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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS DEPARTAMENTO DE DIREITO PRIVADO HISTÓRIA E ANTROPOLOGIA JURÍDICA

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS DEPARTAMENTO DE DIREITO PRIVADO

HISTÓRIA E ANTROPOLOGIA

JURÍDICA

Adaumirton Dias Lourenço

João Pessoa

2017.1

EMENTA

Visão global das instituições jurídicas através das primeiras civilizações que habitaram nosso planeta, com estudo mais detalhado daquelas que deram origem e fundamento ao nosso direito. História do direito brasileiro.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

  • 1. Apresentação formal da disciplina.

  • 2. Aspectos gerais da Antropologia Jurídica e da História do Direito.

  • 3. A cultura e o Direito das Sociedades Tradicionais Primitivas: comunidades primitivas e suas relações com as normas costumeiras e religiosas; organização sócio-política, cultural e jurídica; a propriedade, os bens e a família.

4.

Os egípcios: sociedade; política; religião; economia e direito; principais instituições jurídicas.

  • 5. Os mesopotâmios: sociedade; economia; política e direito; O Código de Hammurabi.

  • 6. Os hebreus: cultura jurídica judaica; a legislação mosaica.

  • 7. Os gregos: filosofia; política; direito; a organização social e as lutas políticas; principais instituições jurídicas.

  • 8. Direito romano clássico: seus institutos jurídicos e seu legado.

  • 9. PRIMEIRA AVALIAÇÃO.

    • 10. Sistemas jurídicos não ocidentais.

    • 11. O Direito na Idade Média.

    • 12. Direito e sociedade na Idade Moderna.

13.

SEGUNDA AVALIAÇÃO

  • 14. História do Direito Brasileiro: a experiência colonial e imperial.

  • 15. História do Direito Brasileiro: a experiência republicana (1889-1930).

  • 16. História do Direito Brasileiro: o período 1930-1945.

  • 17. História do Direito Brasileiro: o período 1945-1964.

  • 18. História do Direito Brasileiro: a ditadura militar (1964-1985).

  • 19. História do Direito Brasileiro: a constituinte de 1987/1988 e seus desdobramentos.

  • 20. TERCEIRA AVALIAÇÃO.

  • 21. AVALIAÇÃO DE REPOSIÇÃO.

  • 22. AVALIAÇÃO FINAL.

METODOLOGIA

  • - Aula expositiva;

à

  • - leitura,

Incentivo

pesquisa

e

redação,

bem

como

à

revisão

continuada dos conteúdos ministrados em sala de aula;

 
  • - participação

Estímulo

à

do

discente

em

sala

de

aula

e

ao

desenvolvimento do seu raciocínio lógico-jurídico;

  • - Realização

de

seminários;

debates,

estudos

dirigidos

e,

eventualmente,

  • - Utilização de quadro branco, data show, textos e outros recursos didáticos que se fizerem convenientes.

PROCEDIMENTOS DE AVALIAÇÃO DA

APRENDIZAGEM

Realização de provas escritas sem consulta à doutrina, legislação, jurisprudência, livro ou qualquer outro material. Tais provas poderão ser acrescentadas de procedimentos de avaliação contínua acerca da participação efetiva dos discentes em sala de aula, bem como de listas de exercícios, trabalhos científicos, debates e seminários.

BIBLIOGRAFIA

BARBOSA, Leonardo Augusto de Andrade. História constitucional brasileira: mudança constitucional, autoritarismo e democracia no Brasil pós-1964. Brasília: Câmara dos Deputados, 2012. (Disponível em pdf. Link:

bd.camara.leg.br/bd/handle/bdcamara/10028)

CASTRO, Flávia Lages de. História do direito geral e Brasil. 7. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009.

LOPES, José Reinaldo de Lima. O direito na história: lições introdutórias. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2014.

ROULAND, Norbert. Nos confins do direito: antropologia jurídica na modernidade. Tradução de Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São

Paulo: Martins Fontes, 2008.

WOLKMER, Antônio Carlos (Org.). Fundamentos de história do direito. 8. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Del Rey, 2015.

EXPOSIÇÃO DO CONTEÚDO

1 HISTÓRIA DO DIREITO E ANTROPOLOGIA JURÍDICA

A HISTÓRIA:

De acordo com o Dicionário Aurélio, a palavra HISTÓRIA significa:

1. Narração metódica dos fatos notáveis ocorridos na vida dos povos, em particular, e na vida da humanidade, em geral: a história do Brasil; história universal.

2. Conjunto de conhecimentos adquiridos através da tradição e/ou por

meio dos documentos, relativos à evolução, ao passado da humanidade.

3. Ciência

e método

que

conhecimentos.

permitem adquirir

e transmitir aqueles

A ANTROPOLOGIA:

De acordo com o Dicionário Aurélio, a palavra ANTROPOLOGIA significa:

1. O estudo ou reflexão acerca do ser humano, do que lhe é específico.

2. Designação comum a diferentes ciências ou disciplinas cujas

finalidades são descrever o ser humano e analisá-lo com base nas características biológicas (v. antropologia biológica) e socioculturais (v. antropologia cultural) dos diversos grupos em que se distribui, dando

ênfase às diferenças e variações entre esses grupos.

Áreas de estudo da antropologia (Olney Queiroz Assis e Vitor Frederico Kumpel):

Antropologia cultural ou social: consiste no estudo de tudo que constitui as sociedades humanas: seus modos de produção

econômica, suas descobertas e invenções, suas técnicas, sua organização política e jurídica, seus sistemas de parentesco, seus sistemas de conhecimento, suas crenças religiosas, sua língua, sua psicologia, suas criações artísticas.

Antropologia biológica o física: consiste no estudo de problemas como o da evolução do homem a partir das formas animais; de sua

distribuição atual em grupos étnicos, distinguidos por caracteres anatômicos ou fisiológicos.

Antropologia pré-histórica: consiste no estudo do homem através

dos vestígios materiais enterrados no solo; visa reconstituir as

sociedades desaparecidas, tanto em suas técnicas e organizações

sociais quanto em suas produções culturais e artísticas.

Antropologia linguística: considera a linguagem parte do patrimônio cultural de uma sociedade, o meio pelo qual ela expressa seus valores,

crenças e pensamentos. Consiste no estudos dos dialetos e das

técnicas modernas de comunicação.

O DIREITO:

Segundo Flávia Lages de Castro (2009, p. 2-4):

“Entende-se, em sentido comum, o Direito como sendo o conjunto de normas para aplicação da justiça e a minimização de conflitos de uma dada sociedade. Estas normas, estas regras, esta sociedade não são possíveis sem o Homem, porque é o Ser Humano quem faz o Direito e para ele que o Direito é feito”.

“[...]

sendo o Direito uma produção humana, ele também é cultura e é

produto do tempo histórico no qual a sociedade que o produziu ou produz

está inserida”.

HOMEM
HOMEM
DIREITO
DIREITO

HISTÓRIA

O DIREITO : Segundo Flávia Lages de Castro (2009, p. 2-4): “Entende -se, em sentido comum,

ANTROPOLOGIA

2 DIREITO, HISTÓRIA, ANTROPOLOGIA E ESCRITA

Para Norbert Rouland (2008, p. 3; 34):

A antropologia jurídica

“[...]

ambiciona estudar os sistemas jurídicos

gerados pelas sociedades humanas, sem exclusividade. Postula que

qualquer sociedade conhece o direito, mesmo que varie o conteúdo

dele,

e

que cada

uma delas

regulação jurídica”.

não concede a mesma importância

à

“Muitos juristas ainda são reticentes em lhes reconhecer a existência do direito [às sociedades “primitivas”, tradicionais ou ágrafas sem escrita], de tanto que continuam a estreitar os laços entre direito e

escrita. A antropologia jurídica felizmente refuta esses preconceitos. Hoje está amplamente demonstrado que as sociedades tradicionais podem, sem ser um pouco atrapalhadas pela oralidade, constituir sistemas jurídicos tão perfeitos quanto os das civilizações da escrita”.

3 O DIREITO NAS SOCIEDADES PRIMITIVAS

Compreende o Direito dos povos/civilizações ágrafas (sem escrita), que existem desde a pré-história até os períodos atuais (ex.: aborígenes, índios etc.).

Sua base geradora se encontra,

“[...]

primeiramente, nos laços de

consanguinidade, nas práticas de convívio familiar de um mesmo grupo social, unido por crenças e tradições” (WOLKMER, 2015, p. 3).

Segundo Antonio Carlos Wolkmer (2015, p. 6-7), o Direito nas sociedades arcaicas possui as seguintes características:

Não é legislado, suas regras mantêm-se e conservam-se pela tradição.

Sua regras são repassadas pelos chefes ou anciões e/ou mediante

provérbios ou adágios.

Cada organização social possui um Direito único, que não se confunde com o de outras formas de associação.

Pluralidade.

Profunda contaminação pela prática religiosa.

Direito em nascimento: não há uma clara distinção entre o que é jurídico (cumprimento consciente das normas de comportamento) e o que não é jurídico.

FONTES:

Costumes (“a religião aparece como fenômeno determinante, na medida em que o receio e a ameaça permanente dos poderes sobrenaturais é que garante o rígido cumprimento dos costumes).

