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o PAPEL DO EDUCADOR

COMO COMUNICADOR
EM POTENCIAL
Nós, educadores apaixonados pelo ensino e pela magnífica possibilidade que o
processo de aprendizagem tem, em transformar significativamente a vida de
crianças, jovens e adultos, necessariamente precisamos conhecer, difundir e
praticar, a parte externa da comunicação, ou seja, a Oratória, os Métodos e
Técnicas de Apresentação em Público.
Por Cláudio Marques

Oratória: A arte de falar em público


Segundo Reinaldo Polito (autor foi cobrar de Tísias as aulas de oratória contribuíram para a compreensão desta arte.
de vários livros de expressão verbal, ministradas, este se recusou a pagar, Para os sofistas, a retórica ensinada na Grécia
referência considerável na área de co- alegando que, se fora bem instruído pelo Antiga era a arte de argumentar, no sentido de
municação), "a arte da Oratória teve sua mestre, estava apto a convencê-Io de não debater contra ou a favor de qualquer opinião,
origem na Antiguidade, na Sicília, entre o cobrar, e, se este não ficasse convencido, era desde que vantajosa. Aristóteles, considerado o
IV e V séculos a.C., através do siracu- porque o discípulo ainda não estava mais importante filósofo da Antiguidade, foi
sano Corax (considerado um dos criado- devidamente preparado, fato que o deso- discípulo do filósofo Platão, que colocava o
res da retórica foi discípulo do filósofo brigava de qualquer pagamento. Não se sabe pensamento, ou a idéia, como base do
Empédoc1es. Definiu a oratória como se Corax conseguiu ou não receber. Foi em conhecimento. Dele, recebeu ensinamentos por
sendo a criadora de persuasão e inventou Atenas, entretanto, que a Oratória começou a cerca de vinte anos. Nascido em Estagira,
o argumento que recebeu seu nome, o ser mais desenvolvida". antiga colônia jônica da Calcidica de Trácia,
córax, que consiste em dizer que uma Os sofistas (na Grécia Antiga, aqueles que Aristóteles foi para Atenas com dezessete
coisa é inverossímil por ser verossímil tinham por profissão ensinar a sabedoria e a anos, a fim de completar seus estudos, no qual,

demais. Apesar de sua história ser pouco arte de falar em público) foram os primeiros a se destacou como político, moralista,

conhecida e seu único livro ter se perdi- dominar com facilidade esta arte, praticando metafísico, além de ter
leituras em público, fazendo comentários penetrado com profundidade nos estudos das
do, encontramos algumas citações suas
sobre os poetas, treinando improvisações e Ciências Naturais, da Psicologia e da história
em Cícero e Quintiliano) e seu discípulo
promovendo debates. Muitos filósofos e da Filosofia. Escreveu a "Arte da
Tísias. Existe um adágio popular sobre o
estudiosos
aprendizado de Tisias. Quando Corax

. 14 COLEÇÃO EDUCATlVA
COMUNICAÇÃO EDUCATIVA.

Retórica", obra composta de três livros, a mais preensão daquele que ouve. O terceiro contém conjunto de regras que regem a ORATÓRIA. Ainda foi definida
antiga que chegou aos nossos dias. O primeiro dezenove capítulos e é destinado à por Aristóteles como: "A faculdade de ver teoricamente o que,
volume contém quinze capítulos e é destinado compreensão da mensagem. O fato é que, em cada caso, pode ser capaz de gerar persuasão".
à compreensão daquele que fala. O segundo desde então, a Oratória passou a ser objeto de
contém vinte e seis capítulos e é destinado à estudos sistemáticos por meio da RETÓRICA,
com que se propõe a estudar o

Métodos de apresentação
De um modo geral, podemos classificar os métodos de apresentação de uma comunicação oral em quatro tipos: Leitura
~e Manuscrito; Falar de Memória; Falar de Improviso; e, Falar usando um Roteiro. Observe a tabela:

