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2011

2011
2011 [ EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ] “ O Homem deve ser o sujeito da sua própria

[EDUCAÇÃO E

DESENVOLVIMENTO]

“ O Homem deve ser o sujeito da sua própria Educação, não pode ser o

objecto dela. Por isso, ninguém educa ninguém.”

Paulo Freire

Docente: Maria Antónia Brites

Discente: Maria José Carolino

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Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Introdução Nas últimas duas décadas tem-se assistido a

Educação e Desenvolvimento

Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Introdução Nas últimas duas décadas tem-se assistido a um

Docente: Maria Antónia Brites

Introdução

Nas últimas duas décadas tem-se assistido a um crescer de investigações que, de forma unânime, consideram importante uma aproximação da relação escola com a família, permitindo aos alunos maior sucesso educativo. Contudo, este tem sido um percurso longo e tortuoso expressando-se, por vezes, de forma paradoxal. Os educadores continuam, no seu discurso teórico, a exprimir a necessidade dos pais na escola, mas as representações e a concretização dessa relação, no quotidiano, continua a ser muito difícil levando, por vezes, à ruptura. Sendo esta uma abordagem sistémica a escola, o aluno e a família têm de ser vistos como sistemas abertos sendo que as trocas entre si e o sucesso das mesmas depende, irremediavelmente, da relação dinâmica que estabelecem. Deste modo, para que o comportamento individual tenha sentido, quer no contexto familiar quer no contexto escolar, é necessário que os sistemas se aproximem, tentando entender-se e clarificar os papéis de uns e outros, tendo no entanto consciência que a família ocupa um lugar para toda a vida e a escola, embora possua papel fundamental na construção do “eu” é limitada no tempo. Assim, a forma de comunicação que se estabelece quer na família, quer na escola, quer entre elas é deveras o fulcro da questão. Com o surgimento dos novos tipos de famílias, bem como com as escolas repletas de alunos oriundos de diferentes estratos económicos, sociais e culturais, a comunicação que se estabelece entre os diferentes intervenientes exige uma maior compreensão e aceitação por parte de todos. Pensar sistemicamente significa ter em atenção o contexto em que o individuo se insere. Na família pontua-se a aprendizagem da gestão afectivo-emocional, enquanto na escola se canaliza o processo no sentido de adquirir competências específicas, com conteúdo intelectualizado. Esta diferença de papéis tem de ser respeitada e as intervenções de cada um dos subsistemas deve ser complementar. Todavia, assiste-se ainda a uma assimetria de poderes que dificulta o diálogo e a comunicação directa entre a família e a escola, deixando ao aluno o papel de interlocutor entre os dois sistemas comunicação indirecta. Partindo do pressuposto que a escola e a família têm funções complementares junto do aluno, não devendo nenhuma delas sobrepor-se, mas antes interagir e complementar-se,

Maria José Carolino 1110584 Mestrado de Educação e Desenvolvimento Comunitário

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Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites só é possível que a comunicação aconteça entre

Educação e Desenvolvimento

Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites só é possível que a comunicação aconteça entre sistemas,

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só é possível que a comunicação aconteça entre sistemas, de forma harmoniosa, se existir maturidade conceptual. No entanto, a comunicação escola-família ainda está longe de atingir este estado de maturação. Mantêm-se comunicações indirectas, ambiguidades, não ditos, com alguma competição e desconfiança mútua, onde ambos os sistemas se vigiam e se controlam mutuamente. Esta incapacidade gera a dita comunicação indirecta, ficando o filho/aluno refém destes conflitos relacionais, acabando por ter de os gerir. É de salientar que, por vezes, o próprio insucesso escolar é a única forma que o aluno encontra de chamar a atenção sobre si. Importa então reflectir para melhorar e recriar diferentes maneiras de interagir, mais saudáveis, no modelo de interacção comunicacional. 1

1 http://www.democraciaberta.com

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Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites 1. Família e a Sociedade A família é

Educação e Desenvolvimento

Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites 1. Família e a Sociedade A família é o

