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Instituto Politécnico de Saúde do Norte

Departamento de Análises Clínicas e de Saúde Pública

Paula Raquel da Costa Salgado

Vila Nova de Famalicão

2008

Trabalho apresentado ao curso de Análises Clínicas e de Saúde Pública


do Instituto Politécnico de Saúde – Norte – Escola Superior de Saúde do Vale
do Ave, para a obtenção do grau de Licenciado, sob orientação da Dra. Carla
Silva.

Frequência de sensibilização a alergénios inalantes e alimentares em crianças até aos seis 1


anos
Ficha de catalogação

Salgado, P. (2008). Frequência de sensibilização a alergénios inalantes e


alimentares num grupo de crianças até aos seis anos. Monografia de
Licenciatura. I.P.S.N., Vila Nova de Famalicão.

Palavras-Chave: Alergénios inalantes, Alergénios alimentares, Atopia,


Hipersensibilidade, Crianças.

Frequência de sensibilização a alergénios inalantes e alimentares em crianças até aos seis 1


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Agradecimentos
Pelo seu propósito académico, uma Monografia de Licenciatura é um
trabalho individual, embora hajam contributos de natureza diversa que não
podem nem devem deixar de ser realçados. Por essa razão, desejo expressar
os meus sinceros agradecimentos:

Ao Director da Escola Superior de Saúde do Vale do Ave, Doutor


Almeida Dias e ao Departamento de Análises Clínicas e de Saúde Pública, na
pessoa do Doutor Jorge Proença pela disponibilidade no esclarecimento de
dúvidas.

À Clínica Laboratorial Dr. Edgar Botelho Moniz (Santo Tirso), na pessoa


do Dr. Edgar Botelho Moniz e do Dr. Mário João, médico patologista clínico e
director técnico, pela autorização da recolha de dados essenciais para a
realização deste estudo.

À Dra. Carla Silva, agradeço especialmente, não só pela orientação


deste trabalho, como também pela amizade e disponibilidade.

Frequência de sensibilização a alergénios inalantes e alimentares em crianças até aos seis 1


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Índice Geral
1 Introdução ................................................................................................... 1

2 Enquadramento Conceptual........................................................................ 3

2.1 Conceitos de alergia, hipersensibilidade e atopia ................................ 3

2.2 Mecanismo fisiológico .......................................................................... 4

2.3 Epidemiologia ...................................................................................... 6

2.4 Factores de risco.................................................................................. 7

2.5 Desordens alérgicas mais frequentes: Sinais e Sintomas ................. 12

2.6 Diagnóstico ........................................................................................ 13

2.6.1 História clínica............................................................................. 13

2.6.2 Determinação da sensibilidade por IgE ...................................... 14

2.6.3 Provocação por alergénios ......................................................... 19

2.6.4 Alergénios recombinantes .......................................................... 20

2.7 Tratamento ....................................................................................... 21

2.7.1 Identificação precoce dos lactentes de alto risco para posterior

desenvolvimento de doenças alérgicas....................................... 21

2.7.2 Tratamento específico de alergias .............................................. 21

3 Metodologia............................................................................................... 24

3.1 Tipo de estudo ................................................................................... 24

3.2 Amostra.............................................................................................. 24

3.3 Ética ................................................................................................... 24

3.4 Instrumentos de recolha de dados ..................................................... 25

3.5 Procedimentos Estatísticos................................................................ 25

4 Resultados ................................................................................................ 26

5 Discussão.................................................................................................. 30

6 Conclusão ................................................................................................. 32

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7 Bibliografia ................................................................................................ 33

8 Anexos…...…………………………………………………………………………I

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Índice de figuras

Figura 1: Métodos laboratoriais para rastreio de sensibilidade atópica …………………2

Figura 2: Mecanismos efectores das reacções de hipersensibilidade

dos tipos I, II, III e IV………………………………………………………………..3

Figura 3: Susceptibilidade multifactorial à atopia e alergia………………………………..7

Figura 4: Lanceta utilizada na técnica de Prick test………………………………………15

Figura 5: Aplicador multiteste……………………………………………………………… 15

Figura 6: Reacção pápulo eritematosa……………………………………………………..15

Figura 7: Esquema representativo do principio do método utilizado


no Equipamento ImmunoCAP 250…………………………………………...…17

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Índice de Tabelas
Tabela 1: Distribuição do número de crianças com Phadiatop e

Fx5 positivo segundo a faixa etária……………………………...…….26

Tabela 2: Número de casos distribuídos por classes consoante

o sexo para cada multi-RAST…………………………………………..27

Tabela 3: Concordância entre as determinações de IgE total e


os resultados para o Phadiatop®………………………………………29

Tabela 4: Concordância entre as determinações de IgE total e


os resultados para o Fx5®………………………………………...........29

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Índice de Gráficos
Gráfico I: Gráfico representativo da reacção imediata e tardia resultante
da exposição a alergénios………………………………………………….........5

Gráfico 2: Risco de desenvolver alergia com história familiar de doença alérgica.......8

Gráfico 3: Distribuição dos resultados positivos pelas faixas etárias…………………26

Gráfico 4: Distribuição dos resultados por classes para o Phadiatop ®………………28

Gráfico 5: Distribuição dos resultados por classes para o Fx5 ®………………………28

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Lista de Abreviaturas
DNA - Ácido desoxirribonucleico

GM-CSF - Granulocyte-Macrophage Colony-Stimulating Factor;

HLA - Complexo de Histocompatibilidade principal humano;

IL - Interleucina;

IgA - Imunoglobulina A;

IgE - Imunoglobulina E;

IgG - Imunoglobulina G;

INT-γ - Interferon -γ;

Linfócitos TH 1 - linfócitos T Helper 1;

Linfócitos TH 2 - linfócitos T Helper 2;

MHC - Complexo de histocompatibilidade principal;

RAST - Radioallergosorbent test.

SIDRIA - Italian Studies on Respiratory Disorders in Childhood and the


Environment;

SNS - Sistema Nacional de Saúde;

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Resumo
A patologia alérgica apresenta uma prevalência elevada na idade
pediátrica que, segundo vários estudos internacionais tem subido nos últimos
anos, desencadeando uma intensa procura dos factores de risco, de forma a
permitir estabelecer com maior eficiência medidas preventivas o mais
precocemente possível.

Objectivos: Determinar a frequência de sensibilização a alergénios


inalantes e alimentares, verificar se o género e a idade são variáveis
determinantes na incidência de atopia e estudar a sensibilidade e a
especificidade dos resultados laboratoriais da IgE total.

Metodologia: Foram revistos os processos clínicos dos doentes que


realizaram determinações de IgE específicas aos multi-RAST para alergénios
inalantes e alimentares, durante 2007.

Resultados: A sensibilização aos alergénios inalantes (30%) foi superior


em relação à sensibilização a alergénios alimentares (22%). Verificou-se
também que ambos os sexos são igualmente afectados pela doença alérgica e
que a idade está relacionada com a incidência de atopia. A determinação da
IgE total é um método de rastreio com algumas limitações

Conclusão: Tendo em conta que a amostra foi seleccionada por um


especialista, numa consulta de alergologia, por suspeita de atopia, a frequência
de sensibilizações em crianças até os seis anos foi bastante elevada
comparada com a literatura. Concluiu-se que ambos os sexos são igualmente
afectados pela doença alérgica, e que a percentagem de sensibilizações aos
diferentes alergénios varia ao longo da idade. Constatou-se que a
determinação da IgE total é um método rastreio pouco sensível e com baixa
especificidade.

