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CURSO ON-LINE – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM EXERCÍCIOS P/ AFT PROFESSOR: RAFAEL ENCINAS

Aula Demonstrativa

Olá, Pessoal!

Esta é a aula demonstrativa do curso de “Administração Pública em Exercícios” para o concurso de Auditor-Fiscal do Trabalho. Como aconteceu no último concurso, administração pública é uma das disciplinas da prova. Vão ser 10 questões de peso 1. As provas objetivas serão realizadas dia 14 de março.

Além deste curso, está sendo lançado um curso de teoria e exercícios Enquanto lá será abordado o edital de forma mais ampla, aqui o objetivo é ser um curso de conteúdo mais avançado, sem entrar na parte básica da matéria. Será visto todo o edital, no seguinte cronograma:

Aula Demonstrativa:

2.

patrimonialista e burocrático.

Modelos

teóricos

de

Administração

Pública:

Aula 01 – 20/01: 2. Modelos teóricos de Administração Pública: gerencial.

Aula 02 – 27/01:

5. Evolução dos modelos/paradigmas de gestão: a nova gestão pública.

10. Gestão Pública empreendedora.

3. Experiências de reformas administrativas.

4. O processo de modernização da Administração Pública.

Aula 03 – 03/02: 1. Organização do Estado e da Administração Pública.

Aula 04 – 10/02:

Aula 05 – 17/02:

6. Governabilidade, governança e accountability.

8. Qualidade na Administração Pública

9. Novas tecnologias gerenciais e organizacionais e sua aplicação

na Administração Pública.

7. Governo eletrônico e transparência.

13.

Ética no exercício da função pública.

11.

Ciclo de Gestão do Governo Federal.

12.

Controle da Administração Pública.

Aula 06 – 24/02:

Simulados

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As aulas serão elaboradas principalmente a partir de questões da ESAF. Contudo, em alguns temas veremos questões também de outras bancas, principalmente CESPE e FCC, além de questões elaboradas por mim, já que são poucas, ou até mesmo inexistentes, questões da ESAF acerca de determinados temas. O fato de vocês fazerem questões de outras bancas não irá atrapalhar o estudo, pois na maior parte dos assuntos elas convergem.

A estrutura das aulas será basicamente a seguinte. Primeiro será apresentada a lista com as questões trabalhadas na aula e logo depois o gabarito delas. É importante que vocês tentem resolvê-las antes de olharem a resolução. As questões comentadas virão em seguida. Além disso, em toda aula colocarei alguns textos como leitura sugerida. Vocês verão que a ESAF gosta bastante de copiar suas questões de textos, que na grande maioria estão disponíveis na internet.

Sempre que vocês tiverem dúvidas, utilizem o fórum no site do Ponto, pois ele é uma das ferramentas mais importantes no aprendizado. Mesmo que não tenham uma dúvida específica, consultem ele periodicamente para darem uma olhada nas dúvidas dos colegas, que muitas vezes podem ajudar vocês a entenderem melhor o assunto.

Agora, vou me apresentar. Sou Auditor Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da União, lotado na Secretaria de Fiscalização e Avaliação de Programas de Governo. Já fui Analista Tributário da Receita Federal do Brasil e escriturário da Caixa Econômica Federal, além de ter trabalhado em outras instituições financeiras da iniciativa privada. Sou formado em jornalismo e tenho formação também em economia, fazendo atualmente pós-graduação em Orçamento Público. Sou professor de disciplinas como Administração Pública, Ciências Políticas e Políticas Públicas, tendo dado aulas em cursinhos de Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Cuiabá.

Nesta aula demonstrativa, vocês poderão ter uma ideia de como será nosso curso. Espero que gostem e que possamos ter uma jornada proveitosa pela frente.

Boa Aula!

Sumário

1 LISTA DAS QUESTÕES

3

2 GABARITO

12

3 QUESTÕES COMENTADAS

12

4 LEITURA SUGERIDA

43

5 BIBLIOGRAFIA

44

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1 Lista das Questões

Nesta aula demonstrativa, abordaremos parte do item 02 do edital: “Modelos teóricos de Administração Pública: patrimonialista e burocrático”. Veremos primeiro questões a respeito dos tipos puros de dominação legítima enumerados por Max Weber, algo importante cobrado nas provas e que dá a base para o estudo dos modelos de administração. Depois veremos questões sobre o patrimonialismo e o modelo racional-legal. Por fim, daremos uma olhada no contexto da crise da administração burocrática.

1. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) Segundo Weber, há três formas de dominação/legitimidade do poder. Assinale a resposta que identifica corretamente uma dessas formas.

a) A dominação burocrática baseia-se no poder que emana do patriarca, do direito

natural e das relações pessoais entre senhor e subordinado.

b) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do estatuto estabelecido,

regulando os atos de quem ordena e de quem obedece às ordens.

c) A dominação carismática baseia-se no poder que emana do indivíduo seja pelo seu conhecimento ou feitos heróicos.

d) A dominação carismática baseia-se no poder que emana das normas estabelecidas, podendo ser alteradas por uma nova regulamentação.

e) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do conhecimento e reconhecimento de atos heróicos, extinguindo-se com o indivíduo.

2. (ESAF/CGU/2008) Segundo Max Weber, um dos mais importantes conceitos relacionados ao poder é o de legitimidade, que pode ser de três tipos, conforme as crenças e atitudes em que se fundamenta. Examine os enunciados abaixo, sobre o poder carismático, e assinale a opção correta.

1 - O poder carismático está fundado na dedicação pessoal e afetiva ao chefe carismático.

2 - Quem verdadeiramente exerce o comando é o líder ou chefe carismático, cujo

valor exemplar, força heróica, poder de espírito ou de palavra o distinguem de modo

especial.

3 - O poder carismático requer um corpo administrativo dotado de competência específica, porém selecionado com base na dedicação pessoal e no carisma.

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4 - A fonte do poder carismático se conecta com o que é novo, com o que nunca existiu, e rejeita a rotina e os vínculos pré-determinados.

a)

Todos os enunciados estão corretos.

b)

Todos os enunciados estão incorretos.

c)

Somente o enunciado de número 3 está incorreto.

d)

Somente o enunciado de número 4 está incorreto.

e)

Somente os enunciados 3 e 4 estão incorretos.

3.

(ESAF/MPOG/2003) Entre as assertivas abaixo, sobre o fenômeno da dominação,

indique a única incorreta.

a) Dominação é o poder autoritário de comando do(s) governante(s), que se exerce

como se o(s) governado(s) tivesse(m) feito do conteúdo da ordem a máxima da sua

conduta por si mesma.

b) Nas sociedades modernas, onde a base da legitimidade é a lei, a administração

dispensa a dominação, no sentido de um poder de comando que precisa estar nas

mãos de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos.

c) A dominação tradicional refere-se ao comando exercido por senhores que gozam

de autoridade pessoal em virtude do status herdado, e cujas ordens são legítimas

tanto por se conformarem aos costumes como por expressarem a arbitrariedade pessoal.

d) A dominação carismática ocorre quando o poder de comando é proveniente da

crença dos seguidores nos poderes extraordinários, mágicos ou heróicos de um chefe ou líder, sendo as ordens deste estritamente fundadas na sua capacidade especial de julgamento.

e) A dominação legal ocorre quando os governados obedecem às normas legais e

não às pessoas que as formulam ou as implementam; e estas aplicam-se e são reconhecidas como universais por todos os membros do grupo associado, inclusive o(s) governante(s).

4. (ESAF/EPPGG/2008) Os tipos primários de dominação tradicional são os casos

em que falta um quadro administrativo pessoal do senhor. Quando esse quadro administrativo puramente pessoal do senhor surge, a dominação tradicional tende ao

patrimonialismo, a partir de cujas características formulou-se o modelo de administração patrimonialista. Examine os enunciados a seguir, sobre tal modelo de administração, e marque a resposta correta.

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1. O modelo de administração patrimonialista caracteriza-se pela ausência de salários

ou prebendas, vivendo os “servidores” em camaradagem com o senhor a partir de meios obtidos de fontes mecânicas.

2. Entre as fontes de sustento dos “servidores” no modelo de administração patrimonialista incluem-se tanto a apropriação individual privada de bens e oportunidades quanto a degeneração do direito a taxas não regulamentado.

3. O modelo caracteriza-se pela ausência de uma clara demarcação entre as esferas

pública e privada e entre política e administração; e pelo amplo espaço à arbitrariedade material e vontade puramente pessoal do senhor.

4. Os “servidores” não possuem formação profissional especializada, mas, por serem

selecionados segundo critérios de dependência doméstica e pessoal, obedecem a formas específicas de hierarquia patrimonial.

a) Estão corretos os enunciados 2, 3 e 4.

b) Estão corretos os enunciados 1, 2 e 3.

c) Estão corretos somente os enunciados 2 e 3.

d) Estão corretos somente os enunciados 1 e 3.

e) Todos os enunciados estão corretos.

5. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) A administração pública burocrática surgiu no século XIX em substituição às formas patrimonialistas de administrar o Estado. Indique qual das informações a seguir define as diferenças entre estas duas abordagens.

a) No patrimonialismo não existe uma definição clara entre patrimônio público e bens

privados, com a proliferação do nepotismo e da corrupção enquanto a burocracia é uma instituição administrativa que usa os princípios da racionalidade, impessoalidade e formalidade em um serviço público profissional.

b) No patrimonialismo os governantes consideram-se donos do Estado e o administram como sua propriedade, sendo Weber um dos seus defensores. A administração pública burocrática surgiu como uma resposta ao aumento da complexidade do Estado e à necessidade de organização das forças armadas.

c) No patrimonialismo a administração pública era um instrumento para garantir os

direitos de propriedade, já a administração pública burocrática estabeleceu uma definição clara entre res publica e bens privados.

d) No patrimonialismo a administração pública é governada pela preservação e desenvolvimento do patrimônio do Estado, sem se preocupar com a defesa dos

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direitos civis e sociais. A administração burocrática está ligada ao conceito do Estado de Bem-Estar Social, combatendo o nepotismo e a corrupção.

e) No patrimonialismo a autoridade é exclusivamente hereditária, gerando corrupção e

ineficiência, enquanto a estratégia adotada pela administração pública burocrática – o controle formalista dos procedimentos – garante uma melhor utilização dos recursos

públicos.

6. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) O século XIX marca o surgimento de uma

administração pública burocrática em substituição às formas patrimonialistas de

administrar o Estado. O chamado “patrimonialismo” significa a incapacidade ou relutância do governante em distinguir entre o patrimônio público e seus bens privados. Assinale a opção que indica corretamente as características da administração pública burocrática.

a) Serviço público profissional, flexibilidade organizacional e nepotismo.

b) Serviço público profissional e um sistema administrativo fruto de um arranjo

político, formal e racional.

c) Serviço público profissional e um sistema administrativo impessoal, formal e

racional.

d) Serviço público fruto de um arranjo entre as forças políticas e um sistema

administrativo seletivo de acordo com os diversos grupos de sustentação da base de

governo.

e) Serviço público orientado para o consumidor, ênfase nos resultados em detrimento

dos métodos e flexibilidade organizacional.

7. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) A administração burocrática clássica, baseada nos

princípios da administração do Exército prussiano, foi implantada nos principais países europeus no final do século XIX. Ela foi adotada porque era uma alternativa muito superior à administração patrimonialista do Estado. Quais das seguintes características básicas pertencem ao conceito de burocracia de Weber?

I. Ligação entre os patrimônios público e privado.

II. Autoridade funcional baseada no estatuto.

III. Gestão voltada para resultados.

IV. Caráter hierárquico das relações de trabalho.

V. Caráter impessoal das relações profissionais, sem ódios ou paixões.

VI. Critérios de mérito para atribuição de responsabilidades e evolução na carreira.

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VII. Autoridade derivada de normas racionais-legais.

Estão corretos apenas os itens:

a)

III, VII

b)

II, VI, VII

c)

II, IV,V,VI, VII

d)

II, III, VII

e)

II , VI

8.

(ESAF/MPOG/2005) Com base no pensamento de Max Weber, julgue as

sentenças sobre a burocracia atribuindo (V) para a afirmativa verdadeira e (F) para a afirmativa falsa, assinalando ao final a opção correta.

( ) A constituição prévia de uma economia monetária é condição sine qua non para o surgimento da organização burocrática.

( ) O Estado moderno depende completamente da organização burocrática para continuar a existir.

( ) A burocracia é elemento exclusivo do Estado moderno capitalista, não sendo verificável em outros momentos da história.

( ) O modelo burocrático é a única forma de organização apta a desempenhar as tarefas necessárias para o bom funcionamento do capitalismo.

a)

V, F, F, V

b)

V, V, F, F

c)

F, F, V, V

d)

F, V, F, V

e)

F, F, F, V

9.

(ESAF/EPPGG-MPOG/2002) A administração burocrática moderna, racional

legal, foi implantada nos principais países europeus no final do século XIX e no Brasil em 1936, com a reforma administrativa promovida por Maurício Nabuco e Luiz Simões Lopes. Assinale a opção que não caracteriza corretamente este tipo de administração.

a) A administração burocrática distingue entre o público e o privado, separando o

político do administrador público, sendo essencial ao bom funcionamento do capitalismo.

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b) A administração pública burocrática é uma alternativa superior à administração

patrimonialista do Estado, é baseada no princípio do mérito profissional e compatível com o capitalismo industrial e a democracia parlamentar.

c) A administração pública burocrática tem como princípios o mérito e a formalidade, o que torna difícil a sua aplicação nas democracias parlamentares, onde os interesses dos vários grupos políticos impedem uma unidade de ação.

d) A administração pública burocrática concentra-se no processo, na criação de

procedimentos para gestão do Estado em todas as suas atividades e em controlar a adequação do serviço público a estes procedimentos.

e) A administração burocrática é lenta, cara, auto-referida, pouco orientada para

atender às demandas dos cidadãos, não garantindo nem rapidez, nem qualidade, nem custos baixos para os serviços prestados ao público.

10. (ESAF/CGU/2008) Considerando a diferenciação conceitual para fins didáticos dos modelos patrimonialista, burocrático e gerencial da administração pública no Brasil, selecione a opção que conceitua corretamente o modelo burocrático de gestão.

a) Estado centralizador, onipotente, intervencionista e espoliado por uma elite que

enriquece e garante privilégios por meio de exclusão da maior parte da sociedade.

b) Estado centralizador, profissional e impessoal que busca a incorporação de atores

sociais emergentes e estabelece normas e regras de funcionamento.

c) Estado desconcentrado que privilegia a delegação de competências para os

municípios e foca o controle social de suas ações.

d) Estado coordenador de políticas públicas nas três esferas da federação, visando à

desburocratização dos processos governamentais.

e) Estado descentralizado que tem como foco de suas ações o contribuinte, que é

visto como cliente dos serviços públicos.

11. (ESAF/MPOG/2008) O modelo de gestão pública burocrático, com base nos postulados weberianos, é constituído de funcionários individuais, cujas características não incluem:

a) liberdade pessoal e obediência estrita às obrigações objetivas do seu cargo,

estando submetidos a um sistema homogêneo de disciplina e controle do serviço.

b) exercício do cargo como profissão única ou principal, com perspectiva de carreira:

progressão por tempo de serviço ou mérito, ou ambas.

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c) competências funcionais fixas em contrato e segundo qualificações profissionais

verificadas em provas e certificadas por diplomas.

d) apropriação dos poderes de mando inerentes ao cargo (exercício da autoridade),

mas não dos meios materiais de administração, nem do próprio cargo.

e) nomeação, numa hierarquia rigorosa dos cargos, sendo remunerados com

salários fixos em dinheiro.

12. (ESAF/PSS/2008) De acordo com o modelo sistematizado por Max Weber, a burocracia moderna funciona de forma específica. Todas as opções abaixo descrevem corretamente características centrais da sua atuação, exceto:

a) rege o princípio de áreas de jurisdição fixas e oficiais, ordenadas de acordo com

regulamentos.

b) os princípios da hierarquia dos postos e dos níveis de autoridades significam um

sistema firmemente ordenado de mando e subordinação, no qual há uma supervisão dos postos inferiores pelos superiores.

c) a administração de um cargo moderno se baseia em documentos escritos, preservados em sua forma original ou em esboço.

d) em geral, a atividade oficial é segregada como algo distinto da esfera da vida

privada: os dinheiros e o equipamento público estão divorciados da propriedade privada da autoridade.

e) o desempenho do cargo segue regras específicas e exaustivas, cujo conhecimento

é parte de um aprendizado técnico especial a que se submetem os funcionários.

13. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) Weber, na década de 20, na Alemanha, publicou estudos sobre as organizações formais identificando-lhes características comuns que passaram a constituir o “tipo ideal de burocracia”. Com o passar do tempo, evidenciou-se que as características desejáveis ao funcionamento racional das organizações e ao alcance de sua eficiência se transformavam em disfunções. Assinale a opção que descreve corretamente uma das disfunções da burocracia.

a) A burocracia tem normas e regulamentos escritos que regem seu funcionamento,

definindo direitos e deveres dos ocupantes de cargos.

b) Numa burocracia os cargos são estabelecidos segundo o princípio da hierarquia,

onde a distribuição de autoridade serve para reduzir ao mínimo o atrito.

c)

Na burocracia a divisão de trabalho leva cada participante a ter funções específicas

e

uma esfera de competência e responsabilidade.

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d) A burocracia tem normas e regulamentos que se transformam de meios em

objetivos, tornando o funcionário um conhecedor de procedimentos.

e) A burocracia se caracteriza pela impessoalidade, pois o poder de cada pessoa,

como a obediência do subordinado ao seu superior, deriva do cargo que ocupa.

14. (ESAF/APO-MPOG/2003) Uma importante tradição de estudos mostra que as relações de burocratas com outros atores podem assumir variados padrões. Um deles, bastante presente na institucionalidade política brasileira, é o insulamento burocrático. Entre as opções abaixo, marque aquela que descreve corretamente o insulamento burocrático.

a) Uma relação entre a burocracia e a sociedade, baseada na troca de dados e

informações, visando constituir mecanismos formais para a representação de interesses no interior do aparato burocrático e tornar transparentes as influências particulares sobre as decisões públicas.

b) Uma relação entre agências governamentais que compartilham objetivos de

redução de custos ou otimização de resultados, visando proporcionar qualificação e treinamento especializado aos seus funcionários, a fim de capacitá-los para o exercício de tarefas complexas.

c) O estabelecimento de padrões de hierarquia, divisão de funções, busca de

excelência e eficiência máxima, com a finalidade de eliminar o contato entre decisores públicos e a sociedade, para que as ações de governo espelhem estritamente os interesses gerais da nação.

d) O estabelecimento de barreiras institucionais destinadas tanto a bloquear pressões

partidárias e o encaminhamento de demandas personalísticas quanto a assegurar a eficiência na alocação dos recursos necessários à gestão das políticas governamentais.

e) Um esforço de racionalização burocrática destinada a imprimir aos funcionários do

Estado a ética da convicção, traduzida pelo predomínio de uma visão tecnicista do processo legislativo, e a reservar aos políticos a ética das responsabilidades, mais apropriada à representação de interesses e à negociação de demandas conflitantes.

15. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) Assinale como verdadeira (V) ou falsa (F) as frases que indicam os elementos da crise do modelo burocrático de administração pública.

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( ) Como provedor de educação pública, de saúde pública, de cultura, de infra-

estrutura, de seguridade social e de proteção ao meio ambiente o modelo burocrático não atendeu à expansão das funções do Estado.

(

) O modelo burocrático não dá ênfase a resultados e sim a processos e controles.

(

) Com o modelo burocrático aumentou a corrupção e o nepotismo.

( ) Com o fim da guerra fria e da corrida armamentista, diminuiu a necessidade de estruturas organizacionais rígidas.

( ) A administração burocrática foi ineficiente em administrar o Estado de Bem-Estar Social.

Escolha a opção correta.

a) V, F, V, V, F

b) F, V, F, V, V

c) V, V, F, F, V

d) V, F, V, F, V

e) F, F, V, V, F

16. (ESAF/MPOG/2005) Segundo Abrúcio (1998), entre os fatores que ajudaram a desencadear a crise do Estado, indique a opção incorreta.

a) As duas crises do petróleo, em 1973 e 1979, contribuíram para a diminuição do

ritmo do crescimento econômico, colocando em xeque o modelo de intervenção estatal até então vigente.

b) A crise fiscal dos tax payers, que não enxergavam uma relação direta entre o

acréscimo de recursos governamentais e a melhoria dos serviços públicos, fez diminuir ainda mais a arrecadação.

c) Denúncias de corrupção envolvendo funcionários públicos de países centrais

geraram um movimento, por parte dos movimentos sociais organizados, contrário à continuidade do modelo de Bem-estar.

d) A globalização enfraqueceu os Estados nacionais no que tange ao controle dos

fluxos financeiros e comerciais, mitigando em grande parte sua capacidade de ditar suas políticas macroeconômicas.

e) A incapacidade do governo de responder às demandas sociais crescentes durante

esse período gerou, segundo alguns cientistas políticos, uma “ingovernabilidade de sobrecarga”.

