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PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

SECRETARIA ESPECIAL DOS DIREITOS HUMANOS


MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME

Plano Nacional de Promoção, Defesa e Garantia do Direito de


Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária.

(Versão preliminar)

Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS

Apoio

Brasília / DF
maio de 2006
2

CRÉDITOS

Elaboração
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) e Conselho Nacional de
Assistência Social (CNAS), com base nos “Subsídios para elaboração do Plano Nacional de Promoção,
Defesa e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária”, elaborado
pela Comissão Intersetorial para Promoção, Defesa e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à
Convivência Familiar e Comunitária, criada pelo decreto presidencial de 19 de outubro de 2004.

Coordenação
Secretaria Especial dos Direitos Humanos – SEDH
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS

Apoio Técnico
Fundo das Nações Unidas para Infância – UNICEF
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA

Revisão jurídica do Plano


Marcel Esquivel Hoppe
Murilo José Digiácomo
Renato Roseno de Oliveira
Richard Pae Kim
Wanderlino Nogueira Neto

Sistematização Geral
Andréa Márcia Santiago Lohmeyer Fuchs
3

CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – CONANDA

REPRESENTANTES GOVERNAMENTAIS

 Casa Civil da Presidência da República


Titular: Ivanildo Tajra Franzosi
Suplente: Mariana Bandeira de Mello

 Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS


Titular: Osvaldo Russo Azevedo
Suplente: José Eduardo Andrade

 Ministério da Cultura – MinC


Titular: Ricardo Anair Barbosa de Lima
Suplente: Napoleão Alvarenga

 Ministério da Educação – MEC


Titular: Sandra Denise Pagel
Suplente: Roseana Pereira Mendes

 Ministério do Esporte – ME
Titular: Rafael de Aguilar Barbosa
Suplente: Luciana Homich de Cecco

 Ministério da Fazenda – MF
Titular: Rogério Baptista Teixeira Fernandes
Suplente: Sérgio Ricardo de Brito Gadelha

 Ministério da Previdência Social – MPS


Titular: Eduardo Basso
Suplente: Benedito Adalberto Brunca

 Ministério da Saúde – MS
Titular: Thereza DE Lamare Franco Netto
Suplente: Ana Cecília Sucupira

 Ministério das Relações Exteriores


Titular: Márcia Maria Adorno Cavalcanti Ramos
Suplente: Andréa Giovannetti

 Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MP


Titular: Luis Fernando de Lara Resende
Suplente: Luseni Maria Cordeiro de Aquino

 Ministério do Trabalho e Emprego – MTE


Titular: Leonardo Soares de Oliveira
Suplente: Deuzinea da Silva Lopes

 Ministério da Justiça – MJ
Titular: José Eduardo Elias Romão
Suplente: Júlia Galiza de Oliveira
4

 Secretaria Especial dos Direitos Humanos – SEDH


Titular: Amarildo Baesso
Suplente: Carmen Silveira de Oliveira

 Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR


Titular: Cristina de Fátima Guimarães
Suplente: Denise Antônia de Paula Pacheco

REPRESENTANTES NÃO-GOVERNAMENTAIS

TITULARES

 Pastoral da Criança
Representante: Irmã Beatriz Hobold

 Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB


Representante: Maria das Graças Fonseca Cruz

 Ordem dos Advogados do Brasil – OAB (Conselho Federal)


Representante: Marta Maria Tonin

 Inspetoria São João Bosco – Salesianos


Representante: Miriam Maria José dos Santos

 União Brasileira de Educação e Ensino – UBEE


Representante: Pedro Vilmar Ost

 Conselho Federal de Serviço Social – CFESS


Representante: Elizabete Borgianni

 Movimento Nacional dos Direitos Humanos – MNDH


Representante: Josiane Sanches de Oliveira Gamba

 Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais – ABONG


Representante: José Fernando da Silva

 Associação de Apoio a Criança e ao Adolescente – AMENCAR


Representante: Lodi Uptmoor Pauly

 Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente – ANCED


Representante: Renato Roseno de Oliveira

 Confederação Geral dos Trabalhadores – CGT


Representante: Antônio Pereira da Silva Filho

 Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança – ABRINQ


Representante: Helder Delena

 Fundação Fé e Alegria do Brasil


Representante: Cláudio Augusto Vieira da Silva
5

 Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua – MNMMR


Representante: Maria Júlia Rosa Chaves Deptulski

SUPLENTES

 Central Única dos Trabalhadores – CUT


Representante: Maria Izabel da Silva

 Associação Brasileira de Magistrados e Promotores da Justiça, da Infância e da Juventude –


ABMP
Representante: Simone Mariano da Rocha

 Sociedade Brasileira de Pediatria


Representante: Alda Elizabeth Boehler Iglesias Azevedo

 Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social – IBISS


Representante: Tiana Sento-Sé

 Aldeias Infantis SOS do Brasil


Representante: Luisa Teresa Dias Marinheiro

 Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e Adolescência - ABRAPIA


Representante: Vânia Izzo de Abreu

 Associação da Igreja Metodista


Representante: Fábio Teixeira Alves

 Federação Brasileira das Associações Cristãs de Moços


Representante: José Ricardo Calza Coporal

 Fundo Cristão para Crianças


Representante: José Luiz Esteves

 Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes – CECRIA


Representante: Karina Aparecida Figueiredo

 Conselho Federal de Psicologia – CFP


Representante: Maria Luiza Moura Oliveira

 Visão Mundial
Representante: Maria Carolina da Silva

 Federação Nacional das APEAE’s


Representante: Doracy Gomes Nonato

 Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Brasil


Representante: Ferial Sami
6

CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CNAS

REPRESENTANTES GOVERNAMENTAIS

 Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS


Titular: Márcia Maria Biondi Pinheiro
Suplente: Gisele de Cássia Tavares
Titular: Osvaldo Russo de Azevedo
Suplente: Simone Aparecida Albuquerque

 Ministério da Educação – MEC


Titular: Ricardo Manoel dos Santos Henriques
Suplente: Natália de Souza Duarte

 Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPO


Titular: Eugênio Guilherme Himmen
Suplente: Luciana de Barros Jaccoud

 Ministério da Previdência Social – MPS


Titular: Elias Sampaio Freitas
Suplente: Marcelo da Silva Freitas

 Ministério da Saúde – MS
Titular: Regina Affonso de Carvalho
Suplente: Ângela Cristina Pistelli

 Ministério do Trabalho e Emprego – MTE e Ministério da Fazenda – MF


Titular: José Adelar Cuty da Silva (MTE)
Suplente: Hébrida Verardo Fam (MF)

 Representação dos Estados


Titular: Lygia Maria de Almeida Leite
Suplente: Cezar João Cim

 Representação dos Municípios


Titular: Margarete Cutrim Vieira
Suplente: Marcelo Garcia

REPRESENTANTES NÃO-GOVERNAMENTAIS

 Entidades ou Organizações de Assistência Social


1º Titular: Antônio Celso Pasquini – União Social Camiliana
1º Suplente Misael Lima Barreto – Instituição Adventista Central Brasileira de Educação e Assistência
Social
2º Titular: Pacoal Marracini – Associação Brasileira das Instituições Filantrópicas de Combate ao Câncer
7

2º Suplente: Rosângela Dias de Oliveira da Paz – Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em


Políticas Sociais – POLIS
3º Titular: Dalila Maria Pedrini – Cáritas Brasileira
3ª Suplente: Silvio Iung – Instituição Sinodal de Assistência, Educação e Cultura

 Representantes de Usuários ou Organizações de Usuários


1º Titular: Carlos Ajur Cardoso Costa – Federação Brasileira de Entidades para Cegos – FEBEC
1º Suplente: Maria de Fátima Rodrigues Carvalho – Organização Nacional de Entidades de Deficientes
Físicos – ONEDEF
2º Titular: Euclides da Silva Machado – Obra Social Santa Isabel
2º Suplente: Ademar de Oliveira Marques – Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua –
MNMMR
3º Titular: Vânia Lúcia Ferreira Leite – Pastoral da Criança
3º Suplente: Marcos Antônio Gonçalves – Federação Brasileira de Inclusão Social, Reabilitação e Defesa
da Cidadania – FEBIEX

 Representantes dos Trabalhadores da Área de Assistência Social


1º Titular: Carlos Rogério C. Nunes – Central Única dos Trabalhadores – CUT
1º Suplente: Maria Aparecida Medrado – Associação Nacional dos Sindicatos da Social Democrata
2º Titular: Antônio Gilberto da Silva – Confederação Nacional dos Trabalhadores da Seguridade Social –
CNTSS
2º Suplente: José Manoel Pires Alves – Associação de Educação Católica do Brasil
3º Titular: João Paulo Ribeiro – Federação dos Sindicatos de Trabalhadores das Universidades
Brasileiras – FASUBRA
3º Suplente: Antônio Ferreira Neves – Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das
Empresas de Assessoramento, Perícia, Informações e Pesquisas – FENACON
8

LISTA DE SIGLAS

AASPTJ/SP Associação dos Assistentes Sociais e Psicólogos do Tribunal de Justiça de São


Paulo
ABMP Associação Brasileira de Magistrados e Promotores de Justiça da Infância e da
Juventude
ABTH Associação Brasileira Terra dos Homens
ACAF Autoridade Central Administrativa Federal
ANADEP Associação Nacional dos Defensores Públicos
ANDI Agência de Notícias dos Direitos da Infância
ANGAAD Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção
BPC Benefício de Prestação Continuada
CadÚnico Cadastramento Único para Programas Sociais do Governo Federal
CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
CECIF Centro de Capacitação e Incentivo à Formação
CEDCA Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente
CEJA Comissão Estadual Judiciária de Adoção
CEJAI Comissão Estadual Judiciária de Adoção Internacional
CIESPI Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância
CMAS Conselho Municipal de Assistência Social
CMDCA Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente
CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
CNAS Conselho Nacional de Assistência Social
CONADE Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência
CONANDA Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente
CONGEMAS Colegiado Nacional de Gestores Municipais da Assistência Social
CORDE Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência
CRAS Centro de Referência da Assistência Social
CREAS Centro de Referência Especializado de Assistência Social
DATASUS Departamento de Informação e Informática do SUS
ECA Estatuto da Criança e do Adolescente
FCNCT Fórum Colegiado Nacional de Conselheiros Tutelares
FIA Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente
FMAS Fundo Municipal de Assistência Social
FNAS Fundo Nacional da Assistência Social
FONSEAS Fórum Nacional dos Secretários Estaduais de Assistência Social
FUNDEB Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica
GAA Grupo de Apoio à Adoção
GT Grupo de Trabalho
IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IES Instituição de Ensino Superior
IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
INFOSUAS Sistema de Informação do Sistema Único da Assistência Social
9

LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação


LOAS Lei Orgânica da Assistência Social
LOS Lei Orgânica da Saúde
MEC Ministério da Educação
MDS Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
MinC Ministério da Cultura
MP Ministério Público
MPO Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
MS Ministério da Saúde
MTE Ministério do Trabalho e Emprego
NOB Norma Operacional Básica
OAB Ordem dos Advogados do Brasil
ONU Organização das Nações Unidas
PAIF Programa de Atenção Integral à Família
PAIR Programa de Ações Integrada Referenciais
PEAS Pesquisa de Entidades de Assistência Social
PMRJ Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro
PNAS Política Nacional de Assistência Social
PPA Plano Plurianual
PR Presidência da República
ReDESAP Rede Nacional de Identificação e Localização de Crianças e Adolescentes
Desaparecidos
REDINFA Rede Brasileira de Informação sobre Infância, Adolescência e Família
REFORSUS Reforço a Reorganização do Sistema Único de Saúde
RENIPAC Rede Nacional de Instituições e Programas de Serviços de Ação Continuada
RIIN Rede Interamericana de Informação sobre Infância, Adolescência e Família
SAC Serviço de Ação Continuada
SAGI Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação
SEB Secretaria de Ensino Básico
SEDH Secretaria Especial de Direitos Humanos
SENARC Secretaria Nacional de Renda e Cidadania
SEPPIR Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
SEPM Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
SESU Secretaria de Ensino Superior
SIPIA Sistema de Informação Para Infância e Adolescência
SNAS Secretaria Nacional de Assistência Social
SNJ Secretaria Nacional de Justiça
SOF Secretaria de Orçamento Federal
SPDCA Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente
SPI Secretaria de Planejamento e Investimentos Estratégicos
SUAS Sistema Único da Assistência Social
SUS Sistema Único de Saúde
TJ Tribunal de Justiça
UFMG Universidade Federal de Minas Gerais
10

UnB Universidade de Brasília


USP Universidade Federal de São Paulo
UNICEF Fundo das Nações Unidas para a Infância
VIJ Vara da Infância e Juventude
11

SUMÁRIO

1. Antecedentes, 12

2. Marco Legal, 18

3. Marco Conceitual, 22

4. Marco Situacional, 26

5. Diretrizes, 38

6. Objetivos Gerais do Plano, 45

7. Resultados Programáticos, 46

8. Plano de Ação, 53

Eixo 1 – Análise de situação e sistemas de informação, 56


Eixo 2 – Atendimento, 61
Eixo 3 – Marcos regulatórios e normativos, 75
Eixo 4 – Mobilização, articulação e participação, 81

9. Indicadores de eficácia e monitoramento, 88

10. Glossário, 89

Anexos

1. Decreto de 19 de outubro de 2004.


2. Decreto de 24 de fevereiro de 2005.
3. Portaria Conjunta nº 01 de 12 de novembro de 2004 do Ministério do Desenvolvimento Social
e Combate à Fome (MDS) e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH)
12

1. ANTECEDENTES

A legislação brasileira vigente reconhece e preconiza a família,1 enquanto estrutura vital,


lugar essencial à humanização e à socialização da criança e do adolescente, espaço ideal e
privilegiado ao desenvolvimento integral dos indivíduos.
Contudo, a história social da criança, do adolescente e da família foi marcada pela
dificuldade da família em proteger e educar seus filhos. O discurso de uma “incapacidade” da
família foi assumido pelo Poder Público, que passou a desenvolver políticas paternalistas voltadas
para o controle e a contenção social, principalmente para a população mais pobre. Essa
desqualificação das famílias pobres, tratadas como incapazes, deu sustentação ideológica à prática
recorrente da suspensão provisória do poder familiar ou da destituição dos pais e de seus deveres
em relação aos filhos.
A engenharia construída com o sistema de proteção e assistência, sobretudo durante o
século passado, permitiu que qualquer criança ou adolescente, por sua condição de pobreza,
estivesse sujeita a se enquadrar no raio da ação da justiça e da assistência, que sob o argumento de
“prender para proteger” confinavam-nas em grandes instituições totais.
Essas representações negativas sobre as famílias cujos filhos formavam o público da
assistência social e demais políticas sociais tornaram-se parte estratégica das políticas de
atendimento, principalmente da infância e da juventude, até muito recentemente.
O aprofundamento das desigualdades sociais, com todas as suas conseqüências,
principalmente para as condições de vida das crianças e dos adolescentes, levou à revisão dos
paradigmas assistenciais cristalizados na sociedade. O olhar multidisciplinar e intersetorial
iluminou a complexidade e multiplicidade dos vínculos familiares. O coroamento destas mudanças
aconteceu com a promulgação da Constituição Federal, em 1988, do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), em 1990, da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), em 1993 e com a
ratificação da Convenção sobre os Direitos da Criança em 1990, provocando rupturas em relação
às concepções e práticas assistencialistas e institucionalizantes.

1
Com base no texto constitucional e infraconstitucional, define-se família como um grupo de pessoas, com laços de consangüinidade e/ou de aliança
e/ou de afinidade, cujos vínculos circunscrevem obrigações recíprocas, organizadas em torno de relações de geração e de gênero. A amplitude desta
definição derruba qualquer idéia preconcebida de modelo familiar “normal”. Trata-se, portanto, de saber se a família é capaz de realizar as funções
de proteção e de socialização das suas crianças e adolescentes em uma diversidade de arranjos familiares e culturais, mas já não mais de se perguntar
pela forma ou estrutura da família.
13

Trata-se da mudança do olhar e do fazer, não apenas das políticas públicas focalizadas na
infância e na juventude, mas extensivos aos demais atores sociais do chamado Sistema de Garantia
de Direitos, implicando a capacidade de ver essas crianças e adolescentes de maneira indissociável
do seu contexto sócio-familiar e comunitário.
Crianças e adolescentes têm o direito a uma família, cujos vínculos devem ser protegidos
pela sociedade e pelo Estado. Nas situações de risco e enfraquecimento desses vínculos familiares,
as estratégias de atendimento deverão esgotar as possibilidades de preservação de tais vínculos,
aliando o apoio sócio-econômico à elaboração de novas formas de interação, referências morais e
afetivas no grupo familiar.
No caso de ruptura desses vínculos, o Estado é o responsável pela proteção das crianças e
dos adolescentes, incluindo o desenvolvimento de programas e estratégias que possam levar a
constituição de novos vínculos familiares e comunitários, mas sempre tendo em vista a
possibilidade de resgate dos vínculos originais.
Diante do desafio de garantir efetivamente o direito à convivência familiar e comunitária de
crianças e adolescentes, o então Departamento da Criança e do Adolescente (DCA) do Ministério
de Justiça (MJ), a Secretaria de Estado de Assistência Social (SEAS) do Ministério da Previdência
e Assistência Social (MPAS) e o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) reuniram-se,
no primeiro semestre de 2002, com a finalidade de discutir os dados apresentados pela Caravana da
Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados2 sobre os programas de abrigo. A partir
dessa situação problema percebeu-se que para ampliar e qualificar o debate fazia-se necessário
integrar novos atores sociais no processo.
Assim, em agosto de 2002 foi realizado o “Colóquio Técnico sobre Rede Nacional de
Abrigos”, que contou com a participação de Secretarias Estaduais de Assistência Social, e
entidades não-governamentais dos diferentes estados brasileiros envolvidos com a temática.
Nesse evento foram identificadas ações a serem priorizadas, entre elas: a realização de um
censo nacional de crianças e adolescentes em abrigos e práticas institucionais e a elaboração de um
Plano de Ação para o reordenamento de abrigos. Para o encaminhamento das decisões deliberadas
no Colóquio, constituiu-se o “Comitê Nacional para Reordenamento de Abrigos”, com objetivo de
estimular mudanças nas políticas e práticas de atendimento, efetivando uma transição para o novo
paradigma legal, Estatuto da Criança e do Adolescente, a respeito do direito de crianças e
adolescentes á convivência familiar e comunitária. O Comitê foi composto pelos seguintes órgãos e
organizações: DCA, SEAS, FONSEAS, CNAS, CONANDA, Colegiado do Fórum Nacional de
2
A Caravana, realizada de setembro a dezembro de 2001, percorreu oito estados brasileiros com o objetivo de verificar a real situação dos programas
de abrigos para crianças e adolescentes. Os resultados da Caravana foram apresentados no Caderno Especial do jornal Correio Braziliense datado de
09/01/ 2002.
14

Conselheiros Tutelares, RENIPAC, UNICEF e Fundação ORSA. Este grupo realizou três
encontros3 ainda em 2002, e concluiu pela relevância do levantamento nacional de abrigos, porém,
dado a limitações de recursos e tempo, delimitando o universo da pesquisa para os programas de
abrigos que faziam parte da Rede de Serviço de Ação Continuada ( Rede SAC). 4 5No final de 2002
o CONANDA, e o DCA do Ministério de Justiça, aprovaram/alocaram recursos para financiar esta
pesquisa. Em 2003, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) iniciou a pesquisa.
No inicio de 2004, no seu Planejamento Estratégico para o exercício 2004-2005, o
CONANDA elegeu como uma de suas prioridades a promoção do direito à convivência familiar e
comunitária de crianças e adolescentes. Por parte do Poder Executivo, o Ministro Chefe da
Secretaria Especial dos Direitos Humanos e o Ministro de Estado de Desenvolvimento Social e
Combate à Fome se articularam e propuseram a convocação de outros Ministérios e atores numa
Comissão Intersetorial.
Nesse novo momento, de maior integração intersetorial, ampliou-se o escopo temático para
além da proposta inicial de reordenamento dos abrigos. A incorporação das questões sobre Família
e Adoção tornou necessário redimensionar o grupo de trabalho, criando-se a Comissão Intersetorial
que teria, agora, como finalidade superior, construir subsídios para a elaboração do “Plano
Nacional de Promoção, Defesa e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência
Familiar e Comunitária”. Esta Comissão Intersetorial foi nomeada por decreto presidencial de 19
de outubro de 2004 e composta por cinco Ministérios, cada um com obrigação de orçar recursos
para a nova política. Foram também convidadas representações dos três poderes e da sociedade
civil. A Comissão Intersetorial teve noventa dias para a elaboração do documento, tendo seu prazo
ampliado para abril de 2005.
A composição dessa Comissão, de acordo com o decreto, obedeceu à lógica da
intersetorialidade. Articulou atores institucionais dos três poderes da República, das três esferas de
poder, das diferentes políticas sociais básicas, da área de planejamento do Governo Federal, das
instâncias de participação e controle social que integram o Sistema de Garantia de Direitos, das
entidades de atendimento, bem como do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do

3
Os três encontros aconteceram em Brasília/DF nas seguintes datas: 1ª reunião – 24/09/2002; 2ª reunião – 22/10/2002 e 3ª reunião – 22/11/2002.
4
A decisão pela proposta de Levantamento da Rede de Abrigos com base na Rede SAC em detrimento de um Censo Nacional (proposta inicial e
mais completa) deu-se em razão de que a realização desse Censo Nacional seria uma tarefa praticamente impossível diante do quadro de ausência de
dados que possibilitassem a identificação de todas as instituições que executavam serviços dessa natureza, destacando-se: i) Muitos municípios não
possuíam Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente (órgãos responsáveis pelos registros das entidades e serviços de abrigos); ii) O
Cadastro existente na SEAS reduzia-se aos serviços de abrigos que recebiam subvenção do Fundo Nacional de Assistência Social, não se tendo
dimensionado a representação dessa rede diante do universo das organizações que executavam tal medida de proteção e iii) A realização de um
Censo implicaria na cobertura de toda a rede, necessitando para tanto de um banco de dados que identificasse a localização de cada um dos abrigos
ou instituições que operavam o abrigamento de crianças e adolescentes.
5
Ressalta-se que, com a aprovação da NOB/SUAS em julho de 2005 e das portarias nº 440 e nº 442 do MDS, os recursos do co-financiamento
federal das ações socioassistenciais passam a ser transferidos por “Pisos de Proteção”, cujos recursos poderão ser utilizados conforme a necessidade
local, dentro das ações passíveis de financiamento por cada piso. Cabe ao gestor local e ao CMAS a definição da rede de atendimento. O Piso de
Alta Complexidade I pode ser utilizado para a manutenção dos serviços da rede de acolhimento para crianças e adolescentes.
15

Adolescente (CONANDA), Fórum Colegiado Nacional dos Conselheiros Tutelares, do Conselho


Nacional de Assistência Social (CNAS) e do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora
de Deficiência (CONADE), além de entidades civis de âmbito nacional, que militam pelo direito de
crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária. Participou também desse esforço, o
Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), apoiando tecnicamente os trabalhos da
Comissão mediante a contratação de consultores, e pelo aporte ao debate do “estado da arte” da
discussão internacional que se trava sobre o mesmo tema.
Além da participação dos seus membros, a Comissão Intersetorial não prescindiu da valiosa
contribuição de colaboradores dos campos jurídico, técnico, acadêmico e midiático, bem como dos
diferentes atores sociais do sistema de atendimento, entre eles as famílias que participaram deste
processo, que proferiram palestras ou deram seus depoimentos durante as jornadas de trabalho,
enriquecendo sobremaneira a discussão.
Entre novembro de 2004 e março de 2005, a Comissão realizou quatro reuniões ordinárias.6
Em cada uma, foram discutidas questões referentes a um dos quatro Eixos Estratégicos propostos
para o Plano de Ação, a saber: a) Análise da situação e sistemas de informação; b) Atendimento; c)
Marcos normativos e regulatórios; d) Mobilização, articulação e participação.
Para melhor organização do trabalho a Comissão Intersetorial optou por dividir-se em três
Câmaras Técnicas, cada uma voltada ao aprofundamento de uma das três áreas temáticas que
juntas abarcam as diferentes facetas do Direito à Convivência Familiar e Comunitária. Em primeiro
lugar, a família de origem e a comunidade na qual está inserida, a importância da preservação dos
vínculos familiares e comunitários e o papel das políticas públicas de apoio sócio-familiar. Em
segundo lugar, a intervenção institucional nas situações de rompimento ou ameaça de rompimento
dos vínculos familiares, os abrigos e as alternativas ao Acolhimento Institucional, com ênfase na
excepcionalidade, na brevidade e na provisoriedade destas medidas e, ainda, na restauração e na
preservação dos vínculos familiares. Por fim, a necessidade de uma nova família para a
criança/adolescente que perdeu a sua própria.
As três Câmaras Técnicas que trataram de Políticas de Apoio à Família, Medidas de
Abrigamento e Adoção foram coordenados pelo MDS, o UNICEF e a SEDH respectivamente. O
UNICEF disponibilizou consultores técnicos para sistematizar as contribuições dos participantes da
Comissão.