Preceitos verbais (ordem, determinação, prescrição “proferidos pelos chefes de tribos ou de clãs que se impõem pela autoridade e pelo respeito de que desfrutam”).

Decisões reiteradas sobre conflitos da mesma natureza.

REFERÊNCIAS

ASSIS, Olney Queiroz; KUMPEL, Vitor Frederico. Manual de antropologia jurídica. São Paulo: Saraiva, 2011. Capítulos 1 e 4.

CASTRO, Flávia Lages de. História do direito geral e Brasil. 7. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009. Capítulo 1.

ROULAND, Norbert. Nos confins do direito: antropologia jurídica na modernidade. Tradução de Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 2008. p. 1-35.

WOLKMER, Antônio Carlos (Org.). Fundamentos de história do direito. 8. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Del Rey, 2015. Capítulo 1.

4

DIREITO

E

SOCIEDADE

NO

ORIENTE

ANTIGO: MESOPOTÂMIA E EGITO

4 DIREITO E SOCIEDADE NO ORIENTE ANTIGO: MESOPOTÂMIA E EGITO

4.1

ASPECTOS

GEOGRÁFICOS,

POLÍTICOS,

ECONÔMICOS E JURÍDICOS

MESOPOTÂMIA

   

EGITO

Escrita cuneiforme (por volta de

Hieróglifos (entre 3100 e 3000

  • 3100 a.C.).

a.C.).

Surgimento de cidades (entre

Surgimento de cidades (entre

  • 3100 e 2900 a.C.).

 

3100 e 2890 a.C.).

Proximidade

de

bacias

Proximidade

de

bacias

hidrográficas (rios

Tigre

e

hidrográficas (rio Nilo).

do Sul e do Norte (3100 a.C),

Eufrates). Composta por cidades-estados

Desde a unificação dos reinos

dotadas de alto grau de

possuiu

uma

monarquia

com

independência (com divindades,

poder central definido na pessoa

governantes, órgãos políticos e,

do faraó e capital situada

em

por vezes, exércitos próprios).

determinada cidade

do

reino

Ex.: Ur, Uruk, Lagash, Babilônia, Acádia, Nínive, Assur etc. Monarca como representante do Deus.

(Mênfis, Tebas, Sais etc.). Monarca como Deus.

MESOPOTÂMIA

 

EGITO

 

Economia:

agricultura

e

Economia:

agricultura

e

comércio.

comércio. Solo

mais

fértil,

rio

Direito: revelação divina.

mais estável e maiores riquezas

 

naturais. Direito: revelação divina.

 

4.2 MESOPOTÂMIA: O CÓDIGO DE HAMMURABI

Descoberto na Pérsia em 1901.

Promulgado, aproximadamente, em 1694 a.C pelo rei Hammurabi (da Babilônia). Composto por 282 artigos dispostos em cerca de 3600 linhas

de texto. Abrange, praticamente, todos os aspectos ligados à dinâmica da sociedade babilônica (definição de

penas, institutos de direito privado,

disciplinamento da economia etc.). Acredita-se tratar de uma grande compilação de normas anteriormente dispostas em outros documentos, como o Código de Ur-Namu (entre 2140 e 2004

a.C.), e em decisões tomadas em casos concretos.

4.2 MESOPOTÂMIA: O CÓDIGO DE HAMMURABI • Descoberto na Pérsia em 1901. • Promulgado, aproximadamente, em

PRÓLOGO

"Quando o alto Anu, Rei de Anunaki e Bel, Senhor da Terra d dos Céus,

determinador dos destinos do mundo, entregou o governo de toda

humanidade a

Marduk...

quando foi pronunciado o alto nome da Babilônia;

quando ele a fez famosa no mundo e nela estabeleceu um duradouro reino cujos alicerces tinham a firmeza do céu e da terra - por esse tempo de Anu e Bel me chamaram, a mim, Hamurabi, o excelso príncipe, o adorador dos

deuses, para implantar a justiça na terra, para destruir os maus e o mal,

para prevenir a opressão do fraco pelo

forte...

para iluminar o mundo e

propiciar o bem-estar do povo. Hamurabi, governador escolhido por Bel,

sou eu, eu o que trouxe a abundância à terra; o que fez obra completa para Nippur e Durilu; o que deu vida à cidade de Uruk; o que supriu água com

abundância aos seus habitantes;

...

o que tornou bela a cidade de

Borsippa;

...

o que enceleirou grãos para a poderosa Urash;

...

o que ajudou

o povo em tempo de necessidade; o que estabeleceu a segurança na

Babilônia; o governador do povo, o servo cujos feitos são agradáveis a Anunit".

ESTRUTURA SOCIAL RETRATADA NO CÓDIGO DE HAMMURABI

De acordo com Flávia Lages de Castro (2009, p. 15):

“A Sociedade da Babilônia da época de Hammurabi é dividida, conforme indica o próprio código, em três camadas sociais:

Os awilum: o homem livre, como todos os direitos de cidadão. Este é o maior grupo da sociedade hammurabiana e compreendia tanto ricos quanto pobres desde que fossem livres.

Os muskênum: são uma camada que ainda suscita muitas dúvidas por parte dos estudiosos. Parecem ter sido uma camada

intermediária

entre

os

awilum

e

os

escravos,

formada

por

funcionários públicos, com direitos e deveres específicos.

Os escravos: eram a minoria da população, geralmente prisioneiros de guerra”.

A PENA DE TALIÃO

196º - Se alguém arranca o olho a um outro, se lhe deverá arrancar o olho.

197º - Se ele quebra o osso a um outro, se lhe deverá quebrar o osso.

198º - Se ele arranca o olho de um liberto, deverá pagar uma mina.

199º - Se ele arranca um olho de um escravo alheio, ou quebra um osso ao escravo alheio, deverá pagar a metade de seu preço.

200º - Se alguém parte os dentes de um outro, de igual condição, deverá ter partidos os seus dentes.

201º - Se ele partiu os dentes de um liberto deverá pagar um terço de mina.

202º - Se alguém espanca um outro mais elevado que ele, deverá ser espancado em público sessenta vezes, com o chicote de couro de boi.

229º - Se um arquiteto constrói para alguém e não o faz solidamente e a casa que ele construiu cai e fere de morte o proprietário, esse arquiteto deverá ser morto.

230º - Se fere de morte o filho do proprietário, deverá ser morto o filho do arquiteto.

231º - Se mata um escravo do proprietário ele deverá dar ao proprietário da casa escravo por escravo.

FALSO TESTEMUNHO

- Se alguém em um processo se apresenta como testemunha de acusação e, não prova o que disse, se o processo importa perda de vida,

ele deverá ser morto.

- Se alguém se apresenta como testemunha por grão e dinheiro, deverá suportar a pena cominada no processo.

ROUBO E RECEPTAÇÃO

6º - Se alguém furta bens do Deus ou da Corte deverá ser morto; e mais quem recebeu dele a coisa furtada também deverá ser morto.

22º - Se alguém comete roubo e é preso, ele é morto.

ESTUPRO

130º - Se alguém viola a mulher que ainda não conheceu homem e vive na casa paterna e tem contato com ela e é surpreendido, este homem deverá ser morto, a mulher irá livre.

FAMÍLIA

128º - Se alguém toma uma mulher, mas não conclui um contrato com ela, esta mulher não é esposa.

152º - Se depois que a mulher entra na casa do marido, ambos têm um débito, deverão ambos pagar ao negociante.

175º - Se um escravo da Corte ou o escravo de um liberto desposa a mulher de um homem livre e gera filhos, o senhor do escravo não pode propor ação de escravidão contra os filhos da mulher livre.

ESCRAVOS

117º - Se alguém tem um débito vencido e vende por dinheiro a mulher, o filho e a filha, ou lhe concedem descontar com trabalho o débito, aqueles deverão trabalhar três anos na casa do comprador ou do senhor, no quarto ano este deverá libertá-los.

DIVÓRCIO

141º - Se a mulher de alguém, que habita na casa do marido, se propõe a abandoná-la e se conduz com leviandade, dissipa sua casa, descura do

marido e é convencida em juízo, se o marido pronuncia o seu repúdio, ele a mandará embora, nem deverá dar-lhe nada como donativo de repúdio. Se o marido não quer repudiá-la e toma outra mulher, aquela deverá ficar como serva na casa de seu marido.

142º - Se uma mulher discute com o marido e declara: "tu não tens comércio comigo", deverão ser produzidas as provas do seu prejuízo, se ela é inocente e não há defeito de sua parte e o marido se ausenta e a descura muito, essa mulher não está em culpa, ela deverá tomar o seu donativo e voltar à casa de seu pai.

143º - Se ela não é inocente, se ausenta, dissipa sua casa, descura seu marido, dever-se-á lançar essa mulher nágua.

ADULTÉRIO

144º - Se alguém toma uma mulher e esta dá ao marido uma serva e tem filhos, mas o marido pensa em tomar uma concubina, não se lhe deverá conceder e ele não deverá tomar uma concubina.

145º - Se alguém toma uma mulher e essa não lhe dá filhos e ele pensa em tomar uma concubina, se ele toma uma concubina e a leva para sua casa, esta concubina não deverá ser igual à esposa.

129º - Se a esposa de alguém é encontrada em contato sexual com um outro, se deverá amarrá-los e lança-los nágua, salvo se o marido perdoar à sua mulher e o rei a seu escravo.