Leitura de Falar de ! Falar de Falar usando


.Manusc~ito. o.l\I\emória! Improviso um Roteiro
Manuscrito é o produto final de Este método, que requer uma Falar de improviso significa falar O roteiro é o método mais eficiente na arte de encantar pessoas com a
uma pesquisa. É o resultado paciente elaboração, apresenta sem se preparar de ma expressão verbal. Sua base é fundamentada na esquematização de
corrigido, lapidado, aperfeiçoado de sérios inconvenientes. O neira conveniente para expor um pensamentos concatenados dentro de uma seqüência lógica, podendo
um argumento que pressupõe estar orador corre o risco de perder a assunto. O comunicador não faz o ser produzido na forma de uma planilha, num cartão de notas, numa
preparado para ser editado ou espontaneidade e a flexibilidade de planejamento para discorrer sobre cartolina ou mesmo numa simples folha de papel. Se necessário, pode
apresentado por meio da fala. Sua se adaptar às reações da platéia, ele, deixando de estabelecer as ser memorizado, a partir da "idéia por idéia"; e, não da "palavra por
confecção é importantíssima, pois prejudicando, etapas com seus respectivos palavra".
tem sua base na assim, uma perfeita comunicação. detalhes (base argumentativa), os
pesquisa profunda acerca O próprio orador estaria criando assuntos chaves e uma seqüência
do assunto que o orador irá "bloqueios". lógica que facilite o entendimento
expor, porém, não deve ser lido Além disso, se ele esquecesse o dos ouvintes. No entanto, pode ser
diante do público, pois interfere conteúdo de sua mensagem, seria usado sem restrições, quando o
negativamente no ato da fácil imaginar a situação comunicador tem pleno
comunicação e evita umfeedback embaraçosa e os resultados conhecimento do assunto e domina
positivo, uma negativos. a técnica de elaboração do roteiro.
vez que o olhar para a platéia é um
fator determinante no processo de
conquista.
Temas da próxima edição .
Motivação: A Alma do Poder da Fala na Comunicação' Marketing Pessoal.

Nosso colaborador lançou seu primeiro livre!


Guaratinguetá (SP), cidade natal do autor, em 24 de julho passado, assistiu a festa de
lançamento de "O Poder da Fala na Comunicação". O livro que traz uma metodologia prática e
simples, ideal para educadores, universitários e profissionais que necessitam se expressar
com clareza, eloqüência, objetividade e persuasão, tem como base os três pilares da
comunicação. Sua leitura, além de facilitar a construção do Marketing Pessoal, ajuda
desenvolver com excelência e criatividade, a auto-estima, a formatação das idéias e dos
pensamentos, e a defesa de teses. Também destaca métodos e técnicas de apresentação enquanto
enfoca a utilização de recursos audiovisuais, a postura, as gesticulações, a dramatização e o
autoconhecimento, entre outros tópicos. Vale a pena conferir!
Mais informações: Wlvw'cedacsp.com ou pelos e-mails:cedacsp@terra.com.br/fortshoW@
hotmail.com

* Cláudio Marques - Educador. Diretor de Artes Cênicas com Especialização em Comunicação. Professor
universitário. Consultor de Coaching Pessoal e Empresarial. Produtor Artístico e Assessor de Imprensa de Artistas,
Grupos Musicais e Executivos, com mais de 10 anos de carreira. Autor do livro "O Poder da Fala na Comunicação",
publicado em julho de 2008 pela Editora Casa Cultura, São Paulo. Contato com o colunista pelo site: www.cedacsp.com
ou pelos e-mails:cedacsp@terra.com.br/MSN:fortshow@hotmail.com
"

15 COLEÇÃO EDUCATlVA .
.. MATÉRIA
MATÉRIA
DE
DE
CAPA CAPA

CARACTERíSTICAS E INCLUSÃO DOS


~ FILHOS do
CARACTERíSTICAS E INCLUSÃO DOS
De acordo com Maria Cecília de Moura(1), 11... o surdo não é mudo, não é
deficiente, não é alienado mental e também não é uma cópia mal feita do
ouvinte. Ele é surdo, humano, autor e ator de inúmeros personagens... "

