
Item certo.
32) (ESAF/PROCURADOR DO DISTRITO FEDERAL/2007) É
juridicamente legítimo que uma sentença em ação civil pública
movida pelo Ministério Público afirme a inconstitucionalidade de lei.
De acordo com a jurisprudência do Supremo, o uso de ação civil pública
para controle de constitucionalidade é admitido, desde que seja
incidentalmente, no âmbito de um processo judicial e com efeitos
restritos àquele caso concreto.
Ou seja, no âmbito da ação civil pública em que se discute a defesa do
patrimônio público, por exemplo, pode ser suscitada a questão sobre a
inconstitucionalidade de determinado ato, mas apenas como fundamento
do pedido principal.
Entretanto, não se admite que a ação civil pública funcione como
substituta da ADI, isto é tendo como pedido principal a declaração em
tese da inconstitucionalidade da lei e com efeitos erga omnes. Afinal de
contas, o controle abstrato frente à Constituição Federal é de
competência exclusiva do Supremo.

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Item certo.
33) (ESAF/PROCURADOR DA FAZENDA/PGFN/2007) A decisão de
mérito proferida em sede de controle concentrado é irrecorrível,
salvo a hipótese de embargos declaratórios, e não está sujeita à
desconstituição pela via da ação rescisória.
Devido ao caráter objetivo do controle de constitucionalidade em tese,
não cabe recurso contra a decisão proferida nessas ações, nem mesmo
a desconstituição pela via da ação rescisória (que é a ação própria para
desconstituição de decisões que transitam em julgado).
Ressalva-se, entretanto, a interposição de embargos de declaração,
que servem para suprir eventual omissão, obscuridade ou contradição
contida no acórdão.
Item certo.
34) (CESPE/PROCURADOR/TCE-ES/2009) Consoante jurisprudência
firmada no âmbito do STF, a declaração final de
inconstitucionalidade, quando proferida em sede de fiscalização
normativa abstrata, importa restauração das normas anteriormente
revogadas pelo diploma normativo objeto do juízo de
inconstitucionalidade, considerado o efeito repristinatório que lhe é
inerente.
Você entendeu a pergunta? Vamos exemplificar essa situação.
Inicialmente, estava vigente a Lei 1. Posteriormente, foi editada a Lei 2,
que revogava a Lei 1. Caso a Lei 2 seja posteriormente declarada
inconstitucional em sede de controle abstrato, isso significa que a Lei 2
deixa de existir. Por conseqüência não existe mais a lei que revogava a
Lei 1 e ela (Lei 1) retoma sua eficácia normalmente. A esse fenômeno, a
gente dá o nome de repristinação.
Bem, é aquela história: se a Lei 2 é nula, ela não pode ter tido eficácia, e
ela não pode ter produzido efeitos. Se ela não produziu efeitos não
revogou a Lei 1. Assim, a Lei 1 teria sido apenas “supostamente
revogada” e, portanto, retoma sua eficácia automaticamente.
Ou seja: a declaração da inconstitucionalidade de uma lei pelo STF
tem efeito repristinatório tácito em relação à legislação anterior, que
havia sido revogada por essa lei que agora é declarada inconstitucional.
Re-explicando...
Suponha que uma lei (Lei A) preveja multa para quem for flagrado
andando embriagado pela rua (ou seja, se você for pego após um chope,
deve pagar uma quantia para o Estado). Pois bem, suponha que amanhã
venha uma nova lei (Lei B) revogando a anterior (Lei A) e estabelecendo
a pena de reclusão para o mesmo comportamento (andar embriagado
pela rua). A partir de então, você poderá ser preso se flagrado andando
por aí após aquele chope de sexta-feira (afinal, está valendo a Lei B).

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Caso, posteriormente, essa nova lei (Lei B) seja declarada
inconstitucional em sede de controle abstrato, o que acontece? Você não
poderá mais ser preso, afinal aquela lei é nula (a Lei B é nula).
Entretanto, se for pego bêbado por aí, pagará aquela multa
anteriormente prevista na Lei A, afinal, a lei anterior (Lei A) retoma
automaticamente sua eficácia.
E como se denomina esse efeito? Repristinação da Lei A!
Item certo.

Por hoje é só.


