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Economia Aplicada - Gabrielle Pagliusi Paes de Lima - UNIGRAN

Aula 04

TEORIA DO FUNCIONAMENTO DO MERCADO

TEORIA DA DEMANDA

A aula anterior introduziu as preferências do consumidor e de que forma o consumidor escolhe uma cesta de mercado que maximize sua satisfação, levando em consideração sua restrição orçamentária. Este ponto já estudado tem muita ligação com um dos temas desta segunda aula, a análise da demanda. Demanda por um bem, é o desejo de consumi-lo, de comprá-lo, adquiri-lo. A demanda de determinado produto é determinada pelas várias quantidades deste produto que os consumidores estão dispostos e aptos a adquirir, em função dos níveis de preços deste bem, em certo período de tempo. Dito isto, um dos objetivos desta aula é

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em função dos níveis de preços deste bem, em certo período de tempo. Dito isto, um

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analisar a demanda por mercadorias e a maneira que a demanda por uma mercadoria reage em relação ao preço.

Influência do Preço Um dos fatores que influenciam a quantidade demandada de um bem é o seu preço.

Um aumento do preço de determinado bem, certamente, irá provocar uma redução na quantidade demandada deste bem. De modo contrário, uma redução do preço de certo bem,

causará um aumento da sua quantidade demanda. Dizemos, então, que preço e quantidade

demandada possuem uma relação inversa. Esta hipótese já foi comprovada muitas vezes por vários produtos, mas ele possui

uma limitação, para que esta hipótese seja mesmo verdadeira devemos considerar tudo o mais permanece constante. Isto quer dizer que devemos olhar apenas para preços e

quantidades demandadas e esquecer qualquer outra coisa, como por exemplo, o gosto dos consumidores, a época do ano, o preço de outros bens, a renda do consumidor, etc.

A curva de demanda mostra a relação entre o preço de uma mercadoria e a

quantidade desta mercadoria que o consumidor está disposto a consumir em determinado

período de tempo, tudo o mais permanecendo constante.

O Quadro 4.1 contém várias combinações de preços e quantidades demandas por

determinado bem X.

Quadro 4.1 Combinações de Preços e Quantidade Demandada pelo bem X

Preço (R$)

Quantidade Demandada (unidades)

2,00

18.000

2,50

16.000

3,00

14.000

3,50

12.000

4,00

10.000

4,50

8.000

5,00

6.000

5,50

4.000

6,00

2.000

A Figura 4.1 mostra a curva de demanda construída com base nos dados do Quadro

4.1. No eixo vertical são mostrados os níveis de preço do bem X e no eixo horizontal as quantidades demandadas deste bem.

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Preço

6,00

5,50

5,00

4,50

4,00

3,50

3,00

2,50

2,00

UNIGRAN Preço 6,00 5,50 5,00 4,50 4,00 3,50 3,00 2,50 2,00 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000
2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000 14.000 16.000 18.000
2.000
4.000
6.000
8.000
10.000
12.000
14.000
16.000
18.000

Quantidade Demandada

Figura 4.1. Fonte: Pindyck, 1994.

Perceba que a curva de demanda possui inclinação negativa, isto porque, o aumento dos preços causa uma redução da quantidade demanda do bem X.

Elasticidade – Preço da Demanda Já sabemos que a quantidade demandada de um bem é influenciada pelo preço deste bem, mais especificamente, podemos dizer que a quantidade demandada de um bem cai quando o preço deste bem aumenta. Dizendo de outra forma, a quantidade demanda é sensível ao preço. Porém, cada produto tem uma sensibilidade diferente em relação ao preço. Para certos produtos, uma pequena alteração no preço pode provocar grandes alterações na quantidade demandada, estes são ditos muito sensíveis ao preço. Para outros, mesmo grandes alterações nos preços não causam grandes alterações na demanda, são os considerados pouco sensíveis ao preço. Por último, existem casos em que as quantidades demandadas variam exatamente na mesma proporção da variação dos preços. Aqui, elasticidade e sensibilidade são termos equivalentes. Os diferentes graus de sensibilidade da demanda em relação ao preço podem ser medidos pelo conceito de elasticidade-preço da demanda. Elasticidade-preço da demanda é a relação existente entre as mudanças relativas ou percentuais observadas nas quantidades demandas, decorrentes de mudanças relativas ou percentuais nos preços. A expressão para a elasticidade-preço da demanda é dada abaixo:

