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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO – UFMT

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO
NÚCLEO DE EDUCAÇÃO ABERTA E A DISTÂNCIA – NEAD
CURSO DE PEDAGOGIA NA MODALIDADE LICENCIATURA
PARA OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL
PÓLO DIAMANTINO

RELATÓRIO DO FASCÍCULO 1:
AÇÕES MATEMÁTICAS QUE EDUCAM

VILDERLY VERAS MARTINS LOPES

Santo Antonio de Leverger, MT


2007
VILDERLY VERAS MARTINS LOPES

RELATÓRIO DO FASCÍCULO 1:
AÇÕES MATEMÁTICAS QUE EDUCAM

Relatório de Matemática, fascículo 1,


apresentado ao curso de Pedagogia
modalidade Licenciatura para os
Anos Iniciais do Ensino Fundamental
do Núcleo de Educação Aberta e a
Distância do Instituto de Educação
da Universidade Federal de Mato
Grosso.
Orientadora: Divina Boaventura

Santo Antonio de Leverger, MT


2007
SUMÁRIO

Introdução
Relatório reflexivo
Considerações Finais
Bibliografia
INTRODUÇÃO

Sabe-se que, cada vez mais, os educadores estão preocupados em desenvolver

ações que favoreçam os estudantes de modo que estes sintam prazer e interesse em

relação às disciplinas, principalmente, no que se refere à matemática. Segundo Maria

Helena de Castro Gonçalez(1996}, construções de atitudes positivas deve ser a meta

dos educadores que pretendem ir além da simples transmissão de conhecimentos,

garantindo aos seus alunos espaço para o desenvolvimento do autoconceito positivo,

autonomia nos seus esforços e o prazer na resolução de problemas.

Brito(1996) define atitude como uma disposição pessoal, indissiocrática,

presente em todos os indivíduos, dirigida a objetos, eventos ou pessoas, que assume

diferente direção e intensidade de acordo com as experiências do indivíduo. Além

disso, apresenta componentes do domínio afetivo, cognitivo e motor. Tais componentes

Gardner denomina de inteligências múltiplas.

Apesar de todos os esforços feitos para promover o conhecimento e o

desenvolvimento saudável quanto ao ensino-aprendizagem da matemática, muitos

educadores(maioria) lutam com a dificuldade de desvencilharem de posicionamentos

antigos que, muitas vezes, tolhem a capacidade lógica e criativa dos alunos de

matematizarem com entendimento. Este relatório apresenta situações por mim vividas

relacionadas aos posicionamentos antigos versus as verdadeiras ações que educam.


MATEMÁTICA 1

Durante maior parte da minha vida escolar passei estudando numa mesma

escola (do jardim a 8a. série). Era uma escola rígida e moralista que havia se

estabelecido no período da ditadura militar. As salas eram amplas, comportando muitos

alunos. Lembro-me de ter sido, em um dos anos, a 64° do livro de chamada. O diretor

exigia respeito e reverência todas as vezes que os alunos se referissem a ele. Todos os

anos, no primeiro mês letivo, éramos treinados a dizer palavras de saudação ao diretor

ou possíveis visitantes. Quando algum aluno conversava em sala de aula, alguns

professores ameaçavam de levá-lo à sala do diretor. Havia muito mito, mistério e

estórias escabrosas que permeavam nossas cabecinhas a respeito da sala do diretor.

Por esse motivo, tinha gente que se borrava de medo dele. Certa vez, um aluno da 7 a.

série fez xixi na calça em pleno pátio enquanto ouvia uma bronca daquelas dele. O

motivo? Havia se atrasado ao toque de recolher para a sala de aula. É que para

sinalizar o término do recreio havia três toques: o primeiro sinalizava o término,

propriamente dito, e todos tinham que retornar para suas salas. Antes, porém, podiam ir

ao banheiro, beber água,... para isso tínhamos mais cinco minutos. Daí tocava a sirene

novamente, ninguém mais podia está fora de sala. Em seguida tocava uma música

clássica durante um certo tempo, todos tinham de ficar de cabeças baixas a ouvi-la. O

tal aluno estava se dirigindo para sua sala quando foi abordado pelo diretor no meio do

pátio. Foi impossível permanecer de cabeça baixa. O som melodioso da canção foi

quebrado pela estridente e inconfundível voz do diretor a ralhar com o azarado aluno.
Ao final da ralhação todas as séries receberam a visita do diretor advertindo que se

algum aluno repetisse tal exemplo do colega seria passível de suspensão ou até

expulsão. Quem iria contestar o homem?

