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A IDENTIDADE DA MULHER CONTEMPORÂNEA APÓS A REVOLUÇÃO SEXUAL: ENTRE O MEIO PROFISSIONAL E A REALIZAÇÃO FAMILIAR (1960 2007)

RESUMO

Irislene Alves Pena 1

Este artigo trata-se de um estudo sobre diferentes mulheres entre (19602007) abrangendo o meio profissional e a realização familiar, mostrando a grande evolução das mulheres que, aos poucos, foram conquistando seu espaço na sociedade. Dessa forma, focamos as dificuldades enfrentadas pelas mulheres para ingressarem no mercado de trabalho, onde elas lutam para que seu trabalho seja reconhecido e valorizado. Analisamos ainda como as mulheres conciliam o trabalho profissional com a realização familiar, pois a mulher além de trabalhar fora também cuida da casa e dos filhos. Primeiramente, faremos uma pesquisa bibliográfica, selecionando as obras que tratam o assunto para nos possibilitar uma fundamentação teórica. Faremos leitura e análise de documentos, a fim de mostrar a evolução das mulheres na sociedade. Partimos então para a pesquisa de campo, com o uso teórico e metodológico da História Oral, para entrevistar mulheres de diferentes cargos profissionais, relatando quais foram às dificuldades encontradas para ingressar no mercado de trabalho e como conciliar com a realização familiar.

Palavras Chaves: mulher, família, mercado de trabalho.

INTRODUÇÃO

Neste trabalho propomos realizar um estudo sobre a “Identidade da

mulher contemporânea após a revolução sexual: entre o meio profissional e a

realização familiar (1960-2007).” Com isso, visamos mostrar que antes da revolução

sexual das mulheres na década de 60 as conquistas das mulheres não tinham

visibilidade, e a maioria delas viviam num modelo de sociedade tradicional onde a

mulher era submissa ao homem, sua função era procriar, cuidar da casa e dos filhos.

Somente com os movimentos feministas em meados da década de 60

que as estruturas hierarquizadas foram sendo questionadas e várias transformações

1 Acadêmica da 3ª série do Curso de Licenciatura Plena em História da UEG Unidade Universitária de Morrinhos. Orientada pelo Professor Mestre Raul Pedro de Barros Batista.

ocorreram, abrindo possibilidade de as mulheres tornarem-se cidadãs dotadas de autonomia e direitos. Assim, a mulher contemporânea com base em novas redes de poder impõe-se na sociedade em diferentes áreas, inclusive na sexual, tendo espaço para preferências e vontade em assuntos quanto não poderiam se quer ser mencionado em discurso privado quanto mais ser objeto de discurso público. Apresentaremos um estudo de diferentes mulheres entre 1960 a 2007 abrangendo o meio profissional e a realização familiar. Relatando a grande evolução das mulheres que aos pouco foi conquistado seu espaço na sociedade e no mercado de trabalho. A abordagem teórica e metodológica em história oral será a principal base de fundamentação desse trabalho, partindo para a pesquisa de campo entrevistando mulheres de diferentes cargos profissionais, relatando quais foram às dificuldades encontradas para ingressar no mercado de trabalho e como conciliar com a realização familiar. Queremos ressaltar em nossa pesquisa os elementos inerentes ao papel da mulher ao ingressar no mercado de trabalho e as relações interpessoais do casal que estão sujeitas a interferências como, horários de trabalho, as agendas, a falta de tempo entre outros fatores. Tudo isso deixa o homem contemporâneo inseguro. Pois o homem está habituado a se posicionar no controle da situação, com isso ele tem dificuldades para lidar com as responsabilidades profissionais assumidas pela mulher.

Queremos mostrar também que apesar das mulheres terem assumido atribuições consideradas tradicionalmente masculinas, o mesmo não ocorre em relação aos homens que na maioria das vezes, não as substituem no âmbito doméstico, e quando fazem é parcialmente, alegando que determinados serviços não podem e não devem ser feitos por homens. Com isso a mulher vem lutando para que não exista diferencial entre homem e mulher. Nosso objetivo é mostrar que as mulheres desejam não só ingressar no mercado de trabalho, mas querem ser reconhecidas e ter os mesmos direitos e oportunidades que os homens. Faremos uma análise bibliográfica, selecionando as obras que tratam o assunto para nos possibilitar uma fundamentação teórica. Embasaremos nas obras de Mary Alves Mendes, “Mulheres feche de família: entre a sobrevivência e

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autonomia ao santo ofício”; Almira Rodrigues, “Mulher e Democracia”; Denise Carmem de Andrade Neves, “A luta das Mulheres pela a conquista da cidadania” e Josênia Antunes Vieira, “A identidade da mulher na modernidade”. Dessa forma, propomos identificar nas obras citadas, certa identidade ao firmarem o interesse desses autores em mostrar que a mulher vem conquistando seu espaço na sociedade, tornando cada vez mais independente, além de zelar pelo bem estar familiar.