131º - Se a mulher de um homem livre é acusada pelo próprio marido, mas não surpreendida em contato com outro, ela deverá jurar em nome

de Deus e voltar à sua casa.

132º - Se contra a mulher de um homem livre é proferida difamação por causa de um outro homem, mas não é ela encontrada em contato com

outro, ela deverá saltar no rio por seu marido.

HERANÇA

170º - Se a alguém sua mulher ou sua serva deu filhos e o pai, enquanto vive diz aos filhos que a serva lhe deu: "filhos meus", e os conta entre os

filhos de sua esposa; se depois o pai morre, os filhos da serva e da esposa deverão dividir conjuntamente a propriedade paterna. O filho da esposa tem a faculdade de fazer os quinhões e de escolher.

171º - Se, porém, o pai não disse em vida aos filhos que a serva lhe deu:

"filhos meus", e o pai morre, então os filhos da serva não deverão dividir com os da esposa, mas se deverá conceder a liberdade à serva e aos

filhos, os filhos da esposa não deverão fazer valer nenhuma ação de

escravidão contra os da serva; a esposa poderá tomar o seu donativo e a doação que o marido lhe fez e lavrou por escrito em um ato e ficar na habitação de seu marido; enquanto ela vive, deverá gozá-la, mas deverá vendê-la por dinheiro. A sua herança pertence aos seus filhos.

183º - Se alguém faz um donativo à sua filha nascida de uma concubina e a casa, e lavra um ato, se depois o pai morre, ela não deverá receber parte nenhuma da herança paterna.

184º - Se alguém não faz um donativo a sua filha nascida de uma concubina, e não lhe dá marido, se depois o pai morre, os seus irmãos

deverão, segundo a importância do patrimônio paterno, fazer um presente e dar-lhe marido.

DEFESA DO CONSUMIDOR

218º - Se um médico trata alguém de uma grave ferida com a lanceta de bronze e o mata ou lhe abre uma incisão com a lanceta de bronze

e o olho fica perdido, se lhe deverão cortar as mãos.

219º - Se o médico trata o escravo de um liberto de uma ferida grave com a lanceta de bronze e o mata, deverá dar escravo por escravo.

220º - Se ele abriu a sua incisão com a lanceta de bronze o olho fica perdido, deverá pagar metade de seu preço.

233º - Se um arquiteto constrói para alguém uma casa e não a leva ao fim, se as paredes são viciosas, o arquiteto deverá à sua custa

consolidar as paredes.

235º - Se um bateleiro constrói para alguém um barco e não o faz solidamente, se no mesmo ano o barco é expedido e sofre avaria, o bateleiro deverá desfazer o barco e refazê-lo solidamente à sua custa;

o barco sólido ele deverá dá-lo ao proprietário.

REFERÊNCIAS

CASTRO, Flávia Lages de. História do direito geral e Brasil. 7. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009. Capítulo 2.

CÓDIGO DE HAMMURABI. Disponível em:

2017.

WOLKMER, Antônio Carlos (Org.). Fundamentos de história do direito. 8. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Del Rey, 2015. Capítulo 2.

5 DIREITO HEBRAICO ANTIGO

Gênesis 12:

1Iahweh disse a Abraão: "Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei. 2Eu farei de ti um grande povo, eu te abençoarei, engrandecerei teu nome; sê uma bênção! 3Abençoarei os que te abençoarem, amaldiçoarei os que te amaldiçoarem. Por ti serão benditos todos os clãs da terra.

Fonte de informações sobre a história e o Direito hebraico: Bíblia Hebraica (Velho Testamento) ou Tanakh (para os judeus).

  • Torah (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio):

forma escrita dos ensinamentos transmitidos diretamente por Deus a Moisés.

  • Talmud: registro da forma oral transmitida por Moisés aos sábios de sua geração e, a partir daí, sucessivamente.

5.1 HISTÓRIA DA ISRAEL ANTIGA

Compreende o período de 2000 a.C. a 135 d.C.

Período Patriarcal:

do século

XXI a.C.

ao século XVI

a.C. (povo

nômade).

Período da Confederação/tempo dos Juízes: do século XVI a.C ao século XII a.C. (formado pelas 12 tribos).

Período do Reino Unido: do século XII a.C. ao século X a.C. (período da monarquia abrangeu os reinados de Saul, Davi e Salomão).

Período do Reino Dividido: do século X a.C. ao século VI a.C. (formado pelos reinos do norte capital em Samaria e do sul capital em Jerusalém).

Período da Vassalagem: do século VI a.C. ao século II d.C. (domínio persa, grego e romano)

5.2

CARACTERÍSTICAS DO POVO HEBREU

Agricultores/pastores/comerciantes

Monoteísmo

No período monárquico, os reis não possuíam status divino e se submetiam às leis.

  • 5.3 LEIS EXTRAÍDAS DO DEUTERONÔMIO

CAPÍTULO 12:

1São estes os estatutos e as normas que cuidareis de

pôr em prática na terra cuja posse Iahweh, Deus dos teus pais te dará, durante todos os dias em que viverdes sobre a terra.

O DECÁLOGO CAPÍTULO 5

1Moisés convocou todo Israel e disse: Ouve, ó Israel, os estatutos e as

normas que hoje proclamo aos vossos ouvidos. Vós os aprendereis e

cuidareis de pô-los em prática. 2Iahweh nosso Deus concluiu conosco uma Aliança no Horeb. 3Iahweh não concluiu esta Aliança com nossos pais, mas conosco, conosco que estamos hoje aqui, todos vivos. 4Iahweh falou convosco face a face, do meio do fogo, sobre a montanha.

5Eu estava então entre Iahweh e vós, para vos anunciar a palavra de

Iahweh, pois ficastes com medo do fogo e não subistes à montanha. Ele

disse: 6" Eu sou Iahweh teu Deus, aquele que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravidão- 7Não terás outros deuses diante de mim. 8Não farás para ti imagem esculpida, de nada que se assemelhe ao que

existe lá em cima, no céu, ou cá embaixo na terra, ou nas águas que

estão debaixo da terra. 9Não te prostrarás diante desses deuses nem os

servirás, porque eu, Iahweh teu Deus, sou um Deus ciumento, que puno a iniqüidade dos pais sobre os filhos, até a terceira e a quarta geração dos que me odeiam, 10mas que também ajo com amor até a milésima geração para com aqueles que me amam e guardam os meus

mandamentos. 11Não pronunciarás em vão o nome de Iahweh teu Deus,

pois Iahweh não deixará impune aquele que pronunciar em vão o seu

nome. 12Guardarás o dia de sábado para santificá-lo, conforme ordenou

Iahweh teu Deus. 13Trabalharás durante seis dias e farás toda a tua obra; 14o sétimo dia, porém, é o sábado de Iahweh teu Deus. Não farás nenhum trabalho, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu boi, nem teu jumento, nem qualquer dos teus animais, nem o estrangeiro que está em tuas portas. Deste modo o teu

escravo e a tua escrava poderão repousar como tu. 15Recorda que foste

escravo na terra do Egito, e que Iahweh teu Deus te fez sair de lá com mão forte e braço estendido. É por isso que Iahweh teu Deus te ordenou guardar o dia de sábado. 16Honra teu pai e tua mãe, conforme te ordenou Iahweh teu Deus, para que os teus dias se prolonguem e tudo

corra bem na terra que Iahweh leu Deus te dá. 17Não matarás. 18Não

cometerás adultério. 19Não roubarás. 20Não apresentarás um falso testemunho contra o teu próximo. 21Não cobiçarás a mulher do teu próximo; nem desejarás para ti a casa do teu próximo, nem o seu campo,

nem o seu escravo, nem a sua escrava, nem o seu boi, nem o seu

jumento, nem coisa alguma que pertença a teu próximo." 22Tais foram as

palavras que, em alta voz, Iahweh dirigiu a toda a vossa assembléia no monte, do meio do fogo, em meio a trevas, nuvens e escuridão. Sem nada acrescentar, escreveu-as sobre duas tábuas de pedra e as entregou a mim.

1°) AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS 2°) NÃO TOMAR SEU SANTO NOME EM VÃO 3°) GUARDAR DOMINGOS E FESTAS DE GUARDA 4°) HONRAR PAI E MÃE 5°) NÃO MATAR 6°) NÃO PECAR CONTRA A CASTIDADE 7°) NÃO ROUBAR 8°) NÃO LEVANTAR FALSO TESTEMUNHO 9°) NÃO DESEJAR A MULHER DO PRÓXIMO l0°) NÃO COBIÇAR AS COISAS ALHEIAS

JUSTIÇA:

IMPARCIALIDADE - CAPÍTULO 1 - 16Ao mesmo tempo, ordenei aos vossos juízes: "Ouvireis vossos irmãos para fazerdes justiça entre um homem e seu irmão, ou o estrangeiro que mora com ele. 17Não façais acepção de pessoas no julgamento: ouvireis de igual modo o pequeno e o grande. A ninguém temais, porque a sentença é de Deus. Se a causa for muito difícil para vós, dirigi-la-eis a mim, para que eu a ouça.

