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“Estamos vivendo um momento em que a sociedade brasileira aos poucos está

conhecendo os fundamentos da Agenda 21, compreendendo o nosso esforço em


favor da sustentabilidade socioambiental em âmbito nacional e local. Inclusão
social e qualidade ambiental constituem o elemento novo do ciclo de
desenvolvimento que o nosso governo está estimulando. É com esses princípios que
estaremos assegurando a participação social no debate e na proposição de políticas
e ações apropriadas em todas as áreas de governo. O compromisso do MMA tem
sido contribuir para que se realiza essa transição que propõe a Agenda 21.”
Marina Silva (ex- Ministra do Meio Ambiente)

Marcos referenciais do Desenvolvimento Sustentável

A Agenda 21 é um plano de ação para ser adotado global, nacional e localmente, por
organizações do sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas
em que a ação humana impacta o meio ambiente. Constitui-se na mais abrangente tentativa já
realizada de orientar para um novo padrão de desenvolvimento para o século XXI, cujo alicerce
é a sinergia da sustentabilidade ambiental, social e econômica, perpassando em todas as suas
ações propostas.

Contendo 40 capítulos, a Agenda 21 Global foi construída de forma consensuada, com a


contribuição de governos e instituições da sociedade civil de 179 países, em um processo que
durou dois anos e culminou com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), no Rio de Janeiro, em 1992, também conhecida por
Rio 92.

Além da Agenda 21, resultaram desse mesmo processo quatro outros acordos: a Declaração do
Rio, a Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas, a Convenção sobre a Diversidade
Biológica e a Convenção sobre Mudanças Climáticas.

O programa de implementação da Agenda 21 e os compromissos para com a carta de princípios


do Rio foram fortemente reafirmados durante a Cúpula de Joanesburgo, ou Rio + 10, em 2002.

A Agenda 21 traduz em ações o conceito de desenvolvimento sustentável

A comunidade internacional concebeu e aprovou a Agenda 21 durante á Rio 92, assumindo,


assim, compromissos com a mudança da matriz de desenvolvimento no século XXI. O termo
"Agenda" foi concebido no sentido de intenções, desígnio, desejo de mudanças para um modelo
de civilização em que predominasse o equilíbrio ambiental e a justiça social entre as nações.

Além do documento em si, a Agenda 21 é um processo de planejamento participativo que resulta


na análise da situação atual de um país, estado, município, região, setor e planeja o futuro de
forma sustentável. E esse processo deve envolver toda a sociedade na discussão dos principais
problemas e na formação de parcerias e compromissos para a sua solução a curto, médio e longo
prazos. A análise do cenário atual e o encaminhamento das propostas para o futuro devem ser
realizados dentro de uma abordagem integrada e sistêmica das dimensões econômica, social,
ambiental e político-institucional da localidade. Em outras palavras, o esforço de planejar o
futuro, com base nos princípios da Agenda 21, gera inserção social e oportunidades para que as
sociedades e os governos possam definir prioridades nas políticas públicas.

É importante destacar que a Rio 92 foi orientada para o desenvolvimento, e que a Agenda 21 é
uma Agenda de Desenvolvimento Sustentável, onde, evidentemente, o meio ambiente é uma
consideração de primeira ordem. O enfoque desse processo de planejamento apresentado com o
nome de Agenda 21 não é restrito às questões ligadas à preservação e conservação da natureza,
mas sim a uma proposta que rompe com o desenvolvimento dominante, onde predomina o
econômico, dando lugar à sustentabilidade ampliada, que une a Agenda ambiental e a Agenda
social, ao enunciar a indissociabilidade entre os fatores sociais e ambientais e a necessidade de
que a degradação do meio ambiente seja enfrentada juntamente com o problema mundial da
pobreza. Enfim, a Agenda 21 considera, dentre outras, questões estratégicas ligadas à geração de
emprego e renda; à diminuição das disparidades regionais e inter-pessoais de renda; às mudanças
nos padrões de produção e consumo; à construção de cidades sustentáveis e à adoção de novos
modelos e instrumentos de gestão.

