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DIREITO FALIMENTAR

I. Noções Históricas

Antiguidade - Direito Romano

- Como é amplamente sabido na antiguidade ao falarmos de descumprimento do dever


de pagamento, o credor possuía como garantia a vida e/ou liberdade do devedor e
família. Como a idéia da falência está ligada ao descumprimento de obrigação, o falido
(aquele que faltava com a palavra, enganava, falseava) podia assim ter sua liberdade
ou mesmo a vida, sua ou da família, cerceada para honrar a obrigação.

- Em Roma o chamado Direito Quiritário (o direito mais antigo de Roma de caráter mais
lendário, consuetudinário e exclusivo dos cidadãos que vai até a lei das XII Tábuas)
permitia a adjudicação do devedor insolvente por sessenta dias, e caso não fosse
resolvida a obrigação poderia vendê-lo como escravo no estrangeiro ou podia matá-lo e
dividi-lo (os pedaços do morto) entre os credores.

- Por volta de 428 a.C. a Lex Poetelia Papira introduzia a idéia de execução
patrimonial, em detrimento a idéia de execução contra a vida da pessoa.

- Surge em seguida o instituto do “bonorum venditio” criado pelo pretor Rutilio Rudo,
determinando o desempossamento dos bens do devedor por determinação do pretor e
nomeação de curador (curator bonorum) para a administração dos bens. Pela “Lex
Julia Bonorum” 739 a.C. poderia existir o “cessio bonorum”, a entrega pelo devedor dos
seus bens voluntariamente ao credor e este poderia vendê-los separadamente.
Encontrando-se aí o embrião do que viria a ser a falência (princípios da “par condition
creditorum” e a disposição pelo credor dos bens do devedor). Existia ainda a bonorum
venditio” (providencias do pretor contra fraude realizadas pelo devedor) e a “actio
pauliana” (medida para recuperar o bem que fraudulentamente tinha sido alienado).

Idade Média

- Nesta fase a falência é vista como sendo um ato fraudatório do falido contra os seus
credores a própria sociedade, diferindo ainda do período romano porque naquele a
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iniciativa e desenvolvimento da falência era de conteúdo privado e neste período a


ingerência pública aumenta significativamente inclusive com o concurso de credores
sendo feito perante o juízo. Nesta época o termo Falência surge com o significado
pejorativo de prejudicar aos credores, FALLERE – ENGANAR/FALSEAR = FALÊNCIA.
Abrangia todo e qualquer devedor

Código Comercial Francês (Napoleônico) – 1807

- Surge como moderna legislação á época e possuía um caráter extremamente gravoso


contra o falido, que somente poderia ser comerciante. Com o passar dos anos vai
abrandando esse tratamento, sendo que diferencia a falência fraudulenta (desonesta)
da inocente (honesta).

Brasil

- Como colônia de Portugal, estava subordinado as ordenações Afonsinas, Manuelinas


e Filipinas, que tratava de forma gravosa o falido fraudulento mas não apenava o falido
inocente, orientando que realizasse composição com seus credores.

- Em 13/11/1756 Pombal cria o Alvará que disciplina o processo de falência de cunho


eminentemente comercial.

- Com a independência de 1822 temos a necessidades de novas normas, surge C.


Comercial de 1850 tratando na sua parte terceira “Das Quebras”, adiante o Decreto
917/1890 derroga e passa disciplinar a matéria. Lei 859/1902, Lei 2024/1908, Decreto
lei 7661/45 e finalmente a atual Lei 11.101/2005.

II. Origem da Palavra

- O termo “Falência” do latim “falece”, faltar com o prometido, com a palavra, enganar,
que por sua vez vem da raiz sânscrita “sphal”, vacilar, desviar, no grego “sphallen”
faltar, com semelhante grafia e significados em diversos outros idiomas como o
inglês(fall, fail), alemão(fallen, fehlen), francês(faillir, faillite), italiano(fallire, falimento).

III. Conceito

- Sob o aspecto econômico “é a condição daquele que, havendo recebido uma


prestação a crédito, não tenha à disposição, para execução da contraprestação, um
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valor suficiente, realizável no momento da contraprestação” J.C. Sampaio de Lacerda


(Manual de Direito Falimentar).

- Sob o aspecto jurídico por Waldemar Ferreira “é uma forma de execução, execução
coletiva, promovida contra o devedor comerciante (sujeito passivo) responsável por
obrigação mercantil (base do processo inicial)” ou ainda por Ricardo Negrão “é um
processo de execução coletiva, no qual todo o patrimônio de um empresário declarado
falido – pessoa física ou jurídica – é arrecadado, visando o pagamento da
universalidade de seus credores, de forma completa e proporcional. É um processo
complexo judicial complexo que compreende a arrecadação de bens, , sua
administração, e conservação, bem como a verificação e o acertamento dos créditos
para posterior liquidação dos bens.e rateio entre os credores”. Forma-se no processo
um litisconsórcio ativo necessário.

- A Falência objetiva garantir os credores do devedor insolvente. O processo falimentar


ocorre por meio da insolvência, impontualidade ou de atos de falências praticados pelo
devedor. Não obstante, o requerimento de falência não é meio de cobrança e sim
forma de permitir ao Judiciário que afaste do meio comercial aquele empresário que já
está falido de fato. (Bezerra Filho, Manoel Justino. Lei de recuperação de empresas e
falências comentada: Lei 11.101/2005). A lei em questão trata deste procedimento com
grande rigor, dispondo não somente do direito material de caráter empresarial, mas de
outros campos do direito. Portanto, já se encontra pacificado na doutrina e na
jurisprudência que a Lei nº. 11.101/2005 é “sui generis”, ou seja, tem caráter híbrido.

