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Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 351.779 - SP (2001/0112777-9)

RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON

R.P/ACÓRDÃO RECORRENTE :

: MINISTRO FRANCIULLI NETTO ICUSHIRO SHIMADA E OUTROS KALIL ROCHA ABDALLA E OUTROS FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO

ADVOGADO :

RECORRENTE :

PROCURADOR : JOSÉ FABIANO DE ALMEIDA ALVES FILHO E OUTROS

RECORRIDO

:

OS MESMOS

INTERES.

:

EDÉLCIO LEMOS

ADVOGADO

:

EVELCOR FORTES SALZANO E OUTROS

EMENTA TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
EMENTA
TRIBUNAL DE JUSTIÇA.

RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL

DO ESTADO. DANO MORAL. ATO PRATICADO POR

DELEGADO DE POLÍCIA. DIVULGAÇÃO TEMERÁRIA DA

PRÁTICA DE ABUSO SEXUAL CONTRA ALUNOS DA ESCOLA

DE BASE. NOTÍCIA POSTERIORMENTE DESMENTIDA.

AUMENTO DO VALOR FIXADO PELA CORTE DE ORIGEM.

POSSIBILIDADE DE REVISÃO POR ESTE SUPERIOR

Restaram regularmente analisadas as matérias

discutidas no recurso especial, razão pela qual não há violação ao

artigo 535 do Código de Processo Civil.

Não se aplica, na hipótese, a Lei de Imprensa, visto

que, "o que levou os litigantes ao absurdo de serem repudiados e

quase linchados pela população, perdendo não só a honra, mas o

estabelecimento de ensino e o sossego de viver honesta e

tranqüilamente, não foi a veiculação jornalística provocada pela

imprensa, e sim a irresponsável conduta do agente estatal" (voto

proferido pela Ministra Eliana Calmon).

Superior Tribunal de Justiça

"Comprovada a responsabilidade subjetiva do agente público, impõe-se-lhe o dever de ressarcir o erário do valor preciso e certo do desfalque provocado, sem que se possa para tal limitá-lo às condições econômicas do obrigado" (voto proferido pela Ministra Eliana Calmon).

"Na oportunidade em que se fizer a liqüidação por artigos, novos honorários serão devidos e, assim, à vista de um quantitativo certo e determinado, será de todo pertinente a fixação dos honorários, nos termos do dispositivo aqui invocado pelos autores (art. 20, § 3º)" (voto proferido pela Ministra Eliana Calmon).

Já decidiu este Superior Tribunal de Justiça que "o valor da indenização por dano moral sujeita-se ao controle do Superior Tribunal de Justiça, sendo certo que, na fixação da indenização a esse título, recomendável que o arbitramento seja feito com

moderação, observando as circunstâncias do caso, aplicáveis a respeito os critérios da Lei n. 5.250/67" (REsp n. 295.175/RJ, rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJU de 2.4.2001). Veja-se, também o REsp n. 439.465/MS, rel. Min. Paulo Medina, julgado em

o REsp n. 439.465/MS, rel. Min. Paulo Medina, julgado em 15.10.2002. A quantia proposta pelo douto

15.10.2002.

A quantia proposta pelo douto colegiado a quo não é idônea a trazer qualquer alegria aos autores capaz de fazê-los superar o evento lastimável, que não apenas abalou, mas destruiu sua reputação e seu equilíbrio emocional.

Não há, desde que guardada a proporcionalidade e razoabilidade da indenização, possibilidade de enriquecimento ilícito da vítima em detrimento do autor do dano, quer pela própria dificuldade de mensuração do prejuízo quer pela evidente necessidade de impedir que a indenização arbitrada seja tão leve

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que incentive o réu a continuar causando danos morais contra outras vítimas, ou que a sociedade comece a ver com naturalidade tais comportamentos e passe a agir da mesma forma.

O fato de, eventualmente, o servidor causador do dano não ter condições de arcar com o valor integral da indenização pouco importa para a solução da presente controvérsia, visto que, em casos nos quais se faz presente a responsabilidade civil do Estado, a indenização deverá ser calculada com base na sua capacidade e não na do agente público causador do dano.

ACÓRDÃO
ACÓRDÃO

Recurso especial do Estado de São Paulo provido, em parte, para condenar o litisdenunciado a ressarcir os cofres públicos por inteiro.

Recurso especial dos autores provido para aumentar a indenização a título de danos morais para R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais), para cada um dos recorrentes.

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Sr. Ministro Franciulli Netto, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso do Estado de São Paulo e, por maioria, dar provimento ao recurso dos autores, vencidos a Sra. Ministra-Relatora e o Sr. Ministro Francisco Peçanha Martins. Lavrará o acórdão o Sr. Ministro Franciulli Netto. Votaram com o Sr. Ministro Franciulli Netto os Srs. Ministros Laurita Vaz e Paulo Medina.

Brasília (DF), 19 de novembro de 2002(Data do Julgamento).

Superior Tribunal de Justiça

MINISTRO FRANCIULLI NETTO Relator para acórdão

de Justiça MINISTRO FRANCIULLI NETTO Relator para acórdão Documento: 369941 - Inteiro Teor do Acórdão -

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL

Nº 351.779 - SP (2001/0112777-9)

RELATORA

:

MINISTRA ELIANA CALMON

RECORRENTE

:

ICUSHIRO SHIMADA E OUTROS

ADVOGADO

:

KALIL ROCHA ABDALLA E OUTROS

RECORRENTE

:

FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO

PROCURADOR

:

JOSÉ FABIANO DE ALMEIDA ALVES FILHO E OUTROS

RECORRIDO

:

OS MESMOS

INTERES.

:

EDÉLCIO LEMOS

ADVOGADO

:

EVELCOR FORTES SALZANO E OUTROS

RELATÓRIO

EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON: O Tribunal de Justiça do a) negou provimento ao agravo
EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON: O Tribunal de Justiça do
a)
negou provimento ao agravo retido e ao apelo da ré;
b)
deu parcial provimento ao recurso dos autores, elevando a indenização
c)
deu parcial provimento ao recurso do denunciado EDÉLCIO LEMOS, para

Estado de São Paulo, julgando ação de indenização por danos morais e materiais ajuizada contra

a FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO por ICUSHIRO SHIMADA, MARIA

APARECIDA SHIMADA e MAURÍCIO MONTEIRO DE ALVARENGA, proprietários

da Escola de Educação Infantil Base, decidiu da seguinte forma:

individual por dano moral para R$ 100.000,00 (cem mil reais), corrigidos monetariamente e com

juros de 6% a.a., ambos a partir da citação;

julgar a lide secundária parcialmente procedente, limitando nela a indenização por dano moral e

material a R$ 10.000,00 (dez mil reais), com juros e correção monetária na forma do item

anterior, com a condenação do denunciado em 50% das custas e despesas processuais da

denunciação, atualizadas na forma da lei, compensando-se os honorários advocatícios de

sucumbência;

d) deu provimento parcial à remessa oficial, fixando verba honorária de

sucumbência para a fase de conhecimento e relegando para a execução novo arbitramento de

honorários;

e) declarou a indenização como de natureza alimentar, para todos os fins e efeitos

do direito, na forma do art. 100 da Constituição Federal.