6
Datas das reuniões: 19 e 20 de novembro de 2004 – Tema: Análise da situação e sistemas de informação; 16 e 17 de dezembro de 2004 – Tema:
Atendimento; 02 a 04 de março de 2005 – Tema: Marcos normativos e regulatórios; 21 a 23 de março de 2005 – Tema: Mobilização, articulação e
participação.
16

Cada uma destas áreas foi objeto de discussões aprofundadas e propositivas, abarcando
também suas interfaces e inter-relações, tentando dar conta da imensa complexidade do tema e das
múltiplas variáveis que interagem em cada dimensão da realidade focalizada.
Em 15 de abril de 2005 o documento contendo os “Subsídios para a elaboração do Plano de
Promoção, Defesa e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e
Comunitária” foi apresentado ao MDS e ao SEDH, em cerimônia oficial, e contou com a presença
dos Conselhos Nacionais dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) e da Assistência
Social (CNAS). Nesta solenidade ficou definido o prazo de dois meses para que o Poder Executivo
Federal fizesse a readequação programática e orçamentária e em seguida encaminhasse o
documento ao CONANDA e CNAS para a aprovação conjunta do Plano Nacional. Neste período,
o Governo Federal desenvolveu um importante trabalho de análise das ações, dos programas e dos
respectivos orçamentos, acrescentando nas tabelas dos quatros eixos do Plano as estratégias
relevantes, possibilitando a inserção da temática em programas bem como sua articulação.
Conselheiros do CONANDA e do CNAS participaram como titulares da Comissão Intersetorial,
contribuindo e acompanhando todo o processo e, sobretudo, informando os respectivos Conselhos
a respeito. Ao receberem o documento “Subsídios para a elaboração do Plano de Promoção, Defesa
e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária”, ambos
os Conselhos nomearam Comissões (CNAS – a Comissão de Política e CONANDA – uma Sub-
Comissão ad-hoc da Comissão de Políticas Públicas), para discussão e encaminhamento de
contribuições. Os Presidentes de ambos os Conselhos lideraram este processo, facilitando reunião
conjunta entre as Comissões dos Conselhos para a consideração do documento. Num momento de
intensa parametrização de ambos – o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sistema de
Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGD) – esse esforço de deliberação conjunta
constitui-se como elemento estratégico. Uma política de promoção, defesa e garantia do direito da
criança e do adolescente à convivência familiar e comunitária perpassa ambos os sistemas e é
fundamental para o aprimoramento da interface entre eles. Tanto CONANDA quanto CNAS são
categóricos ao afirmarem que este direito só será garantido com a interação de todas as políticas
sociais, com centralidade na família para acesso a serviços de saúde, a educação de qualidade,
geração de emprego e renda entre outros. Desta forma, as contribuições sobre o papel de cada setor
no apoio e garantia do direito à convivência familiar e comunitária será de grande relevância.
O documento ora intitulado como “Plano Nacional de Promoção, Defesa e Garantia do
Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária – Versão Preliminar” – é
o produto histórico da elaboração de inúmeros atores sociais comprometidos com os direitos das
crianças e adolescentes brasileiros. O CONANDA e o CNAS, ao apresentarem o documento
17

esperam contribuir para a construção de um novo patamar conceitual que orientará a formulação
das políticas para que cada vez mais crianças e adolescentes tenham seus direitos assegurados e
encontrem na família os elementos necessários ao seu pleno desenvolvimento. Este processo
acontece simultaneamente com um processo de discussão internacional liderado pelo Comitê dos
Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a necessidade de aprimorar os
mecanismos de proteção integral dos direitos da criança privada dos cuidados parentais, com
recomendações em 2004 e 2005 da elaboração de nova normativa internacional a esse respeito.
Elaborar um “plano nacional” requer um outro e importante desafio: mobilizar ainda mais
outros atores sociais para que se integrem a esse movimento, que deve ser coletivo e articulado na
efetivação de direitos, tornando efetiva a participação social e, sobretudo possibilitando o avanço
na promoção, defesa e garantia do direito à convivência familiar e comunitária.
A promoção, a defesa e a garantia dos direitos das crianças e adolescentes à convivência
familiar e comunitária envolvem o esforço de toda a sociedade e o compromisso com uma
mudança cultural que atinge as relações familiares, as relações comunitárias e as relações do
Estado com a sociedade. O respeito à diversidade cultural não é contraditório com esta mudança
que atravessa os diversos grupos sócio-culturais, na defesa desses direitos. Pelo contrário, exige
que se amplie a concepção de cidadania para incluir as crianças e adolescentes e suas famílias, com
suas necessidades próprias.
Desafio de dimensões estratégicas, sem dúvida, de cujo enfrentamento eficaz depende a
viabilidade de qualquer projeto de nação e de país que se deseje construir agora e no futuro. Eis o
nosso desafio!
18

2. MARCO LEGAL

A Constituição Federal estabelece que a “família é a base da sociedade” (artigo 226) e que,
portanto compete a ela, juntamente com o Estado, a sociedade em geral e as comunidades,
“assegurar à criança e ao adolescente o exercício de seus direitos fundamentais” (artigo 227). Por
sua vez, o referido artigo, especifica os direitos fundamentais especiais da criança e do adolescente,
ampliando e aprofundando aqueles reconhecidos e garantidos para os cidadãos adultos no seu
artigo 5º. E dentre esses direitos fundamentais da cidadania está o direito à convivência familiar e
comunitária.
Em face desse papel de mecanismo de promoção e proteção dos direitos humanos, no
tocante às relações familiares, a Constituição Federal rompe com o anterior tratamento
diferenciado e discriminatório dado aos filhos em razão da origem do nascimento ou das condições
de convivência dos pais, determinando a equiparação de filhos havidos ou não da relação do
casamento ou por adoção (artigo 227 §6º). A mesma Carta Constitucional, em seu artigo 226 §8º
estabelece que ao Estado compete assegurar a assistência à família na pessoa de cada um dos que a
integram, criando mecanismos para coibir violências no âmbito de suas relações. Adiante, no artigo
229 determina que os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores e os filhos
maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.
Conseqüentemente, todo reordenamento normativo e político-institucional que se pretenda fazer há
de partir das normas constitucionais, marco legal basilar para o presente Plano.
Respeitando-se essa hierarquia normativa, quando se tratar desta questão da convivência
familiar e comunitária, igualmente deve ser dada prevalência a toda normativa convencional
internacional, reguladora da promoção e proteção dos direitos humanos, ratificada em caráter
especial pelo Brasil7 e àquela estabelecida por força de resoluções da Assembléia Geral das Nações
Unidas. Assim sendo, é de se destacar como marcos normativos a serem considerados as
Declarações sobre os Direitos da Criança (1924/1959), a Declaração Universal dos Direitos
Humanos (1948), a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (1948), o Pacto de
São José da Costa Rica (1969), o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto
Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966, ratificados em 1992).
A Convenção sobre os Direitos da Criança, ratificada pelo Brasil em 24 de setembro de
1990, em especial, tem um papel superior e preponderante no embasamento da criação ou reforma

7
Para a Convenção a criança é considerada, no seu artigo 1º, menor de 18 anos.
19

de toda e qualquer norma reguladora, nesse campo da família e no embasamento de processos de


reforma administrativa, de implantação e implementação de políticas, programas, serviços e ações
públicas. A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança assegura as duas
prerrogativas maiores que a sociedade e o Estado devem conferir à criança e ao adolescente, para
operacionalizar a proteção dos seus Direitos Humanos: cuidados e responsabilidades. As crianças
e os adolescentes têm direitos subjetivos à liberdade, à dignidade, à integridade física, psíquica e
moral, à educação, à saúde, à proteção no trabalho, à assistência social, à cultura, ao lazer, ao
desporto, à habitação, a um meio ambiente de qualidade e outros direitos individuais indisponíveis,
sociais, difusos e coletivos. E conseqüentemente se postam, como credores desses direitos, diante
do Estado e da sociedade, devedores que devem garantir esses direitos. Não apenas como
atendimento de necessidades, desejos e interesses, mas como Direitos Humanos indivisíveis, como
os qualifica a normativa internacional – como direito a um desenvolvimento humano, econômico e
social. São pessoas que precisam de alguém, de grupos e instituições, responsáveis pela promoção
e defesa da sua “participação, proteção, desenvolvimento e sobrevivência”, responsáveis por seu
cuidado, em especial. Em seu preâmbulo e em muitos dos seus artigos a Convenção define os
direitos da criança realmente num sentido próximo da Declaração dos Direitos da Criança, da
ONU, em 1959, apenas como direito a uma proteção especial: “a criança tem necessidade de uma
proteção especial e de cuidados especiais, notadamente de uma proteção jurídica, antes e depois de
seu nascimento.” Todavia, em outros pontos, a Convenção avança e acresce a esse “direito à
proteção especial”, outros tipos de direitos que só podem ser exercidos pelos próprios
beneficiários: o direito à liberdade de opinião (artigo12), à liberdade de expressão (artigo 13), à
liberdade de pensamento, de consciência e de religião (artigo 14), à liberdade de associação (artigo
15). Direitos que pressupõem certo grau de capacidade, de responsabilidade, isto é, que
pressupõem sujeitos de direitos como titulares. As crianças e os adolescentes são seres
essencialmente autônomos, mas com capacidade limitada de exercício da sua liberdade e dos seus
direitos.
Para efetivação da Convenção sobre os Direitos da Criança, no País é importante que sejam
observados os seguintes princípios:
• Não discriminação;
• Interesse superior da criança;
• Direitos à sobrevivência e ao desenvolvimento;
• Respeito à opinião da criança
20

Regulamentando esses princípios constitucionais e tais normas internacionais, a Lei Federal


8.069 de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA) reforça o papel da
família na vida da criança e do adolescente como elemento imprescindível dentro do processo de
proteção integral, e como um dos objetivos maiores do sistema de promoção e defesa dos direitos
da infância e adolescência, que aquela lei propõe instituir, articulando e integrando todas as
políticas públicas (sociais, institucionais, econômicas e infra-estruturantes), no sentido da
priorização do atendimento direto desse segmento da população, como forma de garantia de
direitos: fazer com que o atendimento das necessidades básicas das crianças e dos adolescentes seja
realizado como direito do cidadão-criança e do cidadão-adolescente e ao mesmo tempo dever do
Estado, da sociedade e da família, com prioridade absoluta.
No tocante ao direito à convivência familiar e comunitária, o Estatuto da Criança e do
Adolescente estabeleceu no artigo 19 que toda criança ou adolescente tem direito de ser criado e
educado no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a
convivência familiar e comunitária. Esse dispositivo do Estatuto deve ser considerado, em seguida
aos princípios constitucionais e convencionais, como o outro marco legal basilar na construção do
presente Plano. Em função desse princípio o ECA estabelece a excepcionalidade e a provisoriedade
do Acolhimento Institucional a exemplo do acolhimento em regime de abrigo, obrigando que se
assegure a “preservação dos vínculos familiares e a integração em família substituta quando
esgotados os recursos de manutenção na família de origem” (artigos 92 e 100). Não havendo
possibilidade de preservar os vínculos com a sua família natural, o ECA estabelece que o
acolhimento em família substituta se dê provisoriamente via tutela ou guarda ou em definitivo via
adoção (artigos 28 a 52 do ECA), sempre por decisão judicial, processando-se dentro dos
princípios e requisitos previstos na citada Lei 8.069/90, aplicando-se quando for o caso,
subsidiariamente, as regras do Código Civil. Nesse ponto, essa regulação das diversas formas de
acolhimento familiar citadas não foi alterado pelo novo Código Civil (2002) e por nenhuma outra
posterior ao ECA.
A colocação em família substituta dar-se-á meio de decisão judicial e somente tendo lugar
quando comprovadamente representar para a criança e o adolescente a melhor medida para sua
proteção e desenvolvimento. Essa nova família deve proporcionar um ambiente familiar adequado
(art. 29 do ECA) e devem ser excluídas de sua convivência pessoas dependentes de substâncias
entorpecentes, pessoas que os submetam a maus-tratos, ou lhes imponham tratamento desumano,
violento, aterrorizante, vexatório e constrangedor ou que pratiquem exploração, abuso, crueldade e
opressão (artigos 5º, 18 e 19 do ECA).
21

Em respeito ao disposto nos artigos 226 e 227 da Constituição Federal, no tocante ao direito à
convivência familiar e comunitária, as leis orgânicas das políticas sociais foram sendo editadas e
reformadas aprofundando esses princípios constitucionais, regulamentados pelo Estatuto da Criança e
do Adolescente, tornando-os operacionais, com a construção de sistemas de atendimento de direitos,
especializados. Assim, se procedeu com a promulgação da Lei Orgânica da Assistência Social, da Lei
Orgânica da Saúde, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
22

3. MARCO CONCEITUAL8

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tem uma redação que facilita a sua
interpretação e reduz a possibilidade de divergências extremadas sobre as noções de seus institutos.
Como toda norma esta possui o seu discurso. Este discurso é dotado de racionalidade, na medida
em que oferece razões para aquilo que é dito,9 e tudo isto decorre da verificação da realidade e dos
conceitos que todos temos desta. Entretanto, o discurso da norma jamais poderá prescindir de
qualquer uma das duas funções: justificadora e modificadora.
Muito embora vivamos em um período de exigência de um processo de positivação do
Direito, alguns institutos previstos na legislação e na doutrina sobre os direitos da criança e do
adolescente estão sendo consolidados e, outros ainda, construídos.
Sendo assim, para este Plano é necessário a verificação mínima do discurso dentro dos
nossos marcos legal e situacional, sem prejuízo das questões jurídicas conflituais que existam e que
venham a existir.10
Entende-se como família natural, nos termos do artigo 25 do ECA, a comunidade formada
pelos pais ou qualquer deles e seus antecedentes.
Embora o Estatuto não se utilize expressamente do termo família extensa, entende-se neste
documento como aquela que inclui, além dos parentes e agregados, todas as demais pessoas que
tenham relação de afinidade ou de afetividade com o núcleo familiar natural, como se depreende do
texto do artigo 28, parágrafo 2º (ECA)11 não se exigindo que as pessoas residam no mesmo
domicílio.
É fato que o acolhimento informal de filhos de outra pessoa diz respeito à prática secular e
disseminada em todo o país,12 ficando caracterizada esta situação quando os pais, voluntariamente,
delegam seu papel parental a outro membro da família extensa ou, simplesmente, por sua omissão,
permitem que haja esta transferência. É sabido que não são poucas as crianças e adolescentes que

8
''Na Oficina de revisão jurídica do presente Plano Nacional, organizado pelo CONANDA com especialistas da área em 18 de abril de 2006, surgiu
a necessidade de introduzir maior detalhamento sobre Marco Conceitual, especialmente para dirimir dúvidas quanto ao conceito de “Acolhimento
Familiar” utilizado no texto, antes de submetê-lo à Consulta Pública. Ressalta-se que o conteúdo do Marco Conceitual não foi objeto de apreciação
do Conanda e do CNAS. Portanto, este capítulo, assim como os demais, devem receber as críticas e sugestões pertinentes quando da consulta
pública.
9
FERRAZ JR, Tércio Sampaio. Direito, retórica e comunicação. Saraiva: São Paulo, 1973, p. 126.
10
Em se tratando de interpretação é perfeitamente natural que aconteça. Assim, justifica-se a elaboração deste marco conceitual e de glossário neste
Plano.
11
Sobre o conceito de família extensa ligada pela consangüinidade e pela afinidade ver também Saffioti, Heleieth I. B. e Almeida, Suely de Souza.
Violência de Gênero: Poder e Impotência. Rio de Janeiro, Revinter, 1995, p. 71.
12
SERRA, Márcia Milena Pivatto. O Brasil das muitas mães: aspectos demográficos da circulação de crianças. Tese de Doutorado no PPG
Antropologia – UNICAMP, 2003.
23

passam a maior parte de sua vida sendo criadas por parentes, padrinhos ou amigos próximos dos
seus pais (família extensa). Esta prática antiga que se denomina por processo de circulação de
crianças e de adolescentes13 ainda persiste e persistirá por ser natural e culturalmente legitimada.
Nestes casos, a regularização da situação da criança ou do adolescente vai exigir apenas uma
solução judicial, consistente na colocação em família pelos instrumentos jurídicos previstos no art.
28 do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Sendo assim, não há que se falar em acolhimento “formal” na hipótese de simples
colocação em guarda ou tutela, ou até mesmo de adoção de criança ou de adolescente, mantendo-se
na sua família extensa, como forma de regularização jurídica de uma situação protetora ou para se
efetivar a reintegração dessas em sua família.
O termo acolhimento “formal”, a que se refere este Plano, corresponde à modalidade de
atendimento de serviço de proteção especial de alta complexidade14 que garanta proteção integral,
incluindo a moradia, alimentação, higienização, bem como os demais cuidados para crianças e
adolescentes que se encontram sem referência e/ ou em situação de ameaça, que não possam
permanecer em seu núcleo familiar ou comunitário.15 Ou seja, “trata-se de uma prática mediada por
uma autoridade, com um plano de intervenção definido, administrada por um serviço com recursos
disponíveis, conforme política pública estabelecida.”16
Este “acolhimento formal”, definido como o ato de criar o filho de uma pessoa, não pode
ser realizado por pessoa da mesma família – natural ou extensa –, mas por uma pessoa, família ou
instituição, que cuide transitoriamente da criança ou do adolescente com seus direitos violados, até
que este possa ser reintegrado à sua família de origem. Nos casos em que se inviabiliza a
reintegração à família de origem outras alternativas podem ser consideradas, como o
encaminhamento para adoção ou eventualmente a indicação de um acolhimento permanente por
parte da família acolhedora.
A criança ou o adolescente que se encontra em situação de violação permanente de seus
direitos deve receber as medidas específicas de proteção, traduzidas no âmbito da assistência social
pelos serviços de proteção especial, conforme estabelecidos no Estatuto da Criança e do
Adolescente e na Política Nacional de Assistência Social, respectivamente.
São duas as espécies de Acolhimento: Acolhimento Institucional e o Acolhimento Familiar.

13
FONSECA, Cláudia, TERTO, Veriano e ALVES, Caleb F. Antropologia, diversidade e direitos humanos: diálogos interdisciplinares. Porto
Alegre: Editora da UFRGS, 2004.
14
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e Secretaria Nacional de Assistência Social – Brasília, 2004, pág. 32.
15
Política Nacional de Assistência Social (2.5.2.) – Brasília, 2004.
16
CABRAL, Cláudia (Org.). “Perspectivas do Acolhimento Familiar no Brasil”. Acolhimento Familiar – experiências e perspectivas. Rio de
Janeiro: Booklink, 2004, p. 11.
24

O Acolhimento Institucional é a modalidade de atendimento integral institucional, que


oferece cuidado e espaço para socialização e desenvolvimento de crianças e adolescentes com
medida de proteção, que necessitem de acolhimento fora da família de origem, até que seja
possível sua reintegração familiar (natural ou extensa) ou encaminhamento para família substituta.
As modalidades de Acolhimento Institucional são: Casa Lar, República, Casa de Passagem,
Albergue, entre outros.17
Embora estas modalidades de acolhimento não estejam especificadas no artigo 101 do
ECA, todas elas se encaixam na hipótese denominada no inciso VII, como entidade de abrigo, cujo
regime jurídico básico está estabelecido nos artigos 90, 92 e 93 da referida Lei.
As entidades que desenvolvem programas de abrigo servem para acolher a criança e o
adolescente e prestar-lhe plena assistência. O abrigo é o lar coletivo, de pequenas dimensões, onde
o abrigado não está privado da liberdade e deve obedecer aos princípios estabelecidos no artigo 92
do ECA. As casas-lares, segundo a Lei no. 7.644, de 18 de dezembro de 1987, são unidades
residenciais sob responsabilidade de mãe social, que abrigue até dez crianças e/ou adolescentes. As
entidades de abrigo podem manter estas casas, nos termos do artigo 16 desta Lei, e possui como
finalidade proporcionar tratamento especial às crianças e aos adolescentes, visando dar maior
individualidade ao tratamento.
O Acolhimento Familiar é a modalidade de atendimento que oferece acolhimento na
residência de famílias cadastradas, selecionadas, capacitadas e acompanhadas para receber crianças
e/ou adolescentes com medida de proteção, que necessitem de acolhimento fora da família de
origem, até que seja possível sua reintegração familiar ou salvo exceções encaminhamento para
família substituta.
Embora se constitua um instituto novo no país, esta experiência já se encontra consolidada
em outros países, principalmente nos europeus,18 e se encontra contemplada expressamente na
Política Nacional de Assistência Social, ao dispor que dentro dos serviços de proteção social
especial de alta complexidade está a “Família Acolhedora”.
Este atendimento poderá ser efetivado por uma entidade governamental ou não-
governamental em regime de colocação familiar, nos termos do artigo 90, inciso III, do ECA.
Dentro de nossa sistemática jurídica, este tipo de acolhimento possui como pressuposto um
mandato formal, uma guarda fixada judicialmente, a ser requerida pelo programa de atendimento
ao Juízo, em favor da família acolhedora. A manutenção da guarda judicial, que é instrumento
judicial exigível para a regularização deste acolhimento, à obviedade, estará vinculada à
17
Vide rol da Política Nacional de Assistência Social, “2.5.2.” – Brasília, 2004.
18
conforme estudos divulgados pela International Foster Care Organisation ( IFCO): GEORGE, Shanti & OUDENHOVEN, Nico Van. Trad. Maria
Soledad Franco. Apostando al Acogimiento Familiar - Um estúdio comparativo internacional.Bélgica: Garant, 2003.
25

permanência da família acolhedora no Programa. Nesta modalidade de atendimento há supervisão


e apoio para aqueles que estão acolhendo as crianças ou os adolescentes com quem possuem uma
obrigação direta. O programa de atendimento deve ter como objetivos não só o cuidado adequado e
individualizado da criança ou do adolescente acolhido, mas também a viabilização do retorno da
criança à sua família de origem. 19
Assim como as demais entidades previstas no artigo 90 do ECA, os programas de “Famílias
Acolhedoras”, denominadas também de “Família Guardiã”, “Família de Apoio”, “Família
Cuidadora”, “Família Solidária”,20 dentre outras, deverão se sujeitar ao regime previsto nos artigos
92 e 93 do Estatuto, mesmo porque ausente legislação federal específica.
As demais denominações se encontram, ad referendum, devidamente descritas no glossário.