IV. Natureza Jurídica

- Instituto complexo, para o qual convergem regras de diferentes ramos do direito


(Empresarial, civil, administrativo, processual e até penal), daí possuir uma natureza
“sui generis” apesar de ter sido sempre vinculada aos estudos do antigo direito
comercial agora empresarial, mas com autonomia própria, logo a nomenclatura de
Direito Falimentar.

V. Elementos Essências à Falência

- Devedor Empresário

- Insolvência
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Direito Falimentar (lei nº 11.101/2005)

1. Falência: objetiva garantir os credores do devedor insolvente. O processo falimentar


ocorre por meio da insolvência, impontualidade ou de atos de falências praticados pelo
devedor. Não obstante, o requerimento de falência não é meio de cobrança e sim
forma de permitir ao Judiciário que afaste do meio comercial aquele empresário que já
está falido de fato. (Bezerra Filho, Manoel Justino. Lei de recuperação de empresas e
falências comentada: Lei 11.101/2005). A lei em questão trata deste procedimento com
grande rigor, dispondo não somente do direito material de caráter empresarial, mas de
outros campos do direito. Portanto, já se encontra pacificado na doutrina e na
jurisprudência que a Lei nº. 11.101/2005 é “sui generis”, ou seja, tem caráter híbrido.

2. Recuperação de empresa: o legislador, no recente diploma jurídico, pautou-se não


apenas em dar uma contribuição para que a empresa se restabeleça e supere a
situação de crise econômico-financeira, mas sabiamente teve o intuito de preservar a
fonte produtiva, a relação empregatícia, os interesses dos credores, fazendo com que a
empresa e a sua função social sejam mantidas.

3. Princípios: os princípios que regem a falência e a recuperação de empresas,


consoante à Lei 11.101/2005 são: Princípio da viabilidade da empresa; Princípio da
prevalência dos interesses dos credores; Princípio da publicidade do procedimento;
Princípio par “conditio creditorum”; Princípio da conservação e manutenção dos ativos;
e Princípio conservação da empresa viável.

3.1. Princípio da viabilidade da empresa: apesar da dificuldade econômico-financeiro


do empresário ou da sociedade empresária, há que se analisar se é ou não viável a
sua atividade, observando os seguintes parâmetros

 a) Grau de endividamento;
 b) Ativo;
 c) Passivo;
 d) Relevância social.

3.2. Princípio da prevalência dos interesses dos credores: o plano de recuperação


apresentado deve resguardar ao máximo os interesses dos credores, haja vista que a
satisfação de tais interesses tem caráter público.

3.3. Princípio da publicidade do processo: este é um princípio utilizado comumente


no mundo jurídico. Na falência e na recuperação de empresas não seria diferente.
Especificamente nos institutos aqui estudados, o princípio da publicidade tem dois
objetivos norteadores:

 1º) Manter a sociedade informada do procedimento, podendo, desta


maneira, demonstrar que a falência ou a recuperação judicial está cumprindo
sua função social (em outras palavras, que o procedimento falimentar e a
recuperação de empresa estão cumprindo o seu papel, atingindo os efeitos
vislumbrados pelo legislador e pela sociedade);
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 2º) manter os credores informados de todo o trâmite do processo,


consagrando a eqüidade entre eles, evitando que um credor se beneficie
utilizando manobras que desfavoreça os demais.

3.4. Princípio “par conditio creditorum”: visa manter a paridade entre os credores do
devedor insolvente, respeitando, por óbvio, a natureza e classificação dos créditos. Em
outras palavras, é o tratamento isonômico entre os credores sem embargos, quanto à
classificação dos créditos, que ocorre em face da sua origem.

3.5. Princípio da conservação e manutenção dos ativos: a regra é a preservação da


unidade produtiva, visando conservar, ao máximo, o ativo da sociedade empresária ou
empresário, em busca da sua valorização de mercado. Desta feita, mesmo com a
decretação de falência, toda vez que houver a possibilidade do devedor manter sua
empresa, desde que seja viável, ele deve prosseguir, pois assim seguirá pagando os
credores com a sua produção. Neste caso, a falência se converterá em recuperação
judicial.

3.6. Princípio da conservação da empresa viável: a empresa, sempre que viável,


deve ser preservada e este juízo deve ser feito observando a sua relevância social
diante da sociedade, bem como o impacto social que gerará caso sua falência seja
decretada.

4. Sujeito Passivo: o art. 1º da Lei 11.101/2005, preconiza aqueles que se sujeitam à


Falência e à Recuperação Judicial e Extrajudicial, sendo eles: a) O empresário (art.
966, caput do CC) e; b) A sociedade empresária (art. 982 do CC). Portanto, todo
aquele que não se enquadre nos conceitos de empresário e sociedade empresária não
serão atingidos pela referida Lei.

4.1. Excluídos: neste contexto, são totalmente excluídos, conforme art. 2ª da Lei
11.101/2005:

 a) Empresas públicas;
 b) Sociedade de economia mista;
 c) Prestadoras de serviços de compensação e de liquidação financeira;
 d) Instituições financeiras, (bancos privados ou públicos);
 e) Cooperativas de crédito;
 f) Administradoras de consórcio;
 g) Sociedades seguradoras de capitalização e entidades equiparadas.