Em termos das iniciativas, a Agenda 21 não deixa dúvida. Os Governos têm o compromisso e a
responsabilidade de deslanchar e facilitar o processo de implementação em todas as escalas.
Além dos Governos, a convocação da Agenda 21 visa mobilizar todos os segmentos da
sociedade, chamando-os de "atores relevantes" e "parceiros do desenvolvimento sustentável".

Essa concepção processual e gradativa da validação do conceito implica assumir que os


princípios e as premissas que devem orientar a implementação da Agenda 21 não constituem um
rol completo e acabado: torná-la realidade é antes de tudo um processo social no qual todos os
envolvidos vão pactuando paulatinamente novos consensos e montando uma Agenda possível
rumo ao futuro que se deseja sustentável.

AGENDA GLOBAL

É um plano de ação estratégico, que constitui a mais ousada e abrangente tentativa já feita de
promover, em escala planetária, novo padrão de desenvolvimento, conciliando métodos de
proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica.

Trata-se de decisão consensual extraída de documento de quarenta capítulos, para o qual


contribuíram governos e instituições da sociedade civil de 179 países, envolvidos, por dois anos,
em um processo preparatório que culminou com a realização da Conferência das Nações Unidas
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - CNUMAD, em 1992, no Rio de Janeiro, conhecida
por ECO-92.

Apesar de ser um ato internacional, sem caráter mandatório, a ampla adesão aos seus princípios
tem favorecido a inserção de novas posturas frente aos usos dos recursos naturais, a alteração de
padrões de consumo e a adoção de tecnologias mais brandas e limpas, e representa uma tomada
de posição ante a premente necessidade de assegurar a manutenção da qualidade do ambiente
natural e dos complexos ciclos da biosfera.

Além da Agenda 21, resultaram desse processo quatro outros acordos: Declaração do Rio sobre
Meio Ambiente e Desenvolvimento; Declaração de Princípios sobre o Uso das Florestas;
Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica; e Convenção das Nações Unidas
sobre Mudanças Climáticas.

A Agenda 21 Global indica as estratégias para que o desenvolvimento sustentável seja


alcançado. Nesse sentido, identifica atores e parceiros, metodologias para obtenção de consensos
e os mecanismos institucionais necessários para sua implementação e monitoramento.

A Agenda 21 Global está estruturada em quatro seções:

Dimensões sociais e econômicas - Seção onde são discutidas, entre outras, as políticas
internacionais que podem ajudar a viabilizar o desenvolvimento sustentável nos países em
desenvolvimento; as estratégias de combate à pobreza e à miséria; a necessidade de introduzir
mudanças nos padrões de produção e consumo; as interrelações entre sustentabilidade e
dinâmica demográfica; e as propostas para a melhoria da saúde pública e da qualidade de vida
dos assentamentos humanos;

Conservação e gestão dos recursos para o desenvolvimento - Diz respeito ao manejo dos
recursos naturais (incluindo solos, água, mares e energia) e de resíduos e substâncias tóxicas de
forma a assegurar o desenvolvimento sustentável;

Fortalecimento do papel dos principais grupos sociais - Aborda as ações necessárias para
promover a participação, nos processos decisórios, de alguns dos segmentos sociais mais
relevantes. São debatidas medidas destinadas a garantir a participação dos jovens, dos povos
indígenas, das ONGs, dos trabalhadores e sindicatos, dos representantes da comunidade
científica e tecnológica, dos agricultores e dos empresários (comércio e indústria);

Meios de implementação - Discorre sobre mecanismos financeiros e instrumentos jurídicos


nacionais e internacionais existentes e a serem criados, com vistas à implementação de
programas e projetos orientados para a sustentabilidade.

AGENDA 21 BRASILEIRA

A Agenda 21 Brasileira é um processo e instrumento de planejamento participativo para o


desenvolvimento sustentável e que tem como eixo central a sustentabilidade, compatibilizando a
conservação ambiental, a justiça social e o crescimento econômico. O documento é resultado de
uma vasta consulta à população brasileira, sendo construída a partir das diretrizes da Agenda 21
global. Trata-se, portanto, de um instrumento fundamental para a construção da democracia
participativa e da cidadania ativa no País.

