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CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE Índice I NTRODUÇÃO À C ONTABILIDADE 5 A S D IFERENTES F ORMAS D

Índice

INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE

5

AS DIFERENTES FORMAS DA CONTABILIDADE

5

O

PATRIMÓNIO

9

NOÇÃO E ELEMENTOS CONSTITUTIVOS

9

INVENTÁRIO E BALANÇO

O INVENTÁRIO: NOÇÃO E CLASSIFICAÇÃO

BALANÇO

NOÇÃO E CLASSIFICAÇÕES

E CLASSIFICAÇÃO BALANÇO N OÇÃO E CLASSIFICAÇÕES A CONTA N OÇÃO , PARTES CONSTRUTIVAS E REPRESENTAÇÃO

A CONTA

NOÇÃO, PARTES CONSTRUTIVAS E REPRESENTAÇÃO GRÁFICA REPRESENTAÇÃO GRÁFICA

DISPOSITIVOS DA CONTA

CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DAS CONTAS

CLASSIFICAÇÃO CARACTERIZAÇÃO DE ALGUMAS CONTAS MÉTODOS DE REGISTO CONTABILÍSTICO

MÉTODOS DE REGISTO CONTABILÍSTICO

MÉTODO DIGRÁFICO:

LANÇAMENTOS

18

18

21

21

27

27

29

31

36

36

38

42

43

43

46

NOÇÃO

46

DOCUMENTOS

46

LIVROS

46

ESPÉCIES DE LANÇAMENTOS

50

DIÁRIO E RAZÃO

55

ESCRITURAÇÃO

55

ESTORNOS NO DIÁRIO

62

ESTORNOS NO RAZÃO

66

BALANCETES E BALANÇOS

67

SISTEMAS CONTABILÍSTICOS

71

SISTEMAS DE CONTAS

71

SISTEMAS DE COORDENAÇÃO

72

SISTEMA CLÁSSICO

72

C ONTABILIDADE ESQUEMA DO SISTEMA CLÁSSICO 73 ESQUEMA DO SISTEMA DIÁRIO-RAZÃO 74 S ISTEMA C

CONTABILIDADE

ESQUEMA DO SISTEMA CLÁSSICO

73

ESQUEMA DO SISTEMA DIÁRIO-RAZÃO

74

SISTEMA CENTRALIZADOR

NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA O POC

INTRODUÇÃO

74

75

75

VANTAGENS DA NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA

76

A

NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA EM PORTUGAL

78

O

PLANO OFICIAL DE CONTABILIDADE

82

NOTA PRÉVIA INTRODUÇÃO FUNCIONAMENTO E LIGAÇÃO DO QUADRO DE CONTAS CÓDIGO DAS CONTAS

F UNCIONAMENTO E LIGAÇÃO DO QUADRO DE CONTAS C ÓDIGO DAS CONTAS QUADRO DE CONTAS 82

QUADRO DE CONTAS

82

84

85

86

90

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE I NTRODUÇÃO À C ONTABILIDADE   CONTABILIDADE CONTABILIDADE CONTABILIDADE ORÇAMENTAL

INTRODUÇÃO À CONTABILIDADE

 

CONTABILIDADE

CONTABILIDADE

CONTABILIDADE

ORÇAMENTAL

ANALÍTICA

 

GERAL

Os sistemas contabilísticos dizem respeito

Todos

os

Todos

os

Às

administrações

responsáveis e à

responsáveis

a título de informação Ao pessoal

e

administração

a

➭➭

➭➭

 

Aos proprietários

A

tesouraria

OBJECTIVOS :

Montante e origem do resultado Justeza das decisões Posições perante terceiros Evolução do património
Montante e origem do resultado
Justeza das decisões
Posições perante terceiros
Evolução do património

AS DIFERENTES FORMAS DA CONTABILIDADE

A CONTABILIDADE NAS SUAS DIVERSAS FORMAS, PERMITE QUE O GESTOR:

Conheça o montante e a origem dos resultados, passados e futuros.

Verifique a justeza das decisões tomadas ou a tomar (é de facto um

instrumento de gestão e previsão).

Conheça a posição da empresa perante todos os terceiros, isto é,

conheça sempre e mesmo antecipadamente a quem é que a empresa deve dinheiro e quem lho deve a ela.

Controle a evolução patrimonial da empresa.

A CONTABILIDADE GERAL, PERMITE, EM RELAÇÃO AO CONJUNTO DA EMPRESA:

Constatar os encargos e os proveitos por natureza, isto é, os fluxos de

consumo e produção.

Fazer surgir os resultados de um dado período, isto é, a variação

patrimonial devida à actividade da empresa.

Fazer periodicamente o ponto de situação dos bens e das dívidas da

empresa, isto é, indicar e quantificar a situação patrimonial.

C ONTABILIDADE A CONTABILIDADE GERAL regista os fluxos externos. A CONTABILIDADE ANALÍTICA tem como objectivo

CONTABILIDADE

A CONTABILIDADE GERAL regista os fluxos externos.

A CONTABILIDADE ANALÍTICA tem como objectivo indicar os custos por centro de

actividade, por sector ou actividade, por produto ou por mercado. É a contabilidade do passado / presente. Regista os fluxos internos e descreve o processo de transformação dos bens e serviços desde a sua entrada até à sua saída da empresa.

A CONTABILIDADE ORÇAMENTAL OU PREVISIONAL, consiste na organização e

qualificação das previsões efectuadas pelos centros de responsabilidade, isto é, pelos diferentes directores de serviço da empresa, a partir de determinados objectivos. O conjunto destas previsões, depois de agrupados e coordenados ao nível da empresa, permite a elaboração dos diversos orçamentos (vendas, aprovisionamentos, tesouraria, etc.) E o do orçamento geral.

A exploração da contabilidade analítica permite analisar os resultados e especificar as origens do resultado global que a contabilidade geral indica.

do resultado global que a contabilidade geral indica. As comparações entre os valores indicados na contabilidade

As comparações entre os valores indicados na contabilidade orçamental e os da contabilidade analítica permitem analisar os desvios entre as previsões e as realizações.

Uma das funções do serviço de controlo orçamental, entre muitas outras, consiste em analisar, com e para os responsáveis, os desvios, utilizando as informações contidas nos diferentes sistemas contabilísticos.

O CONTABILISTA classifica e regista as informações quantificadas o seu papel é aparentemente passivo. Está vinculado a um rigoroso formalismo. Está condenado a uma precisão absoluta de valores. É ele o guardião da lei exterior representado pelo p.o.c., e das leis internas, representadas pelos regulamentos e normas. O contabilista é imparcial e deveria ser independente, no sentido jurídico do termo.

O GESTOR explora e interpreta as informações quantificadas que o contabilista lhe

transmite. Deve, o mais rapidamente possível, trabalhar essas informações a fim de auxiliar os responsáveis pela empresa a dividir as acções correctas e as modificações nos objectivos ou no orçamento. Para ele, são mais importante a rapidez e a qualidade da informação do que a precisão dos valores. Além disso é frequente o gestor quem põe em execução os regulamentos e normas internas e elabora as especificações necessárias para a definição dos termos próprios da empresa.

O AUDITOR verifica a coerência e a correcta aplicação dos regulamentos, quer internos

quer externos, definidos pela lei ou pelos gestores, no sentido amplo do termo. Por outro lado, certifica-se da qualidade e do significado das informações fornecidas pelos diferentes serviços e unidades da empresa. O auditor deve estar directamente em ligação com a administração. Ele dispõe de um amplo poder de investigação e a sua independência deve permitir-lhe propor múltiplas reformas em todos os domínios.

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE CONSIDERAÇÕES GERAIS As empresas, células base da actividade económica, são vulgarmente entendidas

CONSIDERAÇÕES GERAIS

As empresas, células base da actividade económica, são vulgarmente entendidas

como conjuntos organizados de meios materiais e humanos, viradas para a produção

de bens e serviços.

Constituídas sem horizonte temporal definido, têm contudo à semelhança das demais organizações, um ciclo de vida, limitado, o qual, pode ser dividido nas três fases seguintes:

- INSTITUCIONAL, em que se decide da sua criação, através da obtenção e

combinação dos recursos necessários para a sua entrada em funcionamento.

- FUNCIONAMENTO, ou execução, na qual se desenvolve todo o processo de

transformação, ou seja, o da produção de bens e serviços, com vista à obtenção de certos resultados.

e serviços, com vista à obtenção de certos resultados. - LIQUIDAÇÃO , na qual se procede

- LIQUIDAÇÃO, na qual se procede à extinção da empresa

SENDO a fase de execução a de mais longa duração, e tendo em conta a necessidade de se obter informações regulares sobre o andamento dos negócio, houve necessidade de a dividir em intervalos de tempo, no fim dos quais se apuram os resultados, se elabora o balanço, se discute a actuação da direcção, se aprovam as contas. A cada um desses períodos coincidentes com os anos civis, designa-se por período administrativo.

A parte da gestão correspondente a cada período administrativo, denomina-se

exercício económico.

PERÍODO ADMINISTRATIVO ➭➭➭➭➭➭➭➭➭➭EXERCÍCIO ECONÓMICO

ACTIVIDADES ECONÓMICAS INTERIOR / EXTERIOR Estas relações traduzem-se por fluxos de bens e serviços, aos quais correspondem sempre fluxos monetários de sentido inverso.

Três ópticas distintas podem ser evidenciadas:

- A primeira óptica é a financeira e diz respeito ao endividamento da empresa

perante o exterior. Está directamente relacionada com a remuneração dos factores e dos bens e serviços vendidos. Nesta óptica podemos distinguir: as despesas, que correspondem à remuneração dos factores produtivos e as receitas, que correspondem à remuneração das vendas efectuadas e/ou dos serviços prestados. Em suma, despesas e receitas, dizem respeito a factos que originando, as primeiras obrigações a pagar e as segundas direitos a receber, irão provocar, respectivamente, saídas e entradas de valores monetários para a empresa.

- A segunda óptica é a económica ou produtiva, e anda ligada à transformação e

incorporação dos diversos materiais, mão-de-obra, até se atingir o produto final.

Os valores incorporados e gastos na produção designam-se custos. Por sua vez, os produtos acabados de fabricar e aptos para a venda designam-se proveitos.

C ONTABILIDADE Em síntese, a empresa ao consumir bens e serviços tem custos; ao produzi-los,

CONTABILIDADE

Em síntese, a empresa ao consumir bens e serviços tem custos; ao produzi-los, tem proveitos.

- Por último, a terceira óptica é a de tesouraria (ou de caixa) e corresponde às entradas e saídas monetárias da empresa. Nesta óptica, podemos distinguir os recebimentos, que correspondem à entrada de valores monetários para a empresa, e os pagamentos, que dizem respeito às saídas de valores monetários.

EXERCÍCIO 1

A empresa y adquiriu, em 5/11/n, 10 ton. de cereal ao preço de 5000$00/ton, para proceder à sua moagem. a divida resultante desta aquisição seria paga em 15/12/n. durante o mês de novembro efectuou a moagem de apenas 2 ton., sendo a farinha resultante desta moagem (1,500kg) vendida a 10$00/kg, em 3/1/n+1, recebendo-se o valor desta venda em 10/1/n+1.