Do acórdão acima resumido, interpuseram os autores e a ré embargos de

declaração, sendo ambos rejeitados por aquela Corte Estadual.

Inconformados, ICUSHIRO SHIMADA, MARIA APARECIDA

SHIMADA e MAURÍCIO MONTEIRO DE ALVARENGA interpuseram o presente

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especial, com fulcro nas letras "a" e "c" do permissivo constitucional, alegando, em resumo:

a) violação ao art. 20, § 3º, do CPC, na medida em que a verba honorária

arbitrada pelo acórdão recorrido em R$ 10.000,00 (dez mil reais) encontra-se aquém do limite

mínimo estabelecido no dispositivo citado;

b) dissídio jurisprudencial quanto ao valor arbitrado a título de dano moral, que no

seu entender foi simbólico, não pesando, desta forma, no bolso do ofensor para que não torne a reincidir na ofensa. Trazem os autores como paradigma acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, onde o valor da indenização por dano moral foi equivalente a 24 vezes o ganho do autor, o que inocorreu nos autos;

c) d) e)
c)
d)
e)

dissídio jurisprudencial em relação à fixação de honorários com fulcro no art.

20, § 4º, do CPC, apresentando acórdãos desta Corte como paradigmas;

inaplicabilidade, no caso, da Súmula 7/STJ, por não se tratar, na hipótese, de

reexame de provas, mas de questões de direito, exclusivamente;

necessidade da reforma do julgado, diante da grande repercussão, nacional e

internacional, do episódio relatado nos autos, que resultou em um verdadeiro linchamento moral dos autores, que, por pouco, escaparam de um efetivo e real linchamento por parte de uma população indignada e revoltada, em decorrência da publicidade sensacionalista de situação não averiguada e levada a público, irresponsavelmente, por um Delegado de Polícia sequioso de aparecer na mídia. Concluem afirmando que, embora a imprensa tenha se retratado, ficou sobre

os autores indelével mácula, por terem figurado em escândalo ligado a abuso sexual de menores. A FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO, por sua vez, apresentou seu especial, com fulcro na letra "a" do permissivo constitucional, sustentando, em síntese:

a) violação ao art. 535, II, do CPC, caso se entenda que os dispositivos apontados

no especial não foram prequestionados, porque, segundo afirma, referida legislação vem sendo articulada desde a contestação;

b) ofensa aos arts. 49 e 50 da Lei 5.250/67 - Lei de Imprensa -, porque flagrante,

no caso em exame, que a responsabilidade civil está afeta à empresa exploradora do jornal que

veiculou as informações prestadas pelo Delegado de Polícia;

c) ofensa ao art. 70, III, do CPC, uma vez que tanto a sentença quanto o voto

recorrido mitigaram indevidamente a responsabilidade do litisdenunciado, Delegado de Polícia, sem, entretanto, aplicar a mesma benesse à Fazenda Estadual;

d) ofensa ao art. 159 do CC, diante da ilegal majoração do valor relativo ao dano

moral pelo Tribunal recorrido.

Superior Tribunal de Justiça

Após as contra-razões, subiram os autos, por força de agravo de instrumento. É o relatório.

autos, por força de agravo de instrumento. É o relatório. Documento: 369941 - Inteiro Teor do

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RECURSO ESPECIAL Nº 351.779 - SP (2001/0112777-9)

RELATORA

:

MINISTRA ELIANA CALMON

RECORRENTE

:

ICUSHIRO SHIMADA E OUTROS

ADVOGADO :

KALIL ROCHA ABDALLA E OUTROS

RECORRENTE

:

FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO

PROCURADOR :

JOSÉ FABIANO DE ALMEIDA ALVES FILHO E OUTROS

RECORRIDO

:

OS MESMOS

INTERES.

:

EDÉLCIO LEMOS

ADVOGADO

:

EVELCOR FORTES SALZANO E OUTROS VOTO VENCIDO

EXMA. SRA. MINISTRA ELIANA CALMON(RELATORA):

RECURSO DA FAZENDA
RECURSO DA FAZENDA

Inicio o exame dos autos pelo recurso da FAZENDA ESTADUAL, o que me

parece mais coerente, porque negado pelos recorrentes o fato gerador da indenização

questionada neste processo.

Em preliminar, rejeito a alegada violação ao art. 535 do CPC, porque restaram

prequestionados, ainda que implicitamente, os dispositivos legais indicados no especial.

No mérito, a alegação de ofensa aos arts. 49 e 50 da Lei 5.250/67 - Lei de

Imprensa, embora não mencionados expressamente no acórdão, foram devidamente

considerados para assim afastar o magistrado condutor do voto a incidência do diploma legal

invocado.

Como bem se posicionou o relator do acórdão, não pediram os litigantes

indenização por terem tido sua honra e imagem maculada pela imprensa.

O pleito indenizatório teve como causa de pedir a irregularidade na condução de

um inquérito policial, que levou a trágicas conseqüências. E isto porque o agente estatal, o

Delegado de Polícia que conduziu o processo, sem provas precisas e antes mesmo do final das

investigações, de forma irresponsável, divulgou para a imprensa resultados duvidosos do seu

trabalho, resultados estes que chegaram à imprensa de forma sensacionalista, como sendo de

conclusão final, quando em verdade estavam as investigações policiais ainda em curso, no final

das quais foram os autores inocentados das levianas acusações.

O que levou os litigantes ao absurdo de serem repudiados e quase linchados pela

população, perdendo não só a honra, mas o estabelecimento de ensino e o sossego de viver

honesta e tranqüilamente, não foi a veiculação jornalística provocada pela imprensa, e sim a

irresponsável conduta do agente estatal.

Superior Tribunal de Justiça

Aliás, ficou bem demonstrado nos autos que a primeira divulgação dos fatos deu-se pela Rede Globo de Televisão, quando foi ao ar uma entrevista gravada do Delegado de Polícia, na qual foi por ele dito, com todas as letras, que houvera violência sexual contra os estudantes da Escola Base.

A segurança transmitida pelo Delegado, ao narrar com suas próprias palavras o

que apurava, deu à imprensa o respaldo necessário à divulgação no dia 29 de março de 1994. Os jornais do dia seguinte divulgaram amplamente os fatos, com base nas palavras do Delegado, que afirmou estar provada a materialidade do crime de violência sexual, faltando apurar apenas a autoria, muito embora tivesse dito que pediria a prisão preventiva dos autores, nos termos da prova documental. As revelações do Delegado, noticiadas pela imprensa na mesma proporção sensacionalista da revelação estatal, provocaram, dois dias depois da primeira reportagem, a destruição do prédio da escola pela população indignada.