A primeira fase foi a construção da Agenda 21 Brasileira. Esse processo que se deu de 1996 a
2002, foi coordenado pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda
21 Nacional - CPDS e teve o envolvimento de cerca de 40.000 pessoas de todo o Brasil. O
documento Agenda 21 Brasileira foi concluído em 2002.

A partir de 2003, a Agenda 21 Brasileira não somente entrou na fase de implementação assistida
pela CPDS, como também foi elevada à condição de Programa do Plano Plurianual, PPA 2004-
2007, pelo atual governo. Como programa, ela adquire mais força política e institucional,
passando a ser instrumento fundamental para a construção do Brasil Sustentável, estando
coadunada com as diretrizes da política ambiental do Governo, transversalidade,
desenvolvimento sustentável, fortalecimento do Sisnama e participação social e adotando
referenciais importantes como a Carta da Terra.

Portanto, a Agenda 21, que tem provado ser um guia eficiente para processos de união da
sociedade, compreensão dos conceitos de cidadania e de sua aplicação, é hoje um dos grandes
instrumentos de formação de políticas públicas no Brasil.

Implementação da Agenda 21 Brasileira (a partir de 2003)

A posse do Governo Luíz Inácio Lula da Silva coincidiu com o início da fase de implementação da Agenda 21
Brasileira. A importância da Agenda como instrumento propulsor da democracia, da participação e da ação coletiva
da sociedade foi reconhecida no Programa Lula, e suas diretrizes inseridas tanto no Plano de Governo quanto em
suas orientações estratégicas.

Um outro grande passo foi a utilização dos princípios e estratégias da Agenda 21 Brasileira como subsídios para a
Conferência Nacional de Meio Ambiente, Conferência das Cidades e Conferência da Saúde. Esta ampla inserção da
Agenda 21 remete à necessidade de se elaborar e implementar políticas públicas em cada município e em cada
região brasileira.

Para isso, um dos passos fundamentais do atual governo foi transformá-la em programa no Plano Plurianual do
Governo - PPA 2004/2007, o que lhe confere maior alcance, capilaridade e importância como política pública. O
Programa Agenda 21 é composto por três ações estratégicas que estão sendo realizadas com a sociedade civil:
implementar a Agenda 21 Brasileira; elaborar e implementar as Agendas 21 Locais e a formação continuada em
Agenda 21. A prioridade é orientar para a elaboração e implementação de Agendas 21 Locais com base nos
princípios da Agenda 21 Brasileira que, em consonância com a Agenda global, reconhece a importância do nível
local na concretização de políticas públicas sustentáveis. Atualmente, existem mais de 544 processos de Agenda 21
Locais em andamento no Brasil, quase três vezes o número levantado até 2002.

Em resumo, são estes os principais desafios do Programa Agenda 21:

• Implementar a Agenda 21 Brasileira. Passada a etapa da elaboração, a Agenda 21


Brasileira tem agora o desafio de fazer com que todas as suas diretrizes e ações
prioritárias sejam conhecidas, entendidas e transmitidas, entre outros, por meio da
atuação da Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e Agenda 21
Brasileira - CPDS; implementação do Sistema da Agenda 21; mecanismos de
implementação e monitoramento; integração das políticas públicas; promoção da inclusão
das propostas da Agenda 21 Brasileira nos Planos das Agendas 21 Locais.

• Orientar para a elaboração e implementação das Agendas 21 Locais. A Agenda 21 Local


é um dos principais instrumentos para se conduzir processos de mobilização, troca de
informações, geração de consensos em torno dos problemas e soluções locais e
estabelecimento de prioridades para a gestão de desde um estado, município, bacia
hidrográfica, unidade de conservação, até um bairro, uma escola. O processo deve ser
articulado com outros projetos, programas e atividades do governo e sociedade, sendo
consolidado, dentre outros, a partir do envolvimento dos agentes regionais e locais;
análise, identificação e promoção de instrumentos financeiros; difusão e intercâmbio de
experiências; definição de indicadores de desempenho.

