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Arte Barroca

Apresentação do Tema

A arte barroca vem sendo objeto de estudos de diversas áreas do conhecimento, seja em arte, história, filosofia, ciência social, seja entre outros campos, o que evidencia a abrangência do tema. A intenção deste material é propor um momento de reflexão a respeito de alguns temas intrínsecos ao barroco, bem como aguçar o olhar em relação à estética deste período tão plural. Para o estudo, além de teóricos como Heinrich Wolfflin, Germain Bazin, John Bury, Ronaldo Vainfas, Myrian Andrade, entre outros, utilizaremos também a própria produção artística do período colonial brasileiro exposta no Museu de Arte Sacra de São Paulo. Isto traz vantagens na medida em que podemos analisar esta produção de uma maneira mais didática, vendo as peças separadamente e deslocadas de seu local de origem. Porém traz também algumas limitações, pois devido à pluralidade do tema, o acervo não possibilita a análise completa deste estilo artístico. Em função disso pretendo com este roteiro principalmente discutir o estado de consciência no período barroco e o barroco como exaltação do sagrado. Uma vez que o barroco constitui um dos mais belos registros do Brasil colonial, o conhecimento do tema é de importância ímpar, tanto para a valorização do nosso patrimônio histórico e cultural, quanto para refletirmos o que deste período permanece vivo até hoje em nossa cultura.

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Desenvolvimento Conceitual

O termo “barroco” é utilizado para designar um estilo artístico, literário e musical situado entre o renascimento e o neoclássico, bem como um período cronológico que abrange os séculos XVII e XVIII. Sobre a origem da palavra, o que parece mais aceito entre artistas e teóricos é que o termo era utilizado por joalheiros da Península Ibérica para designar uma pérola irregular o que atribui ao estilo um sentido de imperfeição. Outro sinal de que o termo barroco foi, a princípio, empregado com um sentido depreciativo pode ser encontrado no Dicionário da Academia Francesa que admite, a partir de 1740, o seguinte sentido da palavra: “Diz-se, também, barroco (baroque), em sentido figurado, com referência ao irregular, extravagante, desigual.” Assim, o uso desta palavra para referir-se a uma produção artística a impõe uma apreciação negativa. Isto se dá devido a concepções que tomam a arte clássica como valor absoluto. Será somente o teórico suíço Heinrich Wolfflin que, no século XIX, através de uma análise das características formais da arte do Renascimento e do Barroco, desenvolverá um pensamento que compara ambos os estilos sem fazer juízo de valores. As diferenças entre estes dois estilos ficam muito claras neste trecho de autoria de G. Bazin: “As composições clássicas são simples e claras, cada parte constituinte retém sua independência; possuem uma qualidade estática e estão encerradas em suas fronteiras. Já o artista barroco anseia por mergulhar na multiplicidade de fenômenos, no fluxo das

O autor complementa: “propenso a evasão, o artista barroco

coisas em perpétuo devir

prefere “formas que alçam vôo” às que são estáticas e densas”. Porém, não se deve tentar reduzir este período à bipolaridade clássico versus barroco, pelo motivo de que,

ainda segundo Bazin, “há obras de arte que não podem ser facilmente enquadradas em um ou outro desses conceitos”. Pode-se dizer que o barroco é “o período da civilização ocidental mais rico em variedades de expressão”, como afirma Bazin. Esta variedade de expressões se deu graças a uma intensa troca entre nações no campo intelectual. Esta troca ocorreu principalmente no início do século XVII, época em que Roma era o ponto de maior atração de toda Europa, onde artistas flamengos, holandeses e alemães iam para estudar as obras-primas do Renascimento. Posteriormente também a França se tornaria objeto de considerável interesse intelectual. Estes dois países foram, neste período, centros de propagação do estilo barroco, fornecendo “especialistas” no estilo para outros países. Curioso é que isto não impediu que cada povo criasse formas que mais se ajustassem as

”.