19
Na definição de Matilde Luna, Presidente do Instituto Mercosul Social ( IMS), Buenos Aires, Argentina, “O Acolhimento Familiar se define
como, entre outras questões, um dos recursos técnicos utilizados pelos governos na instrumentação de medidas que resguardem às crianças e aos
adolescentes na situação de risco psicossocial. Isto implica que no menu de programas assistenciais se incluam os programas de acolhimento como
resposta às demandas sociais e no cumprimento da responsabilidade que cabe aos governos, particularmente às autoridades das políticas sociais.
Sendo um recurso que pode adotar diferentes formas na sua implementação, cada país escolhe a sua segundo algumas variáveis (...)”. In, “Menores
em riesgo y acogimiento familiar. Compartir el compromiso”. Buenos Aires. Ed. Humanitas, 1994.
20
Vide diversas experiências pelo país, como os projetos do Rio de Janeiro; SAPECA, de Campinas/SP; São Bento do Sul/SC, etc:, in, CABRAL,
Cláudia (Org.). “Perspectivas do Acolhimento Familiar no Brasil”. Acolhimento Familiar – experiências e perspectivas.Rio de Janeiro: Booklink,
2004, p. 11.
26

4. MARCO SITUACIONAL

É amplamente reconhecida a importância da família no cuidado e no bem-estar de seus


integrantes, uma vez que é ela o âmbito privilegiado e primeiro a proporcionar a garantia de sua
sobrevivência, o aporte afetivo fundamental para o seu pleno desenvolvimento e para a sua saúde
mental, a absorção de valores éticos e de conduta, e a sua introdução na cultura e na sociedade em que
estão inseridas. Essa importância adquire contornos ainda mais decisivos no caso dos indivíduos mais
vulneráveis, como as crianças, os adolescentes, os idosos e os doentes.
O direito fundamental à convivência familiar está consagrado nas normas e instrumentos
legislativos. No entanto, a garantia formal desse direito coloca problemas de ordem prática para a sua
implementação.
Ainda hoje, predomina no ideário social o modelo de família tradicional e abstrato
composto por pai, mãe e filhos pequenos. De fato, os laços de parentesco ainda mantêm fortíssima
influência na organização das famílias brasileiras. Os dados que vão de 1977 a 1998, mostram que
a grande maioria dos arranjos domiciliares no Brasil está baseada em relações de parentesco entre
pelo menos dois dos moradores, ressaltando que, em 1998, apenas 9,3% dos arranjos domiciliares
não eram familiares – maior índice do período.21
A família brasileira está desde há muito em pleno processo de mudança, especialmente no
que se refere a sua composição. Movido por novas práticas e valores sociais, esse processo muitas
vezes passa ao largo da legislação e das políticas públicas que foram desenhadas para a família
modelar.
Neste sentido, a discussão sobre o direito à convivência familiar das crianças e dos
adolescentes brasileiros em situação de risco envolve questões ainda mais específicas, relacionadas
aos diferentes aspectos dos problemas enfrentados por eles e suas famílias. Antes de tudo, há que
se considerar que a família, enquanto unidade essencial de organização da sociedade brasileira
sofre as influências do desenvolvimento socioeconômico e da ação estatal por meio das políticas
públicas. E são as famílias pobres as mais negativamente afetadas pelas conseqüências destes
processos, quer se considere o impacto das transformações sociais e econômicas de longo prazo
que vêm redesenhando o país desde a década de 1950, com a industrialização e a urbanização
crescente da população brasileira, quer se considere as medidas de política mais recentes, tomadas

21
MEDEIROS, M. e OSÓRIO, R. Arranjos domiciliares e arranjos nucleares no Brasil: classificação e evolução de 1977 a 1998. Texto para
Discussão no 788. Brasília, IPEA, abril de 2001.
27

a partir dos anos de 1990 e caracterizadas pelo ajuste econômico e pela restrição das políticas
sociais.
Essa família empobrecida, embora tenha peculiaridades na sua forma de organização que
lhe possibilitam apoiar-se fortemente nas relações de solidariedade parental ampliada e
conterrânea,22 tem experimentado uma crescente diminuição da sua capacidade de proteger os seus
membros.23 Criar e educar os filhos, garantindo-lhes o usufruto de todos os direitos de que são
titulares como pessoas humanas em situação peculiar de desenvolvimento, tem sido uma tarefa
muitas vezes impossível de ser cumprida pelas famílias submetidas a condições de vida precárias,
sem garantia de alimento, de moradia, de trabalho, de assistência à saúde e de todos os serviços que
definem uma vida minimamente digna no mundo contemporâneo. Além disso, a dinâmica familiar,
naturalmente marcada pela ocorrência de entradas e saídas de integrantes, registra, no caso das
famílias pobres, movimentos ainda mais traumáticos, determinados pelas condições
socioeconômicas e pela luta pela sobrevivência: migrações em busca de novas oportunidades;
institucionalização de crianças, adolescentes, adultos e idosos; afastamento dos responsáveis por
longos períodos em função da ocupação exercida, como o trabalho doméstico, por exemplo, entre
inúmeras outras situações.24
As conseqüências da desigualdade social e da pobreza, que tem como resultado a “produção
social de crianças vitimadas pela fome, por ausência de abrigo ou por morar em habitações
precárias, por falta de escolas, por doenças contagiosas, por inexistência de saneamento básico”,25
refletem diretamente na relação entre criança, adolescente e violência no cotidiano de famílias
brasileiras. Essa situação de vulnerabilidade, denominada vitimação, pode desencadear a agressão
física e/ou sexual contra crianças e adolescentes, haja vista que a cronificação da pobreza da
família contribui para a precarização e deterioração de suas relações afetivas e parentais. Nesse
sentido, pequenos espaços, pouca ou nenhuma privacidade, falta de alimentos e problemas
econômicos acabam gerando situações estressantes que, direta ou indiretamente, acarretam danos
ao desenvolvimento infantil”.26
Contudo, a pobreza ou carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para
explicar o fenômeno da violação de direitos da criança e do adolescente. A violação de direitos não
ocorre em todas as famílias que são pobres, assim como não é verdade que crianças e adolescentes

22
CARVALHO, M. C. B. A priorização da família na agenda da política social. In: KALOUSTIAN, op. cit.
23
CAMPOS, M. S. e MIOTO, R.C.T. Política de Assistência Social e a posição da Família na Política Social Brasileira. In: Ser Social: Revista do
Programa de Pós-Graduação em Política Social/Universidade de Brasília. Departamento de Serviço Social – v.1, n.1 (1º semestre, 1998). Brasília,
SER Social UnB, 1998.
24
FERRARI, Mário; KALOUSTIAN, Silvio M. Introdução. In: KALOUSTIAN, Silvio M. (Org.). Família Brasileira: a base de tudo São Paulo:
Cortez; Brasília, DF: UNICEF, 1994..
25
Azevedo e Guerra apud AMARO, Sarita. Crianças vítimas de violência: das sombras do sofrimento à genealogia da resistência – uma nova teoria
científica. Porto Alegre: AGE/EDIPURS, 2003.
26
Idem.
28

oriundos de famílias de classes de renda mais elevadas estão livres da vivência de maus-tratos e da
violação de direitos cometidos por seus próprios familiares.
Existem outros fatores explicativos para a incidência da violência contra crianças e
adolescentes no âmbito familiar, entre eles destaca-se: a história familiar passada ou presente de
violência doméstica; a ocorrência de perturbações psicológicas entre os membros das famílias; o
despreparo para a maternidade e/ou paternidade de pais jovens, inexperientes ou sujeitos a uma
gravidez indesejada; a adoção de práticas educativas muito rígidas e autoritárias; o isolamento
social das famílias que evitam desenvolver intimidade com pessoas de fora do pequeno círculo
familiar; a ocorrência de práticas hostis, desprotetoras ou negligentes em relação às crianças, e
fatores situacionais diversos que colocam as famílias frente a circunstâncias não antecipadas. 27
A relação entre pobreza e vitimização de crianças e adolescentes por parte de seus
responsáveis não é, portanto, direta, pois existem outras mediações que refutam o caráter natural e
fatalista com freqüência atribuído a essa associação. Entretanto, não é possível dissociar o padrão
de convivência familiar das questões mais amplas de frustração, humilhação, redução dos direitos
sociais e privações causadas pelo desemprego e pela diminuição do papel do Estado na garantia da
sobrevivência das famílias por meio da provisão de políticas sociais.28
A condição socioeconômica precária das famílias, ao impor maiores dificuldades para a
sobrevivência digna do grupo familiar, pode funcionar como um elemento agravante e
desencadeador de outros fatores de risco preexistentes. Portanto, tratar do direito à convivência
familiar e comunitária de crianças e adolescentes em situação de risco é falar das políticas de
atenção às suas famílias, majoritariamente pobres.
O Brasil é um país com tradição de atendimento institucional às crianças e adolescentes em
situação de vulnerabilidade, tradição essa historicamente forjada na desvalorização social da
parcela da população a que pertencem, em sua grande maioria pobre e procedente de etnias não-
brancas e na adaptação dessa população aos padrões considerados aceitáveis.
A colocação de crianças e adolescentes em instituições como medida de proteção contra os
desvios causados pelas condições sociais, econômicas e morais das famílias pobres ou como
medida corretiva de desvios, ao longo da história social da criança, do adolescente e da família,
cristalizou as experiências das chamadas instituições totais, onde crianças e adolescentes viviam
sob rígida disciplina e afastados da convivência familiar e comunitária, visto que quase todas as
atividades pertinentes a suas vidas eram realizadas intramuros.29

27
Amaro, op. cit.
28
FALEIROS, Vicente de Paula. A questão da violência. In: SOUSA JR., José Geraldo de [et al.] organizadores. Educando para Direitos Humanos:
pautas pedagógicas para a cidadania na universidade. Porto Alegre, 2004.
29
RIZZINI, Irma. Assistência à infância no Brasil: uma análise de sua construção. Rio de Janeiro, Ed. Universitária Santa Úrsula, 1993.
29

O Levantamento Nacional de Abrigos para Crianças e Adolescentes da Rede SAC30 do


Ministério do Desenvolvimento Social realizado pelo IPEA/CONANDA31 mostrou que a
institucionalização se mantém, ainda nos dias atuais, como caminho utilizado indiscriminadamente
– e, muitas vezes, considerado o único possível – para a proteção de infância e adolescência,
demonstrando que o princípio da excepcionalidade da medida de abrigo não vem sendo respeitado.
Existem cerca de vinte mil crianças e adolescentes atendidos nas 589 instituições de abrigos
beneficiados com recursos do Governo Federal repassado por meio da Rede de Serviços de Ação
Continuada (Rede SAC). Os dados levantados mostram características típicas de exclusão social,
apontando que os abrigos no Brasil são o locus da pobreza e da menoridade (lugar de menor valor).
Ressalta-se ainda que o perfil de meninos e meninas encontrados nessas instituições em nada
corresponde às expectativas da sociedade para adoção, cuja preferência recai nos bebês da cor
branca e do sexo feminino. Vivendo nos abrigos do país encontram-se, na maioria, meninos
(58,5%), afro-descendentes (63%) e mais velhos, isto é, com idade entre 7 e 15 anos (61,3%)
(Gráfico 1 e 2).

Gráfico 1
Brasil – Crianças e adolescentes abrigados por faixa etária, segundo cor

2500

2000

1500

1000

500

0
0a3 4a6 7a9 10 a 12 13 a 15 16 a 18 Mais de
anos anos anos anos anos anos 18 anos

Brancos Não-brancos

Fonte: IPEA/DISOC (2003). Levantamento Nacional de Abrigos para Crianças e Adolescentes da Rede SAC

30
Ressalta-se que, com a aprovação da NOB/SUAS em julho de 2005 e das portarias Nº 440 e Nº 442 do MDS, os recursos do co-financiamento
federal das ações socioassistenciais passam a ser transferidos por “Pisos de Proteção”, cujos recursos poderão ser utilizados conforme a necessidade
local, dentro das ações passíveis de financiamento por cada piso. Cabe ao gestor local e ao CNAS a definição da rede de atendimento. O Piso de Alta
Complexidade I pode ser utilizado para a manutenção dos serviços da rede de acolhimento para crianças e adolescentes.
31
Levantamento realizado pelo IPEA em 2003 e promovido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República,
por meio da Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança do Adolescente (SPDCA) e do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do
Adolescente (Conanda). Das cerca de 670 instituições de abrigo que eram beneficiadas, naquele ano, por recursos da Rede de Serviços de Ação
Continuada (Rede SAC) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, foram investigados 589 abrigos, ou seja, 88% do total. Essas
instituições acolhiam, no momento da realização da Pesquisa, 19.373 crianças e adolescentes.
30

Gráfico 2
Brasil – Crianças e adolescentes abrigados por faixa etária, segundo sexo

3000

2500

2000

1500

1000

500

0
0a3 4a6 7a9 10 a 12 13 a 15 16 a 18 Mais de
anos anos anos anos anos anos 18 anos

Meninos Meninas

Fonte: IPEA/DISOC (2003). Levantamento Nacional de Abrigos para Crianças e Adolescentes da Rede SAC

Contrariando o senso comum que imaginava serem órfãos as crianças e adolescentes que
viviam nos abrigos, o Levantamento Nacional também mostrou que a grande maioria desses
meninos e meninas (86,7%) tinha família, sendo que 58,2% mantinham vínculos com os familiares.
Apenas 5,8% estavam impedidos judicialmente desse contato com eles e somente 5% eram órfãos.
Esses meninos e meninas viviam, portanto, a paradoxal situação de estarem juridicamente
vinculados a uma família que, na prática, havia algum tempo, não exerce a responsabilidade de
cuidar deles, principalmente por causa da pobreza (Gráfico 3).

Gráfico 3
Brasil – Crianças e adolescentes abrigados, segundo situação familiar

Com família e com 58,2%


vínculo

Com família e sem 22,7%


vínculo

Impedimento 5,8%
judicial

Família 6,7%
desaparecida

Sem família 4,6%

Fonte: IPEA/DISOC (2003). Levantamento Nacional de Abrigos para Crianças e Adolescentes da Rede SAC
31

Embora a carência de recursos materiais, de acordo com o ECA, não constitua motivo para
a perda ou suspensão do poder familiar, o Levantamento Nacional identificou que as causas que
motivaram o abrigamento da maioria das crianças e adolescentes encontradas nas instituições de
abrigos estavam relacionadas à pobreza, conseqüência da falha ou inexistência das políticas
complementares de apoio aos que delas necessitam. Entre os principais motivos: a pobreza das
famílias (24,1%), o abandono (18,8%), a violência doméstica (11,6%), a dependência química dos
pais ou responsáveis incluindo alcoolismo (11,3%), a vivência de rua (7,0%) e a orfandade (5,2%).

Gráfico 4
Brasil – Motivos do ingresso de crianças e adolescentes em abrigo, segundo a freqüência

Carência de recursos materias da família/


24,2%
responsável (pobreza)

Abandono pelos pais ou responsáveis 18,9%

Violência doméstica (maus-tratos físicos


e/ou psicológicos praticados pelos pais ou 11,7%
responsáveis)

Pais ou responsáveis dependentes químicos/


11,4%
alcoolistas

Vivência de rua 7,0%

Órfão (morte dos pais ou responsáveis) 5,2%

Outros motivos 21,6%

Fonte: IPEA/DISOC (2003). Levantamento Nacional de Abrigos para Crianças e Adolescentes da Rede SAC.

Se de um lado tem havido por parte das autoridades competentes – Conselho Tutelar e
Judiciário – uma aplicação indiscriminada da medida de abrigo, de outro lado, à saída do abrigo
permanece sendo um desafio. O Levantamento Nacional apontou que o princípio da brevidade da
medida do abrigo estabelecido pelo ECA também não vem sendo cumprido, uma vez que mais da
metade das crianças e dos adolescentes abrigados viviam nas instituições há mais de dois anos,
enquanto 32,9% estavam nos abrigos por um período entre dois e cinco anos, 13,3%, entre seis e
dez anos, e 6,4%, por mais de dez anos.
32

Em relação à possibilidade de adoção a situação também é dramática, uma vez que dentre
as crianças e adolescentes abrigadas nas instituições pesquisadas, apenas 10,7% estavam
judicialmente em condições de serem encaminhados para a adoção.32 Além disso, apenas metade
desses meninos e meninas (54%) abrigados tinha processo judicial. A outra metade, por certo, lá
estava sem o conhecimento do judiciário, já que muitas crianças e adolescentes foram
encaminhadas aos abrigos pelas próprias famílias (11,1%), pela polícia (5,5%), dentre outras
instituições que, judicialmente, não teriam tal prerrogativa.33
Embora a legislação tenha como regra geral a convivência de crianças e adolescentes com
suas famílias naturais – e, excepcionalmente, com famílias substitutas –, para muitos dos meninos e
meninas brasileiros esse direito permanece negado, passando um período significativo da sua
infância e adolescência institucionalizadas e afastadas do convívio com suas famílias e suas
comunidades.
É preciso considerar sempre a prioridade a ser dada à manutenção de crianças e
adolescentes no arranjo familiar de origem, seja ele qual for, evitando-se a separação e suas
implicações e, sobretudo é necessário pensar em como manter a vivência familiar e comunitária
quando o afastamento é inevitável.
As seqüelas para crianças e adolescentes de um período de institucionalização prolongado
serão tanto maiores quanto maior for o tempo de espera, que interfere não só na adaptação em caso
de retorno à família de origem, mas também nos casos de inserção definitiva em outra família.34
Neste sentido, considerando-se que o Acolhimento Institucional ainda cumpre um papel
muito importante no cuidado com crianças e adolescentes em situação de risco no Brasil, é crucial
reconhecer a obrigatoriedade de promoção do direito à convivência familiar e comunitária também
recai sobre as entidades que oferecem programas de abrigo. Muito embora, essa atribuição seja
compartilhada por toda a rede de atendimento à criança e ao adolescente, que inclui ainda o
Judiciário, o Ministério Público, os Conselhos Tutelares e de Direitos da Criança e do Adolescente,
as organizações civis de defesa de direitos humanos e o próprio Poder Executivo nos níveis federal,
estadual e municipal.

32
Observados os dispostos nos artigos 166 e 169 do ECA, a adoção requer a destituição do poder familiar e implica no afastamento definitivo da
criança e do adolescente de suas famílias de origem. Assim, para não incorrer em injustiças, é da maior importância que essas famílias recebam
apoio e suporte necessários para sua reestruturação. Em muitos casos, a inadequação dos processos de destituição do poder familiar pode provocar
injustiças com famílias que sequer receberam apoio e/ou tiveram tempo para reintegração de seus filhos. No entanto, é fundamental chamar atenção
para o fato de que o próprio Estatuto estabelece que o abrigo é uma “medida provisória e excepcional, utilizável como forma de transição para a
colocação em família substituta”, não sendo aceitável a permanência indefinida de crianças e adolescentes nas instituições sem qualquer perspectiva
de convivência.
33
Cumpre esclarecer que o ECA estabelece em seu artigo 93: “As entidades que mantenham programas de abrigo poderão, em caráter excepcional e
de urgência, abrigar crianças e adolescentes sem prévia determinação da autoridade competente, fazendo comunicação do fato até o segundo dia útil
imedfiato.
34
SILVA, Roberto, apud MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL, Comitê Nacional para o Reordenamento dos Abrigos. Subsídios para
reflexão na aplicação da medida e o funcionamento de programas em regime de abrigo. Brasília: 2003, p. 13 (não publicado).
33

O perfil institucional dos 589 abrigos identificado no Levantamento Nacional aponta que
majoritariamente essas instituições são não-governamentais, orientadas por valores religiosos,
dirigidas por voluntários e que dependem fundamentalmente de recursos próprios e privadas para o
seu funcionamento (Quadro 1).

Quadro 1 – Perfil das entidades de abrigo

• Não-governamentais................................................................................................................................68,3%
Públicas .....................................................................................................................................................30,0%
• Têm orientação/vínculo religioso................................................................................................................67,2%
Católicos............................62,1%
Evangélicos.......................22,5%
Espíritas.............................12,6%
• Anteriores a 1990 .....................................................................................................................................41,4%
Posteriores a 1990.....................................................................................................................................58,6%
• Dirigidas por voluntários ............................................................................................................................59,3%
Dirigidas por profissionais remunerados....................................................................................................33,4%
• Profissionais do quadro próprio do abrigo..................................................................................................59,2%
Profissionais voluntários ..............................................................................................................................25,3%
• Funcionam sob regime de permanência integral.........................................................................................78,4%
Funcionam sob outros regimes de permanência........................................................................................19,7%
• Recursos próprios e privados no financiamento das entidades não-governamentais.................................61,7%
• Recursos públicos no financiamento das entidades não-governamentais.....................................................32,3%
Fonte: IPEA/Conanda. O Direito à Convivência Familiar e Comunitária: os abrigos para crianças e adolescentes no Brasil. Brasília, 2004.