INDICAR OS FLUXOS EXISTENTES ?

desta venda em 10/1/n+1. INDICAR OS FLUXOS EXISTENTES ? RESOLUÇÃO: 5/11/n UMA DESPESA DE 50.000$00 15/12/n

RESOLUÇÃO:

5/11/n UMA DESPESA DE 50.000$00 15/12/n O RESPECTIVO PAGAMENTO 11/n OS CUSTOS (EM CEREAL) FORAM DE 10.000$00 11/n SENDO OS PROVEITOS DE 15.000$00 3/1/n+1 VERIFICOU-SE A RECEITA DE 15.000$00 10/1/n+1 O RESPECTIVO RECEBIMENTO DE 15.000$00

NOÇÃO:

Compras

Despesa de

= Custo das mercadorias compradas

+

compras

Custo das

   

Custo das

mercadorias

+

Stock inicial

-

Stock final

=

mercadorias

compradas

   

vendidas

Vendas

Custo das mercadorias

= Lucro bruto sobre as vendas ou Margem Bruta

-

vendidas

Margem bruta

Despesas de

= Lucro comercial ou Margem Liquida

-

venda

Margem liquida -

Despesas administrativas e financeiras

= Lucro liquida antes de impostos

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE Lucro liquida antes de impostos - Imposto sobre os lucros = Lucro liquida do

Lucro liquida antes de impostos -

Imposto sobre os lucros

= Lucro liquida do exercício

O PATRIMÓNIO

NOÇÃO E ELEMENTOS CONSTITUTIVOS

Toda a unidade económica para exercer a sua actividade, necessita de um certo conjunto de valores, ou seja, de máquinas, edifícios, mercadorias, dinheiro, ferramentas e outros. Digamos que ao exercício de qualquer actividade estão sempre alienados valores que são pertença de alguém. Do ponto de vista jurídico, os valores utilizados por cada unidade económica são de sua pertença ainda que, normalmente, os seus direitos não incidam sobre a globalidade desses valores.

direitos não incidam sobre a globalidade desses valores. O conjunto de valores utilizados pela unidade económica

O conjunto de valores utilizados pela unidade económica no exercício da sua actividade constitui o património. Contudo, nem só os edifícios, numerário e equipamento utilizados constituem património. A empresa (ou unidade) no desenvolvimento da sua actividade estabelece relações que originarão um conjunto de direitos e de obrigações. Assim aparecerão dívidas a receber (créditos da empresa ou débitos de terceiros) que representam valores pertencentes à empresa; e, dívidas a pagar (débitos da empresa ou créditos de terceiros) que representam valores pertencentes a terceiros e que a empresa se obriga a pagar. Tanto as dívidas a receber como as dívidas a pagar, são consideradas valores integrantes do património.

Podemos designar por património, o conjunto de valores sujeito a uma gestão e afectos a um determinado fim(1). O património de um comerciante, (2) é o conjunto de valores utilizados por esse comerciante na sua actividade comercial. Contudo, os valores pertencentes a esse comerciante mas não afectos aquela actividade (ex. os utensílios domésticos) não devem ser considerados seu património comercial. Serão seu património, não como comerciante, mas sim como pessoa jurídica (privado) que é. Cada componente de um dado património (ex: as mercadorias, um edifício, uma viatura, etc.), denomina-se de elemento patrimonial.

Como o património é um conjunto de elementos heterogéneos, existe, a necessidade de transformar ou referir esses elementos numa mesma unidade. É assim que todos eles vêm referidos a escudos/euros. Têm , pois, um carácter pecuniário visto todos serem susceptíveis de representação monetária. São valores.

No património podemos distinguir duas classes de elementos patrimoniais distintos: por um lado, os elementos que representam aquilo que se possui ou se tem a receber; por outro lado, aqueles que representam aquilo que se tem a pagar. À primeira classe, ou seja, ao conjunto dos valores que se possui e se tem a receber, designa-se por ACTIVO; à segunda classe, ou seja, ao conjunto de valores a pagar , designa-se PASSIVO.

Prof. Gonçalves da Silva - Contabilidade Geral, Vol. 1.

C ONTABILIDADE Segundo o Código Comercial são comerciantes - «1º As pessoas, que tendo capacidade

CONTABILIDADE

Segundo o Código Comercial são comerciantes - «1º As pessoas, que tendo capacidade para praticar actos de comércio, fazem desta profissão; 2º As sociedades comerciais» (art. 13º.).

praticar actos de comércio, fazem desta profissão; 2º As sociedades comerciais» (art. 13º.). 10 Manual de

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE APLICAÇÃO 2 Património de Y ACTIVO Numerário (dinheiro) 20 000$00 Edifício 280 000$00

APLICAÇÃO 2

Património de Y

ACTIVO

Numerário (dinheiro)

20 000$00

Edifício

280

000$00

Viatura

120

000$00

Dívidas a receber

80 000$00

500 000$00

PASSIVO

Dívidas a pagar (fornecedores) Empréstimo bancário

70 000$00 100 000$00
70 000$00
100 000$00

30 000$00

Num património há a considerar dois aspectos distintos:

- A sua composição

- O seu valor

Quanto à composição, o património engloba um conjunto de elementos heterogéneos (elementos patrimoniais) com um determinado valor, como sejam as mercadorias , numerário, edifícios, etc. A composição do património diz respeito à natureza dos elementos patrimoniais e à sua extensão, ou seja, à proporção em que eles se encontram. A composição de patrimónios será tão distinta quanto:

- os elementos de cada um forem diferentes;

- tiverem os mesmos elementos mas com extensão (valor) diferente;

- tiverem elementos e seu valor diferentes.

Entende-se por valor do património «a quantia que seria preciso dar para obter, isto é, para receber em troca todo o activo, ficando ao mesmo tempo com o encargo de pagar todo o passivo».

Sendo o activo um conjunto de valores positivos e o passivo um conjunto de valores negativos, o valor do património corresponde à soma algébrica das duas classes de elementos.

C ONTABILIDADE Em relação ao exemplo anterior, teríamos: Activo 500 contos - 100 contos Passivo

CONTABILIDADE

Em relação ao exemplo anterior, teríamos:

Activo

500 contos - 100 contos

Passivo

Valor do património de Y

400 contos

A expressão numérica do valor património, chama-se Situação Líquida, Capital Próprio, ou

Património Líquido. Serão então:

Activo

500 contos

Passivo

100 contos

Situação Líquida

400 contos

Sendo a situação líquida dada pela diferença entre o activo e o passivo e vistas que foram as noções destes últimos, facilmente se depreende que ela representa o conjunto de valores que pertencem efectivamente ao proprietário da empresa, ou seja, representa os direitos deste último sobre as propriedades da mesma. Em termos monetários, a situação líquida ou capital próprio de um dado momento, representa o valor que o proprietário da empresa teria direito a receber se cessasse a sua actividade, liquidando o património (do ponto de vista contabilístico), nesse momento.

(do ponto de vista contabilístico), nesse momento. Três casos podem ocorrer em dada situação patrimonial: O

Três casos podem ocorrer em dada situação patrimonial:

O

caso a situação líquida diz-se ACTIVA. É o mais frequente e representa o capital próprio.

Esquematicamente:

activo é superior ao passivo, havendo um excesso de valores sobre os passivos. Neste

A

> P S. L. Activa; ou seja A= P + S. L. Activa ( ver exemplo anterior )

O

activo e o passivo são iguais, não havendo, neste caso situação líquida, ou seja, ela é nula:

A

= P S. L. Nula;

ou seja,

A = P

Por último, o activo pode ser inferior ao passivo. Neste caso existe um excesso de valores passivos sobre os activos ( deve-se mais do que se possui e se tem a receber ). Logo, a situação líquida diz-se Passiva e é considerada negativa.

A < P

Passiva

S. L. Passiva;

ou seja,

A + S. L. Passiva = P ou: A = P S. L.

O património de qualquer unidade económica encontra-se necessariamente numa das três

situações citadas. De todas elas o 2.º caso é o mais difícil ocorrência, visto só excepcionalmente coincidirem os valores de ambas as rubricas.

Equação Fundamental da Contabilidade

Consideremos a seguinte transacção: aquisição de uma viatura 200 000$00. Esta operação deve ser escriturada nos registos contabilísticos do comprador por aquele valor. Pode a viatura em questão ter sido avaliada por outro valor, podem ter oferecido ao comprador no dia da compra um valor superior a 200 000$00. Tudo isto, do ponto de vista contabilístico

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE não tem interesse, visto existir na contabilidade um principio básico que determina o seu

não tem interesse, visto existir na contabilidade um principio básico que determina o seu registo pelo preço de aquisição.

Quando o comprador adquiriu a viatura, obteve a propriedade da mesma. A troca ( compra e venda ) implicou a transferência da propriedade da « coisa » transaccionada. A esta propriedade é atribuído um certo valor, normalmente expresso em escudos, sobre o qual incidem direitos do mesmo valor. Pode dizer-se que o valor de uma propriedade é igual ao valor dos direitos que tem o seu proprietário. Esquematicamente:

Valor das propriedades = Valor dos direitos sobre estas propriedades

Se uma empresa é propriedade de uma só pessoa, então os direitos sobre as propriedades

da empresa coincidem com os do próprio proprietário. Consideremos que, no nosso exemplo,

o comprador paga integralmente, com valores patrimoniais próprios, a viatura. Teremos

então:

Valor da viatura ( propriedade ) = Valor dos direitos do proprietário

( 200 000$00 )

( 200 000$00 )

= 80 000$00 +
=
80 000$00
+

120 000$00

Como a viatura é um valor activo, será:

ACTIVO = CAPITAL PRÓPRIO ( S. L. Activa ) Neste exemplo o passivo é nulo.

Mas consideremos agora que o comprador contrai um empréstimo de 80c para aquisição da viatura. Neste caso será:

Valor da viatura = Valor dos direitos dos terceiros + Valor dos direitos do proprietário

200 000$00

Como os direitos de terceiros representam dívidas a pagar, isto é, valores passivos, teremos:

Valor da viatura = Direitos de terceiros s/ a viatura + Direitos do Propriét. s/ a viatura

ACTIVO

=

PASSIVO

+

CAP. PRÓPRIO ou SLA

O Activo pode designar-se por Capital Total ou Financeiro, ou seja, é o montante de valores utilizados pela empresa no desempenho da sua actividade.

O Passivo é o Capital Alheio, ou seja, o conjunto de valores utilizados pela empresa mas que

não são de sua pertença. São os valores sobre que incidem direitos de terceiros.

A situação Líquida é o Capital Próprio, ou seja, representa o montante de recursos postos à

disposição da empresa pelos seus proprietários. Representa valores sobre os quais incidem direitos do proprietário. Como se sabe, devido ao uso, as viaturas estão sujeitas a quebras de valor. Imagine-se então que a referida viatura, dado o seu desgaste, sofreu uma redução de valor de por. Exemplo 40 contos.

Após este facto, teremos:

Valor actual + Quebra Verificada = Valor dos direitos + Valor dos direitos do

da viatura

de terceiros

do proprietário

160 000$00 +

40 000$00

=

80 000$00

+

120 000$00

Ora sabe-se que a quebra ocorrida constitui um prejuízo ou perda, ou ainda e que é o mesmo, uma situação líquida passiva ( negativa ). Virá então:

C ONTABILIDADE Valor actual + Quebra verificada = Direitos de terceiros + Direitos do proprietário

CONTABILIDADE

Valor actual + Quebra verificada = Direitos de terceiros + Direitos do proprietário

da viatura

ACTIVO

+ S. L. PASSIVA

=

s/ a viatura PASSIVO

+

s/ a viatura S. L. ACTIVA

Esta expressão corresponde à Equação Fundamental da Contabilidade, que temos vindo

a estudar e que será, então:

ACTIVO + S. L. PASSIVA = PASSIVO + S. L. ACTIVA

ou ainda

ACTIVO = PASSIVO + SITUAÇÃO LÍQUIDA ACTIVA - SITUAÇÃO LÍQUIDA PASSIVA

Esta equação constitui o cerne de todo o trabalho contabilístico baseando-se nela o princípio da partidas dobradas que adiante estudaremos.

APLICAÇÃO 3

Património de Z 400c Situação líquida = Activo - Passivo = 1 200c
Património de Z
400c
Situação líquida = Activo - Passivo = 1 200c

Activo ………………………………………… 1 600c

Passivo …………………………………………

Com base nestes valores se determina que:

A equação verifica-se visto:

Activo ( 1 600c ) = Passivo ( 400c ) + S. Líq. Activa ( 1 200c )

Vimos atrás que o Activo representa o capital total ou financeiro, o passivo o capital alheio e a situação líquida o capital próprio. Diremos, no exemplo citado que «Z» dispõe na sua actividade de recursos no valor de 1 600 contos, os quais foram obtidos da seguinte forma:

400 contos de terceiros por meio de créditos e 1 200 do próprio.