Este texto organizado e elaborado por volveram uma forma de interagir, ele estava enquanto o surdo não sotfe essa restrição.
Lílian Vânia A. S. Olah* tem como objetivo contente em se acomodar às necessidades Prosseguindo Nelson Pimenta, ator brasi-
apresentar de forma simples, prática e básica a peculiares da amiga. Porém, em um certo dia, liense surdo, ainda ressalta que a surdez deve ser
cultura surda. Para iniciá-Io, Lílian utilizou Sam viu a mãe da menina se aproximar e reconhecida como apenas mais um aspecto das
um depoimento citado por Perlmutter (1986, mover os lábios e, como mágica, sua amiga infinitas possibilidades da diversidade humana,
apud Padden & Humphies, op.cit.), descrito pegou a casa de boneca e a moveu para outro pois ser surdo não é melhor ou pior do que ser
por Sam Supalla, um surdo que nasceu numa lugar. Ele ficou admirado. Foi para casa e ouvinte. O surdo é apenas diferente. Dessa
família surda, com muitos irmãos mais velhos perguntou à mãe sobre o tipo de problema da forma, se considerarmos que eles não são
surdos e que demorou a sentir a falta de amigos. vizinha. Sua mãe lhe explicou que a amiga, ouvintes com defeito, mas pessoas distintas, já
Sam narra que, quando seu interesse saiu do bem como a mãe dela, eram ouvintes e, por estaremos aptos a entender que, a diferença fisica
mundo familiar, notou, no apartamento ao lado isso, não sabiam sinais. Elas falavam e mo entre pessoas surdas e pessoas ouvintes gera uma
do seu, uma garotinha cuja idade era mais ou viam os lábios para se comunicarem com os visão não limitada, não determinística de uma
menos igual a sua. Após algumas tentativas, eles outros. Sam perguntou se, somente a amiga e a pessoa ou de outra, mas uma visão diferente de
se tomaram amigos. Ela era legal, mas "um tanto mãe dela eram assim e sua mãe lhe explicou que, mundo, um 'jeito ouvinte de ser' e um 'jeito surdo
esquisita". Sam não conseguia conversar com a família deles é que era incomum e não a da de ser', que nos permite falar em uma cultura de
ela como conversava com seus pais e irmãos amiga. Enfatizou também que outras pessoas visão e em outra de audição.
mais velhos, já que a menina tinha dificuldade eram como sua amiga e a mãe dela. Mas Sam Carlos Skliar, docente da Faculdade de
de entender gestos elementares. Depois de várias não possuía a sensação de perda. Imerso no Educação da Universidade Federal do Rio

'
tentativas ITuStradas de se comunicar, ele mundo de sua familia, para ele, eram os vizinhos Grande do Sul, pesquisador de "necessidades
começou a apontar para o que queria ou, que tínham uma desabílídade de comunicação. educacionais especiais" (surdez) e fundador do
simplesmente, arrastava a amiga para onde Certamente, esse depoimento nos leva Núcleo de Pesquisas e Estudos Surdos (NUPES)
desejava ir. Sam também imaginava como a crer que, quebrar o paradigma da deficiência é declara que, caracterizar a cultura surda como
deveria ser ruim para a amiga não conseguir se enxergar as restrições tanto de surdos quanto de muIticultural é o primeiro passo para admitir que
comunicar, mas, uma vez que desen ouvintes. Como? Observando que, enquanto um a comunidade surda partilha com a comunidade
surdo não conversa no escuro, o ouvinte não ouvinte, o mesmo espaço fisico e geográfico, a
conversa debaixo d'água; em local barulhento, o alimentação e o vestuário, entre outros hábitos e

~ "
ouvinte não consegue se comunicar a menos que costumes, mas que sustenta em seu ceme
#{
grite e, nesse caso, aspectos peculiares, além de tecnologias
. ....
o surdo se comunica sem problemas. Além particulares, desconhecidas ou ausentes do
disso, o ouvinte não consegue comer e falar ao mundo ouvinte cotidiano.
. --, ~. mesmo tempo, educadamente e sem engasgar,
("
... ~
~-~---------------------------------------------------------------------------------------------------------------8
Matheus, por meio dos sinais, diz à sua irmã Camila que quer jogar futebol, mas
ela explica que prefere brincar de boneca (ambos são surdos)

-
FILHOS do

De acordo com Maria Cecília de Moura(1), "... o surdo não é mudo, não é
deficiente, não é alienado mental e também não é uma cópia mal feita do
ouvinte. Ele é surdo, humano, autor e ator de inúmeros personagens... "