ε = % na quantidade demanda/ % do preço

Sendo que:

ε = elasticidade-preço da demanda

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% = variação percentual

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Suponhamos que o preço de determinado produto sofra uma redução de 30% e as quantidades demandadas desse produto sofram um aumento de 30%. Utilizando a equação apresentada acima, a elasticidade-preço da demanda terá o valor unitário, dizemos que a demanda é unitária em relação ao preço, o que significa que uma redução nos preços provoca um aumento na quantidade demandada na mesma proporção. Supondo, agora, que haja uma redução de 30% nos preços de algum bem e esta redução provoque um aumento de apenas 15% da quantidade demandada deste bem. A elasticidade-preço da demanda será –0,5–, dizemos que a demanda é inelástica em relação ao preço, ou seja, uma redução nos preços provoca um aumento menos que proporcional na quantidade demandada, ou ainda, a quantidade demanda deste produto é pouco sensível a variações no preço. O exemplo clássico demanda inelástica em relação ao preço é a demanda por produtos agrícolas, ou alimentos. Para estes produtos, mesmo um grande aumento nos preços irá refletir em pouca redução da quantidade demanda, pois estes bens são considerados essenciais, os consumidores têm que continuar consumindo-os mesmo com o preço mais elevado. Isto não quer dizer que todos os consumidores irão continuar demandando a mesma quantidade de antes do aumento dos preços, haverá uma redução da quantidade demandada, porém, esta redução é muito pequena se comparada ao aumento do preço. Por último, se uma redução de 30% no preço de um bem causar um aumento de 45% na demanda deste bem, a elasticidade-preço da demanda por este bem será –1,5– . Neste caso, a demanda é elástica em relação ao preço, pois uma redução dos preços causou um aumento mais que proporcional na demanda, ou ainda, a quantidade demandada é bastante sensível à variações no preço. Repare que, nos três casos, usamos o símbolo de valor absoluto ou módulo no coeficiente de elasticidade-preço da demanda, para que este resultado fosse considerado

positivo. Na realidade, este coeficiente é sempre negativo, pois preço e quantidade demandada possuem uma relação inversa, ou seja, quando o preço diminui a quantidade demandada aumenta e quando o preço aumenta a quantidade demandada diminui. Continuaremos usando

o resultado em valor absoluto para facilitar. Quatro fatores são os principais determinantes da elasticidade-preço da demanda:

1) A essencialidade do produto: produtos essenciais têm baixas elasticidades-preço

da demanda e a demanda é inelástica ao preço. Por exemplo: o gás de cozinha, mesmo que

o preço aumente os consumidores não podem ficar sem consumi-lo. 2) Hábitos: produtos para os quais os hábitos se tornaram praticamente um vício possuem baixa elasticidade-preço da demanda e a demanda inelástica. Exemplo: cigarro. 3) Substitutibilidade: quanto maior a quantidade de produtos que podem ser

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substituídos entre si, sua elasticidade-preço da demanda será alta. Por exemplo: a manteiga tem vários substitutos quase que perfeitos, como a margarina, requeijão, queijo, maionese, se houver um aumento do preço da manteiga o consumidor poderá substituir a manteiga por esses outros bens, diminuindo a quantidade demandada de manteiga. O contrário também acontece; quanto menor a quantidade de substitutos para um bem menor o grau de elasticidade, o exemplo é o sal de cozinha. 4) Importância no orçamento: se um bem for de baixa importância no orçamento (ou seja, que sua demanda não afeta tanto o orçamento, caso o preço aumente), sua elasticidade-preço da demanda será baixa e a demanda inelástica em relação ao preço, se este for de grande importância, sua elasticidade será alta. Exemplos: a demanda por sal de cozinha possui baixa elasticidade e de carros tem alta elasticidade.

possui baixa elasticidade e de carros tem alta elasticidade. Outros Tipos de Elasticidade da Demanda Além

Outros Tipos de Elasticidade da Demanda Além da elasticidade-preço da demanda, existem outros dois tipos de elasticidade

da demanda que conceituaremos a seguir: a elasticidade-cruzada da demanda e a elasticidade- renda da demanda.

O conceito de elasticidade-cruzada da demanda por um bem advém da existência

de bens substitutos a ele. Ela mede quanto a procura por um bem varia quando há uma variação no preço de um bem substituto a ele. Por exemplo, uma variação do preço da carne bovina pode causar impacto na demanda por carne de frango, pois estes dois bens são

considerados substitutos. Se a elasticidade cruzada é positiva, a demanda pelo bem aumenta quando o preço do bem substituto aumentar e se a elasticidade cruzada é negativa, então a demanda pelo bem diminui quando o preço do bem substituto a ele aumenta.

