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UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

JUSTIÇA MILITAR E SERVIDORES MILITARES

CURITIBA
2007

JUSTIÇA MILITAR E SERVIDORES MILITARES

Trabalho apresentado à Disciplina de Direito


Constitucional I do Curso de Direito da
Universidade Tuiuti do Paraná, pelos
acadêmicos: Altemistoncley Diogo Rodrigues,
Anderson Andrey da Silva, Josiane Vincoski
Gavião e Marco Aurélio Barrosodo 3º período
noturno, Turma A, Professor Maurício Pellegrino
Adamowski
CURITIBA

2007
RESUMO
O objetivo desta dissertação é de esclarecer o papel da Justiça Militar como um dos
órgãos do Poder Judiciário e com previsão fundamentada na Constituição Federal.
Sua competência é de processar e julgar os militares integrantes das Forças
Armadas, bem como civis e assemelhados. No âmbito Estadual, onde a Justiça
Militar se faz presente, sua competência também restringe a de processar e julgar os
integrantes das Forças Auxiliares que são os policias militares e bombeiros militares.
O conhecimento da competência da Justiça Militar afasta a idéia que ela seja um
tribunal de exceção, pelo contrario, a Justiça Castrense é prevista na Carta Magna
de 1988, com o intuito de controlar o efetivo das atividades de segurança interna e
externa que são exercidas pelos Militares. Ainda, a garantia da manutenção dos
pilares fundamentais destas instituições: a hierarquia e disciplina.
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................4
1.1 ASPECTOS FUNDAMENTAIS DA JUSTIÇA MILITAR.........................................4
1.2 FUNDAMENTO DA EXISTÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR....................................5
1.3 QUEM SÃO OS MILITARES FEDERAIS E ESTADUAIS......................................7
1.3.1 Militares Federais................................................................................................7
1.3.2 Militares Estaduais..............................................................................................7
2 DESENVOLVIMENTO..............................................................................................8
2.1 JUSTIÇA MILITAR.................................................................................................8
2.2 COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR................................................................8
2.2.1 As Instâncias.......................................................................................................8
2.2.2 Particularidade.....................................................................................................9
2.3 SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR...........................................................................9
2.3.1 Fundação...........................................................................................................10
2.3.2 Evolução Histórica.............................................................................................10
2.3.3 Composição da Corte........................................................................................10
2.4 DOS MILITARES..................................................................................................11
2.4.1 Cargo Público Civil............................................................................................12
2.4.2 Dos Direitos Sociais dos Militares.....................................................................12
2.4.3 Dos Direitos Políticos dos Militares...................................................................12
2.4.4 Dos Direitos e Garantias Constitucionais dos Servidores militares..................13
2.4.5 Perda da Patente e do Posto............................................................................15
2.4.6 Da Atividade e Inatividade.................................................................................15
2.4.7 Ingresso nas Carreiras Militares........................................................................16
3 CONCLUSÃO.........................................................................................................17
REFERÊNCIAS..........................................................................................................18
1 INTRODUÇÃO

1.1 ASPECTOS FUNDAMENTAIS DA JUSTIÇA MILITAR

O Estudo da Justiça Militar, desde o início dos tempos tem sido motivo de

acalorados debates. O binômio Disciplina e Hierarquia foi sempre o responsável pela

expansão dos conquistadores. Deixou sua marca expressa no Império Romano,

responsável que foi por toda sua expansão; também nas legiões de Alexandre da

Macedônia: na temida e reconhecida disciplina espartana; no rigor dos espanhóis na

América Central. A força, enfim, pelo poder que representa, tem que ser controlada.

Relato da exemplar disciplina chinesa nos dá SUNTZU, em sua obra A Arte

da Guerra, quando disse: “A arte da guerra é de importância vital para o Estado. É

uma questão de vida ou morte, um caminho tanto para a segurança como para a

própria ruína. Assim, em nenhuma circunstância dever ser negligenciada”.