Importante: como a Lei nº. 11.101/2005 não revogou a Lei nº. 6024/74, que dispõe
sobre intervenção e liquidação extrajudicial de instituições financeiras e que prevê a
falência, desde que autorizado o pedido pelo Banco Central do Brasil (alínea d, do art.
12 e letra do art. 19), torna-se possível a decretação de falência de bancos. As
instituições financeiras e os consórcios são regulamentados pela Lei nº. 6.024/74, que
dispõe sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras. As
sociedades cooperativistas são consideradas simples por força do parágrafo único do
art. 982 do Código Civil, e estão sob a égide da Lei nº. 5.764/71. Às seguradoras,
aplica-se o Decreto-lei nº. 73 de 21/11/1966. Para entidade de previdência
complementar, aplica-se a Lei Complementar 109/2001. Para planos de saúde, a Lei
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nº. 9.656/98. Para sociedade de capitalização, o Dec.-lei 261/67. O art. 195 da Lei de
Falências preconiza que as concessionárias de serviço público se sujeitam à falência,
desde que não sejam empresa pública ou sociedade de economia mista.

5. Insolvência Jurídica:

5.1. Impontualidade Injustificada, insolvência de fato, (art. 94, I, Lei de Falência): é


o inadimplemento comprovado pelo protesto do título representativo de obrigação
líquida (obrigação certa quanto a sua quantidade, qualidade e objeto), cujo valor ou
soma de valores ultrapasse 40 salários mínimos, art. 94 § 1º da Lei 11.101/05, (aceita
litisconsórcio de credores para chegar ao montante de 40 salários mínimos). Ou seja, é
o requerimento de falência, instruído com documento representativo, de dívida pré-
constituída. Este é um caso de fato de falência, que só se tornará falência de direito se
os credores pleitearem perante o Judiciário a falência do devedor. Sendo assim, o
devedor poderá se manter indefinidamente em situação de falência de fato, bastando
que nenhum dos seus credores peça a sua falência. No caso de impontualidade, o
título deve estar vencido, não pago e protestado para fins falimentares, art. 96, VI da
Lei de Falência. Ademais, se o empresário comprovar uma das situações elencadas no
art. 96 da referida Lei em sede de contestação (art. 98 da Lei de Falência), não poderá
ser considerado devedor para efeitos da Lei de Falência, pois ficará consignada a
justificativa relevante de direito para o não pagamento.

5.2. Execução frustrada e insolvência de fato (art. 94, II LF): é caracterizada pela
tríplice omissão documentada por certidão expedida pelo juízo, onde ocorre a
execução (não paga, não deposita e não nomeia bens à penhora). O título deve estar
vencido e não pago. No caso deste inciso, poderá o credor requerer a citação do
devedor para fins falimentares nos próprios autos do processo de execução, desde que
o juízo seja o competente para tanto. Aliás, é até aconselhável em consagração ao
princípio da celeridade processual. Todavia, caso opte por fazer pedido autônomo,
deve seguir a rigor o preconizado no §4º, do art. 94 da LF. Mister dizer que, após
extrair a certidão do valor em execução, poderá ou não levar a certidão a protesto,
pois, neste caso, o protesto é facultativo.

5.3. Atos de Falência e Insolvência Presumida, (94, III da LF): o título não precisa
estar vencido. Este artigo traz um rol de situações fáticas, dispostas em alíneas.
Portanto, a prática de qualquer um dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano
de recuperação judicial, é suficiente para instruir pedido de falência qualquer uma das
alíneas do art. 94, III da LF.

6. Juízo Universal: “vis actrativa” princípio da força atrativa da falência. (característica


do juízo falimentar em atrair para si todas as medidas judiciais de conteúdo patrimonial
referentes à massa ou ao falido reunem-se, art. 76 da Lei de Falência). O Juízo
competente é o do principal estabelecimento do devedor e a prevenção será fixada
com a primeira distribuição (art. 3º e 6º §8º da Lei nº 11.101/2005). Enfim, o Juiz que
preside a falência fixa a competência para todas as ações que seja de interesse da
massa falida. Ademais, qualquer ação contra a massa falida ficará suspensa (art. 6º da
Lei de Falência) e os credores deverão habilitar seus créditos na falência (art. 7º,§1º da
lei 11.101/05). Entretanto, há exceções acerca da“vis actrativa”, quais sejam:

 a) Ações não reguladas pela LF em que a massa é autora;


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 b) Ações trabalhistas;
 c) Execuções fiscais;
 d) Ação que demanda obrigação líquida;
 e) Ação de conhecimento de competência da (União) Justiça Federal.

Importante: as ações de conhecimento, em trâmite antes do decreto da falência contra


o devedor, continuarão correndo normalmente ante aquele juízo que já está, conforme
preconizado no §1º do art. 6º da Lei de Falência. No entanto, quando a massa falida for
acionada, o juízo competente é o que preside a falência, salvo nas ações trabalhistas e
nas ações onde a massa falida configurar como autora (parte final do art. 76 da referida
Lei).

7. Sujeito Ativo: o credor, porém, como já estudamos acima, tem que ter um direito
consignado em documento pré-constituído, revestido de liquidez, ensejando sobre si
ação de execução. O seu devedor tem de ser um empresário ou sociedade empresária,
art. 1º da Lei de Falência. Portanto, é o credor, por excelência, o titular da relação
jurídica falimentar, desde que observados os requisitos supracitados.

