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CAPÍTULO V- Das práticas

comerciais
SECAO V [1]
• COMENTÁRIOS
• [1] A FONTE DE INSPIRACAO DA SECAO - Esta Secao V sofreu grande
influencia do projeto do National Consumer Acty na versao do seu
First Final Draft, preparado pelo National Consumer Law Center, e da
lei norte-americana conhecida por Fair Debt Collection Practices Act>
promulgada em 1977.361
• Os pontos principais do National Consumer Act que influenciaram o texto brasileiro sao os
seguintes:
• “Section 7.202 (Threats or Coercion) No debt collector shall collect or attempt to collect any
money
• alleged to be due and owing by means of any threat, coercion or attempt to coerce.
• Section 7.203 (Harassment; Abuse) No debt collector shall unreasonably oppress, harass, or
abuse any person in connection with the collection of or attempt to collect any claim alleged to
be due and owing by that person or another.
• Section 7.204 (Unreasonable Publication) No debt collector shall unreasonably publicize
information relating to any alleged indebtedness or debtor.
• Section 7.205 (Fraudulent, Deceptive or Misleading Representations) No debt collector shall use
any fraudulent, deceptive or misleading representation or means to collect or attempt to collect
claims or to obtain information concerning consumers.
• Section 7.206 (Unfair or Unconscionable Means) No debt collector shall use unfair or
unconscionable means to collect or attempt to collect any claim”.
• O preceito nao constava do texto original da Comissao de Juristas.
• Foi novidade trazida pelo Substitutivo Ministério Público-Secretaria de
Defesa do Consumidor.
• Na defesa de sua adoção, assim escrevi na justificativa juntada ao
Substitutivo:
• “A tutela do consumidor ocorre antes, durante e após a formacao da
relação de consumo.
• São do conhecimento de todos os abusos que são praticados na cobrança
de dívidas de consumo.
• Os artifícios são os mais distintos e elaborados, nao sendo raros, contudo,
os casos de ameaças, telefonemas anônimos, cartas fantasiosas e ate a
utilizacao de nomes de outras pessoas.
• No Brasil, infelizmente, não ha qualquer proteção contra tais condutas.
• O consumidor - especialmente o de baixa renda - e exposto ao ridículo,
principalmente em seu ambiente de trabalho, tendo, ainda, seu descanso
no lar perturbado por telefonemas, muitos deles em cadeia e ate em altas
horas da madrugada.”
Da cobranca de dividas [2][3]
[2] A COBRANCA DE DIVIDAS DE CONSUMO –
• Cobrar uma divida é atividade corriqueira e legitima.
• O Código não se opõe a tal.
• Sua objeção resume-se aos excessos cometidos no afã do recebimento daquilo de
que se é credor.
• E abusos ha.
• O próprio Congresso dos Estados Unidos, na Exposição de Motivos do Fair Debt
Collection Practices Act, reconheceu que
• “ha prova abundante do uso, por parte de cobradores de débitos, de praticas
abusivas, enganosas e injustas em tal atividade.
• Praticas abusivas de cobrança de dívidas contribuem para o numero de
insolvências civis, para a instabilidade matrimonial, para a perda de emprego e
para a invasão da privacidade individual”.
• Como se vê, o problema não e apenas brasileiro.
• É inerente mesmo a sociedade de consumo, já que o credito transformou-se em
sua mola mestra.
• E, evidentemente, todo credor - mesmo o usurário - quer receber de volta o que
emprestou, somado a sua remuneração.
• Para tanto vai, muitas vezes, às últimas consequências: a cobrança judicial.
• Só que esta, em face dos obstáculos inerentes ao processo, não é nunca a opção
primeira do credor.
• “Em decorrência da demora e custo envolvidos em um processo judicial, o credor,
provavelmente, fara uso, a principio, de táticas extrajudiciais de cobranca.”362
362 David G. Epstein & Steve H. Nickles, Consumer law in a Nutshell, St. Paul, West
Publishing Co., 1981, p. 372.
• Os abusos surgem exatamente nessa fase extrajudicial.
• O consumidor é abordado, das mais variadas formas possíveis, em
seu trabalho, residência e lazer.
• Utiliza-se toda uma serie de procedimentos vexatórios, enganosos e
molestadores.
• Seus vizinhos, amigos e colegas de trabalho são incomodados.
• Não raras vezes vem ele a perder o emprego em face dos transtornos
diretos causados aos seus chefes.
• As humilhações, por sua vez, não tem limites.
