Sunteți pe pagina 1din 5

O TRABALHO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

Vania Beatriz Merlotti Herédia 1

O tema abordado neste artigo “O trabalho na sociedade contemporânea” é um tema

que domina a reflexão atual, quando se fala de situações estruturais como desemprego, subemprego, novas tecnologias, automação, robótica, mundo moderno, situações que estão afetando hoje milhões de pessoas em todas as sociedades. Na discussão tema aparecem duas sérias preocupações: de um lado, o enfrentamento de desafios e dilemas provocados pela evolução da tecnologia voltada para o mundo do trabalho e, de outro, o questionamento desse processo que poderá desembocar, ao contrário do esperado, numa sociedade sem trabalho.

O discurso dominante não exclui a possibilidade de que realmente se modifique a

forma de analisar o mundo do trabalho em decorrência do avanço das tecnologias no mundo contemporâneo. Estou realmente convencida de que devemos rever nossas posições e reavaliar esse processo no início deste século para nos prepararmos para o enfrentamento do terceiro milênio. A história recente é marcada pela insegurança, rapidez na mudança, incertezas e fluidez, características que denotam um novo período, uma nova época. Porém, não se pode anular as origens teóricas dessa visão, já que elas nos remetem à fundamentação utilizada pela sociedade durante todo o século XX, sobre essas questões. Afinal, o que é realmente o trabalho? Será ele o eixo vital do ser humano? Que condições o homem atual enfrenta no trabalho? Que instituições são utilizadas para que esse mundo do trabalho funcione e para que os resultados que ele produz permitam a sobrevivência não mais apenas da espécie mas do próprio planeta? Para pensar sobre essas questões, faz-se necessária uma revisão dos conceitos básicos de trabalho. Se o trabalho for assumido como “centralidade ética, que liberta o homem e é condição de inclusão na cidadania, o é também por extensão na civilização”. 2 Dessa forma, o conceito de trabalho é visto como atividade humana criadora, que distingue

1 Doutora em História econômica pela Universidade de Gênova, Itália. Professora Titular no Departamento de Sociologia da Universidade de Caxias do Sul, RS.

2 GEHLEN, Ivaldo. Ambivalências da globalização na agricultura, p.298. In:CARRION, Raul; VIZENTINI, Paulo G. F. Globalização, neoliberalismo, privatizações. Quem decide este jogo? Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Prefeitura de Porto Alegre, Cedesp/RS, 1997.

o homem, homo faber, no conjunto das espécies animais, pois é pelo trabalho que o homem, ajudado pelos instrumentos criados por ele mesmo, modifica seu próprio meio e, em contrapartida, modifica a si próprio. É pelo trabalho que produz os meios de existência e que caracteriza a história humana. Logo, pode-se afirmar que a capacidade de construir e de transformar a sociedade humana se dá pelo trabalho. Pelo trabalho, o homem se humaniza. Como seres humanos, certamente não somos onipotentes mas intervimos em uma esfera de possibilidades, que é construída a partir da nossa inserção no tempo e no espaço, enquanto sujeitos da história. Se considerarmos o trabalho como uma condição que acontece entre o homem e a natureza, para resolver o problema da sobrevivência, vemos que ele se dá de forma concreta e é a condição de vida dos homens. As formas como ele se apresenta são as mais diversas e vão desde a produção até o consumo dos meios de trabalho nos mais diferentes grupos humanos. É importante destacar que, segundo Karl Marx, “a humanidade criou-se a si mesma através do trabalho e que a estrutura do processo de trabalho é em última instância o modelo de toda atividade humana”. 3 A história do ser humano, enquanto ser social, objetiva-se através da produção e reprodução criada no processo de produção material na sociedade capitalista. Logo, se o trabalho é o ponto de partida do processo de humanização do ser social, ele, no capitalismo, passa a ser utilizado como forma de degradação do próprio ser humano, no momento em que o despersonaliza e o submete a uma condição de desominização, de miséria humana, de desapropriação de seu sentido de ser. Dessa maneira, o trabalho que deveria ser uma fonte de realização do ser humano, reduz-se à condição de subsistência e de desumanização, pois o transforma em objeto. Essa é a lógica perversa do trabalho na sociedade capitalista. Porém, é pelo trabalho que o indivíduo se insere na sociedade. No momento em que falta esse elemento agregador sem o qual simultaneamente o grupo não acontece e o indivpiduo não sobrevive, como fica a sociedade sem trabalho? Vejamos um exemplo: os idosos querem retornar ao mundo produtivo para serem valorizados; os jovens querem

3 Reproduzido de MARX, Karl. Posfácio. Contribuição à crítica da economia política. trad. Por Florestan Fernandes. São Paulo: Flama, 1946. In: IANNI, Octávio. KARL MARX: sociologia. São Paulo: Ática, 1979.

p.62-5.