7.1. Legitimidade Ativa: credor, devedor (autofalência), cônjuge sobrevivente,


herdeiros, inventariante, art.97 da LF. O credor, para pedir a falência do devedor
empresário, tem o dever de:

 a) Provar ser empresário regular, quando o for, conforme o art. 97, §1º
 b) Prestar caução, quando não domiciliado no país (exceto Mercosul,
Decreto nº. 2.067/96, credor privilegiado, que é diferente de credor com
preferência), art. 97, §2º da Lei de Falências.

Importante: o empresário individual ou sociedade empresária que não comprovar sua


regularidade por meio do arquivamento dos atos constitutivos na Junta Comercial terá
a petição inicial indeferida, por ilegitimidade de parte, art. 267, VI do CPC. O
empresário rural que optar em arquivar seus atos perante a Junta Comercial sujeitar-
se-á a Lei de Falência.

8. Habilitação dos créditos: os credores terão o prazo de 15 dias, contados da


publicação do edital da decretação da falência, para apresentarem ao administrador
suas habilitações ou suas divergências quanto aos créditos habilitados, art. 7, §1º da
LF. Após o prazo da habilitação, o administrador terá o prazo de 45 dias para
publicação de um novo edital, que deverá conter relação de credores, indicando local,
horário e os documentos necessários. A respectiva fundamentação que alicerçou a
elaboração da relação de credores estará disponibilizada para qualquer credor,
devedor e seus sócios, Comitê e Ministério Público, art. 7º, §2º da Lei de Falência.
Qualquer das pessoas supracitadas poderá apresentar impugnação contra a relação de
credores, no prazo de 10 dias contados da publicação da referida relação. A
impugnação será autuada em apartado, art. 8º, “caput” e parágrafo único da Lei de
Falências e será processada nos termos do art. 13 e 15 do diploma legal em análise.
Mesmo após o prazo definido no art. 7, §1º da Lei citada, poderá ocorrer a habilitação.
Com a resolução da celeuma referente à habilitação dos credores e suas respectivas
impugnações, publicar-se-á o quadro geral dos créditos com a lista de classificação dos
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créditos, no prazo de 05 dias, contado da publicação no Diário Oficial, da sentença que


resolveu as impugnações, art. 18, parágrafo único, da Lei de Falência.
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Procedimentos aplicáveis ao Direito Falimentar

1. Procedimentos

1.1. Autofalência (art. 105 e seus incisos da LF): apesar de ser uma confissão de
estado falimentar, o requerente (o devedor) deve seguir o procedimento formal, com
petição inicial (art.282 do CPC), instruída com rol de documentos exigidos em Lei, sob
pena de ter seu pedido indeferido (art. 284, parágrafo único do CPC). Os documentos
exigidos são: a) Balanço Patrimonial (demonstrações financeiras); b) Relação de
credores, relação dos bens que compõem o ativo; c) Contrato Social ou Estatuto (se
existir); d) Relação de sócios e administradores dos últimos 5 anos; e e) Depósito dos
livros em cartório. Não admite citação postal (mas pode por edital, quando não
encontrado o devedor).

1.2. Falência requerida pelo credor (art. 94 da LF)

 I – Protesto para fins falimentares;


 II – execução forçada (certidão do Juízo da execução);
 III – atos de falência (provas): a falência proposta em um destes itens,
após citado, o réu terá o prazo de 10 dias para contestar (art. 98 da Lei
11.101/2005) ou depositar o valor total da dívida, acrescido de correção
monetária, juros e honorários advocatícios, parágrafo único do art. 98 da
referida Lei. Nestas hipóteses, a falência não será decretada, bem como no
caso de haver o depósito e a constestação juntos. Neste caso, mesmo que a
falência seja decretada, o Juiz mandará levantar o valor depositado para
satisfazer o credor, parágrafo único, 2a parte do art. 98. O “depósito elisivo”
só será permitido nos casos de falência proposta com fulcro nos incisos I e II
do art. 94 da LF, ou seja, insolvência de fato.

Importante: o momento oportuno para se fazer o “depósito elisivo” é o mesmo prazo


da contestação, sob pena de preclusão temporal. O devedor que apresentar
contestação e não efetuar o depósito corre o sério risco de o Magistrado entender que
a sua defesa é infundada e decretar a sua falência na sentença em que afastar os
argumentos da contestação. Destarte o “depósito elisivo”, assim como a contestação
são faculdades do devedor, o qual deverá arcar com o ônus que advém da sua inércia
nos autos do processo falimentar. A sentença que decretar a falência do devedor
determinará que sejam cumpridas todas as situações do art. 99 da LF, sendo que o
falido terá o prazo de 05 dias para apresentar a relação nominal dos credores, com
todos os requisitos preconizados no inciso III. Aquele que requerer falência por dolo,
deverá indenizar, art. 101 da Lei de Falência.

1.3. Sentença Denegatória de Falência: se ocorreu dolo manifesto do requerente, o


juiz deve condená-lo ao pagamento de indenização. Encerra o processo pré-falimentar,
afastando a falência, ou seja, pondo fim ao processo com resolução de mérito, o qual
não fora procedente o pedido de falência, art. 269, I do CPC. Caberá apelação em 15
dias (art. 513, do CPC e art. 100, 2ª parte da Lei de Falências).
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1.4. Sentença Decretatória de Falência, rol do art. 99 da LF: tem natureza


constitutiva, embora não seja propriamente sentença, pois é uma decisão interlocutória.
Neste rumo, caberá Agravo por Instrumento em 10 dias (art. 522, CPC e art. 100, 1ª
parte da Lei de Falências). Ressaltamos que no seu bojo da referida decisão
interlocutória deverá conter:

 a) Ordena o falido a apresentar em 05 dias relação nominativa de


credores (não é somente o nome, mas também o valor da dívida, data de
vencimento e o título do crédito);
 b) Determina os prazos para habilitação dos créditos;
 c) Determina anotação na junta comercial;
 d) Intimação do Ministério Público;
 e) Comunicação das Fazendas Públicas;
 f) Nomeação do administrador Judicial;
 g) Fixará o termo legal.