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2 Gabarito

1. C

5. A

9.

C

13.D

2. C

6. C

10.B

14.D

3. B

7. C

11.D

15.C

4. C

8. D

12.E

16.C

3 Questões Comentadas

Agora que vocês fizeram as questões, vamos dar uma olhada em cada uma delas.

1. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) Segundo Weber, há três formas de dominação/legitimidade do poder. Assinale a resposta que identifica corretamente uma dessas formas.

a) A dominação burocrática baseia-se no poder que emana do patriarca, do direito

natural e das relações pessoais entre senhor e subordinado.

b) A

estatuto

estabelecido, regulando os atos de quem ordena e de quem obedece às ordens.

c) A dominação carismática baseia-se no poder que emana do indivíduo seja pelo

seu conhecimento ou feitos heróicos.

d) A

normas

estabelecidas, podendo ser alteradas por uma nova regulamentação.

e) A dominação tradicional baseia-se no poder que emana do conhecimento e

reconhecimento de atos heróicos, extinguindo-se com o indivíduo.

dominação

tradicional

baseia-se

no

poder

que

emana

do

dominação

carismática

baseia-se

no

poder

que emana

das

Max Weber conceitua dominação da seguinte forma:

Dominação é a probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado conteúdo, entre determinadas pessoas indicáveis.

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Para Weber, na dominação é necessária a obediência, um grau de legitimidade. A sociedade aceita que determinada pessoa ou grupo esteja no poder, ou seja, esta pessoa ou grupo possui legitimidade para governar. Assim, os tipos de dominação variam com base na origem da legitimidade.

Na dominação tradicional, a legitimidade surge com a tradição, a sociedade aceita os governantes porque são os costumes de longa data que dizem quem deve estar no poder. Determinada pessoa é rei porque seu pai era rei, assim como seu avô, bisavô, etc. A letra “A” está errada porque é a dominação tradicional que se baseia no poder que emana do patriarca, do direito natural e das relações pessoais entre senhor e subordinado

A dominação burocrática ou racional-legal tem como base da legitimidade a lei. As pessoas aceitam os governantes porque é uma lei racionalmente criada que determina que eles estejam no poder. Assim, a letra “B” está errada porque ali seria a dominação burocrática, e não tradicional.

Já a dominação carismática coloca a base da legitimidade no carisma do governante. As pessoas aceitam a suas ordens por causa de uma veneração extraordinária da santidade, do poder heróico ou do caráter exemplar de uma pessoa e das ordens por esta reveladas ou criadas. A letra “C” é correta.

As letras “D” e “E” estão erradas porque falam, respectivamente, da dominação burocrática e da carismática.

Gabarito: C.

2. (ESAF/CGU/2008) Segundo Max Weber, um dos mais importantes conceitos

relacionados ao poder é o de legitimidade, que pode ser de três tipos, conforme as

crenças e atitudes em que se fundamenta. Examine os enunciados abaixo, sobre o poder carismático, e assinale a opção correta.

1 - O poder carismático está fundado na dedicação pessoal e afetiva ao chefe carismático.

2 - Quem verdadeiramente exerce o comando é o líder ou chefe carismático, cujo

valor exemplar, força heróica, poder de espírito ou de palavra o distinguem de

modo especial.

3 - O poder carismático requer um corpo administrativo dotado de competência específica, porém selecionado com base na dedicação pessoal e no carisma.

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4 - A fonte do poder carismático se conecta com o que é novo, com o que nunca existiu, e rejeita a rotina e os vínculos pré-determinados.

a) Todos os enunciados estão corretos.

b) Todos os enunciados estão incorretos.

c) Somente o enunciado de número 3 está incorreto.

d) Somente o enunciado de número 4 está incorreto.

e) Somente os enunciados 3 e 4 estão incorretos.

Segundo Weber, dominação carismática é:

Baseada na veneração extracotidiana da santidade, do poder heróico ou do caráter exemplar de uma pessoa e das ordens por esta revelada ou criadas.

A primeira afirmação é correta. A dedicação é para com o chefe. A legitimidade reside

no carisma, uma qualidade pessoal. Essa característica pessoal não pode ser transmitida para outros nem ensinada. A pessoa já nasce com ela.

A segunda afirmação também é correta. Segundo Weber:

Na dominação carismática, obedece-se ao líder carismaticamente qualificado como tal, em virtude de confiança pessoal em revelação, heroísmo ou exemplaridade dentro do âmbito da crença nesse seu carisma

Segundo Weber:

O quadro administrativo do senhor carismático não é um grupo de “funcionários profissionais”, e muito menos tem formação profissional. Não é selecionado segundo critérios de dependência doméstica ou pessoal, mas segundo qualidades carismáticas.

A

dominação

carismática não possui competência específica e não são selecionados segundo dedicação pessoal, mas sim conforme seu carisma. Assim como o soberano, o quadro administrativo também atuará conforme o carisma.

terceira

afirmação

é

errada

porque

o

quadro

administrativo

na

Weber define carisma como:

Uma qualidade pessoal considerada extracotidiana e em virtude da qual se atribuem a uma pessoa poderes ou qualidades

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sobrenaturais, sobre-humanos ou, pelo menos, extracotidianos específicos ou então se a toma como enviada por Deus, como exemplar e, portanto, como líder.

A dominação carismática é extracotidiana. Isso quer dizer que ela não se mantém com o cotidiano, com a rotina, ela se deve a feitos extraordinários. A dominação carismática opõe-se tanto à racional quanto à tradicional, que são ambas formas de dominação especificamente cotidianas. A carismática (genuína) é especificamente o contrário, por isso, quando essa dominação perde sua característica efêmera, assumindo o caráter de uma relação permanente, a dominação carismática tem de modificar substancialmente, tradicionalizando-se ou racionalizando-se. Portanto, a quarta afirmação é correta, a dominação carismática rejeita a rotina. Isso também já foi cobrado pelo CESPE:

1. (CESPE/MPE-TO/2006) A liderança carismática, quando se rotiniza, pode transformar-se em tradicional ou em racional-legal.

A questão é certa

Gabarito: C.

3. (ESAF/MPOG/2003) Entre as assertivas abaixo, sobre o fenômeno da dominação, indique a única incorreta.

a) Dominação é o poder autoritário de comando do(s) governante(s), que se exerce

como se o(s) governado(s) tivesse(m) feito do conteúdo da ordem a máxima da sua conduta por si mesma.

b) Nas sociedades modernas, onde a base da legitimidade é a lei, a administração

dispensa a dominação, no sentido de um poder de comando que precisa estar nas

mãos de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos.

c) A dominação tradicional refere-se ao comando exercido por senhores que gozam de autoridade pessoal em virtude do status herdado, e cujas ordens são legítimas tanto por se conformarem aos costumes como por expressarem a arbitrariedade pessoal.

d) A dominação carismática ocorre quando o poder de comando é proveniente da

crença dos seguidores nos poderes extraordinários, mágicos ou heróicos de um

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chefe ou líder, sendo as ordens deste estritamente fundadas na sua capacidade especial de julgamento.

e) A dominação legal ocorre quando os governados obedecem às normas legais e não às pessoas que as formulam ou as implementam; e estas aplicam-se e são reconhecidas como universais por todos os membros do grupo associado, inclusive o(s) governante(s).

A primeira alternativa fala em “poder autoritário”. Ela foi tirada do seguinte texto de Weber:

“Obediência” significa, para nós, que a ação de quem obedece ocorre substancialmente como se este tivesse feito do conteúdo da ordem e em nome dela a máxima de sua conduta, e isso unicamente em virtude da relação formal de obediência, sem tomar em consideração a opinião própria sobre o valor ou desvalor da ordem como tal.

Weber trata a dominação como sinônimo de autoridade e como um conceito diferente de poder. Ambos se diferenciam do poder justamente por causa da legitimidade. O “poder” é conceituado como a imposição da vontade, mesmo contra resistências, ou seja, não há obediência, como ocorre na dominação. Contudo, temos que tomar cuidado aqui, porque muitas vezes alguns autores falam dos tipos puros de dominação como tipos de poder. E a ESAF também já fez, inclusive nessa alternativa “A”, que foi dada como correta.

Quando a ESAF fala em “poder autoritário”, um dos possíveis usos do termo “autoritário” é que se refere à autoridade. Contudo ele também pode se referir à imposição, o que estaria errado ao associar com dominação, já que a imposição da vontade está no conceito de poder. Segundo o Dicionário Houaiss, autoritário significa:

1 relativo a autoridade

2 que se firma numa autoridade forte, ditatorial

3 revestido de autoritarismo; dominador, impositivo

4 que infunde respeito, obediência

5 a favor do princípio de submissão cega à autoridade

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A ESAF foi infeliz no uso da expressão. Só que tenham muito cuidado porque isto

acontece regularmente. Veremos neste curso outras palavras que possuem duplo sentido e que, quando a banca a usa na questão, pode levar à dupla interpretação.

A segunda alternativa fala que, atualmente, a dominação não é necessária porque a

base da legitimação é a lei. Isto não é verdade, já que o Estado sempre vai depender da obediência e, mesmo o critério sendo a lei, ainda assim vai ser necessária a dominação. Esta vai estar presente inclusive em sociedades democráticas, já que estas também envolvem legitimidade. A letra “B” é incorreta.

A letra “C” é correta. Ela primeiro fala que a dominação tradicional refere-se ao

comando exercido por senhores que gozam de autoridade pessoal em virtude do status herdado. Isso é correto, já que a autoridade é decorrente da tradição. Fala também que as ordens são legítimas tanto por se conformarem aos costumes como por expressarem a arbitrariedade pessoal. Isso também está certo, pois, na dominação tradicional, as ordens são legítimas de dois modos:

1 em parte em virtude da tradição que determina inequivocamente o conteúdo das ordens, e da crença no sentido e alcance destas, cujo abalo por transgressão dos limites tradicionais poderia pôr em perigo a posição tradicional do próprio senhor.

2 em parte em virtude do arbítrio do senhor, ao qual a tradição deixa espaço correspondente.

Na dominação carismática não há regulamento, nem normas jurídicas abstratas. A letra “D” é correta porque as ordens são sim baseadas na capacidade de julgamento do líder.