1 A HISTÓRIA DAS MULHERES NA HISTORIOGRAFIA

A história das mulheres apareceu como um campo definível principalmente

nas duas últimas décadas. A pesar das enormes diferenças nos recursos para ela alocados, em sua representação e em seu lugar no currículo, na posição a ela concedida pelas universidades e pelas ações disciplinares, parece não haver dúvidas de que a história das mulheres é uma prática estabelecida em muitas partes do mundo. (SCOTT, 1992, p. 63).

Segundo o autor, a história das mulheres teve origem quando as artistas femininas reivindicavam uma história que estabelecesse heroínas, prova da atuação das mulheres, e também explicações sobre a opressão e inspiração para a ação. A luta das mulheres para serem reconhecidas e valorizadas vem de longa data, na busca de que direitos sejam respeitados como seres humanos, não ser tratada como um ser inferior. A partir de 1960 os movimentos feministas passaram a se expressar mais intensamente, focalizando as desigualdades sócias, políticas e trabalhistas entre homens e mulheres as organizações feministas passaram também a questionar as raízes dessas desigualdades imposta pela própria sociedade.

A onda do movimento feminista, ocorrida a partir dos anos 60, contribuiu,

ainda mais, para o surgimento da história das mulheres. Nos Estados Unidos, onde se desencadeou o referido movimento, bem como em outras partes do mundo nas quais este se representou, as reivindicações das mulheres provocaram uma forte demanda de informações, pelos estudantes, sobre as questões que estavam sendo discutidas. (SOIHET, 1997, p. 276).

Soihet traz uma discussão mostrando que o feminismo apareceu para reivindicar mais recursos para as mulheres e para denunciar a persistência da desigualdade.

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Devemos ressaltar que, antes da revolução sexual das mulheres na década de 60, as suas conquistas não tinham visibilidade e a maioria delas vivia num modelo de sociedade tradicional, onde a mulher era submissa ao homem, sua vida era procriar, cuidar da casa e dos filhos. Foi somente com os movimentos feministas em meados da década de 60 que as estruturas hierarquizadas foram sendo transformadas, proporcionando várias transformações, abrindo a possibilidade das mulheres tornarem-se cidadãs dotadas de autonomia e direitos. Segundo Soihet, as mulheres organizavam esses movimentos feministas para acabar com a discriminação baseada na diferenciação sexual, pois durante muito tempo, a história focalizava somente a história dos homens. Ao se tratar de direitos, as mulheres não eram mencionadas, pelo simples fato de não serem conhecidas como sujeitos dotados de direitos. A partir da década de 60, as mulheres começam a reivindicar igualdade e a conquistar seus direitos. “O feminismo, assim como outro movimento organizado, não pode ser abordado partindo-se do pressuposto de que se trata de um movimento homogêneo que trilhou um caminho linear e preciso” (NEVES, 2005, p. 1182). As discussões da história das mulheres vêm mostrando que muitas delas preferiam apoiar os movimentos feministas de forma neutra. Grande parte dessas mulheres não estava preparada para liderar o feminismo, devido ao preconceito imposto pela própria sociedade. Ao acreditar que lugar de mulher era em casa administrando a casa e os filhos. Segundo Neves, nem todos os movimentos feministas se desenvolveram com igual sucesso nos diferentes países. Na Europa como os Estados Unidos, o feminismo possibilitou a abertura de novos horizontes, focalizando que a luta pelo preparo profissional foi árdua, pois a educação diferenciada para homens e mulheres não fornecia a elas pré-requisitos para ingressar nos cursos superiores. Foi nos Estados Unidos que as mulheres puderam primeiramente ingressar nas universidades, o que ocorreu na Europa somente na década de 1960. Na Inglaterra as mulheres tiveram seus direitos assegurados, sendo possível às esposas adquirirem sua independência tanto em relação aos seus bens como em relação às sua própria pessoa.

