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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA ESTÉTICA - PROF. SÉRGIO FERNANDES - 2º SEMESTRE INVERSÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA ESTÉTICA - PROF. SÉRGIO FERNANDES - 2º SEMESTRE

INVERSÃO E REVERSÃO DE VALORES

Percebe-se na leitura dos três textos propostos que existem, na história da filosofia ocidental, dois períodos onde ocorre uma inversão dos valores vigentes. Primeiro Sócrates, com seu discurso dialético, mesmo não possuindo a beleza idealizada pelos padrões gregos, seduziu os jovens atenienses e passou da posição de amante para a de amado. Depois, Nietzsche vê, nesta inversão entre o espírito dionisíaco e o racionalismo socrático, uma perigosa força que mina a vida, o princípio da dissolução grega e considera Sócrates um típico decadente.

Platão, em sua teoria das ideias, propõe um mundo incorpóreo e inteligível em oposição ao mundo sensível e material em que vivemos. Neste plano inteligível estariam as ideias. Arquétipos ideais, incorpóreos e perenes, que seriam paradigmas para suas imitações imperfeitas dos objetos físicos, que são múltiplos, concretos e perecíveis. Essa noção de imitação, a mímesis, faz com que Platão se oponha as artes, considerando-as como “simulacros com simulacros, afastados da verdade”.

O livro VII de A Republica trás uma alegoria da ascese do conhecimento. Um grupo de prisioneiros inatos, estão por toda a vida confinados no interior de uma caverna, presos de tal forma a somente lhes ser permitido olhar para a parede do fundo da caverna. Nesta parede são projetados simulacros, a partir de um fogo artificial que fica atrás dos prisioneiros, de objetos carregados por transeuntes que caminham por trás de uma parede que os separa dos prisioneiros. Como estes simulacros são tudo o que os prisioneiros viram em suas vidas, eles as tomam como verdadeiras. Porém, se um destes prisioneiros é conduzido, mesmo contra sua vontade, para fora da caverna, ao alcançar a luz do dia terá sua vista ofuscada e não conseguirá identificar mais nenhuma imagem. Então desejará retornar para junto de seus companheiros. Mas com o tempo sua vista irá se acostumar e aos poucos ele conseguirá olhar diretamente para a luz, inicialmente das

estrelas a noite, os reflexos na água e finalmente o Sol, e contemplará o bem, a verdade e

o belo em si. Após a contemplação da verdade, na forma do Sol que torna tudo visível,

este antigo prisioneiro reconhece o engano e toma conhecimento do real. Agora ele está pronto para voltar para junto dos antigos companheiros e, após se acostumar novamente

a enxergar na escuridão, com seu conhecimento da verdade consegue libertar os outros

prisioneiros, desfazendo o ilusionismo das sombras. Este é o filósofo-político de Platão.

Cachoeira

2010

INVERSÃO E REVERSÃO DE VALORES - 2

Este conceito de ideias incorpóreas e perenes, que só podem ser compreendidas pela alma, justificam as restrições feitas aos artistas por Platão. Pois “a arte humana produz de dupla maneira: o homem tanto constrói uma casa real como, na condição de pintor, pode reproduzir num quadro a imagem da casa”. O artista é portanto um criador de simulacros, já que o objeto imita a ideia e a arte imita esta imitação. Platão usa, de forma metafísica, esta relação cópia-modelo para explicar a relação sensível-inteligível e por isto sua concepção estética condena os criadores de “ilusões de realidade”. Para ele “a arte imitativa deveria preservar o caráter de cópia de seus produtos, não querendo confundi- los com objetos reais”. Assim Sócrates impõe a sabedoria acima da aparência e passa de amante a bem amado.

Em Observações sobre transvaloração e verdade em Nietzsche, encontra-se uma análise da questão da inversão de todos os valores socrático-platônicos por Nietzsche. Apesar da brevidade do artigo, fica clara a significação dos conceito de transvaloração dos valores e verdade em Nietzsche, passando, por tanto, por uma crítica ao cristianismo. Para Nietzsche, os valores são produzidos historicamente e socilamente, portanto ele nega os valores enquanto valores em si. Portanto, para Roberto Machado, invés de caracterizar a perspectiva nietzschiana como uma filosofia dos valores, “ela deveria ser definida como uma filosofia da avaliação, da valoração que afirma que só há valor graças à avaliação.”