2. Classificação dos Créditos: os créditos no procedimento falimentar são divididos


em duas grandes categorias: os créditos concursais e extraconcursais. Os concursais
são aqueles que geraram o processo falimentar, enquanto que os extraconcursais
nasceram com a declaração da falência, isto é, despesas oriundas da declaração da
falência, e estes serão pagos antes dos créditos concursais.

São extraconcursais, conforme art. 84 da Lei de Falência:

 a) Remuneração devida ao administrador judicial e seus auxiliares (verbas


trabalhistas e de acidentes de trabalho que tenham surgido após a
decretação da falência);
 b) Quantias fornecidas à massa pelos credores;
 c) Despesas com arrecadação, administração e realização do ativo, bem
como às custas advindas do processo de falência;
 d) Custas judiciais relativas às ações e execuções, nas quais a massa
falida tenha sido vencida;
 e) Obrigações resultantes de atos jurídicos praticados durante a
recuperação judicial.

São concursais, conforme art. 83 da Lei de Falência, apresentando-se para


pagamento na seguinte ordem:

 a) Créditos trabalhistas limitados a 150 salários mínimos e créditos


surgidos de acidente de trabalho;
 b) Créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado;
 c) Créditos tributários, salvo as multas tributárias;
 d) Créditos com privilégios especiais;
 e) Créditos com privilégio geral;
 f) Créditos quirografários, inclusive os créditos trabalhistas que
excederem o limite de 150 salários mínimos;
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 g) Multas contratuais, penas pecuniárias, incluindo as multas tributárias;


 h) Créditos subordinados.

3. Termo legal ou Período suspeito: é aquele período dentro do qual determinados


atos que oneram os bens do devedor são tidos como ineficazes, por se entender que
foram praticados em prejuízo da massa. Retroage da data da sentença, até 90 dias
antes do primeiro protesto, por falta de pagamento, art. 99, II da LF. Caso não tenha
sido protestado, retroage até 90 dias antes da Petição Inicial. Se for Recuperação de
Empresas convolada em falência, retroagirá até 90 dias antes do requerimento do
beneficio. O termo legal pode ser modificado apenas uma vez e no prazo de 02 anos
do trânsito em julgado da sentença de falência. O protesto fica aberto durante 05
(cinco) anos. Neste sentido, independentemente do conhecimento ou não do terceiro
da situação financeira do devedor, ou mesmo da intenção do devedor em fraudar os
credores, são ineficazes em relação à massa falida:

 a) O pagamento de dívidas não vencidas e realizadas dentro do termo


legal;
 b) O pagamento de dívidas vencidas, realizadas dentro do termo legal, de
forma diversa da prevista pelo contrato;
 c) A constituição de direito real de garantia dentro do termo legal;
 d) A prática de atos a título gratuito, praticados nos dois anos que
antecedem a decretação da falência;
 e) A renúncia à herança ou ao legado, praticada nos dois anos que
antecedem a decretação da falência;
 f) O trespasse sem o consentimento dos credores e sem que o devedor
possua bens suficientes para saldar as dívidas. Cabe dizer que a ineficácia
poderá ser declarada de ofício, alegada pelas partes ou proposta em ação
própria, art. 129 da LF.

4. Ação Revocatória: são revogáveis os atos fraudulentos praticados pelo falido no


termo legal, desde que comprovados:

 a) O conluio entre devedor e terceiro;


 b) O prejuízo da massa, art. 130 da Lei de Falência. O prazo é de 03 anos
da decretação da falência (quebra). Pode ser requerida por qualquer
interessado (administrador, credores habilitados), correndo no juízo
falimentar, art. 132 da Lei supracitada. Em sendo julgada procedente a Ação
Revocatória, os bens que foram negociados retornarão para a massa. No
curso da referida ação, a pedido do autor, poderá o Juiz determinar o
seqüestro dos bens do devedor sob a posse de terceiros, da sentença que
deferiu os pedidos do autor, julgando procedente a Ação Revocatória, caberá
recurso de apelação, arts. 135 e 137 da Lei de Falências.

5. O Administrador Judicial (arts. 21 a 34 da LF): é um auxiliar do juízo, nomeado


por ele, devendo ser pessoa de sua confiança e com conhecimentos e formação em
economia, administração de empresas, direito ou contabilidade. O administrador pode
ser pessoa física ou jurídica. Como é o juiz quem preside a administração da falência, o
administrador age por ele (juiz), mas em nome próprio (responde), representando ainda
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os interesses dos credores (massa falida subjetiva). Sua função é indelegável, mas
poderá contratar profissionais para auxiliá-lo. Sua remuneração não poderá superar 5%
do valor total pago aos credores. Recebe durante o processo, mas 40% do montante a
ele devido serão reservados para pagamento após aprovação das contas por ele
apresentadas e do Relatório Final. Destacamos quatro atos importantes do
administrador (art. 22, III da Lei de Falência):

 a) Verificação dos créditos;


 b) Relatório inicial;
 c) Contas mensais;
 d) Relatório final.