Palavras-Chave: Alergénios inalantes, Alergénios alimentares, Atopia,


Hipersensibilidade, Crianças.

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Abstract
The allergic pathology presents a predominance lifted up in the paediatric
age that, according to several international studies it has been climbing the last
years, unleashing an intense search of the factors of risk, of form to allow to
establish with bigger efficiency preventive actions it as early as possible.

Objectives: Determine the frequency of sensitization at inhalant and


food allergens, and to check if the type and gender and age they are a
determinative variables in the incidence of atopy. To study the sensibility and
the especificidade of the results laboratoriais of the total IgE.

Methodology: There were revised the clinical processes of the patients


who carried out determinations of specific IgE to the multi-RAST for inhalant
and food allergens, during 2007.

Results: The sensitivity to the inhalants allergens (30 %) was superior


regarding the sensitivity to the food allergens (22 %). One checked also that
both sexes are affected equally by the allergic disease and that the age is
connected with the incidence of atopy. The determination of the total IgE is a
method of track with some limitations.

Conclusion: Take into account that the sample was selected by a


specialist, in a consultation of allergology, by suspicion of atopy, the frequency
of sensitivity in children up to six years was quite elevated compared with the
literature. It was ended that both sexes are affected equally by the allergic
disease, and that the percentage of sensitivity to the different allergens varies
along the age. It was noticed that the determination of the total IgE is a method I
track not much sensitivity and with decrease specificity.

Key-words: inhalants allergens, food allergens, Atopy , Hypersensitivity,


Children.

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1 Introdução
A patologia alérgica apresenta uma prevalência elevada na idade
pediátrica que, segundo vários estudos internacionais tem subido nos últimos
anos. Além disso, constitui uma patologia que implica custos significativos para
o Sistema Nacional de Saúde (SNS). Quer devido à inespecificidade clínica,
quer pela necessidade de uma abordagem terapêutica adequada (medidas de
prevenção, terapêutica hipossensibilizante, etc) (Ramalho et al., 2001).

O aumento significativo da prevalência das doenças alérgicas associado


ao aumento de gastos, com esta patologia, por parte do SNS tem
desencadeado uma intensa procura de factores de risco, que permitam
estabelecer com maior eficiência medidas preventivas o mais precocemente
possível.

Várias hipóteses tentaram explicar o aumento da prevalência de


doenças alérgicas na população mundial. A maior parte dessas hipóteses estão
relacionadas com modificações do estilo de vida, com factores ambientais e
domésticos que interagem com o sistema imune nas primeiras etapas da vida
(Borrego, Terán & Mendoza, 2008).

O estudo da criança alérgica implica frequentemente o recurso a


métodos de estudo alergológico na tentativa de identificação do agente
etiológico sensibilizante (Ramalho et al., 2001).

Os métodos laboratoriais de estudo da criança com alergia, incluem


métodos de rastreio para o diagnóstico de sensibilização a alergenos inalantes,
representado pelo Phadiatop® (composto por oito grupos de
pneumoalergénios) ou alergénios alimentares, representado pelo Fx5®
(composto pelos seis alergénios alimentares de maior relevo na patologia
alérgica da criança) (Fig.1). Incluem ainda métodos de diagnóstico específico
representado “in vitro” pela determinação da Imunoglobulina E (IgE) específica.

A sensibilização precoce do recém-nascido e das crianças atópicas, por


via digestiva ou inalatória, inicia a chamada marcha alérgica, ocasionando
manifestações clínicas da doença em qualquer período da vida. Sendo as
doenças alérgicas poligénicas e as manifestações clínicas dependentes da

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interacção de factores genéticos e ambientais, a forma de impedir o início do


desenvolvimento desta marcha alérgica será a evicção dos factores ambientais
(Ferreira, Coelho & Trindade, 2007).

RASTREIO

Alergia inalante Alergia alimentar

Phadiatop® Fx5®

Gramíneas Ácaros Clara de ovo Trigo


Árvores Pelo de gato Leite Amendoim
Ervas daninhas Caspa de cão Bacalhau Soja
Fungos Caspa de cavalo

Figura 1: Métodos laboratoriais para rastreio de sensibilidade atópica (adaptado de Ramalho et al. 2001).

Desta forma, é essencial identificar as crianças com maior risco de


desenvolver doença alérgica. A existência de história familiar de atopia
associa-se a um risco elevado de desenvolver alergia (50-75%), enquanto que
crianças sem antecedentes familiares têm um risco consideravelmente menor
(15%) (Peacman & Vergani, 1999, p.128).

A presença de anticorpos IgE para alergénios alimentares (clara de ovo


e leite de vaca) no lactente, é factor de previsão para sensibilização a inalantes
e manifestações de alergia até aos 7-10 anos (Host et al., 2003).

Os objectivos deste estudo são os seguintes:

• Avaliação dos resultados laboratoriais do estudo alergológico de uma


população pediátrica, na Clínica Laboratorial Dr. Edgar Botelho Moniz, para
determinação da frequência de sensibilização a alergénios inalantes e
alimentares.

• Verificar se o género e a idade são variáveis determinantes na incidência


de atopia.

• Estudar a sensibilidade e a especificidade dos resultados laboratoriais da


IgE total.

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2 Enquadramento Conceptual

2.1 Conceitos de alergia, hipersensibilidade e atopia

A alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a uma


substância inofensiva ao organismo. Estas reacções exageradas e
inapropriadas são descritas pelo termo reacções de hipersensibilidade (Vander,
Sherman & Luciano, 1998, p.719).

Com base nos mecanismos efectores supostamente envolvidos, a


hipersensibilidade foi originalmente classificada por Gell e Coombs, na década
de 70. Nessa época, vários distúrbios pareciam ajustar-se nitidamente a uma
das quatro categorias estabelecidas (hipersensibilidade do tipo I, II, III, IV) (Fig.
2). Nos anos subsequentes, foi lentamente esclarecida a complexidade da
resposta imunológica em muitas doenças e, hoje em dia, poucas delas são
inseridas nos grupos de Gell e Coombs tal como eram inicialmente. Todavia, a
classificação ainda continua a ser uma directriz útil para os mecanismos
através dos quais surge a imunopatologia e, portanto, serve como base
apropriada para iniciar o estudo da imunologia clínica (Peacman & Vergani,
1999, p.127).

Figura 2: Com base nos mecanismos efectores, as reacções de hipersensibilidade dos tipos I, II, III são
desencadeadas por anticorpos, enquanto as reacções do tipo IV são desencadeadas por células T
efectoras (Adptado de Fireman, 2006).

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A hipersensibilidade do tipo I é a única entre as referidas reacções que


define um mecanismo patogénico subjacente a um grupo de doenças com
base demográfica, genética e ambiental semelhante, cujo controle é obtido
através de uma estratégia terapêutica análoga. Assim este tipo de
hipersensibilidade assume um papel central dentro do grupo de distúrbios
denominados “alérgicos” (Peacman & Vergani, 1999, p.127).

Atopia consiste na predisposição genética de produzir IgE após


exposição a alergénios. Os indivíduos atópicos têm níveis de IgE totais mais
elevados na circulação, e níveis mais elevados de eosinófilos que indivíduos
não atópicos (Janeway, Travers, Walport & Capra, 2000, p.466).