Bem por isso, as fortes marcas do direito militar de então atravessam os

séculos, deixando uma herança positiva e substancial para o direito moderno.

Entretanto, paralelamente a essa contribuição, muitos juristas sofreram, e

padecem até hoje, uma influência negativa que os têm levado à visão errônea e

estereotipada do direito militar e da Justiça Militar. Autores de renome ainda hoje,

não os percebem senão como justiça e direito dos acampamentos (Justiça

Castrense), “Dos Conselhos de Guerra”, “Justiça dos Quartéis”; dos Generais.

Não se poderia pretender estar a Justiça Militar salvo de críticas, nem se

poderia imaginar que seu funcionamento esteja próximo da perfeição – como todos

os órgãos do Judiciário deste país estão a igual ou maior distância.


Não é difícil mostrar, que, sem duvidar da honestidade dos que criticam,

embora haja os de má-fé, muitos argumentos são conseqüências da prevenção, ou

da presunção, ou de certos comportamentos ideológicos, sem conhecimento sequer

superficial dos fundamentos da Instituição, da sua finalidade, do Direito especial que

aplica, do seu funcionamento e de sua vida.

Há os que se manifestam sobre a Justiça Militar sem a conhecer, como

denunciam os frágeis, senão primários, argumentos de que usam, em choque frontal

com a verdade histórica e a realidade atual.

A justiça militar não é privilégio de uma casta. Sob a denominação de

“prerrogativas”. São processados e julgados em foro especial, mesmo nos crimes

comuns, o Presidente e Vice-Presidente da República, os Deputados e Senadores,

os Ministros de Estado, os Governadores e Vice-Governadores dos Estados, os

Deputados Estaduais, os Secretários de Estado, os membros do Ministério Público,

os Desembargadores, os Juízes dos Tribunais inferiores e os Juízes de primeira

instância. Pois que o foro militar não é privilégio, nem no sentido de exceção

exclusiva, nem como benefício.

Segundo a Constituição Federal, nos seus artigos 124 e 125, à Justiça

Militar Federal compete processar crimes militares, podendo com isso julgar civis

que cometam tais crimes, diferente da Justiça Militar Estadual que pode julgar

somente os militares estaduais, conforme:

Art. 124. À Justiça Militar compete processar e julgar os crimes


militares definidos em lei.
Parágrafo único. A lei disporá sobre a organização, o
funcionamento e a competência da Justiça Militar.
Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os
princípios estabelecidos nesta Constituição.
§ 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os
militares dos Estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações
judiciais contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do júri
quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre a
perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
1.2 FUNDAMENTO DE EXISTÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR

Destinam-se as Forças Armadas, e assim sempre existiram, à defesa da

Pátria, à garantia dos Poderes Constituídos e, por iniciativa de qualquer destes, da

Lei e da Ordem. Por sua vez, destinam-se as Polícias Militares à preservação da

ordem pública e ao exercício de polícia ostensiva.

Tanto as Polícias Militares como as Forças Armadas são instituições

permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, formando o

conjunto das Instituições Armadas, cuja função é assegurar a paz, a convivência

harmônica da sociedade, o que implica no acatamento do direito e na garantia do

exercício dos poderes.

As Instituições Armadas servem também para impor o respeito à soberania

do Estado, à eficácia da lei e das sentenças. Aproveitando-se o final da afirmação,

imagine-se, por exemplo, o Poder Judiciário, sem a força necessária para fazer

cumprir a lei. Seria o caos! Logo, não só fazer a guerra, como querem fazer pensar

alguns.

Entretanto, esta Força Armada tem que ser controlada sob pena de oferecer

riscos aos institutos que deve proteger. Se a disciplina e a hierarquia que devem

norteá-la não estiverem sólidas na sua estrutura e organização, podem sofrer

desvios de conduta, da parte de seus integrantes e, comprometer a eficácia. Coteje-

se, por exemplo, com o recrudescimento das atividades do narcotráfico, da

facilidade de distribuição, do envolvimento de autoridades diversas, também de

policiais.

