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OS ISMOS TEOLÓGICOS MORÉH: Pr. SANDRO G. G. NOGUEIRA Diretor Geral Pastor da Igreja Batista
OS
ISMOS
TEOLÓGICOS
MORÉH: Pr. SANDRO G. G. NOGUEIRA
Diretor Geral
Pastor da Igreja Batista Vida Abundante em Santa Maria DF.
Mestrado em Teologia pela fatesp – São Paulo.
Juiz Arbitral pelo TJAEM - Tribunal de Justiça Arbitral e Mediação dos Estados Brasileiros.
Teólogo e Professor na FATADEB - Faculdade Teológica da Assembléia de Deus de Brasília.
Professor na FAETEB - Faculdade de Educação Teológica de Brasília.
Professor na FATEN - Faculdade Teológica Nacional de Luziânia - GO.
Professor no STEMM - Seminário Teológico Evangélico de Missões Mundiais.
Registrado no CFT - Conselho Federal de Teólogos do Brasil - N° 000.083/061.
Registrado no COPEV - DF - Conselho de Pastores Evangélicos do Distrito Federal.
Registrado na ORMIBAN -DF - Ordem dos Ministros Batistas do Distrito Federal.
Registrado na C.B.N – Convenção Batista Nacional - DF
Registrado no CFECH – DF - Conselho Federal Evangélico de Capelania Hospitalar do DF.
Membro da Academia Nacional de Doutores, Mestres e Teólogos do Brasil.
Contatos
WWW.ULPAN.COM.BR
E-mail: ulpanbrasil@yahoo.com.br
Fone: (61) 30452188 ou (61) 96221288 / 86220402
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Ebionismo

Ebionismo (do hebraico םינויבא, Evyonim, "pobres") é o nome de uma das ramificações do Cristianismo primitivo, que pregava que Jesus de Nazaré não teria vindo abolir a Torá como prega a doutrina paulina. Desta forma, pregavam que tanto judeus como gentios convertidos deveriam seguir os mandamentos da santa Torá, o que levou a um choque com outras ramificações do Cristianismo e do Judaísmo.

As informações sobre os ebionitas ficaram registradas nos escritos dos pais da igreja. Pelas informações
As informações sobre os ebionitas ficaram registradas nos escritos dos pais da igreja.
Pelas informações que constam nos escritos dos pais da igreja, vemos que os ebionitas diziam que é
necessário obedecer a todos os mandamentos da Lei judaica, inclusive ao mandamento de fazer a
circuncisão, e que os gentios que se convertem a Deus devem fazer a circuncisão, e devem obedecer
a todos os mandamentos da Lei, e que Jesus Cristo é o Messias, mas não é Deus, e que Jesus Cristo
não nasceu de uma virgem, mas sim foi gerado por José, e que Paulo de Tarso foi um apóstata da
Lei e não foi um verdadeiro apóstolo de Jesus Cristo, e que as Escrituras Sagradas são somente o
Antigo Testamento e um único evangelho (chamado de Evangelho dos Ebionitas), que era
considerado como sendo o Evangelho segundo Mateus, e era escrito em hebraico, e era menor do
que o Evangelho segundo Mateus em grego que é usado pelos católicos, pois os católicos o
consideravam como sendo incompleto e truncado.
Origens
As origens do ebionismo ainda são obscuras. Crê-se no entanto que o ebionismo é o cristianismo
original, ou uma das ramificações primitivas do cristianismo. Em oposição à doutrina paulina, o
ebionismo deve ter surgido entre os seguidores de Jesus e Tiago, o Justo, que buscavam conciliar a
crença messiânica com o cumprimento das leis da Torá. O choque entre os dois grupos :
judaizantes e antijudaizantes já é aparente no livro de Atos, onde a discussão entre os dois grupos
obriga à convocação da assembléia dos apóstolos (Atos 15 ), e em Atos 21:17-26, onde consta que
havia na Terra de Israel dezenas de milhares de judeus que criam em Jesus Cristo e eram zelosos
observadores da Lei (Atos 21:20), e que houve uma situação de confronto entre eles e Paulo,
considerado por eles como apóstata, pois haviam sido informados de que Paulo pregava a
desobediência aos mandamentos da Lei. Embora os judeus cristãos mencionados em Atos 15:1 e
Atos 21:20 não fossem ainda chamados ebionitas, pois esta denominação somente começou a ser
usada mais tarde, eles eram ebionitas, pois sua crença e prática era igual à dos ebionitas.
O confronto entre os judaizantes e os antijudaizantes aparece também em Gálatas 2:11-21, onde
consta que Cefas ( Pedro), seguindo orientação de Tiago, obrigava os gentios a judaizarem, e Paulo
não concordava com isso.
O movimento ebionita enfatizaria a natureza humana de Jesus, como filho carnal de Maria e José,
que teria se tornado Filho de Deus quando de seu batismo, e sendo descendente de David, tornar-se-
ia o rei do povo de Israel e seu último grande profeta.

Desprezado por cristãos e judeus, o ebionismo constituiu uma ramificação separada e organizou sua própria literatura religiosa.

Literatura ebionita

Consta nos escritos dos pais da igreja que os ebionitas usavam somente um evangelho, o qual era escrito em hebraico, e era considerado como sendo o Evangelho segundo Mateus, mas era menor do que o Evangelho segundo Mateus em grego, que é usado pelos católicos, pois os católicos o

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consideravam como sendo incompleto e truncado, e que este evangelho era também chamado de "Evangelho segundo os Hebreus" (Eusébio de Cesaréia, História Eclesiástica, 3:27 [1] , e Epifânio de Salamina, Panarion, 30:3:7 e 30:13:1-2).

No entanto, é necessário distinguir entre o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos ebionitas e o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos nazarenos, pois, embora ambos fossem considerados como sendo o Evangelho segundo Mateus em hebraico, o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos nazarenos era uma versão expandida, que continha todos os trechos que são encontrados no Evangelho segundo Mateus em grego usado pelos católicos, e continha mais alguns trechos que não são encontrados no Evangelho segundo Mateus em grego usado pelos católicos, enquanto que o Evangelho segundo os Hebreus usado pelos ebionitas, ao contrário, era menor do que o Evangelho segundo Mateus em grego usado pelos católicos (Epifânio, Panarion, 30:13:2).

O Evangelho segundo os Hebreus usado pelos nazarenos é citado várias vezes por Jerônimo. O
O
Evangelho segundo os Hebreus usado pelos nazarenos é citado várias vezes por Jerônimo.
O
Evangelho segundo Mateus contém a doutrina ebionita, principalmente em Mateus 5:17-19, onde
consta que Jesus Cristo disse que não veio abolir a Lei nem os Profetas, mas sim cumprir, e que a
Lei nunca será abolida, e que devemos obedecer a todos os mandamentos da Lei, e em Mateus 7:21-
23, onde consta que Jesus Cristo disse que nem todos os que crêem nele entrarão no Reino de Deus,
mas sim somente aqueles que fazem a vontade de Deus, e que muitos que pregam o evangelho e
fazem milagres em nome dele não entrarão no Reino de Deus, porque praticam a iniqüidade.
Isto explica por que este evangelho era o único que era aceito pelos ebionitas.
Os pais da igreja escreveram que Mateus escreveu o seu evangelho em hebraico, e que cada um o
traduzia como podia (Eusébio, História Eclesiástica, 3:24:6 e Papias, citado por Eusébio, em
História Eclesiástica, 3:39:16 e Ireneu, em Contra as Heresias, 3:1:1 e Orígenes, citado por Eusébio
em História Eclesiástica 6:25:4 e Epifânio, em Panarion, 30:3:7 e Jerônimo, Epístolas, 20:5 e
Comentários sobre Mateus 12:13 e Vidas de Homens Ilustres, capítulo 3).
Ebionismo moderno
Há atualmente diversos movimentos religiosos que em maior ou menor grau compartilham a visão
ebionita. Dentre elas, podemos mencionar o movimento criado por Shemayah Phillips,que em 1985
fundou o movimento conhecido como a Ebionite Jewish Community. Esta comunidade,
estritamente monoteísta, reconhece Jesus como um profeta justo, e defende uma interpretação
judaica do Tanakh e que tal sirva como meio de união entre judeus e gentios para implantação de
uma sociedade justa.
Citações
Os trechos dos livros dos Padres da Igreja que falam sobre os ebionitas são os seguintes:
1. Inácio de Antioquia, Epístola aos Filadélfos, capítulo VI
2. Ireneu, Contra Heresias:

1:26:1-2

3:11:7

3:21:1

4:33:4

5:1:3

3

3.

Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica 3:27

4. Tertuliano, Apêndice, Contra Todas as Heresias, capítulo III

5. Hipólito de Roma, Contra Heresias 7:22

6. Orígenes, Filocalia 1:24

7. Orígenes, Comentário sobre Mateus 11:12

 5:61  5:6 9. Jerónimo de Strídon, Carta para Agostinho:  4:13  4:16
5:61
5:6
9.
Jerónimo de Strídon, Carta para Agostinho:
 4:13
 4:16
10. Agostinho de Hipona, Carta para Jerônimo, 3:16
11. Epifânio, Panarion:
 30:3:7
 30:13:1,2
Judaísmo messiânico
Judaísmo Messiânico é uma ramificação religiosa que segue as tradições religiosas judaicas, e que
também acredita na figura de Yeshua (Jesus) como sendo o Messias esperado pela tradição
profética judaica.
Pode-se distinguir dois tipos de messianismo deste tipo:
Sinagoga messiânica Baruch Hashem, Dallas, Texas
 Nos primeiros séculos as seitas dos nazarenos e os ebionitas, que tratavam-se na maioria de
judeus que aceitavam a crença em Jesus como Messias, e não compartilhavam da crença na
divindade de Jesus. Criam que os gentios (não-judeus) que se convertessem deveriam aceitar
as tradições religiosas judaicas. Porém, a entrada cada vez maior de prosélitos de origem
não-judaica acabou por desencadear o processo que separaria de vez a seita dos nazarenos
do Judaísmo, separação esta concretizada definitivamente com o Concílio de Niceia, no ano
326 EC.
 O Moderno Judaísmo Messiânico é um movimento surgido no século XX nos EUA,
originado do Hebreu-Cristianismo nascido na Inglaterra no século XIX. A grande maioria
dos modernos judeus messiânicos aceita as diversas tradições do Judaísmo, julgando-as, no
entanto, incompletas em seu significado, de certa maneira. O significado completo, segundo
eles, só pode ser obtido a partir do entendimento e aceitação de Jesus como sendo o Messias.

O Judaísmo em geral rejeita o Judaísmo Messiânico/Nazareno como sendo um ramo do Judaísmo, embora, em sua origem no século I EC, tenha sido considerado como tal. Ao mesmo tempo, a despeito de ser considerado apenas como uma ramificação cristã com o propósito de converter judeus aos cristianismo, como por exemplo a organização Judeus para Jesus, apenas uma pequena parte das denominações cristãs, geralmente protestantes, aceita o atual movimento judaico- messiânico, especialmente por conta de questões doutrinárias divergentes.

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História do Judaísmo Messiânico

Origens do messianismo judaico

Um conceito do Judaísmo, o Messias (do hebraico חישמ, Mashiach, Ungido) refere-se, principalmente, à crença do Judaísmo posterior da futura vinda de um descendente do Rei David que iria reconstruir a nação de Israel e restaurar o reino de David, trazendo, desta forma, a paz ao mundo.

Ainda que a tradição religiosa judaico-cristã diga que o Messias já era uma profecia predita
Ainda que a tradição religiosa judaico-cristã diga que o Messias já era uma profecia predita desde
os tempos dos Patriarcas, este ensino veio a tomar mais forma após a destruição do Templo de
Jerusalém. O retorno do Cativeiro, aliado a eventos históricos serviu para o aumento de um
nacionalismo judaico, despertando uma esperança judaica pela reconstrução de sua nação e pelo
governo de um rei levantado por D-us, que submeteria todos os povos à legislação da Torá.
Esta esperança messiânica aumentou ainda mais com o Domínio Romano sobre a Judéia no
primeiro século. As diversas ramificações judaicas, pacíficas ou revolucionárias (como os zelotes),
pretendiam obter sua independência do domínio romano, e inspirados pelo ideal da independência,
acabaram por desenvolver ainda mais a crença no Messias libertador.
Os antigos nazarenos e o surgimento do Cristianismo
De acordo com a tradição cristã geralmente aceita, Jesus de Nazaré seria o Messias esperado pela
tradição profética judaica (Mateus 2:1-6, Lucas 2:1-32, baseando-se, entre outros, no texto de
Miqueias 5:2). Teria sido crucificado, ressuscitado e elevado aos céus (Mateus 28:7, Atos 2:22-34,
4:10, 5:30). Inicialmente, seus seguidores foram de fato judeus que não abandonaram suas tradições
religiosas judaicas, mas as praticavam acrescentando-lhes a crença em Jesus como Messias (Atos
20:7-8; 21:20). Estes eram chamados de notzrim (nazarenos), devido à cidade de origem de Jesus ou
cristãos, pelo público não-judaico.
No entanto, com o aumento da difusão dos ensinos de Jesus, muitos não-judeus passaram a aceitar e
acreditar nestas doutrinas. Por este fato surgiu a primeira crise entre os seguidores de Jesus : os
gentios que criam em Jesus deveriam ou não ser submetidos às normas do judaísmo ? O grupo
judaizante acreditava que Jesus não teria vindo abolir a Torá. Desta forma, pregavam que tanto
judeus como gentios convertidos deveriam seguir os mandamentos da Torá. Ainda não é possível
determinar se este grupo judaico era uma variação dos ensinos de Jesus ou se era a doutrina original
de Jesus. No entanto se acreditarmos no sucesso inicial do movimento de Jesus dentro da religião
judaica, deve-se crer que o ensino original não tenha sido muito diferente disto.

Já o grupo antijudaizante, cujo principal expoente era Paulo de Tarso, defendia que Jesus viera trazer salvação de Deus à humanidade, abolindo os preceitos da Torá, que seriam desnecessários para se obter a salvação.O choque entre os dois grupos : judaizantes e antijudaizantes já é aparente no livro de Atos, onde a discussão entre eles obriga à convocação da assembléia dos apóstolos (Atos 15 ). Os antijudaizantes cujo principal expoente era Paulo de Tarso conseguiram impôr sua visão contra os judaizantes, apoiados pelo apóstolo Pedro : aqueles que eram gentios não precisavam submeter-se aos dogmas do judaísmo e aqueles que eram judeus poderiam prosseguir

com seu judaísmo desde que não impusessem seu modo de viver aos gentios: "

devemos escrever-

lhes [aos gentios] uma carta para informá-los de que se devem abster das coisas contaminadas por ídolos, da fornicação, do que foi estrangulado e do sangue. [Os judeus não necessitam disto] Porque, desde os tempos antigos, Moisés é anunciado em todas as cidades, e suas palavras são lidas nas sinagogas, a cada sábado" (Atos 15:20-21). [1] (comparar com as Leis de Noé).

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O sucesso da pregação paulina fez com que ambos os lados se afastassem. Ainda que tenham sido aceitos a príncipio pelo judaísmo como mais uma ramificação, os seguidores de Jesus acabaram com o tempo sendo identificados com o ensino de Paulo que causava controvérsias na comunidade judaica, a respeito da questão do Messias e principalmente da aceitação livre de não-judeus. Além

disso, o sofrimento dos judeus sob domínio romano passou a ser imputado aos seguidores de Jesus e

a isto somou-se a recusa por parte da maioria destes a ajudar na Revolta Judaica, que culminou na destruição do segundo Templo de Jerusalém, e à fuga dos cristãos para Pela.

Após a destruição do Templo de Herodes e o início da Diáspora, os cristãos espalharam-se
Após a destruição do Templo de Herodes e o início da Diáspora, os cristãos espalharam-se ainda
mais pelo império, bem como os demais judeus. Entretanto, a entrada cada vez maior de gentios na
comunidade cristã iniciou de vez o processo de rompimento de suas ligações com o Judaísmo,
especialmente porque estes gentios passaram a assimilar-se cada vez menos às práticas da Torá,
como proposto no Concílio de Jerusalém, e com isso mantinham algumas de suas práticas pagãs,
misturando-as apenas às primeiras doutrinas dos então nazarenos. A invasão dessas práticas pagãs,
aliada ao prestígio agora dado à seita pelo império, graças ao crescimento surpreendente da mesma,
culminou no desenvolvimento e no surgimento dos princípios que originaram o chamado
Cristianismo.
Os choques entre cristãos e judeus serão mais ou menos leves até a adoção do Cristianismo como
religião oficial do Império Romano. O Concílio de Niceia, realizado no ano 325 EC, tratou de
separar definitivamente o agora Cristianismo do Judaísmo, estabelecendo definitivamente as
doutrinas da Trindade e da divindade de Jesus, entre outras, que dão base ao Cristianismo até os
dias atuais. E, com a posterior adoção do Cristianismo como a religião oficial do Império Romano
no ano 380 EC, graças aos dogmas estabelecidos em Niceia, passou-se a tentar converter os judeus
e a impor-lhes diversas sanções que dariam origem ao antissemitismo religioso da Idade Média.
Este sentimento foi posteriormente compartilhado inclusive pelas diversas ramificações cristãs
protestantes tradicionais, que viam nos judeus um povo retrógrado que teria matado seu Messias e
que se recusava a converter-se ao Cristianismo.
Os judaizantes acabaram sendo segregados tanto pelos cristãos como pelos judeus. Estes
judaizantes foram reconhecidos como ebionitas (do hebraico evionim "pobres"), organizando sua
própria literatura religiosa e com o passar do tempo foram virtualmente extintos. Mesmo assim
encontra-se uma gama de relatos históricos desses pequenos grupos cristãos que datam
aproximadamente do século XIV e XV. Há diversos movimentos religiosos que em maior ou menor
grau compartilham a visão ebionita. Dentre elas ,podemos mencionar o movimento criado por
Shemayah Phillips,que em 1985 fundou o movimento conhecido como a Ebionite Jewish
Community. Esta comunidade, estritamente monoteísta, reconhece Jesus como um profeta justo, e
defende uma interpretação judaica do Tanakh e que tal sirva como meio de união entre judeus e
gentios para implantação de uma sociedade justa.
Judaísmo Messiânico Moderno

O Judaísmo Messiânico moderno ou Movimento Messiânico é um movimento recente iniciado no século XIX. Embora já em 1718 John Toland, em sua obra "Nazarenus", tenha feito a sugestão de que os "cristãos entre os judeus guardassem a Torá", somente no início do século XIX nasceu o

Movimento Cristão-Hebreu na Inglaterra. E, em 1886, foi fundada em Chişinău, na atual Moldávia,

a primeira Congregação Judaico-Messiânica moderna, por Ioseph Rabinovich.

Na Inglaterra, o movimento conhecido como Hebreu-Cristianismo iniciou-se com o princípio básico de reunir cristãos de origem judaica, tendo em vista o propósito de conscientizá-los de sua identidade judaica e reavivá-la, tendo sido a Hebrew-Christian Alliance of Great Britain finalmente

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organizada em 1866. Nos Estados Unidos, uma organização similar foi fundada em 1915, a Hebrew-Christian Aliance of America, cujo nome foi mudado para Messianic Jewish American Alliance em 1976. Em 1925, uma organização internacional foi criada com o mesmo propósito, a International Hebrew-Christian Alliance, posteriormente chamada International Messianic Jewish Alliance. Em 1979 foi fundada a Union of the Messianic Jewish Congregations (UMJC).

O moderno Judaísmo Messiânico, finalmente "estabelecido" a partir da década de 60, intitula-se

como um movimento originalmente judaico, fundado por membros judeus e para judeus, embora não seja reconhecido como tal. É essencialmente diferente do movimento Judeus para Jesus (Jews for Jesus), movimento este reconhecidamente protestante e com a finalidade única da conversão dos judeus ao Cristianismo (e que teve, por esta razão, uma resposta por parte do Judaísmo através do movimento Jews for Judaism (Judeus para o Judaísmo).

Estes grupos messiânicos são apoiados por igrejas evangélicas que atualmente tem promovido uma aceitação das
Estes grupos messiânicos são apoiados por igrejas evangélicas que atualmente tem promovido uma
aceitação das tradições judaicas como o uso de músicas e orações em hebraico, adoção de festas
religiosas judaicas, itens como kipá e tefilin, além de uso de nomenclatura e termos de origem
judaica (como Rabino) mas negando muitas vezes outras tradições essenciais do judaísmo como a
brit milá e outros mandamentos sob a visão de que estes mandamentos teriam sido abolidos por
Jesus.
O governo de Israel a partir de 2009 passou a reconhecer os judeus messiânicos como judeus, sendo
que antes eram classificados pelo Ministério do Interior de Israel como cristãos.
Teologia
A teologia judaico-messiânica estuda a divindade e as Escrituras segundo uma perspectiva judaico-
messiânica.
Cânon
Os judeus messiânicos comumente reconhecem o Antigo Testamento como sendo divinamente
inspirado. O teólogo David H. Stern, em seu "Comentário do Novo Testamento Judaico",
argumenta que Paulo é completamente coerente com o Judaísmo Messiânico, e que o Novo
Testamento deve ser tomado pelos judeus messiânicos como sendo também a inspirada "Palavra de
D-us". Entretanto, esta é apenas a principal visão dentro do movimento, pois, como em todas as
religiões, há diversas correntes de pensamento. Alguns poucos judeus messiânicos não aceitam os
escritos de Paulo, chegando a rejeitá-los completamente, ou então deixando-os "abaixo" dos
Evangelhos. Frequentemente, a ênfase se dá na ideia de que o Antigo Testamento eram as únicas
Escrituras de que os primeiros crentes em Jesus dispunham (e de fato a maioria dos estudiosos
concorda que não havia um cânon estabelecido do Novo Testamento até o século IV), e que, exceto
pelas palavras registradas de Jesus, o Novo Testamento se pretendia apenas como um comentário
inspirado do Antigo Testamento.

Desta forma, no entanto, o cânon judaico-messiânico difere do cânon judaico tradicional essencialmente pela inclusão dos livros do Novo Testamento (ou conhecido como Brit Chadashá).

O cânon judaico-messiânico, em suas diferentes ramificações, geralmente contêm os seguintes

livros:

1. Torá [תורה], "a Lei", "Instrução", ou "Ensino". Também chamada Chumash [חומש], "os cinco", referência aos 5 livros de Moisés; o Pentateuco.

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2.

Neviim [נביאים], os "Profetas".