• Implementar a formação continuada em Agenda 21. Promover a educação para a


sustentabilidade através da disseminação e intercâmbio de informações e experiências
por meio de cursos, seminários, workshops e de material didático. Esta ação é
fundamental para que os processos de Agendas 21 Locais ganhem um salto de qualidade,
através da formulação de bases técnicas e políticas para a sua formação; trabalho
conjunto com interlocutores locais; identificação das atividades, necessidades, custos,
estratégias de implementação; aplicação de metodologias apropriadas, respeitando o
estágio em que a Agenda 21 Local em questão está.

Agenda 21 Brasileira em ação

No âmbito do Programa Agenda 21, as principais atividades realizadas em 2003 e 2004 refletem
a abrangência e a capilaridade que a Agenda 21 está conquistando no Brasil. Estas atividades
estão sendo desenvolvidas de forma descentralizada, buscando o fortalecimento da sociedade e
do poder local e reforçando que a Agenda 21 só se realiza quando há participação das pessoas,
avançando, dessa forma, na construção de uma democracia participativa no Brasil. Destacamos
as seguintes atividades:

• Ampliação da CPDS: Criada no âmbito da Câmara de Políticas dos Recursos Naturais, do


Conselho de Governo, a nova constituição da CPDS se deu por meio de Decreto
Presidencial de 03 de fevereiro de 2004. Os novos membros que incluem 15 ministérios,
a ANAMMA e a ABEMA e 17 da sociedade civil tomaram posse no dia 1º. de junho de
2004. A primeira reunião da nova composição aconteceu no dia 1º de julho, e a segunda
em 15 de setembro de 2004.

• Realização do primeiro Encontro Nacional das Agendas 21 Locais, nos dias 07 e 08 de


novembro de 2003, em Belo Horizonte, com a participação de cerca de 2.000 pessoas de
todas as regiões brasileiras. O II Encontro das Agendas 21 Locais será realizado em
janeiro de 2005, durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre-RS.

• Programa de Formação em Agenda 21, voltado para a formação de cerca de 10.000


professores das escolas públicas do País que, através de cinco programas de TV,
discutiram a importância de se implementar a Agenda 21 nos municípios, nas
comunidades e na escola. Esse programa, veiculado pela TVE em outubro de 2003,
envolveu, além dos professores, autoridades governamentais e não governamentais, e
participantes dos Fóruns Locais da Agenda 21, da sociedade civil e de governos.

• Participação na consolidação da Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento


Sustentável e Apoio às Agendas 21 Locais. Esta frente, composta de 107 Deputados
Federais e 26 Senadores, tem como principal objetivo articular o Poder Legislativo
brasileiro, nos níveis federal, estadual e municipal, para permitir uma maior fluência na
discussão dos temas ambientais, disseminação de informações relacionadas a eles e
mecanismos de comunicação com a sociedade civil.

• Elaboração e monitoramento, em conjunto com o FNMA, do Edital 02/2003 - Construção


de Agendas 21 Locais, que incluiu a participação ativa no processo de capacitação de
gestores municipais e de ONGs, em todos os estados brasileiros, para a confecção de
projetos para o edital. Ao todo foram cerca de 920 pessoas capacitadas em 25 eventos.
No final do processo, em dezembro de 2003, foram aprovados, com financiamento, 64
projetos de todas as regiões brasileiras.

• Publicação da Série Cadernos de Debate Agenda 21 e Sustentabilidade com o objetivo de


contribuir para a discussão sobre os caminhos do desenvolvimento sustentável no País.
São seis os Cadernos publicados até o presente: Agenda 21 e a Sustentabilidade das
Cidades; Agenda 21: Um Novo Modelo de Civilização; Uma Nova Agenda para a
Amazônia; Mata Atlântica o Futuro é Agora; Agenda 21 e o Setor Mineral; Agenda 21, o
Semi-Árido e a Luta contra a Desertificação.