A eclosão do feminismo nos anos 70 iniciou mudanças profundas nas relações de gênero. O feminismo denunciou a desigualdade revelou-se contra as relações de governo baseadas na dominação versus submissão e mostrou que ela não é natural, mas construída cultural e historicamente, revelou o duro cotidiano vivido por milhares de mulheres e tocou fundo em

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temas que incomodaram os valores estabelecidos: a violência sexual, a violência doméstica, o direito à opção a ter ou não filhos, o direito do prazer. (GUILANI, 2004, p. 650).

Observaremos que o feminismo desnudou a realidade das mulheres, mostrando que suas conquistas não tinham visibilidade, porque elas ainda: recebiam salários inferiores, tinha uma dupla jornada de trabalho e também havia falta de profissionalização. Dessa forma a luta contra a opressão é uma das suas principais características, pois muito se discutiu acerca da possibilidade da mulher frente à sua opressão, ou da sua reação apenas como respeito às restrições de uma sociedade patriarcal.

Segundo Soihet: “O desenvolvimento da história das mulheres, articulado às inovações no próprio terreno da historiografia tem dado lugar à pesquisa de inúmeros temas” (1997, p. 280). Dessa forma, o autor não focaliza a história das mulheres apenas no exercício do trabalho, na política, no terreno da educação, mas também aborda novos temas de análise, como a família, a maternidade, os sentimentos, a sexualidade, entre outros. Para ele a mulher é dotada de autonomia e deve ser respeitada como ser humano, não ser tratada como ser inferior, isto é, como um objeto sexual, deve ser vista como esposa, não como empregada doméstica e também ser respeitada no meio familiar.

Para melhor compreender os movimentos de mulheres trabalhadoras em suas lutas para remodelar as relações entre a família e o trabalho, é oportuno salientar que ao longo dos anos 80 ocorre uma revisão da imagem social da feminilidade. Difundem-se novas proposições que reafirmam o princípio de equilíbrio entre os sexos e são debatidas modificações na ordem cultural e jurídica. Nesse percurso, às vezes tortuoso, aparece com maior clareza os limites daquilo que séria próprio das mulheres, daquilo que lhes seria reconhecido, permitido ou atribuído como característica de sua natureza social (GIULANI, 2004, p. 649).

De acordo com a autora os movimentos feministas trás a tona grandes movimentos como, movimento de luta por creches; movimentos Brasileiros pela Anistia; movimento Nacional contra a Carestia. Elas também criaram os grupos feministas e os Centros de Mulheres. Nas atividades desses grupos são avaliados e revisados os papéis sócios da mulher mãe, esposa, dona de casa, mesmo que a reflexão sobre o trabalho e a discriminação no mercado de trabalho não esteja sempre presente. Deve ser reconhecida sua importante contribuição no processo de redemocratização, através de suas reivindicações para que sejam mudados os códigos jurídicos já definitivamente superados e sejam promulgadas leis mais

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coerentes com a afetiva atuação econômica e social da mulher, através da crítica à política salarial promovida pelo Estado; através da demanda de serviços públicos de apóio à mãe trabalhadora com isso em suas reivindicações as mulheres vêm lutando contra a violência, a opressão e a descriminação; dando ênfase a sua libertação. Com isso os movimentos feministas passam a se expressar mais intensamente; além de denunciar as desigualdades sociais, políticas e trabalhistas, onde as organizações feministas possam também a questionar as raízes dessas desigualdades importa pela sociedade.

Sem dúvida, os próprios historiadores das mulheres acham difícil inscrever as mulheres na história e a tarefa da reescrever a história exigia reconceituações que eles não estavam inicialmente preparados ou treinados para realizar. Era necessário um modo de pensar sobre a diferença e como sua construção definiria as relações entre os indivíduos e os grupos sociais (SCOTT, 1992, p. 86).

Observaremos que os próprios historiadores das mulheres enfatizavam que a integração da mulher na história se tornava cada vez mais restrita devido à falta de liberdade de expor sua própria história, pois a mulher era vista como um ser inferior, incapaz de expor seus pensamentos e vontades, por causa dos preconceitos estabelecidos pela sociedade. Com isso se tornava difícil escrever a mulher na história. Podemos enfatizar que o termo “mulheres” dificilmente poderia ser usado sem modificações, pois as mulheres se classificam de várias formas: mulheres de cor, mulheres judias, mulheres lésbicas, mulheres trabalhadoras pobres, mães solteiras foram apenas algumas das categorias introduzidas pelo autor. Partindo desses pressupostos cada uma dessas mulheres reivindicava seus direitos a fim de construir sua própria história. Com isso os historiadores das mulheres tinham como objetivo integrar as mulheres à história.