A O
A
O

prova quanto à ação do Delegado foi criteriosamente examinada no voto

condutor do acórdão, concluindo o ilustre relator que o fato determinante para o que ocorreu em relação à Escola Base foi a postura da autoridade policial.

segundo ponto abordado no recurso da FAZENDA DO ESTADO DE SÃO

PAULO diz respeito à ofensa ao art. 70, III, do CPC, porque o julgado mitigou indevidamente a responsabilidade do litisdenunciado, o Delegado de Polícia, condenando-o a suportar indenização bem inferior à estimada para ser paga pelo Estado. Para assim proceder, o acórdão considerou as condições econômicas do Delegado, a fim de compatibilizar a indenização ao Estado, em regressão, a um valor passível de pagamento sem inviabilizar a vida do ofensor. Daí a módica quantia de R$ 10.000,00 (dez mil reais), sujeita a juros e correção monetária, enquanto ficou o Estado com indenização ainda não quantificada para os danos materiais, sujeitos a apuração em liquidação por artigos e em valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) para cada um dos autores, em número de três, com relação aos danos morais.

Neste ponto, entendo que a benevolência do julgado não encontra respaldo na lei, visto que cabe ao servidor público ressarcir o erário no valor integral do prejuízo causado, ressarcimento este que se faz na forma da lei. Comprovada a responsabilidade subjetiva do agente público, impõe-se-lhe o dever de ressarcir o erário do valor preciso e certo do desfalque provocado, sem que se possa para tal limitá-lo às condições econômicas do obrigado.

Superior Tribunal de Justiça

A imposição do regresso, oriunda de norma constitucional (art. 27, § 6º, da

CF/88), na norma infraconstitucional, não encontra limites. Está previsto no art. 122 da Lei 8.112/90 a indenização de prejuízo causado ao erário, ao ser liquidada de forma prevista no art. 46 da mesma lei, quando faltar bens que assegurem a execução do débito pela via judicial. A disposição deste último artigo afasta a preocupação do Tribunal quanto à insolvência do delegado. Por fim, quanto à invocação do art. 159 do Código Civil, temos que a norma foi trazida ao recurso como ofendida pelo julgado, pelo exagero na quantificação do dano moral, elevado em mais de cem vezes pelo acórdão. Com efeito, a sentença de primeiro grau fixou em 100 (cem) salários mínimos, vigentes à época da liquidação, o valor dos danos morais para cada um dos autores (fl. 1.517). Este valor, que hoje importaria em mais ou menos R$ 20.000,00 (vinte mil reais), foi elevado no Tribunal para R$ 100.000,00 (cem mil reais). Não cabe a esta Corte reexaminar prova para imiscuir-se nas razões fáticas que motivaram as instâncias ordinárias a quantificarem o valor das indenizações estipuladas. Entretanto, não está vedado ao STJ, em sede de recurso especial, fazer a avaliação da prova em relação à indenização por dano moral, tendo, inclusive, a Seção de Direito Privado da Corte, inaugurado postura de julgamento ímpar, dimensionando o valor da indenização, em razão da ausência de critérios legais para a mensuração. Não quero aqui proceder a tal exame, mas na avaliação das razões de decidir do TJ/SP, não posso deixar de assinalar que o quantitativo fixado na sentença de primeiro grau foi apenas simbólico, postura que não se coaduna com a jurisprudência mais atualizada da Corte, que firmou o entendimento de que a indenização por dano moral não deve ser simbólica, mas efetiva, com o cuidado de não ser fonte de enriquecimento indevido. Diante da argumentação constante do voto condutor do julgado (fls. 1.546/1.549), não se pode deixar de aceitar o quantitativo ali assinalado, o qual, em nenhum passo desmerece o art. 159 do Código Civil.

qual, em nenhum passo desmerece o art. 159 do Código Civil. RECURSO DOS AUTORES O primeiro

RECURSO DOS AUTORES

O primeiro aspecto constante do recurso dos autores desta ação de indenização diz respeito aos honorários de advogado, arbitrados em R$ 10.000,00 (dez mil reais), considerado aquém do limite estabelecido no art. 20, § 3º, do CPC.

O dispositivo dito vulnerado estabelece a fixação de honorários com um mínimo

de dez por cento, tendo o magistrado de primeiro grau aplicado literalmente o dispositivo.

Superior Tribunal de Justiça

O Tribunal, entretanto, pelo só fato de ainda não se ter a quantificação dos danos materiais, porque postergados para a execução por artigos, fixou a verba de patrocínio em valor certo - R$ 10.000,00 (dez mil reais) - de acordo com o estabelecido no art. 20, § 4º, do CPC. Entendo que está correto o enfoque do colegiado. Observe-se que estes honorários são apenas para o processo de conhecimento, cuja instrução não foi das mais difíceis. Na oportunidade em que se fizer a liquidação por artigos, novos honorários serão devidos e, assim, à vista de um quantitativo certo e determinado, será de todo pertinente a fixação dos honorários, nos termos do dispositivo aqui invocado pelos autores (art. 20, § 3º). De referência ao valor arbitrado para os danos morais, já examinadas as razões do acórdão quando da apreciação do recurso da FAZENDA, resta nesta oportunidade, diante do paradigma trazido à colação, dizer que, em matéria de danos morais, o valor da recomposição econômica não encontra parâmetro em hipótese alguma. Afinal, a dor de uma ofensa à honra e à reputação não tem o mesmo impacto em pessoas diferentes. Ademais, também há de ser considerada a questão do valor material do dano que, em somatório, pode levar a vítima a uma situação de vantagem. Não quero com isso dizer que ocorre na espécie esta situação de vantagem. Quero dizer apenas que não se pode padronizar o quantitativo indenizatório por dano moral. Do mesmo modo que não servem os paradigmas para desmerecer a estimativa por danos morais neste processo, também não servem os paradigmas para comprovar a divergência em relação aos honorários, fixados nos termos do art. 20, § 4º, do CPC, neste processo de conhecimento, em razão da verba de patrocínio que será estimada na liquidação por artigos, fato que não pode ser olvidado. Por fim, não tenho dúvida em dizer que o sofrimento pelo qual passaram os autores, agredidos, desrespeitados, aniquilados pela opinião pública, jamais será ressarcido completamente, senão na recomposição do que perderam patrimonialmente. Entretanto, a mesma repercussão nacional e internacional que os amesquinhou, hoje se volta para o Estado que, por culpa de seu preposto, provocou indevidamente o incidente, cuja reparação se faz judicialmente, não apenas com um valor simbólico, mas com uma quantia razoavelmente estimada. Afinal, a quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais) pode não representar muito para os cofres do Estado, mas sem dúvida "pesa" no bolso do ofensor, que deverá indenizá-los regressivamente, e não pode ser considerado desprezível para os litigantes. Com estas considerações, dou parcial provimento ao recurso do ESTADO DE

dou parcial provimento ao recurso do ESTADO DE Documento: 369941 - Inteiro Teor do Acórdão -