No caso específico das Polícias Militares, as ações de seus integrantes

marcam-se pela formação especialíssima que recebem. Não deveria ser difícil
compreender, mesmo aos nossos inimigos, que a única forma de alcançar a eficácia

plena para as milícias nacionais é exercendo uma tutela dos bens e interesses

destas corporações, dos seus valores fundamentais, a disciplina e a hierarquia.

Disto depende a sobrevivência da própria nação.

Acompanhe-se o seguinte raciocínio lógico:

a. A disciplina militar é elemento psicológico de condicionamento do

comportamento que faz com o que o emprego das armas, se faça nos limites

e na forma da lei;

b. A violação de tais princípios representa risco para a sociedade e para o

império do Direito;

c. A justa aplicação do Direito Disciplinar é à base de segurança da Nação;

d. A proteção à disciplina não esgota os fins do ordenamento jurídico-militar;

e. Todos os bens que concorrem para higidez das forças militares, sua eficácia e

controle, devem receber igual tutela;

f. Por conseguinte, para a aplicação de um direito tão diferenciado, com

objetivos tão específicos, se faz mister uma justiça especial, a Justiça Militar.

1.3 QUEM SÃO OS MILITARES FEDERAIS E DOS ESTADOS?

1.3.1 Militares Federais

Os membros das Forças Armadas são denominados militares

IV - ao militar são proibidas a sindicalização e a greve; (Incluído


pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998)

1.3.2 Militares Estaduais

Constituição federal

Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros


Militares, instituições organizadas com base na hierarquia e disciplina, são
militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998), (CF).
Constituição Estadual:

Art. 45. São militares estaduais os integrantes da Polícia Militar e


do Corpo de Bombeiros Militar (CE).

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 JUSTIÇA MILITAR

A Justiça Militar é um dos órgãos do Poder Judiciário, com fundamento

constitucional e Lei de Organização Judiciária que define sua competência,

funcionamento e sua composição. No Brasil, não existe o Tribunal de Exceção,

tendo em vista nossa Carta Magna que prevê os Juízes e Tribunais Militares,

possuindo dotação orçamentária própria em respeito à tripartição do poderes.

A Justiça Castrense compreende: o Superior Tribunal Militar, que é o órgão

de cúpula dessa justiça; os Tribunais e Juízes Militares instituídos em lei, que são as

Auditorias Militares, existentes nas Circunscrições Judiciárias, conforme dispõe a Lei

de Organização Judiciária Militar.

2.2 COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR

A Justiça Militar Federal tem competência para processar e julgar os

militares integrantes da Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica) e os civis

que por ventura pratiquem crime militar.

A Justiça Militar Estadual tem competência para processar e julgar os

integrantes das Forças Auxiliares. São eles os policiais militares e bombeiros

militares nos crimes militares definidos em lei.

2.2.1 As Instâncias

A primeira instância da Justiça Militar denomina-se Conselho de Justiça, que

tem como sede uma auditoria militar. Esse Conselho de Justiça divide-se em
permanente e Especial. O primeiro destina-se a processar e julgar as praças e o

segundo destina-se a processar e julgar os Oficiais.

A segunda instância da Justiça Militar Federal é exercida pelo Superior

Tribunal Militar (STM), com sede em Brasília, que possui competência originaria e

derivada de processar e julgar todos os recursos provenientes das Auditorias

Militares dos Estados Membro.

A segunda instância da Justiça Militar Estadual nos Estados de São Paulo,

Rio Grande do Sul e Minas Gerais, é exercida pelo Tribunal de Justiça Militar que

possui competência originária e derivada para processar e julgar os recursos

oriundos das auditorias militares estaduais. Porém, nos demais Estados membros

da Federal, uma Câmara Especializada do Tribunal de Justiça realiza a função de

processar e julgar os recursos de 2ª instância.