As mulheres, pensadas como um grupo social especifica, carregam um alonga história de exclusões, privações, discriminações, opressões. Esta é uma constatação genérica que merece ser concretizada, qualificada e relativizada. (RODRIGUES, 2005, p. 1163).

A autora traz uma discussão acerca dessas exclusões enfrentadas pela mulher na sociedade, pois determinados fatores contribuem para o aumento desta descriminação e desigualdade: a condição étnico-racial, etária, a vivência sexual, a classe e condição social, as deficiências de ordem física e mental. No Brasil, como na maioria dos países, as mulheres vivenciam situações de violência (física, sexual, emocional) de desvalorização do trabalho e do emprego

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doméstico, de mortalidade, materna, de exclusão dos espaços de poder e de decisões políticas entre outras situações. Com isso as feministas buscavam a igualdade de direitos e o direito à diferença. Esses movimentos feministas evidenciavam o desejo ardente por direitos que legitimavam a cidadania das mulheres. Para isso, elas denunciavam todas as formas de discriminação e de opressão cultural construída sobre elas ao longo dos séculos. Esses movimentos feministas tiveram uma fundamental importância nas mudanças do papel social no país, pois as feministas defendiam a idéia que, diferença sim, desigualdade não, ainda, que as diferenças não sejam transformadas desigualdades. “As teorias feministas deveriam-se contentar em apenas adicionar a perspectiva da mulher às teorias clássicas, mas faze-lo pela necessidade radical de sua revisão e de sua transformação” (GONÇALVES, 2005, p. 1210). A autora nos apresenta uma exuberante produção teórica que tem sido discutida desde os anos de 1970, nas mais diversas direções analíticas. Há redescrições nos marcos de grandes teorias considerados clássicos. As primeiras tentativas dAs feministas radicais nos anos 70 formulavam, teorias sobre a dominação baseadas no corpo, no sexo e na reprodução. Na concepção de Gonçalves, as teorias feministas têm de começar de algum lugar e se a filosofia e as ciências são sexistas, é sobre elas que devem começar a tecer.

Na verdade há uma razão importante se argumentar que os desenvolvimentos na história das mulheres estão fortemente relacionados “A força crescente e a legitimidade do feminismo como um movimento político”, como também para insistir que está aumentando a distância entre o trabalho acadêmico e o político. (SCOTT, 1992, p. 66).

Dessa forma observamos que a história das mulheres esta ligada a movimentos políticos organizados por mulheres afim de reivindicar seus direitos. Nesse contexto, os historiadores das mulheres poderiam apontar para a realidade de experiência vivida pelas mulheres a presumir seu interesse inerente a sua importância. Com isso na visão do autor, colocaram as mulheres em organizações políticas e em locais de trabalho e introduziram novos contextos como família e cuidados com a casa: como dignos de estudo. Uma parte da história das mulheres busca demonstrar a atuação de mulheres e homens, outra parte enfatiza a diferença das mulheres. Ambas as

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abordagens consideravam as mulheres como uma categoria social fixa; cuja experiência mudava, mas cuja essência como mulher, não se alterava. Com isso a história das mulheres passou menos tempo documentada a vitimização das mulheres e mais tempo afirmando a distinção da cultura das mulheres, criando assim uma tradição histórica a que as feministas poderiam apelar, como exemplo de atividade da mulher, para provar sua capacidade de fazer história. “No âmbito dos direitos sexuais e reprodutivos, os movimentos feministas construíram duas falas significativas e tencionadas entre si: „maternidade – direito e escolha‟ e filho não é só da mãe” (RODRIGUES, 2005, p. 1167). Na visão da autora esses direitos dão a mulher à liberdade de escolha; se querem ou não ter filhos, pois antes da década de 60, a mulher apenas para procriar, cuidar da casa e dos filhos, não tendo o direito de escolha. Com os movimentos feministas as mulheres vêm lutando contra este tabu de inferioridade e submissão da mulher. O movimento feminista das décadas de 60 e 70 enfrentou a luta contra o sistema patriarcal, expressão de dominação dos homens e de inferioridade das mulheres, levando questionamentos profundos e propondo a ruptura com estereótipos e rumos previamente traçados para as mulheres e para os homens. Já a tese de que o filho não é só da mãe Se dá devido à divisão do trabalho, ficando as mulheres com a responsabilidade de cuidar dos filhos. O que é também denunciado pelos movimentos feministas, pois as mulheres querem seus direitos e deveres iguais. Devemos ressaltar que o movimento feminista colocou em pauta novos valores e a vida sexual da mulher dissociou-se da procriação. “Quebrou-se a imagem de maternidade como sina da mulher. Começou a idéia da maternidade como uma escolha” (NEVES, 2005, p. 1195).

