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Número do processo: 1.0467.05.931703-3/001(1) Númeração Única: 9317033-18.2005.8.13.

0467
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Relator: Des.(a) HÉLCIO VALENTIM
Relator do Acórdão: Des.(a) HÉLCIO VALENTIM
Data do Julgamento: 30/05/2006
Data da Publicação: 07/07/2006
Inteiro Teor:
EMENTA: PENAL - ABANDONO MATERIAL - AUTORIA E MATERIALIDADE
COMPROVADAS - SUPOSTA DIFICULDADE ECONÔMICA ENFRENTADA PELO
APELANTE - PROVA QUE A ELE INCUMBE - AUSÊNCIA DE ELEMENTOS DE
CONVICÇÃO - RECURSO IMPROVIDO. APELAÇÃO - ABANDONO MATERIAL - JUSTA
CAUSA - ÔNUS DA PROVA - IMPROCEDÊNCIA. No crime de abandono material, a presença da
justificativa não exclui a ilicitude do fato, mas, antes, a sua tipicidade, visto que a expressão "justa
causa", apesar de sinalizadora da antijuridicidade da conduta, caracteriza-se como elemento do tipo
penal. É função do Parquet a comprovação, nos autos, da presença de todos os elementos do tipo,
inclusive os normativos, sob pena de ver julgada improcedente a sua pretensão formulada na
denúncia. Não havendo provas de que o acusado tinha condições de prover a subsistência do
próprio filho, a absolvição é medida que se impõe.

APELAÇÃO CRIMINAL N° 1.0467.05.931703-3/001 - COMARCA DE PALMA -


APELANTE(S): ADAO DA SILVA TESTA - APELADO(A)(S): MINISTÉRIO PÚBLICO
ESTADO MINAS GERAIS - RELATOR: EXMO. SR. DES. HÉLCIO VALENTIM

ACÓRDÃO

Vistos etc., acorda, em Turma, a 5ª CÂMARA CRIMINAL do Tribunal de Justiça do Estado de


Minas Gerais, na conformidade da ata dos julgamentos e das notas taquigráficas, EM NEGAR
PROVIMENTO, VENCIDO O DESEMBARGADOR SEGUNDO VOGAL.

Belo Horizonte, 30 de maio de 2006.

DES. HÉLCIO VALENTIM - Relator

NOTAS TAQUIGRÁFICAS

O SR. DES. HÉLCIO VALENTIM:

VOTO

Cuida-se de AÇÃO PENAL PÚBLICA promovida pelo MINISTÉRIO PÚBLICO do Estado de


Minas Gerais, perante o juízo da Comarca de Palma, em face de ADÃO DA SILVA TESTA,
imputando-lhe a prática de fatos tipificados como abandono material, nos termos do art. 244, do
Código Penal Brasileiro.

Narra a denúncia que, por diversos meses dos anos de 2003 e 2004, o denunciado deixou de prover
a subsistência de sua filha menor, esquivando-se do pagamento de pensões alimentícias sem justa
causa, só honrando seus compromissos quando acionado pela justiça.

A inicial acusatória veio acompanhada de inquérito policial (f. 05/49).

Recebida a denúncia (f. 51), o acusado foi regularmente citado (f. 52) e interrogado, ocasião em que
alegou que deixou de efetuar os pagamentos em razão de dificuldade financeira, mas asseverou que
já quitou suas obrigações (f. 53).

Defesa prévia às f. 57.

Durante a instrução foram ouvidas três testemunhas (f. 64/66).

Em alegações finais, o Ministério Público pugnou pela condenação, nos exatos termos da denúncia.
A Defesa, por sua vez, pleiteou a absolvição, argumentando que o réu só deixou de realizar os
pagamentos quando esteve completamente impossibilitado de fazê-lo.

Sentença às f. 82/86, restando o réu condenado como incurso nas iras do art. 244, na forma do art.
71, ambos do CP, a 1 (um) ano e 2 (dois) meses de detenção, em regime inicial aberto, e 11 (onze)
dias-multa, no valor unitário de 1/30 (um trinta avos) do salário-mínimo. A pena corporal foi
substituída por restritivas de direitos.

Inconformada, apelou a Defesa (f. 97), em cujas razões ratifica o pedido de absolvição e,
alternativamente, pede o parcelamento da pena de multa e a redução do período de prestação de
serviços à comunidade.

Em contra-razões, o Parquet rebate as teses da Defesa.

A Douta Procuradoria-Geral de Justiça opina pelo improvimento do recurso.