3. Ketuvim [כתובים], os "Escritos".

4. Besorot [בשורות], os "Evangelhos".

5. Ma'ase Hashelichim [מעשי השליחים], os "Atos dos Apóstolos".

6. Igarot Shaul Hashaliach [אגרות שאול השליח], as "Epístolas de Paulo". 7. Igarot Hashelichim
6. Igarot Shaul Hashaliach [אגרות שאול השליח], as "Epístolas de Paulo".
7. Igarot Hashelichim [."solotsópa sod salotsípE" sa ,[םיחילשה תורגא
8. Chazon [חזון], a "Revelação".
Stern produziu recentemente uma versão Judaico-messiânica da Bíblia, chamada A Bíblia Judaica
Completa.
Talmude e comentários bíblicos
Algumas comunidades judaico-messiânicas consideram os comentários rabínicos, como a Mishná,
no Talmude como historicamente informativos e úteis no entendimento da tradição, embora não os
considerem normativos, especialmente nas questões nas quais o Talmude diverge das escrituras
messiânicas.
Alguns outros grupos messiânicos, no entanto, consideram "perigosos" os comentários rabínicos do
Talmude. Estes grupos defendem a ideia de que os que seguem as explicações e os comentários
rabínicos e halaquicos não são crentes em Jesus como Messias. Além disso, negam a autoridade dos
Fariseus, crendo que estes foram substituídos e contraditos pelo messianismo.
Há um número grande de comentários messiânicos sobre diversos livros da Bíblia, tanto do Tanakh
quanto do Novo Testamento. David H. Stern publicou em volume único seu Comentário Judaico do
Novo Testamento, mas ele limita-se a apenas fornecer notas explanatórias de um ponto de vista
judaico, deixando de lado muitas das questões sobre a composição, história, data e contexto dos
livros do Novo Testamento. Outros comentaristas notáveis do Novo Testamento são Joseph
Shulam, que escreveu comentários de Atos, Romanos e Gálatas, e Tim Hegg, que escreveu sobre
Romanos, Gálatas e Hebreus, e atualmente está estudando o evangelho de Mateus.
Doutrinas principais
Nesta seção estão listadas algumas das principais crenças e doutrinas do Judaísmo Messiânico
1. Deus - Os judeus messiânicos crêem no Deus do Tanakh, Adonai, e que ele é todo-poderoso,

onipresente, eterno, existente à parte da criação, e infinitamente importante e benevolente. Os judeus messiânicos creem no Shemá, que significa "ouve", oração fundamental do Judaísmo, do texto de Deuteronômio 6:4 - "Ouve, ó Israel, o Eterno nosso D-us é Único D-us -, texto que mostra

a unicidade do Deus de Israel, sendo ele único e infinito, e unicamente soberano. Quanto ao entendimento desta unicidade, porém, os grupos messiânicos divergem. Alguns refutam a ideia da Trindade, entendendo o Shemá como a declaração literal de que Deus é um, apenas, além de considerar textos do próprio Novo Testamento que eventualmente desmentem o conceito de uma entidade triúnica - portanto, relegam a Trindade a algo quase que idolátrico. Outros, porém, são abertos aos conceitos trinitarianos.

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2.

Jesus como o Messias - Jesus (Yeshua) é, para os judeus messiânicos, o Messias judeu. O

principal movimento messiânico crê em Jesus como sendo "a Torá (palavra) feita carne" (referência

a João 1:14). Quanto à divindade de Jesus, no entanto, os grupos divergem. Alguns negam que

Jesus seja Deus, refutando a Trindade (pelos motivos resumidamente expostos acima) e considerando o fato de que claramente não há referências no Tanakh de que o Messias seria o próprio Deus. Entretanto, consideram-no como um ser essencialmente divino, provindo de Deus e por ele munido de toda autoridade - mas não o próprio. Outros, porém, acreditam que Jesus de fato

é

o próprio Deus, sem qualquer ressalva ao conceito cristão tradicional.

3. A Torá escrita - Os judeus messiânicos, com algumas poucas exceções, tomam a Torá
3. A Torá escrita - Os judeus messiânicos, com algumas poucas exceções, tomam a Torá escrita (o
Pentateuco) como sendo completamente válida (ao contrário da visão cristã), e portanto creem nela
como uma aliança sagrada, perpétua e insubstituível, que deve ser observada tanto moral e
ritualmente por aquelas que professam fidelidade a Deus. Eles acreditam que Jesus não somente
ensinou como reafirmou a Torá (como no trecho do evangelho de Mateus 5:17-20), e não que ele a
revogou.
4. Israel - Creem que as tribos de Israel foram, são, e continuarão a ser o povo escolhido do Deus de
Jacó. Todos os messiânicos, judeus ou não, rejeitam a chamada "teologia da substituição", a visão
de que a Igreja cristã substituiu Israel na mente e nos planos de Deus.
5. A Bíblia - O Tanakh e o Novo Testamento (chamado "Brit Chadashá") são geralmente
considerados pelos messiânicos como as escrituras inspiradas por Deus.
6. Escatologia bíblica - A maioria dos judeus messiânicos detêm as crenças escatológicas do "fim
dos tempos", da segunda vinda de Jesus, como Mashiach ben David, o descendente do rei Davi que
restituirá Israel, da reconstrução do Templo de Jerusalém, da ressurreição dos mortos para o Juízo e
do Shabat milenar, o período do reinado do Messias.
7. A Torá Oral - As opiniões dos judeus messiânicos a respeito da Torá oral, codificada no
Talmude, são diversas e muitas vezes conflitantes inclusive entre as congregações. Algumas delas
acreditam que aderir à "Lei oral", como abrangida no Talmude, é contrário aos ensinamentos
messiânicos e, portanto, completamente perigoso. Outras congregações, porém, são seletivas nas
aplicações das leis talmúdicas. Outras, ainda, encorajam a uma séria observância da halachá.
Contudo, virtualmente todas as congregações e sinagogas judaico-messiânicas veem as tradições
orais como sendo subservientes à Torá escrita, notando que Jesus observou algumas tradições orais
(como a observância de Chanucá), e se opôs a outras.
Arianismo

O arianismo foi uma visão Cristológica sustentada pelos seguidores de Arius, bispo de Alexandria nos primeiros tempos da Igreja primitiva, que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus, que os igualasse, fazendo do Cristo pré-existente uma criatura, embora a primeira e mais excelsa de todas, que encarnara em Jesus de Nazaré. Jesus então, seria subordinado a Deus, e não o próprio Deus. Segundo Ário só existe um Deus e Jesus é seu filho e não o próprio. Ao mesmo tempo afirmava que Deus seria um grande eterno mistério, oculto em si mesmo, e que nenhuma criatura conseguiria revelá-lo, visto que Ele não pode revelar a si mesmo. Com esta linha de pensamento, o historiador H. M. Gwatkin afirmou, na obra "The Arian Controversy": "O Deus de Ário é um Deus desconhecido, cujo ser se acha oculto em eterno mistério" [1]

História

9

Por volta de 319 Ário começou a propagar que só existia um Deus verdadeiro, o "Pai Eterno", princípio de todos os seres. O Cristo-Logos havia sido criado por Ele antes do tempo como um instrumento para a criação, pois a divindade transcendente não poderia entrar em contato com a matéria. Cristo, inferior e limitado, não possuía o mesmo poder divino, situando-se entre o Pai e os homens. Não se confundia com nenhuma das naturezas por se constituir em um semi-deus. Ário afirmava ainda que o Filho era diferente do Pai em substância. Essa ideia ligava-se ainda ao antigo culto dos heróis gregos, dentre os quais para ele Cristo sobressaía com o maior, embora apenas possuísse uma divindade em sentido impróprio. Como meio de difusão mais abrangente de suas ideias, fê-lo sob a forma de canções populares.

Um primeiro sínodo, em Alexandria, expulsou Ário da comunhão eclesiástica, mas dois outros concílios, fora
Um primeiro sínodo, em Alexandria, expulsou Ário da comunhão eclesiástica, mas dois outros
concílios, fora do Egito, condenaram aquela decisão, reabilitando-o. Árius procurou o apoio de
companheiros que, como ele, haviam sido discípulos de Luciano de Antióquia, em especial
Eusébio, bispo de Nicomédia (atual İzmit). A luta que se seguiu chegou a ameaçar a unidade da
Igreja e, ante o perigo de fragmentar também o império, levou o imperador Constantino a enviar
Ósio, bispo de Córdoba, seu conselheiro particular, como mediador. O insucesso da missão levou-o
a convocar, em 325, um concílio universal em Niceia (atual İznik).No Primeiro Concílio de Niceia
(325) a maioria dos prelados, corroborada pelo próprio Constantino graças à influência de Santo
Atanásio (criador do termo "homoousios", siginificando "de substância idêntica" – para descrever a
relação de Cristo com o Pai), condenou as propostas arianas, e declarou-as heréticas, obrigando à
queima dos livros que as continham e promulgando a pena de morte para quem os conservasse.
Definiu ainda o chamado "Símbolo de Niceia". [2]
As inúmeras dúvidas suscitadas pelo Sínodo de Niceia reacenderam as lutas, com os prelados
acusando-se mutuamente de hereges. Várias fórmulas dogmáticas foram ensaiadas para
complementar a de Niceia, acentuando ainda mais as divisões, num conflito que expôs cada vez
mais as diferenças entre o Ocidente latino e o Oriente grego, envolvendo disputas de primazia
hierárquica e de política. Desse modo, num novo sínodo geral, celebrado na fronteira dos dois
impérios, os ocidentais se congregaram em torno do símbolo de Niceia e excomungaram os herejes.
Os orientais, a seu apoiaram as ideias de Ário e excomungaram não apenas os bispos apoiantes de
Niceia como também o próprio bispo de Roma.
Ário retornou a Constantinopla em 334, a chamado de Constantino e, segundo a lenda, faleceu em
336 quando a caminho de receber a comunhão novamente.
As ideias de Ário foram adotadas por Constâncio II (337-361) sem que, entretanto, se impusessem à
Igreja. Difundiram-se entre os povos bárbaros do Norte da Europa, quando da evangelização dos
Godos, pela ação de Ulfila, missionário enviado pelo imperador romano do Oriente. Os Ostrogodos
e Visigodos chegaram à Europa ocidental já cristianizados, mas arianos.
Uma carta de Auxentius, um bispo de Milão do século IV, referindo-se ao missionário Ulfila,
apresentou uma descrição clara da teologia ariana sobre a Divindade: Deus, o Pai, nascido antes do
tempo e Criador do mundo era separado de um Deus menor, o Logos, Filho único de Deus (Cristo)
criado pelo Pai. Este, trabalhando com o Filho, criou o Espírito Santo, que era subordinado ao Filho

tal como o Filho, era subordinado do Pai. Segundo outros autores, para Ário o Espírito Santo

e,

seria uma criatura do Logos (Filho).

A questão só seria debelada quando, em fins do reinado de Teodósio, ao tornar-se religião oficial do

império, o cristianismo ortodoxo-romano afirmou-se em definitivo.

Após o século V, graças às perseguições, o movimento desapareceu gradualmente.

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Séculos mais tarde, o nome "Arianos" foi usado na Polónia para referir uma seita Cristã Unitária, a irmandade polaca (Frater Polonorum). Eles inventaram teorias sociais radicais e foram precursores do Iluminismo.

Paralelos modernos

"Semi-arianismo" tem sido um nome aplicado a outros grupos não-trinitários, desde então como as Testemunhas de Jeová e a Associação dos Estudantes da Bíblia Aurora.

Por exemplo, muitas vezes tem-se dito que as Testemunhas de Jeová e a Associação dos
Por exemplo, muitas vezes tem-se dito que as Testemunhas de Jeová e a Associação dos Estudantes
da Bíblia Aurora, estariam seguindo uma forma de arianismo, visto que também não crêem na
Trindade, e consideram Jesus como O Filho de Deus. Mas as Testemunhas de Jeová discordam
deste ponto de vista, afirmando que suas crenças não se originam dos ensinamentos de Ário, e que,
não adoram o “Deus desconhecido” de Ário. [3]
A doutrina espírita também compreende em Jesus o ser humano mais iluminado, que serve de guia
e modelo à humanidade, mas não o confunde com Deus. Na pergunta 17 do Livro dos Espíritos se
afirma que "Deus não permite que tudo seja revelado ao homem neste mundo."
Semi-Arianismo
Semi-Arianismo é um nome frequentemente dado à posição trinitária da maior parte dos
conservadores da Igreja cristã oriental no século IV dC, para distingui-la do arianismo propriamente
dito. Mais precisamente, ele é reservada (como pode ser visto no capítulo 73 de Panarion, de
Epifânio) para o partido reacionário liderado por Basílio de Ancira durante a controvérsia ariana,
em 358 dC.
História
O arianismo foi o ponto de vista de Ário e seus seguidores - chamados arianos - de que o Filho
(Jesus) teria uma posição subordinada ao Pai, sendo inclusive de uma substância (ousia) diferente.
Os arianos contrariaram o ponto de vista ortodoxo de que as três partes da Trindade seriam da
mesma substância. Após o Primeiro Concílio de Niceia ter condenado o arianismo como heresia,
muitos cristãos adotaram posições intermediárias que lhes permitiram se manter em comunhão com
os arianos sem que fosse necessário adotar o arianismo. Várias fórmulas diferentes foram propostas
como alternativas intermediárias entre os ensinamentos de Ário (heteroousia) e a doutrina da
consubstancialidade (homoousia) pregada pelo credo de Niceia.

Após o concílio em Niceia em 325 dC ter derrotado o arianismo, a maior parte das igrejas orientais, que tinham concordado com a deposição de Atanásio de Alexandria no Concílio de Tiro em 335 dC e receberam os arianos em comunhão em Jerusalém quando eles se arrependeram, não eram arianos, ainda que estivessem bem longe de serem ortodoxos também. O Concílio de Antioquia em 341 dC propôs um credo que nada tinha de excepcional, exceto por sua omissão da fórmula niceana "da mesma substância que o Pai" (Génitum, non factum, consubstantiálem Patri). Mesmo alguns dos discípulos de Ário, como Jorge de Laodiceia (335 - 347 dC) e Eustátio de Sebaste (ca. 356 - 380 dC), se juntaram ao partido moderado (Homoiousianos), e, após a morte de Eusébio de Nicomedia, os líderes como Ursácio de Singidunum, Valente de Mursa e Germínio de Sirmium não se prenderam à nenhuma fórmula em especial (conhecidos como Homoianos), uma vez que o imperador Constâncio II odiava o arianismo, mas odiava Atanásio ainda mais. Quando Marcelo de Ancira foi deposto em 336 dC, ele foi sucedido por Basílio de Ancira. Marcelo foi depois reconduzido à função pelo Concílio de Sardica pelo Papa Júlio I em 343 dC. Em 350 dC, Basílio voltou ao cargo por ordem do imperador Constâncio, sobre quem ele tinha ganho considerável

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influência. Ele foi então o líder do Concílio de Sirmium em 351 dC, convocado para condenar Fotino, que tinha sido um diácono em Ancira, e os cânones deste sínodo começam condenando o arianismo, ainda que terminem sem concordar completamente com o padrão niceano. Basílio depois entrou em conflito com os anomoeanos liderados por Aécio de Antioquia.

Após a derrota do usurpador Magnêncio em Mursa em 351 dC, Valente, bispo da cidade, se tornou o conselheiro espiritual de Constâncio. Em 355 dC, Valente e Ursácio conseguiram aprovar o exílio de alguns dos que professavam o ponto de vista ocidental (Eusébio, Lúcifer, Libério e, logo em seguida, de Hilário. Em 357 dC, eles propuseram o segundo credo de Sirmium, ou "Fórmula de Ósio", em que tanto o termo homoousios quanto homoiousios foram rejeitados. Eudóxio, um ariano fervoroso, tomou a de Antioquia e passou a apoiar tanto Aécio quanto seu discípulo, Eunômio de Cízico, também arianos.

Na quaresma de 358 dC, Basílio, que celebrava a festa de dedicação de uma nova
Na quaresma de 358 dC, Basílio, que celebrava a festa de dedicação de uma nova igreja que ele
havia construído em Ancira juntamente com muitos outros bispos, recebeu uma carta de Jorge de
Laodiceia relatando como Eudóxio havia aprovado Aécio e implorando à Macedônio I de
Constantinopla, à Basílio e aos demais bispos reunidos que decretassem a expulsão de Eudóxio e
seus seguidores de Antioquia, caso contrário a grande sé episcopal poderia ser considerada como
perdida. Em consequência, o Concílio de Ancira publicou uma longa resposta endereçada à Jorge e
os outros bispos da Fenícia, na qual eles recitam o credo de Antioquia (de 341 dC),
complementando-o com explicações contra a "falta de similaridade" do Filho em relação ao Pai
pregada pelos arianos e anomoeanos (de anomoios) e mostrando que o próprio nome do Pai implica
um filho de "substância similar" (homoiousia, ou homoios kat ousian). Anátemas foram incluídos
no final, onde o anomoeanismo foi explicitamente condenado, enquanto que a tese da "substância
similar" foi considerada obrigatória. O décimo-nono destes cânones proíbe o uso também das
formas homoousia e tautoousia, embora isto possa ser creditado a uma reflexão tardia devida à
influência de Macedônio, uma vez que Basílio não parece ter insistido no assunto em discussões
posteriores. Diversos legados foram despachados para o Concílio de Sirmium: Basílio, Eustátio de
Sebaste (um asceta sem princípios dogmáticos), Elêusio de Cízico (seguidor de Macedônio) e o
padre Leôncio, um dos capelães imperiais. Eles chegaram em cima da hora, pois o imperador havia
dado ouvidos para um eudoxiano, antes de mudar de opinião e emitir uma carta [1] declarando que o
Filho era de "substância similar" à do Pai e condenando os arianos em Antioquia.
O relato dos autores patrísticos
Na metade do século IV dC, Epifânio disse:
“ Semi-arianos
mantém
o verdadeiro ponto de vista ortodoxo sobre o Filho, que ele esteve
sempre com o Pai
mas
foi criado sem começo e fora do tempo
Mas todos eles
blasfemam contra o Espírito Santo e não o contam na Divindade com o Pai e o Filho."
— Panarion, Epifânio de Salamis [2]

De acordo com Sozomeno, neste ponto o Papa Libério já havia sido liberado do exílio ao assinar três fórmulas combinadas por Basílio. Basílio persuadiu Constâncio a convocar um concílio geral, com propostas de sede em Ancira e, depois, Nicomedia (ambas na Ásia menor), mas como esta última acabou sendo destruída num terremoto, Basílio acabou novamente em Sirmium em 359 dC, onde os arianistas já tinham reconquistado seu espaço. Juntamente com Germínio, Jorge de Alexandria, Ursácio, Valente e um bispo (depois santo) Marcos de Aretusa, ele realizou a conferência, que se estendeu até à noite. Uma confissão de fé, ridicularizada sob o apelido de "credo obsoleto", foi proposta por Marcos em 22 de maio [3] . O arianismo foi rejeitado, mas a forma

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homoios kata ten ousian (substância similar) não foi admitida e a expressão kata panta homoios (similar em tudo) foi substituída. Basílio ficou desapontado e assinou a explicação de que as palavras "em tudo" significavam não apenas a vontade, mas também a existência e a realidade (kata ten hyparxin kai kata to einai). Ainda insatisfeito, Basílio, Jorge de Laodiceia e outros publicaram uma explicação conjunta [4] onde "em tudo" deveria incluir "substância".

O partido contrário fez o possível para que dois concílios fossem convocados em Ariminum e em Selêucia. Em Selêucia, em 359 dC, os semi-arianos estavam em maioria, sendo apoiados por personalidades como Cirilo de Jerusalém, seu amigo Silvano de Tarso e até mesmo por Hilário de Poitiers, mas eles foram incapazes de atingir seus objetivos. Basílio, Silvano, Elêusio, portanto, compareceram como enviados à Constantinopla, onde um concílio se realizou em 360 dC, e que seguiu as diretrizes de Ariminum em condenar homoiousios juntamente com homoousios, permitindo apenas a forma homoios, sem nenhuma adição. Esta nova frase fora invenção de Acácio de Cesareia, que agora havia deposto e desterrado os arianos extremados e se tornado líder dos novos homoianos. Ele tentou exilar Macedônio, Elêusio, Basílio, Eustátio, Silvano, Cirilo e muitos outros.

Constâncio morreu no final de 361 dC. Sob Juliano, o Apóstata, os exilados retornaram. Basílio
Constâncio morreu no final de 361 dC. Sob Juliano, o Apóstata, os exilados retornaram. Basílio
provavelmente já tinha morrido. Macedônio organizou um partido que propunha que o filho seria
kata panta homoios (em tudo similar) e que o Espírito Santo seria um ministro e servo do Pai, uma
criatura. Elêusio se juntou a ele, assim como Eustátio por um tempo. Este grupo realizou sínodos
em Zele e em outros lugares. A ascensão do imperador Joviano, um ortodoxo, estimulou o "versátil"
Acácio, juntamente com Melécio de Antioquia e vinte e cinco outros bispos, a aceitar o credo de
Niceia, adicionando uma explicação de que os "padres de Niceia" entendiam que o significado de
homoousios apenas homoios kat ousian - Acácio havia adotado a fórmula original dos semi-arianos.
Em 365 dC, Macedônio reuniu um concílio em Lampsacus sob a presidência de Elêusio e condenou
os concílios de Ariminum e Antioquia (de 360 dC)., afirmando novamente a similaridade na
substância. Mas as ameaças do imperador ariano Valente fizeram com que Elêusio assinasse um
credo ariano em Nicomedia, em 366 dC. Ele retornou então para sua diocese cheio de remorso e
implorou que outro bispo fosse eleito, o que foi negado por seus fiéis.
Em 381 dC, o Primeiro Concílio de Constantinopla foi reunido para atentar lidar com os
binitarianos, os semi-arianos de então. Porém, tão logo o trinitarismo foi sendo oficializado, os
semi-arianos deixaram a discussão. "Semi-arianimos
Eles
rejeitaram o ponto de vista ariano de que
Cristo era uma critura e que tinha uma natureza diferente de Deus (anomoios dissimilar), mas eles
também não aceitaram o credo de Niceia, que afirmava que Cristo era "da mesma substância
[homoousios] que o Pai.". Os semi-arianos ensinavam que Cristo era similar (em grego homoios) ao
Pai, ou de uma substância parecida (homoiousios), ainda que subordinada [5] .
Crenças similares
Atualmente, grupos como as Testemunhas de Jeová e os Adventistas do sétimo dia já foram - no
exterior - chamados de "semi-arianos" [6] .

Referências

1. Sozomeno. História Eclesiástica: Letter of the Emperor Constantius against Eudoxius and his Partisans. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 14, vol. IV.

2. Epifânio de Salamis (Epif). Panarion, livros II e III (seções 47 - 80)

3. Hilário, Fragmentos, XV

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5.

PFANDL, Gerhard. The Doctrine of the Trinity Among Adventists (em inglês). Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, June 1999.

6. Daniel Janosik. Arius is Alive: A Comparison between Arian and Jehovah-Witness Christology (em inglês). University of Columbia, International University. Página visitada em 26/11/2010.

International University. Página visitada em 26/11/2010. "Semiarians and Semiarianism" na edição de 1913

"Semiarians and Semiarianism" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.