Este texto organizado e elaborado por volveram uma forma de interagir, ele estava enquanto o surdo não sofre essa restrição.
Lílian Vânia A. S. Olah* tem como objetivo contente em se acomodar às necessidades Prosseguindo Nelson Pimenta, ator brasi-
apresentar de forma simples, prática e básica a peculiares da amiga. Porém, em um certo dia, liense surdo, ainda ressalta que a surdez deve ser
cultura surda. Para iniciá-Io, Lílian utilizou Sam viu a mãe da menina se aproximar e reconhecida como apenas mais um aspecto das
um depoimento citado por Perlmutter (1986, mover os lábios e, como mágica, sua amiga infinitas possibilidades da diversidade humana,
apud Padden & Humphies, op.cit.), descrito pegou a casa de boneca e a moveu para outro pois ser surdo não é melhor ou pior do que ser
por Sam Supalla, um surdo que nasceu numa lugar. Ele ficou admirado. Foi para casa e ouvinte. O surdo é apenas diferente. Dessa
família surda, com muitos innãos mais velhos perguntou à mãe sobre o tipo de problema da forma, se considerarmos que eles não são
surdos e que demorou a sentir a falta de amigos. vizinha. Sua mãe lhe explicou que a amiga, ouvintes com defeito, mas pessoas distintas, já
Sam narra que, quando seu interesse saiu bem como a mãe dela, eram ouvintes e, por estaremos aptos a entender que, a diferença
do mundo familiar, notou, no apartamento ao isso, não sabiam sinais. Elas falavam e mo fisica entre pessoas surdas e pessoas ouvintes
lado do seu, uma garotinha cuja idade era mais viam os lábios para se comunicarem com os gera uma visão não limitada, não determinística
ou menos igual a sua. Após algumas tentativas, outros. Sam perguntou se, somente a amiga e a de uma pessoa ou de outra, mas uma visão
eles se tomaram amigos. Ela era legal, mas "um mãe dela eram assim e sua mãe lhe explicou diferente de mundo, um 'jeito ouvinte de ser' e
tanto esquisita". Sam não conseguia conversar que, a família deles é que era incomum e não a um 'jeito surdo de ser', que nos permite falar em
com ela como conversava com seus pais e da amiga. Enfatizou também que outras pessoas uma cultura de visão e em outra de audição.
innãos mais velhos, já que a menina tinha eram como sua amiga e a mãe dela. Mas Sam Carlos Skliar, docente da Faculdade de
dificuldade de entender gestos elementares. não possuía a sensação de perda. Imerso no Educação da Universidade Federal do Rio
Depois de várias tentativas ITuStradas de se mundo de sua familia, para ele, eram os Grande do Sul, pesquisador de "necessidades
comunicar, ele começou a apontar para o que vizinhos que tinham uma desabilidade de educacionais especiais" (surdez) e fundador do
queria ou, simplesmente, arrastava a amiga para comunicação. Núcleo de Pesquisas e Estudos Surdos (NUPES)
onde desejava ir. Sam também imaginava como Certamente, esse depoimento nos leva declara que, caracterizar a cultura surda como
deveria ser ruim para a amiga não conseguir se a crer que, quebrar o paradígma da deficiência é multicultural é o primeiro passo para admitir
comunicar, mas, uma vez que desen enxergar as restrições tanto de surdos quanto de que a comunidade surda partilha com a
ouvintes. Como? Observando que, enquanto um comunídade ouvinte, o mesmo espaço fisico e
surdo não conversa no escuro, o ouvinte não geográfico, a alimentação e o vestuário, entre
conversa debaixo d'água; em local barulhento, o outros hábitos e costumes, mas que sustenta em
('
ouvinte não consegue se comunicar a menos que seu ceme aspectos peculiares, além de
grite e, nesse caso, o surdo se comunica sem tecnologias particulares, desconhecidas ou
problemas. Além disso, o ouvinte não consegue ausentes do mundo ouvinte cotidiano.
comer e falar ao mesmo tempo, educadamente e
sem engasgar,

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..:J Matheus, por meio dos sinais, diz à sua irmã Camila que
querjogar futebol.
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~ mas ela explica que prefere brincar de boneca (ambos são surdos)
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-
MATÉRIA DE