Continuaremos este assunto na próxima aula (a última do nosso curso).
Fique com alguns exercícios.
Um abraço e bons estudos!
Fred Dias

4 – Exercícios de Fixação
35) (ESAF/EPPGG/MPOG/2005) Uma lei declarada inconstitucional pelo
STF em sede de ação direta de inconstitucionalidade, como regra
geral,
a) não pode ser reeditada pela Casa Legislativa que a votou, sob
pena de ofensa à autoridade da decisão da Suprema Corte.
b) é considerada inválida desde quando editada, e, portanto, desde
antes da decisão do STF.
c) somente deixa de produzir efeitos jurídicos a partir do trânsito em
julgado da decisão do STF.
d) somente é considerada excluída do ordenamento jurídico depois
de suspensa a sua vigência pelo Senado Federal.
e) somente deixa de ser considerada válida nas relações jurídicas
de que faça parte o autor da ação.
36) (ESAF/APO/MPOG/2005) As decisões definitivas de mérito,
proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações diretas de
inconstitucionalidade, por força de expressa determinação
constitucional, produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante,
apenas no âmbito da administração pública direta e indireta federal.
37) (CESPE/TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR/SUPORTE ÀS
ATIVIDADES NA ÁREA DE DIREITO/PS/MS/2008) A manutenção
da supremacia da CF é o objetivo das ações de fiscalização abstrata
de constitucionalidade das leis e deve nortear a interpretação
destas.

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38) (ESAF/APO/MPOG/2005) Para que o Supremo Tribunal Federal
admita recurso extraordinário, é preciso que o recorrente demonstre
a repercussão geral da questão constitucional discutida no caso
concreto; porém, a recusa, pelo Tribunal, da admissão do recurso
extraordinário só poderá ocorrer pela manifestação de dois terços de
seus membros.
39) (CESPE/AUDITOR INTERNO/AUGE/MG/2008) No controle
incidental, os juízes e tribunais só podem se manifestar sobre a
inconstitucionalidade de uma lei, deixando de aplicá-la a casos
concretos, se, antes, tiverem sido provocados por uma das partes.
40) (CESPE/AUDITOR INTERNO/AUGE/MG/2008) No Brasil, o controle
exercido pelo Poder Judiciário sobre a constitucionalidade das leis e
dos atos normativos, ocorre tanto pela via difusa quanto pela via
concentrada.
41) (CESPE/ADVOGADO DA UNIÃO/AGU/2008) É admissível o
controle de constitucionalidade de emenda constitucional antes
mesmo de ela ser votada, no caso de a proposta atentar contra
cláusula pétrea, sendo o referido controle feito por meio de mandado
de segurança, que deve ser impetrado exclusivamente por
parlamentar federal.
42) (ESAF/AFRF/2005) No caso de um partido político perder sua
representação no Congresso Nacional após ter proposto uma ação
direta de inconstitucionalidade, essa ação é considerada
prejudicada, por perda superveniente de legitimidade ativa para a
sua propositura.
43) (ESAF/ADVOGADO/IRB/2006) Segundo o novel entendimento do
Supremo Tribunal Federal, é possível a aplicação, no direito
brasileiro, do conceito de inconstitucionalidade de normas
constitucionais originárias, defendido na obra de Otto Bachof, uma
vez que a enumeração de cláusulas pétreas, no texto original da
Constituição, imporia uma hierarquia entre as normas constitucionais
originárias.
44) (ESAF/ENAP/2006) Nos termos da legislação que disciplina a
matéria, não há, na ação direta de inconstitucionalidade,
possibilidade de intervenção de terceiros ou de manifestação de
quaisquer outros órgãos ou entidades distintos daquele que propôs
a ação.
45) (CESPE/PROCURADOR/BACEN/2009) O ordenamento jurídico
nacional admite o controle concentrado ou difuso de
constitucionalidade de normas produzidas tanto pelo poder
constituinte originário, quanto pelo derivado.
46) (CESPE/PROCURADOR MUNICIPAL/PGM/NATAL/2008) No Brasil,
o controle de constitucionalidade é feito apenas de modo repressivo.