JUÍZES NÃO CORROMPIDOS CAPÍTULO 16 - 18Estabelecerás juízes e escribas em cada uma das cidades que Iahweh teu Deus vai dar para as tuas tribos. Eles julgarão o povo com sentenças justas. 19Não

perverterás o direito, não farás acepção de pessoas e nem aceitarás

suborno, pois o suborno cega os olhos do sábio e falseia a causa dos justos. 20Busca somente a justiça, para que vivas e possuas a terra que Iahweh teu Deus te dará.

.

PROCESSO:

INVESTIGAÇÃO CAPÍTULO 13 - 13Caso ouças dizer que, numa das cidades que Iahweh teu Deus te dará para aí morar, 14homens vagabundos, procedentes do teu meio, seduziram os habitantes da sua

cidade, dizendo: "Vamos servir a outros deuses", que não conhecestes,

15deverás investigar, fazendo uma pesquisa e interrogando cuidadosamente. Caso seja verdade, se o fato for constatado, se esta

abominação foi praticada em teu meio, 16deverás então passar a fio de espada os habitantes daquela cidade. Tu a sacrificarás como anátema,

juntamente com tudo o que nela existe.

CAPÍTULO 17 - 2Se em teu meio, numa das cidades que Iahweh teu Deus te dará, houver algum homem ou mulher que faça o que é mau aos olhos de Iahweh leu Deus, transgredindo sua Aliança 3para servir a outros deuses e prostrar-se diante deles diante do sol, da lua ou todo o exército do céu , o que eu não ordenei; 4se isto for denunciado a ti, ou se tu o ouvires, primeiro farás uma acurada investigação. Se for verdade, se for constatado que uma tal abominação foi cometida em Israel, 5então farás sair para as portas da cidade o homem ou a mulher que cometeu esta má ação, e apedrejarás o homem ou a mulher até que morra.

PENA DE TALIÃO:

CAPÍTULO 19 - 21Que teu olho não tenha piedade. O talião Vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.

MORTE POR APEDREJAMENTO:

IDÓLATRAS CAPÍTULO 17 - Se for verdade, se for constatado que uma tal abominação foi cometida em Israel, 5então farás sair para as

portas da cidade o homem ou a mulher que cometeu esta má ação, e

apedrejarás o homem ou a mulher até que morra.

FEITICEIROS LEVÍTICO 20 - 27O homem ou a mulher que, entre vós, forem necromantes ou adivinhos serão mortos, serão apedrejados, e o

seu sangue cairá sobre eles.

FILHOS REBELDES CAPÍTULO 21 - 18Se alguém tiver um filho rebelde e indócil, que não obedece ao pai e à mãe e não os ouve mesmo quando o corrigem, 19o pai e a mãe o pegarão e levarão aos anciãos da

cidade, à porta do lugar, 20e dirão aos anciãos da cidade: Este nosso

filho é rebelde e indócil, não nos obedece, é devasso e beberrão.

21E todos os homens da cidade o apedrejarão até que morra. Deste modo extirparás o mal do teu meio, e todo Israel ouvirá e ficará com medo.

CIDADES DE REFÚGIO, HOMICÍDIO INVOLUNTÁRIO E HOMICÍDIO:

CAPÍTULO 19 - 1Quando Iahweh teu Deus houver eliminado as nações cuja terra Iahweh teu Deus te dará, e as conquistares e estiveres morando em suas cidades e casas, 2separarás três cidades no meio da

terra cuja posse Iahweh teu Deus te dará. 3Estabelecerás o caminho,

medirás as distâncias e dividirás em três partes o território da terra que Iahweh teu Deus te dará como herança; isto para que nela se refugie

todo o homicida. 4Este é o caso do homicida que poderá se refugiar lá para se manter vivo: aquele que matar seu próximo involuntariamente,

sem tê-lo odiado antes 5( por exemplo: alguém vai com seu próximo ao

bosque para cortar lenha; impelindo com força o machado para cortar a árvore, o ferro escapa do cabo, atinge o companheiro e o mata): ele poderá então se refugiar numa daquelas cidades, ficando com a vida salva; 6para que o vingador do sangue, enfurecido, não persiga o homicida e o alcance, porque o caminho é longo, tirando-lhe a vida sem motivo suficiente, pois antes ele não era inimigo do outro.

11Contudo, se alguém é inimigo do seu próximo e lhe arma uma cilada, levantando-se e ferindo-o mortalmente, e a seguir se refugia numa

daquelas cidades, 12os anciãos da sua cidade enviarão pessoas para tirá- lo de lá e entregá-lo ao vingador do sangue, para que seja morto. 13Que

teu olho não tenha piedade dele. Deste modo extirparás de Israel o

derramamento de sangue inocente, e serás feliz.

TESTEMUNHAS:

CAPÍTULO 19 - 15Uma única testemunha não é suficiente contra alguém,

em qualquer caso de iniqüidade ou de pecado que haja cometido. A causa será estabelecida pelo depoimento pessoal de duas ou três testemunhas. 16Quando uma falsa testemunha se levantar contra alguém, acusando- o de alguma rebelião, 17as duas partes em litígio se apresentarão diante de

Iahweh, diante dos sacerdotes e dos juízes que estiverem em função

naqueles dias. 18Os juízes investigarão cuidadosamente. Se a testemunha for uma testemunha falsa, e tiver caluniado seu irmão, 19então vós a tratareis conforme ela própria maquinava tratar o seu próximo. Deste modo extirparás o mal do teu meio, 20para que os outros ouçam, fiquem com

medo, e nunca mais tornem a praticar semelhante mal no meio de ti. 21Que

teu olho não tenha piedade.

ADULTÉRIO E FORNICAÇÃO/ESTUPRO E DEFLORAÇÃO:

CAPÍTULO 22 - 22Se um homem for pego em flagrante deitado com uma mulher casada, ambos serão mortos, o homem que se deitou com a mulher e a mulher. Deste modo extirparás o mal de Israel. 23Se houver uma jovem virgem prometida a um homem, e um homem a encontra na cidade e se deita com ela, 24trareis ambos à porta da

cidade e os apedrejareis até que morram: a jovem por não ter gritado

por socorro na cidade, e o homem por ter abusado da mulher do seu próximo. Deste modo extirparás o mal do teu meio. 25Contudo, se o homem encontrou a jovem prometida no campo, violentou-a e deitou-se com ela, morrerá somente o homem que se deitou com ela; 26nada

farás à jovem, porque ela não tem um pecado que mereça a morte. Com

efeito, este caso é semelhante ao do homem que ataca seu próximo e lhe tira a vida: 27ele a encontrou no campo, e a jovem prometida pode ter gritado, sem que houvesse quem a salvasse. 28Se um homem encontra uma jovem virgem que não está prometida, e a agarra e se

deita com ela e é pego em flagrante, 29o homem que se deitou com ela

dará ao pai da jovem cinqüenta siclos de prata, e ela ficará sendo a sua mulher, uma vez que abusou dela. Ele não poderá mandá-la embora durante toda a sua vida.

DIVÓRCIO:

CAPÍTULO 24 - 1Quando um homem tiver tomado uma mulher e consumado o matrimônio, mas esta logo depois não encontra mais graça a seus olhos, porque viu nela algo de inconveniente, ele lhe escreverá então uma ata de divórcio e a entregará, deixando-a sair de sua casa em liberdade. 2Tendo saído de sua casa, se ela começa a pertencer a um outro, 3e se também este a repudia, e lhe escreve e entrega em mãos uma ata de divórcio, e a deixa ir de sua casa em liberdade (ou se este outro homem que a tinha esposado vem a morrer), 4o primeiro marido que a tinha repudiado não poderá retomá-la como esposa, após ela ter-se tornado impura: isso seria um ato abominável diante de Iahweh.

HERANÇA E PRIMOGENITURA:

CAPÍTULO 21 - 15Se alguém tiver duas mulheres, amando a uma e não gostando da outra, e ambas lhe tiverem dado filhos, se o primogênito for da mulher da qual ele não gosta, 16este homem, quando for repartir a herança

entre seus filhos, não poderá tratar o filho da mulher que ama como se fosse o

mais velho, em detrimento do filho da mulher da qual ele não gosta, mas que é o verdadeiro primogênito. 17Reconhecerá como primogênito o filho da mulher da qual ele não gosta, dando-lhe porção dupla de tudo quanto possuir, pois ele é a primícia da sua virilidade e o direito de primogenitura lhe pertence.

REFERÊNCIAS

CASTRO, Flávia Lages de. História do direito geral e Brasil. 7. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009. Capítulo 3.

WOLKMER, Antônio Carlos (Org.). Fundamentos de história do direito. 8. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Del Rey, 2015. Capítulo 3.

DIREITO GREGO ANTIGO QUESTÕES

TEXTO BASE: As origens do direito ocidental na pólis grega, de Fábio Vergara Cerqueira.

1ª) Considerando o conteúdo do texto, aponte a diferença existente, quanto ao exercício do poder, entre a Grécia Antiga e as demais civilizações objeto de exposição em sala de aula.

2ª) Cite os elementos apontados no texto como caracterizadores da influência do individualismo sobre o pensamento jurídico.

3ª) No que consiste, segundo o texto, a transição do Pré-Direito para o Direito na Grécia Antiga?

RESPOSTAS

1ª) Grécia Antiga:

O poder não é mais a pessoa; agora, o poder é a função.

surge o conceito de que o poder do Estado devia estar sujeito

ao interesse público e que esse público (a comunidade cidadã)

devia exercê-lo por si mesmo, e não delegar a uma autoridade real

com poderes ilimitados.