• Publicação de mil exemplares da segunda edição da Agenda 21 Brasileira: Ações


Prioritárias e Resultado da Consulta Nacional, contendo apresentação da Ministra Marina
Silva e a nova composição da CPDS.

Ainda, foram efetivadas parcerias e convênios com o Ministério da Educação, Ministério da


Saúde, Ministério das Cidades, Ministério da Cultura, Ministério do Desenvolvimento Agrário,
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério da Integração Nacional,
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Ministério de Minas e Energia; Fórum
Brasileiro das ONGs para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento; CONFEA/CREA, Caixa
Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco do Nordeste e prefeituras brasileiras.

Elaboração da Agenda 21 Brasileira (1997-2002)

Em metodologia de trabalho aprovada pela CPDS selecionou as áreas temáticas e determinou a


forma de consulta e construção do documento Agenda 21 Brasileira. A escolha dos temas
centrais foi feita de forma a abarcar a complexidade do país e suas regiões dentro do conceito da
sustentabilidade ampliada. Foram seis eixos temáticos que tomaram os nomes de Agricultura
Sustentável, Cidades Sustentáveis, Infra-estrutura e Integração Regional, Gestão dos
Recursos Naturais, Redução das Desigualdades Sociais e Ciência e Tecnologia para o
Desenvolvimento Sustentável.

Os eixos temáticos tiveram como princípio para sua definição não só a análise das
potencialidades, como é o caso da gestão dos nossos recursos naturais - um grande diferencial do
Brasil no panorama internacional - mas, também, fragilidades reconhecidas historicamente no
nosso processo de desenvolvimento, ou seja, as desigualdades sociais.

Outro critério perseguido pela CPDS para a definição dos seis temas, foi a necessidade de fugir
da temática setorial que exclui grupos e reforça corporações e, como conseqüência, leva a
soluções equivocadas.

Assim, apesar de não ser a única forma possível para encaminhar a construção da Agenda 21
Brasileira - pois poderiam ter sido pensados oito, dez eixos - a proposta feita pela CPDS permitiu
discutir de forma ampla a sustentabilidade do desenvolvimento do Brasil.

Sobre cada tema foi realizado um trabalho de consulta aos diferentes segmentos da sociedade.
Não sendo um documento de governo, esse processo de consulta foi capitaneado por entidades
da sociedade sob a coordenação do MMA, na condição de Secretaria Executiva da CPDS. Assim
sendo, o MMA contratou, por intermédio de edital de concorrência pública nacional, seis
consórcios que se encarregaram de organizar a discussão e elaboração de documentos de
referência sobre os temas definidos como centrais da Agenda 21. Por meio de workshops e
seminários abertos ao público procurou-se envolver todos os setores da sociedade que se
relacionam com os temas em questão. A consulta visava identificar, em cada tema, a opinião dos
diferentes atores sociais e os conceitos, os entraves e as propostas para a construção da
sustentabilidade.

Os resultados do trabalho das consultorias realizado dos anos de 1998 a 1999 foram
sistematizados e consolidados em seis publicações que tomaram os nomes dos eixos temáticos,
Agricultura Sustentável, Cidades Sustentáveis, Infra-estrutura e Integração Regional, Gestão dos
Recursos Naturais, Redução das Desigualdades Sociais e Ciência e Tecnologia para o
Desenvolvimento Sustentável.

Concluído o processo de consultas, a CPDS realizou uma análise crítica sobre o processo
desenvolvido, e entendeu que deveria ser ampliada a discussão em torno da Agenda 21; não só
para que alguns temas ausentes e relevantes fossem incluídos, como também para que segmentos
da sociedade, que não tiveram oportunidade de se manifestar, o fizessem. Para a Comissão, só
assim se obteria o resultado esperado de formulação de políticas pactuadas entre os diferentes
setores da sociedade brasileira.