Isto possibilita-nos uma outra reflexão. De um lado, o Activo ( e situação líquida passiva ) representa as aplicações dadas aos capitais. Por outro lado o Passivo e a situação Líquida Activa, as origens desses mesmos capitais. Em síntese: o primeiro membro da equação fundamental representa as aplicações de capitais, enquanto que o segundo membro representa a sua origem. O Passivo representa uma origem alheia, ou seja, capitais utilizados pela empresa mas propriedade de terceiros A. S. L. Activa representa uma origem própria.

Os factos patrimoniais, alterando o património, afectam necessariamente os elementos da equação fundamental. Contudo, não podem alterar a igualdade da referida equação. Qualquer que seja o facto patrimonial, a igualdade mantém-se sempre, porquanto para cada aplicação de fundos, terá que haver a correspondente origem.

Vejamos, por meio de um exemplo, a forma como se verifica, por um lado a alteração dos elementos patrimoniais, e por outro, a manutenção da igualdade referida.

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE APLICAÇÃO 4 Suponhamos que o comerciante K inicia a sua actividade, com um capital

APLICAÇÃO 4

Suponhamos que o comerciante K inicia a sua actividade, com um capital de 1 000 contos ( representado em dinheiro ), dedicando-se à comercialização de produtos electrónicos.

000 contos ( representado em dinheiro ), dedicando-se à comercialização de produtos electrónicos. Manual de Curso
C ONTABILIDADE Os valores iniciais seriam representados por: ACTIVO Caixa ………………… 1 000 000$ CAPITAL

CONTABILIDADE

Os valores iniciais seriam representados por:

ACTIVO Caixa ………………… 1 000 000$

CAPITAL PRÓPRIO Capital ………………… 1 000 000$

Após estar constituído efectuou as seguintes operações:

1) Compra de mobiliário para montagem do estabelecimento: 100 contos. Esta operação vai originar:

- saída de caixa do valor da aquisição ( 100 contos )

- criação de um novo valor activo - mobiliário diverso, que representa um elemento em que foi aplicado capital

2) Compra a crédito de 10 máquinas calculadoras ao preço unitário de 6 contos,uma das quais ficará ao serviço da empresa. Serão movimentadas:

pela aquisição de uma máquina para uso do comerciante
pela aquisição de uma máquina para uso do comerciante

mercadorias, pela entrada de 9 máquinas calculadoras, com as quais fará comércio ( 9 x 6 000$00 = 54 000$00 );

-

- equipamento, ( 6 000$00 )

Estes elementos são ambos activos, visto representarem valores que passaram a pertencer ao comerciante. - fornecedores será criada no passivo, visto que esta operação originou uma divida do comerciante. A dívida a pagar corresponde à globalidade da compra (10 x 6 000$00 = 60 000$00) e representa o direito do credor em receber esta quantia dentro de certo prazo.

Venda ao Sr. F. de 2 calculadoras ao unitário de 8 000$00, pagando este 50% da compra e comprometendo-se a entregar o restante dentro de um mês.

Esta venda vai originar:

- aumento das disponibilidades em caixa ( 8 000$00 );

- aparecimento de nova rubrica no activo que representa uma dívida a receber, isto é, o direito a receber do Sr. F. em data futura 8 000$00 (clientes);

- diminuição de mercadorias pelo custo das máquinas vendidas. Saem duas máquinas que

ao preço unitário de 6 000$00, totalizam a importância de 12 000$00;

- aparecimento de um ganho (lucro), que irá aumentar o capital próprio do comerciante ( 4

000$00).

Pagou ao seu fornecedor 60% da dívida resultante da operação 2).

Neste caso, serão diminuídos, dois elementos: um do activo e outro do passivo, mesmo valor.

pelo

- diminui caixa, visto haver uma saída de dinheiro ( 36 000$00 )

- diminui fornecedores, visto ter sido paga parte da divida em questão (36 000$00 )

Pediu um empréstimo ao BPA de 200 contos, ficando esta quantia, deduzida dos juros pagos antecipadamente de 5 contos, depositada no referido Banco e á ordem do comerciante.

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE Esta operação vai implicar: - aumento do passivo, na medida em que o comerciante

Esta operação vai implicar:

- aumento do passivo, na medida em que o comerciante se obriga ao reembolso do

empréstimo contraído ( 200 000$00 ); - aumento do activo, pelas novas disponibilidades que ficaram depositadas à sua disposição ( 195 000$00 );

- uma diminuição do capital próprio pelo juro obrigado a pagar. Recebendo apenas 195 000$00 e obrigando-se a pagar 200000$00 o comerciante vê o seu capital suportar a diferença entre o recebido e o valor a pagar.

Analise-se em pormenor o quadro apresentado, onde são registadas as descritas, com base na equação fundamental da contabilidade.

operações

ACTI

=

P

+

S

VO

A

.

S L Dep. em Emprést. Caixa + Mob. diverso + Mercad. + Equip. + Clientes
S
L
Dep. em
Emprést.
Caixa
+
Mob. diverso +
Mercad.
+
Equip.
+
Clientes
+
+
=
Fornec.
+
+
Cap. Próprio
Bancos
Bancário
1
1 000 000$
-
-
-
-
-
=
-
-
1 000 000$
- 100 000$
+100 000$
-
-
-
-
=
-
-
-
900
000$
100 000$
1 000 000$
2
-
-
+54 000$
+6 000$
-
-
=
+60 000$
-
-
900
000$
100 000$
54 000$
6 000$
60 000$
1 000 000$
3
+ 6 000$
-
-12 000$
-
+8 000$
-
=
-
-
+4 000$
906
000$
100 000$
42 000$
6 000$
8 000$
60 000$
1 004 000$
4
-36 000$
-
-
-
-
-
=
-36 000$
-
-
872
000$
100 000$
42 000$
6 000$
8 000$
24 000$
1 004 000$
5
-
-
-
-
-
+195 000$
=
-
+200 000$
-5 000$
872
000$
100 000$
42 000$
6 000$
8 000$
195 000$
24 000$
200 000$
999 000$
1 223
1 223
=
000 00
000 00

Como se pode verificar, a igualdade da equação fundamental da contabilidade é sempre mantida. Isto é possível devido aos registos compensatórios efectuados em cada operação. Aqui aparece um novo princípio contabilístico: toda e qualquer operação dá azo ao registo em pelo menos dois elementos patrimoniais. Qualquer facto patrimonial, não altera apenas o valor de um elemento patrimonial, mas sim pelo menos de dois. O Capital Próprio ou Situação Líquida só é alterada pelos factos patrimoniais modificativos. Estão neste caso os factos referentes ás operações (3) e (5). Os restantes são necessariamente permutivos.

C ONTABILIDADE INVENTÁRIO E BALANÇO O I NVENTÁRIO : NOÇÃO E CLASSIFICAÇÃO O inventário consiste

CONTABILIDADE

INVENTÁRIO E BALANÇO

O INVENTÁRIO: NOÇÃO E CLASSIFICAÇÃO

O inventário consiste numa relação ( rol, lista ) dos elementos patrimoniais com a indicação do seu valor. Proceder a inventário consiste, pois, em analisar os elementos de um dado património, descrevê-los e atribuir-lhes um valor. No inventário devemos considerar três fases:

a) identificação, em que se verifica quais os elementos patrimoniais existentes;

b) descrição e classificação, em que os elementos serão apresentados e repartidos pelas classes a que dizem respeito;

e repartidos pelas classes a que dizem respeito; c) valorização, acto de atribuição de um valor

c) valorização, acto de atribuição de um valor a cada elemento patrimonial.

Quanto ao âmbito, os inventários podem classificar-se em gerais e parciais. Um inventário diz-se geral quando abarca todos os valores que constituem um dado património; diz-se parcial quando abrange apenas alguns dos elementos patrimoniais. No inventário geral figuram todos os elementos patrimoniais, no parcial figura apenas uma parte deles. A inventariação de mercadorias ou dos débitos de cada empresa são casos representativos de inventários parciais.

Quanto à disposição dos elementos patrimoniais, podem considerar-se dois casos distintos:

a) os elementos aparecem dispostos sem obedecer a qualquer ordem. Neste caso o inventário diz-se simples;

b) os elementos aparecem agrupados, segundo a sua natureza, característica ou função. Se isto acontece, o inventário diz-se classificado.

Os inventários que as empresas elaboram devem ser transcritos para o livro de Inventário e Balanços que, como adiante veremos, é um dos livros obrigatórios para qualquer comerciante.

Nas Grandes empresas, devido à grande extensão dos seus elementos patrimoniais, os inventários gerais correspondem à reunião de vários inventários parciais que serão elaborados em folhas próprias e em separado.

APLICAÇÃO 5

Como exemplo de aplicação apresentaremos um caso de inventário simples e de inventário classificado, referente a um mesmo património.

a) Inventário simples:

Inventário do comerciante K, em 1/10/n

CONTABILIDADE

ACTIVO

C ONTABILIDADE ACTIVO Dinheiro em caixa …………………………… 50 000$00 2 Máquinas de escrever
Dinheiro em caixa …………………………… 50 000$00 2 Máquinas de escrever
Dinheiro em caixa
……………………………
50 000$00
2
Máquinas de escrever
……………………………
6 000$00
4
Máquinas calculadoras
……………………………
30 000$00
1
Edifício na rua H
……………………………
400 000$00
1
Frigorífico
……………………………
25 000$00
Conjunto de estantes
……………………………
40 000$00
1
Máquina registadora
……………………………
12 000$00
Viatura
Dívidas de:
1
……………………………
120 000$00
M.
Castro
……………………………
3 000$00
F.
Santos
……………………………
15 000$00
Saques n.º
6
s/ B. Carvalho
……………………………
17 000$00
7
s/ C. Matos
……………………………
13 000$00
2
Secretárias
……………………………
12 000$00
4
Cadeiras
……………………………
1 000$00
Depósitos no BPA
……………………………
145 000$00
2
Sofás
……………………………
8 000$00
Papel, tinta, material diverso
……………………………
3 000$00
Total do activo
……………………………
900 000$00
PASSIVO
Dívidas a:
H.
Fagundes
…………………………
16 000$00
S.
Antunes
…………………………
9 000$00
Aceites n.º
11, saque de J. Fernandes
12, saque de M. Pereira
Dívida à Papelaria Progresso
Emprést. Contraído no BPA
Total do passivo
……………………………
18 000$00
……………………………
12 000$00
……………………………
10 000$00
……………………………
150 000$00
……………………………
215 000$00
b) Inventário classificado
ACTIVO
Disponível
Dinheiro em caixa
Depósito no BPA
Clientes
………………
50 000$00
………………
145 000$00
195 000$00
M.
Castro
………………
3 000$00
F.
Santos
………………
15 000$00
18 000$00
Letras a receber
Saque
nº6
s/
B.
………………
17 000$00
Carvalho
Saque nº7 s/ C. Matos
………………
13 000$00
30 000$00

Equip. de escritório

C ONTABILIDADE 1 Máquina registadora ……………… 12 000$00 Frigorífico Conj. De estantes 1

CONTABILIDADE

1

Máquina registadora

………………

12 000$00

Frigorífico Conj. De estantes

1

………………

25 000$00

………………

40 000$00

2

Secretárias

………………

12 000$00

4

Cadeiras

………………

1 000$00

2

Sofás

………………

8 000$00

98 000$00

Material Diverso Papel, tinta, m. diverso

………………

3 000$00

Imobilizados

 

1 Edifício na rua H

………………

400 000$00

1 Viatura

………………

120 000$00

520 000$

Mercadorias

 

2

Máquinas de escrever

………………

6 000$00

4

Máquinas calculadoras

………………

30 000$00

36 000$00

Total do activo

………………

………………

900 000$00

PASSIVO Letras a pagar

Aceite

Fernandes Aceite nº12, saque de M. Pereira

saque de J. ……………… 18 000$00 ……………… 12 000$00 ……………… 16 000$00
saque
de
J.
………………
18 000$00
………………
12 000$00
………………
16 000$00
………………
9 000$00
………………
10 000$00

30 000$00

35 000$00

nº11,

Fornecedores

H. Fagundes

S. Antunes

Papelaria Progresso Empréstimos Bancários Empréstimo do BPA

………………

150 000$00

215 000$00

Nota: Inventariar um património não é um trabalho tão fácil quanto parece à primeira vista. Há casos em que se poderão ( e deverão ) incluir valores ainda não registados e excluir outros que embora existindo já não pertencem à empresa. Como exemplo, podemos referir que ao proceder-se a um inventário, os bens já adquiridos, mas que ainda não entraram na empresa, devem ser considerados, o mesmo não acontecendo àqueles que já tenham sido vendidos mas que ainda não saíram.