Ao analisar com base nos princípios do ECA os aspectos do atendimento realizado pelos
abrigos quanto à convivência familiar, o Levantamento Nacional observou que, em relação às
ações de incentivo à convivência das crianças e dos adolescentes com suas famílias de origem, a
maioria dos programas realiza visitas das crianças e adolescentes aos seus lares, mas a minoria
permite visitas livres dos familiares aos abrigos Entretanto, somente 31,2% realizavam as duas
ações conjuntamente. Quanto às ações de não-desmembramento de grupos de irmãos, a maioria
dos programas priorizava a manutenção ou a reconstituição de grupos de irmãos, adotava o modelo
de “agrupamento vertical”, possibilitando o acolhimento de irmãos em diferentes idades e recebia
tanto meninos quanto meninas. Contudo, somente 27,8% do total das instituições que desenvolvem
programas de abrigo atendiam todas as três ações (Quadro 2).
34

Quadro 2 – Preservação dos vínculos familiares

CRITÉRIOS CONSIDERADOS ABRIGOS QUE ATENDEM (%)


1. INCENTIVO À CONVIVÊNCIA COM A FAMÍLIA DE ORIGEM
1.1. Promovem visitas de crianças e adolescentes aos lares de suas famílias 65,9%
1.2. Permitem visitas livres dos familiares ao abrigo 41,4%
 Atendem a todos os critérios 31,2%
2. NÃO-DESMEMBRAMENTO DE GRUPOS DE IRMÃOS ABRIGADOS
3.1. Priorizam a manutenção ou reconstituição de grupos de irmãos 66,4%
3.2. Organizam-se sob agrupamento vertical (intervalo entre idades mínima e 62,1%
máxima maior do que 10 anos)
3.3. Atuam em regime de co-educação (meninos e meninas) 62,3%
 Atendem a todos os critérios 27,8%
1+2 6,6%
Fonte: IPEA/DISOC, Levantamento Nacional de Abrigos para Crianças e Adolescentes da Rede SAC (2003)

Além do fortalecimento e da manutenção dos vínculos afetivos entre as crianças e


adolescentes em abrigos e seus familiares, o apoio à reestruturação das famílias constitui-se em
ação importante e complexa. Muito embora a maioria dos programas realize atividades de visitas às
famílias e acompanhamento social, a minoria realiza reuniões ou grupos de discussão e encaminha
famílias para inserção em programas de proteção social. E ainda, somente 14,1% do total de
abrigos pesquisados realizavam todas as quatro ações de apoio à reestruturação familiar (Quadro
3).

Quadro 3 – Apoio à reestruturação familiar

CRITÉRIOS CONSIDERADOS ABRIGOS QUE ATENDEM (%)


1. Realizam visitas domiciliares 78,1%
2. Oferecem acompanhamento social 65,5%
3. Organizam reuniões ou grupos de discussão e apoio 34,5%
4. Encaminham para inserção em programas de auxílio/proteção à família 31,6%
1+2+3+4 14,1%
Fonte: IPEA/DISOC, Levantamento Nacional de Abrigos para Crianças e Adolescentes da Rede SAC (2003)

O relacionamento de crianças e adolescentes abrigados com outras famílias é outra


forma de garantir o direito à convivência familiar cujas chances de retorno para suas famílias de
origem foram esgotadas. Assim, a colocação em família substituta configura-se como uma
opção frente à tradicional prática brasileira de institucionalização prolongada de crianças e
35

adolescentes em situação de risco, condenados a viver grande parte de suas vidas privados de
qualquer vivência familiar.35
Mesmo que a colocação em família substituta não dependa exclusivamente do trabalho
das instituições de abrigo, elas podem desempenhar um papel fundamental nesse processo,
incentivando a convivência de crianças e adolescentes abrigados com outras famílias por meio
de ações como: o incentivo à integração em família substituta sob as formas de guarda, tutela ou
adoção, o envio de relatórios periódicos sobre a situação dos abrigados e de suas famílias para
as Varas da Infância e da Juventude e a manutenção de programas de apadrinhamento afetivo.36
Das 589 instituições pesquisadas, apenas 22,1% desenvolviam todos esses tipos de ação de
incentivo à convivência de crianças e adolescentes abrigados com outras famílias (Quadro 4).

Quadro 4 – Incentivo à convivência familiar com outras famílias

CRITÉRIOS CONSIDERADOS ABRIGOS QUE ATENDEM (%)

1. Incentivam a integração em família substituta (guarda, tutela ou adoção) 67,5%


2. Mantêm programas de apadrinhamento 55,3%
1+2 22,1%
Fonte: IPEA/DISOC, Levantamento Nacional de Abrigos para Crianças e Adolescentes da Rede SAC (2003).

Nos aspectos do atendimento realizado pelos abrigos quanto à convivência comunitária, o


Levantamento Nacional identificou um quadro preocupante em relação às ações de estímulo à
participação das crianças e adolescentes na vida da comunidade local, pois apenas 6,6% dos
abrigos pesquisados utilizavam todos os serviços necessários que estavam disponíveis na
comunidade, tais como: creche; ensino regular; profissionalização para adolescentes; assistência
médica e odontológica; atividades culturais, esportivas e de lazer; e assistência jurídica. A maioria
das instituições (80,3%) ainda oferecia pelo menos um desses serviços diretamente, ou seja, de
forma exclusiva dentro do abrigo (Quadro 5).

35
O Estatuto estabelece como princípio a ser seguido pelas entidades de abrigo “a colocação em família substituta, quando esgotados os recursos de
manutenção na família de origem” (Lei 8.069/90, Art. 92, Inc.II).
36
Os programas de apadrinhamento se constituem em alternativa de referência familiar para as crianças e os adolescentes abrigados.
36

Quadro 5 – Participação na vida da comunidade local


CRITÉRIO CONSIDERADO ABRIGOS QUE ATENDEM (%)
1. Utilizam serviços especializados existentes na comunidade 6,6 %
2. Oferecem pelo menos um dos serviços de forma exclusiva dentro dos 80,3%
abrigos
Fonte: IPEA/DISOC, Levantamento Nacional de Abrigos para Crianças e Adolescentes da Rede SAC (2003)

Muitas das instituições investigadas – a maioria delas – como se viu, surgida durante a
vigência do ECA já introduziram condutas diferentes e programas mais condizentes com as
diretrizes legais, ampliando-se no país o elenco de experiências pautadas pelos princípios da
proteção integral e do atendimento individualizado. No entanto, há ainda inúmeras instituições que
mantêm práticas que privam quase que totalmente crianças e adolescentes da convivência social.
Sobretudo, ainda falta estratégia de coordenação das várias atividades desenvolvidas e que
poderiam contribuir para a promoção efetiva da convivência familiar e comunitária daqueles que
vivem nesses abrigos.
As questões mais decisivas talvez estejam relacionadas com a falta de integração entre
essas instituições e os demais atores da rede de atendimento, o que dificulta em muito a
realização de suas atividades em consonância com os princípios do ECA.
No tocante às alternativas ao Acolhimento Institucional é importante considerar o
acolhimento familiar provisório de crianças e adolescentes em situação de risco. Com efeito, na
busca de garantir o direito à convivência familiar e comunitária às crianças e adolescentes privados
do convívio com seus pais, uma primeira opção que poderia ser considerada é o acolhimento por
outros membros da família da criança ou adolescente em risco, a chamada família extensiva. Outra
forma de propiciar vivência em família para esta população seriam as experiências de acolhimento
por famílias, que têm surgido em vários lugares do mundo – sobretudo na Europa, e, mais
recentemente no Brasil – sob as denominações de famílias acolhedoras, guardiãs, madrinhas, entre
outras.
É preciso ser destacado, entretanto, que o acolhimento familiar não se apresenta como
substituto ao atendimento institucional ou às políticas de adoção. Ao contrário, deve ser mais uma
opção, na busca da melhor medida para cada criança ou adolescente que teve um ou mais de seus
direitos violados.
Na construção de que o atendimento institucional e o acolhimento familiar sejam opções
alternativas em vez de excludentes, busca-se humanizar o cuidado institucional, com a mudança da
postura institucional e do quadro de recursos humanos em relação aos abrigados e a suas famílias; a
organização de atendimentos complementares, como as experiências de crianças e adolescentes que
vivem em instituições e visitam famílias voluntárias em finais de semana e férias; ou, ainda, a
37

aproximação do ambiente institucional aos padrões familiares e residenciais, conforme


recomendado pelo ECA.
Da mesma forma que temos tradição de atendimento institucional como caminho usual na
atenção às crianças e adolescentes em situação de risco, a colocação em família substituta no Brasil
é muito mais conhecida na forma de adoção.
No Brasil, ainda não existe a tradição do acolhimento formal por famílias voluntárias e o
caminho mais usual de colocação em família substituta acaba sendo a adoção. Entretanto, como se
trata de uma medida definitiva, a adoção não deve ser vista como a única solução para os
problemas das crianças pobres brasileiras, inclusive para o problema da institucionalização
indiscriminada, como com freqüência se apresenta. Antes, a adoção deve ser encarada como uma
entre várias opções, a ser aplicada apenas quando as chances de manutenção ou recuperação dos
vínculos com a família de origem, incluindo-se a ampliada, não existem mais.
É preciso superar a aplicação indiscriminada de medidas que acarretam no afastamento de
crianças e de adolescentes de suas famílias de origem, o que, na prática, tem representado uma
forma de vitimizar famílias, crianças e adolescentes em situação de pobreza.
Desde a consagração da doutrina da proteção integral de crianças e adolescentes com a
Constituição de 1988, em seguida com o ECA e posteriormente com a LOAS, vem-se exigindo da
rede de atendimento, das instituições, dos programas e dos serviços que prestam atendimento às
crianças, aos adolescentes e às famílias a revisão e a mudança de suas práticas, no sentido de se
implantar alternativas que contemplem ações emancipatórias e, sobretudo que garantam os direitos
das crianças e dos adolescentes com prioridade absoluta nas políticas públicas, com decisões
fundadas na avaliação do seu melhor interesse, considerando sua voz e opinião.
38

5. DIRETRIZES

A mudança no paradigma do atendimento à criança e adolescente, sobretudo na efetivação


do seu direito à convivência familiar e comunitária apresentada na forma operacional deste Plano
fundamenta-se nas seguintes diretrizes:

• Centralidade da família nas políticas públicas

O direito das crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária está relacionada


à inclusão social de suas famílias. O reconhecimento da importância da família no contexto da vida
social está explicito no artigo 226 da Constituição Federal do Brasil, na Convenção sobre os
Direitos da Criança, no Estatuto da Criança e do Adolescente, na Lei Orgânica da Assistência
Social e na Declaração dos Direitos Humanos.
A família é compreendida como um grupo de pessoas com laços de consangüinidade, de
aliança, de afinidade ou de solidariedade, cujos vínculos circunscrevem obrigações recíprocas,
organizadas em torno de relações de geração e de gênero. Arranjos familiares diversos devem ser
respeitados e reconhecidos como potencialmente capazes de realizar as funções de proteção e de
socialização de suas crianças e adolescentes.
Sendo assim, “a família, independente de seu formato, é a mediadora das relações entre os
sujeitos e a coletividade e geradora de modalidades comunitárias de vida”.37 Portanto, diante de
situações de risco social e vulnerabilidades vividas pelas famílias brasileiras, principalmente por
pressões geradas pelos processos de exclusão social e cultural, essas famílias precisam ser apoiadas
pelo Estado e pela sociedade, para cumprir suas responsabilidades. Esse apoio visa a superação de
vulnerabilidades e riscos vividos por cada família, favorecendo e ampliando os recursos sócio-
culturais, materiais, simbólicos e afetivos que contribuem para o fortalecimento desses vínculos.
Diante disso, a centralidade da família no âmbito das políticas públicas se constitui em importante
mecanismo para a efetiva garantia do direito à convivência familiar e comunitária de crianças e
adolescentes.

37
Política Nacional de Assistência Social – PNAS (2004).
39

• Primazia da responsabilidade do Estado no fomento de políticas integradas de apoio à


família

No cumprimento do princípio da prioridade absoluta à garantia dos direitos da criança e do


adolescente, o Estado deve se responsabilizar por oferecer serviços adequados e suficientes à
prevenção e superação das situações de violação de direitos, possibilitando o fortalecimento dos
vínculos familiares e sócio-comunitários. O apoio às famílias e seus membros deve ser
concretizado na articulação eficiente da rede de atendimento das diferentes políticas públicas,
garantindo o acesso a serviços de educação, de saúde, de geração de trabalho e renda, de cultura, de
esporte, de assistência social, dentre outros. Nas situações de risco e enfraquecimento dos vínculos
familiares, as estratégias de atendimento deverão favorecer a reestruturação do grupo familiar e a
elaboração de novas referências morais e afetivas. Estas estratégias visam potencializar a família
para o exercício de suas funções de proteção e socialização e o desenvolvimento de sua autonomia,
incluindo o desenvolvimento de ações que possam levar à constituição de novos vínculos
familiares e comunitários em caso de ruptura dos vínculos originais. Para garantir a qualidade das
políticas de apoio às famílias, o Estado tem a responsabilidade de capacitar seus agentes e de
fiscalizar, monitorar e avaliar esses serviços na articulação dos níveis municipal, estadual e federal.

• Reconhecimento das competências da família na sua organização interna e na superação


de suas dificuldades

As políticas especiais para promoção, defesa e garantia do direito de crianças e adolescentes


à convivência familiar e comunitária devem reconhecer a família como um grupo social capaz de
se organizar e reorganizar dentro de seu contexto e a partir de suas demandas e necessidades. Em
sua relação com a sociedade e em sua rede de relações internas, a família apresenta capacidade de
criar soluções para seus problemas, e de rever e reconstruir seus vínculos ameaçados, a partir do
apoio recebido das políticas sociais.
Reconhecendo a complexidade desse processo, é preciso escutar e respeitar as famílias,
seus valores e crenças, criando com elas soluções que possam ser adequadas ao contexto, coerentes
com os direitos dos seus membros e consistentes com as políticas sociais.
40

• Respeito à diversidade étnico-cultural, à identidade sexual e à eqüidade de gênero

O apoio às famílias deve se pautar pelo respeito à diversidade dos arranjos familiares, às
diferenças étnico-raciais e culturais bem como à equidade de gênero, consoante com a Constituição
Federal. A defesa dos direitos de cidadania deve ter cunho universalista, considerando todos os
atores sociais desenvolvidos no complexo das relações familiares e sociais e tendo impacto
emancipatório nas desigualdades sociais. Dessa forma, o respeito à diversidade não pode ser
contraditório com uma ética dos direitos que incentive mudanças culturais, por meio do resgate das
tradições de cuidado e afeto nos vínculos familiares e comunitários, em suas bases de identidade
cultural, nem com a construção participativa de novas práticas. O respeito à diversidade está
associado à reflexão das famílias sobre suas bases culturais, ao combate aos estigmas sociais, à
promoção dos direitos humanos e ao incentivo aos laços de solidariedade social.

• Fortalecimento da autonomia do adolescente e do jovem adulto na elaboração do seu


projeto de vida

Sendo a criança e o adolescente sujeitos de direitos, é necessário reconhecer suas


habilidades, competências, interesses e necessidades específicas, incentivando-os, inclusive por
meio de espaços de participação nas políticas públicas, à busca compartilhada de soluções para as
questões que lhes são próprias.
Atenção especial deve ser dada aos adolescentes em regime de Acolhimento Institucional,
ou sem possibilidades de reatar os vínculos familiares e que requerem soluções participativas e
negociadas para a elaboração de seus projetos de vida. Os espaços públicos freqüentados por
crianças e adolescentes e as instâncias de formulação de políticas públicas constituem importantes
instrumentos para exercício dos direitos de cidadania, sob a perspectiva tanto de incentivar a
criatividade no campo das ciências, das artes, da cultura e dos esportes quanto na formação de
lideranças infanto-juvenis.
41

• Garantia dos princípios de excepcionalidade, brevidade e provisoriedade nos programas


de Acolhimento Familiar e Acolhimento Institucional38 de crianças e de adolescentes

Toda medida de proteção que indique o afastamento da criança e do adolescente de seu


contexto familiar, podendo ocasionar suspensão temporária ou ruptura dos vínculos atuais, deve
ser uma medida rara, excepcional. Apenas em casos onde a situação de risco e desproteção afetam
a integridade do desenvolvimento da criança e do adolescente é que se deve pensar no seu
afastamento da família de origem. A decisão sobre a separação é de grande responsabilidade, por
parte dos agentes sociais e deve estar baseada em fundamentação teórica sobre o desenvolvimento
infantil, as etapas do ciclo de vida individual e familiar e a teoria dos vínculos; e deve ter como
prioridades a comunicação na família e o investimento na reorganização dos laços familiares.
A análise da situação evita danos ao desenvolvimento da criança e do adolescente causados
por separações bruscas, longas e desnecessárias. Deve, ainda, considerar a qualidade das relações,
a atitude proativa de seus membros na requalificação dos vínculos e construção de sua autonomia.
A decisão por um afastamento definitivo, ou seja, a destituição do poder familiar, só deve
ocorrer após um investimento eficiente na busca de recursos na família de origem, nuclear ou
extensa, com acompanhamento profissional sistemático e aprofundado de cada caso e
considerando o tempo de afastamento, a idade da criança e do adolescente e a qualidade das
relações.
Cabe esclarecer que a expressão “Acolhimento” utilizada neste Plano refere-se aos
Programas de Proteção Social Especial de “Acolhimento Institucional” ou “Acolhimento
Familiar”. Por Acolhimento familiar entende-se a modalidade de atendimento que oferece
acolhimento na residência de famílias previamente cadastradas, selecionadas, capacitadas e
acompanhadas para receber crianças e/ou adolescentes com medida de proteção, que necessitem de
acolhimento fora da família de origem até que seja possível sua reintegração familiar ou
encaminhamento para família substituta. Por Acolhimento Institucional entende-se a modalidade
de atendimento integral institucional que oferece acolhimento, cuidado e espaço para socialização e
desenvolvimento de crianças e adolescentes com medida de proteção, que necessitem de
acolhimento fora da família de origem, até que seja possível sua reintegração familiar ou
encaminhamento para família substituta. Recebem atualmente várias denominações, tais como:
“abrigos”, “casas lares”, “casas de passagem”, entre outros.

38
Medidas de proteção especial, excepcional e temporária que visam atender crianças e adolescentes que precisam ser afastados provisoriamente de
suas famílias de origem.
42

• Reordenamento institucional dos programas de Acolhimento Institucional em


consonância com as normativas nacionais, priorizando o desenvolvimento de ações
sustentadas nos princípios dos direitos humanos

O reordenamento institucional se constitui em um novo paradigma na política social que


deve ser incorporado por toda a rede de atendimento social do país. Reordenar o atendimento
significa reorientar as redes pública e privada, que historicamente praticaram o regime de
abrigamento, para afinarem-se com a mudança de paradigma proposto, de eleger a família como a
unidade básica da ação social, e não mais a criança, o adolescente, o deficiente físico ou o idoso,
individualmente e deslocado de seu contexto familiar. Conselhos Municipais dos Direitos da
Criança e do Adolescente, Conselhos Municipais de Assistência Social e órgãos públicos
repassadores de recursos podem sugerir adequações, tanto nos estatutos quanto nos projetos
pedagógicos das entidades, como condição para o registro, para aprovação de projetos e/ou para
liberação de recursos. Esta diretriz requer ações como: 1) mudança na sistemática de financiamento
das entidades de abrigo, eliminando-se formas que incentivem a manutenção indefinida das
crianças e adolescentes na instituição – como o financiamento por criança e adolescente atendido;
2) qualificação dos profissionais que trabalham na entidade; 3) estabelecimento de indicadores
qualitativos e quantitativos de avaliação para a entidade; 4) desenvolvimento ou incorporação de
metodologias para trabalho com famílias; 5) ênfase na prevenção ao abandono e na recuperação
das competências da família; 6) reconhecimento da autonomia e da competência da família para
bem criar e educar os seus filhos, 7) adequação do espaço físico e do número de crianças e
adolescentes atendidos em cada unidade, de forma a garantir o atendimento individualizado e em
pequenos grupos, 8) articulação com a rede de serviços e o SGD. As instituições que aceitarem
reordenarem-se podem continuar atendendo em regime de abrigamento, em situações de
provisoriedade, brevidade e de excepcionalidade, desde que incluam em seus objetivos o
atendimento: 1) das famílias das crianças e dos adolescentes abrigados; 2) famílias das crianças e
adolescentes desabrigadas; 3) famílias da comunidade em situação de vulnerabilidade social e/ou
que sejam encaminhados por agentes do sistema de garantia de direitos.

• Adoção centrada no interesse da criança e do adolescente

De acordo com o ECA, a colocação em família substituta, concebida nas formas de guarda,
tutela e adoção, é uma medida de proteção que visa garantir o direito fundamental das crianças e
adolescentes à convivência familiar e comunitária. Entretanto, tradicional e culturalmente a adoção
43

foi e ainda é bastante aplicada no Brasil com a finalidade precípua de dar filhos a quem não os
tem, estando, portanto, centrado no interesse dos adultos.
O direito de toda criança e adolescente cujos pais foram destituídos do poder familiar deve
prevalecer sobre o desejo dos pretendentes a adoção. A orientação deve seguir a idéia de “uma
família para uma criança” e não de “uma criança para uma família”. Isso pressupõe a busca de
famílias disponíveis a acolherem crianças e adolescentes hoje privados do direito à convivência
familiar e comunitária. Não se trata mais de procurar crianças para preencher o perfil desejado
pelos pretendentes, mas sim de informá-los quanto ao perfil dessas crianças e adolescentes
efetivamente disponíveis para adoção. Este é o sentido da proposta de uma nova cultura para a
adoção, que não mais se atém à semelhança biológica, tradicionalmente procurada na adoção, mas
que entende a adoção como alternativa excepcional e extraordinária para assegurar o direito à
convivência familiar e comunitária.
A nova cultura da adoção visa estimular, sobretudo, as adoções inter-raciais, as adoções
tardias39 a adoção de crianças e adolescentes com deficiências físicas ou mentais e a adoção de
crianças e adolescentes com doenças congênitas e afetados pelo vírus HIV/AIDS, para assegurar a
todos o respeito ao seu direito à convivência familiar e comunitária.