Nietzsche, em O nascimento da tragédia (1872), apresenta duas importantes inovações ao pensamento filosófico. Por um lado, a compreensão da influência dionísica na cultura grega e por outro uma nova interpretação do socratismo, tendo Sócrates como um decadente típico, considerado instrumento da dissolução grega. Nietzsche observa que tanto em sua aparência quanto em sua descendência, Sócrates não possuía nada que os gregos classificavam “os belos e bons” e lembra que “a fealdade, em si um objeção, é entre os gregos quase uma refutação”, por isso ele questiona se era Sócrates realmente um grego. No entanto, Nietzsche percebia que, mesmo com todas as sua deficiências, Sócrates pretendia ser um especialista nas coisas do amor, queria seduzir os jovens atenienses.

Para suprir seus defeitos aparentes, e poder estar ao lado dos belos e nobres atenienses, Sócrates teria desenvolvido a dialética, que antes dele era tida como maus modos pela boa sociedade, e com ela ele enfraquecia os seus interlocutores e lhes seduzia com suas perguntas e respostas hipnotizantes. Desta forma, Sócrates opera a primeira inversão de valores, valorizando a sabedoria e a verdade, em detrimento da beleza; a moral e a justiça, em detrimento da força física e do poder; o inteligível em detrimento do sensível. Está é a base da metafísica platónica, que nega o que para Nietzsche seriam as principais forças da vida (a beleza sensível, a força física, o poder do mais forte).

Portanto a crítica ao platonismo por Nietzsche, se dá como uma crítica das noções do bem, do belo e da verdade enquanto objetos de uma filosofia metafísica e moral e assume duas posições de destaque: com a reversão a oposição de valores criada pelo platonismo e a afirmação que o mundo sensível e o verdadeiro e, o supra-sensível, é o aparente. É uma crítica aos valores niilistas da sua época, um niilismo negativo, a medida que a vida é negada, depreciada, “pois a vida, representada como irreal, como aparência, assume um valor de nada assumido pela vida, ficção dos valores superiores que lhe dão este valor de nada, vontade de nada que se exprime nesses valores superiores”. Já o niilismo no sentido mais corrente que é o niilismo “reativo” não é uma vontade e, sim, uma reação contra o mundo supra-sensível e contra os valores superiores. Desta forma não se trata mais de uma desvalorização da vida em nome dos valores superiores e sim dos próprios valores superiores.

INVERSÃO E REVERSÃO DE VALORES - 3

A crítica ao cristianismo se faz necessárias pois os valores morais cristãos constituem as supremas referências de valor que determinam os princípios normativos e éticos na modernidade. Por tanto, a transvaloração de todos os valores se faz compreender enquanto a refutação definitiva dos valores cristãos, tomando estes como uma variante e extensão do platonismo, sendo compreendidos a partir dos conceitos de decadência e niilismo, que permitem a avaliação “do lento, infinitamente complexo e penoso processo ao longo do qual se formou, mas também ao termo do qual se consuma por esgotamento, o ʻ tipo homem ʼ derivado do ideal socrático-platônico cristão”.

Para Nietzsche, a razão cristã é uma razão doente, pois desenvolve-se em um terreno completamente falso, onde os valores naturais vão de encontro contra os mais profundos instintos das classes governantes e entram em contradição com toda a legitimidade intelectual, tomando partido do que é desprovido de inteligência e “excomungando” espíritos saudáveis. Para Nietzsche estar doente é estar tomado pelo ressentimento, ressentimento este que é o mal do doente e também a sua mais natural inclinação. Liberta-se dele é o primeiro passo parra a cura de uma nova saúde. Para alcançar esta cura o espirito deve brincar, ingenuamente e sem querer, com tudo que até então era considerado santo, bom, intocável e divino. Para ele onde o povo normalmente encontra sua medida de valor, devemos desconfiar e dar uma significação de perigo, declínio ou rebaixamento.

Quanto a verdade, Nietzsche critica à exigência incondicional de uma verdade pelos filósofos, pois não se pode escolher entre a verdade ou inverdade sem um valoração. O questionamento sobre o valor e a origem da “veracidade” põe em risco o fudamento em que se apoia todo o perguntar. A necessidade de uma verdade leva o homem ao desespero e ao aniquilamento, por estar ele condenado à inverdade. Ele não tenta, com isso, criar uma nova verdade para a sua filosofia, pois a aparência, o erro, a ilusão, a mentira e o sonho são, para ele, mais importantes que a verdade. Por tanto, para Nietzsche tudo é erro, inclusive a verdade. Para ele o que decide em última instância é o valor que impulsiona a vida, o que tem valor do ponto de vista da vida.

Zimaldo Melo

2º Semestre artes visuais