Eis, do que importa, o relatório.

JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE.

Conheço do recurso, porque presentes os pressupostos para sua admissão.

PRELIMINARES.

Não há preliminares a serem analisadas, nem nulidades a serem reconhecidas de ofício.

MÉRITO.

No mérito, é de ser negado provimento ao presente recurso, tendo em vista que o apelante não
logrou êxito em comprovar suas alegações de que enfrentou dificuldade financeira de tal monta que
se viu impossibilitado de arcar com suas obrigações.

Em verdade, o apelante não nega que, por duas vezes, durante três meses, deixou de pagar a pensão
alimentícia de sua filha. Contudo, busca justificar sua conduta numa suposta crise financeira pela
qual passou. É o que se colhe de seu interrogatório, a saber:

"que são verdadeiros os fatos narrados na denúncia; que nas duas oportunidades citadas na denúncia
o interrogando atrasou o pagamento da pensão por três meses, porém posteriormente quitou; que os
atrasos noticiados foram em decorrência de 'aperto' financeiro; que ultimamente vem efetuando os
pagamentos regularmente.

Portanto, dúvidas não há quanto à autoria e à materialidade.

A alegada justa causa, que elidiria a responsabilidade penal do apelante, não restou comprovada,
uma vez que o acusado não demonstrou, nem de forma indireta, seus rendimentos nos meses em
que deixou de efetuar os pagamentos, nem trouxe aos autos qualquer outro elemento de convicção
que sugira a crise econômica enfrentada pela oficina mecânica em que trabalha e da qual é
proprietário.

Tendo em vista a impossibilidade de prova negativa, tenho que a prova da existência da justa causa
incumbe à Defesa, na esteira da jurisprudência dominante, que acompanho, a saber:

"Quem desatende obrigação alimentar, para ser absolvido deverá demonstrar ter justa causa para sua
atitude. Presume-se possuir condições para sustentar filhos menores quem, no auge etário de suas
forças, goza de saúde e tem habilitação profissional" (JTACRIM 57/228).

"O não-pagamento de prestação alimentícia tipifica o delito de abandono material, como se pode
observar pelo disposto no parágrafo único, do art. 244, do CP. Somente não se configura o delito
quando o alimentante é insolvente e assume o ônus da prova, pois esta não é presumível"
(RJDTACRIM 7/48).

Ademais, é bem de ver que o valor da pensão foi determinado em juízo, do que se infere que foi
fixado atentando para os valores percebidos pelo acusado. Inegável, portanto, que o valor da pensão
fixado em juízo presume-se suportável, até que se prove o contrário, o que, in casu, não ocorreu.

Registre-se, ainda, mais um indício em desfavor do apelante. É que, conforme extrai-se do


depoimento da mãe da vítima (f. 64), o acusado só realizava os pagamentos quando procurado pela
Justiça, de forma que só o fazia para evitar prejuízos para si, e não porque buscava honrar com seu
dever de pai.

No que toca aos pedidos alternativos, melhor sorte não assiste ao apelante. É que o valor da pena de
multa guardou a necessária proporcionalidade com o quantum estabelecido para a pena corporal e
quedou-se próximo do mínimo legal, de forma que sua redução pela metade afrontaria o texto legal.
No mais, o parcelamento, embora possível, é matéria afeta à execução e, por isso, deve ser discutido
naquele juízo.

Da mesma forma, o prazo da pena de prestação de serviços à comunidade obtém-se a partir da pena
corporal, na forma do art. 46, §3º, CP, e, por isso, não pode ser reduzido, pois o Magistrado não tem
tamanha discricionariedade.

Tudo considerado, NEGO PROVIMENTO ao recurso, para manter, tal como lançada, a r. sentença.

Custas, ex lege.

É como voto.

O SR. DES. PEDRO VERGARA:

VOTO

De acordo com o Relator.

O SR. DES. ALEXANDRE VICTOR DE CARVALHO:

VOTO

Em que pese a argumentação exposta pelo Eminente Desembargador relator, Hélcio Valentim, em
seu voto condutor, ouso dela discordar, data venia, posto que tenho entendimento diverso acerca do
tema em questão.

A hipótese dos autos refere-se à suposta prática do crime de abandono material, previsto no título
dos crimes contra a família e, ainda mais específico, no capítulo dos crimes contra a assistência
familiar, ambos do Código Penal.