Superior Tribunal de Justiça

SÃO PAULO, para condenar o litisdenunciado a ressarcir os cofres públicos por inteiro, mantendo o acórdão nos demais aspectos, pelo improvimento do recurso dos autores. É o voto.

pelo improvimento do recurso dos autores. É o voto. Documento: 369941 - Inteiro Teor do Acórdão

Superior Tribunal de Justiça

CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEGUNDA TURMA

Número Registro: 2001/0112777-9

Números Origem: 200100530807 32995 441225

PAUTA: 20/08/2002

RESP 351779 / SP

JULGADO: 03/09/2002

Relatora Exma. Sra. Ministra ELIANA CALMON

Presidenta da Sessão Exma. Sra. Ministra ELIANA CALMON

AUTUAÇÃO : : : : : : : ICUSHIRO SHIMADA E OUTROS KALIL ROCHA ABDALLA
AUTUAÇÃO
:
:
:
:
:
:
:
ICUSHIRO SHIMADA E OUTROS
KALIL ROCHA ABDALLA E OUTROS
FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO
JOSÉ FABIANO DE ALMEIDA ALVES FILHO E OUTROS
OS MESMOS
EDÉLCIO LEMOS
EVELCOR FORTES SALZANO E OUTROS
CERTIDÃO

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. MOACIR GUIMARÃES MORAES FILHO

Secretária Bela. BÁRDIA TUPY VIEIRA FONSECA

RECORRENTE

ADVOGADO

RECORRENTE

PROCURADOR

RECORRIDO

INTERES.

ADVOGADO

ASSUNTO: Administrativo - Responsabilidade Civil do Estado - Indenização

Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

"Após o voto da Sra. Ministra-Relatora, negando provimento ao recurso dos autores e dando parcial provimento ao recurso da Fazenda de São Paulo, pediu vista dos autos o Sr. Ministro Franciulli Netto." Aguardam os Srs. Ministros Laurita Vaz, Paulo Medina e Francisco Peçanha Martins.

O referido é verdade. Dou fé.

Brasília, 03 de setembro de 2002

BÁRDIA TUPY VIEIRA FONSECA Secretária

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 351.779 - SP (2001/0112777-9)

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO FRANCIULLI NETTO (Relator para

o acórdão):

Exsurge dos autos que Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada e Maurício Monteiro de Alvarenga propuseram contra a Fazenda do Estado de São Paulo, "ação ordinária de indenização por danos materiais e morais", diante dos danos sofridos em decorrência de ato praticado por Delegado de Polícia daquele Estado, Sr. Edélcio Lemos, que destruiu a reputação dos autores, ex-proprietários da Escola de Educação Infantil de Base, e, bem assim, sua fonte de subsistência, em razão de falsas acusações de prática de abuso sexual contra os alunos.

acusações de prática de abuso sexual contra os alunos. O MM. Juiz de primeiro grau determinou

O MM. Juiz de primeiro grau determinou a denunciação da lide do Sr. Delegado de Polícia, apontado pelos autores como causador do dano (fls.

1008/1009).

Encerrada a fase instrutória, reconheceu o MM. Juiz de primeiro grau que "o confronto entre o que a autoridade policial narrava para a imprensa e o constante do inquérito é suficiente para demonstrar que o Delegado de Polícia agiu com manifesta imprudência, conhecedor que era da fragilidade da acusação e das proporções que o caso tomava, assim como, por óbvio, do tratamento sensacionalista que a imprensa daria ao material que lhe era fornecido pela autoridade policial. Essa conduta se afasta do regular exercício da função policial e, por conseqüência, impõe à ré a responsabilidade de indenizar os autores pelos danos suportados, afastando os argumentos do denunciado, de que agiu no regular exercício da função, e da ré, que sustenta a inexistência de nexo causal entre a conduta do seu agente e a ocorrência dos danos" (fl. 1327).

Superior Tribunal de Justiça

Quanto aos danos materiais, entendeu Sua Excelência que sua apuração dar-se-ia durante a necessária liqüidação por artigos. E, em relação aos danos morais, concluiu que "não é possível a atribuição exclusiva da responsabilidade para o Estado, representativa de toda a dor suportada pelos autores, pois acusação formulada pelas mães de alunos que representaram a autoridade policial e o exaustivo papel da imprensa, tiveram relevo que não pode ser ignorado, tendo os autores decaído do direito de buscar reparação perante os órgãos de informação que divulgaram a falsa e danosa notícia. Essa realidade impõe a fixação da indenização por danos morais em valor bastante inferior ao postulado na inicial" (fl. 1.328), razão pela qual, em analogia com o disposto no antigo Código Brasileiro de Telecomunicações, fixou a indenização em 100 salários mínimos.

fixou a indenização em 100 salários mínimos. Tanto os autores como a Fazenda do Estado de

Tanto os autores como a Fazenda do Estado de São Paulo e o denunciado interpuseram recurso de apelação. O egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo houve por bem negar provimento ao agravo retido e à apelação da ré; dar parcial provimento ao recurso dos autores, para elevar a indenização por danos morais para R$ 100.000,00 (cem mil reais), corrigidos monetariamente e com juros de 6% ao ano, a partir da citação; dar parcial provimento à apelação do denunciado Edélcio Lemos e limitar a sua responsabilidade pela indenização devida aos autores em R$ 10.000,00 (dez mil reais) e, finalmente, dar provimento em parte à remessa necessária para fixar a verba honorária referente à fase de conhecimento e relegar para a execução novo arbitramento.

especial.

Ainda

irresignadas,

interpuseram

ambas

as

partes

recurso

Em suas razões, insurgem-se os autores contra o quantum indenizatório e a fixação da verba honorária.

A Fazenda do Estado de São Paulo, por seu turno, alega violação aos artigos 70, III, e 535, inciso II, do Código de Processo Civil, 49 e 50 da Lei n.

Superior Tribunal de Justiça

5.250/67 e 159 do Código Civil.

Contra-razões (fls. 1669/1675, 1679 e 1683/1.699).

Iniciado o julgamento, a ilustre Ministra Eliana Calmon, relatora sorteada, houve por bem dar parcial provimento ao recurso do Estado de São Paulo, para condenar o litisdenunciado a ressarcir os cofres públicos por inteiro, mantido o acórdão recorrido nos demais aspectos, e negar provimento ao recurso dos autores, posicionamento ao qual aderiu o não menos ilustre Ministro Francisco Peçanha Martins.

É o relatório.
É o relatório.

Este subscritor, contudo, divergiu desse entendimento e deu parcial provimento ao recurso dos autores, no que foi acompanhado pelos demais integrantes desta Segunda Turma, razão pela qual foi designado para lavrar o acórdão.

