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PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO

PROCESSUAL CIVIL

JUIZADOS ESPECIAIS
OBJETIVOS DA DISCIPLINA

• Estudo teórico e prático do sistema processual


dos Juizados Especiais no Brasil
CONTEÚDO DA DISCIPLINA

• 02/08 - Aula 1 :
• Contexto histórico e aspectos gerais do surgimento dos
Juizados Especiais; Juizados Especiais Cíveis (lei
9.099/95)

• Juizados Especiais Federais (lei 10.259/01) e da Fazenda


Pública (lei 12.153/09)
03/08: Temais atuais acerca dos Juizados Especiais.

23/08: Seminário avaliativo: Temais atuais acerca


dos Juizados Especiais.

24/08: Seminário avaliativo: Temais atuais acerca


dos Juizados Especiais.
AVALIAÇÕES DA DISCIPLINA

1. Avaliação de participação em sala de aula:


peso 30%

2. Prova final: peso 70%


MÓDULO I

ASPECTOS GERAIS DOS


JUIZADOS ESPECIAS
ASPECTOS GERAIS
-
Fenômeno da codificação versus Era da descodificação
* Descodificação no âmbito processual: Lei do MS, Lei de Ação Civil
Pública, CDC.
• Nova função dos códigos: normas comuns aplicáveis aos casos em
geral
- Conselhos de Conciliação e Arbitragem – RS – 1982
- Lei 7.244 – Instituiu no BR os Juizados de Pequenas Causas
- Art. 98, I e seu parágrafo 1ºda CF.
- Lei dos Juizados Especiais: criação de um sistema processual
próprio, destinado à resolução de causas cíveis e criminais de
menor complexidade
Sistemática de princípios e regras próprios, com
aplicação subsidiária dos diplomas processuais
* Leis atuais: 9.099/95 (Juizados Estaduais);
10.251/01 (Juizados Federais); 12.153/09
(Juizado da Fazenda Pública)
* Sistemas isolados ou interdependentes?
Função dos Juizados Especiais: ampliação do acesso à justiça
• Permite levar ao conhecimento do Judiciário pretensões que
normalmente não seriam apresentadas em razão da sua
simplicidade ou pelo seu ínfimo valor.
Expressão utilizada por Kazuo Watanabe: “litigiosidade contida”.
* Amplo acesso: benefício ou prejuízo?
PRINCÍPIOS
- Princípios gerais da atividade dos Juizados Especiais enumerados no
art. 2º da Lei 9.099/95:“Art. 2º O processo orientar-se-á pelos critérios
da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e
celeridade, buscando, sempre que possível, a conciliação ou a transação.”

1) PRINCÍPIO DA ORALIDADE
- Contraposição ao modelo formal de processo escrito.
* Prevalência da palavra sobre a forma escrita

- Postulados fundamentais:
a) Prevalência da palavra falada sobre a escrita;
* Em tese, a palavra falada permanece sobre a escrita
* Atos processuais (inicial, defesa, embargos, requerimento de
execução) podem ser praticados oralmente
* Realidade prática?
1) PRINCÍPIO DA ORALIDADE (cont.)
- Postulados fundamentais...

b) Concentração dos atos processuais em audiência


* Concentração dos atos em audiência que, preferencialmente, deveria
ser uma só;
* Menor espaço de tempo possível entre uma audiência e outra
• Audiências: conciliação e AIJ.

• Chiovenda: a oralidade só tem condições de gerar seus benefícios


se acompanhada dos critérios da identidade física do juiz,
concentração do pleito e irrecorribilidade em separado das
interlocutórias.
PRINCÍPIOS
1) PRINCÍPIO DA ORALIDADE (cont.)
- Postulados fundamentais...

c) Imediatidade entre o juiz e a fonte da prova oral


* Contato direto entre o juiz e as pessoas que vão prestar depoimentos
no processo (partes, testemunhas, informantes, perito)
* Exigência da presença do juiz na audiência
* Problemática do reexame pela Turma Recursal
PRINCÍPIOS
2) PRINCÍPIO DA INFORMALIDADE/SIMPLICIDADE

- Tendência de desformalização dos processos: abandono do


exacerbado formalismo processual.

- Forma: instrumento destinado a assegurar a obtenção do resultado a


que se dirige o ato processual.
* Sempre que o resultado desejado for alcançado, o ato deve ser
considerado válido, ainda que praticado da forma diversa daquela
prevista em lei.
* Art. 13, Lei 9.099/95: “Os atos processuais serão válidos sempre que
preencherem as finalidades para as quais forem realizados, atendidos os
critérios indicados no art. 2º desta Lei.”