Os inventários efectuados periodicamente, denominam-se ordinários. Por sua vez, são denominados inventários extraordinários aqueles que são elaborados em consequência de condições excepcionais. Os primeiros são regulares e previsíveis; os segundos são excepcionais e, consequentemente, imprevisíveis.

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE BALANÇO N OÇÃO E CLASSIFICAÇÕES Elaborado o inventário geral torna-se necessário comparar o activo

BALANÇO

NOÇÃO E CLASSIFICAÇÕES

Elaborado o inventário geral torna-se necessário comparar o activo com o passivo para conhecer o valor e natureza da situação líquida. Esta comparação, constitui o balanço. Assim, enquanto que o inventário constitui apenas um arrolamento (listagem) dos valores activos e passivos, o balanço, por sua vez leva a cabo a comparação (balanceamento) entre aquelas classes de valores. São estes aspectos que marcam a sua diferença. Acrescentando a situação líquida ao quadro do inventário, o balanço constitui o mapa da situação patrimonial da empresa num determinado momento. Segundo Dumarchey « o balanço é, pois, a expressão da relação existente entre o activo, o passivo e a situação líquida ». Em pontos precedentes vimos que a situação patrimonial de qualquer empresa obedece sempre à fórmula:

patrimonial de qualquer empresa obedece sempre à fórmula: ACTIVO + S. L. PASSIVA = PASSIVO +

ACTIVO + S. L. PASSIVA = PASSIVO + S. L. ACTIVA

ou

ACTIVO = PASSIVO + S. L. ACTIVA - S. L. PASSIVA

Sendo o balanço constituído por dois membros, o primeiro membro engloba o primeiro conjunto de valores: Activo e Situação Líquida Passiva (ou apenas o Activo se esta última for incluída no segundo membro com sinal negativo); por sua vez, o Passivo e a Situação Líquida Activa constituem o segundo membro do balanço. Como aparece representado um balanço e, consequentemente, seus membros ? Na prática existem dois tipos de representação:

representação horizontal, em que o primeiro membro aparece do lado esquerdo, segundo a ordem: Activo; Situação Líquida Passiva. O segundo membro vem do lado direito, sendo a ordem: Situação Líquida Activa ou a inversa. representação vertical em que o segundo membro vem imediatamente abaixo do primeiro, mantendo-se a ordem indicada em i) dentro de cada membro.

APLICAÇÃO 6

O património de F é constituído por:

Valores activos

1 820 contos

Valores passivos

780 contos

C ONTABILIDADE Disposição Horizontal BALANÇO Activo 1 820 c Passivo 780 c 1 040 c

CONTABILIDADE

Disposição Horizontal

BALANÇO

Activo

1 820 c

Passivo

780 c 1 040 c

 

S.L.Activa

 

1 820 c

1 820 c

Disposição vertical

BALANÇO

Activo

1 820 c 780 c 1 040 c

Passivo

S.L.Activa

1 820 c

É claro que se torna desnecessário referir que os membros de qualquer balanço são sempre de igual valor. O primeiro membro nunca pode ser superior ao segundo e vice-versa, face ao exposto sobre a equação fundamental.

e vice-versa, face ao exposto sobre a equação fundamental. Na composição destes membros, três casos se

Na composição destes membros, três casos se podem verificar:

A) Activo > Passivo então:

Activo = Passivo + S. L. Activa

Exemplo:

BALANÇO

 

Activo

1 000 c

Passivo

600 c

 

S.L.Activa

400 c

 

1 000 c

1 000 c

Activo = Passivo

BALANÇO

Activo

700 c

Passivo

.

700 c

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE C) Activo < Passivo donde Activo + S. L. Passiva = Passivo ou Activo

C) Activo < Passivo donde

Activo + S. L. Passiva = Passivo ou Activo = Passivo - S. L. Passiva

Exemplo:

BALANÇO

 

Activo

800 c

Passivo

950 c

S.L.Passiva

150 c

 

950 c

 

950 c

Ou ainda

BALANÇO

Activo 800 c Passivo 950 c . S.L.Passiva -150 c . 800 c 800 c
Activo
800 c
Passivo
950
c
.
S.L.Passiva
-150 c
.
800 c
800
c
O balanço poderá ainda ser sintético ou analítico.

Esta terceira situação é, sem margem para dúvidas, francamente desfavorável na medida em que as dúvidas a pagar superam o montante do activo. Ou seja, deve-se mais do que se possui e se tem a receber.

Será tanto mais analítico quanto maior for a sua pormenorização, isto é, quanto mais discriminados forem os valores activos e passivos. Por sua vez, o balanço sintético é aquele em que o grau de pormenorização é mínimo. O mais sintético dos balanços é aquele que nos dá apenas a conhecer os valores totais do activo, passivo e situação líquida.

Tal como se viu para o inventário, o balanço também pode ser, ou não, classificado. Será classificado quando os elementos que o compõem são dispostos e ordenados segundo uma certa ordem, dependente das suas características, natureza ou função. Na prática os balanços são classificados.

A ordenação das rubricas do balanço está normalmente associada a critérios pré-definidos. Para o 1º membro, ou seja, para o Activo o critério é o da liquidez crescente ou decrescente. Para o 2º membro, os valores do Activo são ordenados pelo critério da exigibilidade, crescente ou decrescente e os da Situação Líquida ou Capital Próprio, pela formação histórica dos respectivos valores.

C ONTABILIDADE APLICAÇÃO 7 Consideremos o inventário de K, apresentado na aplicação 6. Balanço Sintético

CONTABILIDADE

APLICAÇÃO 7

Consideremos o inventário de K, apresentado na aplicação 6.

Balanço Sintético

BALANÇO

1 / 10 /n

 

Activo

900

000$

Passivo

215

000$

   

.

S. L. Activa

685

000$

 

.

 

900

000$

 

900

000$

Balanço Analítico BALANÇO

1 / 10 /n

ACTIVO PASSIVO Disponível Caixa 50 000$ Dívidas a pagar Fornecedores L. Pagar 35 000$ Dep.
ACTIVO
PASSIVO
Disponível
Caixa
50 000$
Dívidas a pagar
Fornecedores
L. Pagar
35 000$
Dep. Em
145 000$
195 000$
30 000$
bancos
Dívidas
a
Empréstimos
150 000$
215 000$
receber
Clientes
18 000$
Total passivo
215 000$
L. Rec.
30 000$
48 000$
SIT. LÍQUIDA
Existências
Capital
685 000$
Mercadorias
36 000$
Imobilizado
M. Administ.
101 000$
Imóveis
520 000$
621 000$
900 000$
900 000$

É evidente que estes balanços também poderão ser representados sob a forma vertical. Utilizamos a horizontal por ser a mais corrente.

Sendo o balanço um mapa de origens ( segundo membro ) e de aplicações de fundos ( primeiro membro ), facilmente se depreende que ele está, sujeito a constantes mutações. Aliás, um balanço constitui uma fotografia da situação patrimonial da empresa, na medida em que dá esta última num dado momento. Estas mutações são motivadas pela própria actividade da empresa, pois ela submete a uma constante alteração os seus elementos patrimoniais.

Usualmente o balanço é só elaborado com uma certa periodicidade em geral um ano. Ora, estando o património em contínua transformação ( alteração ), o balanço apenas nos dá a conhecer os valores nas datas da sua elaboração; daí que, um só balanço corresponde a uma situação estática, enquanto que a comparação de balanços sucessivos representa uma situação dinâmica, porquanto vai dando a conhecer a evolução patrimonial da empresa.

No início de um exercício económico haverá um balanço inicial com a correspondente situação líquida; ao fim daquele corresponderá um balanço final e a consequente situação líquida final.

A situação final ( a que corresponde ao balanço de fim de exercício ) não é senão a situação

líquida inicial ( corresponde ao balanço inicial ) alterará pelos lucros ou prejuízos do exercício.

Esses lucros e/ou prejuízos acumulados durante vários exercícios económicos, constituem com a situação líquida inicial a denominada situação líquida adquirida.

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE Teremos: S. L. Final = S. L. Inicial + Lucros - Prejuízos Saliente-se que

Teremos:

S. L. Final = S. L. Inicial

+ Lucros

- Prejuízos

Saliente-se que quaisquer que sejam os tipos de operação efectuados pela empresa durante o exercício económico, a igualdade entre os membros do balanço não será desfeita, como foi referenciado na equação fundamental.

APLICAÇÃO 8

A) M. Gomes apresentava, em 1/11, o balanço indicado na página seguinte. No dia 3 de Novembro realiza a seguinte operação:

venda a pronto pagamento mercadorias por 5 000$00, que lhe haviam custado 3 500 $00.

Pretende-se o balanço de M. Gomes, após o registo desta operação. BALANÇO em 1/11 1º
Pretende-se o balanço de M. Gomes, após o registo desta operação.
BALANÇO
em 1/11
1º membro
2º membro
Caixa
15 000$00
fornecedores
30 000$00
Depósitos ordem
25 000$00
capital
60 000$00
Mercadorias
10 000$00
Imobilizado
40 000$00
90 000$00
90 000$00

após a operação:

BALANÇO

em 1/11

1º membro caixa ( + 5 ) Depósitos à ordem Mercadorias (-3,5 ) Imobilizado

 

2º membro

20 000$00

fornecedores

30 000$00

25 000$00

capital

60 000$00

6 500$00

lucros

1 500$00

40 000$00

 
 

91 500$00

 

91 500$00

O lucro de 1 500$00 provém da venda de mercadorias por 5 000$00, que havia comprado por apenas 3 500$00.

No exercício n, J. Gonçalves apresentava o seguinte balanço inicial:

BALANÇO

em 1/11

ACTIVO

PASSIVO

caixa

40 000$00

fornecedores

70 000$00

   

.

Depósitos à ordem

120 000$00

Emp. Bancário

170

000$00

   

.

Clientes

60 000$00

Total do Passivo

240

000$00

   

.

Mercadorias Imobiliário diverso

80 000$00

SIT. LÍQUIDA

140 000$00

C ONTABILIDADE Imóveis 400 000$00 840 000$00 capital . 600 840 000$00 000$00 Durante o

CONTABILIDADE

Imóveis

400 000$00 840 000$00
400 000$00
840 000$00

capital

.

600

840

000$00

000$00

600 840 000$00 000$00

Durante o exercício económico realizou as operações seguintes:

Comprou mercadorias por 60 000$00. 50% das quais a pagamento imediato e os restantes 50% a crédito;

Vendeu mercadorias por 90 000$00, que lhe haviam custado 70 000$00. Recebeu 60% do valor desta venda;

Pagou dívidas aos fornecedores no montante de 45 000$00

Recebeu dos seus clientes 40 000$00

Reembolsou uma fracção de 70 000$00 do empréstimo bancário, por meio de transferência bancária.