A dominação legal é marcada pela impessoalidade, por isso que os governados

obedecem às normas legais e não às pessoas que as formulam ou as implementam. Já a segunda parte da letra “E” se refere ao princípio do “universalismo de procedimentos”, que defende o tratamento igualitário perante a lei. A administração pública não deve fazer discriminações positivas ou negativas no atendimento aos administrados. É preciso que a administração siga critérios legais, racionais, e não pessoais. A letra “E” é correta.

Gabarito: B.

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4. (ESAF/EPPGG/2008) Os tipos primários de dominação tradicional são os casos em que falta um quadro administrativo pessoal do senhor. Quando esse quadro administrativo puramente pessoal do senhor surge, a dominação tradicional tende ao patrimonialismo, a partir de cujas características formulou-se o modelo de administração patrimonialista. Examine os enunciados a seguir, sobre tal modelo de administração, e marque a resposta correta.

1. O modelo de administração patrimonialista caracteriza-se pela ausência de

salários ou prebendas, vivendo os “servidores” em camaradagem com o senhor a partir de meios obtidos de fontes mecânicas.

2. Entre as fontes de sustento dos “servidores” no modelo de administração

patrimonialista incluem-se tanto a apropriação individual privada de bens e oportunidades quanto a degeneração do direito a taxas não regulamentado.

3. O modelo caracteriza-se pela ausência de uma clara demarcação entre as

esferas pública e privada e entre política e administração; e pelo amplo espaço à

arbitrariedade material e vontade puramente pessoal do senhor.

4. Os “servidores” não possuem formação profissional especializada, mas, por

serem selecionados segundo critérios de dependência doméstica e pessoal, obedecem a formas específicas de hierarquia patrimonial.

a) Estão corretos os enunciados 2, 3 e 4.

b) Estão corretos os enunciados 1, 2 e 3.

c) Estão corretos somente os enunciados 2 e 3.

d) Estão corretos somente os enunciados 1 e 3.

e) Todos os enunciados estão corretos.

O Patrimonialismo é uma forma de exercício da dominação por uma autoridade. A Base de sua legitimidade é a tradição, cujas características principais repousam no poder individual do governante que, amparado por seu aparato administrativo recrutado com base em critérios pessoais, exerce o poder político sob um determinado território

Segundo Weber, ao quadro administrativo da dominação tradicional, em seu tipo puro, faltam:

A competência fixa segundo regras objetivas;

A hierarquia racional fixa;

A nomeação regulada por contrato livre e ascenso regulado;

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A formação profissional (como norma);

(muitas vezes) o salário fixo e (ainda mais frequentemente) o salário pago em dinheiro.

Esse quadro administrativo não possui um salário fixo, mas recebe “sinecuras” e “prebendas”. “Sinecura” significa “sem cuidado”, ou seja, “sem esforço”. “Prebenda” significa “ocupação rendosa de pouco trabalho”. Portanto, a primeira afirmação é errada, já que existem sim prebendas. O restante da alternativa está certo. Segundo Weber, o salário fixo é o “normal” na dominação racional-legal, ao contrário do servidor patrimonial, que obtém seu sustento por:

a) alimentação na mesa do senhor;

b) emolumentos, na maioria das vezes em espécie, provenientes de bens e dinheiros do senhor;

c) terras funcionais;

d) oportunidades apropriadas de rendas, taxas ou impostos;

e) Feudos.

Em suas relações com a população, o quadro administrativo pode agir de maneira tão arbitrária quanto aquela adotada pelo governante em relação a eles, contanto que não violem a tradição e o interesse do mesmo na manutenção da obediência e da capacidade produtiva de seus súditos.

A segunda afirmação fala em “degeneração do direito a taxas não regulamentado”.

Isso significa que os servidores se apropriam dos próprios tributos que são coletados junto à sociedade. Por exemplo, em Portugal, eram nomeados representantes da Coroa nas cidades, que ainda não contavam com prefeituras. Esses representantes desempenhavam as funções estatais e podiam ficar com determinada percentagem da arrecadação de taxas. A segunda afirmação é certa.

A

principal característica do patrimonialismo é a confusão entre o patrimônio público e

o

privado. A administração política é tratada pelo senhor como assunto puramente

pessoal. Os bens adquiridos por meio dos tributos não se diferenciam dos bens privados do senhor, tudo faz parte do mesmo patrimônio. Por tal razão, o príncipe lida com os assuntos da corte – que seriam considerados públicos na acepção atual – de forma eminentemente privada, posto que o patrimônio pessoal do governante e a coisa pública são misturados como se fossem apenas uma esfera. A terceira afirmação é correta.

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A quarta afirmação fala em “dependência doméstica e pessoal”. Isso é correto. Segundo Weber:

A este caso especial de estrutura de dominação patriarcal: o poder doméstico descentralizado mediante a cessão de terras e eventualmente de utensílios a filhos ou outros dependentes da comunidade doméstica queremos chamar de dominação patrimonial.

Contudo, vimos acima que, para Weber, na dominação tradicional falta “a hierarquia racional fixa”. Já a questão fala que “obedecem a formas específicas de hierarquia patrimonial”. A quarta afirmação foi dada como errada, uma haveria no patrimonialismo. O conceito de hierarquia supõe vários níveis hierárquicos, um controlando o outro. Uma das definições de “hierarquia” do dicionário Houaiss é a seguinte:

organização social em que se estabelecem relações de subordinação e graus sucessivos de poderes, de situação e de responsabilidades

É o modelo burocrático que trará o princípio da hierarquia.

Gabarito: C.

5. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) A administração pública burocrática surgiu no século XIX em substituição às formas patrimonialistas de administrar o Estado. Indique qual das informações a seguir define as diferenças entre estas duas abordagens.

a) No patrimonialismo não existe uma definição clara entre patrimônio público e bens privados, com a proliferação do nepotismo e da corrupção enquanto a burocracia é uma instituição administrativa que usa os princípios da racionalidade, impessoalidade e formalidade em um serviço público profissional.

b) No patrimonialismo os governantes consideram-se donos do Estado e o administram como sua propriedade, sendo Weber um dos seus defensores. A administração pública burocrática surgiu como uma resposta ao aumento da complexidade do Estado e à necessidade de organização das forças armadas.

c) No patrimonialismo a administração pública era um instrumento para garantir os direitos de propriedade, já a administração pública burocrática estabeleceu uma definição clara entre res publica e bens privados.

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d) No patrimonialismo a administração pública é governada pela preservação e desenvolvimento do patrimônio do Estado, sem se preocupar com a defesa dos direitos civis e sociais. A administração burocrática está ligada ao conceito do Estado de Bem-Estar Social, combatendo o nepotismo e a corrupção. e) No patrimonialismo a autoridade é exclusivamente hereditária, gerando corrupção e ineficiência, enquanto a estratégia adotada pela administração pública burocrática – o controle formalista dos procedimentos – garante uma melhor utilização dos recursos públicos.

A letra “A” é correta, é a resposta da questão. O patrimonialismo se caracteriza pela confusão entre o público e o privado. A segunda parte da alternativa traz alguns princípios da burocracia que estão na definição de Bresser Pereira:

São três as características básicas que traduzem o seu caráter racional: são sistemas sociais (1) formais, (2) impessoais, (3) dirigidos por administradores profissionais, que tendem a controlá- los cada vez mais completamente.

A letra “B” é errada porque Weber não era um dos defensores do patrimonialismo. Na realidade, ele destacou com muita ênfase a superioridade da autoridade racional-legal sobre o poder patrimonialista.

Há pelo menos três grandes causas que levaram à formação da administração pública burocrática:

a) Processo de racionalização capitalista (Weber), por meio do qual as organizações complexas, privadas e públicas, deveriam profissionalizar sua gestão, padronizar os métodos administrativos e buscar maior eficácia em suas ações, em termos de estrutura hierárquica e qualificação prévia dos funcionários.

b) Expansão e complexificação do papel do Estado:

Primeiramente, exército regular e tributação eficiente.

Depois, direitos de propriedade, proteção legal.

Ao longo do tempo, houve expansão para outras atividades regulatórias e investimento em infra-estrutura.

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Nos países em desenvolvimento e mesmo nos casos de modernização conservadora, o Estado como vetor do desenvolvimento dependeu da constituição de uma burocracia profissional.

c) Ampliação da democracia-liberal e a criação de políticas públicas para garantir direitos sociais

De forma tensa e conflituosa, o liberalismo transformou-se em democracia-liberal com a ampliação do sufrágio. A luta por direitos se ampliou e levou à criação, paulatina, de políticas sociais, que demandavam de uma burocracia profissional para realizar esta nova tarefa

Esta luta por democratização e ampliação dos direitos também resultou em medidas para tornar mais igualitário o acesso aos cargos públicos.

Em suma, a criação da burocracia esteve no centro dos conflitos da montagem da democracia-liberal até a sua transformação mais adiante em democracia.

A letra “C” fala que, no patrimonialismo, a administração pública era um instrumento

de garantia do direito de propriedade. Segundo Bresser Pereira:

Se, no século XIX, a administração pública do Estado Liberal era um instrumento para garantir os direitos de propriedade — garantindo a apropriação dos excedentes da economia pela classe capitalista emergente —, no Estado Desenvolvimentista, a administração burocrática era uma forma de apropriação dos excedentes por uma nova classe média de burocratas e tecnoburocratas.

A administração burocrática é característica das democracias liberais. Portanto, é no

modelo burocrático, dentro do Estado Liberal, que a administração pública era usada para garantir o direito de propriedade. Assim a letra “C” é errada. A segunda parte da alternativa é correta. O modelo burocrático se diferencia do patrimonialismo por fazer a distinção entre o patrimônio público e o privado.

A letra “D” é errada porque fala que o patrimonialismo preserva o patrimônio público,

quando na realidade ataca. A segunda parte fala que a administração burocrática está ligada ao conceito do Estado de Bem-Estar Social, combatendo o nepotismo e a corrupção. Vamos ver uma questão da ESAF:

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2. (ESAF/MPOG/2002) O Estado do Bem-Estar Social foi prejudicado e marcado pelo modelo de administração pública burocrática.

A questão é correta. Veremos que, com a crise fiscal do Estado na década de 1970, era necessária uma administração pública eficiente, que entregasse os diversos serviços exigidos pelo Estado com os poucos recursos de que os países dispunham. Mas a administração burocrática era ineficiente, cara, auto-referida.

