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O jornalismo espírita e o diálogo social

Luiz Signates 1

Resumo: O gênero opinativo predomina no jornalismo praticado no movimento espírita. Este artigo propõe o formato “reportagem” como forma de diálogo social que vise ampliar as vozes discursivas com as quais o Espiritismo pode e deve fazer sua interlocução.

Para retratar, em poucas palavras, o jornalismo espírita brasileiro, podemos resumir nossa observação a algumas de suas características específicas, as quais retratam o ambiente social e o

quadro ideológico do Espiritismo no país: é um jornalismo opinativo, centrado na confirmação de idéias instituídas e na crítica da diferença. O aspecto opinativo aparece no formato hegemônico pelo qual são construídas as centenas de jornais — a maioria efêmeros — , que é o formato artigo. E o tratamento de conteúdos, caracterizado por esse duplo movimento confirmatório/crítico, surge do pressuposto ideológico da divulgação doutrinária, que baseia a comunicação na centralidade sobre

a mensagem, vista de forma hipodérmica, iluminista e instrumental.

Neste artigo, procuraremos analisar criticamente essa descrição, para, em seguida, buscarmos sugerir prescritivamente algumas saídas para os problemas que esse modo de pensar e fazer comunicação social implica.

O fato de o Espiritismo brasileiro fazer quase exclusivamente um jornalismo de artigos não chega a ser um problema de grande monta. Na verdade, essa prática pode muito bem ser atribuída à realidade social de um movimento de índole marcadamente filosófica, cuja natureza discursiva se distingue pelo debate das idéias. Um similar importante nesse sentido é o próprio movimento científico, cujos periódicos são, quase invariavelmente, constituídos por artigos.

Contudo, uma das importantes facetas do Espiritismo, especialmente o brasileiro, é o seu estendimento religioso em direção ao mundo e, em especial, às necessidades humanas. Por tal razão, somos de opinião de que o articulismo espírita, do ponto de vista formal, poderia ser enriquecido pelo desenvolvimento de outros formatos, entre os quais consideramos a reportagem, mencionando não apenas as de caráter temático, mas também e sobretudo as que trabalham sobre os relatos de vidas e de experiências, como um gênero extraordinariamente rico do jornalismo que, se praticado pelos espíritas, resultaria certamente em elevado ganho para a instauração de novos sentidos para a comunicação entre nós e com a sociedade. Em síntese, o jornalismo espírita não tem porque ser exclusivamente opinativo e pregacionista.

Já no que diz respeito ao tratamento dos conteúdos, consideramos extremamente

empobrecedora a índole confirmatória dos artigos espíritas, e que, por ser assim, acaba construindo

a crítica — às vezes simplista e simplória — das diferenças e dos diferentes, igualando injustamente

o discurso espírita ao de religiões e seitas tradicionalistas e conservadoras, mais interessadas na

hegemonia de seus conteúdos e na conseqüente derrocada dos conteúdos alheios (a comunicação como instrumento para a guerra ideológica, e não como construtora do entendimento humano) do que na instauração da fraternidade entre as pessoas e grupos sociais.

Como disséramos no início, esse procedimento é oriundo de três orientações: primeiro, uma visão iluminista e linear da dinâmica histórica e do próprio Espiritismo; segundo, uma interpretação instrumental e hipodérmica da comunicação; e, terceiro, a centralidade do ato comunicativo sobre a mensagem, e não sobre os seus processos. Essas três orientações têm enormes problemas para se

1 Jornalista, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Goiás, membro da Federação Espírita do Estado de Goiás.

sustentarem, ante os estudos atuais no campo da comunicação. Neste texto, por razões de espaço, citaremos apenas alguns desses problemas.