2.2.2 Particularidade

No Brasil, em respeito à Constituição de 1988, não há nenhum impedimento

em julgar um civil na Justiça Militar. Basta que o civil cometa qualquer conduta

prevista na legislação militar, no Código Penal Militar, Código Processual Militar e

Leis Especiais Militares. Por exemplo, se um civil praticar um crime de furto em local

sujeito a administração militar, um quartel, poderá o mesmo responder uma ação

penal militar perante a justiça militar federal de 1ª Instância.

O mesmo fato ocorrendo em um quartel da Polícia Militar do Paraná, ou

qualquer estado membro, o civil responderá na justiça comum, com fundamento no

Código Penal e Código Processual Penal.

2.3 SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR

A Justiça Militar da União é justiça especializada na aplicação da lei a uma

categoria especial, a dos militares federais - Marinha, Exército e Aeronáutica -


julgando apenas e tão somente os crimes militares definidos em lei. Não é um

tribunal de exceção, já que atua, ininterruptamente, há quase duzentos anos, possui

magistrados nomeados segundo normas legais permanentes e não é subordinado a

nenhum outro Poder.

2.3.1 Fundação

O Superior Tribunal Militar e, por extensão, a Justiça Militar Brasileira, foi

criado em 1º de abril de 1808, por Alvará com força de lei, assinado pelo Príncipe-

Regente D. João e com a denominação inicial de Conselho Supremo Militar e de

Justiça, ou seja, é o mais antigo tribunal superior do País, existindo há quase 200

anos.

2.3.2 Evolução Histórica

Durante o Império e início da fase republicana o Tribunal foi presidido pelos

Chefes de Estado: no Império, pelo regente D. João VI e pelos Imperadores D.

Pedro I e D. Pedro II e, na República, pelos Presidentes Marechal Deodoro e

Marechal Floriano. Somente em 18 de julho de 1893, por força do Decreto

Legislativo, a Presidência do recém criado Supremo Tribunal Militar, denominação

que substituiu o imperial Conselho Supremo Militar e de Justiça, passou a ser

exercida por membros da própria Corte, eleitos por seus pares.

Ressalte-se que, a mudança resringiu-se apenas à denominação do

Tribunal, pois foram mantidos todos os componentes do antigo Conselho Supremo

Militar e de Justiça, despojados de seus títulos nobiliárquicos e denominados,

genericamente, Ministros.

Desde sua fundação, cabem à Justiça Militar da União funções judiciais e

administrativas, embora só fosse introduzida, efetivamente, no Poder Judiciário, pela


Constituição de 1934. A Constituição de 1946 consagrou o nome atual: Superior

Tribunal Militar. Em 1973, o Superior Tribunal Militar transferiu-se para Brasília,

localizada na Praça dos Tribunais Superiores.

2.3.3 Composição da Corte

O Superior Tribunal Militar é composto, atualmente, de quinze Ministros

vitalícios, nomeados pelo Presidente da República, depois de aprovada a indicação

pelo Senado Federal. São três Ministros escolhidos dentre oficiais-generais da

Marinha, quatro dentre oficiais-generais do Exército, três dentre oficiais-generais da

Aeronáutica, todos da ativa e do posto mais elevado da carreira.

Outros cinco Ministros são civis, também nomeados pelo Presidente da

República e escolhidos dentre brasileiros maiores de trinta e cinco anos. Destes

cinco, três são escolhidos dentre advogados de notório saber jurídico e conduta

ilibada, com mais de dez anos de efetiva atividade profissional. Outros dois são

escolhidos dentre Juízes-Auditores e membros do Ministério Público da Justiça

Militar.