2ª) Esfera criminal: pressuposição de voluntariedade individual no ato do delito, sem interferência de fatores sobre-humanos. Esfera penal: direitos assegurados de defesa, procedimentos públicos padrões de acusação, penas não extensivas a familiares e descendentes, penas capitais praticadas pelo suicídio induzido.

4ª) Pré-Direito era o direito arcaico, exercido de forma autoritária pela realeza e pela aristocracia. Era um direito profundamente influenciado por ideias mágico-míticas, no qual a culpa era vista como algo contagioso, que maculava os indivíduos ou a cidade que convivesse com o autor do delito. A noção de voluntariedade do delito ainda não havia se desenvolvido: acreditava-se que o indivíduo cometesse o delito por influência de algum fator sobre-humano e que ele deveria pagar por essa falta independentemente de não ter agido voluntariamente. No Pré-direito, acusações são sumárias, não há procedimentos regulares de defesa. Os interesses particulares, sobretudo das famílias mais influentes, exercem um controle muito

grande sobre o exercício da justiça, em prejuízo dos indivíduos de

extração social inferior. A justiça era exercida por delegação divina, como justificativa para os atos autocráticos. As leis estavam baseadas na tradição, eram passadas oralmente, e somente um restrito grupo tinha a prerrogativa de interpretá-las.

A partir do séc. VII, o chamado Pré-Direito começou a ceder

espaço, lentamente, ao Direito. Em meados desse século, numa cidade da ilha de Creta, pela primeira vez fixou-se por escrito uma decisão da comunidade políade. Aos poucos, a lei começará a ser registrada e passará ao domínio comum: escrita sobre uma pedra exposta ao olhar

em lugar público, está sob as vistas de todos cidadãos, mesmo que

nem todos a possam efetivamente ler. Em 621, são editadas em

Atenas as leis de Drácon, que transferem para o Estado o direito de vingança pela morte de um parente, limitando os poderes da

aristocracia de fazer a justiça para si e com as próprias mãos.

Restringe-se a “justiça de sangue”, fortalece-se a justiça da pólis. Ao longo do séc. VI, serão desenvolvidos procedimentos de democratização, humanização e racionalização do direito. A partir das reformas de Sólon, a lei passa a valer igualmente para todos os cidadãos, independente de ser um cidadão nobre ou pobre. Nenhum homem livre, cidadão da mesma Atenas, poderá sofrer a humilhação da escravidão por dívidas. (Aristóteles, A constituição de Atenas, IV; VI; X; XII.4. Plutarco, Sólon, 15. Vernant, 1989a: 3447.) Definem-se procedimentos mais regulares nos processos de acusação. Os acusados passam a contar com o direito de defesa.

Humaniza-se profundamente o direito penal, apelando-se a penas

capitais somente em casos extremos, como os graves delitos de asebeía, do qual foram acusados, por exemplo, Sócrates, Protágoras e Aspásia. (Gernet, 1917: 125-178; Gernet & Boulanger, 1970: 286323)

6 O DIREITO GREGO ANTIGO

De acordo com Flávia Lages (2009, p. 66):

Comum a todas as Cidades-Estado gregas era a crença independente dos regimes políticos a que se submetiam de que nelas havia do governo das leis, não dos homens.

Adverte Raquel de Souza (2015, p. 82) que o Direito Grego não tem, para os tempos atuais, a devida relevância em razão dos seguintes fatores:

Ter sido objeto de estudo primordialmente por filósofos (que não se preocupavam com a verdade jurídica) e romanistas, que permaneciam fechados em suas categorias tradicionais.

Diferentemente do que se passou em Roma, a escrita grega só atingiu a

sua maturidade após o ocaso dessa civilização (o grego preferia falar a escrever). Acrescente-se a isso a pouca reprodução dos documentos jurídicos.

Direito exercido de forma não profissionalizada.

Os gregos não elaboraram tratados sobre o Direito, limitaram-se apenas à tarefa de legislar (criação das leis) e administrar a justiça pela resolução de conflitos (Direito processual).

Arbitragem pública (arbitragem) e privada (mediação).

Ação pública (prejuízo causado pelo Estado. Ex.: recusa de

prestação de contas por parte de oficial,

corrupção etc.) e ação

privada (entre particulares. Ex.: assassinato, roubo, violência sexual etc.).

Cabia à pessoa lesada ou seu representante legal

intentar o

processo, fazer a citação, tomar a palavra na audiência, “sem auxílio

de advogado”.

A maioria das causas era julgada por um Tribunal/Júri composto por cidadãos (Heliaia) que decidia conforme os argumentos/retórica das partes (auxílio dos logógrafos). Estavam fora da sua competência os casos de homicídios premeditados ou voluntários, de incêndios e de envenenamentos, cujos julgamentos ficavam a cargo do Areópago (tribunal aristocrático).

REFERÊNCIAS

CASTRO, Flávia Lages de. História do direito geral e Brasil. 7. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009. Capítulo 5.

WOLKMER, Antônio Carlos (Org.). Fundamentos de história do direito. 8. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Del Rey, 2015. Capítulo 4.

7 O DIREITO ROMANO

7.1 DIVISÃO DA HISTÓRIA POLÍTICA DE ROMA

Período da Realeza (fundação de Roma 753 a.C. a 510 a.C.)

Período da República (510 a.C a 27 a.C., quando o Senado investe Otaviano futuro Augusto no poder supremo, com a denominação de princeps).

Período do Principado ou Alto Império (de 27 a.C. a 285 d.C, com o início do dominato pró-Diocleciano).

Período do Baixo Império (de 285 d.C a 585 d.C., data da morte de Justiniano).

7.2 PERIODIZAÇÃO DO DIREITO ROMANO

PERÍODO ARCAICO (século VII a.C. a II a.C):

Família como centro de tudo, mesmo do Direito. O Estado tinha

funções limitadas a questões essenciais para sua sobrevivência:

guerra, punição dos delitos mais graves e a observâncias das regras religiosas.

Surgimento da Lei das XII Tábuas (feita entre 451 e 450 a.C.).

PERÍODO CLÁSSICO (século II a.C. a III d.C.):

Auge do Direito Romano.

Poder do Estado centralizado nos pretores e jurisconsultos.

PERÍODO PÓS-CLÁSSICO (século III d.C. a VI d.C.)

Período da Codificação (Ex.: Corpus Iuris Civilis Justiniano)

7.3

FONTES DO DIREITO ROMANO

Costumes (consuetudo, mores) Leis e plebiscitos Edito dos magistrados Jurisconsultos Senatus-consultos Constituições imperiais

  • 7.4 CAPACIDADE JURÍDICA DE GOZO

Aptidão do indivíduo para ser sujeito de direitos e obrigações.

A completa capacidade de direito exigia que a pessoa fosse livre (status libertatis), tivesse cidadania romana (status civitatis) e fosse independente do pátrio poder de alguém (status familiae).

7.5 DIREITO DE FAMÍLIA

PÁTRIO PODER

CASAMENTO

Não permitido entre escravos.

Cum manu: a mulher saía da dependência do seu próprio pater famílias para entrar na dependência do marido ou do pater familias da família do marido.

Sine manu: não oferecia a possibilidade de sujeição da mulher ao marido e esta podia continuar sob o poder de seu próprio pater familias.

Homens (14 anos); mulheres (12 anos).

A loucura, a consanguinidade (linha reta sem limites ou colateral até 3º

grau),

o

parentesco

adotivo,

a

diferença

de

camada

social

e

o

casamento

preexistente

são

exemplos

de

impedimentos

para

o

casamento.

DIVÓRCIO:

Inicialmente era um direito exclusivo do marido, mas era garantido à mulher a dissolução do casamento no caso da perda de cidadania do esposo.

DOTE:

Bens dados ao marido para que este os administre e, com a evolução do Direito Romano, passou a ter que ser devolvido quando da dissolução do casamento.

ADOÇÃO:

A rigor só os homens podiam adotar.

O adotado não podia ser mais velho do que o adotando.

TUTELA E CURATELA

SUCESSÃO:

Os sucessores naturais eram os filhos, considerados, mesmo durante a vida de seu pai, como quase donos. Assim, durante o período

clássico, não se considerava que os filhos herdassem os bens, mas a

plena administração dos mesmos.

Eram considerados filhos os adotados, os nascidos em justas bodas e, após a morte do pai, os nascidos até 10 meses após essa morte.

POSSE E PROPRIEDADE:

Na POSSE a coisa fica sob o poder da pessoa, mas esta não tem poder jurídico total sobre ela, como ocorre na PROPRIEDADE.

8 DIREITO PORTUGUÊS

ORDENAÇÕES

ORDENAÇÕES AFONSINAS

  • ORDENAÇÕES MANUELINAS
    ORDENAÇÕES FILIPINAS

8.1 ORDENAÇÕES AFONSINAS 1446 a 1521

1ª compilação com características eminentemente portuguesas.

Antes vigorava, desde o reinado de Dom Diniz (1279 a 1325), a Lei

das Sete Partidas (também vigente na Espanha), inspirada, basicamente, no direito romano e no direito canônico.

Elaboração iniciada durante o reinado de D. João I (irmão bastardo de D. Fernando; ascendeu ao poder por força da Revolução de

Avis) e concluída em 1446.