Após estas operações, os membros do balanço sofreram as seguintes alterações:

Operação 1

Operação 2

(+ 60 000$00); novo valor: = (- 30 000$00); novo valor: (+ 30 000$00); novo
(+ 60 000$00); novo valor: =
(- 30 000$00); novo valor:
(+ 30 000$00); novo valor:
(- 70 000$00); novo valor:
(+ 54 000$00); novo valor:
(+ 36 0 000$00); novo valor:
(+ 20 000$00); novo valor:
(- 45 000$00); novo valor:
(- 45 000$00); novo valor:

Mercadorias Caixa Fornecedores Mercadorias Caixa Clientes Lucros Caixa Fornecedores Caixa Clientes Dep. à ordem Emp. Bancário

(+ 40 000$00); novo valor:

(- 40 000$00); novo valor:

(- 70 000$00); novo valor:

(- 70 000$00); novo valor:

140 000$00

10 000$00

100 000$00

70 000$00

64 000$00

96 000$00

20 000$00

19 000$00

55 000$00

59 000$00

56 000$00

50 000$00

100 000$00

Operação 3

Operação 4

Operação 5

BALANÇO de J. Gonçalves em 31/12/n

ACTIVO

PASSIVO

Caixa Dep. à ordem Clientes Mercadorias Mobiliário diverso Imóveis

59 000$00

Fornecedores

55 000$00

50 000$00

Emp. Bancário

100 000$00

56 000$00

Total passivo

155 000$00

70 000$00

SIT. LÍQUIDA

140 000$00

Capital

600 000$00

400 000$00

Lucros

20 000$00

 

775 000$00

775 000$00

Os lucros vão aumentando a S. L. Activa, por isso a sua inclusão nesta S. L., ou seja, no segundo membro do balanço. Os prejuízos constituem S. L. Passiva, pelo que a havê-los deverão incluir-se no primeiro membro do balanço. Segundo o plano oficial de contabilidade, os resultados deverão sempre ser incluídos no segundo membro do balanço ( situação líquida ), com sinal + ( positivo), sendo lucros; com sinal - (negativo ), sendo prejuízos.

Em síntese, o balanço final é elaborado a partir do inicial, introduzindo-lhe as operações realizadas durante o exercício económico. Como a igualdade entre os dois membros é sempre mantida, podemos mais uma vez referir que num balanço ( ou situação patrimonial )

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE a variação de um ou mais elementos é sempre equilibrada pela variação de outro

a variação de um ou mais elementos é sempre equilibrada pela variação de outro ou outros prejuízos.

À semelhança do inventário, também o balanço será obrigatoriamente registado no livro de

inventários e balanço. Adiante estudaremos este aspecto legal.

A CONTA

NOÇÃO, PARTES CONSTRUTIVAS E REPRESENTAÇÃO GRÁFICA

Já foi referido que o património de uma empresa é constituído por um grande e complexo número de elementos de natureza diferente. Contudo, esses elementos podem ser mensuráveis, ou seja, traduzidos numa unidade de valor comum. Isto é, transformam-se as

numa unidade de valor comum. Isto é, transformam-se as matérias ou os objectos em valores, possibilitando

matérias ou os objectos em valores, possibilitando a sua comensurabilidade, que é o mesmo,

comparação entre si. Um televisor e um livro apresentam-se com características diferentes mas, graças à sua quantificação ( tradução na mesma unidade ) podem facilmente ser comparáveis.

a

graças a esta quantificação que o trabalho contabilístico se pode levar a cabo nas unidades económicas. Sem aquela, ele seria não só de difícil execução, como também perdia o seu significado, na medida em que se referia, a um conjunto de elementos entre os quais não seria possível estabelecer qualquer relação.

É

Mas a contabilidade, como conjunto de processos atinentes ao registo, classificação e controlo dos factos patrimoniais, tornar-se-ia impraticável se o fizesse em relação a cada elemento em particular. Por outras palavras, o registo, a classificação e controlo não seriam de fácil execução, se a observação fosse feita elemento a elemento patrimonial.

Daí que consoante a sua natureza ou função que desempenhem na empresa, os valores patrimoniais possam ser agrupados em classes com características comuns. Chegamos assim à noção de conta, que podemos definir como um conjunto de elementos patrimoniais expresso em unidades de valor.

Porém numa perspectiva mais prática, a conta aparece associada a uma série de notações ou registos referentes a um dado objecto, ordenadamente dispostos num quadro. Portanto, na primeira noção a conta define-se pelas características dos elementos que engloba, enquanto que na segunda, é considerado o aspecto dinâmico ou evolutivo desses elementos, ou seja, o conjunto dos registos das suas variações. Representam assim, duas formas distintas de definir uma mesma realidade: a conta representa uma classe de valores ou elementos patrimoniais, mas a sua disposição é tal que permite registar todas as variações sofridas por esses elementos.

Partes Constitutivas

Numa conta há a considerar:

o título ( denominação própria ) o valor ( extensão )

C ONTABILIDADE O título é a expressão ( ou palavra ) por que se designa

CONTABILIDADE

O título é a expressão ( ou palavra ) por que se designa a conta. Deve ser escolhido de tal forma que revele imediatamente a natureza dos elementos que a compõem, isto é, nos dê a conhecer o seu conteúdo. Tem como finalidade identificar a conta e distingui-la de todas as outras, pelo que será fixo e imutável. Deve ser claro no que respeite à característica comum dos elementos a que diz respeito.

imutável. Deve ser claro no que respeite à característica comum dos elementos a que diz respeito.

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE Vejamos um exemplo : Os escritórios das empresas estão geralmente equipados com móveis diversos,

Vejamos um exemplo:

Os escritórios das empresas estão geralmente equipados com móveis diversos, tais como, secretárias, estantes, cadeiras e outros. Todos esses elementos possuem a característica comum de se destinarem ao indispensável apetrechamento dos

escritórios; a denominação para a conta que englobe estes elementos poderá ser, por ser, por exemplo, Mobiliário de Escritório.

O valor representa a qualidade, expressa em unidades monetárias contida na conta

no momento em que se analisa. O valor registado na contabilidade deve ser verídico,

ou seja, deve estar de acordo com a verdadeira extensão dos elementos que representa.

Se o título é fixo e imutável, a extensão já não o é. Pelo contrário, ela constitui o elemento variável da conta, na medida em que os elementos patrimoniais que engloba estão sujeitos a variações contínuas provocadas pelas operações realizadas.

A conta constitui a bases de toda a escrituração, dado que é a partir dela que se

desenvolve todo o trabalho contabilístico. Como tal, a conta deve obedecera requisitos próprios, para que o trabalho se processe com fundamento e regularidade.

Os requisitos essenciais a que a conta deve obedecer, são:

integralidade. A conta deve incluir todos os elementos
integralidade.
A
conta
deve
incluir
todos
os
elementos

A homogeneidade. Uma conta só deve conter os elementos que obedeçam à característica comum que ela define. Assim, a dívida de um cliente à empresa, nunca poderá ser registada numa conta que não indique uma dívida a receber, ou seja, a conta em que aquela for registada deve incluir apenas os elementos que possuam a mesma característica: valores que a empresa tem direito a receber.

gozam

da

característica comum por ela definida. Deste modo a conta Mercadorias, deverá incluir todos os tipos de mercadorias transaccionadas pela empresa, assim como as suas variações.

A

que

Em suma, a conta deve ser « homogénea » e « integral »dado que só poderá admitir movimentos ligados com a respeito classe de valores, não excluindo qualquer deles.

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA

A cada conta corresponde um gráfico ou quadro, que constitui o dispositivo prático para acompanhar as suas variações quantitativas. Inscrevendo-se neste quadro a extensão inicial da conta e as variações seguintes, consegue saber-se a todo o momento o valor dos elementos patrimoniais que agrupa.

No aspecto gráfico, a conta apresenta-se normalmente na forma de um T. Sobre o traço horizontal indica-se o título da conta, podendo ainda distinguir-se um lado esquerdo e um lado direito.

Título da conta

Lado Esquerdo

Lado Direito

O lado esquerdo é designado « Débito » ou « deve » e o lado direito « Crédito » ou « haver ». Estes termos provêm de um processo onomatológico ligado à história da contabilidade, na

C ONTABILIDADE fases em que as contas representavam, exclusivamente, as pessoas dos devedores e dos

CONTABILIDADE

fases em que as contas representavam, exclusivamente, as pessoas dos devedores e dos credores. As variações aumentativas da conta de uma pessoa devedora constituíam o seu débito ( aumentando o débito de um devedor, e ele deve mais ) e as diminutivas o seu crédito, tal como as variações aumentativas da conta de uma pessoa credora ( aumentando o crédito de um credor, ele tem a haver mais ) e as diminutivas constituem seu débito.

Ex.: Clientes e Fornecedores

Por extensão do princípio das contas pessoais ás contas de coisas e de factos, os termos «Débitos» e «Créditos» ou «Deve» e «haver» respectivamente, não representam mais do que variações aumentativas ou diminutivas no valor das respectivas contas.

No aspecto gráfico, teremos:

Deve ( Débito )

Título da Conta

( Crédito ) Haver

Deve ( Débito ) Título da Conta ( Crédito ) Haver Os valores registados no débito
Deve ( Débito ) Título da Conta ( Crédito ) Haver Os valores registados no débito
Deve ( Débito ) Título da Conta ( Crédito ) Haver Os valores registados no débito

Os valores registados no débito denominam-se débitos e os registados no crédito denominam-se créditos. debitar uma conta significa inscrever uma certa quantia no lado do débito; creditar uma conta é efectuar o registo dum valor no lado do crédito.

A

saldo dessa conta.

diferença entre o débito e o crédito duma conta, no momento considerado, chama-se

Ao balancear uma conta, ou seja ao comparar o seu débito com o seu crédito, três hipóteses podem ocorrer:

D

>

C

D

=

C

D

<

C

o saldo diz-se devedor ( Sd)

o saldo diz-se nulo (So)

o saldo diz-se credor (Sc)

Uma vez determinado o saldo, este adiciona-se ao lado cujo soma for de menor valor, obtendo-se assim uma igualdade entre os dois lados da conta. Atendendo ás três hipóteses consideradas anteriormente, teremos:

D

>

C

D

=

C

D

<

C

Sd

donde:

D

=

C

+

Sd

So

donde:

D

=

C

SC

donde:

D

+

Sc

=

C

Uma conta sem saldo diz-se saldada.

O saldo da conta corresponde à sua extensão, ou valor, num determinado momento.

Fechar uma conta correspondentes a somar as colunas dos valores do débito

e do crédito - depois de as saldar previamente - sublinhando com dois traços

( trancando ) cada soma.

Reabrir uma conta é inscrever o saldo na coluna dos débitos, se na conta

fechada o mesmo era devedor; ou inscrever o saldo na coluna dos créditos, se na conta fechada o mesmo era credor.

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE DISPOSITIVOS DA CONTA

DISPOSITIVOS DA CONTA

A disposição apresentada anteriormente, em forma semelhante a um T, não ´´e a única

existente. É-lhe atribuída a denominação de dispositivo horizontal ou bilateral, sendo o seu

traçado o seguinte:

Débito ( Deve ) ( Haver )

Título da conta

Crédito

Data

Descrição

Valor

Data

Descrição

Valor

É também utilizado o dispositivo vertical ou unilateral que comporta as seguintes subdivisões: de coluna simples; de coluna dupla; e, de coluna dupla com saldos à vista.

Data Descrição Valor D/C D -C
Data
Descrição
Valor
D/C
D
-C

O

valor dos débitos e dos créditos. Poderá apresentar-se da seguinte forma:

disposto vertical ou unilateral de coluna simples, tem apenas uma coluna para inscrever o

Título da conta

O dispositivo vertical ou unilateral de coluna dupla, tem duas colunas - uma para os débitos

e outra para os créditos:

Título da conta

Data

Descrição

Débito

Crédito

O dispositivo vertical ou unilateral de coluna dupla com saldos à vista, tem as mesmas duas

colunas e ainda uma ou duas outras para os saldos apurados após cada registo:

Título da conta

Data

Descrição

Débito

Crédito

Saldo

Título da Conta

Data

Descrição

Débito

Crédito

Saldos

Deved.

Cred

C ONTABILIDADE Embora qualquer conta possa ser escriturada em qualquer dispositivo, vamos, de seguida, referir-nos

CONTABILIDADE

Embora qualquer conta possa ser escriturada em qualquer dispositivo, vamos, de seguida, referir-nos ás vantagens e inconvenientes dos vários dispositivos da conta, que foram apresentados.