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suas condições particulares, o que resultou no desenvolvimento de variações locais do estilo, gerados graças ao poder de assimilação de quem o recebeu. Tal fato deixa explícita a intensa pluralidade deste estilo. Durante os séculos XVII e XVIII as artes eram utilizadas principalmente pelos três poderes que regiam a sociedade: a igreja, a monarquia e a burguesia. Cada um deles utilizava deste estilo com os objetivos de afirmação e glorificação de si. No contexto religioso, por exemplo, com o Concílio de Trento (século XVI), recomendou-se que a arte sacra fosse clara, simples e compreensível, com um caráter didático. No entanto, a igreja não será somente didática como também se auto-afirmará através das formas plásticas. Isso fez com que a igreja utilizasse métodos plásticos de grande impacto e persuasão. Segundo Weisbach, para atingir este fim, a imagem sacra barroca compõe-se de cinco elementos conceituais: misticismo, ascetismo, heroísmo, erotismo e crueldade. Já a corrente burguesa, para se auto-afirmar, converte seu mundo em tema de obras de arte. Surgem, assim, as representações de paisagens, de cenas de costumes, de naturezas-mortas, de pinturas de vasos de flores, retratos de grupos etc. Não nos ateremos às características específicas de cada região européia e de suas colônias; tendo em vista o escopo deste material, melhor será buscar o que toda esta variedade apresenta em comum. Em uma leitura formal, Ronaldo Vainfas consegue descrever algumas das principais características do estilo barroco:

A exuberância das formas, o gosto pela oposição (como o uso do chiaro e oscuro na pintura), a visão do conjunto como uma composição de elementos distintos a que sempre podem ser justapostos outros (forma aberta), a prevalência da imagem sobre o desenho, a integração em profundidade dos planos da composição, a manipulação de volumes que emprestam certa dimensão arquitetônica as obras.”

Porém, é importante ressaltar que todas essas características podem não se apresentar em uma obra barroca particular, ou mesmo podem aparecer em obras de estilos ou períodos diversos. Daí a dificuldade de se definir formalmente o estilo barroco, esforço que vem sendo substituído por uma visão mais ampla, que o define como uma mentalidade ou estado de consciência, como faz Bazin em seu texto “Barroco Um Estado de Consciência”. Nele, Bazin afirma que em nenhum outro momento a produção artística esteve tão separada das concepções teóricas vigentes, que na época recomendavam o clássico. Até mesmo os artistas acreditavam estar produzindo ao gosto clássico. Com isso, Bazin sugere que “há no inconsciente coletivo destes tempos uma perturbação profunda, devido

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ao obscuro questionamento do sagrado, o sagrado monárquico como o religioso.”. E tal produção artística vem justamente desta exaltação do sagrado, perante a uma sociedade que cada vez mais busca a luz das descobertas científicas. Quanto mais se questiona o sagrado, mais, através das belas-artes, se exalta a fé cristã:

“A arte clássica mostra, a arte barroca demonstra. Dirige-se a homens aos quais é preciso convencer, e fora da Europa, a homens aos quais é preciso converter.” (Bazin)

Foi justamente na Itália onde esta contradição se apresentou mais sensível. O surgimento desses milhares de santuários pelo mundo provém justamente da exaltação do sagrado que “proclamam os direitos inextinguíveis de Deus que a Revolução Francesa vai transformar em um vulgar direito do homem” (Bazin).

Arte Barroca no Brasil

No Brasil, este estilo artístico se estabelece inicialmente em regiões de maior importância econômica para a metrópole. É o nordeste açucareiro, portanto, que apresenta os registros mais antigos. A grande maioria das obras sacras do século XVII

era produzida em oficinas conventuais de Ordens religiosas, particularmente de jesuítas, beneditinos e franciscanos. Estas ordens seguiam padrões estéticos bastante tradicionais, e no geral as imagens têm posturas pouco movimentadas e expressões severas, de acordo com a produção portuguesa da época.

Já no século XVIII, a produção das obras passa para oficinas de artistas leigos, que

trabalhavam para Irmandades e Ordens Terceiras. Isso acarreta em uma regionalização da imaginária, isto é, as imagens produzidas apresentam características particulares em diferentes pontos da colônia. Nota-se, por exemplo, as diferenças entre a produção

baiana e a mineira.