APRENDA COMUNICAR-SE -
CORRETAMENTE COM O SURDO
A partir das citações e infonnações sobre a identidade dos surdos, seguem
algumas dicas e maneiras eficazes para nos comunicannos, inclu
sive com crianças, e compreendennos a cultura surda: -----------------------.
1) Fale de frente. claramente e pausadamente: A boa Demonstrando
articulação dos lábios pode facilitar a comunicação, mas lembre-se que, a autonomia, os irmãos
leitura labial é muito cansativa, requer habilidade e conhecimento do contexto começaram a brincar
da conversa, da pronúncia de outras pessoas, da iluminação e da distância; deforma independente,
além de inúmeras palavras com a mesma articulação (como mala, bala, tala como nos mostra
etc). Matheus por meio do
2) Não olhe para o outro lado ao conversar com o surdo: sinal que indica futebol
Durante uma conversa, embora o olhar fixo e prolongado do surdo possa
incomodar o ouvinte, o contato visual é muito importante, porque quando
falamos e não o olhamos, parece que a mensagem não está sendo dirigida a ele.
RECURSOS AMBIENTAIS
J) Não grite: Use o labial com tom de voz nonnal ou, de preferência, sem INDISPENSÁ VEIS PARA O
nenhum som. Como o surdo não pode perceber mudanças nos tons ou nas SURDO
emoções transmitidas pela voz, também é preciso ser expressivo para Como todo cidadão. o surdo tem o direito
demonstrar os sentimentos. Mas tome cuidado! Nonnalmente, os ouvintes à informação. Mas a ausência de legendas nos noticiários c em
utilizam detenninados gestos quando estão nervosos, que na língua de sinais
outros programas de TV impede o
(Libras - Língua Brasileira de Sinais), meio natural das comunidades surdas se
conhecimento dos fatos. Considerando que os avisos visuais
comunicarem, podem ser interpretados como desagradáveis, feios ou
são sempre muito Úteis para a independência dele. a
inadequados, mesmo quando são empregados para expressar outra coisa.
comunicação ficaria ainda melhor se
De acordo com essas infonnações, se você não consegue compreender o
que uma pessoa surda está falando, não tenha vergonha e nem perca a fosse utilizadas ilustrações. Na nllta delas. o surdo. inclusive a
paciência. Peça para ela repetir e, se for necessário, até para escrever. Entre os criança. terá maiores dificuldades para compreender e
menores que não sabem ler, sugira que desenhem. Lembre-se que, o mais assimilar as noções de sua soe iedade c até do prÓprio mundo.
importante é estabelecer uma comunicação e que grande parte dos surdos não é Outro recurso indispensável para o surdo é a iluminação.
infeliz por ser surdo, ou melhor, por não ouvir. Eles são bem receptivos, Devido à comunicação essencialmente
entretanto se sentem infelizes ou irritados quando passam por situações nas visual que eles estabelecem. a ausência de luz também
quais se sentem expostos e dependentes. Entre tais situações, se o surdo sente representa a ausência de comunicação. Na casa de um surdo.
que o ouvinte demonstra má vontade em ajudá-Io, ele fica numa posição por exemplo. a iluminação
humilhante. Portanto, se precisar falar com uma pessoa surda, chame sua pode ser usada de várias formas. Quando ele pode morar em
atenção. Toque em seu ombro ou braço (de preferência no ombro), evite apenas
um local bem equipado. o som da campainha fllZ acender um
a cabeça ou as costas. Perceba que, ao contrário do ouvinte que se sente
tipo ou uma cor de lâmpada. Nesse caso. se o surdo não está
embaraçado com o toque porque já está acostumado com o contato sonoro, o
ao aleance
surdo não vê nenhum problema nisso, mesmo quando o ato ocorre pela
da sinalização luminosa. é possível que não abra a porta.
primeira vez.
Note também que, nonnalmente, os ouvintes que desconhecem a cultura mesmo estando em casa. Por isso. não
surda, não entendem o desista. Aperte várias vezes à campainha. O mes
sentido dos acenos nem mo processo pode ser aplicado se na casa dele háum bebê.
reagem a eles. Se a criança chora no berço. um sensor faz com que uma
Mas como o surdo lümpada - de cor diferente da
tem uma excelente campainha - acenda. identificando que ela preci
percepção visual e, sa de algo. Por esses exemplos. é Ilíeilnotar que
geralmente, percebe em sala de aula não pode ser diferente. Como o aluno
qualquer movimento ao
surdo tem sua atenção chamada por meio
seu redor, seria bem
da luminosidade. basicamente. evite atividades
interessante aproveitar
ou brincadeíras que possam durar muito tempo
essa característica para
em ambientes escuros. se quiser tirar o máximo proveito
fazer contato com ele.
da comunicação que ele pode estabe
Da esquerda para a direita, os três jovens indicam sinais
lecer com os demais colegas.
básicos, que correspondem a ver, a Libras (Linguagem
Brasileira de Sinais) e a surdo
7 COLEÇÃO EDUCATIVA ..:,
PERSONALIDADE E COMPORTAMENTO
De um modo geral, o surdo tende a quada para seu desenvolvimento afetivo, A mãe, que sabia Libras(2), pôde traduzir para os policiais
ser bem humorado, mas como qualquer social e intelectual, de fonna saudável e e explicar o contexto do fato. De fonna resumida, eles
ser humano, ele tem alterações de humor e satisfatória. simplesmente haviam copiado um comportamento sem
personalidade. Muitos gostam de piadas, Graças à essa situação, algumas vezes, entender o porquê. Este relato
principalmente, das que fazem referência à seu comportamento pode não condizer com também demonstra que, o conceito que o surdo tem de si
incompreensão da surdez pelo ouvinte. os padrões estabelecidos pela sociedade e, mesmo é o que as pessoas (familiares, amigos,
Eles também podem descrever situações sua percepção de mundo, se tornar professores, médicos, intérpretes, etc...) fazem dele. Se a
ou imitar pessoas com uma riqueza de equivocada. O relato da mãe de um surdo família
detalhes e expressões impressionantes, de que estava comemorando o aniversário de diz que ele é defeituoso e o rejeita, se a escola ressalta sua
maneira que se tornam excelentes atores 15 anos com seus amigos em casa, exem- deficiência, e, a medicina
enquanto simplesmente conversam. Mas plifica essa condição. Em detenninado afinna que o surdo é incompleto, certamente ele não vai se
quando estão participando de alguma momento, alguns convidados precisaram ir aceitar, porque os outros não o aceitam. Por isso, no geral,
atividade com um grupo de ouvintes e não embora e o garoto os acompanhou até o os surdos também são muito autênticos e expressam seus
há nenhum intérprete para auxiliá-Ios, a ponto do ônibus. Mas ao se aproximarem sentimentos com muita facilidade. Quando não trabalhados
tendência é copiar o comportamento dos do local, eles viram uma viatura de polícia devidamente, amam e odeiam muito facilmente; são
demais, mesmo sem entender o que está e saíram correndo. Os policiais percebendo extremistas; distorcem com facilidade os fatos e, na maioria
acontecendo, pelo medo de se sentir a atitude dos jovens ligaram a sirene e das vezes, apresentam o emocional seriamente afetado.
socialmente excluídos. Dessa fonna, se os partiram em perseguição. Como a casa
ouvintes riem, os surdos riem também. ficava próxima, os meninos entraram e se