• Controle social das políticas públicas

Efetivada nas normativas constitucional e infraconstitucionais (Constituição Federal,


Convenção sobre os Direitos da Criança, ECA, LOAS, LDB e LOS) a participação popular, com
caráter democrático e descentralizado se dá em cada esfera do governo, abrangendo o processo de
gestão político-administrativa-financeira e técnico-operativa. O controle do Estado deve ser
exercido pela sociedade na busca de garantir os direitos fundamentais e os princípios democráticos.
Os Conselhos e as Conferências são espaços privilegiados para esta participação, mas,
também existem outros como a mídia e os conselhos profissionais. As Conferências avaliam a
situação das políticas públicas e da garantia de direitos, definem diretrizes e avaliam os seus
avanços. Os Conselhos têm, dentre outras, a responsabilidade de formular, deliberar e fiscalizar a
política de atendimento, normatizar, disciplinar, acompanhar e avaliar os serviços. Avanços na
organização e fortalecimento da participação da população são necessários, buscando a integração
das políticas sociais nos níveis federal, estadual e municipal.
A consolidação de novas representações e práticas das famílias e da sociedade acerca dos
direitos das crianças e adolescentes reside na sustentabilidade de uma mudança cultural. A
legitimidade desta mudança cultural apóia-se nos processos participativos e no exercício do
39
São consideradas adoções tardias as adoções de crianças acima de dois anos de idade.
44

controle social, por meio das instituições da sociedade, sobre a política social e na ética da defesa
dos direitos.
45

6. OBJETIVOS GERAIS

1. Ampliar, articular e integrar as políticas, os programas, os projetos, os serviços e as ações


de apoio sócio-familiar para a promoção, defesa e garantia do direito a convivência familiar
e comunitária;

2. Difundir uma cultura de promoção, defesa e garantia do direito de crianças e adolescentes à


convivência familiar e comunitária.

3. Parametrizar o Acolhimento Institucional como medida de caráter excepcional e provisório,


assegurando atendimento individualizado de qualidade e em pequenos grupos;

4. Fomentar e implementar alternativas à institucionalização, na forma de programas de


Acolhimento Familiar e de programas para promoção da autonomia do adolescente e do
jovem adulto;

5. Aprimorar os procedimentos de adoção nacional e internacional.


46

7. RESULTADOS PROGRAMÁTICOS

O direito à convivência familiar e comunitária, assegurado como fundamental na Carta


Constitucional e na legislação infraconstitucional, garantido a todas as crianças e adolescentes,
demanda iniciativas de diferentes políticas públicas e sociais.
Essa articulação e intersetorialidade entre as políticas, no Sistema de Garantia de Direitos e
respaldados pelos seus mecanismos de exigibilidade de direitos, é condição fundamental para que a
família, a comunidade, o poder público e a sociedade em geral assegurem a efetivação dos direitos
descritos nos artigos 227 da Constituição Federal e 4º do ECA.
O fortalecimento, a efetivação e a consolidação desses direitos passam necessariamente pela
concretização de políticas, programas, projetos, serviços e ações que assegurem aquilo o que antes
se constituía em expectativa de direito.
O Plano Nacional de Promoção, Defesa e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à
Convivência Familiar e Comunitária pretende, com sua execução, materializar esse direito
fundamental, alcançando resultados programáticos a seguir descritos:

• Família de origem/comunidade
 Famílias incluídas, principalmente aquelas em maior vulnerabilidade social, nas políticas
sociais de educação, saúde, assistência social, esporte cultura e lazer e tendo acesso a:
habitação digna; creches; atividades lúdicas, esportivas e culturais que respeitem a
diversidade étnico-racial e de gênero; escolarização formal e reforço escolar no contra-
turno escolar; tratamento preventivo e curativo da dependência de álcool e outras drogas na
rede de saúde, informações/orientações quanto ao pré-natal tanto no atendimento ao aspecto
físico quanto no psicoafetivo, com destaque para mães adolescentes; oferta de métodos
contraceptivos aos que desejarem, apoio às crianças e adolescentes com deficiência e
afetados pelo vírus HIV/AIDS e suas famílias; apoio sócio-familiar; atividades sócio-
educativas; atendimento psicossocial; transferência de renda; qualificação profissional;
geração de renda e inclusão no mundo do trabalho;
 Famílias estimuladas a buscar e participar em sua comunidade de diferentes espaços de
integração e mobilização social, assegurando por meio do controle social a qualidade dos
serviços e, sobretudo favorecendo o dinamismo a diversidade cultural e a sua participação
política;
47

 Equipamentos e serviços públicos disponibilizados em quantidade e qualidade suficientes e


prontos para atender às demandas da população em situação de vulnerabilidade social, com
programas e ações preventivos à fragilização e/ou rompimento de vínculos;
 Família participando ativamente nos projetos político-pedagógicos dos programas de
atendimento governamental e não-governamental de apoio sócio-educativo às crianças e
adolescentes, incluindo também os programas que atendem adolescentes em conflito com a
lei;
 Equipamentos, programas e serviços públicos e sociais em permanente articulação entre si e
com os Conselhos Tutelares, Vara da Infância e Juventude, Ministério Público, Conselhos
de Direitos e Setoriais de políticas públicas, mantendo uma rede de informações que
assessore o atendimento e acompanhamento das famílias;
 Família com vínculos fragilizados incluídas em programas de superação de violação de
direitos e fortalecimento de vínculos familiares;
 Famílias em situação de vulnerabilidade incluídas em ações de fortalecimento da
autonomia, da independência, da auto-estima e da identidade, tendo reconhecidas as
diferenças culturais, favorecendo a existência de um contexto positivo para a criação dos
filhos e o desenvolvimento de seus projetos de vida.

• Abrigos e alternativas de Acolhimento Institucional e Acolhimento Familiar


 Modalidades de Acolhimento Institucional (Casa de Passagem, Abrigo de pequeno porte,
Casa Lar e República) oferecidos na rede de atendimento municipal;
 Todos os programas de Acolhimento Institucional e Acolhimento Familiar devidamente
registrados no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA),
atendendo as diretrizes do artigo 92 do ECA e no Conselho Municipal de Assistência Social
(CMAS);
 Programas de Acolhimento Institucional e Acolhimento Familiar em constante articulação
com o Conselho Tutelar e a Vara da Infância e Juventude para o acompanhamento;
 Programas de Acolhimento Institucional e Acolhimento Familiar assegurando os princípios
de excepcionalidade, provisoriedade e transitoriedade no atendimento, priorizando o
enfoque nas relações afetivas da criança e do adolescente com suas famílias de origem;
 Parâmetros nacionais de atendimento para programas de Acolhimento Familiar elaborados
conjuntamente pelos Conselhos Nacionais dos Direitos da Criança e do Adolescente e da
Assistência Social e critérios de operacionalização definidos pelos Conselhos Municipais
48

dos Direitos da Criança e do Adolescente e da Assistência Social em cumprimento pelos


programas;
 Programas de Acolhimento Familiar funcionando como alternativa ao abrigamento em
instituições e reconhecidos como medida de proteção social e defesa do direito à
convivência familiar e comunitária e, portanto incorporados na política de atendimento à
infância e juventude e as demais políticas públicas municipais;
 Famílias dos programas de Acolhimento Familiar capacitadas para o atendimento, para
facilitar a reconstrução e/ou preservação do vínculo com a família de origem e para manter
grupos de irmãos em um mesmo programa;
 Crianças e adolescentes de programas de Acolhimento Institucional sem perspectivas de
adoção, colocadas em programas de Acolhimento Familiar ou em programas que estimulem
a passagem para a sua autonomia;
 Projeto político-pedagógico dos programas de Acolhimento Institucional prevendo: a
incompletude institucional, o atendimento personalizado e orientado pelo Plano Individual
de Atendimento da criança e do adolescente, o atendimento em pequenos grupos, a
manutenção de grupos de irmãos num mesmo programa, o registro de dados de cada criança
e adolescente constantemente atualizado, a preparação para o desligamento e a participação
na comunidade local;
 Profissionais do Acolhimento Institucional capacitados permanentemente no trabalho social
de famílias e atuando sistematicamente no reforço aos vínculos familiares, priorizando o
investimento na família de origem e na defesa do direito à convivência familiar e
comunitária das crianças e adolescentes que vivem em instituições;
 Crianças e adolescentes pretendidos à adoção atendidos por programas de Acolhimento
Institucional sendo previamente preparados;
 Aumento dos encaminhamentos de crianças e adolescentes aos programas de Acolhimento
Familiar (como transição para a volta á família de origem), aos programas que estimulem a
passagem para a autonomia ou encaminhadas à Adoção reduzindo a permanência no
Acolhimento Institucional;
 Destituição do poder familiar proposto com segurança pelos profissionais dos programas
quando esgotados todos os investimentos na capacidade de reorganização do contexto que
gerou o afastamento da criança e do adolescente da família de origem, nuclear ou extensa.
49

• Adoção nacional e internacional


 Aumento do número de famílias pretendentes à adoção disponíveis em acolher criança
maiores de cinco anos independente da raça/etnia,40 deficiência ou estado de saúde;
 Famílias adotivas devidamente preparadas e acompanhadas pela equipe técnica da Vara da
Infância e Juventude (VIJ) da sua comarca e por grupos de apoio à adoção (GAA);
 Famílias pretendentes à adoção assessoradas com eficiência pela Defensoria Pública e/ou
advogado particular durante o processo de adoção;
 Metodologia desenvolvida e consensuada entre a VIJ e o GAA para apresentação da família
pretendente à criança e ao adolescente a serem adotados respeitando o tempo e o
entrosamento gradual entre as partes;
 Crianças e adolescentes com os devidos dados e registros da sua história de vida de forma
que a família pretendente tenha condições de adotar suas histórias;
 Estágio de convivência da família adotiva com a criança e adolescente autorizado pela VIJ
da comarca de origem devidamente respaldado pelo acompanhamento técnico;
 Busca ativa de pais para crianças e adolescentes priorizando a adoção nacional;
 Famílias adotivas freqüentando grupos de pais adotivos, recebendo atendimento
individualizado com freqüência sistemática durante o período previamente determinado
(aproximadamente um ano, podendo estender-se caso necessário), recorrendo sempre que
necessário à equipe técnica da VIJ, da sua região, todas as vezes que necessitar durante o
período de adaptação da criança e do adolescente;
 Seminários e trocas de experiências auxiliando no aprimoramento de metodologias de
acompanhamento;
 Sociedade brasileira informada sobre adoções inter-raciais e tardias reduzindo o preconceito
às famílias adotivas.
 Encaminhamento processual da adoção agilizado, depois de esgotadas todas as
possibilidades de reintegração à família de origem, evitando a longa permanência de
crianças e adolescentes nos programas de Acolhimento Institucional;
 Adoções nacionais bem sucedidas e país sendo reconhecido pela qualidade com que
promove a adoção nacional;

40
Considera-se que o termo raça, longe de possuir na atualidade as conotações biológicas que tinha nos séculos XIX e começo do XX, é um
conceito socialmente construído. Utilizado como indicador específico das diferenças e desigualdades sociais determinadas pela cor e, portanto, serve
para entender as discriminações raciais existentes no Brasil.
50

 Crianças e adolescentes encaminhados para adoção internacional somente nos casos em que
estejam esgotadas todas as tentativas de adoção em território nacional, respeitando a
Convenção de Haia de 1993;
 Cadastro nacional de adoção em rede informatizada e em funcionamento organizado sob
responsabilidade da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, denominado
SIPIA/INFOADOTE, favorecendo a comunicação fluente entre diversas Autoridades
Centrais Estaduais e o agrupamento de informações relativas às crianças abrigadas e aos
pretendentes nacionais e estrangeiros à adoção.

• Sistema de Garantia de Direitos da criança e do adolescente


 Políticas públicas e, principalmente, sociais, entre elas: educação, saúde, assistência social,
cultura, esporte, lazer, trabalho, previdência social, segurança pública, executando suas
ações intersetorialmente com qualidade e chegando efetivamente aos seus destinatários;
 Conselhos Tutelares, Judiciário, Poder Executivo, Organizações Não-Governamentais,
Poder Legislativo, Conselhos de Direitos e Setoriais e sociedade em geral desempenhando
ativamente suas tarefas e responsabilidades na rede de atendimento às crianças e
adolescentes afastados ou em vias de afastarem-se do convívio familiar;
 Conselho Tutelar desempenhando suas prerrogativas legais, tendo sua decisão de
abrigamento respaldada num consciencioso diagnóstico da excepcionalidade da medida e
conselheiros tutelares com boa estrutura logística mantendo estreito contato com toda a rede
de serviços e sobretudo respaldado pelo Poder Executivo local;
 Poder Executivo desempenhando suas prerrogativas legais, sendo responsável pelo
atendimento à população e contando com equipe profissional em estreita parceria com o
Conselho Tutelar, realizando o diagnóstico e o acompanhamento às famílias de forma
preventiva e protetiva por meio medidas de Acolhimento (Institucional ou Familiar),
promovendo a proteção social básica e especial da criança e do adolescente em situação de
risco;
 Organizações não-governamentais oferecendo complementação ao atendimento oferecido
pelo Poder Executivo e requisitando a participação ativa da comunidade na solução de seus
problemas; atuando de forma integrada com as demais organizações da rede de
atendimento, de acordo com a sua missão institucional e as necessidades locais de trabalho
especializado;
 Sociedade civil organizada participando ativamente nos Conselhos de Direitos e Setoriais,
deliberando e monitorando as políticas municipais, oferecendo programas de Apoio Sócio-
51

familiar, atividades sócio-educativas, geração de trabalho e renda, Abrigo, Casa lar,


Repúblicas e Acolhimento Familiar;
 Poder Judiciário desempenhando suas prerrogativas legais, aplicando as medidas legais de
proteção; contando com equipe técnica interdisciplinar própria, eficientemente articulada
com todos os atores sociais da região, monitorando a aplicação das medidas legais
deliberadas em juízo; em estreita articulação com o Conselho Tutelar, o Poder Executivo e
a sociedade civil organizada, promovendo a proteção das crianças e adolescentes e
prestando atendimento efetivo a suas famílias;
 Poder Legislativo desempenhando suas prerrogativas legais, promovendo a revisão das leis;
monitorando o orçamento público, determinando à Prefeitura a aplicação da política
municipal deliberada no Conselho de Direitos e Setoriais promovendo por meio de
audiências públicas espaço aberto para o controle social com participação de todos os atores
sociais estratégicos;
 Conselhos de Direitos e Setoriais desempenhando suas prerrogativas legais, sendo
responsáveis pela discussão democrática e elaboração de políticas públicas, envolvendo
crianças, adolescentes e suas famílias; controlando as ações do Poder Executivo visando à
implementação das políticas e programas de atendimento, acionando a participação da
sociedade civil organizada;
 Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente (FDCA) e Fundo Municipal da Assistência
Social (FMAS) desempenhando uma gestão ágil e autônoma e contando com a participação
dos diversos setores da sociedade; contando, também, com recursos suficientes para
implementar suas propostas;
 Famílias participando ativamente da rede de atendimento, sendo lideranças protagonistas na
defesa dos direitos de sua comunidade;
 Sociedade em geral, sendo mobilizada por meio de campanhas de divulgação pressionando
os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, de forma a garantir a implementação e a
continuidade das políticas públicas;
 Controle social sobre a execução dos programas e dos orçamentos contando com a
participação popular, além do Estado e da sociedade civil organizada;
 Agilidade no fluxo de informações e troca entre atores sociais estratégicos garantindo a
otimização dos resultados no atendimento às crianças e adolescentes e famílias em situação
de risco;
 Sistema de registro e de tratamento de dados para cada caso de criança e adolescente
afastado de sua família, por intermédio do SIPIA – Módulo de acompanhamento de
52

crianças e adolescentes em programas de Acolhimento Familiar e Institucional –,


estabelecido e alimentado por todos os atores do Sistema e programado de forma a obter
informações que orientem no diagnóstico, acompanhamento de cada caso e prognóstico;
 Conselho Municipal de Direitos, de Assistência Social e a Câmara de Vereadores, por meio
de suas assembléias e audiências públicas, se constituindo em espaços privilegiados para
articulação dos atores sociais locais e participação conjunta na elaboração e monitoramento
de políticas públicas de proteção social e de garantia de direitos.
53

8. PLANO DE AÇÃO

As propostas operacionais deste Plano estão organizadas em quatro eixos estratégicos


articulados entre si: 1) Análise da situação e sistemas de informação, 2) Atendimento, 3) Marcos
normativos e regulatórios e 4) Mobilização, articulação e participação. Os quadros a seguir são
resultados de um esforço para propor ações em curto, médio e longo prazo,41 almejando caminhar
na direção de uma sociedade que de fato respeite o direito à convivência familiar e comunitária.

Eixo 1 – Análise da Situação e Sistemas de Informação

São propostos objetivos, ações e estratégias que enfatizam:


 Mapeamento quantitativo e qualitativo sobre família, programas de atendimento e adoção;
 Realização e socialização de pesquisas nas esferas estaduais e municipais sobre convivência
familiar e comunitária;
 Levantamento de pesquisas existentes que auxiliem na análise e indicação de critérios de
qualidade do atendimento;
 Identificação de lacunas na oferta de dados dos Sistemas de Informação;
 Implementação nacional do SIPIA nos seus módulos: ( I) Registro de violações de direitos,
(II) Medidas sócio-educativas; ( III) Cadastro de Adoções /InfoAdote e (IV) Cadastro de
Conselhos de Direitos e Tutelares;
 Implantação e implementação de Conselhos Tutelares que faltam no Brasil;
 Elaboração de indicadores de monitoramento e avaliação;
 Aperfeiçoamento, articulação e integração entre os sistemas de informação existentes;
 Capacitação de atores estratégicos para operacionalização dos sistemas propostos.

Eixo 2 – Atendimento

São propostos objetivos, ações e estratégias que enfatizam:


 Ampliação e estruturação de programas de atendimento sócio-familiar;
 Sistematização de metodologias participativas de trabalho com famílias e comunidade;
 Reordenamento institucional do sistema de atendimento com ênfase para os programas de
abrigos e instrumentalização para sua regulamentação;

41
Para efeito deste documento considerou-se a seguinte temporalidade: curto prazo – até 2007; médio prazo – de 2007 a 2010 e longo prazo – de
2010 a 2016.
54

 Implementação de políticas e programas de acolhimento familiar;


 Ampliação de programas de emancipação para adolescentes e/ou jovens abrigados;
 Construção de parâmetros de atendimento para programas de Acolhimento Institucional, e
suas diferentes modalidades, e Acolhimento Familiar;
 Sistematização e socialização de boas práticas no atendimento às famílias, no acolhimento
familiar, no Acolhimento Institucional e na adoção;
 Fortalecimento e integração das ações governamentais (intersetorialidade) entre as
diferentes políticas e programas sociais;
 Fortalecimento e integração entre os diferentes Conselhos Setoriais;
 Aprimoramento dos procedimentos de adoção, incluindo a implementação de cadastro
nacional de pretendentes à adoção e de crianças e adolescentes passíveis de serem adotados;
 Formação continuada em todos os níveis da federação, com metodologias participativas,
que promovam a mudança de paradigma necessária à transformação da cultura que apóia o
direito a convivência familiar e comunitária.

Eixo 3 – Marcos Normativos e Regulatórios

São propostos objetivos, ações e estratégias que enfatizam:

 Aperfeiçoamento dos marcos normativos e regulatórios, para a efetivação da promoção,


defesa e garantia do direito à convivência familiar e comunitária.
 Regulamentação e aplicação dos conceitos de provisoriedade e excepcionalidade nos
programas de Abrigo;
 Regulamentação dos procedimentos necessários ao reordenamento das instituições e seus
programas junto aos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e de
Assistência Social;
 Elaboração de parâmetros para definição do papel e função de educador social;
 Estabelecimento de parâmetros para as diferentes modalidades de programas de
Acolhimento Institucional e para programas de Acolhimento Familiar;
 Regulamentação dos programas de Acolhimento Familiar;
 Garantia de igualdade, equidade e inclusão em programas de Acolhimento Institucional,
Acolhimento Familiar e Adoção;
 Aprimoramento de instrumentos legais de proteção social que oferecem alternativas e a
possibilidade do contraditório à suspensão ou destituição do poder familiar;
 Regulamentação da legislação referente à Adoção;
55

 Estabelecimento de parâmetros que garantam a legalidade dos procedimentos de Adoção


nacional e internacional.

Eixo 4 – Mobilização, Articulação e Participação

São propostos objetivos que enfatizam:


 Estabelecimento de estratégias de comunicação social para mobilização da sociedade e
afirmação de novos valores;
 Qualificação do trabalho da imprensa;
 Identificação de pontos de contato e interfaces entre o Plano Nacional de Promoção, Defesa
e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, e
os Parâmetros para a institucionalização e fortalecimento do Sistema de Garantia de
Direitos (Resolução 105, CONANDA) e do Sistema Nacional de Atendimento Sócio-
Educativo (SINASE) e com as demais políticas públicas e programas governamentais,
visando à integração de ações;
 Articulação e integração de ações entre as três esferas de Poder;
 Ampliação da participação da sociedade e do controle social;
 Mobilização e articulação para a garantia da provisoriedade, excepcionalidade do
Acolhimento Institucional e para o reordenamento dos Abrigos;
 Inclusão da temática da convivência familiar e comunitária em cursos de formação de
educadores, operadores do SGD, lideranças comunitárias e religiosas, dentre outros atores
sociais;
 Inclusão da disciplina “direitos da criança e do adolescente” em programas de concursos
públicos;
 Garantia de recursos financeiros e orçamentários para a realização deste Plano.
56

EIXO 1 – ANÁLISE DA SITUAÇÃO E SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

Objetivos Ações Resultados Cronograma Responsáveis Estratégias


1. Aprofundamento do 1.1. Verificar junto às instâncias Conhecimento SEDH, MDS, MS, • Articulação com
Curto prazo
conhecimento em relação à federais, Estaduais e Municipais sistematizado MEC e IPEA/MPO, Programa Presidente
situação familiar das crianças e os dados quantitativos e instituições de pesquisa, Amigo da Criança
adolescentes em seu contexto qualitativos disponíveis sobre Gestores e Conselhos (1.1);
sócio-cultural identificando os crianças, adolescentes e famílias Estaduais e Municipais
• Articulação com
fatores que favorecem ou
CadÚnico do MDS
ameaçam a convivência familiar 1.2. Realizar pesquisas • Pesquisas realizadas IPEA/MPO, SEDH,
Médio prazo (1.1);
e comunitária estaduais e municipais, e relatórios MDS, MS, MEC e
quantitativas e qualitativas, concluídos CONANDA, • Utilização dos
sobre a convivência familiar e Instituições de CRAS/MDS como
• Dadossocializados e
comunitária, comparando pesquisa, Gestores e fontes de dados sobre
discutidos
situações de manutenção ou Conselhos Estaduais e famílias (1.1)
fortalecimento de vínculos com Municipais
• Articulação nacional
outras de seu enfraquecimento
para implantação de
ou ruptura , com posterior
Subcentros Focais e
socialização dos dados e
Centros de Usuários
discutição dos resultados.
da REDINFA (1.1,
1.3, 1.5);
1.3. Identificar pesquisas • Conhecimento IPEA/MPO, SEDH e
Médio prazo • Articulação com
existentes sobre a situação sistematizado MDS, Instituições de
sócio-familiar das crianças e pesquisa, Gestores e CNPq e outras
adolescentes em Programas de Conselhos Estaduais e agências de fomento
Apoio Sócio-Familiar,42 • Dadossocializados e Municipais à pesquisa, nacionais
Acolhimento Familiar,43 discutidos e estaduais, linhas de
Acolhimento Institucional44 e crédito para pesquisas
Adoção45 , com posterior nessa área (1.2);
socialização dos dados e • Articulação com
discutição dos resultados
instituição/grupo de
57

pesquisadores,
1.4. Definir indicadores dos Indicadores definidos SEDH e MDS
Médio prazo incluindo o IPEA
fatores que favorecem ou
para delineamento de
ameaçam a convivência familiar
projeto de pesquisa
e comunitária
na área (1.2);
• Criação de GT
técnico, incluindo o
Ministério do
Planejamento, por
meio de suas
instituições
vinculadas como o
IPEA e o IBGE, e a
SAGI/MDS, para
análise das pesquisas
realizadas,
sistematização de
dados e definição dos
indicadores (1.4);
• Publicação de
resultados obtidos e
envio aos conselhos,
gestores e operadores
de políticas públicas
nos níveis estadual e
municipal, bem como
inclusão do tema em
Conferências setoriais
e eventos de
capacitação (1.5).