A revolução da mulher foi a mais importante revolução do século XX, disse Norberto Bobbio, um dos maiores pensadores do nosso tempo. Quero lembrar que não se trata aqui da chamada revolução feminista, com tantas polêmicas e conotações ideológicas, com tantos acertos e desacertos, agressões e agressões demagógicas, o fervor de congressos e comércios beirando a história na emocionada busca da liberdade. (TELLES, 2004,

p.669).

Podemos enfatizar que a revolução das mulheres a qual o autor refere seria uma revolução mais prudente e mais paciente. Contudo ambiciosa na sua natureza mais profunda e que teria seu nascedouro visível no fim do século passado para vir a desenvolver se plenamente durante a Segunda Grande Guerra: os homens válidos partiram para as trincheiras. Ficavam as mulheres na retaguarda e

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dispostas a exercerem o ofício desses homens nas fábricas, nos escritórios, nas universidades. Em fim, as mulheres foram a lutas e aos poucos foram ocupando com desenvoltura esses espaços, inclusive em atividades paralelas à guerra, desafios arriscados que enfrentaram com a coragem de assumir responsabilidade até então só exigidas ao sexo masculino. Devemos salientar também que havia mulheres que não participavam de nenhuma revolução, pois se sentia feliz em cuidar da casa e dos filhos pois está era sua vocação.

Ao que nós feministas marxistas acrescentamos, faz-se mulher em um determinado tempo histórico, em um tipo de sociedade determinada por formas de relações entre as classes, incluindo ai também raça/etnia, gênero, geração e orientação sexual. (SOUTO, 2007, p. 1).

Na concepção da autora pode fazer-se mulher em cada tipo e período de realização de um sistema social ganha conotações particulares, ganha cores e motivos próprios e diversos. Não caberia referir apenas a relação social de classe e de sexo/gênero, o que pode implicar um viés marxista estruturalista de reconhecimento de autonomia, admitindo que classe e sexo/gênero ocorreriam em paralelo.

A proposta é discutir relações sociais de gênero em sociedade de classes nas condições objetivas e levar em conta que estas relações são dinâmicas e vivas e sofrem mudanças da sociedade e de seu tempo. De acordo com a afirmação de Simone de Beauvoir, “não se nasce mulher, se faz mulher”. Com isso podemos mostrar que a mulher é um ser, cuja sua identidade esta sempre em construção.

Durante muito tempo, a história oficial foi retratada como a história dos homens, reconhecidos como os únicos representantes da humanidade. Ao se tratar de direitos, as mulheres não eram mencionadas, pelo simples fato de não serem se quer reconhecidas como sujeito de direitos. (NEVES, 2005, p.1177).

A partir da década de 60, segundo autora, por diversos caminhos, a mulher começa a reivindicar igualdade e a conquistar direitos, até então impensáveis, em razão de condições de completa submissão que se mantivera. Na medida em que elas organizavam estas reivindicações e procuravam divulgar uma nova imagem feminina, livres tradicionais estereótipos femininos, esses movimentos feministas desencadearam a história das mulheres. Desta forma, em meados da década de 70, o feminismo apareceu como movimento social organizado, em meio à ditadura militar. Foi marcado por se colocar frente aos homens, questionando a subvalorização de temas da esfera doméstica

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em detrimento de uma utopia de transformação social e também pela rejeição quase total à feminilidade. Assim, era o feminismo da igualdade, que pregava que para serem respeitados, para demonstrarem a capacidade para o trabalho e para a política, as mulheres deveriam incorporar valores masculinos no seu modo de pensar, agir de trabalhar. Já nos anos 80 elas deixaram de lado a timidez, com isso as mulheres em meio a um período de redemocratização da sociedade, focalizam assuntos que antes era considerado apenas pessoal, dando ênfase à sexualidade, o corpo, a saúde e a valorização do feminismo. Foi nos anos 90, com a constituição de 1988 que a mulher adquire direitos civis iguais aos dos homens, tanto na vida pública como na privada. Partindo desses pressupostos enfatizamos que as mulheres continuam reivindicando melhorias nas relações sexistas como o fim das descriminações salariais, do assédio sexual, da violência contra o sexo feminismo. Pois elas só querem ter sua história reconhecida e valorizada perante a sociedade.