6. Assembléia de Credores (arts. 35 ao 46 da LF): o juízo poderá convocar


assembléia para deliberar sobre incidentes do processo falimentar, sobre a forma de
realizar o ativo (transformar tudo em dinheiro). É formada por todos os credores para
deliberar sobre assuntos de seu interesse. A convocação deve ser publicada no Diário
Oficial com antecedência mínima de 15 dias, na primeira convocação, e de 05 dias na
segunda. Se não for convocada pela sentença do juiz, poderá ser por credores, que
representem 25% do valor total dos créditos de determinada classe. Ao nomear o
administrador judicial, o juiz pode convocar a Comissão de acordo com:

 a) A complexidade da execução;
 b) O porte econômico da massa.

7. Comitê de Credores: é formado por, no máximo, 03 representantes, sendo um


representante da classe dos trabalhadores um representante da classe dos credores
de direitos reais e um representante dos credores quirografários. Entretanto, a falta de
indicação dos representantes não é motivo para não se constituir o comitê, o qual
poderá funcionar com número inferior, art. 26, §1º da Lei de Falência. É órgão
facultativo, convocado pelo juiz ou pela assembléia. Suas funções estão previstas no
art. 27, I da LF. Na falta do comitê, as atribuições do artigo supracitado serão
assumidas pelo administrados, art. 28 da LF.

8. Fase Falimentar: após a sentença que decreta a falência, entramos numa nova
etapa do processo falimentar, qual seja a fase falimentar que se subdivide em: a) Fase
cognitiva; e b) Fase satisfativa.

8.1. Fase Cognitiva: realização do Ativo. Transformar tudo em dinheiro, por meio da
arrecadação dos bens do devedor, art. 108 da LF. Entretanto, os bens do devedor
serão vendidos da melhor forma possível, art. 142 da LF, em conformidade com a
ordem a seguir:

 a) Alienação do estabelecimento comercial em bloco, no todo;


 b) Alienação das filiais ou unidades produtivas da empresa de forma
isolada;
 c) Alienação dos bens, em bloco, por filial ou unidade produtiva;
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 d) Alienação dos bens individualizados, art. 140, II a IV, da LF. Na


arrecadação, poderá ocorrer: pedido de restituição (art. 85 da LF) e embargos
de terceiro (art. 86 da Lei de Falência).

8.2. Fase Satisfativa: satisfação do Passivo. Após a arrecadação, estando o


administrador de posse do valor em espécie, dar-se-á início ao pagamento dos
credores, que respeitará a ordem da classificação dos créditos (concursais e
extraconcursais), e, na eventual sobra de verba, esta será devolvida ao devedor. O
administrador, depois de realizado o ativo e distribuído o resultado da negociação entre
os credores, prestará contas perante o Juízo no prazo de 30 dias, que decidirá, por
sentença, art. 154 da Lei de Falência. No prazo de 10 dias da referida decisão, o
administrador apresentará relatório final apontando a realização do ativo, a distribuição
dos resultados da negociação e as responsabilidades que o falido ainda terá, art. 155
da LF. O Juiz encerrará o processo falimentar com apresentação do referido
documento elaborado pelo administrador, art. 156 da Lei supracitada. Os credores
extraconcursais, arts. 67 “caput” e art. 84 da LF, bem como o valor de restituição, art.
85 e seguintes da LF, receberão antes dos demais credores, art. 149, “caput” da LF.
Todavia, antes disso, serão pagos os valores previstos nos arts. 150 e 151 da referida
Lei. Portanto, aquele que tiver um bem sob o domínio do falido, deverá formular,
perante o Juízo, pedido de restituição do bem, comprovando sua propriedade (art.85,
ss da Lei de Falência). Tal pedido será autuado separado. Após o recebimento, o Juiz
mandará intimar os credores, o Comitê e o administrador judicial, abrindo, então, o
contraditório em 5 dias. Da sentença que julgar o pedido de restituição, caberá
apelação sem efeito suspensivo (arts. 87 e 90 da LF). O objeto ficará indisponível até o
julgamento do recurso. Outra opção é o terceiro propor embargos de terceiros (art. 93
da LF). Reiteramos que os créditos trabalhistas são pagos só até 150 salários mínimos
por credor, o restante passa a ser crédito quirografário.

9. Efeitos da falência:

9.1. Quanto à pessoa do falido: com a decretação da falência, o falido estará proibido
de exercer qualquer atividade empresarial, dependendo do Juízo da falência,
retornando ao “status quo ante”. Entretanto, lhe é permitido fiscalizar a administração
da falência, arts. 102 e 103 da Lei de Falência. São deveres do falido, art. 104 da LF:

 a) Prestar informações ao administrador;


 b) Apresentar os livros obrigatórios e todos os papéis e documentos ao
administrador judicial;
 c) Não se ausentar do local onde se processa a falência sem motivo justo
e comunicação expressa ao juiz;
 d) Comparecer a todos os atos da falência onde for considerado
indispensável a sua presença.

9.2. Quanto às obrigações do devedor: a decretação da falência suspende o


exercício de direitos de retenção do devedor sobre os bens, os quais serão objetos de
arrecadação. Portanto, é retirado do devedor o caráter de proprietário dos bens. Os
sócios de uma sociedade falida não podem efetuar nenhuma retirada, art. 116 da LF.
Cabe ao administrador analisar os contratos bilaterais, optando em mantê-los ou não,
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haja vista que a decretação da falência não tem o condão de pôr fim neste negócio
jurídico, art. 117 da LF.