A elasticidade-renda da demanda mede como a demanda por um produto reage a

um aumento da renda do consumidor. Normalmente, os produtos têm elasticidade-renda positiva, pois um aumento da renda geralmente irá causar um aumento na demanda pela maioria dos produtos. Porém, existem produtos cuja demanda diminui quando a renda aumenta, um exemplo clássico desta situação é a demanda por carne de segunda, quando a renda de um indivíduo aumenta, a demanda por carne de segunda diminui.

Deslocamento da Curva de Demanda

A quantidade consumida ou demandada de um bem depende, principalmente, do

preço deste bem, mas pode-se afirmar que a quantidade consumida de um bem depende também de fatores secundários, como o preço de outras mercadorias, a renda dos consumidores e os hábitos e gostos dos consumidores.

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Ao se construir a curva demanda de determinado produto utiliza-se a hipótese de

que todos os demais fatores que influenciam a quantidade ofertada e demandada são mantidos inalterados e apenas o preço do produto pode variar. Dessa forma, supõem-se constantes os preços dos demais produtos, a renda dos consumidores, seus hábitos e gostos e examina-se

a quantidade consumida de um produto em relação ao seu preço. Observe a figura 4.1, veja que se houverem variações no preço do bem X, a quantidade demanda deste bem varia. Pode-se dizer que variações no preço do bem X causam mudanças na quantidade demandada ao longo da curva de demanda. Porém, quando ocorre uma variação de algum outro fator que tenha influência sobre

a quantidade demandada, ou seja, quando ocorre alguma variação na renda, nos hábitos do

consumidor ou nos preços de outros bens, ocorrerá um deslocamento da curva de demanda para a direita ou para a esquerda, ou seja, a curva de demanda muda de posição. Se a variação nos fatores secundários causar um aumento da demanda, a curva de demanda irá se deslocar para a direita. Se causar uma queda na demanda, a curva se desloca para a esquerda.

Efeito de uma variação na renda Geralmente, um aumento da renda dos consumidores de determinado produto, causará um aumento na quantidade demandada do mesmo, desde que seu preço seja mantido constante. Quando isto acontece, diz-se que o produto é um bem normal, a maioria dos bens consumidos é bem normal. Portanto, um aumento na renda dos consumidores de um bem normal, leva ao aumento da demanda de bens normais, dado o preço. A figura 4.2 mostra este fato. O nível de renda mais elevado provoca um aumento da demanda, como os preços não se alteraram, então, a curva de demanda se desloca para a direita.

os preços não se alteraram, então, a curva de demanda se desloca para a direita. 42

42

Figura 4.2 . Fonte: Pindyck, 1994.

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Pode acontecer que o aumento da renda do consumidor de uma mercadoria provoque a queda em sua demanda. Isto ocorre quando a mercadoria é um bem inferior ou de qualidade inferior que, graças ao aumento da sua renda, o consumidor poderá substituí-lo por algo melhor.

O exemplo clássico de um bem inferior é a carne de segunda. Quando um consumidor

tem baixo nível de renda, ele acaba consumindo a carne de segunda (bem 1), porque a carne

de primeira (bem 2) não lhe é acessível. Mas, à medida que sua renda vai aumentando, ele

vai substituindo a carne de segunda que ele consumia por carne de primeira, de modo que o

consumo de carne de segunda cai. Neste caso, um aumento na renda dos consumidores de um bem inferior, leva a queda da demanda de bens inferiores, dado o preço.

Efeito da Variação dos Preços de Outras Mercadorias Existem bens chamados substitutos, aqueles que podem ser substituídos ou trocados um pelo outro, por exemplo, o cobre e o alumínio. Um destes bens pode substituir o outro em uso industrial. Suponhamos que ocorra um aumento no preço do alumínio e o cobre permanece com o preço inalterado. A demanda por alumínio irá cair, e ainda, como o alumínio pode ser substituído pelo cobre, a demanda por cobre irá aumentar. Existe também alguns bens que são chamados complementares. Bens complementares são aqueles que tendem a ser utilizados juntos, por exemplo, automóveis e gasolina. Imagine que ocorra uma queda no preço de automóveis, mantendo o preço da gasolina constante; a demanda por automóveis irá aumentar e, consequentemente, a demanda por gasolina também aumentará.