2.2 Mecanismo fisiológico

Uma das funções do sistema imunológico é proteger o indivíduo contra


agentes infecciosos. No entanto, o funcionamento inadequado deste sistema
pode ser causa de doenças, como as alergias e as doenças auto-imunes. O
sistema imunológico actua por meio de dois padrões de resposta imune
adquirida: a resposta imune mediada por linfócitos T auxiliares do tipo 1 (T
helper 1, TH1), e a resposta imune do tipo 2 (T helper 2, TH2). A resposta imune
TH1 ocorre na reacção às infecções virais e bacterianas e nas doenças auto-
imunes. A resposta imune TH2 ocorre, principalmente, nas doenças alérgicas,
como a asma, a rinite e o eczema (Roitt & Delves, 2005).

Na resposta imune TH2, os antigénios de alergénios estimulam os


linfócitos T a produzir citocinas, como a interleucina 4 (IL-4) e a interleucina 5
(IL-5). A IL-4 induz os linfócitos B a produzir IgE e a IL-5 atrai e activa os
eosinófilos. A eosinofilia e o aumento sérico de IgE são características da
resposta imune TH2. Uma parte da IgE produzida durante a resposta imune TH2
é antigénio-específica. Quando a IgE específica se liga a receptores de alta
afinidade na superfície de mastócitos e basófilos, ela deixa o sistema imune
preparado para reacções alérgicas a futuras exposições ao alergénio. A
resposta imune TH2 é reforçada sempre que o antigénio se liga à IgE específica
na superfície dos mastócitos, que desgranulam, libertando mediadores da

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reacção alérgica imediata (histamina, prostaglandinas, leucotrienos) e também


citocinas pró-inflamatórias (IL-4, IL-13) (Ponte, Rizzo & Cruz, 2007).

Os mediadores libertados iniciam a chamada fase imediata provocando


vasodilatação, permeabilidade capilar, desgranulação dos mastócitos, edema
local, iniciada 5-15 minutos até 30 minutos, geralmente após exposição do
indivíduo sensibilizado ao alergénio específico. A Fase Tardia, iniciada 4-6
horas depois da exposição podendo agir por 24 horas (Gráfico 1), é
caracterizada por infiltração de eosinófilos, basófilos, neutrófilos, monócitos,
células T, podendo haver dano tecidual (Fireman, 2006).

A activação disseminada dos mastócitos causa um aumento


generalizado na permeabilidade vascular, levando a uma queda dramática da
pressão arterial, constrição das vias aéreas e edema da epiglote que pode
causar sufocação, esta condição é denominada de choque anafilático
(Janeway et al., 2000, p.473).

Gráfico 1: Gráfico representativo da reacção imediata e tardia resultante da exposição a


alergénios. Fase Imediata: inicia-se 5-15 minutos até 30 minutos, geralmente após
exposição do indivíduo sensibilizado ao alergénio específico; Fase Tardia: iniciada 4-6
horas depois da exposição podendo agir por 24 horas (Adaptado de Fireman, 2006).

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2.3 Epidemiologia

Nos últimos anos, principalmente desde os anos 80 observou-se um


aumento significativo da incidência e prevalência das doenças alérgicas,
especialmente asma, rinite alérgica e dermatite atópica. Assim, prevê-se que
no mundo industrializado mais de 25% de todas as crianças tenham alguma
forma de problema alérgico (Borrego et al, 2008).

A alergia alimentar é, frequentemente, a primeira manifestação de


doença alérgica. Na infância, a sensibilização desenvolve-se progressivamente
de acordo com a exposição, sendo os alimentos as primeiras substâncias
estranhas às quais a criança poderá desenvolver alergia na denominada
marcha alérgica. Contudo, a maioria das crianças com alergia alimentar
adquire tolerância até à idade escolar. Embora mais frequente na infância, a
alergia alimentar pode surgir em qualquer idade. Estima-se que nos países
mais desenvolvidos a prevalência aproximada de alergia alimentar seja de 6-
8% nas crianças e de 2-3% nos adultos (Camargos, Rodrigues, Solé &
Scheinmann, 2002).

A alergia respiratória, particularmente as formas de asma e rinite,


tradicionalmente menos frequentes na primeira infância, têm vindo a apresentar
uma tendência a manifestarem-se cada vez mais precocemente, podendo
surgir em qualquer idade. Diversos estudos epidemiológicos têm evidenciado a
associação frequente de asma e rinite. A literatura dá conta de que 28-50% dos
asmáticos têm rinite alérgica associada, enquanto que rinite alérgica isolada é
encontrada em 20% da população geral. Por outro lado, 13-38% dos pacientes
com rinite alérgica apresentam asma. Actualmente, estima-se que mais de 25%
da população portuguesa tem rinite e cerca de 10% tem asma (Camargos et al,
2002).

Na literatura está referido que ambos os sexos são igualmente afectados


e que a doença alérgica é responsável por até um terço das ausências na
escola devido a doença crónica (Peacman & Vergani, 1999, p.131).

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2.4 Factores de risco

Face aos dados epidemiológicos, anteriormente apresentados, que


revelam uma considerável prevalência de alergia na população mundial,
especialmente na idade pediátrica, torna-se necessário conhecer quais os
factores de risco associados à doença, no sentido de preveni-la, diminuindo a
exposição aos factores que a originam, ou tratá-la, minimizando os seus
sintomas quando já está instalada.

A manifestação de atopia ou alergia clínica num indivíduo é resultado da


interacção de múltiplos factores (Fig. 3).

Atopia/Alergia

Genética Exposição Ambiente


alergénios Infecções
História Familiar Idade Tabaco
Intensidade Stress
Cronicidade Poluição
Duração

Figura 3: Susceptibilidade multifactorial à atopia e alergia (adaptado de Peacman & Vergani, 1999,
p.129).

Os factores de risco são as características que tornam um indivíduo


sensível ao desenvolvimento de alergia e são classificados em três grupos: os
inerentes ao paciente, os relacionados com o ambiente e os relacionados com
a exposição do paciente ao alergénio.

Entre os factores inerentes ao paciente, o mais relevante corresponde


a factores genéticos. Assim, a tendência exagerada para produzir IgE a uma
ampla variedade de alergénios ambientais comuns, parece ser influenciada por
vários loci genéticos. Estudos de famílias atópicas sugerem loci nos
cromossomas 11q e 5q, que podem ser importantes para determinar a
presença de atopia, e possíveis genes que podem afectar as respostas de IgE
são encontrados nessas regiões. O possível gene no cromossoma 11 codifica
a subunidade β do receptor de IgE de alta afinidade, enquanto no cromossoma
5 existe um grupo de genes intimamente ligados que inclui aqueles para a IL-3,
IL-4, IL-5, IL-9, IL-13 e GM-CSF. Essas citocinas são importantes na mudança

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de isótipo para IgE, sobrevida dos eosinófilos e proliferação dos mastócitos.


Em particular, existe uma variação genética na região promotora do gene IL-4
associada com níveis elevados de IgE em indivíduos atópicos, porém, ainda é
muito cedo para saber se esse polimorfismo é importante na genética
complexa da atopia (Janeway et al., 2000, p.466).

Um segundo tipo de variação hereditária nas respostas de IgE está


ligado à região do complexo de histocompatibilidade principal (MHC) de classe
II, e afecta as respostas a alergénios específicos. Muitos estudos mostraram
que a produção específica de IgE a alergénios individuais está associada a
alelos do complexo de histocompatibilidade principal humano (HLA) de classe II
específicos, implicando que combinações específicas de MHC-peptídeo podem
favorecer uma forte resposta TH2. Assim, muitos indivíduos são geralmente
predispostos a produzir respostas TH2 e especificamente predispostos a
responder a alguns alergénios mais do que a outros. Porém, as alergias a
drogas comuns como a penicilina não mostraram associação com MHC de
classe II ou com a presença ou ausência de atopia (Janeway et al., 2000,
p.466).