Buscou, entre outros objetivos, fortalecer o poder real e unificar as normas

vigentes em Portugal.

Composta por 5 livros:

LIVRO I - ocupa-se daquele direito que hoje poderíamos denominar administrativo, e traz os regimentos dos cargos públicos, quer régios, quer municipais, compreendendo o governo, a justiça, a fazenda e o exército.

LIVRO II contempla a matéria relativa à Igreja, sobretudo quanto à jurisdição, pessoas e bens dos eclesiásticos (direito eclesiástico). Trata,

igualmente, dos direitos régios, do estatuto dos fidalgos, da jurisdição dos donatários e do estatuto dos judeus e mouros.

LIVRO III disciplina o processo civil.

LIVRO IV - regula o direito civil em sentido amplo: contém determinações sobre contratos, sucessões, tutelas etc.

LIVRO V estabelece o direito penal e o processual penal (investigação dos crimes, prisão de delinquentes ou acusados, emprego da tortura nos

processos etc.)

8.2 ORDENAÇÕES MANUELINAS 1521 a 1603

Resultado da revisão das ordenações anteriores (Afonsinas), a

distribuição das matérias segue a do código anterior, alterando somente

a ordem dos títulos, artigos e parágrafos.

Deixa de trazer tanto a legislação relativa aos judeus (dada a sua expulsão do Reino em 1496), quanto às normas relativas à fazenda real, que passaram a formar as autônomas Ordenações da Fazenda.

Ao contrário das Afonsinas, as Ordenações Manuelinas não são mera

compilação de leis anteriores, transcritas na sua maior parte no teor original e indicando o monarca que as promulgara. Em geral, todas as leis são reescritas, em estilo decretório, como se de leis novas se tratassem, embora não passando muitas vezes de nova forma dada a

leis já vigentes.

O crime de Lesa Majestade continuou a ser o pior dos delitos.

Em matéria de crimes, os fidalgos continuaram a ter melhor tratamento do que os plebeus.

ADULTÉRIO TRATAMENTO DE ACORDO COM A CLASSE

LIVRO V - “Achando algum homem casado sua mulher em adultério,

licitamente poderá matar assim a ela, como aquele que se achar com ela em adultério, salvo se o marido fosse plebeu, e o adúltero fosse fidalgo de solar, ou Nosso Desembargador ou pessoa de maior qualidade. Porém, quando algum matasse alguma das sobreditas pessoas achando-o com sua mulher em pecado de adultério, não morrerá por isso, mas será

degredado

[...]

pelo tempo que aos julgadores bem parecer, segundo a

pessoa que matar, não passando de três anos.

INFÂMIA NÃO DISTINÇÃO ENTRE PESSOAS

LIVRO V – “Qualquer pessoa, de qualquer qualidade que seja o pecado de sodomia por qualquer guisa fizer, seja queimado, e feito por fogo em pó, por tal que jamais nunca do seu corpo, e sepultura possa ser havida memória, e todos os seus bens sejam confiscados pela Coroa de Nossos

Reinos, posto que tenha ascendentes ou descendentes; e mais pelo mesmo caso seus filhos e descendentes, ficarão inábeis, e infames, assim propriamente como os daqueles, que cometem o crime da lesa Majestade contra seu rei e senhor”.

8.3 AS ORDENAÇÕES FILIPINAS 1603 a 1867

Promulgadas durante o reinado de Filipe II (Filipe III da Espanha).

Decorreram dos seguintes motivos:

1 Desejo de centralização do poder real.

  • 2 Desejo dos juristas de impor o direito romano.

  • 3 Tendência de repelir a influência canônica.

Foram, na realidade, uma atualização das Ordenações Manuelinas.

O falso testemunho, nos casos que envolvessem pena de morte, era punido com a morte e todos os bens do que desse falso testemunho iriam para Coroa. O mesmo ocorria com os que induzissem ou corrompessem alguma testemunha. Se não envolvesse pena de morte, o “mentiroso” era degredado para o Brasil.

A pena de morte poderia ser executa de quatro formas:

1 Morte cruel: com a submissão do indivíduo a dolorosos suplícios, como ser queimado vivo, tal qual ocorria no crime de incesto:

Livro V, Título 17 Qualquer homem, que dormir com sua filha, ou com qualquer outra sua descendente, ou com sua mãe, ou outra sua ascendente, sejam queimados, e ela também, e ambos sejam feitos

pó.

  • 2 Morte atroz: acrescentava, para além da morte, outras penas, como o confisco do bens, a queima do cadáver, o esquartejamento etc.

Livro V, Título 53 Os tabeliães, ou Escrivães, que fizerem escrituras, ou atos falsos, mandamos que morram morte natural, e percam todos seus bens pra Coroa de nossos Reinos.

  • 3 Morte natural: morte simples, executada por degolação ou

enforcamento (este para os mais pobres, posto que a morte por tal meio era

considerada infame).

  • 4 Morte civil: através da qual o indivíduo, mesmo vivo, não tinha direito

algum, como se morto fosse. Em alguns casos o indivíduo era morto e seus

filhos tinham como herança a morte civil.

A discriminação entre pessoas para efeito criminal continuou (privilégio para a “gente de maior qualidade”:

Livro V, Título 35 E o homem, a que for provado, que tirou alguma freira de algum Mosteiro, ou que ela pelo seu mando e indução se foi a certo lugar, donde assim a levar, e se for com ela, se for peão, morra por isso. E se for de maior qualidade, pague cem cruzados para o Mosteiro, e mais será degredado para sempre para o Brasil”.

Contudo, a discriminação para efeito criminal não foi absoluta:

Livro V, Título 133 E os fidalgos, Cavaleiros, Doutores em Cânones, ou em Leis, ou em Medicina, feitos em Universidade por exame, Juízes e vereadores de alguma Cidade, não serão metidos a

tormento [açoitamento ou morte cruel], mas em lugar dele lhes será

dada outra pena, que seja em arbítrio do Julgador, salvo em crime de Lesa Majestade, aleivosia, falsidade, moeda falsa, testemunho falso, feitiçaria, sodomia, alcovitaria, furto: porque, segundo Direito, nestes casos não gozam de privilégios de Fidalguia, Cavalaria, ou

Doutorado, mas serão atormentados e punidos, como cada um outro

do povo.

Tratamento diferenciado para os menores:

Livro V, Título 135 Quando algum homem, ou mulher, que passar de

vinte anos, cometer qualquer delito, dar-se-lhe-á a pena total, que lhe seria dada, se de vinte e cinco anos passasse. E se for de idade de

dezessete anos até vinte, ficará em arbítrio dos Julgadores dar-lhe a

pena total ou diminuí-la. E neste caso olhará o Julgador o modo com que o delito foi cometido, e as circunstâncias dele, e a pessoa do

menor; e se o achar em tanta malícia, que lhe pareça que merece total pena, dar-lhe-a, posto que seja de morte natural. E parecendo-lhe que

a não merece, poderá diminuir, segundo a qualidade, ou simplicidade,

com que achar, que o delito foi cometido. E quando o delinquente for menor de dezessete anos cumpridos, posto que o delito mereça morte natural, em nenhum caso lhe será dada, mas ficará em arbítrio do Julgador dar-lhe outra menor pena ...

9 BRASIL IMPÉRIO

LIBERALISMO

9 BRASIL IMPÉRIO LIBERALISMO ÉTICO-FILOSÓFICO ECONÔMICO POLÍTICO-JURÍDICO Afirmação de valores • Propriedade privada; • Consentimento •

ÉTICO-FILOSÓFICO

ECONÔMICO

POLÍTICO-JURÍDICO

Afirmação de valores

Propriedade privada;

Consentimento

e direitos básicos

Economia de mercado;

individual;

atribuíveis à natureza

Ausência

ou

Representação

moral e racional do

minimização

do

política;

ser humano:

controle Estatal;

Divisão

dos

Liberdade

Livre empresa;

 

poderes;

pessoal;

Iniciativa privada;

Descentralização

Individualismo;

Direitos econômicos:

administrativa;

Tolerância;

de

propriedade; de

herança; de acumular

riqueza e capital; à

Soberania popular;

Dignidade;

Direitos e garantias

Crença na vida.

individuais;

plena

liberdade

de

Supremacia

produzir; de comprar; de vender.

constitucional; Estado de Direito.

MOTIVOS DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL:

Perigo de retorno à condição de Colônia; Existência de radicais insuflando o povo contra as Cortes visando uma independência com características democráticas e republicanas.

O PORQUÊ DA MONARQUIA:

Manutenção do status quo baseado no sistema que persistia desde a Colônia: latifúndio monocultor, exportador e escravocrata.

CONSTITUINTE DE 1823:

Convocação em 3/6/1822. Abertura em 3/5/1823.

• • Voto restrito aos cidadãos casados ou solteiros emancipados com

mais 20 anos, excluídos os religiosos regulares, os estrangeiros não naturalizados, os criminosos e os assalariados (exceto os administradores de fazendas e fábricas, os caixeiros de casas

comerciais e alguns criados da Casa Real).

Constituinte consentida pelo imperador e que lhe deveria ser fiel.

O anteprojeto preconizou eleições em dois turnos condicionando a capacidade eleitoral à renda:

Eleitores

de

grau:

RME

a

150

alqueires

de

farinha

de

mandioca.