A Bahia se destaca pela grande quantidade de peças produzidas, suprindo a

grande demanda interna da colônia. As peças baianas eram bem aceitas graças à sua alta qualidade técnica, ao refinamento que apresentavam em gestos, à movimentação do panejamento e também à policromia de cores vivas e douramento vibrante. Já Minas Gerais é berço do maior escultor brasileiro do período colonial, Antônio Francisco Lisboa, apelidado de Aleijadinho. Nascido em Ouro Preto, onde atuou durante

toda sua vida, era filho natural de um arquiteto português chamado Manuel Francisco

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Lisboa e de uma de suas escravas africanas. Morreu em 1814 aos 76 anos de idade, tendo exercido grande influência na produção artística mineira, de caráter mais contido que a baiana, mas de grande força de expressão. Na igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto, Aleijadinho apresenta seu magnífico talento arquitetônico e ornamental, mas sua genialidade fica explícita no conjunto escultórico do Santuário de Congonhas do Campo, que reúne 12 estátuas de Profetas em pedra sabão e 64 imagens de Passos da Paixão em madeira, concebidas como uma autêntica cena teatral onde o escultor expressa nuances do sofrimento humano.

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A Visita

Assuntos abordados

O significado da palavra “barroco”Arte Barroca A Visita Assuntos abordados Breve comparação entre arte barroca e renascentista As variações locais

Breve comparação entre arte barroca e renascentistaAssuntos abordados O significado da palavra “barroco” As variações locais do estilo na Europa Aspectos

As variações locais do estilo na EuropaBreve comparação entre arte barroca e renascentista Aspectos conceituais Elementos formais característicos

Aspectos conceituaise renascentista As variações locais do estilo na Europa Elementos formais característicos Estilo barroco como um

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Estilo barroco como um estado de consciência: exaltação do sagradoAspectos conceituais Elementos formais característicos Início da produção artística no Brasil colonial:

Início da produção artística no Brasil colonial: oficinas conventuaiscomo um estado de consciência: exaltação do sagrado Breve contexto histórico do Brasil colonial Oficinas de

Breve contexto histórico do Brasil colonialartística no Brasil colonial: oficinas conventuais Oficinas de artistas leigos: variações regionais do estilo

Oficinas de artistas leigos: variações regionais do estiloInício da produção artística no Brasil colonial: oficinas conventuais Breve contexto histórico do Brasil colonial 6

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Atividades pré-visita

É de grande importância para o bom aproveitamento do estudante em uma visita ao museu, que o professor desenvolva previamente algum tipo de atividade para que ele esteja ciente dos objetivos da visita e venha ao museu motivado. Esta atividade será desenvolvida em três etapas, iniciando com um exercício de leitura de imagem em sala de aula que prepare os estudantes para a vista ao museu. Em seguida ocorre a visita, onde os estudantes entrarão em contato com as características do estilo barroco, formando um conceito sobre o período. Como finalização da atividade será proposta uma atividade de produção artística.

Exercício de leitura de imagem

Esta atividade foi desenvolvida para que os estudantes possam discutir previamente um tema que está diretamente ligado com o tipo de acervo exposto no Museu de Arte Sacra de São Paulo, que é a questão do sagrado. É muito comum que os visitantes ao se depararem com peças de tamanha representatividade para a religião católica, como figuras de Cristo crucificado ou santos mártires, não percebam as diferenças desse espaço museológico, propício para o estudo, das do espaço religioso, propício para a prática da devoção. A meu ver, as obras por terem sido deslocadas de seu espaço original, perdem o seu caráter devocional para podermos analisá-las de maneira científica. Para que os estudantes possam perceber estas diferenças, sugiro que o professor proponha primeiramente uma discussão em sala de aula a respeito do que eles entendem por sagrado. É essencial que neste momento o professor amplie o entendimento deles a respeito do que pode ser considerado sagrado. No dicionário Houaiss de língua portuguesa a palavra sagrado é entendida em um sentido amplo, onde além de ser “relativo ou inerente a Deus, a uma divindade, à religião, ao culto ou aos ritos.”, o sagrado também é entendido como um dever, ou mesmo algo muito estimado, inviolável, em que não se deve tocar ou mexer. Com esta visão, além do sagrado religioso, podemos também associar o sagrado com os ídolos musicais ou de televisão, propagandas, vitrines e objetos de consumo e até mesmo objetos pessoais de grande estima, etc. Com isso, sugiro que o professor peça aos estudantes que busquem uma ou mais imagens ou objetos que melhor represente o que é sagrado para eles, seja o sagrado