Em meio a isso, quem iria contestar ou questionar um professor? Um dia eu fiz

isso com um professor de matemática. Disse-lhe que ele havia corrigido erroneamente

uma avaliação minha. Pedi-lhe que revisasse novamente. Ele negou a revisão alegando

que ele era o professor de matemática e jamais erraria uma correção e acrescentou

que eu não havia feito os cálculos seguindo sua linha de raciocínio. Era um problema

de matemática que envolvia meios de transportes e o percurso que cada um levava

para chegar no seu destino seguindo caminhos diferentes. Lembro que eu lhe disse: -

Professor, eu sei que viajar de ônibus é diferente de viajar de trem. Eu já viajei nos dois

pra Recife, fui em estradas diferentes, mas eu cheguei no lugar do mesmo jeito. Foi

isso que aconteceu nessa questão da prova, eu só peguei uma estrada diferente da

sua, mas o resultado foi o mesmo.

A resposta a essa contestação foi a inimizade desse professor. Para alguns

alunos eu fui corajosa em perguntar aquilo, para outros, motivo de chacota. E dentro de

mim uma raiva disfarçada de boa menina. Os alunos que se destacavam como os

melhores em matemática, tinham o privilégio de não precisar fazer as provas do último

bimestre. Dificilmente tinha coragem de pedir explicação para tirar dúvidas de alguma

matéria. Quando eu tinha dúvida de alguma coisa ia pesquisar sozinha, em último caso,

perguntava pra algum adulto que eu confiava muito e quando tinha a certeza que ele

não iria ralhar comigo. No geral eram pessoas fora do meu circulo familiar e escolar.

Levantou-se um muro entre eu e o aprendizado da matemática que se perpetuou por

muitos anos. Mais tarde, no ensino médio, uma outra professora me ajudou a quebrar o
muro que me separava da matemática. Lembro-me que ela ensinava com tanto

entusiasmo e prazer que despertou em mim o interesse de aprender além da

obrigação. Certa vez, perguntei-lhe, com muita discrição e temor, sobre uma questão

que não estava conseguindo resolver. Ela fitou-me enquanto eu tentava, gaguejando,

explicar o porquê de não está entendendo aquele exercício. Depois que terminei de

falar ela disse baixinho: ”Tudo bem, já entendi. A aula está terminando, mas quero que

você passe na sala dos professores na ultima aula, eu estarei lá. Quero lhe ajudar. Não

precisa sentir medo ou vergonha”. Havia tanta compreensão em seu olhar que não

podia desperdiçar aquela oportunidade. Fui como combinado e, a encontrei com um

nariz de palhaço a me esperar. A primeira coisa que me disse foi que matemática não

era nenhum bicho papão. Ela contou-me que muitas vezes também sentiu dificuldade

em resolver alguns problemas matemáticos, mas que eles não eram maiores que a

vontade que tinha de aprender. Suas palavras até hoje soam em meus ouvidos e em

meu coração.

Esse episódio ocorreu na época da derrubada dos muros de Berlim. Então ela

sugeriu que derrubássemos os muros de Berlim que estavam na minha cabeça. E foi

assim que o primeiro tijolo foi tirado, o do medo de aprender de novo. Depois, o tijolo do

medo de errar, da insegurança, da idéia de burrice, da idéia de que negro não aprende.

Essa professora foi muito legal e paciente.

A leitura desse fascículo provocou em mim um retorno à minha infância e

adolescência e me fez rever o percurso feito nesse período escolar e entender como

isso afetou a minha prática docente. Um misto de revolta e liberdade é exatamente o

que senti. Revolta por ter sido durante tanto tempo privada de vivenciar digna e

plenamente minhas inteligências, aguçar meus conhecimentos. Por outro lado,


liberdade de poder escolher não continuar aprisionada nesses recalques, liberdade de

aprender, de compartilhar minhas idéias, de aprender com o outro, de não me sentir

mais inferior ou superior a ninguém. Essa ultima escolha foi a que fiz no dia que decidir

ser professora/educadora. Eu acreditei que podia fazer diferente da forma que aprendi.

Mas entre crê e fazer há uma diferença muito grande. Porque você traz junto com a

vontade de fazer, muitos vícios, uma ideologia passada que foi durante anos inculcada

na sua mente. E mesmo que você diga que não vai se posicionar da mesma forma que

fizeram com você, mesmo assim, você emite reflexos na prática. A primeira vez que um

aluno me contestou e disse que eu estava errada eu lhe tratei de forma indiferente

como se estivesse acima do bem e do mau. Depois tive que lhe pedir desculpas e

reconhecer diante da turma que estava errada. Toda classe teve que apagar um trecho

do texto que eu havia escrito no quadro do dia anterior. Pensei que iria perder o

respeito e admiração da turma. É verdade que ouvi muitos murmúrios, e uhhh,... mas

depois percebi que ganhei a confiança deles. Um dia uma aluna dessa turma chegou

pra mim e disse que tinha medo de fazer perguntas em sala e receber um uhhh da

galera mas que depois do uhh que eu levei ela não tinha mais medo, porque ela

aprendeu que professor também erra e não sabe tudo. Suas palavras foram

engraçadas mas tinha muita profundidade. E eu lhe disse que havia acabado de me

ensinar algo maravilhoso:”Ninguém sabe demais ao ponto de não precisar mais

aprender e não há ninguém, mesmo aqueles que julgamos saberem pouco, que não

nos possa ensinar”.