Eleitores de 2º grau: RME a 250 alqueires

de

farinha

de

mandioca.

Deputados: RME a 500 alqueires de farinha de mandioca.

 

Senadores: RME a 1000 alqueires de farinha de mandioca.

Estabeleceu a indissolubilidade da Câmara; Estabeleceu o caráter meramente suspensivo dos vetos do Imperador aos projetos aprovados pela Câmara;

Sujeitou as Forças Armadas ao Parlamento e não ao Imperador. A Assembleia Constituinte foi fechada pelo imperador sob a alegação de graves perigos à Nação.

CONSTITUIÇÃO DE 1824

CONSTITUIÇÃO DE 1824 Art. 178 É só constitucional o que diz respeito aos limites e atribuições

Art. 178 É só constitucional o que diz respeito aos limites e atribuições respectivas dos poderes políticos, e aos direitos políticos e individuais

dos cidadãos; tudo o que não é constitucional pode ser alterado, sem

as formalidades referidas, pelas legislaturas ordinárias.

MONARQUIA CONSTITUCIONAL

Art. 3. O seu Governo é Monarchico Hereditario, Constitucional, Representativo.

e

DIVISÃO DOS PODERES

Art. 9. A Divisão, e harmonia dos Poderes Politicos é o principio conservador dos Direitos dos Cidadãos, e o mais seguro meio de fazer effectivas as garantias, que a Constituição offerece.

Art. 10. Os Poderes Politicos reconhecidos pela Constituição do Imperio do Brazil são quatro: o Poder Legislativo, o Poder Moderador, o Poder Executivo, e o Poder Judicial.

Art. 98. O Poder Moderador

é

a chave

de toda a organisação

Politica, e é delegado privativamente ao Imperador, como Chefe Supremo da Nação, e seu Primeiro Representante, para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independencia, equilibrio, e harmonia dos mais Poderes Politicos.

PODER EXECUTIVO

Art. 102. O Imperador é o Chefe do Poder Executivo, e o exercita pelos seus Ministros de Estado.

Art. 132. Os Ministros de Estado referendarão, ou assignarão todos os Actos do Poder Executivo, sem o que não poderão ter execução.

PODER LEGISLATIVO: CONSENTIMENTO DO IMPERADOR

Art. 13. O Poder Legislativo é delegado á Assembléa Geral com a Sancção do Imperador.

Art. 14. A Assembléa Geral compõe-se de duas Camaras: Camara de Deputados, e Camara de Senadores, ou Senado.

O SENADO

Art. 40. 0 Senado é composto de Membros vitalicios, e será organizado por eleição Provincial.

Art. 43. As eleições serão feitas pela mesma maneira, que as dos Deputados, mas em listas triplices, sobre as quaes o Imperador escolherá o terço na totalidade da lista.

Art. 45. Para ser Senador requer-se I. Que seja Cidadão Brazileiro, e que esteja no gozo dos seus

Direitos Politicos. II. Que tenha de idade quarenta annos para cima. III. Que seja pessoa de saber, capacidade, e virtudes, com preferencia os que tivirem feito serviços á Patria.

IV. Que tenha de rendimento annual por bens, industria, commercio,

ou Empregos, a somma de oitocentos mil réis.

Art. 46. Os Principes da Casa Imperial são Senadores por Direito,

e terão assento no Senado, logo que chegarem á idade de vinte e

cinco annos.

ELEIÇÕES

Art. 90. As nomeações dos Deputados, e Senadores para a Assembléa

Geral, e dos Membros dos Conselhos Geraes das Provincias, serão feitas por Eleições indirectas, elegendo a massa dos Cidadãos activos em Assembléas Parochiaes os Eleitores de Provincia, e estes os

Representantes da Nação, e Provincia.

Art. 91. Têm voto nestas Eleições primarias I. Os Cidadãos Brazileiros, que estão no gozo de seus direitos politicos. II. Os Estrangeiros naturalisados.

Art. 92. São excluidos de votar nas Assembléas Parochiaes. I. Os menores de vinte e cinco annos, nos quaes se não comprehendem os casados, e Officiaes Militares, que forem maiores de vinte e um annos, os Bachares Formados, e Clerigos de Ordens Sacras. II. Os filhos familias, que estiverem na companhia de seus pais, salvo se servirem Officios publicos. III. Os criados de servir, em cuja classe não entram os Guardalivros, e primeiros caixeiros das casas de commercio, os Criados da Casa Imperial, que não forem de galão branco, e os administradores das fazendas ruraes,

e fabricas.

IV. Os Religiosos, e quaesquer, que vivam em Communidade claustral. V. Os que não tiverem de renda liquida annual cem mil réis por bens de raiz, industria, commercio, ou Empregos.

Art. 94. Podem ser Eleitores, e votar na eleição dos Deputados, Senadores, e Membros dos Conselhos de Provincia todos, os que podem votar na Assembléa Parochial. Exceptuam-se I. Os que não tiverem de renda liquida annual duzentos mil réis por bens de raiz, industria, commercio, ou emprego. II. Os Libertos. III. Os criminosos pronunciados em queréla, ou devassa.

Art. 95. Todos os que podem ser Eleitores, abeis para serem nomeados Deputados. Exceptuam-se I. Os que não tiverem quatrocentos mil réis de renda liquida, na fórma dos Arts. 92 e 94. II. Os Estrangeiros naturalisados. III. Os que não professarem a Religião do Estado.

Art. 96. Os Cidadãos Brazileiros em qualquer parte, que existam, são elegiveis em cada Districto Eleitoral para Deputados, ou Senadores,

ainda quando ahi não sejam nascidos, residentes ou domiciliados.

O PODER DE DISSOLUÇÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Art. 101. O Imperador exerce o Poder Moderador [...]. V. Prorogando, ou adiando a Assembléa Geral, e dissolvendo a Camara dos Deputados, nos casos, em que o exigir a salvação do Estado; convocando immediatamente outra, que a substitua.

O PODER NORMATIVO DO IMPERADOR

Art. 102. O Imperador é o Chefe do Poder Executivo, e o exercita pelos seus Ministros de Estado.

São suas principaes atribuições

XII. Expedir os Decretos, Instrucções, e Regulamentos adequados á boa execução das Leis.

O PODER DE NOMEAR E AFASTAR MAGISTRADOS

Art. 102, III e art. 101, VII.

GARANTIAS DOS MAGISTRADOS

Art. 153. Os Juizes de Direito serão perpetuos, o que todavia se não entende, que não possam ser mudados de uns para outros Logares pelo

tempo, e maneira, que a Lei determinar.

Art. 155. Só por Sentença poderão estes Juizes perder o Logar.

A AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO IMPERADOR

Art. 99. A Pessoa do Imperador é inviolavel, e Sagrada: Elle não está sujeito a responsabilidade alguma.

LIBERDADE?

Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Politicos dos Cidadãos Brazileiros, que tem por base a liberdade, a segurança individual, e a propriedade [inciso XXII], é garantida pela Constituição do Imperio, pela maneira seguinte.

RELIGIÃO

Art. 179, V. Ninguem póde ser perseguido por motivo de Religião, uma vez que respeite a do Estado, e não offenda a Moral Publica.

Art. 5. A Religião Catholica Apostolica Romana continuará a ser a Religião do Imperio. Todas as outras Religiões serão permitidas com seu culto

domestico, ou particular em casas para isso destinadas, sem fórma alguma exterior do Templo.

Art. 102. O Imperador é o Chefe do Poder Executivo, e o exercita pelos seus Ministros de Estado.

São suas principaes attribuições II. Nomear Bispos, e prover os Beneficios Ecclesiasticos.

CÓDIGO CRIMINAL: Art. 276. Celebrar em casa, ou edificio, que tenha alguma fórma exterior de Templo, ou publicamente em qualquer lugar, o

culto de outra Religião, que não seja a do Estado. Penas - de serem dispersos pelo Juiz de Paz os que estiverem reunidos para o culto; da demolição da fórma exterior; e de multa de dous a doze mil réis, que pagará cada um.

Art. 278. Propagar por meio de papeis impressos, lithographados, ou gravados, que se distribuirem por mais de quinze pessoas; ou por discursos proferidos em publicas reuniões, doutrinas que directamente destruam as verdades fundamentaes da existencia de Deus, e da immortalidade da alma.

Penas - de prisão por quatro mezes a um anno, e de multa correspondente á metade do tempo.

O CÓDIGO CRIMINAL DE 1830

Manutenção das normas promulgadas pelos reis de Portugal até 25 de abril de 1821.

PENA DE MORTE:

Art. 38. A pena de morte será dada na forca.

Art. 39. Esta pena, depois que se tiver tornado irrevogavel a sentença,

será executada no dia seguinte ao da intimação, a qual nunca se fará na

vespera de domingo, dia santo, ou de festa nacional.

Art. 40. O réo com o seu vestido ordinario, e preso, será conduzido pelas ruas mais publicas até á forca, acompanhado do Juiz Criminal do lugar, aonde estiver, com o seu Escrivão, e da força militar, que se requisitar.

Ao acompanhamento precederá o Porteiro, lendo em voz alta a

sentença, que se fôr executar.

Art. 42. Os corpos dos enforcados serão entregues a seus parentes, ou amigos, se os pedirem aos Juizes, que presidirem á execução; mas não poderão enterral-os com pompa, sob pena de prisão por um mez á um anno.