TEORIA DA OFERTA

Partiremos, agora, para a análise da oferta. A oferta de determinado produto é determinada pelas várias quantidades deste produto que os produtores estão dispostos e aptos a oferecer no mercado, em função dos níveis de preços deste bem, em certo período de tempo.

Influência do Preço

O preço de certo bem também é um dos fatores que influenciam a oferta deste bem.

O comportamento dos produtores é de aumentar as quantidades ofertadas dos bens que

produzam, caso os preços destes bens aumentem, reduzindo-as quando houver reduções nos preços. Dizemos, então, que preço e quantidade ofertada possuem uma relação direta. Da mesma forma como fizemos para o caso da demanda, aqui deve considerar tudo

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o mais permanece constante e olhar apenas para preços e quantidades ofertadas esquecendo

qualquer outra coisa.

A curva de oferta mostra a relação entre o preço de uma mercadoria e a quantidade

desta mercadoria que o produtor está disposto a colocar no mercado em determinado período

de tempo, tudo o mais permanecendo constante.

O Quadro 4.2 contém várias combinações de preços e quantidades ofertadas pelo

bem X.

Quadro 4.2 Combinações de Preços e Quantidade Ofertada pelo bem X

Preço (R$)

Quantidade Ofertada (unidades)

2,00

6.000

2,50

7.000

3,00

8.000

3,50

9.000

4,00

10.000

4,50

11.000

5,00

12.000

5,50

13.000

6,00

14.000

Fonte: Pindyck, 1994.

A Figura 4.3 mostra a curva de oferta construída com base nos dados do Quadro

4.2. No eixo vertical são mostrados os níveis de preço do bem X e no eixo horizontal as quantidades ofertadas do bem.

os níveis de preço do bem X e no eixo horizontal as quantidades ofertadas do bem.

Figura 4.3 - Fonte: Pindyck, 1994.

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A curva de oferta possui inclinação positiva, isto ocorre porque, com o aumento dos

preços os produtores irão aumentar a quantidade ofertada do bem X. Podemos então concluir que a curva de oferta mostra a quantidade de produto que os produtores estão dispostos a colocar no mercado (ou vender) em relação ao preço que podem receber. Esta curva possui inclinação positiva, ou para cima, porque quanto maior o preço do produto no mercado mais os produtores ficarão estimulados a produzir e vende- los. Por exemplo, um preço mais alto pode fazer com que as empresas já existentes no mercado aumentem sua produção e ainda atrai novas firmas para este mercado.

Elasticidade – Preço da Oferta Vimos que a quantidade ofertada de um bem é influenciada pelo preço deste bem, além disso, podemos dizer que a quantidade ofertada de um bem aumenta quando o preço deste bem aumenta. Assim como a quantidade demandada, a quantidade ofertada também é sensível ao preço. Não podemos apenas supor que as quantidades ofertadas de todos os produtos possuem a mesma sensibilidade em relação ao preço. A oferta de cada produto tem uma sensibilidade diferente em relação ao preço. Para certos produtos, uma pequena alteração no preço pode provocar grandes alterações na quantidade ofertada, são aqueles cuja oferta é muito sensível ao preço. Para outros, mesmo grandes alterações nos preços não causam grandes alterações na quantidade ofertada, são os que possuem a oferta pouco sensível ao preço. O último caso é daqueles produtos cuja quantidade ofertada varia exatamente na mesma proporção da variação dos preços. Considerando que os termos sensibilidade e elasticidade são equivalentes, então, os diferentes graus de sensibilidade da oferta em relação ao preço podem ser medidos, agora, pelo conceito de elasticidade-preço da oferta. Elasticidade-preço da oferta é a relação

existente entre as mudanças relativas ou percentuais observadas nas quantidades ofertadas, decorrentes de mudanças relativas ou percentuais nos preços.