Essa constatação levou a decisão de consolidar os trabalhos realizados até aquele momento,
numa publicação chamada "Agenda 21 Brasileira - Bases para Discussão". Esse documento foi
entregue ao Presidente da República em 8 de junho de 2000.

A ampliação da Consulta à Sociedade Brasileira

A continuidade do processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira se deu entre os anos de 2000


e 2001, por meio da realização de debates estaduais, consolidados em encontros regionais, com o
objetivo de construir uma Agenda de desenvolvimento sustentável para o país que, além do
recorte temático que provocou a consulta inicial, reflita a diversidade regional do País, afirmando
os compromissos assumidos entre os diferentes setores da sociedade com as estratégias definidas
na Agenda 21.

Como resultado dos debates estaduais foi produzido um documento na forma de relatório para
cada estado brasileiro, expressando a visão predominante no estado sobre as contribuições
apresentadas pelas diferentes entidades locais e sobre as diretrizes e ações constantes no
documento "Agenda 21 Brasileira - Bases para Discussão".

Em cada região do País, ao final dos debates estaduais, foi realizado um encontro regional, onde
foram analisados os relatórios dos estados, visando definir um documento que expresse os
resultados da região.

Todo esse processo de convocação da sociedade para o debate em torno da Agenda 21 contou
com a parceria dos governos estaduais, por meio das secretarias de meio ambiente, e das
instituições oficiais de crédito e de fomento ao desenvolvimento, a saber: Banco do Nordeste,
Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, Superintendência do Desenvolvimento da
Amazônia, Banco da Amazônia, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco Regional de
Desenvolvimento do Extremo Sul e Petrobrás.

Nos vinte e seis debates estaduais realizados foram apresentadas e discutidas 5.839 propostas,
endereçadas aos seis temas da agenda nacional. Agricultura Sustentável foi o tema que mais
recebeu propostas (32%), seguido por Gestão dos Recursos Naturais (21%), Infra-Estrutura e
Integração Regional (14%), Redução das Desigualdades Sociais (12%), Ciência e Tecnologia
para o Desenvolvimento Sustentável (11%) e Cidades Sustentáveis (10%). Três mil e novecentos
representantes de instituições governamentais, civis e do setor produtivo participaram dos
debates estaduais realizados.

Os encontros regionais foram realizados no período de junho a outubro de 2001 e visavam obter
as tendências predominantes entre as propostas apresentadas nos estados de cada região. Desses
encontros resultaram cinco relatórios, para as cinco regiões brasileiras.

Resultados da consulta nacional

O processo de consulta nacional desencadeado pela CPDS passou por diferentes fases: consulta
temática em 1999, consulta aos estados da federação em 2000 e encontros regionais em 2001.
Nos documentos produzidos nessas fases constam os nomes de 6.000 representantes das mais
diferentes instituições. Nestes quatro anos, em torno de 40 mil pessoas se envolveram no
processo, contando que toda reunião foi precedida por encontros de sensibilização que cada uma
das secretarias estaduais de meio ambiente realizaram durante quatro meses pelo interior de seus
estados.

Conclusão do documento Agenda 21 Brasileira

A fase final desse trabalho em prol do desenvolvimento sustentável brasileiro foi realizada no
mês de maio de 2002 com a realização do seminário nacional que se constituiu em cinco
reuniões setoriais, a saber: executivo, legislativo, produtivo, academia e sociedade civil
organizada. Nessas reuniões a CPDS apresentou sua plataforma de ação, baseada nos subsídios
da consulta nacional e definiu com as lideranças de cada setor os meios e compromissos de
implementação.

O lançamento da Agenda 21 Brasileira*, em julho de 2002, finaliza a fase de elaboração e marca


o início do processo de implementação, um grande desafio para sociedade e governo.
*Dois documentos compõem a Agenda 21 Brasileira: "Agenda 21 Brasileira - Ações
Prioritárias", que estabelece os caminhos preferenciais da construção da sustentabilidade
brasileira, e "Agenda 21 Brasileira - Resultado da Consulta Nacional", produto das discussões
realizadas em todo o território nacional.