-
), -..5
Conseqüentemente, devido à falta da
audição, ele tem dificuldades de receber
esconderam. Porém, os policiais chegaram
em seguida, tocaram a campainha e a mãe
infonnações no tempo e na fonna ade assustada perguntou o que estava
acontecendo. Eles relataram
o ocorrido e sugeriram para que
ela trouxesse os jovens para fora,
alegando que, caso contrário,
entrariam na casa.
A mãe pediu que esperassem um
minuto. Explicou que os
meninos eram surdos e foi
chamá-Ios para conversarem.
Quando os trouxe para fora,
perguntou porque eles haviam
corrido. Eles responderam que,
na televisão, todas as vezes que
as pessoas viam policiais, saíam
correndo, então, eles pensaram
que tinham que correr também.
.' .............,..........
i
"
. 8 COLEÇÃO EDU CATIVA .,t'\r. ~ ~'-.t..........~..........,
MATtRIA Dt

EM RELACÃO
A ESCRITA...
Ninguém melhor do que o próprio surdo para descrever o
grande desafio e esforço que se apresenta diante do ato de es
crever. Carlos Skliar em seu livro "A surdez: um olhar sobre as
~ii.
j

'~-,.............................ri

diferenças" (1998:57), relata um fato narrado por L. de 40 anos:


4
"É tão dificil escrever, para fazê-lo meu esforço tem de ser num
clima de despender energias, o suficiente, demasiadas, Escrevo
numa língua que não é a minha. Na escola fiz todo esforço para
entender o significado das palavras usando o dicionário. São
palavras soltas e elas continuam soltas. Quando se trata de pô-Ias
no papel, de escrever meus pensamentos, eles são marcados por
um silêncio profundo. Eu preciso decodificar o meu pensamento
visual com palavras em português que tem signos falados. Muito
há que é dificil ser traduzido, pode ser uma síntese aproximada.
Tudo parece um silêncio quando se trata da escrita em português,
uma tarefa dificil, dificílima. Esse silêncio é a mudança? Sim é.
Fazer frases em português não é mesmo que fazê-Ias em Libras.
Eu penso em Libras, na hora de escrever
em português eu não treinei o suficiente para juntar numa frase
todas as palavras soltas. Agora no momento de escrever, eu es-
crevo diferente. Quando eu leio o que escrevo, parece que não
tem uma coisa normal como a escrita ouvinte, falta uma coisa,
não sei o quê. Não sei o que escrevo são palavras minhas, elas
são exteriores, não fazem parte de meu contexto. Parece não
cair bem na frase, parece que a escrita do pensamento não dita o
que quero dizer. Vezes sem contas parecem dizer-me coisas sem
sentido".
"Este relato ainda nos deixa claro que o Português é a
segunda língua de aquisição para o surdo e que para adquiriIa,
ele precisa ter a sua língua materna (Libras) para que possa
desenvolver sua capacidade de expressão, sua identidade e
receber as informações da Língua Portuguesa, de forma que,
entenda seu significado e sentido. Nesse contexto, nós profes-
sores somos desafiados a conhecer melhor o surdo e sua cultura
para que desempenhemos o nosso papel de educadores com
relevância, quebrando paradigmas da comunicação entre esses
dois mundos", salienta Lilian,

m
1
I!I~..". . .!...u...!........,lU'''....!..!.!... . ~ ...................................................................................................................................................................................................