A letra “E” está errada porque a autoridade, no patrimonialismo, não é exclusivamente hereditária. Ela pode se dar de outras formas, inclusive revolucionária, no caso da dominação carismática. Na segunda parte, quando se fala que a administração burocrática garante uma melhor utilização dos recursos públicos, temos que saber com o que se está comparando. A alternativa compara com a administração patrimonial. Nesse caso, a administração burocrática apresenta uma melhor utilização dos recursos. No início, o modelo burocrático estava ligado à idéia de eficiência, já que se dizia racional, orientado a fins. Foi após a sua aplicação que percebemos que ele na realidade era ineficiente, em função das suas chamadas disfunções.

Gabarito: A.

6. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) O século XIX marca o surgimento de uma administração pública burocrática em substituição às formas patrimonialistas de administrar o Estado. O chamado “patrimonialismo” significa a incapacidade ou relutância do governante em distinguir entre o patrimônio público e seus bens privados. Assinale a opção que indica corretamente as características da administração pública burocrática.

a) Serviço público profissional, flexibilidade organizacional e nepotismo.

b) Serviço público profissional e um sistema administrativo fruto de um arranjo

político, formal e racional.

c) Serviço público profissional e um sistema administrativo impessoal, formal e

racional.

d) Serviço público fruto de um arranjo entre as forças políticas e um sistema

administrativo seletivo de acordo com os diversos grupos de sustentação da base

de governo.

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e) Serviço público orientado para o consumidor, ênfase nos resultados em detrimento dos métodos e flexibilidade organizacional.

Novamente aqui temos as características principais da burocracia elencadas por Bresser Pereira:

São três as características básicas que traduzem o seu caráter racional: são sistemas sociais (1) formais, (2) impessoais, (3) dirigidos por administradores profissionais, que tendem a controlá- los cada vez mais completamente.

A alternativa que traz essas características é a letra “C”, a resposta da questão.

Na letra “A” os erros são a flexibilidade e o nepotismo. Nas letras “B” e “D”, o erro é o arranjo político, quando na realidade é racional. Além disso, o serviço público não é seletivo, mas baseado no universalismo de procedimentos. A letra “E” traz características do modelo gerencial.

Gabarito: C.

7. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) A administração burocrática clássica, baseada nos princípios da administração do Exército prussiano, foi implantada nos principais países europeus no final do século XIX. Ela foi adotada porque era uma alternativa muito superior à administração patrimonialista do Estado. Quais das seguintes características básicas pertencem ao conceito de burocracia de Weber?

I. Ligação entre os patrimônios público e privado.

II. Autoridade funcional baseada no estatuto.

III. Gestão voltada para resultados.

IV. Caráter hierárquico das relações de trabalho.

V. Caráter impessoal das relações profissionais, sem ódios ou paixões.

VI. Critérios de mérito para atribuição de responsabilidades e evolução na carreira.

VII. Autoridade derivada de normas racionais-legais.

Estão corretos apenas os itens:

a) III, VII

b) II, VI, VII

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c) II, IV,V,VI, VII

d) II, III, VII

e) II , VI

A ligação entre os patrimônios público e privado é uma característica do patrimonialismo, e não da burocracia, que defende justamente o contrário, a separação da res publica dos interesses privados. A afirmação I é errada.

A autoridade nas burocracias segue o princípio das competências oficiais fixas, ordenadas mediante regras. O formalismo da burocracia se expressa no fato de que a autoridade deriva de um sistema de normas racionais, escritas e exaustivas, que definem com precisão as relações de mando e subordinação, distribuindo as atividades a serem executadas. Portanto, a afirmação II é correta.

A afirmação III fala que a burocracia apresenta uma gestão voltada para resultado. Na minha opinião, a afirmação III estaria correta. Segundo Bresser Pereira:

Se adotarmos uma definição curta e perfeitamente enquadrada dentro dos moldes da filosofia aristotélica, diremos que uma organização ou burocracia é um sistema social racional, ou um sistema social em que a divisão do trabalho é racionalmente realizada tendo em vista os fins visados.

Detalhando melhor esta definição, os autores dizem que o critério que diferencia o ato racional do irracional é sua coerência em relação aos fins visados. Um ato será racional na medida em que representar o meio mais adaptado para se atingir determinado objetivo, na medida em que sua coerência em relação a seus objetivos se traduzir na exigência de um mínimo de esforços para se chegar a esses objetivos.

Contudo, a afirmação III foi dada como incorreta. O que ocorreu foi que a ESAF pensou nas disfunções da burocracia, e uma delas é que o modelo burocrático enfatiza demais o processo, esquecendo-se do resultado. A administração gerencial é que vem focar no resultado. Contudo, como a questão cobra o conceito de Weber, não poderíamos pensar em suas disfunções. Weber afirma que:

A administração puramente burocrática, portanto, a administração burocrática-monocrática mediante documentação, considerada do ponto de vista formal, é, segundo toda a experiência, a forma mais racional de exercício de dominação, porque nela se alcança tecnicamente o máximo de rendimento em virtude de precisão, continuidade, disciplina, rigor e confiabilidade, intensidade e

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extensibilidade dos serviços e aplicabilidade formalmente universal a todas as espécies de tarefas.

A afirmação IV é correta. Um dos maiores princípios da burocracia é a hierarquia de cargos e da seqüência de instâncias. Este configura um sistema fixamente regulamentado de mando e subordinação das autoridades, com fiscalização das inferiores pelas superiores. Quando o tipo está plenamente desenvolvido, essa hierarquia de cargos está monocraticamente organizada, cada empregado só se submete a um chefe, em uma seqüência de instâncias hierárquica.

A afirmação V é correta. Weber afirma que o caráter impessoal da burocracia obedece ao princípio da administração sine ira ac studio, sem ódio ou paixão. Segundo Weber:

A burocracia é mais plenamente desenvolvida quando mais se desumaniza, quanto mais completamente alcança as características específicas que são consideradas como virtudes: a eliminação do amor, do ódio e de todos os elementos pessoais, emocionais e irracionais, que escapam ao cálculo.

O funcionário, no modelo burocrático, de acordo com a ordem hierárquica das autoridades, percorre uma carreira, dos cargos inferiores, menos importantes e menos bem pagos, até os superiores. Os critérios de mérito são decorrência do caráter impessoal. A afirmação VI é correta.

Por fim, a afirmação VI é correta, pois traz novamente a autoridade baseada no estatuto, no caráter racional-legal.

Gabarito: C.

8. (ESAF/MPOG/2005) Com base no pensamento de Max Weber, julgue as sentenças sobre a burocracia atribuindo (V) para a afirmativa verdadeira e (F) para

a

afirmativa falsa, assinalando ao final a opção correta.

(

) A constituição prévia de uma economia monetária é condição sine qua non para

o

surgimento da organização burocrática.

( ) O Estado moderno depende completamente da organização burocrática para continuar a existir.

( ) A burocracia é elemento exclusivo do Estado moderno capitalista, não sendo verificável em outros momentos da história.

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( ) O modelo burocrático é a única forma de organização apta a desempenhar as tarefas necessárias para o bom funcionamento do capitalismo.

a) V, F, F, V

b) V, V, F, F

c) F, F, V, V

d) F, V, F, V

e) F, F, F, V

Sine qua non” significa “sem o qual não pode ser”, ou seja, trata-se de uma condição indispensável e essencial. Segundo Weber, o desenvolvimento da economia monetária é um dos pressupostos da forma moderna de cargo, exercido com profissionalismo e que tem direito a uma remuneração, mas Weber afirma que:

Esta é de grande importância para os hábitos gerais da burocracia, mas de modo algum é o único fator decisivo para sua existência. Os exemplos históricos quantitativamente mais importantes de um burocratismo claramente desenvolvido até certo grau são os seguintes: o Egito da época do Novo Império, porém com tendências fortemente patrimoniais, o principado romano tardio, a Igreja Católica Romana, a China, desde os tempos de Shi Hoang Ti até o presente, o Estado europeu moderno, a grande empresa capitalista moderna.

Portanto, a economia monetária não é indispensável para o aparecimento das organizações burocráticas, ou seja, a primeira afirmação é falsa. Contudo, apesar de ser dispensável, Weber afirma que certo grau de desenvolvimento de uma economia monetária é o pressuposto normal, senão para sua criação, pelo menos para a subsistência inalterada das administrações puramente burocráticas, pois sem ela dificilmente pode ser evitado que a estrutura burocrática mude fortemente em sua natureza interna ou até seja substituída por outra.

Por esta citação, já podemos ver que a terceira afirmação também é falsa, já que em épocas anteriores ao Estado moderno capitalista existiram organizações burocráticas.

Weber afirma que:

É óbvio que o Estado Moderno depende tecnicamente, com o decorrer do tempo, cada vez mais, de uma base burocrática, e isto tanto mais quanto maior é sua extensão, particularmente quando é uma grande potência ou está a caminho de sê-lo.

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A ESAF vai um pouco além, dizendo que depende completamente, mas ainda assim

a segunda afirmação é verdadeira. O Estado moderno, devido a sua complexidade,

precisa da racionalidade e da impessoalidade. Na visão de Weber, não há como o

Estado crescer sem manter uma base burocrática, isso por que o modelo burocrático

é a única forma de organização apta a desempenhar as tarefas necessárias para o bom funcionamento do capitalismo. A quarta afirmação é correta.

Gabarito: D.

9. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) A administração burocrática moderna, racional legal, foi implantada nos principais países europeus no final do século XIX e no Brasil em 1936, com a reforma administrativa promovida por Maurício Nabuco e Luiz Simões Lopes. Assinale a opção que não caracteriza corretamente este tipo de administração.

a) A administração burocrática distingue entre o público e o privado, separando o

político do administrador público, sendo essencial ao bom funcionamento do capitalismo.

b) A administração pública burocrática é uma alternativa superior à administração

patrimonialista do Estado, é baseada no princípio do mérito profissional e

compatível com o capitalismo industrial e a democracia parlamentar.

c) A administração pública burocrática tem como princípios o mérito e a formalidade, o que torna difícil a sua aplicação nas democracias parlamentares, onde os interesses dos vários grupos políticos impedem uma unidade de ação.

d) A administração pública burocrática concentra-se no processo, na criação de

procedimentos para gestão do Estado em todas as suas atividades e em controlar

a adequação do serviço público a estes procedimentos.

e) A administração burocrática é lenta, cara, auto-referida, pouco orientada para

atender às demandas dos cidadãos, não garantindo nem rapidez, nem qualidade,

nem custos baixos para os serviços prestados ao público.

A letra “A” é correta, pois a administração burocrática surge como oposição ao patrimonialismo, separando o público do privado. É estranho pensar que o capitalismo depende da burocracia, mas ela surgiu justamente porque a maior complexidade trazida pelo capitalismo exigia um modelo burocrático de administração, impessoal, racional, com divisão do trabalho, etc. Tanto que esses princípios permanecem até hoje.