42
Trabalho social de prevenção de riscos sociais, promoção de direitos e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários por meio de ações interligadas nas dimensões assistenciais, sociais e educativas.
43
Ato de acolher e cuidar dos filhos de outra pessoa, no espaço familiar, por tempo variável. A família mantém sua organização e espaço original e acolhe um filho de outra família.
44
Remeter à Dept. de Proteção Social Especial – SNAS/MDS
45
Prática de colocação legal e definitiva de uma criança ou adolescente em outra família que não seja aquela onde nasceu e que lhe confere vínculo de filiação definitivo com os mesmos direitos e deveres, inclusive
sucessórios, sendo a adoção é irrevogável.
58

2. Mapeamento e análise das 2.1. Levantar e cadastrar os Levantamento IPEA/MPO, MDS, • Contratação do
Médio prazo
iniciativas de Apoio Sócio- Programas de Acolhimento realizado e programas SEDH, CONANDA e IBGE, pelo MDS (já
Familiar, de Acolhimento Institucional e Familiar cadastrados CNAS, Gestores e efetivada), para
Familiar, de Acolhimento existentes em cada município, Conselhos Estaduais e realização da
Institucional e de Adoção e sua articulando-os a um sistema Municipais Pesquisa de
adequação aos marcos legais nacional de informação Entidades da
gerencial Assistência Social
(PEAS), com
2.2. Levantar pesquisas Levantamento IPEA/MPO, MDS, participação de outros
Médio prazo órgãos do MPO
existentes, visando identificação realizado SEDH e CONANDA,
de atores, de concepções e de Gestores Estaduais e (IPEA, SPI, SOF) na
metodologias de Programas de Municipais análise e
Apoio Sócio-Familiar, de desdobramentos
Acolhimento Familiar, de quanto a
Acolhimento Institucional e de planejamento e
Adoção, que auxiliem na análise orçamento. (2.1 e 2.2)
e na indicação de critérios de
• Articulação nacional
qualidade do atendimento
para implantação de
Subcentros Focais e
2.3. Elaborar indicadores de Indicadores de IPEA/MPO, MDS, Centros de Usuários
Médio prazo
monitoramento e avaliação dos monitoramento SEDH e CONANDA da REDINFA (2.2)
Programas de Apoio Sócio- elaborados
Familiar, de Acolhimento • Desenvolvimento,
Familiar e Institucional e de pelo MDS, de
Adoção Sistema de
Monitoramento do
Programa de Atenção
Integral à Família
(PAIF) (2.3)
• Articulação com
Conselhos Estaduais
e Municipais de
Assistência Social e
de Direitos (2.1)
• Incorporação nas
tarefas do GT técnico
a tarefa de elaboração
de indicadores de
monitoramento (2.3)
59

3. Aprimoramento e valorização 3.1. Identificar lacunas na oferta Lacunas na oferta de IPEA/MPO, MDS, • Articulação entre os
Médio prazo
da comunicação entre os de dados dos sistemas de dados e dificuldades SEDH, MS, MEC e MJ atores institucionais
Sistemas de Informação sobre informações e as dificuldades de de interface entre os que operam Sistemas
crianças, adolescentes e família, interface entre esses sistemas, Sistemas de de Informação
com ênfase no Apoio Sócio- identificando a demanda e Informações relativos à criança,
Familiar, Acolhimento Familiar, propondo dados a serem identificadas e adolescente e família
Acolhimento Institucional e incorporados, incluindo seção campos incluídos (IBGE, CadÚnico,
Adoção de dados sobre famílias nos InfoSUAS, SIPIA,
Sistemas de Informação DATASUS, dentre
outros) (3.1, 3.3, 3.4,
3.2. Implementar nacionalmente Cadastro nacional em ACAF e SEDH 3.6 e 3.9)
Médio prazo
o SIPIA/InfoAdote – 46 para funcionamento
• Articulação com
viabilizar o sistema de adoção
Conselho das
nacional Autoridades Centrais
Brasileiras (3.2 e 3.7)
3.3. Promover a sinergia entre Integração entre os MDS, SEDH, MJ,
Médio prazo • Incorporação nas
os Sistemas de Informação Sistemas de MS , MCT, MRE e
nacionais, governamentais e Informações realizada MEC tarefas do GT
não-governamentais e com os e campos incluídos técnico, a análise dos
sistemas internacionais, Sistemas de
multilaterais e latino- Informação e
americanos 47 proposição de
adequações, que
3.4. Desenvolver módulo no Módulo do SIPIA Criação – Médio prazo SEDH visem sua
SIPIA para acompanhamento criado e em organicidade e
das crianças e adolescentes em funcionamento Funcionamento pleno – comunicação
Programas de Acolhimento Longo prazo
Familiar e Acolhimento
Institucional, com Banco de
Dados e Módulo Gerencial para
os níveis municipal, estadual e
nacional

46
Módulo III do Sistema de Informação para Infância e Adolescência (SIPIA), que registra dados para subsidiar a colocação de crianças e adolescentes em família substituta por meio de adoção por pretendentes
brasileiros ou estrangeiros.
47
Especialmente CNPq/Prossiga; e SEDH/RIIN – Rede Interamericana de Informação sobre Infância, Adolescência e Família.
60

3.5. Realizar seminário nacional Seminário realizado e SEDH e CONANDA


Médio prazo
para discussão de estratégias de estratégias elaboradas
financiamento de Sistemas de
Informação sobre crianças e
adolescentes em situação de
risco

3.6. Capacitar atores Operadores MDS e SEDH


Médio prazo
estratégicos para a capacitados para Gestores Estaduais e
operacionalização do Banco de alimentar e utilizar o Municipais
Dados referido no item 3.4. Banco de Dados
(SIPIA)

3.7. Implantar e implementar os Conselhos Tutelares SEDH,


Médio prazo
Conselhos Tutelares que faltam instalados e Gestores Estaduais e
no Brasil e instrumentalizar os alimentando o SIPIA Municipais, CEDCAs e
mesmos para operar o SIPIA CMDCAs

3.8. Obter e incluir, no Dados incluídos MDS e


Médio prazo
CadÚnico, dados sobre crianças Gestores Municipais
e adolescentes que vivem com
adultos sem vínculo legal e de
famílias que possuem filhos em
abrigos
61

EIXO 2 – ATENDIMENTO

Objetivos Ações Resultados Cronograma Responsáveis Estratégias


1. Articulação entre as políticas 1.1. Estimular a integração dos Estratégias de SEDH, MDS, MEC, • Atuação da SEDH
Curto prazo
públicas de atenção à crianças, Conselhos Municipais dos integração e ação da MS, CONANDA, para essa integração
adolescentes e famílias. Direitos da Criança e do rede de atendimento CNAS, programática e
Adolescente, de Assistência às famílias elaboradas Gestores Estaduais e operacional nos
Social, da Saúde e da Educação e fluxo de Municipais momentos de
para elaboração de estratégias informações entre os articulação de
de integração e ação da rede de Programas “Mutirões
atendimento às famílias constituídos Interinstitucionais”
(ver Objetivo 4) (1.1,
1.2, 1.3).
1.2. Estimular a ação integrada Programas articulados MPO, SEDH, MDS, • Exigibilidade,
Curto prazo enquanto estratégia
de Programas e serviços de e integrados MEC, MS,
Apoio Sócio-Familiar por meio CONANDA, CNAS, indutora dessa
de ações articuladas de integração
Gestores e Conselhos multidisciplinar,
prevenção à violência contra
Estaduais e Municipais como critério para a
crianças e adolescentes
aprovação de projetos
1.3. Promover a integração Integração SEDH, MDS, de promoção, defesa
Médio prazo e garantia do direito à
operacional entre os serviços e operacional realizada CONANDA, CNAS,
Programas de Apoio Sócio- gestores e conselhos convivência familiar
Familiar,48 de Acolhimento estaduais e municipais e comunitária,
Familiar,49 Acolhimento financiados pela
Institucional50 e de Adoção51 e SEDH, da existência
entre atores estratégicos e apresentação de
(operadores de direitos), Planos (Estadual e
potencializando os recursos Municipal) de
existentes. promoção desse
direito, referendados
pelos Conselhos
62

Municipal e Estadual
1.4. Utilizar os indicadores e Famílias identificadas Longo prazo (para a SEDH, MDS, MS,
dos Direitos da
critérios estabelecidos para e incluídas nos completa MEC, Gestores
Criança e do
identificar as famílias em programas da implementação) Estaduais e Municipais
Adolescente (1.1, 1.2,
situação de risco a serem Assistência Social e Conselhos Tutelares
1.3).
incluídas em serviços e
programas de transferência de
• Atuação do MEC na
renda, geração de trabalho e
sensibilização de
renda, atendimento psicológico,
gestores estaduais e
tratamento de dependência
municipais de
química, apoio sócio-familiar de
educação sobre a
fortalecimento dos vínculos
relevância de
familiares e comunitários,
participação dos
dentre outros.
Conselhos de
Educação (1.1).
• Atuação do MS na
sensibilização de
gestores estaduais e
municipais de saúde
sobre a relevância de
participação dos
Conselhos de Saúde
(1.1)

48
Trabalho social de prevenção de riscos sociais, promoção de direitos e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, por meio de ações interligadas nas dimensões sociais e educativas.
49
Modalidade de atendimento que oferece acolhimento na residência de famílias cadastradas, selecionadas, capacitadas e acompanhadas para receber crianças e/ou adolescentes com medida de proteção, que necessitem
de acolhimento fora da família de origem.,até que seja possível sua reintegração familiar ou encaminhamento para família substituta..
50
Modalidade de atendimento integral institucional, que oferece acolhimento, cuidado e espaço para socialização e desenvolvimento de crianças e adolescentes com medida de proteção, que necessitem de acolhimento
fora da família de origem, até que seja possível sua reintegração familiar ou encaminhamento para família substituta. Recebem atualmente várias denominações, tais como: “abrigos”, “casas lares”, “casas de passagem”,
“repúblicas”, entre outros.
51
Colocação definitiva de uma criança ou adolescente em outra família que não seja aquela onde nasceu, conferindo vínculo de filiação definitivo, com os mesmos direitos e deveres da filiação biológica, sendo medida
judicial irrevogável.
63

• Inclusão da temática
de promoção, defesa
e garantia do direito à
convivência familiar
e comunitária, no
âmbito das
capacitações
oferecidas pelo MDS
aos gestores e
operadores da política
pública de
Assistência Social
(1.3);
• Inclusão das famílias
que possuem crianças
e adolescentes em
abrigos, por motivo
de pobreza, no
Programa Bolsa
Família, desde que
cadastradas no
CadÚnico e
preenchendo os
critérios gerais do
Programa. (1.4)
• Alteração nas regras
de financiamento da
Assistência Social,
substituindo o
pagamento de per
capita por “Pisos da
Assistência Social”,
abrindo a
possibilidade de
financiamento de
programas de
acolhimento familiar,
dentre outros (1.5).
64

2. Sistematização e difusão de 2.1. Sistematizar e publicar Material técnico e MDS, CONANDA e • Articulação nacional
Médio prazo
metodologias participativas de acervo de metodologias e educativo SEDH para implantação de
trabalho com famílias e instrumentais (material técnico sistematizado, Subcentros Focais e
comunidades e educativo) de trabalho com publicado e Centros de Usuários
famílias e comunidade na disponibilizado, da REDINFA (2.1)
formação, manutenção e contribuindo na
• Ampliação do escopo
fortalecimento dos vínculos realização do
do GT técnico citado
familiares e comunitários e de atendimento social
nas estratégias para
experiências bem sucedidas de prestado
cumprimento dos
trabalho com famílias com
objetivos 1 e 2 do
violação de direitos e
Eixo I (2.1).
envolvidas em guarda ou
adoção de crianças e
adolescentes, visando à
qualificação do atendimento
prestado

3. Ampliação da oferta de 3.1.Garantir atendimento MS, MDS, • Articulação (já em


Médio prazo –
serviços de Apoio Sócio- qualificado às mães/famílias andamento), pelo
Atendimento ofertado implantação Gestores Estaduais e
Familiar que entregam seus filhos em MDS, de órgãos
Municipais
adoção a serem incluídas nas federais afetos ao
ações da Saúde e Assistência Longo Prazo – pleno tema, para o
Social, entre outras. atendimento desenvolvimento de
uma política nacional
para população em
situação de rua (3.2).
3.2. Elaborar e implementar Política Nacional MDS, MTE, MS, MEC,
Médio prazo
uma Política Nacional para para população de rua Ministério das Cidades, • Parâmetros em
população de rua elaborada e Gestores Estaduais e elaboração no âmbito
implementada Municipais do PAIF/MDS (3.3)
65

3.4. Implementar serviços para Serviços implantados MDS, MS, MEC,


Médio prazo –
famílias com crianças e MinC, Ministério do
implantação
adolescentes com medidas Esporte, SEDH,
sócio-educativas e protetivas, Gestores Estaduais e
Longo prazo – pleno
cujos vínculos familiares não Municipais
atendimento
foram rompidos, visando a
superação da violação de
direitos e o fortalecimento dos
vínculos familiares e sócio-
comunitários

4. Reordenamento dos serviços 4.1. Promover “mutirão Diminuição do SEDH, MDS, CNAS e • Articulação de GT
Curto prazo
de Acolhimento Institucional / interinstitucional” para revisão número de crianças e CONANDA, Gestores e específico para
Abrigo das medidas de abrigo (artigo adolescentes em conselhos Estaduais e realizar o
101, VII do ECA), iniciando Acolhimento Municipais, Conselhos Planejamento global
pelos abrigos co-financiados Institucional Tutelares, juizados / e a coordenação desta
pelo Governo Federal. Varas da infância e ação (4.1, 4.5 e 4.6).
Juventude, Promotorias
• Elaboração pela
de Justiça, Defensorias
SNAS de guia
Públicas, Entidades de
contendo parâmetros
Atendimento
de funcionamento das
entidades de
4.2. Reordenar os serviços de Programas de SEDH, MDS, Assistência Social
Longo prazo
Acolhimento Institucional, para Acolhimento CONANDA, Gestores e
que prestam serviços
que se enquadrem nas normas Institucional conselhos Estaduais e
de alta complexidade.
estabelecidas pelo ECA e reordenados Municipais, Conselhos
legislação correlata Tutelares, juizados / • Financiamento pela
Varas da infância e SNAS de projetos
Juventude, Promotorias para reordenamento
de Justiça, Defensorias de entidades que
Públicas, Entidades de prestam serviços de
Atendimento alta complexidade /
66

SEDH, MDS, fortalecimento da


4.3. Implementar ações de Ações implementadas
Médio prazo CONANDA, Gestores rede de atendimento.
reintegração familiar, para e famílias de crianças
Estaduais e Municipais,
crianças e adolescentes em e adolescentes • Articulação com
Conselhos Tutelares,
Abrigo incluídas em idealizadores do
juizados / Varas da
programas sociais PAIR – Programa de
infância e Juventude,
públicos Ações Integradas
Promotorias de Justiça,
Referenciais de
Defensorias Públicas,
enfrentamento à
Entidades de
exploração sexual de
Atendimento
crianças e
4.4. Levantar metodologias de Metodologias SEDH, MDS, adolescentes (4.1).
Médio prazo
reordenamento institucional identificadas e IPEA/MPO,
• Articulação com
existentes para repasse de tecnologias CONANDA,
Programa Pró-
tecnologias sociais repassadas Instituições de
Conselho Brasil (4.1
Pesquisa. Gestores e
e 4.5).
Conselhos Estaduais e
Municipais • Articulação nacional
para implantação de
Subcentros Focais e
Centros de Usuários
da REDINFA (4.4).

4.5. Instrumentalizar os CEDCA’s, SEDH, MDS, CNAS, • Articulação para o


Curto prazo
Conselhos Estaduais, CMDCA’s, CDCA e CONANDA e Gestores acesso das famílias
Municipais e Distrital dos CEAS’s, CMAS’s e Estaduais e Municipais que reintegrarem
Direitos da Criança e do CDAS membros com
Adolescente e os Conselhos instrumentalizados deficiência ao
Estaduais, Municipais e Distrital com parâmetros para Benefício de
de Assistência Social, com o reordenamento Prestação Continuada
parâmetros para implementação (BPC), desde que
do reordenamento institucional dentro dos critérios
gerais do Programa
67

(4.1).
4.6. Monitorar e avaliar os Programas de Abrigo SEDH, MDS,
Ação contínua
serviços de Abrigo, adequando- adequados às CONANDA, CNAS, • Inclusão das famílias
os ao Estatuto da Criança e do diretrizes do Plano, à Gestores e Conselhos que possuem crianças
Adolescente (ECA), 52 à Lei LOAS e ao ECA Estaduais e Municipais, e adolescentes em
Orgânica da Assistência Social Conselhos Tutelares, abrigos, por motivo
(LOAS)53 e às diretrizes deste juizados / Varas da de pobreza, no
Plano Nacional infância e Juventude e Programa Bolsa
Promotorias de Justiça Família, desde que
cadastradas no
CadÚnico e que
preencham os
critérios gerais do
Programa (4.1).

52
Lei Federal n. 8.069 de 13 de julho de 1990 que dispõe sobre a proteção à criança e ao adolescente.
53
Lei Federal n. 8.742 de 7 de dezembro de 1993, que organiza a Assistência Social no país e responsabiliza o poder público por responder às necessidades das pessoas em vulnerabilidade social.
68

• Articulação e
mobilização dos
Conselhos
Municipais de
Assistência Social e
de Direitos, do
Ministério Público,
da Defensoria Pública
e do Poder Judiciário,
dos Centros de
Defesa, bem como
dos gestores
municipais de
políticas públicas,
para intensificação da
fiscalização e
monitoramento das
entidades que
realizam
acolhimento,
preferencialmente in
loco (4.2 e 4.4).
• Ampliação da
articulação para a
instituição de um
Prêmio dirigido às
melhores práticas na
área de Acolhimento
Institucional (4.2).
69

5. Ampliação de serviços / 5.1. Levantar metodologias para Metodologias SEDH, MDS, Gestores • Elaboração pela
Médio prazo
ações de emancipação54 para repasse de tecnologias sociais identificadas e e Conselhos Estaduais e SNAS de guia
adolescentes e jovens abrigados tecnologia repassada Municipais contendo parâmetros
de funcionamento das
entidades de
Assistência Social
que prestam serviços
de alta complexidade.
• Articulação nacional
para implantação de
Subcentros Focais e
Centros de Usuários
da REDINFA (5.1)
5.2. Instrumentalizar os Serviços SEDH, MDS, CNAS e
Médio prazo
Conselhos Estaduais, regulamentados CONANDA, Gestores e
Municipais e Distrital dos Conselhos Estaduais e
Direitos da Criança e do Municipais
Adolescente e os Conselhos
Estaduais, Municipais e Distrital
de Assistência Social, bem
como os Conselhos Tutelares
para regulamentação dos
Programas

5.3. Ampliar o número de Serviços ampliados SEDH, MDS e


Médio prazo
alternativas de Programas para CONANDA
emancipação de adolescentes e
jovens

54
Abordagem sócio-pedagógica que privilegia a vida autônoma e independente quando não é possível a reintegração à família de origem ou a colocação em família substituta, com vistas à autonomia do adolescente,.
Incluí-se nessa definição repúblicas para jovens egressos de abrigos, projetos de formação profissional e inclusão produtiva para esse público, dentre outros.
70

6. Implementação de políticas 6.1. Estimular a interlocução Interlocução efetivada SEDH, MDS, MPO e • Elaboração pela
Médio prazo
públicas de Acolhimento entre os Programas de e Parâmetros básicos CONANDA, gestores e SNAS de guia
Familiar Acolhimento Familiar estabelecidos conselhos Estaduais e contendo parâmetros
existentes, visando o Municipais de funcionamento das
estabelecimento de parâmetros entidades de
básicos de atendimento para Assistência Social
subsidiar a implementação de que prestam serviços
políticas de alta complexidade.
• Incorporação nas
6.2. Instrumentalizar os CEDCA’s, MDS, CNAS e tarefas do GT
Médio prazo
Conselhos Estaduais, CMDCA’s, CDCA e CONANDA
técnico, a elaboração
Municipais e Distrital dos CEAS’s, CMAS’s e
Gestores e Conselhos dos parâmetros (6.1).
Direitos da Criança e do Conselho Distrital de
Estaduais e Municipais
Adolescente e os Conselhos Assistência Social • Incentivo à realização
Estaduais, Municipais e Distrital instrumentalizados de eventos técnico-
de Assistência Social, bem científicos na área
como os Conselhos Tutelares (6.1)
para implementação de políticas
• Articulação com
de Acolhimento Familiar
Programa Pró-
Conselho Brasil (6.2).
6.3.. Fomentar serviços / Programas SEDH, MDS, CNAS,
Médio prazo • Abertura de
Programas com famílias implementados CONANDA, Gestores e
acolhedoras a serem incluídas Conselhos Estaduais e concursos de
nas ações da Assistência Social, Municipais e MPO projetos, via edital
inclusive incentivando as público (6.3).
entidades que recebam
• Recomendação do
Certificado de Entidade de
CNAS para
Assistência Social – CEAS a incentivar as
participarem do co- entidades que
financiamento desses serviços /
recebam Certificado
programas
de Entidade de
. Assistência Social –
CEAS a participarem
do co-financiamento
de serviços /
programas de
acolhimento familiar.
71

7. Incentivo à convivência 7.1. Assegurar a convivência Convívio assegurado SEDH, MJ, MPO, • Articulação com
Médio prazo
familiar de crianças e familiar de crianças e MDS, CONANDA, MJ/SNJ e
adolescentes cujos pais e mães adolescentes cujos pais e mães Gestores Estaduais e SPDCA/Programa de
encontrem-se privados de encontrem-se privados de Municipais, Conselhos Atendimento aos
liberdade nas instituições do liberdade nas instituições do Tutelares, juizados / Adolescentes em
sistema prisional e de sistema prisional e de execução Varas da infância e Conflito com a Lei
adolescentes em cumprimento das medidas sócio-educativas de Juventude, Promotorias (7.1)
de medida sócio-educativa internação de Justiça, Defensorias
Públicas, Entidades de
Atendimento