2.4 DOS MILITARES

Os servidores militares compreendem os militares federais e militares

estaduais. A Emenda Constitucional n° 18 de 05 de fevereiro de 1998, modificou a

Seção III do Capítulo VII do Título III da Constituição, que compreendia e

compreende apenas o Art. 42. Determinou que a rubrica da seção, que era Dos

Servidores Públicos militares passasse a ser Dos Militares dos Estados, do

Distrito Federal e dos Territórios. A intenção seria retirar dos militares o conceito

de servidores públicos visando quebrar o vínculo com os servidores civis.

Em regra nada mudou, pois os militares continuam sendo servidores

públicos em latu sensu como eram considerados na Constituição Federal reformada.


A diferença trazida pela reforma possibilitou a separação entre os servidores civis e

servidores militares. Este último prevê prerrogativas em seu regime jurídico, desde

sua investidura até as formas de inatividade.

Ainda, há diferença entre os militares, por exemplo, o recrutamento da

Forças Armadas dá pela via compulsória como pela via de concurso público,

enquanto que, na polícia militar somente adentram voluntários, através de concurso

público.

Assim, são militares dos Estados, do Distrito Federal e do Território os

membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiro Militares, instituições

organizadas com base na hierarquia e disciplina.

Por fim, a emenda prevê expressamente o não cabimento de habeas corpus

em relação ao mérito das punições disciplinares aplicadas aos militares, mas apenas

quanto à forma do proceimento legal estabelecido.

2.4.1 Cargo Público Civil

O Art. 142, § 3°, inciso II, da CF prevê que o militar em atividade que tomar

posse em cargo ou emprego civil permanente será transferido para a reserva, nos

termos da lei.

A nova redação constitucional transformou a hipótese constitucional em

norma de eficácia limitada, devendo a lei estabelecer as condições da passagem

para a reserva do militar em atividade que tomar posse em cargo ou emprego

público civil permanente. Atualmente esta em vigor a Lei n° 6.880/80 (Estatuto dos

Militares).

2.4.2 Dos Direitos Sociais dos Militares

Aos militares dos Estados, Distrito Federal e dos Territórios são proibidas a

sindicalização e a greve. Em contra partida são direitos dos militares: décimo


terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria,

salário-família, gozo de férias anuais remuneradas, licença paternidade e outros.

2.4.3 Dos Direitos Políticos dos Militares

Há, em nossa Carta Magna, um aparente conflito de normas entre os artigos

14, § 8º e 142, § 3º, V, este prevendo que os militares da ativa não poderão filiar-se

a partidos políticos e, aquele que os militares alistáveis da ativa são elegíveis. O fato

é: como poderá o militar lançar sua candidatura se esta tem como pré-requisito a

filiação a Partido Político?

Na realidade, o militar da ativa poderá sim filiar-se a Partido Político, mas

apenas no ato da convenção destes para lançar sua candidatura, sendo que, caso

seja eleito será imediatamente transferido para a reserva, conforme a legislação em

vigor e, caso não seja eleito, deverá logo após a eleição desfiliar-se do Partido,

estando sujeito caso não o faça, a sanções disciplinares.

2.4.4 Direitos e Garantias Constitucionais dos Servidores Militares

A importância constitucional das Forças Armadas e das Polícias Militares,

como Forças Auxiliares e reserva do Exército, levou o legislador constituinte a cercar

seus integrantes de garantias e prerrogativas.

Patentes, títulos, postos e uniformes são direitos dos militares. A patente era

antigamente a carta régia de concessão de um título, posto ou privilégio militar de

nível superior. Hoje é o ato de atribuição do título e do posto a Oficial. Conforme:

Os oficiais e graduados são agrupados por círculos: (1) Oficiais Generais,

compreendendo: General de Exército, Almirante-de-Esquadra e Tenente-Brigadeiro;

General-de-Divisão, Vice-Almirante, Major-Brigadeiro; General-de-Brigada, Contra-