Gênero tem sido, desde a década de 1970, o terno usado para teorizar a gestão da diferença sexual. Foi inicialmente utilizado pelos feministas americanos que queriam insistir no caráter fildamentalmente social das distinções baseadas no sexo. (SOIHET, 1997, p. 279).

Na visão de Soihet, gênero se torna, uma maneira de indicar as “construções sociais”, a criação social das idéias sobre os papéis próprios aos homens e ás mulheres. Vele frisar que esse terno foi proposto por aqueles que defendiam que a pesquisa sobre as mulheres transformaria fundamentalmente os paradigmas da disciplina, acrescentaria não só novos temas mas como também iria impor uma reavaliação crítica das premissas e critérios de trabalho científico existente. Tal metodologia implicaria não apenas “uma nova história das mulheres, mas uma nova história”. Já Scott, tece uma série de considerações a respeito do terno gênero, para ele, gênero é um conceito associado ao estudo das coisas relativas às mulheres, mas tem a força da analise suficiente para interrogar e mudar os paradigmas históricos exististes. Com isso podemos observar que o conceito de gênero passou e passa cada vez mais a ser incorporado ao pensamento feminista. Na verdade, mais do que isto passa a ser incorporado em várias dimensões da realidade, em pesquisas, análises e identidade fixas, isto é, os caminhos através dos quais os gêneros são

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culturalmente construídos em seus contextos e significados. E pensar tudo de forma relacional.

Pensar a diversidade das mulheres, negros, índios, jovens, da terceira idade, deficientes, rurais urbanos. Pensar a diversidade dos lugares: donos de casa; trabalhadoras, estudantes. Pensar a diversidade dos espaços do ser/estar: solteiro, casados, heterossexuais, homossexuais. Em fim pensar no perfil (de diferentes mulheres).

A divisão do trabalho em todas as sociedades depende mais das condições culturais e menos das condições sexuais. Homens e mulheres distanciam- se em extremo não apenas por causa das diferenças físicas e biológicas, mas também pelos papeis desempenhados nos eventos sociais. (VIEIRA, 2006, p. 19).

A autora nos mostra que conforme o senso comum, as mulheres têm habilidade manual e intuição mais apurada que lhes permitem lidar com situações cujos envolvimentos sociais e emocionais sejam maiores, com isso para as mulheres são reservados papéis mais meigo, terno. Cabe as mulheres a responsabilidade da educação infantil, sendo rara a presença de representantes do. Gênero masculino nessa função educativa. O ensino na escola primária e os afazeres do lar sempre foram aceitos pela sociedade brasileira como uma ocupação tipicamente feminista. Como a educação das crianças está comumente entregue as mulheres, acredita-se que o seu papel na escola tenha sido uma extensão dessa responsabilidade do lar. Com isso, existe determinados papéis que a sociedade vê as mulheres como ser incapaz de emprenha-los. Só dirigir um automóvel, por exemplo, as mulheres estão sujeitas a criticas freqüentes e, embora as estatísticas comprovem que as mulheres provoquem e sofrem menos acidentes que os homens, a sociedade as diminuem constantemente nessa atividade. Basta um deslize para a mulher ser chamada de barbeira e ouvir assertivas como: “Só podia ser mulher na direção”. No campo profissional, se a mulher, depois de muito esforço pessoal, for promovida, a primeira coisa que dizem é: “Como será que ela conseguiu esta promoção?” Podemos enfatizar que a mulher tem capacidade e habilidade de desempenhar diversos papeis na sociedade.

às pesquisas sobre a ação e luta das mulheres, configuravam-se duas

vertentes. Uma preocupa com os movimentos organizados com vistas a conquistas de direitos de cidadania os movimentos feministas e a outra com manifestações informais que se expressam em diferentes formas de intervenção e atuação feministas. (SOIHET, 19997, p. 281).