10. Extinção das Obrigações (art. 158 da LF): dar-se-á por extinto o processo
falimentar com:

 a) Pagamento integral;
 b) Pagamento de 50% dos quirografários;
 c) 05 anos do encerramento da falência, se não houve condenação por
crime;
 d) 10 anos do encerramento, se houve condenação por crime. Os sócios
de responsabilidade ilimitada, observando que houve a prescrição ou extinção
das obrigações nos termos da Lei de Falência, poderão requerer que seja
declarada por sentença a extinção de suas obrigações na falência, art. 160 da
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Recuperação de empresas

Recuperação de Empresa pode ser Judicial ou Extrajudicial.

1. Recuperação Judicial (arts. 47 e ss. da LF): busca a reorganização da empresa.


Visa preservar a manutenção do emprego, elemento de paz social, e não apenas o
funcionamento da empresa no mercado de produção. Para este feito, o empresário e a
sociedade empresária contam com o auxilio de três órgãos: Assembléia Geral de
Credores, Administração Judicial e Comitê de credores. Este último é facultativo,
conforme o porte da massa, art. 27, I da LF.

2. Compete à Assembléia Geral de Credores (art. 35, I da LF):

 a) Aprovar, rejeitar ou revisar o plano de recuperação;


 b) Instalar o Comitê e eleger seus membros;
 c) Deliberar sobre qualquer matéria de interesse dos credores.

3. Procedimento de Recuperação (arts. 55 a 69 da LF): só tem legitimidade ativa o


devedor empresário e os demais legitimados a requerem a falência. No entanto, só se
concretiza se o devedor quiser, tendo em vista que é uma faculdade do credor assumir
que está em dificuldade econômico-financeira. Entretanto, está legitimado a requerer
Recuperação Judicial o cônjuge sobrevivente, herdeiro do devedor, inventariante ou
sócio remanescente. Trata-se de recuperação do espólio (art. 48 parágrafo único). Para
pleiteá-la, deve o empresário atender cinco requisitos cumulativos (art. 48, da LF):

 a) Existir regularmente há mais de 02 anos;


 b) Não estar falido;
 c) Não ter obtido o mesmo benefício nos últimos 05 anos (05 em 05
anos);
 d) Não ter obtido concessão de recuperação judicial a menos de 08 anos,
com base no plano especial da LF;
 e) Não ter sido condenado ou não ter como sócio controlador ou
administrador pessoa condenada por crime falimentar. A petição inicial deve
obedecer aos termos do art. 282 a 284 do CPC e também deve ser instruída
com (art. 51 da LF):

 i) exposição das causas;


 ii) demonstrações contábeis;
 iii) relatório da situação da empresa;
 iv) relação dos credores (quanto ao vencimento e tipo de dívidas);
 v) relação dos empregados;
 vi) contrato social ou estatuto;
 vii) lista de bens dos sócios, contadores e administradores;
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 viii)últimos extratos bancários e de investimentos (no mínimo, de


06 meses);
 ix) certidões de protesto (de todas as localidades onde atue);
 x) relação das ações judiciais em andamento.

É permitido ao devedor apresentar qualquer proposta, desde que os credores


concordem com ela. Os meios de recuperação judicial estão elencados no art. 50, da
Lei de Falência. Não se trata de um rol taxativo, mas sim exemplificativo. Todavia,
existem limitações que devem ser respeitadas no plano de recuperação judicial. São
elas:

 a) Não é permitida a previsão de pagamento, no prazo superior a 01 ano,


para os créditos trabalhistas e os oriundos de acidentes de trabalho;
 b) Não é permitida a previsão de pagamento, no prazo superior a 30 dias,
para os créditos trabalhistas com valor de até 05 salários mínimos vencidos
nos três meses anteriores ao pedido de recuperação judicial, art. 54 da LF.
Todos os créditos existentes, ainda que não vencidos, sujeitar-se-ão à
Recuperação Judicial, art. 49 da LF. O devedor, mesmo com a homologação,
permanecerá na administração dos bens da empresa. Todavia, após a
distribuição do pedido, ele estará vetado de alienar ou onerar bens ou
direitos, exceto se o juiz reconhecer a utilidade da negociação, após ouvir o
Comitê, com exceção dos previamente relacionados na recuperação judicial,
art. 66 LF. Outro fato relevante é que, em caso de decretação de falência, os
credores decorrentes de obrigações advindas, durante a recuperação judicial,
serão considerações extraconcursais. Os fornecedores de bens e serviços,
que normalmente continuarem atendendo o devedor após o pedido de
recuperação judicial, serão classificados como credores, com privilégio geral
de recebimento, no limite do valor dos bens ou serviços fornecidos durante o
período de recuperação, art. 67 da LF. O plano de recuperação judicial
constitui novação dos créditos anteriores ao pedido, art. 59 da LF. Depois de
verificar todos os documentos e todos os demais requisitos da petição inicial
do devedor, o Juiz deferirá o plano de recuperação judicial e, a partir do
despacho que mandar processar a Recuperação Judicial, suspendem-se as
ações e execuções em trâmite contra o requerente, salvo as ações que
litigam sobre quantia ilíquida, as ações trabalhistas e as de natureza fiscal.
Dar-se-á inicio, ao prazo de 60 dias, para apresentar o “plano de
recuperação” art. 53 da LF. Passa-se, então, à votação do “plano de
recuperação”, pela assembléia de credores, em até 150 dias. Concedida à
recuperação, dar-se-á início ao plano que, em princípio, é imutável. O Juiz
ordenará a publicação do edital contendo o resumo do pedido do devedor e
da decisão que defere o processamento da recuperação, a relação dos
credores, bem como a respectiva classificação dos créditos, abrindo prazo
para habilitação ou oposição acerca dos dados constantes no edital, art. 52
da LF. Qualquer credor poderá se opor ao plano de recuperação judicial no
prazo de 30 dias da publicação do edital. Caberá ao Juiz convocar a
assembléia geral de credores para deliberar sobre o plano, art. 55 e 56 da LF.
Caberá Agravo por instrumento da decisão que conceder a recuperação, art.
59, § 2º da LF. A sociedade empresária deve agregar ao seu nome a
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expressão “em recuperação judicial” e a omissão implica em responsabilidade


civil pessoal e direta dos administradores.