Segundo vários estudos internacionais, existência de história familiar de


atopia associa-se a um risco elevado de desenvolver alergia. Desta forma, o
gráfico 2 mostra essa relação.
% de crianças com doença alérgica

60
50
40
30
20
10
0
Nenhum Um Ambos

Pais com história de doença alérgica

Gráfico 2: Risco de desenvolver alergia com história familiar de doença alérgica (adaptado de
Fireman, 2006).

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Embora os riscos familiares anteriormente definidos representem uma


percentagem considerável na susceptibilidade de desenvolver alergia, os
factores ambientais desempenham claramente um papel muito importante.

Assim, quanto aos factores de risco provocados pela exposição


ambiental é de salientar os seguintes:

→ Poluição – a poluição é uma causa importante de sintomas


respiratórios tanto em indivíduos atópicos como não atópicos. O grau de
poluição, em particular causado por motores de combustão e produzido em
edifícios, associou-se com uma maior prevalência de doenças alérgicas nos
países industrializados (Borrego et al, 2008).

→ Variações sazonais – A manifestação de alguns sintomas, num


determinado período do ano, caracteriza as chamadas alergias sazonais. Com
a chegada da Primavera aumenta a permanência em ambientes exteriores e,
particularmente, a prática de actividades lúdicas e desportivas ao ar livre. As
condições climáticas, propícias ao florescimento de muitas plantas, favorecem
a libertação de grande quantidade de grãos de pólen, capazes de sensibilizar
indivíduos atópicos ou desencadear a ocorrência de sintomas em doentes
alérgicos, previamente sensibilizados (González, Victora & Gonçalves, 2008).

Em concordância com o período principal de polinização as plantas


alergizantes incluem-se, fundamentalmente, em 3 grandes grupos: gramíneas
que polinizam fundamentalmente na Primavera e início do Verão; outras ervas
e arbustos com polinização durante todo o Verão e início do Outono; árvores
com período de polinização predominante no final do Inverno e início da
Primavera. Assim, embora a Primavera seja a estação do ano em que,
habitualmente, se verificam as maiores contagens de pólenes, podemos
encontrar doentes com manifestações de alergia a pólenes em várias épocas
do ano. Para além da estação do ano, a área geográfica será determinante no
tipo de alergia a pólenes (Strachan & Sanders, 1989).

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→ Condições sócio-económicas – Stewart et al, em 2001, conclui que


o desenvolvimento económico de um país está relacionado com a prevalência
de alergias.

De modo inverso, em 1997, o SIDRIA (Italian Studies on Respiratory


Disorders in Childhood and the Environment), propôs que o progresso
socioeconómico não influi no desenvolvimento de doenças alérgicas, e que até
promove o diagnóstico e tratamento dessas desordens.

Por isso, factores associados como fumar, nível educativo, adopção de


medidas preventivas, acessibilidade a cuidados de saúde e factores culturais
serão os verdadeiros elementos que influenciam na prevalência dessas
doenças (Mercer et al, 2004).

→ Tabaco – as crianças expostas ao fumo de tabaco têm maior


incidência de asma, sibilância, tosse, bronquite, pneumonia e alterações da
função pulmonar. O fumo materno durante e depois da gravidez promove a
sensibilização e o desenvolvimento de asma e, alguns autores, consideram
que este é o principal factor de risco para o desenvolvimento de sibilância no
lactente e de asma não atópica (Borrego et al, 2008; Strachan, Jarvis &
Feyerabend, 1989).

→ Infecções – infecções leves em idades precoces favorecem a


actividade dos linfócitos TH1, que estimulam a resposta inflamatória mediada
por IgA, IgG e INT-γ. Processo inflamatório que origina modulação imunológica
e protege contra o desenvolvimento de doenças alérgicas (Johnson et al,
2002).

As infecções respiratórias severas, especialmente em indivíduos


atópicos, estimulam a actividade dos linfócitos TH2 e de diversos mediadores
inflamatórios. Os processos inflamatórios envolvendo linfócitos TH2 são
similares aos das doenças atópicas (asma, dermatite e rinite alérgica)
(González, Victora & Gonçalves, 2008; Johnson et al, 2002).

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Uma resposta TH2 exagerada aumenta a sensibilização do sistema


imune e facilita o desenvolvimento de alergias. O aparecimento posterior de
asma e de outras doenças alérgicas depende do equilíbrio das respostas
inflamatórias TH1:TH2, especialmente no primeiro ano de vida. O risco elevado
de hospitalizações por asma entre os nascidos nos meses que precedem o
Inverno indica que a resposta inflamatória predominante foi TH2, ocasionada
pelas infecções respiratórias severas, e não o mecanismo protector TH1 das
infecções leves nos meses frios (González et al, 2008).

→ Stress – o stress é um factor de risco para o desenvolvimento de


alergia, induzindo alterações nos mecanismos de regulação neuroimmune que
modulam a resposta de hipersensibilidade. Estas alterações ocorrem,
geralmente, ao nível do sistema hipotálamo-hipófise (com diminuição de
cortisol e aumento de de citocinas inflamatórias e de hormonas imuno
estimulantes) (Borrego et al, 2008).

As evidências encontradas nos vários estudos analisados em relação


aos factores de risco relacionados com o ambiente, não podem ser
generalizadas, por se verificar diferenças nas regiões geográficas com
características ambientais e/ou socioeconómicas distintas. No entanto, os
actuais resultados contribuem para ajudar na compreensão das influências do
meio ambiente em etapas precoces da vida no processo saúde-doença.

Quanto aos factores relacionados com a exposição do paciente aos


alergénios, vários estudos realizados concluíram que a exposição persistente
a elevadas concentrações de aeroalergénios em etapas precoces da vida
ocasiona maior sensibilização do sistema imune e risco de desenvolver asma
nas etapas posteriores.

Por outro lado, a teoria da higiene postula que o aumento de


prevalência das doenças alérgicas está relacionado com uma redução na
exposição a agentes infecciosos no inicio da vida, característica das
populações civilizadas, favorecendo o sistema imunológico a activar mais

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linfócitos TH2, em contraposição à produção de TH1, envolvidos no combate a


infecções, promovendo um estado de alergia exacerbado (Borrego et al, 2008).

Em 2007, Arshad et al, concluiu que evitar a exposição a alergénios em


crianças com alto risco de desenvolver alergia tem efeito benéfico. Ao
contrário, para crianças que não se enquadrem nessa categoria, expô-las a
alergénios na infância parece ter efeito protector.

2.5 Desordens alérgicas mais frequentes: Sinais e Sintomas

A inalação é a via mais comum de entrada de alergénios. Muitas pessoas


têm alergias leves a alergénios inalados, como espirros e corrimento nasal.
Esta situação é denominada de rinite alérgica, e resulta da activação dos
mastócitos sob o epitélio nasal por alergénios que se difundem pela membrana
mucosa das fossas nasais. A rinite alérgica é caracterizada por edema local,
levando à obstrução nasal, corrimento nasal tipicamente rico em eosinófilos e
irritação do nariz por libertação de histamina (Janeway et al., 2000, p.475).

Uma reacção similar a alergénios transportados no ar depositados na


conjuntiva do olho é denominada de conjuntivite alérgica.

Uma patologia mais séria é a asma alérgica, que é desencadeada pela


activação dos mastócitos submucosos nas vias aéreas inferiores induzidas por
alergénios. Em segundos ocorre a constrição brônquica e aumento da
secreção de muco, tornando a respiração mais difícil ao aprisionar o ar inalado
nos pulmões. Os pacientes com asma frequentemente necessitam de
tratamento, e as crises asmáticas podem apresentar risco de vida. Uma
característica importante da asma é a inflamação crónica das vias aéreas, que
é caracterizada pela presença continuada de um grande número de linfócitos
TH2, eosinófilos, neutrófilos e outros leucócitos (Camargos et al, 2002).