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 351.779 - SP (2001/0112777-9)

EMENTA

RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. DANO MORAL. ATO PRATICADO POR DELEGADO DE POLÍCIA. DIVULGAÇÃO TEMERÁRIA DA PRÁTICA DE ABUSO SEXUAL CONTRA ALUNOS DA ESCOLA DE BASE. NOTÍCIA POSTERIORMENTE DESMENTIDA. AUMENTO DO VALOR FIXADO PELA CORTE DE ORIGEM. POSSIBILIDADE DE REVISÃO POR ESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.

DE REVISÃO POR ESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Restaram regularmente analisadas as matérias discutidas no

Restaram regularmente analisadas as matérias discutidas no recurso especial, razão pela qual não há violação ao artigo 535 do Código de Processo Civil.

Não se aplica, na hipótese, a Lei de Imprensa, visto que "o que levou os litigantes ao absurdo de serem repudiados e quase linchados pela população, perdendo não só a honra, mas o estabelecimento de ensino e o sossego de viver honesta e tranqüilamente, não foi a veiculação jornalística provocada pela imprensa, e sim a irresponsável conduta do agente estatal" (voto proferido pela Ministra Eliana Calmon).

"Comprovada

a

responsabilidade

subjetiva

do

agente

público, impõe-se-lhe o dever de ressarcir o erário do valor preciso e

certo do desfalque provocado, sem que se possa para tal limitá-lo às condições econômicas do obrigado" (voto proferido pela Ministra Eliana Calmon).

"Na oportunidade em que se fizer a liqüidação por artigos, novos honorários serão devidos e, assim, à vista de um quantitativo certo e determinado, será de todo pertinente a fixação dos honorários, nos termos do dispositivo aqui invocado pelos autores

Superior Tribunal de Justiça

(art. 20, § 3º)" (voto proferido pela Ministra Eliana Calmon).

Já decidiu este Superior Tribunal de Justiça que "o valor da indenização por dano moral sujeita-se ao controle do Superior Tribunal de Justiça, sendo certo que, na fixação da indenização a esse título, recomendável que o arbitramento seja feito com moderação, observando as circunstâncias do caso, aplicáveis a respeito os critérios da Lei n. 5.250/67" (REsp n. 295.175/RJ, rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJU de 2.4.2001). Veja-se, também o REsp n. 439.465/MS, rel. Min. Paulo Medina, julgado em 15.10.2002.

439.465/MS, rel. Min. Paulo Medina, julgado em 15.10.2002. A quantia proposta pelo douto colegiado a quo

A quantia proposta pelo douto colegiado a quo não é idônea a trazer qualquer alegria aos autores capaz de fazê-los superar o evento lastimável, que não apenas abalou, mas destruiu sua reputação e seu equilíbrio emocional.

Não há, desde que guardada a proporcionalidade e razoabilidade da indenização, possibilidade de enriquecimento ilícito da vítima em detrimento do autor do dano, quer pela própria dificuldade de mensuração do prejuízo, quer pela evidente necessidade de impedir que a indenização arbitrada seja tão leve que incentive o réu a continuar causando danos morais contra outras vítimas, ou que a sociedade comece a ver com naturalidade tais comportamentos e passe a agir da mesma forma.

O fato de, eventualmente, o servidor causador do dano não ter condições de arcar com o valor integral da indenização pouco importa para a solução da presente controvérsia, visto que, em casos nos quais se faz presente a responsabilidade civil do Estado, a indenização deverá ser calculada com base na sua capacidade e não na do agente público causador do dano.

Recurso Especial dos autores provido, em parte, para

Superior Tribunal de Justiça

aumentar a indenização a título de danos morais para R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais), para cada um dos recorrentes.

VOTO VENCEDOR

O EXMO. SR. MINISTRO FRANCIULLI NETTO (Relator para

o acórdão):

SR. MINISTRO FRANCIULLI NETTO (Relator para o acórdão): do agente estatal" . Irreparável o voto proferido

do agente estatal" .

Irreparável o voto proferido pela ilustre Relatora quanto ao tema da responsabilidade do Estado por ato do Delegado de Polícia e com relação à do agente público que, obviamente, não pode se restringir a quantia inferior ao valor integral da indenização e, finalmente, a respeito da fixação dos honorários advocatícios.

Consoante bem registrou a ínclita Relatora originária, ao apreciar o recurso da Fazenda do Estado de São Paulo, restaram regularmente analisadas as matérias discutidas no recurso especial, razão pela qual não há violação ao artigo 535 do Código de Processo Civil e, da mesma forma, não se aplica, na hipótese, a Lei de Imprensa, visto que "o que levou os litigantes ao absurdo de serem repudiados e quase linchados pela população, perdendo não

só a honra, mas o estabelecimento de ensino e o sossego de viver honesta e tranqüilamente, não foi a veiculação jornalística provocada pela imprensa, e sim

a irresponsável conduta

Registrou ainda Sua Excelência a Ministra Eliana Calmon, que

subjetiva do agente público, impõe-se-lhe o

"comprovada a responsabilidade

dever de ressarcir o erário do valor preciso e certo do desfalque provocado,

sem que se possa para tal limitá-lo às condições econômicas do obrigado".

No que tange ao recurso dos autores, igualmente, é mister acompanhar o voto da nobre relatora quanto ao tema dos honorários advocatícios, uma vez que, "na oportunidade em que se fizer a liqüidação por artigos, novos honorários serão devidos e, assim, à vista de um quantitativo

Superior Tribunal de Justiça

certo e determinado, será de todo pertinente a fixação dos honorários, nos termos do dispositivo aqui invocado pelos autores (art. 20, § 3º)".

Este

signatário,

entretanto,

ousa

discordar

do

quantum

indenizatório fixado a título de danos morais, visto que, conquanto bem fundamentado o acórdão atacado, a importância de R$ 100.000,00 (cem mil reais) não é suficiente para provocar o efeito pretendido pelo douto colegiado a quo.

provocar o efeito pretendido pelo douto colegiado a quo. É conveniente registrar que, consoante já se

É conveniente registrar que, consoante já se manifestou a ínclita Relatora, "não cabe a esta Corte reexaminar prova para imiscuir-se nas razões fáticas que motivaram as instâncias ordinárias a quantificarem o valor das indenizações estipuladas. Entretanto, não está vedado ao STJ, em sede de recurso especial, fazer a avaliação da prova em relação à indenização por dano moral, tendo, inclusive, a Seção de Direito Privado da Corte, inaugurado postura de julgamento ímpar, dimensionando o valor da indenização, em razão da ausência de critérios legais para mensuração" .

Com efeito, já decidiu este Superior Tribunal de Justiça que "o valor da indenização por dano moral sujeita-se ao controle do Superior Tribunal de Justiça, sendo certo que, na fixação da indenização a esse título, recomendável que o arbitramento seja feito com moderação, observando as circunstâncias do caso, aplicáveis a respeito os critérios da Lei n. 5.250/67" (REsp n. 295.175/RJ, rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, DJU de 2.4.2001). Veja-se, também o REsp n. 439.465/MS, rel. Min. Paulo Medina, julgado em

15.10.2002.