Antitrinitarismo Antitrinitarismo, conjuntos de doutrinas de origem cristã que, de uma forma ou de outra,
Antitrinitarismo
Antitrinitarismo, conjuntos de doutrinas de origem cristã que, de uma forma ou de outra, negam a
validade do dogma da Trindade, que afirma a existencia de três pessoas distintas no Deus cristão,
geralmente por terem sua base na bíblica ou por serem adeptos à razão.
As congregações religiosas antitrinitarias não são consideradas como cristãs pelo Conselho Mundial
das Igrejas trinitaristas, âmbito de diálogo entre protestantes e ortodoxos e ao que a Igreja Católica
comparece como observadora, pois o credo mínimo que esta formulou inclui a crença em Jesus
como Senhor e Salvador compartilhado com o Pai e o Espírito Santo.
São doutrinas antitrinitárias o arianismo, o modalismo, o monarquianismo, o patripassianismo, o
servetismo, o socinianismo, as Testemunhas de Jeová e o unitarismo (denominação que pode
englobar por extensão as anteriores), entre outras.
Monarquianismo
Monarquianismo, ou Monarquismo como é algumas vezes chamado, é uma série de crenças que
enfatizam a Unidade Absoluta de Deus. A crença conflita com a doutrina da Trindade, que vê em
Deus uma unidade composta pelo Pai, Filho e Espírito Santo. Os modelos propostos pelo
monarquianismo foram rejeitados como heréticos pela Igreja Católica.
O Monarquianismo por si mesmo não é uma doutrina completa, mas um gênero do qual decorrem
algumas espécies doutrinárias teológicas. Há basicamente dois modelos, contraditórios:
 O Modalismo, ou Sabelianismo considera que Deus seja uma pessoa, manifestando-se e
operando em diferentes "modos", como Pai, Filho e Espírito Santo. O proponente desta
visão foi Sabélio. A crença foi rotulada Patripassianismo por seus oponentes, por
subentender que Deus, o Pai, teria sofrido na cruz.
 O Adocionismo entende que Deus é um ser, superior a tudo e completamente indivisível,
defendendo a idéia de que o Filho não foi co-eterno com o Pai, mas que foi revestido de
Deus (adotado) para os seus planos. Diferente versões do Adocionismo divergem quanto à
hora da adoção por Deus, como a hora do seu batismo, ou de sua ascensão. Um antigo
expoente desta crença foi Teodósio de Bizâncio.

De acordo com a Enciclopédia Católica, Natálio foi um patripassionista primitivo. Ele foi um Antipapa (bispo rival de Roma), logo antes do Anti-papa Hipólito. De acordo com Eusébio, citando o Pequeno Labirinto de Hipólito, depois daquele ser "flagelado toda a noite pelos anjos santos", vestiu-se de sacos, e "após alguma dificuldade", ele submeteu-se à autoridade do Papa Zeferino

Outro defensor do Monarquianismo foi Paulo de Samosata, que todavia não se fixou entre nenhum dos dois modelos.

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História e Evolução

Monarquianismo era um ‗levante‘ da cristandade contra a Trindade. O pensamento trinitário predominava, segundo os escritos dos Patriarcas da Igreja, entretanto o dogma da Trindade ainda não estava escriturado em um credo. O Monarquianismo defende a existência de um só Monarca contra a divindade de Jesus, que segundo seus defensores não poderia ser também o Monarca. Inicialmente o monarquianismo foi contra a divindade de Jesus, entretanto surgiram monarquianos que aceitaram a divindade de Jesus, contudo não a divindade plena.

O termo Monarquianismo foi inicialmente usado por Tertuliano quando os "defensores" de Deus (o Monarca)
O termo Monarquianismo foi inicialmente usado por Tertuliano quando os "defensores" de Deus (o
Monarca) foram contra a unidade Trina (Pai, Filho e Espírito Santo). Eles aclamavam Monarchiam
tenemus (temos monarquia). Considerando-se que o surgimento do termo deu-se com um escrito
contra Praxeas, atribui-se a ele a introdução do monarquianismo em Roma. Contudo alguns
acreditam que fora de Roma o pensamento era mais antigo por satisfazer o ebionismo.
Dividia-se em monarquianismo dinâmico e o monarquianismo modalista.
O modalista, no terceiro século tornou-se mais conhecido por sabelianismo, e concebia as três
Pessoas da Trindade como os três modos pelos quais Deus se manifestava aos homens.
Alguns afirmam que o ensino modalista teria sido levado para Roma e Cartago (África) por Noeto
de Esmirna, dando origem ao patripassianismo que, querendo preservar a doutrina da salvação,
chegou a promover a idéia de que o Pai é que teria morrido na cruz e não Jesus.
O patripassianismo teria contribuído com o surgimento de um pensamento gnóstico que nada tinha
com o modalismo. Os gnósticos teriam evoluído daí que Jesus sendo Deus, não poderia sofrer,
portanto ali na cruz não se teria visto uma forma carnal e humana, contudo um ser espiritual. Era
como se na cruz estivesse um fantasma de Deus, mas Deus não poderia sofrer ou morrer.
Originalmente o modalismo teria surgido com o ensino do modalismo dual. Sabélio no século três
evoluiu esse pensamento para o Espírito Santo, surgindo o modalismo trino, mas tal afirmação
ainda aceita por muitos teólogos é controversa pela afirmação de Tertuliano contra Praxeas, no
século dois, que disse: "Ele tinha expelido a profecia e introduzido a heresia, tinha exilado o
Paracleto e crucificado o Pai". O modalismo é atribuído a Sabélio, porque o mesmo é que teria
‗desenvolvido‘, e não ‗criado‘, tal conceito trino. Seus ensinos se confundiam com a Trindade e
muitos aderiram sem a negação do dogma. Sabelianismo tornou-se uma das mais conhecidas
vertentes monarquianas.

De Sabélio evoluiu a vertente para o monarquianismo moderno, devido a essa ambigüidade, onde os três modos que Deus se apresenta ao homem se confunde com o dogma da Trindade. Nessa vertente, numa tentativa de expurgar a idéia patripassianista, seus defensores aprimoraram o conceito. No caso o Pai não teria morrido na cruz, mas Jesus teria morrido na cruz, e Jesus seria o Pai quando na posição de monarca, e seria o Espírito quando se manifesta invisivelmente ao homem de hoje. Caminhando em sentido inverso, a explicação monarquiana moderna procede de Jesus. Jesus seria a encarnação de Deus, ou a manifestação de Deus. Jesus, ao se despir a corrupção da carne, resplandece a visão de quem ele realmente é: o próprio Deus. A grosso modo, essa idéia unicista (unicidade), quando posta no papel, é muito parecido com o dogma trinitário. A diferença é que os mesmos salientam em dizer que não são pessoas distintas.

Os monarquianos da atualidade não aceitam de um modo geral serem denominados unitários, pois o termo tornou-se uma forma pejorativa de sincretismo religioso, assim os monarquianos modernos

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excluem-se das igrejas estabelecidas em qualquer variação histórica, seja Católica Romana, Católica Ortodoxa, ou Gnóstica.

O monarquianismo dinâmico estava alinhado com o ebionismo, e mantinha a unidade de Deus.

Criam que Jesus fora tomado pelo Logos de Deus, e merecedor de honras divinas, contudo inferior a Deus. Seu fundador, Teódoto de Bizâncio, erudito de cultura grega, foi excomungado em 190 d.C. Asclepiódoto e Teódoto o jovem, seus discípulos, nomearam um bispo chamado Natal, que fora o primeiro anti-papa, contudo, arrependido, retornara à igreja Romana.

A derivação mais conhecida do monarquianismo dinâmico foi o adocionismo, onde Jesus teria sido adotado
A derivação mais conhecida do monarquianismo dinâmico foi o adocionismo, onde Jesus teria sido
adotado por Deus quando o Espírito de Deus sobre ele desceu na forma de uma "pomba" do céu, no
batismo de João. Nesse momento teria se tornado o Cristo e fora revestido de poder (dynamis) para
seu ministério, mas não era ainda inteiramente Deus, passando a ser com a ressurreição. Era uma
tentativa de explicar as naturezas divina e humana de Cristo e sua relação entre si.
Adocionismo
Adocionismo, também chamado de adocianismo, é uma visão teológica do Cristianismo Primitivo,
que professa que Jesus nasceu humano, tornando-se posteriormente divino por ocasião do seu
batismo, ponto em que foi adotado como filho de Deus. Esta é uma das duas manifestações do
monarquianismo; a outra é o modalismo, que trata o "Pai" e o "Filho" como dois modos do mesmo
sujeito. O adocionismo entende que Cristo, como Deus, foi feito Filho de Deus pela geração e pela
natureza, mas Cristo, como homem, é o Filho de Deus apenas pela adoção e graça, dispensada no
momento de seu batismo.
O
adocionismo é próprio do pensamento cristão primitivo. Havia, ao menor, duas concepções mais
ou
menos semelhantes (não necessariamente opostas) as quais devem emanar do seguinte:
 No pensamento judeu, o Messias é um ser humano eleito por Deus para levar adiante sua
obra: tomar os hebreus (um povo até então derrotado várias vezes por inimigos poderosos) e
elevá-los por sobre todas as nações em uma espetacular inversão da história. Neste sentido,
o Messias não é um Filho de Dues.
 Na tradição grega existiam heróis elevados à condição divina depois de extraordinárias
proezas ou façanhas, por meio da apoteose. O mais importante exemplo disto é Heracles,
que depois de ser queimado vivo, é tomado por seu pai, Zeus, para governar ao seu lado.
Devido ao predomínio do Império Romano, cuja orientação cultural era predominantemente
grega na época dos primeiros cristão, é altamente provável que este exemplo estivera ao seu
alcance.
Ao mesmo tempo, o adocionismo era psicologicamente interessante para os mesmos cristãos, já que
estes eram uma comunidade pobre e atrasada, sendo fácil identificar-se com um herói como Jesus,
ser humano qualquer que é eleito ("adotado") por Deus, e que dava esperanças de salvação aos
próprios cristãos, tão humildes diante de Deus quanto seu herói máximo.

Um dos adocionistas mais famosos foram Teódoto o Curtidor, habitante de Bizâncio, que levou a pregação desta doutrina a Roma no ano de 190. ambém durante o século II, Paulo de Samosata e os seguidores do Monarquianismo expressaram visões semelhantes. A crença foi declarada herética pelo Papa Vítor I.

Uma segunda onda do adocionismo, chamada Hispanicus error, no final do século VIII, foi sustentada pelo Califato de Córdova e por Félix, bispo de Urgel, nas planícies dos Pirineus; Alcuin,

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líder intelectual da corte de Charlemagne foi chamado a refutar ambos os bispos. Contra Félix, ele

escreveu:

"Como o Nestorianismo impiedosamente dividiu Cristo em duas pessoas por causa das duas naturezas, o vosso desconhecimento temerariamente dividiu-O em dois filhos, um natural e um adotivo".

altamente defendido por Elipando. O credo foi condenado pelo segundo concílio ecumênico de Nicéia (em
altamente defendido por Elipando. O credo foi condenado pelo segundo concílio ecumênico de
Nicéia (em 787). Nos anos 794 e 799, os papas Adriano I e Leão III, condenaram o adocionismo
como heresia nos sínodos de Frankfurt e Roma, respectivamente.
Uma terceira onda se deu com o "Neo-adocionismo" de Abelardo, no século XII. Posteriormente,
vários modificaram as teses adocionistas no século XIV. Duns Scotus (1300) e Durandus de Saint-
Pourçain (1320) admitiram o termo Filius adoptivus, num sentido qualificado. Em mais recentes
tempos, o Jesuíta Vasquez e os luternos G. Calixtus e Walch, defenderam os adocionistas como
essencialmente ortodoxos.
Sabelianismo
No cristianismo, sabelianismo (também conhecido como modalismo, monarquianismo modalista
ou monarquianismo modal) é a crença não-trinitária de que o Deus Pai, Deus Filho e o Espírito
Santo são diferentes "modos" ou "aspectos" de um Deus único percebido pelo crente ao invés de
três pessoas distintas de Deus.
O termo sabelianismo deriva de Sabélio, um padre e teólogo do século III d.C. e defensor da tese.
Ele foi um discípulo de Noeto, motivo pelo qual os seguidores desta crença são chamados nas
fontes patrísticas de Noecianos. Já Tertuliano batizou-a de Patripassianismo.
Significado e origens
O sabelianismo histórico ensinava que Deus Pai era a única existência verdadeira de Deus, uma
crença conhecida como Monarquianismo. Um autor descreveu o ensinamento de Sabélio assim: A
verdadeira questão, portanto, se torna esta, o que constitui o que chamamos de 'pessoa' na
Divindade? É original, substancial, essencial à própria divindade? Ou é parte dos
desenvolvimentos e formas de aparecer que a Divindade criou para si para suas criaturas? A
primeira opção, Sabélio negava. Esta última ele admitia completamente. [1]

Os modalistas afirmam que o único número atribuído a Deus na Bíblia é "Um" e que não existe nenhuma trindade inerente atribuída a Deus explicitamente nas Escrituras [2] . O número três nunca é mencionado na Bíblia com relação a Deus, e as duas únicas exceções possíveis são Mateus 28:16- 20 (chamado de "Grande Comissão), 2 Coríntios 13:14 e o Comma Johanneum, que muitos consideram como uma passagem espúria interpoolada em 1 João 5:7, conhecida principalmente pela tradução do rei James e em algumas versões do Textus Receptus e que não é incluída na maior parte das versões críticas modernas [3] . Eles acreditavam que Deus teria três "faces" ou "máscaras" (em grego: πρόζωπα - prosopa; latim personae) [4] . Já os trinitários acreditam que os três membros da Trindade estavam presentes como seres aparentemente distintos no batismo de Jesus e acreditam que há outras evidências nas escrituras para a crença trinitária (veja Trinitarismo).

O

monge espanhol Beato de Liébana, junto o bispo de Osma, Etério, combateram o adocionismo,

Modalismo tem sido principalmente associado com Sabélio, que ensinava uma forma dele em Roma no século III d.C. como um discípulo de Noeto e Práxeas [5] .

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Hipólito de Roma conheceu Sabélio pessoalmente e o mencionou na Philosophumena e sabia que Sabélio não gostava da teologia trinitária, mas ainda assim atribuiu a heresia à Calisto e Noeto, mas não a Sabélio, que ele diz ter sido pervertido [6] . O sabelianismo foi adotado pelos cristãos da Cirenaica, a quem Demétrio, Patriarca de Alexandria escreveu cartas argumentando contra a crença

Acredita-se também que o termo grego homoousia ou "consubstancial", que era o favorito de Atanásio de Alexandria na controvérsia ariana, foi de fato um termo proposto por Sabélio e, por isso, era utilizado com ressalvas pelos seguidores de Atanásio. A objeção ao termo era a de que ele não existe nas escrituras e tem uma "tendência sabeliana" [7] .

Derivação da filosofia grega O Monarquianismo modal originou-se da influência filosofia grega pagã, incluindo as
Derivação da filosofia grega
O Monarquianismo modal originou-se da influência filosofia grega pagã, incluindo as teses de
Euclides e Aristóteles [8] , que baseavam a sua lógica no Monismo e nos argumentos aristotélicos
sobre o conceito da energeia (energia) chamada metafísica [9] . Como o conceito que a ontologia
(também chamada de metafísica) podia ser reduzida ou para uma única substância detectável
(chamada de teoria da substância) ou um único ser (o conceito do Absoluto) [10] , a lógica aristotélica
foi a forma com que, ontologicamente (via metafísica) [nota a] , o filósofo helênico (pagão) Aristóteles
pôde racionalizar para desconstruir a consciência humana, sua existência e o próprio ser para
conseguir representar o seu ponto de vista da Mônade ou "unicidade" (unidade de todas as coisas),
como unidade ou unicidade na "ideia" de Deus e a substância de Deus (ousia) como essência ou
categoria universal acima do ser finito [11] .
Modalismo é a ideia de Deus como esta única substância ou ser chamado em grego de ousia (São
João Damasceno dá a seguinte definição do valor conceitual dos dois termos em sua dialética:
Ousia é a coisa que existe por si própria e que não precisa de mais nada para sua consistência.
Novamente, ousia é tudo que 'subsiste' por si e que não tem sua existência em outra coisa.) [4]:pg. 51-
55 . Esta ousia que então emana sequencialmente várias realidades infinitas (hypostasis) e não-
criadas. Sabélio foi um dos primeiros teólogos cristãos que aplicou este raciocínio metafísico pagão
(lógica aristotélica) no Cristianismo. Ele tentou reduzir cada uma das hipóstases de Deus a simples
"modos" da essência de Deus [4]:pg. 44-67 , uma única essência ou ousia, removendo assim qualquer
distinção entre as existências de deus e a essência de Deus [4]:pg. 44-67 .
Posteriormente, estas realidades foram novamente representadas pelos filósofos não cristãos após o
aparecimento do Cristianismo, como o neo-platonismo que as representou como se amalgamando e
fundindo uma na outra. Para Plotino, a Mônade ou Um (o dynamus, dunamis, potencial, potentia) e
o Díade (criador, energeia, ato) ambos emanam a Tríade, Trindade (Espírito ou Anima Mundi).
Plotino então reconciliando Aristóteles e Platão em suas obras, as Enéadas. Plotino ensina ainda que
a energia ou ato tem que ter força ou potencial para emanar [12] (dunamis ou potential definido como
uma vitalidade indeterminada de acordo com A. H. Armstrong [13] ). Estas realidades se fundem em
um mundo material (cosmos) ou Universo. Assim, Tomás de Aquino, em seu "Cinco Provas da
Existência de Deus", inicia sua prova a partir de raciocínios de filósofos pagãos sobre a existência
de um deus criador (demiurgo) [14]

Críticas históricas ao Sabelianismo

As nossas principais fontes para o monarquianismo inicial do tipo modal são Tertuliano (Adversus Praxean), Hipólito de Roma (Contra Noetum - fragmento) e a Philosophumena. Contra Noetum e a perdida Syntagma foram usadas por Epifânio de Salamina (Haer. 57 "Noecianos"), mas as fontes dele para o capítulo 62 (Sabelianos) são menos claras [15] . O maior crítico do sabelianismo foi

18

Tertuliano, que o chamou de "Patripassianismo" em Adversus Praxeas (cap. I), das palavras latinas pater ("pai") e passio do verbo "sofrer", pois o movimento pregava que Deus Pai teria sofrido na

cruz. É importante notar que as nossas únicas fontes que sobreviveram sobre o sabelianismo são de autoria de seus detratores. Acadêmicos hoje em dia não concordam sobre o quê exatamente Sabélio

e Práxeas ensinaram. É fácil supor que Tertuliano e Hipólito tenham exagerado ou interpretado maliciosamente as opiniões de seus adversários [15] .

Tertuliano parece afirmar que a maioria dos crentes naquele tempo favoreciam o ponto de vista

sabeliano da unicidade de Deus [16] . Epifânio de Salamina (Adv Haeres 62), por volta
sabeliano da unicidade de Deus [16] . Epifânio de Salamina (Adv Haeres 62), por volta de 375, relata
que os aderentes do sabelianismo ainda podem ser encontrados em grande quantidade, tanto na
Mesopotâmia e em Roma [1] . O primeiro Primeiro Concílio de Constantinopla (381), no cânone VII,
e o Terceiro Concílio de Constantinopla (680), no cânone XCV, declararam que o batismo de
Sabélio era inválido, o que indica que a crença ainda existia na época [1] .
Outras
 Em 225, Hipólito de Roma citou-os sob o nome de "Noecianos" em sua obra Refutação de
todas as heresias: E alguns deles concordam com a heresia dos Noecianos e afirma que o
próprio Pai é o Filho e que Ele é que foi gerado e sofreu e morreu. Sobre estes, eu voltarei
para oferecer uma explicação de maneira mais exata, pois esta heresia deles já deu motivo
para muitas maldades. [17] .
 Dionísio de Roma escreveu uma obra chamada "Contra os Sabelianos", na qual ele
afirma:"Na verdade seria justo lutar contra aqueles que, ao dividir e rasgar a monarquia,
que é o mais augusto dos anúncios da Igreja de Deus em, como se fossem três poderes e
distintas substâncias (hipóstases) e três divindades, destruindo-a. Pois eu ouvi que alguns
que pregam e ensinam a palavra de Deus entre vocês professam esta opinião, que de fato é,
por assim dizer, diametralmente oposta à opinião de Sabélio. Pois ele blasfema ao dizer que
o próprio Filho é o Pai e vice-versa." [18]
 Tertuliano também escreveu uma obra inteira contra os sabelianos, chamada "Contra
Práxeas", onde ele defende ferozmente o trinitarismo, contrapondo suas ideias às de Práxeas,
a quem ele faz a seguinte afirmação: "Não, mas você de fato blasfema, pois você alega não
somente que o Pai morreu, msa que Ele morreu a morte na cruz. Pois amaldiçoados são os
que são enforcados numa árvore - uma maldição que, seguindo a Lei, é compatível com o
Filho (no sentido de que Cristo foi feito uma maldição para nós, mas certamente não o
Pai); mas como, porém, você converte Cristo no Pai, você também é culpado de blasfêmia
contra o Pai." [19]
Influências

Tanto Michael Servetus quanto Emanuel Swedenborg tem sido interpretados como sendo proponentes do modalismo. Ambos descreveram deus como sendo "Uma Pessoa Divina", Jesus Cristo, que tem uma "Alma Divina de Amor", "Mente Divina de Verdade" e "Corpo Divino de Atividade". Jesus, por um processo de união de sua forma humana com o Divino, se tornou inteiramente um com sua alma divina do Pai a ponto de não haver mais distinção de personalidade [20] .

19

Pentecostais do Nome de Jesus

Os Pentecostais do Nome de Jesus ensinam que o Pai (um ser divino) está unido com Jesus (um homem) como o Filho de Deus. Porém, há diferenças significativas com o modalismo sabeliano, pois eles rejeitam o sequencialismo modal e aceitam completamente a crença de que a humanidade do Filho foi criada (e não é eterna), que foi o homem Jesus que nasceu, foi crucificado e ressuscitou.

Esta denominação cristã acredita portanto que Jesus foi "Filho" apenas quando se tornou humano na
Esta denominação cristã acredita portanto que Jesus foi "Filho" apenas quando se tornou humano na
terra, mas que era o Pai antes de ser feito homem. Eles se referem ao Pai como "Espírito" e ao Filho
como "Carne". Mas eles acreditam que Jesus e o Pai era essencialmente uma pessoa operando como
diferentes "manifestações". Eles rejeitam ainda a doutrina da Trindade como sendo "pagã" e não
prescrita na Bíblia e acreditam na "doutrina do Nome de Jesus" no que diz respeito aos batismos.
Eles são frequentemente referidos como "modalistas" ou "sabelianos" ou "Só Jesus".
Porém, não é certo que Sabélio tenha ensinado um modalismo dispensacional ou ensinado o que
hoje é a doutrina do Pentecostalismo do Nome de Jesus uma vez que todas as suas obras se
perderam.
Referências
1. ↑ a b c Views of Sabellius (em inglês). The Biblical Repository and Classical Review,
American Biblical Repository. Página visitada em 12/02/2011.
2. ↑ MOSS, C. B. The Christian Faith: An Introduction to Dogmatic Theology (em inglês).
Londres: The Chaucer Press, 1943.
3. ↑ Veja por exemplo METZGER, Bruce M. A Textual Commentary on the Greek New
Testament [TCGNT], 2nd Edition (em inglês). Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft,
1994. 647-649 p.
4. ↑ a b c d Vladimir Lossky. [1] The Mystical Theology of the Eastern Church] (em inglês).
[S.l.]: SVS Press, 1997. ISBN 0-913836-31-1 :pg. 51-55 . Também editora James Clarke & Co
Ltd (1991), ISBN 0-227-67919-9.
5. ↑ LATOURETTE, Kenneth S. A History of Christianity: Revised Edition: Beginnings to 1500
(em inglês). [S.l.]: HarperCollins, 1975. 144-146 p. vol. Volume I. ISBN 0060649526,
9780060649524
6. ↑ Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: Conduct of Callistus and Zephyrinus in
the Matter of Noetianism; Avowed Opinion of Zephyrinus Concerning Jesus Christ;
Disapproval of Hippolytus; As a Contemporaneous Event, Hippolytus Competent to Explain
It. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. IX.
7. ↑ John Henry Cardinal Newmann. Select Treatises of St. Athanasius: In Controversy With
the Arians (em inglês). [S.l.]: Longmans, Green, and Co., 1911. rodapé, p. 124 p.
8. ↑ Hipólito afirma que eles discutiram as escrituras de forma silogística. Euclides, Aristóteles
e Teofrasto tinham a admiração deles, sendo que Galeno era por eles adorado.
"Monarchians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação
agora em domínio público.