- Papel da informalidade: efetivar o acesso à justiça, aproximar o


jurisdicionado do órgão jurisdicional
PRINCÍPIOS
3) PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL

- Extrair do processo o máximo de proveito com o mínimo de atos.

- Várias previsões legais aplicam tal princípio aos Juizados: audiência


única, dispensa de relatório na sentença, proibição de intervenção
de terceiros no processo, etc...
PRINCÍPIOS
4) PRINCÍPIO DA CELERIDADE

- Tempo de resolução do processo deve ser o menor possível


* Vinculação à complexidade da causa
* Contraposição entre celeridade e justiça

- Manifestações práticas do princípio da celeridade: redução de atos


processuais, diminuição de prazos, etc.

- Problemáticas:
* Estrutura do Judiciário
* Exagero na aplicação
PRINCÍPIOS
5) BUSCA DA AUTOCOMPOSIÇÃO

- Prática incessante no âmbito dos Juizados Especiais: a busca das


soluções consensuais
* Tendência do Direito Processual moderno

- Principal relevância prática: audiência preliminar em todas as fases


do processo
JUIZADOS ESPECIAS CÍVEIS
(LEI 9.099/95)
COMPETÊNCIA
CARÁTER OPCIONAL DOS JUIZADOS

- Juizados Especiais Cíveis têm competência opcional

* O autor pode optar pelo ajuizamento da demanda no juízo comum

• Argumentos: obrigatoriedade inconstitucional; aspectos


procedimentais.

• Marinoni entende ser absoluta e relativa quanto à competência


territorial.
CAUSAS DE MENOR COMPLEXIDADE x
PEQUENAS CAUSAS
- Art. 24, X, CF/88: Juizado de Pequenas Causas
* Lei 7.244/84: critério do valor

- Art. 98, I, CF/88: Juizados Especiais Cíveis


* Lei 9.099/95: causas cíveis de menor complexidade + critério do
valor
- Enumeração das causas de competência dos JECs no art. 3º da Lei
9.099/95, dentre as quais, nos incs. I e IV, adota-se o critério do
valor da causa (quarenta salários mínimos): “Art. 3º O Juizado
Especial Cível tem competência para conciliação, processo e julgamento
das causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas:
I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo;
(...)

- Causas que não tem conteúdo patrimonial determinável podem


tramitar nos JECs?

- Problemática das leis posteriores: pequenas causas vinculadas a


sessenta salários mínimos (confirmação pelo Enunciado 87 do
FONAJE).
CRITÉRIO DO VALOR: PEQUENAS CAUSAS
- Exclusão da competência – pequenas causas de grande
complexidade (art. 3º, §2º, lei 9.099/95): “§ 2º Ficam excluídas da
competência do Juizado Especial as causas de natureza alimentar,
falimentar, fiscal e de interesse da Fazenda Pública, e também as relativas a
acidentes de trabalho, a resíduos e ao estado e capacidade das pessoas,
ainda que de cunho patrimonial.”

* Nesses casos, ainda que o valor da causa seja menor do que


quarenta salários mínimos, tais ações não poderão tramitar nos
JECs

* Impossibilidade de ajuizamento de ações com procedimento


especial: incompatibilidade procedimental
CRITÉRIO DO VALOR: PEQUENAS CAUSAS

- Possibilidade de conversão de “grande causa” para “pequena causa”


por renúncia do interessado (art. 3º, §3º, lei 9.099/95): “§ 3º A opção
pelo procedimento previsto nesta Lei importará em renúncia ao crédito
excedente ao limite estabelecido neste artigo, excetuada a hipótese de
conciliação”

* Renúncia a qualquer valor maior do que quarenta salários mínimos

* Em caso de conciliação, é admissível acordo que envolva valores


maiores do que o critério valorativo
CAUSAS CÍVEIS DE MENOR COMPLEXIDADE
- Inobservância a critério valorativo, mas tão somente relacionado à
matéria a ser deduzida e discutida no processo: competência fixada
em razão da matéria
* Enunciado 54 do FONAJE: “A menor complexidade da causa para a
fixação da competência é aferida pelo objeto da prova e não em
face do direito material.”

- Competências previstas no art. 3º, incs. II e III da Lei 9.099/95: “Art.