In casu, o egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo concluiu, com apoio na farta prova constante dos autos, que, de fato, sofreram as vítimas dano moral em decorrência da conduta culposa do Delegado de Polícia e para fundamentar a fixação do valor da indenização, teceu as seguintes considerações:

Superior Tribunal de Justiça

"Conforme anota WILSON MELO DA SILVA, em obra destinada à responsabilidade civil automobilística, mas que cuida também do dano moral, 'em se tratando, porém, dos danos morais, o que se busca não é colocar o dinheiro ao lado da angústia ou da dor, mas tão-somente propiciar ao lesado uma situação positiva, de euforia e de prazer, capaz de amenizar, de atenuar ou até mesmo, capaz de extinguir, nele, a negativa sensação da dor.

O A contrária sensação agradável'. A dor, dúvida não há,
O
A
contrária sensação agradável'.
A
dor,
dúvida
não
há,

compensação na alegria.

encontraria

vezo metalista é que, na espécie, perturba.

Quando se fala em reparação do dano moral, não ocorre aos adeptos da reparação do mesmo a imoralidade de se 'comprar' ou de se 'pagar' o pranto de alguém com moeda sonante.

reparação aqui consistiria, segundo Wachter, 'em

contrabalançar a sensação dolorosa inflingida ao lesado por uma

lenitivo

e

O dinheiro entraria aí, não de maneira direta, mas

indiretamente, com o objetivo único de se propiciar ao lesado, com a sua ajuda ou por meio dele, algo que pudesse amenizar a

angústia e os sofrimentos do moralmente ferido.

al

danneggiato gli identici beni che há perduti, ma de far nascere in

lui una nuova sorgente di felicitá e di benessere, capace di alleviare le conseguenze del dolore, del male, che há ricevuto'.

Como

diria

Minozzi,

'no

si

tratta

di

riffare

Superior Tribunal de Justiça

Na reparação do dano moral, aditaria esse mesmo Minozzi, o que se objetiva não é a tarifação do preço da dor.

Tal equivalência, impossível entre a dor e o dinheiro, de muito se aplainaria e, mesmo, desapareceria se 'alla parola dolore si sostituiscono le sensazioni piacevolli bastanti ad estinguere quel dolore, ed alla parola danoro si sostituiscono le sensazioni piacevoli che una data quantità di denaro è capace di produrre'.

O pai que, impossibilitado,
O
pai
que,
impossibilitado,

material e

economicamente, de promover a educação de qualquer de seus três filhos menores, obtivesse do juiz, como reparação pelo atropelamento e morte de um deles, que o atropelador se encarregasse de dar aos irmãos remanescentes do morto instrução adequada que lhes elevasse o estado social e a possibilidade de melhor padrão de vida, teria, nisso, sem dúvida, motivo de sobejo para a amenização de sua própria amargura pela morte do filho atropelado.

A moça, artista e pobre, que, como compensação pelo dano moral sofrido, lograsse obter, por decisão judicial, que às expensas do autor do ilícito pudesse realizar seu velho sonho de viagem de estudos a países estrangeiros, talvez já não encontrasse mais nenhum motivo para tantas lágrimas amargas, sem a menor sombra de dúvida.

Aliás, como reza, no Chile, um prolóquio popular,

evocado

por Alessandri

Rodríguez,

'las penas

com pan son

menos'.

Pretender-se,

pois, que a reparação

pelos danos

morais fosse uma utopia pelo só fato de não se poder aferí-los e

Superior Tribunal de Justiça

repará-los pelos parâmetros comuns traduziria, como se vê, uma dificuldade grande, mas não uma impossibilidadade.

Como de resto, advertiu Josserand, devemos de uma vez por todas renunciar à estulta pretensão de que uma reparação ideal possa operar-se sempre, mesmo dentro do campo dos bens exclusivamente materiais ou econômicos.

É evidente, escreveu ele, que
É
evidente,
escreveu
ele,
que

indenização não pode ser fonte de enriquecimento inexpressiva.

absoluta

simetria entre o dano ocasionado e a indenização pecuniária estaria destinada a se romper constantemente, como acontece, por exemplo, nas obrigações de não fazer'.

uma

A jurisprudência firmou entendimento de que a indenização por dano moral não deve ser simbólica, mas efetiva. Não só tenta no caso visivelmente compensar a dor psicológica, como também deve representar para quem paga uma reprovação, em face do desvalor da conduta.

Ainda a referida jurisprudência já proclamou que tal

e tampouco

Assim,

a indenização

por dano

moral

deve

ser

elevada para R$ 100.000,00 (cem mil reais) para cada um dos Autores, corrigidos monetariamente a partir da citação, com juros

legais (6% ao ano) fluindo desde a mesma data (citação)" (fls.

1547/1549).

Data venia, no pensar deste subscritor, a quantia proposta pelo douto colegiado a quo não é idônea a trazer qualquer alegria aos autores capaz de fazê-los superar o evento lastimável, que não apenas abalou, mas destruiu sua reputação e seu equilíbrio emocional.

Superior Tribunal de Justiça

Transcrevem os autores, na inicial, trecho de monografia elaborada por aluno do curso de Direito da USP, que examinou exatamente o caso discutido nos presentes autos e que descreve a sua situação oito meses após as acusações, verbis :

"Nunca a imprensa pediu tantas desculpas como no caso da Escola de Base. Porém, oito meses depois de serem acusados de abuso sexual de crianças, as sete vítimas ainda não se recompuseram.

de crianças, as sete vítimas ainda não se recompuseram. Ayres continua trabalhando no quinto andar de

Ayres continua trabalhando no quinto andar de um prédio na Praça da Sé, e sobre sua mesa está o telefone e a velha máquina IBM. Desde as primeiras horas, os clientes de 26 anos depositaram irrestrita confiança. Ayres, no entanto, perdeu o sono e não dorme sem tranqüilizantes; ao andar na rua, está sempre alerta. Irrita-se com facilidade e fuma mais do que o habitual.

Cida viu desmoronar o projeto de toda a vida. Desde cedo sonhara com a escolinha. Hoje, nem aulas pode dar. Quem confiaria a ela uma sala cheia de alunos? Dinâmica e empreendedora, vê-se obrigada a passar as horas em casa, deprimida. Tornou-se adepta dos calmantes, também.

Maurício separou-se.

Tenta vender uma lanchonete,

na Aclimação. Tem mania de perseguição e pânico de sair na rua. Não vai nem mesmo ao escritório do advogado. Para falar com ele, monta esquemas exagerados de segurança. Só sai de casa com guarda-costas.