HASTINGS, James. Encyclopedia of Religion and Ethics (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo:

10. Aristotle's Logic (em inglês). Stanford Encyclopedia of Philosophy. Página visitada em

9.

12/02/2011.

11. BRADSHAW, David. Aristotle East and West (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press, 2004. Capítulo: Epilogue, 263-277 p. ISBN 978-0-521-82865-9

20

15. 16. 12. ↑ HANCOCK, Curtis L. Negative Theology in Gnosticism and Neoplatonism (em inglês).
15.
16.
12. ↑ HANCOCK, Curtis L. Negative Theology in Gnosticism and Neoplatonism (em inglês).
[S.l.: s.n.].
13. ↑ MANCHESTER, Peter. The Noetic Triad in Plotinus, Marius Victorinus, and Augustine (em
inglês). [S.l.: s.n.].
14. ↑ Tomás de Aquino. Razões na Prova da Existência de Deus: Deus e suas criaturas (em
inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 13,, onde ele diz "Nós iremos colocar priemiro as razões pelas
quais Aristóteles procede em sua prova da existência de Deus pelas considerações que se
seguem.".
↑ a b "Monarchians" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma
publicação agora em domínio público.
↑ Tertuliano. Contra Práxeas: Sundry Popular Fears and Prejudices. The Doctrine of the
Trinity in Unity Rescued from These Misapprehensions (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 3,
↑ Hipólito de Roma. Refutação de todas as heresias: The Montanists; Priscilla and
Maximilla Their Prophetesses; Some of Them Noetians. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo:
17.
12, vol. VIII.
18.
↑ Dionísio de Roma. Contra os Sabelianos (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: I.1,
19.
↑ Tertuliano. Contra Práxeas: It Was Christ that Died. The Father is Incapable of Suffering
Either Solely or with Another. Blasphemous Conclusions Spring from Praxeas' Premises.
(em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. I.
20.
↑ DIBB, Andrew M.T. Servetus, Swedenborg and the Nature of God (em inglês). Lanham,
Maryland: University Press of America Inc, 2005.
Unitarismo
O unitarismo (ou unitarianismo) é uma corrente de pensamento teológico que afirma a unidade
absoluta de Deus. Há dois ramos principais do unitarismo, os Unitários Bíblicos que consideram a
Bíblia como única regra de fé e prática, assemelhando as demais religiões cristãs evangélicas,
exceto, claro, pela concepção unitária de Deus, e os Unitários Universalistas, surgido recentemente
nos Estados Unidos, que pregam a liberdade de cada ser humano para buscar a sua própria Verdade
e
a necessidade de cada um buscar o crescimento espiritual sem a necessidade de religiões, dogmas
e
doutrinas.
Os unitários não devem ser confundidos com os unicistas. Os primeiros entendem que Deus é um e
único, o Pai de Jesus Cristo [1] .Já os Unicistas entendem que o Pai, o Filho e o Espírito são apenas
manifestações diferentes do mesmo Deus. [2]
Apesar de sua origem em igrejas Cristãs, é geralmente identificado com as correntes de combate ao
Trinitarianismo, teve diversas manifestações ao longo da História, com apoio por vezes parcial ou
total com outros movimentos que compartilham seu comum desacordo com o dogma da Trindade,
como o subordinacionismo, o arianismo, o serventismo ou o socianismo.

Desde o século XIX, uma ala do unitarismo contemporâneo, conhecido atualmente nos Estados Unidos como unitarismo universalista, deixou de impor credos ou de fazer provas de doutrina como critério de participação, enquanto a ala mais antiga, conhecido como unitarismo bíblico ou restauracionista procura seguir os preceitos cristãos conforme ensinados na Bíblia Sagrada.

História Antecedentes: O debate cristológico dos primeiros séculos e a controvérsia ariana

Dado que a palavra e o conceito de Trindade, tal como se entende no sentido cristão, não constam no Novo Testamento, os unitários argumentam que o unitarismo teria seu início com o próprio Jesus, que, defendem, tinha consciência de ser simplesmente um homem enviado de Deus ao

21

Mundo para transmitir Sua vontate, sem, todavia, ser divino, nem compartilhando da natureza do Pai. Ao longo dos três primeiros séculos do cristianismo aparecem diversos autores que afirmam a natureza "mais que humana" de Cristo e atribuem-lhe um caráter divino, ou semidivino, como filho de Deus. Os subordinacionistas afirmavam que o Filho estava subordinado ao Pai e submetido a sua vontade (essa era a linha era defendida por praticamente todos os primeiros cristãos),enquanto que outros pensadores cristãos começavam a trabalhar com a idéia do caráter divino de Jesus Cristo e sua identificação com a Divindade. Em outro extremo se situavam os que identificavam totalmente o Pai ao Filho, entendendo que o Pai também havia sofrido e morto na cruz (patripassianismo) e que Pai, Filho e Espírito Santo, não eram mais que modalidades ou manifestações de uma única realidade divina (Sabelianismo ou modalismo). O primeiro a utilizar a palavra "Trindade" foi Tertuliano.

Ao chegar o século IV e o Edito de Milão, todas estas discussões teológicas vieram
Ao chegar o século IV e o Edito de Milão, todas estas discussões teológicas vieram definitivamente
à tona e começou-se a defendê-las adversamente. Constituíram-se dois grandes grupos: os que
afirmavam que o Filho havia sido criado por Deus no princípio, e que, portanto, não podia
identificar-se com Ele, que se agruparam ao redor de Ario e de Eusébio de Nicomédia, e os que
afirmavam que o Filho era consubstancial (homoousios) com o Pai, liderados pelo Bispo Alexandre
de Alexandria e especialmente por seu sucessor, São Atanásio. No Concílio de Nicéia (325) se
aprovou oficialmente o dogma da Trindade e se condenou o arianismo como herético; uma decisão
que, com os distintos caminhos dos anos seguintes, acabaria sendo confirmada pelo Concílio de
Constantinopla (381). Não obstante, o Arianismo perduraria pelos reinos Godos que ocuparam o
Império Romano do Ocidente, em meados do século VI.
Miguel Servet e as primeiras igrejas unitárias
Ao iniciar-se a Reforma Protestante no século XVI, numerosos intelectuais começaram a publicar
seus próprios pontos de vista acerca da doutrina cristã, sem esperar o beneplácito de Roma, dentro
do espírito protestante de livre exame da Bíblia. Um destes foi Miguel Servet, médico e teólogo
espanhol. Em seus livros De Trinitatis Erroribus (1531), Dialogorum de Trinitate (1532) e
Christianismi Restitutio' (1553), questionou a base bíblica e racional da doutrina trinitária. Suas
opiniões heterodoxas e sua liberdade de espírito, fizeram-no ser perseguido como herege pela
Inquisição. Em Genebra foi preso pelos seguidores de Calvino e condenado a morrer na fogueira
por negar a Trindade e condenar o batismo infantil (27 de outubro de 1553);
Servet influenciou vários de seus contemporâneos. O estudioso lituano Piotr de Goniadz admitiu a
validade de seus argumentos e convenceu uma parte da nascente Igreja Calvinista da Polônia, que
formou a chamada Igreja Reformada Menor, mais conhecida como Irmãos Poloneses sobre os
postulador antitrinitários. De outra parte, o reformado liberal Sebastião Castellio reprovou
duramente Calvino sua intolerância e seus fanatismo e proclamou a liberdade de consciência em
assuntos de fé, um princípio que logo foi postulado pela tradição Unitária.

Alguns anos depois, o reformador humanista italiano Fausto Socini (1539-1604) desenvolveu sua própria obra teológica, marcada pelo antitrinitarianismo e o uso da racionalidade. Para Sozzini, a religião evocava quesões que estavam "além da razão" (contra rationem), pelo que os credos deviam concordar com a razão humana. Sozzini encontrou refúgio na Polônia, onde foi recebido pelos Irmãos Poloneses, onde nunca chegou a ser membro oficial do grupo, por negar-se a ser batizado de novo. Na cidade de Racóvia, próximo à Cracóvia, os Irmãos Poloneses desenvolveram um grande centro de estudos que atraiu numerosos eruditos e intelectuais de diferentes países.

Em 1605, um ano depois da morte de Sozzini, os sozzinianos da Igreja Menor publicaram o Catecismo Racoviano, resumo das doutrinas de seus mestre e que teve uma grande influência nos

22

anos posteriores na Alemanha, nos Países Baixos e na Inglaterra. A Igreja Reformada Menor desapareceu em 1640 pela crescente intolerância na Polônia em decorrência do início da Contra- Reforma.

Entretanto, o reformado húngaro Ferenc Dávid havia abandonado o Calvinismo para pregar o Cristianismo Unitário na Transilvânia (região que atualmente se encontra na Romênia), influenciado pelo médico italiano Giorgio Blandrata, seguidor das idéias de Servet. O rei João Sigmundo da Transilvânia aceitou o unitarismo e ditou o primeiro Edito de Tolerância religiosa da história moderna da Europa, em 1568, para permitir a livre prática religiosa em seu país, incluindo o Catolicismo. Este status especial perdurou, com dificuldades por conta da invasão da Transilvânia pela Áustria no século XVIII e o domínio mais ou menos efetivo do Império Austro-Húngaro e, posteriormente do Itália fascista, após a Primeira Guerra Mundial, hoje existe entre os magiares as Igreja Unitária Húngara e Igreja Unitária da Transilvânia na Romênia.

O unitarismo na Inglaterra e nos Estados Unidos Na Inglaterra, o impulso religioso radical da
O unitarismo na Inglaterra e nos Estados Unidos
Na Inglaterra, o impulso religioso radical da Reforma premaneceu entre os Dissenters, nome que
englobava às Igrejas Livre opostas à hegemonia da Igreja Anglicana. O pensador John Biddle foi
muito influenciado pelo Socinianismo, e a filosofia de John Locke conjuntamente com os
racionistas do Iluminismo ganharam muitos adeptos, tanto entre o clero anglicano quanto entre
pensadores e cientistas ingleses da época. Por fim, o pastor anglicano Theophilus Lidsey fundou a
primeira igreja unitária inglesa em Londres, com Joseph Priestley, cientista (descobriu o Oxigênio e
outros gases) e político (apoiava abertamente a Revolução Francesa, o que lhe acarretou numerosas
antipatias ao ponto de ter que emigrar para a América, após terem incendiado sua casa).
Posteriormente, Priestley ajudou a fundar a primeira igreja unitária da Filadélfia, EUA, em 1796).
Entre os protestantes puritanos que haviam emigrado às colônias da América do Norte, se produziu
uma evolução similar à ocorrida na Inglaterra. Os pastores puritanos se cindiram em dois grupos,
um conservador e evangélico, de convicções calvinistas, e outros liberal, racionalista e de idéias
arminianas e arianas. No princípio do século XIX, os pastores liberais das igrejas da Nova
Inglaterra reconheciam como seu líder a William Ellery Channing de Boston, cidade que se
converteu no núcleo do Unitarismo norte-americano, até o ponto que se dizia que a fé dos unitários
se baseava na unidade de Deus, na humanidade de Jesus e na vizinhança de Boston.
Os cristãos unitários dos países anglo-saxões, que eram de orientação principalmente ariana,
acabaram negando não só ao dogma da Trindade, como afirmando que Jesus Cristo não fosse nada
mais que um homem, ainda que vendo nele ao profeta que havia sido eleito por Deus para transmitir
sua revelação aos homens, como provavam seus numerosos milagres. Os milagres de Jesus eram,
pois, a demonstração empírica de sua eleição divina como Salvador. Os unitários rejeitavam as
manifestações espiritualistas ou emocionais de fervor religioso do Grande Avivamento que estava
produzindo-se nas igrejas ortodoxas do Puritanismo anglo-saxão. Muitos deístas, como Thomas
Jefferson, se manifestaram favoráveis à doutrina.
R.W. Emerson e o transcedentalismo

Em 15 de julho de 1838, Ralph Waldo Emerson, que havia sido ministro Unitário em Boston, pronunciou um discurso (The Divinity School Address) na Universidade de Harvard com resultado decisivo para a história do unitarismo norte-americano. Influenciado pelo Romantismo alemão e o hinduísmo, Emerson propôs uma via intuitiva a Deus, baseada na capacidade inata da consciência individual, sem a necessidade de milagre, hierarquias religiosas ou mediações. Esta filosofia espiritual recebeu o nome de Transcedentalismo. Apesar da ideologia liberal de Harvard, o

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incidente foi considerado um escândalo, mas, muitos pastores e teólogo unitários, particularmente

os mais jovens, descobriram na via transcedentalista de Emerson uma forma de superar a rigidez

intelectual imperante no unitarismo e desenvolver uma fé individualista e renovadora, além dos limites da revelação bíblica. Theodore Parker foi o grande renovador do unitarismo norte- americano, seguindo as linhas definidas por Emerson. O principal defensor do Unitarismo

tradicional de base bíblica foi Andrews Norton. A divisão entre transcedentalista e unitários bíblicos

se manteve até finais do século XIX.

O unitarismo universalista Em 1933 divulgou-se nos Estados Unidos um documento chamado Manifesto Humanista, subscrito
O unitarismo universalista
Em 1933 divulgou-se nos Estados Unidos um documento chamado Manifesto Humanista, subscrito
por um grande número de cientistas e intelectuais, entre esses vários líderes Unitários, que
significou o início de uma nova maneira de entender a religião do tipo naturalista em que conceitos
como "Deus" ou "vida depois da morte biológica" deixavam de ser centrais. Segundo os
humanistas, a religião devia deixar de especular sobre realidades metafísicas e concentrar-se
exclusivamente na trasformação do mundo e no aperfeiçoamento moral do ser humano. O
humanismo teve um impacto notável nas Igrejas Unitárias do âmbito anglo-saxão, chegando
inclusiva a tornar-se a corrente majoritária do unitarismo norte-americano. Todavia, o unitarismo
cristão de base bíblica e o panteísmo transcedentalista mantiveram-se coexistindo com a nova
doutrina. Assim, desde meados do Século XX, o unitarismo norte-americano foi deixando de ser
uma igreja exclusivamente cristã e protestante para converter-se progressivamente em uma igreja
liberal sem credo e cada vez mais multiconfessional, o que alguns atualmente chamam de
unitarismo universalista. Recentemente, esta tendência se incrementou com a existência nas Igrejas
Unitárias anglo-saxãs de pessoas que, além de unitárias, definem-se também como judeus, budistas,
neopagãos ou de outras religiões.
Os unitários norte-americano de fundiram com a Igreja Universalista da América para fundar em
1961 a Associação Unitária Universalista, cuja sede central encontra-se em Boston.
Unitarismo contemporâneo
Em 1995 constituiu-se o Conselho Internacional de Unitarios e Universalistas (ICUU) para
coordenar as diversas igrejas e associações Unitárias e Universalistas no Mundo. Atualmente,
calcula-se que existem cerca de 800.000 unitários em 25 países do mundo, principalmente nos
Estados Unidos, Romênia, Hungria, Canadá, Grã-Bretanha e Irlanda e minoritariamente em outros
países.
Dentro das comunidadades unitario-universalistas há unitários cristãos, universalistas trinitários e
pessoas de outras convicções religiosas. Também existe grupos unitários cristãos que não são
ligados à Associação Unitária-Universalista e suas congêneres nacionais.
O modelo de organização das congregações unitárias é democrático e participativo, tendo como

base a autonomia de cada grupo local. Os membros da congregação se reúnem periodicamente em assembleia para discutir os assuntos da comunidade e eleger os cargos eletivos. Esta forma de organização deriva de suas origens protestantes.

As associações nacionais estão baseadas na união federal das congregações locais. Os dignitários nacionais são eleitos por procedimentos democráticos pelos delegados das congregações e são renovados periodicamente. O presidente da associação nacional de congregações (que em Transilvânia e Hungria tem hierarquia de bispo) não tem autoridade doutrinária e costuma ser mais

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bem uma figura representativa que atua como porta-voz da Igreja perante a sociedade e os meios de comunicação.

Algumas Igreja Unitárias têm clero e outras não, conforme a tradição histórica de cada país. Nos países onde há ministros cada congregação é livre para decidir se quer uma gestão totalmente laica ou se deseja ter um ministro, durante quanto tempo e quando decide substituí-lo por outro. Podem ser ministros tanto homens como mulheres sem importar seu sexo, estado civil nem orientação sexual. O trabalho de um ministro se centra em dirigir os serviços religiosos e as cerimônias públicas, prestar assistência pastoral aos membros da congregação que solicitem sua ajuda e conselho, e periodicamente deve prestar contas de sua gestão ao comitê diretivo da congregação.

Outros Não-Trinitários contemporâneos Outras igrejas cristãs, também têm uma teologia antitrinitária, sem conexão
Outros Não-Trinitários contemporâneos
Outras igrejas cristãs, também têm uma teologia antitrinitária, sem conexão história direta com o
unitarismo histórico. Entre essas se destacam as Testemunhas de Jeová, a Mensagem de William
Branham, os Cristadelfianos e os Unitários Bíblicos. Estas igrejas combinas o rechaço da doutrina
da Trindade (com distintas variantes), com uma interpretação rigorista e, em certos casos,
fundamentalista dos textos bíblicos, o que as distingue muito claramente das Igrejas Unitárias, que
sempre têm se inclinado ao liberalismo teológico. Outros grupos liberais de inspiração cristã, como
a Igreja da Unidade e outras correntes do Novo Pensamento também mostram uma inclinação às
idéias unitaristas.
Rituais e celebrações das igrejas unitárias universalistas
As igrejas Unitárias têm sua origem na Reforma Protestante, pelo que muitas de suas tradições e
celebrações refletem este legado cultural. Sem embargo, uma das características principais desta
tradição religiosa é sua enorme variedade e sua tendência a experiências e inovações.
Serviços de culto
Os serviços de culto normais ocorrem tradicionalmente no domingo de manhã. Habitualmente são
encontros semanais ainda que os grupos menores possam optar por reunirem-se quinzenalmente ou
mensalmente. É o momento em que toda a congregação se reúne para celebrar sua fé em
comunidade.
Os serviços costumam iniciar com uma peça musical enquanto os assistentes tomam assento e
centram seus pensamentos no ato que vão compartilhar. Desde os anos 1960 do século passado é
cada vez mais freqüente que o ministro ou um membro da congregação acenda uma chama num
cálice ou taça enquanto recita umas palavras relativas à fé que compartilham todos os assistentes
(que são geralmente distintos em cada sessão, sem seguir nenhuma norma fixa). O Cálice Aceso se
converteu no símbolo de identificação compartilhado pela maioria dos grupos Unitários de todo o
mundo e costuma ser utilizado também como logotipo em suas páginas Web e em suas publicações.

Após a leitura das comunicações das distintas comissões, grupos de discussão e meditação, ou outras atividades de estudo, fraternidade e recreação vinculadas à vida cotidiana da congregação, o serviço de culto continua com a leitura de textos religiosos ou filosóficos. Também costuma haver cânticos (geralmente da tradição cristã protestante, ainda que cada vez se publiquem mais hinos exclusivamente unitaristas). Também se costuma realizar atos para os mais pequenos, que em seguida são conduzidos por seus monitores às salas de aula onde se dá formação religiosa para crianças e jovens.

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O núcleo da celebração é, habitualmente, o sermão ou exposição oral do ministro ou do líder laico

que dirige o serviço religioso. Ocasionalmente, principalmente se a congregação é pouco numerosa,

se abre um espaço para o debate entre os assistentes sobre as idéias apresentadas pelo ministro em seu sermão.

Ritos e cerimônias

Nas igrejas Unitárias celebram-se habitualmente cerimônias de dar nome ou bênção às crianças (não se
Nas igrejas Unitárias celebram-se habitualmente cerimônias de dar nome ou bênção às crianças
(não se pode falar propriamente de batismo), bodas e funerais. Estes atos não são restritos aos
membros da congregação, podendo ser solicitados, também, por outras pessoas. Em sociedades
multi-culturais como os Estados Unidos e o Canadá, são muitos os casais de duas tradições
religiosas distintas que decidem casar-se em uma igreja Unitária devido ao seu caráter ecumênico e
pluralista. As igrejas unitárias celebram, também, regularmente e com normalidade, uniões
matrimoniais entre pessoas do mesmo sexo.
Celebrações experimentais
As congregações Unitárias mais inovadoras são propensas a organizar em certas ocasiões
celebrações pouco ortodoxas, nas quais se pode utilizar teatro, dança e outras expressões artísticas
em substituição ao sermão habitual.
As igrejas Unitárias desenvolveram, também, rituais originais próprios, como a Comunhão das
Flores, criada pelo pastor Norbert Čapek, da República Tcheca. Essas novidades nas celebrações
são sinal da progressiva diferença entre as igrejas Unitárias, com relação aos ofícios religiosos, e
outras confissões de origem protestante.
Também é relativamente freqüente a celebração de festividades específicas de outras religiões,
como a Hanukkah judía, ceremônias budistas, Shinto, etc. Nos Estados Unidos se percebe, também,
uma influência crescente do neopaganismo e das religiões nativas americanas. Essa pluralidade se
percebe de forma ambivalente, em ocasiões, como riqueza na diversidade e, em outras ocasiões,
como desvirtuação das essências do unitarismo. Assim, apareceram recentemente grupos que
discordam do excesso de pluralismo e sincretismo que percebem no unitarismo moderno,
geralmente reivindicando um regresso às suas raízes cristãs. Um exemplo é a Conferência Unitária
Americana (AUC).
Subordicionalismo
O subordicionalismo era a crença cristã primitiva de que Jesus Cristo era subordinado a Deus, o
Pai. Esta ideia não é aceita hoje pelas igrejas ortodoxas, pois ela contraria a doutrina da trindade.
Dogmas
A subordinação de cristo ao Pai no novo testamento

Existem vários versículos no Novo Testamento que dão a ideia de subordinação de Cristo ao Pai e de superiodade do Pai (1 Coríntios 11:3; 15:24, 27, 28, João 14:28)

O ensino da subordinação dos Pais da Igreja

Na verdade de um modo ou de outro todos os teólogos da primitiva igreja ensinavam que o filho era subordinadado ao Pai. Apologistas (os pais da igreja) como Justino, Irineu, Clemete de Alexandria e

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outros, consideravam Jesus como servo subordinado a Deus, o Pai. eles jamais ensinaram a crença em um Deus trino, porque essa doutrina ainda não existia na igreja cristã. Para eles Deus era só a pessoa do Pai.