O dispositivo unilateral de coluna simples, tendo a vantagem de mostrar o saldo à

vista, apresenta a grande desvantagem de, se houver erro de soma ou de subtracção de uma verba, ficarem erradas todas as operações subsequentes, sendo normalmente a difícil detecção de tais erros. Por tal motivo, pouco se usa actualmente.

O dispositivo unilateral de coluna dupla com saldos à vista, apresenta a vantagem de

se conhecerem estes a qualquer momento sem necessidade de somar as colunas das variações aumentativas e diminutivas. Quando a coluna dos saldos é única, obriga a assinalar a natureza de cada saldo; quando a coluna dos saldos é dupla, estes aparecem nitidamente separados segundo a sua natureza. Este último dispositivo é actualmente dos mais usados, por se prestar à escrituração mecanográfica.

O

distinto da conta, os factos que originam variações aumentativas dos que originam variações diminutivas e a desvantagem de não ter o saldo à vista, obrigando para a sua determinação, à soma das colunas dos débitos e dos créditos.

dispositivo bilateral apresentava a vantagem de separar completamente, em lados

apresentava a vantagem de separar completamente, em lados A CONTA (síntese): CONTA : conjunto de valores

A CONTA (síntese):

CONTA: conjunto de valores ou de elementos patrimoniais expresso em unidades de valor.

Há a considerar:

O titulo ( denominação própria): expressão ( ou palavra ) por que se designa a conta O valor ( expressão ): representa a quantidade expressa em unidades monetárias contida na conta no momento em que se analisa.

O

titulo é imutável.

O

valor não é imutável.

A

conta deve ser homogénea e integral dado que só pode admitir movimentos ligados com

a respectiva conta de valores, não excluindo quaisquer deles.

Título da conta

lado esquerdo

lado direito

débito

crédito

deve

haver

entradas

saídas

PESSOAS

devia

tinha haver

débito

crédito

Entrada

saída

Activo

passivo

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE Manual de Curso 33
C ONTABILIDADE Manual de Curso 33
C ONTABILIDADE TEORIA DAS CONTAS Os contabilistas adoptam uma linguagem diferente: Em vez de entradas,

CONTABILIDADE

TEORIA DAS CONTAS

C ONTABILIDADE TEORIA DAS CONTAS Os contabilistas adoptam uma linguagem diferente: Em vez de entradas, falam

Os contabilistas adoptam uma linguagem diferente:

Em vez de entradas, falam de débitos; Em vem de saídas, falam de créditos; Em vez de excedente ou diferente, usam o termo saldo.

Se:

C

D

D

>

>

=

D

C

C

Sc

Sd

So

A subtileza está em saber, em relação a quem ou a quê há entradas de valores e em relação a quem ou a quê há saída de valores, o que não depende de qualquer automatismo mas apenas do raciocínio.

Por extensão do princípio das contas pessoais às contas de coisas e factos, os termos “débito” e “crédito” ou “deve” e “haver” respectivamente, não representam mais do que variações aumentativas ou diminutivas no valor das respectivas contas.

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE Aspecto gráfico: Deve ( Débito ) Título da Conta Haver ( Crédito ) -

Aspecto gráfico:

Deve ( Débito )

Título da Conta

Haver ( Crédito )

Deve ( Débito ) Título da Conta Haver ( Crédito ) - Debitar uma conta significa
Deve ( Débito ) Título da Conta Haver ( Crédito ) - Debitar uma conta significa

- Debitar uma conta significa Saldo é Balancear uma conta é

- Creditar uma conta é

D

D

D

>

=

<

C

C

C

Sd

donde:

D

=

C

+

Sd

So

donde:

D

=

C

Sc

donde:

D

+

Sc

=

C

Determinado o saldo, este adiciona-se ao lado cuja soma for de menor valor, obtendo-se assim uma igualdade entre os dois lados da conta :

assim uma igualdade entre os dois lados da conta : Conta saldada é Fechar uma conta

Conta saldada é

Fechar uma conta corresponde a Reabrir uma conta é

C ONTABILIDADE CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DAS CONTAS C LASSIFICAÇÃO No ponto anterior, ao referirmo-nos à

CONTABILIDADE

CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DAS CONTAS

CLASSIFICAÇÃO

No ponto anterior, ao referirmo-nos à noção de conta, definimo-la como uma classe de valores patrimoniais com denominação própria e com extensão numérica. Podendo estes valores ser concretos e abstractos, a conta terá assim, por objecto, elementos concretos - os que compõem o Activo e o Passivo e, por elementos abstractos - os correspondentes à Situação Líquida.

Teremos então numa primeira classificação: contas do Activo (compreendendo todos os elementos patrimoniais - aqueles com a característica de serem propriedade do titular do património); contas do Passivo (compreendendo todos os elementos patrimoniais passivos - as obrigações pecuniárias que o titular do património terá de satisfazer); e contas de Situação Líquida (englobando os valores patrimoniais abstractos por que se traduz a diferença entre o Activo e o Passivo).

por que se traduz a diferença entre o Activo e o Passivo). Dentro destas grandes classes

Dentro destas grandes classes inserem-se outras de âmbito mais reduzido, cujos elementos patrimoniais foram agrupados em obediência a um determinado ponto de vista ou característica.

As contas podem, pois, ter um âmbito mais ou menos vasto, compreenderem mais ou menos elementos patrimoniais, isto é, serem mais ou menos simples, ou mais ou menos complexas. Uma conta é tanto mais simples quanto maior identidade houver nos elementos que agrupa; e, tanto mais complexa quanto maior for a diversidade dos mesmos.

De um modo geral, denominam-se:

com

características muito comuns e, portanto, não comportam maior divisão;

- contas complexas, colectivas ou gerais, as que agrupam contas simples ou elementares, ou que nelas se subdividem.

- contas

simples

ou

elementares,

as

que

agrupam

elementos

As contas que são sub-divisões de outras, chamam-se sub-contas ou contas divisionárias.

As contas dizem-se do 1.º , 2.º , 3.º ,

doutras ou, inversamente, integração delas.

n-ésimo grau, conforme sejam sub-divisões

Partindo de uma conta colectiva, que se diz do 1.º grau, as suas sub-divisões

imediatas serão respectivamente do 2.º , 3.º ,

n-ésimo grau.

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE Exemplo: CONTAS COLECTIVAS CONTAS DIVISIONÁRIAS 1ºgrau 2ºgrau 3ºgrau Banco A DEPÓSITO A ORDEM

Exemplo:

CONTAS COLECTIVAS CONTAS DIVISIONÁRIAS 1ºgrau 2ºgrau 3ºgrau Banco A DEPÓSITO A ORDEM Banco H Banco
CONTAS COLECTIVAS
CONTAS DIVISIONÁRIAS
1ºgrau
2ºgrau
3ºgrau
Banco A
DEPÓSITO A ORDEM
Banco H
Banco Z
CLIENTES
Fagundes
Agapito
Philips
Televisores
Grundig
MERCADORIAS
National
Ventoinhas
Máquinas de lavar
Frigoríficos

É claro que sendo a conta colectiva subdividida em contas divisionárias ou sub-contas, é natural que a sua extensão seja igual à soma das extensões das suas sub-contas. Portanto, em qualquer momento, o débito duma conta colectiva è igual à soma dos débitos das suas sub-contas e o seu crédito igual à soma dos créditos das mesmas.

As contas colectivas irão corresponder, como adiante veremos, ao Razão Geral; por sua vez, as contas divisionárias corresponderão ao Razão Especial ou Auxiliar. Portanto, o Razão Especial corresponde ao desdobramento do Razão Geral.

Por vezes reúnem-se numa só conta elementos patrimoniais que pertencem aos dois membros do balanço (activo e passivo). Tais contas são denominadas mistas. Por exemplo, as contas «Outros Devedores» (do activo) e «Outros Credores» (do passivo), são por vezes reunidas numa única conta denominada «Outros Devedores e Credores» onde se registarão as variações das dívidas a receber e das dívidas a pagar.

Nas contas mistas, para apuramento da situação real ao fim da determinado período, deve efectuar-se a discriminação entre os valores activos e os valores passivos, separando-os, ainda que sob o mesmo título da conta.

Devido à grande generalidade de algumas contas, estas são divididas em outras contas mais específicas e necessariamente, de maior significado, cujos saldos deverão ser transferidos para as contas de que fazem parte. As primeiras, ou seja, as que tratam de valores de maior generalidade dizem-se principais; as segundas, que resultam do desdobramento das principais para efeitos de registo contabilístico e cujo saldo se deve transferir para aquelas, dizem-se subsidiárias.

Resumindo, diremos que existe um desdobramento horizontal ou paralelo entre as contas principal e subsidiária, e um desdobramento vertical ou descendente entre as contas colectiva e divisionária. No actual Plano Oficial de Contabilidade (POC), as contas estão distribuídas por dez classes, segundo a sua natureza.

C ONTABILIDADE C ARACTERIZAÇÃO DE ALGUMAS CONTAS

CONTABILIDADE

CARACTERIZAÇÃO DE ALGUMAS CONTAS

Para a caracterização elementar de algumas contas, seriamo-las de acordo com a natureza dos elementos patrimoniais que englobam, ou seja, pelos grupos a que pertencem: Activo, Passivo e Situação Liquida.

Apresentar-se-ão as contas geralmente mais utilizadas, descrevendo sinteticamente as suas características básicas. O título e o conteúdo das contas foram escolhidos de modo a facilitar a gradual familiarização com a adoptada pelo Plano Oficial de Contabilidade (POC). Não serão focados aspectos relacionados com a sua movimentação específica, pois tal será feito em pormenor num capítulo seguinte (cap. 4 - Estudo das contas, segundo o POC).

CONTAS DO ACTIVO

CAIXA

DEP. À ORDEM

Inclui as notas de banco e moedas, cheques, vales postais (nacionais e estrangeiros). Regista o
Inclui
as
notas
de
banco
e
moedas,
cheques,
vales postais (nacionais e estrangeiros).
Regista o movimento das contas bancárias
(à ordem) das empresas.
Engloba as dívidas a receber pela empresa
resultantes da venda de mercadorias e
produtos ou de serviços prestados.
Inclui as letras sacadas sobre os clientes
c/c, ou por si endossadas e ainda os
extractos de factura e as livranças.
Inclui as dívidas a receber de terceiros,
resultantes de empréstimos.
Respeita às dívidas de terceiros que não
estejam abrangidas pelas contas anteriores.
Respeita aos bens existentes na empresa
com destino à venda e não sujeitos a
qualquer transformação no seu seio; no seu
preço de custo devem ser incluídas as
despesas adicionais de compra.
Inclui as participações de capital e outros
títulos adquiridos pela empresa para
rendimento ou controle de outras empresas.
Devem ser também aqui englobados os
títulos da dívida pública e os empréstimos de
financiamento concedidos.
Inclui os diferentes elementos patrimoniais
que a empresa dispõe para exercer a sua
actividade tais como: mesas, cadeiras,
estantes, máquinas de escritório, aquecedo-

CLIENTES C/C

CLIENTES - TÍTULOS A RECEBER

EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS

OUTROS DEVEDORES

MERCADORIAS

INVESTIMENTOS FINANCEIROS

EQUIPAMENTO ADMINISTRATIVO

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE EDIFÍCIOS E OUTRAS CONSTRUÇÕES EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE IMOBILIZAÇÕES INCORPÓREAS res, etc.

EDIFÍCIOS

E OUTRAS CONSTRUÇÕES

EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE

IMOBILIZAÇÕES INCORPÓREAS

res, etc.

Respeita aos edifícios fabris, administrati- vos e habitacionais, utilizados na activida- de.

Respeita às aquisições de camionetas, automóveis, motociclos etc., para uso da empresa.

Inclui elementos patrimoniais sem existên- cia física, tais como trespasses, patentes, marcas, alvarás, licenças, concessões, gastos de constituição e de organização da empresa, de aumentos de capital, estudos e projectos.

CONTAS DE PASSIVO

Engloba todas as dívidas a pagar, resultan-tes da aquisição, pela empresa, de bens e serviços,
Engloba todas as dívidas a pagar,
resultan-tes da aquisição, pela empresa,
de bens e serviços, com excepção dos
destinados ao imobilizado.
Inclui os débitos a fornecedores que se
encontrem representados por letras ou
outros títulos de crédito.
Engloba os financiamentos contraídos pela
empresa, particulares ou não.