• Um caso, entre tantos outros, levado ao PROCON de Sao Paulo, é
ilustrativo.
• O consumidor inadimplente trabalhava em um escritório nas vizinhancas
da Praça da Sé, no centro de São Paulo, uma das regiões mais
movimentadas da cidade.
• A empresa de cobrança, não satisfeita com os telefonemas diários que fazia
ao chefe do devedor, resolveu colocar na porta de seu serviço uma “banda
de musica”, acompanhando palhaços, com cartazes, e que gritavam o
nome do consumidor e o cobriam de adjetivos os mais variados.363
• Um exagero a que o nosso Direito não dava tratamento eficaz.364
364 As condutas mais graves encontravam resposta legal, so que ineficiente.
Uma ddas e a contravenção penal de perturbacao do trabalho ou do sossego
alheios (art. 42 da Lei das Contravencoes Penais).
• 363 Nao imagine que em paises desenvolvidos a situacao seja diversa. Tanto assim que, nos Estados Unidos, foi necessaria a
promulgacao, cm 1977, de uma lei especial, o Fair Debt Collection Practices Act, dirigida exatamente a tal materia.
• Um bom exemplo do requinte a que chegaram as empresas de cobrança americanas vem relatado na decisão judicial Duty v.
General Financc Co., 273 S.W.2d 64 (Tcx. 1954).
• Segundo o tribunal, os molestamentos praticados pela empresa poderiam ser resumidos da seguinte forma: “longos telefonemas
diarios para o Sr. e Sra. Duty; ameacas de coloca-los na lista negra do Servico de Protecao ao Credito; acusacoes de serem
malandros; utilizacao de tom de voz alto, insinuante e rude; afirmacoes a seus vizinhos c empregadores de que eram malandros;
indagacao a Sra. Duty sobre o que estava fazendo com seu dinheiro, sendo esta acusada de gasta-lo de outras maneiras que nao
com o pagamento do emprestimo; ameacas de provocarem a perda dos seus empregos, a nao ser que a divida fosse saldada;
telefonemas aos devedores, diversas vezes ao dia, nos seus ambientes de trabalho; ameaca de penhora dos seus salarios; ataques
a reputação dos autores junto a seus colegas de trabalho; solicitacao aos seus patroes para que fizessem com que a divida fosse
liquidada; telefonemas para seus trabalhos; inundacao de sua casa c locais de trabalho com uma imensidao de cartas de cobranca,
cartoes pardos, cartas com entrega especial e telegramas; envio de cartoes com a seguinte abertura: ‘Caro Cliente: Nos lhe fizemos
um empréstimo porque imaginamos que voc~e fosse honesto’; remessa, por volta da meia-noite, de telegramas e cartas com
entrega especial, interrompendo seu sono; telefonema a um vizinho dizendo-se ser um irmao doente de um dos autores e, em
outra ocasiao, um enteado; telefonema interurbano, a cobrar, para o trabalho da mae da Sra. Duty, em Wichita Falis; colocacao de
cartoes vermelhos na porta de sua residencia, com notas de insulto no seu verso e ameacas veladas; telefonema interurbano, a
cobrar, para a casa do irmao do Sr. Duty, cm Albuquerque, no Novo Mexico, com custo de 11 dolares, incomodando-o com discurso
sobre o alegado debito dos autores”.
Da cobranca de dividas [2][3]
[3] O OBJETO DO DISPOSITIVO –
• Essa parte do Código não se preocupa com a formação do contrato de consumo.
• Limita-se a regrar alguns aspectos de sua implementação (execução) pelo
fornecedor.
• Diga-se, inicialmente, que o dispositivo não se consagra a cobrança judicial, isto e,
aquela exercida em função de processo judicial, através de funcionários públicos.
• Destina-se, portanto, a controlar as cobranças extrajudiciais, em especial aquelas
efetuadas por “empresas de cobrança”.
• Ao contrario do Fair Debt Collection Practices Acty o dispositivo do Código
brasileiro regra qualquer tipo de cobranca extrajudicial, mesmo que exercida
diretamente pelo próprio credor, sem a intermediação de empresa especializada
na prestação desse tipo de serviço.
[p.400]
• O nosso texto,[p.400] então, acompanha o modelo mais avançado de
algumas leis estaduais dos Estados Unidos.365
365 É o caso do Estado de Wisconsin, cuja lei tem aplicação contra
qualquer pessoa que cobre débitos, não se limitando às empresas
especializadas em tal negocio.