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47) (CESPE/ANALISTA DE GESTÃO CORPORATIVA:
ADVOGADO/HEMOBRÁS/2008) O controle de constitucionalidade
preventivo pode ser exercido pelas Comissões de Constituição e
Justiça da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, e pelo veto
do presidente da República.
48) (CESPE/PROCURADOR/AGU/2010) De acordo com entendimento
do STF, o controle jurisdicional prévio ou preventivo de
constitucionalidade sobre projeto de lei ainda em trâmite somente
pode ocorrer de modo incidental, na via de exceção ou defesa.
49) (CESPE/PROCURADOR/TCE-ES/2009) O STF admite o controle
preventivo de constitucionalidade sobre projeto de emenda
constitucional em trâmite perante o Poder Legislativo federal,
mediante o ajuizamento de ADI ao STF.
50) (CESPE/PROCURADOR/PGE-PE/2009) No controle de
constitucionalidade político, a atividade de controle é desempenhada
por um órgão integrante da estrutura do Poder Judiciário, no entanto
a fundamentação das decisões tem por conteúdo uma solução ao
caso concreto, mesmo sem uma fundamentação jurídica.
51) (ESAF/ENAP/2006) Não cabe nenhum recurso contra a decisão do
Supremo Tribunal Federal que declara a inconstitucionalidade de
uma norma em uma ação direta de inconstitucionalidade; tampouco
caberá ação rescisória.
52) (ESAF/ACE/TCU/2006) A legitimidade ativa do Governador do
Distrito Federal, para propor ação direta de inconstitucionalidade,
não sofre restrições quanto à pertinência temática, sendo esse
requisito exigido quando da verificação da legitimidade ativa da
entidade de classe de âmbito nacional.
53) (ESAF/TRT/7ª REGIÃO/JUIZ SUBSTITUTO/2006) Leis revogadas
antes da propositura da ação direta de inconstitucionalidade não são
objetos idôneos dessa demanda.
54) (ESAF/ESPECIALISTA/MPOG/2005) Os tribunais de justiça nos
Estados podem desempenhar o controle abstrato de leis estaduais e
municipais em face diretamente da Constituição Federal.
55) (ESAF/AFRE/MG/2005) Um juiz estadual, confrontado com uma
questão de inconstitucionalidade de lei estadual, deve suspender o
processo e submeter a questão ao Plenário ou ao órgão especial do
Tribunal de Justiça a que se vincula.
56) (ESAF/AFRE/MG/2005) O Congresso Nacional está expressamente
autorizado pela Constituição a declarar a inconstitucionalidade de
leis que ele próprio editou.
57) (CESPE/ANALISTA ADMINISTRATIVO/DPU/2010) O sistema
jurisdicional instituído com a Constituição Federal de 1891,

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influenciado pelo constitucionalismo norteamericano, acolheu o
critério de controle de constitucionalidade difuso, ou seja, por via de
exceção, que permanece até a Constituição vigente. No entanto,
nas constituições posteriores à de 1891, foram introduzidos novos
elementos e, aos poucos, o sistema se afastou do puro critério
difuso, com a adoção do método concentrado.
58) (CESPE/PROCURADOR/TCE-ES/2009) Não se exige, para fins de
ajuizamento e conhecimento da ADI, a prova da pertinência temática
por parte das Mesas do Senado Federal, da Câmara dos
Deputados, das assembléias legislativas dos estados ou da Câmara
Legislativa do DF.
59) (CESPE/PROCURADOR/TCE-ES/2009) O ajuizamento da ADI
sujeita-se à observância do prazo decadencial de dez anos.
60) (CESPE/OFICIAL DE JUSTIÇA/TJ/CE/2008) Como a causa de pedir
é aberta, o STF pode julgar ação direta de inconstitucionalidade por
outros fundamentos que não os alegados na petição inicial.
61) (CESPE/PROCURADOR/AGU/2010) No processo objetivo de
controle de constitucionalidade, o amicus curiae tem legitimidade
para interpor recurso nas mesmas hipóteses facultadas ao titular da
ação.

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GABARITOS OFICIAIS

35. B 41. C 48. C 55. E


36. E 42. E 49. E 56. E
37. C 43. E 50. E 57. C
38. C 44. E 51. E 58. E
39. E 45. E 52. E 59. E
40. C 46. E 53. C 60. C
47. C 54. E 61. E

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito Constitucional
Descomplicado, 2009.
HOLTHE, Leo Van. Direito Constitucional, 2010.
LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado, 2009.
MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO,
Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional, 2009.
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo,
2007.
MORAES, Alexandre. Direito Constitucional, 2010.
José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo, 2010.
http://www.stf.jus.br
http://www.mp.mg.gov.br
http://www.cespe.unb.br
http://www.esaf.fazenda.gov.br

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