Almirante, Brigadeiro; (2) Oficiais Superiores, compreendendo: Coronel, Capitão-

de-Mar-e-Guerra; Tenente-Coronel, Capitão-de-Fragata; Major, Capitão-de-Corveta;


(3) Oficiais intermediários, compreendendo: Capitão, Capitão-Tenente; (4) Oficiais

Subalternos, compreendendo: Primeiro-Tenente e Segundo-Tenente; (5)

Subtenentes, Suboficiais e Sargentos, compreendendo: Subtenente, Suboficial,

Primeiro-Sargento, Segundo-Sargento, Terceiro-Sargento; (6) Cabos,

compreendendo: Cabo e Taifeiro-Mor; Marinheiro, Soldado, Fuzileiro Naval, Taifeiro

de 1ª e 2ª classe especializado ou não.

Posto é o lugar que o oficial ocupa na hierarquia dos círculos militares. O

título é a designação da situação confiada ao titular dos postos (Ex: posto: General

de Exército; título: Comandante do Exército). Uniforme é a farda, que não é

privativa dos oficiais, mas, na forma e uso regulados em lei, o é dos militares.

As patentes dos oficiais das Forças Armadas são conferidas pelo Presidente

da República (art. 142, § 3º., I), e as dos oficiais das polícias militares e corpos de

bombeiros militares dos Estados e do Distrito Federal, pelos respectivos

Governadores (art. 42, § 1º.).

Graduação é o lugar da Praça na hierarquia militar, mas sem garantias

especiais de posto.

A Constituição garante as patentes dos oficiais da ativa, da reserva e dos

reformados das Forças Armadas (art. 142, § 3º, I), das polícias militares e dos

corpos de bombeiros militares dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal (art.

42, § 1º.).

Militar no exercício da função civil. Os militares da ativa, como os em

situação de inatividade, poderão ocupar cargos, empregos ou função pública.

Quanto ao militar da ativa, há que distinguir, como o faz a Constituição (art.

142, II e III), se é cargo público civil permanente, ou se é cargo, emprego ou função

pública temporária, e, sendo deste último tipo, se é eletivo ou não eletivo.


Se o militar da ativa for empossado em cargo público civil permanente (cargo

de provimento em caráter efetivo), será imediatamente transferido para a reserva

(art. 142, II).

Função pública temporária, não eletiva, ainda que da Administração indireta,

ficará agregado ao respectivo quadro e somente poderá, enquanto permanecer

nessa situação, ser promovido por antiguidade, contando-se-lhe o tempo de serviço

apenas para aquela promoção e transferência para a reserva, sendo reformado

depois de dois anos de afastamento, contínuos ou não.

2.4.5 Perda da Patente e do Posto

O oficial das Forças Armadas só perderá o posto e a patente se for julgado

indigno do oficialato ou com ele incompatível, por decisão de tribunal militar de

caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial em tempo de guerra

(art. 142, VI).

Tribunal militar permanente é o constante da organização judiciária pré-

constituída, integrante do Poder Judiciário, como são os Tribunais e Juízes Militares

previstos nos art. 92, VI, e 122, competentes para processar e julgar os crimes

militares.

A indignidade e a incompatibilidade para com o oficialato dependem de

declaração de um desses tribunais nas circunstâncias previstas. A mera condenação

à pena restritiva de liberdade não induz, só por si, a perda da patente e do posto.

Se o militar for condenado pela justiça comum ou militar à pena privativa de

liberdade superior a dois anos, por sentença transitada em julgado, será submetido

a julgamento perante tribunal militar permanentemente em tempo de paz ou tribunal

especial em tempo de guerra. Com o intuito de ser eventualmente declarado indigno


do oficialato, ou com ele incompatível, com a conseqüência da perda da patente e

do posto.

A natureza do crime apenado é que levará à apreciação e reconhecimento

da indignidade ou incompatibilidade e, portanto, à perda da patente e do posto. São

proibidas a sindicalização e a greve (art. 142, IV).