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religioso ou não, e que levem à sala de aula para um exercício de leitura de imagem. A busca da imagem é um processo individual e parte de uma grande auto-reflexão, portanto é bom que o professor somente auxilie o estudante com dificuldade e não induza a sua escolha. Este exercício de leitura é essencial para o bom aproveitamento do estudante durante a visita ao museu, pois aguça o olhar e estimula o questionamento sobre as imagens. Nesta etapa é importante que o estudante perceba que a leitura de imagem tem como objetivo a formação de conceito e o desenvolvimento do senso crítico. Este exercício se dará da seguinte forma, os estudantes devem trocar entre eles as imagens para desenvolver a leitura. Neste momento o estudante, a partir de uma análise das características da imagem e de sua interpretação pessoal, formará um conceito a respeito dela. O estudante então irá analisar a imagem buscando explorar diversos níveis de leitura: formal, conceitual e crítica, onde o estudante descreve as características físicas, desenvolve um conceito a partir da imagem e com isso forma uma opinião a partir da leitura. Caso o professor sinta necessidade ele pode auxiliar os estudantes fazendo perguntas, porém este exercício não se resume em responder um questionário, e o estudante precisa desenvolver a capacidade de explorar as imagens em busca de conhecimento. O resultado desta leitura deve ser discutido na sala de aula para que os estudantes possam expor tanto os conceitos formados a partir da leitura quanto suas impressões a respeito do processo de leitura de imagem.

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Atividades pós-visita

Após a visita ao museu, tendo então entrado em contato com as características do estilo barroco, e sabendo que o barroco vem da exaltação do sagrado, o estudante produzirá então um trabalho como síntese dos conceitos desenvolvidos na visita. Esta é uma etapa essencial no desenvolvimento da atividade, pois é o momento em que o estudante consolida o conhecimento adquirido, se expressando artisticamente. O aluno utilizará a imagem selecionada na atividade pré-visita, porém agora fará um exercício de intervenção artística na mesma. Nesta intervenção o estudante pode destacar os elementos que contribuem para a sacralização da imagem, ou então exagerar os elementos que contribuem para a sacralização do seu objeto, ou até mesmo profanar a sua imagem ou objeto. A escolha do tipo de intervenção que será feita fica a critério do estudante, e para auxiliar o seu desempenho seria interessante que o professor produzisse previamente alguns exemplos que serão apresentados em sala de aula. Aqui os materiais e a técnica utilizada podem ser variados: colagem, pintura, desenho etc. O resultado é uma síntese visual do conceito adquirido em todo o processo de aprendizagem. Interessante seria se o professor pudesse organizar uma mostra onde os estudantes tivessem a oportunidade de expor o resultado final do trabalho.

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Referências

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p.

OLIVEIRA, M. A. R. O Rococó Religioso no Brasil e seus antecedentes europeus. 1. Ed.

São Paulo: Cosac & Naify, 2003. 352 p. OLIVEIRA, M. A. R; PEREIRA, S. G; LUZ, A. A; História da Arte no Brasil: Textos de Síntese. 1. Ed. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008. 236 p. TIRAPELI, P. Arte Sacra Colonial: Barroco Memória Viva. 2. Ed. São Paulo: UNESP,

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TRIADO, J. P. Saber ver a Arte Barroca. 1. Ed. São Paulo: Martins Fontes: 1991. 80 p. VAINFAS, R. Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). 1. Ed. Rio de Janeiro: Objetiva,

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