A expressão para a elasticidade-preço da oferta é dada abaixo:

η = % na quantidade ofertada/ % do preço

Dado que:

η = elasticidade-preço da oferta

Analisaremos o mesmo exemplo para o caso da demanda, mas agora para verificarmos as diferentes elasticidade-preço da oferta. Suponhamos que o preço de determinado produto sofra um aumento de 30% e os produtores deste resolvam aumentar as quantidades ofertadas do produto em 30%. Utilizando

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a equação apresentada acima, a elasticidade-preço da oferta é igual à unidade, a oferta é

unitária em relação ao preço, o que significa que a quantidade ofertada aumenta na mesma proporção do aumento dos preços. Supondo, agora, que haja um aumento de 30% nos preços de algum bem e este aumento faça os produtores aumentarem a quantidade produzida em apenas 15%. A

elasticidade-preço da oferta será 0,5, dizemos que a oferta é inelástica em relação ao preço, ou seja, um aumento nos preços provoca um aumento menos que proporcional na oferta, ou ainda, a quantidade ofertada deste produto é pouco sensível a variações no preço. Por último, se houver um aumento de 30% no preço de um bem e os produtores decidirem aumentar em 45% a quantidade ofertada deste bem, a elasticidade-preço da oferta deste bem é 1,5. Neste caso, a oferta é elástica em relação ao preço, pois um aumento dos preços causou um aumento mais que proporcional na quantidade ofertada, ou ainda, a oferta

é bastante sensível à variações no preço. Nos três casos de elasticidade-preço da demanda, usamos o símbolo de valor absoluto

ou módulo no coeficiente de elasticidade. Mas agora, este símbolo não foi usado. Isto porque

o coeficiente de elasticidade-preço da oferta é sempre positivo, pois preço e quantidade ofertada possuem uma relação direta, ou seja, quando o preço de um bem aumenta a quantidade ofertada deste bem também aumenta e quando o preço diminui a quantidade ofertada diminui. Os principais fatores determinantes da elasticidade-preço da oferta são:

1)A disponibilidade de fatores produtivos: a escassez de recursos naturais, de recursos humanos e de bens de capital é um entrave ao aumento da produção. Se os recursos produtivos são escassos, então, mesmo que o produtor queira aumenta a oferta em resposta ao aumento dos preços, ele ficará impossibilitado, isso faz com que a elasticidade-preço da oferta seja pouco sensível a variações do preço e a oferta seja inelástica. Um exemplo disso é a geração

de energia pelas hidrelétricas. Outro exemplo é o das culturas permanentes, a oferta é também influenciada pela capacidade de produção das lavouras, com o aumento dos preços dos produtos agrícolas, os produtores tendem a aumentar a produção, mas existem limites. 2) Fator tempo: independente da disponibilidade ou não de recursos produtivos, existem produtos que levam muito tempo para serem produzidos, assim, quando os produtores recebem sinalização de que o preço destes produtos aumentou, eles não podem responder prontamente aumentando a produção. Neste caso, a elasticidade-preço da oferta

é pouco sensível a variações dos preços e a oferta é inelástica. Exemplo disso é a oferta de produtos agrícolas.

Deslocamento da Curva de Oferta A quantidade ofertada ou a quantidade de um produto que os produtores desejam vender depende não somente do preço deste produto, mas também dos custos de produzi-

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lo, ou seja, do preço dos fatores produtivos (como mão-de-obra, preços das matérias-primas), preços de bens correlacionados na produção, condições climáticas e tecnologia. Observe a figura 4.3, veja que se houverem variações no preço do bem X, a quantidade ofertada deste bem varia. Pode-se dizer que variações no preço do bem X causam mudanças na quantidade ofertada ao longo da curva de oferta. Caso ocorra uma variação de algum outro fator que tenha influência sobre a quantidade ofertada, por exemplo, quando ocorre alguma variação nos salários pagos aos trabalhos que participam do processo produtivo ou variação no preço da(s) matéria(s)-prima(s) também utilizadas no processo produtivo, ocorrerá um deslocamento da curva de oferta para a direita ou para a esquerda, ou seja, a curva de oferta mudará de posição. Se a variação nestes fatores levar a um aumento da oferta, a curva de oferta irá se deslocar para a direita. Se causar uma queda na oferta, a curva se desloca para a esquerda.

Efeito de uma Variação no Preço dos Fatores de Produção A mão-de-obra tem papel importante durante o processo de produção de diversos bens, portanto, é um importante fator de produção e é remunerada por meio dos salários. Suponhamos que ocorra uma redução dos salários. Esta irá contribuir para que os custos de produção de determinado produto sejam menores e tornam a produção mais atraente, consequentemente, a quantidade ofertada deste produto deve aumentar. Isto fará com que a curva de oferta se desloque para a direita, provocando aumento na quantidade de produto disponível no mercado.

aumento na quantidade de produto disponível no mercado. Figura 4.4 - Fonte: Pindyck, 1994. Outros fatores

Figura 4.4 - Fonte: Pindyck, 1994.