3º. (...)
II - as enumeradas no art. 275, inciso II, do Código de Processo Civil;
III - a ação de despejo para uso próprio;”
CAUSAS CÍVEIS DE MENOR COMPLEXIDADE
- Hipóteses do art. 275, II do CPC (revogado) – causas em que se
observa o procedimento sumário: “Art. 275. (...)
II - nas causas, qualquer que seja o valor :
a) de arrendamento rural e de parceria agrícola;
b) de cobrança ao condômino de quaisquer quantias devidas ao
condomínio;
c) de ressarcimento por danos em prédio urbano ou rústico;
d) de ressarcimento por danos causados em acidente de veículo de via
terrestre;
e) de cobrança de seguro, relativamente aos danos causados em acidente de
veículo, ressalvados os casos de processo de execução;
f) de cobrança de honorários dos profissionais liberais, ressalvado o
disposto em legislação especial;
g) que versem sobre revogação de doação;
h) nos demais casos previstos em lei.”
CAUSAS CÍVEIS DE MENOR COMPLEXIDADE

 ATENÇÃO!!!

1) Apesar da revogação do CPC/73, o art. 1063 do CPC/2015 mantém


a competência dos Juizados Especiais para julgamento das causas do
art. 275, inc. II, do código revogado: “Art. 1.063. Até a edição de lei
específica, os juizados especiais cíveis previstos na Lei no 9.099, de 26 de
setembro de 1995, continuam competentes para o processamento e
julgamento das causas previstas no art. 275, inciso II, da Lei no 5.869, de
11 de janeiro de 1973.”

2) Enunciado 58 do FONAJE: “As causas cíveis enumeradas no art. 275


II, do CPC admitem condenação superior a 40 salários mínimos e sua
respectiva execução, no próprio Juizado.”
COMPETÊNCIA PARA EXECUÇÃO
- Competência executiva (art. 3º, §1º, lei 9.099/95): “ § 1º Compete ao
Juizado Especial promover a execução:
I - dos seus julgados;
II - dos títulos executivos extrajudiciais, no valor de até quarenta vezes o
salário mínimo, observado o disposto no § 1º do art. 8º desta Lei.”

1) EXECUÇÃO DOS PRÓPRIOS JULGADOS


- Regra geral do processo civil brasileiro: é competente para execução
da sentença o juízo da condenação.
* Não se trata de novo processo, mas sim de fase posterior.
COMPETÊNCIA PARA EXECUÇÃO

2) EXECUÇÃO DE TÍTULOS EXTRAJUDICIAIS


- Valor do título executivo deve ser limitado a quarenta salários
mínimos
* Competência em razão do valor
* Possibilidade de renúncia ao excesso (art. 3º, §3º)
* Opção dada ao Exequente: poderá optar pelo rito comum de
execução previsto no CPC ou pelas regras próprias do JECs
SUJEITOS DO PROCESSO
O JUIZ
- Relação jurídica: configuração mínima tríplice – Estado/juiz; autor;
réu

- Estrutura dos JECs: importância não apenas do juiz, mas de outros


auxiliares do juízo, tais como os conciliadores e juízes leigos.

- Situação do juiz frente ao processo: “Art. 5º O Juiz dirigirá o processo


com liberdade para determinar as provas a serem produzidas, para
apreciá-las e para dar especial valor às regras de experiência comum ou
técnica.”
* Liberdade sobre escolha das provas que serão produzidas
* Liberdade na apreciação das provas e sistema de valoração
JUIZ LEIGO E CONCILIADOR
- Previsão legal: “Art. 7º Os conciliadores e Juízes leigos são auxiliares da
Justiça, recrutados, os primeiros, preferentemente, entre os bacharéis em
Direito, e os segundos, entre advogados com mais de cinco anos de
experiência.
Parágrafo único. Os Juízes leigos ficarão impedidos de exercer a advocacia
perante os Juizados Especiais, enquanto no desempenho de suas funções.”