AGENDA 21 LOCAL

A Agenda 21 Local é um instrumento de planejamento de políticas públicas que envolve tanto a


sociedade civil e o governo em um processo amplo e participativo de consulta sobre os
problemas ambientais, sociais e econômicos locais e o debate sobre soluções para esses
problemas através da identificação e implementação de ações concretas que visem o
desenvolvimento sustentável local.

O capítulo 28 da Agenda 21 global estabelece que "cada autoridade em cada país implemente
uma Agenda 21 local tendo como base de ação a construção, operacionalização e manutenção da
infra-estrutura econômica, social e ambiental local, estabelecendo políticas ambientais locais e
prestando assistência na implementação de políticas ambientais nacionais". Ainda segundo a
Agenda 21, como muitos dos problemas e soluções apresentados neste documento têm suas
raízes nas atividades locais, a participação e cooperação das autoridades locais são fatores
determinantes para o alcance de seus objetivos.

Para o governo brasileiro, a construção da Agenda 21 Local vem ao encontro com a necessidade
de se construir instrumentos de gestão e planejamento para o desenvolvimento sustentável. O
processo de Agenda 21 Local pode começar tanto por iniciativa do poder público quanto da
sociedade civil. De fato, a Agenda 21 Local é processo e documento de referência para Planos
Diretores e orçamento municipais, entre outros, podendo também ser desenvolvida por
comunidades rurais, e em diferentes territorialidades, em bairros, áreas protegidas, bacias
hidrográficas. E, reforçando ações dos setores relevantes, a Agenda 21 na escola, na empresa,
nos biomas brasileiros é uma demanda crescente, cuja maioria das experiências existentes têm-se
mostrado muito bem sucedidas.

Principais Desafios

Os principais desafios da Agenda 21 Local consistem no planejamento voltado para a ação


compartilhada, na construção de propostas pactuadas, voltadas para a elaboração de uma visão
de futuro entre os diferentes atores envolvidos; condução de um processo contínuo e sustentável;
descentralização e controle social e incorporação de uma visão multidisciplinar em todas as
etapas do processo. Desta forma, governo e sociedade estão utilizando este poderoso instrumento
de planejamento estratégico participativo para a construção de cenários consensuados, em
regime de co-responsabilidade, que devem servir de subsídios à elaboração de políticas públicas
sustentáveis, orientadas para harmonizar desenvolvimento econômico, justiça social e equilíbrio
ambiental.

Processo de construção da Agenda 21 Local

O ponto de partida é a formação de um grupo de trabalho composto por representantes da


sociedade e governo (no caso de um município ou determinada territorialidade), podendo ter a
liderança de qualquer segmento da comunidade (governo, ONG, instituição de ensino, por
exemplo). As atribuições desse grupo devem envolver desde a mobilização e a difusão dos
conceitos e pressupostos da Agenda 21, até a elaboração de uma matriz para a consulta à
população sobre problemas enfrentados e possíveis soluções, incluindo o estabelecimento de
ações sustentáveis prioritárias a serem implementadas no processo de construção da Agenda 21
Local, envolvendo:

• O estabelecimento de uma metodologia de trabalho


• A reunião de informações sobre as questões chaves de desenvolvimento local
A identificação dos setores da sociedade que devem estar representados, em função das
particularidades locais
• Os papéis dos diferentes participantes do processo
• A identificação de meios de financiamento para a elaboração da Agenda 21 Local
• Negociações junto ao poder local sobre a institucionalização do processo de
construção e implementação da Agenda 21 Local

A criação de um Fórum permanente de desenvolvimento sustentável local - ou seja, que aborde


os aspectos ambientais, sociais e econômicos locais - com o real envolvimento dos diferentes
atores é etapa seguinte e meta fundamental para a sustentabilidade dos processos. Este Fórum, a
ser institucionalizado pelo Poder Executivo ou Legislativo, terá a missão de preparar,
acompanhar e avaliar um plano de desenvolvimento sustentável local de forma participativa. É
essencial que os participantes sejam escolhidos pelos membros de seu setor e que o represente
levando para o Fórum as questões nele consensuadas, trazendo de volta ao grupo os resultados e
encaminhamentos acordados junto aos demais parceiros.