• De modo resumido, protegem-se a privacidade e a imagem pública do
cidadão, na sua qualidade de consumidor.
• Por esse prisma, tudo é novidade.
• Proíbe-se, fundamentalmente, a sua exposição a ridículo, a
interferência na sua privacidade e a utilização de inverdades.
Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor
inadimplente não será exposto a ridículo, [4]
[4] OS CONTATOS DO CREDOR COM TERCEIROS
• O débito de consumo decorre de uma relação limitada às pessoas do fornecedor e do
consumidor.
• Como consequência, qualquer esforço de cobrança há de ser dirigido contra a pessoa
deste.
• Não pode envolver terceiros (a não ser aqueles que garantem o débito), nem mesmo os
familiares do consumidor.
• Só excepcionalmente tal é possível, e tão só para aquisição de informação sobre o
paradeiro do devedor.
• Dai que são inadmissíveis as praticas de cobrança que, direta ou indiretamente, afetem
pessoas outras que não o próprio consumidor.
• É um seriíssimo indício do intuito do credor de envergonhar ou vexar o inadimplente.
• Significa, em outras palavras, violação do art. 42, caput.
Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente
não será exposto a ridículo, [4][5] nem será submetido a
qualquer tipo de constrangimento [5] ou ameaça. [5]
[5] AS PRATICAS PROIBIDAS
• O art. 42 tem que ser lido em conjunto com o art. 71, sua face penal.
• Diz este: “Utilizar, na cobrança de dividas, de ameaça, coação,
constrangimento físico ou moral, afirmações falsas, incorretas ou
enganosas ou de qualquer outro procedimento que exponha o consumidor,
injustificadamente, a ridículo, ou interfira com seu trabalho, descanso ou
lazer. Pena - Detenção de três meses a um ano e multa.”
• São violações per se dos dois dispositivos:
• a) a utilização de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral;
• b) o emprego de afirmações falsas, incorretas ou enganosas.
• Esses dois grupos de afronta legal são proibidos de maneira absoluta.
• Em outras palavras: jamais é justificável, em cobrança extrajudicial, o
uso de ameaça, coação, constrangimento físico ou moral, assim como
de afirmações desconformes com a realidade.
[p.401]
• Mas ha outras formas de cobrança que não são vedadas pelo Código
de modo absoluto. Admite-se, por exceção, sua utilização. São elas:
• a) a exposição do consumidor a ridículo;
• b) a interferência no trabalho, descanso ou lazer do consumidor.
[5.1] AS PROIBIÇÕES ABSOLUTAS –
• Existem certas práticas que não podem, em nenhuma hipótese, ser
utilizadas por aquele que cobra divida de consumo.
• Paira sobre elas proibição absoluta, havendo presunção jure et de jure
de prejuízo para o consumidor.
• É o que analisaremos a seguir.
[5.1.1] A AMEACA
• Nenhum credor ou preposto seu pode ameaçar o consumidor na
cobrança de um débito.
• O conceito de ameaça aqui não é idêntico aquele do Código Penal
(art. 147).
• É muito mais amplo.
• Não se exige, em primeiro lugar, a gravidade do mal.
• Portanto, se o cobrador “ameaça” o consumidor de espalhar a noticia
do débito entre todos os seus amigos ou colegas de trabalho,
configurado esta o ataque ao art 42, bem como ao art. 71.
• Em segundo lugar, não é necessário que a ameaça tenha o condão de assustar o
consumidor.
• Tampouco requer-se diga ela respeito a mal físico.
• A simples ameaça patrimonial ou moral, quando desprovida de fundamento, ja se
encaixa no dispositivo.
• É o caso do proprietário de escola que, ao cobrar debito atrasado, ameaça
impedir o aluno de fazer seus exames.
• Tudo isso não quer dizer que qualquer palavra ou gesto do cobrador configure
ameaça e baste para a aplicação dos dispositivos mencionados.
• De seu conceito exclui-se, a toda evidencia, o exercício de direitos assegurados
pelo ordenamento jurídico.
• Assim, se o credor avisa o consumidor que em sete dias estará propondo ação de
cobrança, ai não ha qualquer ameaça, mas, sim, a comunicação de um
procedimento acobertado pelo Direito.
• Claro que, mesmo nesse caso, se houver puro “blefe”, caracterizada esta a
infringência ao preceito, mas sob outro fundamento (“emprego de afirmações
falsas, incorretas ou enganosas”).