Docente: Maria Antónia Brites

1. Família e a Sociedade

A família é o primeiro espaço onde cada indivíduo se insere, sendo neste contexto que a

pessoa se inicia na sociabilização e que o levará à articulação com a comunidade. É no seio familiar que se faz a transmissão de valores, costumes e tradições, sendo neste que

a criança/jovem os absorve e se adapta há existência de regras com as quais terá de

conviver quando inserido na sociedade real. Uma família sem regras e hierarquias corre o

sério risco de formar pessoas irresponsáveis e com sérias dificuldades de integração na sociedade comum. 2

A família funciona, assim, como o lugar onde se aprende a viver, a ser e a estar e onde se

inicia o processo de consciencialização dos valores inerentes à sociedade. Esta surge com direitos e deveres, portanto, é detentora de um importante papel educativo, sendo também o principal motor de desenvolvimento das capacidades cognitivas e na estruturação das características afectivas das crianças. Sendo a instituição mais privilegiada da educação, tem sido alvo de inúmeras mudanças ao longo das últimas décadas, as quais importa conhecer e analisar. Não podemos pensar que a estrutura familiar é estanque e imutável face às mudanças sociais, económicas e politicas que ocorreram sendo, portanto, o conceito familiar existente em 1960 totalmente diferente da realidade actual.

2 www.democaraciaberta.com

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Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Educação escolar VS Educação social A Educação escolar

Educação e Desenvolvimento

Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Educação escolar VS Educação social A Educação escolar

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Educação escolar VS Educação social

A Educação escolar é parte integrante da nossa vida enquanto indivíduos, entendendo-se

por esta “o conjunto de processos, meios e instituições específicas ou de instrução que

estão directamente dirigidas ao suprimento dos graus próprios do sistema educativo regrado” (Machado, 2008:11). Podemos afirmar que o formal resume-se à escola com leis

e regras administrativas próprias, formas de organização profissional, colegial e

burocrática (Morrish, 1981). Inúmeras vezes, a escola, encontra-se um pouco fechada á comunidade, família e experiência de vida dos próprios alunos, limitando-se à relação professor/aluno, que

assenta essencialmente na transmissão de saberes e técnicas, ou seja, métodos formais

de ensinar e aprender num espaço restrito e artificial, a sala de aula (Grácio, 1973). A

educação é reduzida a algo que tem apenas como finalidade a obtenção, de num futuro próximo, uma oportunidade de trabalho, “a formação integral, social e humana, é relegada

a plano secundário ou inexistente”(Cavallet, s/d:2).

É necessário ter em conta, que não podemos apenas cingirmo-nos á educação escolar, a

educação social também é importante pois, a formação deve ser algo constante, de modo, a estarmos sempre actualizados, tendo cada vez mais oportunidades de vida e trabalho (Cavallet, s/d). Estes dois últimos tipos de educação não podem ser relegados para segundo plano, não podendo ser vistos como “um conjunto animado de jogos e actividades lúdicas, mais ou menos pedagógicas, invariavelmente desanexadas de qualquer compromisso educativo sólido, social e culturalmente enquadrado, orientado,

estruturado e avaliável” Para além da relação professor/aluno, na escola existem muito mais tipos de relações

educativas, que vão deste a relação entre funcionário/aluno, entidades privadas/escola, entidades públicas/escola, aluno/aluno, família/aluno, escola/família, entre outros, sendo este tipo de relações que formam o indivíduo (Libâneo, 2005).

É necessário ter em conta que tanto a educação escolar, como a educação social estão

presentes na educação ao longo da vida, sendo esta última “uma tarefa que compromete

a sociedade no seu todo e que se perspectiva ao longo da vida” (Canastra & Malheiro, 2009: 2027).