O tipo penal do art. 244 é também denominado tipo misto cumulativo, ou seja, descreve,
abstratamente, três condutas proibidas sob a ameaça da sanção penal, sendo que aquela imputada ao
apelante é a de deixar, sem justa causa, de prover à subsistência de filho menor de 18 (dezoito)
anos, faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada.

O tipo em questão possui como elemento normativo a expressão "sem justa causa". Significa dizer
que, havendo motivo justificado para a omissão no cumprimento da obrigação de assistência
material à família, o fato será atípico.

Ressalte-se que a presença da justificativa não exclui a ilicitude do fato, mas, antes, a sua tipicidade,
visto que a expressão "justa causa", apesar de sinalizadora da antijuridicidade da conduta,
caracteriza-se como elemento do tipo penal.

Sendo assim, é de lógica inquestionável a conclusão de que o ônus da prova pertence ao órgão
acusador, in casu, o Ministério Público, titular desta ação penal. É função do Parquet a
comprovação, nos autos, da presença de todos os elementos do tipo, inclusive os normativos, sob
pena de ver julgada improcedente a sua pretensão, formulada na denúncia.

Com essas considerações iniciais, entendo que razão assiste combativa Defesa quando pleiteia a
absolvição do réu por insuficiência de prova.

O apelante afirmou em juízo (f. 53): "(...) que os atrasos noticiados foram em decorrência de aperto
financeiro; que ultimamente vem efetuando os pagamentos regularmente; (...) que sua renda mensal
é de pouco mais de um salário mínimo".

Na polícia ainda asseverou (f. 39):

"Que o declarante trabalha como mecânico, está casado, paga aluguel, tem um filho e suas
condições financeiras no momento estão apertadas; (...) Que, desde que teve a confirmação de que
Thamires é sua filha tem cumprindo com suas obrigações de pai com relação a ela, na medida do
possível, uma vez que as coisas estão difíceis (...)."

Foram juntados documentos em que o apelante comprova estar ele casado e possuir outro filho, bem
com ter despesas contínuas com aluguel, luz e água da residência que divide sua "atual" família.

Três testemunhas foram ouvidas durante a instrução processual, sendo que uma delas, a
representante da vítima, foi ouvida na qualidade de informante e somente confirmou a versão dos
fatos que fornecera no seu depoimento prestado durante a fase inquisitorial, ou seja, de que o
apelante não estava pagando pensão alimentícia para o filho.

Em contrapartida, as demais testemunhas ouvidas, João Luiz da Silva Almeida (f, 65) e Paulo
Geraldo Fialho (f. 66), foram uníssonas em dizer que o apelante trabalha com mecânica de
motocicletas, é pessoa honesta e trabalhadora, possui esposa e filho e, ainda, que sua oficina tem
pouco movimento, todavia, não souberam informar qual seria a sua renda.
Assim, tal como apresentado, o conjunto probatório é por demais frágil, não se prestando para
alicerçar uma sentença condenatória.

Deveria, portanto, a acusação, ter produzido provas, em juízo, demonstrando que o apelante, na
ocasião da representação criminal feita pela mãe da pequena vítima, tinha condições de prover a
subsistência do próprio filho.

Sobre o assunto:

"ABANDONO MATERIAL - PROVA - EXIGÊNCIA DE PROVA.

O delito de abandono material (art. 244 do CP), só se tipifica, quando o réu, possuindo recursos
para prover o sustento da família, deixa de fazê-lo propositadamente. O delito é crime doloso por
essência, porque a lei pune o comportamento egoístico daquele que, tendo condições, abandona sem
recursos seus dependentes. Assim, a falta de justa causa deve ser provada e este ônus é da acusação.
De outro modo, todos os devedores de prestações alimentícias vencidas converte-se-iam
automaticamente em infratores do art. 244 do CP, quando, muitas vezes, a omissão tem uma
justificativa. Absolvição alcançada por maioria de votos". (grifo nosso) TJRS - RJTJERGS 201/191.

"A exigência do tipo, no crime de abandono material, impõe ao acusador a demonstração de


ausência de justa causa, numa reversão do ônus probatório". TACRSP - JTACRIM 85/301.

Isso posto, DOU PROVIMENTO AO RECURSO para absolver Adão da Silva Testa do crime de
abandono material (art. 244 do CP), nos termos do art. 386, IV, do CPP.

Custas, ex lege.

SÚMULA : NEGARAM PROVIMENTO, VENCIDO O DESEMBARGADOR SEGUNDO


VOGAL.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS

APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1.0467.05.931703-3/001