2.4.6 Da Atividade e Inatividade

Entende-se por militar da ativa os militares temporários ou de carreira que

estejam incorporados nas fileiras da respectiva força, no plenoexercício de suas

funções militares, seja pelo Serviço Militar obrigatório ou voluntariamente.

A inatividade dos militares dar-se-á, basicamente pela reserva e pela

reforma.

De forma sucinta, a reserva é dada, seja a pedido ou para fins de

“aposentadoria” por idade, aos militares que ainda possuem condições de serem

reconvocados ao serviço ativo. Já a reforma é dada a militares que já não tem

condições de exercer funções militares, seja por motivo de saúde, por período de

tempo transcorrido de reserva (regulado em legislação específica), ou até por

decisão judicial.

O assunto em pauta é amplamente tratado pelo Estatudo dos Militares, Lei

n° 6.880, de 9 de dezembro de 1980 e suas atualizações.

2.4.7 Ingresso nas Carreiras Militares

O ingresso nas Forças Armadas Brasileiras dar-se-á de duas formas:

Serviço Mlitar Obrigatório e Concursos Públicos no âmbito Federal.

O Serviço Militar Obrigatório ocorre através do alistamento militar, que é

obrigatório aos brasileiros do sexo masculino no ano em que completam 18 (dezoito)

anos de idade e, sendo selecionados, terão que servir à respectiva Força pelo
período aproximado de 12 meses, podendo permanecer voluntariamente na ativa

por mais seis anos, indo em seguida para a reserva não remunerada.

O ingresso através de Concursos Públicos é regulado por legislação

específica de cada uma das Forças, admitindo em sua maioria o ingresso também

do segmento feminino em quadros específicos.

Nas Forças Auxiliares (Polícias Militares e Corpos de Bombeiro Militares do

Estados, Distrito Federal e Territórios) o ingresso apenas ocorre mediante Concurso

Público dentro da respectiva Unidade Federativa, regulado também por legislação

específica.

Maiores esclarecimentos sobre o ingresso nas Forças Armadas poderão ser

obtidos nas Homepages das Forças: Marinha do Brasil (www.mar.mil.br), Exército

Brasileiro (www.exercito.gov.br) e Força Aérea Brasileira (www.fab.mil.br).

3 CONCLUSÃO

A Justiça Militar não é Privilégio de uma Classe. A idéia de que a Justiça

Militar é integrada só por militares, que tudo fazem para encobrirem crimes e

favorecer a impunidade de companheiros e conclusão errada, que se encontra no

terreno cediço e enganoso das presunções.

Ainda mais, a Justiça Militar, estadual ou federal, é instituição independente,

expresso do Poder Judiciário e os seus membros integrantes da Magistratura

Nacional.

É uma justiça especial que aplica um direito especial, o Penal Militar. É

controlada por civis, seja nas Auditorias (os Juízes Auditores, Juízes togados, os

Promotores Públicos – donos da ação penal – os advogados, são civis), seja nos

Tribunais Militares (são civis parte dos integrantes dos Tribunais Militares, cujas
decisões estão sujeitas à revisão do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo

Tribunal Federal. São civis também os Procuradores de Justiça, que acompanham e

fiscalizam os Tribunais Militares).

Logo, criticar-se sob este prisma a Justiça Militar é criticar-se o próprio Poder

Judiciário e o Ministério Público, o que irá revelar da parte de quem o faz, ou

disparate ou desconhecimento legal puro e simples, o que é lamentável.

O que o Código Penal Militar ampara não é a pessoa do Militar; o que ele

protege é a função, adjetivamente considerada, tudo de acordo com a Lei.

REFERÊNCIAS
ASSIS. Jorge César de, Justiça Militar Estadual. Juruá, 1992.
MORAES, Alexandre. Direito Constitucional. 19 ed. atual. São Paulo: Atlas, 2006.
SILVA. José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 27 ed. São Paulo:
Malheiros, 2006.