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Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites O educador social deve fazer a “ponte” entre

Educação e Desenvolvimento

Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites O educador social deve fazer a “ponte” entre

Docente: Maria Antónia Brites

O educador social deve fazer a “ponte” entre escola/família/comunidade trabalhando a relação entre estes três agentes educativos e o seu meio envolvente, ou seja, é um mediador socioeducativo desta relação. Este deve mediar as relações sociopedagógicas, de modo, a que exista um maior e mais saudável desenvolvimento individual e colectivo. Para além de trabalhar estas relações, o educador social poderá estar inserido num Gabinete de Apoio á Família (GAF), fazendo a ligação entre a escola e a família e estar inserido nos projectos socioeducativos inseridos na escola (Canastra & Malheiro, 2009). Segundo Canastra e Malheiro (2009), mais do que criar rivalidades entre educação escolar e educação social, é necessário juntá-las criando “estratégias sócio-pedagógica mediadoras entre estas duas realidades indissociáveis”, isto, de forma a proporcionar a emergência da educação, criando novas opções, proporcionando a mudança.

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Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Projecto socioeducativo/educativo Os projectos no seu todo

Educação e Desenvolvimento

Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Projecto socioeducativo/educativo Os projectos no seu todo

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Projecto socioeducativo/educativo

Os projectos no seu todo podem embarcar diversas áreas, dependendo da realidade onde estão inseridos, entende-se, de forma geral, projecto como “um avanço antecipado das acções a realizar para conseguir determinados objectivos” (Serrano, 2008:16). Este é utilizado como metodologia de investigação, com a finalidade de promover a mudança. Subentende uma pedagogia de aprendizagem, em detrimento da pedagogia de ensino utilizada em meio formal, tendo em conta o sujeito educativo como criador e agente dinâmico, capaz de construir o seu próprio caminho utilizando o que de melhor existe em si, as suas capacidades/potencialidades 3

Todos os projectos apresentam seis etapas que são fundamentais para a sua elaboração, sendo a primeira a identificação dos problemas e diagnóstico da situação, a segunda será a definição dos objectivos que se pretendem alcançar, a terceira consiste na selecção das estratégias a utilizar devendo estas estar em consonância com os objectivos, a quarta consiste na programação das actividades a realizar, a quinta a avaliação do trabalho (continua e final) e por último a divulgação dos resultados obtidos através de um relatório final 4

Segundo Boutinet (1996), os projectos educativos são todos aqueles “que têm por finalidade intervir na educação de crianças e dos jovens a nível da educação formal” (Boutinet, 1996, citado em Pereira & Miranda, 2003:25). Apesar de estes projectos serem essencialmente concebidos a nível escolar, isso não quer dizer que outros agentes exteriores a esta não interfiram (Macedo, 1995, citado em Pereira & Miranda, 2003). Segundo Serrano (2008), os projectos socioeducativos são aqueles que afectam “o ser humano e as suas condições de vida, relações com outros sistemas de valores, em conclusão, aquilo que contribui para a configuração da cultura de um povo” (Serrano, 2008: 17). Em suma, os projectos socioeducativos são sempre educativos, mas o contrário já não acontece. Ambos promovem essencialmente a mudança, utilizando uma metodologia de investigação-acção, uma coordenação entre o teórico e o prático. É de ressalvar que estes são a principal ferramenta do educador social no seu trabalho diário.

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Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Estratégias utilizadas pelo Educador Social “La actividad

Educação e Desenvolvimento

Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Estratégias utilizadas pelo Educador Social “La actividad

Docente: Maria Antónia Brites

Estratégias utilizadas pelo Educador Social

“La actividad profesional en educación social supone una función pública reconocida y acreditada con la titulación pertinente, que a partir del uso de metodologías y técnicas apropriadas intenta cumplir con la normativa laboral vigente” (Petrus, 1997).

O educador social é um técnico que trabalha na/com/para a comunidade, escola e família, utilizando na sua intervenção a interface comunicativa, a comunicação sócio-pedagógica, dinâmicas sociais, a educação para a cidadania, a mediação e essencialmente, tem como principal ferramenta de trabalho a investigação-acção da prática educativa, isto tudo, com o objectivo de promover o auto-desenvolvimento social das comunidades e a dinamização de espaço-tempo educativos (Canastra & Malheiro, 2009). As metodologias utilizadas pelo educador social, devem ser sempre adequadas ao terreno, procurando compreender os “processos de (re)construção da experiência social (ou educativa), tendo como mediação os “discursos” dos actores implicados” (Flick, 2005; Guba, 1983, citado em Canastra, 2007:160).