Outros fatores Além de alteração no preço dos fatores de produção, existem mais fatores que deslocam a curva de oferta para a direita ou para a esquerda. Entre eles podemos citar o aperfeiçoamento das técnicas de produção com o desenvolvimento e a incorporação de uma nova tecnologia, o que normalmente irá causar um acréscimo na oferta (mantendo-se o nível

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de preços constante) e o deslocamento da curva de oferta para a direita. Caso ocorra o contrário e as técnicas de produção se tornem obsoletas, a oferta cairá e a curva de oferta se deslocará para a esquerda.

EQUILÍBRIO DO MERCADO

As posições dos produtores e consumidores em relação aos preços estão em constante conflito. Quando os produtores consideram o preço de um produto baixo, eles estarão dispostos a produzir menos já os consumidores serão estimulados a consumir mais. Porém, existe uma posição que equilibra as decisões de ambos. Tendo em vista que já conhecemos as curvas de demanda e oferta, podemos conhecer o ponto de equilíbrio. Esta posição, chamada de equilíbrio do mercado, e ocorre quando as curvas de oferta e demanda se cruzam. No ponto de cruzamento é definida a quantidade ofertada e demandada de equilíbrio e também o único preço que equilibra o mercado. Considerando os dados do quadro abaixo, construído a partir dos Quadros 4.1 e 4.2, poderemos entender melhor a forma como ocorre o equilíbrio no mercado.

Quadro 4.3 Equilíbrio do Mercado

Preço (R$)

Demandadas

Ofertadas

Relações

2,00

18.000

6.000

QD>QO

2,50

16.000

7.000

QD>QO

3,00

14.000

8.000

QD>QO

3,50

12.000

9.000

QD>QO

4,00

10.000

10.000

QD=QO

4,50

8.000

11.000

QD<QO

5,00

6.000

12.000

QD<QO

5,50

4.000

13.000

QD<QO

6,00

2.000

14.000

QD<QO

Fonte: Pindyck,1994.

De acordo com o Quadro 4.3, para os nove níveis de preços existentes existe uma relação entre quantidade demandada e quantidade ofertada. Para os níveis de preço acima de R$ 4,00 (quatro reais), existe um excesso de demanda em relação à oferta. Para níveis de preços inferiores a R$ 4,00 (quatro reais) há um excesso de oferta. Ao preço de R$ 4,00 (quatro reais) as quantidades demandadas e ofertadas são iguais, dizemos que a este preço as quantidades se equilibram e que este é o preço de equilíbrio do mercado. Quando, por exemplo, o preço é R$ 2,00 (dois reais), a quantidade demandada

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chega a 14.000 unidades, mas a demanda não poderá ser atendida, pois a este preço, os produtores estão dispostos a ofertar apenas 8.000 unidades. O inverso ocorre quando o preço é R$ 6,00 (seis reais), a este preço, os produtores estão dispostos a ofertar 14.000 unidades, mas não haverá demanda suficiente já que os consumidores irão querer apenas 2.000 unidades do bem ao preço de R$ 6,00 (seis reais). Na Figura 4.5 a situação de equilíbrio e as demais situações podem ser visualizadas.

equilíbrio e as demais situações podem ser visualizadas. Figura 4.5 - Fonte: Pindyck, 1994. Podemos perceber

Figura 4.5 - Fonte: Pindyck, 1994.

Podemos perceber que o preço que equilibra o mercado é aquele formado pelo cruzamento das curvas de oferta e demanda. Quando este encontro ocorre, temos o ponto de equilíbrio. Observe que, abaixo do ponto de equilíbrio, haverá um excesso de demanda em relação à oferta, os produtores serão estimulados a aumentar as quantidades ofertadas e haverá uma elevação natural no nível de preços. Acima do ponto de equilíbrio, a oferta excede a demanda, os produtores irão contrair a oferta e haverá uma redução natural dos preços. Finalmente, o equilíbrio ocorre no encontro das duas curvas.

ATIVIDADES

As atividades referentes a esta aula estão disponibilizadas na ferramenta “Sala Virtual - Atividades”. Após respondê-las, enviem-nas por meio do Portfólio-

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ferramenta do ambiente de aprendizagem UNIGRAN Virtual. Em caso de dúvidas, utilize as ferramentas apropriadas para se comunicar com o professor.

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