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Analisando essas duas vertentes de Soihet, podemos enfatizar que a primeira vertente apresenta-se como uma história das mulheres notáveis, através de uma abordagem biográfica. Numa perspectiva positivista, focalizam-se algumas mulheres excepcionais que se destacam no campo da política, da cultura e da religião. É este o método utilizado pelos feministas do século XIX em suas revistas e diversos dicionários. Buscam apresentar modelos femininos alternativos à imagem do tradicional feminino passivo fértil, sem maior iniciativa. A feminista alemã Louise Otto, critica os critérios de seleção dos biólogos masculinos e seus sujeitos femininos. Fazem-no, segundo ela, não por sua ação consciente e refletida, mas pelos laços que os uniam aos grandes homens, seja pelo nascimento seja bela beleza. Em contraponto a esta postura, dispõe-se a apresentar mulheres que não tiveram necessidade desses atributos para se destacarem, apensar das circunstancias desfavoráveis que excluíam o sexo feminino das atividades públicas da época. Já a alemã feminista Eleni Varikas assinala que a função dessas biografias foi a de provar a capacidade feminista, idêntica à masculina, de fazer a história, de construir a civilização. Num outro tipo de abordagem, destacam-se aquelas obras que acreditam especial atenção ao momento da Revolução Francesa, quando as mulheres se vêem despojadas da cidadania por uma ordem que ajudaram a fundar. No tocante aos movimentos feministas da virada do século, alguns autores ressaltam o seu moralismo, suas aspirações em torno da igualdade de direitos, e em especial, do voto.

Os movimentos feministas, além das reivindicações relativas aos direitos políticos, reivindicavam também os direitos sociais e a proteção social, especialmente no que se refere às mães e a maternidade. Reivindicam o direito das mães a uma renda, opondo-se à coexistência entre maternidade e emprego, ao menos, durante a gravidez e primeiro ano da criança. Hoje, a libertação, a justiça e a igualdade são pensadas mais em termos de uma cão positiva no domínio profissional e da divisão das tarefas domésticas com os homens, do que com o reconhecimento público da maternidade como função social.

A escassez de vestígios acerca do passado das mulheres, produzidos por elas próprias, constitui-se num dos grandes problemas enfrentados pelos historiadores Em contrapartida, encontram-se mais facilmente representações sobre a mulher que tenha por base discursos masculinos

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determinando quem são as mulheres e o que devem fazer. (SOIHET, 1997, p. 295).

Dessa forma, observamos que a maior ênfase na realização de análise visava captar o imaginário sobre as mulheres. Pois as mulheres por um longo tempo estiveram ausentes das atividades consideradas dignas de serem registradas para o conhecimento das gerações subseqüentes. Fala-se das mulheres, quando perturbam a ordem pública, destacando-se os documentos policiais, aliados aos processos criminais. Constituem-se numa fonte privilegiada de acesso ao universo feminino dos segmentos populares, inclusive através dos seus próprios depoimentos. Os arquivos privados, de acordo com Michelle Perrot, “são mais gêneros, sendo uma espécie de “atos” da vida familiar, nos quais as mulheres anotavam o dia-a-dia domestico. As cartas, os diários íntimos, são exemplos de outros registros femininos, que, quando encontrados, são da menor importância para o historiador. As obras literárias, a escrita religiosa - católica ou protestante, também aparecem como formas de expressão feminina. Encontram-se arquivos de mulheres nos Estados Unidos, na França e em Amsterdã.

As dificuldades de penetrar no passado feminino têm levado os historiadores a lançarem mão da criatividade na busca de pistas que lhes permitam transpor o silêncio e a invisibilidade que perdurou por tão longo tempo neste terreno. Os Historiadores usavam de todo, seus artifícios para conhecer o comportamento e

a realidade das mulheres.

Ela nasceu com as conquistas do feminismo, é independente e segura. Ao mesmo tempo, admite que precisa de um companheiro e não se importa em ser admirada pela beleza. Ela é a mulher alfa. (VELLOSO; SANCHES; MENDONCA, 2007, p. 90).

De acordo com estas autoras a mulher alfa, trata-se de uma combinação

entre a figura da feminista clássica, aquela surgida nos anos 60, que, para conquistar espaço e independência, teve de ser durona, e a “mulherzinha” dos anos 90, personificada pela personagem Bridget Jones, que queria arrumar um companheiro bacana, manter o corpo em forma, ir à manicura uma vez por semana

e comparar muitos pares de sapato sem medo de ser tachada de perua. Essa nova espécie é a mulher alfa, uma feminista, criatura nascida para ser líder, dona de uma segurança e uma auto-suficiência sem procedentes, competente na vida acadêmica e no universo profissional. Uma mulher vaidosa, que

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gosta de cuidar de si e de ser admirada pela beleza, sem risco de cair no estereotipo da fertilidade. A mulher alfa tem potencial para mudar a estrutura do casamento, da família e do mercado de trabalho. E já há quem sustenta que ela vai dominar o futuro.