A Didaque

A idéia de Jesus ser subordinado a Deus se encontra também na Didaque que é uma primitiva catequese cristã, nela Jesus é chamado de servo do Pai.

Rejeição a doutrina da Subordinação Foi somente no Primeiro Concílio de Niceia (325 D.C) que
Rejeição a doutrina da Subordinação
Foi somente no Primeiro Concílio de Niceia (325 D.C) que a doutrina da subordinação de Cristo ao
Pai que era defendida pelo padre Ário, foi rejeitada pela Igreja em favor da ideia da igualdade entre
o Pai e o filho que daria origem a doutrina da trindade que se tornaria mais tarde doutrina ortodoxa.
Hoje as ideias subordinacionalistas são encontradas em Igrejas Cristãs como as Testemunhas de
Jeová, Cristadelfianos e pelos Unitarios Bíblicos.
Cristadelfianos
Cristadelfianos (do grego Christou Adelphoi, "Irmãos de Cristo" [1][2] constituem uma denominação
cristã unitária que se desenvolveu no Reino Unido e América do Norte no século XIX. Existem
aproximadamente 50.000 [3] cristadelfianos em muitos países do mundo [4] quer em grupos quer
isolados (120 países [5] ). Estimativas dos centros principais de população cristadelfiana são como se
segue: Reino Unido (18000), [6] Austrália (9987), [7] Malawi (7000), Moçambique (5300), Estados
Unidos (6500), [8] Canadá (3375), [9] Nova Zelândia (1782), [10] Quénia (1700), Índia (1300) e
Tanzânia (1000). [11] Isto coloca o número de cristadelfianos acima dos 55.000.
Crenças
Os cristadelfianos afirmam basear as suas crenças inteiramente na Bíblia e não aceitam outros
textos como sendo inspirados por Deus. Acreditam que Deus é o criador de todas as coisas e o Pai
dos verdadeiros crentes. Deus e Jesus Cristo não são um ser, mas dois. Entendem que o Espírito
Santo não é uma pessoa, mas sim o poder de Deus usado na criação e para a salvação, tendo sido
concedido a certos crentes, para propósitos específicos, em algumas épocas da história.

Crêem que Jesus é o prometido Messias, no qual as profecias e promessas do Antigo Testamento (particularmente aquelas feitas a Abraão e David) são cumpridas. Encaram-no como Filho do Homem, pois herdou a natureza de sua mãe, e também Filho de Deus por virtude da sua concepção milagrosa pelo poder de Deus, conforme referido na Bíblia. Embora tentado, não cometeu pecados, tornando-se um perfeito sacrifício representativo para trazer salvação à humanidade pecadora. Conforme entendem da Bíblia, Deus ressuscitou Jesus à imortalidade, tendo ascendido ao céu, à morada de Deus. Os cristadelfianos acreditam que Jesus irá voltar à Terra, em pessoa, para estabelecer o Reino de Deus, cumprindo assim as promessas feitas a Abraão e ao Rei David. Crêem que esse Reino estará centrado em Israel, mas que Jesus reinará sobre todas as nações da Terra sendo Jerusalém a sua capital.

Os cristadelfianos ensinam que alguém só pode tornar-se discípulo de Cristo por crer nos seus ensinos, por meio do arrependimento e através de imersão total em água. Para eles, o batismo não deve ser administrado a bebés mas apenas aos que têm idade suficiente para perceber as suas

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acções. Embora salvos pela fé na graça de Deus, a fé verdadeira manifestar-se-á em obras, e assim espera-se que os crentes vivam uma vida consistente com o ensino da Bíblia.

Crêem que, depois da morte, os crentes estão num estado de não-existência (também chamado de sono da alma), não tendo conhecimento de nada até à Ressurreição, quando Jesus voltar. Depois do Julgamento, os que forem aceites recebem o dom da imortalidade, e vivem com Cristo na Terra restaurada, ajudando-o a estabelecer o Reino de Deus e a reinar sobre a população mortal durante um período de mil anos, também conhecido por Milénio. Os cristadelfianos vêem o futuro Reino de Deus como o ponto fulcral do Evangelho ensinado por Jesus e pelos apóstolos. Apontam para as profecias da Bíblia que se cumpriram, particularmente aquelas relativas às nações, como prova de que se pode confiar nas Escrituras.

Os cristadelfianos rejeitam um número de doutrinas tradicionalmente aceites pelas denominações Ortodoxas Cristãs,
Os cristadelfianos rejeitam um número de doutrinas tradicionalmente aceites pelas denominações
Ortodoxas Cristãs, nomeadamente a imortalidade da alma, a Trindade, a preexistência de Cristo e a
possessão dos dons do Espírito Santo nos nossos dias. Acreditam que, na Bíblia, onde aparecem as
palavras "diabo" ou "Satanás", devem ser entendidas como o mal inerente na humanidade, ou
pecado, e à inclinação dos seres humanos para desobedecerem ao Eterno Criador. Estes termos
podem-se aplicar também a sistemas políticos ou a indivíduos em oposição ou conflito. O inferno é
entendido como sendo simplesmente a sepultura para onde todos os homens vão, em vez de ser um
lugar de tormento eterno. Os Cristadelfianos acreditam que as doutrinas que rejeitam foram
introduzidas na Cristandade depois do primeiro século e que não podem ser demonstradas usando a
Bíblia.
Os cristadelfianos são objectores de consciência, mas não pacifistas. Abstêm-se do envolvimento na
política, de prestar serviço militar, entrar nas forças policiais e outros grupos organizados, tais como
sindicatos. Dão grande ênfase à leitura e estudo da Bíblia, à oração e à moralidade. A adoração da
congregação, que geralmente acontece aos Domingos, centra-se na lembrança da morte e
ressurreição de Jesus Cristo, sendo que os presentes partilham o pão e vinho.
História
Houve pequenos grupos de crentes ao longo dos séculos, particularmente desde a Reforma
Protestante, que mantinham pontos de vista não ortodoxos. Grupos como os anabaptistas,
valdenses, socinianos, racovianos e a Irmandade Polaca partilharam algumas ou até muitas crenças
que vieram a ser mantidas pelos Cristadelfianos. Enumeram personalidades como Isaac Newton,
Joseph Priestley, John Locke, William Tyndale como tendo tido crenças similares às dos actuais
cristadelfianos acerca da unidade de Deus, mortalidade do homem e o papel dos Judeus no
propósito de Deus.

A partir de meados do Século XIX, surgiram grupos em muitas partes do Reino Unido e Estados Unidos da América que possuíam crenças similares às acima descritas e que mantinham alguma forma de relacionamento uns com os outros. De importância significativa foi a publicação em 1849 da obra de John Thomas, intitulada "Elpis Israel", onde expôs o seu entendimento das principais doutrinas da Bíblia. Até à Guerra Civil Americana, grupos associados com ele reuniam-se sob variados nomes, incluindo Crentes, Crentes Baptizados, a Real Associação de Crentes Baptizados, Crentes no Reino de Deus e Ântipas. Nessa altura, para se obter o estatuto de objector de consciência era necessário estar afiliado a uma igreja. Assim, em 1865, John Thomas para efeitos de registo escolheu o nome "Cristadelfiano". Este nome é derivado do Grego para "Irmãos em (ou de) Cristo".

No Século XIX, as igrejas cristadelfianas cresceram rapidamente no Reino Unido, na América do Norte e através do mundo, nos locais onde se falava a língua inglesa. Desde os primeiros dias dos

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cristadelfianos, muitos têm lido a Bíblia por conta própria e então entram em contacto com os Cristadelfianos, juntando-se a eles.

Cismas

Os Cristadelfianos sofreram quatro divisões no início da sua história quando quatro grupos separam-se do corpo principal.

 Em 1873 um certo número separou-se seguindo Edward Turney de Nottingham, e vieram a
Em 1873 um certo número separou-se seguindo Edward Turney de Nottingham, e vieram a
ser conhecidos como Irmandade dos Nazarenos. Após a morte de Turney, em 1879, a
maioria de seus seguidores voltou para o grupo principal. [12]
Entre 1884 e 1885 surgiu uma disputa acerca da inspiração da Bíblia. Robert Ashcroft, um
membro de vulto, escreveu um artigo onde desafiava a crença acerca da inspiração divina
das Escrituras. Na controvérsia que se seguiu, a eclésia de Birmingham desassociou-se de
Ashcroft. Alguns membros, embora não concordassem com o ponto de vista de Ashcroft
acerca da inspiração, não aprovaram a forma como a aquela eclésia lidou com a situação.
Este grupo veio a abandonar a eclésia de Birmingham e formou uma nova que veio a tornar-
se conhecida como a eclésia de Suffolk Street. As eclésias espalhadas pelo mundo que os
apoiaram tornaram-se conhecidas como a Irmandade de Suffolk Street.
A
terceira divisão ocorreu em 1898 e centrou-se na doutrina do julgamento. Debatia-se se o
julgamento se limitava aos crentes baptizados ou se era aplicado a todos os que ouviram a
mensagem do Evangelho. A maioria, que aceitava que todos os que ouviram a mensagem do
Evangelho eram responsáveis perante o Julgamento, emendaram a Declaração de Fé. Os que
não aceitaram a emenda tornaram-se conhecidos como a Irmandade não emendada, do
inglês Unamended Fellowship. O grupo proveniente das Irmandade de Suffolk Street e
Unamended, das quais se separaram, tornou-se conhecido como Irmandade Temperance
Hall.
A quarta divisão ocorreu em 1923, motivado por questões relacionadas com o serviço
militar e outros assuntos. Isto resultou na formação da Irmandade Cristadelfiana de Beréia.
Em 1942 este grupo dividiu-se posteriormente devido a debates relacionados com o divórcio
e o casar novamente, sendo que a maioria tornou-se conhecida como Cristadelfianos da
Aurora, do inglês Dawn Christadelphians.
Na década de 1950 ocorreu uma série de reuniões na América do Norte, Inglaterra e Austrália:
Em 1952 a maioria dos Bereanos na América do Norte voltaram à Irmandade Temperance
Hall, embora nem todos os Bereanos tenham concordado.

Em 1957 na Grã-Bretanha, e 1958 na Austrália, houve mais um grupo que voltou, a Irmandade de Suffolk Street que, por essa altura, já tinha incorporado muitos membros da Irmandade não emendada existentes fora da América do Norte. Este grupo, que agora incluía a maioria dos Cristadelfianos, tornou-se conhecido como Irmandade Central, nome adotado por causa da eclésia de Birmingham, que se designava "Central". Alguns Cristadelfianos não aceitaram esta reunião já que continuavam a crer nas razões que tinham levado aos cismas. Estes vieram a formar a Irmandade dos Velhos Caminhos, do inglês Old Paths Fellowship.

Na Irmandade Central existe alguma diversidade no que diz respeito ao estilo de adoração, procedimentos e alguns pontos doutrinários, sendo que alguns sub-grupos não confraternizam com outros. Para alguns Cristadelfianos isto parece incorrecto e é visto como desunião, enquanto outros vêm esta diversidade como um ponto forte ou, pelo menos, um beneficio. No entanto, a maioria dos

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Cristadelfianos afirmam que a Bíblia é o único padrão para a Verdade e assim, embora não em irmandade, aceitam que cada grupo individual actue segundo a sua consciência.

Apesar de esforços periódicos para a união, a Irmandade Amended (tal como é conhecida a Irmandade Central nos Estados Unidos) e a Unamended da América do Norte ainda estão divididas. As Irmandades Beréia, Dawn e Old Paths também continuam a existir actualmente.

Estimativas de números:

 Irmandade central = 55.000 (120 países) [13]  Irmandade não emendada = 1.850 (sul
 Irmandade central = 55.000 (120 países) [13]
 Irmandade não emendada = 1.850 (sul e oeste do E.U.A.) [14]
 Igreja de Deus da fé de Abraão = 400 (Ohio, Flórida, E.U.A.) [15]
 Dawn (ou seja, Irmandade Aurora) = 670 (Reino Unido 200, África 200, Austrália 200,
Canadá 50, Polónia e Rússia 20) [16]
 Old Paths (ou seja, Caminhos Antigos) = 400 (Reino Unido 250, Austrália e Nova Zelândia
150) [17]
 Irmandade Bereana = 330 (Texas, E.U.A. 200, Quênia 100, País de Gales 30) [18]
 Pioneiros-Maranatha = 40 (Austrália)
 Outros grupos muito pequenos = 150 ~ 200 total. [19]
Os Cristadelfianos de diferentes irmandades comunicam entre si sobre variados assuntos, usam
algumas publicações uns dos outros e persistem continuadas tentativas para resolver as áreas em
que então em desacordo.
O nome Cristadelfianos é um título genérico descrevendo um grupo de pessoas que partilham
origens similares, mas como a história revela, têm origens e percursos bem diferentes. Para mais
informação acerca das irmandades, é recomendado aos leitores lerem as entradas relevantes na
Wikipédia em Inglês.
Organização
Os cristadelfianos geralmente chamam às sua congregações "eclésias"(Salões alugados ou em casas
particulares(como acontecia com os cristãos do primeiro século). Eclésias dizem vem directamente
da palavra grega que é normalmente traduzida Igreja. Uma eclésia não é o edifício onde se
congregam mas sim o conjunto dos crentes. Os Cristadelfianos resolveram usar a palavra Eclésia
porque a palavra igreja veio a conotar um lugar físico e não os crentes ao contrário da palara quando
usada no seu contexto Bíblico )
Não existe uma organização central ou hierarquia. As eclésias são autónomas até certo ponto e a
cooperação entre elas é baseada numa comum aceitação da Declaração de Fé Emendada de
Birmingham. A Irmandade Unamended usa a Declaração de Fé Não Emendada. Quem quer que
seja que publicamente concorda com as doutrinas descritas nesta declaração e têm um bom relato da
sua eclésia anterior é bem-vindo a participar nas actividades de qualquer outra eclésia dentro da
própria irmandade.

Os cristadelfianos não têm ministro pagos. A maioria dos membros masculinos podem ensinar e ter outras actividades normalmente distribuídas de forma rotativa, em vez de existir um pregador definido. O governo da eclésia tipicamente segue o modelo democrático, com um comité eleito para cada eclésia. Este comité, não remunerado, coordena o funcionamento diário da eclésia e é responsável perante os membros da dela.

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Os cristadelfianos, baseados no seu entendimento da Bíblia, fazem distinção entre o papel dos membros masculinos e femininos. Na maioria das eclésias, as mulheres não podem ensinar nas reuniões formais quando membros masculinos estão presentes e não têm lugar nas reuniões do comité de gestão da eclésia. No entanto, elas participam nos outros comités da eclésia e em comités inter-eclésias, como por exemplo, no trabalho com os jovens, evangelismo e bem-estar dos membros. As mulheres participam também nos debates, no ensino de crianças, tocam instrumentos musicais, votam e discutem assuntos sobre negócios, pregam, ensinam os não crentes e participam na maioria das actividades.

As eclésias cristadelfianas pregam activamente aos seus vizinhos e cooperam a nível regional, nacional, e
As eclésias cristadelfianas pregam activamente aos seus vizinhos e cooperam a nível regional,
nacional, e internacional na pregação. A Missão Bíblica cristadelfiana (CBM) na Inglaterra apoia a
pregação na Europa e África - incluindo Portugal e na África lusófona. A Missão Bíblica
Cristadelfiana das Américas (CBMA), na Califórnia, apóia atividades na América Latina. [20]
Existem também os comités responsáveis pelo trabalho com a juventude e Escola Dominical,
problemas com o serviço militar, cuidados com os idosos e trabalho humanitário. Estes comités não
tem qualquer autoridade legislativa e estão dependentes do apoio da eclésia. Eclésias de uma
mesma área podem regularmente ter actividades em conjunto, combinando grupos de jovens,
fraternização, pregação, e estudo bíblico.
Alguns países têm escolas cristadelfianas, embora sejam mais populares na Austrália. Centros
Cristadelfianos para cuidar de idosos existem em vários países, fundados pelos próprios residentes e
pela comunidade Cristadelfiana. Existem variadas revistas Cristadelfianas para membros espalhados
pelo mundo incluindo "The Christadelphian", [21] "The Testimony", [22] "The Tidings" [23] e "Glad
Tidings". [24]
Trabalho com os jovens
Somente os membros baptizados, que se tratam por irmãos e irmãs, são considerados membros das
Eclésias Cristadelfianas. Tanto nas reuniões de crentes ao Domingo como em outras actividades
para todas as idades, os Cristadelfianos mostram interesse especial nos filhos dos membros. Em
muitas igrejas existem escolas dominicais, nas quais os professores, de ambos os sexos, são
membros baptizados. Escolas Dominicais geralmente têm lugar no salão da eclésia, quer durante
quer depois do serviço principal de Domingo, apesaer de algumas serem realizadas apenas depois
do serviço principal. Muitas eclésias têm reuniões de grupos de juventude, uma vez por semana à
noite. No Reino Unido estes grupos são chamados de CYC‘s (Christadelphian Youth Circles),
embora o nome não seja igual em todo o mundo.
A maioria dos grupos de jovens devotam algum tempo ao estudo da Bíblia e o resto do tempo à
recreação. Quando a distância não é muita os grupos de jovens com regularidade juntam-se para
competir no desporto, charadas, adivinhas, entre outras actividades. Em alguns países as eclésias
têm dias ou fins-de-semana especiais para a juventude. Nestes dias um membro baptizado dá várias
exortações bíblicas, especialmente aos jovens que vêm de diferentes eclésias para estarem juntos.
Os jovens costumam ficar hospedados nas casas dos membros baptizados da eclésia que os
convidou.

Férias de grupos de jovens e Escola Dominical e fins-de-semana de estudo bíblico são também populares, reunindo jovens Cristadelfianos de todo o país. A diferença entre um fim-de-semana da juventude e férias de grupo de jovens ou semana de estudo bíblico é que o primeiro geralmente tem lugar na eclésia que acolhe o acontecimento e os últimos têm lugar em qualquer parte.

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Existem também algumas revistas cristadelfianas para jovens, incluindo "Give and Take", para idades compreendidas entre os sete e os onze anos, "The Word" e "Faith Alive".

Adoração

Os cristadelfianos são uma denominação não-litúrgica. As eclésias Cristadelfianas são autónomas e livres para adoptarem qualquer tipo de estilo de adoração que escolherem. No entanto, há uma tendência para grande unidade em assuntos como a ordem do serviço e cânticos. Isto é sem dúvida resultado da influência de um livrinho de Robert Roberts que foi escrito no inicio da história dos Cristadelfianos chamado "Um Guia para a Formação e Conduta das eclésias cristadelfianas" (A Guide to the Formation and Conduct of Christadelphian Ecclesias), editado em 1883, comummente chamado "O Guia Eclesial" (The Ecclesial Guide) que, entre outras coisas, sugeriu uma ordem para o serviço nas reuniões da eclésia. Este modelo foi adoptado por muitas eclésias e ainda é o modelo prevalecente.

A ordem de serviço sugerida no Guia Eclesial incluía quatro cânticos, Leitura da Bíblia, tanto
A ordem de serviço sugerida no Guia Eclesial incluía quatro cânticos, Leitura da Bíblia, tanto do
Antigo como do Novo Testamento, orações, uma exortação ou Sermão, o Partir do Pão (Ceia), bem
como anúncios do bem estar dos membros e das actividades da eclésia. Este modelo de adoração
parece ter sido influenciado em certa medida pelas tradições das denominações de onde o
cristadelfianismo obteve os seus membros. A adoração Cristadelfiana é assim muito similar a dos
presbiterianos, baptistas, congregacionais, metodistas, Discípulos de Cristo, bem como aos dos
adeptos das Igrejas de Cristo.
Hinários e outras manifestações artísticas
Os hinários cristadelfianos fazem uso considerável dos hinários das tradições Anglicana e
Protestante, o que explica que mesmo nas eclésias da América do Norte os hinários são tipicamente
mais Britânicos que Americanos. Em muitos hinários, a grande maioria de hinos são tirados do
Saltério, possivelmente reflectindo as raízes Presbiterianas de John Thomas e Robert Roberts. O
primeiro livro de hinos foi publicado especificamente para uso dos "baptizados crentes no Reino de
Deus", o nome original dos cristadelfianos, por George Dowie, em Edinburgo, em 1864. Cinco anos
mais tarde Robert Roberts, também escocês, publicou uma colecção de salmos escoceses e hinos
chamado "A Harpa Dourada". A revista "The Christadelphian" e Associação de Publicações
(antigamente chamada de "O gabinete cristadelfiano") publicou livros de hinos em 1884, 1932,
1964 e 2000. Enquanto alguns hinos nestes livros foram escritos por cristadelfianos, a maioria dos
hinos são da autoria de religiosos Protestantes incluindo Isaac Watts, Charles Wesley, William
Cowper e John Newton. O autor cristadelfiano com mais hino publicados foi David Brown com seis
hinos na edição de 1964. Algumas irmandades cristadelfianas publicaram os seus próprios livros de
hinos, como por exemplo o "The Berean Christadelphian Hymn Book", e algumas ainda usam a
edição de 1932. As eclésias que continuam a usar as edições antigas do Livro de Hinos
Cristadelfianos fazem-no mais por motivos doutrinais do que devido ao estilo musical.

Mais recentemente tem havido um movimento em alguns círculos cristadelfianos para formas de adoração mais contemporâneas. A publicação e uso generalizado de Praise the Lord, publicado por Hoddesdon Christadelphians, em 1993, permitiu aos cristadelfianos ter acesso fácil a cânticos e hinos contemporâneos que estão de acordo com a teologia cristadelfiana. Isto facilitou também o uso mais frequente de instrumentos musicais para além de pianos e órgãos, e o envolvimento de mais músicos, vocalistas e líderes de adoração na adoração congregacional. Algumas agrupamentos musicais, tal como a banda cristadelfiana de folk rock Fisher‘s Tale também surgiu em anos recentes. Na Austrália, a instituição "Christadelphian Arts Trust" foi estabelecida em 1995 com o

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propósito de apoiar artes visuais, dramática, musicais e de representação assim como conduzir seminários sobre adoração e autoria de canções.

Referências

1. Ver Colossenses 1:2 - "irmãos em Cristo".

2. Bíblia Aberta. Os Cristadelfianos (Irmãos em Cristo), introdução (em inglês) - Carter, John (Maio 1955). "Our name". The Christadelphian 92:181.