Embora a asma alérgica seja inicialmente estimulada por um alergénio


especifico, a inflamação crónica subsequente parece manter-se mesmo na
ausência aparente de exposição posterior ao alergénio, e outros factores que
não a reexposição ao antigénio podem desencadear novas crises asmáticas

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(hiper-responsividade das vias aéreas), como por exemplo, fumo de tabaco,


químicos ambientais e dióxido de enxofre, entre outros (Camargos et al, 2002).

Quando um alergénio é ingerido, são observados dois tipos de respostas


alérgicas. A activação dos mastócitos associados ao trato gastrointestinal pode
levar à perda de líquido transepitelial e contracção do músculo liso, gerando
vómitos e diarreia. Por razões ainda não compreendidas, os mastócitos do
tecido conjuntivo nas camadas mais profundas da pele também são activados,
presumivelmente pela ligação de anticorpos IgE ao alergénio ingerido e
absorvido levado pelo sangue, resultando em urticária. Essa é uma reacção
semelhante quando a penicilina é ingerida por um paciente com anticorpos IgE
específicos para a penicilina (Janeway et al., 2000, p.475).

2.6 Diagnóstico

O diagnóstico de alergia baseia-se na realização de um estudo


alergológico o mais exacto possível, que inclui os seguintes elementos:

• História clínica

• Determinação da sensibilização por IgE

Þ Prova de picada cutânea (“Skin Prick Test” - SPT)

Þ IgE total e específica no soro

• Provocação por alergénios

Þ Alergia alimentar

Þ Alergia a inalantes

• Alergénios recombinantes: perspectiva de futuro

2.6.1 História clínica

Deve fazer-se uma história pormenorizada, incluindo a frequência e


gravidade da sintomatologia, hereditariedade atópica, factores ambientais
(condições de habitação, ambiente escolar e de lazer), exposição a animais

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domésticos e fumo de tabaco etc. Deve registar-se a relação entre a exposição


a alergénios e factores ambientais, incluindo variações sazonais e diurnas.
Pode ser útil utilizar questionários padronizados (Fireman, 2006).

Em geral, o diagnóstico de doença alérgica é estabelecido durante esta


fase. No entanto, estudos recentes têm apontado índices de falsos positivos de
até 22,6% quando se utilizam apenas dados de história clínica para o
diagnóstico de doenças alérgicas (Williams, Siegel & Portnoy, 2001; Naspitz et
al, 2004).

2.6.2 Determinação da sensibilidade por IgE

2.6.2.1 Provas de picada cutânea

Devem utilizar-se extractos e métodos padronizados. Quando se


investiga a alergia alimentar, pode ser útil a utilização de material de alimentos
fresco e o método de picada - picada (“prick – prick”). Não existe limite mínimo
de idade para a realização das provas cutâneas por picada. Antigamente,
recomendava-se, erradamente, uma idade mínima de 3 anos (Host et al, 2003).

Para a execução prática, devem seguir-se as orientações estabelecidas


para as provas de picada cutânea. Assim, o procedimento básico implica a
introdução cutânea de uma solução aquosa de antigénio através de uma
lanceta (Fig.4) ou de um aplicador multiteste (Fig.5). Um diâmetro médio da
pápula pelo menos 3 mm acima do testemunho negativo define uma reacção
positiva (Fig.6).

O número de crianças consideradas sensibilizadas é maior com o


aumento da potência do extracto e da pressão aplicada na lanceta. O painel de
alergénios para as provas cutâneas depende da idade da criança e da história
clínica, e varia consoante as regiões (Host et al, 2003).

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Figura 4 : Lanceta usada para Figura 5: Aplicador multiteste (adaptado de


levantar e quebrar a pele na técnica Fireman, 2006).
de Prick test (adaptado de Fireman, 2006).

Figura 6: Reacção pápulo eritematosa a grãos de pólen de um doente


com rinite alérgica, típica do verão (adaptado de Fireman, 2006).

Limitações das provas cutâneas:

Não devem ser efectuadas em caso de eczema activo no local de teste


(habitualmente a face anterior do antebraço) ou em caso de tratamento local
com corticóides ou pomadas imunomoduladoras.

A utilização de anti-histamínicos deve ser evitada pelo menos 3 dias


antes da realização das provas cutâneas.

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2.6.2.2 Determinação da IgE sérica

IgE total: A determinação da IgE sérica total pode apoiar o diagnóstico


de alergia, sobretudo quando superior a 200-300 kU/L. Dado a baixa
concentração da IgE no soro (cerca de 40 µg/L em comparação com os 1200
mg/L de IgG), o seu doseamento necessita de técnicas muito sensíveis, como
o radio-imunoensaio ou métodos imunoenzimáticos. No entanto, a grande
amplitude dos valores normais de IgE na população e, particularmente, nas
crianças torna a sua valorização clínica muito difícil. Por outro lado, alguns
parasitas com ciclo extra-intestinal, como o Ascaris e o Toxocara canis, podem
elevar a IgE total. Na doença alérgica a elevação da IgE sérica está geralmente
relacionada com a extensão do tecido de choque envolvido (pele e/ou
mucosas), pelo que o envolvimento ocular isolado raramente se acompanha de
elevação da IgE. Porém, uma IgE total “normal” não exclui alergia específica.

IgE específica: O doseamento da IgE específica deve ser efectuado por


métodos validados, e pode realizar-se em qualquer idade. Os testes de IgE
específica quantitativos apresentam elevada fiabilidade, ou seja, os resultados
positivos demonstram a presença de IgE, específica para o alergénio ensaiado.
A especificidade e sensibilidade estão dentro do intervalo de 85-95%. Por
conseguinte, a IgE específica revela sensibilização a alergénios suspeitos,
sendo uma ajuda útil no diagnóstico de alergia, dado que só os indivíduos
sensibilizados podem desenvolver doença alérgica mediada por IgE. À
semelhança das provas cutâneas, deve tomar-se em consideração a história
clínica e utilizar-se as mesmas indicações do teste de “prick”. Os imunoensaios
(testes de IgE) e testes de picada cutânea são úteis, e os resultados são
parcialmente intermutáveis. Na prática, pode utilizar-se qualquer um destes
testes, em combinação com uma história clínica pormenorizada. Em caso de
discordância entre a história clínica e o SPT ou teste de IgE específica, deve
ser realizada uma investigação adicional com determinação de IgE específica
no primeiro caso ou provas cutâneas no segundo, para melhor documentação
de possível alergia clínica associada a IgE (Host et al, 2003).

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No ImmunoCap 250
é efectuado o estudo
alergológico através do
doseamento das IgE espe-
íficas para um vasto painel
de alergénios, utilizando
como metodologia o
Ensaio Imunoenzimático de
Fluorescência (FPIA)
(Fig.7).

A reacção produz
fluorescência directamente
proporcional à quantidade
de IgE total ou específica
existente na amostra.

Figura 7: Esquema representativo do principio do método utilizado no Equipamento


ImmunoCAP 250 (adaptado de Fireman, 2006).