Separada do marido, Paula, junto com as duas filhas, foi morar com a mãe. Está desempregada desde quando surgiu o

Superior Tribunal de Justiça

caso da Escola de Base e impedida de trabalhar em sua profissão. Vive de 'bicos' em bufês. O seu advogado, Laertes Torrens, move processo contra Cléa e Lúcia. Nos últimos dias de novembro, aguardava ansiosa a chamada do programa Porta da Esperança, do Sílvio Santos, do qual esperava ganhar o dinheiro necessário para ir à Bahia pagar a promessa feita ao Nosso Senhor do Bonfim.

à Bahia pagar a promessa feita ao Nosso Senhor do Bonfim. Saulo e Mara estão escrevendo

Saulo e Mara estão escrevendo um livro. Querem contar em detalhes tudo o que viram, sentiram e souberam. Fazem o que podem para pagar dívidas com advogados. Saulo toca bateria em bares noturnos, Mara faz colares de bijuterias e ambos vendem rifas. Rodrigo teve uma fase difícil quando o casal ficou preso. Passou a comer com as mãos ao saber que na prisão os pais não teriam talheres. Em novembro já havia esquecido boa parte da história, mas fica nervoso e muda de canal sempre que se fala de abuso sexual na televisão.

Richard tornou-se um obcecado por provar a inocência, mas mantém o bom humor. Passa a maior parte do tempo atrás de processos e advogados. Contratou até um assessor de imprensa para conseguir nos jornais espaço para sua defesa. Montou em casa um verdadeiro arsenal com mapas, gráficos, documentos. No mês de outubro ele podia ser encontrado em um seminário sobre crimes de imprensa. Uma foto sua, algemado, fez com que perdesse contratos com a empresa para a qual trabalhava. As crianças continuam a nadar em sua piscina.

Cléa e Lúcia não querem nem tocar no assunto da

Escola de Base. Seus filhos fazem tratamento com a psicóloga

Walquíria Fonseca Duarte, da USP (

).

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Edélcio Lemos trabalha no setor de cartas precatórias, no 78º DP, Jardins. Fica na Rua Estados Unidos, próximo da Augusta. É um prédio novo, com três andares e elevador. Em sua porta está uma placa com sua nova função: delegado titular. Edélcio dá aulas na Academia de Polícia Civil. Responde a sindicâncias que, segundo pessoas do meio, terminará em pizza" (fl. 29/30).

pessoas do meio, terminará em pizza" (fl. 29/30). Não há ninguém neste país que, contemporâneo aos

Não há ninguém neste país que, contemporâneo aos fatos

discutidos na presente ação, não se lembre do verdadeiro linchamento moral e abusos a que foram submetidos os autores, que tiveram sua escola depredada

e

jamais poderão exercer atividade semelhante.

Nada obstante, extrai-se dos autos, além da narrativa levada a efeito pelo estudante de Direito da USP, acima reproduzida, documentos que comprovam o desalentado ânimo dos autores, que estão às voltas, diuturnamente, com remédios, cigarros e o medo do convívio social.

Embora sua situação econômica hoje não seja das melhores, justamente em decorrência do triste episódio, não se pode levar em consideração o benefício que R$ 100.000,00 (cem mil reais) trariam para uma família em dificuldades, visto que essas dificuldades deverão, obrigatoriamente, ser reparadas com a indenização fixada a título de danos emergentes e lucros cessantes.

Em verdade, a quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais) poderia ser facilmente alcançada pelos autores caso tivessem tido a oportunidade de continuar, em paz, com o seu negócio, que, segundo consta dos autos, prosperava cada vez mais. Dessa forma, inexistente o dano, além da realização profissional, contariam certamente os autores com o mesmo valor

fixado pela Corte de origem. Pergunta-se, então: qual foi a compensação? Qual

a satisfação que esse dinheiro pode trazer aos autores que a ausência do dano não traria?

Superior Tribunal de Justiça

É certo que o dano moral não pode significar um enriquecimento do credor. Menos não é verdade, contudo, que, como registrou o próprio Tribunal de origem, não deve a indenização por danos morais ser meramente simbólica, mas efetiva e proporcional à condição da vítima, do autor do dano e da gravidade do caso.

A par das considerações acerca do caráter compensatório da indenização por dano moral, possui ela, também, natureza sancionatória ao causador do dano e, ainda, orientadora do comportamento social, para reprimir danos futuros. Edoardo A. Zannoni cogita de três finalidades na reparação do dano moral: reparación satisfactiva, reparación neutralizadora e como medida de prevención de daños futuros (cf. "El daño en la responsabilidad civil", Ed. Astraa, Buenos Aires, 1993, p. 360).

civil", Ed. Astraa, Buenos Aires, 1993, p. 360). ). No mesmo sentido é a lição de

).

No mesmo sentido é a lição de Caio Mário da Silva Pereira, para

quem, quando da fixação da indenização, encontra o magistrado, "de um lado, a idéia de punição ao infrator, que não pode ofender em vão a esfera jurídica alheia: não se trata de imiscuir na reparação uma expressão meramente simbólica, e, por esta razão, a sua condenação não pode deixar de considerar as condições econômicas e sociais dele, bem como a gravidade da falta

cometida, segundo critério de aferição subjetivo (

à vítima uma compensação pelo dano suportado, pondo-lhe o ofensor nas

mãos uma soma que não é o 'pretium doloris', porém uma ensancha de

Em terceiro lugar, a reparação por dano moral

envolve a idéia de 'solidariedade' à vítima, em razão da ofensa que sofreu a um bem jurídico lesado pelo agente". E, finalmente, que "mais do que nunca há de estar presente a preocupação de conter a reparação dentro do razoável, para que jamais se converta em fonte de enriquecimento" (in "Instituições de Direito Civil", 12ª edição, Forense, v. II, p. 242/243).

reparação

De outro lado proporcionar

da afronta

(

).

Não há, assim, desde que guardada a proporcionalidade e razoabilidade da indenização, possibilidade de enriquecimento ilícito da vítima

Superior Tribunal de Justiça

em detrimento do autor do dano, quer pela própria dificuldade de mensuração do prejuízo quer pela evidente necessidade de impedir que a indenização arbitrada seja tão leve que incentive o réu a continuar causando danos morais contra outras vítimas, ou que a sociedade comece a ver com naturalidade tais comportamentos e passe a agir da mesma forma.

Esse problema fica mais evidente, por exemplo, nas relações de consumo, em que as empresas, salvo honrosas exceções, seguem humilhando e desrespeitando os consumidores porque sabem que as indenizações, a final, serão irrisórias em relação ao lucro que conquistam mantendo essa política. Ainda a título de exemplo, cite-se as emissoras de televisão que, muitas vezes, ao "custo mínimo" de ofender a honra e a imagem de uma única pessoa, lucram milhões.

a honra e a imagem de uma única pessoa, lucram milhões. Fundamento comumente utilizado para a

Fundamento comumente utilizado para a defesa das minguadas indenizações que o Poder Judiciário hoje tem aplicado é a tentativa de desestimular a chamada "indústria das indenizações". Pergunta-se, contudo:

Qual é a pessoa que, a exemplo dos autores, iria submeter-se a todas as humilhações e privações apenas para pleitear dano moral?