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A letra “B” é correta, pois a administração burocrática é superior ao patrimonialismo,

combatendo a corrupção e o nepotismo. Além disso, a administração burocrática surgiu em decorrência da maior complexidade da sociedade e do desenvolvimento do capitalismo e da democracia, que exigiam uma administração racional e impessoal.

A letra “C” é errada justamente porque o modelo burocrático é sim aplicável nas

democracias parlamentares. Com o surgimento das democracias e do capitalismo, a sociedade começa a exigir cada vez mais que o governo seja impessoal, que não trata determinados grupos com privilégios, e administre de forma racional. É com um Estado que governa para poucos que os vários grupos da sociedade iriam impedir sua ação. Bresser afirma que:

É essencial para o capitalismo a clara separação entre o Estado e o mercado e a democracia só pode existir quando a sociedade civil, formada por cidadãos, distingue-se do Estado ao mesmo tempo em que o controla. Tornou-se assim necessário desenvolver um tipo de administração que partisse não apenas da clara distinção entre o público e o privado, mas também da separação entre o político e o administrador público. Surge assim a administração burocrática moderna, racional-legal.

A letra “D” é correta. Ela trata do excessivo controle empregado pelo modelo burocrático. As regras não burocracia são exaustivas, ou seja, há criação de procedimentos para gestão do Estado em todas as suas atividades. O foco do controle acabou concentrando-se no processo, e não no resultado, buscando controlar os procedimentos dos administradores.

A letra “E” é correta. Segundo Bresser Pereira:

A administração pública burocrática clássica foi adotada porque era uma alternativa muito superior à administração patrimonialista do Estado. Entretanto o pressuposto de eficiência em que se baseava não se revelou real. No momento em que o pequeno Estado liberal do século XIX deu definitivamente lugar ao grande Estado social e econômico do século XX, verificou-se que não garantia nem rapidez, nem boa qualidade nem custo baixo para os serviços prestados ao público. Na verdade, a administração burocrática é lenta, cara, auto- referida, pouco ou nada orientada para o atendimento das demandas dos cidadãos.

Gabarito: C.

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10. (ESAF/CGU/2008) Considerando a diferenciação conceitual para fins didáticos dos modelos patrimonialista, burocrático e gerencial da administração pública no Brasil, selecione a opção que conceitua corretamente o modelo burocrático de gestão.

a) Estado centralizador, onipotente, intervencionista e espoliado por uma elite que

enriquece e garante privilégios por meio de exclusão da maior parte da sociedade.

b) Estado centralizador, profissional e impessoal que busca a incorporação de

atores sociais emergentes e estabelece normas e regras de funcionamento.

c) Estado desconcentrado que privilegia a delegação de competências para os

municípios e foca o controle social de suas ações.

d) Estado coordenador de políticas públicas nas três esferas da federação, visando

à desburocratização dos processos governamentais.

e) Estado descentralizado que tem como foco de suas ações o contribuinte, que é

visto como cliente dos serviços públicos.

Na primeira alternativa temos o Estado Absolutista patrimonialista, e não o modelo burocrático, já que ela fala em uma elite que enriquece às custas do Estado. Assim, a letra “A é incorreta.

No entanto, isto não quer dizer que, no modelo burocrático, o Estado não seja centralizador. A administração pública burocrática é auto-referida porque ela se interessa, primariamente, em afirmar o poder do Estado — o “poder extroverso” — sobre os cidadãos. Portanto, a letra “B” é correta, é a resposta da questão, já que no modelo burocrático o Estado é centralizador, profissional e impessoal. As decisões são tomadas apenas nos níveis mais altos das organizações, restringindo a autonomia dos níveis mais baixos. Como o estado é centralizado, ele não será desconcentrado, o que torna a letra “C” errada.

Se o modelo é burocrático, ele não vai buscar a desburocratização, mas sim a burocratização, ou seja, o estabelecimento de regras e controles. Por isso que a letra “D” é incorreta.

Por fim, a letra “E” é incorreta porque descentralização e foco no contribuinte, que é

da

burocrática.

visto

como

cliente,

são

características

da

administração

gerencial

e

não

Gabarito: B.

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11. (ESAF/MPOG/2008) O modelo de gestão pública burocrático, com base nos postulados weberianos, é constituído de funcionários individuais, cujas características não incluem:

a) liberdade pessoal e obediência estrita às obrigações objetivas do seu cargo,

estando submetidos a um sistema homogêneo de disciplina e controle do serviço.

b) exercício do cargo como profissão única ou principal, com perspectiva de

carreira: progressão por tempo de serviço ou mérito, ou ambas.

c) competências funcionais fixas em contrato e segundo qualificações profissionais

verificadas em provas e certificadas por diplomas.

d) apropriação dos poderes de mando inerentes ao cargo (exercício da autoridade),

mas não dos meios materiais de administração, nem do próprio cargo.

e) nomeação, numa hierarquia rigorosa dos cargos, sendo remunerados com salários fixos em dinheiro.

A letra “A” desta questão gerou muita polêmica nesse concurso do MPOG. Isso porque ela fala em liberdade pessoal. Muitos pensaram que no modelo burocrático o funcionário não tem liberdade pessoal, já que deve seguir procedimentos rígidos. Contudo, esta liberdade pessoal não é liberdade de procedimentos, mas uma liberdade em relação aos superiores, uma liberdade de não interferência em sua vida privada. Estas características dos funcionários individuais foram tiradas de Weber, que afirma que:

O tipo mais puro de dominação legal é aquele que se exerce por meio de um quadro administrativo burocrático. Somente o dirigente da associação possui sua posição de senhor, em virtude ou de apropriação ou de eleição ou de designação da sucessão. Mas suas competências senhoriais são também competências legais. O conjunto do quadro administrativo se compõe, no tipo mais puro, de funcionários individuais (monocracia, em oposição à “colegialidade”), os quais:

1. são pessoalmente livres; obedecem somente às obrigações objetivas de seu cargo;

2. são nomeados (e não eleitos) numa hierarquia rigorosa dos cargos;

3. têm competências funcionais fixas;

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4. em virtude de um contrato, portanto, (em princípio) sobre a base de livre seleção segundo

5. a qualificação profissional – no caso mais racional: qualificação verificada mediante prova e certificada por diploma;

6. são remunerados com salários fixos em dinheiro, na maioria dos casos com direito a aposentadoria; em certas circunstâncias (especialmente em empresas privadas), podem ser demitidos pelo patrão, porém sempre podem demitir-se por sua vez; seu salário está escalonado, em primeiro lugar, segundo a posição na hierarquia e, além disso, segundo a responsabilidade do cargo e o princípio da correspondência à posição social;

7. exercem seu cargo como profissão única ou principal;

8. têm a perspectiva de uma carreira: “progressão” por tempo de serviço ou eficiência, ou ambas as coisas, dependendo dos critérios dos superiores;

9. trabalham em separação absoluta dos meios administrativos e sem apropriação do cargo;

10.estão submetidos a um sistema rigoroso e homogêneo de disciplina e controle do serviço.

A letra “A” é correta, pois traz as características 1 e 10. A letra “B” é correta, pois traz

a característica 7. A letra “C” é correta, pois traz as características 3, 4 e 5. A letra “D” é errada, já que contraria a característica 9. A letra “E” é correta, traz as características 2 e 6.

A resposta da questão é a letra “D”. No modelo burocrático, não há apropriação do

cargo, nem dos poderes de mando inerentes a ele. Portanto, o erro está na primeira parte da alternativa, o restante está correto.

Gabarito: D.

12. (ESAF/PSS/2008) De acordo com o modelo sistematizado por Max Weber, a burocracia moderna funciona de forma específica. Todas as opções abaixo descrevem corretamente características centrais da sua atuação, exceto:

a) rege o princípio de áreas de jurisdição fixas e oficiais, ordenadas de acordo com regulamentos.

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b) os princípios da hierarquia dos postos e dos níveis de autoridades significam um

sistema firmemente ordenado de mando e subordinação, no qual há uma supervisão dos postos inferiores pelos superiores. c) a administração de um cargo moderno se baseia em documentos escritos, preservados em sua forma original ou em esboço.

d) em geral, a atividade oficial é segregada como algo distinto da esfera da vida

privada: os dinheiros e o equipamento público estão divorciados da propriedade privada da autoridade.

e) o desempenho do cargo segue regras específicas e exaustivas, cujo conhecimento é parte de um aprendizado técnico especial a que se submetem os funcionários.

Essa questão também foi tirada do livro “Economia e Sociedade” de Max Weber, que afirma que “o funcionamento do funcionalismo moderno manifesta-se da seguinte forma”:

1) “Rege o princípio das competências oficiais fixas, ordenadas, de forma geral, mediante regras: leis ou regulamentos administrativos”. A letra “A” é certa. Weber está dizendo aqui que o que cada órgão e servidor pode fazer está estabelecido em normas. Trata-se do princípio da legalidade, segundo o qual a administração pública só pode fazer o que lhe é autorizado em lei. Para Weber, isso que dizer que:

a.

Existe uma distribuição fixa das atividades regularmente necessárias para realizar os fins do complexo burocraticamente dominado, com deveres oficiais;

b.

Os poderes de mando, necessários para cumprir estes deveres, estão também fixamente distribuídos, e os meios coativos (físicos, sacros ou outros) que eventualmente podem empregar estão também fixamente delimitados por regras;

c.

Para o cumprimento regular e contínuo dos deveres assim distribuídos e o exercício dos direitos correspondentes criam-se providências planejadas, contratando pessoas com qualificação regulamentada de forma geral”.

2)

Rege o princípio da hierarquia de cargos e da seqüência de instâncias, isto é, um sistema fixamente regulamentado de mando e subordinação das autoridades, com fiscalização das inferiores pelas superiores. Esse sistema oferece, ao mesmo tempo, ao dominado a possibilidade fixamente regulamentada de apelar de uma

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autoridade inferior à instância superior desta. Quando o tipo está plenamente desenvolvido, essa hierarquia de cargos está monocraticamente organizada, em uma seqüência de instâncias hierárquica”.

A letra “B” é certa. Aqui Weber fala do princípio da hierarquia, segundo a qual a organização burocrática é constituída de vários níveis hierárquicos, um controlando o outro, numa estrutura bastante verticalizada. Quando Weber coloca que a hierarquia está monocraticamente organizada, ele quer dizer que a organização burocrática segue a estrutura linear, em que cada funcionário só se submete a um chefe. Não há a dupla subordinação, ou seja, o funcionário não estaria subordinado a dois chefes diferentes.