FORNECEDORES C/C

FORNECEDORES - TÍTULOS

A PAGAR

EMPRÉSTIMOS OBTIDOS

ESTADO E OUTROS ENTES

PÚBLICOS

OUTROS CREDORES

Abrange as operações com a Administração Central e Local e ainda com as Instituições de Previdência, à excepção de transações ou financiamentos. São aqui registadas as dívidas resultantes de impostos s/ lucros, imposto de mais- valias, imposto sobre o valor acrescentado, imposto profissional, fundo de desemprego e providência.

Respeita às dívidas para com terceiros, que não estejam contempladas nas contas precedentes.

c) CONTAS DE SITUAÇÃO LÍQUIDA OU CAPITAL PRÓPRIO

CAPITAL

Para as sociedades esta conta respeita ao capital nominal subscrito. Regista também o capital fixado dos estabelecimentos individuais de

C ONTABILIDADE   responsabilidade limitada e o capital inicial das empresas públicas. Para as empresas

CONTABILIDADE

 

responsabilidade limitada e o capital inicial das empresas públicas. Para as empresas em nome individual esta conta compreende não só o capital inicial e adquirido, mas ainda as operações de natureza financeira com o respectivo proprietário.

RESERVAS

São contas constituídas em geral à base da retenção de lucros, visando o aumento dos meios de acção das empresas (autofinanciamento), etc.

RESULTADOS

Esta conta visa o apuramento do resultado de cada exercício económico.

O resultado dum exercício económico pode obter-se por duas vias:

dum exercício económico pode obter-se por duas vias: Efectuando os balanços referentes ao início e ao

Efectuando os balanços referentes ao início e ao fim do exercício e deduzindo à Situação Líquida Final a Situação Líquida Inicial. Portanto, através da Situação Líquida Adquirida.

Mas o resultado assim obtido, nada nos diz quanto à origem e natureza dos aumentos e diminuições do valor do património ocorridos no decurso do exercício em questão. O conhecimento desses elementos é possível através das contas de custos e de proveitos que agrupam as variações patrimoniais quantitativas de acordo com a natureza. Eis, então, a segunda via:

Comparando os custos e os proveitos do exercício económico considerado.

- A via 1) determina o resultado global; a via 2) determina o resultado pela via

analítica e implica o conhecimento e registo contabilístico, em separado, de todos os

custos e de todos os proveitos.

- As contas de custos e de proveitos, dada a sua relevância administrativa, são também denominadas contas de gestão, referindo-se, desde já, as seguintes:

CONTAS DE CUSTOS POR NATUREZA

CUSTO DAS VENDAS

FORNECIMENTO E SERVIÇOS EXTERNOS

IMPOSTOS

CUSTOS COM O PESSOAL

Regista as vendas de mercadorias valorizadas ao preço de custo.

Nesta conta são registadas as despesas com a água, luz, telefone, selos postais, combustíveis, gás, material de conservação e reparação de máquinas, de veículos, de instalações, material de expediente, publicidade, rendas, alugueres, remunerações a intermédios, honorários, transporte de mercadorias e de pessoal, deslocações e estadias destes.

São aqui registados os impostos e taxas pagos pela empresa ao Estado, Autarquias Locais e outras entidades do Sector Público, com excepção dos impostos sobre os lucros.

Nesta conta são registadas as remunerações do empresário ou dos corpos gerentes, o 13º mês, as remunerações adicionais do trabalho, os

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE OUTROS CUSTOS AMORTIZAÇÕES DO EXERCÍCIO PROVISÕES EM EXERCÍCIO CUSTOS FINANCEIROS encargos sobre as

OUTROS CUSTOS

AMORTIZAÇÕES DO EXERCÍCIO

PROVISÕES EM EXERCÍCIO

CUSTOS FINANCEIROS

encargos sobre as remunerações de conta da empresa.

Regista os custos que não sejam próprios dos objectivos principais da empresa.

Regista a depreciação das imobilizações, atribuída ao exercício.

Regista as perdas ou despesas prováveis de montante incerto, imputáveis ao exercício.

São aqui registados os juros de financiamen-tos, os encargos com descontos de letras e outros títulos, os descontos de pronto pagamento e outros custos de origem financeira.

CONTAS DE PROVEITOS POR NATUREZA

VENDAS

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

É registado o valor resultante da venda de mercadorias e produtos da empresa. Regista os
É registado o valor resultante da venda de
mercadorias e produtos da empresa.
Regista os rendimentos resultantes de serviços
prestados pela empresa e que façam parte dos
seus objectivos ou finalidades.
Nesta conta registam-se os proveitos das
actividades que não sejam próprias dos
objectivos principais da empresa.
Regista os proveitos que não sejam próprios
dos objectivos principais da empresa.
Registam os proveitos e ganhos financeiros tais
como juros, descontos, rendimento de capital,
etc.

PROVEITOS SUPLEMENTARES

OUTROS PROVEITOS

PROVEITOS FINANCEIROS

Com o objectivo de automatizar e ter um controlo contabilístico das compras é habitual utilizar-se uma conta com a designação COMPRAS, cuja movimentação em geral faz-se no âmbito das contas de existência.

Para além das contas do activo, do passivo e da situação líquida, aparecem no balanço das chamadas contas de regularização destinadas a rectificar o valor doutras contas e que correspondem a dois grupos:

CONTAS DE REDUÇÃO DE VALORES ACTIVOS

AMORTIZAÇÕES

Contas que têm como objectivo registar as depreciações (desvalorizações ou desgaste) sofridas pelo imobilizado da empresa; aparecem no 1º membro do balanço em dedução das correspondentes contas do imobilizado.

PROVISÕES

Contas que servem de compensação a eventuais perdas futuras da empresa, mas de montante indeterminado, tais como dívidas de cobrança duvidosa e mercador-ias que se venham a desvalorizar. Aparecem no balanço, no lado do activo, em dedução das correspondentes contas. No cap. 4 estudaremos com maior detalhe as contas que neste domínio estão previstas no POC bem como o respectivo conteúdo e

C ONTABILIDADE movimentação. M ÉTODOS D E R EGISTO C ONTABILÍSTICO Caracterização As primeiras contabilidades

CONTABILIDADE

movimentação.

MÉTODOS DE REGISTO CONTABILÍSTICO

Caracterização

As primeiras contabilidades conhecidas, as do século XIII, comportavam somente as contas de devedores, credores e banqueiros, ou seja, contas de «pessoas». O método de registo contabilístico adoptado então ficou conhecido por método das partidas simples ou unigrafia, que consistia na inscrição em cada conta (pessoal) dos movimentos que lhe respeitam, sem qualquer interligação com inscrições feitas noutras contas.

O

desenvolvimento histórico da técnica contabilística conduziu à adopção de contas de coisas

e

de factos. Numa primeira fase, utilizou-se apenas contas de coisas, movimentadas sem

correspondência noutras contas (método das partidas mistas); numa segunda fase, com utilização já de contas de factos, foi-se radicando a prática de, ao fazer uma inscrição (assento ou lançamento) numa conta, a mesma ser repetida noutra ou noutras contas com aquela interligadas pelo mesmo facto patrimonial, constituindo este registo duplo aquilo que viria a chamar-se partidas dobradas ou digrafia.

constituindo este registo duplo aquilo que viria a chamar-se partidas dobradas ou digrafia. 42 Manual de

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE MÉTODOS DE REGISTO CONTABILÍSTICO

MÉTODOS DE REGISTO CONTABILÍSTICO

MÉTODO DIGRÁFICO:

Todo o débito numa conta origina o crédito noutra ou noutras e vice-versa, C.R., cada facto patrimonial determina um registo em duas ou mais contas, por forma a que ao valor de cada débito (ou créditos corresponde sempre um crédito (ou créditos) de igual valor.

A + S.L.P. = P + S. L. A.

Sejam:

a, a’

sp, sp’

p, p’

as, as’

= P + S. L. A. Sejam: a, a’ sp, sp’ p, p’ as, as’ (A

(A + a - a’) + (SLp + Sp - Sp’) = (P + p - p’) + (SLa + Sa - Sa’)

então:

ou

[(A + a) - a’] + [(SLp + Sp) - Sp’] + [p’ - (P
[(A + a) - a’] + [(SLp + Sp) - Sp’] + [p’ - (P + p)] + [Sa’ - (SLa + Sa)]
ACTIVO
S. L. P.
PASSIVO
S. L. A.
deve
haver
deve
haver
deve
haver
deve
haver
A
a’
Slp
sp’
p’
P
sa'
Sla
a
sp
p
sa'
-
+
-
+
-
+
-

Debitam-se pela extensão inicial e pelos

aumentos

Creditam-se pelas diminuições

Debitam-se pelas diminuições

Creditam-se pela extensão inicial e pelos aumentos

Ou

As contas do activo debitam-se pela extensão inicial e pelos aumentos; creditam-se pelas diminuições.

C ONTABILIDADE As contas do passivo e da situação líquida inicial debitam-se pelas diminuições; creditam-se

CONTABILIDADE

As contas do passivo e da situação líquida inicial debitam-se pelas diminuições; creditam-se pela extensão inicial e pelos aumentos.

As contas de situação líquida adquirida, isto é, as contas de resultados debitam-se pelos custos (encargos) e, creditam-se pelos proveitos (ganhos).

Exemplos:

 

DEVE

Compras

HAVER

DEVE

Fornecedores c/c

HAVER

 

10

c.

   

10 c.

 
 
 

DEVE

Fornecedores

HAVER

DEVE

Caixa

HAVER

c/c 30 c. 30 c. DEVE Clientes HAVER DEVE Vendas HAVER c/c
c/c
30 c.
30 c.
DEVE
Clientes
HAVER
DEVE
Vendas
HAVER
c/c
35 c. 35 c.
35
c.
35
c.
DEVE Caixa HAVER DEVE Clientes c/c HAVER 17.5 c. 17.5 c. D (s ) C
DEVE
Caixa
HAVER
DEVE
Clientes c/c
HAVER
17.5 c.
17.5 c.
D (s )
C (s)
D
=
C
Sd
=
Sc

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE APLICAÇÃO 9 Registar, nas respectivas contas, obedecendo ao princípio das partidas dobradas, as

APLICAÇÃO 9

Registar, nas respectivas contas, obedecendo ao princípio das partidas dobradas, as operações aos factos patrimoniais seguintes:

1) Compra, a crédito de diversas mercadorias

 

10 000$00;

2) Pagamento ao fornecedor F

30 000$00;

3) Venda, a prazo, de mercadorias diversas

35 000$00;

4) O cliente J.T. paga metade da sua dívida

17 500$00.

Resolução:

Deve

Compras

Haver

Deve

Fornecedores c/c

Haver

10 000$00

10 000$00
10 000$00

10

000$00

Deve Fornecedores c/c Haver 10 000$00 10 000$00 operação (1) Deve Fornecedores c/c Haver Deve Caixa

operação (1)

c/c Haver 10 000$00 10 000$00 operação (1) Deve Fornecedores c/c Haver Deve Caixa Haver 30
Deve Fornecedores c/c Haver Deve Caixa Haver 30 000$00 30 000$00 operação (2) Deve Clientes
Deve
Fornecedores c/c
Haver
Deve
Caixa
Haver
30
000$00
30
000$00
operação (2)
Deve
Clientes c/c
Haver
Deve
Vendas
Haver
35
000$00
35
000$00
c/c Haver Deve Vendas Haver 35 000$00 35 000$00 operação (3) Deve Caixa Haver Deve Clientes

operação (3)

Deve Vendas Haver 35 000$00 35 000$00 operação (3) Deve Caixa Haver Deve Clientes c/c  

Deve

Caixa

Haver

Deve

Clientes c/c

 

Haver

17

500$00

 

17

500$00

c/c   Haver 17 500$00   17 500$00 operação (4) Em síntese, podemos dizer que no

operação (4)

Haver 17 500$00   17 500$00 operação (4) Em síntese, podemos dizer que no sistema de

Em síntese, podemos dizer que no sistema de partidas dobradas:

- A um débito ( ou débitos) corresponde sempre um crédito (ou créditos) de igual valor;

- A soma dos débitos é sempre igual à soma dos créditos;

- A soma dos saldos devedores é igual à soma dos saldos credores,

A contabilização de qualquer facto patrimonial obedece necessariamente a uma das quatro

fórmulas digráficas seguintes:

Uma só conta devedora a uma só conta credora Uma só conta devedora e várias contas credoras Várias contas devedoras e uma só conta credora Várias contas devedoras e várias contas credoras

C ONTABILIDADE LANÇAMENTOS

CONTABILIDADE

LANÇAMENTOS

NOÇÃO

O património, como conjunto de valores activos e passivos sujeitos a uma gestão, não se

mantém constante. Pelo contrário, está sujeito a variações que mais não são do que a consequência da própria actividade da empresa. Sendo assim, além da representação dos valores patrimoniais, existe a necessidade de representar e inscrever em documentos, livros e registos de vária natureza, os factos patrimoniais que provocam a sua variação.