O princípio do Radioallergosorbent test (RAST) consiste na incubação


do soro do doente com uma fase sólida – disco de papel (na técnica de RAST
original), polímero de celulose, esfera de polestireno ou magnética – à qual foi
ligada o alergénio em causa; após a incubação, a fase sólida é lavada
eliminando a IgE não-específica. A fase sólida é incubada seguidamente com
um anticorpo anti-IgE (policlonal ou monoclonal) marcado com um isótopo (no
RAST original) ou uma enzima e, após nova incubação, o anti-IgE que não se
ligou é removido por lavagem, medindo-se a quantidade de IgE ligada. Os
resultados podem ser expressos em classes, que indicam a ausência (classe 0)
ou presença significativa e em quantidades crescentes (classes 2 a 6) de IgE
específica para o alergénio em causa.

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Mais recentemente o CAP system® utiliza um novo tipo de fase sólida


com maior capacidade de ligação do antigénio, sendo os resultados expressos
em kUA/L, por referência a uma curva de calibração com uma amostra-padrão
de IgE. Habitualmente, resultados superiores à classe 2 (> 3,5 kUA/L) são
considerados como significativos de sensibilização alérgica.

.........Apesar da sua boa especificidade, na prática o RAST tem-se revelado


menos sensível que os testes cutâneos e, sobretudo, mais dispendioso,
particularmente para diagnosticar múltiplas sensibilizações. As suas principais
indicações são as que contra-indicam os testes cutâneos e as discrepâncias
entre estes e a história clínica.

Para precaver a pouca sensibilidade e especificidade da IgE total, à


menor disponibilidade prática dos testes cutâneos e ao custo da realização de
múltiplas determinações de IgE específica, foram, mais recentemente,
desenvolvidos métodos in vitro de rastreio de alergia respiratória, para uso na
prática clínica fora de centros especializados. O seu princípio é semelhante ao
do RAST utilizando múltiplos alergénios ligados à mesma fase sólida –
misturas de alergénio.

Vantagens dos sistemas “in vitro”

o Não é necessário jejum;

o Com apenas uma pequena amostra de soro podem ser testados


vários tipos de alergénios em simultâneo;

o Não sofre interferências de medicamentos, como Anti-histaminicos;

o Não há risco de reacções alérgicas severas, ocasionais em testes


cutâneos.

o Usado como complementação dos testes cutâneos, especialmente


quando há suspeita de alergénios pouco comuns ou quando o
resultado do teste cutâneo é duvidoso.

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2.6.3 Provocação por alergénios

Alergia alimentar: o diagnóstico de alergia alimentar não se pode


basear apenas na história clínica combinada com provas cutâneas e/ou
determinação de IgE específica.

Em caso de concordância total entre a história clínica (reacções


sistémicas graves relacionadas com a exposição repetida ao alergénio) e os
resultados da IgE específica ou das provas cutâneas, não há qualquer razão
para recorrer à provocação por alergénios. De uma forma geral, o diagnóstico
tem que se basear na eliminação e provocação por alimentos controlados. O
período de eliminação dura em regra 1 a 4 semanas, dependendo da
sintomatologia, devendo eliminar ou pelo menos reduzir significativamente os
sintomas. Não são fiáveis as informações prestadas exclusivamente pelos pais,
sem confirmação. A utilidade dos doseamentos de IgE específicas para
alimentos na previsão de alergia sintomática aos alimentos foi investigada em
estudos recentes. Na criança jovem com suspeita de alergia ao leite de vaca,
uma prova cutânea por picada negativa excluiu alergia ao leite em 97% dos
doentes, tendo-se encontrado um valor preditivo positivo elevado (90%) para
níveis de IgE específica ≥ 2,5 kUA/L. Na criança jovem com alergia ao ovo, os
melhores factores de previsão de alergia persistente foram sintomas com a
ingestão do ovo, a seguir, a dimensão da pápula na prova cutânea por picada e
também o nível IgE específica na criança com sintomas cutâneos exclusivos
(Host et al, 2003).

Alergia a inalantes: Em caso de concordância total entre a história


clínica (sintomas relacionados com a exposição ao alergénio) e os resultados
da IgE específica ou das provas cutâneas, não há motivo para se proceder à
provocação por alergénios no órgão alvo. Em situações duvidosas e em caso
de sintomas persistentes e/ou suspeita de reacção a alergénios presentes no
ambiente, estas provocações podem revelar-se úteis e necessárias,
especialmente antes da instituição de um tratamento específico para a alergia
como, por exemplo, imunoterapia com alergénios (Host et al, 2003).

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Ô Embora uma prova cutânea positiva e/ou uma IgE sérica


específica positiva indiquem que determinado indivíduo produz IgE específica
para um determinado antigénio, estes resultados não provam que a exposição
a esse alergénio provoque sintomas alérgicos clinicamente significativos.
Teoricamente, apenas a provocação controlada é capaz de confirmar a relação
de causa-efeito entre a exposição ao alergénio e os sintomas clínicos. No
entanto, no dia a dia, é habitual aceitar como prova suficiente de etiologia
alérgica de uma doença, a combinação de uma história clínica sugestiva com
provas cutâneas positivas e/ou a presença no soro de IgE específica para
alergénios ambientais relevantes. Quanto mais elevado for o título de
anticorpos IgE específicos, mais forte é a associação com a doença clínica. As
provas cutâneas e os testes in vitro diferem na sua capacidade para detectar
sensibilização, dependendo da qualidade do extracto utilizado e dos limites
técnicos de detecção do teste. Os doentes referenciados a especialistas são
frequentemente seleccionados no que se refere a prevalência das
sensibilizações, sensibilizações múltiplas e sintomas clínicos. Na prática clínica
geral encontram-se muitas crianças com sensibilizações isoladas de baixo grau
mas sem alergia clínica, pelo que estas respostas imunológicas ligeiras devem
ser pouco valorizadas. Por conseguinte, a relevância clínica dos valores baixos
de IgE específica é frequentemente limitada.

2.6.4 Alergénios recombinantes

As doenças alérgicas são actualmente uma patologia de prevalência


crescente e um motivo frequente de avaliação laboratorial. A quantificação da
IgE sérica e a determinação da sua especificidade é hoje um elemento fulcral
na resolução de quadros clínicos complexos, que podem incluir manifestações
cutâneas, respiratórias, digestivas e, até, de anafilaxia.

As provas alergológicas de diagnóstico baseiam-se em extractos obtidos


de fontes naturais de alergénios, geralmente misturas complexas de alergénios
e outras proteínas, ácidos nucleicos e componentes não alérgicos. Nos últimos
anos, mediante tecnologia de DNA recombinante, é possível obter uma grande
diversidade de alergénios recombinantes, homogéneos e de qualidade

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constante. A sua utilização progressiva em diferentes imuno-ensaios, permite


identificar com precisão a ligação da IgE a componentes específicos dos
alergénios, tornando-se um auxiliar precioso na identificação da verdadeira
sensibilização alergénica do doente e, muitas vezes, a chave diagnostica de
um quadro clínico-laboratorial complexo.