No caso concreto da investigação-acção, a finalidade básica da investigação é a transformação da prática educativa, que se desenvolve num processo permanente de acção e de reflexão. Procura vincular o conhecimento com a acção transformadora com o objectivo de obter conhecimento para a prática a partir da própria prática, sendo um processo de análise reflexiva e na qual o investigador é, ao mesmo tempo, sujeito e objecto de investigação. 5 A metodologia de investigação-acção é uma óptima ferramenta de trabalho para que, o Técnico de Educação Social, consiga desenvolver a sua acção, uma vez que permite contactar directamente com o público com quem vai intervir, seguindo os seus interesses, levando na sua prática educativa uma função de agente de mudança. O Técnico de Educação Social exerce uma intervenção socioeducativa centrada no potencial já existente em situações de aprendizagem focando-se “na interface comunicativa que se joga no quadro das várias mediações socioeducativas” (Canastra,

2009)

5 In Enciclopédia de Educação A Investigação Educacional

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Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Em resumo, a realidade educativa, pela própria natureza

Educação e Desenvolvimento

Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Em resumo, a realidade educativa, pela própria natureza está

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Em resumo, a realidade educativa, pela própria natureza está sujeita na sua actuação a limites de diversa ordem, tal como: ambientais, técnicos, derivados do objecto de estudo e de tipo ético ou moral. O investigador não deve, em caso algum, ultrapassar esses limites, e a sua actividade profissional tem de se guiar por princípios deontológicos.

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Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Bibliografia FREIRE, Paulo. Educação e Mudança.

Educação e Desenvolvimento

Educação e Desenvolvimento Docente: Maria Antónia Brites Bibliografia FREIRE, Paulo. Educação e Mudança.

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Bibliografia

FREIRE, Paulo. Educação e Mudança. Tradução de Moacir Gadotti e Lillian Lopes Martin. 24º Ed. São Paulo: Editora Paz e Terra S.A., 2001

CANASTRA, Fernando Augusto Coelho (2007). O perfil formativo-profissional do educador social - um estudo a partir das narrativas experienciais de autoformação. Tese de doutoramento, Universidade Aberta.

CANASTRA, Fernando & MALHEIRO, Manuela (2009). O papel do educador social no quadro das novas mediações socioeducativas.

CARVALHO, Adalberto Dias de & BAPTISTA, Isabel (2004). Educação Social: Fundamentos e estratégias, Porto: Porto Editora.

Enciclopédia de Educação A Investigação Educacional

GRÁCIO, Rui (1973). Educação e Educadores. Lisboa: Livros Horizonte.

MORRISH, Ivor (1981). Para uma educação em mudança. Lisboa: Livros Horizonte.

PEREIRA, Alda & MIRANDA, Branca (2003). Problemas e projectos educacionais. Lisboa:

Universidade Aberta.

SANCHES, Isabel (2005). Compreender, agir, mudar, incluir. Da investigação-acção à educação inclusiva. Revista Lusófona de Educação,

SERRANO, Gloria Pérez (2008). Elaboração de Projectos Sociais: casos práticos, Porto: Porto Editora.

SILVA, Augusto Santos & PINTO, José Madureira (orgs.) (1999). Metodologia das ciências sociais. Edições Afrontamento.

ZEICHNER, K. (1993). A formação reflexiva de professores: ideias e práticas. Lisboa: Educa.

Weblografia

BRONFENBRENNER citado por SANCHES, Isabel (2005). Compreender, Agir, Mudar, Incluir. Da

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inclusiva,

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GADOTTI,

Moacir

(2005).

A

questão

da

educação

formal/não-formal,

disponível

em

THE BEMISACARU - A Educação Formal e a Educação Não Formal, disponível em

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