Art. 43. Na mulher prenhe não se executará a pena de morte, nem mesmo ella será julgada, em caso de a merecer, senão quarenta dias depois do parto.

Ex.: crimes de insurreição, homicídio (em determinadas circunstâncias), “latrocínio”,

CRIME DE INSURREIÇÃO:

Art. 113. Julgar-se-ha commettido este crime, retinindo-se vinte ou mais escravos para haverem a liberdade por meio da força. Penas - Aos cabeças - de morte no gráo maximo; de galés perpetuas no médio; e por quinze annos no minimo; - aos mais - açoutes.

Art. 114. Se os cabeças da insurreição forem pessoas livres, incorrerão nas mesmas penas impostas, no artigo antecedente, aos cabeças, quando são escravos.

Art. 115. Ajudar, excitar, ou aconselhar escravos á insurgir-se, fornecendo-lhes armas, munições, ou outros meios para o mesmo fim.

Penas - de prisão com trabalho por vinte annos no gráo maximo; por doze no médio; e por oito no minimo.

PRINCÍPIO DA LEGALIDADE:

Art. 1º Não haverá crime, ou delicto (palavras synonimas neste Codigo) sem uma Lei anterior, que o qualifique.

Art. 33. Nenhum crime será punido com penas, que não estejam estabelecidas nas leis, nem com mais, ou menos daquellas, que

estiverem decretadas para punir o crime no gráo maximo, médio, ou

minimo, salvo o caso, em que aos Juizos se permittir arbitrio.

ININPUTABILIDADE:

Art. 10. Tambem não se julgarão criminosos:

Os menores de quatorze annos. Os loucos de todo o genero, salvo se tiverem lucidos intervallos, e nelles commetterem o crime. Os que commetterem crimes violentados por força, ou por medo irresistiveis. Os que commetterem crimes casualmente no exercicio, ou pratica de qualquer acto licito, feito com a tenção ordinaria.

ESTUPRO:

Art. 219. Deflorar mulher virgem, menor de dezasete annos. Penas - de desterro para fóra da comarca, em que residir a deflorada, por um a tres annos, e de dotar a esta. Seguindo-se o casamento, não terão lugar as penas.

Art. 220. Se o que commetter o estupro, tiver em seu poder ou guarda a deflorada. Penas - de desterro para fóra da provincia, em que residir a deflorada, por dous a seis annos, e de dotar esta.

Art. 221. Se o estupro fôr commettido por parente da deflorada em gráo, que não admitta dispensa para casamento. Penas - de degredo por dous a seis annos para a provincia mais remota da em que residir a deflorada, e de dotar a esta.

Art. 222. Ter copula carnal por meio de violencia, ou ameaças, com qualquer mulher honesta. Penas - de prisão por tres a doze annos, e de dotar a offendida. Se a violentada fôr prostituta. Penas - de prisão por um mez a dous annos.

ADULTÉRIO:

Art. 250. A mulher casada, que commetter adulterio, será punida com a pena de prisão com trabalho por um a tres annos.

A mesma pena se imporá neste caso ao adultero.

Art. 251. O homem casado, que tiver concubina, teúda, e manteúda, será punido com as penas do artigo antecedente.

Art. 252. A accusação deste crime não será permittida á pessoa, que não seja marido, ou mulher; e estes mesmos não terão direito de accusar, se em algum tempo tiverem consentido no adulterio.

Art.

253.

A

accusação

por

adulterio

deverá

ser

intentada

conjunctamente contra

a

mulher, e

o

homem, com quem ella

tiver

commettido o crime, se fôr vivo; e um não poderá ser condemnado sem

o outro.

A ESCRAVIDÃO E A LEI: CONDIÇÕES E ABOLIÇÃO

ALFORRIA E DEPENDÊNCIA

Ordenações Filipinas - Livro IV, Título LXIII - Das doações e alforria, que se podem revogar por causa de ingratidão.

FORMAS DE ESCRAVIDÃO:

Pelo nascimento (mãe escrava).

Pela captura na África.

DESESTÍMULO AO CASAMENTO

LEI PENAL: ESCRAVO COMO PESSOA E COISA

Lei n.º 4, de 10/6/1835:

Art. 1º Serão punidos com a pena de morte os escravos ou escravas, que matarem por qualquer maneira que seja, propinarem veneno, ferirem gravemente ou fizerem outra qualquer grave offensa physica a seu senhor, a sua mulher, a descendentes ou ascendentes, que em sua companhia

morarem, a administrador, feitor e ás suas mulheres, que com elles

viverem. Se o ferimento, ou offensa physica forem leves, a pena será de açoutes a proporção das circumstancias mais ou menos aggravantes.

PRESSÃO INGLESA PELO FIM DA ESCRAVIDÃO

LEI DE 7 DE NOVEMBRO DE 1831 - Declara livres todos os escravos vindos de fôra do Imperio, e impõe penas aos importadores dos mesmos escravos.

Código Criminal - Art. 179. Reluzir á escravidão a pessoa livre, que se achar em posse da sua liberdade. Penas - de prisão por tres a nove annos, e de multa correspondente á terça parte do tempo; nunca porém o tempo de prisão será menor, que o do captiveiro injusto, e mais uma terça parte.

LEI Nº 581, DE 4 DE SETEMBRO DE 1850 (Lei Eusébio de Queiroz)

Art. 1º As embarcações brasileiras encontradas em qualquer parte, e as estrangeiras encontradas nos portos, enseadas, ancoradouros, ou mares territoriaes do Brasil, tendo a seu bordo escravos, cuja importação he

prohibida pela Lei de sete de Novembro de mil oitocentos trinta e hum, ou

havendo-os desembarcado, serão apprehendidas pelas Autoridades, ou

pelos Navios de guerra brasileiros, e consideradas importadoras de

escravos. Aquellas que não tiverem escravos a bordo, nem os houverem proximamente desembarcado, porêm que se encontrarem com os signaes

de se empregarem no trafico de escravos, serão igualmente

apprehendidas, e consideradas em tentativa de importação de escravos.

Art. 6º Todos os escravos que forem apprehendidos serão reexportados

por conta

para os portos donde tiverem vindo, ou para qualquer outro

........ ponto fóra do Imperio, que mais conveniente parecer ao Governo; e em

quanto essa reexportação se não verificar, serão empregados em

trabalho debaixo da tutela do Governo, não sendo em caso algum concedidos os seus serviços a particulares.

LEI Nº 2.040, DE 28 DE SETEMBRO LIVRE

DE 1871 LEI DO VENTRE

Art. 1º Os filhos de mulher escrava que nascerem no Imperio desde a data desta lei, serão considerados de condição livre. § Os ditos filhos menores ficarão em poder o sob a autoridade dos senhores de suas mãis, os quaes terão obrigação de crial-os e tratal-os até a idade de oito annos completos. Chegando o filho da escrava a esta idade, o senhor da mãi terá opção, ou de receber do Estado a indemnização de 600$000, ou de utilisar-se dos serviços do menor até

a idade de 21 annos completos. No primeiro caso, o Governo receberá

o menor, e lhe dará destino, em conformidade da presente lei. A indemnização pecuniaria acima fixada será paga em titulos de renda com o juro annual de 6%, os quaes se considerarão extinctos no fim de 30 annos. A declaração do senhor deverá ser feita dentro de 30 dias, a

contar daquelle em que o menor chegar á idade de oito annos e, se a

não fizer então, ficará entendido que opta pelo arbitrio de utilizar-se dos serviços do mesmo menor.

Art. 2º O Governo poderá entregar a associações por elle autorizadas, os filhos das escravas, nascidos desde a data desta lei, que sejam cedidos ou abandonados pelos senhores dellas, ou tirados do poder destes em

virtude do art. 1º § 6º. § As ditas associações terão direito aos serviços gratuitos dos menores até a idade de 21 annos completos, e poderão alugar esses serviços, mas

serão obrigadas:

[ ...

].

LEI N.º 3.270/1885 LEI DOS SEXAGENÁRIOS

Art. 3º, §10º São libertos os escravos de 60 anos de idade, completos antes e depois da data em que entrar em execução esta lei, ficando, porém, obrigados a titulo de indenização pela sua alforria, a prestar serviços a seus ex-senhores pelo espaço de três anos.

Art. 3º, §13º Todos os libertos maiores de 60 anos, preenchido o tempo de serviço de que trata o §10º, continuarão em companhia de seus ex- senhores, que serão obrigados a alimentá-los, vesti-los, e tratá-los em suas moléstias, usufruindo os serviços compatíveis com as forças deles,

salvo se preferirem obter em outra parte os meios de subsistência, e os

Juizes de Órfãos os julgarem capazes de o fazer.

Art. 3º, §14º É domicilio obrigado por tempo de cinco anos, contados da data da libertação do liberto pelo fundo de emancipação, o município

onde tiver sido alforriado, exceto o das capitais.

Art. 3º, §15º O que se ausentar de seu domicílio será considerado vagabundo e apreendido pela polícia para ser empregado em trabalhos públicos ou colônias agrícolas.

LEI Nº 3.353, DE 13 DE MAIO DE 1888 LEI ÁUREA

Art. 1°:

É declarada extincta desde a data desta lei a escravidão

no

Brazil.