3. 4. ↑ (em inglês) - "Christadelphians", The Columbia Encyclopedia. Disponível online ↑ (em inglês)
3.
4.
↑ (em inglês) - "Christadelphians", The Columbia Encyclopedia. Disponível online
↑ (em inglês) - Ecclesias Around the World Christadelphia World Wide
5.
↑ (em inglês) - CBM Worldwide Guide 2006, Christadelphian Bible Mission(Reino Unido),
2006.
6.
↑ (em inglês) - UK Christian Handbook 2004, as quoted in 'Focus on Christadelphian
Community', Multicultural Matters, Outubro de 2004 (Londres: Building Bridges, 2004).
Disponível online
7.
↑ (em inglês) - Religious Affiliation—Australia: 2001 and 1996 Census
8.
↑ (em inglês) - 'Christadelphians', The Columbia Encyclopedia. Disponível online
9.
↑ (em inglês) - 'Christadelphians', The Canadian Encyclopedia. Available online
10.
↑ (em inglês) - 2006 Census figures from Zealand Statistics
11.
↑ As Estatísticas para Malawi, Mozambique, Quénia, e Tanzânia: (em inglês) -
Christadelphian Bible Mission (UK); estatísticas da Índia: (em inglês) - CBM Worldwide
Guide 2007, Christadelphian Bible Mission (UK), 2007
12.
↑ Este grupo ficou à beira da extinção durante a maior parte de sua existência, mas o nome
foi revivido várias vezes por indivíduos que deixaram o grupo principal.(em inglês) -
Introdução (acedido a 09-02-2008)
13.
↑ Simplesmente identificada pelo nome Cristadelfianos na maioria dos países do mundo.
Algumas vezes conhecida na América do Norte como "Irmandade emendada".
14.
↑ Algumas secções deste grupo está actualmente procurando a unidade com o grupo
principal.
15.
↑ Actualmente procurando a unidade com o grupo principal. (em inglês)
http://cotbh.org/belief.php http://www.abrahamicfaithinniles.org/belief.php
16.
↑ Se separaram dos Bereanos em 1942, tomando uma posição muito rigorosa a respeito do
divórcio e novo casamento.
17.
↑ Principalmente descendentes dos conservadores no grupo central que deixaram o grupo
principal como um protesto contra as reuniões no Reino Unido e na Austrália em 1957.
18.
↑ Principalmente, descendentes dos conservadores na Irmandade emendada que que não
aceitaram a reunião na América do Norte em 1952
19.
↑ Principalmente cismas entre os Bereanos, Irmandade Aurora, ou Caminhos Antigos:
20.
21.
22.
23.
Companion = 40 (Austrália), Remnant = 30 (Londres, Reino Unido), Eclésia de Cristo = 20
(Nottingham, Reino Unido). Também a Irmandade dos Nazarenos = 5 (Reino Unido 2,
Austrália 3)
↑ (em inglês)http://www.cbma.net/pages/activities.php
↑ (em inglês) http://www.thechristadelphian.com
↑ (em inglês)http://www.testimony-magazine.org/
↑ (em inglês) http://www.tidings.org

Bibliografia

(em inglês) - Stephen Hill, The Life of Brother John Thomas 1805 to 1871 (2006).

33

(em inglês) - Peter Hemingray, John Thomas, His Friends and His Faith (2003: ISBN 81-

(em inglês) - Andrew R. Wilson, The History of the Christadelphians 1864-1885 The Emergence of a Denomination (Shalom Publications, 1997 ISBN 0-646-22355-0).

(em inglês) - Charles H. Lippy, The Christadelphians in North America (Lewiston/Queenston: Edwin Mellen Press, 1989).

(em inglês) - Harry Tennant, The Christadelphians: What they believe and preach (Birmingham, England: The Christadelphian, 1986 ISBN 0-85189-119-5).

 (em inglês) - Bryan R. Wilson, Sects and Society: A Sociological Study of the
 (em inglês) - Bryan R. Wilson, Sects and Society: A Sociological Study of the Elim
Tabernacle, Christian Science and Christadelphians (London: Heinemann, 1961;
Berkeley/Los Angeles: University of California Press, 1961).
Os três (Deus Pai, Jesus Cristo e Espírito Santo) separados
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias também prega a separação de Deus que é pai,
Jesus Cristo que é filho literal na carne e Espírito Santo que é o que testifica aos homens as coisas
de Deus. Em consonância com a regra de fé (Primeira Regra de Fé) Joseph Smith Jr. o primeiro
profeta da igreja teve uma visão em que viu Deus e Jesus Cristo lado a lado, no que é conhecido
como a primeira visão. Existem outros que viram Deus e Jesus Cristo como seres separados, um
exemplo bíblico é Estevão, no qual é dito (na tradução de João Ferreira de Almeida):
"Mas ele, estando cheio de Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e
Jesus, que estava à direita de Deus; E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do
homem, que está em pé à mão direita de Deus." (Atos 7:55-56)
A Igreja da Unificação (Associação do Espírito Santo para a Unificação do Cristianismo Mundial)
fundada pelo Reverendo Sun Myung Moon, também prega e crê na separação entre as pessoas de
Deus, Jesus e o Espírito Santo. Segundo a Teologia Unificacionista, Deus, o Criador encerra em si
mesmo as dualidades masculina e feminina, e que Jesus representa a masculinidade perfeita de
Deus, enquanto que o Espírito Santo representa a femininidade perfeita de Deus. Se Jesus não
tivesse sido rejeitado pelos seus contemporâneos, Ele constituiria a primeira família perfeita (livres
do Pecado original), como Adão e eva restaurados e aperfeiçoados. Sua esposa seria a femininidade
divina em substância assim como Ele é a masculinidade divina em substância refletindo a perfeita
imagem de Deus na terra. Como ele morreu sem constituir uma família substancial, Jesus
permaneceu como a substância da masculinidade divina em espírito somente e o Espírito Santo
assumiu o papel da femininidade substancial em espírito somente, ficando a realização no plano
físico por conta da Segunda vinda do Cristo. Portanto para os unificacionistas, não é errado a crença
de que Jesus é Deus e o Espírito Santo é Deus, ou que ambos são Deus, já que isto pode ser dito de
um casal que substancialize as características duais de Deus de forma substancial aqui na terra (que
era o ideal de Deus para com Adão e Eva). Por isto Jesus era chamado o último adão, e também Ele
dizia que ele mesmo era Deus, ao mesmo tempo que O chamava de Pai.
Controvérsia ariana
A
Controvérsia ariana é um termo que agrupa um conjunto de controvérsias relacionadas ao

Arianismo que dividiram a Igreja cristã desde um pouco antes do Concílio de Niceia até depois do

Primeiro Concílio de Constantinopla em 381 dC. A mais importante destas controvérsias tem a ver com a relação entre Deus Pai e Deus Filho.

34

Primórdios em Alexandria

História

A história inicial da controvérsia ariana pode ser recontada com base em aproximadamente 35

documentos encontrados em diversas fontes. O historiador Sócrates Escolástico conta que Ário iniciou a controvérsia sob o Patriarca de Alexandria Áquila de Alexandria, quando ele fez o

seguinte silogismo: “ "Se o Pai gerou o Filho, ele que foi criado teve um
seguinte silogismo:
“ "Se o Pai gerou o Filho, ele que foi criado teve um início na sua existência. Daí é evidente
que houve um tempo em que o Filho não existia. Segue necessariamente que sua
substância veio do nada
— Ário,
Disputa com Alexandre de Alexandria
O bispo Alexandre de Alexandria foi criticado por sua reação lenta contra Ário. Como seu
predecessor, Dionísio de Alexandria, ele foi acusado de vacilar neste assunto. A questão que Ário
levantou havia sido deixada em aberto duas gerações antes. Portanto, Alexandre permitiu que a
controvérsia continuasse até que ele achou que ela tinha se tornado um perigo para a paz na Igreja.
Ele convocou um concílio de bispos e procurou aconselhar-se com eles. Uma vez que eles
decidiram contra Ário, Alexandre não demorou mais e depôs Ário de sua função e o excomungou,
assim como a seus seguidores.
O conflito entre as duas facções iniciou abruptamente quando Alexandre declarou a unidade da
Trindade em um dos seus sermões. Ário respondeu imediatamente rotulando a afirmação de
Alexandre de sabelianista, que já havia sido rejeitado naquele tempo. A controvérsia rapidamente
escalou e Ário conseguiu aumentar constantemente o apoio para as suas posições, conseguindo o
apoio de diversos diáconos e de pelo menos um presbítero. Ário continuou então a atrair ainda mais
atenção e apoio, a ponto de Alexandre ter sido obrigado a convocar duas assembléias separadas de
seus padres e diáconos para discutir o assunto. Nenhuma delas, porém, chegou à alguma conclusão
ou ajudou a limitar a propagação das ideias de Ário [1] .
Alexandre então convocou um sínodo da Igreja de Alexandria e da província vizinha de Mareótis
em 320 dC, com a única intenção de decidir que ação seria tomada sobre o assunto cada vez mais
complicado. No sínodo, trinta e seis presbíteros e quarenta e quatro diáconos - incluindo Atanásio -
concordaram em emitir uma crítica ao arianismo e assinar um documento formalizando-a. Ário
continuou tendo sucesso em propagar a sua nova crença em outros lugares, principalmente Mareótis
e na Líbia, onde Ário convenceu os bispos Segundo de Ptolemaida e Tomé de Marmarica a se
juntarem a ele. O sucesso de Ário em dividir os líderes da igreja tornou a possibilidade de um cisma
formal uma realidade [1] .

Em 321 dC, Alexandre convocou um concílio geral de toda a igreja do país (Concílio de Alexandria). O concílio reuniu menos de cem participantes. Nele, Ário continuou a argumentar suas posições iniciais, de que o Filho não poderia ser co-eterno com o Pai, chegando a afirmar que o Filho não era similar ao Pai em substância. Esta última afirmação foi recebida com horror pela assembléia do concílio, que colocou Ário sob anátema até que ele se retratasse de suas posições [1] .

35

Ário partiu para a Palestina, onde ele recebou apoio de um grande número de bispos, que expressaram sua opinião sobre o assunto à Alexandre. Um destes, Eusébio de Nicomedia, tinha conexões muito próximas com a corte imperial em Bizâncio e ajudou a propagar as ideias de Ário para ainda mais longe. O crescimento amplo deste movimento e a reação a ele da igreja estabelecida, levaram próprio imperador a escrever uma carta às partes envolvidas clamando pelo retorno à unidade na igreja e o fim desta amarga disputa sobre o que ele chamou de argumentos mesquinhos sobre minúcias ininteligíveis [1] .

Os seguidores de Ário em Alexandria passaram então a se dedicar à violência em defesa
Os seguidores de Ário em Alexandria passaram então a se dedicar à violência em defesa de suas
crenças, o que estimulou Alexandre a escrever uma encíclica à todos os bispos do Cristianismo, na
qual ele relatou a história do arianismo e sua opinião sobre as falhas no sistema ariano. Ao fazê-lo,
ele foi obrigado a indicar-lhes as ações de Eusébio de Nicomedia, que tinha convocado um concílio
provincial da igreja da Bitínia para discutir Ário. Este corpo reviu as ações de Alexandre e de seus
antecessores e, baseados nesta revisão, formalmente admitiram Ário na comunidade cristã siríaca.
Outras personalidades, incluindo Paulino de Tiro, Eusébio de Cesareia e Patrófilo de Citópolis
também indicaram seu apoio à Ário, permitindo a seus seguidores se juntarem para o Ofício Divino
da mesma forma que tinham feito antes em Alexandria [1] .
Acredita-se que Ário tenha escrito sua Thalia por volta desta época, o que ajudou a angariar ainda
mais apoio para sua causa. Este livro, combinado com as outras obras de Ário e as obras de
Alexandre em oposição, exacerbaram a disputa entre os que apoiavam e os que criticavam Ário.
Nesta atmosfera, aconselhado por Atanásio, Alexandre escreveu uma confissão de fé em defesa de
sua própria posição. Ele enviou este tomo para todos os bispos do Cristianismo pedindo-lhes que
endossassem a sua posição colocando a sua assinatura nas cópias. Ele recebeu de volta 250
assinaturas de sua obra, incluindo umas cem de sua própria diocese, além de 42 da Ásia, 37 da
Panfília, 32 da Lícia, 15 da Capadócia e várias outras. Ele também mantinha correspondência com
Alexandre de Constantinopla, protestando contra a violência dos arianos e contra a promulgação das
visões de Ário sobre a influências das mulheres e muitos outros assuntos do arianismo.
A disputa sobre o arianismos tinha se tornado um problema que já ameaçava danificar a paz e
unidade da igreja e do império. Constantino, agora o único reclamante ao trono após a exececução
de Licínio, escreveu uma carta "para Atanásio e Ário". Constantino escreveu da Nicomedia, de
modo que alguns concluíram que Eusébio de Nicomedia, bispo da Nicomedia e apoiador de Ário,
possa ter sido envolvido na composição da carta. Ela foi passada à Hósio de Córdoba, um
respeitado e idoso bispo, para que fosse entregue aos competidores em Alexandria. Na carta,
Constantino exige que Alexandre e Ário terminem sua disputa [1] .

Logo após ter recebido a mensagem de Constantino, Alexandre convocou outro concílio geral de sua diocese, que parece ser confirmado sua concordância com a profissão de fé que Alexandre tinha circulado como sendo um acordo sobre o uso do termo teológico "consubstancialidade". Ele também reafirmou a excomunhão de Ário e dos seguidores de Melécio, o quê, é claro, enfureceu os arianos de Alexandria ainda mais. Ário pessoalmente reclamou ao imperador sobre o tratamento que Alexandre havia lhe dado. Na sua resposta, Constantino conclamou Ário a se defender perante um concílio ecumênico da Igreja que seria realizado em Niceia, na Bitínia, em 14 de junho de 325, o primeiro deste tipo na história [1] .

O Concílio de Niceia (325 dC) Ariminum, Selêucia and Constantinopla (358-360 dC)

Em 358 dC, o imperador Constâncio II solicitou dois concílios, um dos bispos ocidentais em Ariminum e um dos orientais em Nicomédia [2][3] .

36

Em 359 dC, o concílio ocidental se reuniu em Ariminum. Ursácio de Sindidunum e Valente de Mursa declararam que o Filho era como o Pai "de acordo com as Escrituras", seguindo um novo credo (Homoios - homoiano) esboçado em Sirmium (em 359 dC). Muitos dos mais ativos apoiadores do credo de Niceia deixaram o concílio, que acabou adotando o novo credo, inclusive com o apoio de alguns que antes defendiam o antigo [2][3] . Após o concílio, o Papa Libério condenou o credo de Rimini ao mesmo tempo que o seu riva, o Antipapa Félix II o apoiou [4] .

Um terremoto atingiu a Nicomédia, matando o bispo Cecrópio de Nicomédia e, em 359 dC, o concílio oriental acabou mudando a sede e acabou se realizando em Selêucia. O concílio estava profundamente dividido, não tinha procedimentos regulares e os dois partidos acabaram se reunindo separadamente e chegando a decisões opostas. Basílio de Ancira e seu partido declararam que o Filho era de substância similar à substância do Pai, seguindo o credo de Antioquia de 341 dC (Homoiousia - homoiousiano) e depôs o partido opositor. Acácio de Cesareia declarou que o Filho era como o Pai, introduzindo um novo credo (Homoios - homoiano) [4][5]

Dada a indefinição, Constâncio solicitou um terceiro concílio, em Constantinopla (359 dC), reunindo tanto os
Dada a indefinição, Constâncio solicitou um terceiro concílio, em Constantinopla (359 dC),
reunindo tanto os bispos ocidentais quanto os orientais, para resolver a divisão criada em Selêucia.
Acácio desta vez declarou que o Filho seria igual ao Pai "de acordo com as Escrituras". Basílio de
Ancira, Eustátio de Sebaste e seu partido declararam novamente que o Filho era de substância
similar à do Pai, como na decisão majoritária de Selêucia. Máris de Calcedônia, Eudóxio de
Antioquia e os diáconos Aécio e Eunômio declararam que o Filho era de uma substância diferente
da do Pai (Anomoios - credo anomoeano ou heteroousiano) [6][7] . Os heteroousianos derrotaram os
homoiousianos num debate inicial, mas Constâncio baniu Aécio [6] . Depois disso, o concílio,
incluindo Máris e Eudóxio [7] concordaram como o credo homoiano de Ariminum com mínimas
modificações [6][7] .
Após o Concílio de Constantinopla (360), o bispo homoiano Acácio de Cesareia depôs e baniu
diversos bispos homoiousianos, incluindo Macedônio I de Constantinopla, Basílio, Eustátio,
Elêusio de Cízico, Dracôntio de Pérgamo, Neonas de Selêucia, Sofrônio de Pompeiópolis, Elpídio
de Satala e Cirilo de Jerusalém [8][9] . Ao mesmo tempo, Acácio também depôs e baniu o diácono
anomoeano Aécio [8] .
Em 360 dC, Acácio indicou Eudóxio de Antioquia para substituir Macedônio e Atanásio de Ancira
para o lugar de Basílio, assim como Onésimo de Nicomédia para o lugar de Cecrópio, que tinha
morrido no terremoto [8] .
A controvérsia na década de 360
Em 361 dC, Constâncio morreu e Juliano, o Apóstata se tornou o único imperador romano. Ele logo
demandou que diversos templos pagãos que os cristãos tinham se apoderado ou destruído fossem
restaurados [10] . De acordo com Filostórgio, os pagãos mataram Jorge de Laodiceia, bispo de
Alexandria, permitindo que Atanásio de Alexandria retornasse para a sé episcopal [11] .
O Concílio de Constantinopla de 381 dC

Concílios envolvidos

Partidos

Homoousianos - os que prevaleceram

37

Os homoousianos ensianvam que o Filho é da mesma substância que o Pai, ou seja, ambos são não- criados. A forma sabeliana foi condenada já no século III dC. A forma atanasiana foi declarada ortodoxa no Concílio de Constantinopla de 383 dC e se tornou a base do trinitarismo moderno [12] . Os principais aderentes eram:

Asclepas, bispo de Gaza [21] .

 Ósio de Córdoba, bispo de Córdoba (?- (359). [14]  Lúcio de Adrianopla, bispo
Ósio de Córdoba, bispo de Córdoba (?-
(359). [14]
Lúcio de Adrianopla, bispo de Adrianopla
(?-351). [22] .
Eusébio de Cesareia, bispo de Cesareia
(ca. 313-339). [15]
Máximo II de Jerusalém, bispo de
Jerusalém (333-350) [23] .
Eustátio de Antioquia, (possivelmente
sabeliano) bispo de Antioquia (ca. 325-
330) [16] .
Paulino, bispo de Treveris, que apoiou
Atanásio em Milão [17] .
Dionísio de Alba, bispo de Alba, que
apoiou Atanásio em Milão [17]
Dionísio de Alba, bispo de Alba, que
apoiou Atanásio em Milão [17] .
Ciro de Beroe, (possivelmente sabeliano)
bispo de Beroe (atual Stara Zagora) [16] .
Eusébio de Vercelli, bispo de Vercelli
(340-371), que apoiou Atanásio em
Milão [17] .
Atanásio de Alexandria, bispo de
Alexandria (326-373), futuro rival dos
arianos Gregório da Capadócia e Jorge de
Laodiceia). [18]
Angelius, (Novaciano) bispo de
Contantinopla. [24]
Paulo I de Constantinopla, bispo de
Constantinopla (336-351), futuro rival de
Eusébio de Nicomédia e de Macedônio I
de Constantinopla [19] .
Marcelo de Ancira e Fotino de Sirmium
De acordo com o historiador Sócrates Escolástico, Marcelo de Ancira e Fotino de Sirmium
ensinaram "que Cristo era apenas um homem." [25] . Seus oponentes associaram os ensinamentos de
Marcelo de Ancira e de Fotino de Sirmium com os de Sabélio e Paulo de Samósata, que já tinham
sido amplamente rejeitados antes da controvérsia [26] .
Marcelo, bispo de Ancira (?-336 e ca. 343-c. 374) e crítico de Astério, o Sofista [27] .
Fotino, bispo de Sirmium (?-351) e, no exílio, (351-376). De acordo com Sócrates e
Sozomeno, Fotino foi um seguidor de Marcelo [28]
Em 336 dC, um julgamento eclesiástico em Constantinopla depôs Marcelo e condenou suas
doutrinas [29] .
Papa Júlio I apoiou Marcelo e apelou por sua restauração [20] .
Em 342 ou 343 dC, o majoritariamente ocidental Concílio de Sardica restaurou Marcelo ao
mesmo tempo que o majoritariamente oriental Concílio de Filipópolis manteve sua
deposição [30] .
Sob pressão de seu co-imperador Constante, Constâncio II inicialmente apoiou a decisão de
Sardica. Porém, após a morte de Constante, ele reverteu sua decisão [31] .

Em 351 dC, um julgamento eclesiástico no Concílio de Sirmium depôs Fotino e condenou seus ensinamentos [32] .

38

Homoiousianos

A escola homoiousiana ensinava que o Filho era de uma substância similar à do Pai [33][34] . Os principais expoentes desta corrente eram:

  Eudóxio de Antioquia, bispo de Germanícia (?-358), Antioquia (358-359), e Constantinopla (360-370), que
Eudóxio de Antioquia, bispo de Germanícia (?-358), Antioquia (358-359), e Constantinopla
(360-370), que apoiou o Macrostich) [40][41] .
Eustátio de Sebaste, bispo de Sebaste [35][42] .
Sabino de Heracleia, bispo de Heracleia [43] .
Homoianos
Os homoianos ensinavam que o Filho era similar ao Pai, tanto "em todas as coisas" ou "de acordo
com as escrituras", sem se jamais se referir à substância [34] . Diversos membros de outras escolas,
como Ósio de Córdoba e Aécio, também aceitavam a fórmula homoiana [44] . Esta fórmula foi
rascunhada no Concílio de Sirmium e efetivamente proposta no Concílio de Ariminum, ambos em
359 dC [1] . Os principais expoentes deste partido foram:
 Ursácio de Singidunum, inicialmente um homoiousiano e posteriormente um homoousiano
e, finalmente, um homoiano, bispo de Singidunum (atual Belgrado), que foi um oponente de
Atanásio [45] .
 Valente de Mursa, inicialmente um homoiousiano, depois um homoousiano e finalmente um
homoiano bispo de Mursa, também oponente de Atanásio [45] .
 Germínio de Sirmium [3] .
 Auxêncio de Milão (m. 374), bispo de Mediolanum [3] .
 Demófilo de Constantinopla, bispo de Berae (?-370) e Constantinopla (370-380) [3][46] .
 Acácio de Cesareia, bispo de Cesareia (340-366). [47] .
Heteroousianos
Os heteroousianos ensinavam que o Filho é de uma substância diferente do Pai, ou seja, criado.
Ário ensinava assim no início da controvérsia e Aécio ensinaria a forma final do
Anomoeanismo [48][49]
Ário, presbítero em Alexandria. [50][51] .
Eusébio de Nicomedia, um dos mais
fervorosos seguidores de Ário, morto no
auge de seu poder em 342 dC.
Cândido, bispo (anomoeano) da Lídia,
(ca. 363 - ?) [53] .
Arriano, bispo (anomoeano) de Jonia, (ca.
363-?) [53] .
Teófilo, o indiano, que posteriormente
apoiou Aécio [52][53] .
Aécio de Antioquia, que fundou a tradição
anomoeanista , posteriormente bispo (361-
Florêncio, bispo (anomoeano) de
Constantinopla, (c. 363 - ?,
contemporâneo de Eudóxio de
Antioquia) [53] .