O Fórum requer um regimento interno, que deve constar basicamente de:

• Missão, objetivos, atribuições


• Freqüência e coordenação das reuniões
• Forma de registro e responsáveis pela confecção e divulgação das minutas
• Como os objetivos serão alcançados
• Tempo de mandato e forma de substituição dos membros

A principal função do Fórum é definir os seus princípios estruturantes e uma visão de futuro
desejado pela comunidade, que represente, da melhor forma, os diferentes pontos de vista e
anseios dos seus participantes. Essa visão deve ser traduzida em ações a serem incluídas nos
processos de planejamento dos municípios e regiões envolvidos.

Para a definição dessas ações, caberá também ao Fórum a escolha de temas críticos, capazes de
catalisar a opinião pública e outros apoios, criando as condições para a formação do cenário de
futuro desejável. Como exemplo de eixos temáticos para que as ações da Agenda 21 local
possam se desenvolver temos: ações estratégicas para a proteção da atmosfera; ações estratégicas
para a proteção do solo, da água e da diversidade biológica; ações estratégicas para a pobreza,
saúde e igualdade social e assentamentos; acesso a serviços de informação; acesso a emprego;
conscientização da população; educação para a Agenda 21 e troca de informações.

De acordo com as características geográficas, econômicas, culturais e históricas de um


determinado local, este pode desenvolver a sua Agenda 21 local enfocando um ou mais eixos
temáticos.

Para garantir agilidade e eficácia às resoluções do Fórum, é necessário o estabelecimento de uma


estrutura, na forma de Secretaria Executiva, que deve contar com recursos humanos e financeiros
para suprir as necessidades de implementação do processo. Esta secretaria precisará de espaço
físico, seja nas instalações das prefeituras ou de uma instituição parceira.
Assim, para que os objetivos da Agenda 21 Local sejam atingidos, existe um amplo processo que
depende da sensibilização e do estágio de amadurecimento de cada comunidade na discussão dos
temas públicos de forma participativa. Assim, observando as diferentes experiências de Agenda
21 no Brasil podemos identificar diferentes estágios, qual seja: o da sensibilização, capacitação e
institucionalização dos processos de agenda 21. O da elaboração, ou seja, definição de temas,
elaboração de diagnósticos, formulação de propostas e definição de meios de implementação e o
estágio da implantação propriamente dito.

O papel de cada um

Alcançar as mudanças necessárias para o sucesso da Agenda 21 Local demanda a ação dos
grupos e indivíduos: lares, organizações comunitárias, movimentos sociais, ONGs, produtores e
empresas de pequeno a médio portes, governos e organizações governamentais locais e
regionais, instituições de pesquisa e ensino.

Cada membro, cada setor tem o seu papel. Para exemplificar, no plano governamental existe um
papel específico para cada uma das esferas de governo na definição de políticas publicas. O
plano federal define as políticas gerais e estruturantes do País elaborando diretrizes e princípios.
Aos estados e municípios cabe, em seu espaço territorial, exercício semelhante de formulação de
políticas públicas, em atendimento ao principio federativo.

A sociedade civil tem papel fundamental no monitoramento da Agenda 21 Local, mantendo uma
atuação ativa e crítica, mas isso só pode ocorrer se os governos exercerem as leis de forma
transparente, requerendo que as informações estejam disponíveis para análise. Ainda, a
sociedade civil pode se aproximar da comunidade de forma que esta seja mais efetiva na
cobrança pela implementação das ações identificadas pela Agenda Local e na realização de
campanhas de conscientização.

Contando com a participação ativa dos parceiros, a Agenda 21 Local tratará, assim, de assuntos
específicos de cada territorialidade abordando temas cujas decisões estão em sua esfera de
atuação. Desta forma, cria-se harmonia entre as competências e o apoio mútuo na formulação e
implementação de ações para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: http://www.mma.gov.br

http://www.ana.gov.br/