Podemos sintetizar que o surgimento da mulher alfa ocorreu com as “filhas da revolução feminista”. Esta justamente no movimento da feminista dos anos 60, nas batalhas travadas para permitir que as mulheres deixaram a função de dona de casa e passaram a trabalhar, ganhar salário e ter uma vida além do cotidiano doméstico. O surgimento da pílula anticoncepcional, em 1960, também foi um fator preponderante, pois deu a mulher à chance de optar ou não pela maternidade. O controle que quando e quantos filhos a mulher teria foi uma arma poderosa para que ela pudesse investir em outras áreas da própria vida, como a carreira. As mulheres passaram estudar e trabalhar mais.

Nos Estados Unidos, a divisão dos empregos entre mulheres e homens mostra uma evidente tendência de ascensão feminista: da década de 50 para cá, a participação dos homens no mercado de trabalho caiu de 70% para 52%, enquanto a das mulheres subiu de 30% para 48% no mesmo período ( VELLOSO; SANCHES; MENDOÇA, 2007, p. 94).

A participação feminina no mercado de trabalho caminha para a paridade com os homens, elas ocupam 44% dos postos. Segundo o IBGE, o número de mulheres chefes de famílias aumentou oito vezes entre 1995 e 2005, elas já são as principais provedoras em 28% dos lares brasileiros. As mulheres representam 56% dos brasileiros que têm 12 anos de estudo ou mais. “Elas estão finalmente começando a colher os resultados da revolução que fizeram”, diz o economista Marcelo Néri, da FGV. Para as mulheres alfa, a igualdade entre os sexos é um fato, pois nunca houve tantas mulheres em cargos importantes, em nenhum outro momento da história. Nos Estados Unidos, as mulheres podem se alistar no Exército, competir profissionalmente nos esportes, entrar em qualquer universidade. Pela primeira vez, temos uma mulher na presidência da câmara (Nancy Pelosi). Na visão dos autores as mulheres dividem o mercado de trabalho com os homens em partes quase iguais nos Estados Unidos e no Brasil. Tudo isto é fruto das conquistas feministas, que trouxeram mudanças na legislação, na família e no mercado de trabalho. Mais não podemos dizer que todas batalhas já foram vencidas

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ou que a igualdade é total. Apesar de todos avanços ainda existe o preconceito contra a mulher.

CONCLUSÃO

A partir de estudos realizados podemos ressaltar, que antes do movimento feminista as conquistas das mulheres não tinham visibilidade, pois a maioria das mulheres viviam em um modelo de sociedade tradicional. Somente com os movimentos feministas em meados da década de 60, que estas hierarquias foram sendo questionadas e várias transformações ocorreram abrindo possibilidade para as mulheres tornarem cidadãs dotadas de autonomia, direito e respeito. O movimento feminista apareceu para reivindicar mas recursos e direitos para as mulheres e também para denunciar a grande desigualdade, pois as mulheres querem, não só ingressar no mercado profissional mas ter os mesmos direitos e oportunidades que os homens, porque elas trabalham iguais ou até mais que os homens e recebem salários inferiores, devido as desigualdades sociais. Com isso a mulher vem lutando pela sua libertação e sua independência. Com muita luta as mulheres vem mostrando que além de conquistar o espaço profissional elas ainda zelam pelo bem estar familiar. Pois as mulheres utilizam as mais variadas estratégias para conciliar o trabalho profissional com a realização familiar. Ressaltando também que a mulher não deixou em nenhum momento de fazer o que era exercido das outras mulheres no passado, ou seja, continua exercendo seu papel de mãe, filha, esposa, amante e amiga. No entanto foi nos anos 90, com a constituição de 1988 que as mulheres adquire direitos iguais aos dos homens, tanto na vida pública como na privada, quebrando os tabus impostos pela sociedade. A partir dos anos 90 as mulheres tornaram mais independentes e seguras, uma feminista nascida para ser líder, dotada de auto-confiança e respeito. Mas a pesar de todos avanços do movimento feminista ainda existe o preconceito contra o sexo feminino.

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REFERÊNCIAS

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