- Juiz leigo: figura pouco existente no cenário brasileiro


* Pouca complexidade das causas submetidas aos JECs –
possibilidade de decisão por juízes leigos, o que diminuiria o
trabalho dos juízes togados
* Impedido de exercer advocacia junto ao JEC que atua

- Conciliador: auxiliar do juízo que busca a autocomposição


* Capacitação conciliadores: Resolução 125/2010 do CNJ
PARTES
- Rol de ilegitimados a litigar no JEC: “Art. 8º Não poderão ser partes, no
processo instituído por esta Lei, o incapaz, o preso, as pessoas jurídicas de
direito público, as empresas públicas da União, a massa falida e o
insolvente civil.”
* Incapazes, massa falida e insolvente civil: não podem transacionar

* Presos: dificuldade no desenvolvimento de um processo oral

* PJs de direito público: submetem-se ao regime da lei 12.153/09


PARTES
- Rol de legitimados a litigar no JEC:
- “Art. 8º (...) § 1º Somente serão admitidas a propor ação perante o Juizado
Especial:
I - as pessoas físicas capazes, excluídos os cessionários de direito de pessoas
jurídicas;
II - as microempresas, assim definidas pela LC 123/2006;
III - as pessoas jurídicas qualificadas como Organização da Sociedade Civil de
Interesse Público, nos termos da Lei no 9.790, de 23 de março de 1999;
IV - as sociedades de crédito ao microempreendedor, nos termos do art. 1º da
Lei no 10.194, de 14 de fevereiro de 2001. ”
* Art. 74, LC 123/06: microempresas e empresas de pequeno porte
podem litigar no JEC
CAPACIDADE POSTULATÓRIA DAS PARTES
- Regra geral dos sistema processual brasileiro: indispensabilidade do
advogado (art. 133, CF/88)
* Sistema processual civil segue a mesma regra

- Exceção prevista na sistemática dos JECs: “ Art. 9º Nas causas de


valor até vinte salários mínimos, as partes comparecerão pessoalmente,
podendo ser assistidas por advogado; nas de valor superior, a assistência é
obrigatória.”
* Até 20 s.m.: facultatividade / Acima de 20 s.m.: obrigatoriedade

- Obrigação estatal de prestação de assistência judiciária: “§ 1º Sendo


facultativa a assistência, se uma das partes comparecer assistida por
advogado, ou se o réu for pessoa jurídica ou firma individual, terá a outra
parte, se quiser, assistência judiciária prestada por órgão instituído junto
ao Juizado Especial, na forma da lei local.”
PLURALIDADE DE PARTES
- No âmbito dos JECs, três situações específicas merecem análise:
litisconsórcio, intervenção de terceiros e Ministério Público
“Art. 10. Não se admitirá, no processo, qualquer forma de intervenção de
terceiro nem de assistência. Admitir-se-á o litisconsórcio.”
* Restrição a todas as modalidades de intervenção de terceiro X
economia processual
* Cabimento do “amicus curiae” e da desconsideração da
personalidade jurídica? (art. 1.062 do CPC)
- Situação do MP: “Art. 11. O Ministério Público intervirá nos casos
previstos em lei.”
* Impossibilidade de que o MP seja parte no JEC
* Participação do MP como “custos legis” é muito rara, pois dentre
os tipos de demanda que requerem sua intervenção (art. 178,
CPC/15), poucas são as hipóteses de ações que tramitarão pelos
JECs
ATOS PROCESSUAIS
FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS
- Regulamentação da Lei 9.099/95: forma (tempo, lugar e modo) e
validade dos atos processuais

1) Tempo: “Art. 12. Os atos processuais serão públicos e poderão realizar-se


em horário noturno, conforme dispuserem as normas de organização
judiciária. Art. 12-A. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei
ou pelo juiz, para a prática de qualquer ato processual, inclusive para a
interposição de recursos, computar-se-ão somente os dias úteis.”
* Vinculação à Lei de Organização Judiciária dos Estados
* TJMG – 08:00 às 18:00
* Possibilidade de JEC “24 horas”?
FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS
Lugar: subsidiariedade do sistema processual comum – atos serão
praticados na sede do JEC
* Serão praticados fora da sede aqueles que, por sua natureza,
necessitem tal fato
* Regra específica para os atos que devem ser praticados fora da
comarca em que esteja localizado o JEC: Art. 13, “§ 2º A prática de
atos processuais em outras comarcas poderá ser solicitada por qualquer
meio idôneo de comunicação.”
* Decorrência do princípio da informalidade/simplicidade:
desnecessidade de expedição de carta precatória, sendo admissível
qualquer tipo de comunicação
FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS

Forma: forma livre, sempre que a lei não determinar expressamente


forma específica
* Aplicação do princípio da liberdade e instrumentalidade das formas
* Atos públicos: não cabimento de segredo de justiça