* Lilian Vânia de Abreu Silva Olah: Certificada pela Federação Nacional deEducação e Integração

__
_ dos Surdos (Feneis) e pela Prolibras (programa promovido peloMinistério da Educação que tem por

~
.

. ':::!!4 ': := J -<;. obj"'vo ";"bili,,, a ,.mfi"",,o da profidênda, da tmdnção o da do Ub"" . Lingu. B"",.
\~ ,' , leira(SP)
\
e na Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Além disso, ela trabalha há mais de 15 anos junto à
f r
de Sinais -, por meio de um exame nacional), é intérprete e docente de Libras no Senac
comunidade surda, se dedicando íntensamente a elaboração, implantação e acompanhamento de projetos
Consolação de desenvolvimento humano e organizacional nas áreas de educação e integração dos surdos, tanto na
sociedade quanto no mercado de trabalho.

9 COLEÇÃO EDUCATIVA
."
com outras pessoas, surdas ou ouvintes,

ALFABETIZAÇÃO caráter permanente, toda reflexão


sobre
esse ato ainda deveria levar em

DE SURDOS consideração os vários contextos


da prática social da escrita dos
Conheça o trabalho que Fábio Silva, surdo profundo, e Débora surdos, enquanto instrumento de
interação que, por sua
Rodrigues, ouvinte,~realizam para alfabetizar outros surdos
~
vez, se diferencia entre surdos, filhos
"J"
.