A escrituração comercial será, pois, o conjunto de documentos e livros que historiam a

evolução patrimonial de qualquer empresa. Também se designa escrituração, aos actos de registo das operações nos livros e documentos.

actos de registo das operações nos livros e documentos. Chama-se lançamento ou assento, à notação de

Chama-se lançamento ou assento, à notação de qualquer facto patrimonial nos livros de contabilidade.

São, portanto, peças fundamentais da escrituração, os livros onde se registam as operações

os documentos, que representam essas operações e comprovam os lançamentos efectuados nos mesmos.

e

DOCUMENTOS

Os factos patrimoniais registados pela contabilidade são descritos e comprovados por meio de escritos comerciais - os documentos. Os documentos são pois a base de todo o registo contabilístico, sem os quais o mesmo não se poderá processar. Aliás, as empresas estão sujeitas a incorrerem em multa se procederem ao registo de factos não devidamente documentados.

Entre os documentos, podem distinguir-se os de movimento interno e os de movimento externo. Os primeiros, são aqueles que sendo elaborados no seio da empresa se destinam exclusivamente ao uso interno (folhas de férias, notas de lançamento, etc.); os segundos, são os que provêm ou se destinam ao exterior (facturas, letras, recibos, notas de débito, etc.).

LIVROS

Os livros de contabilidade classificam-se em dois grupos: livros obrigatórios e livros facultativos.

Os livros obrigatórios são os que a lei enumera como indispensáveis a qualquer comerciante. São também designados por livros selados e vêm indicados no artigo 31º do Código Comercial. São eles, o livro de Inventário e Balanço, o Diário, o Razão e o Copiador de Correspondência. No § único deste artigo, estabelece-se que, além destes, são obrigatórios para as sociedades comerciais os Livros de Actas.

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE Acerca destes livros prescreve o Código Comercial o seguinte: Art. 33.º Art. 34.º Art.

Acerca destes livros prescreve o Código Comercial o seguinte:

Art. 33.º

Art. 34.º

Art. 35.º

Art. 36.º

Art. 37.º

O livro de Inventário e Balanços começará pelo arrolamento de todo o activo e de todo o passivo do comerciante, fixando a diferença entre aquele e este o capital com que entra em comércio, e servirá para nele se lançarem, dentro dos prazos legais, os balanços a que tem de proceder.

O Diário servirá para os comerciantes registarem, dia após dia por ordem de datas, em assento separado, cada um dos seus actos que modifiquem ou possam vir a modificar a sua fortuna.

O Razão servirá para escriturar o movimento de todas as operações do Diário, ordenadas por débito e por crédito, em relação a cada uma das respectivas contas para se conhecer o estado e a situação de qualquer delas, sem necessidade de recorrer ao exame e separação de todos os elementos cronologicamente escriturados no Diário.

todos os elementos cronologicamente escriturados no Diário. O Copiador servirá para nele se transladarem, à mão

O Copiador servirá para nele se transladarem, à mão ou por máquina, na íntegra, cronológica e sucessivamente, toda a correspondência e telegramas que o comerciante expedir.

Os livros de actas das sociedades servirão para neles se lançarem as actas das reuniões de sócios, interessados ou administradores, devendo cada uma delas expressar a data em que foi celebrada, os nomes dos assistentes, os votos emitidos, as deliberações tomadas e tudo o que possa servir para conhecer e fundamentar estas, e ser assinada pela mesa, quando houver, e, não havendo, pelos assistentes.

Além destes, que são obrigatórios par todos os comerciantes (o livro de actas só é obrigatório para as sociedades), outro livros são impostos pela legislação comercial (Código e diplomas complementares) e fiscal, apenas para o registo de determinadas operações, em algumas sociedades, ou para certos ramos de actividade (bancos e seguros, por exemplo).

Vejamos os livros obrigatórios para o registo de determinadas operações:

Comerciantes que façam vendas por grosso ou a revendedores (Dec. n.º 9 490, de 21 de Março de 1931, art. 15.º):

- Copiador de facturas de vendas a prazo;

- Registo de extractos de facturas.

Compra de bens de investimentos pelos sujeitos passivos que possuam contabilidade organizada (Art. 51.º do Código do IVA). 1 - Os sujeitos passivos que possuam contabilidade regularmente organizada para efeitos de IRS ou IRC ou nos termos do n.º 3 do art. 50.º são obrigados a efectuar registo dos seus bens de investimento, de forma a permitir o controlo das deduções efectuadas e das regularizações processadas.

2 - O registo a que se refere o n.º 1 deverá comportar, para cada um dos seus bens, os seguintes elementos:

a) Data da aquisição ou da conclusão das obras em bens imóveis e do início da utilização ou ocupação;

C ONTABILIDADE b ) Valor do imposto suportado; c ) Percentagem de dedução em vigor

CONTABILIDADE

b) Valor do imposto suportado;

c) Percentagem de dedução em vigor no momento da aquisição;

d) Somatório das deduções efectuadas até ao ano da conclusão das obras em bens imóveis;

e) Percentagem definitiva de dedução do ano da aquisição ou da conclusão das obras em bens imóveis

f) Percentagem definitiva de dedução de cada um dos anos do período de regularização.

Contribuintes que não possuam contabilidade regularmente organizada nos termos do Código do IRS ou do IRC.

Art. 50.º do Código do IVA: 1 - Os sujeitos passivos não enquadrados nos regimes especiais previstos na secção IV do presente capítulo ou que não possuam contabilidade regularmente organizada nos termos do Código do IRS ou do IRC utilizarão, para cumprimento das exigências constantes dos n. os 1 dos artigos 45.º e 48.º, os seguintes livros de registo:

a) b) c) Livro de registo de serviços prestados; d)
a)
b)
c)
Livro de registo de serviços prestados;
d)

e)

Livro de registo de compras de mercadorias e ou livro de registo de matérias-primas e de consumo;

Livro de registo de vendas de mercadorias e ou livro de registo de produtos fabricados;

Livro de registo de despesas e de operações ligadas a bens de investimento;

Livro de registo de mercadorias, matérias-primas e de consumo, de produtos fabricados e outras existências à data de 31 de Dezembro de cada ano.

Retalhistas sujeitos ao regime especial de Tributação previsto no artigo 60.º do Código do IVA.

Art. 65.º 1 - Os retalhistas sujeitos ao regime especial de tributação previsto no artigo 60.º são obrigados a registar no prazo de 30 dias, a contar da respectiva recepção, as facturas, documentos equivalentes e guias ou notas de devolução relativos a bens ou serviços adquiridos e a conservá-los, com observância do disposto no n.º 2 do artigo 48.º. 2 - Para o cumprimento do mencionado no n.º 1 deverão os retalhistas possuir os seguintes elementos de escrita:

Livro de registo de compras de mercadorias; Livro de registo de despesas gerais e operações ligadas a bens de investimento.

Sociedades anónimas e em comandita por acções (arts. 12.º e 13.º do Decreto Lei n.º 27 153, de 31/10/1936):

Livro de registo de acções; Livro de balancetes do razão geral e de balancetes contas correntes; Livro de desenvolvimento das contas colectivas; Livro de resultados do exercício.

Os livros facultativos, são os que se utilizam normalmente como auxiliares de registo. O seu número e utilização depende da natureza, características e dimensão das empresas ou

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE das operações que elas efectuam. Servem para completar, desenvolver e controlar o que se

das operações que elas efectuam. Servem para completar, desenvolver e controlar o que se escritura nos livros obrigatórios. São usualmente denominados de livros auxiliares.

o que se escritura nos livros obrigatórios. São usualmente denominados de livros auxiliares. Manual de Curso
C ONTABILIDADE Como livros de contabilidade auxiliares, podem apontar-se, entre outros: - Balancetes do Razão

CONTABILIDADE

Como livros de contabilidade auxiliares, podem apontar-se, entre outros:

- Balancetes do Razão Geral.

- Razões auxiliares ou de desenvolvimento do Razão Geral.

- Diários auxiliares (Caixa, Compras, Vendas, etc.).

- Balancetes dos Razões auxiliares.

ESPÉCIES DE LANÇAMENTOS

O lançamento é, como foi dito, a notação de qualquer facto patrimonial nos livros próprios da

contabilidade, e compõe-se dos seguintes elementos.

Data

Título ou cabeçalho, que é a indicação da(s) conta(s) a debitar e da(s) conta(s) a creditar; usualmente escreve-se em caracteres mais destacados. Descrição ou histórico, que consiste na explicação sucinta do facto patrimonial que dá origem ao lançamento. Importância ou valor, que é o montante correspondente às variações provocadas nas contas.

correspondente às variações provocadas nas contas. Em regra, apenas no Diário se encontram todos estes

Em regra, apenas no Diário se encontram todos estes elementos. Os lançamentos podem classificar-se atendendo aos seguintes dois aspectos:

- número de contas movimentadas;

- natureza dos movimentos escriturados.

1 - Classificação segundo o número de contas movimentadas

No método digráfico, todo o facto patrimonial dá origem à variação ou mais contas, de tal modo que a um débito (débitos), corresponde sempre um crédito (créditos) de igual valor.

A contabilização de qualquer operação obedece forçosamente, a uma das seguintes quatro fórmulas digráficas:

1.ª fórmula - um débito = um crédito 2.ª fórmula - um débito = vários créditos 3.ª fórmula - vários débitos = um crédito 4.ª fórmula - vários débitos = vários créditos

Aos lançamentos da 1.º fórmula dá-se o nome de lançamentos simples. Os das demais fórmulas dizem-se lançamentos complexos ou compostos.

APLICAÇÃO 10

O comerciante F, realiza as seguintes operações:

Deposita no Banco M, à ordem, a quantia de 500 contos. As contas afectadas por esta operação são:

- depósitos à ordem

- caixa

CONTABILIDADE

C ONTABILIDADE A primeira sofre uma variação aumentativa e a segunda uma variação diminutiva de igual

A primeira sofre uma variação aumentativa e a segunda uma variação diminutiva de igual montante; ambas são contas do activo, por conseguinte,

- debita-se depósitos à ordem

- credita-se caixa

500 000$00

500 000$00

Esquematicamente:

D Depósitos à ordem

H

500

000$00

500 000$00

D

Caixa

H

500 000$00

500

000$00

um débito = um crédito 1.ª fórmula

Líquida a dívida que tinha para com a Sociedade Beta, Lda. relativa à factura n.º 718, no montante de 125 000$00, do modo seguinte: entrega em cheque s/ o banco M:

- 100 000$00; entrega do restante em notas do Banco de Portugal.

fornecedores fornecedores 125 000$00
fornecedores
fornecedores
125 000$00

As contas a movimentar nesta operação são as seguintes:

-

- depósitos à ordem

- caixa

Todas elas sofrem variações diminutivas. Como fornecedores é uma conta do passivo e depósitos à ordem e caixa são contas do activo, teremos:

- debita-se

depósitos à ordem

- creditam-se

caixa