2.7 Tratamento
O estudo alergológico constitui um pré-requisito muito importante para o
tratamento específico da alergia, no que diz respeito a:

2.7.1 Identificação precoce dos lactentes de alto risco para


posterior desenvolvimento de doenças alérgicas

Os lactentes que desenvolvem precocemente sensibilização por IgE às


proteínas do leite de vaca ou do ovo ou que manifestam sensibilização precoce
a inalantes, estão em maior risco de vir a desenvolver doenças alérgicas mais
tarde. A identificação precoce de crianças com alergia aos alimentos e
dermatite atópica pode oferecer uma oportunidade para prevenir o
desenvolvimento de asma. Alguns estudos sugerem que a intervenção
farmacológica com anti-histamínicos H1 pode diminuir o aparecimento de
sibilância em crianças jovens com dermatite atópica. Todavia, estes estudos
necessitam de ser confirmados (Host et al, 2003)

2.7.2 Tratamento específico de alergias

• Medidas específicas para evicção de alergénios

• Terapêutica farmacológica relevante

• Imunoterapia específica com alergénios

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2.7.2.1 Medidas específicas para evicção de alergénios

Evitar a exposição aos alergénios relevantes é uma forma lógica de


tratar as doenças alérgicas, por exemplo, na asma alérgica quando o alergénio
responsável está identificado e a sua evicção eficaz é possível. A evicção de
alergénios em ambiente de montanha, melhora a função pulmonar e normaliza
os marcadores de inflamação nas crianças com asma alérgica. Estudos
aleatórios e controlados mostraram que as medidas de evicção de alergénios
(especialmente dos ácaros do pó da casa) são eficazes tanto na redução do
nível de alergénios como na melhoria do controlo da doença, por exemplo ao
reduzir a necessidade de terapêutica farmacológica. A evicção completa dos
alergénios dos animais domésticos é impossível, dado que estes alergénios
estão omnipresentes e podem ser encontrados em muitos ambientes fora da
casa. A retirada destes animais de casa é importante. Quando os doentes com
alergia a animais domésticos continuam a mantê-los em casa, poderão
considerar-se medidas de redução da exposição. Todavia, a eficácia clínica
destas medidas continua por provar, existindo muitos dados contraditórios a
este respeito.

2.7.2.2 Terapêutica farmacológica relevante

O diagnóstico específico de alergia é também essencial para a


instituição de uma terapêutica anti-alérgica adequada, por exemplo no caso de
rinite alérgica e conjuntivite, reacções alérgicas da pele e outros sintomas
específicos de alergia.

2.7.2.3 Imunoterapia específica com alergénios

A imunoterapia específica demonstrou, em muitos estudos, constituir um


tratamento eficaz para doentes com rinite alérgica e conjuntivite. Várias meta-
análises mostram que o uso de vacinas para a alergia pode reduzir os sintomas
de asma comparativamente com placebo. Existe uma melhoria clínica precoce
e redução marcada da reactividade cutânea e dos órgãos de choque. Entre os

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efeitos imunológicos precoces conta-se, por exemplo, um aumento da IL-10


com anergia de linfócitos T e redução da libertação específica de histamina
pelos basófilos. O principal efeito imunológico a longo prazo consiste num
desvio do perfil de citocinas induzidas por alergénios de um padrão do tipo TH2
para um padrão do tipo TH1. A vacinação para a alergia representa uma
potencial estratégia de intervenção precoce. A imunoterapia com alergénios por
injecções subcutâneas revelou-se eficaz na asma alérgica, em ensaios
aleatórios controlados e, efectuados com extractos de ácaros do pó da casa,
pólenes e pêlos de animais (gato). Foi documentada uma redução significativa
dos sintomas de asma e da necessidade de medicação, bem como uma
redução da hiperreactividade das vias aéreas, quer inespecífica quer específica
aos alergénios. Um estudo recente, constatou que um tratamento de 3 anos
com vacinas de extractos polínicos a crianças com rinite alérgica sazonal
isolada, levou a uma menor incidência de asma nessas crianças
comparativamente com um grupo testemunha paralelo não tratado, por outro
lado, a imunoterapia com alergénios pode prevenir novas sensibilizações. Em
doses elevadas documentadas, a imunoterapia por via sublingual/oral revelou-
se eficaz nalguns estudos controlados por placebo em dupla ocultação em
doentes com rinite alérgica a pólen de bétula, pólen de gramíneas, pólen de
parietária e ácaros do pó da casa. Num estudo efectuado, a imunoterapia por
via sublingual/oral revelou-se ligeiramente menos eficaz do que a imunoterapia
específica subcutânea. São necessários mais estudos comparativos (Host et al,
2003).

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3 Metodologia

3.1 Tipo de estudo

Este estudo enquadra-se na tipologia retrospectiva descritiva, natural,


transversal.

3.2 Amostra

Durante o ano de 2007 foram efectuadas na Clínica Laboratorial Dr.


Edgar Botelho Moniz 22.607 análises a sensibilização a alergénios, das quais
cerca de 12% referem-se a alergénios inalantes e 3% a alergénios alimentares,
sendo 174 o total de crianças observadas com idade igual ou inferior a 6 anos.

Dos 5.375 pedidos de análise de IgE Total, utilizaram-se apenas 82, que
correspondem apenas aos pedidos feitos na amostra em estudo.

As amostras estudadas foram colhidas em tubos de soro na clínica


Laboratorial Dr. Edgar Botelho Moniz.

Em relação ao género, o grupo de crianças foi constituído por 52,3%


(91/174) do sexo feminino e 47,7% (83/174) do sexo masculino.

A amostra deste estudo foi uma amostra não probabilística,


seleccionada por conveniência.
Foram incluídas neste estudo apenas as crianças com pedido
simultâneo de phadiatop® e de Fx5®.

3.3 Ética

Assume-se o compromisso de garantir a confidencialidade das


informações, com o intuito de não violar quaisquer normas éticas, morais e
deontológicas, respeitando os princípios do Código de Nuremberga e
Declaração de Helsínquia.

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3.4 Instrumentos de recolha de dados

Utilizaram-se como instrumentos de recolha de dados a base de


resultados do software do equipamento ImmunoCAP 250. Foi utilizado,
também, o sistema Appolo, na consulta dos resultados da IgE total e IgE
específica.

Actualmente o SISTEMA-CAP é o método de escolha para testes de


alergia "in vitro".

3.5 Procedimentos Estatísticos

Para o tratamento dos dados estatísticos, utilizou-se o programa


Statistical Package for the Social Sciences – versão 16.0 (SPSS © 16.0 Inc.,
Chicago, Estados Unidos da América) para Windows XP, com intervalo de
confiança de 95% (α=0,05). Utilizou-se, ainda, o programa Microsoft ® Office
Excel © 2003.

A descrição das variáveis foi efectuada com base na estatística


descritiva habitual: média, como medida de tendência central, e desvio padrão,
como medida de dispersão.
Uma vez que a distribuição das variáveis não se aproximava da
distribuição de Gauss, para o estudo da sensibilização a alergénios inalantes e
alimentares, utilizou-se o teste não paramétrico – Teste Qui-Quadrado.

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4 Resultados
A determinação da frequência de sensibilização das crianças ao
Phadiatop® e ao Fx5®, pelo equipamento immunoCAP, permitiu-nos obter a
seguinte distribuição por faixa etária (Tabela 1).

Tabela 1: Distribuição do número de crianças com resultados positivos para Phadiatop e para Fx5
segundo a faixa etária.

Faixa etária
(anos) Total de ® ®
Phadiatop Fx5
crianças
Positivo % Positivo %

<1 4 0 0 1 25

[1-2[ 16 0 0 5 31

[2-3[ 18 2 11 7 39

[3-4[ 37 17 50 11 30

[4-5[ 39 12 31 8 21

[5-6] 60 21 35 7 12

Total 174 52 30 39 22

25

20
Nº de casos positivos

15
Phadiatop ®
Fx5 ®
10

0
<1 [1-2[ [2-3[ [3-4[ [4-5[ [5-6]
Faixa etária (anos)

Gráfico 3: Distribuição dos resultados positivos pelas faixas etárias.

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Regista-se que a percentagem de sensibilizações, numa amostra de 174


crianças, foi de 30% e 22% para o multi-RAST inalante (Phadiatop®) e para o
multi-RAST alimentar (Fx5®), respectivamente (Tabela 1).