7.2. Assegurar o convívio Convívio assegurado SEDH, CONANDA,


Curto prazo
familiar e comunitário de
Gestores Estaduais e
adolescentes em cumprimento
Municipais, Conselhos
de medida sócio-educativa,
Tutelares, juizados /
principalmente, aqueles que se
Varas da infância e
encontram privados de
Juventude, Promotorias
liberdade
de Justiça, Defensorias
Públicas, Entidades de
Atendimento

8. Aprimoramento dos 8.1. Consolidar e implementar o InfoAdote do SIPIA SEDH • Articulação entre
Médio prazo
procedimentos de Adoção InfoAdote do Sistema de implementado e Coordenação
nacional e internacional Informação para Infância e cadastro único em Nacional do SIPIA,
Adolescência (SIPIA), visando funcionamento Conselho de
o funcionamento do cadastro Autoridades Centrais
único de adotáveis e Brasileiras, ACAF e
pretendentes à adoção Colégio Nacional de
Corregedores Gerais
8.2. Estimular a busca ativa de Diminuição do tempo SEDH, CEJAS e de Justiça (8.1)
Médio prazo
pais para crianças e médio de espera do ACAF • Articulação entre o
adolescentes disponíveis, cadastro de
Conselho de
priorizando a adoção nacional postulantes e
Autoridades Centrais
adotáveis
Brasileiras e a ACAF
(8.2 a 8.7)
8.3. Regulamentar a atuação dos Diminuição dos casos ACAF e CEJAIS
Médio prazo • Articulação nacional
organismos estrangeiros de de intermediação
adoção internacional ilegal nas adoções para implantação de
internacionais Subcentros Focais e
72

Centros de Usuários
8.4. Capacitar o corpo técnico Aprimoramento do ACAF, CEJAS,
Médio prazo da REDINFA (8.8)
que atua nos Tribunais de conhecimento do CEJAIS e Colégio
Justiça – CEJAS/CEJAIS, e corpo técnico das Nacional de
Varas de Infância e Juventude Varas da Infância e da Corregedores Gerais de
sobre adoção internacional com Juventude (VIJ) de Justiça
base no ECA e Convenção de forma a evitar a
Haia ocorrência de adoções
irregulares e ilegais

8.5. Estimular a integração entre Integração realizada SEDH


Médio prazo
o trabalho das equipes técnicas nos municípios
das Varas da Infância e da
Juventude (VIJ) e os grupos de
apoio à adoção nos municípios

8.6. Padronizar o procedimento Procedimento ACAF, CEJAS,


Médio prazo
referente à adoção internacional padronizado em todo CEJAIS e Colégio
em todas as Unidades da o país resultando em Nacional de
Federação maior segurança nos Corregedores Gerais de
processos de adoção Justiça

8.7. Estabelecer parâmetros Parâmetros básicos ACAF


Médio prazo
básicos de atuação e controle estabelecidos
das agências estrangeiras
autorizadas a mediar as adoções
internacionais no Brasil

8.8. Levantar metodologias de Alternativas SEDH


Médio prazo
preparação e acompanhamento metodológicas para o
das famílias adotivas nos trabalho de pré e pós-
períodos pré e pós-adoção, adoção oferecidas às
visando o repasse de tecnologias Varas da Infância e da
sociais Juventude (VIJ)
73

9. Capacitação e assessoramento 9.1. Elaborar estratégia de Estratégias de MDS, SEDH e • Apoio a projetos de
Médio prazo
aos municípios para a criação e capacitação continuada para os capacitação Gestores Estaduais e capacitação técnica
implementação de ações de profissionais que atuam no elaboradas Municipais na área do direito à
Apoio Sócio-Familiar, apoio sócio-familiar, convivência familiar
reordenamento institucional, Acolhimento Familiar, e comunitária (9.1).
reintegração familiar, Acolhimento Institucional e
• Articulação nacional
Acolhimento Familiar, Adoção Adoção visando a adequação e
para implantação de
e alternativas de emancipação potencialização de suas práticas
Subcentros Focais e
para adolescentes e jovens em sociais aos princípios da LOAS
Centros de Usuários
consonância com a legislação e do ECA
da REDINFA (9.2).
vigente e as diretrizes deste
Plano 9.2. Levantar regionalmente as Instituições de MDS, SEDH e • Incorporação nas
Médio prazo
instituições habilitadas e com formação e Gestores Estaduais e tarefas do GT técnico
perfil para realização das capacitação Municipais a produção de
capacitações identificadas material de
orientação e
MDS e SEDH e divulgação (9.3).
9.3. Produzir e divulgar material Material produzido e
Médio prazo Gestores Estaduais e
de orientação e capacitação divulgado
Municipais • Apoio aos projetos da
Rede Nacional de
10. Consolidação de uma rede 10.1 Estimular a criação e a Cidades com mais de SEDH Identificação e
Médio prazo
nacional de identificação e integração de serviços 100 mil habitantes Localização de
localização de crianças e especializados de busca nas contando com serviço Crianças e
adolescentes desaparecidos e de cidades com mais de 100 mil especializado e Adolescentes
pais e responsáveis habitantes integrado à rede Desaparecidos
(ReDESAP) da
10.2 Incorporar e disseminar Novas tecnologias SEDH SPDCA / SEDH
Médio prazo
novas tecnologias utilizadas na incorporadas e (10.1 a 10.4)
busca de pessoas desaparecidas disseminadas

10.3 Criar, manter e divulgar Cadastro criado, SEDH


Médio prazo
um cadastro nacional de casos atualizado e
de crianças e adolescentes divulgado
desaparecidos

10.4 Produzir e divulgar População orientada SEDH e Gestores


Médio prazo
material preventivo de quando à prevenção Estaduais e Municipais
orientação a pais e crianças do desaparecimento
74

10.5 Realizar busca ativa de Famílias reunificadas SEDH, Gestores


Médio prazo
responsáveis por crianças e Estaduais e Municipais
adolescentes abrigadas e Entidades de
Atendimento
75

EIXO 3 – MARCOS NORMATIVOS E REGULATÓRIOS

Objetivos Ações Resultados Cronograma Responsáveis Estratégias


1. Aperfeiçoamento dos Marcos 1.1. Elaborar parâmetros para Parâmetros MDS e CNAS • Elaboração pela
Curto prazo
Normativos e Regulatórios, para serviços e ações de Apoio elaborados e direito à SNAS de guias com
a efetivação da promoção, Sócio-Familiar, Acolhimento convivência familiar e parâmetros de
defesa e garantia do direito à Familiar e Acolhimento comunitária funcionamento de
convivência familiar e Institucional e república para contemplado nos serviços de proteção
comunitária no âmbito do jovens no âmbito do SUAS, instrumentos de social básica e
Sistema Único de Assistência tendo como parâmetros as regulação do SUAS especial (de média e
Social (SUAS) diretrizes e objetivos gerais alta
deste Plano complexidade).(1.1)
• Criação de GT,
coordenado pelo
MEC, para
desenvolvimento da
ação que trata das
notificações sobre
violações de direitos
no âmbito dos
estabelecimentos de
educação
(2.1).Criação de GT
jurídico-legislativo,
para análise e
encaminhamento das
diversas propostas,
devendo trabalhar
articulado com o GT
técnico, quando
couber (2.2 a. 7.2, 8.3
a 8.5)
• Articulação com
SEPPIR (8.2)
Articulação com
SEPPIR, SEPM e
CORDE (9.1)
76

2. Aprimoramento dos 2.1. Regulamentar os Normas elaboradas CONANDA e MEC


Curto prazo
procedimentos de controle de mecanismos de notificação às
professores e dirigentes de autoridades competentes, por
estabelecimentos de educação parte dos dirigentes de
básica (educação infantil, ensino estabelecimentos de ensino de
fundamental e ensino médio) educação infantil, ensino
referente à defesa e garantia de fundamental e ensino médio,
direitos da criança e do dos casos de maus-tratos e
adolescente outras formas de violação de
direitos envolvendo seus alunos

2.2. Ampliar a responsabilidade Marco normativo SEDH, CONANDA e


Médio prazo
legal dos dirigentes de educação aperfeiçoado MEC
básica quanto à comunicação ao
Conselho Tutelar dos casos de
maus-tratos envolvendo seus
alunos

3. Ampliação dos mecanismos 3.1. Ampliar o rol dos Marco normativo SEDH
Médio prazo
de defesa e garantia dos direitos legitimados em Lei para a aperfeiçoado
de crianças e adolescentes propositura de Ação Civil
Pública

4. Reconhecimento da ocupação 4.1. Regulamentar a ocupação Ocupação CONANDA, SEDH


Médio prazo
de educador social dos de educador social e elaborar regulamentada e MTE, MDS, CNAS e
programas de proteção à criança parâmetros básicos de formação parâmetros entidades
e ao adolescente para o exercício da ocupação de elaborados representativas dos
educador social trabalhadores

5. Maior eficácia nos marcos 5.1. Assegurar a aplicação dos Parâmetros SEDH e CONANDA
Médio e longo prazo
normativos e regulatórios conceitos de provisoriedade e assegurados,
relativos ao Abrigo excepcionalidade previstos no diminuição do nº de
parágrafo único do artigo 101 adolescentes • Incluir o tema na
do ECA abrigados e discussão da NOB
diminuição do tempo de Recursos
médio de Humanos da
permanência em Assistência Social
Abrigos (4.1)
77

5.2. Estabelecer parâmetros Parâmetros SEDH e CONANDA


Curto prazo
precisos para aplicação da estabelecidos
excepcionalidade da medida de
Abrigo

5.3. Estabelecer parâmetros para Parâmetros SEDH e CONANDA


Curto prazo
programas de “apadrinhamento” estabelecidos
de crianças e adolescentes em
Acolhimento Institucional

5.4. Subtrair dos textos legais55 Marcos normativos SEDH e CONANDA


Longo prazo
as expressões “abrigo” e “abrigo aperfeiçoados
em entidade” por “Acolhimento
Institucional”

6. Regulamentação dos Serviços 6.1. Incluir em texto legal 56 Marco normativo SEDH e CONANDA
Médio prazo
de Acolhimento Familiar previsão expressa acerca do aperfeiçoado,
Acolhimento Familiar atualizado e previsão
expressa em Lei de
Acolhimento Familiar
como alternativa ao
Acolhimento
Institucional

6.2. Reconhecer soluções de Deferimento de MDS, CNAS, SEDH,


Curto prazo
proteção com base familiar e Guarda para a família CONANDA, Gestores e
comunitária, incluindo o extensa e inserção em Conselhos Estaduais e
Acolhimento Familiar, como programas de Municipais, Conselhos
opções preferíveis ao Acolhimento Familiar Tutelares,
Acolhimento Institucional em reconhecidos e Juizados/Vara da
casos de necessidade de optados como Infância e da
afastamento da criança ou alternativa ao Juventude, Promotoria
adolescente dos seus pais ou Acolhimento Especializada e
responsáveis Institucional Defensoria Pública

55
Artigos 90, inciso IV, e 101, inciso VII, do ECA.
56
Artigos 90 do ECA e 1734 do Código Civil.
78

6.3. Subtrair do texto legal57 a Expressão excluída SEDH e CONANDA


Médio prazo
expressão “órfão” ou dos Artigos do ECA
“abandonado”58

7. Aprimoramento dos 7.1. Regulamentar a inserção de Inserção de famílias MDS, CNAS, SEDH e
Médio prazo
instrumentos legais de proteção famílias em situação de risco regulamentada CONANDA
contra a suspensão ou nos programas oficiais de
destituição do poder familiar auxílio, conforme determinação
do parágrafo único do artigo 23
do ECA

7.2. Garantir a observância do Garantia legais SEDH e CONANDA,


Médio prazo
artigo 23 do ECA59 sob pena de processuais efetivadas Juizados/Vara da
nulidade do pedido de Infância e da
destituição e/ou de suspensão Juventude, Promotoria
dos direitos do poder familiar, Especializada e
bem como responsabilidade Defensoria Pública
individual dos operadores do
direito envolvidos

8. Regulamentação da 8.1. Incentivar o registro de Redução do número SEDH, CONANDA e


Médio prazo
legislação existente referente à nascimento a ser feito ainda na de crianças sem MS
Adoção, tornando eficaz sua maternidade, e gratuitamente, registro de
aplicação ampliando a aplicação do artigo nascimento
10 do ECA

8.2. Excluir do procedimento Eliminação da SEDH, CONANDA e


Médio prazo
cadastral nas VIJ’s o categorização racial Conselho das
detalhamento dos traços raciais por meio de símbolos Autoridades Centrais
de caráter preconceituosos ou códigos Brasileiras
(“negróide”, “quase negro”, preconceituosos
“quase branco”, entre outros)
das crianças e adolescentes,
mantendo, todavia, o quesito
cor/raça

57
Artigo 34 e parágrafo 2º do artigo 260 do ECA.
58
A justificativa dá-se porque “órfãos” e “abandonados” são indicados para adoção e não para Programas de Acolhimento Familiar. O Acolhimento Familiar, conforme definido no glossário, é previsto nos casos de
crianças e adolescentes em situação de violação de direitos, mas com manutenção de vínculos com a família de origem.
59
Caput do artigo 23 do ECA: “A falta ou carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou suspensão do poder familiar”
79

8.3. Subtrair do texto legal60 as Adequação e SEDH e CONANDA


Longo prazo
expressões “infante exposto” uniformização das
“menor”, “menores expressões à
abandonados” e similares normativa pertinente
constantes dos dispositivos à matéria
legais substituindo por crianças
e adolescentes
• Elaboração pela
8.4. Definir em lei a Obrigatoriedade SEDH e CONANDA
Médio prazo SNAS de guia
obrigatoriedade do definida em lei
contendo
encaminhamento mensal dos
parâmetros de
registros a que se refere o artigo
funcionamento das
50 do ECA à Comissão
entidades de
Estadual Judiciária de Adoção,
Assistência Social
a qual estruturará um cadastro
que prestam
estadual de adotandos e
serviços de alta
adotantes, cujos registros
complexidade
deverão ser incluídos no
(10.1)
Cadastro Nacional (SIPIA III)

8.5. Definir em Lei a Competência definida SEDH e CONANDA


Médio prazo
competência exclusiva da em lei
Comissão Estadual Judiciária de
Adoção quanto à definição dos
casos passíveis de dispensa de
cadastramento prévio para
adoção

8.6. Prever em Lei a nomeação Garantias legais SEDH e CONANDA


Médio prazo
de Curador Especial à criança e processuais efetivadas
ao adolescente em todos os
procedimentos de Adoção

60
Artigos 1.624 e 1.734 do Código Civil.
80

9. Garantia da igualdade e 9.1. Estabelecer parâmetros que Parâmetros MDS, CNAS,


Curto prazo
eqüidade de direitos e inclusão assegurem a igualdade de estabelecidos CONANDA e SEDH
da diversidade nos Programas direitos e inclusão da
de Acolhimento Familiar, diversidade no atendimento de
Acolhimento Institucional e crianças e adolescentes em
Adoção relação à raça/etnia, a gênero,
drogadição, às deficiências e
situações de doenças
81

EIXO 4 – MOBILIZAÇÃO, ARTICULAÇÃO E PARTICIPAÇÃO

Objetivos Ações Resultados Cronograma Responsáveis Estratégias


1. Desenvolvimento e 1.1. Realizar campanhas Campanhas Médio prazo SEDH, MDS, • Articulação do GT na
implementação de estratégias de educativas, difundindo por meio educativas veiculada CONANDA, Gestores e área de comunicação
comunicação que mobilizem a da mídia, questões sobre o na mídia Conselhos Estaduais e e publicidade para
sociedade e contribuam na direito à convivência familiar e Municipais discussão e
qualificação da mídia para o comunitária encaminhamento das
tema do direito à convivência propostas,
familiar e comunitária 1.2.Realizar oficinas com a Oficinas realizadas Médio prazo SEDH, MDS, envolvendo ANDI e
participação conjunta de CONANDA, Gestores e Assessorias de
profissionais da mídia, da Conselhos Estaduais e Comunicação dos
teledramaturgia (jornalistas, Municipais órgãos federais afetos
artistas, diretores, produtores) e à área (1.1, 1.3 e 1.4)
da área social
• Articulação e
integração do
1.3. Mobilizar, nacionalmente, a Aumento no número SEDH, MDS, trabalho dos vários
Médio prazo
sociedade para o Acolhimento de famílias CONANDA, Gestores e GT’s, especialmente
Familiar de crianças e disponíveis a acolher Conselhos Estaduais e o GT de
adolescentes crianças e Municipais Comunicação com o
adolescentes GT técnico. (2.2)

1.4. Mobilizar, nacionalmente, a Aumento do número SEDH, CONANDA,


Médio prazo
sociedade para a adoção de de adoções tardias, Gestores e Conselhos
crianças e adolescentes em inter-raciais, grupos Estaduais e Municipais
Programas de Acolhimento de irmãos e crianças e
Institucional e já com adolescentes com
destituição do poder familiar deficiências ou
com ênfase nas adoções tardias, portadores de
inter-raciais, de crianças e HIV/AIDS
adolescentes portadores de
HIV/AIDS, com deficiência e
grupo de irmãos

2. Integração e compatibilização 2.1. Incluir o tema do direito à Inclusão e CONANDA


Curto prazo
das ações do Plano Nacional de convivência familiar e fortalecimento do
Promoção, Defesa e Garantia do comunitária no Plano Nacional direito à convivência
Direito de Crianças e de Fortalecimento do Sistema familiar e comunitária
Adolescentes à Convivência de Garantia de Direitos no SGD
82

Familiar e Comunitária com o


2.2. Realizar seminários Seminários realizados CONANDA
Plano Nacional de Médio prazo
regionais para integração do e sistemas integrados
Fortalecimento do Sistema de
Sistema de Garantia dos
Garantia de Direitos (SGD), o
Direitos da criança e do
Sistema Nacional de
adolescente com outros sistemas
Atendimento Sócio-Educativo
relativos à convivência familiar
(SINASE) e o Plano Decenal da
e comunitária
Política de Assistência Social
• Discussão
2.3. Compatibilizar as propostas Inclusão e CONANDA
Curto prazo ampliada e
deste Plano com o SINASE fortalecimento do
descentralizada do
direito à convivência
Plano Decenal,
familiar e comunitária
enfatizando a
no SINASE
temática da
Convivência
2.4. Compatibilizar as propostas Compatibilização MDS e CNAS
Curto prazo Familiar e
deste Plano com o Plano efetivada
Comunitária (2.4)
Decenal de Assistência Social

3. Articulação e integração dos 3.1. Criar grupo de trabalho Grupo de trabalho MPO, MDS, SEDH, • Aproveitamento dos
Curto prazo
programas e das ações interministerial com a tarefa de interministerial MS, MEC, MINC, vínculos
governamentais nas três esferas articular os programas, serviços constituído e TEM e Ministérios dos institucionais
considerando o Plano Nacional e ações desenvolvidos no articulações Esportes construídos durante o
de Promoção, Defesa e Garantia âmbito da SEDH,61 MS,62 realizadas período de
do Direito de Crianças e MDS,63 MEC,64 Ministério do funcionamento da
Adolescentes à Convivência Esporte,65 Ministério da Comissão
Familiar e Comunitária Cultura,66 Ministério do Intersetorial para
Trabalho e Emprego,67 entre Promoção, Defesa e
outros, que têm interface com o Garantia do Direito
direito à convivência familiar e de Crianças e
comunitária de crianças e Adolescentes à
adolescentes Convivência Familiar
e Comunitária (3.1)

61
Especialmente: Programas de promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente, atendimento sócio-educativo ao adolescente em conflito com a lei e combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e
Adolescentes.
62
Banco de Preços em Saúde/Aids, Bancos de Leite Humano, Bolsa Alimentação, Brasil Sorridente, Cartão Nacional de Saúde, Doe Vida Doe Órgãos, Farmácia Popular, Humaniza SUS, Política Nacional de
Alimentação e Nutrição, Programa de Volta para Casa, Programa Etnodesenvolvimento das Sociedades Indígenas, Programa Nacional de Controle do Câncer de Colo de Útero e de Mama – Viva Mulher, Programa
Saúde da Família, Programa Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco de Câncer, QualiSUS e REFORSUS.
63
Especialmente: Fome Zero, Bolsa Família, Programa de Atenção à Pessoa Idosa, Programa de Atenção Integral à Família, Atenção às Pessoas Portadoras de Deficiência, Programa de Combate à Exploração Sexual de
Crianças e Adolescentes, Atenção à Criança de Zero a Seis Anos, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e Programa Agente Jovem de Desenvolvimento Humano.
83

MDS, SEDH, MS,


4. Ampliação da participação e 4.1. Estimular e apoiar Participação e • Articulação com
Ação contínua MEC, CNAS,
da sociedade civil organizada na iniciativas de participação da controle social CONANDA,
CONANDA,
defesa e garantia dos direitos da família e de indivíduos na ampliados Programa Pró-
Gestores e Conselhos
criança e do adolescente e defesa e garantia dos direitos da Conselho Brasil,
Estaduais e Municipais
participação no controle social criança e do adolescente, Centros de Defesa e
da garantia do direito à elevando o seu nível de demais órgãos do
convivência familiar e informação, conhecimento e Sistema de Garantia
comunitária comprometimento na promoção, de Direitos. (4.1 a
defesa e garantia dos direitos da 4.4).
criança e do adolescente
• Divulgação intensiva
dos direitos da
4.2. Desenvolver ações de Maior participação MDS, SEDH, MS,
Ação contínua criança, em especial
aproximação, participação e das famílias e MEC, CNAS,
do direito à
integração entre os Conselhos comunidades no CONANDA, Gestores e convivência familiar
Setoriais, comunidade e famílias controle social Conselhos Estaduais e e comunitária (4.1).
nos municípios e estados Municipais
• Articulação com o
Programa de
Capacitação dos
Conselheiros
Municipais de
Educação – MEC
(4.2)
• Fomento à criação de
Centros de Defesa
(4.3 e 4.4).