?). [54][55] .

Eunômio de Cízico, bispo (anomoeano) de Cízico (360-361) e bispo exilado (361- c. 393). [55][56] .

Teódolo, bispo (anomoeano) de Chaeretapa (? - ca. 363) e da Palestina

Talus, bispo (anomoeano) de Lesbos, (ca.

363 - ?, contemporâneo de Eudóxio de

Eufrônio, bispo (anomoeano) da Galácia, do Mar Negro e da Capadócia, (ca. 363 -

?) [53] .

39

(ca. 363-c. 379) [4][53][57] .

de

Constantinopla, (ca. 363 - ?, contemporâneo de Eudóxio de Antioquia [53] .

Paemênio,

bispo

(anomoeano)

Juliano, bispo (anomoeano) da Cilícia, (ca. 363 - ?) [53] .

Serras, Estevão e Heliodoro, bispos (anomoeanos) do Egito, (ca. 363 - ?) [53] .

Filostórgio, historiador.

Referências

1. ↑ a b c d e f g h ATIYA, Aziz S The Coptic
1.
↑ a b c d e f g h ATIYA, Aziz S
The Coptic Encyclopedia (em inglês). New York: Macmillan
Publishing Company, 1991. ISBN 0-02-897025-X
2.
↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Bishops assembled at Antioch, on the
Refusal of Eusebius of Emisa to accept the Bishopric of Alexandria, ordain Gregory, and
change the Language of the Nicene Creed. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 10, vol. II.
3.
↑ a b c d e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod at Ariminum, and the
Creed there published. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 37, vol. II.
4.
↑ a b c Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Acacius, Bishop of Cæsarea, dictates a
new Form of Creed in the Synod at Seleucia. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 40, vol. II.
5.
↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. IV.
6.
↑ a b c Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 12, vol. IV. e
Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1, vol. V.
7.
↑ a b c Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: On the Emperor's Return from the West,
the Acacians assemble at Constantinople, and confirm the Creed of Ariminum, after making
Some Additions to it. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 41, vol. II.
8.
↑ a b c Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1, vol. V.
9.
↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: On the Deposition of Macedonius, Eudoxius
obtains the Bishopric of Constantinople. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 42, vol. II.
10.
↑ CHADWICK, Henry. History of the Early Church (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 9,
11.
↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2, vol. VII.
12.
↑ LOHSE, Bernhard. A Short History of Christian Doctrine (em inglês). [S.l.: s.n.]. 56-59 &
63 p. e Peter Heather & John Matthews. Goths in the Fourth Century (em inglês). [S.l.:
s.n.]. 127-128 p
13.
↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Dispute of Arius with Alexander, his
Bishop & Division begins in the Church from this Controversy; and Alexander Bishop of
Alexandria excommunicates Arius and his Adherents. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo:
5&6, vol. I.
14.
↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Emperor Constantine being grieved at the
Disturbance of the Churches, sends Hosius the Spaniard to Alexandria, exhorting the Bishop
and Ariusto Reconciliation and Unity. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 7, vol. I. e Sócrates
Escolástico. História Eclesiástica: Of Hosius, Bishop of Cordova. (em inglês). [S.l.:
15.
16.
s.n.]. Capítulo: 31, vol. II
↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Defense of Eusebius Pamphilus. (em inglês).
[S.l.: s.n.]. Capítulo: 31, vol. II.
↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Presbyter who exerted himself for
the Recall of Arius. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 25, vol. I

17. a b c d Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod at Milan. (em inglês). [S.l.:

s.n.]. Capítulo: 36, vol. II

18. Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Diversos (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 23, 27-32 & 34-35, vol. I.

19. Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Diversos (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6- 7, 12 & 16, vol. II.

40

20.

a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Athanasius and Paul going to Rome, and having obtained Letters from Bishop Julius, recover their respective Dioceses. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 15, vol. II.

21. Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Constantius, being Afraid of his Brother's Threats, recalls Athanasius by Letter, and sends him to Alexandria. (em inglês). [S.l.:

s.n.]. Capítulo: 23, vol. II. 22. Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Constantius, being Afraid of his Brother's Threats, recalls Athanasius by Letter, and sends him to Alexandria. (em inglês). [S.l.:

s.n.]. Capítulo: 23, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: After the Death of Constans,
s.n.]. Capítulo: 23, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: After the Death of
Constans, the Western Emperor, Paul and Athanasius are again ejected from their Sees: the
Former on his Way into Exile is slain; but the Latter escapes by Flight. (em inglês). [S.l.:
s.n.]. Capítulo: 26, vol. II.
23. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Athanasius, passing through Jerusalem on his
Return to Alexandria, is received into Communion by Maximus: and a Synod of Bishops,
convened in that City, confirms the Nicene Creed. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 24,
vol. II. & Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Cruelty of Macedonius, and Tumults
raised by him. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 38, vol. II.
24. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Cruelty of Macedonius, and Tumults raised by
him. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 38, vol. II.
25. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius
the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História
Eclesiástica: The Emperor of the West requests his Brother to send him Three Persons who
could give an Account of the Deposition of Athanasius and Paul. Those who are sent
publish Another Form of the Creed. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 18, vol. II
No livro I,
capítulo 36 de sua História Eclesiástica, Sócrates afirma que Marcelo "ousou afirmar, como
os discípulos de Paulo de Samósata fizeram, que Cristo era apenas um homem" e no livro 2,
capítulo 18, diz que "Fotino afirmou que o Filho de Deus era apenas um homem".
26. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius
the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História
Eclesiástica: Of the Heresiarch Photinus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. II.
27. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius
the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História
Eclesiástica: Of the Council at Sardica. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 20, vol. II.
28. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Emperor of the West requests his Brother
to send him Three Persons who could give an Account of the Deposition of Athanasius and
Paul. Those who are sent publish Another Form of the Creed. (em inglês). [S.l.:
s.n.]. Capítulo: 18, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Heresiarch
Photinus. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 29, vol. II.
Sozomeno. História Eclesiástica: Photinus, Bishop of Sirmium. His Heresy, and the Council
convened at Sirmium in Opposition thereto. The Three Formularies of Faith. This Agitator
of Empty Ideas was refuted by Basil of Ancyra. After his Deposition Photinus, although
solicited, declined Reconciliation. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. IV.
29. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius
the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sozomeno. História Eclesiástica:

Marcellus Bishop of Ancyra; his Heresy and Deposition. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo:

33, vol. II.

30. Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Council at Sardica. (em inglês). [S.l.:

s.n.]. Capítulo: 20, vol. II., Sozomeno. História Eclesiástica: The Long Formulary and the Enactments issued by the Synod of Sardica. Julius, Bishop of Rome, and Hosius, the Spanish Bishop, deposed by the Bishops of the East, because they held Communion with Athanasius and the Rest. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 11, vol. III. e Sozomeno. História Eclesiástica: The Bishops of the Party of Julius and Hosius held another Session and

41

deposed the Eastern High Priests, and also made a Formulary of Faith. (em inglês). [S.l.:

s.n.]. Capítulo: 12, vol. III.

31. Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Constantius, being Afraid of his Brother's Threats, recalls Athanasius by Letter, and sends him to Alexandria. (em inglês). [S.l.:

s.n.]. Capítulo: 23, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: After the Death of Constans, the Western Emperor, Paul and Athanasius are again ejected from their Sees: the Former on his Way into Exile is slain; but the Latter escapes by Flight. (em inglês). [S.l.:

s.n.]. Capítulo:

26,

vol. II.

Sozomeno. História Eclesiástica: Constantius again ejects Athanasius, and banishes those who represented the Homoousian
Sozomeno. História Eclesiástica: Constantius again ejects Athanasius, and banishes those
who represented the Homoousian Doctrine. Death of Paul, Bishop of Constantinople.
Macedonius: his Second Usurpation of the See, and his Evil Deeds. (em inglês). [S.l.:
s.n.]. Capítulo: 2, vol. IV.
32.
↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Heresiarch Photinus. (em inglês). [S.l.:
s.n.]. Capítulo: 29, vol. II. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Creeds published at
Sirmium in Presence of the Emperor Constantius. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 30,
vol. II.
Sozomeno. História Eclesiástica: Photinus, Bishop of Sirmium. His Heresy, and the Council
convened at Sirmium in Opposition thereto. The Three Formularies of Faith. This Agitator
of Empty Ideas was refuted by Basil of Ancyra. After his Deposition Photinus, although
solicited, declined Reconciliation. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. IV.
33.
↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 9, vol. IV.
34.
↑ a b Peter Heather & John Matthews. Goths in the Fourth Century. [S.l.: s.n.]. 128 p., que
lida principalmente com a controvérsia posterior.
35.
↑ a b c Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. VIII.
36.
↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Marcellus Bishop of Ancyra, and Asterius
the Sophist. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 36, vol. I. e Sócrates Escolástico. História
Eclesiástica: On the Deposition of Macedonius, Eudoxius obtains the Bishopric of
Constantinople. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 42, vol. II.
37.
↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 9, vol. IV. e
Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. VIII.
38.
↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 16, 27, 38 &
42, vol. II.
39.
↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod held at Antioch, which deposed
Eustathius, Bishop of Antioch, on whose account a Sedition broke out and almost ruined the
City. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 24, vol. I. e Sócrates Escolástico. História
Eclesiástica: The Funeral of the Emperor Constantine. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 40,
vol. I.
40.
↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4 & 12, vol. II.
41.
↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 19, 37 & 40,
vol. II.
42.
↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Heresy of Macedonius. (em inglês). [S.l.:
43.
s.n.]. Capítulo: 45, vol. II.
↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of the Synod which was held at Nicæa in
Bithynia, and the Creed there put forth. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 8, vol. I. e Sócrates
Escolástico. História Eclesiástica: Athanasius and Paul going to Rome, and having obtained
Letters from Bishop Julius, recover their respective Dioceses. (em inglês). [S.l.:

s.n.]. Capítulo: 15, vol. II

44. Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 3, vol. IV. para Ósio; Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 8, vol. IV. para Aécio.

45. a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Arius having returned to Alexandria with the Emperor's Consent, and not being received by Athanasius, the Partisans of Eusebius bring Many Charges against Athanasius before the Emperor. (em inglês). [S.l.:

42

s.n.]. Capítulo: 27, vol. I. e Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.:

s.n.]. Capítulo: 12 & 37, vol. I.

46. Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 19, vol. IX. 47. Sócrates Escolástico. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4, 39 & 40, vol. II. 48. Filostórgio, em Fócio, Epítome da História Eclesiástica de Filostórgia, livro 3, capítulo 5; livro 4, capítulo 12 e livro 6, capítulo 5 se referem à "substância diferente"; livro 4, capítulo 12 se refere à "substâncias dissimilares" e livro 4, capítulos 4 & 12 e livro 5, capítulo 1 se referem à "diferentes em substância" ou "diferenças na substância." Peter Heather & John Matthews. Goths in the Fourth Century (em inglês). [S.l.: s.n.]. 127-

49. 128 p Este último discute principalmente a parte final da controvérsia e menciona apenas
49.
128 p
Este último discute principalmente a parte final da controvérsia e menciona apenas o
Anomoeanismo, sem utilizar o termo Heteroousiano.
50. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: The Dispute of Arius with Alexander, his
Bishop. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 5, vol. I.
51. ↑ Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Division begins in the Church from this
Controversy; and Alexander Bishop of Alexandria excommunicates Arius and his
Adherents. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. I.
52. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 5, vol. 3.
53. ↑ a b c d e f g h i j Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 2,
vol. VIII.
54. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 6, vol. 7.
55. ↑ a b Sócrates Escolástico. História Eclesiástica: Of Aëtius the Syrian, Teacher of
Eunomius. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 35, vol. II.
56. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 3, vol. 5. e Filostórgio.
História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1-3, vol. 6.
57. ↑ Filostórgio. História Eclesiástica (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 18, vol. 9.
Ligações externas
 Documentos do início da controvérsia ariana (em inglês). fourthcentury.com. Página
visitada em 18/10/2010
Notas
1. ↑ The Arian Controversy in
2. ↑ Nele se afirmava que o Verbo era o verdadeiro Deus, consubstancial ao Pai, possuindo em
comum com Ele a natureza divina e as mesmas perfeições.
3. ↑ Despertai! 8 de fevereiro de 1985, página 17
Bibliografia
 SPINELLI, Miguel. Helenização e Recriação de Sentidos. A Filosofia na Época da
Expansão do Cristianismo – Séculos II, III e IV. Porto Alegre: Edipucrs, 2002 pp. 237 a 292

Docetismo

Docetismo (do grego δοκέω [dokeō], "para parecer") é o nome dado a uma doutrina cristã do século II, considerada herética pela Igreja primitiva.

Antecedente do Gnosticismo, defendia que o corpo de Jesus Cristo era uma ilusão, e que sua crucificação teria sido apenas aparente. Não existiam "docetas" enquanto seita ou religião específica, mas como uma corrente de pensamento que atravessou diversos estratos da Igreja.

43

Esta doutrina é refutada pela Igreja Católica e pelos protestantes com base no Evangelho de São João, onde no primeiro capítulo se afirma que "o Verbo se fez carne". Autores cristãos posteriores, como Inácio de Antioquia e Ireneu de Lião deram os contributos teológicos mais importantes para a erradicação deste pensamento, em especial o último que, na sua obra Adversus Haereses defendeu as ideias principais que contrariavam o docetismo, ou seja, a teologia do Cristocentrismo, a recapitulação em Cristo do Homem caído em pecado e a união entre a Criação, o pecado e a Redenção.

A origem do docetismo é geralmente atribuída a correntes gnósticas para quem o mundo material
A origem do docetismo é geralmente atribuída a correntes gnósticas para quem o mundo material
era mau e corrompido e que tentavam aliar, de forma racional, a Revelação disposta nas escrituras à
filosofia grega. Esta doutrina viria a ser condenada como heresia no Concílio Ecumênico de
Calcedônia.
Bibliografia
 PINHO, Arnaldo de. Docetismo in Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira da Cultura, Edição
Século XXI, Volume IX, Editorial Verbo, Braga, Abril de 1999.
Gnosticismo
Gnosticismo [1] - (do grego Γνωζηικιζμóς (gnostikismós); de Γνωζις (gnosis): 'conhecimento') é
um conjunto de correntes filosófico-religiosas sincréticas que chegaram a mimetizar-se com o
cristianismo nos primeiros séculos de nossa era, vindo a ser declarado como um pensamento
herético após uma etapa em que conheceu prestígio entre os intelectuais cristãos. [2] De fato, pode
falar-se em um gnosticismo pagão e em um gnosticismo cristão, ainda que o pensamento gnóstico
mais significativo tenha sido alcançado como uma vertente heterodoxa do cristianismo primitivo.
Alguns autores fazem uma distinção entre "Gnosis" e "gnosticismo". A gnose é, sem dúvida, uma
experiência baseada não em conceitos e preceitos, mas na sensibilidade do coração. Gnosticismo,
por outro lado, é a visão de mundo baseada na experiência de Gnose, que tem por origem
etimológica o termo grego gnosis, que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento
racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo
e
transcendental; Sabedoria. É usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo
e
do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o
encontro do homem com sua essência eterna, centelha divina, maravilhosa e crística, pela via do
coração. É uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada
e
vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.
O
movimento originou-se provavelmente na Ásia Menor, difundindo-se da região do Irã à Gália,
exercendo a sua maior influência sobre o cristianismo entre os anos de 135 e 200. Tem como base
elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Antigo Egito, Síria e Grécia Antiga,
combinando elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas como os do Elêusis, do
Zoroastrismo, do Hermetismo, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo.

Num texto hermético lê-se que a gnosis da Mente é a "visão das coisas divinas". G.R.S.Mead acrescenta que "Gnosis não é conhecimento sobre alguma coisa, mas comunhão, conhecimento de Deus". Este é o grande objetivo, conhecer "Deus", a Realidade em nós. Não é a crença, a ou o simples conhecimento o que importa. O fundamental é a comunhão interior, o religar da Mente individual com a Mente universal, a capacidade do homem "transcender os limites da dualidade que faz dele homem e tornar-se uma consciência divina".

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A posse da Gnosis significa a habilidade para receber e compreender a revelação. O verdadeiro

Gnóstico é aquele que conhece a revelação interior ou oculta desvelada e que também compreende

a revelação exterior ou pública velada. Ele não é alguém que descobriu a verdade a seu respeito por meio de sua própria desamparada reflexão, mas alguém para quem as manifestações do mundo interior são mostradas e tornaram-se inteligíveis. O início da Perfeição é a Gnosis do Homem, porém a Gnosis de Deus é a Perfeição aperfeiçoada. "Aperfeiçoamento" é um termo técnico para o desenvolvimento na Gnosis, sendo o Gnóstico realizado conhecido como o "perfeito", "parfait".

A entrada na senda da Gnosis é chamada 'voltar para casa'. Como vimos, é um
A entrada na senda da Gnosis é chamada 'voltar para casa'. Como vimos, é um retorno, um virar as
costas ao mundo, um arrependimento de toda natureza: "Devemos nos voltar para o velho, velho
caminho".
"Somente o batismo não liberta mas sim, a gnosis, o conhecimento interior de quem somos, o que
nos tornamos, onde estamos, para onde vamos. O que é nascimento, o que é renascimento". "Gnosis
sobre quem éramos e no que nos tornamos; onde estávamos e onde viemos parar; para onde nos
dirigimos e onde somos redimidos; o que é a geração, e o que é a regeneração". (Extratos de
Theodotus)
Ingressar na Gnosis é um despertar do sono e da ignorância de Deus, da embriaguez do mundo para
a temperança virtuosa. "Pois o mal [ilusão] do não conhecimento está inundando toda a terra e
trazendo total ruína à alma aprisionada dentro do corpo, impedindo-a de navegar para os portos da
salvação."
Doutrina Gnóstica
O pré-requisito essencial da filosofia gnóstica é o postulado da existência de uma "entidade
imortal", que não é parte deste mundo, que pode ser chamado de Deus interno, Centelha divina,
Crístico, divina essência etc, que existe em todos os homens e é a sua única parte imortal. Os
gnósticos consideram que o estado do homem neste mundo é "anti-natural", pois ele está submetido
a todo tipo de sofrimentos. Para eles, é necessário que o homem se liberte deste sofrimento, e isto só
pode ocorrer pelo conhecimento.
Os gnósticos, de um modo geral, acreditam que o Universo manifestado principia com emanações
do Absoluto, seres finitos chamados de Æons que se reúnem no Pleroma. No princípio tudo era Uno
com o Absoluto, então em um determinado momento, emanaram do Absoluto estes æons (éons),
formando o pleroma. O pleroma dos gnósticos é um plano arquetípico, abaixo do qual está o plano
material, manifestado. Assim, o que antes era Uno e vivia no pleroma, se despedaça em partes. Este
estado de infelicidade, pela descida no pleroma (e separação do Todo Uno), é o que ocasiona o
sofrimento do homem neste mundo.
Um dos éons (Sophia) deu à luz o Demiurgo (artesão em grego), que criou o mundo material
"mau", juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem. Os gnósticos
ensinavam que a salvação vem por meio de um desses éons, geralmente apresentado como o décimo
terceiro éon (identificado com o Cristo), distinto dos doze éons que regem o mundo decaído.

Segundo a doutrina, Cristo se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado. Segundo algumas linhas gnósticas, Cristo não veio em carne e nunca assumiu um corpo físico, nem foi sujeito à fraqueza e às emoções humanas, embora parecesse ser um homem, enquanto a principal linha de gnosticismo cristão, a Valentiniana defende a tese próxima do nestorianismo, doutrina cristã nascida no Século V, segundo a qual há em Jesus Cristo duas pessoas distintas, uma humana e outra divina, sendo Cristos (o ungido) o éon

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celestial que a um tempo se une a Jesus. Alguns historiadores afirmam que o apóstolo João se refere

esse assunto quando enfatiza que "o Verbo se fez carne" (Jo l .14) e em sua primeira epístola que "

"todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus

(l Jo 4.3). Os

a

escritos joaninos são do final do primeiro século, quando nasceu o gnosticismo. No entanto, muitas comunidades gnósticas tinham o Evangelho de João em alta conta.

Dualismo e monismo - Normalmente, os sistemas gnósticos são vagamente descritos como sendo "dualistas" em natureza, o que significa que tem a visão do mundo constituído ou explicável como

duas entidades fundamentais. Hans Jonas escreve: "A característica central do pensamento gnóstico é o radical
duas entidades fundamentais. Hans Jonas escreve: "A característica central do pensamento gnóstico
é o radical dualismo que rege a relação de Deus e o mundo e, correspondentemente, do homem e o
mundo. " Dentro desta definição, que funcionam a gama do dualismo radical dos sistemas de
maniqueísmo, do dualismo mitigado de alguns movimentos gnósticos; a evolução Valentiniana
indiscutivelmente aborda uma forma de monismo, expresso em termos anteriormente utilizados de
forma dualista.
O dualismo radical - ou dualismo absoluto que postula duas forças divinas co-iguais. O
Maniqueísmo concebe dois reinos anteriormente coexistente da luz e da escuridão que se envolveu
em conflito, devido à caótica ações deste último. Posteriormente, alguns elementos da luz tornaram-
se aprisionados dentro da escuridão, o propósito da criação material é para decretar o lento processo
de extração destes elementos individuais, a fim de que o reino de luz prevalece sobre as trevas. Esta
mitologia dualista do zoroastrismo , no qual o espírito eterno Ahura Mazda é a oposição de sua
antítese, Angra Mainyu, os dois estão envolvidos em uma luta cósmica, a conclusão de que será ver
Ahura Mazda triunfante.
A criação no mito Mandeano, emanações progressivas do Supremo Ser de Luz, com cada emanação
provocando uma corrupção progressiva que resulta no aparecimento eventual de Ptahil, o deus das
trevas, que teve uma mão na criação de regras e passam a constituir o reino material. Além disso, o
pensamento gnóstico geral, comumente incluíam a crença de que o mundo material corresponde a
algum tipo de intoxicação provocada pelo mal os poderes das trevas para manter elementos da luz
aprisionada dentro dele, ou, literalmente, para mantê-los no escuro ", ou ignorantes, em um estado
de distração bêbado.
Dualismo mitigado - quando um dos dois princípios é, de alguma forma inferiores aos outros. Tais
movimentos gnósticos clássicos como o Sethiniano concebeu o mundo material como sendo criado
por uma divindade menor do que o verdadeiro Deus, que era o objeto de sua devoção. O mundo
espiritual é concebido como sendo radicalmente diferente do mundo material, co-extensivo com o
Deus verdadeiro, é a verdadeira casa de alguns membros iluminados da humanidade, portanto, estes
sistemas foram expressivos de um sentimento agudo de alienação do mundo, e seu objetivo era
permitir um resultado da alma, para escapar das limitações apresentadas pelo reino físico.