entrar no mundo produtivo para começarem a ser valorizados; e os adultos querem permanecer no mundo do trabalho para poderem estar no processo. Que sociedade é essa que exige dos indivíduos condições que eles não podem retribuir sem um ônus social, que muitas vezes lhes custa a própria vida? Se o homem hoje perde seu trabalho, numa sociedade como a moderna, que fez do trabalho a motivação fundamental da ação humana, ele perde o sentido de sua vida. O trabalho ainda foi, até agora, o símbolo de autonomia, de integração social e o caminho de ascensão social. Durante boa parte do século XX, a educação representou uma das poucas esperanças de mobilidade social para a maioria das famílias e indivíduos. Para usar a ideologia da mobilidade social, utilizou-se o mérito, para conseguir o máximo de escolaridade possível. Fez-se acreditar que o maior nível de educação significaria maiores oportunidades de crescimento econômico, fez-se acreditar na possibilidade de vencer na vida. Hoje esse discurso é questionável em nível popular. A educação funcionou e funciona até o momento atual como parte dos mecanismos produtivos e reprodutivos da sociedade, em diversas dimensões. Funciona como ideologia mas principalmente como função econômica –reprodutiva, porque reproduz a força de trabalho, a divisão do trabalho e a reprodução das relações de produção. Existe uma série de relações entre a escola e o trabalho que pode fornecer potencial de ruptura ou de reforço desse processo. O exame de sua correspondência com as necessidades do capital, representa um desafio às instituições de produção. A análise dessa função, em vista das necessidades do capital, revela o desafio que deve ser enfrentado na formação do ser humano. O paradoxo presente nesse desafio comprova a dificuldade que existe atualmente de integrar os estudantes na vida escolar e no mundo do trabalho. Tal paradoxo impõe novas respostas a essas necessidades, e a escola não pode se omitir de desencadear o processo de reflexão sobre essas relações. Dessa maneira, a polêmica em torno da importância do trabalho na vida dos homens representa a distância entre o discurso e a prática social, revelada nos valores atribuídos ao trabalho, valores que são repassados ao ser humano ao longo de sua vida. Esses valores estabelecem o que deve ser, como deve ser e nem sempre o que é realmente.

A transmissão desses valores ocorre pelas instituições sociais. É na família que o indivíduo apreende as regras, o contato com o mundo e é na escola que adquire o senso do coletivo. Mas é impossível repassar toda a responsabilidade para a escola, pois o aluno é parte da escola e conseqüentemente necessita das demais referências sociais para se construir enquanto ser humano, para ser agente de construção da sociedade. O que está acontecendo? “A função educativa que antes acreditava-se ser própria da família agora passa a assumir a forma escolar.” 4 Existem, entretanto, ouras tendências de afirmar que a educação escolar não é a única forma de educação, justificando que existem múltiplas formas de educar a sociedade. Educa-se através da participação do indivíduo na sociedade civil, nas instituições a que têm acesso e possibilidades. Educa-se pelo trabalho, através do convívio do relacionamento informal das pessoas entre si. Essa tendência de desvalorização da escola gera uma grande contradição. Essa contradição atravessa o próprio interior da escola, e pode-se dizer que existe uma certa tendência de “se dar com uma mão e tirar com a outra”. Segundo Saviani, 5 “ela se amplia e se esvazia ao mesmo tempo. Entende-se, mas perde substância”. Como entender o paradoxo em que se encontra a escola? Essa contradição está presente desde as origens da sociedade capitalista. A escola é vista como uma instituição universal, gratuita e obrigatória para todos. O acesso ao saber é considerado um direito de todos os homens. Porém, esse discurso se altera com a economia política clássica, pois os defensores dessa corrente acreditavam que a escola era dispensável para os trabalhadores, e que a “instrução escolar era tempo roubado à produção”. Hoje o discurso é outro. À medida que as transformações econômicas, políticas e sociais acontecem, há um questionamento sobre a eficácia das instituições e de seus papéis. Será que realmente estariam desaparecendo as referências do mundo do trabalho: A perda dessas referências levaria ao que se chama hoje de “crise da sociedade do trabalho”? Quando se tematiza a crise da sociedade do trabalho, segundo Ricardo Antunes, é “decisivo recuperar a distinção entre trabalho concreto e trabalho abstrato” 6 . Usando o

4 SAVIANI, Dermeval. O trabalho como princípio educativo frente às novas tecnologias. In: FERRETTI, Celso João et al. (Org.). Novas tecnologias, trabalho e educação: um debate multidisciplinar. Petrópolis, R.J.:Vozes, 1994, p. 147.

5 Idem.

6 ANTUNES, Ricardo. Adeus ao trabalho? Ensaios sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho.São Paulo: Cortez, 1997.

raciocínio marxista, todo trabalho é dispêndio de força humana de trabalho e essa qualidade de trabalho humano igual ou abstrato, cria o valor das mercadorias. “Portanto, quando se fala da crise da sociedade do trabalho abstrato ou se trata da crise do trabalho também em sua dimensão concreta, enquanto elemento estruturante do intercâmbio social entre os homens e a natureza” 7 . Pois, seguindo esse raciocínio, a crise da sociedade do trabalho seria a expressão da crise das instituições sociais? Dos papéis que elas representam? Ou realmente estaríamos chegando a uma nova etapa da evolução social onde o trabalho não seria tratado como categoria central da sociedade? Por isso gostaria de finalizar esta rápida reflexão sobre o trabalho na sociedade contemporânea, questionando nosso papel enquanto educadores, enquanto parte do processo, e chamando atenção para os efeitos atuais dessa crise, fruto das políticas adotadas pelos governos neoliberais, e do preço que essas gerações pagarão pelo desmonte das políticas adotadas pelos governos neoliberais, e do preço que essas gerações pagarão pelo desmonte das políticas sociais, das políticas públicas, da perda dos direitos sociais e do recuo da cidadania. Temos que pensar, refletir sobre essas conseqüências para avaliar nosso futuro.

7 Op.cit.p.77.