64
Especialmente: Programa Educação para a Diversidade e Cidadania (PPA-MEC 1377), em especial a ação 09EL - Apoio a Atividades Educacionais de Valorização da Diversidade no Espaço Escolar; Ação “Apoio
Educacional a Crianças e Adolescentes em Situação de Discriminação e Vulnerabilidade Social” (PPA-MEC 001S, como parte do Programa 0073 - Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e
Adolescentes- SEDH); Programa Nacional do Livro Didático; Programa Nacional de Capacitação de Conselheiros Municipais de Educação; Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares; Programa
Ética e Cidadania; Programa Escola Aberta; Guia Escolar “Métodos para identificação de sinais de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes”;
65
Especialmente: Esporte e Lazer da Cidade, Esporte na Escola, Esporte Solidário, Esporte para Portadores de Deficiência Física e Pintando a Liberdade.
66
Especialmente: Cultura Viva, Patrimônio Imaterial, Artes sem Barreira, Cultura Afro-brasileira e Identidade e Diversidade Cultural.
67
Especialmente: Primeiro Emprego, Aprendizagem, Economia Solidária e Plano Nacional de Qualificação.
84

4.3. Garantir o monitoramento Maior eficácia por MDS, SEDH, MS,


Ação contínua
do efetivo cumprimento da Lei, parte dos órgãos MEC, CONANDA,
por meio da Sociedade Civil executores das Gestores e Conselhos
Organizada, dos Centros de políticas públicas Estaduais e Municipais,
Defesa, dos Parlamentares, da Centros de Defesa de
Defensoria Pública, da Ordem Direitos, Legislativo,
dos Advogados do Brasil Defensoria Pública,
(OAB), dos Conselhos OAB, Conselhos
Profissionais e Setoriais Profissionais e Setoriais

5. Mobilização junto às 5.1. Sugerir às IES a criação de Gestões realizadas MEC, MDS e SEDH • Aprofundamento da
Médio prazo
Instituições de Ensino Superior programas de extensão e de junto às IES discussão desses
(IES) para a formação de pesquisa sobre os direitos das temas no GT de
recursos humanos crianças e adolescentes e o articulação
especializados no atendimento trabalho social com famílias nas institucional que
de crianças, adolescentes e instituições de ensino superior acompanhou a
famílias realização do Plano e
5.2. Sugerir à Secretaria de Gestões realizadas MEC, MDS e SEDH acompanhará sua
Médio prazo execução (5.1 a 5.4).
Educação Superior (SESU) que junto à SESU
incentive à criação de
• Articulação com GT
programas de extensão sobre os
jurídico-legislativo
direitos das crianças e (5.1 a 5.4)
adolescentes e o trabalho social
com famílias nas instituições de • Sensibilização, pelo
ensino superior MEC, das IES quanto
à relevância do tema,
5.3. Sugerir a SESU que apóie a Gestões realizadas MEC, MDS e SEDH sem prescindir da
Médio prazo necessária
criação de curso de pós- junto à SESU
graduação latu sensu nas mobilização social.
instituições de ensino superior (5.1)
sobre os direitos da criança e do
adolescente e trabalho social
com famílias

5.4. Sugerir a CAPES que Gestões realizadas MEC, MDS e SEDH


Médio prazo
incentive a criação de linhas de junto a CAPES
pesquisa sobre os direitos das
crianças e adolescentes e o
trabalho social com família
85

6. Mobilização das redes 6.1. Sugerir a capacitação dos Sugestão feita às MEC e SEDH • Aprofundamento
Curto prazo
estaduais e municipais de ensino professores da rede pública de secretarias estaduais e da discussão desses
para formação de recursos ensino para abordar questões municipais de temas no GT de
humanos no direito à relativas ao Acolhimento educação articulação
convivência familiar e Institucional, ao Acolhimento institucional que
comunitária Familiar e à Adoção acompanhou a
86

realização do Plano
6.2. Solicitar ao MEC (SEB)68 Solicitação feita MEC e SEDH
Curto prazo e acompanhará sua
para que assegure que os livros
execução (6.1 a
didáticos a serem comprados e
6.2).
distribuídos à rede pública de
ensino trabalhem com o • Articulação com GT
conceito ampliado de família jurídico-legislativo
(6.1 a 6.2)

7. Mobilização e articulação de 7.1. Incluir a temática da Temática incluída SEDH, MDS, MS, • Mobilização a partir
Curto prazo
diferentes atores69 do Sistema convivência familiar e MEC, CONANDA, dos órgãos que foram
de Garantia de Direitos e da comunitária de forma CNAS, Gestores e membros ou
Proteção Social, para a garantia permanente em: Conselhos Estaduais e convidados da
da provisoriedade e Municipais Comissão
• Seminários , Estaduais,
excepcionalidade do Intersetorial,
Regionais e Nacionais de
Acolhimento Institucional, o explorando sua
Assistência Social, Saúde,
reordenamento dos Abrigos e a capilaridade e
Educação e de Direitos da
divulgação de alternativas à articulações
Criança e Adolescente;
Institucionalização institucionais (7.1)
• Conferências das Políticas
Públicas Setoriais e de
Direitos nas três esferas de
governo.
• Encontros de promotores,
juízes da infância e
juventude, defensores
públicos e respectivas
equipes técnicas;
• Reuniões de entidades como
FONSEAS, CONFEAS,
RENIPAC, Fórum DCA,
CONGEMAS e demais
Fóruns

68
O Programa Nacional do Livro Didático é de responsabilidade da Secretaria de Educação Básica – SEB.
69
Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Ministério Público, Poder Judiciário, Defensorias Públicas, Secretarias, Conselhos e Fóruns Estaduais e Municipais
87

8. Viabilização e garantia de 8.1. Garantir dotação Objetivos e ações MDS, MEC, MS, • Análise e, se
Ação contínua
recursos financeiros e orçamentária e outras fontes deste Plano SEDH, CONANDA, necessário, revisão
orçamentários para realização alternativas de recursos nas três executados no prazo CNAS, Gestores e quantitativa e
do Plano Nacional de esferas de governo, no Fundo previsto Conselhos Estaduais e qualitativa do PPA
Promoção, Defesa e Garantia do Nacional de Assistência social Municipais dos órgãos setoriais
Direito de Crianças e (FNAS), no Fundo Nacional dos que participaram da
Adolescentes à Convivência Direitos da Criança e do Comissão (8.1).
Familiar e Comunitária Adolescente (FNDCA), nos
fundos estaduais e municipais
de Assistência Social e dos
Direitos da Criança e do
Adolescente, para
implementação do Plano
Nacional

8.2. Articular politicamente com Articulação política MDS, CONANDA e


Curto prazo
Legislativo nas três esferas para com o Legislativo SEDH, Gestores e
assegurar recursos realizada Conselhos Estaduais e
orçamentários dentro da Municipais
pactuação com as Frentes
Parlamentares

9. Garantia do atendimento 9.1 Criar GT para acompanhar a Atendimento de zero MEC, SEDH e • Articulação política
Curto prazo
sócio-educacional às crianças de tramitação e aprovação do a três anos incluído CONANDA dos órgãos
zero a três anos FUNDEB, de modo a garantir a no projeto do interessados
aplicação do fundo ao FUNDEB
atendimento dessa faixa etária,
por parte dos municípios
88

9. INDICADORES DE EFICÁCIA E MONITORAMENTO

1. Número de famílias atendidas em programas sócio-educativos da proteção social


básica e em relação ao número de famílias na mesma faixa de renda na população
brasileira;

2. Proporção entre eventos de ruptura de vínculos familiares nos territórios atendidos


pelos programas de proteção social básica e no total da população na mesma faixa de
renda;

3. Número de crianças e adolescentes reintegrados à família de origem por município, por


ano;

4. Proporção entre o número de crianças e adolescentes em Acolhimento Institucional e o


número de crianças e adolescentes em Acolhimento Familiar por município, por ano;

5. Tempo médio de permanência de crianças e adolescentes no Acolhimento Institucional


e Familiar por município, por ano;

6. Número de adoções que tramitam regularmente no cadastro nacional;

7. Número de adoções tardias, inter-raciais, com deficiência e afetados pelo vírus


HIV/AIDS por estado e por ano.
89

10. GLOSSÁRIO

Abrigo: entidade que desenvolve programa específico de abrigo. Modalidade de


Acolhimento Institucional. Atende a crianças e adolescentes em grupo, em regime integral,
por meio de normas e regras estipuladas por entidade ou órgão governamental ou não-
governamental. Seguem parâmetros estabelecidos em lei.

Abrigo de pequeno porte: modalidade de Acolhimento Institucional com número limitado


de crianças e adolescentes atendidas, preferencialmente até doze, no máximo.

Acolhimento: a expressão “Acolhimento” é gênero, usada neste Plano, em que são


espécies o “Acolhimento Institucional” ou o “Acolhimento Familiar”, refere-se aos
Programas de Proteção Social Especial. Não confundir com abordagem ou recolhimento
que corresponde à metodologia de trabalho com criança e adolescente em situação de rua.

Acolhimento Familiar: Modalidade de atendimento que oferece acolhimento na residência


de famílias cadastradas, selecionadas, capacitadas e acompanhadas para receber crianças
e/ou adolescentes com medida de proteção, que necessitem de acolhimento fora da família
de origem até que seja possível sua reintegração familiar ou encaminhamento para família
substituta.

Acolhimento Familiar informal (ou guarda de fato): quando a família biológica,


voluntariamente, delega seu papel parental a outro membro de sua própria família ou a
outro adulto com laços de afinidade (família extensa), transferindo-lhe a responsabilidade
pela criação e cuidados de seu filho, sem registro formal dessa transferência. Isto pode
ocorrer também por omissão dos pais.

Acolhimento Institucional: Modalidade de atendimento integral institucional, que oferece


acolhimento, cuidado e espaço para socialização e desenvolvimento de crianças e
adolescentes com medida de proteção, que necessitem de acolhimento fora da família de
origem, até que seja possível sua reintegração familiar ou encaminhamento para família
90

substituta. Recebem atualmente várias denominações, tais como: “abrigos”, “casas lares”,
“casas de passagem”, entre outros.

Adoção: Colocação definitiva de uma criança ou adolescente em outra família que não seja
aquela onde nasceu, conferindo vínculo de filiação definitivo, com os mesmos direitos e
deveres da filiação biológica, sendo medida judicial irrevogável.

Apoio sócio-familiar: trabalho social preventivo de fortalecimento dos vínculos familiares


e comunitários por meio de ações interligadas nas dimensões assistenciais, sociais e
educativas.

Apadrinhamento: pessoas externas ao convívio “diário” da criança e do adolescente que


participam de seus cuidados por meio de subsídios afetivo ou financeiro. Não se trata de
modalidade e acolhimento.

Autonomia: capacidade de se auto-governar. Direito de um indivíduo ou grupo social de


tomar decisões sem constrangimentos externos à sua liberdade de escolha.

Busca ativa: ato de procurar, nos cadastros de pretendentes à adoção, pessoas capazes de
aceitar a criança ou adolescente já disponível para adoção, ainda que não corresponda ao
perfil inicialmente declarado na fase de habilitação como candidatas.

Casa de Passagem: Acolhimento Institucional de curtíssima duração, onde se realiza


diagnóstico eficiente, com vistas à reintegração à família de origem ou encaminhamento
para Acolhimento Institucional ou Familiar, que são medidas provisórias e excepcionais.

Casa Lar: Acolhimento Institucional personalizado, realizado por um casal, homem ou


mulher que trabalha como cuidador(a), numa casa que não é sua, cuidando de um grupo de
crianças e/ou adolescentes (máximo de 10) em ambiente familiar.

Centro de Referência da Assistência Social (CRAS): órgão de atendimento direto e


indireto para prestação da proteção social básica a crianças, adolescentes e famílias,
visando à orientação e convívio sócio-familiar e comunitário.
91

Ciclo de vida: etapas no desenvolvimento de uma criança, adolescente e adulto, e do


processo de uma família, ou de uma instituição.

Emancipação: abordagem sócio-pedagógica que privilegia a vida autônoma e


independente, quando não é possível a reintegração à família de origem ou a colocação em
família substituta, com vistas à autonomia do adolescente. Não pode ser confundida com o
termo jurídico, que indica que o adolescente alcançou a capacidade plena (de fato e de
direito), por ato voluntário dos pais ou por determinação legal ou judicial.

Empoderamento da família: reconhecimento da autonomia que o grupo sócio-familiar


deve ter na definição de sua organização, dinâmica e regras internas, assegurando-lhe a
proteção constitucional do Estado sempre que necessária, e contribuindo para o
fortalecimento das suas potencialidades e da capacidade de proteger e cuidar dos seus
membros, na perspectiva dos direitos.

Excepcionalidade: qualidade que ocorre fora dos procedimentos comuns ou além dos
limites do que é freqüente; aquilo que está fora do padrão.

Família Acolhedora: nomenclatura dada à família que participa de um programa de


Acolhimento Familiar recebendo crianças e adolescentes, assim como: “Família de apoio”,
“Família cuidadora”, “Família solidária”, “Família Guardiã”, entre outras, de forma
temporária até a reintegração da criança com a sua própria família ou seu encaminhamento
para adoção em outra família substituto definitiva.

Família de origem: família com a qual a criança e o adolescente viviam (natural ou


extensa), desde que a sua formação não tenha ocorrido ato ilícito, no momento em que
houve a intervenção dos operadores ou operadoras sociais ou do direito.

Família extensa: aquela que inclui, além dos parentes e agregados, todas as demais
pessoas que tenham relação de afinidade ou de afetividade com o núcleo familiar natural,
como se depreende da literatura e do texto do art. 28, parágrafo 2º, do Estatuto da Criança e
do Adolescente, não se exigindo que as pessoas residam no mesmo domicílio.
92

Família em situação de risco: grupo familiar que enfrenta condições sociais, culturais ou
relacionais adversas ao cumprimento de suas responsabilidades e/ou cujos direitos
constitucionais estão ameaçados ou violados, encontrando-se, conseqüentemente, em risco
de violação de direitos de suas crianças e adolescentes, seja por meio de violência, trabalho
infantil, abuso, negligência grave ou abandono.

Família natural: comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes.

Guarda fática (ou guarda de fato ou Acolhimento Informal): situação em que a criança
ou adolescente convive com uma família que não é a sua, sem formalização da
transferência de guarda, por tempo suficiente para estabelecer laços de afinidade e
afetividade. Esta é uma das situações sempre alegadas para dispensa da exigência de prévio
cadastramento da criança e dos pretendentes à adoção junto às Varas da Infância e da
Juventude.

Incompletude institucional: é um princípio fundamental norteador de toda prática social,


da rede de serviços, das instituições, etc. A incompletude institucional demanda a efetiva
participação dos sistemas e políticas de educação, saúde, trabalho, previdência social,
assistência social, cultura, esporte, lazer, segurança pública, entre outras, para a efetivação
da proteção integral de que são destinatários todas as crianças e adolescentes.

Modalidade de pequeno porte: Modalidade que atende a um número pequeno de crianças


e adolescentes, preferencialmente 12, no máximo.

Norma Operacional Básica (NOB) da Assistência Social: conjunto de normas que


definem os procedimentos básicos da Assistência Social, operacionalizam a transferência
de recursos financeiros entre os três níveis de governo e estabelecem as relações de fluxo e
os procedimentos entre eles.

Plano de vida individual: plano desenvolvido com a criança e adolescente, de maneira


dialógica e registrado por escrito, sobre os passos e as medidas relacionados à sua vida,
considerando seu passado, presente e futuro.
93

Políticas sociais integradas para os direitos das crianças e adolescentes: conjunto


articulado de políticas e ações governamentais e não-governamentais, da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos municípios, visando a efetivação e o atendimento dos
direitos.

Projeto político-pedagógico: proposta formulada pelas instituições que mantém


Acolhimento Institucional, com previsão de atendimentos a serem dispensados às crianças e
aos adolescentes acolhidas, bem como indicação dos mecanismos a serem utilizados para
garantia dos direitos fundamentais.

Provisório: que não tem caráter permanente, que não é definitivo.

Reintegração Familiar: retorno da criança e adolescente ao contexto da família de origem


da qual se separou; re-união dos membros de uma mesma família.

Reordenamento Institucional: reorganização da estrutura de uma Instituição para se


adequar a novos princípios e diretrizes; reordenamento de toda a política municipal para
adequar a rede aos novos princípios.

República de jovens: modalidade de Acolhimento Institucional que visa à transição da


adolescente/jovem da vida institucional para a vida autônoma, sem contar forçosamente
com características de ambiente familiar. Moradia onde os jovens se organizam em grupo
com vistas à autonomia.

Reunificação familiar permanente: quando o(s) principal(ais) responsável(eis) pela


criança e adolescente se compromete(m) por seus cuidados de forma responsável e
permanente.

SIPIA: Sistema de Informação Para Infância e Adolescência. É uma estratégia de registro e


tratamento de informações, sobre a garantia dos direitos fundamentais preconizados no
ECA, para ser operacionalizado em todo o país. O Sistema é composto por módulos (SIPIA
I, SIPIA II – InfoInfra, SIPIA III – InfoAdote e SIPIA IV), guardando aspectos específicos
para cada situação do atendimento às crianças e adolescentes e tendo como objetivo
94

subsidiar decisões governamentais sobre políticas para crianças e adolescentes, garantindo-


lhes acesso à cidadania.

Sistema de Garantia de Direitos (SGD): a Constituição Federal e o ECA ao enumerar


direitos, estabelecer princípios e diretrizes da política de atendimento, definir competências
e atribuições instalaram um sistema de “proteção geral de direitos” de crianças e
adolescentes cujo intuito é a efetiva implementação da Doutrina da Proteção Integral. Esse
sistema convencionou-se chamar de Sistema de Garantia de Direitos (SGD). Nele
incluem-se princípios e normas que regem a política de atenção a crianças e
adolescentes cujas ações são promovidas pelo Poder Público (em suas esferas –
União, estados, Distrito Federal e municípios – e Poderes – Executivo, Legislativo e
Judiciário) e pela sociedade civil, sob três eixos: Promoção, Defesa e Controle Social
(SINASE, 2005).

Sistema Único da Assistência Social (SUAS): “é o sistema que trata das condições para a
extensão e universalização da proteção social aos brasileiros por meio da política de
assistência social e para a organização, responsabilidade e funcionamento de seus serviços
e benefícios nas três instâncias de gestão governamental” (PNAS, 2004, p. 33). Assim, o
SUAS materializa o conteúdo da LOAS, pois constitui-se na regulação e organização em
todo o território nacional das ações socioassistenciais.

Trabalho social com família: Trabalho social de prevenção de riscos sociais, promoção de
direitos e fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários por meio de ações
interligadas nas dimensões assistenciais, sociais e educativas.

Transitório: que dura certo tempo, que é breve, passageiro, que serve de passagem de uma
situação para a outra.
95

Comissão Intersetorial que elaborou o documento: “Subsídios para elaboração do Plano


Nacional de Promoção, Defesa e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à
Convivência Familiar e Comunitária – 2004”
Comissão Intersetorial Convidados em caráter permanente
Alexandre Valle dos Reis – SEDH Alison Sutton – UNICEF
Alexia Luciana Ferreira – MS Ana Augusta Lima Rodrigues (Suplente) – CONGEMAS
Ana Angélica Campelo – MDS Cleilson Martins Gomes – RENIPAC
Ana Lígia Gomes – MDS Denise Arruda Colin (Suplente) – FONSEAS
Ana Lúcia Amstalden – MS Edna da Silva Maia – CONGEMAS
Beatriz Garrido - SEDH Emília Vasconcelos de Oliveira (Suplente) – RENIPAC
Elisa Dias Becker Reifschneider (Suplente) – SEDH Esther Dias Cruvinel (Suplente) – ANADEP
Enid Rocha Andrade da Silva – IPEA Helena Oliveira (Suplente) – UNICEF
Feizi Milani (Suplente) – MS Jandimar Maria da Silva Guimarães – ANGAAD
José Adelar Cuty da Silva (Suplente) – CNAS João Matos – Frente Parlamentar da Adoção
Kênia Teixeira - SEDH Leslie C. Marques (Suplente) – ABMP
Luseni Maria Cordeiro Aquino (Suplente) – IPEA Marcel Esquivel Hoppe – ABMP
Maria das Graças Fonseca Cruz – CONANDA Maria do Rosário Nunes – Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos
Maria Elisa Almeida Brandt (Suplente) – MEC da Criança e do Adolescente
Marlene de Fátima Azevedo Silva (Suplente) – MDS Maria Natércia Learth Cunha Soares (Suplente) – Fórum DCA
Patrícia Lamego Soares – SEDH/ACAF Maria Zuleika Pereira da Silva – FCNCT
Rita de Cássia Marchiore – MDS Marina Raupp (Suplente) – Frente Parlamentar da Adoção
Rita de Cássia Martins – MS Paulo Sérgio Pereira dos Santos (Suplente) – ANGAAD
Rosemary Ferreira - MDS Simone Moreira de Souza - ANADEP
Solange Stela Martins (Suplente) – CONADE Sueli Martins Viçoso do Amaral – FONSEAS
Telmara Galvão - MDS Teté Bezerra (Suplente) – Frente Parlamentar de Defesa dos
Direitos da Criança e do Adolescente
Thereza de Lamare Franco Netto (Suplente) CONANDA
Tiana Sento-Sé – Fórum DCA
Valter Silvério – MEC
Convidados
Vânia Lúcia Ferreira Leite – CNAS
Ana Maria da Silveira – AASPTJ/SP
Waldir Macieira – CONADE
Aurimar Ferreira – Fundação Orsa
Palestrantes Dilza Sivestre Gália Mathias – AASPTJ/SP
Alison Sutton – UNICEF
Eduardo Dias de Souza Ferreira – MP/SP
Enid Rocha – IPEA
Edvaldo Vieira – Lar Fabiano de Cristo
Irene Rizzini – CIESPI
Elisabete Soares S. Marinho – FCNCT
Josi Paz - MDS
Fernanda Martins – Casa Novella
Luiz Carlos de Barros de Figueiredo – TJ/PE
Gabriela Schreiner – CeCIF
Márcio Schiavo - Comunicarte
Graça Cantanhede – CONANDA
Maria das Graças Bibas dos Santos – SEDH/SIPIA
Irene Rizzini – CIESPI
Mauro Siqueira - MDS
Irmã Rizzini – CIESPI
Patrícia Lamego Soares – SEDH/ACAF
Luiz Carlos Figueiredo – TJPE/VIJ
Paula Cristina Nogueira - UnB
Lucineide Bastos – TJDFT/VIJ
Paulo Afonso de Almeida Garrido – MP/SP
Maria Alice Oliveira – TJDFT/VIJ
Reinaldo Cintra Torres de Carvalho – TJ/SP
Maria Lúcia Gulassa – Instituto Camargo Corrêa
Simone Albuquerque - MDS
Marco Antônio Matos – Casa Novella
Veet Vivarta – ANDI
Paula Nogueira – UnB
Consultores
Reinaldo Cintra – TJ/SP
Claudia Cabral - ABTH
Rita Oliveira – AASPTJ/SP
Maria Lúcia Miranda Afonso - UFMG
Roberto da Silva - USP Tânia Soster – Frente Parlamentar da Adoção
Tarcízio Ildefonso Costa Júnior – SEDH/SPDCA
Sistematização Geral
Andréa Márcia Santiago Lohmeyer Fuchs Depoimentos
Ducylene Pereira – Programa de Acolhimento Familiar/PMRJ
Heloisa Helena dos Santos – Programa de Acolhimento
Familiar/PMRJ
96