3)

A letra

é certa, ela pegou muita gente nessa questão. Ela fala que os

documentos podem ser guardados em seu esboço. Por incrível que pareça, isso está correto. Segundo Weber, “a administração moderna baseia-se em documentos (atas), cujo original ou rascunho se guarda, e em um quadro de funcionários subalternos e escrivães de todas as espécies.

“C”

O conjunto dos funcionários que trabalham numa instituição administrativa e também o aparato correspondente de objetos e documentos constituem um “escritório”. A moderna organização administrativa separa, por princípio, o escritório da moradia privada, distinguindo em geral a atividade oficial, da esfera da vida privada, e os recursos monetários e outros meios oficiais da propriedade privada do funcionário”.

Podemos ver que a letra “D” é certa. No modelo burocrático, separa-se muito claramente o público do privado, o funcionário não mistura seus bens com os do Estado, como acontecia no patrimonialismo.

4) “A atividade oficial, pelo menos toda atividade oficial especializada – e esta é o especificamente moderno – pressupõe, em regra, uma intensa instrução na matéria. Também isso se aplica, cada vez mais, aos dirigentes e empregados modernos das empresas da economia privada, do mesmo modo que aos funcionários estatais”. Aqui temos o conhecimento especializado dos burocratas, que devem ser treinados, devem passar por uma formação longa.

5) “Quando o cargo está plenamente desenvolvido, a atividade oficial requer o emprego da plena força de trabalho do funcionário, independentemente da circunstância de que o tempo obrigatório no escritório pode estar fixamente delimitado. Essa situação, como caso normal, é produto também de um longo desenvolvimento, tanto nos cargos públicos quanto naqueles da economia

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privada. O caso normal era antigamente, ao contrário, a realização “acessória” dessas atividades”.

Neste ponto, Weber coloca que o funcionário, durante o horário de expediente, deve se dedicar exclusivamente às atividades oficiais, não fazendo atividades de cunho pessoal.

6)

Só sobrou a letra a última alternativa. A letra “E” é errada porque fala que o desempenho do cargo segue regras específicas e exaustivas. Elas não são específicas. Para Weber, “a administração dos funcionários realiza-se de acordo com regras gerais, mais ou menos fixas e mais ou menos abrangentes, que podem ser aprendidas. O conhecimento destas regras constitui, por isso, uma arte especial, que é posse dos funcionários”.

Contudo, a alternativa está certa quando fala em regras exaustivas. No modelo burocrático, o administrador público só pode fazer o que lhe é autorizado. É um controle a priori. Assim, as normas vão tentar prever todas as situações possíveis com as quais o administrador pode se deparar para dizer como ele deve agir em cada uma delas. Segundo Bresser Pereira:

O formalismo da burocracia se expressa no fato de que a autoridade deriva de um sistema de normas racionais, escritas e exaustivas, que definem com precisão as relações de mando e subordinação, distribuindo as atividades a serem executadas de forma sistemática, tendo em vista os fins visados.

Gabarito: E.

13. (ESAF/EPPGG-MPOG/2003) Weber, na década de 20, na Alemanha, publicou estudos sobre as organizações formais identificando-lhes características comuns que passaram a constituir o “tipo ideal de burocracia”. Com o passar do tempo, evidenciou-se que as características desejáveis ao funcionamento racional das organizações e ao alcance de sua eficiência se transformavam em disfunções. Assinale a opção que descreve corretamente uma das disfunções da burocracia.

a) A burocracia tem normas e regulamentos escritos que regem seu funcionamento, definindo direitos e deveres dos ocupantes de cargos.

b) Numa burocracia os cargos são estabelecidos segundo o princípio da hierarquia, onde a distribuição de autoridade serve para reduzir ao mínimo o atrito.

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c) Na burocracia a divisão de trabalho leva cada participante a ter funções

específicas e uma esfera de competência e responsabilidade.

d) A burocracia tem normas e regulamentos que se transformam de meios em

objetivos, tornando o funcionário um conhecedor de procedimentos.

e) A burocracia se caracteriza pela impessoalidade, pois o poder de cada pessoa, como a obediência do subordinado ao seu superior, deriva do cargo que ocupa.

A administração burocrática trouxe uma série de avanços em relação à administração

patrimonialista, dentre eles a impessoalidade, a racionalidade, o mérito, a profissionalização, o controle. No entanto, surgiram uma série de problemas, que a doutrina convencionou chamar de disfunções da burocracia, entre elas a rigidez e a lentidão.

O excesso de burocratização, de formalismo e despersonalização, é a principal

origem das disfunções da burocracia. Esse excesso resulta na concepção popular de

burocracia como um sistema ineficiente, dominado pela “papelada” e por funcionários

de mentalidade estreita, incapazes de tomar decisões e pensar por conta própria.

Das alternativas, a única que traz uma disfunção da burocracia é a letra “D”, que traz

a disfunção da internalização das regras e apego aos regulamentos. Portanto a letra “D” é correta.

A letra “A” é incorreta porque traz o formalismo, uma das características da

burocracia, mas que não necessariamente é algo ruim. O excesso de formalismo, de papelório é que é uma disfunção. O formalismo, o caráter legal, são características indispensáveis ao bom andamento da administração pública.

A letra

trouxe

racionalidade para as organizações. Novamente, o problema é o excesso, as estruturas muito verticalizadas.

“B”

é

incorreta

porque

a

especialização

vertical,

a

hierarquia,

A letra “C” é incorreta, pois traz o princípio da divisão do trabalho, a especialização

horizontal, ou departamentalização. Esta característica também não é uma disfunção.

A letra “E” é incorreta porque a impessoalidade não é uma disfunção, pelo contrário,

trouxe grandes ganhos para a administração, tanto que permanece na administração gerencial.

As disfunções mais citadas pela doutrina são:

a)

Internalização das regras e exagero apego aos regulamentos: as normas e regulamentos passam a se transformar de meios em objetivos.

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b) Desenvolvimento, entre os funcionários, de um nível mínimo de desempenho:

O respeito às normas passa a ser tão importante que o desempenho torna-se secundário.

c) Excesso de formalismo e de papelório: há a necessidade de documentar e de formalizar todas as comunicações dentro da burocracia a fim de que tudo possa ser devidamente testemunhado por escrito.

d) Resistência a mudanças: o funcionário da burocracia está acostumado em seguir regras, ou seja, conforme rotinas, com isso, sente-se seguro e tranqüilo, resistindo a possíveis mudanças.

e) Despersonalização do relacionamento: a administração burocrática é realizada sem consideração a pessoas. Burocracia significa, etimologicamente, “governo de escritório”;

f) Categorização como base do processo decisorial: a burocracia se assenta em uma rígida hierarquização da autoridade, ou seja, na burocracia, quem toma as decisões são as pessoas que estão no mais alto nível da hierarquia. Isso faz com que as decisões sejam tomadas por pessoas distantes da realidade;

g) Superconformidade às rotinas e procedimentos: na burocracia as rotinas e procedimentos se tornam absolutas e sagradas para os funcionários;

h) Dificuldade no atendimento a clientes e conflitos com o público: Os funcionários trabalham voltados ao interior da organização, de forma auto- referida, sem atentar para as reais necessidades dos “clientes”, os cidadãos;

Gabarito: D.

14. (ESAF/APO-MPOG/2003) Uma importante tradição de estudos mostra que as relações de burocratas com outros atores podem assumir variados padrões. Um deles, bastante presente na institucionalidade política brasileira, é o insulamento burocrático. Entre as opções abaixo, marque aquela que descreve corretamente o insulamento burocrático.

a) Uma relação entre a burocracia e a sociedade, baseada na troca de dados e informações, visando constituir mecanismos formais para a representação de interesses no interior do aparato burocrático e tornar transparentes as influências particulares sobre as decisões públicas.

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b) Uma relação entre agências governamentais que compartilham objetivos de

redução de custos ou otimização de resultados, visando proporcionar qualificação e treinamento especializado aos seus funcionários, a fim de capacitá-los para o exercício de tarefas complexas.

c) O estabelecimento de padrões de hierarquia, divisão de funções, busca de

excelência e eficiência máxima, com a finalidade de eliminar o contato entre decisores públicos e a sociedade, para que as ações de governo espelhem estritamente os interesses gerais da nação.

d) O estabelecimento de barreiras institucionais destinadas tanto a bloquear

pressões partidárias e o encaminhamento de demandas personalísticas quanto a assegurar a eficiência na alocação dos recursos necessários à gestão das políticas

governamentais.

e) Um esforço de racionalização burocrática destinada a imprimir aos funcionários do Estado a ética da convicção, traduzida pelo predomínio de uma visão tecnicista do processo legislativo, e a reservar aos políticos a ética das responsabilidades, mais apropriada à representação de interesses e à negociação de demandas conflitantes.

Para que a burocracia não sofra interferências externas, tanto dos políticos quanto da sociedade, muitas vezes ela se fecha e passa a atuar de forma isolada. O insulamento burocrático pode ser compreendido como um processo de proteção do núcleo técnico do Estado, que se responsabiliza pela consecução de determinados objetivos específicos, contra a interferência oriunda do público ou de outras organizações intermediárias. Segundo Edson Nunes,

O insulamento burocrático significa a redução do escopo da arena em que os interesses e demandas populares podem desempenhar um papel. Esta redução da arena é efetivada pela retirada de organizações cruciais do conjunto da burocracia tradicional e do espaço político governado pelo Congresso e pelos partidos políticos, resguardando estas organizações contra tradicionais demandas burocráticas ou redistributivas.

O insulamento burocrático pode ser visto de forma positiva, como para evitar a pressão de grupos de interesses poderosos, ou de forma negativa, quando os burocratas deixam de ouvir a sociedade, reduzindo a participação desta no processo decisório.

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A letra “A” é errada porque o insulamento é o distanciamento entre burocracia e

sociedade, e não uma relação baseada na troca de dados e informação. Também não envolve o relacionamento entre agências governamentais em cooperação. A letra “B” é errada.

A letra “C” é errada. O insulamento não significa necessariamente que as ações do

governo espelham os interesses gerais da nação. O conceito é até defendido com a suposição de que isolados, os burocratas tomariam as decisões apenas segundo critérios técnicos, mas na prática é uma forma de impedir interferências externas, até mesmo da sociedade, barrando as formas de participação.

A letra “D” é a correta, aborda o isolamento dos burocratas tanto em relação aos

políticos quanto à sociedade.