'?' ',,,, ..
j.. de pais surdos; surdos, filhos de pais
~

~ .., ouvintes; surdos freqüentadores de locais onde as


r~ e, nesse caso, para se fazer
entender, chega até a realizar
Libras são usadas e de onde o português é utilizado,
~ sempre lembrando que, eles usam a escrita, fundamen-
I empréstimos para se expressar, talmente, para interagir com colegas ouvintes; se
utilizando, por exemplo, desenhos. Mas comunicarem por telefone, fax e correio eletrônico;
basicamente, ela continuará buscando
Fábio ressalta que a criança também tem
todas as suas referências na linguagem , I deixarem bilhetes escritos para outros
que começar a entender que, precisa surdos; ou, para lerem anotações e
dos sinais. Posteriormente, quando já é ~I
bilhetes deixados por pais ouvintes. Esses
negociar os significados, porque não há
possível considerar que aquisição da exemplos ilustram a necessidade social de se
um sinal específico para cada palavra.
língua de sinais está concluída, a comunicar por meio da escrita, mas também indicam
Seguindo a mesma linha de raciocínio,
alfabetização em português pode se situações mais próximas da interação face a face, nas
ele salienta que a inclusão deveria buscar
concretizar, de acordo com um processo quais, há uma relação entre a língua dos sinais
subsídios no próprio surdo para se
sistemático de aprendizado de uma (espacial-visual) e a escrita propriamente dita dos
enriquecer, se fundamentar e melhorar a
segunda língua. ouvintes.
metodologia, considerando que o foco
Ressaltando novamente que, entre os Dentro desse contexto, Débora completa que as
não é só a construção de uma linguagem,
ouvintes, poucos entendem que a cultura línguas gramaticais (português, inglês, espanhol etc)
mas o ser humano propriamente
surda em si é bem mais importante que a são totalmente diferentes das línguas dos sinais:
dito, que precisa ser entendido e se fazer
construção da própria linguagem, Fábio "Somente com o uso de qualquer uma delas, a criança
Durante a entrevista. Ambos ensinam libras, Débora também é sem nenhuma linguagem, já que não dominam surda (ou o adulto) não
Débora se desdobrou: intérprete, mas os dois, trabalham a questão da a Língua Brasileira de Sinais (Libras) nem a consegue exprimir
além de atuar como alfabetização, a partir do universo dos próprios Língua Portuguesa. Para complicar ainda mais situações diretamente
intérprete no momento surdos. Conseqüentemente, de acordo com a essa situação, muitas vezes, os professores relacionadas com sua
em que Fábio emitia sua experiência de Fábio, que teve excepcional- desconsideram esse aspecto e ao propor um vivência, sua realidade
opinião. ela aindafez mente Débora como intérprete durante essa sistema de alfabetização, utilizam os mesmos ou suas experiências.
intervenções preciosas entrevista, a criança surda, primeiramente princípios do processo aplicado às crianças Essencialmente, ela
que tinham como objetivo necessita adquirir a linguagem de sinais e ouvintes. Mas como esse processo ocorre necessita explicitar suas
complementar o tema dominá-Ia, para depois, aprender por interação quando as crianças ouvintes já dominam a idéias, sentimentos e
abordado e obter o modelo lingüístico dos ouvintes, já língua, principalmente porque há uma relação pensamentos em sua
que para ela é extremamente dificil estabelecer intrínseca entre a alfabetização e a linguagem primeira língua, que é a
entender. Porém parauma relação grafema-fonema, considerando que oral, as crianças surdas dificilmente são dos sinais, para se
a criança se comu-a base oral não faz parte do seu mundo alfabetizadas e, quando o são com base nesse sentir como sujeito ver-
nicar na língua dose o português ainda é tido por ela como sua parâmetro, apenas evidenciam um aprendizado dadeiro que interage
sinais, ela precisa ser segunda língua. sem riqueza expressiva, que acarreta em uma com o mundo. Mas a
exposta a ambientes, Prosseguindo, ele também explica que, de compreensão limitada e na produção partir de sua língua de
nos quais, as Libras início, quando a criança ainda não conhece mecanizada sem relações significativas. Dessa instrução, ela consegue
são utilizadas e, em a linguagem dos sinais, seu viver é comple- forma é evidente que, antes da alfabetização, é adquirir aspectos
paralelo, ter sua tamente sem sentido e as informações sobre inerente que a criança surda adquira os sinais,
cognitivos e culturais
vontade despertada, o mundo que a cerca, raramente são assimi não só para se comunicar, mas sim, para con-
que possibilitam sua
ludicamente, para a ladas de forma adequada. Mas em função do seguir se estruturar como pessoa, saber quem é
inclusão e até sua
importância desse contexto social da atualidade, como a grande de fato e; a partir de então, organizar seus
alfabetização. Porém,
aprendizado, maioria (95%) das crianças surdas são filhas próprios pensamentos.
como ela aprende
ínclusive por meio de de pais ouvintes, elas ainda chegam à escola Quando já inserida no mundo dos sinais,
principalmente pelo
livros que induzem a comunicação e contexto se,
evidencia que, normalmente na escola,
mostram a cultura que a
. 28 COLEÇÃO EDUCATIVA durante o processo de alfabetização, ",
cerca. Se o objetivo é
como a função social da escrita tem um
alcançado, ela descobre a autonomia e
passa a buscar formas de se relacionar
EM de uma situação específica, não for realidade de acordo como o que via de forma natural e espontânea para, depois, pensar
DES orientada adequadamente, terá uma diariamente. Ao ser esclarecido, ele no processo de aprendizado
TAQ forte tendência de recriar a realidade. adquiriu a noção exata do que vinha da língua escrita, de preferência com
UE. Para ilustrar essa afirmação, tenho um acontecendo. A partir desse fato, todos a ajuda de um intérprete, porque esse recurso é
bom exemplo. Em 2005, época em que deveriam entender o quanto é funda- garantido pela lei nO 11.869, de 6 de setembro de
o Tsunami tomou conta da mldia e a mental que os temas pertinentes a 2001, que instituiu oficialmente a linguagem e
a
mesmas imagens eram repetidas nossa sociedade sejam compartilhados também determinou, em seu artigo 4°, inciso I, que
diariamente, teve um aluno que ficou com a Administração Pública Estadual direta, indireta e
p
apavorado. Apesar de saber Libras, por os surdos, em sinais, pois é dessa fundacional, mantenha em seus quadros funcionais
a
falta de orientação, ele acabou forma que eles se expressam e intérpretes da Língua Brasileira de Sinais, para pos-
r
acreditando que o fenômeno se repetia desenvolvem o processo de sibilitar às pessoas portadoras de surdez, a
t
constantemente. Além da ausência da aprendizado. Considerando essa compreensão. Pena que poucas pessoas saibam
i
família para lhe esclarecer o fato, não concepção, podemos afirmar que disso..."
r
havia legenda em Libras nas escola deveria garantir, em primeiro
informações televisivas e ele recriou a lugar, a aquisição da IIngua de sinais