Monismo Qualificado - Elementos das versões do mito gnóstico Valentiniano sugerem para alguns que a sua compreensão do universo podem ter sido monista. Elaine Pagels afirma que " gnosticismo Valentiniano difere essencialmente do dualismo, enquanto, de acordo com SCHOEDEL "um elemento básico na interpretação dos Valentinianos é o reconhecimento de que elas são fundamentalmente monistas. Nesses mitos, a malevolência do demiurgo é mitigada; sua criação de uma materialidade falha não é devido a qualquer falha moral da sua parte, mas devido a sua imperfeição em contraste com as entidades superiores de que ele desconhece. Como tal, os Valentinianos já tem menos motivos para tratar com desprezo a realidade física do que um gnóstico Sethiniano

Para que o homem possa se libertar dos sofrimentos deste mundo, segundo os gnósticos, ele deve retornar ao Todo Uno, por ascensão ao pleroma, e isto só pode ser alcançado pelo Conhecimento

46

Verdadeiro (representado pela Gnose). Este despertar só pode ocorrer se o homem se descobre, "conhecendo-se a si próprio".

Para o Gnosticismo existem três níveis de realização. No nível mais elevado estão aqueles que eram chamados eleitos, ainda que sem um sentido elitista de exclusão. Entre os gnósticos, eles eram conhecidos como pneumáticos, que significa espirituais. O grupo seguinte, os intermediários, são os psíquicos ou religiosos. E, finalmente, os homens comuns, os muitos, na linguagem de Jesus, eram chamados pelos gnósticos, de ílicos ou materiais, pois aqueles que só estão voltados para os prazeres da vida material imediata, sem nenhum interesse pelo objetivo último da vida. Os textos gnósticos também tratam estes níveis como descendentes de Sete, Abel e Caim.

Assim, o ensinamento do Mestre Jesus, o Cristo - Aeon da Salvação, foi estruturado para
Assim, o ensinamento do Mestre Jesus, o Cristo - Aeon da Salvação, foi estruturado para atender as
necessidades desses três grupos de pessoas.
Para o povo em geral, para aqueles que estão voltados exclusivamente para a vida neste mundo, a
ênfase eram os ensinamentos sobre a ética e a vida diária.
Para os homens intermediários, que os gnósticos chamavam de religiosos, eram ensinamentos mais
abrangentes sobre a vida e a prática espiritual, sendo esses ensinamentos encontrados nas escrituras
cristãs. E é interessante lembrar que esse grupo intermediário, eram aqueles que nesta vida, em
função de suas decisões, determinações e postura de vida poderiam cair no grupo dos muitos, os
materialistas, ou então, elevarem-se e entrar no grupo dos eleitos, daqueles que poderiam vir a ser
salvos ou libertos.
E, finalmente, para o grupo dos assim chamados espirituais, os poucos, a tradição oferece
ensinamentos sobre o caminho acelerado. O caminho acelerado, com suas naturais exigências de
purificação e dedicação, só está aberto a poucos.
"As Escrituras Sagradas têm um sentido que é aparente à primeira vista, e um outro que a maioria
dos homens não percebe. Porque são escritas em forma de certos Mistérios, e à imagem de coisas
divinas. A respeito do que há uma opinião em toda a Igreja, que toda a Lei em verdade é espiritual,
porém que o sentido espiritual da Lei não é conhecido a todos, mas apenas aqueles que receberam
a graça do Espírito Santo na palavra de sabedoria e conhecimento". Orígenes " De Principiis"
Assim, os primeiros cristãos sabiam que dois tipos de pessoas se achegariam ao cristianismo, um
tipo sem o toque pneumático, e, portanto, incapaz de aproximar-se da salvação pelo conhecimento e
pela sabedoria dos Mistérios, mas possuindo apenas capacidade de assimilar pela fé o lado
superficial da Lei; o outro tipo, tocado pelo dom pneumático, pela centelha-espírito, que possuiria
plena capacidade de assimilar os conhecimentos e a sabedoria dos Mistérios divinos e descer ao
nível profundo e espiritual da Lei, podendo gozar de completa iluminação e redenção.
Grandes escolas gnósticas e seus textos

As escolas do Gnosticismo podem ser definidas de acordo com um dos sistemas de classificação como membros de duas grandes categorias. São elas as escolas "Orientais/Persas" e as escolas "Siríacas/Egípcias". As escolas da primeira categoria possuem tendências dualistas mais pronunciadas, refletindo a forte influência das crenças do Zorastrismo Zurvanista persa. Já as escolas síriaco-egípcias e os movimentos que elas deram origem têm tipicamente uma visão mais Monista. Notáveis exceções existem, incluindo movimentos relativamente modernos, que parecem ter incluído elementos de ambas as categorias, como os cátaros, os bogomilos e os carpocracianos.

47

Gnosticismo persa

As escolas persas, que apareceram na província da Babilônia e cujos escritos foram produzidos originalmente em dialetos aramaicos falados na região na época, representam o que se acredita serem as formas mais antigas do pensamento gnóstico. Estes movimentos são considerados pela maioria como religiões por si sós e não seitas emanadas do Cristianismo ou do Judaísmo.

 Mandeísmo é ainda praticado por pequenos grupos no sul do Iraque e na província
 Mandeísmo é ainda praticado por pequenos grupos no sul do Iraque e na província iraniana
do Khuzistão. O nome do grupo deriva do termo Mandā d-Heyyi, que significa
"Conhecimento da Vida". Embora a origem exata deste movimento não seja conhecida, João
Batista eventualmente se tornaria uma figura chave nesta religião, assim como ênfase no
batismo se tornou parte do cerne de suas crenças. Assim como no Maniqueísmo, apesar de
certos laços com o Cristianismo, os mandeanos não acreditam em Moisés, Jesus ou Maomé.
Suas crenças e práticas também tem poucas sobreposições com as religiões fundadas por
eles. Uma quantidade significativa das Escrituras originais Mandeanas sobreviveram até a
era moderna. O texto principal é conhecido como Genzā Rabbā e tem trechos identificados
pelos estudiosos como tendo sido copiados já no século II dC. Existe também o Qolastā, ou
"Livro Canônico de Oração" e o sidra ḏ-iahia, o "Livro de João Batista".
 Maniqueísmo, que representa toda uma tradição religiosa e que agora está quase extinto, foi
fundado pelo profeta Mani (216-276 dC). Embora acredite-se que a maior parte das
Escrituras dos maniqueístas tenha se perdido, a descoberta de uma série de documentos
originais ajudou a lançar alguma luz sobre o assunto. Preservados agora em Colônia,
Alemanha, o Codex Manichaicus Coloniensis contém principalmente informações
biográficas sobre o profeta e alguns detalhes sobre seus ensinamentos. Como disse Mani, "O
Deus verdadeiro não tem nada a ver com o mundo material e o cosmos", e "É o Príncipe das
Trevas que falou com Moisés, os judeus e seus sacerdotes. Portanto, cristãos, os judeus e os
pagãos estão envolvidos no mesmo erro quando adora este Deus. Pois ele os leva para
perdição através dos desejos que lhes ensinou". [3][4] .
Gnosticismo siríaco-egípcio
A escola siríaca-egípcia deriva muito de sua forma geral das influências platônicas. Tipicamente,
ela apresenta a criação numa série de emanações de um fonte primal monádica, finalmente
resultando na criação do universo material. Como consequência, há uma tendência nestas escolas
em ver o "mal" (ou a maldade) como a matéria, inferior à bondade, sem inspiração espiritual e sem
bondade, ao invés de retratá-lo como uma força igual. Podemos dizer que estas escolas gnósticas
utilizar os termos "bem" e "mal" como sendo termos "relativos", pois se referem aos relativos
apuros da existência humana, aprisionada entre estas realidades e confusa na sua orientação, com o
"mal" indicando a distância extremada do princípio e fonte do "bem", sem necessariamente
enfatizar uma negatividade inerente. Como pode ser visto abaixo, muitos destes movimentos
incluíram fontes relacionadas ao Cristianismo, com alguns inclusive se identificando como cristãos
(ainda que de forma distintamente diferente das chamadas formas ortodoxas ou católica romana).

Escrituras siríaco-egípcias

A maioria da literatura nesta categoria nos é conhecida ou foi confirmada pela descoberta da

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Obras Setianas, assim chamadas em homenagem ao terceiro filho de Adão e Eva, Sete (ou Seth), que eles acreditavam possuir e ser o disseminador da gnosis. As obras tipicamente setianas são:

A Hipóstase dos Arcontes, também conhecido por "A Realidade dos Regentes"

 Trovão, Mente Perfeita  Protenóia trimórfica  Livro Sagrado do Grande Espírito Invisível também
Trovão, Mente Perfeita
Protenóia trimórfica
Livro Sagrado do Grande Espírito Invisível também conhecido por "Evangelho
Copta dos Egípcios"
Zostrianos
Alógenes
As Três estelas de Sete
O Evangelho de Judas
 Obras Tomistas, assim chamadas por causa da escola de Tomé Apóstolo. Todos são
pseudepígrafos. Os textos geralmente atribuídos a ela são:
 Hino da Pérola, também conhecido como "Hino de Tomé Apóstolo Dídimo no país
dos Indianos"
 Atos de Tomé
 O Evangelho de Tomé
 Livro de Tomé o Adversário
 Obras Valentianas são assim chamadas em referência ao Bispo e professor Valentim (ca.
153 dC). Ele desenvolveu uma complexa cosmologia fora da tradição setiana. Em certo
ponto chegou a estar próximo de ser nomeado o Bispo de Roma, naquela que hoje é a Igreja
Católica Romana. As obras geralmente atribuídas a eles estão listadas abaixo, sendo que os
fragmentos que podem ser diretamente relacionadas a elas estão marcados com asterisco:
A Divina Palavra presente na Criança (Fragmento A) *
Sobre as Três Naturezas (Fragmento B) *
A Habilidade de falar de Adão (Fragmento C) *
Para Agathopous: O Sistema Digestivo de Jesus (Fragmento D) *
Aniquilação do Reino da Morte (Fragmento F) *
Sobre Amizade: A Fonte da Sabedoria Comum (Fragmento G) *
Epístola sobre Conexões Sentimentais (Fragmento H) *
Colheita de Verão *
Evangelho da Verdade *
A versão Ptolemaica do Mito Gnóstico
Prece do apóstolo Paulo
Epístola de Ptolomeu à Flora
Tratado sobre a Ressurreição, ou Epístola a Reginus.
Evangelho de Filipe

Obras Basilidianas, assim chamadas por causa do fundador da escola, Basilides (132? dC). Quase todas as obras são conhecidas por nós principalmente através da crítica de um de seus oponentes, Ireneu de Lyon, no seu livro Adversus Haereses. Outros trechos são conhecidos através das obras de Clemente de Alexandria, principalmente a Stromata [5] :

O Octeto das Entidades Subsistentes (Fragmento A)

49

A

The Singularidade do Mundo (Fragmento B)

Ser Eleito Naturalmente requer Fé e Virtude (Fragmento C)

O

Estado da Virtude (Fragmento D)

Os Eleitos Trascendem o Mundo (Fragmento E)

Reincarnação (Fragmento F)

O

Sofrimento Humano e a Bondade da Providência (Fragmento G)

Pecados Perdoáveis (Fragmento H)

Gnosticismo posterior e grupos influenciados pelo Gnosticismo  Outras escolas e movimentos relacionados; estão
Gnosticismo posterior e grupos influenciados pelo Gnosticismo
Outras escolas e movimentos relacionados; estão apresentado em ordem cronológica.
A cruz circular, harmônica era um emblema utilizado pelos cátaros, uma seita medieval relacionada
ao Gnosticismo.
Simão Mago e Marcião de Sinope: ambos tinham tendências gnósticas, mas as ideias
que eles apresentaram estavam ainda em formação; por isso, eles podem ser
descritos como pseudo- ou proto-gnósticos. Ambos desenvolveram um considerável
conjunto de seguidores. O pupilo de Simão Mago, Menandro de Antióquia também
pode ser incluído neste grupo. Marcião é popularmente identificado como gnóstico,
porém a maior parte dos estudiosos não entende assim [6] .
Cerinto (c. 100 dC), o fundador de uma escola herética com elementos gnósticos.
Como gnóstico, Cerinto mostrou Cristo como um espírito celeste separado do
homem Jesus e citou o Demiurgo como criador do mundo material. Porém, ao
contrário dos gnósticos, Cerinto ensinava os cristãos a observar a lei judaica; seu
demiurgo era sagrado e não inferior; e acreditava na Segunda vinda de Cristo. Sua
gnosis era um ensinamento secreto atribuído a um apóstolo. Alguns estudiosos
acreditam que a Primeira Epístola de João foi escrita em resposta a Cerinto [7] .
Os Ofitas, assim chamados por reverenciarem a serpente do Gênesis como um fonte
de conhecimento.
Os Cainitas, que como o nome implica, veneravam Caim, assim como Esaú, Korah e
os sodomitas. Há pouca evidência sobre a natureza deste grupo; porém, é possível
inferir que eles acreditavam que indulgência no pecado era a chave para a salvação,
pois dado que o corpo é intrinsecamente mau, é preciso denegri-lo com atitudes
imorais (veja libertinismo). O nome 'cainita' não é utilizado aqui no sentido bíblico
de "descendentes de Caim" (que segundo a Bíblia foram exterminados no Dilúvio).
Os Carpocracianos, uma seita libertina que acreditava unicamente no Evangelho dos
Hebreus.
Os Borboritas, uma seita libertina gnóstica, que acredita-se ser uma derivação dos
Nicolaítas

Os Paulicianos, um grupo adocionista, também acusado por fontes medievais como sendo gnóstica e quasi-maniqueísta. Eles floresceram entre 650 e 872 na Armênia e nas províncias (ou temas) orientais do Império Bizantino.

Os Bogomilos, a síntese (no sentido do sincretismo) entre o Paulicianismo Armênio e

o movimento reformista da Igreja Ortodoxa Búlgara, que emergiu durante o Primeiro império búlgaro entre 927 e 970, e se espalhou pela Europa.

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Os Cátaros (Cathari, Albigenses ou Albigensianos) são tipicamente vistos como imitadores do Gnosticismo. Se os cátaros possuíam ou não uma influência histórica direta do antigo Gnosticismo ainda é tema disputado, embora alguns acreditem que numa transferência de conhecimento dos bogomilos [8] . Embora as concepções básicas da cosmologia gnóstica possam ser encontradas nas crenças cátaras (principalmente a noção de um deus criador inferior, satânico). Catarismo é a religião do Espírito (do Paracleto). Eles se separaram dos outros gnósticos deixando de lado os éons, os arcontes, os diagramas e os números cabalísticos [carece de fontes?] .

Conceitos e termos importantes Note que o texto a seguir é formado por resumos das
Conceitos e termos importantes
Note que o texto a seguir é formado por resumos das várias interpretações gnósticas existentes. Os
papéis de alguns seres mais familiares, como Jesus Cristo, Sophia e o Demiurgo geralmente
compartilham os temais centrais entre os vários sistemas, mas pode haver algumas diferentes
funções ou identidades atribuídos a eles em cada uma.
Æon
Em muitos sistemas gnósticos, os aeons são várias emanações de um deus superior, que também é
conhecido por nomes como Mônada, Aion teleos (grego: "O Perfeito Aeon"), Bythos (grego: Βσθος
- 'profundidade') e muitos outros (veja o artigo principal). Deste ser inicial, também um Aeon, uma
série de diferentes emanações ocorreram, começando em alguns textos gnósticos com o
hermafrodita Barbelo [9][10][11] de quem sucessivos pares de Aeons emanam, frequentemente em
pares masculino-feminino chamados de sizígias [12] ; o número destes pares varia de texto para texto,
embora alguns identifiquem seu número como sendo trinta [13] . Os Aeons como uma "totalidade"
constituem o Pleroma, a "região de luz". As regiões mais baixas do Pleroma estão mais perto da
escuridão, ou seja, do mundo material [carece de fontes?] .
Dois dos Aeons mais frequentemente emparelhados são Jesus e Sophia (em grego: sabedoria). Ela
se refere a Jesus como seu 'consorte' em Exposição Valentiana [14] . Sophia, emanando sem o seu
parceiro resulta na criação do Demiurgo (em grego: "construtor público") [15] também chamado de
Yaldabaoth (ou variações) em alguns textos [9] . Esta criatura está escondida fora do Pleroma [9] , em
isolamento, e acreditando-se sozinha, ela cria a matéria e uma horda de co-atores, referidos como
Arcontes. O Demiurgo é reponsável pela criação da humanidade, pois assim ele pode aprisionar as
fagulhas do Pleroma roubadas de Sophia em corpos humanos [9][16] . Em resposta, o Mônada emana
dois Aeons salvadores, 'Cristo e o Espírito Santo; Cristo então se incorpora na forma de Jesus para
poder ensinar aos homens como alcançar a gnosis, pela qual eles poderão retornar ao Pleroma [9] .
Arconte
No final da antiguidade, algumas variantes do Gnosticismo utilizaram o termo "Arconte" para se
referir aos diversos servos do Demiurgo [16] . Neste contexto, eles podem ser entendidos como tendo
o papel dos anjos e demônios do Antigo Testamento.

De acordo com Contra Celso, de Orígenes, a seita dos Ofitas (veja acima Gnosticismo posterior e grupos influenciados pelo Gnosticismo) propuseram a existência de sete arcontes, começando com

o próprio Yaldabaoth, que criou os próximos seis: Iao, Sabaoth, Adonaios, Elaios, Astaphaios e Horaios [17][18] . Assim como o Chronos mitráico e o Narasimha védico (uma forma de Vishnu), Yaldabaoth tem a cabeça de um leão (embora tenha o corpo de uma serpente de acordo com o Apócrifo de João) [9][19][20] .

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Abraxas / Abrasax

Gravura de uma pedra de Abraxas. Os gnósticos egípcios seguidores de Basilides se referiam frequentemente
Gravura de uma pedra de Abraxas.
Os gnósticos egípcios seguidores de Basilides se referiam frequentemente à uma figura chamada
Abraxas, que estava no topo dos 265 seres espirituais (segundo Ireneu, Contra Heresias, I.24 [21] );
não está claro como interpretar o uso que Ireneu faz do termo 'Arconte', que pode significar apenas
'governante' neste contexto (veja Arconte). Nem o papel e nem o significado de Abraxas para esta
seita estão claros.
Textos encontrados na Biblioteca de Nag Hammadi, como o Livro Sagrado do Grande Espírito
Invisível, se referem a Abrasax como Aeon morando com Sophia e os outros Aeons na Totalidade
Espiritual, sob a luz do luminar Eleleth [22] .
Demiurgo
Uma divindade com face de leão encontrada numa gema gnóstica em L'antiquité expliquée et
représentée en figures de Bernard de Montfaucon pode ser uma representação do Demiurgo; porém,
veja também Chronos [23]

O termo Demiurgo deriva da forma latinizada do termo grego dēmiourgos (δημιοσργός), significando literalmente "servidor público ou trabalhador habilidoso" e se refere à uma entidade responsável pela criação do universo e de todo o aspecto físico da humanidade. O termo dēmiourgos ocorre em diversas outras religiões e sistemas filosóficos, principalmente o Platonismo. Julgamentos morais sobre o demiurgo variam de grupo para grupo dentro da grande categoria do Gnosticismo - estes julgamentos geralmente correspondem ao julgamento de cada grupo sobre o

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status da materialidade como sendo intrinsecamente má, ou meramente falha e tão boa quanto a passiva matéria que a consitui permite.

Como Platão faz, O Gnosticismo apresenta uma distinção entre uma realidade supranatural, incognoscível e a materialidade sensível, da qual o Demiurgo é o criador. Porém, em contraste com Platão, os diversos sistemas gnósticos apresentam o demiurgo como um antagonista do Deus Supremo: seu ato de criação, seja ele inconsciente e uma imitação fundamentalmente falha do modelo divino (veja o Mito da Caverna), ou formado com a intenção maligna de aprisionar aspectos do divino "na" materialidade. Portanto, nestes sistemas, o Demiurgo age como uma solução para o problema do mal. No Apócrifo de João, o Demiurgo - ali chamado de Yaldabaoth - se proclama como Deus:

“ Agora o arconte que é fraco tem três nomes. O primeiro nome é Yaldabaoth,
“ Agora o arconte que é fraco tem três nomes. O primeiro nome é Yaldabaoth, o segundo é
Saclas e o terceiro é Samael. E ele é ímpio em sua arrogância, que está nele. Pois ele disse:
'Eu sou Deus e não há outro Deus além de mim', pois ele é ignorante de sua força, do lugar
de onde veio.
— Apócrifo de João [9] ,
"Samael", na tradição judaico-cristã, se refere ao anjo mau da morte e corresponde ao demônio
cristão de mesmo nome, atrás apenas de Satã [carece de fontes?] . Literalmente, pode significar "deus-
cego" ou "deus dos cegos" em aramaico (siríaco sæmʕa-ʔel); o outro título, Saclas, aramaico para
"tolo" (siríaco sækla "o tolo").
No mito de Sophia, sua mãe, Sophia, também um aspecto parcial do Pleroma (ou "Totalidade"),
desejava emanar de si algo sem a autoridade do Espírito Supremo. Neste ato abortivo e imperfeito,
ela deu à luz ao monstruoso Demiurgo. Envergonhada com seu ato, ela o envolveu numa nuvem
com um trono no meio para que os demais Aeons não percebessem. O Demiurgo então, isolado,
sem ver sua mãe e ninguém mais, concluiu que era o único que existia e, ignorante, criou o mundo
material, a humanidade e uma hierarquia de "poderes" (Arcontes) para governá-lo [9][16] .
Os mitos gnósticos descrevendo estes eventos são cheios de nuances intrincadas retratando a
declinação de aspectos do divino até a forma humana; este processo acontece através do trabalho do
Demiurgo que, tendo roubado um pouco do poder de sua mãe, passa a trabalhar na criação de uma
imitação inconsciente do reino superior do Pleroma (como sombras das imagens). Assim, o poder
de Sophia (as "fagulhas" ou "sopro" divino) fica aprisionado dentro das formas materiais da
humanidade, também presa dentro do mundo material: o objetivo de todos os movimentos gnósticos
era tipicamente acordar esta fagulha, o que permitiria o retorno do indivíduo à realidade superior,
não material onde estava a fonte primal [9][16] (veja Setianismo).

Alguns filósofos gnósticos identificam o Demiurgo com Yahweh, o Deus do Antigo Testamento, em oposição e contraste ao Deus do Novo Testamento. Ainda outros o igualam com Satã. Os cátaros aparentemente herdaram sua idéia de Satã como o criador do mundo maligno diretamente ou indiretamente do Gnosticismo.

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Gnosis (ou Gnose)

Gnosis vem da palavra grega para "conhecimento", gnosis (γνῶζις). Porém, gnosis em si se refere a uma forma muito especial de conhecimento, derivada tanto do significado exato do termo grego quanto seu uso na filosofia de Platão [24] .

O grego antigo era capaz de discernir entre diversas formas diferentes de "conhecer". Essas formas

podem ser descritas em língua portuguesa como sendo conhecimento proposicional, indicativo de um conhecimento adquirido