As determinações de IgE específicas foram positivas para alergénios


inalantes em 52 crianças, e 39 determinações positivas para alergénios
alimentares.

A relação sexo feminino / sexo masculino foi de 1: 0,9. A idade média foi
de 3,7 ± 1,7 anos.

Para cumprir um dos objectivos propostos neste estudo, verificar se o


género influencia a Frequência de sensibilizações aos alergénios em estudo,
realizaram-se os dois gráficos seguintes com a respectiva tabela.

Tabela 2: Número de casos distribuídos por classes consoante o sexo para cada multi-RAST.

Phadiatop ® Fx5 ®
Classes
Feminino Masculino Feminino Masculino
(KUA/L)

<0,35 69 54 77 59

0,35~0,7 2 2 3 15

0,7~3,5 6 7 9 7

3,5~17,5 5 6 2 2

17,5~50 8 9 0 0

50~100 1 4 0 0

>100 0 1 0 0

Frequência de sensibilização a alergénios inalantes e alimentares em crianças até aos seis 1


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70

60

50
Nº de casos

40

30 F
M
20

10

0
<0,35 0,35~0,7 0,7~3,5 3,5~17,5 17,5~50 50~100 >100

Classes (KUA/L)

Gráfico 4: Distribuição dos resultados por classes para o Phadiatop ®.

80
70
60
Nº de casos

50
40
F
30 M
20
10
0
<0,35 0,35~0,7 0,7~3,5 3,5~17,5

Classes (KUA/L)

Gráfico 5: Distribuição dos resultados por classes para o Fx5 ®.

Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas na variável


género para o phadiatop® e para o fx5® utilizando um nível de significância de
5% (p=0,544 >0,05).
Comparando os resultados obtidos nas diferentes classes para o
Phadiatop® e para o Fx5®, estes são estatisticamente significativos para um
nível de significância de 5% (p=0,000 <0,05).

Frequência de sensibilização a alergénios inalantes e alimentares em crianças até aos seis 1


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Com o objectivo de determinar se existe concordância entre os


resultados obtidos pelo doseamento da IgE total e os resultados obtidos para o
Phadiatop® e para o Fx5®, efectuou-se as seguintes tabelas:

Tabela 3: Concordância entre as determinações Tabela 4: Concordância entre as determinações


®
de IgE total e os resultados para o Phadiatop de IgE total e os resultados para o Fx5®

IgE total Phadiatop® IgE total Fx5®

(n=82) Positivo Negativo (n=82) Positivo Negativo

Positiva 16 9 Positiva 10 16

Negativa 10 47 Negativa 10 46

Total 26 56 Total 20 62

Assim, verificou-se que a IgE total positiva apresentou uma sensibilidade


de 61,5% (16/26 x100) em relação ao Phadiatop® e de 50% (10/20 x100) em
relação ao Fx5®. Quanto à especificidade, esta apresentou 83,9 % (47/56 x100)
e 74,2% (46/62 x100) de especificidade aos alergénios inalantes e alimentares,
respectivamente.

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5 Discussão
A crescente consciencialização da elevada prevalência da patologia
atópica na idade pediátrica juntamente com a necessidade de diferenciação de
criança alérgica versus não alérgica, esteve na origem do desenvolvimento de
diversos métodos para o diagnóstico in vitro desta patologia.

Apesar de não estar incluído nos objectivos deste trabalho, é de


salientar que os testes cutâneos continuam a ser, de forma mais ou menos
consensual, sempre que viável, a abordagem inicial preferencial. No entanto,
utilidade de métodos laboratoriais, é particularmente relevante na idade
pediátrica pelas maiores dificuldades de padronização e interpretação dos
métodos in vivo, por exemplo o diagnóstico da sensibilização a alimentos.

Desta forma, observou-se um número de casos positivos superior para o


Phadiatop®, ou seja, do total de 174 crianças analisadas registou-se que 30%
das crianças apresentavam sensibilização ao Phadiatop®, e 22% ao Fx5®.
Comparando estas percentagens com as descritas na literatura, 8,5% para
alimentares e 20% para inalantes, verifica-se que as percentagens de
sensibilização obtidas neste estudo são bastante elevadas (Ramalho et al,
2001).
Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas na variável
género para o phadiatop® e para o fx5® utilizando um nível de significância de
5% (p=0,544 >0,05). Estes resultados confirmam as conclusões de Peacman
& Vergani, 1999, ambos os sexos são igualmente afectados pela doença
alérgica.
Comparando os resultados obtidos nas diferentes classes para o
Phadiatop® e para o Fx5®, estes são estatisticamente significativos para um
nível de significância de 5% (p=0,000 <0,05). Este resultado revelou o
fenómeno de sensibilização progressiva a diferentes tipos de alergénios
(inalantes e alimentares) com a idade, denominado de “ marcha alérgica”.
Sendo assim, os alergénios alimentares mostraram-se relevantes aos seis
meses de idade, portanto, deverão fazer parte dos testes de rastreio de atopia.
Segundo Molkhou, em 1999, a sensibilização aos alergénios inalantes tem

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início pelos dois anos de idade, aspecto confirmado neste estudo, uma vez que
a sensibilização se mostra relevante por volta dos dezoito meses.

Nos registos analíticos das 174 crianças analisadas apenas 82


continham pedido de doseamento de IgE total, com os resultados pretendeu-se
comparar os valores de IgE total e os resultados dos multi-RAST inalante e
alimentar (Tabela 3 e 4), de forma a determinar a sensibilidade e especificidade
da IgE total. Assim, verificou-se que a IgE total positiva apresentou uma
sensibilidade de 61,5% (16/26 x100) em relação ao Phadiatop® e de 50%
(10/20 x100) em relação ao Fx5®. Quanto à especificidade, esta apresentou
83,9 % (47/56 x100) e 74,2% (46/62 x100) de especificidade aos alergénios
inalantes e alimentares, respectivamente. Desta forma o presente estudo
comprova a ideia de que a IgE total é um método rastreio pouco sensível e com
baixa especificidade. Isto significa que valores normais de IgE total não
excluem a hipótese de atopia e que valores elevados são pouco informativos.

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6 Conclusão
Devido ao facto de a amostra em estudo ter sido encaminhada por
especialistas alergológicos para determinação de IgE específica, por suspeita
de atopia, é natural que a percentagem de sensibilização seja elevada.

Assim, a partir da análise dos dados laboratoriais da amostra pediátrica da


clínica laboratorial Dr. Edgar Botelho Moniz, verificou-se uma frequência de
sensibilizações ao multi-RAST FX5® de 22%, e para o multi-RAST Phadiatop®
de 30%.

Neste estudo confirmou-se que o género não influencia a incidência de


atopia, e que a percentagem de sensibilizações aos diferentes alergénios varia
ao longo da idade.

Quanto à determinação de IgE total conclui-se que os seus resultados são


importantes para auxiliar o diagnóstico da patologia alérgica mas sozinhos são
pouco esclarecedores.

Parece agora particularmente interessante complementar este estudo


com dados referentes a populações de adultos, para observar o
desenvolvimento da marcha alérgica.

Neste estudo confirma-se que o género não influencia a incidência de atopia.

Contudo, estes resultados sublinham uma necessidade crescente de


desenvolver um maior número de estudos epidemiológicos, utilizando
metodologias de diagnóstico adequadas, para o esclarecimento da prevalência
de alergia e identificação dos principais alergénios no nosso país.

A criação de sistemas de notificação e vigilância epidemiológica poderia


ser um passo importante neste sentido.

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Anexos

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