Não se pode olvidar da lição de Josserand citada pela Corte de origem no sentido de que, simplesmente, o dano moral sofrido pelos autores nunca poderá ser completamente reparado.

Nada obstante, é em pecúnia, de ordinário, que se consegue a reparação possível, já que a nenhum mortal é dado o poder de suprir esse tipo de sofrimento. O que se pretende é apenas proporcionar algum bem às vítimas, que as faça, novamente, sentir algum prazer pela vida e, sem dúvida, a quantia de R$ 100.000,00 (cem mil reais), data venia, não é capaz disso.

É de bom conselho registrar, apenas a título de esclarecimento, que o fato de, eventualmente, o servidor causador do dano não ter condições de arcar com o valor integral da indenização pouco importa para a solução da

Superior Tribunal de Justiça

presente controvérsia, visto que, em casos nos quais se faz presente a

responsabilidade civil do Estado, a indenização deverá ser calculada com base

na sua capacidade e não na do agente público causador do dano.

Propõe, então, este subscritor que a indenização em razão dos danos morais, para cada autor, seja arbitrada em R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais).

Diante do exposto, divirjo, em parte, do voto proferido pela nobre Ministra Eliana Calmon para dar provimento ao recurso dos autores e aumentar

É como voto.
É como voto.

indenização a título de danos morais para R$ 250.000,00 (duzentos e cinqüenta mil reais), para cada um dos autores.

a

Ministro FRANCIULLI NETTO, Relator para o acórdão

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 351.779 - SP (2001/0112777-9)

VOTO

EXMA. SRA. MINISTRA LAURITA VAZ: Em se tratando de responsabilidade civil do Estado, a reparação por danos morais deve ser calculada com moderação, observando as circunstâncias do caso, atento aos critérios estabelecidos na Lei nº

5.250/67.

Na hipótese em apreciação, diante das suas próprias circunstâncias, isto é, da gravidade das imputações falsas e das conseqüências destas para os autores, acompanho o voto do Sr. Ministro Franciulli Netto para aumentar o valor da indenização.

Franciulli Netto para aumentar o valor da indenização. Documento: 369941 - Inteiro Teor do Acórdão -

Superior Tribunal de Justiça

RECURSO ESPECIAL Nº 351.779 - SP (2001/0112777-9)

VOTO

EXMO. SR. MINISTRO PAULO MEDINA:
EXMO. SR. MINISTRO PAULO MEDINA:

Sra. Ministra-Presidente, há sempre um subjetivismo expressivo quando se propõe a reparação imensurável da dor moral sentida. Há, na verdade, uma tríplice dolor: a dor da ofensa cruel, a dor da desagregação social, a dor da cicatriz que não se recompõe pelas mãos hábeis dos cirurgiões nem pelas mãos hábeis dos que procuram curar as chagas da alma. Assim, é necessário reflexão maior. Não me parece que as indenizações que procuram acobertar essa tríplice dolor sirvam, em qualquer momento, para incentivar a indústria das indenizações, substaculizadas pelo próprio atuar procedente ou improcedente da pretensão deduzida em juízo. Afirmado o fato, a sua gravidade e a ausência de recomposição, é no juízo subjetivo de cada um de nós, é na idiossincrasia do julgador que se revela a sua sensibilidade maior ou menor para recompor a dor moral.

Penso, pois, que a recomposição que decorre da diretriz fixada pelo Ministro Franciulli Netto ainda não irá satisfazer - como S. Exa. o disse - o sofrimento que amargurou e está a amargurar os que sofreram ofensa grave e cruel. De qualquer modo, as chagas da alma, as chagas do

Superior Tribunal de Justiça

pensamento, as chagas incuráveis que estão no cerne de cada um de nós, podem ser minimizadas pela solidariedade e às vezes, até mesmo pela recomposição do patrimônio. Assim, pela minha sensibilidade de julgador, sem me encontrar seguro de estar certo ou não estar caminhando como melhor devesse caminhar, prefiro a reparação maior, mais satisfatória, mais abrangente, mais profunda, mais possível de amenizar à reparação mais equilibrada, mais acanhada, mais tímida, mais curta, mais incapaz de conduzir ao valor pretendido em juízo. Acompanho, pois, por sua fundamentação vertical, na sua extensão e na sua sensibilidade, o voto proferido pelo eminente Ministro Franciulli Netto.

o voto proferido pelo eminente Ministro Franciulli Netto. Documento: 369941 - Inteiro Teor do Acórdão -

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO SEGUNDA TURMA

Número Registro: 2001/0112777-9

Números Origem: 200100530807 32995 441225

PAUTA: 20/08/2002

RESP 351779 / SP

JULGADO: 19/11/2002

Relatora Exma. Sra. Ministra ELIANA CALMON

Relator para Acórdão Exmo. Sr. Ministro FRANCIULLI NETTO

AUTUAÇÃO : : : : : : : ICUSHIRO SHIMADA E OUTROS KALIL ROCHA ABDALLA
AUTUAÇÃO
:
:
:
:
:
:
:
ICUSHIRO SHIMADA E OUTROS
KALIL ROCHA ABDALLA E OUTROS
FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO
JOSÉ FABIANO DE ALMEIDA ALVES FILHO E OUTROS
OS MESMOS
EDÉLCIO LEMOS
EVELCOR FORTES SALZANO E OUTROS

Presidenta da Sessão Exma. Sra. Ministra ELIANA CALMON

Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. MOACIR GUIMARÃES MORAIS FILHO

Secretária Bela. BÁRDIA TUPY VIEIRA FONSECA

RECORRENTE

ADVOGADO

RECORRENTE

PROCURADOR

RECORRIDO

INTERES.

ADVOGADO

ASSUNTO: Administrativo - Responsabilidade Civil do Estado - Indenização

CERTIDÃO

Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:

"Prosseguindo-se no julgamento, após o voto-vista do Sr. Ministro Franciulli Netto, a Turma, por unanimidade, deu parcial provimento ao recurso do Estado de São Paulo e, por maioria, deu provimento ao recurso dos autores, vencidos a Sra. Ministra-Relatora e o Sr. Ministro Francisco Peçanha Martins. Lavrará o acórdão o Sr. Ministro Franciulli Netto." Votaram com o Sr. Ministro Franciulli Netto os Srs. Ministros Laurita Vaz e Paulo

Medina.

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O referido é verdade. Dou fé.

Brasília, 19 de novembro de 2002

BÁRDIA TUPY VIEIRA FONSECA Secretária

de novembro de 2002 BÁRDIA TUPY VIEIRA FONSECA Secretária Documento: 369941 - Inteiro Teor do Acórdão