4. Convolação em Falência (arts. 73 e 74 da LF): é a transformação da Recuperação


Judicial em Falência. Ocorre nas hipóteses abaixo:

 a) Por deliberação dos credores reunidos em assembléia, com voto da


maioria simples, quando a situação de crise econômica é muito grave e não
há sentido na recuperação;
 b) O devedor não apresentar o plano no prazo de 60 dias do deferimento
do pedido de recuperação;
 c) Rejeição do plano pela assembléia de credores;
 d) Descumprimento do plano de recuperação judicial;
 e) Na convolação da recuperação judicial em falência, todos os atos de
administração no curso da recuperação terão validade e produzirão efeitos,
art. 74 da LF. Portanto todos os créditos habilitados nesta fase considerar-se-
ão habilitados perante juízo universal, art.80 da LF.

5. Recuperação Extrajudicial (arts. 161 a 167 da LF): é o acordo entre devedor e


seus credores. Forma dos credores receberem seus créditos a partir dos sacrifícios que
concordam suportar. Para negociar suas dívidas com os credores (ou parte delas), o
devedor empresário não tem que preencher nenhum requisito de Lei, bastando o
acordo dos envolvidos. Caso todos os credores aderirem ao plano de recuperação
extrajudicial, esta pode ser, ou não, homologação, haja vista seu caráter facultativo.
Caso o devedor consiga 3/5 dos créditos de cada espécie abrangida pelo plano de
recuperação, a homologação será necessária, devendo atender aos seguintes
requisitos para homologação (judicial) do plano de recuperação:

5.1. Requisitos Subjetivos:

 a) Atender às condições da recuperação judicial (161, § 3º da LF);


 b) Não possuir pedido de recuperação judicial em trâmite (161, § 3º da
LF);
 c) Não ter sido concedida recuperação (judicial ou extrajudicial) há menos
de 02 anos.

5.2. Requisitos Objetivos:

 a) O plano não prever pagamento antecipado de nenhuma dívida;


 b) Tratamento paritário e todos os credores sujeitos ao plano;
 c) Plano abranger somente os créditos já existentes na data do pedido;
 d) Só pode constar alienação de bens gravada ou substituição de garantia
real com a concordância do credor garantido (hipotecário, pignotário etc.);
 e) Se o crédito for em moeda estrangeira, o plano não pode afastar a
variação cambial, salvo com anuência expressa do credor.
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6. Homologação Facultativa e Obrigatória: será facultativa quando todos os


credores sujeitos ao plano aderiram a ele (art.161, “caput” da LF). Será obrigatória
quando o devedor conseguir adesão de boa parte dos credores ao plano, com
discordância da minoria. (art. 163, caput, §6º da LF). Neste caso, para ser homologado,
deve ter a assinatura de pelo menos 3/5 dos créditos de cada espécie abrangida pelo
plano.

7. Credores não Sujeitos à Recuperação Extrajudicial (arts. 161, §1º da LF): a) Créditos
trabalhistas e acidente do trabalho; b) Créditos tributários; c) Proprietário fiduciário,
arrendador, vendedor ou promitente vendedor de imóvel por contrato irrevogável; d)
Vendedor titular de reserva de domínio; e e) Instituição financeira de reserva de
domínio.

Importante: após obtenção de homologação, o credor não pode desistir, a menos que
todos envolvidos concordem. A sentença de homologação do plano de recuperação
extrajudicial constituirá título executivo judicial (art. 584, III do CPC e art. 162, §6º da
LF). O pedido de homologação do plano de recuperação extrajudicial não gera
suspensão de direitos, ações ou execuções e, sequer, impossibilita o requerimento de
falência pelos credores não sujeitos ao plano de recuperação extrajudicial. Recebido o
pedido de homologação do plano de Recuperação Extrajudicial, previstos nos arts. 162
e 163 da LF, o magistrado ordenará que seja feita publicação de edital na imprensa
oficial. Da data da publicação, os credores poderão apresentar impugnação no prazo
de 30 dias. Todavia, estes somente poderão alegar:

 a) Não preenchimento do percentual mínimo (art. 163, “caput” da LF);


 b) Prática de qualquer dos atos de falência ou conluio fraudulento entre o
devedor e terceiro;
 c) Descumprimento de requisito previsto na LF;
 d) Descumprimento de qualquer outra exigência legal. Havendo
apresentação de impugnação, o devedor terá o prazo de 05 dias para se
manifestar sobre o referido feito. Após este prazo, o Juiz prolatará sua
decisão. O Ministério público poderá se manifestar na Recuperação
Extrajudicial, como “custos legis”, visando o equilíbrio entre as partes.
Todavia, se sua manifestação for contrária, não terá efeitos, haja vista que a
recuperação extrajudicial é um acordo entre particulares e, também por este
motivo, que o Juiz tem função não tão ativa, sendo seu papel meramente
formal, homologador. Da sentença que homologar a recuperação
extrajudicial, caberá apelação, que será recebida apenas no efeito devolutivo,
art. 164 da LF.