A letra “E” é errada, trata das diferenças entre os burocratas e políticos, sem relação

com o insulamento burocrático. Estudaremos na Aula 04 estes dois tipos de ética.

Gabarito: D.

15. (ESAF/EPPGG-MPOG/2002) Assinale como verdadeira (V) ou falsa (F) as frases que indicam os elementos da crise do modelo burocrático de administração pública.

( ) Como provedor de educação pública, de saúde pública, de cultura, de infra- estrutura, de seguridade social e de proteção ao meio ambiente o modelo burocrático não atendeu à expansão das funções do Estado.

(

) O modelo burocrático não dá ênfase a resultados e sim a processos e controles.

(

) Com o modelo burocrático aumentou a corrupção e o nepotismo.

( ) Com o fim da guerra fria e da corrida armamentista, diminuiu a necessidade de estruturas organizacionais rígidas.

( ) A administração burocrática foi ineficiente em administrar o Estado de Bem- Estar Social.

Escolha a opção correta.

a) V, F, V, V, F

b) F, V, F, V, V

c) V, V, F, F, V

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d) V, F, V, F, V

e) F, F, V, V, F

Já vimos que o Estado de Bem-Estar Social foi marcado e prejudicado pelo modelo burocrático. O Estado cresceu, passou a desempenhar um enorme gama de funções, mas a burocracia não conseguiu dar conta de todas essas responsabilidades como eficiência e qualidade. A primeira afirmação é verdadeira.

Apesar de o modelo burocrático ser racional porque orientado a fins, ele acabou se concentrando em demasia no processo, aumentando o controle de procedimentos em detrimento do controle de resultados. A segunda afirmação é verdadeira.

A corrupção e o nepotismo não aumentaram no modelo burocrático, já que ele veio combater estas práticas no patrimonialismo. Por isso a terceira afirmação é falsa. Contudo, temos que ter cuidado porque a administração burocrática não conseguiu proteger o patrimônio público, surgindo novas formas de patrimonialismo, como o rent seeking, sendo esta uma das insatisfações da sociedade que fortaleceram o desenvolvimento da administração gerencial. Vamos ver uma questão do CESPE:

3. (CESPE/MDS/2006) Verifica-se o fenômeno do rent seeking quando determinados grupos da sociedade, por meio do controle do aparelho do Estado, viabilizam a apropriação de rendas e vantagens excepcionais para si ou para seus protegidos.

A questão é CERTA. O termo rent seeking foi usado pela primeira vez na década de 1970 para descrever a atuação de determinados grupos com o objetivo de tirar vantagem do Estado. O rent seeking é chamado também de parasitismo político. A questão fala em vantagens excepcionais porque o “rent seeker” não contribuiu para que obtivesse essa vantagem. Ela será conquistada como o sacrifício de toda a coletividade.

Bresser Pereira conceitua rent seeking da seguinte forma:

Rent-seeking, literalmente, busca de rendas, é a atividade de indivíduos e grupos de buscar “rendas” extramercado para si próprios por meio do controle do Estado. Tem origem na teoria econômica neoclássica, em que um dos sentidos da palavra rent é exatamente o ganho que não tem origem nem no trabalho, nem no capital. Corresponde ao conceito de “privatização do Estado” que os brasileiros vêm usando.

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Vamos tentar entender com um exemplo. Porque será que a indústria automobilística recebeu a redução do IPI enquanto uma série de outros setores não tiveram esse privilégio. Uma explicação pode ser o rent seeking. Essa indústria é poderosa em termos econômicos e o governo possui em seus quadros uma série de pessoas oriundas dos sindicatos de trabalhadores de montadoras. Assim, pode ter havido um tratamento privilegiado para estes grupos em função das pressões que eles exercem sobre o governo, e quem vai pagar a conta é toda a sociedade.

Outro exemplo: vez ou outra a bancada ruralista no Congresso – aqueles deputados que defendem os interesses do setor agropecuário – pressionam o governo para que seja concedido um parcelamento da dívida, em parcelas a perder de vista. Quem vai pagar por isso é toda a sociedade, por meio dos impostos, para que um grupo específico seja beneficiado.

A quarta afirmação é falsa. Não foi o fim da Guerra Fria que diminuiu a necessidade de estruturas rígidas. Foi com a crise do petróleo em 1973 que entrou em xeque o antigo modelo de intervenção estatal, quando se abateu sobre o mundo uma grave crise econômica, resultando na crise fiscal dos Estados.

A última afirmação repete o fato de o Estado de Bem-Estar ter sido marcado e prejudicado pelo modelo burocrático, ou seja, a quinta afirmação é verdadeira.

Gabarito: C.

16. (ESAF/MPOG/2005) Segundo Abrúcio (1998), entre os fatores que ajudaram a

desencadear a crise do Estado, indique a opção incorreta.

a) As duas crises do petróleo, em 1973 e 1979, contribuíram para a diminuição do

ritmo do crescimento econômico, colocando em xeque o modelo de intervenção

estatal até então vigente.

b) A crise fiscal dos tax payers, que não enxergavam uma relação direta entre o

acréscimo de recursos governamentais e a melhoria dos serviços públicos, fez

diminuir ainda mais a arrecadação.

c) Denúncias de corrupção envolvendo funcionários públicos de países centrais

geraram um movimento, por parte dos movimentos sociais organizados, contrário à continuidade do modelo de Bem-estar.

d) A globalização enfraqueceu os Estados nacionais no que tange ao controle dos

fluxos financeiros e comerciais, mitigando em grande parte sua capacidade de ditar

suas políticas macroeconômicas.

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e) A incapacidade do governo de responder às demandas sociais crescentes durante esse período gerou, segundo alguns cientistas políticos, uma “ingovernabilidade de sobrecarga”.

Essa questão foi tirada do texto "O impacto do modelo gerencial na Administração Pública: Um breve estudo sobre a experiência internacional recente", de Fernando Luiz Abrucio, que está na leitura sugerida:

Em meados da década de 70, sobretudo a partir da crise do petróleo em 1973, uma grande crise econômica mundial pôs fim à era de prosperidade que se iniciara após a Segunda Guerra Mundial. A principal receita para o contínuo sucesso durante trinta anos foi a existência de um amplo consenso social a respeito do papel do Estado, o qual procurava garantir prosperidade econômica e bem-estar social.

Segundo Abrucio, o tipo de Estado que começava a se esfacelar em meio à crise dos

anos 70 tinha três dimensões (econômica, social e administrativa), todas interligadas.

A primeira dimensão era a keynesiana, caracterizada pela ativa intervenção estatal na

economia, procurando garantir o pleno emprego e atuar em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional — telecomunicações e petróleo, por exemplo.

O Welfare State correspondia à dimensão social do modelo. Adotado em maior ou

menor grau nos países desenvolvidos, o Estado de bem-estar tinha como objetivo primordial a produção de políticas públicas na área social (educação, saúde, previdência social, habitação etc.) para garantir o suprimento das necessidades básicas da população. Por fim, havia a dimensão relativa ao funcionamento interno do Estado, o chamado modelo burocrático weberiano, ao qual cabia o papel de manter a impessoalidade, a neutralidade e a racionalidade do aparato governamental.

Em linhas gerais, quatro fatores sócio-econômicos contribuíram fortemente para detonar a crise do Estado contemporâneo. O primeiro foi a crise econômica mundial, iniciada em 1973, na primeira crise do petróleo, e retomada ainda com mais força em 1979, na segunda crise do petróleo. O fato é que a economia mundial enfrentou um grande período recessivo nos anos 80 e nunca mais retomou os níveis de crescimento atingidos nas décadas de 50 e 60. Neste momento de escassez, o Estado foi o principal afetado, entrando numa grave crise fiscal. A letra “A” é correta.

A crise fiscal foi o segundo fator a enfraquecer os alicerces do antigo modelo de

Estado. Após ter crescido por décadas, a maioria dos governos não tinha mais como financiar seus déficits. E os problemas fiscais tendiam a se agravar na medida em que se iniciava, sobretudo nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, uma revolta dos

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taxpayers (contribuintes) contra a cobrança de mais tributos, principalmente porque não enxergavam uma relação direta entre o acréscimo de recursos governamentais e

a

melhoria dos serviços públicos. Estava em xeque o consenso social que sustentara

o

Welfare State. A letra “B” é correta.

Os governos estavam, ainda, sobrecarregados de atividades – acumuladas ao longo do pós-guerra –, com muito a fazer e com poucos recursos para cumprir todos os seus compromissos. Além disso, os grupos de pressão, os clientes dos serviços públicos e todos os beneficiários das relações neocorporativas então vigentes não queriam perder o que, para eles, eram conquistas — e que para os neoliberais eram grandes privilégios. O terceiro fator detonador da crise do Estado contemporâneo, portanto, se constituía naquilo que a linguagem da época chamava de situação de ingovernabilidade: os governos estavam inaptos para resolver seus problemas. A letra “E” é correta.

Por fim, a globalização e todas as transformações tecnológicas que transformaram a lógica do setor produtivo também afetaram – e profundamente – o Estado. Na verdade, o enfraquecimento dos governos para controlar os fluxos financeiros e comerciais, somado ao aumento do poder das grandes multinacionais resultou na perda de parcela significativa do poder dos Estados nacionais de ditar políticas macroeconômicas. A letra “D” é correta.

A letra “C” não é citada por Abrucio como um desses fatores. Pelo contrário, ele afirma que o setor privado havia passado por um período de escândalos, como bancarrotas e corrupção, mas mesmo assim havia a crença na sociedade de que o setor privado possuía o modelo ideal de gestão. A letra “C” é errada.

Gabarito: C.

4 Leitura Sugerida

“Burocracia, eficiência e modelos de gestão pública: um ensaio”, de Cecília Vescovi de Aragão:

http://www.bresserpereira.org.br/Documents/MARE/Terceiros-Papers/97-

Arag%C3%A3o,CVescovide48(3).pdf

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Bibliografia

CAMPANTE, Rubens Goyatá. O Patrimonialismo em Faoro e Weber e a Sociologia Brasileira. 2003. Disponível em: www.scielo.br

PEREIRA, Luis Carlos Bresser. Reforma do Estado e Administração Pública Gerencial. Rio de Janeiro: FGV, 2003.

PEREIRA, Luis Carlos Bresser. PRESTES MOTTA, F. C. Introdução à Organização Burocrática. São Paulo: Brasiliense, 2001.

TRICHES, Divanildo. Uma análise de economia política e das atitudes dos grupos de interesse no Mercosul. 2003.

WEBER, M. Economia e Sociedade. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília,

1991.