O Iluminismo — especialmente o francês, de caráter racionalista — é indubitavelmente o

berço cultural do Espiritismo. Um estudo que fizemos demonstrou-nos que a maioria absoluta do ideário contido nas obras de Allan Kardec corresponde ao que defendiam os autores da Enciclopædia. O problema digno de nota nessa herança iluminista diz respeito à produção de uma auto-imagem etnocêntrica (que, no Velho Continente, culminou no eurocentrismo), o que, aplicado

à cultura espírita, significa o cultivo de uma visão de que somos os melhores, os mais iluminados,

os mais esclarecidos, e que, portanto, todo o conhecimento humano caminha para confirmar o que já sabemos. No jornalismo espírita brasileiro, essa imagem autocentrada aparece sobretudo nos textos que buscam uma correlação com os conhecimentos e descobertas de caráter científico: todos eles subsumem a idéia (não raro estampada nos títulos) de que “a ciência confirma o Espiritismo”.

Essa espécie de “etnocentrismo espírita” determina uma visão instrumental e hipodérmica da comunicação, isto é, o gesto comunicativo espírita é exclusivamente “divulgador”, sempre pensado de forma que o emissor espírita domine processos e tecnologias e atue transferindo conteúdos de forma “hipodérmica” aos receptores. Os veículos e instituições de comunicação são, nesse caso, vistos como “instrumentos” ou como “espaços a conquistar”, a fim de atingir o público. Os debates em eventos e congressos, sobre o assunto, sempre são centrados em “conquistas de

espaços no rádio, na televisão, na Internet, etc.” ou em “dominar as novas tecnologias para divulgar

o Espiritismo”. Para tais debates, a comunicação, longe de ser relação humana vinculada à busca da

fraternidade, passa a ser a metáfora de uma guerra espiritual ou da conquista do poder ideológico, reiterando os equívocos de religiões e partidos em todos os períodos da história. Como a emissão comunicativa não tem tanto poder assim, e a prática social da contemporaneidade é a da diversidade cultural, não é difícil concluir que esse esforço está fadado ao fracasso.

A tal tecnicismo, inclui-se ainda a centralidade da mensagem, dentro da qual se defende o

conceito de preservação da pureza doutrinária, como proposição conservadora de controle e fiscalização da fala alheia em nome da manutenção dos conteúdos institucionalizados. O gesto comunicativo deixa de ser a busca do outro e passa a ser o espelho de si mesmo, o que alguns teóricos franceses da comunicação, ao estudarem a TV, chamaram de “television miroir”, ou “televisão-espelho”, uma metáfora indicando, entre outras coisas, quem faz televisão não para se comunicar, mas para se enxergar nela (a si ou as suas idéias).

Não é de se estranhar que um jornalismo fundamentado em tais pressupostos termine fazendo a circularidade dos conteúdos, desdobrada na afirmação do confirmado e na crítica das diferenças.

A nossa proposta, evidentemente diversa dessa prática que descrevemos e analisamos, é a da

busca da comunicação como instauração e permanência de um diálogo social. Daí, porque o formato reportagem pode ser uma saída interessante, dentro do qual inclusive pessoas não-espíritas

possam ser ouvidas e histórias de vida possam ser publicadas. A centralidade da comunicação, nesses casos, deixaria de ser exclusivamente na mensagem, passando a buscar processos comunicativos e a considerar os seres humanos envolvidos como mais importantes do que as doutrinas e as instituições.

O diálogo social, nesse caso, desenvolver-se-ia a partir da fundação de esferas públicas de

compartilhamento das diferenças e de real fraternidade entre os diferentes. Isso porque a tarefa fundamental do Espiritismo não é simplesmente a de divulgar seus princípios, mas, sobretudo, a de criar as condições de possibilidade da sociedade fraterna e justa no mundo. E a busca da conversão ideológica dos outros jamais será criadora desse clima, porquanto está fundamentada numa visão bélica, guerreira, da interação humana, enquanto a fraternidade apenas se faz a partir da aceitação da diferença e pela prática comunicativa do amor verdadeiro.

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