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foi porque estava empurrado por uma massa descontente e uma elite
reacionária. como o mostra cohen em seu filme a arquitetura da destruição,
hitler não é a personificação do nazismo. ele é a personificação da angústia do
povo. a maior parte do povo alemão já era anti-semita e, de certa forma,
fascista antes do nacional-socialismo. o nazismo só foi a concretização de seus
desejos mais profundos. a interrogação que poucos fazem mas que é essencial
para entender esta época é: foi hitler quem manipulou a história ou foi ela
quem o usou como marionete ? este ódio que tinham os alemães do resto do
mundo não é, como muitos o pensam, só fruto da crise de 1929, nem do diktat
de versalhes, nem do pangermanismo de bismarck. nenhum evento preciso
marca a origem desta ideologia. ela provém de uma degeneração progressiva
do capitalismo que culminou na aparição de regimes capitalistas monopolistas
autoritários: mais simplesmente, regimes fascistas. como já o tinha entendido
lênine, em imperialismo, o estado supremo do capitalismo, o mundo
capitalista não conseguia, e ainda não consegue, mais suportar seus excedentes
humanos e materiais. adorno mesmo, no texto que já citamos, com ironia para
esconder o horror de sua observação, diz que para limitar a explosão
demográfica há “contra-explosões” que são “a matança de populações
inteiras”. mas, de certa forma, é o que realmente aconteceu e acontece. a
alemanha dos anos 1930 passava por uma grande crise: desemprego, fome,
miséria... havia um excedente demográfico que piorava a situação pois era
muita mão-de-obra para pouco emprego. assim o extermínio dos judeus,
mesmo se não tenha sido econômica a razão do genocídio, permitiu que a
balança demográfica se estabilizasse. este mecanismo de “contra-explosões” e
explosões não é passado. com a grande popularidade dos partidos de extrema
direita na europa, discursos anti-semitas nos quais os estrangeiros são tidos
como culpados pela falta de empregos tornam-se cada vez mais freqüentes.
esta grande popularidade dos partidos de extrema direita deveria ser
considerada uma aberração histórica após a segunda guerra mundial.
diferentemente do que pensava hegel, o retrocesso não leva ao
desenvolvimento da consciência humana, pela percepção do caminho do
razão. um processo histórico pode acontecer e reacontecer sem transformações
até o homem ter coragem de enfrentar seus medos. não adianta tentar mudar a
sociedade se o homem não fizer um esforço para desenvolver sua consciência.
ele tem que lutar, desde a infância, contra os traumas das gerações passadas.
mas num mundo no qual é cada um por si por que os homens iriam preocupar-
se em ser solidários ? no fundo, o problema de nossa civilização somos nós
mesmos. guardamos todas as nossas fraquezas no nosso inconsciente, como o
demonstra freud. independentemente dos avanços tecnológicos e culturais, se
o homem não se liberar de suas pulsões sempre haverá o retorno à auschwitz.
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toda nossa história será, inexoravelmente, uma fatalidade se o homem não
conseguir vencer seu inconsciente. pois ele é o refúgio de todos os nossos
medos e traumas. e é justamente neles que se funda o nazismo. a propaganda
nazista manipulava as angústias e os desesperos dos alemães tornando-os
ainda mais agressivos contra os judeus, aceitando leis absurdas sem
reclamações: proibição do casamento entre judeus e alemães.
o nazismo, mas também todas as outras ideologias ou crenças racistas e
anti-semitas, fez com percebêssemos como ainda estamos próximos do
animal. a xenofobia em geral defende a tese que a lei do mais forte prevalece,
colocando assim nossa civilização na etapa mais primitiva do
desenvolvimento humano. o progresso tecnológico é apenas um véu muito
fino que nem consegue esconder o fato do homem não ter evoluído
moralmente. a ciência não escapou da perversão: os médicos foram os
primeiros a defender a superioridade ariana. o objetivo megalomaníaco do
nazismo de criar uma raça superior teve que não só produzir humanos
clinicamente perfeitos como também destruir os debilitados. este culto da
perfeição é responsável pela importância da escultura nesta época e pela
valorização artística do harmonioso e do poder. no fundo, o que melhor mostra
o que foi o nazismo é o título do filme de cohen, a arquitetura da destruição.
esta contradição absurda e perigosa entre o que se planeja construir com o ato
da destruição é a definição do nazismo. pode se dizer que hess, diretor do
campo de auschwitz, foi um gênio das técnicas da morte criando ótimos
métodos para matar. mas, o que é mais grave, isto ainda acontece: na argélia
ocorrem horríveis torturas. e, o mais irônico, é que algumas pessoas como
hess, mas existem muitos outros, se dão de corpo e alma para elaborar planos,
para encontrar formas eficientes e econômicas de matar. aragon não estava tão
errado quando dizia que “preferia lutar contra um urso do que contra um
homem”.
no entanto a maior dificuldade na hora de criticar uma ideologia como o
nazismo é que não podemos afirmar que não pensavam racionalmente. sim,
eram lógicos e racionais. mas, não se baseavam na realidade. eles eram
racionais mas perversos. os nazistas desviaram a razão de seu principal
objetivo: a passagem da ignorância ao conhecimento, por isso não podemos
dizer que eram ignorantes. os nazistas apenas eram monstros que usavam dos
meios mais perversos para atingir suas metas. manipulavam o homem como
um objeto, é muito correta a expressão de adorno quando define a consciência
humana como uma “consciência coisificada”. o que há de mais perverso no
nazismo é que ele ainda não virou passado pois os homens não tem coragem
de colocar o ponto final nesta aberração histórica. o nazismo ainda existe no
nosso cotidiano, em pequenos grupos ou grandes partidos. devemos sempre
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nos informar para evitar que haja um movimento nazista. já pensaram se um
dia eles ganharem ? como disse primo lévi, historiador francês: “mesmo se
compreender o nazismo é impossível, conhecê-lo é necessário pois o que
aconteceu pode recomeçar”.
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